Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

04/03/2006

O público e o privado

No diário "Lance!" de hoje fonte não identificada do Tribunal de Contas da União, o Comitê Olímpico Brasileiro e a Confederação Brasileira de Vôlei tentam explicar o inexplicável, ao dizer que o dinheiro usado pela CBV para financiar mordomias em seu CT e a compra de luxuosos carros importados, e blindados, para o uso de seu presidente, Ary Graça, não é proveniente da Lei Piva nem do Banco do Brasil -- seria dinheiro privado, portanto, o que eximiria a entidade de licitação.

Não é, no entanto, o que, o "Globo" também de hoje, informa.

Com nome e sobrenome.

Lucas Furtado, procurador-geral do Ministério Público do Tribunal de Contas da União, disse o óbvio, em bom português, que dinheiro não tem carimbo, que quem recebe dinheiro público tem de explicar seus gastos.

As contas, é claro, se "misturam" nas palavras do procurador.

Eis o que ele disse ao repórter Cláudio Nogueira, do "Globo":

— Quem recebe dinheiro público e privado tem de observar os padrões de aplicação dentro dos princípios de moralidade, impessoalidade e eficiência. Tem de evitar usar o dinheiro privado para cobrir eventuais desvios de dinheiro público. Entidades esportivas podem até ter certa liberdade de ação. Mas têm de explicar corretamente o que fazem com o dinheiro — afirmou, com exemplos: — Se uma entidade recebe R$ 20 mil do Banco do Brasil e R$ 2 mil da Lei Piva, e tudo vai para uma conta única, tem de provar como gastou o dinheiro, porque as verbas pública e privada se misturam. Não há como separar o dinheiro público do privado.

Furtado vai trabalhar no caso:

— Vou examinar a possibilidade de abrir representação junto ao TCU, para que o Tribunal apure com a CBV e o Banco do Brasil o que está sendo feito com as verbas do banco e da Lei Piva — antecipou ele, que foi além: — O TCU pode abrir processo de fiscalização. Todas as confederações, por conta da Lei Piva, têm processos no TCU. O dinheiro é para o esporte, e não carros de luxo.

O procurador disse que entidades têm dificuldades em separar público e privado:

— A CBV tem de prestar contas de tudo, sejam verbas públicas, sejam privadas. Até mesmo o dinheiro do Banco do Brasil é público. Caberia ao banco exigir da CBV explicações sobre como e onde a entidade está gastando o dinheiro. Quem primeiro tem de exigir essas explicações é o banco.

Furtado acrescentou que se a confederação aluga o CT em épocas ociosas, pode ser até válido do ponto de vista de uma empresa privada, mas ela terá de prestar contas:

— Tudo depende da explicação. A CBV tem um espaço destinado a desenvolver o esporte. Se ele é usado para seminários, isso é prejudicial ao esporte. A entidade não tem como objetivo arrecadar dinheiro, mas incentivar o vôlei. Esta ação tem de ser explicada.

Quanto à compra de automóveis de luxo, incluindo um Omega, o procurador Furtado também fez críticas à CBV:

— Qual a necessidade de um Omega australiano tão caro? É injustificável a confederação adquirir veículo deste valor (R$ 125 mil). Os recursos seriam mais bem aplicados no esporte. Se há dinheiro da Lei Piva, é público. Eles terão de provar onde aplicaram o dinheiro e prestar contas das verbas.

Segundo o procurador, ou as confederações separam as verbas públicas das privadas, ou têm de dar explicações e fazer licitação de tudo o que compram e administram.

O presidente da CBV, Ary Graça, não quis comentar o assunto.

Furtado está certo. Furtados, em regra, somos nós, os contribuintes, que financiamos mordomias para a cartolagem,



 

Por Juca Kfouri às 10h19

Um livro belíssimo

Acabo de receber um livro extraordinário.

Editado pelo talento e sensibilidade de Leonel Kaz e escrito pelo mestre João Máximo, "BRASIL, UM SÉCULO DE FUTEBOL, ARTE E MAGIA", da Aprazível Edições, é dessas obras que você quer levar debaixo do braço aonde for.

Em formato grande, um verdadeiro livro de arte, o chamado "Coffee table", 208 páginas por R$ 130, com algumas das mais belas fotos (são 180 no total) da história de nosso futebol, o livro surpreende e emociona.

Há uma foto, em especial, de uma menininha corintiana e um menininho são paulino, presumivelmente dos anos 40, que é simplesmente um achado.

Mas não só.

Há outras dezenas de fotos tocantes como, por exemplo, a do goleiro uruguaio Máspoli consolando o capitão brasileiro Augusto no Maracanã, em 1950, numa viagem que começa no século 19.

Tudo muito bem explicado na simplicidade do texto direto e bem fundamentado de João Máximo, em suficientes quatro capítulos, da chegada do futebol no Brasil aos tempos da globalização atual.

Imperdível é uma palavra gasta. Mas, no caso, obrigatória.

Por Juca Kfouri às 09h47

03/03/2006

Fora, Caixa D'Água!

A Justiça afastou, novamente, Caixa D'Água da Federação Estadual do Rio de Janeiro.

O cartola sempre alardeou que só deixaria o cargo quando quisesse.

Pois está saindo pela segunda vez, sem querer.

Que não volte nunca mais.

Por Juca Kfouri às 23h59

Resumo da quinta-feira

Mais dois jogos ontem de times brasileiros na Libertadores.

O Paulista ficou no 0 a 0 com o Libertad, do Paraguai, em Jundiaí.

Jogou melhor no primeiro tempo, mas pouco ameaçou.

Foi inferior no segundo e tomou uma bola na trave.

Já o Palmeiras ganhou do Atlético Nacional, da Colômbia, 3 a 2, no Parque Antarctica.

O placar foi apertado, mas o Palmeiras merecia mais.

E Sérgio defendeu esplendidamente um pênalti mal marcado e cobrado por Aristizábal, aquele mesmo.

Em 11 jogos, o futebol brasileiro não perdeu nenhum até aqui na Libertadores, com seis vitórias e cinco empates.

Nos campeonatos estaduais, o Corinthians sofreu, mas ganhou, de virada, do Ituano, 3 a 2, em Itu, com mais dois gols de Nilmar, agora com 15 na liderança folgada da artilharia.

E o Flamengo também sofreu, mas mesmo com mais dois gols de Luisão, não conseguiu virar e perdeu para o Madureira, pelos mesmos 3 a 2.

O pesadelo rubro-negro parece a chuva em Macondo, cidade do célebre romance de Gabriel Garcia Márquez, “Cem anos de solidão”: não acaba nunca.

Só que Macondo é uma ficção e a crise na Gávea é tão verdadeira que até parece mentira.

Por Juca Kfouri às 23h52

02/03/2006

Aos amigos cariocas

Sim, eu queria falar também da Taça Rio, como falei da Taça Guanabara.

Mas, convenhamos, não está dando.

A Libertadores tem prioridade e, ontem, entre ver São Caetano x Santos ou Fluminense (que só perdia) x América, como segundo jogo, ao mesmo tempo que via Caracas x São Paulo, acho que fiz bem em escolher o primeiro.

Do mesmo modo, hoje.

Palmeiras x Atlético Nacional tinha prioridade e entre Ituano 2 x 3 Corinthians e Madureira 3 x 2 Flamengo, fico com a sensação que acertei de novo.

 

Por Juca Kfouri às 22h25

Resultado enganoso

O Palmeiras ganhou de 3 a 2 do Atlético Nacional, da Colômbia, e manteve a invencibilidade brasileira na Libertadores, em 11 jogos.

O placar engana.

O Palmeiras fez por merecer melhor sorte, mas deu uma bobeada assim que fez 3 a 1 e tomou o segundo gol em seguida.

Foi vítima, ainda, de um pênalti mal marcado e cobrado por Aristizábal, magnificamente defendido por Sérgio, no momento mais emocionante do jogo, porque a torcida alviverde cantou em coro o nome do goleiro antes da cobrança, uma energia que há de tê-lo ajudado a defender.

Marcinho, de cabeça, Edmundo, outra vez muito bem, de pênalti, e o zagueiro Douglas, também de cabeça, fizeram os gols palmeirenses na centésima partida de Leão como técnico do time.

Por Juca Kfouri às 22h10

Vitória corintiana

O Corinthians foi o de sempre diante do Ituano.

Menos na escalação, sem cinco titulares.

Até na garra, porque esteve duas vezes em desvantagem e virou para 3 a 2.

Até na atuação de Nilmar, autor de mais dois gols (agora tem 15), um deles belíssimo.

E até no mau posicionamento da defesa, um deus nos acuda cada vez que a bola chega na área.

A estréia do goleiro chileno Johnny Herrera não permitiu conclusões, não foi nem melhor nem pior que o jovem Marcelo.

Diga-se, ainda que, quando estava 0 a 0, Carlos Alberto sofreu um pênalti não marcado.

E que Roger fez um golaço de falta, o do terceiro gol, embora a bola tenha desviado na barreira.

Mas o time continua devendo.

Por Juca Kfouri às 21h57

Pífio Paulista

Paulista e Libertad, do Paraguai, ficaram no zero em Jundiaí pela Libertadores.

No primeiro tempo a equipe brasileira dominou, mas pouco ameaçou.

No segundo a situação se inverteu e por muito pouco os paraguaios não venceram.

Até bola na trave eles mandaram.

Essa história de os times brasileiros que estão na Libertadores não poderem disputar a Copa do Brasil tem dado nisso nos últimos anos.

Sobram os piores na Copa do Brasil e times como o Santo André e o Paulista acabam campeões, para virar meros coadjuvantes na Libertadores.

Ainda bem que a CBF promete rever o absurdo no ano que vem.

Por Juca Kfouri às 20h07

Já vai tarde

Oficializou-se agora o que se sabe faz tempo: Agnelo Queiroz deixa o ministério do Esporte para ser candidato nas próximas eleições.

Quando houve a reforma ministerial e Lula pediu que os que pretendessem se candidatar deixassem seus postos, Queiroz ficou.

Fingiu que não seria candidato e Lula fingiu que acreditava.

Mas o pior nem é isso.

O pior é a herança de Queiroz.

Além de diversas fotos como papagaio de pirata de atletas vencedores, da estadia no mesmo navio que hospedou Bill Gates nas Olimpíadas de Atenas, da medalha de Luisão campeão da Copa América que ficou para o ministro, de sua assinatura na camisa dos bicampeões mundiais de basquete (sim, ele assinou onde estão as assinaturas de Vlamir Marques, Amaury Pasos e companhia), dos números inflados do Segundo Tempo (um programa que herdou da má gestão FHC e só mudou o nome), da manutenção da agência de Marcos Valério como a agência do ministério mesmo depois do escândalo, o que ficou?

A tentativa de legalizar os bingos, a Timemania ainda em fase de aprovação, a vexatória negativa de ter assinado um pedido para estuprar o Estatuto do Torcedor quando comprovadamente o assinou e um imenso vazio por não ter implantado uma Política Esportiva para o país, pois optou pelo privilégio aos esportes de alto rendimento em detrimento do acesso às práticas esportivas aos excluídos.

Ah, sim, é uma sólida amizade com a cartolagem, de Carlos Nuzman a Ricardo Teixeira.

Por Juca Kfouri às 16h24

Conflito de interesses

No esconde-esconde das escalações reinaugurado por Vanderlei Luxemburgo no Campeonato Paulista, sobram queixas da imprensa.

A verdade é que por omissão no regulamento da competição (em Copas do Mundo, por exemplo, a relação dos que vão jogar tem de ser distribuída com antecedência), nada obriga o treinador a fornecer a escalação.

E aqueles que acham que o expediente ganha jogos (caso de Luxemburgo que, a rigor, usou-o duas vezes até aqui e se deu bem, contra Corinthians e São Caetano) estão na deles.

Agora há pouco Luxemburgo disse o que tinha a dizer a um repórter que se queixou do prejuízo causado às transmissões de TV que necessitam dos nomes para pôr no gerador de caracteres.

"O problema aí, me desculpe, é de vocês. Não queiram que eu resolva seus problemas, porque tenho de resolver os meus", foi o sentido das palavras de Luxemburgo.

Com toda razão, diga-se de passagem.

Por Juca Kfouri às 23h42

Agora quem é líder é o Santos

Num jogo eletrizante, o Santos ganhou fora da casa do São Caetano por 3 a 2 e assumiu, com um jogo a mais que o Palmeiras, a liderança do Paulista.

O ataque que não vinha fazendo gols, funcionou.

Mais que isso, marcou três belos gols, com Tabata, Fabinho e Léo Lima.

E a defesa, que vinha segurando, tomou dois gols, um deles, o primeiro quando o time já vencia por 2 a 0, fruto de uma bola mal atrasada numa saída de gol desnecessária de Roger.

Já o segundo foi mesmo um belo gol de Marcelinho.

Fato é que com uma equipe limitada, o Santos já foi mais longe do que se poderia imaginar.

E mereceu a vitória, pois teve mais domínio do jogo e criou mais chances que o Azulão que, lembremos, derrotou o Corinthians no ABC.

Agora, com 12 jogos e 28 pontos, como o São Paulo também com 12 jogos mas com 26 pontos,  o Santos recebe o Palmeiras, que tem 11 jogos e 26 pontos, na Vila Belmiro no domingo.

Um senhor clássico.

Por Juca Kfouri às 23h06

01/03/2006

No caminho do tetra

O Caracas é fraquíssimo e candidato a levar de oito no Morumbi.

O jogo foi ruim, como o gramado, e sonolento.

E o São Paulo esteve irreconhecível, como se as ausências de Rogério e Lugano tirassem sua personalidade.

Mesmo assim o tricolor começou com vitória, e fora de casa, sua caminhada em busca do tetra na Libertadores.

Ganhou de 2 a 1, com gols de Danilo, para variar, e Aloísio, um dos poucos que jogaram bem.

No fim, o São Paulo ainda arrumou de sofrer, vítima de um pênalti que só o árbitro viu.

Libertadores é assim.

A tensão da estréia, a estranheza diante de um gramado que não permitia jogar pelo chão, um erro do árbitro e, de repente, o fácil se complica.

Valeu pela vitória.

Por Juca Kfouri às 22h56

A diferença

Quem estiver vendo Croácia 1, Argentina 2, intervalo de jogo, está vendo um jogo.

Um jogo de futebol, disputado num gramado suiço, na Basiléia.

Está frio, como em quase toda a Europa.

Mas não a ponto de impedir que haja um jogo.

Um jogo de futebol.

Pato Abondanzieri falhou feio logo de cara, no gol croata.

Mas Tevez e Messi trataram de virar o placar ainda antes dos sete minutos de jogo.

Jogo de futebol.

Por Juca Kfouri às 16h19

É preciso dizer

É preciso dizer que o primeiro jogo da Seleção Brasileira foi em 1914.

Portanto o jogo de hoje não foi o com a temperatura mais baixa em "mais de 100 anos" de história da Seleção, como foi dito na transmissão.

É preciso dizer que Cicinho dava condição de jogo ao meia russo que estaria em posição de impedimento no gol mal anulado.

Portanto nem era caso de impedimento passivo como também foi dito na transmissão.

É preciso dizer que nenhum dos amistosos de hoje que envolvem grandes seleções foi, será ou está sendo disputado em temperaturas que sequer se aproximem da de Moscou. E só por isso a Croácia recebe a Argentina na Suiça e não em sua casa.

Portanto estava errada a informação dada no começo da transmissão, em aparente tentativa de minimizar o absurdo do amistoso da Seleção.

Finalmente, alguém precisa avisar Cicinho, candidato a substituto do capitão Cafu, que jogador atendido dentro de campo tem de sair para depois voltar, coisa que sua impaciência com a orientação do árbitro revelou que ele desconhece.

Além de Rogério Ceni, outra atuação primorosa hoje foi a do jornalista Marcos Uchôa.

Por Juca Kfouri às 14h29

Serviu pra quê?

Felizmente ninguém se machucou, distendeu músculo ou coisas do gênero.

E a Seleção ainda ganhou com um gol sem querer de Ronaldo.

De resto, serviu para ver um árbitro suiço marcar impedimento sem precisão no que seria o gol de empate russo e não dar um pênalti contra a Seleção Brasileira.

Serviu também para mostrar aos que quem não tem implicância que Rogério Ceni tem lugar entre os goleiros.

E que a dupla Ronaldo&Adriano está precisando perder quilos e ganhar mobilidade.

Mas não dá para cobrar nada de ninguém, porque o que se viu em Moscou não foi futebol, mas, sim, um sacríficio desnecessário. 

Festa mesmo só para as placas de cerveja.

Você veja só se é possível fazer merchan com uma seleção pentacampeã mundial, 20 graus negativos.

Por Juca Kfouri às 14h02

28/02/2006

Chá quente, lama gelada

A Seleção Brasileira entra em campo às 13h (horário de Brasília) desta quarta-feira para o mais inoportuno de todos os amistosos inoportunos que disputou recentemente.

O problema agora não está nem na insignificância do adversário, a Rússia, nem na distância da viagem.

O problema agora é o frio.

E que frio!

Prevê-se que a temperatura em Moscou estará na casa dos 11 graus negativos.

Frio de gelar a alma e congelar os dedos dos pés e das mãos.

Frio de queimar a pele.

Frio que os executivos da Ambev que inventaram o amistoso para vender cerveja na Rússia não sentirão no gramado, por dois motivos:

em primeiro lugar porque não há gramado e sim lama, lama gelada;

em segundo porque os executivos ficarão com os cartolas em cabines com calefação, certamente tomando vodka gelada para esquentar ou chá quente -- quem sabe se o chá de cadeira, o chá dos que esperam pela queda de Ricardo Teixeira.

Parece mentira que pouco mais de três meses antes de a Copa começar o time brasileiro seja submetido a tamanha estupidez.

Será uma grande vitória se a Seleção voltar de Moscou sem ninguém arrebentado.

 

 

Por Juca Kfouri às 21h21

Memorial do Corinthians

Com um certo atraso, visitei hoje o Memorial do Corinthians.

Trata-se de um programa imperdível para os corintianos.

Custa R$ 15 para os não sócios em feriados (R$ 10 em dias úteis, a metade para sócios) e vale a pena.

Desde a entrada, onde numa espécie de arena telões reproduzem os diversos cânticos da torcida, até o segundo andar, com a sala dos troféus menos importantes (os mais significativos estão no primeiro), há de tudo.

Fotografias em tamanho natural dos principais ídolos, uma sala de vídeo com telão onde se conta a história alvinegra muito bem editada, bolas antigas, camisas antigas (aí é visível a falta dos uniformes dos primórdios), jogos eletrônicos nos quais o torcedor escolhe equipes campeãs para as partidas, um imenso painel com fotos de quase tudo que é importante na trajetória do clube e uma bem bolada linha do tempo.

Conheço o ótimo Museu do São Paulo, que é pioneiro, e não conheço o do Santos que, dizem, ser também belíssimo.

Mas este do Corinthians, até por ser o mais recente, é mesmo de cair o queixo.

Por Juca Kfouri às 15h02

27/02/2006

Exemplar, meu caro Pérez

O presidente do Real Madrid renunciou.

Florentino Pérez achou que estava na hora de dar uma sacudida no "clube do século XX."

E olhe que ele levou para o Santiago Bernabeu o que de mais fino (e de mais brega) há no mundo do futebol.

E trocou de técnico como se troca por aqui, sem a menor cerimônia.

De repente, parece que se tocou.

"Se já fiz de tudo e não deu certo, vai ver que o problema sou eu", há de ter pensado.

Bingo!

E vazou, como se diz.

Que bom seria se o exemplo dele fosse seguido no Brasil, no Vasco, no Flamengo, no Fluminense, Galo, Cruzeiro, Bahia, Vitória, Sport, Corinthians, Santos, Coritiba, Furacão, tantos... 

Por Juca Kfouri às 19h57

Um pedido

Peço aos caros blogueiros que entrem no blogue "A coisa aqui tá preta", o primeiro da coluna aí da esquerda, com as minhas indicações.

Leiam a "Carta Aberta aos Comunicadores".

Trata-se de um texto tão alentado como verdadeiro.

E volto a insistir para que nosso espaço não seja ocupado para trocas de ofensas ou difamações contra quem quer que seja.

Tem sido comum escapar coisas do gênero, pelo que me penitencio, mas quero ressaltar que tentaremos (todos aqueles do UOL que têm a responsabilidade de aprovar os comentários e eu) ser menos complacentes daqui por diante.

Quem quiser difamar, caluniar, injuriar, que abra um blogue e arque com as consequências.

É preciso não confundir censura com o necessário cuidado contra a difusão de insanidades.

Peço até mesmo que não se usem mais as formas provocadoras de tratar torcedores de a, b, c ou d, porque em nada colaboram para que tenhamos paz nos estádios.  

Por Juca Kfouri às 18h43

Coluna desta segunda-feira, na FOLHA

FUTEBOL

Um país anestesiado
JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

As pesquisas revelam que nós, brasileiros, avaliamos que a corrupção é suportável se há progresso econômico.
Em resumo: se governos roubam, mas fazem, tudo bem.
Como se a corrupção não tivesse influência direta na taxa de miserabilidade de nosso povo.
Mas parece que nada mais choca a população, nada a indigna em qualquer área, incluindo, é claro, a do esporte.
Na semana passada, o Tribunal de Contas da União tornou público um relatório que analisa o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, menina dos olhos de Agnelo Queiroz -candidato ao governo ou ao Senado no Distrito Federal, pelo PC do B.
Pois entrou areia, para não dizer lama, na menina dos olhos do programa que atende alardeadas mais de 1 milhão de crianças, números jamais demonstrados.
Também, pudera. O Tribunal de Contas União mostra que embora cada núcleo do Segundo Tempo deva atender, segundo seu Manual de Diretrizes, 200 crianças, 49,9% atendem menos de 150. O manual diz, ainda, que cada núcleo deve oferecer atividades esportivas três vezes por semana e duas horas por dia e promover duas atividades coletivas e uma individual. Pois o TCU prova que 58% dos núcleos não oferecem atividades duas horas por dia e três vezes por semana, além de que 43,2% não promovem atividades individuais.
Tem mais.
Não se respeita, em 53,8% dos núcleos, o princípio de que os mais carentes tenham prioridade, com as inscrições feitas simplesmente por ordem de chegada.
E, mais grave, é textual no relatório do TCU: "Muitos núcleos não têm recebido reforço alimentar adequado às necessidades dos beneficiários do programa. O Ministério do Esporte repassa recursos para a compra e distribuição de merenda para os núcleos. Entretanto, a pesquisa postal indicou que 28,4% dos núcleos nunca receberam o reforço alimentar. Dentre os que receberam, 39,2% disseram oferecer apenas biscoito com refrigerante ou suco, o que não atende ao objetivo do Segundo Tempo de promover hábitos saudáveis de nutrição".
A repercussão do relatório limitou-se a uma nota no "Painel FC" desta Folha e à reprodução de seus trechos mais importantes em meu blog e em meu programa de rádio na CBN.
Não é à toa que o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça, pego em mordomias pelo "Globo", minimize a denúncia e argumente que dirige uma entidade privada, apesar de receber recursos públicos provenientes da Lei Piva e ser fortemente patrocinado por uma empresa estatal, o Banco do Brasil.
Afinal, o vôlei deve ser o esporte mais vitorioso do país hoje em dia, e, se seu dirigente usa um automóvel igual ao do presidente da República (um Omega canadense), talvez o cartola até pergunte: "O que fez o Lula para tanto? Eu fiz!". E, feliz, o Brasil, sob anestesia geral, concordará.
Ainda mais no Carnaval.

Caso exemplar
O Instituto Bombeiros Amigos da Vida (Ibav), em Brasília, promove o Segundo Tempo e não atende a 200 crianças. As que atende, quando castigadas, são postas para fazer o trabalho dos bombeiros, na limpeza de banheiros, lavagem de louça, das paredes etc. Certa tarde, termômetro marcando 32C, 12% de umidade no Planalto, crianças sapecas ficaram 40 minutos em posição de sentido, imóveis, obrigadas a cantar o Hino Nacional, sob o sol, contra tudo o que está no Estatuto da Criança e do Adolescente. Uma professora do núcleo, Cecília Maria Simplício, denunciou. Acabou demitida. Ela denuncia, também, estranhos casos de adiantamentos salariais que se transformam em "doações espontâneas". O Ministério Público agirá.

 

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Por Juca Kfouri às 09h50

26/02/2006

Coluna deste domingo, na FOLHA

Exemplos argentinos
JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

O torcedor argentino deu dois exemplos antagônicos na semana que passou durante dois jogos da Taça Libertadores da América.
O primeiro foi dado pela torcida do Estudiantes.
Jogando em casa, o time perdia para o Sporting Cristal, do Peru, por 3 a 0, ainda no primeiro tempo. Uma humilhação.
Pois eis que nem no intervalo a massa parou de cantar o nome de seu time.
A volta ao campo, então, foi apoteótica. Parecia que o Estudiantes goleava.
Tão comovente, tão tocante, tão emocionante era a demonstração dos torcedores que o Estudiantes, para retribuir, virou.
Eram 23 mil vozes enlouquecidas no estádio Centenário de Quilmes, porque o do Estudiantes, em La Plata, está interditado.
Logo aos 10min do segundo tempo, o Estudiantes diminui a vantagem peruana. A hinchada delirou.
Aos 20min, fez 2 a 3. Os fanáticos já não sabiam o que fazer.
Aos 34min, o empate. Foram à loucura, ao êxtase.
Já estava de bom tamanho, e a festa, plenamente justificada.
Mas só estava de bom tamanho para quem via o jogo pela TV, em transe, incrédulo.
Porque nas arquibancadas e no gramado, 23.011 apaixonados queriam mais.
E conseguiram, no derradeiro minuto, o quarto, o gol da vitória.
Simplesmente indescritível o que se viu a seguir.
O Estudiantes era campeão mundial. E era, creia.
Coisa parecida só tinha visto quando o Vasco virou na mesma situação para cima do Palmeiras, na decisão da Copa Mercosul, em 2000, mas no Parque Antarctica.
Mais épico por um lado, porque foi na casa do adversário, mas, e aí é que mora a diferença de comportamento entre as torcidas argentinas e brasileiras, mais fácil por outro lado, porque, se a decisão tivesse ocorrido em São Januário, os vascaínos, com três gols de desvantagem, gritariam olé a cada passe palmeirense.
Rubro-negros, corintianos, cruzeirenses, colorados, quase todos os nossos torcedores fariam o mesmo, exceção feita, na Libertadores, aos são-paulinos, que sabem, e talvez por isso sejam tricampeões, que nela não cabem vaias e silêncios, só cabe apoiar o time em quaisquer circunstâncias e até o fim.
Como, na quinta-feira, fizeram os torcedores do Rosario Central, também em casa, mesmo diante da derrota para os paraguaios do Cerro Porteño, por 2 a 0.
No fim do jogo, ainda acharam de abrir uma bandeiraça azul e amarela, com uma enorme inscrição - Los Guerreros.
E tome cantoria. E o mau exemplo. Porque, aí, passaram dos limites e atiraram rojões para dentro do gramado até atingir o goleiro do Cerro Porteño, razão pela qual o estádio Gigante de Arroyito, onde está previsto que o Palmeiras jogue, deva ser interditado.
Se bem que, se for, e o jogo acabar transferido para Quilmes, o sufoco não será menor...
Para ganhar a Libertadores, é preciso saber torcer.

Indigestão
Ao contrário do que todos pensam, a frase "Vocês vão ter que me engolir", de Mario Jorge Lobo Zagallo, não foi proferida pela primeira vez depois da conquista do título da Copa América pela seleção brasileira, em 1997, na Bolívia, quando dedicada a dois jornalistas, um dos quais este colunista. Na véspera da decisão do Campeonato Mundial de 1994 contra a Itália, no dia 17 de julho, nos Estados Unidos, em entrevista a esta Folha, ao repórter Mário Magalhães (que tanta falta faz neste espaço), o velho Lobo destacou: "O senhor passou a última semana desabafando. Por quê?". "Porque sou o primeiro cara no mundo a ficar entre os quatro primeiros colocados em cinco Copas do Mundo. A chegar a quatro finais. Se ninguém faz, eu faço a minha própria propaganda. É um recorde, é inédito. Vão ter que me engolir."

 

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@ - blogdojuca@uol.com.br

Por Juca Kfouri às 10h00

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico