Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

01/04/2006

Roberto Carlos estraga o jogão

Barcelona e Real Madrid não fizeram tudo que deles se esperava hoje no Camp Nou.

Porque Roberto Carlos, que reclamou de um pênalti que cometeu sem querer, convertido por Ronaldinho Gaúcho, e por isso levou cartão amarelo, reclamou de novo de uma falta sua e foi expulso ainda no primeiro tempo, aos 26

Ai virou jogo de gato e rato e, o pior, com a substituição de Robinho por um defensor madridista.

O jogo estava irremediavelmente prejudicado.

Não que tenha sido ruim, ao contrário, mas deixou de ser o que se desejava.

Menos mal que Ronaldo fez um golaço no empate do Real, o que permitiu aos merengues defender o resultado bravamente.

Ronaldo ainda sofreu um pênalti claro de Oleguer, não marcado pelo árbitro, que ainda puniu o brasileiro com cartão amarelo.

Como árbitros são árbitros em todas as partes do mundo, o espanhol deixou de dar, também, uma mão na bola de Gravessen.

Mas foi preocupante verificar a instabilidade emocional do experiente Roberto Carlos num jogo de tal envergadura.

Pois, entre mortos e feridos, o 1 a 1 acabou salvando todos, menos ele.

E o sueco Larsson, do Barça, tantos gols desperdiçou.

Por Juca Kfouri às 17h37

Lenílson é do São Paulo

O jornalista Victor Birner, da CBN, acaba de confirmar o que o diário Lance!, de hoje, já deixara claro:

o meia Lenílson, 25 anos, do Noroeste, maior revelação deste Campeonato Paulista, apesar de ter assinado um contrato de intenção com o Santos, disputará o Brasileirão pelo São Paulo, que já tem tudo certo com ele.

Mais pimenta para o grande jogo de amanhã.

Por Juca Kfouri às 17h29

Empate no Gre-Nal

O 0 a 0 não fez justiça ao Gre-Nal.

Pelo menos um 2 a 2 refletiria mais o que foi o jogo.

O Inter teve menos a bola, mas levou mais perigo no primeiro tempo.

No segundo foi a vez do Grêmio criar as melhores chances.

Nosso árbitro na Copa de 2006, Carlos Eugênio Simon, não foi bem.

Deixou de dar uma escandalosa atrasada de bola de Bolívar, do meio de campo, que o goleiro Clemer pegou com as mãos ainda no começo do jogo.

Depois expulsou Fabiano Eller, por natural reclamação, para compensar a justa expulsão de Alessandro, que deu uma entrada criminosa no colorado.

E deixou de dar, no fim do jogo, uma falta clara de Tinga no bico da área esquerda do Inter.

Ficou tudo para o Beira-Rio, mas o Grêmio mostrou que com o coração conseguiu equilibrar seu menor poderio técnico.

Por Juca Kfouri às 17h22

Força, Telê!

Telê Santana continua na luta em Belo Horizonte.
E, na torcida por ele, mil lembranças vêm à cabeça.
Algumas descritas abaixo, como prefácio do belo livro do jornalista André Ribeiro, uma biografia do mestre, pela editora Gryphus, "Fio de Esperança".
E, por sinal, na revista "CartaCapital" que está nas bancas, a coluna do Doutor Sócrates faz uma belíssima, tocante, surpreendente por ser o Magrão tão econômico em seus elogios, homenagem a Telê Santana.

Segue o prefácio: 

 


"Qual Telê ?

O Telê sério, rabugento, quase intratável?

Ou o Telê, alegre, piadista, pregador de peças?

O Telê leal, solidário, afetuoso?

Ou o Telê dissimulado, solitário, frio?

O Telê ganhador ou o Telê perdedor?

O Telê autoritário ou o Telê democrático?

Todos esses Telê Santana estão nesta biografia, mais um belo trabalho do jornalista André Ribeiro.

Posso dizer que conheço bem Telê Santana.

Fomos companheiros de trabalho no SBT por um bom tempo, além de eu tê-lo acompanhado de perto tanto na Copa de 1982 quanto na de 1986, além das eliminatórias um ano antes.

De perto mesmo, marcação cerrada.

Apesar disso, o livro me surpreendeu em diversos momentos.

E convivi com todos os Telê acima citados, embora, na verdade, jamais o tenha visto como perdedor.

Muito ao contrário.

Telê sempre foi um obstinado na defesa do futebol bonito e limpo e sua indignação com as tantas coisas erradas em nosso futebol certamente há de ter contribuído para seu estresse e para o acidente vascular que sofreu.

Mas vi um Telê enclausurado na Copa de 1986, desconfiado de tudo e de todos, até de seus melhores companheiros.

Vi um Telê frio, principalmente quando São Paulo e Corinthians disputavam jogos importantes, decisões de campeonato, como no Brasileiro de 1990.

O vi dissimulado, quando, alta madrugada, tocou o telefone no quarto que dividíamos em Santiago, horas depois da derrota da seleção brasileira de Evaristo de Macedo para o Chile.

Ele atendeu e conversou monossilabicamente com seu interlocutor, um pouco por ter sido acordado, outro pouco, desconfiei, por não querer que eu soubesse com quem falava e qual era o teor da conversa.

Tão desligou, perguntei: "Era o Giulite, Telê?"

"Vira pro outro lado e dorme", respondeu.

"Ele te convidou para assumir a seleção, o SBT perdeu um comentarista?", retruquei.

"Cala a boca e me deixa dormir", devolveu.

Só que não dormiu, virava para lá e para cá, até o amanhecer.

Horas depois, recebeu o convite e agiu exatamente como está no livro, com extrema lealdade.

A mesma que inspirou o gesto solidário, e inesquecível, poucos meses depois, que o levou a convencer a CBF que o jogo contra o Paraguai, pelas eliminatórias da Copa, no Maracanã, deveria ser precedido por um minuto de silêncio em homenagem ao meu pai, morto por uma bala assassina no dia anterior.

Na cabine do SBT no estádio, ao ouvir o alto-falante anunciar a homenagem, quase morri eu, tamanha a emoção.

Como, em diversas ocasiões, na Espanha, em 1982, ou nas viagens que fizemos para comentar jogos, quase morri de tanto rir com suas piadas e com as peças que pregava em Jorge Kajuru, repórter do SBT e seu grande amigo, quase filho.

O Telê Santana que fez Sócrates e Raí, na base da conversa, jogarem sob seu comando como jamais jogaram nem antes nem depois, o mesmo Telê capaz de barrar Renato Gaúcho e Leandro, na sua opinião o maior lateral-direito que viu jogar.

Um Telê de carne e osso que aparece inteiro neste belo 'Fio de Esperança'".

Juca Kfouri

Por Juca Kfouri às 14h31

Luxa é o alvo

Renato Duprat, o empresário que faliu a Unicór, amigo de Vanderlei Luxemburgo e atual braço direito de Alberto Dualib, espalha, para alegria dos são paulinos:

O Corinthians acertou com Luxemburgo a sua ida para o Parque São Jorge tão logo termine o Campeonato Paulista.

Duprat sofre de megalomania, mas um assessor de Luxemburgo confirma que o Corinthians ofereceu US$ 6 milhões de luvas e um contrato de mais US$ 6 milhões por um ano ao treinador.

(ATENÇÃO: NA VERDADE, O ASSESSOR FALOU EM SEIS MILHÕES, NÃO DEFINIU A MOEDA).

A MSI, que paga as contas do clube, diz que desconhece o assunto.

Kia Joorabchian, por sinal, já fez inúmeras declarações que revelam sua nenhuma disposição em trabalhar com Luxemburgo.

Mas o diz-que-diz pode tumultuar o Santos, razão da felicidade são paulina às vésperas de jogo decisivo.

E a jogada de Dualib pode ter o mesmo sentido da feita com Marcelinho Carioca, que saiu pela culatra, em busca de uma situação que confronte a MSI com a Fiel.

Por Juca Kfouri às 10h56

Esses tucanos...

O promotor público Fernando Capez filou-se ao PSDB.

Quer ser deputado estadual nas próximas eleições.

Capez é aquele promotor que há 11 anos não é capaz de dar jeito na violência das torcidas organizadas.

E, quando Mário Covas, símbolo maior dos tucanos, enfrentou Paulo Maluf nas urnas, Capez, que queria ser secretário da segurança de Maluf, atacou Covas de maneira dura.

Covas se revira no túmulo.

Por Juca Kfouri às 01h23

31/03/2006

Nova vitória do torcedor

Demorou, mas saiu.

O juiz da 3ª Vara Federal de Londrina, determinou que a Planeta Brasil, agência de viagens indicada pela CBF à FIFA, entregue, sem a necessidade de aquisição do famigerado pacote de viagens, um ingresso para cada jogo do Brasil na primeira fase, sob pena de multa diária de R$ 2000,00.

Hoje a agência deve ser intimada.

Vale lembrar que a FIFA e a CBF são responsáveis solidárias, ou, em termos mais triviais, pode sobrar para elas também...

Quem obteve o feito foi o advogado londrinense Carlos Alexandre Rodrigues.

Quem quiser mais detalhes, clique abaixo:

http://gedpro.jfpr.gov.br/visualizarDocumentosInternet.asp?codigoDocumento=511342

 

Por Juca Kfouri às 12h56

30/03/2006

As decisões estaduais

Os cinco principais centros do futebol brasileiro, vencedores de 34 dos 35 títulos brasileiros, começam a decidir, ou decidem, seus campeonatos estaduais neste fim de semana.

Neste sábado, tem Gre-Nal no estádio Olímpico, com arquibancadas já esgotadas.

Também, pudera, desde 1999 que a dupla não decide o Campeonato Gaúcho.

O Inter tem o favoritismo pela fase que atravessa, mas falar em favoritismo neste clássico beira a irresponsabilidade.

O futebol gaúcho tem cinco títulos na história do Campeonato Brasileiro de, repita-se, 35 edições.

No Paraná, com dois títulos, a decisão começa no domingo, em Maringá, entre Adap e Paraná Clube, o único grande na final, em busca da taça que não ergue desde 1997.

A surpreendente Adap (Associação Desportiva Atlética do Paraná) já eliminou o Atlético Paranaense e o Coritiba.

Em São Paulo, maior papão de títulos brasileiros, 14, o campeonato pode acabar neste domingo, no Morumbi, desde que o São Paulo, favorito, não ganhe do Santos.

O tricolor tem time melhor que o alvinegro, mas a campanha santista é superior à são paulina.

Mesmo que perca, o Santos continuará com a faca e o queijo na mão.

No Rio, que ganhou 11 campeonatos brasileiros, o Maracanã receberá o primeiro jogo entre Botafogo e Madureira para decidir o campeonato estadual.

O Glorioso tem obrigação de vencer e ponto final.

E finalmente, em Minas, que tem dois títulos brasileiros, o Ipatinga recebe o Cruzeiro.

Com um empate no Ipatingão, o time da casa, que terá menos torcida que o visitante, será o bicampeão mineiro.

O time do Cruzeiro é mais badalado e muito mais caro.

Mas a melhor campanha é mesmo a do time do Vale do Aço.

E se você ficou curioso por saber qual estado não foi aqui citado como dono de um título brasileiro, a resposta é fácil: a Bahia, que ganhou, em 1988, um título com o Bahia.

Por Juca Kfouri às 22h31

Da série "nós amamos os estaduais"

A série tem assunto que não acaba mais.

Nem vale comentar os 7.433 pagantes no Maracanã para a decisão da Taça Rio.

Afinal, Madureira e Americano não têm grandes torcidas mesmo.

Mas em São Paulo é que a coisa pega.

Só 13.423 pessoas na Vila Belmiro, motivo de justa queixa de Luxemburgo, depois do show que a torcida santista deu no Pacaembu, no sábado passado, quando 34 mil torcedores viram o jogo diante do Juventus.

Em Itu, 244 testemunhas para Ituano e Juventus.

Em Mogi, 281 para Mogi Mirim e Noroeste (terceiro colocado do Paulista).

E em Santo André, 546 abnegados para Santo André e Rio Branco.

Um dia a ficha cai.

Por Juca Kfouri às 15h39

Besta e bestial

Oto Glória, técnico brasileiro que levou Portugal ao terceiro lugar na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, costumava dizer que os técnicos de futebol eram bestas ou bestiais.

Vanderlei Luxemburgo viveu as duas situações ontem à noite.

Tirou um zagueiro para a entrada de Magnun ainda antes da metade do primeiro tempo.

E o Santos levou o gol do Bragantino, exatamente no espaço que o zagueiro Ronaldo ocupava.

Luxemburgo virou uma besta.

Depois, Magnun marcou dois gols.

E Luxemburgo tornou-se bestial.

Por Juca Kfouri às 15h30

29/03/2006

Que boca, hein?

O blog apostou que Santos e São Paulo ganhariam e que o Palmeiras se despediria do Paulista.

Não deu outra.

O Santos até tomou um susto graças a uma bobeada de Manzur e a uma péssima saída de gol de Fábio Costa, que valeu o 1 a 0 para o Bragantino.

Mas não era justo e ainda no primeiro tempo o próprio Mansur empatou e Magnum virou.

Depois, só deu Santos, que teve dois pênaltis não marcados a seu favor e mais um gol de Magnum, para completar o 3 a 1 que, na verdade, poderia ter sido 7, 8 a 1, como antigamente.

No Morumbi, o São Paulo perdeu muitos gols na primeiro tempo e quase levou no segundo, quando foi a vez do América desperdiçar duas chances imperdíveis.

Mas Alex Dias, que tantos tentos havia perdido no empate diante do Noroeste, acabou com o sufoco ao marcar dois gols.

O primeiro por sorte, porque a bola ia fora e bateu num zagueiro americano.

Já o segundo foi um golaço, um tapa na bola de quem sabe.

Domingo que vem o Morumbi será pequeno para o grande clássico entre São Paulo e Santos.

Com um empate, o Santos será campeão.

Se perder, bastará vencer a Portuguesa, na Vila, para ganhar seu 16o. título estadual.

O Palmeiras, com o time misto, perdeu em Jundiaí, 3 a 0, como era de se esperar e Sérgio ainda fez uns milagrinhos.

Já em BH, o Ipatinga saiu na frente com o experiente Camanducaia, Gil empatou para o Cruzeiro ainda no primeiro tempo e ficou nisso.

A decisão será no domingo, em Ipatinga, e o time da casa joga pelo empate e pelo bicampeonato.

Só mesmo no Rio o blog perdeu a aposta.

Mas com muita satisfação, porque o Madureira derrotou o Americano por 1 a 0, ganhou a Taça Rio e disputará a final do campeonato estadual com o Botafogo.

O placar moral foi 4 a 0, tantos gols o Madureira perdeu. 

E o astronauta brasileiro, e santista, foi para o espaço.

Para se encontrar com o Brasil...

Por Juca Kfouri às 22h35

Brasileiros na Copa dos Campeões

Os brasileiros foram bem, no geral, nos dois jogos de hoje pela Copa dos Campeões.

No 0 a 0 de Lyon (sem Juninho) e Milan, o goleiro Dida foi fundamental para evitar a derrota italiana.

Kaká fez três ou quatro lances brilhantes enquanto os milanistas prevaleceram, no primeiro tempo, mas sumiu no segundo, quando os franceses foram superiores.

Serginho mostrou que é o melhor ala esquerda brasileiro no momento.

Cris e Caçapa, principalmente este, foram seguros e Fred só jogou metade do tempo final, sem chances.

Com Juninho de volta, o jogo em Milão está aberto, muito mais aberto que o jogo de volta entre Barça, favoritíssimo, e Benfica.

Já na vitória da Inter sobre o Villareal, o 2 a 1 foi pouco para os italianos.

Adriano fez um gol e jogou bem, bastante bem.

Mas este blogueiro viu o jogo da Inter na tela menor e não se aventura a maiores comentários.

 

Por Juca Kfouri às 16h34

A formação de Ademar Braga

Muito na base do "já que não tem tu vai tu mesmo", o Corinthians resolveu definir Ademar Braga como seu técnico.

No deserto geral, é mais uma tentativa de renovação, embora ele já seja um sexagenário. Nada contra, por sinal.

O que poucos sabem é que Braga tem uma formação, no mínimo, original para um técnico de futebol.

Além do natural diploma em Educação Física, ele é formado também em Pedagogia e Direito.

Por Juca Kfouri às 12h45

Apostas para hoje

O blog aposta que Santos e São Paulo ganham hoje à noite de Bragantino e América e que o Palmeiras se despede, matematicamente, do Paulista.

Aposta também no Americano, embora torça pelo Madureira.

E tem sérias desconfianças de que o Cruzeiro não vencerá o Ipatinga, na primeira partida da decisão mineira, no Mineirão.

Por Juca Kfouri às 12h29

Para pensar na cama

A cada dia que passa, a cada burocrata que cai, mais e mais o corajoso caseiro, e palmeirense, Francenildo, se transforma em herói nacional.

E depois que a Caixa Econômica petista federal desfez em minutos anos de trabalho para construir sua imagem (Fuja da Caixa você também...), eis que a Nossa Caixa tucana paulista não ficou atrás.

Entre o corintiano Lula e o santista Alckmin, só mesmo o aeroporto.

Por Juca Kfouri às 23h25

28/03/2006

Campeão no Rio. Campeão em São Paulo?

Nesta quarta-feira teremos o campeão da Taça Rio.

Ou Madureira ou Americano.

Nada que vá lotar o Maracanã.

O Botafogo espera para ver com quem decidirá o título estadual.

E poderemos ter o campeão paulista.

O Santos.

Possibilidade que encherá a Vila Belmiro, que recebe o Bragantino.

Se o Santos vencer, como quase certamente acontecerá, e Palmeiras e São Paulo não ganharem de Paulista e América, pronto!

Santos, 16 vezes campeão paulista.

E muito embora o time mereça a conquista, esta entrará para a cota de Vanderlei Luxemburgo.

Se o Santos e o Botafogo forem os campeões como era comum nos anos 60, ao menos teremos do que nos recordar.

E morrer de saudades de Pelé e Mané.

Por Juca Kfouri às 22h06

Milagres e patacoadas

Acabou há pouco Benfica 0, Barcelona 0, em Lisboa, pelas quartas-de-final da Copa dos Campeões da Europa.

O goleiro brasileiro da equipe portuguesa, Marcelo Moretto, protagonizou o espetáculo mais contraditório da história dos guarda-metas, como se diz na Terrinha.

Ele foi responsável, sem exagero, por pelo menos cinco milagres.

E cometeu três lambanças em bolas recuadas como raramente se vê.

Na primeira, pegou com a mão e viu a falta ser marcada, dentro de sua área.

Na cobrança, pegou milagrosamente o chute de Ronaldinho.

Na segunda, ao tentar devolver de bate-pronto, mandou a bola na direção oposta da que queria.

E na terceira, ao tentar passar num toque sutil para seu companheiro de defesa, serviu o atacante espanhol.

Mas, como não tomou gol e pegou chutes a queima-roupa de Eto'o, de Ronaldinho (duas vezes) e de mais não sei quem, saiu como herói.

Um herói trapalhão, mas um herói.

Por Juca Kfouri às 17h12

O que houve com Telê - Parte 1

A reportagem que segue abaixo foi publicada no sítio "nominimo" dois anos atrás.

Foi apurada e escrita pela mais respeitada e premiada repórter da área de Saúde no Brasil, a jornalista Conceição Lemes.

Quem se julgou ofendido a processou e se deu mal, pois ela foi absolvida em todas as instâncias.

Uma tragédia  nos prontos-socorros

Conceição Lemes

05.03.2004 |
 O AVC ­ ou acidente vascular cerebral - mata mais do que infarto do miocárdio em todas as regiões do Brasil e é a maior causa de invalidez após os 60 anos. Não poupa nem um ex-atleta como Telê Santana, que há oito anos convive com as seqüelas de um AVC isquêmico - agravadas pelo atraso em procurar socorro e por erros nos atendimento médico. Apenas em 2000, segundo as últimas estimativas à disposição dos especialistas, o derrame, como é conhecido popularmente o AVC, tirou a vida de 110 mil homens e mulheres no país. Uma pesquisa realizada em prontos-socorros de 77 hospitais públicos e privados da cidade São Paulo ajuda, agora, a jogar luz em parte dessa tragédia, revelando um dado assustador: 98,8% dos plantonistas não atendem de maneira adequada um AVC nas primeiras horas ­ o chamado AVC agudo.

O estudo foi tese de doutoramento do médico Karlo Moreira pela Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Num questionário entregue a 251 médicos dos 77 hospitais, ele apresentou dois casos hipotéticos de AVC isquêmico, o tipo mais comum, e fez a pergunta: como diagnosticaria e trataria cada caso nas primeiras horas, supondo que o hospital tivesse os recursos ideais para o atendimento?

Apenas três médicos ­ 1,2% dos 251 entrevistados - adotaram as condutas diagnósticas e terapêuticas recomendadas para os dois casos; 98,8% optaram por procedimentos contra-indicados ou potencialmente perigosos para, pelo menos, um dos pacientes hipotéticos. Observações importantes: 1. Caso o médico julgasse necessário, era permitida a consulta a livros ou manuais disponíveis no serviço; 2. A maioria dos 77 prontos-socorros apresentava condições suficientes para a assistência básica; 3. Quase 80% dos 251 participantes da pesquisa atendiam mais de dez pacientes com AVC por ano.

"Se o médico não sabe como tratar direito essa emergência na teoria, é muito difícil que a trate certo na prática", avalia Karlo Moreira. E o primeiro atendimento é crucial para o tratamento do AVC agudo. A eventual conduta errada no primeiro atendimento pode causar maior dano cerebral, a piora das seqüelas e aumetar o risco de morte.

"É um alerta seriíssimo", diz, perplexo, o médico Mílton de Arruda Martins, professor titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). "Embora a pesquisa não permita assegurar que os pacientes estão sendo prejudicados, seus resultados indicam um risco potencial considerável."

Erro grave: baixar a pressão
Os acidentes vasculares cerebrais afetam as artérias que irrigam o cérebro e acontecem repentinamente. Em 20% dos casos, a artéria se rompe, "derramando" sangue dentro da cabeça. É o AVC hemorrágico. Em 80%, um coágulo ou uma placa de gordura entope uma artéria do cérebro, impedindo a chegada de sangue (e oxigênio) à área, o que provoca a morte desse tecido. É o AVC isquêmico, precisamente o alvo da pesquisa feita em São Paulo.

"O erro mais gritante foi dar remédios para baixar a pressão arterial nas primeiras horas do AVC", destaca Karlo Moreira. Num dos casos apresentados por ele, 44% dos médicos recorreram a anti-hipertensivos, embora eles fossem contra-indicados. No outro caso, era preciso diminuir a pressão, o que 94% dos plantonistas fizeram, mas 46% reduziram-na demais ou utilizaram drogas inadequadas. "Isso piora o fluxo de sangue e faz o cérebro sofrer mais", alerta o neurologista e professor Luiz Alberto Bacheschi, presidente da Academia Brasileira de Neurologia.

A hipertensão, ou pressão alta, é o maior fator de risco dos acidentes vasculares cerebrais. Portanto, deve ser tratada rigorosamente para ficar sempre abaixo de 14 (máxima) por 9 (mínima). Exceção: nos quadros de AVC agudo. Nas primeiras 24 a 72 horas, o próprio organismo faz a pressão arterial subir para tentar jogar mais sangue na área obstruída, e, assim, proteger o cérebro. Reduzir a pressão é desfazer esse sistema de defesa e, portanto, diminuir a circulação de sangue, que tende a não ir para as áreas críticas. Para a região central do AVC , totalmente entupida, talvez não mude nada. As zonas em volta, porém, precisam de bastante sangue. A falta de sangue amplia a destruição de tecido cerebral e, por conseguinte, as seqüelas.

Resultado: não é raro um paciente chegar ao pronto-socorro meio paralisado, começar a melhorar até que alguém descobre que a sua pressão arterial está 17 por 10, lhe dá anti-hipertensivo e ele fica hemiplégico. "Muitas vezes, o AVC é tratado de maneira semelhante aos problemas cardiológicos", observa o professor Bacheschi. "É um grande equívoco. O cérebro tem reações particulares, desconhecer os seus detalhes cria problemas graves."

Por Juca Kfouri às 16h52

O que houve com Telê - Parte 2

Os riscos de alguns exames
A pesquisa abordou as condutas diagnósticas na fase inicial do AVC isquêmico. O dado positivo: 98% dos plantonistas solicitaram a tomografia computadorizada de crânio. "É o recomendado nas suspeitas de AVC", aprova o neurologista Ayrton Roberto Massaro, coordenador do setor de Neurologia Vascular da Unifesp. O exame é rápido e muito útil. Permite excluir outros quadros súbitos com sintomas similares ao AVC. E, constatando que é mesmo AVC, distingue se é isquêmico ou hemorrágico, o que é vital, pois os tratamentos são diferentes.

O dado negativo: 17% dos médicos solicitaram angiografia cerebral para, pelo menos, um dos pacientes apresentados na pesquisa; 15% pediram o exame do líquido cefalorraquiano, ou liquor, o líquido existente em volta do cérebro e da medula espinhal. Ambos têm indicações limitadas no caso de AVC isquêmico agudo e nunca devem ser o primeiro exame. Nos dois casos da pesquisa, eram contra-indicados. "Além de invasivos e potencialmente de risco, não acrescentam informações proveitosas para o tratamento inicial", explica Karlo Moreira.

O líquido cefalorraquiano é extraído por meio de uma punção na coluna lombar. A pressão local pode cair muito e "sugar" a base do cérebro, que fica comprimido. Piora, assim, a evolução do AVC, e o indivíduo entra em coma. A angiografia cerebral, ou arteriografia, é realizada por cateterismo, com anestesia local. Com agulha grossa, punciona-se a artéria femoral (na virilha) e se introduz um cateter, que lembra canudo de plástico bem fininho. Ele navega até a aorta; depois, às artérias que seguem para a cabeça. À medida que passa, o cateter joga contraste com iodo, e isso é filmado, mostrando a situação das artérias. Tem 1% de risco de complicações: sangramento na punção, alergia e insuficiência renal por causa do contraste iodado, possibilidade de um novo AVC e até o óbito durante o exame ou nas horas seguintes. "Não é porque o risco é matematicamente pequeno que se vai corrê-lo sem necessidade", frisa o professor Arruda Martins. "No instante em que acontece uma complicação, o paciente deixa de ser o 1%, vira 100%."

Infelizmente, o retrato flagrado na pesquisa feita na cidade de São Paulo se estende pelo País e certamente se repete no atendimento do AVC por inteiro, e não apenas em sua fase inicial. O neurologista Cesar Raffin, presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, garante: "No Brasil, o AVC deixa mais seqüelas e mata mais também porque quase não há serviços estruturados para dar assistência adequada aos pacientes".

 

Os problemas do atendimento nos casos de AVC não se restringem aos pacientes comuns. Mesmo vítimas ilustres de AVC correm risco em certas situações. No decorrer de 1995, o ex-técnico Telê Santana, hoje com 72 anos, teve alguns sinais de alerta de um possível AVC: quedas sem a perda de consciência, desmaios e até uma "apagada" ao volante em plena via Dutra, indo de São Paulo para o Rio.

Em 30 de dezembro, um episódio chamou-lhe a atenção: a boca entortou, o rosto formigou. Mas, como melhorou em minutos, Telê não buscou socorro na hora. Levou quase três semanas antes de se consultar com o cardiologista Giuseppe Dioguardi, no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo.

"Como o Telê havia tido antes alguns desmaios, sugerindo claramente isquemias cerebrais, e o ultra-som doppler de carótida mostrara lesão moderada, propus fazer uma ressonância magnética de crânio para decidir o tratamento", conta Dioguardi. Telê não quis, tinha pânico da máquina. O médico propôs, então, tomografia, mas Telê também rejeitou. "Como se tinha de fazer alguma coisa, sugeri uma angiografia cerebral. E já que estávamos com tudo à mão, indiquei ainda um cateterismo cardíaco", prossegue Dioguardi. "Pelo exame clínico, o coração de Telê estava em ordem, mas, como havia alteração desprezível no eletrocardiograma, quis afastar a possibilidade de doença coronária, que é comum em diabéticos como ele. Os exames foram realizados pelo doutor José Eduardo Sousa, diretor do Dante."

No dia 29 de janeiro de 1996, Telê internou-se cedo, acompanhado da esposa, dona Ivonete, e da filha, Sandra. Chegou dirigindo o próprio carro, contando piadas e tranqüilo. Sempre bem-humorado, achava que iria para casa no mesmo dia e imaginava corriqueiros os exames a fazer. Porém, previstos para uma hora de duração, demoraram mais. Telê somente voltou para o quarto após cerca de três horas. Estava agitado, nervoso, com as pontas dos dedos arroxeadas.

Algum tempo depois, pediu para ir ao banheiro; no caminho, perdeu subitamente os sentidos e teve de ser ajudado a voltar para a cama. Na madrugada, desabou pela segunda vez: por instantes, perdeu os sentidos sentado no vaso sanitário. Dioguardi chamou então o neurocirurgião Marco Prist Filho, um colega de fora do Dante Pazzanese, já que o instituto não tinha (e até hoje não tem) neurologista no staff. Foi feita a tomografia de crânio, com Telê sedado. Dioguardi relata-a:"Havia cinco lesões de AVC, quatro antigas, uma recente. Nenhum episódio foi detonado pelos exames; o mais recente provavelmente era o do dia 30 de dezembro de 1995".

Por Juca Kfouri às 16h50

O que houve com Telê - Parte 3

O filho, Renê Santana, discorda de Dioguardi. "Alguma coisa aconteceu nos exames, meu pai voltou outro homem para o quarto", afirma. A partir daí, os movimentos tornaram-se mais lentos; o raciocínio, mais devagar, difícil e confuso; as pálpebras caíram. Ao sair do hospital, uma semana depois, Telê não teve condições de ir sozinho ao São Paulo Futebol Clube discutir um novo contrato. Foi levado ­ de mãos dadas - por Renê, Sandra e o marido, Ronaldo. Algo inimaginável para um homem superindependente e voluntarioso.

A família apostava na melhora com o tempo. Renê chegou a fazer um teste: colocou o pai na direção do carro, mas teve que pegá-la; ele não tinha mais capacidade para dirigir, uma carreta quase os atropelou. "É como se o Telê tivesse tomado um porre e não saído da embriaguez", compara o filho.

Dioguardi refuta: "Telê teve hipoglicemia (diminuição dos níveis de "açúcar" no sangue) ou sofrimento cerebral passageiro, não isquemia cerebral. Clinicamente, ficou mais como hipoglicemia. Foi só uma vez, na madrugada seguinte, nada a ver com o exame. Se eu não tivesse feito alguma coisa, ele já teria morrido à beira do campo. Além do mais, quem escolheu a angiografia foi o próprio Telê, a filha autorizou. Mas ele teria que fazê-la de qualquer jeito, é o padrão-ouro para as isquemias cerebrais." Isquemia cerebral é o outro nome usado pelos médicos para AVC isquêmico.

O neurocirurgião Marco Prist, que pegou o bonde andando, endossa a indicação: "Se você me der um paciente hígido, atleta, com o quadro clínico do Telê, ele vai para a arteriografia. O Telê não escaparia dela. É o exame final para uma pessoa com problema circulatório. O mau súbito horas depois foi uma fatalidade coincidente. Acho que fez isquemia cerebral. Mas a angiografia não foi a determinante, ele foi bem nela."

Dona Ivonete contesta : "Vi o doutor Marco bater de frente com o doutor Dioguardi, e condenar a realização do exame." Sandra acrescenta: "Ao nos mostrar a tomografia no Dante, o doutor Prist disse que meu pai tinha lesões de AVC antigos, que não produziram seqüelas, mas que havia um AVC frontal, grande e recente." A tomografia foi feita na manhã do dia 30 de janeiro de 1996, entre 20 e 24 horas depois da angiografia e do cateterismo cardíaco.

Confrontado numa segunda entrevista, Marco Prist admite: "A família pode ter visto eu perguntando por que não a ressonância ou a tomografia, nunca condenando a indicação da angiografia. Quanto à tomografia, não me lembro bem, mas certamente tinha lesões agudas, recentes, em vista do quadro clínico de Telê naquele momento." Telê estava com incoordenação motora, lerdeza de movimentos, confusão mental, chegou a "ler" jornal de cabeça para baixo. Nada a ver com o homem que chegara dirigindo o próprio carro para fazer os exames. A propósito, a cinecoronariografia, indicada para aproveitar a ocasião, mostrou que o coração de Telê estava ótimo. Esse exame é também invasivo: tem menos de 1% de risco de complicações - entre as quais insuficiência renal, arritmia, infarto, AVC e até óbito ­ e elas ocorrem mais em pacientes diabéticos e idosos.

Imprudência em dose dupla
Sem identificar a figura de Telê Santana, NoMínimo apresentou o caso como uma situação hipotética a vários especialistas do país. Eles foram unânimes em considerar imprudência a indicação de dois exames potencialmente de risco sem necessidade. Num diabético ­ e Telê já era em 1996 --, pior ainda: aumenta o risco de complicações, tanto do cateterismo cardíaco quanto da angiografia cerebral.

"Não é por que a pessoa é diabética que se faz obrigatoriamente cinecoronariografia", avalia em tese o cardiologista Edson Stefanini, coordenador do grupo de Coronariopatias da Unifesp. O cateterismo cardíaco só é recomendável quando o paciente apresenta quadro clínico de isquemia miocárdica ou os testes não-invasivos indicam alto risco. Os exames não-invasivos são: o teste ergométrico com ou sem cintilografia miocárdica; ou o ecocardiograma com um medicamento que aumenta o trabalho cardíaco. Eles são capazes de informar se há alguma obstrução importante. Teoricamente seriam uma ótima opção para investigar o coração de Telê, até porque era desprezível a alteração do seu eletrocardiograma e ele não tinha angina (dor no peito).

Quanto à angiografia cerebral, esclareça-se:

1. Não é verdade que um caso de AVC tenha sempre de passar por esse exame. Na maioria dos casos, ele é dispensável. Nos últimos dez anos, a tendência é usá-lo cada vez menos para diagnóstico, deixando-o para certos casos de tratamento, embora haja situações em que é insubstituível.

2. O exame só é recomendado depois de haver certeza do diagnóstico de AVC. Essa certeza advém da avaliação física do paciente combinada com a tomografia sem contraste ou a ressonância magnética, que permitem conhecer o grau de lesões no cérebro. Só então, se os benefícios superarem os riscos, angiografia cerebral pode ser feita ­ e de maneira eletiva.

No caso do Telê, queimou-se essa etapa do diagnóstico por meio da tomografia ou da ressonância. A angiografia foi às escuras, sem saber se os mal-estares que ele tivera no decorrer de 1995 eram mesmo AVC e qual a extensão dos danos no seu cérebro. "No mínimo, a tomografia de crânio sem contraste é obrigatória em toda suspeita de AVC", cientifica o neurologista Ayrton Massaro.

A tomografia dura dois minutos. É como se o paciente, deitado, passasse no meio de um aro de 50 centímetros. Às vezes, é necessária a ressonância magnética, que dá informações mais detalhadas. Para isso, a pessoa entra num túnel dentro da máquina e fica imóvel por 30 minutos. Segundo o médico Antonio José da Rocha, responsável pelo Serviço de Neurorradiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, aproximadamente 10% dos pacientes têm pavor da ressonância. Porém, mostrando que é necessária e benéfica, muitas vezes a pessoa cede. Quando o temor é demais, o jeito é fazê-la com anestesia. Na tomografia, raramente isso é preciso.

Mas, se o paciente teimar e não quiser de jeito algum tomografia ou ressonância, está certo fazer excepcionalmente a angiografia cerebral? A resposta é não. Segundo neurologistas, o médico deve insistir na explicação ao paciente ou aos seus representantes legais sobre a necessidade da ressonância ou da tomografia. Afinal, é inadmissível correr riscos à toa, por menores que eles pareçam.

Riscos que nem Telê nem a família conheciam. Para eles, o exame era banal. "Meu pai não era médico, não tinha conhecimento para decidir; o médico é quem tinha de mostrar que um exame tinha risco e o outro não", responde Sandra ao cardiologista Giuseppe Dioguardi, que joga nas costas de Telê toda a responsabilidade pela realização da angiografia, com autorização dela. "Na hora do exame, me deram um papel pra assinar; não sei o que assinei, sou leiga", prossegue Sandra. "Só sei que a questão do risco nunca foi colocada à família. E se tivesse sido exposta com todas as letras ao meu pai, provavelmente a decisão dele seria outra. Ele era instransigente, burro, não." Um indício da absoluta falta de esclarecimento médico é que só, agora, durante a apuração desta reportagem, a família descobriu que Telê foi submetido a dois exames: angiografia cerebral e cateterismo cardíaco. Para eles e para o próprio Telê, era um só: cateterismo.

Por Juca Kfouri às 16h49

O que houve com Telê - Parte 4

Conclusão: Telê foi submetido a dois exames que não eram a melhor opção inicial para o seu caso, e ambos com risco potencial de provocar um AVC. E, embora Giuseppe Dioguardi e Marco Prist digam que não houve qualquer complicação nos exames ou em decorrência deles, sete indícios apontam para a direção oposta:

1. Assim que Telê voltou dos exames, Dioguardi comunicou à família que ele ficaria internado. Não é o habitual quando tudo dá certo. Em geral, duas a quatro horas após o cateterismo cardíaco ou a angiografia cerebral, o paciente é liberado; sai andando normalmente, pois as anestesias são locais. Tanto que Telê nem sequer levou roupa para o hospital, A previsão era sair no mesmo dia, mas a internação se prolongou por uma semana.

2. Dioguardi diz que Telê teve um único mal-estar no hospital ­ o da madrugada. Já a família relata dois, e parecidos: um, pouco depois de chegar ao quarto; outro, horas depois. Em ambos, perdeu os sentidos por instantes.

3. Dioguardi diz que o mal-estar de Telê no hospital não foi AVC, mas uma hipoglicemia. Já Prist diz que acha que Telê teve AVC.

4. Dioguardi diz que a lesão recente detectada na tomografia era provavelmente a do episódio de 30 dias atrás, quando a boca de Telê entortou e ele se recuperou, totalmente, em minutos. Já Prist diz que a lesão recente refletia o quadro clínico daquele momento. Telê, relembre-se, estava com incoordenação motora, lerdeza de movimentos, confusão mental, chegou a "ler" jornal de cabeça para baixo.

5. Dioguardi diz que quem fez o cateterismo cardíaco e a angiografia cerebral foi o médico José Eduardo Sousa, que, por mais de um mês, a repórter tentou entrevistar para saber de eventuais complicações nos exames. Às solicitações feitas por telefone à sua secretária, dona Emery Lotufo, sempre a resposta: "O doutor não tem tempo". A repórter enviou, então, três e-mails em datas diferentes. Dona Emery retornou, após o segundo: "Se o doutor Eduardo fez algum exame no senhor Telê, foi apenas cateterismo cardíaco, sua especialidade, e não angiografia cerebral, que não é a área dele. Precisamos de tempo para levantar o prontuário e o doutor Eduardo conversar com o doutor Giuseppe, que está em férias". O tempo solicitado passou, Dioguardi voltou ao trabalho e nenhuma resposta foi dada. A repórter voltou a cobrar, então, a resposta. Nada. Tentativas finais: um telefonema para a residência de José Eduardo Sousa, onde foi deixado recado, e uma mensagem para o endereço eletrônico pessoal, reiterando o pedido da entrevista ou das respostas por e-mail. Na última correspondência, a repórter deixou claro que esta reportagem estava sendo fechada e o nome dele seria citado como tendo feito o cateterismo cardíaco e a angiografia cerebral em Telê Santana. Silêncio, de novo, apesar de o médico estar em São Paulo na ocasião.

6. Diálogo dos filhos de Telê com Marco Prist. "O senhor acha que o meu pai tem condições de assumir o Barcelona daqui a algum tempo?" Na época, Telê estava para assinar contrato milionário como técnico do clube espanhol. Com a tomografia na mão, Prist cortou as esperanças: "Acho muito difícil que o aceitem nesse estado." Renê Santana cancelou então as negociações com o Barcelona. Meses depois, Telê assinou contrato com o Palmeiras, por insistência da direção do clube, disposta a aguardar o tempo que fosse necessário para a recuperação do ex-técnico. "Concordamos até como uma forma de estimular o meu pai, mas, ao vê-lo assistindo a uma partida no dia em que foi apresentado aos jogadores, ficou claro que ele não tinha condições e cortamos a possibilidade do contrato", relembra Renê.

7. O testemunho consistente da família: Telê Santana transformou-se em outro homem a partir dos exames, no dia 29 de janeiro de 1996. "O que aconteceu no Dante foi o divisor de águas, foi o AVC que o meu pai teve lá que deixou seqüelas", afirma Renê. "Foi o começo do fim, o estado do meu pai não teve mais volta", acrescenta Sandra.

O que fazer?
O princípio número 1 da medicina é nunca fazer o mal. Em se tratando de AVC, acrescenta-se: é muito melhor não fazer nada do que fazer errado, ensina o professor Bacheschi. A natureza tem mecanismos para controle do AVC e, se o profissional não for capacitado para agir, pode agravar a situação. "Na tendência de fazer alguma coisa, às vezes o médico acaba fazendo o que não deve", observa Karlo Moreira, com base no que detectou na sua pesquisa.

Para o professor Mílton de Arruda Martins, as autoridades de saúde, escolas médicas e associações de profissionais precisam sentar rapidamente para discutir como assegurar o preparo dos médicos para enfrentar o AVC e outras emergências. Outra necessidade urgente é a estruturação de serviços especializados para atendimento de casos de AVC, como já acontece com o coração. Hoje em dia, quase todos os hospitais têm uma unidade coronariana. Para o complexo tratamento de AVC, a quantidade de serviços ainda é reduzida.

O AVC é problema de saúde pública que tem tratamento e, melhor ainda, pode ser prevenido. "Não é uma fatalidade, ou seja, uma doença que acontece porque tinha de acontecer ", assegura o neurologista Ayrton Massaro. É um risco que a pessoa tem como evitar. A receita preventiva: manter a pressão arterial sempre abaixo de 14 por 9; tratar com rigor o diabetes; dar adeus ao tabagismo; e evitar o abuso de álcool. Obesidade, sedentarismo e elevação dos níveis de colesterol no sangue também são fatores de risco. A doença é mais freqüente após os 60 anos, mas às vezes ocorre mais cedo.

Aprender a reconhecer o AVC em plena manifestação também é fundamental. Preste atenção aos possíveis sinais de alerta. De repente, rosto, braço e perna, especialmente de um lado, param de se movimentar ou ficam dormentes. Às vezes, só a face é atingida, a boca entorta, a fala enrola, o olho cai. Mas outros sinais, igualmente súbitos, podem dar o alarme: raciocínio confuso, visão dupla ou cegueira, perda de equilíbrio, tontura, queda no chão sem perda de consciência, desmaio, dificuldade para andar ou dor de cabeça violenta sem motivo aparente. Na presença desses sinais, vá imediatamente à emergência de um hospital. Quanto mais tempo demorar para o diagnóstico de um AVC, mais tecido cerebral é destruído. Tempo, como dizem os neurologistas, é cérebro. Se melhorar no caminho, prossiga assim mesmo para o hospital. Alguns casos podem regredir de maneira espontânea, mas precisam ser investigados e tratados seriamente e com rapidez. Do contrário, o próximo aviso pode ser devastador.

Provavelmente se soubesse disso tudo,Telê tivesse buscado socorro ao primeiro alarme. "Ao notar os sinais de alerta, não faça como o meu pai, que, por não saber, deixou pra lá", reforça Sandra, calcada na batalha dos últimos oito anos. Pergunte também muito aos médicos sobre exames e tratamentos. Você é leigo, não tem obrigação de saber sobre o risco dos procedimentos. O médico tem o dever de informar e o paciente tem o direito de saber. "Nosso objetivo não é punir ninguém", avisa Renê. "Queremos apenas que o caso do Telê sirva de lição e ajude a alertar sobre o AVC e a melhorar o seu atendimento no Brasil."

Por Juca Kfouri às 16h47

O jogo mais difícil de Telê Santana

Telê Santana foi o "Fio de Esperança" do Fluminense entre 1951 e 1960.

Magro e trabalhador, camisa 7, ponta-direita recuado, foi campeão carioca pelo tricolor em 1951 e em 1959, além de campeão do Rio-São Paulo de 1957.

Jogou ainda de 1960 a 1962 no Guarani e encerrou a carreira de atleta no Vasco, em 1963, coisa que poucos sabem ou se lembram.

Virou técnico e virou mestre.

Passou a ser chamado de mestre Telê Santana, porque foi o primeiro campeão brasileiro, pelo Galo, em 1971, tirou o Grêmio de uma fila de  oito anos sem títulos gaúchos em 1977 e levou o São Paulo ao bicampeonato da Libertadores e do Mundial de clubes, em 1992/93.

Além de ter dirigido a Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1982, quando montou um time inesquecível, e de 1986.

No início de 1996, um erro médico o desgraçou.

Vítima de uma isquemia cerebral, foi inicialmente tratado como se estivesse com problemas cardíacos.

De lá para cá perdeu sua independência e sua alegria, ele que era um dos melhores contadores de caso deste país.

Três anos atrás precisou amputar parte da perna esquerda.

Agora está na UTI do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, em estado grave, na luta contra uma septicemia, infecção generalizada.

Telê tem três tricolores como suas maiores paixões: o Fluminense, o Grêmio e o São Paulo.

E um alvinegro, o Galo.

Mas certamente todos os torcedores brasileiros esperam que ele vença o jogo mais difícil que já enfrentou.

Por Juca Kfouri às 01h28

27/03/2006

Meia sola, não!

Há sapatos que não comportam mais uma simples meia sola.

Ou se troca a sola inteira ou é melhor deixar como está, furado mesmo.

É o caso da arbitragem eletrônica no futebol.

Ou é implantada 100%, com o uso transparente de imagens para decidir lances polêmicos, ou é melhor não mexer.

Porque a meia sola dá no que deu no Morumbi, ontem.

Conversa para cá, conversa para lá e até quem achou que houve falta de Tevez discordou da maneira como a decisão foi adotada.

E seria uma decisão complicada mesmo com o uso de imagens.

Vi mil vezes e não daria a falta.

Outros se convenceram da existência da falta.

Mas bastaria olhar uma vez para perceber a cotovelada de Marcus Vinicius em Washington para dar o pênalti e expulsar o corintiano.

Como duas olhadas bastariam para ver a inversão da falta que originou o empate palmeirense.

Ou que não aconteceu o pênalti de Gamarra que Tevez reclamou no fim do jogo.

Dois aspectos mais ficaram claros:

1. Não se justifica a estréia de uma experiência dessas num clássico e, pior, no fim do campeonato, porque é imprudente por um lado e, por outro, por não ser uma medida igual para todos, desde o começo do campeonato;

2. O ponto eletrônico não é transparente. Quem garante que só os quatro árbitros (os três em campo e o reserva) o utilizam?

Quem garante que o presidente da Comissão de Arbitragem também não o utiliza, numa sala fechada, com TV?

Ou o presidente da Federação Paulista de Futebol?

Ou o presidente do Corinthians?

Ou o do Palmeiras?

Ou o dono de uma casa de apostas?!

 

Por Juca Kfouri às 00h21

Por que Rogério Ceni falhou

Rogério Ceni falhou na saída de bola com os pés e o Rio Branco empatou.

Depois, já no fim do jogo, Rogério Ceni bateu mal um pênalti, mas, mesmo assim, marcou o quarto gol tricolor.

O São Paulo ganhou em Americana (4 a 2), continuou a quatro pontos do Santos, mas Rogério não teve um domingo feliz.

Já há quem diga que a falha tirou qualquer chance de o goleiro ir à Copa.

Bobagem.

Ele não deve ir porque não está nos planos de Parreira.

Não por um erro.

E por que Rogério Ceni errou?

Porque só no São Paulo um jogador pega a bola na intermediária adversária, recua para seu campo de defesa na altura do meio de campo e o jogador que a recebe recua ainda mais, para o goleiro.

Só o São Paulo e aquela Seleção Brasileira que jogou recentemente o amistoso em Moscou, com Rogério no gol.

Porque todos confiam na saída de bola de Rogério Ceni, responsável por incomparavelmente mais acertos do que erros em seus lançamentos.

Seu equívoco até o deixou visivelmente constrangido e chateado.

Mas não teve, rigorosamente, a menor importância.

 

 

Por Juca Kfouri às 23h12

26/03/2006

Decisões estaduais

No Rio Grande, depois de sete anos, a dupla Gre-Nal decidirá o estadual.

Em Minas, pelo segundo ano consecutivo, Cruzeiro x Ipatinga, que passaram hoje de passagem pelo Galo e pelo América (2 a 0 e 3 a 1).

Só que, desta vez, o segundo jogo será no Ipatingão.

No Rio de Janeiro, um pequeno contra um grande, como no ano passado, quando Fluminense e Volta Redonda decidiram.

Agora será a vez do humilhado (pelo Ipatinga) Botafogo decidir com o Americano (que tem levado vantagem no confronto) ou com o Madureira que eliminou a Cabofriense nos pênaltis. 

Cabofriense que só não ganhou no tempo normal do Madureira (1 a 1), porque a arbitragem não marcou um pênalti de Odvan em Teti. 

No Paraná, está pintando Coritiba x Paraná Clube, que ganharam hoje, mas ainda têm os jogos de volta.

O Atlético Paranaense está fora.

Os coxas fora de casa diante da Adap (foi 1 a 0 no Couto Pereira) e os paranistas em casa contra o Rio Branco (ganharam em Paranaguá por 2 a 1).

Em Goiás, o Goiás, em estado de graça, decidirá com o Atlético Goianiense, que tem a melhor campanha do estadual.

O Vila Nova assiste.

E daí?

Daí que a tradição, exceção feita ao Rio Grande do Sul, e a São Paulo (que teve o São Caetano campeão no ano retrasado), parece mesmo coisa do passado.

 

Por Juca Kfouri às 18h56

Empate quente e desastroso

Nilmar fez 1 a 0 no Morumbi e o Palmeiras empatou numa cobrança de falta (que era para o Corinthians e o árbitro inverteu) de Edmundo que bateu na trave e Washington aproveitou.

Aí, o Palmeiras, que era dominado, dominou.

Pena que Marcinho decepcionasse.

Até Tevez fazer o segundo gol, anulado por suposto empurrão do argentino no zagueiro Leonardo Silva.

Empurrão que, registre-se, Gamarra e Marcinho Guerreiro reclamaram imediatamente, mas que a auxiliar Ana Paula não marcou.

Pelo menos até, ao voltar para o meio de campo, ser interrompida em seu caminho por Leão e pelo banco palmeirense.

Mas o outro auxiliar, como os dois palmeirenses, também achou que houve a falta.

Então, o sr. Abade anulou o gol, equivocadamente, pois o que houve foi um choque normal.

No segundo tempo, o Corinthians foi superior, talvez em sua melhor atuação neste ano.

Sinal de que, provavelmente, Ricardinho e Roger não devam mesmo jogar juntos, porque, sem o segundo, o primeiro, apesar de não ter brilhado, joga mais à vontade.

O Corinthians só levou três sustos: num chute de Washington que Marcelo defendeu; noutro de Lúcio (que jogou bem!), por cima; e em mais um que Marcelo quase pôs a bola dentro de seu próprio gol.

E o Corinthians deu vários sustos no Palmeiras, com Tevez, com Ricardinho, com Gustavo Nery que, mais discreto, também jogou bem.

O Corinthians não ganhou, como mereceu, e o Palmeiras perdeu, com o empate, a chance de voltar a ser campeão depois de 10 anos.

Verdade que o alviverde ainda teve um pênalti que o árbitro não viu e que poderia lhe dar a vitória para continuar vivo.

Mas não jogou para tanto.

Por Juca Kfouri às 16h14

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico