Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

11/03/2006

Fantasmas sabáticos

No Canindé, o fantasma da demissão de Leão rondou o Palmeiras no primeiro tempo.

A Lusa fez 1 a 0 e não fez o segundo gol por muito pouco.

Mas no segundo tempo tudo mudou.

E o Palmeiras virou para se manter vivo ainda no Paulista, com méritos.

O time, ao menos, teve força, embora o futebol seja aquele que se sabe.

Já no Maracanã, o Flamengo dominou o jogo diante do Volta Redonda.

Mas o fantasma da ineficiência continua a morar na Gávea e fato foi que o time quase não levou perigo ao gol adversário, ao contrário do Voltaço, mais perigoso nas poucas vezes em que chegou.

Resultado: 0 a 0 e os sonhos do rubro-negro outra vez transformados em pesadelos.

Pesadelo mesmo, no entanto, vivem o Real Madrid e Ronaldo.

O time do século XX também ficou no 0 a 0 com o Valencia.

Ronaldo só entrou aos 17 do segundo tempo, dominou a bola com a mão, sofreu um pênalti em seguida, aos 45, e o cobrou nas mãos do goleiro aos 47.

Falar mais o quê?

 

Por Juca Kfouri às 19h37

Ignorância

Vanderlei Luxemburgo criticou a onda anti-racista, com o surrado argumento que faz parte do futebol depreciar o adversário.

E disse que ele mesmo faz isso e que chama alguns de seus comandados de "picolés do asfalto".

Mas que nem por isso é racista, "até porque tenho um pé na senzala", afirmou.

Pode não ser.

É, apenas, ignorante.

E bote ignorante nisso.

Por Juca Kfouri às 01h48

10/03/2006

Matthäus, primeiro rolo

A notícia nem é nova, pois da sexta-feira passada.

Mas o relato é delicioso e trouxe conseqüências, como restrições à cobertura do Atlético Paranaense, imposta por Mário Celso Petraglia, candidato a Eurico Miranda das Araucárias.

Dê um tempinho para a leitura do que segue abaixo, de autoria de Dante Mendonça, publicado em "A tribuna do Paraná".

 

O craque Matthäus dispensa adjetivos.

Na sexta-feira (passada), bem poderia também ter dispensado os adjetivos e insultos contra Jader Rocha, fotógrafo de reconhecida competência e colunista do jornal "O Estado do Paraná".

Do alto de seu pedestal, Lothar Matthäus devia ter ficado mudo, como convém a um ícone do futebol mundial.

Falou o que não devia e tombou no mármore do Hotel Rayon.

Foi o desfecho lamentável do filme triste que tem a trilha sonora dos Rolling Stones, os cenários exuberantes de Copacabana e cenas de tensão em Foz do Iguaçu, onde a trama começa.

Depois de comandar o Atlético em São Luiz do Maranhão, pela Copa do Brasil, numa quarta-feira, Matthäus fez escala no Rio de Janeiro para assistir ao show dos Stones, no sábado, ao lado de Beckenbauer e mais um time de astros e estrelas na área vip.

Não faltaram fotógrafos, não faltaram poses.

Na manhã seguinte, um avião particular levou Matthäus a Foz do Iguaçu.

 O Atlético jogaria em Rolândia, no Norte, pelo Campeonato Paranaense.

Lá, o Rubro-Negro se deu bem e o alemão também, já que a cidade é de colonização tedesca.

Após a goleada atleticana, o técnico retornou a Foz do Iguaçu.

Os motivos que levaram Matthäus ao périplo de Oeste a Norte e de volta ao Oeste foram de ordem legal, para regularizar seu visto de turista.

E também para isso o Paraguai serve, além das compras do tradutor de Matthäus, que precipitou a parte triste deste filme.

Sabendo que o alemão precisaria forçosamente ficar na segunda-feira em Foz, para carimbar o passaporte na fronteira, a revista "Caras" pautou ensaio fotográfico de Jader Rocha, com Lothar Matthäus junto às cataratas.

A produção de Jader foi à altura do astro: reservou acesso especial ao Parque Iguaçu, acompanhado de autoridades locais.

Até os quatis se perfilaram para recepcionar o privilegiado turista alemão.

Tudo nos conformes, não fossem as compras paraguaias do tradutor de Matthäus, fora da agenda e do percurso, que deixou o alemão uma arara, bem mais brava que as nativas da região.

Mesmo assim, o jornalista Jader Rocha conseguiu levar a arara até a borda das cataratas.

Só não conseguiu cumprir a pauta, fazer a arara posar para os retratos.

Por um capricho de paciência dos deuses do futebol, Lothar Matthaüs destratou Jader Rocha, não cumprimentou nem os quatis perfilados e tomou o rumo de Curitiba.

Assim, a "Caras" ficou sem a cara famosa.

*****

No meio desse filme triste, a revista "Placar" da semana passada publicou reportagem de duas páginas analisando a vinda de Matthäus para os campos do Paraná: "Dupla face: ao contratar Matthäus, o Atlético-PR empolgou seus torcedores e ganhou visibilidade. Mas trouxe um técnico temperamental e com péssima reputação".

Certo ou errado, o repórter Frank Kohl reportou o que viu e ouviu. Equivocada e desastrosa era a legenda da foto de Matthäus junto da bela jornalista Delisiê Teixeira, repórter da Globo paranaense "Marijiana e Matthäus: eles vão morar juntos só depois da Copa".

Com a revista em mãos, quem ficou uma arara foi a mulher do técnico, a sérvia-montenegrina Marijiana. Matthäus virou apenas uma onça. Arara e onça estão processando a revista "Placar".

******

Na quarta-feira, o Atlético empatou com J. Malucelli, time do banqueiro Joel Malucelli. Aliás, também vítima de foto trocada na mesma edição da "Placar". Joel é pessoa gentil e cordial: ligou para os editores e simplesmente solicitou a publicação de errata na próxima edição. Nada mais, nada menos.

Ganhando de um a zero, o Furacão da Baixada deixou empatar no final do segundo tempo. Na lateral do campo, o técnico mostrou suas garras ao bandeirinha e à torcida, que ainda não conhecia o outro lado do astro.

******

O jornalista Jader Rocha é profissional como poucos: titular de concorrida coluna de variedades no jornal "O Estado do Paraná", é experiente fotógrafo free-lancer de publicações nacionais e internacionais: as revistas "Caras", "Veja", "Placar" (fotos e legendas trocadas não são dele, frise-se) e o semanário alemão "Der Spiegel", por exemplo.

Foi acompanhado de jornalista desta revista que Jader se dirigiu ao Hotel Rayon, na manhã de sexta-feira, 3 de março, para fotografar Matthäus sendo entrevistado pelo enviado especial da Alemanha.

Arara ou onça, tanto faz. Quando Lothar Matthäus botou os olhos em Jader de estatura baixa, gordinho, pele morena e com os cabelos encaracolados num descontraído rabo-de-cavalo, fazendo o gênero paz e amor dos anos 70s, o dedo em riste do alemão veio em direção ao nariz do fotógrafo, acompanhado de palavrões que deixariam Goethe e Shakespeare ruborizados: do inglês, "son of bitch!" e "mother fucker!" foram duas das frases que acompanharam o dedo em riste. Outros insultos, em alemão, nem os seguranças de Lothar entenderam.

Depois de muito humilhado, o fotógrafo tomou o telefone celular e ligou para outro colega fazer as fotos. Assim que o profissional botou o celular no bolso, Matthäus voltou a investir com o dedo em riste e os mesmos insultos.

Um segundo, dois segundos, uma eternidade, a honra não conta o tempo.

A celebridade jamais esperava que daquele gordinho de pele morena e cabelos encaracolados, um punho se fechasse e um braço se erguesse.

Um murro apenas, num olho apenas, assim foi a queda do rei da Baviera.

 

Por Juca Kfouri às 12h13

Duas belas maldades

Da coluna de Renato Maurício Prado, no "Globo" de hoje:

No comercial do Santander, uma das peças veiculada agora mostra Roberto Carlos, ao lado do Cafu e do Ronaldo, dizendo fazer parte do melhor banco do mundo. Que dica, hein?


Quem cairá primeiro? O Lopez Caro, do Real Madrid, ou o Lopes “Barato”, do Corinthians?

 

Por Juca Kfouri às 01h01

A CIMEIRA LONDRINA... a piscina, a bocha e a peteca

Em mais um capítulo do desentendimento, que vem ocorrendo entre o Corinthians e sua parceira MSI, realiza-se ao longo das últimas semanas mais um encontro londrino entre diretores do clube e os "investidores" da parceria.
Destas reuniões entre os corinthianos e os investidores, que os diretores do Timão dizem não conhecer, nem delas participar, muitas são as notícias que chegam à imprensa sobre as desavenças existentes.
Divergem, segundo os jornalistas, nos valores de investimento, sobre a oportunidade de contratação de jogadores, sobre questões relativas à construção do estádio etc. Não há dia em que um dos dois lados não fale "em off" para jornais, transmitindo suas posições e até algumas ameaças, dentre as quais a exigência de que o presidente da MSI seja afastado, ou até de diretores declarando-se esgotados e prometendo se demitir "caso Kia continue por aqui."

Não obstante essas notícias todas possam ter um ou outro ponto de verdade, pouco se está esclarecendo sobre a essência dos desentendimentos. Os diretores da MSI querem simplesmente cumprir o contrato que fizeram, alegando que nada devem, que tudo já pagaram e que é hora de colher os frutos. Pelo lado do Corinthians, todas as exigências que são feitas, incluindo a saída do principal dirigente da parceira até questões de investimento, também encobrem a essência do que quer o clube.

Na verdade, o que deseja o Timão é continuar recebendo um certo valor para o clube social. Neste primeiro ano de contrato, a MSI estava obrigada a repassar R$600 mil por mês para as atividades sociais e olímpicas do Corinthians. Assim, a piscina, a bocha, a peteca, a festa junina, os bailes, o restaurante, as reformas e pinturas, tudo conseguiu andar graças ao subsídio repassado nesse ano da gestão MSI. A partir de agora, o contrato não garante mais a transferência desses recursos e o clube social e olímpico terá que viver de suas próprias receitas e da venda de jogadores revelados nas categorias de base.

Outra renda não haverá e aí está o ponto de maior problema para o Corinthians, pois a discussão com a MSI visa encontrar uma forma de financiamento para o clube social. Para os investidores, no entanto, a questão do clube social é irrelevante e lhes interessa somente comprar, vender, emprestar jogadores, ou, em poucas palavras, lidar com o negócio futebol.

Embora os diretores do Corinthians não digam em público, consideram-se credores para que o clube continue recebendo uma verba a fundo perdido, que financie suas atividades sociais, mas não por alguma cláusula contratual.
O contrato é ruim para o clube, que repassou todo o departamento de futebol para a MSI, em troca do pagamento de algumas dívidas e de um aporte, por 12 meses, para a área social, mas para os corinthianos eles fizeram mais do que cumprir esse contrato ruim, ajudaram a estes investidores problemáticos, que ainda hoje não podem revelar seus nomes, a se esconder. Inventaram histórias de magnatas ingleses, quando, na realidade, conversavam com bilionários corridos do leste europeu. 

Essa colaboração, feita na informalidade, levou-os inclusive a deixar de cumprir cláusulas contratuais, como a exigência de caução para facilitar as coisas para a MSI, ou, até mesmo, convivendo com duvidosas operações cambiais feitas pelos tais investidores. Intimados por autoridades da polícia e do Ministério Público, informaram desconhecer investidores e operações, embora constando que com eles se reúnam rotineiramente.

Caso aceitem manter o aporte mensal ao social, as desavenças desaparecerão, Kia voltará a ser um magnata inglês, brilhante e rico, do contrário, a guerra mútua continuará.

É por esta colaboração - que está à margem do contrato - que os diretores do Corinthians querem um tratamento mais cavalheiresco por parte dos investidores. Por isso foram levados a acreditar que removeriam o Sr. Kia Joorabchian ou conseguiriam qualquer outra vantagem na relação com os investidores. A crise, portanto, não é do futebol, nem de jogadores ou técnico, a crise é, e continua sendo, do clube social que tem um déficit mensal em cerca de R$500 mil e que precisa ser coberto por negociação de jogadores ou por beneméritas contribuições londrinas. O caminho correto seria reduzir os gastos sociais às suas próprias receitas, procurando não comprometer o futebol, mas isto afetaria interesses de dentro da estrutura da área social.

MARCELINHO-LUIZÃO

A volta de Marcelinho Carioca para o clube, com todo o barulho que provoca, pouco tem a ver com o futebol. Marcelinho é um jogador que tem história no Corinthians: ganhou títulos, marcou gols memoráveis, fez tudo que uma grande estrela poderia fazer. Seu retorno nos dias atuais resolve, em primeiro lugar, um problema grave para o jogador, que perdeu a ação que movia contra o clube e poderia ter que pagar ao final da demanda valores acima de R$8 milhões. Com bens já penhorados e as perspectivas ruins do final do processo, para o jogador o acordo passa a ser importante. Mas não esperemos dele o atleta de 15 anos atrás, nem os mesmos gols e jogadas. De quebra, dizem os diretores do Corinthians, que o negócio ajuda o clube a resolver o Caso Luizão e desonera o Timão deste complicado imbróglio trabalhista.
A questão futebol aí é secundária.

Antonio Roque Citadini
Conselheiro vitalício do SC Corinthians Paulista
9/3/2006

Por Juca Kfouri às 23h57

Tinha de ser o Corinthians

Depois de 13 participações sem derrotas na Libertadores (ou de 17, a considerar a primeira fase), um time brasileiro perdeu.

Exatamente o campeão de 2005, o Corinthians.

O elenco milionário entrou em campo com Johny Herrera, Wendel, Marcos Vinicius e Betão na defesa...

E o primeiro tempo transcorreu morno, sem chances muito agudas para nenhum lado, embora tanto Tevez (mal) quanto Nilmar (sumido) tenham tido as melhores possibilidades de gol.

Roger e Ricardinho tampouco criaram o que deles se espera, mas o Tigres mexicano também não assustava.

Parecia claro que o jogo seria decidido mais num erro, como quase Mascherano (também mal) proporcionou, do que num acerto.

E foi o que aconteceu.

Como é usual nas participações corintianas na Libertadores, desta vez foi Marcelo Mattos quem fez a lambança, ao dar um carrinho criminoso, no campo de ataque alvinegro, aos 5 minutos do segundo tempo, e receber o primeiro cartão do jogo.

Vermelho, porém, e com justiça.

Lembrou o lateral-esquerdo Kléber, hoje no Santos, contra o River Plate.

Dois minutos depois, Wendel, contra, abriu o placar para os mexicanos.

O mais fácil agora será culpar o técnico Antonio Lopes, que é fraco mesmo, embora o problema maior esteja no desequilíbrio de um time sem defesa.

Quando o ataque não funciona, dá no que deu.

Se não bastasse, Tevez fez uma falta feia aos 28, levou cartão amarelo e a pior, porque se machucou e teve de ser substituído por Renato.

O segundo gol mexicano passou a ser uma questão de tempo e até que saiu tarde, só aos 43.

A classificação, isso mesmo, a classificação corintiana já está ameaçada e o jogo de volta contra o Tigres, dia 22 deste mês, passa a ser dramaticamente decisivo.

 

Por Juca Kfouri às 23h33

09/03/2006

Te cuida, Fogão!

O próximo adversário do Botafogo, campeão da Taça Guanabara, na Copa do Brasil, é o Ipatinga, último campeão mineiro.

E que está invicto há 21 jogos, com 13 vitórias, desde o dia 22 de outubro do ano passado. 

 

Por Juca Kfouri às 21h15

Bicão na comitiva

Há três semanas em Londres (quem está pagando a conta, alías?), o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, fez o que pode para entrar na comitiva presidencial que foi recebida pela rainha Elisabeth 2o., da Inglaterra, no Palácio de Buckingham.

Até o secretário pessoal de Lula, Gilberto Carvalho, foi acionado.

Evidentemente, em vão.

Dualib ficou fora do banquete e perdeu a chance de mostrar prestígio para o bilionário, e fugitivo da Rússia, Boris Berezovski.


 

Por Juca Kfouri às 16h37

Agnelo em segundo lugar!

Pesquisa realizada no Distrito Federal pelo instituto Soma Opinião&Mercado, com vistas às eleições para governador de Brasília, revela que com 51% de indicações, o ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, está em segundo lugar.

Para azar dele, no entanto, ocupa tal posição no quesito REJEIÇÃO.

Sim, ele é o segundo candidato mais rejeitado.

No item "preferências", está em modesto quarto, e último lugar, com apenas 14% de intenção de voto.

A pesquisa completa está no Caderno Brasília, do "Jornal do Brasil" de hoje. (http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasilia/2006/03/08/jorbrs20060308001.html)

 

Por Juca Kfouri às 11h00

13 da sorte

O técnico é Abel Braga, não Zagallo.

Mas na 13o. participação brasileira na Libertadores-2006, o Inter deu-se muito bem.

Ganhou do Pumas por 2 a 1 nas alturas da Cidade do México.

E ganhou porque soube jogar com a cabeça e também com o coração.

Com a cabeça durante todo o primeiro tempo, que disputou fazendo a bola correr mais que os jogadores, consciente de que no segundo tempo o fôlego poderia faltar.

Só se deu mal no finzinho, quando, em vez de usar a cabeça, o lateral Ceará usou o peito para atrasar uma bola para Clemer e acabou entregando o gol que o Pumas não merecia.

No segundo tempo o Inter precisou usar o coração para virar. além de Renteria.

Que entrou aos 18 minutos e 30 segundos depois fez 1 a 1, no rebote de um belo toque de Fernandão que o goleiro mexicano rebateu.

E devolveu a gentileza para Fernandão mais adiante, em ótimo passe que resultou no gol da vitória brasileira, a oitava em 13 jogos sem derrotas.

O Inter está firme e mostra que leva a sério, muito a sério, o sonho da Libertadores.

Por Juca Kfouri às 00h54

Bahia de todos os diabos

O Bahia, primeiro campeão da Taça Brasil, campeão brasileiro de 1988, dono de uma das maiores e mais festivas torcidas do país, segue aos trancos e barrancos no Campeonato Baiano e acaba de ser eliminado da Copa do Brasil, pelo Ceilândia-DF, ao perder na Fonte Nova por 2 a 1.

A pergunta é: até quando a torcida suportará?

Até no futebol, o "genial" Daniel Dantas só fez estragos.

 

Por Juca Kfouri às 00h24

08/03/2006

São Paulo, com sobras

Logo de cara, aos 2 minutos, Fabão bateu falta com violência e fez São Paulo 1, Cienciano 0.

O que já parecia fácil, virou moleza.

Ainda mais depois que Alex Dias, de cabeça, fez o segundo.

O tricolor passou a treinar, já pensando no Corinthians, adversário do próximo domingo, pelo Paulista.

Só que o Cienciano diminuiu numa cochilada geral da defesa são paulina, que esperou pela marcação de um impedimento inexistente.

E, aí, até Rogério Ceni precisou trabalhar.

Mas veio o segundo tempo e, embora sem jogar o que se esperava, o São Paulo foi levando, sem sustos.

Até que Muricy, corretamente, mas sob reclamação da torcida, tirou Alex Dias e pôs Thiago.

O torcedor queria Thiago, só que no lugar de Aloísio, sem perceber que o time perderia uma referência na área.

Logo no primeiro lance de Thiago, mesmo sem ângulo, ele levou perigo.

Em seguida, colocou-se bem para receber de Aloísio e a defesa do Cienciano precisou mandar para escanteio.

Então, o goleiro peruano socou uma bola para a entrada da área.

De peito de pé, o menino Thiago pegou um foguete e fez 3 a 1.

A titularidade de Thiago é uma questão, apenas, de tempo.

Depois Souza ainda fez o quarto, para festa ainda maior de 30 mil torcedores que, como é usual na Libertadores, não pararam de cantar no Morumbi.

Pena que o São Paulo viu Fabão sair com dor nas costas (uma dor que já o incomoda não é de hoje) e, pior, perdeu Júnior, provavelmente com distensão muscular.

Mas ganhou os seis pontos que disputou até agora.

No embalo do tetra.

Por Juca Kfouri às 22h42

Copa do Brasil

O Flamengo ganhou do ASA, 2 a 1, e segue vivo na Copa do Brasil.

Vivo?

Sim, vivo e vaiado no Maracanã.

Porque não só sofreu para vencer o time alagoano como, ainda por cima, tomou duas bolas no travessão.

Já o São Caetano, quem diria, enfiou 4 a 1 no fortíssimo Cabofriense, depois de um milagroso empate em Cabo Frio, motivo de muita comemoração de alguns blogueiros.

E também seguiu adiante.

Esse Azulão...

Por Juca Kfouri às 21h54

Paulista, anos 60

Desde o último domingo, quando o São Bento ganhou do São Paulo e o Corinthians só empatou com o Marília, os pequenos resolveram aprontar no Campeonato Paulista como têm aprontado no do Rio.

E o América de São José do Rio Preto provou isso por a+b+c+d no Parque Antarctica.

Enfiou 4 a 1 no Palmeiras numa noite em que o grande começou ganhando e levou a virada.

A ironia é que para tanto muito colaboraram tanto um goleiro palmeirense emprestado ao América, o bom menino André Zuba, quanto um ex-goleiro palmeirense, o atual técnico Emerson Leão, que foi muito mal nas substituições ao tirar Juninho Paulista e Edmundo, além de fazer Lúcio entrar também no segundo tempo.

Parecia os anos 60, quando era comum zebras como essa.

E parece ainda mais porque foi exatamente devido às diferenças que o Santos de Pelé abria nos campeonatos paulistas por pontos corridos que se inventaram os campeonatos repletos de fórmulas mirabolantes.

Agora é o Santos de Luxemburgo que está cinco pontos na frente de seus perseguidores, a seis jogos do fim.

A fila de 21 anos está quase acabando.

 

Por Juca Kfouri às 21h49

Festa brasileira na Copa dos Campeões

Só uma surpresa na atuação do Real Madrid diante do Arsenal:

Roberto Carlos jogou bem.

E já tinha o feito o mesmo no fim de semana, pelo Campeonato Espanhol.

Tomara que seja bom sinal.

Já Ronaldo precisa mesmo parar e entrar em forma.

Até para matar a bola ele tem sofrido.

E, cá entre nós, Zidane não está muito diferente.

Já a zaga do Real lembra muito a do Corinthians. 

Em resumo, dos sete já classificados para as quartas-de-final da Copa do Campeões da Europa (falta ainda a decisão entre Ajax e Inter), todos tem pelo menos um brasileiro, como a Juve (Emerson), o Arsenal (Gilberto Silva) e o Villareal (Marcos Sena).

O Milan tem cinco (Dida, Cafu, Serginho e Kaká e Amoroso, na reserva da reserva), o Lyon quatro (Caçapa, Cris, Juninho Pernambucano e Fred, que fez um gol maravilhoso, hoje, no PSV, depois de ter dado uma engrossada no mesmo lance, corrigida com um drible da vaca com elástico) e o Barcelona tem seis (Belletti, Silvinho, Thiago, Ronaldinho, Edmilson e Déco).

Já o Benfica tem sete: a defesa inteira, do goleiro Moretto (ex-Lusa), Alcides (Santos), Anderson (Corinthians), Luisão (Cruzeiro), a Léo (Santos), passando pelo volante Beto (Sport) e terminando no atacante Geovanni (ex-Cruzeiro), que simplesmente eliminou o Liverpool, atual campeão, com duas vitórias, em Lisboa (1 a 0) e, hoje, em Liverpool (2 a 0).

Ao todo, 25 jogadores brasileiros.

Se der Inter, serão 29, com os reforços de Júlio César, Zé Maria, César e Adriano.

O Ajax não tem brasileiros, desde que o lateral Maxwell foi para o Empoli, rito de passagem para jogar na Inter.

Por Juca Kfouri às 18h21

07/03/2006

Camisa 10

Que a camisa 10 tem uma magia especial nem é preciso dizer.

Pois eis que agora essa magia é contada em prosa e verso num livro que tem exatamente este título: "A magia da CAMISA 10".

Seus autores são André Ribeiro, que já publicou duas boas biografias de Leônidas da Silva e Telê Santana, e o repórter e apresentador do "Cartão Verde", da TV Cultura, Vladir Lemos.

É uma viagem.

E uma viagem original, porque dedicada aos camisas 10 de fato, dinastia inaugurada com pompa e circunstância pelo Rei Pelé, mas que já tinha antecessores e teve, tem e terá uma porção de sucessores.

Mas não só.

Porque trata também dos camisas 10 que não usaram a 10, como Cruyff, que era 14, e Tostão, 10 só no curto período do Vasco, pois célebre 8 no Cruzeiro ( a 10 era de outro gênio, Dirceu Lopes).

Donde se conclui que, antes de mais nada, ser 10 é um estado de espírito.

Conheça, na obra lançada pela Verus Editora, as histórias, entre outros, de Puskas, Di Stéfano, Didi, Rivera, Eusébio, Bobby Charlton, Rivellino, Zico, Gullit, Platini, Maradona, Baggio, Zidane, Rivaldo, Pedro Rocha, Carlitos Tevez, Ademir da Guia, Zizinho, Gérson, Neto, Raí, Alex, e até de Mané Garrincha, o 7 mais 10 de todos os tempos.

O livro será lançado na Bienal do Livro, em São Paulo, entre os dias 9 e 19 deste mês, custará R$34,90 e tem 194 páginas.

No dia 11 haverá tarde de autógrafos a partir das 16h30 no estande da Verus Editora, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, e no dia 19, às 11h, um debate entre os autores e José Roberto Torero, sobre A influência do futebol na cultura do brasileiro, seguido de mais autógrafos.

Por Juca Kfouri às 21h42

O jogo do Barça

Mais uma vez, Ronaldinho Gaúcho foi decisivo.

Deu três ou quatro passes de calcanhar assombrosos, de deixar o Doutor Sócrates invejoso.

Se não bastasse -- e não bastaria -- fez um gol em que misturou seu talento mágico com uma força insuspeita, ao trombar e derrubar o parrudo zagueiro Terry.

O Chelsea ainda empatou no último minuto, num pênalti mal marcado pelo árbitro alemão.

Mas o Barça mereceu, categoricamente, a classificação para as quartas-de-final da Copa dos Campeões da Europa.

Por Juca Kfouri às 21h28

O caso Antonio Carlos

Já são mais de 200 comentários sobre o episódio Antonio Carlos.

A maior parte, contra o zagueiro.

Outros, sem ser a favor, ponderam.

O calor da hora, as especificidades do futebol, atire a primeira pedra etc.

E muitos criticam o teor da nota, por radical, intransigente, julgadora, apressada, leviana, demagógica etc.

Não esperava outra coisa.

Porque o tema mexe naquilo que temos de mais escondido.

Começo pelo que me diz respeito.

Não corro nenhum risco de incorrer em atitudes racistas. E jamais incorri, embora não seja adepto do politicamente correto.

E não vejo diferença entre raças e gosto de vê-las misturadas e adoraria ter uma mulher, um filho, uma neta, diferente de mim.

Sou intolerante com pouquíssimas coisas, como com o racismo, com a corrupção, com a falta de ética.

E digo que a situação está preta do mesmo modo que digo que me deu um branco.

Porque nuvens negras são negras e clarões são alvos.

E, de fato, o título da nota é forte: "Racista infame".

Seria melhor, sem dúvida, "Racismo infame".

Mudarei.

Mas discordo dos que dizem ser este caso igual ao de Desábato.

O argentino, sim, teve uma altercação momentânea e em nenhum momento chamou Grafite de macaco ou mostrou a cor da pele para se distinguir.

Antonio Carlos não só fez isso, como mentiu e continua a mentir sobre o significado do gesto.

Mesmo ao se dizer arrependido e ao pedir desculpas.

O que não significa dizer que ele não possa ter amigos negros etc e tal, velha justificativa que nada justifica.

