Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

26/08/2006

Está na "Veja"

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo


Uma riqueza que escapa do Brasil

O futebol é mais um produto nacional que acaba por engordar de preferência as fortunas estrangeiras

Rogério Ceni, do São Paulo, e Rafael Sobis, do Internacional, os dois principais jogadores dos times finalistas da Taça Libertadores da América, representam com perfeição, cada um a seu modo, a crise do futebol brasileiro. Rogério Ceni é o mais festejado jogador em atividade no país. Além de ser o melhor goleiro do Brasil, acaba de se sagrar o maior goleiro artilheiro do futebol mundial. Rafael Sobis é uma das boas vocações de artilheiro surgidas nos últimos dois anos. Os dois gols que marcou contra o São Paulo, no campo do adversário, garantiram o título da Libertadores ao seu time. Ele é um símbolo da crise do futebol brasileiro porque tão logo conquistou o campeonato bateu asas e voou rumo ao futebol espanhol. Rogério Ceni é outro símbolo porque encarna uma situação em que o que nos resta a festejar é um goleiro.

Não apenas Rogério mas os goleiros como um todo configuram um caso especial no atual panorama futebolístico – eles são os que mais ficam, num tempo de corrida para ir embora. Não é por outro motivo que hoje se assiste ao fenômeno bizarro de tantos goleiros feitos capitães de seus times. O capitão do Santos é Fábio Costa. O do Palmeiras, quando joga, é Marcos. O do São Paulo é Rogério Ceni. Tirante um jogador que diz coisas que ninguém entende – caso do argentino Tevez, segundo Leão, o novo técnico do Corinthians –, ninguém menos indicado para capitão do time do que um goleiro. Ele fica lá atrás, parado e distante dos outros, num lugar difícil de se fazer ouvir. No entanto, que fazer? Os outros vão partindo e sobra o goleiro como o mais respeitado e experiente do time.

Os goleiros ficam porque valem menos no mercado. Há goleiros brasileiros no exterior, mas a demanda por eles não se compara com a que existe pelos jogadores de linha. Daí que Rogério Ceni, aos 33 anos, ainda permaneça no Brasil, enquanto Rafael Sobis, aos 21, já tenha partido. Não faltam méritos a Rogério, que, além de dono de reflexos apurados e emérito pegador de pênaltis, desenvolveu como cobrador de faltas pontaria comparável à de virtuoses da especialidade, como Didi e Zico. Mas é fato inédito, na história do futebol brasileiro, que o maior jogador em atividade no país seja um goleiro. Um goleiro! – espécime que entra em campo para jogar com as mãos num esporte em que a arte está na habilidade dos pés.

O modelo exportador, que nos leva os Rafael Sobis e deixa os goleiros como prêmio de consolação, é o responsável pela crise do futebol brasileiro. O Internacional, encerrada a Libertadores, vendeu, além de Sobis, outros três de seus titulares. Vai disputar o Mundial de Clubes como um atleta que tem um de seus membros amputados. Hoje em dia os jogadores são vendidos não só para a Espanha ou a Itália. Vão até para a Ucrânia e a Turquia, países muito inferiores ao Brasil tanto em PIB quanto em público para o futebol. O São Paulo vendeu o zagueiro Lugano para o futebol turco. Não há razão alguma para a Turquia possuir cacife que lhe permita levar os bons craques do Brasil. Ou melhor, há: lá não existe uma teia de dirigentes esportivos, empresários e políticos trabalhando com tanto afinco contra os interesses do próprio país. A gestão amadorística, o uso do futebol como instrumento de promoção pessoal e política e a corrupção são os fatores que arrastam ao buraco o mais popular esporte do país.

Estudos do Atlas do Esporte no Brasil indicam que o futebol mundial movimenta 250 bilhões de dólares anuais, dos quais apenas 3,2 bilhões no Brasil – menos de 1,5%. É uma participação indigna até mesmo de um país acomodado à condição de colônia produtora da matéria-prima. O futebol não é nem mesmo o esporte que mais movimenta dinheiro no Brasil – perde para o hipismo e para o rodeio, segundo o mesmo Atlas do Esporte, o hipismo por ser um esporte de gente rica, o rodeio por atrair crescentes adeptos, e ambos por ser administrados de forma profissional. O professor Lamartine DaCosta, especialista em gerência esportiva da Universidade Gama Filho e um dos editores do Atlas, afirma que em 1971, quando ele começou a mexer com o assunto, o futebol representava a metade do dinheiro movimentado pelo esporte brasileiro. Hoje fica nos 20%.

O futebol cinco vezes campeão do mundo é um ratinho raquítico em termos econômicos. E vai continuar a sê-lo enquanto vigorar uma cultura que já incorporou como natural que jogadores de nível de seleção se mudem para a Turquia, e que os times comecem os campeonatos com determinada formação e terminem com outra, tantos são os desfalques no meio do caminho. Jornais, rádios e TVs dedicam amplos espaços ao futebol, mas raramente o assunto são suas estruturas. Tal desatenção contribui para que, como o ouro de Minas, outrora, ou a borracha da Amazônia, o futebol seja mais uma riqueza nacional a engordar de preferência as fortunas estrangeiras.

P.S.: Ah, mas que bom que o futebol exista. Ou que exista uma pendenga em torno do ex-planeta Plutão. Assim não se precisa falar de campanha eleitoral.
 
 
 
 
 
  
 
 

Por Juca Kfouri às 22h54

Santos vira, Cruzeiro administra

O segundo tempo fez justiça ao Santos, embora o problema da falta de um bom centroavante tenha permanecido, é claro.

Mas Kléber bateu uma segunda falta com perfeição (a primeira, no primeiro tempo, Harlei defendera) e empatou o jogo.

E de bola parada também vale.

Depois, Carlinhos, em bela jogada pela esquerda, chutou cruzado e forte, para Harlei aceitar: 2 a 1.

Ou seja, quem não tem atacantes, caça com alas.

E a verdade é que o Santos fez por merecer, apesar de ter sido impiedosamente vaiado no intervalo.

Já em Belo Horizonte, o Cruzeiro tratou apenas de administrar os 3 a 0 construídos no primeiro tempo, apesar de ter mandado uma bola no travessão do Azulão de Gusmão.

Por Juca Kfouri às 19h00

Intervalo em BH e em Santos

O Santos martelou, martelou, martelou e Souza fez 1 a 0, na Vila Belmiro.

Para o Goiás.

Porque ao Santos falta um finalizador.

E Souza é um deles, tanto que empatou com Dodô e Wagner com 9 gols no topo da artilharia.

Já o Cruzeiro martelou, martelou, martelou e fez 3 a 0 (Gladstone, Élber e Wagner) no São Caetano, no Independência.

PC Gusmão deve estar perguntando aos seus jogadores no vestiário do Azulão, ele que foi demitido do time mineiro: "O que eu vou dizer lá em casa?"

Agora eu é que vou para a ESPN-Brasil.

E já volto.

 

Por Juca Kfouri às 18h09

Furacão castiga

Em belo jogo, repleto de alternativas, o Atlético Paranaense ganhou do Flu no Maracanã: 2 a 1.

O Furacão sofreu um pênalti não assinalado, fez outro também não marcado, abriu 2 a 0, tomou um gol e um sufoco no fim da partida.

Cléber, goleiro do rubro-negro, fez ótimas defesas, assim como Diego, ex-Furacão, também pegou uma bola dificílima.

O Atlético sobe e o Flu, que troca de técnico como de camisa, desce perigosamente.

Por Juca Kfouri às 16h55

Memória corintiana

Como era de se esperar, a maioria está contra Tevez.

Típico de uma mentalidade colonizada e subserviente.

E de quem desconhece a história do Corinthians, clube que tradicionalmente trata mal seus maiores ídolos.

Gilmar dos Santos Neves foi o maior goleiro da história do clube.

Saiu brigado e foi brilhar no Santos.

Roberto Rivellino foi o melhor jogador que passou pelo Parque São Jorge em quase 100 anos.

Saiu escorraçado e foi brilhar no Fluminense.

Pergunte ao Casagrande, ao Sócrates, como é o tratamento que o clube lhes dedica.

Veja o que foi feito com Marcelinho Carioca, o mais vencedor de todos os jogadores que passaram pelo Corinthians (e por quem não tenho a menor simpatia).

Com Tevez a história se repete em nova farsa.

Ele foi escolhido como alvo para minar a calamitosa parceria que o Corinthians fez com a tal MSI.

E o torcedor, cego, fica repetindo o chavão que ensina que os jogadores passam e o clube fica.

Fica mesmo. Mas resta saber em que situação.

O fato é o seguinte: Tevez não abandonou o emprego porque foi liberado por seu empregador.

A MSI tem 51% do futebol corintiano, graças a Alberto Dualib.

Foi mal-tratado pelo novo treinador, desrespeitado por ele e agredido, com a filha pequenina e a mulher, por um grupo de "corinthianos" selvagens e criminosos.

Você faria o quê?

Diria sim senhor, sim senhor.

Pois bem.

Seja feliz assim.

Tevez mostrou que tem sangue nas veias.

É 10!

Por Juca Kfouri às 11h28

Dá-lhe, mulherada!

As meninas da Seleção Brasileira de futebol feminino já deixaram os marmanjos para trás.

Venceram a Nigéria por 2 a 1, no último minuto, e estão classificadas para a semifinal da Copa do Mundo.

Jogarão com quem vencer entre a Coréia do Norte e a França (olhaí, outra vez...).

Por Juca Kfouri às 09h58

Tevez é 10

"Uma coisa é óbvia: Tevez não iria embora sem o consentimento de Joorabchian."

A frase foi escrita às 16h52 do último dia 22, neste blog.

Agora há pouco, no "Jornal da Globo", Carlitos Tevez apareceu numa entrevista à TV argentina, na qual mostrou um documento da MSI, assinado por Kia Joorabchian, que lhe concede uma licença até 31 de agosto.

Ou seja: ele se insurgiu contra o autoritarismo de Leão e contra os maus tratos sofridos no dia em seu carro foi cercado por torcedores na porta do Morumbi (fatos que mencionou na entrevista) e foi para Buenos Aires, devidamente autorizado por quem lhe paga o salário.

E até admitiu voltar a jogar no Corinthians.

Queiram ou não, Carlitos Tevez está na dele.

Teve a coragem de dizer não ao autoritarismo e tomou suas precauções profissionais.

Ele é mesmo 10.

Por Juca Kfouri às 00h14

25/08/2006

Duprat ataca novamente

Empresário falido na Unicór, com dívidas trabalhistas astronômicas com mais de 1000 funcionários que deixou à mingua, Renato Duprat articula nova jogada.

A exemplo do que já tentou, sem sucesso, com o Paulista de Jundiaí, agora tenta comprar 51% do Santo André.

Promete um aporte inicial de R$ 2 milhões para a construção de um CT e planeja transformar o clube em entreposto para venda de jogadores.

Não apresenta o nome da empresa que diz representar, mas anuncia que seria um braço da MSI -- embora seja considerado persona non grata pela parceira do Corinthians e tenha intermediado a contratação de Emerson Leão, que não é bem visto por Kia Joorabchian.

É provável que esteja contando em receber a comissão a que faz jus por ter apresentado Joorabchian ao Corinthians e que até hoje não foi paga.

Duprat levaria José Teixeira, 70 anos, veterano preparador físico, técnico e gerente de futebol de diversos clubes brasileiros e estrangeiros e até da Seleção Brasileira, onde foi auxiliar, para cuidar do futebol.

Os clubes brasileiros resistem a se transformar em empresas e acabam se deixando seduzir por promessas mirabolantes desse tipo de gente.

Por Juca Kfouri às 22h27

Muitos gols e pouca gente na última rodada do primeiro turno do Brasileirão

Foram 31 gols, mais de três por jogo na 19o. e última rodada do campeonato.

E só 6261 torcedores em média por partida.

O Palmeiras foi quem levou mais gente ao estádio, 11.970 no Palestra-Itália.

O Morumbi teve o segundo melhor público, com 11.322 pagantes.

O pior ficou por conta do São Caetano, diante do Flamengo, com apenas 2.080 pessoas.

O primeiro lugar ficou mesmo com o São Paulo que, na pior das hipóteses, se perder o último jogo que lhe falta no turno, e houver um vencedor entre Inter e Paraná Clube, ficará três pontos na frente do segundo colocado.

Na melhor das hipóteses, se vencer o Atlético Paranaense e houver empate no Beira-Rio,
terminará com oito pontos de vantagem sobre seus perseguidores mais diretos.

Em bom português: o São Paulo está com tudo e não está prosa.

Por Juca Kfouri às 23h05

24/08/2006

São Paulo leva o turno

O Paraná Clube mostrou por que está na posição em que está.

Jogou no Morumbi como se fosse em Curitiba.

Fez 1 a 0 logo aos 5 minutos com Beto, tomou o empate no minuto seguinte em lance duvidoso na cabeça de Aloísio e nem por isso se intimidou: fez 2 a 1, com Leonardo, aos 21.

O jogo cumpria o que prometera.

A verdade é que o time paranista fez tudo que um time precisa fazer: marcou forte, não deu espaço ao São Paulo e atacou com rapidez, mais pela esquerda do que pela direita, o que surpreendeu, porque Angelo costuma ser mais acionado.

Se o São Paulo teve chances para empatar ainda no primeiro tempo, o Paraná Clube teve mais de ampliar o resultado.

E foi para o vestiário na frente, com absoluta justiça.

Pena que tenha precisado voltar sem sua dupla de ataque, Maicossuel e Leonardo, ambos com pancadas no tornozelo, substituídos por Sandro e Joélson.

Mas os visitantes não mudaram sua postura e o segundo tempo continuou na base do lá e cá.

Emerson, que deveria ter sido expulso no primeiro tempo ao impedir a evolução de Aloísio rumo ao gol (e seria a primeira expulsão do time paranista no campeonato!), comandava a defesa e Beto enfiava bolas preciosas para seus companheiros.

Era evidente a dificuldade do São Paulo, tamanha que seus jogadores davam sinais de nervosismo e abusavam dos carrinhos.

Ricardo Oliveira fazia falta e Muricy, aos 18, tirou Souza e Danilo para as entradas de Thiago e Lenílson.

Leandro foi jogar na ala e o São Paulo se propunha a ser todo ataque.

Em jogo, a liderança do primeiro turno, àquela altura nos pés do tricolor paranaense, no saldo de gols.

E deu certo.

O São Paulo virou pressão total e Leandro, aos 23, empatou, de joelho, o centésimo gol são paulino em 2006.

A liderança voltava aos paulistas.

A decisão do turno ficaria para o dia 30 de setembro, com o São Paulo na Arena diante do Atlético, que quer se vingar da derrota na Libertadores de 2005, e o Paraná Clube no Beira-Rio, contra o campeão da Libertadores-2006.

Lembremos: desde que o campeonato é em pontos corridos que o campeão do turno é também o campeão brasileiro.

A dupla titular de atacantes paranistas também fazia falta, muita falta.

Aos 30, debaixo da trave, Joélson furou e perdeu gol certo.

O São Paulo estava melhor, tinha o domínio do jogo, mas o Paraná Clube ameaçava.

E, aos 31, Alex Silva precisou tentar duas vezes para fazer o gol da virada: 3 a 2.

Na primeira, o zagueiro paranista salvou em cima da linha. No rebote, gol.

Mais um jogão, mais um com o São Paulo como protagonista.

O São Paulo ganhava o turno e o troféu Osmar Santos, do diário "Lance!".

E o Paraná Clube, aos 40, via Beto, o capitão do time, ser seu primeiro jogador expulso no Brasileirão.

Em São Januário, o Vasco derrotava o Figueirense, 3 a 1, e ficava mais perto da Libertadores.

Como o Grêmio, que enfiou 4 a 1 no Fortaleza, em Caxias do Sul.

Fluminense, Grêmio e Vasco têm 29 pontos.

Os dois últimos terminam o turno com dignidade.

E o São Paulo com pinta de campeão.

Principalmente depois de dobrar o bravíssimo Paraná Clube, diante de apenas 11.322 pagantes, num jogo que merecia casa cheia.

Por Juca Kfouri às 21h28

Juventus x Fifa

O escândalo italiano pode causar uma revolução no futebol mundial.

A Juventus promete ir à Justiça comum para voltar à Primeira Divisão.

A Fifa advertiu a Federação Italiana que a punirá se isso acontecer.

A Juventus, diga-se, foi corretamente punida pela justiça esportiva italiana, mas a questão não é essa, é maior.

Caso a Fifa intervenha mesmo numa das federações mais poderosas do mundo do futebol tudo indica que a Juve levará o caso às últimas consequências -- leia-se o Tribunal Internacional de Bruxelas, que julga os casos da União Européia.

E isso é tudo que não interessa à Fifa, porque a possibilidade de o clube de Turim ter reconhecido seu direito de recorrer à Justiça comum é enorme.

Foi numa corte semelhante que o belga Bosman subverteu a legislação trabalhista que vigorava em relação aos atletas de futebol em meados da década dos 90 e obrigou a Fifa e os clubes a acatarem o que se decidiu.

Se a Juve brigar sozinha, pode se dar mal.

Se obtiver, no entanto, a solidariedade dos grandes clubes europeus, o G-14 que já é G+ que 20, pode estar aí a semente da cisão com a Fifa e da criação de uma nova associação internacional de futebol.

É caso para acompanhar de perto.

Lembremos que, aqui no Brasil, o Gama levou ao extremo sua briga com a CBF e ganhou a parada em 2000.

A Fifa ameaçou e enfiou o galho dentro.

Por Juca Kfouri às 11h36

Basquete de verdade

Acabo de ver um jogaço de basquete, com B maiúsculo: a atual campeã olímpica, a Argentina, ganhou da campeã mundial Sérvia: 83 a 79.

Los hermanos seguem sem perder no Mundial do Japão, com cinco vitórias.

Vou dormir feliz.

Os argentinos erraram apenas um lance-livre em todo o jogo, assim como os sérvios.

Aproveitamento de 94% (15 em 16 dos argentinos, 17 em 18 dos sérvios).

Ah, daqui a pouco, às 4h30, tem Brasil x Lituânia.

Boa noite!

Por Juca Kfouri às 01h45

Jogão no Morumbi

O São Paulo foi protagonista dos três melhores jogos dos últimos tempos no Brasil.

Não ganhou nenhum deles, é verdade, pois perdeu e empatou com o Inter e empatou com o Cruzeiro.

Mas estava lá.

E hoje tem tudo para repetir a história, diante do Paraná Clube, no Morumbi.

O São Paulo dispensa apresentação, o Paraná Clube ainda não.

A verdade é que muita gente acha que o Paraná Clube é fogo de palha, embora o time seja o atual campeão paranaense e tenha feito ótima campanha também no Brasileirão passado, quando terminou em sétimo lugar, na frente, por exemplo, do São Paulo, do Santos e do Cruzeiro, que eram apontados como favoritos.

Neste temporada, além de apresentar um atacante como Maicossuel que vale a pena ver, o Paraná Clube ganhou nove dos 17 jogos que disputou e só tem menos vitórias que o São Paulo, que tem 10.

Os paranistas têm, também, o melhor ataque do campeonato, com 31 gols, dois a mais que o do São Paulo.

Ambas as defesas tomaram 19 gols e o saldo de gols paranista é o melhor de todos os 20 times do Brasileirão.

Motivos mais que suficientes para não perder o jogo desta noite no Morumbi, às 20h30.

Sim, o São Paulo, por tudo, é o favorito. Mas não diga que o Paraná Clube é zebra.

Por Juca Kfouri às 01h20

23/08/2006

Botafogo, a única surpresa

Como era previsível, o Palmeiras ganhou do Fluminense.

Surpreendente foi a facilidade: 3 a 0.

Na verdade, 4 a 0, pois Enílton teve um gol mal anulado, por impedimento inexistente.

De resto, pobre Diego.

Entrou no lugar de Fernando Henrique e foi buscar no fundo das redes três vezes.

O Palmeiras deu um abafa inicial, marcou dois gols, o segundo belíssimo, com Francis, lembrando um gol de César Sampaio, também pelo Palmeiras, contra outro tricolor, o São Paulo, no Morumbi.

Francis simplesmente deixou quatro jogadores do Flu na saudade numa arrancada do meio de campo e concluída entre as pernas de Diego.

Aí, o Flu ainda ficou só com 10, graças a Romeu, expulso ainda no primeiro tempo.

Curiosamente, o Palmeiras em vez de ir para a goleada que parecia inevitável, deu uma acomodada e o Flu até assustou.

Mas Juninho, também com um belo gol, encobrindo Diego, matou o jogo.

Primeira vitória do Palmeiras sem Edmundo e ótimas atuações de Paulo Baier e Chiquinho, que já caiu nas graças da feliz torcida alviverde.

O Flu precisa de urgente socorro médico e já foi buscá-lo no superado Antônio Lopes (que era delegado...), que substituirá Josué Teixeira, o breve.

E o Palmeiras terminou o turno na zona da Copa Sul-Americana, nove partidas sem perder pós-Copa, com seis vitórias.

Já o Inter parecia também que massacraria o Goiás.

O campeão das Américas nem deu bola para o Serra Dourada.

Fez 1 a 0 com Fernandão, quase marcou de novo (aliás, marcou, com Iarley, gol mal anulado por impedimento) e, no segundo tempo, 10 contra 10 porque cada time, o Goiás primeiro, perdeu um jogador (Rafael Dias e Rodrigo Cardoso), o mesmo Fernandão fez 2 a 0 e tudo parecia terminado.

Mas o Inter teve mais uma expulsão (Ediglê) e não suportou o sufoco final dos donos da casa, que empataram, aos 39 e 43.

Empate com gosto de derrota para os gaúchos, que se distanciam da ponta.

Em Curitiba, o Furacão também confirmou a previsão: enfiou 3 a 0 na Ponte Preta - e é só o que sei, além de saber que o Atlético está negociando Dagoberto.

Quem fez bonito, aí sim, contrariando a avaliação deste blog, foi o Botafogo, que derrotou o Cruzeiro por 1 a 0, no Maracanã e pôs fim às ilusões dos Armazéns Perrela$, depois da bela exibição diante do São Paulo, no domingo passado. 

Mas, diga-se, o Cruzeiro ficou com 10 jogadores logo aos 15 minutos de jogo, mesmo assim criou muito mais que o Glorioso.

Wagner perdeu um gol incrível, Élber mandou uma bola no travessão e houve um pênalti não marcado para a equipe mineira, coisas que só vi nos melhores momentos. 

Em Caxias do Sul, o Corinthians foi massacrado pelo Juventude no primeiro tempo.

Só não tomou um monte de gols porque Marcelo, novamente, salvou a pátria, com todo jeito de ser um novo Ronaldo, o goleiro revelado no Parque São Jorge que por mais de uma década defendeu o gol alvinegro.

E não tomou gols, também, porque Christian perdeu o tento mais feito deste Brasileirão, de cara para o arco, com apenas Betão, que já tinha salvado em cima da linha, pela frente.

O segundo tempo começou no mesmo diapasão, embora Leão trocasse Roger e Nadson por Renato e Rafael Moura.

E Rosinei deu na cara de Renan, ao lado do árbitro, que não o expulsou, sabe-se lá por quê.

O 0 a 0 foi castigo para o Juventude (há seis jogos sem perder para o alvinegro) e manteve, ao final do primeiro turno, o Corinthians entre os quatro últimos, além de ter sido o único jogo sem gol na quarta-feira.

No ABC, garfaram o Flamengo no primeiro tempo.

Renato fez 1 a 0 de falta, em falha do goleiro Mauro, e o Azulão empatou num lance em que claramente Gustavo matou a bola com a mão, coisa que o bandeirinha viu, mas o árbitro não quis saber. Um acinte.

Verdade que o Azulão foi superior ao Flamengo nos primeiros 45 minutos, mas o juiz não tem nada a ver com isso.

Daí, logo no começo do segundo tempo, o mesmo Gustavo virou o marcador, em lance em que o zagueiro Fernando (sempre ele!) tropeçou em Diego e impediu que o goleiro tentasse nova defesa, depois de ter cortado um escanteio.

Renato ainda consertou as coisas, ao fazer novo gol de falta, brilhantemente cobrada, aos 36.

O rubro-negro tem por que reclamar da arbitragem, mas a verdade é que, outra vez, deixou a desejar. 

No Arruda, o Santos (que está fazendo a bobagem de contratar André Luiz, ex-São Paulo, Corinthians, Fluminense etc, um dos maiores chinelinhos, da turma do come e dorme, do futebol nacional), saiu na frente, com André, aos 44.

Mas o Santa Cruz empatou logo aos oito minutos do segundo tempo, em lindo chute de Júnior Maranhão.

Um pouco antes Fábio Costa já havia visto o travessão salvar o empate.

Entre o Santa e o Santos, o deus dos estádios achou melhor ser justo.

E jogaço mesmo deve ser, nesta quinta-feira, o entre Paraná Clube e São Paulo, que trataremos mais tarde. Ou mais cedo...

Por Juca Kfouri às 22h56

Que bela notícia!

E depois dizem que jornalista não gosta de boa notícia.

Mentira!

A melhor notícia desta quarta-feira, sem dúvida, é a impugnação, pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio, da candidatura a deputado de Eurico Miranda, literalmente, "por falta de condições morais".

Os TREs, de São Paulo e do Rio, aliás, têm realizado ótimo trabalho ao fazer o que o Congresso Nacional não fez.

 

Por Juca Kfouri às 22h46

Noitada de sete jogos na última rodada do primeiro turno

Às 19h30, três partidas: Goiás x Inter, Palmeiras x Fluminense e Atlético Paranaense x Ponte Preta.

O campeão da Libertadores vai ao Serra Dourada com o desafio de mostrar que a conquista do tetracampeonato brasileiro é possível, mesmo com a perda de quatro jogadores tão importantes como Bolivar, Jorge Wagner, Tinga e Rafael Sobis.

É favorito, mas terá o Goiás pela frente em busca de sua primeira vitória sob o comando do retornado Geninho.

Desafio maior é o do Fluminense, ainda no topo da tabela, mas em crise: o Palmeiras, no Palestra-Itália.

O patrocinador resolveu assumir que é ele que escala o time e o técnico Josué Teixeira topou fazer o papel de mero intermediário.

A primeira vítima foi o goleiro Fernando Henrique, que será substituído por Diego e nem no banco estará.

Diga-se que ambos são bons goleiros.

Inaceitável, apenas, tamanha interferência do patrocinador, a Unimed, responsável pela contratação de Diego junto ao Atlético Paranaense.

O Palmeiras tem tudo para permanecer invicto em sua oitava partida pós-Copa, provavelmente com sua sexta vitória.

Na Arena da Baixada, parece impossível que o Furacão não vença a Ponte Preta.

Mas o impossível acontece no futebol. E como.

Às 20h30, no Maracanã, Botafogo e Cruzeiro.

Os mineiros mostraram outra cara no domingo passado, ao empatar com o São Paulo.

E os cariocas mostram a cara feia de sempre, ao perder para o Corinthians.

E ainda não terão cinco titulares, todos suspensos pelo festival de cartões amarelos que assolou o Pacaembu no domingo passado.

O jogo tem cara azul.

E que cara tem Santa Cruz e Santos, no Arruda, às 22h?

Ora, com o perdão do muro, dadas as circunstâncias, tem uma cara santificada, ora se tem.

Também às 22h os dois times mais populares do país jogam fora de casa.

O Flamengo vai a São Caetano enfrentar o Azulão que, perdão rubro-negros, deve vencer.

O empate estará de bom tamanho para o Mengão na última rodada do primeiro turno.

E o Corinthians, na gelada Caxias do Sul, buscará, diante do Juventude, cair fora do grupo dos rebaixados.

Condições para tanto, é claro que tem, mesmo em meio à confusão criada pela abandono de Tevez.

Mas o Juventude, desde que goleou o Corinthians por 6 a 1, em 2003, e derrubou Geninho, jogou mais quatro vezes contra os paulistas, ganhou três e empatou uma.

Ou seja, o Corinthians até pode, mas o Juventude tem podido muito mais e parece fadado, ao menos, a manter a escrita de não perder para o alvinegro.

(Em tempo: estarei fora, em curta viagem, durante toda a quarta-feira. Mas voltarei em tempo de comentar a rodada).

Por Juca Kfouri às 23h05

22/08/2006

Torcer faz bem...(2)

De: Felipe Halfin
Para: blogdojuca@uol.com.br
Data: 22/08/2006 21:36
Assunto: Torcer faz bem....

Li o depoimento do torcedor Eduardo Messias Oliveira sobre a promoção "Torcer faz bem" no seu blog e posso dizer que ele foi um dos muitos corintianos lesados por tal promoção.

No domingo retrasado, dia da partida Corinthians e Atletico Paranaense, passei por uma situação muito comum em jogos patrocinados por essa promoçao: fui "obrigado" a adquirir ingresso com um intermediario, vulgo cambista.

O episódio ocorreu da seguinte maneira: terça-feira foi iniciada a troca de alimentos por ingressos.

Então, nesse mesmo dia passei no supermercado e comprei três pacotes de bolachas e fui para o Ginásio do Ibirapuera (um dos postos de troca credenciados) para conseguir a minha entrada.

Ao chegar lá fui informado que só restavam ingressos no Pacaembu (onde eram comercializadas as numeradas que não participam da promoção), ou seja, todas as entradas da promoção estavam esgotados em UM DIA!

Fui ao Pacaembu na quinta-feira e ao descer as escadarias para chegar ao portão principal, local das vendas, fui abordado por diversos cambistas oferecendo "suas mercadorias" por VINTE REAIS!

Falei para eles que pagaria 20 reais na bilheteria por um ingresso meia entrada de numerada, porém fui informado que esses também haviam acabado.

Por isso, tive de comprar de um cambista lá presente dois ingressos de arquibancada laranja por 10 reais cada.

Estou escrevendo esse email porque a mesma história está ocorrendo hoje, dia 22 de agosto, primeiro dia de vendas/trocas de ingresso para Corinthians e Grêmio.

Espero estar representando um grande parcela da nação corinthiana (e de todas as outras torcidas) que vêem o verdadeiro nome dessa promoção.

Promoção "Torcer faz bem... para os cambistas"

 


 

Por Juca Kfouri às 21h39

A quem interessa?

A primeira pergunta que um bom detetive faz sempre que se vê diante de um crime é esta: a quem interessa?

A inesperada saída de Carlitos Tevez do Corinthians é, de certa forma, um crime.

Crime contra o Corinthians, ao menos.

E a quem interessa?

O presidente do clube está perplexo e vê as digitais de Kia Joorabchian, que teria sinalizado, assim, o fim da parceria com a MSI, já que Tevez é o grande símbolo, a âncora da parceria.

MSI que Joorabchian estaria tentando passar adiante, operação que ficou dificultada com as declarações de Joseph Blatter na semana passada.

Mas a própria MSI argumenta que não tem interesse em negociar o argentino agora, porque será melhor esperar o fim de seu vínculo com o Corinthians, em dezembro, quando seria desnecessária a assinatura de Alberto Dualib.

Uma coisa é óbvia: Tevez não iria embora sem o consentimento de Joorabchian.

Joorabchian que já havia sinalizado, depois do suspeito episódio do cerco de alguns torcedores (seriam paus-mandados?) ao automóvel do atleta, que não mais poderia garantir Tevez no clube, que seu ciclo estava por se encerrar.

Coisa que o procurador do jogador disse em alto e bom som ainda no sábado passado, na Argentina.

Fato é que a viagem de volta de Tevez para Buenos Aires foi planejada, porque ninguém se muda de cidade com armas e bagagens assim, tão rapidamente.

Consta que só o cachorro ficou, coitado.

Mas, aparentemente, Joorabchian ainda não encontrou clube para Tevez na Europa e não faz o menor sentido permitir tamanho desgaste em sua imagem.

Leão, se Joorabchian foi mesmo tão irracionalmente maquiavélico (uma contradição em termos, bem sei) teria caído numa armadilha, ao facilitar as coisas, com suas atitudes e declarações, para o rompimento.

Leão, assim, fecharia o ciclo iniciado pela agressão dos torcedores na porta do Morumbi e passaria a pagar o pato.

Só que, até agora, e ao menos que apareça uma transferência de Tevez até o dia em que o mercado europeu fechar, no fim deste mês, nada fez sentido, nem do lado do Corinthians, nem da MSI.

Aparentemente, estamos diante de um show de irracionalidade, sem vencedores e apenas com um derrotado: o Corinthians.

Acrescento, dois comentários:

1. há dúvidas, até na Associação de Futebol da Argentina, se dia 3 de setembro, é ou não data Fifa.

No sítio da Fifa fala-se em data dela para jogos oficiais, como os das eliminatórias da Copa da Europa de seleções.

Brasil x Argentina é um amistoso. E o jogo que Tevez quer jogar e Leão impediu. Terá sido uma proibição inócua? 

A CBF considera data Fifa, mas o que a CBF considera ou deixa de considerar é, em regra, aquilo que atende seus interesses e ela pode ter surpresas diante da negativa de algum clube que não queira ceder seus atletas. 

2. Finalmente, faltou dizer que a saída de Tevez pode interessar a ele e seu empresário, mesmo que não pelo dinheiro que a MSI deseja.

 

Por Juca Kfouri às 15h52

Candidatura Capez indeferida

22/08/2006 – Capez e Carlos Sampaio têm registros indeferidos pelo TRE-SP.    

   
Em sessão que se prolongou pela noite de ontem, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) acolheu a impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral e indeferiu o registro de candidatura a deputado estadual de FERNANDO CAPEZ, bem como o registro de candidatura à reeleição para o cargo de deputado federal de CARLOS HENRIQUE FOCESI SAMPAIO.

Os candidatos, que são membros do Ministério Público do Estado de São Paulo, deixaram de se afastar definitivamente da carreira no prazo de seis meses antes das eleições, conforme previsto no art. 13 da Resolução nº 22.156 do Tribunal Superior Eleitoral, tornando-se desse modo inelegíveis.

A Procuradoria Regional Eleitoral, ao apresentar as impugnações, sustentou que a Emenda Constitucional nº 45, de 2004 (Reforma do Poder Judiciário) estabeleceu a paridade de prerrogativas e vedações entre os membros do Ministério Público e da Magistratura. Com relação ao exercício de atividade político-partidária, que antes era permitida com algumas ressalvas, passou a ser vedada em caráter absoluto aos membros do Ministério Público.

De acordo com a jurisprudência já firmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, a alteração feita pela Emenda Constitucional nº 45 atinge todos os Procuradores e Promotores, independentemente da data de ingresso na carreira.

Da decisão do TRE-SP cabe recurso ao TSE.
 

Por Juca Kfouri às 13h42

Torcer faz bem...

De: Eduardo Messias Oliveira
Para: blogdojuca@uol.com.br
Data: 22/08/2006 12:30
Assunto: Doce ilusão

Juca, 

foi um chocolate. É, meu caro, foi com um delicioso e crocante chocolate que o meu pai e minha irmã, corintianos – fanáticos é um adjetivo pleonástico, no caso – foram tratados na partida entre Corinthians e Atlético Paranaense no Pacaembu. O meu pai foi até um dos supermercados que formam a rede de distribuição de ingressos na semana que antecedeu o jogo, e trocou a dignidade por algumas bolachas na cara que, posteriormente, viriam a ser os ingressos. Ele me disse que, apesar da aparente falta de explicações plausíveis por parte da pessoa incumbida da troca no posto, só restara o tobogã. Doce ditadura. 

Pois bem, foram ambos ao jogo de carro, deixando o veículo a certa distância do estádio, também por motivos óbvios: doces dez, vinte reais cobrados pelos “guardadores” nas proximidades do estádio. Com a confusão causada pelas organizadas e o enterro simbólico do “Fora todo mundo”, atravessaram a Praça Charles Miller em meio às barras de chocolate dos cassetetes e à doçura que lhes é peculiar em quase todos os momentos. Fila na entrada: apenas um portão, no acesso ao tobogã, aberto à massa que, possivelmente, ouviu a mesma explicação desconexa por parte da pessoa no posto de troca. Meu pai e minha irmã não viram os três gols de Sebá (sic), Tevez e Rafael Moura, pois acompanhavam a partida pelo som das arquibancadas. Foram 30 minutos até que pudessem vencer alguns pacotes humanos e chegar ao tobogã propriamente dito. Doce sabor da vitória, com certo azedume, mas daqueles que não deixam o paladar enjoar. 

Voltaram ao estádio na derrota para o Figueirense, em jogo tão azedo quanto, mas pelos motivos de sempre, e não necessariamente os empacotados. 

Domingo último, não resistiram: foram ver a possível despedida de Tevez, amargo que só. Decidiram, ainda na volta para casa, levar algumas bolachas para entrar no Pacaembu no próximo domingo, em partida frente ao Grêmio. Já em casa, me disseram que aquela pessoa responsável no posto de troca finalmente deu uma explicação: a cobertura é para a organizada (“Arquibancada vai quase toda para a Gaviões”); aquele que entra empacotado, Juca, não parece ser a última bolacha do pacote.

Faz bem, muito bem, é quem não vai.

 

Por Juca Kfouri às 13h37

Paulistão-2007

Prevaleceu a fórmula que a Globo Esporte queria.

E o Campeonato Paulista do ano que vem será disputado em um turno, todos contra todos, mas com um mata-mata final entre os quatro mais bem colocados.

Até faz sentido, porque campeonato em pontos corridos num turno só é a negação da própria fórmula, que exige dois turnos.

Ruim é que a Globo Esporte quer algo semelhante para o Campeonato Brasileiro.

E, aí, não faz o menor sentido.

Se vingar, será um retrocesso.

Daqueles que permitem que o melhor time da competição não seja o campeão e que incentivam os que não planejam.

Por Juca Kfouri às 11h15

Guerra surda na CBF

Américo Faria não dorme, porque sabe que seu cargo está com os dias contados.

Dois candidatos a substitui-lo guerreiam, sem fazer barulho.

Marco Antônio Teixeira, tio de Ricardo Teixeira e secretário-geral da CBF, quer Branco, o ex-lateral-esquerdo do tetracampeonato.

Mas o sobrinho quer Rodrigo Paiva, que sabe de tudo e um pouco mais do que acontece na entidade.

Por Juca Kfouri às 11h06

Fiasco também no basquete

Se a seleção de futebol deu sono e raiva na Copa da Alemanha, a de basquete dá pena e irrita no Mundial do Japão.

Depois de perder o primeiro jogo para a Austrália, apesar de tê-lo nas mãos (a seleção brasileira errou 25 ataques sem sequer chutar a bola à cesta), hoje perdeu de novo, na terceira apresentação, diante da Turquia (73 a 71).

E perdeu, entre outras coisas, porque errou 14 lances livres, quase a metade dos que cobrou.

O time não tem cabeça fria, queima bolas infantis e passa a impressão de não ter comando.

Também, pudera.

O presidente da CBB é grego e os atletas troianos.

Por Juca Kfouri às 11h02

A morte de Caixa D'Água

Dezenas de comentários sobre a morte de Eduardo Viana, presidente da FERJ.

Nenhum reproduzível.

Quem morre não vira santo, é claro.

Mas sobre ele disse e escrevi tudo o que deveria enquanto ele podia responder.

Agora é hora de respeitar a dor de sua família e de seus amigos.

Por Juca Kfouri às 23h39

As razões de Carlitos Tevez

Carlitos Tevez ficou bravo com Emerson Leão por três motivos:

1. Na entrevista coletiva ao assumir o Timão, Leão disse que até tinha um amigo argentino, apesar de ser argentino;

2. Leão tirou-lhe a braçadeira de capitão sem falar com ele e ainda disse aos jornalistas que ninguém o entendia;

3. Leão não o liberou para o jogo da seleção argentina diante da brasileira, que será realizado em Londres, para o mundo todo ver, no dia 3 de setembro. Tevez tem certeza de que seria titular; 

Então Tevez disse ao seu procurador que com Leão não trabalha mais.

E foi embora.

A MSI garante que não quer negociá-lo pelo menos até dezembro, quando termina o vínculo de Tevez com o Corinthians.

Para negociá-lo antes disso, a MSI precisaria da assinatura de Alberto Dualib, que já anunciou que não assinará nenhuma transferência.

Entre os quatro últimos classificados do Campeonato Brasileiro, o Corinthians resolve suas crises assim: perdendo seu melhor jogador.

Por Juca Kfouri às 23h35

Do jornal português "O Jogo"...

O puto já manda

Anderson tem 18 anos mas já carrega uma equipa às costas, não dando o menor sinal de fraqueza. O Barcelona já está de olho no médio e parece impossível desviá-lo de voos mais altos

TOMAZ ANDRADE


Quando Anderson marcou o segundo golo do FC Porto em Leiria, o primeiro em jogos oficiais após cerca de oito meses de clube, correu para o banco e abraçou Vítor Baía. Os dois ficaram agarrados uns segundos, ligando o jogador mais velho do plantel ao mais novo. Nesse instante parece ter ficado registada a passagem de testemunho daquele que é o jogador com mais títulos do Mundo a um dos que demonstra ter mais talento e margem de progressão. Vistas as coisas assim, o FC Porto podia ficar descansado, porque há matéria-prima suficiente para a equipa continuar na senda de êxitos. Só que nas bancadas de Leiria esteve o director desportivo do Barcelona, Txiki Beguiristain, precisamente a rabiscar num bloco as qualidades insuspeitas de Anderson.

Contratado ao Grémio de Porto Alegre antes de atingir a maioridade, Anderson explodiu no Campeonato do Mundo do Peru de sub-17, numa altura em que já estava comprometido com os portistas. Caso contrário seria muito difícil trazê-lo para Portugal. A partir dessa altura o seu nome jamais foi esquecido pelos grandes clubes e agora começa a realizar-se o cerco ao FC Porto, com Pinto da Costa tranquilamente à espera dos interessados, de maneira a realizar o melhor encaixe financeiro. Estes são os custos inegáveis de quem tem os melhores jogadores: os cofres podem sair reforçados, mas a equipa fica fragilizada.

Anderson tem tido uma evolução segura. Começou por adaptar-se sem pressa ao futebol português, quando Co Adriaanse o colocou na equipa B, e apareceu em destaque na fase final da última temporada, no Jamor, frente ao Setúbal. A pré-época correu-lhe de feição e o primeiro jogo oficial desta temporada não podia ter sido melhor, perspectivando uma época em cheio. Jesualdo Ferreira, que também esteve nas bancadas de Leiria, não deve desperdiçar o enorme talento de Anderson, adequando a equipa às suas qualidades. Com três ou quatro homens no meio-campo, um lugar é para o prodígio brasileiro, que se arrisca a ser o mais novo patrão da equipa.

Por Juca Kfouri às 23h21

21/08/2006

Como é bom, e ruim, ser campeão

Rafael Sóbis no futebol espanhol.

Assim como Jorge Wagner.

Tinga no alemão.

Bolivar no francês.

A melhor coisa do mundo é ser campeão.

Não há alegria que se compare no futebol.

A pior coisa no Brasil é ser campeão.

Porque é sinônimo de desmanche.

Não se discutirá aqui, novamente, os motivos, por conhecidos.

Mas ou os clubes brasileiros encaram a necessidade de mudar a organização do nosso futebol, ou viraremos um Uruguai.

O modelo vigente não funciona, a CBF não está preocupada com a saúde dos clubes e nós temos economia, estádios e mercado publicitário suficientes para fazer frente a, pelo menos, algumas investidas estrangeiras não necessariamente milionárias.

Culpar a Lei Pelé é cegueira ou desculpa esfarrapada.

Porque a Lei Bosman vigora há muito mais tempo na Europa e não enfraqueceu os clubes de lá, apenas os obrigou a mudar a maneira de fazer suas contratações.

O Inter prometeu não se desmanchar.

E se desmancha, como bolha de sabão.

Tudo que é sólido, aliás, se desmancha no ar.

Ficará na memória, na retina, como um grande time, mas, passageiro.

É preciso dizer basta.

Por Juca Kfouri às 12h38

20/08/2006

Resumo da 18o. rodada

Na primeira rodada do Campeonato Brasileiro sem nenhuma concorrência, nem da expectativa da Copa do Mundo, nem da Taça Libertadores, três jogos tiveram mais de 20 mil pagantes.

No Pinheirão, em Curitiba, o melhor público, 20.560 pagantes, para incentivar o vice-líder Paraná Clube, que derrotou, aos 49 do segundo tempo, o São Caetano: 1 a 0.

No Maracanã, o segundo melhor público, 20.487 rubro-negros, que viram o Flamengo também no finzinho, aos 45, derrotar o Grêmio: 1 a 0.

E, no Pacaembu, o terceiro melhor público, 20.121 corintianos que festejaram outro 1 a 0, contra o Botafogo.

A média de público ficou em 13.810 torcedores, numa rodada com 29 gols em 10 jogos.

Campeão e vice da Libertadores empataram.

O Inter em casa, 1 a 1 com o Palmeiras, que segue invicto no pós-Copa.

O São Paulo, no Mineirão, com o Cruzeiro, 2 a 2, em mais uma tarde de Rogério Ceni, o mito tricolor, que pegou um pênalti quando os mineiros venciam por 2 a 0, marcou dois gols, um de falta e outro de pênalti, empatou o jogo e, de quebra, bateu o recorde do goleiro paraguaio Chilavert.

Rogério agora é o maior goleiro artilheiro de todos os tempos, com 64 gols.

 

Por Juca Kfouri às 21h09

Tevez diz adeus?

Carlitos Tevez acaba de dizer que o jogo contra o Botafogo pode ter sido o último dele no Corinthians.

Apertado pelos repórteres, ainda dentro do gramado do Pacaembu, o argentino disse que precisa pensar na família e limitou-se a sorrir quando lhe perguntaram quanto tempo mais ele achava que ficaria no clube.

Em seguida, quando perguntaram se poderia estar se despedindo, respondeu afirmativamente.

Por Juca Kfouri às 19h17

Inter, como pôde

Inter e Palmeiras não fizeram uma grande partida.

O Inter nem podia.

Mas deixou claro que não padecerá da ressaca que assolou o São Paulo no ano passado com a conquista da Libertadores.

Entrou com o que tinha de melhor em campo e foi superior no primeiro tempo, até fazer 1 a 0 com Rafael Sóbis, na única chance real dos 45 minutos iniciais.

Mas Perdigão fez lambança e foi expulso.

Para um time evidentemente fora de suas melhores condições físicas, resistir ao Palmeiras em desvantagem de um jogador não seria fácil.

E nem bem começado o segundo tempo, Paulo Baier empatou em boa jogada.

Era justo.

Logo depois, Marcinho mandou no travessão de Clemer.

Em seguida, foi a vez de Edmundo desperdiçar chance de ouro.

Só dava Verdão.

Até que o Inter reuniu forças e foi para cima, ao exigir de Diego pelo menos um milagre, em cabeçada certeira de Ceará, aos 23 minutos.

Ao sentir a força do campeão das Américas, o Palmeiras tratou de ser mais cauteloso, porque a torcida colorada tratava de ser o 11o. jogador.

Mal ou bem, o Inter, com um jogo a menos, perdeu a vice-liderança para o Paraná Clube, que derrotou o São Caetano, 1 a 0, no fim do jogo em Curitiba.

Tanto o Inter, quanto o São Paulo, e o Paraná Clube, têm um jogo a menos.

Por Juca Kfouri às 19h10

Corinthians, na briga

Corinthians e Botafogo fizeram um jogo com momentos típicos da Segunda Divisão que ameaça a ambos.

Extremamente violento em alguns momentos.

Tudo porque, também, um banana de apito na boca deixou de expulsar, só no primeiro tempo, pelo menos dois jogadores de cada lado.

Limitou-se a mostrar sete cartões amarelos.

Chances de gol houve, dos dois lados.

Mais até para o alvinegro paulista, embora o carioca tenha obrigado Marcelo a fazer grande defesa no fim do primeiro tempo.

Mas Max não ficou atrás.

Num jogo em que vontade não faltava, mas cabeça não sobrava, Nadson entrou para fazer o gol corintiano, em jogada de Tevez pela direita.

Com 20121 pagantes no Pacaembu, e mais quatro cartões amarelos no segundo tempo, o jogo era só brigado.

Brigado e encerado.

O Corinthians fez tanta cera, mandou tanto os gandulas não devolverem a bola ao gramado, que no único acerto do tal árbitro Paulo Henrique de Godoy Bezerra, de Santa Catarina, houve cinco minutos de acréscimos.

Diferentemente do que, suponho, acontecia, em Floripa, onde Figueirense e Atlético Paranaense empatavam 3 a 3.

 

Por Juca Kfouri às 19h06

Vasco, humildemente

Do Flu, não falo.

Não vi o 1 a 1 com o Santa Cruz. E basta.

Só ouvi as vaias no fim do jogo.

Título, neste ano, só o eleitoral.

Em seis pontos disputados contra os dois lanternas em seus dois últimos jogos, e no Maracanã, o tricolor ganhou apenas um.

Uma vergonha.

Já o Fortaleza, que também não vi, enfiou 4 a 1 no Juventude, e mostrou o que tem sido habitual: é duro na queda. 

E o Vasco fez o que ninguém imaginava.

Ganhou do Santos, na Vila Belmiro, 2 a 0.

Jogo chato, com poucas chances de gol, muito marcado, mas com o Vasco na dele, humildemente recuado.

Abedi deu sorte e achou um gol assim que entrou em campo e Morais ampliou de pênalti, indiscutível.

Antes também havia sofrido um pênalti, mas daqueles que só a TV mostra.

O Santos estava há 21 jogos sem perder na Vila.

Mas pagou pelos sabidos limites de seu time.

Que pode até chegar à Libertadores.

No máximo.

Por Juca Kfouri às 18h23

Rogério rouba cena

Cruzeiro e São Paulo fizeram tudo que se exige de dois times num grande jogo de futebol.

Tanto que os dois melhores em campo foram seus goleiros, Fábio e Rogério.

Fábio só não foi o melhor porque não faz gols.

Porque defesas ele fez.

Pelo menos cinco, extraordinárias.

Como Rogério.

Que fez três, uma delas em pênalti cobrado por Wagner.

E dois gols.

Sim, Rogério Ceni fez um gol de falta e outro de pênalti.

Transformou o 2 a 0 para o Cruzeiro em 2 a 2.

Tem agora 64 gols, dois a mais que Chilavert.

O São Paulo mostrou que está de foco novo, no tetra do Brasileirão.

O Cruzeiro mostrou que pode progredir. Basta ter vontade.

Foi um jogaço, tão bom como os entre Inter e São Paulo pela Libertadores.

O futebol agradece.

 

Por Juca Kfouri às 18h11

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico