Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

04/02/2006

Touro Tevez

Carlitos Tevez é daqueles raros jogadores que jogam durante 90 minutos.

Ele ainda não foi apresentado ao que se chama de bola perdida.

E corre atrás dela como se atrás de um prato de comida (como dizia Neném Prancha).

Com o jogo liquidado, aos 44 minutos do segundo tempo, arrancou com a bola da área corintiana até as proximidades da área do Bragantino e, generoso, a passou para Nilmar ultrapassá-lo na artilharia do Campeonato Paulista -- 7 a 6.

De quebra, aos 46, deu para Rafael Moura marcar o quarto gol corintiano.

Claro que, mais importante ainda, antes, havia ele mesmo, com esforço taurino e um chute potente e cruzado, virado o jogo para seu time.

E só está completando 22 anos hoje.

Touro de raça.

Dá gosto ver.

Por Juca Kfouri às 23h29

O drama de Eto'o

O camaronês Eto'o não quis bater um pênalti nas eliminatórias para a Copa da Alemanha e um seu companheiro o desperdiçou, o que valeu a eliminação de Camarões.

Hoje, contra Costa do Marfim, ele bateu seu pênalti na primeira série para desempatar o jogo que terminou 1 a 1, na prorrogação, depois de 0 a 0 no tempo normal.

E como ninguém errou, voltou a bater quando a série estava 11 a 11.

Mas, como Baggio na Copa de 1994, bateu nas alturas, o que valeu a não ida de Camarões às semifinais da Copa da África.

O craque do Barcelona nunca mais esquecerá do dia 4 de fevereiro de 2006, no Egito. 

Por Juca Kfouri às 21h29

Arbitragem banana

O Corinthians ganhou de 4 a 1 do Bragantino, mas sofreu, pois os últimos dois gols só saíram quando estava 9 contra 8 e aos 44 e 46 minutos do segundo tempo.

E a culpa não foi do time corintiano, que jogou muito melhor e poderia ter vencido com muito mais tranquilidade.

O culpado foi o experiente apitador Sálvio Spinola que só pode servir de exemplo de como não apitar um jogo de futebol para os mais jovens árbitros da FPF.

Ele permitiu, durante todo o primeiro tempo, que o Bragantino abusasse do antijogo, com faltas seguidas sobre Tevez, Nilmar e Ricardinho.

Nenhuma muito violenta, mas todas irritantes.

E economizou tanto nos cartões que acabou dando cinco vermelhos no segundo tempo, dois para corintianos (Ricardinho e Wescley), compreensivelmente irritados com a tática do adversário e injustamente expulsos.

Spinola teria muito menos problemas se pusesse para fora, logo de cara, no mínimo, dois atletas do Bragantino.

Teria sido uma prova de respeito aos quase 30 mil torcedores que foram ao Pacaembu ver futebol e não um espetáculo de luta-livre.

Por Juca Kfouri às 21h22

03/02/2006

Entrevista exemplar - continuação

 Cidade do Futebol - Tendo convivido com a atual estrutura do futebol brasileiro como presidente do Internacional e da Liga Sul-Minas, que análise o senhor faz da postura da CBF em relação aos clubes?

Miranda - Primeiramente chama-me a atenção o fato da CBF nunca ser penalizada. Se a CBF não possui, por exemplo, um sistema de registro atualizado e competente e isto gera desvalorização do produto, ou seja, a competição, de quem é o problema? Dos clubes. Se a CBF indica para apitar um jogo um árbitro que já tinha tido problemas com documentação irregular e este árbitro desvaloriza absurdamente a competição, de quem é o problema? Dos clubes. Se a CBF convoca atletas e não cumpre a Legislação remunerando os mesmos, de quem é o problema? Dos clubes. Se a CBF coloca no regulamento um número de vagas para a Libertadores e isto não corresponde à realidade, de quem é o problema? De novo, dos clubes.

O mais assustador é o comportamento dos clubes em relação à CBF. Observemos as eleições das federações: as agremiações invariavelmente elegem presidentes ligados ao sistema e à CBF, quando têm a oportunidade de eleger pessoas comprometidas com elas. E o que dizer da última eleição da CBF? Apenas o São Paulo Futebol Clube não votou no senhor Ricardo Teixeira. Curiosamente, provando como é possível ser independente, o mesmo São Paulo Futebol Clube venceu a Libertadores da América e foi para o Japão sagrar-se campeão mundial de clubes.

  Cidade do Futebol - No futebol brasileiro a dependência do dinheiro da televisão por parte dos clubes ainda é muito forte. Como o senhor acha que deveria ser o papel dos clubes em relação à geração de receitas e qual deve ser a função da televisão?

Miranda - Eu diria que a dependência do dinheiro da televisão e deste sistema é cada vez mais forte. E se os clubes não romperem esse ciclo, ficará cada vez mais clara a submissão. Acredito que há dois aspectos a serem abordados no sentido de crescimento de receitas dos clubes: um é a valorização das competições, com regras claras e sendo cumpridas, o que gerará credibilidade. Isso precisa ser feito, como disse antes, em conjunto. E não é uma tarefa para dois ou três anos apenas. O outro aspecto é a qualificação do trabalho de prospecção, valorização e comercialização de atletas. Aqui há um brutal espaço de crescimento, empregando as ferramentas que estão disponíveis para qualquer empresa e aproveitando o potencial de geração de talentos que existe em nosso país.

  Cidade do Futebol - O senhor parece ser um dos poucos dirigentes que se preocupa com a questão da integração das diferentes áreas de um clube dentro de um projeto realmente profissional. Como deve ser este processo que envolve dimensões técnicas, administrativas e políticas?

Miranda - A dimensão política interna dos clubes é realmente bastante complicada. Além de estar relacionada com resultados de curto prazo (o que conflita com uma administração voltada para o futuro), há muitos interesses envolvidos, de ordem econômica e até mesmo de ordem político-partidária. A coerência do trabalho nas dimensões técnicas e administrativas precisa partir de uma convicção de quem tem poder no clube. É impensável um trabalho com conseqüências positivas não partindo da convicção da alta direção do clube para com seus comandados.

 Cidade do Futebol - O Brasil é um dos maiores exportadores de jogadores do mundo. Isto é sinal que o trabalho nas categorias de base realizado por nossos clubes é bom? Como o senhor analisa o trabalho nos clubes para a formação de jovens atletas?

Miranda - Não concordo que o fato do Brasil ser um grande exportador de atletas signifique um bom trabalho nas categorias de base dos clubes em geral. Este fenômeno precisa ser compreendido dentro do contexto geográfico, cultural e econômico em que está inserido o Brasil. Num país como o nosso, de grandes dimensões, com o nosso clima e com a atenção voltada para o futebol e para a oportunidade de crescimento social que esse esporte representa no imaginário de nossos jovens, um trabalho realmente qualificado de prospecção, que vislumbre o crescimento do atleta e do ser humano, certamente, teria uma repercussão muito mais positiva na realidade dos clubes. Ou seja, o volume de exportação de atletas está muito mais vinculado a fatores geográficos, culturais e econômicos do que à competência do trabalho realizado pelos clubes nas categorias de base.

  Cidade do Futebol - O senhor acredita que os clubes têm condições de vencer a queda de braços com os empresários de atletas?

Miranda - Não vejo queda de braço com empresários. O que acontece é o preenchimento, por meio desses profissionais, de lacunas deixadas pelos clubes. Imagino dois grandes grupos de lacunas preenchidas pelos empresários e que poderiam ser ocupadas pelos clubes. A primeira é a da confiança. Muitas vezes os atletas sentem-se prejudicados pelos clubes; e em algumas ocasiões isto é verdadeiro, o que gera uma desconfiança e aproxima o atleta de empresários. Muitos deles agem de forma correta e competente defendendo o interesse de seus clientes. A outra questão é assistencial: a grande maioria dos atletas é oriunda de uma faixa social que apresenta inúmeras dificuldades na formação do ser humano. Se o clube não estiver atento a estes aspectos, alguém exercerá este papel.

  Cidade do Futebol - O que o senhor acha da Lei Pelé e das mudanças prováveis na legislação esportiva do país?

Miranda - Contrariamente ao que muitos disseram inicialmente, a Lei Pelé obriga os clubes a qualificarem o trabalho nas categorias de base. Isto é um ponto positivo. Acredito que poderíamos pensar em formulações que criassem maior proteção ao clube formador e estimulassem ainda mais a qualificação deste trabalho. Desconheço as "prováveis" mudanças na legislação esportiva do país. Mas me preocuparia primeiramente com a criação de dispositivos que garantissem o cumprimento das regras existentes, sejam elas quais forem. Sem isto jamais teremos credibilidade.

  Cidade do Futebol - O que há de pior e de melhor no futebol brasileiro?

Miranda - De melhor há o grande apelo popular; a geração quase espontânea de talentos e o grande espaço para crescimento da receita e do "PIB" do futebol. Já de pior, há a desobediência ao acordado e conseqüente falta de credibilidade, a pusilanimidade de muitos dirigentes e a falta de desenvolvimento de ferramentas técnicas que qualifiquem o trabalho de prospecção e valorização de atletas.

 

03/02/2006

 
 

Por Juca Kfouri às 21h37

Entrevista exemplar


Entre os endereços que este blog indica está o da "Cidade do Futebol", bela iniciativa que trata o esporte com profundidade e arejamento.
E é de lá que se reproduz a entrevista abaixo, irretocável.

Entrevista da Semana: Fernando Miranda

Em entrevista exclusiva, ex-dirigente do Inter e da extinta Sul-Minas analisa o futebol brasileiro dentro e fora do campo, 
 
Por Anderson Gurgel
 
Fernando Miranda, além de presidente do Internacional de Porto Alegre, foi também presidente da Liga Sul-Minas e participou de um dos momentos mais dinâmicos da história recente do futebol brasileiro. Isso aconteceu na época do "Pacto da Bola" e da criação das ligas regionais que apontavam para mudanças radicais e saudáveis para o nosso futebol, inclusive com a proposta de um novo calendário. Fazendo parte de um grupo minoritário de dirigentes que, de fato, preocupa-se com a evolução profissional do maior esporte brasileiro, Miranda deixou a direção do Inter e a Liga, mas não abandonou sua crença no papel que as melhores práticas administrativas podem representar na gestão desportiva dos clubes.  

Nesta entrevista exclusiva para a Cidade do Futebol, ele fala sobre o significado político dos clubes, da relação dos mesmos com a TV e com os seus atletas e, não menos importante, discute a ação dos dirigentes e da CBF na gestão de um dos maiores patrimônios deste país, o futebol. Para ele, apesar dos problemas, o futebol tem enorme apelo popular, bem como espaços para um amplo desenvolvimento. "Há grande espaço para crescimento da receita e do 'PIB' desse esporte", diz. Conheça essas e outras idéias de Miranda, a seguir:

  Cidade do Futebol - O senhor presidiu a Liga Sul-Minas entre 2002 e 2003 e, na ocasião, os torneios regionais tiveram um relativo sucesso. Como explica o desaparecimento dessas competições e qual o papel que as ligas poderiam ter numa nova estrutura do futebol no país?

Fernando Miranda - As competições regionais, no formato estabelecido pelo calendário quadrienal, divulgado pelo Ministério dos Esportes , CBF, Clube dos 13, João Havelange, Pelé entre outros, fruto do "Pacto da Bola", firmado em 2001, aconteceram apenas no ano de 2002. A competição Sul-Minas foi um efetivo sucesso financeiro, de público e, especialmente, técnico, uma vez que colocava os clubes disputando uma competição de nível bem superior às competições estaduais no início do ano. Elas desapareceram quando o "Pacto da Bola" foi revogado e o Calendário Quadrienal foi rasgado, desconsiderando todos os compromissos assumidos em função da sua divulgação.

  Cidade do Futebol - Na sua opinião, qual seria o verdadeiro papel de uma Liga?

Miranda - O papel de uma Liga é o de gerenciar uma competição específica, com permanência no calendário esportivo. Ela precisa estar a serviço dos clubes que a integram e nunca de outros interesses. No desempenho desta função, a Liga deve buscar, ao máximo, a valorização da disputa em todos os aspectos, fazendo com que o "produto" possua cada vez mais valor no mercado. Além disto, precisa prezar pelo cumprimento dos compromissos que forem assumidos. Por exemplo, entregando a competição para uma rede de televisão que adquira os direitos de televisionamento, sem que isto signifique a transferência do poder em relação ao comando da competição ou submissão.

  Cidade do Futebol - O que o senhor acha que deve mudar nos clubes para que o futebol brasileiro possa evoluir e se adaptar mais adequadamente aos novos tempos?

Miranda - O ponto principal é a compreensão de que o crescimento do futebol só acontecerá a partir da verdadeira união dos clubes. O desenvolvimento pontual de um clube sem que o "produto" futebol cresça não tem sustentabilidade. Para que isto aconteça será necessário, também, o surgimento de uma liderança no futebol brasileiro que realmente busque o interesse dos clubes e o crescimento do produto, deixando de lado questões menores e interesses particulares. Internamente, os clubes precisam buscar a efetiva profissionalização, o que não pode significar simplesmente passar a remunerar algumas figuras que exerceriam a mesma função na condição de dirigente. Profissionalização requer compromisso, competência e conhecimento.

 

Por Juca Kfouri às 21h36

Tevez x Dualib

Alberto Dualib, como estava previsto, ganhou a eleição de cartas marcadas no Corinthians, com quase 80% dos votos (a oposição ficou com apenas 14%).

Sua posse, no entanto, depende de decisão da Justiça, mas ele está tranquilo.

Ruim mesmo anda seu relacionamento com o maior ídolo do time, o artilheiro Carlitos Tevez.

Que nem sequer o cumprimenta e não atende aos seus convites, como, por exemplo, para estar na inauguração do Memorial alvinegro.

Reflexos do embate entre Dualib e Kia Joorabchian, que tem o apoio do jogador, por razões óbvias.

Por Juca Kfouri às 11h24

As dúvidas e as certezas de Parreira

Carlos Alberto Parreira voltou a defender o goleiro Dida e admitiu que Cafu e Roberto Carlos podem perder seus lugares caso não melhorem seus desempenhos.

Cafu anda às voltas com a doença de seu pai em São Paulo e provavelmente estará tinindo às vésperas da Copa.

A interrogação sobre Roberto Carlos é maior, pois o lateral-esquerdo de tantas glórias parece mesmo estar decadente.

Além do mais, goste-se ou não, a comissão técnica da Seleção Brasileira aprecia demais o futebol de Gustavo Nery.

Dida, Marcos e Júlio César, como se sabe, são os goleiros prediletos.

Gomes é a quarta opção e Rogério Ceni, no máximo, a quinta.

Entre os zagueiros, Alex, do PSV, só será chamado se um dos quatro preferidos (Lúcio, Juan, Roque Júnior e Luisão) se machucar.

E até Cris está na parada.

Por Juca Kfouri às 00h33

02/02/2006

Gato escaldado

O Ministério Público Federal pediu a condenação do jogador de futebol Sandro Hiroshi por ter utilizado duas vezes documento falso.
Em 12 de julho de 1999, e uma semana depois, o ex-atacante do São Paulo viajou para os Estados Unidos, e para o México, com  passaporte com idade adulterada .
Famoso por  ter sido suspenso por 180 dias depois que se descobriu a falsificação de sua certidão de nascimento, num dos casos mais conhecidos de "gatos" no futebol brasileiro, o jogador, à época,  não foi responsabilizado criminalmente pela falsificação porque era menor de idade.
Foi por meio da apresentação à Polícia Federal dessa certidão de nascimento adulterada que Sandro Hiroshi conseguiu que seu passaporte fosse emitido com a data errada.
O acusado foi ouvido pela Justiça em três oportunidades e confessou todos fatos a ele imputados ao confirmar o uso do documento ilícito.
A Procuradoria da República entende que Sandro Hiroshi deve ser condenado pelo uso do passaporte, quando já tinha mais de 18 anos.
O jogador esteve na Coréia do Sul durante a temporada de 2005, onde disputou  o campeonato nacional pelo Daegu FC e foi o artilheiro da competição com 7 gols.

Por Juca Kfouri às 17h44

Lembrete

Depois de ter feito um baita esforço para voltar à Primeira Divisão do futebol paulista, o São Bento tem sido sistematicamente prejudicado pelas arbitragens.

E está em último lugar.

O rival do São Bento, em Sorocaba, é o Clube Atlético Sorocaba, do famigerado reverendo Moon.

Marco Polo del Nero, presidente da FPF, é representante do reverendo Moon no Brasil.

Por Juca Kfouri às 11h32

Mais erros de arbitragem

Só na madrugada pude ver o jogo Corinthians 5, São Bento 0.

E os dois primeiros gols alvinegros (Tevez, de pênalti, e Ricardinho, brilhante ontem, de falta) nasceram de faltas inexistentes.

Houve ainda um segundo pênalti (convertido por Tevez), no mínimo, duvidoso.

O esforço de renovação na arbitragem paulista corre o risco de se desmoralizar rapidamente, tantos têm sido os erros.

E olhe que o relógio dado por Alberto Dualib foi para o presidente da CBF, não para o da FPF...

Por Juca Kfouri às 10h37

01/02/2006

João Paulo marca. O Flu cai

Abandonei o Palmeiras para acompanhar o drama do Fluminense que empatava sem gols com a Cabofriense, resultado que dava a classificação para o Nova Iguaçu nas semifinais da Taça Guanabara.

Mas eis que aos 43, João Paulo marcou e classificou o time de Cabo Frio, que enfrentará o América.

A outra semifinal será entre Americano e Botafogo.

As rendas mirabolantes das finais da Taça foram para o quiabo.

E o nome de João Paulo, que virou hino do Flu quando era o do Papa, agora é sinônimo de diabo.

Por Juca Kfouri às 22h48

Romário marca. O Vasco cai

Romário fez mais um para se aproximar dos 1000 gols.

Mas o Vasco só empatou (1 a 1) com o Friburguense e conseguiu a façanha de ficar fora das finais da Taça Guanabara.

De quebra, ainda perdeu Alex Dias para o São Paulo.

Assim será dífícil a volta de Eurico Miranda para a Câmara dos Deputados...

América, em primeiro, e Botafogo, em segundo, se classificaram no grupo, depois que o América ganhou do Botafogo por 2 a 0.

José Trajano está impossível.

Por Juca Kfouri às 20h51

Kia se encontra com a oposição corintiana

O candidato de oposição na eleição do Corinthians, Valdemar Pires, encontrou-se hoje com Kia Joorabchian, da MSI.

Pires foi contra a parceria e quer mudanças no contrato.

Joorabchian saiu do encontro mais tranquilo ao saber que, embora contrária à parceria, a oposição defende o cumprimento do que foi estabelecido, diferentemente de Alberto Dualib que tudo tem feito para romper com o que assinou.

Por Juca Kfouri às 15h17

Ricardo Teixeira, nota 10

Parem as máquinas!

Coisa rara!!

Ricardo Teixeira, nota 10!!!

A CBF manteve inalterado o regulamento do Campeonato Brasileiro.

Ficam os 20 participantes, caem quatro, sobem quatro.

O estatuto da CBF é arbitrário e impositivo, culpa também do Clube dos 13 que jamais se impôs.

Mas que a decisão está correta, o blog (que novidade!) acha que está.

Há anos que se perseguia o formato que se atingiu em 2006 e não faria o menor sentido mudá-lo antes mesmo de experimentá-lo.

Por Juca Kfouri às 12h58

A polêmica sobre Dida

Dida não está num bom momento, sem dúvida.

Nem no banco ficou na derrota do Milan para o Palermo, que eliminou o time milanês da Copa da Itália.

Certamente foi poupado depois da grotesca falha do último sábado.

Mas daí a querer vê-lo fora da Seleção Brasileira vai uma distância enorme.

Carlos Alberto Parreira saiu em defesa dele e fez muito bem.

Nada autoriza supor que a má fase perdurará até a Copa.

E a folha corrida de Dida permite que nele se confie.

Aliás, acho que tanto ele como Cafu chegarão tinindo à Copa.

Tenho dúvidas sobre Roberto Carlos. Gostaria de ver Zé Roberto em seu lugar e Juninho Pernambucano na vaga de Zé.

Hoje, minha defesa titular teria Marcos, Cicinho, Alex (por presunção, pois não o tenho visto jogar pelo PSV), Juan e Zé Roberto, com o Emerson na frente da zaga.

Mas, voltando aos goleiros, com todos 100%, eu prefiro Marcos a Dida numa disputa que deveria incluir, também, Rogério Ceni.

Por Juca Kfouri às 12h29

Editorial de hoje do diário Lance!

Xô, retrocesso

São inegáveis os avanços  recentes do nosso futebol. A implantação do sistema de pontos corridos, o respeito às regras de acesso e rebaixamento e a progressiva redução do número de clubes das séries A e B - até o desejado limite de 20 -, aumentaram a competitividade e foram reconhecidos pelo torcedor com o aumento das médias de público e da audiência das tevês.
O próximo passo, já anunciado por  Ricardo Teixeira, da CBF, é a adequação do nosso calendário ao do resto do mundo, idéia encampada pela maioria dos clubes, como revelou pesquisa deste LANCE!.
Mas tudo o que é bom pode durar pouco...E o fantasma do atraso bate às portas do nosso fut.
 De um lado, a TV Globo, que, em clara e legítima defesa de seus interesses comerciais - nem sempre os dos clubes ou os da sociedade  - se levanta contra a mudança do calendário. De outro, o Clube dos 13, liderado por Eurico Miranda, melhor representante dos vanguardistas do atraso, em surpreeendente sintonia com a TV Globo,  que propõe a volta de 22 clubes na Série A. Sem dúvidas, um esforço para manter seu poder e proteger aqueles que, pela incompetência de seus dirigentes, temem não segurar no campo uma vaga na elite.
É preciso resistir. A manutenção do calendário atual fará com que os clubes continuem a perder talentos em pleno Brasileirão, comprometendo o interesse do torcedor. O aumento do número de clubes vai baixar a rentabilidade dos jogos, sacrificar os jogadores e acabar com a possibilidade de que os clubes excursionem e faturem mais.
Do Clube dos 13 espera-se racionalidade. Da CBF que não ceda.  

Por Juca Kfouri às 12h21

31/01/2006

Verdes que te quero maduros

Goiás e Palmeiras jogam à noite pela Libertadores.

O Goiás no Serra Dourada, às 19h30, contra o Deportivo Cuenca, do Equador.

O Palmeiras às 22h, em Sán Cristobal, na Venezuela, contra o Deportivo Táchira.

O Goiás joga por um 0 a 0, pois empatou o jogo de ida em 1 a 1.

O Palmeiras pode até perder por 1 a 0, pois ganhou em casa por 2 a 0.

O momento do Verdão paulista é melhor que o do Verdão goiano, mas a tarefa do Goiás é menos difícil.

Só que não passa pela cabeça de ninguém que os dois brasileiros não sigam adiante.

Porque é hora de mostrar um mínimo de maturidade diante de rivais tão frágeis.

Por Juca Kfouri às 23h15

Endereço sério

Surge, enfim, uma página confiável sobre o futebol do interior paulista -- mas não só -- na internet.

Confira em www.bolarolando.com.br .

De quebra, descubra um novo talento entre as mulheres que sabem de futebol, a colunista Renata Rondino.

Por Juca Kfouri às 12h21

Virada de mesa?

Ganha força, no Clube dos 13, a idéia de aumentar o número de participantes do Campeonato Brasileiro.

Nem começou o Brasileirão deste ano, que terá 20 participantes, um antigo objetivo, e já há quem fale em 22 e até em 24, outra vez.

O argumento é o de sempre e não faz sentido: o Brasil é um país muito grande e populoso.

De fato é.

Mas a Rússia não é menor e nem por isso tem tantos clubes em sua primeira divisão.

Para não flalar da China, que deveria, então, ter uns 500 clubes nela.

Porque tanto para a Rússia como para China, apesar do calendário chinês, o ano tem 365 dias.

Como no Brasil...

O problema não é de tamanho nem de datas.

A questão está em privilegiar o sentido de competição.

E com muitos clubes logo entra-se naquela zona cinzenta em que muitos ficam sem ter por que lutar, como vimos nos dois primeiros anos do campeonato nacional com 24 clubes, em 2003 e 2004.

O pior é que tem gente que também defende que os clubes grandes não caiam, tenham lugar cativo, um prêmio à incompetência.

Verdade que entre esses há, fora do Clube dos 13, pelo menos um que é dono de uma cabeça respeitável, o escritor Luís Fernando Veríssimo.

Mas ninguém é perfeito.

