Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

21/10/2006

Inter e Santos, naturalmente

Quis o destino que o Inter, com tantos problemas recentes com o Corinthians, ajudasse o time paulista.

Aproveitando-se do desespero da Ponte Preta, um time nervoso e com menos apoio do que se esperava de sua torcida, o Colorado liquidou com a equipe campineira ainda no primeiro tempo, quando marcou duas com Fabiano Eller e Iarley, além de mandar uma bola no travessão.

Foi a sexta vitória colorada em 10 jogos em Campinas contra a Macaca, com apenas uma derrota na história do Brasileirão.

A vitória gaúcha deixa o Corinthians diante da possibilidade de, com um empate com o Cruzeiro amanhã, sair da zona do rebaixamento, porque terá melhor saldo de gols que a Ponte.

Claro que o Inter jogou para si e não para mais ninguém, ainda pensando no tetra.

E se pôde ajudar o rival de São Paulo, quem sabe amanhã não vê seu maior adversário ajudá-lo também, com uma vitória sobre o São Paulo?

É claro, também, que o Grêmio jogará por ele mesmo, não pelo Inter...

Já o Santos segue firme em sua rota pela Libertadores.

Com um gol de Tabata abriu o placar na Vila Belmiro diante do Figueirense, num passe perfeito de Kleber, cada vez mais um homem de armação do que, propriamente, um ala ou lateral-esquerdo.

Santos que, se não brilha, faz campanha digna de nota, porque entre os primeiros desde sempre.

E que tem um lado esquerdo hoje, com Kleber, Zé Roberto, Tabata e Wellington Paulista, de muito respeito.

Não que o jogo tenha sido uma maravilha, longe disso.

O primeiro tempo, principalmente, foi bem modorrento.

Mas o Santos jogou para o gasto e liquidou a partida logo no começo do segundo tempo, em belo gol de Wellington Paulista, muito bem lançado, e pela direita, por Tabata.

Daí, só deu Santos na Vila, enquanto o Inter tratava de administrar sua vantagem em Campinas, porque nem Figueirense nem Ponte Preta estavam em noite feliz.

Os terceiros gols do Santos e do Inter sempre estiveram mais perto que os primeiros dos adversários.

Na Vila, a trave salvou uma chance criada por Tabata e no Moisés Lucarelli, Aranha salvou gol certo de Perdigão.

Só que como futebol é futebol, o artilheiro Schewnck cruzou para o artilheiro Soares e este diminuiu em Santos: 2 a 1.

Então, por pouco. e graças à ótima defesa do goleiro Felipe, o time catarinense não empatou.

E para sorte do São Paulo, próximo adversário do Figueira, o artilheiro Cícero levou o terceiro amarelo.

Enfim, ao contrário do Inter que não sofreu, o Santos passou por alguns maus bocados.

Mas, sem drama.

Por Juca Kfouri às 18h51

Galo segue na pole

Felipe Massa ficou bem com o povo e garantiu a largada em primeiro lugar no GP do Brasil, amanhã, em Interlagos.

Melhor ficou o Galo, com sua vitória sem maiores dramas diante do Avaí, liquidado ainda no primeiro tempo quando os mineiros fizeram 2 a 0.

Verdade que o time catarinense diminuiu logo no começo do segundo tempo, mas o Galo fez três e 4 a 1 para fazer a festa, praticamente, da volta à Série A, porque está 10 pontos à frente do quinto colocado, ao faltarem sete jogos para o fim do campeonato.

De quebra, a torcida atleticana bateu novamente o recorde de público nos campeonatos brasileiros, com 57.131 pagantes.

Já no Recife o Sport derrotou o Náutico, na Ilha do Retiro abarrotada por quase 30 mil torcedores, por 2 a 0, depois de um primeiro tempo em que o placar ficou mudo de maneira injusta, porque o rubro-negro já fazia por merecer a vantagem.

No segundo, 11 contra 10, o Sport fez seus gols com Fumagalli e isolou-se ainda mais no segundo lugar, cinco pontos adiante do terceiro, a apenas três do Galo.

Foi o clássico de número 500 entre os dois, com 190o. vitória rubro-negra, contra 168 derrotas, numa partida vibrante.

A má notícia para o futebol pernambucano é a possibilidade de o Náutico perder a terceira colocação para o América, que joga mais à noite (20h30), em Natal, contra o CRB.

O time potiguar é o favorito e deve desalojar mesmo o pernambucano, que cairá para a quarta posição, deixando o Paulista, que ganhou do Coritiba, em Jundiaí, no quinto lugar e os coxas só em sexto.

Outra má notícia para o futebol pernambucano foi a derrota do Santa Cruz, como era esperado, no Serra Dourada, por 5 a 3 para o Goiás, em jogo fácil para os donos da casa que saíram atrás antes dos primeiros 10 minutos e viraram para 4 a 1 ainda no primeiro tempo.

O Santa ainda chegou a diminuir para 4 a 3, mas, quando ameaçou um empate, tomou o quinto e definitivo gol.

O Galo sobe, o Sport deve subir, o Goiás não corre mais risco de cair e o Santa já era.

Duas vagas estão abertas na Série B para, pelo menos, seis times -- América, Náutico, Paulista, Coritiba, Brasiliense e Santo André.

Por Juca Kfouri às 16h50

A escolha do Flamengo

O Flamengo admite a hipótese de jogar sem sua força máxima (que já não é lá essas coisas) contra o Paraná Clube, seu eterno algoz.

A justificativa até faz sentido, em virtude do cansaço pela maluca ida a Los Angeles no meio da semana.

Especula-se que, na verdade, o rubro-negro queira prejudicar o Vasco, com quem jogará no próximo jogo com todos os titulares, em sua disputa por vaga na Libertadores com o time paranista.

Não pode ser verdade.

Porque caso o Flamengo perca em Curitiba (quase certo se com os reservas) e depois perca de novo no Maracanã (clássico é clássico e o Vasco é melhor), nada impede que fique, outra vez, às voltas com o risco do rebaixamento.

Sem se falar no aspecto puramente ético da questão.

Por Juca Kfouri às 12h35

Vai da valsa

O blog do Torero foi citado aqui por diversos blogueiros por trazer textos do gênio da raça Carlos Drummond de Andrade sobre futebol.

Mais um belo serviço de Torero à cultura esportiva nacional.

Um craque no blog de outro.

O que me inspira a publicar os versos de mais um gênio, o mineiro e botafoguense Paulo Mendes Campos, que estão em seu livro "O gol é necessário", coletânea de crônicas esportivas publicada pela editora Civilização Brasileira, em 2000.

PMC e Drummond foram contemporâneos num Brasil que não existe mais.

O título é "Vai da valsa" e tem uma justificativa, dada pelo próprio autor:

"Versos ingênuos, mas sinceros, que um jogador envia, por nosso intermédio, aos dirigentes de futebol que obrigam os profissionais a disputar as partidas mais sérias do campeonato num calor selvagem".

Domingo,
no jogo,
que cansa,
na dança,
do fogo,
ficaste
de longe,
bebendo
gelado,
sorvendo
sorvete,
jogado
no tapete
moderno,
defronte
a tele
visão;
mas eu
no inferno,
na chama
da grama,
o craque,
basbaque,
driblava,
suava,
corria,
sofria,
mais que
uma cão.

Quem dera
que sintas
as dores,
calores
que nunca
sentiste!
Quem dera
que sintas!
Não negues,
não mintas...
-- Fugiste!

Te digo
que luto,
que chuto,
que passo,
que faço,
que esbaldo
me esqueço
me escaldo;
te digo
que brigo
sem brisa,
sem bicho,
disputo
capricho
só por
amor;
mas queres
que finto,
requebre,
requinte,
me bata,
rebata,
que marque,
que volte,
que corte,
que chute,
dispute
com este
calor!?

Quem dera
que sintas
as dores,
calores,
que nunca
sentiste.
Quem dera
que sintas!
Não negues,
não mintas
--Fugiste!

Queria,
cartola,
te ver
sem tevê,
na chama.
na grama,
batendo
na bola,
correndo,
gemendo,
suando,
gritando,
de espanto
com tanto
calor!
Um só
minuto
que fosse,
se tanto,
queria
te ver!
Ah pobre
cartola,
rebola
no fogo
do jogo
da bola!
Eu juro
que logo
suado,
cansado,
gritavas
por tua
mamã:
quem dera
que jogues
fumando
charuto
só esse
minuto
no Maracanã!


 

Por Juca Kfouri às 11h24

20/10/2006

Lusa em vento de proa

Meus amigos que torcem pela Portuguesa (dois) andaram pedindo que eu prestasse atenção porque o time estava progredindo, obtendo boas vitórias etc.

E eu que já tenho de acompanhar a briga contra o rebaixamento na Série A (por obrigação e pelo envergonhado coração), dediquei minha noite de sexta-feira (veja só!) para ver a Lusa fora de casa contra o Brasiliense.

E vi um pálido empate (1 a 1), num jogo horroroso, num gramado ainda pior e, ainda por cima, festejado pela equipe lusa, porque terminou o jogo com 10 jogadores.

Festejar o que, se o time continua em último lugar e pode ver seus três companheiros de agonia livrar três e quatro pontos nos jogos de amanhã?

Faltam apenas sete jogos para a Portuguesa e tudo indica que, aqui, sete não é conta de mentiroso.

É o que falta para a Lusa aprender o ABC do futebol.

Já foi da Série A, está na B e em ritmo acelerado para a C.

Por Juca Kfouri às 21h37

Edmundo e o Vasco

Acabo de chegar do Bate-Papo no UOL e fiquei impressionado com o número de perguntas sobre a perda do pênalti de Edmundo contra o Vasco.

Tem quem ache que foi proposital, um absurdo.

Ontem, no CBN EC, perguntei a Marcelo Vilar por que é que deixaram Edmundo bater a penalidade, com Paulo Baier em campo.

Ele respondeu que Edmundo é o batedor oficial, que Baier só andou batendo porque ele estava fora e que, além do mais, Edmundo corre atrás de ser o terceiro maior goleador da história do Campeonato Brasileiro.

Mas reconheceu que, depois da perda, fica fácil elencar mil motivos para que ele não tivesse cobrado o pênalti.

Porque logo veio à cabeça de todos os pênaltis que Edmundo perdeu contra o mesmo Vasco, seu time de coração, quando jogava pelo Santos e pelo Cruzeiro.

Pelo Cruzeiro, quase uma "atrasada" de bola para o goleiro, que lhe valeu ser mandado embora do clube.

Pelo Santos foram duas cobranças desperdiçadas, a primeira anulada por invasão.

Mas é bom que se relembre, também, que Edmundo marcou três gols num jogo só no Vasco, pelo Figueirense, no ano passado, em goleada de 5 a 1, em Floripa, em dezembro.

E que já tinha marcado outro, em outubro do mesmo ano, em São Januário, no empate de 3 a 3, também pelo Figueira, pelo mesmo Campeonato Brasileiro.

Como marcou dois pelo Palmeiras, neste campeonato, na 11o. rodada, na vitória por 4 a 2, no Palestra Itália.

Ou seja: ele não era, de fato, o jogador mais indicado na quarta-feira passada, porque era evidente que, depois da homenagem comovente que recebeu da torcida cruzmaltina ao entrar em campo, e antes de perder o pênalti (aí, como forma de desestabilizá-lo mesmo), suas condições emocionais não eram as ideais.

Mas daí a desconfiar de ter errado de propósito vai enorme diferença.

Além do mais, lembremos ainda, Edmundo jamais foi um exímio cobrador de pênaltis.

Na final do Mundial da Fifa, em 2000, por exemplo, foi ele quem decretou a derrota vascaína na decisão na marca das penalidades máximas.

Por Juca Kfouri às 16h10

Grêmio e São Paulo: o jogo da 30o. rodada

É facil dizer qual é o grande jogo da 30o. rodada do Brasileirão.

É o jogo do domingo entre Grêmio e São Paulo, 16h,  no Olímpico.

Final antecipada?

É o que dizem, mas não provam.

Porque haverá outras, pode acreditar.

Mas é claro que uma vitória paulista alija o time gaúcho e mantém apenas outro gaúcho, o Inter, na parada, desde que, vença, amanhã, a Ponte Preta, em Campinas.

E assim mesmo a nove pontos do São Paulo.

Tirante este grande clássico tricolor, clássico do líder e do vice-líder do campeonato, clássico de campeões brasileiros, clássico de campeões da Libertadores e clássico de campeões mundiais, o que resta de mais espetacular é mesmo a luta para não cair de Fluminense e Corinthians, ambos com jogos duríssimos pela frente.

O Flu tem uma carne de pescoço em Caxias do Sul, contra o Juventude, que é favorito.

E no mesmo domingo e horário, 18h10, de Corinthians e Cruzeiro, no Pacaembu.

Normalmente, o Corinthians, em casa, seria o favorito diante deste Cruzeiro que não ata nem desata.

Mas se há uma palavra que não pode ser usada quando se faz referência ao Corinthians hoje em dia é exatamente esta: normalmente.

Tem ainda, no sábado, em Santos, e no domingo, em Curitiba, os jogos de Santos e Figueirense e Paraná Clube e Flamengo, com a Libertadores no horizonte.

Fim de semana divertido...

Por Juca Kfouri às 23h05

19/10/2006

Furacão, um a mais com um a menos

O Nacional de e em Montevidéu se comportou muito mais cavalheiristicamente do que se supunha.

Mais até mesmo que no jogo diante do Boca Juniors, na Argentina.

Na verdade, quem começou o jogo confundindo coragem com violência foi o Atlético Paranaense, que viu Michel dar um soco no adversário, felizmente sem que o árbitro notasse.

Mas foi também o Atlético que jogou melhor durante todo o primeiro tempo, ao obrigar o goleiro uruguaio a fazer duas grandes defesas, uma delas, em bola de Ferreira, um milagre mesmo.

Já Navarro Montoya não fez nenhuma, até porque a bola que foi com perigo ao seu gol bateu na trave, na única chance do Nacional.

O segundo tempo foi bem diferente.

Porque o Atlético Paranaense deu uma parada e o Nacional foi para cima, disposto a marcar seu gol, o que conseguiu logo aos 10 minutos.

O Furacão entrou em pane.

Ficou durante cerca de 15 minutos mais longe do empate que o Nacional do segundo gol.

O segundo tempo não tinha nada a ver com o primeiro.

Percebendo que seu time estava inferiorizado, Vadão não teve dúvidas e fez entrar três jogadores de uma vez só.

Santo Vadão.

Porque que como futebol é futebol, Pedro Oldoni, que acabara de entrar em campo, tentou, aos 30', de fora da área para conseguir não só o empate, mas o ambicionado gol fora de casa, que vale mais.

Melhor impossível e se não espelhava os últimos 30 minutos, refletia a superioridade dos primeiros 45.

Em seguida, no entanto, Válber fez daquelas bobagens típicas dos jogadores brasileiros e, num lance na lateral e no meio de campo, sem nenhum perigo, sem nenhuma necessidade, fez falta violenta e foi bem expulso.

Virou drama.

Aos 36', Montoya e César se confundiram, o goleiro soltou uma bola que era dele e o atacante do Nacional, Vásquez, desperdiçou o desempate com o gol à sua disposição.

Gracias, amigo.

E ao confundir rapidez com pressa, o Nacional, afobado, se complicou, ao fazer, no finzinho, um pênalti em Marcos Aurélio (outro que entrara há pouco), que ele mesmo se encarregou de cobrar para fazer 2 a 1.

Dez contra 11, vitória épica do Furacão.

Que agora tem tudo para jogar as semifinais diante do mexicano Pachuca. 


Por Juca Kfouri às 17h07

A emenda pior que o soneto e a greve

Alberto Dualib, agora, quer mudar seu depoimento à Polícia Federal.

Mas quer que seu advogado, Marco Polo del Nero, a quem acusa de não ter sido cuidadoso ao lê-lo, o faça.

O presidente do Corinthians foi pressionado por Boris Berezovski para retirar o nome dele (o do russo) e mais o do empresário israelense Pini Zahavi  citados como investidores da MSI.

Se quiser, está autorizado a manter o de Badri Patarkatsishvili.

O rolo é enorme, como se vê.

E a emenda pior que o soneto.

E incompreensível, por exemplo, que del Nero tenha, mais uma vez, aceito o papel de advogado do cartola.

Afinal, trata-se de uma investigação sobre lavagem de dinheiro que envolve a Fifa e o advogado é presidente da Federação Paulista de Futebol.

Lembremos, e é sério, que Ricardo Teixeira faz parte da tal comissão que a Fifa montou para investigar crimes financeiros no futebol, o que torna ainda mais estranho que um aliado dele (del Nero) advogue para quem está sob suspeita.

Se não bastasse, os jogadores corintianos resolveram fazer uma greve de silêncio, indignados com notícias sobre corpo mole, racha no elenco etc.

Em regra, esse tipo de atitude sai pela culatra e revela falta de comando.

Até porque melhor do que ninguém os próprios jogadores que assinaram o manifesto sabem que falam, sob sigilo da fonte, aos jornalistas mais chegados, sobre a existência de pelo menos três grupos dentro do elenco:

o da MSI, o dos formados no Corinthians e, agora, a turma de Emerson Leão.

O Corinthians tem hoje três problemas a saber:

com a polícia, com a bola e dentro do grupo de jogadores.

Melhor que, pelo menos o último, seja resolvido entre os atletas e não na busca de bodes expiatórios.

Por Juca Kfouri às 14h03

Furacão, do jeito que for

No domingo, pelo Campeonato Argentino, o Estudiantes enfiou 7 a 0 no Gimnasia y Esgrima que tirou o Fluminense da Copa Sul-Americana.

Ontem, pela Copa Sul-Americana, em Lanús, o Pachuca, do México, meteu 3 a 0 no time da casa, o mesmo que eliminou o Corinthians da mesma Copa Sul-Americana.

E deverá ser o adversário, nas semifinais, de quem vencer entre Atlético Paranaense e Nacional, que jogam hoje, em Montevidéu, às 16h, o primeiro jogo das quartas-de-final.

Jogo duro para o Furacão, sem dúvida, ainda mais sem as defesas do goleiro Cléber e sem as cobranças de falta de Jancarlos.

O Atlético eliminou o River Plate e o Nacional tirou o Boca Juniors da festa, frustrando os argentinos que davam como certo seu grande clássico nacional nesta fase da Copa.

No gol brasileiro jogará o goleiro colombiano Navarro Montoya, experiente em seus 40 anos de idade.

E na lateral-direita entrará, improvisado, o atacante William, que já atuou na posição.

Vale tudo pelo primeiro título internacional do Furacão que, se obtido, será também o primeiro título de um clube brasileiro na Copa Sul-Americana. 

Por Juca Kfouri às 23h11

18/10/2006

"Ah, é Edmundo", festejaram os vascaínos

Vasco e Palmeiras jogaram em São Januário e os cariocas ganharam, a exemplo do que o Botafogo já fizera com o Santos (4 a 3) e o Flamengo com o Corinthians (3 a 0).

Foi o único jogo da noite pelo Campeonato Brasileiro, antecipado a pedido da Rede Globo de Televisão, surpreendida com a desclassificação de todos os times do eixo Rio-São Paulo da Copa Sul-Americana.

O Vasco teve, no primeiro tempo, três chances de gol.

Uma nos pés de Ramón, muito bem defendida por esse goleiraço chamado Diego Cavalieri, num lance, aliás, em que o vascaíno sofreu pênalti e o árbitro não viu.

Outras duas foram à trave palmeirense, em cobrança de falta do mesmo Ramón e no rebote de Leandro Amaral.

Mas, também, foi só.

Porque o Palmeiras tratou de cozinhar o jogo, de ficar com a bola nos pés, mesmo sem ameaçar o gol cruzmaltino.

Para o Vasco a vitória era fundamental, em seu sonho de ainda chegar à Libertadores.

Para o Palmeiras um empate não era mau negócio, para fugir da zona de queda.

E foi com esse espírito que os dois times disputaram o segundo tempo.

Logo no início, Morais quase fez a festa carioca.

Quase, porque a bola foi na rede apenas pelo lado de fora.

Em seguida foi a vez de Leandro Amaral chegar dividindo com a zaga alviverde para quase marcar.

Do mesmo modo como dominou os primeiros 15 minutos do primeiro tempo, o Vasco mandou no começo do segundo.

"Ô, vamos ganhar Vascô, vamos ganhar Vascô", cantava, pedia, implorava a torcida.

Foi atendida.

Porque, aos oito minutos, Amaral bateu falta, Leandro Amaral desviou a trajetória da bola e deixou o goleiro vendido.

1 a 0, gol creditado a Amaral.

Aos 12', Paulo Baier deslocou levemente Igor dentro da área e o pênalti foi marcado.

Morais fez 2 a 0. Com justiça.

Era o que a torcida vascaína precisava para desafiar o Flamengo, próximo adversário.

Era o que o palmeirense temia, antes de enfrentar o Corinthians, também seu próximo jogo, na quarta-feira que vem e sem Juninho, que levou o terceiro cartão amarelo.

Um clássico de desesperados e que, se o Corinthians vencer o Cruzeiro, no domingo, poderá inverter a situação dos dois na parte de baixo da classificação.

Claro que, para tanto, o Corinthians terá de vencer os dois Palestras, coisa que sua campanha não autoriza prever.

O terceiro gol vascaíno só não saiu aos 20' graças ao bom desempenho de Diego.

Mas aos 27, Paulo Baier é que foi derrubado na área e o pênalti marcado.

Edmundo, saudado pela torcida cruzmaltina antes de cobrá-lo, bateu na trave.

E perdeu a chance de se igualar a Zico como terceiro maior artilheiro da história dos campeonatos brasileiros, atrás apenas de outros dois ídolos vascaínos, Roberto Dinamite e Romário.

Bola na trave e pela linha de fundo, aí, então, é que o nome de Edmundo foi entoado com mais fervor em São Januário, ele que já perdera três pênaltis, pelo Santos e pelo Cruzeiro, contra o seu time de coração.

Aos 43", outro pênalti, de Marcinho, bem batido, duas vezes (houve invasão da áera na primeira cobrança) por Leandro Amaral, para fazer 3 a 0

O sonho do Vasco continua e quase só depende dele para ser realizado, porque enfrentará, em São Januário, tanto Santos quanto Paraná Clube que estão em sua frente e que também se enfrentarão, na Vila Belmiro.

Eram quatro anos sem vencer o Palmeiras.

Eram.

 

Por Juca Kfouri às 22h57

Chelsea derrota Barça

Com bela atuação, e lindo gol, de Didier Drogba, o Chelsea acaba de derrotar o Barcelona, em Londres, por 1 a 0.

Válido pela Copa dos Campeões, o Chelsea começou melhor o jogo, cedeu espaço no primeiro tempo e viu seu terceiro goleiro, o português Hilário, fazer pelo menos duas defesas sensacionais.

Logo no recomeço da partida, no entanto, o marfinense Drogba acertou uma virada espetacular e pôs o time inglês na frente.

Com Ronaldinho Gaúcho irregular durante toda a partida, o time catalão bem que tentou pelo menos o empate.

Mas jogou de maneira confusa e foi constantemente acossado pelo Chelsea que, enfim, fez por merecer a vitória em jogo bastante agradável de se ver.

Por Juca Kfouri às 16h34

Campeonato paralelo

Treze jogos, daqui até o fim do Brasileirão, fazem o que se pode chamar do "Torneio da Morte", embora a Série B não seja exatamente sinônimo de cemitério.

Seja como for, tantos jogos entre os candidatos ao rebaixamento permitem imaginar, ainda, que terá time se salvando com menos pontos do que os matemáticos calculam, como bem observa o blogueiro Augusto Rocha, de Niterói.

A conferir.

Corinthians x Palmeiras - 25/10 - 4o. feira

Santa Cruz x Fortaleza - 28/10 - sábado

São Caetano x Fluminense - 1/11 - 4o.feira

Fortaleza x Corinthians - 1/11 - 4o.feira

Ponte Preta x São Caetano - 5/11 - domingo

Corinthians x Santa Cruz - 5/11 - domingo

Palmeiras x Fortaleza - 8/11 - 4o.feira

Fluminense x Ponte Preta - 9/11 - 5o.feira

Santa Cruz x São Caetano - 12/11 - domingo

Fortaleza x Ponte Preta - 19/11 - domingo

Corinthians x Fluminense - 19/11 - domingo

Santa Cruz x Fluminense - 26/11 - domingo

Fluminense x Palmeiras - 3/12 - domingo

Por Juca Kfouri às 15h23

Retrato de um brasileiro

Só faltou o nosso Aristeu se oferecer para ser centroavante do Corinthians, técnico do Fluminense ou presidente da CBF...

Por Juca Kfouri às 15h13

Para quem pensa grande sobre Esporte

O filósofo português Manuel Sérgio já esteve neste blog.

Reproduzi uma entrevista sua ao sítio Cidade do Futebol (www.cidadedofutebol.com.br), dias atrás.

Ele se dedica a pensar a atividade esportiva dentro de uma perspectiva humanista.

A pensar o atleta como Homem, não como máquina, como muito mais que um campeão de resultados, mas, sim, como um cidadão que precisa ser visto em sua totalidade e não apenas em suas aptidões específicas.

Muitos têm Manuel Sérgio como um poeta (o que, de fato, também é, com quatro livros publicados de seus poemas, inclusive), mas no sentido quase pejorativo, como se fosse um sonhador, um idealista, numa palavra, um Quixote.

Sim, ainda há quem pense que chamar alguém de Quixote equivale a um xingamento, como há quem não entenda que a humanidade não caminha sem utopias.

Tive o prazer de travar com ele o bate-papo seguinte, via Internet, ele em Lisboa, eu em São Paulo.

Que reproduzo com as perguntas em "brasileiro" e as respostas em português de Portugal.

Espero que você aproveite.

Em tempo: o técnico do Chelsea, José Mourinho, não esconde de ninguém que teve a cabeça feita pelo conterrâneo Manuel Sérgio, autor, além do mais, de mais de 20 livros.

Manuel Sérgio é licenciado em Filosofia, doutorado e professor em Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa, além de diretor do curso de Motricidade Humana na Universidade Fernando Pessoa e presidente da Sociedade Portuguesa de Motricidade Humana.


Juca Kfouri- Professor, como o senhor vê o Esporte neste começo de século?

Manuel Sérgio - O Desporto é o fenómeno cultural de maior magia, no mundo contemporâneo. Os Jogos Olímpicos, o Campeonato do Mundo de Futebol, a Champion's League, a Copa dos Libertadores, etc. são espectáculos que despertam o entusiasmo de milhões e milhões de pessoas, chegando a despertar a consciência e a identidade nacionais. Por outro lado, nos povos desenvolvidos, o lazer desportivo e o desporto, como factor de saúde, são também praticados por um número considerável de pessoas. Vivemos na "civilização do homem sentado", são muitas as doenças provocadas pela ausência de movimento, a obesidade é hoje uma pandemia. Como negar a necessidade do Desporto, num tempo de grande sedentarismo? Não escondo também que o Desporto pode transformar-se numa nítida mensagem humanista para o tempo em que vivemos. O respeito pelos outros e por nós próprios, a generosidade, a tolerância, o companheirismo, a solidariedade, a coragem são qualidades que devem despontar da prática desportiva.

JK - Por mais que soe feito um bálsamo, não será sua visão de um idealismo inatingível?

MS - De facto, o espectáculo desportivo é, demasiadas vezes, um dos sub-sistemas do sistema capitalismo e, também ele, se transformou em mercadoria. E assim, neste desporto, o Homem é o meio e o Lucro é o fim. Ora, quando o ser humano é meio e não é o fim, qualquer actividade se transforma em alienação e em exploração. De facto, há praticantes da alta competição desportiva que auferem vencimentos fabulosos. Mas são muitíssimos mais os que auferem vencimentos de miséria e os que findam as suas carreiras desportivas com deficiências físicas e sem uma preparação escolar básica, decorrentes de uma prática que os instrumentalizou. O Desporto é sempre de fomentar e praticar, mas desde que não reproduza e multiplique as taras da sociedade capitalista.

Por Juca Kfouri às 23h18

Continuação...Para quem pensa grande sobre Esporte

JK - Mais um aspecto mal resolvido pelo sistema capitalista?

MS - O espectáculo desportivo, ao reproduzir a sociedade capitalista, estabiliza a ordem existente e adormece as pessoas à recusa da sociedade injusta estabelecida. Não é por acaso que a maioria  dos altos dirigentes desportivos e dos principais políticos se encontram, socialmente, tão próximos uns dos outros. É que uns e outros querem o mesmo tipo de sociedade. O Desporto deve implementar-se como a expressão corporal do desenvolvimento sócio-económico de um povo. Num povo desenvolvido, porque há espaço para todos (e não só para alguns) desenvolverem as suas potencialidades, o número de campeões do Desporto deverá ser igual ao número de "campeões", nas Ciências, nas Artes e nas Letras. Um povo não é desenvolvido, em primeiro lugar, por poder ostentar muitos campeões desportivos, mas porque, nele, há saúde, educação, justiça e segurança para todos os cidadãos. O Desporto, em poucas palavras, deverá ser um dos aspectos da justiça social e não um factor de alienação de povos onde há miséria e fome.

JK - Deverá, sem dúvida. Mas como transformá-lo nisso?

MS - O desenvolvimento desportivo pouco é, se o Desporto não estiver ao serviço do Desenvolvimento e do diálogo entre os vários povos e culturas. Mas o Desporto ocupa, hoje, uma posição de indiscutível relevância, no capitalismo globalizado. Por isso, transformar o desporto mais publicitado e propagandeado significa, inevitavelmente, afectar os interesses de grupos e de lobbies, com sólidos apoios, na ordem social estabelecida. De acordo com o fundador da teoria crítica, Max Horkheimer, "para o verdadeiro revolucionário, o mundo esteve sempre maduro". Isto, para dizer que o Desporto pode ser um contra-poder ao poder das taras dominantes, desde que a detecção, a procura e a formação de talentos desportivos não afaste os jovens da Escola e que, no desporto escolar, a par das chamadas "qualidades físicas", se dê também ao jovem uma formação política correspondente, já que o Desporto é um fenómeno político. Mas, atenção!, eu falei em formação política, não partidária. O professor de educação física, antes de cada aula, na Escola, deve fazer a si mesmo esta pergunta: "Qual o tipo de pessoa que eu quero que nasça da aula que eu vou leccionar?". Se responder a esta questão, a aula politiza-se. Dela nascerão, mais tarde ou mais cedo, cidadãos livres e libertadores, que saberão escolher o partido que a sua consciência lhes aconselhar. Repito: politizar não é partidarizar. Os jornais, a rádio e a TV são também chamados a esta politização generalizada do Desporto. Há muito jornalista que pensa que o Desporto se destina a fazer bestas esplêndidas e não "pessoas humanas". Há programas desportivos, nos mídia, que se situam no grau zero da inteligência.

JK - O senhor está sendo até benevolente com certos programas de TV...

MS - Mas há um outro ponto a salientar: o Desporto, por si só, não dá saúde. O que verdadeiramente dá saúde é uma sociedade diferente, ou seja, onde a justiça social e a democracia participativa existam mesmo. A saúde física não é independente da saúde espiritual e moral. Quem é marginalizado pela sociedade injusta nunca tem saúde, por mais desporto que faça. O Desporto é uma supra-estrutura, não é uma infra-estrutura e portanto ele é muitas vezes o micróbio que resulta do fruto apodrecido. Não se deve acreditar num Desporto, onde os campeões nascem à margem do subdesenvolvimento dos seus concidadãos. Todos eles são bandeiras de regimes classistas, verticais e hierárquicos, todos eles cintilam sobre massas de marginais, subalimentados e sem acesso à informação e ao conhecimento.

JK - O senhor, então, prega uma ruptura, uma revolução na abordagem do conhecimento sobre o que o Esporte significa?

MS - Só sabe de desporto quem sabe mais do que desporto. Por isso, a filosofia, a psicologia, a sociologia, a antropologia podem trazer contributos inestimáveis à prática desportiva. Os treinadores desportivos que só sabem de desporto são péssimos profissionais. É que quem está diante deles são pessoas e não máquinas. Há que fazer um trabalho inter, intra e transdisciplinar, dentro do Desporto, onde a formação política esteja presente. Por esta razão muito simples: o Desporto é, antes de tudo, um fenómeno político. Os cursos universitários de Desporto esquecem esta verdade demasiadas vezes e obrigam os alunos a um saber eminentemente anátomofisiológico. A anátomofisiologia não é tudo na complexidade humana e o Desporto é praticado por seres humanos. O mal de alguns cursos universitários de Desporto reside aqui: desconhecem que o seu saber se movimenta, no âmbito das ciências humanas.

JK - Como fazer para mudar tal estado de coisas?

MS - Quando se fala em conhecimento científico, há que ter em conta que o ser humano não se determina tão-só matematica ou laboratorialmente. Uma lágrima, por exemplo, não é só água e cloreto de sódio, como diz o laboratório. É bem mais e é este mais que, muitas vezes, não se estuda, na universidade. O ser humano, como nos ensina Edgar Morin, é simultaneamente físico, biológico e antropossociológico; é um dos sub-sistemas do sistema Motricidade Humana, ou seja, do movimento intencional da pessoa que procura superar e superar-se. Só que não há superação individual, se não houver superação colectiva. Daí, os aspectos políticos do Desporto.

JK - O Brasil está mais atrasado do que a Europa neste pensar sobre o Esporte?

MS - Há quem me pergunte no Brasil o que pensa a Europa das minhas ideias. Eu, que não sofro de eurocentrismo, embora sendo europeu, respondo se não posso pensar, pela minha própria cabeça. Acompanho os grandes movimentos filosóficos do nosso tempo; sei da miséria, física e moral, que grassa, por esse mundo além e... cheguei a esta conclusão! Estou errado? De uma coisa estou eu convencido: o Desporto que predomina na Europa também não está certo! É implementado por pessoas que estão ao serviço de um sistema político em que não acredito e que, infelizmente, tem os seus sequazes no Brasil.

Por Juca Kfouri às 23h17

17/10/2006

Do blog do Nassif

A filha de Pelé

A morte de Sandra Nascimento, a filha que Pelé relutou em reconhecer, traz à lembrança um dos episódios mais tristes que um homem público jamais cometeu. A luta daquela moça para ver a paternidade reconhecida, a frieza de Pelé para com seus sentimentos foi algo que marcou definitivamente sua imagem perante um grande número de admiradores.

É, também, o que penso.


 

Por Juca Kfouri às 19h23

Notícias da Polícia Federal

Alberto Dualib depôs por mais de três horas.

E negou uma porção de coisas.

Negou saber, por exemplo, a origem do dinheiro da MSI.

Disse que se limitava a assinar o que lhe punham na frente.

É como assumir o papel de laranja, mas, vá lá.

Ele deve saber o que faz.

A Polícia Federal sabe, no entanto, que dos prometidos US$ 20 milhões em contrato pela MSI ao Corinthians, até hoje já foram transferidos cerca de R$ 75 milhões ao clube.

Uma diferença ponderável que alguém precisa explicar, se não mais a origem, ao menos o destino de tal dinheirama.

São duas perguntas, portanto.

De onde veio o dinheiro?

Que fim levou o dinheiro?

A PF também não tem dúvida de que Boris Berezovski é o investidor da MSI, até porque flagrou com ele uma carta compromisso para a construção do estádio corintiano.

E Dualib confirma, além de acrescentar os nomes do empresário israelense Pini Zahavi e do georgiano Badri Patarkatsishvili, sócio de Berezovski.

Nesi Curi ainda depõe.

Espera-se que ele não tenha usado a tática que anunciou que usaria, ou seja, a de dizer que não sabe de nada porque não entende inglês.

Afinal, ele já passou quase dois meses em Londres à custa da parceria.

Melhor seria dizer que Curi é sobrenome indígena, de uma tribo tupi-guarani, com o que se diria inimputável.

A PF dá por encerrado, por enquanto, os depoimentos no país e parte agora para ouvir gente no exterior.

Por Juca Kfouri às 16h50

Quem foi o melhor piloto da F-1?

O "Jornal de Debates", uma bela idéia relançada pelo jornalista Paulo Markun (www.jornaldedebates.com.br), me provoca a escrever sobre o melhor piloto da história do automobilismo.

Eis minha humilde colaboração, ignorante que sou sobre o tema:

Não sou entendido em automobilismo, muito ao contrário.

Na verdade, nem sequer considero que os pilotos sejam propriamente esportistas, embora precisem ter preparo físico para suportar as provas.

Acho, como alguém já disse, que o piloto de Fórmula 1 é apenas um cara sem imaginação para imaginar (com o perdão da redundância) o que acontecerá com ele se bater a 300 quilômetros por hora contra um muro.

E embora pesque pouco sobre o tema, entendo que é dificílimo comparar pilotos de épocas e carros muito diferentes.

Sempre me baseei em números para ter uma opinião a respeito, razão pela qual, até que Michael Schumacher chegasse ao hexacampeonato, sempre apontei o argentino Juan Manoel Fangio, pentacampeão nos anos 50, como o melhor de todos.

Depois, passei a apontar o alemão.

Muito mais fácil, no entanto, é dizer que Pelé foi o mais jogador de futebol de todos os tempos.

Porque não só há todos os registros sobre suas façanhas como os seus números estão longe de serem superados até hoje.

E por mais que a bola tenha mudado dos tempos dele para hoje, ela continua redonda, como os campos têm as mesmas dimensões etc e tal.

Enfim, com o pedido antecipado de desculpas aos adeptos do genial Ayrton Senna, fico com o alemão que, além do mais, me ensinou que (como está no "Globo" de hoje) que se deve dizer octocampeão e não, como eu sempre disse e
escrevi, "octacampeão".

Aliás, não seria este um debate mais útil que o proposto?

Octo ou octa?!

Por Juca Kfouri às 12h05

Bom dia, Corinthians!

Esta terça-feira começa gloriosa para o Corinthians:

Alberto Dualib, o presidente do clube, e Nesi Curi, o vice, deverão estar às 9h da manhã na Polícia Federal, em São Paulo, para serem interrogados sobre a parceria com a MSI.

Em pauta, dois assuntos, basicamente: lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

A PF quer saber, também, por que o chefão russo, Boris Berezovski, tinha em sua pasta, quando foi detido e interrogado pela mesma PF, as cópias dos passaportes dos dois cartolas alvinegros.

Uma pergunta, delicada, pode ser se era para abrir contas no exterior para os dois.

Outra, mais gentil, pode querer saber se era para, por exemplo, programar uma viagem de ambos para a Disneilândia...

Diante de tudo isso, convenhamos, estar entre os quatro rebaixados é o menor dos problemas corintianos.

Por Juca Kfouri às 23h43

16/10/2006

Leão e o Flamengo

Pior que a atuação de seus comandados diante do Flamengo, só mesmo as declarações de Leão depois do jogo, ao dizer que o rubro-negro teve medo de enfrentar o Sport em 1987.

Primeiramente é preciso lembrar que Leão levou o Sport ao título do tal Módulo Amarelo, numa decisão bizarra, em que dividiu o título com o Guarani, quando a disputa em pênaltis estava 11 a 11.

No ano seguinte, em 1988, quando a CBF resolveu fazer uma outra "final" entre Sport e Guarani, o técnico do rubro-negro pernambucano já era outro, Jair Picerni.

Depois soa ridículo alegar que o Flamengo fugiu, já que foi uma decisão tomada pelos participantes da Copa União muito antes de se saber quem a venceria.

Além do mais, o Flamengo de Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Renato, Bebeto e Zinho, quase todos da Seleção Brasileira, era incomparavelmente melhor que o Sport de Flávio, Betão, Estevam, Marco Antônio e Zé Carlos Macalé; Rogério, Ribamar e Zico (o outro...); Robertinho, Nando e Neco, nenhum da Seleção.

Em resumo: Leão foi não só arrogante como falseou a história, o que, definitivamente, não o deixa bem na fita.

Por Juca Kfouri às 11h18

Resultado: pontos corridos!

Considerando apenas os votos válidos, 73,73% para os pontos corridos contra 26,26% para o mata-mata.
 
Foram 2001 opiniões, máximo que a caixa de comentários comporta.
 
Nada menos do que 1457 blogueiros, como o dono do blog, são a favor da fórmula atual do Campeonato Brasileiro.
 
Outros 519 preferem um campeonato que tenha mata-mata na hora de decidir.
 
Nulos, repetidos ou confusos, foram apenas 25.
 

Por Juca Kfouri às 08h32

15/10/2006

Mudança no andar de cima, tudo igual no de baixo

Mudança no andar de cima, tudo igual no de baixo


O andar de cima mudou.

Além do morador do andar mais alto, o São Paulo, ter aumentado um ponto a sua vantagem sobre o vizinho mais próximo, agora o Grêmio, o Inter ocupou o terceiro lugar, o Paraná Clube ficou com o quarto e o Santos acabou desalojado para o quinto.

Mas todos têm lugar na Libertadores, como o Flamengo.

Flamengo que deu um baile no Corinthians e ajudou a deixar tudo como estava no andar de baixo, porque Santa Cruz e São Caetano também perderam e o Fortaleza só empatou.

Ponte Preta e Fluminense continuam flertando perigosamente com o rebaixamento, ao passo que o Corinthians já está noivando e Fortaleza, São Caetano e Santa Cruz já casaram no civil, só falta o religioso.

A 29o. rodada teve 31 gols e a melhor média de público do Brasileirão, nada menos que 19.444 pagantes por jogo.

O maior público, recorde do campeonato, foi no Morumbi, com 55.244 são paulinos.

O pior foi em São Caetano, com 2.619 torcedores.

CORREÇÃO: A MÉDIA DE PÚBLICO, NA VERDADE, FOI DE 16.077 PAGANTES. O ERRO DO BLOG OCORREU PORQUE O SÍTIO OFICIAL DO SANTA CRUZ, NO DOMINGO À NOITE, SIMPLESMENTE TROCOU O NÚMERO DE TORCEDORES (3910)  PELA ARRECADAÇÃO (R$ 24.270,00).

Por Juca Kfouri às 21h49

Os grandes penam na Terceirona

Dos oito times que disputam a fase final da Série C, três são os mais tradicionais, donos de títulos importantes ou participantes de decisões importantes.

São eles, o Bahia, campeão da primeira Taça Brasil, em 1959, e campeão brasileiro de 1988.

O Vitória, vice-campeão brasileiro de 1993.

E o Criciúma, campeão da  Copa do Brasil, em 1991.

Pois, disputadas três rodadas da Série C, nenhum deles está entre os quatro primeiros colocados, aqueles que subiriam à Série B.

Treze, Ferroviário, Grêmio Barueri e Ipatinga lideram, todos com seis pontos.

Cricúma e Vitória vêm a seguir, com quatro.

E Brasil de Pelotas e Bahia só têm um ponto ganho.

O Treze segue sem perder em casa e ganhou hoje do Bahia por 2 a 0.

E a façanha da rodada foi do Ipatinga, que venceu o Criciúma, em Criciúma, por 2 a 1.

Por Juca Kfouri às 21h10

Enterro no Arruda

O jogo corria razoavelmente equilibrado entre Santa Cruz e Vasco.

Aí, num bate e rebate, a defesa pernambucana bobeou e o zagueiro vascaíno Fábio Braz, com estilo de centroavante refinado, abriu o placar.

Em seguida, ainda no primeiro tempo, o Santa ficou com 10 jogadores.

E levou um vareio no segundo tempo, quando o Vasco marcou mais três vezes, duas com Leandro Amaral e outra com Jean.

O sonho cruzmaltino da Libertadores permanece.

A queda do Santa é inevitável.

Por Juca Kfouri às 19h28

Drama no Parque

O Parque Antarctica foi palco de um drama, agora há pouco.

O Palmeiras cansou de perder gols e quase perdeu o jogo para o Atlético Paranaense, que chegou a fazer 2 a 0, com dois gols de Denis Marques.

Sim, Cléber, o goleiro do Furacão, é pago para pegar e pegou uma barbaridade.

Tanto que se machucou e deu lugar a Tiago Cardoso, que também é pago para pegar e acabou por pagar o pato.

Tomou os gols de empate do Palmeiras, Paulo Baier e Neto Baiano, numa demonstração de brio e vontade do alviverde, digna de nota.

Sim, alguém dirá, também, que bola na trave é azar do goleiro, porque a bola deveria sair e bateu no poste.

Pelo sim, pelo não, o Furacão tomou duas bolas na trave.

E, mesmo sofrendo o empate apenas no fim do jogo, deve viajar feliz da vida para Montevidéu, onde enfrentará o Nacional, pela Copa Sul-Americana, que é o que mais lhe interessa agora.

Aos palmeirenses, que continuam rondando a base da tabela, um grande consolo no empate que não estava nos planos: um time que faz um esforço tão comovente em busca de um resultado só merece aplausos.

Por Juca Kfouri às 19h22

Cada vez mais para baixo

É claro, diga-se desde logo, que nem Inter nem Figueirense nem Flamengo têm nada a ver com isso.

Venceram porque venceram e ponto final.

Aliás, apenas cumpriram com seus deveres e fizeram o que estava previsto.

É claro, também, que nem Fluminense nem Ponte Preta nem Corinthians tinham a obrigação de ganhar fora de casa.

Ainda mais com os time vagabundos que têm.

O da Ponte não pode ser melhor, dadas as suas limitações.

Os do Fluminense e do Corinthians deveriam.

Mas não são.

E viram presas fáceis de seus adversários.

O Flamengo mandou no jogo do Maracanã desde o começo.

Fez 1 a 0 numa bobeada dupla de Marinho e Marquinhos, mas, também, graças ao esforço de Obina e de Sávio que acreditaram em bolas perdidas e permitiram a Léo Medeiros abrir a contagem.

O Corinthians nem para reagir ameaçou e ainda viu Marinho fazer um pênalti bobo em Juan, convertido pelo ex-corintiano Renato e quase defendido por Sílvio Luiz.

A vitória rubro-negra, no entanto, pelo volume de jogo e pelas chances criadas, era absolutamente justa.

Como Leão também faz tempo que não sabe o que faz, voltou com Gustavo Nery em lugar de César e com Ramon no lugar de Roger, embora fosse Amoroso quem nada fizesse em campo.

Deu certo.

Para o Flamengo.

Sem ninguém na sobra depois da cobrança de um escanteio, o Corinthians sofreu o terceiro gol em rapídissimo contra-ataque que culminou com o terceiro gol de Juan.

"Oh, meu Mengão, eu gosto de você", cantava a massa rubro-negro diante da humilhada torcida corintiana, 13 gols em quatro jogos nas quatro derrotas que marcam a volta de Alberto Dualib para o Brasil.

Enquanto isso, em Floripa, Pituca, sem querer, empatava para a Ponte.

Mas por pouco tempo, porque o Figa marcou mais um, com o mesmo Cícero que havia feito 1 a 0, ambos de pênalti.

E Rafael Moura e Amoroso perdiam gols feitos enquanto o Mengo ensaiava um tímido olé, numa rodada em que o Maracanã festejou duas belas vitórias cariocas sobre os paulistas e viu nada menos do que 10 gols.

No Beira-Rio, em jogo bem mais equilibrado, o Inter manteve a vantagem e a ampliou com Michel que fez 2 a 0 para dar o terceiro lugar ao Colorado diante da caricatura de time que o Fluminense.

E, em Curitiba,  o Paraná Clube manteve sua excelente campanha ao derrotar o Goiás por 1 a 0 no finzinho, golaço de Henrique, e ao assumir o quarto lugar, derrubando o Santos para quinto.

Enfim, nada mudou no andar de baixo, com habitantes ilustres como tricolores cariocas e alvinegros paulistas cada vez mais embaixo num sofrimento que não tem data para acabar.

Ou tem.

Dia 3 de dezembro, data da última rodada, com, muito provavelmente, um deles entre os quatro rebaixados.

Por Juca Kfouri às 16h54

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico