Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

17/06/2006

Favoritismo não é com a Itália

Os italianos são curiosos: morrem de medo de passar vergonha e, por isso, com freqüência, passam vergonha.

E detestam ser favoritos.

Perigosos, para eles, não são os brasileiros, os alemães, os argentinos e ingleses, todos do mesmo tamanho.

Perigosos são os orientais (em 1966 a Coréia do Norte, isso mesmo, a do norte, derrotou a Itália na Copa da Inglaterra) ou, quem sabe, os norte-americanos, uma espécie ainda de café-com-leite no futebol.

Só que se diante da República Tcheca a seleção dos Estados Unidos se apresentou de maneira tímida, como se fosse penetra em festa chic, contra a Itália eles souberam se aproveitar do nervosismo e desorganização surpreendentes dos azzurri.

E jogaram melhor que eles no primeiro tempo, mesmo depois de ter tomado um gol que não se justificava, num peixinho de Gilardino.

O empate não demorou, num gol contra que beirou o ridículo de Zaccardo.

Em seguida De Rossi deu uma cotovelada criminosa (parece vocação de norte-americano levar cotovelada de tricampeão mundial, lembremos de Leonardo, em 1994...) e foi expulso. Provavelmente não jogará mais neste Mundial.

Só que o ingênuo do volante Mastroeni igualou tudo, ao também ser corretamente expulso, por carrinho indecoroso.

E o segundo tempo começou com o 1 a 1 no placar.

Só que nem bem começou e o zagueiro americano Pope deu outro carrinho desleal e também foi eliminado da partida.

Não há quem agüente.

Mas eles aguentaram e ainda fizeram um gol, bem anulado pelo trio uruguaio, comandado por Jorge Larrionda, que beirou a perfeição.

O goleiro Keller fez milagre em lance de Del Piero e mesmo com 9 contra 10 os americanos mostraram mais fantasia que os italianos.

Que pressionaram até o fim, sem sucesso.

O Grupo E está aberto e os italianos têm péssimo retrospecto diante dos tchecos, seus próximos adversários.

Por Juca Kfouri às 16h46

E foi de pouco

Gana arrasou a República Tcheca e obteve a primeira vitória africana nesta Copa, 2 a 0.

Os europeus jogaram sem dois de seus jogadores mais importantes, mas, mesmo assim, decepcionaram depois da estréia tão elogiada diante dos EUA.

Se Gana tivesse um pouco mais de concentração na hora de finalizar teria, sem exagero, vencido por 5 a 0.

E nem se fale do pênalti batido na trave por Asamoah, porque isso acontece nas melhores famílias.

O que ele não poderia era tomar o cartão amarelo por bater a penalidade antes que o árbitro autorizasse, coisa que eu jamais tinha visto na vida.

A gracinha o tirou do jogo decisivo contra os norte-americanos.

Ainda falta seriedade aos jogadores da mamãe África, porque talento eles têm de sobra.

 

Por Juca Kfouri às 13h45

Felipão firme

Cheguei em Munique apenas a tempo de ver o gol de abertura, belíssimo, de Deco, e a conclusão da vitória de Portugal sobre o Irã, 2 a 0.

Marcou-se o segundo pênalti nesta Copa, de tantos que houve.

E, com um empate contra o México, Felipão garante não só o primeiro lugar do grupo como completará 10 jogos sem perder em Copas do Mundo.

Não é pouco, por mais que, pelo que vi, Portugal ainda não passe firmeza.

Por Juca Kfouri às 11h11

Querido Bussunda

Há coisas inexplicáveis, sentimentos que não se sabe de onde vêm.

Na madrugada deste sábado, ao terminar o "Linha de Passe", na ESPN-Brasil, pensei aliviado: "Enfim, depois de duas sextas-feiras mórbidas, acabou esta, sem nenhuma morte".

Na sexta-feira em que vim para a Copa, no dia 2 de junho, tive a notícia da morte de Jairo Régis, ex-diretor da "Placar", que registrei neste blog.

Jairo foi figura importante em minha vida e viajei comovido, embora ele estivesse mal há muito tempo.

Na sexta-feira seguinte, dia 9, acordei aqui na Alemanha, entrei na Internet e fiquei chocado com a morte de Fiori Gigliotti, personagem de minha infância e adolescência e com quem convivi pelos estádios do mundo.

Neste momento estou no trem (12h), indo de Frankfurt para Munique, onde a Seleção jogará amanhã.

E toca o telefone celular.

É André, meu filho, para informar sobre a morte de Bussunda, com quem estive longamente poucos dias atrás e até dei nota -- com a graça feita por ele, que não tinha visto time algum melhor que o do Flamengo nesta Copa, exceção feita à Argentina.

Bussunda era excelente humorista. E um humanista.

Tinha plena consciência do país em que vivia e era inconformado com as injustiças.

Ainda quando tinha uma coluna sobre futebol no jornal "O Dia", do Rio, comprava todas as boas brigas contra a corrupção da cartolagem.

No relançamento da "Placar", em 1995, o contratamos para fazer duas páginas mensais, o que fez com o brilho de sempre.

Éramos chapas, daqueles que pouco se vêem.

Mas sempre que nos encontrávamos parecia que tínhamos nos visto no dia anterior.

Jamais poderia imaginar que nosso encontro no treino da Seleção seria o último.

Se imaginasse, não o teria largado e não deixaria que ele fosse jogar futebol.

Viver é muito bom, mas tem horas que dá vontade de mandar tudo para bem longe.

Por Juca Kfouri às 09h03

16/06/2006

Drama em Hannover

México e Angola protagonizaram um 0 a 0 dramático, o terceiro desta Copa.

Os norte-americanos em busca do reconhecimento internacional.

Os africanos atrás da maturidade que o mundo do futebol ainda não lhes confere.

E se não fizeram uma partida tecnicamente rica, desde o início não faltou coração.

Se já não tinha sido fácil a vida mexicana diante do Irã, mais complicada ainda foi perante Angola.

Que mostrou o mesmo coração apresentado na partida contra Portugal.

As chances de gol se alternaram e a intensidade acabou sendo a marca registrada da disputa.

Aos 78 minutos os angolanos ficaram reduzidos a 10 jogadores e os mexicanos não souberam se aproveitar da vantagem, embora tenham mandado um bola na trave aos 88.

Os mexicanos ainda devem.

E os angolanos ainda sonham.

Por Juca Kfouri às 16h49

Até aonde os Van vão?

Holanda e Costa do Marfim tinham uma dura missão: o de pelo menos se aproximar do nível mostrado pelo futebol argentino no primeiro jogo desta sexta-feira.

O jogo ia equilibrado, com ligeira vantagem holandesa, até que um pênalti não foi marcado para os africanos.

Que desabaram em seguida.

Van Persie abriu o placar batendo falta com violência, mas defensável,aos 23 minutos, e Van Nistelrooy fez o segundo gol, aos 27.

Em seguida o colombiano Oscar Ruiz compensou seu erro ao mostrar cartão amarelo para Robben por simulação num lance em que, se não foi pênalti, era daqueles impossíveis de o atacante se manter em pé.

Susto mesmo o jovem time de Van Basten tinha levado um pouco antes, com uma bola que bateu violentamente em seu travessão.

E depois do susto, o golpe: um golaço de Koné, que joga justamente no holandês PSV, em jogada pessoal e perfeito chute cruzado.

Eram decorridos 38 minutos e a missão estava sendo cumprida à risca.

O jogo agradava e se não fosse um erro de passe de Drogba o primeiro tempo teria terminado empatado.

Costa do Marfim voltou com um futebol ainda mais agressivo depois do intervalo e a Holanda respondia em contra-ataques.

As duas maiores estrelas da partida, Robben e Drogba, não brilhavam, embora, ao contrário do marfinense, o holandês não decepcionasse.

Na verdade, Costa do Marfim mereceu melhor sorte, o empate, no mínimo, e tem do que se queixar, porque aquele pênalti do primeiro tempo...

Seja como for, os africanos endureceram para dois candidatos, argentinos e holandeses, diferentemente dos europeus da Sérvia e Montenegro.

Holanda e Argentina se juntam ao Equador, Alemanha e Inglaterra, já nas oitavas-de-final.

Por Juca Kfouri às 13h42

Três vira, seis acaba

Foi um primeiro tempo de sonhos.

Os dois primeiros gols (Maxi Rodriguez e Cambiasso) argentinos contra os sérvios e montenegrinos, então, foram sensacionais, no velho estilo do "toco e me vou".

E com direito a passes de calcanhar no meio (Sorín) e no fim (Crespo) do caminho.

No segundo gol, então, depois de uma interminável troca de passes, com os adversários atônitos, na roda.

Saviola, que teve participação direta nos dois primeiros gols,  ainda roubou com picardia (e com falta?) a bola para Maxi Rodrigues marcar o terceiro.

Foram 45 minutos irretocáveis, embora repletos de toques, nos quais a Argentina mostrou-se menos "Riquelmedependente" e mais corajosa do que contra a Costa do Marfim, porque tratou de liquidar o jogo, sem dar chances para o azar.

No segundo tempo, o diapasão mudou um pouco, como era de se esperar, com o domínio mantido, mas com menos volúpia.

Aos 12 minutos, Carlitos Tevez entrou no lugar de Saviola, o que pode ter feito Parreira pensar sobre a escolha de Pekerman em insistir numa formação mais conservadora, embora eficaz.

Toque pra lá, toque pra cá, os europeus perderam a cabeça diante da refinada escola sul-americana e acabaram ficando com 10 jogadores, aos 20 minutos.

Um baile em Gelsenkirchen a tal ponto que durante dois minutos contados no relógio, entre os 25 e 27, a bola não saiu dos pés dos argentinos.

Aí, o menino Messi entrou no lugar de Maxi Rodriguez.

Na primeira bola que ele pegou, em mais um bom lançamento do goleiro Abbondanzieri, sofreu falta.

Na segunda, ao receber o passe na cobrança da falta, deixou um adversário na saudade pela esquerda e cruzou para Crespo marcar o quarto gol.

O baile assumia ares de massacre.

Que se consumou aos 38, depois que Tevez comeu dois adversários também pela esquerda e tocou para as redes de pé direito, mais com jeito que com força.

Em seguida, aos 43, Tevez tabelou com Crespo e deu para Messi fazer 6 a 0.

A Argentina é poderosa.

E cheia de armas.

Os sérvios vão voltar para casa, já separados dos montenegrinos.

Por Juca Kfouri às 10h50

15/06/2006

A moda virou para gol no fim

Como a Alemanha diante da Polônia, Inglaterra e Suécia também sofreram para vencer Trinidad e Tobago e Paraguai.

Se na primeira rodada da Copa, os gols aconteceram no começo dos jogos, nesta segunda estão sendo guardados para o fim.

E ingleses e suecos fizeram por merecer as vitórias -- 2 a 0 e 1 a 0 --, tanto que buscaram o gol.

Os ingleses, é verdade, tomaram um sustaço e se não é o zagueiro Terry, sei não, porque ele salvou uma bola na linha fatal quando estava ainda 0 a 0.

E mais dois europeus ganharam de mais duas seleções do continente americano.

Só Brasil e Equador venceram europeus do lado americano.

O Equador, por sinal, que fez o que quis com Costa Rica.

Ganhou de 3 como poderia ter ganho de 5.

Por Juca Kfouri às 16h57

Transparência

A CBF informa que Ronaldo poderia ter ido para a academia onde fez exercícios físicos nesta manhã pelo subterrâneo do hotel, sem que ninguém visse.

Mas que optou pela transparência, para que todos pudessem vê-lo.

A explicação de Rodrigo Paiva, o assesssor de imprensa da entidade, foi singela:

"O que aconteceu em 1998 ensinou muita coisa a muita gente. Por isso não queremos esconder nada de ninguém".

Resta a pergunta óbvia e, ressalve-se, Paiva não trabalhava na CBF então:

o que foi escondido no episódio com o próprio Ronaldo na Copa da França?

Por Juca Kfouri às 07h49

14/06/2006

Ronaldo, outra vez

Juntando uma coisa na outra, parece claro que Ronaldo tinha motivo para estar aparentemente sonado no jogo diante da Croácia.

A tontura da qual o craque se queixou, e que a nota da CBF chamou de "tonteira", precisa ser mais bem explicada.

A Seleção Brasileira já perdeu uma Copa por insistir em escalá-lo sem condições.

Ao que tudo indica, repetiu o mesmo erro no jogo de estréia desta Copa.

Em tempo: a nota, neste blog, sobre a atuação de Ronaldo, estourou o limite de comentários possíveis dos blogueiros, tecnicamente de 1000 comentários, mas, na verdade, de 1004.

Peço desculpas pelos eventuais comentários que não puderam ser publicados.

Por Juca Kfouri às 21h41

Sobre Lúcio

Que acho Lúcio um zagueiro inseguro e trapalhão é público e notório.

Que disse que a opinião de Tostão sobre ele, mais complacente, me tranquilizava um pouco, também.

Mas diante da Croácia, duas vezes ele permitiu que, do miolo da área brasileira, os adversários finalizassem.

E em três escanteios ele subiu sem achar nada, em três bolas que foram perigos iminentes de gols.

Daí o 5.

Que mantenho, na torcida para dar um 10 para ele daqui por diante.

Imaginar que tenha problema pessoal com o zagueiro é tão pueril que basta dizer o seguinte: jamais conversei com Lúcio.

Por Juca Kfouri às 18h22

Alemanha, no sufoco

O gol, de Neuville, só saiu aos 91 minutos de jogo.

Antes disso, a dupla Podolski/Klose havia perdido pelo menos três chances de ouro para derrotar a insípida Polônia.

Fora duas bolas no travessão, no minuto anterior ao gol salvador.

A Alemanha mereceu e parece ter corrigido os problemas defensivos revelados contra a Costa Rica, embora possa ter sido em função da fragilidade polaca.

Mas a Alemanha que se cuide diante do Equador.

Ou investe um pouco mais em criatividade, ou pode ter uma surpresa desagradável.

Por Juca Kfouri às 17h05

Até quando, Fúria?

A Espanha começou bem, muito bem.

Enfiou 4 a 0 na Ucrânia como quis e jogando futebol de verdade.

Terá duas molezas pela frente, Arábia Saudita e Tunisia, que fizeram um jogo verdadeiramente da segunda divisão desta Copa, também com direito a invasão de campo, como no jogo do Brasil.

A partida acabou 2 a 2, melhor resultado possível para os espanhóis.

Que precisam provar, e sabem disso, que a Fúria é capaz de passar das quartas-de-final, coisa que só aconteceu uma vez na história.

Raul começou no banco, prova de que, no mínimo, a Fúria não respeita nem nome nem antiguidade.

Bom sinal.

 

Por Juca Kfouri às 13h55

Notas, a pedidos

De volta à base, em Bad Soden, perto da Seleção, eis as notas brasileiras do jogo de ontem, atendendo a pedidos.

Saíram, também, na Folha.

Dida - quatro boas defesas - 8

Cafu - firme, forte, Cafu - 7

Lúcio - um susto aqui, outro ali - 5

Juan - mais seguro - 6

Roberto Carlos - Perigoso no ataque, desatento na defesa - 5

Emerson - cão de guarda, cumpridor - 6

Zé Roberto - ótimo primeiro tempo - 7

Ronaldinho - esperávamos muito mais - 6

Kaká - um golaço e muita participação - 8

Adriano - prejudicado por Ronaldo e pesadão - 5

Ronaldo - em homenagem à sua história, sem nota

Robinho - põe fogo no time - 7

Parreira - demorou para tirar Ronaldo - 6

Por Juca Kfouri às 13h48

13/06/2006

Ronaldo não merece

Aos 36 anos de carreira, acompanhando, profissionalmente, Copas do Mundo, desde 1970, jamais me vi diante de situação tão angustiante.

Em respeito a Ronaldo, é preciso apelar: não o escale mais, Parreira.

Ronaldo parecia um pugilista pesado e grogue no ringue, depois de um soco na ponta do queixo.

Não sabia o que fazer com a bola, não se ligava no que acontecia em sua volta, não nada.

Não fosse Kaká fazer um gol salvador e Dida algumas defesas importantes, e a Seleção Brasileira não teria estreado com vitória diante da Croácia e não teria alcançado a primazia mundial de ser a única que venceu oito jogos seguidos em Copas do Mundo.

Sim, pior fez a França também do já cansado Zidane, que além de apenas empatar 0 a 0 com a Suiça, compeltou seu quarto jogo sem marcar gol em Copas do Mundo.

Mas a França é problema dos franceses.

O nosso, neste momento, é um só: preservar Ronaldo.

Por Juca Kfouri às 19h24

Futebol não é guerra

Com dois tanques lá na frente não dá.

Não fosse o tirambaço de Kaká, de esquerda, e este segundo tempo seria torturante.

Ronaldo está apanhando da bola e até para preservá-lo Parreira não pode mantê-lo.

A defesa vai bem, obrigado.

Por Juca Kfouri às 15h56

Foi só elogiar...

Parece mentira, mas não tem conexão sem fio nas tribunas do Estádio Olímpico de Berlim.

E como estou no posição de observador, pela ESPN-Brasil, não tenho, também, conexão por banda larga, pela qual pagaria 170 euros por jogo.

A culpa não é dos alemães.

É da ganância desmedida da Fifa e de seus patrocinadores.

Por Juca Kfouri às 13h07

O caso Cafu

Não há nenhuma conspiração italiana na denúncia contra Cafu.

Ou houve uma conspiração italiana contra a própria seleção da Itália com a denúncia envolvendo as apostas e transações irregulares que pegaram seus cartolas, jogadores e até o técnico da seleção?

O que há é um Ministério Público vigilante que não escolhe hora para fazer as denúncias que tiver que fazer.

E é assim que tem de ser.

Infelizmente, por ingenuidade, descuido ou cumplicidade, foram vários os jogadores brasileiros que falsificaram ou permitiram que se falsificassem seus documentos para serem considerados jogadores comunitários na Europa.

E não deixe de notar que também um ex-presidente da Roma, figura influente na sociedade italiana, foi denunciado no caso Cafu.

Com pedido de pena de prisão maior que a do capitão brasileiro.

 

Por Juca Kfouri às 06h04

Bolhas e escorregões

Alguma coisa acontece nas chuteiras desta Copa do Mundo.

Bolhas em Ronaldo, Figo (ambos com a Mercurial...Cromo) e Gerrard (Adidas).

Além do mais, o que os jogadores estão escorregando é coisa de louco, sem que se possa atribuir aos gramados.

Por Juca Kfouri às 05h58

12/06/2006

Vitória à italiana

Tinha de ser como foi: Itália, bem melhor, 2, Gana, 0.

Não fosse por uma certa incompetência dentro da área e teria sido mais fácil para os italianos.

Com velocidade, na base do contra-ataque, a Itália foi soberana e permitiu sonhar com um jogaço diante da República Tcheca, provavelmente para decidir quem enfrentará o Brasil.

Mas, como sempre, os italianos sofreram um pouco.

E tiveram a sorte de o árbitro brasileiro Carlos Simon não ter dado um pênalti de De Rossi em Asamoha, em claro empurrão, aos 70 minutos de jogo, com apenas 1 a 0 no placar.

Simon, aliás, vinha bem até este momento.

Em seguida deixou de expulsar um ganês que deu entrada criminosa em Iaquinta.

No fim, Kuffour (nenhum parentesco, engraçadinhos...), fez a maior lambança ao atrasar mal uma bola dividida e a Itália foi dormir feliz com seu segundo, e justo, gol.

Por Juca Kfouri às 16h45

História sem majestade

"Pelé, a autobiografia" (336 páginas, RS 39,90), já lançada no Brasil pela editora Sextante, é uma lástima.

Sem grandeza, da capa, chinfrim, ao texto, por mais que o competente jornalista inglês Alex Bellos tenha tentado salvá-lo aos 45 minutos do segundo tempo, a obra se inscreve em mais uma que não está à altura do Rei do futebol.

Tatibitate, pueril mesmo, ainda abre espaço para Pelé, ou melhor, para o Edson, recuar de posições históricas e corajosas, quando denunciou corrupção na CBF.

Ele não só recua como revela ter sido leviano ao denunciá-la.

Tudo, é claro, para voltar a ficar bem com os donos do poder do futebol.

Menos mal que, segundo me dizem (tentarei ver amanhã), a Pelé Station, aqui em Berlim, exposição em sua homenagem numa estação de metrô, é alguma coisa de sensacional.

Porque se o filme sobre ele já deixou a desejar, apesar da boa pesquisa com os gols maravilhosos que mostra a quem não pode vê-lo jogar, o livro, então, é inteiramente descartável e sugere que alguém escreva a biografia não autorizada de Pelé, sem levar o Edson em conta.

Por Juca Kfouri às 14h17

Europa 3, América 1

Com a categórica vitória checa sobre os Estados Unidos -- 3 a 0 --, no quinto confronto entre europeus e americanos, a Europa vence, por 3 a 1.

Ela se somou aos dois triunfos anteriores -- Alemanha 4, Costa Rica 2 e Inglaterra 1, Paraguai 0.

A República Checa só tem a lamentar a eventual perda do melhor de todos os três centroavantes grandalhões desta Copa -- Koller, 2,02m --, que já estava baleado e parece ter se despedido da Copa.

A América só venceu com o Equador, 2 a 0 sobre a Pôlonia, e houve o empate entre Trinidad Tobago e Suécia.

A vitória checa foi límpida e permite supor que a Itália terá muita dificuldade em ficar em primeiro lugar no grupo, o que pode levar a termos um Brasil e Itália nas oitavas-de-final.

Os checos sempre souberam jogar futebol e embora seja inegável o progresso norte-americano, eles são ainda aprendizes.

 

Por Juca Kfouri às 13h41

Que pena, "Dico"

Japoneses não falam Zico por nada desse mundo.

É Dico pra lá e pra cá.

E hoje estão tristes.

Saíram na frente (não vi, pois estava no trem).

Mas levaram a virada, que vi, no segundo tempo.

O goleiro nipônico parecia jogador de vôlei dos bons tempos orientais no esporte, pegando tudo embaixo dos paus.

Mas sua saída da pequena área para cortar um lateral foi lastimável, como se ele não soubesse que, ao contrário do vôlei, bola na rede, no futebol, é gol.

E tomou mais dois, aí sem culpa, porque os australianos não se contentaram com o empate a seis minutos do fim do jogo.

Marcaram em grande estilo, de fora da área, o gol da virada, e como quem rouba doce da mão de criança, o terceiro.

Pena, Zico.

Mas o futebol japonês é ainda infantil.

Por Juca Kfouri às 10h57

Século XXI

Blogo do trem, a 250 km por hora, célere em direção a Berlim.

Numa rede sem fio...

E fico me perguntando como é possível.

E imploro: não precisa explicar.

Eu só queria entender.

Mas conheço meus limites.

 

Por Juca Kfouri às 05h45

Bussundadas rubro-negras

Encontro Bussunda na estação de Frankfurt, todos nós indo para Berlim.

Primeira pergunta dele:

"Tirante a Argentina, você viu algum time melhor melhor do que o Flamengo"?

E ainda fiquei com a ligeira impressão de que ele ressalvou a Argentina por achar que todo corintiano tem uma quedinha pelo time de Mascherano e Tevez...

Por Juca Kfouri às 05h41

11/06/2006

Portugal deve

Esperava-se um verdadeiro dia da degola.

A despeito das cobranças dos colonizados, os colonizadores são tão superiores futebolisticamente falando que o mínimo seria uma goleada.

Que pintou logo de cara, com Pauleta perdendo um gol aos 30 segundos e com Pauleta abrindo o placar em seguida, aos 4 minutos.

O drible da vaca que Figo deu em Jamba dava a medida da diferença entre o futebol maduro e o ingênuo.

Ronaldo ainda teve duas chances no primeiro tempo, uma que foi ao travessão e outra bem neutralizada pelo goleiro angolano.

Mas era pouco, muito pouco.

Como continuou a ser no segundo tempo.

Felipão terá dois argumentos: estréia é sempre assim e ainda lembrará que a do Brasil, em 2002, foi pior, na vitória diante da Turquia, com um pênalti inexistente em Luisão.

E que Deco faz falta, porque é quem pensa e dá ritmo ao time luso.

Fato é que o que mais atenção chamou no jogo foi o penteado do lateral angolano Locó, à Cascão, ou à Ronaldo, em 2002, só que compridinho...

Coisa de louco.

Por Juca Kfouri às 16h45

Bravo, Omar!

Os mexicanos vinham precedidos de grande expectativa.

Cabeças de chave no grupo que tem os vice-campeões europeus, os portugueses, e em regime de concentração desde abril, tudo que não se poderia esperar deles era o mau desempenho mostrado diante do Irã.

Desempenho salvo pela bobeada do goleiro e do zagueiro iranianos, que permitiu o segundo gol da vitória, por 3 a 1, ao centroavante Omar Bravo (autor também do primeiro), num momento em que o desespero começava a tomar conta.

O terceiro gol, marcado por Sinha, foi o primeiro gol brasileiro na Copa, ele que nasceu no Rio Grande do Norte.

Que a má atuação tenha sido só fruto da tensão da estréia, porque com o que mostrou o México não pode nem sonhar.

 

 

Por Juca Kfouri às 13h50

Só faltou o Batman

Van Nistelrooy não apareceu no jogo e acabou substituído.

Faltou ele, porque seu companheiro de ataque na Holanda, Robben, jogou por todos.

Fez o gol que derrotou Sérvia e Montenegro e deu uma aula de futebol, na faixa esquerda do gramado de Leipzig.

Aos 22 anos, joga como um veterano, busca o time permanentemente, embora seja capaz de resolver individualmente todas as situações do jogo.

É candidato a ser um dos nomes desta Copa.

Encheu os olhos, o menino.

Por Juca Kfouri às 10h52

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico