Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

09/12/2005

Dados lançados

Nem fácil nem difícil, como o grupo da Argentina, por exemplo.

Croácia, Austrália e Japão.

Uma escola que já foi chamada de os "brasileiros da Europa" (embora mais pelos sérvios que pelos croatas), outra bem dura e até violenta e a terceira ainda ingênua (embora menos) e muito veloz.

Chato enfrentar o Zico, só isso.

O perigo maior estará nas arbitragens, que desta vez não favorecerão a Seleção Brasileira, já que os europeus não querem vê-la seis vezes campeã, o dobro de Alemanha e Itália.

Ou campeã pela segunda vez na Europa (como em 1958), algo que só os brasileiros já conseguiram, pois venceram na Suécia.

Jamais,aliás, um europeu venceu fora de seu continente, diferentemente do Brasil que já venceu em sua América, tanto na do Sul (Chile-1962), quanto na do Norte (México-1970 e Estados Unidos-1994), na Europa e na Ásia (Coréia-Japão-2002).

Em resumo: poderia ser melhor, mas certamente os croatas, australianos e japoneses estão muito mais preocupados.

 

 

Por Juca Kfouri às 18h19

Relações estremecidas

Joseph Blatter e Ricardo Teixeira já se deram melhor.

O suiço percebeu que o brasileiro ambiciona seu cargo.

E tem feito de tudo para mostrar a jornalistas do mundo inteiro que é diferente do presidente da CBF.

Por Juca Kfouri às 17h34

Piada anticorintiana

O Antonio Lopes pediu ao Kia a contratação do Animal, do Luizão e do Djalminha.

Como Kia não entende bem o português, contratou o tribunal, o juizão e o bandeirinha...

Por Juca Kfouri às 17h10

Para quem não entendeu

Estava mais que prevista a retirada da ação do advogado Leandro Konrad Konfranz.

Basta reler a nota, do dia 7 último, à 1h55, "O vacilo do advogado que vem derrotando a CBF".

No fundo, a retirada é uma bobagem, porque basta ao Inter declarar, como já fez, para vergonha de muitos e a compreensão de outros tantos, que não se beneficiará de qualquer decisão na Justiça comum para que o seu problema com a CBF e com a Conmebol esteja resolvido.

Mas releia, também, a nota "Parada indigesta", sobre o a nova ação que será movida pelo, agora, ex-conselheiro do Inter, Carlos Papaléo.

A briga na Justiça continuará, movida por um advogado muito mais maduro e experiente, que tem tudo para não se deixar intimidar por pressões.

Aos que pedem que eu acione a CBF, um recado: não é meu papel, como jornalista.

Até minha mãe, se fosse viva, acharia que eu estaria apenas querendo aparecer.

Pior que processar a CBF é ser por ela processada. E nisso tenho larga experiência. Sem nenhum temor.

Por Juca Kfouri às 16h55

Aos amigos

Convite para lançamento do meu primeiro, e provavelmente último, livro infantil:


Por Juca Kfouri às 16h16

Os planos de Berezovski


O programa de TV, ontem, com Boris Berezovski, chefão da MSI, na BBC, faz parte de uma série sobre os "grandes oligarcas".

Berezovski revelou como está tentando desestabilizar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, por meio de seu jornal, o "Kommersant", acompanhado pelo irmão do George W. Bush,  Neil Bush, com quem tem viajado pelos países que permitem sua presença.

Por Juca Kfouri às 16h16

Editorial de

Opinião: Garantia

UMAS DAS emendas ao projeto da Timemania, aprovado na quarta-feira na Câmara, estabelece condições especiais de utilização do dinheiro da loteria pelos clubes que se converterem em empresas.

O APERFEIÇOAMENTO, ainda a ser votado como destaque, merece apoio dos parlamentares. Só assim haverá uma garantia mínima de que os clubes deixarão de ser tratados como extensão dos negócios e interesses particulares da cartolagem.

 

Por Juca Kfouri às 16h15

Timemania e os leitores

Publicado em "O Globo" em 09/12/2005

Timemania
Cartas dos Leitores

É no mínimo vergonhosa a aprovação da nova loteria Timemania. Somente os
néscios é que não percebem que, mais uma vez, o governo federal,
desavergonhadamente, enfia a mão nos bolsos dos cidadãos que, na ilusão de
riqueza fácil, gastam nessas loterias o pouco que possuem sabendo que a sua
chance de ganhar é muitíssimo reduzida. É o governo incentivando o vício
(dos apostadores) e tentando recuperar os débitos que dirigentes desonestos
e incompetentes fizeram ao longo de vários anos. Até hoje nenhum dirigente
de clube foi preso por malversação dos bens patrimoniais dos clubes ou por
sonegação fiscal!
LINDOLFO B. SANTOS
(por e-mail, 8/12), Rio


Depois de tanta sujeira a que assistimos nas CPIs, tantas maracutaias nos
cofres públicos, tantas pessoas presas por atividades ilegais, inclusive no
futebol, um dirigente anuncia na televisão, sorrindo, a aprovação da
Timemania. É o fim. Sonega-se, rouba-se, vendem-se pessoas por milhões e vem
o governo agraciar sonegadores de impostos com o jogo. É o caso de mostrar
nossa indignação e não apoiar esse jogo.
ANTÔNIO CAVADAS SOARES
(por e-mail, 8/12), Rio


O nosso grande governo cria um jogo - apesar de no Brasil os jogos estarem
proibidos - para pagar o INSS dos times de futebol que ganham milhões
vendendo seus craques e não pagam nada de imposto. E os dirigentes, cada dia
mais ricos.
ANTÔNIO JOSÉ G. MARQUES
(por e-mail, 8/12), São Paulo, SP

Todo o Brasil sabe que a falência dos clubes de futebol se deve a sucessivas
más administrações, falcatruas, desvios de recursos, inclusive com a
apropriação indébita de recursos da Previdência e do FGTS, que foram
descontados dos salários dos jogadores e dos funcionários, mas que não foram
repassados a quem de direito. Para premiar todo esse lamaçal, o governo
criou e deputados e senadores aprovaram a Timemania, loteria que vai tirar
mais recursos de quem já não tem para ajudar verdadeiros marginais. Enquanto
isso, empresários honestos estão falindo e desempregando, pois não têm como
pagar tantos impostos.
RICARDO GODOY
(por e-mail, 8/12), Rio

 


 

Por Juca Kfouri às 10h17

08/12/2005

O que é melhor para a Seleção?

Hoje saberemos quais serão os três primeiros adversários da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

As opiniões variam.

Há quem torça por um grupo fácil, outros preferem um grupo médio e há quem gostaria de ver um grupo difícil.

Estes últimos defendem a tese de que começando com dureza, a Seleção entra logo no ritmo da competição.

Os que optam por um grupo nem tanto ao mar nem tanto à terra, argumentam que o melhor é ter um adversário mais complicado e dois fáceis, para não haver risco de desclassificação.

Pois eu estou entre os que querem uma chave mole, a mais mole possível, embora não acredite em tal possibilidade.

E a razão é simples.

Tem sido comum nas Copas a Seleção ter de treinar na primeira fase, para gradativamente ir melhorando com a sequência dos jogos.

Foi assim em 1998, na França e, principalmente, em 2002, na Ásia.

Ou alguém se esquece do que foi o primeiro jogo contra a Turquia, quando só um pênalti inventado em Luizão deu a vitória à Seleção.

O melhor seria mesmo um grupo com três galinhas mortas, tipo assim, como diz a garotada, com Angola (atendendo a pedidos de blogueiros mais prudentes), Suiça e Trinidad e Tobago.

Moleza demais?
OK. Em vez de Trinidad e Tobago, que tal o Irã?

Por Juca Kfouri às 22h51

Berezovski na BBC

Boris Berezovski, principal investidor da MSI, e com prisão decretada na Russia e na Suiça, deu longa entrevista à BBC na noite desta quinta-feira, apresentado como investidor no "futebol sul-americano".

Vestia uma camisa amarela da Seleção Brasileira...

Por Juca Kfouri às 22h22

Parada indigesta

A CBF não calcula a briga que comprou ao tentar engrossar para cima do Inter, apesar de o clube gaúcho já ter dado todas as demonstrações de que não se beneficiará de qualquer decisão da Justiça comum.

O advogado Carlos Papaléo resolveu renunciar ao seu posto de conselheiro do clube e promete, na semana que vem, entrar com tudo para desmascarar, na Justiça comum, os métodos e os cartolas que comandam o futebol brasileiro.

"Só não entro já para não dar mais motivo para perseguirem o meu clube", garantiu Papaléo.

Ele diz que o que menos importa, agora, é o título de 2005 ou coisa parecida.

Ele quer mostrar ao país quem é quem em nosso futebol.

E está bem documentado, garante.

Papaléo é um profissional vitorioso, maduro e independente.

O tipo do adversário chato de encarar.

Oba!

Depois que até Aldo Rebelo aderiu ao mundo oficial do futebol, é bom saber que tem gente disposta à luta.

Por Juca Kfouri às 19h03

Por uma nova Justiça esportiva

Publicado no sítio Consultor Jurídico, ontem, dia 7/12/2005

 

O poder no futebol é exercido, basicamente, por meio de três instrumentos:


1. colégios eleitorais restritos e manipuláveis;


2. controle das arbitragens;


3. controle da Justiça esportiva.


Entidades dirigentes e clubes usam e abusam do primeiro. A democracia passa ao largo.


Com o controle das arbitragens as entidades dirigentes intimidam os clubes.


E com o controle da Justiça esportiva arrematam a intimidação.


É preciso mudá-la.


Fruto de nossa tradição bacharelesca, nossa Justiça esportiva tem se caracterizado por muita pompa e circunstância, luzes dos holofotes e muita, mas muita confusão.


E não há nada que justifique tamanha ineficácia.


Mais correto seria que as questões esportivas fossem resolvidas com base em ritos sumários, como se faz em competições como a Copa do Mundo, para ficar somente numa.


Quem não se lembra do "julgamento" do lateral-esquerdo Leonardo, da Seleção Brasileira, que, durante a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, deu uma cotovelada num adversário e, com base nas imagens de TV, foi excluído da Copa?


E Leonardo era, como continuou a ser, um dos mais exemplares atletas do país.


Sua vida pregressa, no entanto, de nada valeu.


Imagine se houvesse recursos, estabelecimento do contraditório, prazos para apresentação de provas, tudo que, felizmente, faz parte da vida nas democracias.


A Copa já teria acabado, pois se trata de uma competição curta, disputada em 30 dias, e a solução não teria sido encontrada.


Piso em ovos ao expor tais argumentos aqui, numa página freqüentada por profissionais de profundo saber jurídico, tão profundo como é rasa a minha familiaridade com o tema, adquirida, no máximo, por osmose, dada a herança paterna -- filho que sou de promotor público.


Ms suspeito que não cabe comparar as situações do dia-a-dia com as do esporte, que necessariamente é regido por regras muito próprias.
Um simples papel, estabelecendo as faltas e suas respectivas punições, resolveria, no mínimo, 90% das questões.


O atleta atingiu o adversário de maneira violenta? Cinco jogos de suspensão.


Cuspiu no outro? Mais cinco.


Xingou o árbitro? Outros cinco.


Agrediu o árbitro? Suspenso até o fim do campeonato, desde que antes da metade da competição. Se depois, fica suspenso também durante a primeira metade na temporada seguinte.


Simulou um pênalti? Três jogos.


Incitou a torcida à violência? Fora do campeonato.


E assim por diante.


Claro que o estabelecimento das penas seria feito por especialistas, o que estou longe de ser.


Mas, estabelecidas, três cavalheiros se reuniram no dia seguinte às rodadas e, com o papel na mão, determinariam as punições.


Há quem proponha um tribunal de fato para dirimir pendências mais complicadas ou não previstas, como um braço da Justiça comum.


Pode ser, embora eu ainda não tenha opinião firmada a respeito.


Lembro-me de discutir a questão com meu pai e ouvir dele que seria um exagero num país com as nossas carências.

Ao contrário, dizia ele, precisamos é acabar com a Justiça militar e não criar novos ramos.

Pode ser, também.


A discussão está posta.


Sou todo ouvidos.


Mas entrem sem bater, como diria o imortal Barão de Itararé.

Juca Kfouri

 

Por Juca Kfouri às 03h06

Quase aprovado o Mensalão do futebol

Com a oposição apenas do PSDB, a Timemania, o Mensalão do futebol, foi praticamente aprovada ontem na Câmara dos Deputados.

Falta ainda a votação dos destaques, entre eles o do clube-empresa, que não deverá ser aprovado.

A votação deverá ser concluída hoje e o projeto ainda terá de passar pelo Senado.

O voto mais insólito de ontem foi o do deputado Lincoln Portela (PL-MG), que votou pela aprovação, com a seguinte declaração:

"Há muitos dirigentes ladrões, safados e soltos por aí. Mesmo assim, voto sim", para gargalhada geral de seus colegas.

Já o Brasil chora com tamanha indigência e cinismo. 

Também ontem o Tribunal de Contas da União publicou um relatório sobre a gestão do ministro do Esporte Agnelo Queiroz no qual revela uma série de graves irregularidades nos contratos entre o orgão e a agência de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, como por exemplo a execução de serviços sem respaldo contratual, pagamentos efetuados sem a devida execução dos serviços e até a autorização do ministério para a realização de despesas com data posterior à emissão das notas fiscais pelas empresas subcontratadas.

 

Por Juca Kfouri às 01h58

07/12/2005

Confirmação e correção

O advogado Leandro Konrad Konfranz confirmou, em entrevista à CBN, o pedido do Inter.

E não adiantou o que decidirá, embora tenha admitido que por amor ao clube pode até desistir da ação.

Já o presidente do Fortaleza, José Ribamar, Felipe Bezerra, também em entrevista à CBN, disse que o Fortaleza não desistiu de acionar o Inter e que quem o motivou a tanto foi "uma fonte na CBF", que não quis revelar. 

Por Juca Kfouri às 20h35

Inter notifica advogado

O advogado Leandro Konrad Konfranz recebeu uma notificação do Internacional pedindo que ele desista da ação contra a CBF.

E o presidente do Fortaleza revelou que não está disposto a levar adiante o pedido para que acione o Inter na Justiça esportiva.

Por Juca Kfouri às 17h00

A próxima jogada

O presidente do STJD, Luiz Zveiter, pedirá ao Fortaleza que entre com uma representação contra o Internacional baseado no que está publicado hoje neste blog, sobre o relacionamento do advogado Leandro Konrad Konflaz com o conselheiro do Inter Carlos Papaléo.

Com isso ameaçará o Inter com a perda da vaga na Libertadores, que passaria a ser ocupada pelo Fluminense cujo presidente é médico do presidente da CBF. O estranho é que Luiz Zveiter não tomou atitude semelhante quando, na Justiça comum, o Vasco entrou com uma liminar para garanti-lo na presidência do STJD.

Por Juca Kfouri às 12h08

Deu no "Zero Hora"

Inter
Ação na Justiça continua
Clube tem informação que ameaça de perder vaga na Libertadores é blefe
LEANDRO BEHS

 
 
 
Um contra-ataque fulminante. Assim o Inter reagiu à ameaça da CBF de excluir o clube da Libertadores. Ontem, na sede da Conmebol, em Assunção, os dirigentes Arthur Dallegrave e Mário Sérgio Martins conversaram com o presidente da entidade sul-americana, Nicolas Leóz. E teriam sido informados que a Sul-Americana jamais aprovou resolução na qual alija equipes do torneio, caso sejam beneficiadas por ação na Justiça Comum contra uma federação nacional.

A CBF estaria blefando, o Inter pagou para ver. A entidade tem que indicar até amanhã os representantes do país na Libertadores.

Além disso, uma nova reviravolta promete deixar o Brasileirão em aberto. Ontem à noite, o presidente Fernando Carvalho reuniu colorados ilustres em sua sala no Beira-Rio. Estavam lá o ex-presidente Paulo Rogério Amoretty, o ex-vice-presidente Ibsen Pinheiro, o conselheiro Carlos Papaléo e o diretor jurídico do Inter, Luiz Antônio Lopes.

É que na noite de segunda-feira, enquanto no Rio o Corinthians recebia a taça de campeão brasileiro, em Porto Alegre a juíza da 1ª Vara Cível do Foro Central da Capital, Munira Hanna, expedia ofício determinando que a CBF cumpra a liminar que determina que o campeão não seja homologado. O descumprimento da ordem valerá à CBF uma multa equivalente ao valor concedido ao time vencedor (pouco mais de R$ 1 milhão) e prisão do presidente em exercício da entidade, Virgílio Elísio. A liminar foi pedida por Tomas Cunha Vieira - advogado do torcedor Leandro Konrad, que presta serviços para o escritório de advocacia de Carlos Papaléo.

- Sou autônomo. Presto serviços para o escritório (de Papaléo) com alguma freqüência. No caso da ação, não sou ligado ao Inter -, confirmou Konrad, também advogado.

Além da presença de Dallegrave e Martins na Conmebol, segunda-feira, no Rio, o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, e o presidente da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), Francisco Noveletto, garantiram à CBF que o Inter não se beneficiará de qualquer ação na Justiça Comum para ser reconhecido campeão brasileiro de 2005. O clube parece não temer represálias da entidade.

O Inter tem um dossiê pronto para ser tornado público caso sofra alguma punição da CBF. Entre a documentação, uma liminar impetrada pelo Vasco a fim de manter Luiz Zveiter na presidência do STJD.

- Não temos nada a ver com a ação dos torcedores. Vamos continuar, sim, brigando pelos nossos direitos na Fifa - afirmou Carvalho.

Observação do blog: os grifos em negrito são do autor do blog.

Por Juca Kfouri às 09h59

O vacilo do advogado que vem derrotando a CBF

O advogado e torcedor do Internacional Leandro Konrad Konflaz tem obtido seguidas vitórias na Justiça e tem dito e repetido que não conhece ninguém da direção do Colorado, como na entrevista reproduzida neste blog um pouco abaixo, dada ao jornal "Zero Hora".
Mas não é assim.
Já sabemos que ele trabalha para o escritório Papaléo Advogados, cujo fundador e dono, Carlos César Cairoli Papaléo, é do Conselho Deliberativo do Internacional.
Uma pena para o advogado, porque ao não admitir tal relação desde que entrou com as ações na Justiça comum, o dr. Konflaz permitirá, daqui por diante,  que se reforce a idéia de seus adversários de que ele atua como laranja do clube.
Eu perguntei a ele por que não havia revelado que trabalhava tão próximo a um alto dirigente do Inter e ele me respondeu que não disse nada porque ninguém tinha lhe perguntado. E ele lembra que laranjas, de fato, foram as torcidas organizadas do Rio que obtiveram a liminar posta sob séria desconfiança pela ministra Nancy Andrighi, do STJ.

Com a voz cansada (verdade que conversamos já nesta madrugada), o jovem advogado de apenas 26 anos, não avalia que a revelação seja grave, mas pondera que nem mesmo ele sabe até onde levará a questão, dada a repercussão e o tamanho da guerra que, repete, trava praticamente sozinho.
E isso exatamente no momento em que ganhou mais uma batalha, com a determinação da Justiça gaúcha à CBF para que esta cumpra, sob pena de multa diária de R$ 4 milhões, a decisão de não oficializar o título do Corinthians.

Por Juca Kfouri às 00h55

06/12/2005

Novidade sobre Konflaz

Como é possível constatar abaixo, o advogado Leandro Konrad Konflaz trabalha para o escritório de advocacia de Porto Alegre, Papeléo Advogados.

Acabo de falar com o dr. Konflaz, que confirmou a informação e me disse que não havia tocado no assunto porque ninguém tinha lhe perguntado, embora fosse público e notório em Porto Alegre.

É que o escritório foi fundado pelo Dr. Carlos César Cairoli Papaléo que é do Conselho Deliberativo do Internacional, como se pode verificar na página do clube (www.internacional.com.br).

Papaleo, nova empresa de contrato da SISNEMA

Mais uma importante empresa do ramo de advocacia acaba de fechar contrato com a SISNEMA, e passando a receber suporte técnico de qualidade e segurança.


O escritório Papaleo Advogados foi fundado em 1971 por Carlos Cesar Cairoli Papaleo, advogado formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, Juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 4a. Região. Aposentado, tem hoje, como sócios, Emílio Papaléo Zin, ex-Professor de Direito do Trabalho na PUC/RS, atual Presidente da SATERGS, Sociedade dos Advogados Trabalhistas de Empresas do RGS e integrante das Comissões de Concurso para Juiz do Trabalho 2003 e 2004, e Fabiana Vieira Papaleo. Conta, ainda, com selecionado e especializado quadro de advogados - Thiago Liden Lopes, Tomás C.Vieira, Gunnar Z. Fagundes, Leandro K.Konflaz, Luiz G. Durigon, Tanise Lopes e com o bacharelando Marcelo Vieira Papaleo.

Por Juca Kfouri às 23h35

Lula recebe o Corinthians e a MSI

O presidente da República acaba de receber uma delegação corintiana no Palácio do Planalto.

Ao lado do ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, Lula recebeu uma camisa oficial de número 10 com seu nome bordado nas costas, além da camisa preta comemorativa do tetracampeonato.

A delegação alvinegra foi chefiada por Alberto Dualib e por Kia Joorabchian e levou a taça, entregue ontem pela CBF, ao presidente.

Lula disse a Dualib que os clubes deveriam sempre fazer contratos de cinco anos com seus atletas, para evitar problemas.

E reclamou com o zagueiro Betão pelo gol contra feito diante do São Caetano.

Tevez, de roupa esporte como todos os demais atletas, com exceção de Róger que estava de terno, recebeu de Lula a missão de entregar uma camisa corintiana ao presidente da Argentina, Nestor Kirchner.

Marcelo Mattos, Eduardo, Wescley e o goleiro Marcelo também foram ao palácio, como o técnico Antônio Lopes.

Kia Joorabchian foi cumprimentado pelo presidente com um aperto de mãos e ficou discreto no encontro, talvez constrangido por se saber investigado pelo Ministério Público Federal, detalhe que parece não incomodar o presidente da República.

Kia chegou lá, contente, a apenas um Dualib e um Róger do presidente.

Por Juca Kfouri às 13h56

Este honra as calças

 "Não pretendo retirar a ação"

Entrevista: Leandro Konrad, advogado, torcedor do Inter


Leandro Konrad Konflanz é hoje uma ameaça à CBF (e agora também ao Inter).

O advogado de 26 anos é torcedor do Inter e o responsável por duas ações judiciais: uma que pedia a revogação da anulação
os 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho, e a outra, para que o campeão brasileiro não fosse declarado antes da sentença do Superior
Tribunal de Justiça. Ontem, o advogado ironizou as ameaças de CBF e Conmebol de eliminar o Inter da Libertadores.

E promete seguir movendo ações contra a entidade.

Zero Hora - Como você recebeu as notícias de que o Inter poder ser alijado
da Libertadores até mesmo por ações de terceiros na Justiça Comum?

Leandro Konflanz - Com alegria. Como uma medida de desespero da CBF. Não
passa de chantagem, uma ameaça frágil e que não impedirá o processo.
Continuarei com a minha ação. O Inter não pode renunciar ao processo. O
titular da ação sou eu, ora.

ZH - Mas e se CBF e Conmebol cumprirem a ameaça e tirarem o Inter da
Libertadores?

Leandro - Isso não vai acontecer. Quatro magistrados já se manifestaram
favoráveis à minha pretensão. A CBF tem medo. Ainda que o Inter peça, não
pretendo retirar a ação.

ZH - Você está sendo considerado pela CBF como laranja do Inter (torcedor
que ingressa na Justiça buscando um direito para o clube, sem que o Inter
apareça como autor da ação)...

Leandro - Não conheço ninguém do Inter e nunca fui orientado por ninguém do
Inter. Sou torcedor do clube e minha ação é para reparar uma injustiça que
foi feita. Agora, estou louco para que alguém da CBF me chame de laranja.
Vou processar na hora. Não vou abandonar o processo.

ZH - A CBF já deve R$ 1 milhão em multas por descumprimento de decisões da
Justiça. Esse dinheiro é para você?

Leandro - Sim, basta que eu execute eles. Mas não penso nisso agora.
Primeiro, quero ver o Inter campeão.


Observação do blog: O advogado Konrad faz o que qualquer cidadão tem o direito e o respaldo legal para fazer: insurge-se contra o que considerou uma arbitrariedade.

Se mais cidadãos brasileiros fizerem o mesmo, o país melhorará. E muito!

Por Juca Kfouri às 11h45

Carlitos Tevez leva tudo

O argentino Carlitos Tevez ganhou não só o prêmio da CBF como melhor jogador do Campeonato Brasileiro como, de quebra, levou também a Bola de Ouro da revista "Placar", prêmio mais antigo do nosso futebol -- algo que só será anunciado no domingo.
Na noite de ontem, na festa da CBF, a seleção do campeonato registrou apenas uma grande injustiça, a ausência do lateral-direito Paulo Baier entre os onze melhores.
O time ficou assim: Fábio Costa, Gabriel, Gamarra, Lugano e Gustavo Nery; Marcelo Mattos, Tinga, Petkovic e Roger; Rafael Sobis e Carlitos Tevez.
São cinco jogadores do Corinthians e quatro estrangeiros.
Muricy Ramalho ficou com o prêmio de melhor treinador.
As gafes da noite ficaram por conta de Zagallo, único a permanecer sentado quando a platéia se levantou para aplaudir Romário, que ganhou o prêmio de artilheiro.
Depois, ao ser homenageado, Zagallo citou o campeão Corinthians, o vice Inter, o terceiro colocado Goiás e o quinto, o Fluminense.
Esqueceu-se do quarto, o Palmeiras, provavelmente porque treinado por Leão, com quem Zagallo não se dá bem.
O Corinthians recebeu a taça que ganhou de maneira definitiva (por já tê-la erguido três vezes, em 1998, 1999 e neste ano) e o Inter esqueceu que havia prometido ir à Justiça comum depois que esgotasse as instâncias na Justiça esportiva.
Agora, de maneira às vezes dúbia, outras vezes com clareza, os porta-vozes do Inter dizem que vão acatar o que a CBF decidir.
E a CBF já decidiu faz tempo, tanto que entregou a taça ao Corinthians.
Só que as ações que correm na Justiça comum independem do Inter, da CBF e do Corinthians.

Por Juca Kfouri às 01h33

05/12/2005

Eis como é valente o presidente do Inter

Segunda-feira, 05/12/2005, 14h41m

Internacional descarta ir à Justiça comum
Conmebol ameaça vaga na Libertadores e Colorado esclarece sua posição

Fonte: Das agências de notícias , ClicRBS   Tamanho do texto   BRASILEIRÃO 2005
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PORTO ALEGRE - O Internacional decidiu não ir à Justiça comum depois de esgotadas todas as instâncias nos tribunais desportivos. O presidente do Inter, Fernando Carvalho, mostrou-se surpreso com a informação de que a Conmebol excluirá o Colorado da disputa da Taça Libertadores em 2006, uma vez que a entidade máxima do futebol sul-americano não permite que um clube ingresse com ação fora do âmbito da justiça desportiva.

— Não esperava por essa. Na verdade, não foi só um torcedor colorado que entrou na Justiça. São várias ações pelo Brasil, mas o Inter não patrocinou nenhuma. Sempre dissemos que acatamos a superioridade hierárquica da CBF, e é isso que vamos reiterar — declarou Carvalho.

O dirigente embarcou para o Rio de Janeiro em companhia do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto. Os dois se encontrarão com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para explicar a posição do clube e acertar as medidas para o encerramento do caso.

O assessor de imprensa da Confederação Sul-Americana de Futebol, Nestor Benitez, revelou nesta segunda-feira que a decisão de excluir da Libertadores qualquer clube que esteja recorrendo à Justiça comum foi tomada quinta-feira passada, em Assunção. Os presidentes das federações sul-americanas, inclusive Teixeira, estavam na capital paraguaia para o sorteio dos grupos da competição de 2006. O assunto nunca tinha entrado na pauta das reuniões da Conmebol.

— O presidente da Conmebol, Nicolas Leoz, e os presidentes das federações decidiram que os clubes que estejam pleiteando direitos na Justiça comum, ou que venham a se beneficiar de ações de terceiros, só disputarão o torneio se abrirem mão desses benefícios — informou Benítez, em entrevista por telefone à "Rádio Gaúcha".

Mesmo assim, o primeiro vice-presidente colorado, Mário Sérgio Martins, destaca que muitos cidadãos se basearem no Estatuto do Torcedor ingressaram com ações em diversas varas cíveis do país contra a anulação dos 11 jogos. Entre elas, está a do advogado Leandro Konrad, sobre a qual deixa claro que o Inter não tem nenhuma ingerência.

– Quando notificados pela CBF, dissemos que não somos os autores da ação, desconhecemos a finalidade do autor. Vamos procurar a Conmebol para informar o que está acontecendo, para falar da existência do Estatuto do Torcedor. O Inter não é parte desta ação. Em nenhum momento, o clube entrou na Justiça comum.

Comentário do blog: Não deu outra e acabou a valentia. Depois de tantas "guampadas de boi manso", como diria o presidente Getúlio Vargas, que era gaúcho, eis que Fernando Carvalho já recuou, como era previsto.

Só fica uma perguntinha: se ele não reconhecesse mesmo a Justiça comum, porque fez com que os atletas do Inter voltassem ao gramado ontem para "festejar" o título e encomendou caminhão de bombeiros para a festa em Porto Alegre?

Em resumo, como sempre se disse aqui, Fernando Carvalho é um cartola igualzinho a outro qualquer.

Por Juca Kfouri às 14h45

Conselho da OAB considera imoral Zveiter acumular STJD

Brasília, 04/12/2005 – Por unanimidade, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil aprovou em sessão plena hoje (04) manifestação considerando “absolutamente incompatível, moral e eticamente” a posição do desembargador Luiz Zveiter, que acumula a função pública de membro do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro com o cargo privado de presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O Conselho apoiou proposta nesse sentido apresentada pelo conselheiro federal pelo Pará, Sérgio Frazão do Couto, referendada também pelo presidente nacional da OAB, Roberto Busato, que tem criticado duramente a posição de Zveiter e é membro do CNJ com direito a voz.

A incompatibilidade do acúmulo dessas funções por Luiz Zveiter está sendo invocada também por diversas reclamações ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que já iniciou seu julgamento, interrompido na última sessão quando três votos já haviam sido dados no sentido de exigir o afastamento de Zveiter do STJD. O julgamento será retomado no próximo dia 06, quando o conselheiro Jirair Meguerian (TRF da 1ª região), que pediu vista, apresentará seu voto. O relator do processo no CNJ, ministro Pádua Ribeiro e os conselheiros Vantuil Abdala, presidente do Tribunal Superior do Trabalho, e Marcus Faver, desembargador no TJ do Rio de Janeiro - e colega de Zveiter – já votaram considerando incompatível a acumulação de cargos.

Ao apresentar a proposta de moção, o conselheiro federal da OAB Sérgio Couto afirmou que o desembargador Luiz Zveiter, “com sua posição, desconhece os postulados e os fundamentos da legislação brasileira, que são os princípios da moralidade e da impessoalidade, enquanto luta para permanecer nessa sinecura imoral e antiética,que é pertencer a um poder constituído da Justiça que vai julgar muitas vezes decisões de um tribunal esportivo”.

Couto comemorou o resultado parcial da votação do caso Zveiter pelo CNJ, que está em três a zero, o que segundo ele mostra uma “tendência principiológica” Na opinião dele, o CNJ e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), instituídos dentro da Emenda Constitucional n° 45, da chamada Reforma do Judiciário, como os órgãos do controle externo desse poder, “têm dado extraordinárias manifestações de independência, de correção e de integridade”.

Na sessão, o presidente do Conselho Federal da OAB, Roberto Busato, destacou a importância do resultado da votação até agora, no CNJ, da reclamação disciplinar contra Zveiter. Além de ressaltar o voto do relator, ministro corregedor nacional da Justiça, Pádua Ribeiro - que considerou procedente a reclamação por incompatibilidade de funções e dá quinze dias para que Zveiter se afaste do STJD -, Busato considerou “lapidar” o voto do conselheiro Marcus Faver, que mesmo lembrando ser amigo pessoal de Zveiter frisou que a posição dele é juridicamente incompatível, decidindo pelo seu afastamento do STJD. 

Por Juca Kfouri às 13h19

Kia, eu não chorei

Por Leonor Macedo 

 

Foi justamente um Campeonato Brasileiro que me tornou a corinthiana que sou. Se todo corinthiano nasce corinthiano, é na infância que se define se ele será um corinthiano de arquibancada, que ri, chora, sofre e não desiste de torcer mesmo com tantos obstáculos que enfrentará ao longo de uma vida alvinegra.

 Eu tinha oito anos em 1990, quanto o Corinthians ganhou o primeiro título nacional, depois de 80 anos de existência. Importante frisar que não são títulos que determinam o grau de corinthianismo, mas a maneira como ele é conquistado. Vide os 22 anos de fila que terminaram na conquista do Campeonato Paulista de 1977, período em que a Nação Corinthiana só aumentou.

 Assim se fez em 1990. Time limitado, camisa 10 e goleiro corinthianos, raça, base do terrão, improviso, campeonato bagunçado, juventude. Torcida quente, suada, vibrante, pulsando na arquibancada. Bandeiras de bambu. Bateria. Fogos. Hino do Corinthians. Coração de criança, amor maduro de adulto, de quem sabia que é para sempre. E é.

 De lá para cá, muita coisa mudou. O Corinthians conquistou mais títulos brasileiros, o título de Campeão do Mundo, inúmeros campeonatos paulistas. Não me lembro de ter ficado mais de dois anos sem ver meu time campeão em algum torneio. Ontem, 4 de dezembro de 2005, o Corinthians ganhou seu quarto título nacional. É tetracampeão brasileiro. 

 Depois que cresci, foi 2005 o ano mais difícil para se torcer no Brasil, mesmo com o Estatuto do Torcedor completando seu 2º aniversário. Troca de comando no 2º Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, parceria obscura atuando junto com a direção do Corinthians, escândalo do apito, descumprimento do Estatuto, anulação de jogos, repressão policial.

 Coincide com o ano em que mais vivi futebol, deixei de lado a minha ingenuidade de criança e fui muito além das arquibancadas. Procurei os bastidores desse mundo, mas sob a ótica mais bonita e mais sofrida que se pode ter: a do torcedor. Olhar do povo.

 Quinze anos após o primeiro campeonato nacional alvinegro veio o quarto. Time “galáctico”, contratações milionárias, adversários limitados, camisa 10 argentino (raçudo, diga-se de passagem, mas raça que vem de berço, da infância sofrida na periferia da Argentina), fruto de uma parceria firmada entre a diretoria do Corinthians e uma “empresa” russa-inglesa-fantasma.

 Firmada no fim de 2004 e início de 2005, a parceria entre Corinthians e MSI está sob investigação do Ministério Público Federal já que o dinheiro é proveniente de financiadores procurados por polícias mundiais e indiciados por golpes estatais, homicídios, formação de quadrilha, tráfico de armas, envolvimento com a máfia russa, entre outros crimes que extrapolam qualquer geografia.

 Que o dinheiro é sujo e que o Corinthians serve para lavá-lo ninguém mais duvida, nem discute. Foi provado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), órgão do Ministério Público Estadual de São Paulo, depois da investigação feita pelos competentes promotores públicos Roberto Porto e José Reinaldo Carneiro (ao contrário de outro que quer aparecer sob os holofotes do futebol), os mesmos que desvendaram o esquema do apito, onde árbitros vendiam resultados de partidas.

 O que se discute agora é se vale qualquer coisa para ser campeão. E como o futebol é uma metáfora para o resto do mundo, a discussão está além dele. Quanto vale chegar na frente? Estar em primeiro? Conquistar um título?

 Trata-se sim de uma questão ético-moral e sou muito menos moralista do que uma porção de gente que defende essa parceria, por mais contraditório que possa parecer. Não estamos falando em pular a catraca do ônibus ou roubar um chocolate no supermercado do Abílio Diniz, mas de algo com grandes proporções. Mesmo se essa parceria se restringisse ao esporte, já seria em um clube com 25 milhões de torcedores. Mas extrapola e isso só consegue enxergar quem já perdeu a ingenuidade.

 Aquele que defende que vale tudo para conseguir títulos brasileiro, intercontinental, mundial, deve engolir a cartolagem no futebol, as falcatruas da CBF, os desmandos de Eurico Miranda, a ditadura de Dualib, o que representa Edílson Pereira de Carvalho, o paternalismo e o amadorismo das administrações de futebol, o preconceito da polícia, a violência de torcedores, do vizinho, do tio, do primo, a sua própria.

 Quem acha que vale tudo, deve engolir as corrupções do governo, do ex-governo, do próximo governo, a queda das torres gêmeas, a intervenção branca na África, Bush e Blair. Tudo isso e muito mais. Mas é tudo muito indigesto.

 Mesmo com a demonstração de amor e fidelidade da Nação Corinthiana, minha família, dos quatro títulos nacionais, essa foi a primeira vez que não chorei ao soar o apito do árbitro. Ao contrário de Kia Joorabchian, laranja da MSI no Brasil, que se debulhou em lágrimas com a derrota-vitória corinthiana e estampa hoje os principais jornais. Quem é mais corinthiano? Quem sabe amar e quem sabe atuar?

 É indiscutível que todo corinthiano esteja feliz em ser o melhor do Brasil nesta segunda-feira. Até o próximo dezembro. Mas, afinal, que Brasil é esse?

 Hoje, passeando pelas ruas alvinegras de São Paulo com a minha camiseta branca do Corinthians, ainda sem nenhuma estrela, de 1989, penso em como esse ano foi ambíguo. Vivi o melhor do passado corinthiano e o pior do presente. Dialeticamente, não estou feliz com o que será do futuro do futebol, do Brasil, do mundo, se uma mudança não começar nas mãos de nossa torcida, formada por verdadeiros corinthianos. Unida de outros torcedores que também amam o futebol.

 No ano que vem estarei pelos estádios, chorando, vibrando, cantando e torcendo pelo meu Corinthians na disputa pela Libertadores de novo. Talvez seja a primeira vez que realmente teremos a chance de conquistar o nosso primeiro título sul americano. Mesmo sabendo que a torcida estará lá SEMPRE, pulsando na arquibancada, eu preferia ganhar este título de maneira diferente. Com um time limitado, camisa 10 e goleiros corinthianos, raça, base do terrão, improviso, juventude. Para despertar no meu filho esse amor que tenho pelo Corinthians.
 
Leonor Macedo, corinthiana acima de tudo, é da "Gaviões da Fiel"

Por Juca Kfouri às 13h14

Coluna de hoje, na FOLHA

FUTEBOL

Final com anticlímax
JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Eo campeonato acabou, se é que acabou, chocho.
Com derrotas dos dois pretendentes ao título.
Com duas voltas olímpicas para constar, a exemplo do que já tinha acontecido no Rio de Janeiro, em 1990, quando Botafogo e Vasco se achavam campeões cariocas. A Justiça, depois, resolveu que era mesmo o Glorioso.
O Inter fraquejou de novo na hora decisiva, e o Corinthians, tão acusado de ser ajudado pelas arbitragens, foi vítima de um gol em claro impedimento, o segundo do Goiás, que se não fosse validado permitiria que o Brasileirão não continuasse sabe-se lá até quando na Justiça comum.
No Serra Dourada, o Corinthians cansou de perder gols e foi castigado pelo bom time goiano. Corinthians que está longe de ter um time inesquecível, como, por exemplo, aqueles que ganharam o bicampeonato em 98/99. Mesmo apoiado pela MSI e por um investimento nebuloso, que caracteriza concorrência desleal.
A exemplo de 90, cuja conquista é creditada a Neto e, em segundo lugar, ao goleiro Ronaldo, este se deve a Tevez e, em segundo lugar, ao goleiro Fábio Costa, cujo temperamento lembra o de Ronaldo.
No Couto Pereira, o Inter fez um pênalti infantil de cara e não soube virar.
Time bem organizado e não muito mais que isso, o Inter também não seria, ou será, um campeão inesquecível, como foram os do tricampeonato em 75/76/79.
As melhores festas ficaram para os palmeirenses que viraram na luta pela vaga na Libertadores diante do decadente Fluminense e para o baixinho Romário, artilheiro mais um vez, melhor jogador que o futebol já viu dentro da área, goleador até aos 40 anos e no país do futebol.
Triste mesmo ficou a situação do rebaixado Coritiba, brilhante na vitória, mas traído pelo triste Cruzeiro de 2005.
Três mãos esquerdas se salvaram em nossa imprensa.
A de Armando Nogueira, a de Tostão e a deste colunista, postas a corte caso o Corinthians não fosse o campeão.
E, como bem lembrou o jornalista Arnaldo Hase, a frase "tolos, pensam que escrevo com as mãos", foi cunhada pelo grande jornalista Antonio Maria, pai de Antonio Maria, do "Globo", e marido de Danuza Leão, quando os tiranetes da ditadura militar quebraram-lhe as mãos.
Mas, se as mãos se salvaram, as aparências do Brasileirão não se salvaram. Porque está claro que é preciso uma nova Justiça esportiva, sem tanta cerimônia, formalidade e opacidade.
Uma Justiça mais rápida, como se vê nas Copas do Mundo, na Libertadores, na base do rito sumário, sem a pavonice que caracteriza a nossa, ano sim, ano sim, responsável por lambanças sem fim.
Por ironia, não fosse o terceiro gol goiano, a dupla Co-Co teria limpado a barra deste polêmico Brasileirão-2005.
Que mais parece a chuva que não acabava nunca na cidade de Macondo, celebrizada por Gabriel García Márquez, em "Cem Anos de Solidão".

 

Por Juca Kfouri às 10h00

04/12/2005

Hora de mostrar que é homem

O presidente do Inter, Fernando Carvalho que, como se sabe, é eleitor de Ricardo Teixeira, levará nesta segunda-feira, o que os gaúchos chamam de pega-ratão.

Ouvirá que a Conmebol não aceita decisões da Justiça comum como, de resto, nenhuma entidade do futebol aceita.

E que ou ele admite o título corintiano sem mais queixumes, ou não disputará a Libertadores, cedendo a vaga ao Fluminense, por coincidência, presidido pelo médico do presidente da CBF.

É na base do dá ou desce.

Assim funciona o maravilhoso mundo do futebol.

Tudo para que a CBF possa entregar a taça ao Corinthians amanhã na festa da CBF sem maiores problemas.

As pessoas de bem esperam que Carvalho não dobre.

E o apoiarão se não vergar.

Por Juca Kfouri às 22h34

Chave de ouro

O que mais poderia querer o são paulino?

Viu seu time se despedir antes de ir para o Japão com uma vitória diante do mesmo adversário que derrotou na decisão da Libertadores e, ainda por cima, com três gols de seus dois maiores ídolos, Diego Lugano (que marcou dois) e Rogério Ceni.

Boa viagem!

E que volte com o tri.

Por Juca Kfouri às 20h43

Explicação da CBF

Luiz Augusto Nunes, responsável pela página da CBF na internet, informa que a matéria que reconhece o título corintiano começou a ser escrita às 17h21, mas que só foi ar no fim dos jogos, como aliás, um blogueiro informa em seu comentário à nota

Por Juca Kfouri às 20h19

O Vasco na Sul-Americana

Não há o que discutir.

O Vasco, e não o São Paulo, está classificado para disputar a Copa Sul-Americana.

O regulamento do Brasileirão prevê que apenas o campeão pode disputar a Libertadores e a Sul-Americana.

Este blog não vê vantagem em disputar a Sul-Americana, mas que a vaga é vascaína é.

Por Juca Kfouri às 20h12

A diferença

Entre São Paulo e Goiânia são 926 quilômetros.

Havia 49 mil pessoas no Serra Dourada.

Metade alvinegra.

Entre Porto Alegre e Curitiba são 771 quilômetros.

Havia 32 mil pessoas no Couto Pereira.

Os colorados eram 15%.

Por Juca Kfouri às 20h08

Não chore, Abelão!

É fácil entender a dor de Abel.

Pela terceira vez seguida uma vaga na Libertadores escapa-lhe entre os dedos.

Mas que ele não debite sua dor aos árbitros.

Quem estava 10 pontos na frente do adversário, com 12 pontos para disputar, não pode permitir tudo que aconteceu nas Laranjeiras.

Debite ao Sobrenatural de Almeida.

Sobrenatural que apareceu nos três gols palmeirenses de hoje no Parque Antarctica.

No primeiro, que nasceu de um lançamento em profundidade do...do...do goleiro Marcos.

No segundo, que nasceu de u'a mão na bola do Pet e culminou com uma cabeçada de seu maior jogador.

E, no terceiro, que nasceu, cresceu e morreu nas redes tricolores numa cobrança de falta que era um cruzamento.

 

Por Juca Kfouri às 19h58

Paulistas na Libertadores

Dos seis clubes brasileiros que participarão da Libertadores-2006, quatro são de São Paulo e, pela primeira vez, o chamado Trio de Ferro, os três grandes da capital, a disputará em conjunto.

Ótima notícia para os paulistas, mas, certamente, nada boa para o futebol brasileiro.

Por Juca Kfouri às 19h11

Como pode?!!!!!

04/12/2005 às 17h21

Corinthians, Grêmio e Remo são os campeões brasileiros de 2005
Festa do Craque Brasileirão 2005 desta segunda-feira premiará os melhores da competição
04/12/2005

CBF NEWS

Corinthians, Grêmio e Clube do Remo receberão nesta segunda-feira a taça de campeão brasileiro nas Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro de 2005.

Comentário do blog: não só há um claro desrespeito ao que a Justiça resolveu como a notícia entrou no ar enquanto ainda jogavam tanto o Corinthians quanto o Inter. Veja o horário: 17h21!!!!!!!!!!!!!!

Confira você mesmo em www.cbfnews.com.br

Por Juca Kfouri às 18h28

E o campeonato continua...

Tudo bem considerado, na primeira vez desde que existe o Campeonato Brasileiro em que um ano terminado em cinco não tem um campeão inédito, o título estaria em melhores mãos se ficasse com o Goiás, que seria inédito, a exemplo do Inter em 1975, do Coritiba em 1985 e do Botafogo em 1995.

Afinal, foi quem ganhou na última rodada e, se ajudado pelo erro do bandeirinha em seu segundo gol contra o Corinthians, foi a equipe de campanha mais regular, sem grandes altos, mas sem grandes baixos.

E não teve nenhum jogo seu sob suspeita ou repetido.

Neste domingo vimos dois pretendentes ao título caírem novamente.

O Corinthians que já vinha caindo rodada após rodada e o Inter que quase sempre falhou na hora agá.

Verdade que a derrota alvinegra foi injusta, diferentemente da derrota colorada.

É verdade, ainda, que ambos tiveram quedas menos acentuadas que a do Fluminense, o time que mais empolgou no campeonato e que terminou em enorme decepção.

Goiás, Palmeiras e Romário acabaram por se transformar nos grandes vitoriosos ao fim e ao cabo do Brasileirão.

O Palmeiras ao garantir mais uma presença na Libertadores, recordista brasileiro que é na competição.

E Romário, aos quase 40 anos, que completará em 29 janeiro, artilheiro do campeonato do país pentacampeão mundial.

Jamais houve alguém como o Baixinho dentro da área, digam o que dele quiserem. 

Enfim, como já era dito aqui há semanas e semanas, o Brasil tem um novo tetracampeão para fazer companhia ao Palmeiras e Vasco, posto que o Flamengo é penta.

Só Deus sabe quem é.

Por Juca Kfouri às 17h52

Luxemburgo demitido

Os principais jornais esportivos espanhóis, AS e Marca, informam em suas páginas na internet que logo mais, às 19 horas de Madrid, uma reunião extraordinária da direção do Real Madrid decidirá pela demissão do técnico Vanderlei Luxemburgo.

Por Juca Kfouri às 12h27

Não deixe de ler (Está no caderno "Mais" da FOLHA)

JOGO DE CLASSES


INSTRUMENTALIZADO PELO CAPITAL TRANSNACIONAL E PONTA-DE-LANÇA DA SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, FUTEBOL SE CONSOLIDA COMO METÁFORA PARA ENTENDER OS PROBLEMAS DA SOCIEDADE

DANIEL BUARQUE
DA REDAÇÃO

Hoje chega ao fim um dos campeonatos mais conturbados da história do futebol brasileiro, e, uma vez mais, o esporte mais popular do planeta parece refletir as mazelas e também os sucessos do país. Suspeitas de corrupção, escândalos na arbitragem, intervenção do Superior Tribunal de Justiça Desportiva -que anulou e remarcou 11 jogos-, realização de partidas sem público e confrontos fatais entre torcidas.
O Corinthians, equipe que mais investiu na temporada e que hoje pode conquistar seu quarto título nacional desde a criação do torneio, em 1971, tem questionada sua parceria com a MSI (Media Sport Investment), presidida pelo iraniano Kia Joorabchian. Segundo relatório do braço paulista do Ministério Público Federal, o principal interesse do MSI no Brasil é a lavagem de dinheiro.
Por outro lado, a agônica batalha de equipes tradicionais para escapar do rebaixamento à Série B -no campo, e não nos bastidores- exibe um lado mais positivo da sociedade brasileira nos últimos anos. Isso é "comparável à alternância de governos num regime democrático", defende em entrevista à Folha o professor de história da USP Flávio de Campos, 42, especialista na evolução dos jogos e das práticas esportivas desde a Idade Média.
Esse espelhamento multifacetado da sociedade brasileira que o futebol propicia não é casual, já que ele é, diz Campos, um "jogo da luta de classes". Para ele, a intervenção do STJD, dando novos contornos ao torneio, é um reflexo da "concentração de poderes e os resquícios de posturas arbitrárias e autoritárias" no país.
O historiador lança no ano que vem [título e editora não-definidos], em parceria com o também medievalista Hilário Franco Jr., um estudo sobre o futebol e seus elementos simbólicos, antropológicos e psicológicos. Ele afirma que a sociologia do esporte vem crescendo vertiginosamente nos últimos anos -e não só no Brasil. "É um espaço acadêmico crescente, sendo desenvolvido cada vez mais. Aqui na França a pesquisa sobre futebol é intensa, em diferentes áreas, tentando explicar o fenômeno cultural e esportivo."
Palmeirense apaixonado, Campos afirma que, se o Corinthians for campeão hoje, seus adversários projetarão suas frustrações nas polêmicas que teriam favorecido o clube, afirmando que o torneio apresentou "vícios de execução".
Com três pontos e saldo de cinco gols a mais que o segundo colocado, o Internacional (RS), o clube paulista só não será campeão se perder do Goiás, em Goiânia, e o Inter vencer o Coritiba, que joga em casa contra o rebaixamento à Série B. A diferença de gols nos dois jogos também precisa ser grande para descontar o saldo do time paulista.
Campos está agora em Paris, onde realiza pesquisas na prestigiada Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais sobre os esportes que antecederam o futebol durante a Idade Média. Foi de lá, por e-mail e telefone, que terminou de conceder a entrevista abaixo, às 4h da gélida madrugada parisiense. "Só o futebol e a história são capazes de provocar esse entusiasmo em mim..."
 

Folha - As polêmicas ocorridas ao longo deste Campeonato Brasileiro são apenas uma repetição da velha metáfora de que o futebol explica a sociedade brasileira?
Flávio de Campos - Não acho que seja apenas uma velha metáfora. Sem dúvida o futebol é a principal manifestação cultural da sociedade brasileira. Não creio ser possível estabelecer uma análise sobre as características do Brasil contemporâneo descartando o futebol ou relegando-o a um papel secundário. Pelo contrário, acredito que seja uma das janelas privilegiadas para tal compreensão.
A intervenção do STJD revela a concentração de poderes e os resquícios de posturas arbitrárias e autoritárias disseminadas em diversos campos da sociedade, e não só no campo futebolístico. Isso é visível nas universidades, nos clubes, nas Redações de jornais e outros órgãos da imprensa, nos partidos políticos, nas empresas. Enfim, em inúmeras instituições públicas e privadas.
Além da manipulação de resultados, a decisão do árbitro Márcio Rezende de Freitas no lance do pênalti que teria sido cometido pelo goleiro Fábio Costa sobre o volante Tinga, do Internacional [no último dia 20, quando os dois times empataram em 1 a 1], é semelhante à atitude do presidente do STJD, Luiz Zveiter.
O árbitro, num lance, estava tão ofuscado pelo -em seu entender- excelente desempenho na partida que não mediu o alcance da sua decisão: não apenas deixou de apontar a penalidade máxima, prejudicando o Internacional, como expulsou o jogador (ao dar-lhe o segundo cartão amarelo).
A decisão foi tomada de maneira implacável, e o apito foi soado pelo sopro da arrogância e da soberba.
É uma tentação relacionar essas motivações à maneira como nossos dirigentes políticos (não só do governo Lula) se deixam levar pela vertigem do poder e pela vã glória de mandar. Há articulações inequívocas entre as diversas práticas de poder em nossa sociedade. Seja do baixo ou do alto clero.


Folha - Quais os reflexos sociais dessas polêmicas?
Campos - De imediato, podemos identificar as manifestações dos torcedores nos estádios de futebol e a potencialização da violência das torcidas [em 15/10, um palmeirense morreu baleado nas costas antes do jogo Palmeiras x Corinthians, em SP, e um torcedor corintiano foi morto baleado na cabeça; dois dias depois, um torcedor da Ponte Preta seria morto a pauladas por são-paulinos, em Campinas (SP)].
A violência social, sob os seus mais diversos aspectos, é contida e ritualizada por meio do futebol. Isso vale também para outras modalidades lúdicas, mas, diante do papel que o futebol assumiu no Brasil e no mundo nos últimos cem anos, ele se tornou o principal catalisador esportivo dessas tensões sociais.
Falo de ritualização da violência porque o futebol expressa uma contenda entre duas equipes no campo e uma luta simbólica entre os torcedores nas arquibancadas, ruas e espaços públicos. Muitas vezes, tais lutas simbólicas (e mesmo as disputas esportivas) descambam para um conflito efetivo.
Há uma idéia de justiça, de aplicação de normas e de condições mínimas de igualdade na disputa que são aceitas por jogadores e torcedores. A aceitação da derrota e a própria banalização do sucesso ou do insucesso, fundamentais para a efetivação do "fair play" esportivo, estão em causa nesse momento devido às polêmicas em torno da manipulação de arbitragens e da repetição de jogos que modificaram diversos resultados originais.
Há uma quebra da "ordem" sobre a qual se fundamentam as disputas futebolísticas. E isso gera um clima de descrédito com respeito às instituições e autoridades que administram o futebol.
Significativamente, isso ocorre num momento em que o país também vive um clima de profundo descrédito com relação ao PT, ao governo Lula e à representação parlamentar. Não posso afirmar até que ponto tais elementos serão articulados e explorados política e eleitoralmente. Mas há, sem dúvida, uma coincidência significativa e perigosa.

 

Por Juca Kfouri às 11h59

Continuação...

Folha - Pode-se dizer, por outro lado, que há uma maior moralização pelo fato de times grandes terem sido rebaixados à Série B?
Campos - Acho extremamente salutar em dois níveis. Para o futebol, porque permite questionar, no campo do jogo -quando não há viradas de mesa-, a atuação de dirigentes, comissões técnicas, patrocinadores, jogadores e até mesmo torcedores e setores da imprensa esportiva.
Não vejo moralização porque prefiro pensar em democratização e divisão de responsabilidades, sem paternalismos de nenhum tipo, que altere as estruturas de poder dos clubes com respeito a seus associados e torcedores, e das comissões técnicas e jogadores.
Confesso que, da mesma maneira que não me agrada ver meu time ganhar devido a uma ou mais falhas de arbitragem, também não me agrada a vitória atribuída e comandada por técnicos "linha-dura", "de pulso forte", "xerifes" ou qualquer outra designação, que estabeleçam o comando autoritário como qualidade, mesmo quando isso possa ter alguma eficácia.
Por outro lado, o rebaixamento de grandes clubes (ou de médios e pequenos) é comparável à alternância de governos num regime democrático. A eleição de um grupo que nos afete diretamente (desde que resguardadas as regras democráticas) e a derrota dos grupos com os quais simpatizamos não representam o fim do mundo. O amadurecimento e aperfeiçoamento da democracia tem nessa alternância o seu fundamento.
Não foi por acaso que o sociólogo alemão Norbert Elias [1897-1990] associou o jogo político aos jogos praticados entre parlamentares ingleses no século 18, sendo a associação entre ambos um dos elementos que proporcionaram estabilidade política ao mesmo tempo em que impulsionaram o esporte na Inglaterra.


Folha - Essa relação entre o esporte e a sociedade é histórica e internacional ou é mais evidente apenas em países como o Brasil?
Campos - No Brasil, como já mencionei, ela é fundamental. Mas, hoje em dia, em graus variados, ela é identificável em diversos outros países. Como hipótese de pesquisa sobre a qual tenho trabalhado, o futebol se constituiu num conjunto de símbolos, gestos e ritos que se tornou compreensível em quase todas as partes do mundo. É quase a realização da universalização tão almejada pelo cristianismo. Laurence Kitchin chega a afirmar que o futebol é o único idioma comum da humanidade além da ciência.


O futebol quase corresponde à universalização tão almejada pelo cristianismo


Evidentemente, cada formação social -e em seu interior, os diversos grupos sociais- estabelece uma relação específica. Mas, de forma geral, há uma articulação inequívoca entre futebol e sociedade, que vai desde sua administração e até mesmo o estilo de jogo, dentro de um padrão tático que tende a se tornar cada vez mais uniforme.


Folha -De que forma a vitória do Corinthians, que mantém parceria com a MSI, pode refletir uma vitória do capitalismo globalizado?
Campos - O futebol é um espetáculo rentável, que movimenta um enorme volume de capitais no mundo todo. É o principal esporte subordinado às regras de uma sociedade do espetáculo, num contexto de globalização cada vez mais intensa.
O futebol tem uma história que é anterior à própria sociedade capitalista. Os jogos de bola medievais, como o "hurling", o "calcio", a "shoule" e a "pelota", foram duramente reprimidos pelas autoridades municipais e monárquicas na Europa desde o século 14. Tratava-se de jogos violentos praticados também por grupos subalternos. Nos séculos 16 e 18, tenderam a tornar-se modalidades lúdicas confinadas a espaços e tempos definidos e quase restritos aos setores sociais dominantes.
Não é por acaso que o futebol moderno "nasce" no século 19 a nas escolas inglesas. Ao final do século 19, a despeito do amadorismo que tentava impor uma barreira social e vedar a prática do futebol à classe operária, o futebol é retomado pelos grupos subalternos.
O historiador Eric Hobsbawm, diante da sua disseminação na Inglaterra e na Europa, o definiu como a religião laica da classe operária. Recuperando uma expressão desgastada, pode-se dizer que a história do futebol é também a história da luta de classes nas praças esportivas.
Nos dias de hoje, caracterizados não só pela circunstancial vitória do capitalismo globalizado mas pela redução dos outrora ruidosos sindicalistas a síndicos medíocres dos condomínios do capital transnacional, é óbvio que isso também iria se refletir no futebol.

 

Por Juca Kfouri às 11h58

Continuação...

A história do futebol é também a história da luta de classes

E a eventual vitória do Corinthians não é só fruto do investimento de capitais. É também decorrente da evasão dos grandes jogadores brasileiros para a Europa, da gestão criminosa dos clubes nacionais e da ausência de projetos consistentes de inclusão social nas chamadas categorias de base.

Folha - Os atuais escândalos da arbitragem são uma prerrogativa do esporte ou da ética do país? O risco de manipulação é maior no Brasil?
Campos - Claro que não. Nos campeonatos europeus há denúncias freqüentes de manipulação de resultados. Como a corrupção, que também não é apanágio dos países do Terceiro Mundo. A diferença repousa na forma como as sociedades toleram, condenam e punem tais práticas e na privatização ou não de espaços públicos.
Em um país em que as instituições democráticas são ainda muito recentes e no qual a ética da malandragem se expressa também pela ostentação da autoridade, há dificuldade em estruturar o futebol com o objetivo de coibir tais procedimentos e punir os responsáveis.
Mais uma vez, é possível uma comparação com a crise do Congresso Nacional. Caixa dois para campanhas eleitorais, compra de votos de parlamentares, aluguel de partidos políticos, licitações fraudulentas, nepotismo e outras tantas práticas são recorrentes no Brasil. E CPIs de fachada e ocasião ou coberturas meramente sensacionalistas não avançam para além dos interesses eleitorais.
O mesmo se pode afirmar com respeito à questão das arbitragens. Elas formam as ondas do mar cujo movimento profundo é provocado pelas estruturas das federações, dos clubes e da CBF.


Folha - A intervenção do STJD representou uma defesa dos interesses da sociedade ou beneficiou apenas alguns clubes?
Campos - Os interesses da sociedade, como os dos clubes, são conflitantes. Não há possibilidade de estabelecer um único interesse. A questão é: qual seria o fórum mais apropriado e não-ideal para tomar as decisões? Acredito que uma única pessoa chamar para si o direito a decidir tal questão provoca um vício de origem. Diante da situação, acompanho aqueles que defenderam a análise de cada partida e a anulação dos jogos em que houve inequivocamente o favorecimento de um clube.
Mas, volto a insistir, o encaminhamento é, nesse caso, tão importante quanto a decisão a ser tomada.


Folha - De que forma se pode comparar esse tipo de intervenção com a instrumentalização do esporte mais popular do país feita nos anos JK, na era Vargas ou no regime militar?
Campos - A instrumentalização do futebol foi usada por Vargas, Juscelino, Jango, Médici, Fernando Henrique Cardoso. Em diversos países, os dirigentes políticos pegam carona nos sucessos esportivos. Não há como impedir. Há como identificar e criticar. Faz parte do jogo político.


Folha - É possível analisar a história do país a partir dos grandes times de massa, como o Corinthians, Flamengo ou Palmeiras?
Campos - Não só a partir dos times de massa, mas a partir de outros times e de outras práticas de futebol reveladores de formas de sociabilização, contestação e resistência. Por exemplo, times que, na sua origem, estiveram vinculados a grupos de imigrantes italianos em São Paulo -anarquistas e socialistas- e que foram importantes nas décadas de 1910 e 1920, cujas torcidas acabaram disputadas pelo Corinthians e pelo Palestra Itália [atual Palmeiras].
Grupos subalternos, que não se identificavam com nenhum desses times e que acabaram atraídos pelo São Paulo na década de 1940. Brasileiros de diversas regiões que passaram a se identificar com o Flamengo motivados pelas transmissões de Ari Barroso. A aceitação de jogadores negros no Vasco da Gama e a resistência dos dirigentes e torcedores do Fluminense à sua aceitação.
Enfim, a história do Brasil está articulada à história do futebol brasileiro. E essa história ainda está por ser escrita.


Folha - O que aumenta o interesse das pessoas, mesmo as que não acompanham futebol, pelo desfecho deste campeonato?
Campos - A final sempre é uma festa. Os jogos esportivos têm momentos que se destacam do ritmo cotidiano e se assemelham aos festejos. E, nesse clima de decisão, a festa extrapola o estádio e toma as ruas, no momento em que se quebram os elementos simbólicos na comemoração. O templo que é o campo de futebol, onde o torcedor nunca pode entrar, é o palco dessa comemoração, após a final do campeonato, quando a torcida invade o gramado para festejar, chegando mais próxima do lugar que é sacralizado. Além disso, a festa transborda pela cidade, como normalmente acontecia na avenida Paulista [em SP].
Nesse momento, as pessoas estão contagiadas pela eminência da festa, que está para acontecer a qualquer momento. Além dos corintianos, que aguardam o tetracampeonato, há os torcedores do Internacional, ainda esperançosos, e os torcedores dos outros times, projetando suas frustrações e querendo que o maior rival não saia vitorioso.
Evidentemente, este campeonato tem uma questão própria. Um argumento vai tentar quebrar o discurso da comemoração do melhor time do campeonato: os adversários vão falar que o campeonato foi "melado", tem vícios em sua execução.


Folha - O Brasil é favorito na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha? A vitória do Brasil e a consolidação de sua hegemonia podem ser prejudiciais ao futebol internacional?
Campos - Não concordo. O Brasil tem os melhores jogadores e está realmente indo como favorito, mas meu sentimento pessoal, quase num prognóstico de um torcedor, é de que o Brasil não ganhará a Copa.
Tudo depende muito de uma série de fatores, detalhes. A Copa é um torneio que não privilegia o planejamento e a campanha no médio prazo; muitas vezes é o acaso que resolve, como a derrota do Brasil em 1982 -ano exemplar, já que foi uma das melhores seleções que o país já teve, e ela aconteceu pouco antes da derrota das Diretas-Já.
E, mesmo que o Brasil seja campeão, não significa que haverá consolidação de uma hegemonia que faça do Brasil um vitorioso antecipado. O Brasil sempre vai ser uma grande potência no futebol, mas o nível de outras seleções também é muito alto, especialmente na questão técnica de estratégia, planejamento, área em que o Brasil não tem domínio total. E a derrota, caso ocorra, também não trará uma grande tristeza ou depressão nacional. Não é o fim do mundo.

 

 

Por Juca Kfouri às 11h55

Coluna deste domingo na FOLHA

FUTEBOL

Última rodada, três decisões

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Na verdade, quatro. No Serra Dourada, no Couto Pereira, no Parque Antarctica e no... Na verdade verdadeira, sete, porque são duas no Couto Pereira, mais uma no Moisés Lucarelli e outra no Mineirão.
Decide-se o título, uma vaga na Libertadores, uma vala no rebaixamento.
É. Fica difícil dizer que campeonatos em pontos corridos não têm decisão. Teria mais graça que o domingo que encerra o Campeonato Brasileiro fosse destinado a apenas um jogo que decidiria o campeão?
Definitivamente, não. E como anda difícil defender o contrário, quando nada menos que sete torcidas chegam ao dia derradeiro com a alma na mão.
Tudo parece menos complicado para o Corinthians, que depende de um empate e pode até mesmo perder por uma diferença não pornográfica de gols -desde que o Inter não imponha uma goleada improvável no Coritiba. Que precisa vencer e ainda torcer contra Ponte Preta e São Caetano -que parece marcado para cair, em Belo Horizonte, diante do decepcionante Cruzeiro.
A Ponte Preta, se não empatar em casa com o Brasiliense, merecerá a queda, sem dúvida.
E Palmeiras e Fluminense decidem uma vaga na Taça Libertadores da América.
É claro que quem a conseguir não comemorará como corintianos ou colorados comemorarão o título. Mas o efeito da vitória para o Palmeiras, ou do empate para o Flu, será quase o mesmo depois que passar o momento da euforia: uma vaga na competição mais importante do continente, mesmo que ainda na fase classificatória (entre outros motivos porque o Deportivo Táchira será galinha-morta).
Lembremos que o último campeão da Libertadores, e o último vice, não ganhou o Brasileirão anterior.
Palmeiras e Fluminense estão a um passo da glória e do vexame. Se é verdade que parecia ser sonhar demais para os palmeirenses a possibilidade de chegar tão longe, hoje virou obrigação, porque não será aceitável que mais uma vez o Palestra Itália seja palco de uma frustração.
E, se parecia até tranqüilo para o Flu assegurar seu lugar, não haverá justificativa para derrocada tão fulminante e, de orgulho do futebol carioca, sobrará, se fracassar ao não conseguir nem sequer o empate, apenas a humilhação do insucesso inexplicável.
No terceiro Brasileirão de pontos corridos, pela segunda vez seguida o campeão só sairá na última rodada, coisa rara de acontecer pelo mundo afora pelo simples fato de não haver nada parecido com o equilíbrio que há aqui.
"Que país é este?", perguntou um dia o político mineiro Francelino Pereira.
"Que campeonato é este?!", admirou-se, no domingo passado, o narrador Galvão Bueno, que é favorável ao regulamento com mata-mata.
É o campeonato óbvio, está cada vez mais claro, ainda mais a partir do ano que vem, com 20 clubes. Palpites? Corintianos, palmeirenses, ponte-pretanos e coxas-brancas comemorarão.

O sofredor
Aquele corintiano que não gosta de conquistas sem sofrimento enlouqueceu. Prevê que o eventual tetra será mais gostoso se nas seguintes condições: último minuto em Goiânia e em Curitiba. O Goiás ganha por 2 a 0 e o Inter por 4 a 0, resultados que dão o tetra aos gaúchos. Aí, sai o gol que diminui a diferença e garante o título. Sua única dúvida: se prefere que o gol seja de Carlitos Tevez ou do Coritiba.

Amputados
Armando Nogueira escreveu, no diário "Lance!", que também cortará a mão esquerda se o Corinthians não for o campeão. Repetiu promessa deste colunista na ESPN Brasil. Dois malucos. Ele mais, por ser canhoto. Mas, se acontecer o imponderável, a imprensa brasileira nada perderá, porque quem disse que o Mestre escreve com a mão?

Por Juca Kfouri às 11h33

Imperdível!

São Paulo, domingo, 04 de dezembro de 2005



FERREIRA GULLAR

Graça besta

O jogo é uma espécie de batalha que não resulta em mortos e feridos (ou não deveria), mas expressa a necessidade natural do ser humano de disputar e afirmar-se perante o outro que, no jogo, é um adversário convencionado -o "inimigo" numa guerra simulada. O jogador não pretende o extermínio do adversário mas, simbolicamente, uma afirmação de sua própria superioridade. Jogar é, portanto, uma coisa séria fingindo que é brincadeira, não uma farsa. Por isso mesmo tem regras que são, na verdade, a sua essência, melhor dizendo, o próprio jogo. As regras estabelecem os limites em que os jogadores podem atuar e, com isso, impõem dificuldades iguais a todos os participantes da disputa, visando tornar eqüitativas e justas as condições em que disputam, o que nem sempre acontece na vida. A obediência às regras é que qualifica o vencedor e lhe legitima a vitória, sem violá-las. Há de ganhar quem jogue melhor.
O jogo implica, portanto, uma ética: o compromisso tácito de não violar as regras, de não enganar o contendor. Roubar no jogo é perder o sentido do que é jogar: vencer dentro das regras, já que vencer, burlando-as, é trair a própria essência do jogo; e isso acontece quando a vontade de ganhar, de afirmar-se perante o outro, se sobrepõe à alegria de vencer por ser melhor. Quando o jogador deseja vencer a qualquer preço, mesmo roubando, é que a necessidade de auto-afirmação sofreu uma grave anomalia: o jogador desonesto começa por enganar a si mesmo e a aceitar como verdadeira a vitória que não houve, a vitória fraudada, fruto da burla. Isso ocorre com mais freqüência quando a disputa envolve dinheiro. Daí a necessidade de haver um juiz, um árbitro, cuja função é fazer com que os jogadores obedeçam às regras. Só que, às vezes, o próprio juiz erra.
Todo este papo-cabeça tem por objetivo abordar uma questão sempre presente nos jogos de futebol, essa paixão nacional: os erros dos juizes, que têm às vezes conseqüências desastrosas. Agora mesmo, há duas semanas, no jogo decisivo do Corinthians com o Internacional, o juiz não apenas deixou de assinalar um pênalti como ainda expulsou o jogador do Inter, erros que sem dúvida alguma influíram no resultado da partida e provavelmente do próprio campeonato. Ao ver, depois, o videoteipe do lance, o juiz reconheceu o equívoco, mas isto não mudou nada. Seria diferente se o tivesse visto no momento mesmo em que o lance se deu. Erro semelhante ocorreu, uma semana depois, na decisão entre Grêmio e Náutico, quando o juiz, após não marcar um pênalti indiscutível, marcou um inexistente. Houve quase uma guerra na campo. Por que, então, não recorrer ao videoteipe para impedir equívocos desastrosos como este? A verdade é que tais erros provocam muita discussão na mídia, mas, no final das contas, reconhece-se que "errar é humano" e fica por isso mesmo. Embora existam hoje recursos tecnológicos que possibilitam, de imediato, comprovar se a decisão do juiz foi correta ou não, os responsáveis pelo futebol negam-se a adotá-los alegando que tais erros geram polêmicas e que nisto é que reside a graça do esporte!
É inevitável constatar que uma mentalidade extremamente conservadora, neste particular, predomina nos setores futebolísticos. Exemplo disso foi a tentativa feita para reduzir o número excessivo de faltas, praticadas durante as partidas, para "matar a jogada". As vítimas preferenciais dessas faltas são os melhores jogadores, os mais técnicos, os mais hábeis, que dão brilho às partidas, os jovens mestres do futebol-arte. Certa vez, num Torneio Rio-São Paulo, adotou-se com ótimo resultado o limite de faltas tolerável -acima de nove, o time faltoso sofria penalidade máxima. Apesar da experiência ter reduzido o número de faltas nos jogos do torneio, foi descartada porque "tirava a graça do jogo".
Um escândalo recente revelou que nem sempre o juiz erra involuntariamente. Sabe-se agora que havia uma quadrilha que se valia de juízes venais para alterar o resultado das partidas. Em face disto, que confiança podemos ter na atuação dos árbitros? Como aferir se um impedimento inexistente que o juiz assinalara resultou de mero equívoco ou foi um ato criminoso? A única solução, a meu ver, seria adotar os recursos técnicos que permitem, como o videoteipe, verificar se houve ou não penalidade. Trata-se de uma prova irrefutável que deixaria confiantes tanto o torcedor quanto os dirigentes e os jogadores. Com isso, o juiz honesto estaria livre de erros insanáveis, os desonestos desistiriam de assinalar penalidades inexistentes e o torcedor, cujo time tenha perdido, teria que se conformar em face do resultado indiscutível. As discussões no boteco continuariam, mas sem o ressentimento do torcedor que se sente garfado pelo "juiz ladrão". Haveria menos motivos para a guerra das partidas. A graça do futebol, como todos sabemos, não está nos erros do juiz nem nas brigas de rua e, sim, no jogo bem jogado, conforme as regras.

Por Juca Kfouri às 11h27

Situação sem os jogos repetidos

1. Internacional 78 pontos 23 vitórias 24 de saldo de gols

2. Corinthians   77 pontos 23 vitórias 25 de saldo de gols

Daí a hipótese 1 da nota abaixo. 

Por Juca Kfouri às 11h24

O que deve acontecer de melhor para o futebol

Não há uma quarta hipótese.

São apenas três as possibilidades de o Campeonato Brasileiro acabar bem:

1. Empate do Corinthians e derrota do Inter (ambos acabarão com 78 pontos, sem contar os jogos repetidos, e os paulistas serão campeões pelo saldo de gols);

2. Vitória do Corinthians e empate, ou derrota, do Inter;

3. Derrota do Corinthians e vitória do Inter de modo que seja eliminada a diferença de seis gols.

Ou acontece uma das três possibilidades, ou o Brasileirão-2005 só acabará na Justiça. Comum.

 

Por Juca Kfouri às 00h42

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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