Provavelmente Adolf Hitler também teve algum amigo judeu.

E é disso que se trata.

Racismo, estupro, seqüestro, são coisas inaceitáveis.

Ah, mas banimento é demais.

Não é não, ainda mais para quem já está em fim de carreira.

Seria exemplar.

Espero ter respondido aos tantos comentários e indagações.

Por Juca Kfouri às 12h46

Leia que vale

DONOS DO PODER NO ESPORTE


 
PATRIMONIALISMO  

Por José Luiz Portella (portella@lancenet.com.br)

 É GOL!
 
   
Os dirigentes esportivos no Brasil pensam que são donos de tudo
A lém de incorreta, a ação do Ari, do Vôlei, foi sem graça.
A justificativa, pior ainda. O dinheiro que entra na CBV cai em um caixa único. Se a entidade compra Ômega é porque pode pagar outras despesas com os recursos oficiais vindos da Lei Piva, do Banco do Brasil e do Ministério do Esporte para a construção do Centro de Treinamento de Saquarema. Sem esses recursos, não sobraria dinheiro para o carro, por si só indevido e demasiado. Sem o menor cabimento.

Mas isso tem uma explicação: o patrimonialismo, que domina nossa política e nosso esporte. Neste, de forma mais atrasada. A Seleção Brasileira de futebol, o maior espetáculo que temos, reconhecido pelo mundo, foi submetida, em Moscou, a sofrimento ridículo. E sem sentido.

Ricardo Teixeira trata o assunto com descaso. Já sabemos. Estranha-se só que os patrocinadores da CBF, tão profissionais no modo de conduzir sua gestão, pisem na bola dessa forma. Mais do que Freud, o patrimonialismo explica.

Patrimonialismo é um conceito trabalhado por Max Weber. Nele, o poder político é exercido, em causa própria, por um grupo social que domina as máquinas política e administrativa para obter benefícios, poder e prestígio.

No Brasil, o conceito ficou conhecido no livro "Os donos do poder", do grande Raymundo Faoro. É só adaptá-lo para o esporte brasileiro. A raiz é a mesma. "Raízes do Brasil", de Sérgio B. de Holanda, também cuidou do assunto.

Por conta do sistema jurídico institucionalizado no Brasil, dirigentes esportivos pensam que são donos de tudo. Apropriam-se física e mentalmente do cargo que ocupam.

Ari caiu na esparrela. Não precisava. Teixeira vive-a há tempos sem querer sair do equívoco. Sentem-se donos de uma estrutura que também é pública, não-governamental e que exige prestação de contas e limites. E ainda querem ser autônomos, banhados por dinheiro e isenções governamentais.

Pior do que eles são os ocupantes de cargos públicos, que poderiam mudar essa situação, mas preferem gozar as benesses do cargo. E não enxergam vinculação entre a Timemania sem contrapartidas e esse patrimonialismo que massacra o esporte.

Eduardo Vianna, o Caixa D´água, foi derrubado com base no Estatuto do Torcedor e na ação do promotor Rodrigo Terra. Graças ao advogado Leven Siano, Eurico Miranda foi condenado em primeira instância, com base na Lei de Moralização, a pagar com os próprios bens, dívidas do Vasco.

Dois grandes símbolos do patrimonialismo que os céticos e os acomodados imaginavam que jamais seriam atingidos, sucumbiram.

O Judiciário começa a perceber as leis. Se tivermos coragem de continuar a luta, sem a tradicional fuga ao "não adianta", o patrimonialismo no esporte vai acabar.

Sem festa em Saquarema, sem a seleção a -17° C. Que não há como justificar.

Diário Lance!, 7/3/2006
 

Por Juca Kfouri às 12h20

Pequenos mandam no Rio

Fosse em sistema de pontos corridos (e ainda bem que, no caso, não é), e o Campeonato Estadual do Rio estaria hoje na seguinte situação:

Em primeiro lugar, o Americano, com 17 pontos; em segundo, o América, com 16; em terceiro, o Volta Redonda, com 15; em quarto, o Friburguense, com 14; em quinto, a Cabofriense, com 13, e um jogo a menos.

Só aí aparece um grande, ou melhor, três, todos com 12 pontos, Vasco, com um jogo a menos, Fluminense e Botafogo, o campeão da Taça Guanabara, todos juntos com o Madureira.

O Flamengo estaria em penúltimo lugar, ao lado do Nova Iguaçu, com 10 pontos, à frente apenas da Portuguesa, que tem 5 pontos.

Seria cômico, não fosse trágico.

 

Por Juca Kfouri às 01h56

06/03/2006

Racismo infame

 Antonio Carlos (foto), do Juventude, precisa ser banido do futebol.

Suspensão só é pouco, por mais que esta possa ser longa e significar, na prática, o fim de sua carreira já perto de ser encerrada mesmo.

Mas, diferentemente de Desábato que foi vítima de demagogia sem precedentes, Antonio Carlos deve ser usado como exemplo, para que nunca mais aconteça algo parecido em gramados brasileiros.

 

Por Juca Kfouri às 13h29

Paixão pelo Paulista

Da interminável série "Como o interior de São Paulo ama o Campeonato Paulista": a ótima campanha do Noroeste levou apenas 2448 torcedores ao seu estádio para vê-lo diante do Guarani.

E foi muito, hein?

Porque em Itu, 374 pessoas viram Ituano e América.

Já em Americana, 810 torcedores viram Rio Branco e Juventus, um pouco mais que os 625 que foram ver Santo André e Mogi Mirim.

São, de fato, números espantosos.

Por Juca Kfouri às 12h49

Coluna desta segunda-feira, na FOLHA

Vitória de líder
JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Foi justo. Injusto teria sido, em primeiro lugar, o 0 a 0 que teimou em persistir até os 40min do segundo tempo.
Porque o clássico teve ótimos momentos, disputado em clima intenso e sob a expectativa permanente do gol.
Mais injusto, ainda, seria o Santos não vencer.
Principalmente pelo que fez nos 45 minutos finais, quando as mexidas feitas por Vanderlei Luxemburgo mudaram o jogo, que era favorável ao Palmeiras.
Palmeiras que perdeu seu segundo clássico, mas que, a exemplo do que aconteceu diante do São Paulo, não fez feio.
As voltas de Gamarra e de Juninho Paulista deram outra consistência à equipe, que, no entanto, pecou demais em dois fundamentos essenciais quando estava melhor: o último passe e as finalizações, sem o que fazer gols vira uma impossibilidade óbvia.
Verdade que, em boa parte, por causa do bom posicionamento da defesa santista, sempre atenta nas interceptações e para impedir que os palmeirenses chutassem a gol com liberdade.
Mas o Santos jogou melhor.
E mereceu vencer por todos os motivos, entre eles a correta marcação do pênalti cometido pelo goleiro Sérgio e a não-marcação de outro, claríssimo, de Márcio Careca em Geílson.
Além do mais, os santistas mandaram duas bolas na trave e ainda viram Gamarra salvar, embaixo das traves, uma bola que já havia passado por Sérgio.
No Santos, Maldonado merece um capítulo especial. Trata-se da melhor contribuição do futebol chileno desde Don Elias Figueroa, um dos maiores zagueiros da história do futebol mundial e que brilhou no grande Internacional dos anos 70.
Maldonado defende e alimenta o ataque com a mesma competência, além de chutar a gol com eficiência -foi dele um dos arremates na trave (o outro foi de Cléber Santana).
Não fosse pela presença do ex-cruzeirense, o Palmeiras certamente teria marcado duas vezes no primeiro tempo, quando ele apareceu nas horas H e I.
O Santos mostrou aos que nele não acreditavam, como este colunista, que pode, sim, sair da fila de 21 anos sem um título estadual. Mesmo sem nomes estelares, o time achou seu eixo e não é apenas taticamente obediente como é capaz de jogar uma bola agradável de se ver.
Assim aconteceu na Vila Belmiro, como já havia acontecido na sempre complicada partida diante do São Caetano, no meio da semana, vitória que encorpou definitivamente as chances peixeiras com vistas ao título.
O santista não gosta que se diga que o time é limitado, por mais que o próprio Luxemburgo o admita (com o que valoriza seu trabalho) e Fábio Costa concorde.
E a expressão tem suscitado até discussões semânticas, com alguns santistas ponderando que todos os times têm limites e outros, ao contrário, reclamando do que seria um pejorativo.
Pois não é.
E só realça a liderança.

Tudo azul

Tudo azul. Para o Santos. O São Paulo tinha a faca e o queijo nas mãos e deveria acabar a rodada na situação de ficar, como o Santos, na dependência apenas de seus resultados, a dois pontos do líder. Mas, surpreendido pelos azuis do São Bento, o nervoso tricolor vacilou em Sorocaba e perdeu a possibilidade de decidir o título com o Santos, no Morumbi, na penúltima rodada, dia 2 de abril. Já o Corinthians (a seis pontos do Santos) empatou com os azuis do Marília no estádio do Pacaembu. Se as estrelas do técnico Antônio Lopes tivessem o posicionamento, principalmente na defesa, dos, digamos assim, operários do treinador Vanderlei Luxemburgo, o quase lanterna Marília não teria dado o sufoco que deu, quando mereceu vencer.

@ - blogdojuca@uol.com.br


 

Por Juca Kfouri às 11h20

05/03/2006

Santos, com tudo

Não podia ser uma rodada mais azul para o Santos.

Não bastasse a bela vitória no clássico, o Santos livrou cinco pontos do São Paulo e seis do Corinthians, graças aos azuis São Bento e Marília.

Só o Palmeiras ameaça o líder, a dois pontos potenciais.

Em Sorocaba, o nervoso São Paulo perdeu o jogo (2 a 0) e Lugano, que pediu para ser expulso.

O tricolor levou um gol esquisito, no qual o escorregão do atacante sorocabano tirou Rogério Ceni do lance, e outro no fim, quando já estava com 10 jogadores.

Já no Pacaembu, o Corinthians jogou mal outra vez e se salvava graças a mais um gol de Nilmar.

Mas levou o empate no fim e mostrou aquilo que só não vê quem não quer: não é um time, mas um bando.

A situação do Santos é mais que confortável, ao faltar seis jogos para o fim do campeonato.

Guarani, em Campinas; Ituano, na Vila; Juventus, marcado para a Rua Javari, mas certamente transferido para um estádio maior na capital paulista; Bragantino, na Vila; São Paulo, no Morumbi e Portuguesa, na Vila.

A rigor, só o clássico pode lhe tirar pontos.

E o Santos não está na Libertadores, como seus três concorrentes.

E ao Palmeiras falta, no mínimo, o Corinthians.

Por Juca Kfouri às 19h29

Santos, com autoridade

Foram duas bolas na trave do Palmeiras, dois pênaltis claros (só um marcado, e convertido por Léo Lima) e mais uma bola salva por Gamarra embaixo das traves.

Pelo que fez, principalmente no segundo tempo, o Santos mereceu amplamente a vitória por 1 a 0, na Vila Belmiro, e a liderança sem contestação do Campeonato Paulista.

E diga-se que o Palmeiras foi superior no primeiro tempo, mas falhou demais tanto no último passe quanto nas finalizações.

E nas duas vezes em que deu tudo certo, apareceu o exuberante Maldonado para impedir dois gols alviverdes.

O Santos mostrou que pode sair da fila de 21 anos mesmo sem ter as estrelas que seus concorrentes têm.

Neste momento, por sinal, com a derrota parcial do São Paulo, em Sorocaba, para o São Bento (1 a 0), só o Santos depende apenas de seus resultados para ser o campeão.

Por Juca Kfouri às 18h11

Três fotos do livro

Já estão no blog, três notas abaixo, três fotos do livro recomendado ontem.

A da capa e mais duas.

Demorou porque há mistérios insondáveis na rede.

Ou porque há blogueiros incapazes de colar imagens...

Por Juca Kfouri às 12h00

Coluna deste domingo, na FOLHA

FUTEBOL

E já vai tarde
JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Agnelo Queiroz assumiu o Ministério do Esporte cercado de boas expectativas na imprensa esportiva, que tinha dele a imagem de um deputado combativo e sério.
Pois ele está de saída, e não haverá na imprensa respeitável uma só linha que a lamente.
Lula dirá que jamais houve um ministro do Esporte como ele.
E, a rigor, com razão, porque foi o único até agora.
Lembremos que Pelé era ministro extraordinário e que os que o sucederam no período FHC -Rafael Greca, Carlos Melles e Caio Carvalho- foram ministros do Turismo e do Esporte, mais daquele do que deste.
Greca e Melles, por sinal, dois desastres, diferentemente de Carvalho, no último ano.
Agnelo é cordeiro em italiano, como bem sacou, neste espaço, o fino provocador Marcos Augusto Gonçalves, hoje editor da Ilustrada, buono e vero.
Tão cordato que virou amigo íntimo de cartolas como Carlos Nuzman e Ricardo Teixeira, este último vítima de um virulento discurso seu, com graves acusações, quando o ministro era ainda deputado do PC do B.
Agnelo entra para a história de diversas formas, nenhuma delas abonadora ou confortável.
Como papagaio de pirata de atletas vencedores, por exemplo.
Ou como hóspede do mesmo luxuoso navio que abrigou o milionário Bill Gates na Olimpíada de Atenas, em 2004.
Ou pelo episódio, que valeu a honrada renúncia de Magic Paula ao ministério, quando o Comitê Olímpico Brasileiro pagou a estadia do ministro e de sua funcionária nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, "equívoco" sanado só depois que a imprensa descobriu e denunciou.
Agnelo recebeu, dos jogadores da seleção brasileira, o apelido de "Medalhão" depois que botou no peito a medalha de ouro que seria do zagueiro Luisão, na Copa América. O atleta saíra do gramado para o hospital.
Não se fez de rogado, também, ao assinar, ao lado de Amaury Pasos e Wlamir Marques, a camisa que homenageou os bicampeões mundiais de basquete em festa realizada na confederação brasileira.
Pior foi vê-lo como ardoroso defensor dos bingos, vício que o levou a ser o pai do embuste chamado Timemania, a loteria que premia os endividados do futebol sem deles exigir contrapartidas.
Razão pela qual não é de estranhar que tenha mantido como agência do ministério, mesmo depois do escândalo, a empresa de Marcos Valério. Ou que sua saída seja contemplada com sérias críticas do Tribunal de Contas da União, que viu inúmeras distorções no programa Segundo Tempo, herança, sob novo nome, da gestão anterior.
Não satisfeito, Agnelo foi flagrado ao assinar vetos a duas medidas moralizantes do Estatuto do Torcedor. Confrontado com o que dizia não ter assinado, tentou fugir, em pleno "Roda Viva", da TV Cultura, ao dizer que a assinatura era falsa. Não era.
Sua pífia gestão chega ao fim porque quer suceder Joaquim Roriz em Brasília. Faz sentido.

Sem final
Santos e Palmeiras fazem o jogo do domingo paulista. Mas as equipes comandadas por Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão não jogam neste clássico a sorte do campeonato, a tal decisão antecipada. Não só porque uma vitória do Santos deixará o Palmeiras, virtualmente, a somente dois pontos do líder como porque também tem o São Paulo, que deve passar pelo São Bento, mesmo atuando em Sorocaba, e permanecer na cola dos santistas, que ainda enfrentarão. Já os corintianos, que devem golear o Marília no Pacaembu, torcerão pelo empate na Vila Belmiro, porque ainda jogarão contra o São Paulo, no domingo que vem, e o Palmeiras. Santos e Palmeiras, curiosamente, com elencos mais limitados, possuem campanhas um pouco melhores que as dos dois ricos rivais, coisa que o Real Madrid sabe explicar. Ou não?
E-mail blogdojuca@uol.com.br

 

Por Juca Kfouri às 11h06

Quem se habilita?

O Santa Cruz jogará a Primeira Divisão neste ano.

E nada indica que, até lá, algum time pernambucano ganhará dele em sua casa.

Resta saber se algum grandão de nosso furtebol quebrará a escrita.

Leia, abaixo, graças à gentileza do blogueiro Danilo Senna, o incrível recorde do Santa: 

"Eu, eu, eu, caiu no Arruda já perdeu!" esse é o grito que mais se ouve na arquibancada do Estádio José do Rego Maciel há exatos 765 dias. Desde 16 de agosto de 2004, quando perdeu para o Avaí por 1 x 0, o Santa Cruz não sabe o que é uma derrota dentro dos seus domínios.

A incrível marca já entrou para os recordes nacionais como a maior invencibilidade em casa, superando de longe a anterior pertencente ao Internacional de Porto Alegre, que em 1979 passou 32 jogos sem ser derrotado dentro do Beira-Rio.

No total são 41 jogos, com 33 vitórias e 8 empates, o que resulta em um aproveitamento de 86,99%. Neste período foram 85 gols marcados e apenas 24 gols sofridos. Uma média de 2,07 gols pró e 0,58 gols contra por partida.

Por Juca Kfouri às 11h02

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico