Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

05/11/2005

Segundona de arrepiar

Está tudo embolado.

Grêmio com cinco pontos; Lusa e Santa com quatro e Náutico com três.

Grêmio e Lusa empataram (1 a 1), como os gaúchos queriam.

Porque mesmo quando os paulistas ficaram com apenas nove jogadores (graças a duas expulsões infantis), o Grêmio não mudou seu jeito de jogar, feliz com o segundo ponto ganho fora de casa em dois jogos (no Arruda e no Canindé).

Por pouco, aliás, não tomou o segundo gol, embora tenha perdido uma chance de ouro para fazer 2 a 0 e liquidar a partida.

O Santa Cruz que parecia quase morto, ressuscitou ao ganhar do Náutico nos Aflitos (2 a 0).

Ficou tudo para o segundo turno, quando o Grêmio jogará duas vezes no Olímpico (Lusa e Santa) e deverá garantir, no mínimo, a segunda vaga na Primeira Divisão.

O Santa receberá a Lusa e o Náutico; a Lusa só o Náutico e o Náutico só o Grêmio.

Por Juca Kfouri às 17h08

Quando os dois têm e não têm razão

Alberto Dualib estava certo do dizer que Fabrício não pode mais jogar no Corinthians.

Mas jamais poderia ter dito publicamente.

E Fabrício estava certo ao declarar que Dualib fala muitas besteiras.

Não por vetá-lo, mas pela maneira que o vetou.

Aliás, Dualib não se limita a falar besteiras.

Também faz besteiras e em profusão, como os dois textos abaixo do "Estadão" comprovam, para não citar a parceria com a MSI, que custará ainda muito caro, caríssimo, ao Corinthians.

Por Juca Kfouri às 16h33

Deu no "Estadão". E é verdade

Dualib proíbe arte para preservar imagem
Presidente do Corinthians vetou o uso das cenas sob argumento de que o clube apareceria como vítima

Almir Leite

Preservar a imagem do Corinthians. Foi com esse argumento que o presidente Alberto Dualib proibiu a utilização das cenas das pedaladas de Robinho em cima de Rogério no filme Ginga. O dirigente desconsiderou o fato de o documentário ser uma homenagem à arte do futebol brasileiro e preferiu pensar única e exclusivamente no clube que comanda.

O entendimento é de que aquelas cenas deixam o Corinthians em posição de inferioridade. “Ele não liberou (a exibição das pedaladas) porque a imagem do Corinthians, para ser explorada, requer o pagamento de direitos. E também porque naquela cena o Corinthians aparece como vítima.

Não é a imagem verdadeira do clube, que tem uma história gloriosa’’, disse ao Estado o conselheiro Jorge Kalil, pessoa bem próxima a Dualib. O presidente foi procurado várias vezes ontem – não atendeu por estar em reunião.

Kalil acompanhou as negociações de Dualib com a Nike – por sinal, fornecedora de material esportivo para o Corinthians. E concorda com a decisão tomada. “O Corinthians não é sparring de ninguém e é maior que o Robinho. A jogada foi brilhante, mas única. Nunca mais ele a repetiu naquele patamar’’, disse. “E o que a gente queria ver no filme era um gol do Corinthians.’’

Na versão de serviço (versão não definitiva, ainda em fase de montagem e definição de cenas) do documentário a que o Estado teve acesso, aparecem várias cenas do Corinthians.

Dualib vetou as pedaladas depois de Rogério ter concordado com sua utilização. A princípio, o lateral não queria liberar as imagens, pois o lance teve grande repercussão e ele aparece como “vítima de Robinho’’. Mas mudou de idéia depois que a Nike concordou em fazer uma doação em dinheiro para a Cotic, entidade assistencial com sede na zona norte da cidade de São Paulo que atende a crianças com necessidades especiais e com a qual o jogador colabora.

A fabricante de material esportivo também acenou com a possibilidade de ter Rogério como um de seus contratados. Tudo certo com Rogério, Dualib entrou em cena e tirou um pouco da graça do documentário.

Amanhã, Corinthians e Santos voltam a se enfrentar. Mas os protagonistas daquela jogada da final do Brasileiro de 2002 não estarão em campo. Ambos jogam hoje na Europa. Robinho no Real Madrid e Rogério no Sporting de Lisboa.

Por Juca Kfouri às 15h01

Deu no "Estadão". E parece mentira

ESPORTES O ESTADO DE S.PAULO
Sábado, 5 de Novembro de 2005

Corinthians censura pedaladas de Robinho
Clube proíbe exibição das imagens da jogada do craque sobre Rogério na final do Brasileiro de 2002 no filme ‘Ginga’

Luiz Zanin Oricchio

Parece incrível, mas os dribles mais famosos dos últimos anos – as pedaladas de Robinho sobre Rogério – foram cortados do filme que é uma ode à arte brasileira no jogo da bola.

Aquelas oito famosas entortadas sobre o lateral-direito do Corinthians na final do Brasileirão-2002 seriam exibidas logo no início do documentário Ginga, mas tiveram de ser retiradas da versão final, segundo informou ao Estado uma fonte da O2 (a empresa de Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel), que produz o filme juntamente com a Nike.

Na cópia de serviço, vista pelo Estado, os dribles de Robinho, que redundaram no pênalti cometido sobre o atacante e convertido no primeiro gol do Santos, apareciam, junto com outras cenas de jogo, logo nas primeiras seqüências do longa-metragem.

Nas pré-estréias do filme (ainda sem data de lançamento comercial), realizadas durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, as pedaladas do atual craque do Real Madrid, já haviam sumido da tela.

A história do sumiço pode ser contada em poucas linhas. Durante a produção do filme, a O2 estava negociando com Rogério, que, compreensivelmente, apresentava alguma resistência em liberar a cena. Mas com o jogador já havia um acordo em vista. Ele pedia certa quantidade em dinheiro, que deveria ser doada para uma instituição de caridade.

A cessão de imagens de Robinho para este lance não seria problema – afinal, na época ele era atleta Nike. Além de ser parte interessada, pois a cena correu mundo e se tornou seu cartão de 0visitas. Com Rogério, a autorização estava encaminhada e o acordo, dado como certo.

Tudo empacou em outra ponta. O Corinthians se sentia incomodado com o uso dessa seqüência do jogo em que decidiu o título com o Santos. E como havia no filme outras imagens que deveriam ser autorizadas pelo clube, as pedaladas acabaram virando moeda de troca. O Corinthians liberaria tudo, desde que os dribles de Robinho em Rogério sumissem do mapa.

Pode parecer estranho que um filme dedicado à alegria do futebol e à arte do drible sofra tais restrições. Mas o fato é considerado normal. “É muito difícil mesmo fazer um documentário hoje em dia, tendo que pedir autorização a todos os envolvidos; e filme de futebol é pior ainda”, diz um dos diretores da 02, que prefere ficar no anonimato.

Assim, Ginga teve de fazer jus ao nome e driblar infindáveis obstáculos para se tornar realidade. “ Há a questão dos direitos de imagem, e tivemos que cuidar o tempo todo das autorizações (um documento que é apresentado à pessoa que foi gravada cedendo o direito para os usos específicos)”, disse ao Estado Marcelo Machado, um dos diretores do filme. Os outros dois são Tocha Alves e Hank Levine.

Esses cuidados legais transformam uma filmagem como esta em algo bastante complicado. “É uma questão delicada, porque para conseguir seqüencias com uma certa espontaneidade nós, diretores, estamos sempre querendo abrir câmera e gravar. Nesse caso a produção nos alertava: nem pensem em usar material não autorizado”, diz Marcelo.

Isso acontece porque os anônimos, tanto quanto os famosos, como Rogério, Robinho, também precisam ceder suas imagens, e por escrito. Por exemplo: numa das melhores seqüências de Ginga, os documentaristas mostram como funciona o Peladão, o maior torneio de várzea do mundo, que ocorre em Manaus. Lá, às vezes acontecem 150 jogos no mesmo dia, no sistema mata-mata. Quem ganha, segue em frente. Mas cada time tem também a sua “Rainha da Beleza”.

Paralelamente aos jogos, ocorrem os desfiles das “rainhas”. E o resultado dos desfiles conta ponto para o torneio. Assim, um time pode perder no campo, mas se a sua rainha for eleita, ele segue adiante no torneio. Muito legal, mas para que não haja problemas no futuro, as imagens de todos os participantes têm todas de ser autorizadas para o filme. “Quando fomos gravar o Peladão, chegamos a usar uns 40 estagiários só passando autorizações”, diz Marcelo Machado. “Um esquema bastante chato pra quem procurou trabalhar com equipes reduzidas e teve preocupações como não alterar demais o ambiente de gravação ou ter o contato direto com os personagens.” Às vezes, por incrível que pareça, é mais fácil trabalhar com os profissionais: “O Robinho e o Falcão, do futsal, que eram atletas Nike, gravaram cumprindo cláusulas de contrato”, diz. Já outros garotos, que participavam dos jogos gravados, recebiam cachês.

“E os coadjuvantes – vamos chamar assim os amigos, parentes, etc. – ganhavam presentes: bolas, camisetas, tênis e chuteiras.” Tudo tem de ser autorizado. Ou negociado. Só as pedaladas do Robinho eram inegociáveis.

Por Juca Kfouri às 15h00

04/11/2005

Palpites para domingo

 

Fiel à promessa de só prognosticar os jogos que envolvem os que disputam o título, este humilde blog tem uma boa má notícia para corintianos, colorados e tricolores cariocas: boa porque este blog prevê que Corinthians, Inter e Flu vão ganhar seus jogos neste domingo; má porque o índice de acertos do blog é infinitamente menor que o de erros.

Por Juca Kfouri às 16h53

"Eu tive vergonha"

Mensagem de um leitor com nome e sobrenome que pediu para não ser identificado:
 
"Até os 16 anos de idade ouvi dos meus amigos na escola a seguinte frase:
- Quantas vezes vc viu o Palmeiras campeão?
- Nenhuma, eu respondia. Mas com orgulho de ser palmeirense, resistindo às facilidades de torcer para outros times que sempre ganhavam tudo.
Em 1992 estava fazendo o vestibular para jornalismo, entreguei minha prova no meio e decidi assistir à final entre Palmeiras e São Paulo, que era, pelo menos, vinte vezes melhor que o meu time.
Peguei minha camisa, entrei no metrô, depois um ônibus e fui ao Morumbi, mesmo sabendo que o tricolor havia ganho a primeira partida por 4 a 2.
O segundo jogo terminou 2 a 1 para o São Paulo, que foi campeão.  Voltei pra casa com orgulho do Palmeiras e de sua torcida, que incentivou o time até o fim, mesmo estando há anos na fila.
Em 1993, já na era Parmalat, estava no estádio no dia 12 de junho, quando o Palmeiras massacrou o Corinthians e acabou com o jejum de títulos. Quanto orgulho, q não foi compreendido pela minha então namorada.
Em 1995, quando o Cortinthians ganhou do Palmeiras no interior do Estado com um gol do Marcelinho eu estava lá. Viajei horas, mas sempre com o orgulho de torcer para o time que tinha sido tetra-campeão brasileiro.
Quando perdemos para o Grêmio, pela libertadores por 5 a 0, eu acreditei no Palmeiras e no jogo seguinte lá estava eu no Parque.
Que orgulho ver o raça do jogadores do meu time e 32 mil pessoas apoiando.
Saimos da disputa, mas foi um dos dias mais felizes da minha vida. Aqueles 5 a 1 estão em minha memória até hoje. Lembro de alguém dizendo: que orgulho torcer para o Palmeiras. Eu sentia o mesmo.
Em 1999 eu estava lá quando o tal Zapata errou o pênalti. Fui à Paulista e fiquei lá até amanhecer.
No ano seguinte, não ganhamos. Mas lá estava eu no Morumbi vendo a festa argentina. Mas mesmo assim aquele time com Felipão e aquela torcida me deram muito orgulho.
E assim foi. Meu filho nasceu e, obviamente, comprei uma camisa do Palmeiras. Uma das primeiras coisas que ensinei foi cantar: "olê, porcôooooo". Levei ele ao estádio várias vezes. Que orgulho de vê-lo gritando gol em um jogo contra o Santos.
Chorei quando o verdão caiu. Mas mantive meu orgulho e vi vários jogos na segunda divisão.
Fui à festa quando o Palmeiras subiu naquela vitória contra o Botofogo.
Em suma, o time e a torcida sempre me encheram de orgulho.
Mas ontem, ao término do jogo contra o Flamengo eu tive VERGONHA. Muita VERGONHA de torcer pelo Palmeiras.
Não pela derrota, mesmo vendo um time medíocre em campo, mas guerreiro.
Eu até já estava cantando ("Graças a Deus eu sou Verdão. E ele está no coração. Ele ganhando. Ele perdendo. Sou palmeirense de coração".) quando olha pra baixo e vejo uma parte da torcida chamando o jogador Reinaldo, do Flamengo, de macaco.
Em seguida, começaram a imitar um macaco.
Que tristeza. Que decepção. Que vergonha. Que barbárie.
Fui pra casa e cheguei a pensar que nunca mais iria ao estádio ou veria jogos do Palmeiras.
Como levar meu filho pra ver uma cena dessas?
Ontem, pela primeira vez, eu tive vergonha de torcer pelo Palmeiras. E o pior. Não foi por causa do time, que já me deu grandes alegrias, assim como profundas tristezas, mas por conta de um bando de idiotas intolerante que não sabem, sequer, o quanto a comunidade italiana foi vítima de preconceitos...O Palmeiras não merece essa gente.
PS - Se é que isso importa e antes que os preconceituosos de plantão comecem a falar, eu sou branco.
PS - 2 - Por favor, não gostaria que publicasse meu nome (se é que vc poderia pensar nisso) porque agora eu não tenho mais orgulho da torcida do Palmeiras. Eu tenho é medo e, obviamente, VERGONHA".
 

Por Juca Kfouri às 16h44

03/11/2005

Um é pouco, dois é bom, três é demais

Pela terceira vez o Palmeiras fraquejou diante da camisa rubro-negra no Parque Antarctica.

Em 2002, o empate (1 a 1), praticamente determinou a queda do Palmeiras para a Série B.

Em 2004, a derrota (2 a 1) tirou o Palmeiras da luta pelo título.

E nas duas ocasiões o Mengo precisava dos pontos como de oxigênio. 

Pela terceira vez o Palmeiras se apequenou diante de um adversário desesperado que, diga-se, não tem culpa alguma, ao contrário, teve foi o mérito de obter o que precisava.

Nada está salvo para o Flamengo, mas o alento é óbvio.

Nada está perdido para o Palmeiras na busca da Libertadores, mas a depressão é evidente.

Em sua 16o. partida como técnico do Palmeiras no Parque, somando-se o período em que dirigiu o time em 1989, Leão perdeu pela primeira vez.

Por Juca Kfouri às 21h52

Inter levou um vareio

Enquanto teve futebol o Paraná Clube deu um vareio de bola no Inter, que parece ter sentido a pressão de depender só de seus resultados.

Os paranaenses criaram muito mais, marcaram muito melhor e ainda perderam, com Fernando Gaúcho, que não deve ser gremista, dois gols feitos, embora ele mesmo tenha marcado o gol que selou a vitória por 3 a 1.

Enquanto teve futebol o Paraná Clube fez 2 a 0 e tomou apenas um susto, numa bela defesa de Flávio com rebote estranhamente desperdiçado por Fernandão.

Mas, daí, Muricy ousou: foi para o tudo ou nada, como devia. Encheu o Colorado de atacantes e reforçou a altura do time na frente.

Foram 20 minutos de blitz, de bolas alçadas na área, mais parecia vôlei, ou basquete, o tempo todo com a torcida olhando mais para cima que para baixo.

E deu certo, porque Fernandão descontou de cabeça.

E deu errado, porque eficiente por cima no ataque, a defesa gaúcha bobeou e permitiu, também de cabeça, o gol definitivo do adversário, no Estádio Olímpico (terá sido o nome?) de Cascavel coalhado de colorados.

A intuição do blog estava certa e, daqui por diante, ele só fará previsões dos jogos que valem pelo título, porque, aí, só acerta.

Em compensação, na luta lá embaixo... 

Por Juca Kfouri às 21h36

Aviso aos navegantes

Tenho pena dos que são incapazes de brincar com o futebol.

O futebol que já é tão triste, fétido, nebuloso, fora de campo, só sobrevive porque é lúdico, mágico, apaixonante dentro de campo.

Se alguém pudesse prever o que acontecerá daqui a cinco minutos, muitas coisas nem aconteceriam.

E se fosse possível adivinhar o resultado de um jogo de futebol, o jogo perderia sua razão de ser.

Palpites só valem para brincar, para provocar e para, também, expor intuições ou desejos.

Certamente este blog não desejava a derrota corintiana ontem, mas intuía que aconteceria.

Por todos os motivos, técnicos, ambientais e outros mais, o Inter é o favorito em Cascavel.

E deve ganhar para ficar a apenas três pontos do líder.

Deve, como o Corinthians deveria ter vencido o Vasco.

Minha intuição diz que o Inter não vencerá.

E está prontinha para ser desmentida pelos fatos.

Fazer disso cavalo de batalha não é apenas inútil.

É, desculpe, burrice mesmo e total falta de espírito esportivo. 

Por Juca Kfouri às 18h27

Bola de cristal

Assim que foi acionada, ainda em fase de aquecimento, a bola de cristal indicou dois empates nesta noite nas partidas entre Coritiba e Figueirense e entre Botafogo e São Caetano.

Revelou, ainda, a derrota do Vasco para o Atlético Paranaense; a vitória do Palmeiras diante do Flamengo e a do Paysandu sobre o Brasiliense.

E no jogo mais importante para a definição do título, má notícia para os colorados: o Inter não vencerá o Paraná Clube.

Não se sabe se a bola de cristal foi influenciada pela mala preta da MSI.

Isso ela não revela nem morta.

Por Juca Kfouri às 11h34

Diego Lugano, una cabeza

Na gravação do programa "Bola da Vez", que irá ao ar neste sábado na ESPN-Brasil, o zagueiro uruguaio do São Paulo mostrou outra vez que não é inteligente e diferenciado apenas dentro de campo.

Ao responder se quando era criança brincava de ser Obdulio Varela, o grande capitão da Celeste que derrotou a Seleção Brasileira na Copa de 1950, no Maracanã, Lugano respondeu emocionado:

"Não se brinca com Deus".

E deixou os cinco entrevistadores em silêncio e arrepiados.

Por Juca Kfouri às 11h26

02/11/2005

Os próximos passos

O Inter joga hoje à noite fora da casa dele, mas joga na casa, digamos assim, dos pais dele. Porque o Inter joga em Cascavel, no interior do Paraná, contra o Paraná Clube, uma cidade que é um reduto gaúcho do mesmo modo que Maringá, onde o Corinthians enfrentou e venceu o mesmo Paraná Clube, é um reduto paulista.


Uma vitória do Inter deixará os gaúchos a apenas três pontos do Corinthians.Depois, no domingo, o Inter recebe a Ponte Preta e o Corinthians recebe o Santos.


Em seguida, no meio da semana, o Inter vai enfrentar o Boca Juniors na Bombonera, em Buenos Aires, e o Corinthians vai pegar o Pumas, na altitude da Cidade do México, pela tal Copa Sul-Americana.

Chegou, enfim, a hora de mostrar não só quem tem mais futebol, mas, também, quem tem mais cabeça para chegar ao tetracampeonato brasileiro.

Sem desconsiderar o Fluminense, que recebe o Figueirense no fim de semana e, no meio da outra, vai a Santiago do Chile enfrentar o Universidad Católica, também pela Sul-Americana.

Fluminense que com a vitória de ontem sobre o Goiás, e a derrota do Corinthians para o Cruzeiro, ficou a seis pontos do primeiro colocado.
E que pode ainda sonhar com o seu bicampeonato brasileiro.

Por Juca Kfouri às 23h47

E o Corinthians não merecia

Cruzeiro e Corinthians fizeram um belo jogo, franco, veloz, leal.

O Cruzeiro teve mais a bola, como era de se esperar em função do jeito de jogar do Corinthians.

Mas Fábio, goleiro do Cruzeiro, acabou por ter mais trabalho que Fábio Costa, goleiro do Corinthians.

E o empate teria sido mais justo, embora o Cruzeiro não tenha nada a ver com isso, até porque os dois gols que fez nasceram de pênaltis que existiram.

Pênaltis desnecessários, infantis, de falta de cuidado, mas pênaltis.

Para a alegria do Inter que deve ficar a apenas três pontos do líder.

E do Flu, que ganhou do Goiás e que pode até manter seu sonho.

Cruzeiro e Flu, por sinal, foram os únicos palpites que o blog acertou.

E, cá entre nós, precisava acertar mais? 

Por Juca Kfouri às 22h54

01/11/2005

Para que ninguém diga que pipoquei

Nesta quarta-feira o São Paulo ganhará do Galo.

O Juventude e o Fortaleza vão empatar.

A Ponte Preta perderá para o Santos.

E, agora, o mais complicado em matéria de bola cristal:

dará Cruzeiro contra o Corinthians; e Fluminense contra o Goiás.

Por Juca Kfouri às 23h13

Eu recuo. Porque errei

Errei ao afirmar que houve pênalti no Renato.

Errei porque ele mesmo disse que se jogou.

Errei porque devo ter visto demais depois de tudo que ouvi, li e vi.

Errei porque não é possível que só eu esteja no passo certo, como o soldado que achava que era o batalhão que estava errado.

E errei ao  achar que o árbitro não estava mal intencionado porque ele declarou que não porá na súmula o epsisódio dos gandulas.

Enfim, errei e peço desculpas pelo erro.

Não foi o primeiro, nem será o último. 

Em tempo: Wilson de Souza Mendonça relatou na súmula, minimizando-o, o episódio dos gandulas.

Escreveu que interrompeu o jogo por 2 minutos e meio quando se deu conta do sumiço.

E que deu três minutos de acréscimos pelas substituições, atendimento médico e outros! 

Confira na página da CBF (www.cbfnews.com.br).

 

Por Juca Kfouri às 21h24

Atitude de segunda

O sumiço dos gandulas no fim do jogo entre Flamengo e Coritiba não é novidade no futebol brasileiro.

Nem por isso é menos reprovável.

E revela o quanto a direção do Flamengo se apequenou.

O mínimo que precisa ser feito é punir o clube com a perda de mando de campo.

Acontecerá?

Duvideodó!

Por Juca Kfouri às 11h35

31/10/2005

Qual é mesmo o time da virada?

Tão empolgantes e dramáticas têm sido as viradas do Fluminense, que o tricolor passou a ser chamado de time da virada, aquele que se recusa a perder. E com justiça.

Mas o time que mais virou jogos até aqui no Brasileirão não foi o Flu, que virou sete vezes (embora tenha virado 11 jogos neste ano, não no Brasileirão, como equivocadamente informado neste blog).

No Campeonato Brasileiro quem mais virou foi o Corinthians, nove vezes, seis no primeiro turno e três no segundo, fazendo jus a um apelido que tem não é de hoje nem de ontem, é de muito pra lá de anteontem.

Por Juca Kfouri às 23h54

Inter vivo, Mengo respira

O Inter, mesmo muito desfalcado, ganhou como tinha mesmo de ganhar do Paysandu e está a seis pontos do líder.

O suficiente para que siga firme na luta pelo título.

Pelo pouco que vi do jogo, os gaúchos tomaram poucos sustos.

Já a vitória do Flamengo foi dramática e polêmica, porque seus dois gols na virada diante do Coritiba foram discutíveis.

Mas ficaram longe de permitir teorias conspiratórias a favor dos cariocas.

No lance que redundou no pênalti, Renato cavou, mas teve mesmo a mão do zagueiro paranaense em sua cintura.

Além do mais, antes disso, houve um claro empurrão dentro da área do Coritiba não observado pela arbitragem. Se houvesse má intenção...

E o segundo gol foi tão confuso que a arbitragem está absolvida, até porque Ramirez foi seguro pelo zagueiro coxa. 

Por Juca Kfouri às 23h15

Não deixe de ler

Entrevista de hoje na Folha:

Clubes devem bancar polícia, defende xerife anti-hooligan http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc3110200518.htm

FÁBIO SEIXAS
DA REPORTAGEM LOCAL

Há 16 anos, o dia-a-dia do inglês Bryan Drew, 55, envolve paixão, vingança, grupos organizados, a imagem de seu país no exterior. Tudo isso, pano de fundo de uma indústria global, milionária e em crescimento acentuado: o futebol. Policial de carreira, Drew dirige a Unidade de Policiamento de Futebol, órgão do Serviço Nacional de Inteligência do Ministério do Interior britânico. É o responsável pelo combate à violência entre torcedores ingleses, os hooligans, denominação que nas últimas décadas tornou-se sinônimo de bebedeira, mortes e muito medo.

Pavor que há exatos 20 anos privou os clubes ingleses de atuarem em competições internacionais. Em 1985, 39 torcedores da italiana Juventus foram assassinados por hooligans do Liverpool na final da Copa dos Campeões, em Bruxelas. O episódio ficou conhecido como "a tragédia de Heysel", referência ao nome do estádio, e o banimento perdurou até 1990. Embora o problema não esteja solucionado, a situação é bem diferente hoje. A última morte em confronto de torcidas na Inglaterra foi há três anos. As mais recentes estatísticas do Ministério do Interior britânico, referentes a 2003/2004, mostraram queda de 10% no número de prisões ligadas ao futebol em relação à temporada anterior. A próxima edição do relatório será publicada nesta semana indicando estabilidade: um torcedor detido para cada 10 mil.

Em entrevista à Folha, por telefone, Drew comentou a nova onda de violência no futebol brasileiro, que fez três mortos neste Nacional. Criticou as idéias sugeridas pelo Ministério Público. E defendeu a adoção de uma estratégia de sucesso usada na Inglaterra. Lá, os clubes pagam os policiais deslocados a seus estádios.

Folha - O futebol brasileiro registrou três mortes de torcedores logo após denúncias de corrupção na arbitragem. Na sua opinião, há relação entre uma coisa e outra?
Bryan Drew
- Eu li sobre esses problemas no Brasil, corrupção envolvendo juízes e acertos de jogos. Casos parecidos já aconteceram em alguns países na Europa. É um pouco difícil estabelecer um elo, mas compreendo que torcedores fiquem revoltados se seu time ganhou ou perdeu um jogo e vem uma ordem para remarcar a partida porque o juiz arranjou o resultado. Sim, a atuação dos juízes tem impacto no comportamento dos torcedores. Mas isso de nenhum modo é justificativa à violência, à agressão ou à morte.

Folha - Entre as sugestões apresentadas no Brasil, pelo Ministério Público, está a realização de jogos com apenas uma torcida nos estádios. O que o senhor acha disso?
Drew
- Um ambiente com torcedores de apenas uma equipe obviamente é um ambiente de mais segurança. Mas você precisa considerar... Você não pode punir todos os torcedores da outra equipe por causa do comportamento de alguns. Esse sentimento de injustiça também traz alguns riscos. Pode até funcionar, mas jogo com torcida de um time só certamente é a solução mais triste a ser adotada. Não é o tipo de cenário que agrade aos fãs do futebol.

Folha - Até porque boa parte dos confrontos entre torcidas ocorre nas ruas, fora dos estádios.
Drew
- Exatamente. Muitas brigas acontecem longe dos estádios, em bares, estações de trem, lugares assim. Então é preciso uma visão ampla, não se preocupar só com os estádios. Se dois grupos querem brigar, é relativamente fácil encontrar um local para isso.

Folha - Há uma outra proposta, de proibir os torcedores de vestirem as camisas dos clubes...
Drew
- Aqui fazemos o contrário. Na Inglaterra, encorajamos os torcedores a vestirem as camisas dos times. Porque outros países já tentaram proibir os uniformes, e o efeito colateral é pior. Os torcedores passaram a circular com camisetas nas cores dos times ou com referência aos clubes e começaram a criar seus próprios códigos. Uma coisa é um grupo de torcedores usando camisas com o escudo e os patrocinadores do time. Quando você proíbe isso, a torcida passa a criar seus próprios escudos, quase sempre belicistas. Eles podem, por exemplo, começar a usar roupas de uma mesma marca, algo que faziam aqui para tentar driblar a polícia.

Folha - E a inclusão de artigos na legislação lidando especificamente com esses casos?
Drew
- Esse é um dos caminhos. Em 1996, fizemos adendos à legislação que tratam especificamente do tema violência entre torcidas. Hoje, temos cinco ou seis artigos que tratam apenas do futebol. Não falam de críquete ou de rúgbi... Estão focados única e exclusivamente em jogos de futebol. Por exemplo, você não pode entrar em trens ou ônibus que vão para os estádios de futebol portando bebidas alcoólicas. Você poderia fazer isso se estivesse indo para outro evento esportivo, mas não para um jogo de futebol. E você não pode por causa do histórico do futebol. A lei tem seu papel na luta contra a violência associada ao futebol, mas não é uma panacéia. Nós reconhecemos isso e cada vez mais estamos convencidos de que os clubes têm um papel vital em estabelecer padrões de comportamento. Os juízes têm seu papel, o governo têm seu papel, a polícia tem o seu...

Folha - Na Inglaterra, são os clubes que pagam pelo policiamento nos jogos. Como isso funciona?
Drew
- O comando da polícia local analisa o histórico de relacionamento entre as duas torcidas e então toma sua decisão sobre quantos homens serão empenhados na partida. Essa conta é sempre feita com uma margem de segurança. O clube é consultado, dá seu parecer e às vezes discorda. Mas no fim das contas é a palavra da polícia que vale. Então, como o dinheiro sai do bolso dos clubes, torna-se interessante para os dirigentes trabalhar com a torcida para diminuir os transtornos e treinar melhor seus fiscais. Assim a polícia vai deslocar efetivos menores a seus estádios, e eles vão gastar menos. O que acontece hoje é que o número de policiais por jogo já vem caindo e os clubes também vêm usando pessoal próprio, cada vez mais experiente. Grandes clubes hoje têm até 5.000 pessoas trabalhando como fiscais em jogos importantes. Eles são treinados seguindo um padrão nacional, vestem uniformes... Os policiais estão lá para impor a lei. Os fiscais, para cuidar da segurança e orientar. Mas tenha em mente que aqui a maioria dos estádios é privada, e isso facilita muito a medida.

(continua no post abaixo)

Por Juca Kfouri às 12h11

Não deixe de ler

Entrevista de hoje na Folha:

(continuação do post anterior)

Folha - Quanto cada policial custa para um clube?
Bryan Drew
- Isso é difícil de dizer, porque trabalhamos com uma tabela que varia com a região. É claro que às vezes os clubes reclamam. Recentemente houve um problema com um clube chamado Wigan, promovido à primeira divisão. Esse time é de Manchester e estava sujeito aos mesmos preços pagos pelas outras equipes da cidade, o Manchester United e o Manchester City, que têm estruturas maiores. O problema é que eles não aceitavam negociar e ameaçaram dispensar a polícia. Dissemos que tudo bem, desde que eles abrissem mão também da torcida. Mas esse tipo de atitude é rara. É consenso neste país e é algo que eu defendo no combate à violência entre torcidas: pagar por serviços da polícia.

Folha - Como o senhor vê a relação entre torcidas e clubes?
Drew
- No Brasil e na América do Sul, essas gangues relacionam-se muito bem com os clubes ou com pessoas ligadas aos clubes, que as usam para seus objetivos. Eu não consigo visualizar um clube que ceda espaços para torcedores estocarem armas. Mesmo nos nossos piores momentos, isso nunca aconteceu.

Folha - E a relação entre a polícia e os torcedores?
Drew
- Nós nos encontramos regularmente para discutir reclamações ou assuntos que eles levantem. Isso é importante para que a gente possa melhorar o trabalho. É um efeito dominó... Se a polícia e os torcedores trabalharem juntos, haverá menos confrontos, mais gente poderá ir aos jogos e, com o tempo, o efetivo policial poderá ser reduzido, melhorando a nossa vida e diminuindo a pressão na torcida.

Folha - Extinguir as organizadas é uma solução?
Drew
- É difícil imaginar que elas deixariam de existir por decreto, porque já são parte da cultura do futebol de vocês. Não estou dizendo que as medidas que adotamos aqui funcionariam no Brasil. O que temos que fazer é trocar experiências, como já fizemos com o Marco Aurélio Klein [coordenador da Comissão Interministerial para a Paz no Esporte], como já fizemos na Itália, na Alemanha...
Podemos aprender uns com os outros. Claramente, nós, na Inglaterra, não toleraríamos saber que gangues de torcedores se reúnem para planejar desordem. A polícia tem um trabalho contínuo de inteligência para detectar e brecar qualquer iniciativa do gênero.

Folha - Por anos e anos, o Millwall, clube londrino que hoje disputa a segunda divisão, era considerado caso perdido devido aos seus hooligans. Hoje quase não há problemas. Como a polícia atuou nesse caso específico?
Drew
- A história deles é... É passado. Nos últimos anos, o clube trabalhou duro, a polícia trabalhou duro, os torcedores também trabalharam duro e hoje não representam mais o risco de ontem. O que quero dizer é que já conseguimos tratar cada clube e cada grupo de torcedores com base nas informações que colhemos no presente, e não mais olhando para trás. Não é porque um clube tem um histórico ruim que precisará de mil policiais para todo jogo. Se o Millwall e a polícia da região nos mostram dados comprovando que os torcedores estão mais pacíficos, que serão escoltados, que o clube mandará fiscais para o estádio visitante... Enfim, se nos mostram que há um trabalho sendo feito, isso nos ajuda bastante.

Folha - E os torcedores ingleses? Já têm outra imagem fora do país?
Drew
- Espero que sim. Mas tivemos um acidente de percurso... Na Eurocopa da Bélgica, cinco anos atrás, os torcedores da seleção se portaram mal, e os clubes ingleses chegaram a ser ameaçados de expulsão de torneios continentais. Por outro lado, isso fez o governo introduzir uma legislação, radical, de banimento dos desordeiros dos estádios. Depois disso, o comportamento em jogos da seleção tornou-se exemplar.

Folha - O senhor coordena nacionalmente as ações por segurança no futebol. Qual é a importância da centralização do trabalho?
Drew
- A centralização do trabalho contra a violência em estádios é tão importante que tornou-se um requerimento da União Européia. Todo país membro tem um órgão nacional para lidar com os assuntos internos e para trocar informações com seus pares sempre que há jogos internacionais. Na Inglaterra e no País de Gales, há 43 unidades policiais. Então é semelhante à questão dos Estados no Brasil. Se você tem 43 ou 27 unidades de polícia e não há uma coordenação, desenhando um quadro da situação nacional, como saber qual é o problema? Cada unidade tem o quadro de sua região, mas quem coloca isso junto?

Folha - Há relação entre injustiça social e violência no futebol?
Drew
- Sim, isso existe em vários países. É uma possibilidade que as pessoas menos favorecidas têm de se sentir parte de alguma coisa, alguma organização, algum movimento. Isso preenche um pouco a carência em outros setores.

Leia matéria na Folha de S.Paulo de hoje

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O blog pergunta: entendeu agora por que não há soluções mirabolantes, como as propostas pelos que apenas querem aparecer?

Por Juca Kfouri às 12h07

Coluna de hoje na FOLHA

FUTEBOL

O dinheiro pode tudo

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

O Corinthians lidera o futebol brasileiro com o dinheiro russo e sujo de Boris Berezovski.
Como o Palmeiras e o Vasco comandaram o futebol sul-americano com o dinheiro da Parmalat e do Bank of America.
Ou o próprio Corinthians, que chegou ao título mundial e ao bicampeonato brasileiro com o investimento da Hicks Muse.
Ou o Cruzeiro, com a nunca bem explicada parceria com a Energil C.
Com dinheiro é fácil.
E sem dinheiro é impossível, a não ser por um desses acasos que fizeram os dois raios como Pelé e Robinho caírem na mesma Vila Belmiro no espaço de 45 anos.
A questão está em como se traz o dinheiro, para que não acabe tudo como acabou no mesmo Corinthians quando a Hicks saiu.
Ou no Vasco, com a cassação de Eurico Miranda pelo voto depois que espancou o investidor.
Ou no Palmeiras, que foi à segunda divisão sem o dinheiro lavado da Parmalat.
Ou no eterno vaivém dos armazéns Perrellas em Minas.
Agora, o Flamengo, que teve muito dinheiro da ISL, procura a MSI, como revelou esta Folha na sexta-feira.
No Flamengo, como no Grêmio da mesma ISL, as coisas funcionaram diferente.
Em vez de títulos, os cartolas enriqueceram despudoradamente, como comprovaram o impedimento do presidente rubro-negro de então e o inquérito policial que rola em Porto Alegre, com uma dúzia de indiciados.
Porque se dinheiro traz felicidade imediata, o dinheiro mal explicado traz problemas, mais cedo ou mais tarde. Que o digam os Lalaus, Malufs e a esmagadora maioria dos partidos políticos nacionais, para não ficar só no simbólico Delúbio Soares, coitado.
A questão, portanto, não é simplesmente ter dinheiro.
Limpo, como era o da Hicks e do Bank of America, ou sujo, que por todos os motivos é inaceitável -e cobra seu alto preço.
O da falência, como no Flamengo, ou o da falência e da segunda divisão, como no Grêmio (e também no Flamengo?), ou o da cadeia, como alguns exemplos citados acima.
A questão é como fazer dinheiro bem feito, como tantos clubes pelo mundo afora. E para isso é preciso profissionalismo, organização, credibilidade, qualidades escassas, raríssimas no Brasil.
Imaginar que a MSI possa ser a solução, por mais que o discurso de Kia Joorabchian seja melhor que o de Alberto "1-0-0" Dualib, é algo que revela a que ponto chegou o desnorteamento na Gávea, agora governada por um triunvirato que veio para provar que três cabeças são capazes de pensar ainda pior que uma, já superada.
A MSI montou um time superior aos demais com uma montanha de dinheiro e ao que tudo indica levará o Corinthians ao tetracampeonato brasileiro.
Quanto custará a fugaz felicidade saberemos em futuro próximo, provavelmente ainda antes que os corintianos vivam seu centenário, em 2010.

Campeão?
O Corinthians quase perdeu para si mesmo um jogo que tinha a obrigação de vencer. E até fez por isso, diga-se, diante da ruindade do Vasco. Mas o líder do Brasileirão queimou gordura quando não podia, diferentemente do que seria queimá-la na próxima partida, contra o Cruzeiro, no Mineirão. Parecia até que o Corinthians golearia. Mas perdeu Roger e a serenidade, embora tenha criado inúmeras chances de gol. Caberá ao Inter hoje não cometer o mesmo vacilo contra o Paysandu para manter o Brasileirão aceso. Porque o Corinthians está longe de ser um time que encante, como foram o Cruzeiro e o Santos nos dois campeonatos anteriores. Quem viu o 1 a 1 no Pacaembu pôde constatar que o tetra está mais distante do que imaginam os corintianos.

Por Juca Kfouri às 11h22

30/10/2005

Coluna deste domingo na FOLHA

FUTEBOL

A vez do "esquema MSI"

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Neste espaço, a CBF foi chamada de Casa Bandida do Futebol.
Valeu processo, no qual se reconheceu o direito do jornalista.
Entre outros motivos, para não falar do sagrado direito de opinião, porque no futebol quem faz gol contra joga mesmo de bandido, expressão consagrada.
E a CBF se esmera em fazer um gol contra depois do outro, sem parar.
Razão pela qual o futebol não goza de credibilidade.
Nem mesmo quando a opinião pública se manifesta a favor de uma decisão, como mostrou o Datafolha em relação aos jogos anulados, a descrença diminui.
Como falou-se em "esquema Parmalat" nos anos 90, fala-se agora no "esquema MSI".
É claro que tem muito a ver com a paixão dos torcedores contrariados, com a tradicional tentativa de desqualificar as conquistas dos adversários, com as inevitáveis brincadeiras sem as quais o futebol não seria mesmo o que é.
Só que há mais. Há por que não acreditar.
Sobre a Parmalat descobriu-se depois estar envolvida num gigantesco esquema de lavagem de dinheiro, o que permitiu respaldar sérias desconfianças sobre arbitragens arrumadas para tirar o Palmeiras da fila, ainda mais numa federação de futebol, como a paulista, cujo presidente precisou cair fora para fugir da Justiça. E cujo sucessor manteve um árbitro com diploma falso.
Sobre a MSI, até antes que consumasse sua parceria com o Corinthians, já se sabia, graças à imprensa, da origem nebulosa do investimento.
Coisa que o Ministério Público paulista confirmou e o federal investiga sob sigilo, para não permitir que os investigados se previnam. Aliás, será necessário fazer uma lei que puna também esportivamente o clube que se valer de dinheiro sujo para conquistar títulos.
Árbitros erram, bandeirinhas erram, tanto quanto goleiros, centroavantes e jornalistas.
Mas ninguém desperta tamanha desconfiança como os árbitros, graças aos Ivens Mendes e Armandos Marques da vida, graças aos Ricos Terra (a coluna está saudosista, hoje) que até admitem falar em profissionalização das arbitragens, mas correm feito o diabo da cruz de discutir a autonomia dos departamentos de árbitros, sem a qual não adiantará profissionalizá-los.
Porque se pela taxa de arbitragem os apitadores já fazem o que fazem em sua subserviência, imagine se forem assalariados de quem os escala.
Máfia da Loteria Esportiva, em 1982 (quando até dos jogadores se desconfiava), esquemas Parmalat, Ivens Mendes, caso Armando Marques/Loebeling, CPIs do Futebol, da CBF/Nike, MSI/Bóris Berezovski, escândalo dos árbitros no Paraná, caso Edílson, e outros menos votados, quem há de acreditar que Belmiro da Silva errou sem querer no jogo Paysandu x Corinthians, mesmo que a falha no primeiro gol corintiano tenha sido daquelas que a Fifa avaliza? Fifa que promove a Copa do Mundo e que faz o que fez com a Itália em 2002?

Pecados
Nada justifica tirar Gustavo Nery e Ricardinho da reta final pelo título do Brasileirão e por uma vaga na Libertadores. Como não se justifica que os dois Alex (do PSV e do Fenerbahce) fiquem fora de mais uma convocação da seleção. Os acertos com Edmílson e Fred não compensam os erros, principalmente porque os amistosos servem apenas para fazer caixa na CBF.

Silêncio
O ministro do Esporte, que será candidato nas próximas eleições ao contrário do que se comprometeu com Lula, permanece mudo diante das crises no futebol e no basquete. Mas a agenda de Agnelo Queiroz revela encontros com Onaireves Moura, Eurico Miranda, Ricardo Teixeira, uma beleza!

Por Juca Kfouri às 21h34

O que falta para os dois primeiros

O que falta para o Corinthians no Brasileirão, sem contar o jogo que fará, na altitude da Cidade do México contra o Pumas, no dia 9 de novembro, pela tal Copa Sul-Americana, entre as partidas diante do Santos e do Coritiba, esta sem Tevez e Gustavo Nery, servindo suas seleções. O Corinthians tem 71 pontos em 35 jogos, 21 vitórias (primeiro critério de desempate) e 22 gols de saldo.


02/11 Brasileirão Cruzeiro F   
06/11 Brasileirão Santos C    
13/11 Brasileirão Coritiba F   
16/11 Brasileirão São Caetano F    
20/11 Brasileirão Internacional C  
27/11 Brasileirão Ponte Preta C    
04/12 Brasileirão Goiás F   

O que falta para o Inter no Brasileirão, sem contar o jogo que fará, na Bombonera em Buenos Aires, contra o Boca Juniors, dia 10 de novembro, pela tal Copa Sul-Americana, entre as partidas diante da Ponte Preta e do Santos. O Inter tem 62 pontos em 34 jogos, 18 vitórias e saldo de 18 gols.


31/10 Brasileirão Paysandu C   
03/11 Brasileirão Paraná F    
06/11 Brasileirão Ponte Preta C    
13/11 Brasileirão Santos F    
16/11 Brasileirão Brasiliense C    
20/11 Brasileirão Corinthians F   
27/11 Brasileirão Palmeiras C    
04/12 Brasileirão Coritiba F   

Por Juca Kfouri às 20h11

Adeus, Galo

O Galo morreu.

Depois de anos e anos de má gestão, depois de escândalos sem fim, denúncias de todos os tipos, atraso de salários, perda de jogadores, eis que o Galo chegou ao fundo de poço.

Já estava claro que só um milagre salvaria o Atlético Mineiro.

Depois que permitiu a virada do Fortaleza, ficou óbvio que um milagre só seria pouco.

E hoje, depois de nova virada, com 11 contra 10 diante do Palmeiras, nem sete milagres salvarão.

Até porque sete é conta de mentiroso.

 

Por Juca Kfouri às 19h42

O time da virada

O Fluminense virou mais uma vez.

Perdia de 1 a 0 e de 2 a 1 para a Ponte Preta e acabou vencendo por 4 a 3.

Foi a décima-primeira virada do Fluminense no Campeonato Brasileiro, o que faz do tricolor o time mais empolgante da competição, 71 gols marcados, apenas um a menos que o Corinthians, que tem o ataque mais positivo.

O título é difícil, porque são nove pontos de diferença para o líder e, provavelmente, três para o Inter, amanhã.

Mas que a Libertadores será uma conquista merecida é fora de qualquer dúvida.

Por Juca Kfouri às 19h36

Pintou o tetra!

O Corinthians poderia ter goleado o péssimo time do Vasco sem maiores dramas.

Pois só empatou e graças a um pênalti desnecessário cometido sobre Nilmar.

Tomou 1 a 0 quando jogava melhor, criava chances em cima de chances, mas, já se ressentia da saída de Roger (que será operado amanhã e está fora do campeonato, com fratura na fíbula).

Sem ele, o Corinthians perde seu lançador e Tevez e Nilmar perdem seu alimentador, porque Carlos Alberto é muito mais um condutor de bola que um verdadeiro armador.

Más notícias para o líder, boas para seus perseguidores, principalmente para o Inter que tem tudo para ficar apenas a seis pontos do Corinthians, que, além do mais, jogará na quarta-feira diante do Cruzeiro, no Mineirão, também sem Rosinei, suspenso.

Seria jogo para perder gordura, diferentemente da partida contra o Vasco.

Lembremos que o Cruzeiro, que passou pelo Santos (2 a 1), no Parque Antarctica, não só ainda luta pela Libertadores, como tem sede de devolver a injusta derrota que sofreu para o Corinthians no primeiro turno, quando foi tão prejudicado pela arbitragem como, depois, pela anulação de suas duas vitórias que viraram apenas um ponto.

Ora, o Inter terá o Paysandu amanhã, no Beira-Rio, e deve vencer.

Depois, no meio da semana, terá o Paraná Clube, em Cascavel, coalhada de gaúchos, jogo menos difícil que o do líder e, no domingo, a Ponte Preta, em Porto Alegre (o Corinthians enfrentará o Santos, num clássico que dispensa apresentação).

Tudo isso somado, mais o confronto direto entre Corinthians e Inter, e está claro: o Brasil deverá ter um novo tetracampeão.

Resta saber se alvinegro ou colorado. 

Por Juca Kfouri às 17h20

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico