Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

02/12/2005

Por que a decisão do STJ é importantíssima

A decisão da ministra Nancy Andrighi vai além da questão esportiva.

Sábia ao não alterar, imediatamente, a situação da decisão do Campeonato Brasileiro, a ministra pode se transformar na Princesa Isabel do futebol brasileiro.

Porque está claro em sua decisão que ela viu fortes indícios de coisa combinada na liminar obtida, na calada da noite, pelas torcidas organizadas do Rio, em respaldo ao STJD, na Justiça fluminense.

E foi firme e foi dura.

Remeteu o conflito não só à Justiça gaúcha, como se não confiasse na fluminense, como a enviou aos Ministérios Públicos Federal e Estadual do Rio de Janeiro, além de enviá-lo ao Conselho Nacional de Justiça, que já está julgando a legalidade do cargo do desembargador Luiz Zveiter, o Rei Sol, ou o rei só, no STJD. 

Daí o grifo em negrito da decisão do STJ na nota imediatamente abaixo ("Leia a decisão do STJ que deixa Zveiter mal").

Em resumo: ou o Campeonato Brasileiro acaba com uma vitória do Corinthians, e sem uma vitória do Inter, ou será mesmo a Justiça comum que o decidirá.

Coisa que tanto a CBF quanto o STJD já deveriam ter aprendido em 2000, quando o Gama os derrotou na Justiça comum.

É bem possível que tenhamos duas voltas olímpicas no domingo.

Por Juca Kfouri às 20h58

Leia a decisão do STJ que deixa Zveiter mal

Ao decidir, a ministra Nancy Andrighi entendeu haver conexão. Destaca que, tanto na ação proposta no Juízo de Porto Alegre como naquela proposta no Juízo do Rio de Janeiro, a causa de pedir remota é a mesma: a decisão do presidente do STJD que anulou os 11 jogos apitados pelo árbitro Edilson Pereira de Carvalho. "O que difere é apenas a causa de pedir próxima das ações, pois na ação proposta no Juízo de Porto Alegre a causa de pedir próxima é a nulidade da decisão do Presidente do STJD; e na ação proposta no Juízo do Rio de Janeiro essa é a validade da referida decisão".

Em relação à alegação do advogado que suscitou o conflito de competência de que a CBF e as associações de torcedores que propuseram a ação no Juízo do Rio de Janeiro agiram com o intuito de atrair para aquele Juízo a competência de eventual discussão judicial (colusão), a ministra destaca alguns pontos alegados por Konflanz: falta de interesse de agir das associações de torcedores na ação perante a Justiça do Rio de Janeiro já que não há qualquer alegação ou prova de que a CBF havia se recusado a cumprir a decisão proferida pelo presidente do STJD e, segundo, porque, no mesmo dia do ajuizamento da ação (12.10.05), já estava designado o início da repetição dos jogos.

Apontou, também, que essa ação foi distribuída no plantão noturno do dia 11 para o dia 12 de outubro deste ano, sem qualquer motivação, ao menos aparente, para tanto e protocolizada apenas no dia 13.10.05; que o representante do Ministério Público apontou, em seu parecer proferido no dia 12.10.05, às três horas, a referida falta de interesse de agir, mas o Juízo desprezou essa circunstância em sua decisão; que a CBF deu-se por citada em 18.10.2005, em vez de aguardar a sua citação pelas vias normais "a fim de exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa, dentre outras alegações.

Para a ministra, pela narrativa desses fatos, "decorrem indícios de prática de colusão, o que, por conseqüência, pode acarretar a nulidade de todo o processado na ação em trâmite no Juízo da 8ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro pelas associações de torcedores em face da CBF". Contudo não é possível, em se tratando de conflito de competência, "apurar se efetivamente há, ou não, a ocorrência de processo simulado".

"A gravidade da questão demanda sua apuração minuciosa, dando-se oportunidade para que se manifestem todos os supostos envolvidos e para que se colham provas que demonstrem ou afastem as acusações", afirma a ministra.

Para a relatora, diante da "seriedade da acusação" e considerando todos os indícios por ele trazidos para sustentá-la, "é de todo recomendável que a questão seja imediatamente apurada pelos órgãos competentes. Isso para que se defendam, não apenas os interesses dos que eventualmente tenham sido prejudicados por esse hipotético ato, mas também o interesse de toda a sociedade, representado na exigência de transparência e lisura no exercício da atividade jurisdicional", razão pela qual decidiu pelo sobrestamento e pela averiguação dos fatos narrados.

Segundo ela, existe a possibilidade de decisões conflitantes, pois na ação proposta no Juízo de Porto Alegre pretende-se a nulidade da referida decisão do Presidente do STJD, enquanto que, na ação proposta no Juízo do Rio de Janeiro, além da validade da aludida decisão, pretende-se a sua prevalência sobre qualquer outra decisão, seja administrativa seja judicial. "Considerando que as sentenças declaratórias sempre produzem efeitos retroativos, eventual declaração, pelo Juízo de Porto Alegre, de nulidade da decisão do Presidente do STJD, fulminará esta decisão na origem, invalidando, portanto, todos os seus efeitos, sejam presentes ou pretéritos. Aqui está caracterizada a possibilidade de colidência com decisões proferidas na ação proposta no Juízo do Rio de Janeiro, que porventura tenham dado validade à decisão do Presidente do STJD".

E a ministra fez mais:

A ministra Nancy Andrighi, da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acaba de sobrestar as duas ações que tramitam na Justiça gaúcha e fluminense, assim como suspende os efeitos de todas as decisões nelas proferidas, até que os fatos levantados pelo advogado Leandro Konrad Konflanz sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes. Com isso, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anulando os onze jogos continua valendo provisoriamente.
Sobrestadas ações judiciais contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e suspensos os efeitos das decisões tomadas pelos juízos da 8ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro e da 1ª Vara Cível (2º Juizado) do Foro Central de Porto Alegre/RS. A decisão da ministra Nancy Andrighi determina o sobrestamento até que os fatos levantados pelo ora suscitante sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes, designando o Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Porto Alegre/RS para resolver as medidas urgentes, em caráter provisório.


A ministra determinou, ainda, a remessa de cópia integral do conflito aos Ministérios Públicos Federal e Estadual do Rio de Janeiro, à Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e ao Conselho Nacional de Justiça, para que sejam apuradas, de acordo com as respectivas atribuições constitucionais de cada instituição, as alegações do ora suscitante a respeito da prática de eventuais ilícitos.

 

Por Juca Kfouri às 20h21

Decisão do STJD continua valendo

A ministra Nancy Andrighi, da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), acaba de sobrestar as duas ações que tramitam na Justiça gaúcha e fluminense, assim como suspende os efeitos de todas as decisões nelas proferidas, até que os fatos levantados pelo advogado Leandro Konrad Konflanz sejam devidamente apurados pelas autoridades competentes. Com isso, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) anulando os onze jogos continua valendo provisoriamente.

Por Juca Kfouri às 19h50

O BRASILEIRÃO DE 1987

 

Em primeiro lugar, o país inteiro não comemorou aquela farsa do Flamengo. Você se esquece que a torcida do Sport comemorou sim o campeonato do leão. Está nos anais da CBF e da FIFA! Aquele engodo que você diz ter sido organizado pelo clube dos treze, foi na verdade organizado pela Rede Globo, que tinha na época você, Juca Kfouri, como comentarista e um dos integrantes da editoria de esportes. Assinaram o documento, todos os representantes das equipes que participaram da competição, e depois não cumpriram o que acordaram: O cruzamento com o módulo amarelo. A verdade é uma só: Tanto Flamengo quanto Inter, amarelaram, tremeram, e temeram perder posição para Guarani e Sport, ou o senhor não se lembra dos dois jogos finais entre Inter e Flamengo? Duas partidas fraquíssimas técnicamente, com dois times no bagaço.
Cesar Rosatti | carc2005@bol.com.br | http://alotorcida.zip.net |  02/12/2005 11:04

EM RESPOSTA AO BLOGUEIRO CÉSAR ROSSATI SOBRE O TÍTULO BRASILEIRO DE 1987:

 

VOCÊ ERRA, NO MÍNIMO, 10 VEZES;

1. QUEM ORGANIZOU A COPA UNIÃO FOI O CLUBE DOS 13, COM APOIO DA GLOBO;


2. EU SÓ FUI PRA GLOBO EM 1988 E A COPA UNIÃO FOI EM 1987;


3. O CLUBE DOS 13 REJEITOU O CRUZAMENTO ASSIM QUE A CBF O ANUNCIOU, DEPOIS QUE O REGULAMENTO DA COPA UNIÃO JÁ ESTAVA PRONTO E ANUNCIADO;


4. O INTER NADA TERIA A PERDER EM DISPUTAR O CRUZAMENTO, JÁ QUE TINHA FICADO EM SEGUNDO LUGAR;


5. O PAÍS INTEIRO ACOMPANHOU A DECISÃO FLA X INTER, QUE FOI EM DEZEMBRO DE 1987, ENQUANTO A "DECISÃO" ENTRE SPORT E GUARANI SÓ ACONTECEU EM 1988;


6. A DECISÃO DO "MÓDULO AMARELO", ESSA EM 1987, FOI "REPARTIDA" ENTRE SPORT E GUARANI QUANDO AMBOS EMPATAVAM 11 A 11 NOS PÊNALTIS E "RESOLVERAM" PARAR DE BATÊ-LOS (!!!!!!!);


7. ERAM DA SELEÇÃO BRASILEIRA EM 1987 OS SEGUINTES JOGADORES DE FLA E INTER: JORGINHO, LEANDRO, EDINHO, LEONARDO, ANDRADE, ZICO, REANTO GAÚCHO E BEBETO, PELO FLAMENGO E TAFFAREL, LUIS CARLOS WINCK E PAULO ROBERTO, PELO INTER;

8. SABE QUANTOS DO SPORT?


N E N H U M!!!!!!!!!!!

9. FINALMENTE, EM 1988, O CONSELHO NACIONAL DOS DESPORTOS RECONHCEU COMO LEGÍTIMA A CONQUISTA CARIOCA, ALGO QUE A CBF DE OTÁVIO PINTO GUIMARÃES E NABI ABI CHEDID NÃO ACATOU, TANTO QUE SPORT E GUARANI REPRESENTARAM O BRASIL NA LIBERTADORES.

10. EM RESUMO, O CAMPEÃO LEGÍTIMO É MESMO O FLAMENGO. O LEGAL ACABOU SENDO O SPORT.

EM TEMPO: E NÃO ME VENHAM COM ESSA BOBAGEM QUE O TÍTULO DO SPORT NÃO É RESPEITADO PORQUE TRATA-SE DE UM TIME DO NORDESTE. PORQUE NINGUÉM CONTESTA A CONQUISTA DO BAHIA EM 1988.

Por Juca Kfouri às 11h17

Por que a Fifa recuou

Time de massa é fogo.

Os corintianos tomaram duas providências:

1. Anunciaram que processariam a Fifa por perdas e danos -- porque gastaram para ver o primeiro Mundial de Clubes e cinco anos depois foram informados que era só brincadeirinha.

2. Ameaçaram fazer uma campanha contra a Toyota -- para que nunca mais um corintiano comprasse carros dela.

Pois nem bem a Fifa abriu o expediente nesta sexta feira e estava lá a correção, com o Corinthians devidamente reconhecido.

E agora falando sério, a Fifa tinha errado mesmo e se corrigiu. Palmas para ela.

Porque com todas as falhas inegáveis que houve no primeiro Mundial, o campeonato aconteceu, foi organizado pela Fifa e o Corinthians venceu.

Falhas e convites houve também nas Copas do Mundo de 1930, 1934, 1938, 1950, até que, em 1954, começasse a ter uma fórmula mais fixa, eliminatórias etc. E ninguém contesta o bi uruguaio e italiano.

Querer rever a história não dá certo, que o digam os ex-soviéticos.

E comparar a aceitação da Fifa ao título corintiano de 2000 (www.fifa.com) com o do Sport em 1987 é desconhecer a história.

A CBF abriu mão de organizar o campeonato brasileiro daquele ano, só resolvendo fazê-lo depois que percebeu o suceso da Copa União, organizado pelo nascente Clube dos 13.

Também ali houve erros e injustiças, como, por exemplo, o alijamento do América do Rio e do Guarani, que tinham terminado o campeonato de 1986 nas quatro primeiras colocações.

Mas o país inteiro festejou e reconheceu o Flamengo como campeão brasileiro.

Se a CBF não reconhece, azar da CBF.  

Por Juca Kfouri às 09h22

01/12/2005

Previsível e incompreensível

Antes mesmo de o STJD começar a decidir sobre o recurso do Inter sobre a anulação dos 11 jogos, houve confusão.

O Inter não queria que Luiz Zveiter presidisse a sessão.

E tinha razão, porque a posição dele já era mais que conhecida.

No mínimo, ele mesmo deveria se dar por impedido.

Mas, qual!

Parece que convencido de que está vivendo seus últimos momentos como membro do STJD (está perdendo de 3 a 0 no Conselho Nacional de Justiça), Zveiter não se preocupou em dar exemplo.

E, por unanimidade, a rejeição do Inter foi derrotada.

Daí veio o julgamento propriamente dito e, como era previsível, por 6 a 0, a anulação dos 11 jogos foi mantida.

Previsível sim, mas certamente uma decisão que não reflete a proporção que existe entre os torcedores contra e a favor da medida.

E é isso que não se entende.

O resultado de 4 a 2 seria bem mais compatível.

 

 

Por Juca Kfouri às 19h21

O malabarismo da Fifa

A Fifa já não sabe mais o que faz para resolver a questão sobre os clubes campeões mundiais.

Primeiramente, até 2000, não reconhecia nenhum.

A Copa Intercontinental, decidida entre o campeão da Libertadores e da Copa dos Campeões, era assim tratada e ponto.

Em 2000, a Fifa organizou o seu primeiro mundial de clubes e passou a tratar o Corinthians como o único campeão mundial.

Só que não conseguiu realizar mais nenhum torneio, coisa que fará agora, sob o patrocínio da Toyota, que já vinha respaldando a Copa Intercontinental desde os anos 80.

Instalada a polêmica sobre afinal quem a Fifa reconhece, a entidade passou a responder de maneira dúbia, embora sempre mantendo o Corinthians.

Agora, hoje, em seu sítio (www.fifa.com) , a pretexto de resumir a história dos 25 clubes campeões intercontinentais e da Copa Toyota ("o duelo anual entre os campeões da América e da Europa"), como está na primeira página, simplesmente ignora o Corinthians.

Parece exigência do patrocinador.

Claro que a Fifa poderá argumentar que tratou apenas da Copa Toyota, não do primeiro mundial que organizou, tanto que se limitou ao duelo entre os campeões de dois continentes, não de todos, como em 2000 -- e como será em 2005.

No entanto, está escrito que "este ano o torneio adquire dimensão mais universal, com a participação dos campeões das seis confederações filiadas à Fifa". Ora, mas em 2000 já não tinha sido assim?

E, para manter a dubiedade, eis que na coluna à direita, em "torneios anteriores"(http://www.fifa.com/es/comp/Clubworld/tournament/0,6537,CWC-2005-3,00.html), está lá mantida a festa corintiana em 2000.

Cá entre nós, alguma coisa me diz que entre o Corinthians e a Toyota a Fifa acabará mesmo ficando com o patrocinador japonês. 

Por Juca Kfouri às 16h13

Goleada na ética

Primeiro foi o Fluminense, que saiu contratando jogadores do Volta Redonda antes de decidir com este o campeonato carioca.

Agora é o Corinthians que, como revelou hoje o diário Lance!, negocia com Rafael Sóbis antes de terminar o Brasileirão.

E, como tudo indica, a negociação não vem de hoje.

Claro que alguém poderá dizer que, mesmo assim, Sóbis marcou contra o Corinthians.

Mas que não está certo não está.

Custava esperar o fim do campeonato?

Como fica a cabeça do atleta?

Por Juca Kfouri às 13h59

30/11/2005

João Havelange e seu palpite infeliz

João Havelange disse hoje que é contra o uso das imagens da TV para corrigir erros de arbitragem.

Uma posição respeitável que ele defende há anos e que encontra respaldo entre muitos que acham que o futebol também vive das polêmicas e que os jogos teriam seu ritmo prejudicado caso tivessem que parar a cada lance duvidoso.

Só que o argumento de Havelange não poderia ser mais infeliz.

Ele ponderou que embora as imagens sejam usadas modernamente para auxiliar nas cirurgias, em caso de erro médico elas não devolvem a vida ao paciente.

É verdade. Nada devolve a vida depois da morte.

Só que além de as imagens serem um auxílio precioso até para evitar erros médicos,  gols não são eventos fatais e o uso de imagens pode corrigir um gol mal anulado ou mal validado.

Quer dizer, a ponderação de Havelange traz embutida nela exatamente o contrário do que ele quis demonstrar.

Se imagens não devolvem a vida podem corrigir gols e fazer mais justiça no futebol.

E é só disso que se trata. 

Por Juca Kfouri às 22h41

Os, agora, assumidos

TIMÃO QUER FAZER ESTÁDIO SEM MSI

 


Presidente Alberto Dualib autoriza Renato Duprat, o mesmo empresário que o apresentou a Kia Joorabchian, a buscar interessados em bancar a obra

Wagner Vilaron


O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, pretende anunciar, ainda neste ano, mais um projeto para construção de estádio próprio. Para tanto, autorizou o empresário Renato Duprat – o mesmo que o apresentou ao hoje presidente da Media Sports Investments (MSI), Kia Joorabchian – a prospectar o mercado atrás de interessados na obra. A idéia é ambiciosa: avançar no projeto sem a interferência do parceiro.

Segundo pessoas próximas do dirigente, Duprat já conta com investidores animados pela proposta. O tal grupo é chamado de “Anões do Orçamento”, pois suas empresas são conhecidas em Brasília pela freqüente participação na doação para campanhas eleitorais de deputados e senadores. Em princípio, o projeto precisaria captar, aproximadamente, US$60 milhões (R$150 milhões).

 

(Diário de S. Paulo, Esportes, 30/11/2005)

Observação do blog: A primeira vez em que o apelido "anões do orçamento" foi usado para definir os assessores de Alberto Dualib aconteceu em minha coluna, na Folha de S. Paulo, em 27 de novembro último.

Agora, em reportagem de Wagner Vilaron, os assessores de Dualib reconhecem que buscam investidores entre empresas de má fama.

Não surpreende, a não ser por um aspecto: quando utilizei o "anões do orçamento", quis me referir à estatura moral dos que cercam hoje Dualib, escorraçados que foram até pela MSI. Nem fazia idéia de quais eram os investidores que buscavam.

É como se diz: atirei no que vi, acertei no que não vi.

Mas com gente do porte de Duprat e assemelhados, não surpreende mesmo que os investidores sejam da mesma laia. 

 

Por Juca Kfouri às 16h01

29/11/2005

Mala branca progressiva

Como se não faltasse mais nada, eis que a última semana do Campeonato Brasileiro reservou ainda uma novidade: no país do mensalão e do Edílson, agora temos também a mala branca progressiva, o prêmio que o Inter estaria disposto a pagar ao Goiás para que este marcasse o maior número de gols que puder no Corinthians.
Não há mesmo limites nem para a criatividade nem para a insânia de nossos cartolas.
Só restou uma dúvida: se o jogo for, por exemplo, 5 a 4 para o Corinthians, quanto o time gaúcho pagará para o goiano por gol marcado?
 

Por Juca Kfouri às 23h58

Goleada contra Zveiter?

Terça-feira, 29 de Novembro de 2005 às 16:25 (Da página do CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA)
 
Pedido de vista interrompe julgamento de reclamação contra Luiz Zveiter 
O pedido de vista do Conselheiro Jirair Meguerian, para melhor exame da questão, interrompeu, agora há pouco, o julgamento, pelo Conselho Nacional de Justiça, da reclamação movida pelo advogado Luiz Eduardo Salles Nobre, contra o desembargador Luiz Zveiter, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Já havia três votos no sentido de afastá-lo do STJD.


O relator do processo, ministro Antônio de Pádua Ribeiro, Corregedor Nacional de Justiça, reconheceu haver incompatibilidade flagrante entre o exercício da função de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e o cargo de juiz do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Para o ministro Pádua Ribeiro, não é permitido ao juiz o exercício de cargo de direção ou cargo técnico de sociedade civil, associação ou fundação de qualquer natureza ou finalidade. Essa, argumentou, é a forma que a sociedade encontrou de assegurar a independência e o cumprimento, pelo magistrado, de seus deveres e funções, com presteza, correção e pontualidade.


Dessa forma, sendo o Superior Tribunal de Justiça Desportiva órgão integrante da estrutura da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pessoa jurídica de direito privado, as funções atribuídas aos seus integrantes deve ser considerada como desempenho de atividade técnica. Há, por isso, incompatibilidade absoluta entre as funções do magistrado e aquelas próprias dos integrantes dos Tribunais de Justiça Desportiva.


Votou, por isso, acolhendo a reclamação disciplinar para afastar o desembargador Luiz Zveiter do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no prazo máximo de 15 dias e propôs a adoção de uma resolução baixada pelo Conselho Nacional de Justiça para uniformizar o tratamento da questão no âmbito do Poder Judiciário.


O entendimento do Corregedor Nacional de Justiça foi acompanhado pelo Conselheiro Vantuil Abdala, que apenas divergiu no aspecto de assegurar ao desembargador carioca a oportunidade de optar, se já tem tempo de serviço para isso, pela aposentadoria. O conselheiro Abdala considerou também muito pequeno o prazo de 15 dias para o afastamento assinalado pelo Corregedor Nacional de Justiça, fixando um prazo de 30 dias.


O Conselheiro Marcus Faver acompanhou também o ministro Pádua Ribeiro, tendo o Conselheiro Jirair Meguerian, próximo a votar, pedido vista da reclamação disciplinar. Nos termos do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça, o julgamento do caso pode ser retomado em qualquer uma das próximas sessões, já marcadas para os dias 6 e 19 de dezembro.

 

Observação do Blog: são 14 os conselheiros que decidem. Em caso de empate, vota o presidente do CNJ, Nélson Jobim, gaúcho e colorado, como é gaúcha e colorada a ministra do STJ que não acatou o mandado de segurança que beneficiaria o Inter.

Por enquanto, 3 a 0, prevalece aquilo que os juristas vêm dizendo há anos, sobre a irregularidade do acúmulo de cargos de Zveiter.

Difícil, muito difícil que mude, tão clara é a Lei Orgânica da Magistratura.

Depois, se a goleada se confirmar, restará apenas uma pergunta:por que a irregularidade perdurou por tanto tempo?


Por Juca Kfouri às 17h47

Crônica de uma tragédia

ARTIGO


Nasci em 52, mas estive na final de 50


Publicado em 29.11.2005 no Jornal do Commércio do Recife


ANTONIO AZEVEDO


Finalmente, sei o que sentiram os 200.000 brasileiros que estavam no Maracanã, em 1950. Vivo no Recife há cinco anos e aqui redescobri o ambiente de futebol que vivi em São Paulo nos anos 60, e como bom santista não tenho outro time a não ser o meu. Entretanto, pelo ambiente familiar que reina nas ruas e nos estádios daqui, vou freqüentemente aos jogos dos times locais. No sábado optei pelo jogo dos Aflitos. Provavelmente eu era o único entre os 21.950 torcedores do Náutico que não vestia a camisa alvirrubra, os outros 50 vestiam a do Grêmio. Sem entrar em maiores detalhes da partida, conhecidos por todos, eis o que presenciei: durante os 25 intermináveis minutos de paralisação: os torcedores rezavam, andavam de um lado para o outro, sentavam, levantavam e vibravam a cada nova expulsão. Eu torcia para que houvesse mais uma e acabasse o drama, sim, o drama, pois via os jogadores do Náutico se portando como os torcedores e temia pelo desfecho, pois o técnico, como todos lá presentes, também sem controlar as suas emoções, em nenhum momento reuniu a equipe e montou uma estratégia para os 10 minutos restantes, para usar com a vantagem de quatro jogadores.

De repente, pegaram a minha mão esquerda, era um menino de nove anos, que me disse que daria sorte. Quase simultaneamente um senhor fez o mesmo com a minha mão direita, a corrente espalhou-se pelo estádio, e quando olhei para a área do Náutico, o zagueiro Batata, o goleiro e mais outro jogador estavam ajoelhados e também de mãos dadas, rezando, quando houve a defesa do pênalti, Kuki e outros jogadores se jogaram ao chão em desespero.

Mas o time e a torcida prepararam-se psicologicamente para uma decisão naquele pênalti, esquecendo que ainda havia preciosos 10 minutos a jogar, com 11 alvirrubros contra sete gremistas. Logo a seguir, a torcida foi tomada por um sentimento de desespero, impotência e frustração jamais vista por mim em nenhuma outra situação: vi vovôs, vovós, garotos, garotas e crianças chorando copiosamente, sem saber o que fazer, vi inúmeros torcedores falando sozinhos, clamando a Deus o porquê daquilo, gente na rua, que de repente, dava meia-volta em direção ao estádio, como se fosse possível voltar o tempo, vi gente andando e sem mais nem menos, de repente, parar, sentar no meio-fio e começar a chorar, vi inúmeros amigos amparando outros em tentativas inúteis de consolo e, sem sucesso, juntavam-se num abraço sofrido e vi muitos outros alvirubros sentados e sem força para sair do estádio, pois não sabiam para onde ir e nem o que fazer...

Eu que tanto li e ouvi a respeito da comoção do Maracanã e que, na década de 60, na minha primeira visita a esse estádio sentei na arquibancada vazia e fiquei imaginando aquele fatídico dia, hoje posso afirmar: eu, que nasci em 1952, também estive naquela final de 1950 !

Antonio Azevedo é paulista

Por Juca Kfouri às 11h11

Os 23 tricolores

O comentarista da CBN, Victor Birner, apurou que devem ser estes os 23 jogadores que viajarão para o Japão para disputar o Mundial de Clubes:

Rogério Ceni, Bosco e Flávio; Cicinho, Júnior e Fábio Santos; Fabão. Alex, Lugano e Ed Carlos; Renan. Josué, Mineiro, Denilson, Rycharlyssson, Danilo, Souza e Leandro Bonfim; Aloísio, Grafite, Amoroso, Christian e Tiago.

Que tenham boa sorte!

E se ontem o STJ decidiu que não é de sua alçada o mandado de segurança que visava anular a anulação dos 11 jogos do Campeonato Brasileiro pela justiça esportiva, hoje o Conselho Nacional de Justiça decide se Luiz Zveiter pode acumular as funções de desembargador e de presidente do STJD.

Por Juca Kfouri às 02h07

Errei!

De fato, errei.

A decisão do STJ nada tem a ver com remeter à competência da justiça esportiva.

A decisão apenas não aceita que seja da esfera do STJ se manifestar sobre a questão.

Não refresca, mas explico: estava no estúdio da CBN, gravando o CBN Esporte Clube, quando a notícia chegou, primeiramente por meio de uma nota do jornal "Extra", do Rio. E lá estava a informação que transcrevi, apressadamente, pelo que peço desculpa.

Ao ler agora tantos posts e, com calma, o teor da decisão na página do STJ, só me resta ajoelhar no milho.

Dormirei assim. De joelhos.

Não estranhe se este blog ficar silencioso por horas e horas.

Por Juca Kfouri às 02h03

28/11/2005

STJ nega mandado de segurança

A ministra Nancy Andrighi negou o mandado de segurança impetrado por um advogado de Chapecó para anular a anulação dos 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho.

Ela considerou que o caso não é de competência do STJ, mas da justiça esportiva.

Por Juca Kfouri às 18h02

Dia do luto

Torcedores do Galo, do Papão e do Brasiliense acordaram hojem de luto, deprimidos, doídos.

É assim mesmo.

A depressão levará meses para terminar.

Mas, como tudo na vida, um dia passa.

E deve passar, principalmente para quem é grande, quando começar a disputa da Segunda Divisão.

O que não tem remédio, remediado está e, a exemplo do que fizeram Palmeiras, Botafogo e Grêmio, a Segundona pode significar apenas um rito de passagem, um momento amargo de transição para, quem sabe, a volta dos dias gloriosos.

É o que se exige de quem é verdadeiramente grande.

E não há dúvidas de que o Galo, ao menos, é um gigante.

Como o Grêmio, que tem por que se orgulhar de sua conquista no sábado passado e deve reservar um espaço digno para uma nova estrela em sua camisa de campeão mundial.

Por Juca Kfouri às 15h30

Timemania na pauta

O projeto de lei que cria a Timemania está na pauta desta terça-feira da Câmara dos Deputados e pode ser votado amanhã.

Pode, também, não ser, dependendo do que os líderes dos partidos decidirem.

Há pressa do governo e restrições da oposição.

A Timemania será uma boa idéia se aprovada com as devidas contrapartidas de mudanças no sistema de gestão dos clubes de futebol do país que, para poderem ser beneficiados, teriam de adotar o modelo de sociedades empresárias -- posição defendida pelas lideranças do PSDB, PFL e PPS.

O projeto do governo como está, no entanto, não prevê tal mudança e premia a incompetência administrativa que levou os clubes ao endividamento atual.

Aprovada como quer o governo, a Timemania vira um autêntico Mensalão do futebol. 

Por Juca Kfouri às 15h23

Deu no "Estadão"

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2005
Berezovski vibra com boa fase do Corinthians


Jamil Chade
CORRESPONDENTE GENEBRA


O sucesso do Corinthians pode ajudar a transformar o próprio Campeonato Brasileiro. A declaração é do magnata russo Boris Berezovski, citado como um dos pilares que sustentam financeiramente a MSI e como um dos empresário mais ricos de seu país, embora esteja sendo processado na Rússia, França e Suíça por lavagem de dinheiro e corrupção.
Em entrevista exclusiva dada ao Estado antes do jogo entre Corinthians e Ponte Preta, o russo que vive em Londres foragido de seu próprio país fala como o principal interessado no futuro do time do Parque São Jorge e afirma que seu objetivo máximo é ajudar a transformar o Campeonato Brasileiro em um evento mundial, equiparando-o aos torneios mais importantes da Europa. "A seleção brasileira é a melhor do mundo e todos sabemos disso. Agora precisamos transformar o Campeonato Nacional no melhor do mundo também", declarou.

O senhor está acompanhando os últimos resultados do Corinthians?

Claro e estou muito feliz com o desempenho do time. Estou feliz mesmo. Consegui captar pela televisão, aqui de Londres, o jogo entre Corinthians e Internacional (1 a 1, pela 40.ª rodada, no Pacaembu). Foi um bom jogo.

Como avalia o desempenho do Corinthians? Uma eventual conquista significa que investimentos dão retorno no futebol?

O sucesso do Corinthians deve ser visto como um sucesso para todo o Campeonato Brasileiro. Não é justo o que ocorre hoje no futebol mundial e é errado ter campeonatos europeus tão fortes contando na realidade com jogadores de outros países. Na Europa, vários campeonatos são fortes porque contam com jogadores brasileiros e argentinos de alta qualidade.

Mas a seleção brasileira ainda é uma das melhores, senão a melhor em atividade.

Correto. A seleção brasileira é a melhor do mundo e todos sabemos disso. Agora precisamos transformar o Campeonato Nacional no melhor do mundo também. E isso pode ocorrer certamente.

Qual o impacto que o senhor acredita que os investimentos no Corinthians podem ter no Brasil?

Como eu disse, o Corinthians é parte de uma ajuda ao Campeonato Brasileiro. Quero ajudar a transformar o torneio em um evento mundial. Hoje, o campeonato ainda é subestimado.

Em que sentido?

Basta ver a diferença dos valores da venda dos direitos de imagem do Campeonato Brasileiro e de outros torneios na Europa. O Campeonato Nacional no Brasil precisa ser elevado ao mesmo nível do europeu e ser colocado no centro do mundo do futebol.

O senhor prevê novas contratações para o Corinthians em 2006 para a disputa da Taça Libertadores?

Isso só o meu amigo Kia (Joorabchian, comandante da parceria Corinthians-MSI) pode dizer. Ele é quem sabe e administra tudo isso.

Por Juca Kfouri às 13h56

Coluna desta segunda na FOLHA

FUTEBOL

Um confuso quase tetra
JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Carlos Alberto pode ter feito o gol do título numa tarde em que Tevez falhou feio.
Que os corintianos venham a comemorar o tetra do Brasileiro é tão legítimo como a celebração de qualquer outro torcedor em qualquer outro título polêmico.
Que se diga, no entanto, que a parceria Corinthians/MSI não tem nada a ver com as lambanças ocorridas no Brasileirão-2005 será, e tem sido, tão leviano como afirmar, sem provas, o contrário.
Só a política dos avestruzes para garantir lisura em nosso podre futebol.
Ou quantas vezes não se disse que o tempo dos árbitros arranjados já tinha acabado? Tinha mesmo? E quem pode garantir que esse tempo não continue em voga, apenas com motivação diversa daquela dos anos, digamos assim, românticos e folclóricos?
Fato é que a parceria corintiana se desdobra com lances de filmes de James Bond. A tal ponto que a última reunião entre Alberto Dualib e Badri Patarkatsishvili, íntimo de Boris Berezovski, aconteceu em alto mar, em águas internacionais, porque o poderoso empresário de mídia teve receio de entrar em Israel, local originalmente marcado para o encontro. Aconteceu durante o périplo de Dualib atrás da cabeça de Kia Joorabchian, agora envolvido também com o Flamengo.
É assombroso, por sinal, que a Globo Esportes, que recebeu a MSI de braços abertos, não tenha se dado conta do que pode significar um mesmo esquema com o controle dos dois clubes mais populares do país, quem sabe, até, com o domínio do Pacaembu. Afinal, o M da MSI é de mídia.
E é preocupante a demora do Ministério Público Federal em dar conhecimento à opinião pública sobre o inquérito que envolve a MSI, ao que tudo indica parado diante da inação da Polícia Federal em atender aos pedidos do MPF. Se somarmos que um dos advogados da MSI é sobrinho do ministro da Justiça, sobram motivos para preocupação, teorias conspiratórias à parte.
Como preocupam as providências tomadas por Dualib para achar alternativas caso venha a romper com a MSI se seus comandantes não despedirem KJ, muito mais popular junto à Fiel que o presidente do clube.
O Corinthians designou empresários do porte de Renato Duprat (que faliu a Unicór e traiu a MSI) para buscar novos investidores -e ele nem é o pior entre os "alavancadores". Do plano faz parte, também, a venda de Rosinei, por R$ 10 milhões à Fiorentina, para fazer frente aos primeiros meses sem o dinheiro da MSI.
Resta saber se alguém terá coragem de investir num clube comandado com tamanha irresponsabilidade e que até outro dia tinha em seu presidente o maior avalista de KJ.
                                                                      *
Está nascendo um movimento de ex-atletas para lutar, com seu peso, por um Brasil mais justo. A idéia é de Raí e já reúne notáveis como Sócrates, Casagrande, Gustavo Borges, Aurélio Miguel, Kelly Santos, Ana Moser e Paula.

Inesquecível
O que ocorreu sábado nos Aflitos (jamais um estádio teve nome tão apropriado) é digno de estar nos anais do futebol. A vitória do Grêmio foi das que só poderão ser contadas sem correr o risco de ser chamado de mentiroso porque haverá farta documentação. Mas se meu pai me contasse que um dia tinha visto um jogo como o do Recife eu, com todo o respeito, admiraria a imaginação do velho. Dois pênaltis perdidos, 7 atletas contra 10 e ainda por cima fazer um gol? Não, não existe. Como não existem Galatto e Anderson, para sempre tricolores.

2005 tricolor
Paulista, Carioca, Copa do Brasil, Libertadores, Segundona: São Paulo, Flu, Paulista, São Paulo e Grêmio. Faltou o Brasileirão, mas o Mundial...

 

Por Juca Kfouri às 09h36

27/11/2005

A notícia na página do STJ

sábado, 26 de novembro de 2005
07:05 - Advogado entra com mandado de segurança para suspender decisão de Luiz Zveiter, do STJD
 
O advogado Luís Carlos Crema, de Chapecó, cidade do interior de Santa Catarina, entrou hoje, no final da tarde, na secretaria do Superior Tribunal de Justiça, com um mandado de segurança com pedido de liminar contra o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva – STJD, Luiz Zveiter, e contra o presidente da Confederação Brasileira de Futebol – CBD, Ricardo Teixeira. Na qualidade de torcedor, o advogado pede que o STJ ponha fim ao conflito de atribuições que está ocorrendo entre as autoridades administrativas do STJD e da CBF e judiciárias, em face do descumprimento da decisão liminar concedida pela juíza Munira Hanna, da 1ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A juíza considerou inconstitucional a decisão do presidente do STJD de anular 11 jogos do campeonato brasileiro apitados pelo juiz Edílson Pereira de Carvalho cujos resultados, presume-se, foram "arranjados" por acordos "extracampo".

Luís Carlos Crema argumenta que, embora a decisão judicial tenha sido comunicada tanto ao STJD quanto à CBF, as duas entidades se recusaram a cumpri-la a pretexto de que dispõem de outros meios legais para manter a decisão do STJD. Segundo notícias juntadas ao processo, o presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva teria declarado que a liminar concedida pela juíza gaúcha não teria qualquer validade legal, porque a ação deveria ter sido apresentada no foro da cidade do Rio de Janeiro, local da sede da CBF, e não em Porto Alegre.

O impetrante alega, por isso, que se está diante de uma decisão judicial proferida por um juiz competente, que está sendo acintosamente descumprida por autoridades administrativas sob a alegação de que elas têm autoridade para decidir se acatam ou não uma ordem judicial. Ora, afirma o advogado, a decisão judicial goza da presunção de legitimidade, de legalidade e de constitucionalidade e somente outra decisão judicial, independentemente das razões e fundamentos da decisão original, poderá modificá-la.

Assegura que as atribuições das autoridades administrativas são aquelas determinadas pela lei, no sentido de disciplinar e regulamentar as atividades desportivas, não sendo de sua competência apreciar a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de uma decisão judicial, competindo-lhes apenas respeitar e cumprir a determinação do Poder Judiciário.

Pede, por isso, a concessão de liminar para que o STJ determine que os presidentes do STJD e da CBF cumpram a decisão da Justiça gaúcha e declare sem efeito a decisão do STJD que anulou os 11 jogos do campeonato brasileiro, em razão da ilegitimidade do presidente do tribunal desportivo para proferi-la.

O processo foi distribuído, no Superior Tribunal de Justiça, à ministra Nancy Andrighi, presidente da Terceira Turma, que deverá examinar o pedido de liminar no início da semana. O processo deverá ser julgado pela Segunda Seção do Tribunal, composta pelos 10 ministros que integram a Terceira e a Quarta Turma.

Comentário do blog:

Se o pedido do advogado catarinense for vitorioso, estará consolidada uma interessante nova ordem jurídica contra as decisões autoritárias da justiça esportiva.

Reitero que acho que seja correta ("a menos ruim possível") a anulação dos 11 jogos, mas não da maneira como foi decidida.

O STJD e a CBF sempre se valem de que o foro adequado para julgar suas questões é o Rio de Janeiro, onde conseguem, como no caso, decisões na calada da noite para impedir iniciativas como esta que está no STJ.

Independentemente de qualquer outro aspecto, será muito bom se Brasília decidir pela procedência do mandado de segurança.

 

Por Juca Kfouri às 23h36

Divino Rentería

Não é só a torcida colorada que festeja o colombiano autor do gol da vitória.

Os palmeirenses também.

Há um que até está comparando Rentería a Ademir da Guia, grande algoz do Corinthians.

 

Por Juca Kfouri às 20h50

E tudo ficou para a última rodada

A exemplo do que aconteceu no ano passado, a decisão do Campeonato Brasileiro ficou para a última rodada.
Em três edições com pontos corridos, apenas na primeira o Cruzeiro foi campeão com antecedência.
Coisas que só o equilíbrio do futebol nacional, com tantos clubes grandes, permite pelo mundo afora.
Mas não só a definição para Corinthians ou Inter ficou para a última rodada.
Também apenas na última rodada saberemos o quarto rebaixado, se o Coritiba, que enfrenta exatamente o Inter em Curitiba, o São Caetano ou a Ponte Preta.
E ainda só domingo que vem saberemos qual dos dois, se Palmeiras ou Fluminense, que se enfrentam no Parque Antarctica, se classificará para a Libertadores.
Vamos aos cálculos.
O Corinthians será campeão com um empate em Goiânia, contra o Goiás, já classificado para a Libertadores.
Pode até perder se o Inter não ganhar do Coritiba.
E pode ainda perder mesmo com a vitória do Inter, desde que a soma dos dois resultados não tire seis gols que o Corinthians tem de vantagem.
Para o Fluminense ir à Libertadores, precisará não perder do Palmeiras, que joga apenas pela vitória.
Para não cair, o Coritiba tem de ganhar do Inter e torcer para que a Ponte Preta perca do rebaixado Brasiliense, em Campinas, ou o São Caetano perca do Cruzeiro, no Mineirão.
Mais que nunca, haja coração.

Por Juca Kfouri às 18h45

Toquinho dançou

O corintiano e compositor Toquinho foi convidado pela MSI para cantar o hino do Brasil antes do jogo no Morumbi.

A inspiração veio do clássico entre Real Madri e Barcelona, quando o tenor Plácido Domingo cantou o hino madridista.

A idéia gorou porque a direção do São Paulo argumentou que não haveria tempo para preparar devidamente o som.

Por Juca Kfouri às 18h25

A queda do Papão

Também o presidente do Paysandu, a exemplo do que acontece com o do Galo, merece o rebaixamento.

Mas a torcida do Papão merecia melhor sorte.

Papão e Remo se reecontram na segundona.

Por Juca Kfouri às 18h07

Brasiliense bem caído

Sabe a falta que o Brasiliense vai fazer ano que vem na primeira divisão?

N E N H U M A!!!!!

Por Juca Kfouri às 18h03

A pergunta do Galvão

Não é gostoso ouvir Galvão Bueno perguntar, quando o Inter desempatou no Beira-Rio, admirado?

Que campeonato é este?!!!!

É o tal campeonato por pontos corridos, que a Globo Esportes tanto combateu.

Por Juca Kfouri às 17h56

O pé do Coelho

O lateral-direito Coelho tinha tudo para entrar na história corintiana.

Como Viola, por exemplo.

Estava no banco, entrou no lugar do menino Eduardo, e fez, de falta, com o pé direito, o gol que Tevez perdera de pênalti.

Gol que, naquele momento, dava o título ao Corinthians.

Como Renteria desempatou no Beira-Rio, o gol de Carlos Alberto, o terceiro do Corinthians, acabou sendo mais importante.

Por Juca Kfouri às 17h34

Réquiem para o Galo

O goleirinho Bruno merecia não cair, ainda mais depois de pegar um pênalti cobrado por Romário (o quarto perdido pelo Baixinho, razão pela qual não será o artilheiro do Brasileirão).

A torcida do Galo também não merecia.

Mas a cartolagem que assaltou o clube merece.

E como merece!

Por Juca Kfouri às 17h22

E não acabou mesmo. Mas quase

Não foi a goleada que se previa porque Carlitos Tevez perdeu dois gols como não costuma e ainda bateu um pênalti como se fosse um tiro de meta.

Também o Inter não ganhou por mais do Palmeiras porque São Marcos estava em campo e Rafael Sobis perdeu um gol fora de seus hábitos.

O 3 a 1 no Morumbi e o 2 a 1 no Beira-Rio deixaram o Brasileirão para ser decidido na última rodada.

Verdade que o Inter terá de tirar seis gols de diferença (desde que a Justiça comum não mude as coisas), num jogo duro em Curitiba porque diante do ameaçado Coritiba.

Seis porque a diferença no saldo é de cinco e o empate neste critério leva ao número de gols -- e o Corinthians tem 13 a mais que o Inter.

Já o Corinthians terá pela frente um adversário muito mais categorizado, o Goiás, embora já garantido na Libertadores e jogando pelo empate.

Fácil supor a retranca de Lopes no Serra Dourada e o tudo ou nada de Muricy Ramalho no Couto Pereira.

Seja como for, e independentemente de tudo de errado que houve neste campeonato, como é deliciosa a fórmula dos pontos corridos!

 

 

Por Juca Kfouri às 17h18

Tudo igual

Estamos como antes de os dois jogos começarem.

E com algumas curiosidades.

O corintiano e ex-são paulino Gustavo Nery marcou os dois gols no empate contra a Ponte.

O palmeirense e ex-corintiano Gamarra fez o pênalti que o colorado e ex-corintiano Jorge Wagner aproveitou para fazer 1 a 0 no Beira-Rio.

E o palmeirense e ex-são paulinho Juninho empatou de falta.

Por enquanto, nem Corinthians nem Inter fazem por merecer o título de campeão, embora a tarefa colorada seja bem mais difícil.

Por Juca Kfouri às 16h00

O Brasileirão não acaba. Mas acaba

Matematicamente este blog imagina que o Campeonato Brasileiro não terminará hoje.

Porque prognostica que tanto o Corinthians quanto o Inter vencerão seus jogos.

Só que o blog antevê, ainda, que o saldo de gols dos corintianos ao fim deste domingo será praticamente inalcançável pelos colorados.

Resta, no entanto, aguardar a decisão da juíza, gaúcha, do STJ, em Brasília, sobre a anulação da anulação dos 11 jogos.

Não faltam emoções na reta final.

Por Juca Kfouri às 09h02

Coluna deste domingo, na FOLHA

FUTEBOL

Paixão 10, razão 0

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Movido a paixão, só por isso o futebol é o que é. Com todos os exageros a que tem direito.
Exageros, diga-se, menos comuns entre os leitores desta Folha e regra entre os internautas blogueiros (uma experiência fascinante).
Mas este é o espaço dos leitores da Folha.
Dois deles reclamaram da parcialidade do colunista, corintiano assumido (que, por sinal, vive apanhando de outros corintianos por ser contra a parceria com a MSI, o que não significa que apoie a alternativa ainda mais perigosa que a direção do clube está parindo, com gente do tipo "anões do orçamento").
Um leitor até ameaçou deixar de assinar o jornal, crime que cometeria contra ele mesmo. Deixar de ler Rossi, Cony, Janio, Torero, Couto, Rodrigues, Nassif, Kennedy, Tostão, tantos, só por causa de um reles alvinegro? Ora bolas, é tão mais fácil ignorar este cantinho aos domingos e às segundas!
Mas do que se queixa o incomodado assinante, torcedor do Santos? Que aqui foi escrito que no jogo repetido entre o time dele e o meu quem mais prejuízos teve foi o time da capital. Pois foi.
Já o outro reclamante deu-se ao trabalho de pesquisar todas as 17 colunas escritas desde a minha volta ao jornal. E constatou, com razão, que ou tratam de política esportiva ou falam do Corinthians.
Falar dos bastidores do futebol é uma das missões desta coluna, coisa explicitada desde a reestréia. Há quem não goste, bem sei, que prefere que se fale apenas do jogo. Felizmente não é a linha da Folha e nem a posição de seu leitorado, algo que uma pesquisa do Datafolha revelou tempos atrás.
Não terá sido por outra razão, aliás, que para cá voltei a ser convidado, o que custa ao jornal, entre outras coisas, passar a ser visto como inimigo da CBF, por exemplo .
Posto isso, resta a pergunta: mas precisa falar tanto do Corinthians? Precisar não precisa, de fato, como diz aquela campanha de cartão crédito que quando feita por "jornalistas" perde o crédito.
Quis o destino, por sorte ou desdita, que desde a volta da coluna, em 26 de setembro último, o Campeonato Brasileiro, em sua reta final, tem como líder o tal Corinthians, clube da preferência da grande maioria do Estado onde este jornal é editado.
O que obriga outra pergunta: escrever sobre os jogos de quem, aos domingos e segundas-feiras?
Ainda mais que, agora por sorte, nenhum dos grandes paulistas corre o risco de cair.
Quem é mais notícia neste exato momento?
Não, nem se está reclamando dos leitores, até porque tão poucos como mereço, nem retirando deles o direito de descer o pau. São os leitores, ouvintes, telespectadores, internautas, os verdadeiros patrões dos jornalistas, sem aspas.
Tampouco se trata de explicar o inexplicável.
Na verdade, que ironia, acabou nem sobrando espaço para falar do grande jogo de hoje.
Qual? Ora, Brasiliense x Figueirense, é claro. Aposto que o alvinegro ganha. E de muito.

A seleção da coluna
Minha seleção do Brasileirão é: Fábio Costa, Paulo Baier, Gamarra, Lugano e Jorge Wagner; Tinga, Arouca, Petkovic e Marcinho; Carlitos Tevez e Rafael Sobis. Tevez foi o melhor jogador, Sobis a revelação e Muricy o técnico. Este colunista nem sequer foi convidado a votar na seleção da festa da CBF. No que os organizadores fizeram bem: se fosse, não votaria, como não vota na do COB.

Por Juca Kfouri às 08h55

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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