Por Juca Kfouri às 11h26

Lothar Matthäus chega ao Atlético Paranaense

Campeão mundial pela Alemanha em 1990, e eleito melhor jogador europeu da mesma temporada, Lothar Matthäus ainda não é um técnico vitorioso.
Mas é no taco dele que o Furacão confia para se dar bem em 2006.
Tomara que dê certo e tomara que ele traga alguma novidade ao nosso futebol.
É natural que as atenções se voltem para Matthäus, embora ele não seja nenhum Franz Beckenbauer, este sim, um alemão provado como atleta e treinador,
Matthäus também não é nenhum Johan Cruyff, o holandês também muito bem sucedido dentro de campo e no banco.
Como não é nenhum Carlos Bianchi, o argentino que fez sucesso como jogador e faz como técnico, além de falar espanhol, como Cruyff, por sinal.
Ter sido campeão mundial como atleta não é garantia de competência como treinador, que o diga o grande capitão do tri Carlos Alberto Torres, por exemplo, para ficar só num dos muitos brasileiros que têm o título e não mantiveram o mesmo nível fora das quatro linhas.
Mas, repito, tomara que dê certo.

Por Juca Kfouri às 00h31

30/01/2006

É grave, muito grave!

Às portas da eleição, presidente corintiano não mostrou a conselho documento que lista irregularidades em contratos

Dualib omite laudo que reprova contas


RICARDO PERRONE
DO PAINEL FC

EDUARDO ARRUDA
DA REPORTAGEM LOCAL

Às vésperas de tentar se reeleger presidente do Corinthians, Alberto Dualib omitiu dos conselheiros parecer do Conselho Fiscal que reprova suas contas em 2005.
A Folha obteve cópia do documento em que o Conselho Fiscal não aprova o balanço de 2005.
Nele, o órgão pediu para que o papel fosse apresentado ao Cori (Conselho de Orientação) e ao Conselho Deliberativo.
Isso não foi feito e os dois órgãos aprovaram o balanço sem ler a decisão dos conselheiros fiscais, que, por isso, pretendem entrar na Justiça e anular a reunião da última terça-feira, em que as contas foram aprovadas. A eleição presidencial ocorre na próxima quinta.
O presidente corintiano afirmou que um parecer favorável às contas, assinado por apenas um dos membros do Conselho Fiscal, Eduardo Perez Ceccato, foi lido por um dos conselheiros do clube.
Ceccato, que não foi localizado pela Folha, voltou atrás depois e emitiu, ao lado dos outros dois membros do órgão, um documento contrário às contas.
"O parecer contrário do Conselho Fiscal não foi apresentado, a não ser que eu esteja louco. Tem 300 testemunhas disso", disse o conselheiro Rubens Aprobatto Machado, de oposição.
O relato dos conselheiros fiscais sobre o episódio tem lances que lembram um roteiro de filme sobre mafiosos, com direito até a ameaça de morte.
Cláudio Marcelo Vélez, presidente do Conselho Fiscal, disse ter sido ameaçado por Marcos Fernandes, que faz o controle das contas corintianas.
"Ele disse que eu tenho de ser inteligente, que em ano de eleição os ânimos ficam acirrados no clube e que tenho duas filhas", afirmou Vélez. Fernandes não foi encontrado para comentar o fato.
Horas antes da última reunião do Conselho Deliberativo, os fiscais levaram o parecer para Alberto Dualib e dizem ter sido pressionados a assinar outro documento. Houve bate-boca e pessoas que estavam do lado de fora ouviram os berros de Dualib.
"O Marcos disse que tinha uma arma automática e estava louco para descarregá-la. Falou que nada aconteceria com ele porque a arma tem a sua numeração raspada", contou Fausto Di Toti Garcia, outro dos três integrantes do Conselho Fiscal -os três fiscais dizem que o balanço não confere com os dados financeiros. Avaliam que o déficit deveria ser maior. Reclamam também que não foram sanadas irregularidades encontradas por eles nos balanços de 2003 e 2004, que aprovaram com ressalvas.

 Folha de S.Paulo, 30 de janeiro de 2006

Por Juca Kfouri às 13h02

O interesse pelos campeonatos estaduais

O Campeonato Paulista é tido como o mais forte estadual do país.

Pode ser.

Mas não é verdade que o interior paulista adora o torneio.

Porque só acompanha mesmo quando um grande o visita.

O que dizer, por exemplo, dos públicos de três dos jogos de ontem entre times interioranos, todos com público abaixo de mil torcedores?

Santo André x São Bento teve 779 pagantes;

Mogi Mirim x Portuguesa teve 650;

E Bragantino x Ituano, 816.

Futebol profissional?

Por Juca Kfouri às 10h09

Coluna desta segunda-feira, na FOLHA

Fla-Flu que salva

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

De nacional mesmo, no domingo do futebol pelo Brasil, só o clássico no Maracanã.
E havia apenas uma dúvida: de quanto seria a vitória tricolor? -apesar de a sabedoria de Nelson Rodrigues já ter ensinado que "o Fla-Flu nasceu 40 minutos antes do nada".
Eis que 45 minutos depois de iniciado, o Fla-Flu mostrava que é mesmo um jogo diferente.
Debaixo de uma chuva torrencial e diante de 40 mil torcedores, o Flamengo começou muito melhor e Diego Souza mandou dois torpedos ensopados bem aparados pelo goleiro tricolor, também Diego (como o do rubro-negro, outro Diego).
Mas foi o talento de Petkovic que prevaleceu, só ele é capaz de dar o drible seco que deu em Renato Goiano no gramado encharcado. O zagueiro do Mengo ficou orfão de pai, mãe e parteiro e o pé esquerdo do sérvio fez 1 a 0.
O placar moral (invenção do jornalista e chargista Otelo Caçador, que morreu na semana passada) não era esse, mas o manto sagrado (outra de Otelo), deu o ar de sua graça pelos pés de Jônatas, depois de preciosa jogada de Leonardo Moura, para empatar o primeiro tempo.
No segundo, Tuta recebeu de Pet e fez 2 a 1, mas Diego soltou um chute de Leonardo Moura para o paraguaio Ramirez empatar.
O tricolor Nelson Rodrigues, experiente lá em cima, sorriu, porque o placar foi bom para o seu Flu. E Otelo Caçador, a caminho, também sorriu, porque ninguém ganha do seu Mengo na véspera.
Placar moral? 3 a 2, Mengo.

Paulista 
Já o Campeonato Paulista, enfim, terá um clássico no domingo que vem, entre o líder Palmeiras e o ainda desarrumado São Paulo.
Palmeiras que até começou a jogar bem na goleada diante da Portuguesa Santista e teve na atuação de Edmundo um alento em meio ao deserto de grandes atacantes que assola a maioria de nossos clubes.
O senso de colocação e o conhecimento dos atalhos do campo, a experiência, enfim, têm tudo para fazer de Edmundo, sem os privilégios, o Romário do Palmeiras.
O Morumbi será palco de uma partida que deve significar muito para o São Paulo e que embute um risco para o líder, certamente desgastado com a viagem à Venezuela para o jogo de volta contra o Deportivo Táchira.
Verdade que Leão conseguiu fazer a poupança que planejou diante dos pequenos e poderá começar a gastar a gordurinha acumulada com, por exemplo, um empate no domingo.
De freio de mão ainda puxado, mas valendo-se dos talentos que tem no meio de campo e na frente, o Corinthians passeou em Americana, com decisiva atuação de Rosinei, estranhamente substituído por Carlos Alberto.
A boa nova foi a excelente atuação do jovem goleiro Marcelo e Ricardinho reestreou discretamente, embora tenha dado o terceiro gol para Nilmar.
Digam o que disserem, os corintianos só pensam numa coisa: na Libertadores da América.

Cartolão
Que Lula não saiba que o São Paulo e o Santos também têm seus museus como o que foi inaugurado pelo Corinthians, deve-se creditar a tantas outras coisas que ele não sabe, não soube ou fingiu não saber. Que ele tenha dito que o futebol brasileiro é tetracampeão, fica por conta de um simples lapso, pois torcedor que é não ignora o pentacampeonato. Mas é indefensável que o presidente tenha aliviado os cartolas ao dizer que só quem não quer fazer nada os acusa de "passar a mão no dinheiro dos times". Se é assim, por que ele assinou, como sua primeira lei, a chamada Lei da Moralização do Esporte? Parece que, depois de tanto recurso não contabilizado, mensalão, delúbios, valérios e mentores, Lula ficou mais compreensivo. E cúmplice.

 

Por Juca Kfouri às 10h04

29/01/2006

Impressões

Nada mais perigoso que comentar futebol apenas com base nos compactos das partidas.

Mas foi o que vi tanto na vitória do Santos contra o América (3 a 2) quanto no empate do São Paulo com o Guarani (3 a 3).

E fiquei com a impressão de que o Santos não fez por merecer o triunfo e que o São Paulo foi castigado por duas lambanças de Fabão, dois pênaltis desnecessários e que, aliás, justificariam a expulsão dele (o que, ironicamente, poderia ter levado o tricolor ao resultado que merecia).

Mas posso estar enganado.

Por Juca Kfouri às 22h27

O cara!

Acabo de ver a entrevista de Romário ao repórter Victorino Chermont, no Sportv, à guisa de comemorar o aniversário do vascaíno.

Nota 40.

30 para o Baixinho, 10 para o jornalista.

Goste-se ou não de Romário, concorde-se ou não com ele, uma coisa não se pode negar:ele é a autenticidade em pessoa.

E, repito, o melhor jogador que vi dentro da área.

Por Juca Kfouri às 21h56

Fla-Flu, como sempre

O Fla-Flu nasceu 40 minutos antes do nada, escreveu o tricolor Nelson Rodrigues.

Pois 40 mil tricolores e rubro-negros enfrentaram um temporal e foram ao Maracanã.

Antes dos primeiros 40 minutos, Pet fez 1 a 0 e Jônatas empatou.

Também antes dos 40 do segundo tempo, Tuta fez 2 a 1 e Ramirez empatou de novo.

Placar moral, invenção do jornalista e chargista rubro-negro Otelo Caçador, que morreu na semana que passou, 3 a 2 para o Mengo, que era candidato a levar uma goleada do superior Flu.

Flu que pecou pela soberba na escalação e não botou o coração na chuteira, como fez o Fla e Nelson Rodrigues exigia.

O "manto sagrado", outra invenção de Otelo, aprontou mais uma.

Mesmo desclassificado da Taça Guanabara e com o Flu quase garantido nas semifinais.

Por Juca Kfouri às 19h18

Passeio corintiano

O Corinthians goleou o Rio Branco sem forçar.

Valendo-se dos talentos que tem do meio de campo para frente, foi fácil.

O 4 a 1 surgiu naturalmente e Antônio Lopes fez experiências, como a entrada de Carlos Alberto no lugar de Rosinei (que era o melhor no gramado) e a estréia de Xavier, o volante que veio do Vitória.

De resto, Tevez fez seu gol (depois de bom passe de Rosinei), Nilmar marcou duas vezes (graças a belos passes de Rosinei e Ricardinho) e Carlos Alberto completou em jogada de Tevez.

Ricardinho reestreou discretamente e o jovem goleiro Marcelo fez ótima partida.

Por Juca Kfouri às 16h54

Coluna deste domingo, na FOLHA

 

Tudo contra o favoritismo

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

O mundo considera a seleção brasileira favorita na Copa da Alemanha.
Não é para menos, tantos são os talentos extraordinários que o time reúne.
Fosse um torneio em pontos corridos e, sem dúvida, em condições normais, com todas as estrelas 100%, o hexacampeonato estaria no papo.
Mas não está. Ao contrário.
A Copa do Mundo de 2006 será uma pedreira quase intransponível para os brasileiros.
Terão de vencer em campo e fora dele e não contarão com a tradicional boa vontade das arbitragens, como aquela, por exemplo, que inexplicavelmente anulou um gol belga, na Copa de 2002, ou inverteu a falta que valeu a vitória diante da Holanda, em 1994.
Na Ásia, o árbitro era da Jamaica(!). Na América do Norte, da Costa Rica(!!).
Certamente, não os mais indicados para jogos tão importantes, já na fase dos mata-matas.
E não vai aqui nenhuma teoria conspiratória, como foi tachado comentário semelhante em meu blog no UOL.
Acontece, em primeiro lugar, que o próprio presidente da CBF já declarou um dia, numa festa, sem saber que perto dele estava o repórter Bob Fernandes, em Beverly Hills, durante a Copa de 1994, que não se é campeão mundial apenas dentro de campo.
Por acaso, falou logo depois da vitória diante da Holanda.
Ricardo Teixeira, lembremos, é vice-presidente da Comissão de Arbitragem da Fifa, e não por causa de seu conhecimento das 17 regras do futebol, que simplesmente inexiste.
Em segundo lugar, a sexta conquista nacional, segunda em gramado europeus (a primeira foi na Suécia, em 1958, meio assim de surpresa), com Teixeira em busca do posto de Joseph Blatter na Fifa, será considerada como ofensa e um risco político, além de pôr em perigo o próprio equilíbrio da competição.
Ainda mais se considerarmos que a Copa de 2010 será disputada em campo neutro, na África do Sul (como o Chile, em 1962, os Estados Unidos, em 1994, e a Ásia, em 2002), e a de 2014, talvez, no Brasil, onde ninguém acredita que a seleção possa perder outra vez, como em 1950.
Ou seja, o hexa terá tudo para ser prenúncio do hepta e do octa, sinônimos de monotonia para o negócio do futebol.
E nem se leve em consideração a idéia de que sempre que a seleção sai do Brasil como favorita acaba por perder. Até porque, em 1962, foi para o Chile como tal e voltou como autêntica bicampeã.
Mas estarão em ação muito mais que forças ocultas, porque, se ocultas fossem, as cabeças que comandam o futebol não se oporiam tão intransigentemente à modernização das arbitragens.
Basta ver o esforço que se fez na última Copa para levar o mais adiante possível os anfitriões japoneses e sul-coreanos.
É claro que o talento dos gênios brasileiros pode destruir qualquer esquema.
Mas eles terão de estar conscientes do tamanho do desafio, mesmo que não admitam publicamente a temida armação.

Metamorfose
Ex-sócio de Pelé, Hélio Viana, em seu longo depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da CBF-Nike, em 3 de abril de 2001, foi categórico ao dizer que sua sociedade com o Rei do Futebol se limitava à participação na Pelé Sports & Marketing, no Brasil. Nas outras empresas agia, no máximo, como procurador. Eis que agora ele pleiteia, na Justiça, nada menos do que 40% de todos os negócios do "Atleta do Século", esquecido do que disse na Câmara dos Deputados.

Globalização
Pelo nível da arbitragem na partida da quarta-feira passada entre o Palmeiras e o venezuelano Deportivo Táchira, com dois gols irregulares, dá para reafirmar o de sempre: o problema do apito é poliglota. Apita-se mal em todas as línguas.

 

 

Por Juca Kfouri às 09h53

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico