Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

22/10/2005

Por enquanto, 50%

Deu Corinthians e deu Atlético Paranaense, como previsto.

E não deu nem Flamengo nem Palmeiras.

Também, pudera, o Júnior Baiano, mais uma vez, jogou contra o rubro-negro.

E o Palmeiras, bem, o Palmeiras, sei lá. Acho que ainda não acertei nenhum resultado do Palmeiras desde que este blog está no ar.

Já o Corinthians teve sorte.

Sorte de fazer um gol no começo do jogo e de pegar o Paraná num dia infeliz.

Porque o Corinthians morreu no segundo tempo, fruto do desgaste de jogar sem parar. E se não fosse por um milagre de Fábio Costa, teria amargado um empate.

Por Juca Kfouri às 18h15

"Caso Corcione"

Seguem, abaixo, duas matérias, entre tantas que você pode pesquisar no Google, nas quais o sr. Antonio Carlos Corcione é tratado como advogado, sem que haja nenhuma correção dele em edições posteriores.
Do mesmo modo, em 2003, ele deu uma entrevista no Programa Jô Soares (fita em poder deste blog), para falar sobre o Santo Sudário, na qual,  em sua apresentação, Jô Soares pergunta: "Você é advogado e consultor de empresas, não é?". E Corcione responde, singelamente: "Isso".

Mais: num dos trechos da entrevista, Corcione diz, literalmente: "A gente, apesar de advogado, estuda medicina", para explicar como se dá a morte por crucificação.

Agora, as duas notas publicadas na imprensa.

(Extraído da revista Sports Magazine, edição no. 10, de dezembro de 2002)

Ações de combate: a caça aos piratas
A caravela do distintivo do Vasco foi tomada, assim como a bandeira do escudo do Corinthians foi trocada... A imagem passada é totalmente absurda, porém ilustra bem a situação que os Clubes brasileiros têm sofrido com a ação dos piratas e falsificadores. Ao invés de embarcarem com seus galeões nas praias desertas, os atuais piratas utilizam-se de rotas comuns para o comércio mundial para desembarcarem seus produtos. Os portos de todo o Brasil são usados, e apesar da fiscalização, ainda são vistos como principal porta de entrada dos produtos provenientes da China e outras partes da Ásia, onde se localizam os principais falsificadores. Só que engana-se quem julga que os Clubes e fabricantes de materiais esportivos estejam parados apenas vendo os seus direitos de uso de imagem se perderem nas mãos dos falsificadores. Um bom exemplo é o Palmeiras, que tem se destacado no combate à pirataria por ser o único Clube a contar com um departamento exclusivo para o combate à pirataria. Para conhecermos melhor as ações do 'Verdão', consultamos o advogado Antônio Carlos Corcione, do escritório Renzo de Carvalho e Corcione, que presta assessoria jurídica ao Clube. "Fundamentalmente o Palmeiras tem o interesse principal de retirar o produto pirata do mercado e de descobrir os fabricantes destes produtos piratas.

 


Juninho fora e Gamarra certo no Palmeiras

Notícia de 09/07/2005,   08:42:31hrs         Fonte: Globo Esportes

SÃO PAULO - O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) suspendeu o meia Juninho Paulista por dois jogos. Com isso, o jogador não irá enfrentar o Corinthians, domingo, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. A diretoria do Palmeiras desistiu de entrar com um pedido de efeito suspensivo que poderia liberar o meia para o clássico. Segundo a Lei Pelé, mesmo que um jogador sofra punição de apenas um jogo, o pedido pode ser feito.

- O Juninho Paulista pegou uma pena mínima, mas infelizmente ainda tomou dois jogos de suspensão. Já tentamos recorrer, mas não havia tempo hábil - disse o advogado em entrevista à Radio Globo.

Após a derrota para o Paysandu, Juninho xingou o assistente da partida e o árbitro, Heber Roberto Lopes, que relatou isso na súmula. O meia foi denunciado no artigo 252 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

Em compensação, o zagueiro Gamarra está confirmado para o clássico. No fim da tarde desta sexta-feira, o advogado do Verdão, Antonio Carlos Corcione, confirmou que o nome do jogador está incluso no BID (Boletim Informativo Diário), que consta os nomes dos reforços regularizados das equipes que disputam o Campeonato Brasileiro.

Com a confirmação, o clássico entre os dois rivais terá como destaque dois gringos: Gamarra, do lado do time alviverde, e o volante argentino Mascherano, que também fará a sua estréia, pelo Corinthians.

 

Por Juca Kfouri às 13h29

O que fazer?

Para você que se pergunta como se defender das arbitrariedades cometidas contra os direitos do torcedor, uma dica valiosa: leia a revista "A+", do diário "Lance!" que já está nas bancas.

Lá você encontrará uma bela reportagem da jornalista Mariana Bastos, um verdadeiro guia em quatro páginas, sobre o que você pode fazer no exercício da sua cidadania como torcedor.

A reportagem ainda não está disponível no sítio da publicação, coisa que deve acontecer nas próximas horas (www.lancenet.com.br).

Por Juca Kfouri às 12h49

Zveiter fora?

Sob o título "Apito final", a coluna de Ancelmo Gois, hoje, no "Globo", informa que o Conselho Nacional de Justiça "deve afastar terça-feira o desembargador Luiz Zveiter da presidência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva".

A informação que se tinha era a de que a decisão só sairia no dia 18 de novembro.

Por Juca Kfouri às 12h43

21/10/2005

Palpites sabáticos

Alguém disse que o blog pipocou ao não palpitar nos jogos da sexta-feira.

Outro agradeceu por eu não ter apontado o Goiás dele como vencedor.

Pois eu achava que daria dois empates...

Mas não fugirei às minhas responsabilidades.

Neste sábado, em São Januário, para surpresa geral (inclusive minha), o Flamengo vencerá.

No confronto dos Atléticos, dará o paranaense.

O Palmeiras derrota o Fortaleza, lá.

O Corinthians ganha do Paraná, cá.

Juventude e Inter vão empatar.

O Cruzeiro se vingará do Paysandu.

E não faço a menor idéia sobre o que acontecerá entre Figueirense x Ponte Preta; São Paulo x Santos e Botafogo x Coritiba, embora aposte em empate em Floripa, vitória do Santos e do Botafogo.

Pronto!

Dê você os seus palpites.

E ganhe uma caixa das Pilhas de Nervos, as únicas que quanto mais são usadas, mais duram.

 

Por Juca Kfouri às 23h38

Vitória da camisa

A proposta de proibir a ida de torcedores visitantes com as camisas de seus times nos clássicos paulistas levou uma goleada.

Pelo menos nesta polêmica, o sim ganhou.

Sim, santista, você pode ir com sua camisa ao jogo deste sábado no Morumbi.

Em reunião na Secretaria da Segurança de São Paulo, desta vez o Ministério Público foi representado por um Promotor Público que é assessor direto do Procurador-Geral do Estado, Rodrigo Pinho.

E Arnaldo Hossepian Jr. deixou claro que o Ministério Público não endossava, como instituição, a proposta, pessoal, de seu colega Fernando Capez.

E não se falou mais de tal absurdo. 

Palmas para o Ministério Público paulista.

Por Juca Kfouri às 22h09

Incrível Goiás

O Goiás segue vivíssimo.

O Flu, menos. Para a Libertadores ainda dá, mas, para o título, muito, mas muito dificilmente, embora não ainda só por milagre.

Mesmo muito desfalcado, o Goiás ganhou com justiça do Brasiliense, cada vez mais rebaixado, por 2 a 1.

O Flu saiu perdendo de 2 a 0 e quase aprontou outra virada heróica, porque soube se aproveitar do fato de o São Caetano jogar com apenas 10 jogadores desde os 28 minutos do primeiro tempo. Mas ficou no 2 a 2.

Com dois jogos a mais, o Goiás tem três pontos a menos que o líder.

Por Juca Kfouri às 21h37

Explicação do Palmeiras

O blog recebeu da direção do Palmeiras a explicação ora reproduzida sobre a situação do sr. Antonio Carlos Corcione. Evidentemente não era do conhecimento do blog que já houvesse qualquer decisão judicial a respeito do que motivou a notícia aqui publicada no último dia 17.

Seja como for, e exposta a explicação oficial do clube, cumpre chamar a atenção para a procuração que motivou a denúncia da suposta irregularidade ao Ministério Público e à OAB, também aqui agora publicada. É de se notar que por meio dela o Palmeiras dá poderes ao sr. Corcione que, normalmente, são dados apenas aos advogados:

Por Juca Kfouri às 17h42

A nova confusão do STJD

O STJD expediu dois comunicados contraditórios sobre a questão dos jogadores que teriam ou não condições de jogo para as partidas remarcadas.

É claro que vale o último, o que não exime o STJD de mais uma confusão jurídica, causada pela velha mania que maus juristas têm de fazer as coisas em cima das pernas e achar que são deuses.

O São Paulo, baseado no primeiro comunicado, promete escalar Cicinho, Lugano e Josué para enfrentar o Corinthians na próxima segunda-feira.

Sabe que perderá seis pontos se o fizer, porque o segundo comunicado não deixa dúvidas sobre a escalação deles.

Mas este jogo só tem, para o São Paulo, valor moral.

O Tricolor quer provar que é o melhor time do país ao derrotar, de novo, o líder do campeonato e seu rival predileto.

Ganhar os pontos é o que menos importa. Importa ganhar o jogo.

E se, de fato, escalar os três jogadores suspensos, acrescentará mais bagunça ao já suficientemente esculhambado Brasileirão-2005, com o que busca manchar a eventual conquista do adversário.

Cá entre nós, duvido que o São Paulo os escale, mas tudo é possível, apesar de o clube ter sido um dos poucos a apoiar, sem restrições, a decisão do STJD de anular os 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho.

Luiz Zveiter, o Rei Só, colhe o que plantou.

Por Juca Kfouri às 16h41

Líderes em perigo

Goiás e Fluminense jogam hoje à noite na posição de favoritos, mas fora de casa.

E não é só aí que o perigo mora.

O Goiás viaja pouco para pegar o Brasiliense, mas viaja sem sua zaga titular e, principalmente, sem Paulo Baier, melhor jogador do time.

E ainda nâo terá Rodrigo Tabata, outro desfalque sensível.

Verdade que o frágil Brasiliense também não terá nem Marcelinho Carioca (para variar) nem Iranildo, indisposto com Joel Santana, o homem da prancheta misteriosa.

Já o Fluminense leva todo seu cansaço para São Caetano, onde terá um adversário que está longe de ser o mesmo de campeonatos passados, mas que, de todo jeito, vende caro derrotas em casa.

Aliás, em seis jogos já disputados entre ambos em São Caetano, o Azulão, que jogará completo, ganhou cinco e empatou uma com o Tricolor, que não terá o ala Gabriel, desfalque sério, além de Beto, Leandro e Milton do Ó.

E nem Goiás nem Flu podem bobear se ainda pensam no título brasileiro.

E o blog se abstém de fazer prognósticos...

Por Juca Kfouri às 13h38

20/10/2005

Bate-Blog

Cá entre nós, pensemos.
Tirei esta quinta-feira para ler todos os comentários, que são muitos e, pelos quais, tirante os dos delirantes, agradeço.
O convite para pensar sobre o que escreveu o leitor que gosta de estatísticas rendeu o que dele eu esperava: fez pensar, tanto que mais de 80 pessoas se deram ao trabalho de comentar.
Em nenhum momento, é curioso, escrevi que concordava ou discordava do raciocínio, até porque bem sei que uma pessoa com a cabeça na geladeira e os pés no forno está com uma temperatura média ótima, mas, na verdade, está mortinho da silva.
Quanto à denúncia vazia do tal Gibão, sim, dei minha opinião. E a mantenho, sem tirar nem pôr.
Tem gente esquecida de que o que pegou o Edílson foi, fundamentalmente, a gravação feita pela Polícia Federal. Não foi o que ele disse ou deixou de dizer nos depoimentos ou entrevistas.
Se concordei com a anulação dos 11 jogos, e concordei, por considerar a opção menos ruim, leia o que disseram ontem, na Comissão de Esportes da Câmara, os promotores públicos que investigaram o caso, ambos também convencidos de que foi a solução possível. Porque têm sérios motivos para achar que o Edílson fazia jogo duplo.
Está na "Folha de S.Paulo" de hoje, está no UOL.
E os promotores não são nem corintianos nem empregados da MSI que, por sinal e por coincidência, também denunciaram por claros indícios de lavagem de dinheiro.
Reduzir a questão às preferências clubísticas de a ou de b é mediocrizar o debate.
Os promotores disseram, ainda, que o tal Gibão nada disse sobre o Héber no depoimento à Justiça e, convenhamos, eles têm bem mais credibilidade que o indigitado empresário.
Quanto ao mais, menos polêmico, mas deveras, mantenho que o Zé Roberto empurrou o zagueiro do Vasco antes de ser puxado por este e fazer o gol bem anulado, como continuo a achar que o Romário estava levemente adiantado, o que dá ao bandeirinha o direito de, segundo a Fifa recomenda, deixar o lance seguir.
Mas também essas opiniões, dirão os delirantes, devem ser coisa de corintiano, muito preocupado com a proximidade de Botafogo e Vasco na tábua de classificação.
Assim é, se lhe parece.
 

Por Juca Kfouri às 17h41

Para pensar antes de dormir

Um gentil leitor deste blog, Sérgio Santurian, fanático por matemática, revela números que, no mínimo, fazem pensar sobre a atuação de Edilson Pereira de Carvalho nos 11 jogos que atuou neste campeonato.

Até aqui, incluídos os jogos de ontem, fora disputados 698 jogos.

Houve 168 empates, 24% do total.

Nos 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho não houve empate algum.

Seria de se esperar, entre dois ou três empates, mantida a média dos 24%.

Nos oito jogos já refeitos dos 11 anulados já tivemos três empates. 

Se não houver mais empates nos três restantes (São Paulo x Corinthians, Fluminense x Brasiliense e Inter x Coritiba), os tais 24% serão mantidos.

E mesmo que haja mais três empates, o que superaria os 50% nos jogos repetidos, ficaríamos ainda mais distantes do 0% sob o apito de Edílson Pereira de Carvalho.

Não é mesmo de fazer parar para pensa?

Por Juca Kfouri às 00h36

19/10/2005

Só um repeteco

Mais quatro jogos repetidos pelo Brasileirão e só num, em oito já realizados, o vencedor foi o mesmo: a Ponte Preta ganhou do São Paulo, 2 a 0, como havia vencido antes, pela contagem mínima.

De resto, tudo diferente: o Vasco, com um gol em impedimento (daqueles que o bandeirinha pode errar) de Romário, derrotou o Botafogo pelo mesmo placar da derrota no jogo anulado: 1 a 0. Os botafoguenses reclamam, sem razão, da anulação de um gol em que, de fato, Zé Roberto fez falta no zagueiro vascaíno.

Juventude e Figueirense ficaram no 2 a 2, depois que os catarinenses ganhavam por 2 a 0 e até pareciam dispostos a repetir a goleada do jogo cancelado, quando venceram por 4 a 1.

E, em Belém, o Paysandu, de Carlos Alberto Torres, goleou por 4 a 1 o Cruzeiro, que dos seis pontos que havia ganho nas partidas que teve de refazer, manteve apenas um.

O Paysandu saiu da zona de rebaixamento, o que parecia impossível poucas rodadas atrás, e o Flamengo e o Galo voltaram, o que era previsível.

 

Por Juca Kfouri às 23h01

Bobeada corintiana

Também será dura a vida do Corinthians no jogo de volta pela Copa Sul-Americana.

Menos pelo adversário, o Pumas, que se mostrou fragílimo no Pacaembu, diante de apenas 5 mil torcedores.

Mas, a exemplo do Flu, o Corinthians que ganhava de 2 a 0 e poderia estar ganhando de mais, sofreu, no último minuto, o gol que dá gás aos mexicanos.

E gás na altitude da Cidade do México, onde faltará oxigênio aos brasileiros.

Por Juca Kfouri às 22h53

Vitórias apertadas

Tanto o Flu quanto o Inter ganharam por apenas um gol de diferença de Universidade Católica e Boca Juniors.

2 a 1 para o Flu, diante de pouco mais de 3 mil torcedores e 1 a 0 para o Inter, para quase 33 mil.

Os cariocas tomaram um gol no fim.

Os gaúchos fizeram seu gol, legal, no fim, com Fernandão.

O Inter se perder de 1 a 0, em Salta, no jogo de volta, irá aos pênaltis.

Já o Flu se perder de 1 a 0, dançará em Santiago.

Mas deverá ter vida menos difícil na capital do Chile que o Inter no interior da Argentina.

Por Juca Kfouri às 21h23

Acusação suspeita

A acusação do tal Gibão contra o mau árbitro Heber Roberto Lopes tem tudo para ser daquelas coisas que vêm para confundir.

E não merece crédito.

Gibão, o chefão das apostas clandestinas, disse à CPI dos Bingos que ouviu de Edílson Pereira de Carvalho para apostar no Botafogo diante do Juventude, no Rio, porque o árbitro paranaense era "caseiro".

O Botafogo, de fato, ganhou, depois de estar perdendo por 2 a 0, numa bela virada, 3 a 2, com dois gols de pênaltis claros, um deles, o primeiro, convertido e repetido por invasão do ataque carioca.

Levar uma "denúncia" dessas a sério não está entre as prioridades deste blog.

Por Juca Kfouri às 21h17

A fina ironia de um jornalista sutil

O melhor futebol do mundo

Cláudio Weber Abramo

 

De certa maneira, acredito que o escândalo da Máfia do Apito mostre que o futebol brasileiro seja um dos mais íntegros do mundo. Afinal, esse caso envolveu apenas dois árbitros, um deles detentor de diploma falsificado do secundário, e um apostador meio xinfrim. Isso é tudo.

Não acontecem por aqui os escândalos que assolam o futebol em outros países, que sob quaisquer outros pontos de vista são muito mais ricos, charmosos, brilhosos e importantes na ordem das coisas.

Vejam só: No Brasil nunca se ouviu falar de jogadores que levam grana para entregar partidas. Muito menos de técnicos e dirigentes de clubes que entram em conluio para acertar resultados, garantir ascensos ou descensos por vias transversas e outras tramóias que periodicamente são noticiadas na Alemanha e na Itália, para ficar só nesses.

O máximo que se ouve por aqui é que certo técnico é dono do passe de tal ou qual jogador. Decerto, num ambiente desportivo tão saudável quanto o brasileiro, o fato de o técnico escalar sistematicamente o fulano não pode ter nada a ver com os interesses comerciais dos dois ditos-cujos. Em tal ambiente, é claro que o técnico toma decisões técnicas. O fato de suas decisões técnicas coincidirem com seus interesses econômicos só demonstra que, além de tecnicamente competente, o técnico é também financeiramente competente. Só ganha com isso o futebol, é claro.

Quanto aos boatos de que jornalistas esportivos se mancomunam com dirigentes, patrocinadores, jogadores, empresas de marketing esportivo e sabe-se lá mais quem para auferir vantagens diversas através da promoção jornalística dos mesmos dirigentes, patrocinadores, jogadores, empresas de marketing esportivo e sabe-se lá mais quem, não passam de desinformação. Um país que tem o melhor futebol do mundo só pode ter a melhor crônica esportiva do mundo, claro, óbvio.

De modo que o escândalo da Máfia do Apito na verdade só nos dá motivos para que nos ufanemos ainda mais.

Claudio Weber Abramo é diretor executivo da Transparência Brasil (www.transparencia.org.br, crwa.zip.net).

Por Juca Kfouri às 21h02

A secundária Copa Sul-Americana

Não adianta querer dourar a pílula: o torcedor não se liga na Copa Sul-Americana.

Ontem, pouco mais de 3 mil pessoas foram ver a vitória do Fluminense sobre o Universidade Católica, do Chile, em São Januário.

Verdade que São Januário não é exatamemte o lugar em que o torcedor tricolor se sente mais em casa, mas, mesmo, assim, convenhamos, menos de 4 mil torcedores é pouco demais.

Hoje, no Pacaembu, nada indica que mais de 10 mil corinthianos presenciem a partida diante dos mexicanos do Pumas.

É verdade, também, que no Beira-Rio, o público deva ser bem maior.

Fala-se em cerca de 30 mil colorados para o clássico diante do Boca Juniors.

Mas, segundo os gaúchos, muito mais porque o adversário é o Boca do que pela Copa em si, embora sejam mais "copeiros" que os demais torcedores brasileiros e tenham a rivalidade aguçada pela proximidade com argentinos e uruguaios. 

Seja como for, tanto o Flu quanto o Inter escalam força máxima para seus jogos, apesar do desgaste em relação ao Campeonato Brasileiro, que é o que interessa.

O Corinthians ainda faz mistério e diz que a escalação dependerá de seu fisiologista, o competente Dr. Lotufo.

A maioria dos corintianos espera que ele preserve os titulares para os jogos diante do Paraná Clube, no sábado, e do São Paulo, na segunda-feira.

Porque o torcedor não tem nada de bobo.

Por Juca Kfouri às 14h20

18/10/2005

E Portugal ri da piada do brasileiro

Ah, imagine se um promotor público português sugerisse a criação de uma torcida de futebol clandestina, secreta.

Nós, brasileiros, morreríamos de rir por aqui.

Mas foi aqui que o promotor Fernando Capez propôs a tal torcida secreta.

Ele quer que os torcedores dos times visitantes, em clássicos estaduais, sejam proibidos de usar a camisa de seus times do coração nos campos dos mandantes.

Ele acha que, assim, dificultaria a briga entre grupos rivais no trajeto dos estádios.

E disse que o problemas hoje em dia não acontecem mais nos estádios, como se o Pacaembu e a Vila Belmiro, palcos de brigas neste Campeonato Brasileiro, fossem estações de metrô.

Estranha lógica, a de Capez.

Não ocorre a ele, em primeiro lugar, que não há lei que impeça uma pessoa de vestir a camisa que quiser.

Pior, não ocorre a ele que a não identificação dos torcedores de um time torna os identificados do outro time vítimas ainda mais fáceis de serem emboscadas, porque pegas de surpresa.

E que, na visão de quem estiver uniformizado, os que não estiverem serão vistos como inimigos em potencial.

Ou ainda, que alguém pode perfeitamente circular com a camisa do time no trajeto e vestir outra por cima para entrar no estádio.

Menos mal que idéia tão estapafúrdia precisará ser aprovada pelo secretário da Segurança de São Paulo e dele espera-se um pouco mais de bom senso.

Capez não percebeu, ainda, embora lide com o probema da violência de torcidas há 10 longos anos, que as três recentes mortes em São Paulo envolveram três sócios de torcidas organizadas.

No mínimo, jovens que sabiam o risco que corriam ou faziam os outros correr.

Com a obrigatoriedade do torcedor descamisado, também o torcedor comum, ou até mesmo um cidadão que nem goste de futebol, passa a ser uma vítima potencial dos tais torcedores organizados.

Melhor faria o promotor se tratasse de fiscalizar, como é de sua função, o cumprimento do artigo 17 do Estatuto do Torcedor, que obriga que se faça um plano de ação antes de cada jogo. Coisa que ninguém obedece.

Mas isso exigiria disposição para enfrentar a cartolagem, algo que não parece estar em seus planos.

 

 

Por Juca Kfouri às 23h33

Violência: por que não acaba

Você se lembra dos tempos de inflação desenfreada no Brasil?
Pois é. Todo mundo criticava e a inflação não acabava.
Era fácil imaginar que alguém ganhava com ela.
Quando acabou, descobriu-se.
E foi uma quebradeira de bancos.
Coisa parecida acontece com a violência entre torcedores.
Tem gente que se dá bem com o fenômeno.
A cada morte, 15 minutos de notoriedade e declarações enérgicas.
E eventuais convites para palestras, aulas etc. É a fama!
Certamente não são poucas as "autoridades" que fecham um olho aqui, abrem um bolso ali.
Não que as soluções sejam fáceis, porque não são.
Mas os países que quiseram, de fato, controlar a violência, obtiveram êxito.
Aqui, por exemplo, o Código do Torcedor, como bem lembra José Luiz Portella em uma coluna hoje no diário "Lance!", exige que cada jogo seja precedido de um Plano de Ação para o evento.
E alguém faz?
Não, ninguém.
Nem a CBF, nem a FPF, nem os clubes, nem as "autoridades".
E alguém é punido por não fazer?
Não, ninguém.
Mas o artigo está lá, é lei, artigo 17.
E por que não se faz o Plano de Ação nem se pune quem não o faz?
Porque não interessa aos que fizeram da violência meio de vida que esta acabe, pois seria como tirar o oxigênio dessa gente demagógica e nada capaz.
Você já notou como o mundo do futebol está repleto de "homens da lei".
Delegados, promotores, juízes (não árbitros), até desembargadores.
E o resultado?
Nenhum, que ajude o futebol.
Todos, no entanto, não perdem uma chance de aparecer quando vêem um fotógrafo, uma luz de TV acesa, um microfone.
O pior é que ainda há quem os ouça.
E eles são tão responsáveis como os descabeçados que promovem a violência direta.

Por Juca Kfouri às 13h16

Não deixe de ler

Casa arrombada
MELCHIADES FILHO
EDITOR DE ESPORTE DA FOLHA DE S.PAULO

A "casa do basquete" caiu; a máscara do presidente Gerasime Bozikis também.
Na semana passada, a confederação anunciou que as portas da seleção estarão fechadas para os atletas que não aceitarem disputar o torneio que ela organiza.
O golpe baixo nasceu como retaliação à NLB, campeonato interclubes independente que dará largada na próxima terça-feira.
Foi a primeira vez que o cartola ajustou a metralhadora em público e mirou nas quadras.
Até então ele agia no bastidor, com discrição, pressionando as equipes para que não migrassem.
Cerca de 300 jogadores serão atingidos em cheio pelo decreto.
Bozikis evidentemente tenta chantageá-los a rescindir com os clubes "rebeldes".
Mostra que está disposto a tudo para preservar sua autoridade, inclusive a comprometer as chances do Brasil de se reerguer nos Mundiais de 2006 e na Olimpíada de 2008 (é um contra-senso um país que vem de seguidos insucessos no cenário internacional enxugar o universo de convocáveis).
Acaba, com isso, reconhecendo a insinceridade de seu discurso de posse apaziguador, de suas promessas de transformar a confederação na "casa do basquete".
O dirigente, pelo contrário, negou abrigo, um por um, aos que escreveram a história do esporte.
Entre os sem-teto estão Oscar, Paula e Hortência, os três principais ídolos do país, unidos na administração da liga autônoma.
Estão Miguel Ângelo e Ary Vidal, os treinadores que, junto com o legendário Kanela, responderam pelas principais conquistas de nossas seleções adultas.
Estão Wlamir Marques e os demais heróis do bicampeonato mundial, de quem a CBB só se lembra nas efemérides e enterros.
Está Nenê, nosso principal jogador, que se revoltou quando soube que teria de pagar pedágio para que pudesse atuar na NBA.
Possivelmente estará Janeth, nossa principal jogadora, que já avisou que pretende atuar em um time da NLB no ano que vem.
Estão Marcel, Paulo Bassul, Maria Helena Cardoso e muitos outros que um dia ousaram defender correções de rumo.
Quem hoje desfruta do ar-condicionado da "casa do basquete" são pessoas com trajetórias minúsculas, nomes como bob, lula, manteiga, toni, chaim... Alguém aí já ouviu falar desses "craques"?
Nenhuma outra confederação no Brasil emprega ferramentas tão autoritárias e dispensa tão violentamente as lições do passado e as possibilidades do futuro.
Resta saber até quando a Eletrobrás, estatal de um governo que no palanque prometeu transformações sociais, vai seguir financiando esse grande caso de coronelismo do esporte nacional.
Ou até quando o Sportv, que tantos esforços jornalísticos tem feito para merecer o slogan de "canal campeão", vai continuar a estender os braços para cartolas que representam o atraso.
Ou até quando empresas como Telemig, Philips, Dix Amico, Unimed, Conti etc vão manter seu patrimônio no mesmo endereço.
A legítima família do basquete, por iniciativa própria ou porque não teve escolha, já se mudou.

Pé-de-cabra 1
A CBB mentiu ao atribuir à federação internacional o veto aos jogadores da Nossa Liga. O reconhecimento só depende dela, CBB.

Pé-de-cabra 2
A CBB errou ao dizer que a "sanção" um dia foi aplicada à NBA e que, por isso, Oscar não pôde atuar na liga americana nos anos 80. A verdade é que o movimento olímpico não permitia na época a participação de atletas profissionais, no basquete ou qualquer outro esporte.

Pé-de-cabra 3
Os técnicos lambe-botas que encamparam a chantagem da CBB são os mesmos que, em seus clubes, vão se fartar quando a massa de jovens talentos forjada pela Nossa Liga quiser sonhar com a seleção.

Por Juca Kfouri às 11h48

O Flamengo e o cachorro que caiu do caminhão de mudança

Onde todo mundo manda, ninguém manda.

Mas o Flamengo resolveu montar um triunvirato para comandar seu futebol.

Além do inoperante Gérson Biscotto que já estava, convocou dois ex-presidentes, Kléber Leite e Hélio Ferraz.

Nenhum dos dois deixou saudades como dirigentes máximos na Gávea.

Os dois não se mostraram à altura do Flamengo, como Márcio Braga, nesta gestão, também não.

E nada indica que que as coisas vão melhorar, ao contrário.

O Flamengo perdeu o rumo de casa.

Na verdade, a impressão que dá é a de que Braga resolveu dividir responsabilidades pelo fracasso que se avizinha.

E os dois toparam, sinal de generosidade por um lado e de desespero do outro.

Por Juca Kfouri às 00h14

17/10/2005

O hexa mais perto

Ronaldo acabou com o Atlético de Madri e levou uma sarrafada criminosa.

Resultado: um mês de molho, para cuidar do tornozelo.

A Seleção Brasileira agradece.

Quanto mais tempo nossos craques passarem no estaleiro, melhor para a campanha do hexacampeonato.

Ou alguém se esquece que os dois que fizeram a diferença na Copa de 2002, o mesmo Ronaldo e Rivaldo, chegaram à Ásia 100% (ao contrário dos melhores jogadores franceses, argentinos, então os favoritos) exatamente porque vinham de longo período de recuperação?

Por Juca Kfouri às 11h01

MSI

Aos que insistem em cobrar este blog em relação à MSI, algumas perguntas:


1. Quem foi que, desde o começo do anúncio da tal parceria corintiana, ligou a MSI ao mafioso russo Bóris Berezoviski, no diário "Lance!"?;


2. Quem foi que denunciou as diversas identidades e nacionalidades de Kia Joorabchian no mesmo "Lance!"?

3. Quem é criticado pelos corintianos que não estão nem aí para a origem do dinheiro que chegou ao Corinthians por meio da tal parceria?

Respondidas tais perguntas, fica uma certeza: quando a irracionalidade dos dois lados, corintianos e anticorintianos, elege o mesmo jornalista para suas críticas, passa um atestado de imparcialidade ao dito cujo.

Pense nisso, só um pouquinho.

Por Juca Kfouri às 10h11

Falsidade no Palmeiras

Há anos que o Palmeiras se faz representar na Justiça por meio de um "advogado" que, na verdade, não é advogado, por não ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil, como é obrigatório.

Trata-se do sr. Antônio Carlos Corcione que fala, age e representa o Palmeiras num caso típico de falsidade ideológica, não muito diferente do caso do diploma falso de Edílson Pereira de Carvalho.

O Ministério Público paulista e a OAB já receberam cópias da documentação que prova o que é, em tese, crime de Fraude Processual, segundo o artigo 347 do Código de Processo Penal.

 

 

Por Juca Kfouri às 09h04

16/10/2005

Rodada corintiana

O Corinthians ficou mais perto do seu tetracampeonato.

Se alcançá-lo, como tudo indica, será a primeira vez que um time é campeão brasileiro apesar de ter trocado de técnico duas vezes.

O que mostra como o dinheiro às vezes encobre grandes erros, algo que caracteriza essa parceria que ainda dará muitas dores de cabeça ao Corinthians, apesar de provavelmente dar este título.

Mas o time se comportou hoje como campeão, ao segurar, com 10 jogadores desde os 23 minutos do primeiro tempo, o empate em 1 a 1 com o Palmeiras.

E ainda viu o Goiás deixar escapar a chance de chegar mais perto, ao só empatar com o Santos, 1 a 1, na Vila Belmiro.

E bem que os goianos fizeram por merecer a vitória, mas se mantiveram, com um jogo a mais que o líder, a longos seis pontos do Corinthians, que ainda tem duas vitórias a mais que o Goiás.

Só o Inter se aproximou, ao vencer o Vasco por 3 a 1. Mas está a sete pontos do Corinthians, com o mesmo número de jogos, só que com três vitórias a menos.

E lá embaixo a agonia continua: enquanto Brasiliense, Paysandu e Figueirense ganharam na rodada, Vasco (que chora sem razão pelo terceiro gol gaúcho), Atlético Mineiro e Flamengo perderam, o Mengo de 6 a 1, em casa, para o São Paulo.

Enquanto o segundo time mais popular do país é líder, o primeiro em torcida é um dos últimos do Brasileirão. 

Por Juca Kfouri às 18h44

Verdes e azuis

Não deu Goiás, que mereceu, pois deu empate em Santos -- 1 a 1 --, graças ao goleiro Saulo.

Goiás que jogou na Vila como se estivesse no Serra Dourada.

Nelsinho não consegue fazer o Santos jogar como nos tempos do demitido Gallo...

Que má troca!

E o Azulão derrotou a Macaca, 2 a 1, em Campinas.

Este blog não tem dado sorte em seus palpites verdes e azuis.

 

Por Juca Kfouri às 18h34

Estamos terminando bem

Da sena, três dos quatro palpites foram na mosca.

Inter, como era fácil prever, 3, Vasco 1.

Flamengo 1, São Paulo 6. Não chegaria a tanto antes do jogo, mas a diferença entre os dois times é essa mesmo.

E terá o jogo sido apitado por um árbitro paulista?

O Cruzeiro bateu no Galo, 1 a 0, o que também tem lógica.

E, cá entre nós, o empate em 1 a 1 no Morumbi, como está bem dito entre os comentários dos que acompanham este blog (gracias José Maria da Silva), soou como vitória para o Corinthians, que jogou por mais de uma hora com apenas 10.

Aliás, curioso: enquanto estava 11 contra 11, o Palmeiras jogou melhor.

Depois que obteve a vantagem, perdeu-se, embora Fábio Costa tenha sido decisivo e Juninho jogado muito.

Mas Carlitos Tevez fez a diferença e acabou com seu jejum em clássicos estaduais (leia na coluna FUTEBOL desta segunda-feira, na Folha de S. Paulo).

E use Pilhas de Nervos (outra contribuição de um criativo leitor, Érisson Martins, deste blog), a única que só aumenta sua energia com o passar do tempo.

 

Por Juca Kfouri às 16h15

Palpites: depois da quina, a sena

Você sabe que, estatiscamente, acertar cinco resultados é algo excepcional como errá-los todos.

Como o retumbante fracasso subiu-me à cabeça, aí vão os seis prognósticos para este domingo, com as desculpas antecipadas aos torcedores dos times aqui apontados como vitoriosos:

Cruzeiro, Inter, São Paulo, Corinthians, Goiás e Ponte Preta.

E não se esqueça: contribua para os Asilos Avós do Brasil.

Por Juca Kfouri às 11h45

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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