Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

04/11/2006

Qual rubro-negro? Ora, ora...

Como é habitual, quase sempre que o Flamengo é desafiado, trata de jogar bola.

E jogou de igual para igual com o belo time do Furacão.

Aliás, de igual para igual, não.

No primeiro tempo, jogou bem melhor.

Teve três chances claríssimas de gol, a primeira delas logo aos 2 minutos, com Obina.

Depois Renato Silva e Renato também obrigaram o goleiro Cléber a se desdobrar, fora as bolas que passaram rente à trave.

O Atlético Paranaense, no entanto, não se intimidou e obrigou Bruno a fazer pelo menos uma grande defesa, em bola de Marcos Aurélio, um azougue.

Os primeiros 45 minutos foram assim, lá e cá, eletrizantes, mas com nítida superioridade do rubro-negro carioca.

O segundo tempo não foi muito diferente.

Bem que Denis Marques tentou, mas o Fla continuou melhor.

Se Obina estivesse com mais pontaria...

Como não estava, tentou de cabeça, e quase teve êxito, aos 24.

Renato Augusto fez belo lance pela esquerda mas também finalizou mal, aos 26.

E, então, de tanto tentar, aos 29, Léo Medeiros pegou bem de esquerda de fora da área e fez justiça com os próprios pés, ao abrir o placar:

Mengo 1 a 0.

Depois de marcar 18 gols em seus últimos quatro jogos, o Furacão foi atrás de pelo menos um, para não voltar derrotado para casa.

O Flamengo, no entanto, não recuou e continuou mais perigoso, feliz em aprontar com outro time paranaense, depois da surpreendente vitória, com seus reservas, diante do Paraná Clube, em Curitiba.

No fim, ganhou, porque, enfim, Flamengo é Flamengo.

Como, em Floripa, deu Figueirense, 1 a 0 sobre o Juventude, para continuar o sonho da Libertadores.

 

 

Por Juca Kfouri às 18h06

Galo reassume a liderança

Beneficiado pela derrota do Sport, em Jundiaí, para o Paulista (2 a 0), o Atlético Mineiro reassumiu a liderança da Série B.

Outra vez venceu no Mineirão lotado (45.973 pagantes), 11o. vitória seguida em casa.

Novamente o show nas arquibancadas foi melhor do que o jogo no gramado.

Até porque o Galo foi beneficiado por mais uma arbitragem patética.

Se na Série A é o que é, por que seria melhor na B?

O apitador deixou de expulsar o volante Marabá, do Paysandu, já punido com cartão amarelo, ainda no primeiro tempo.

Mas, além de não dar pênalti claro em Aldrovani, do Papão, quando estava 1 a 0 (Rafael Miranda, aos 14), o carioca Wagner dos Santos Rosa marcou um penal inexistente para o time mineiro, típico de bola na mão do zagueiro João Paulo, para o Galo fazer 2 a 0 (Marcinho), no finzinho da primeira etapa.

Diga-se que, mesmo com uma atuação apenas sofrível, o Galo jogava muito melhor.

Para coroar, Rosa é daqueles que não expulsam por violência, mas por reclamação, coisa que fez com o zagueiro paraense Sílvio, aos 12 do segundo tempo.

Em seguida, novo pênalti, este bem marcado, e Galo 3 a 0 (Marcinho, de novo).

E mais não fez por questão de detalhe, como diria Carlos Alberto Parreira.

Fatura liquidada, o Galo passou o Sport por um ponto (61 a 60), o Náutico segue em terceiro com 56 e o América, que ficou no 0 a 0 com o Coritiba, em Natal, está em quarto, com o mesmo número de pontos do Paulista (54).

O Coxa, com 52, segue na luta.

Lá em baixo, o Vila Nova (GO), com 39 pontos, saiu dos quatro últimos e o CRB, com 38, entrou.

A Portuguesa, que empatou com Avaí, 1 a 1, em Floripa, segue na lanterna (36), com o São Raimundo (37) em penúltimo e o Guarani (37) em antepenúltimo lugar.

Por Juca Kfouri às 16h54

Ídolos à italiana

O melhor jornal da Itália, o "la Repubblica", iniciou uma sondagem no último dia 3 para saber quem foi o melhor jogador brasileiro a atuar por lá.

Com quase 25 mil indicações, os cinco primeiros mais votados são:

1. Paulo Roberto Falcão, 26%;

2. Zico, 17%;

3. Kaká, 16%;

4. Careca, 14%;

5. Júnior e Ronaldo, 9%.

Se você quiser participar, o endereço é http://www.repubblica.it/speciale/poll/2006/sport/brasiliani.html

Não será surpresa se Zico ultrapassar Falcão...

 

Por Juca Kfouri às 14h41

Notícias do Planalto

Os jornais de hoje dão conta de que o governo federal criou uma comissão inter-ministerial para cuidar da organização da Copa de 2014 e evitar que tome o mesmo rumo do Pan-2007.

A CBF terá assento como convidada, sem poder de voto.

Boa medida, sem dúvida.

Ao mesmo tempo, em época de muita especulação, especula-se.

Por exemplo no sentido de que o Esporte pode voltar a fazer parte do ministério do Turismo.

E, também, fala-se que a postulação de Agnelo Queiroz, que quer voltar já ao posto de ministro do Esporte, está ameaçada.

Não só porque há resistência dentro do próprio PCdoB como, também, porque o PT de Brasília avalia que se isso acontecer o partido permanecerá refém do aliado na capital da República.

Além do mais, dada a necessidade de atender ao PMDB na futura composição ministerial, há quem avalie que, agora, a pasta do Esporte, com Pan e Copa pela frente, possa interessar a um partido grande e deixar de ser mera compensação.

A conferir.

Por Juca Kfouri às 14h25

Thanks, meninas!

As meninas do Brasil foram mais boazinhas nesta madrugada.

Ganharam das norte-americanas em bem menos tempo do que das holandesas.

O jogo durou só 76 minutos.

O primeiro set terminou 25 a 23, com direito a virada.

O segundo foi menos complicado: 25 a 21.

E o terceiro acabou em 25 a 13.

Em cinco jogos válidos por Campeonatos Mundiais foi apenas a segunda vitória nacional, o que dá a medida da importância do resultado.

E valeu o primeiro lugar do grupo, porque as adversárias da próxima madrugada (3h de Brasília, já em horário de verão), as garotas de Camarões, não têm a menor chance.

Além do mais, como os Estados Unidos, atuais vice-campeãs mundiais, se classificarão para a próxima fase, o Brasil carregará a vitória que obteve com serenidade e competência.

Bom dia!

Por Juca Kfouri às 02h18

03/11/2006

O choro é livre. E chato

Polêmica faz parte do futebol.

Sem ela o futebol não seria o que é.

Pedir racionalidade ao torcedor é como pedir paciência a quem tem fome.

O choro de quem perde é de lei, garantido pela constituição do futebol.

Mas está ficando chato.

Ninguém mais perde porque o outro foi melhor ou porque o time derrotado errou.

É sempre o árbitro.

E por má intenção.

Claro, o episódio Edílson justifica a desconfiança e a cartolagem que comanda o nosso futebol justifica também.

Mas há limites.

Ou deveria haver.

Emerson Leão e Vanderlei Luxemburgo fazem escola.

Os times deles jamais perderam porque o goleiro falhou, o centroavante perdeu gol feito, a substituição foi mal feita  ou time mal escalado.

É sempre por culpa do apito.

E o torcedor entra na desculpa esfarrapada.

Os pênaltis de ontem no Maracanã e no Morumbi dividem a opinião da crítica.

Basta ler os jornais de hoje, ver os programas de TV e ouvir os de rádio para constatar.

Uns acham que os dois pênaltis aconteceram, outros acham que nenhum dos dois aconteceu, há quem concorde com a arbitragem num caso e discorde noutro e vice-versa.

Uma das qualidades dos pontos corridos está em que, em regra, os erros se distribuem equitativamente e são compensados, diferentemente de quando acontecem num mata-mata, porque matam.

A choradeira, no limite, é demonstração de imaturidade, de incapacidade de lidar com a frustração.

A culpa é sempre dos outros, jamais minha.

Buáááááá!!!!!!!!!

Por Juca Kfouri às 16h14

Amanhã tem Furacão no Maracanã

Flamengo e Atlético Paranaense jogam amanhã no Maracanã, às 18h30.

Jogo que está longe de ser o mais importante da rodada, até porque o rubro-negro carioca não tem mais ambições no campeonato e o paranaense apenas acalenta ainda o sonho de voltar à Libertadores que decidiu no ano passado.

Mas, puramente do ponto de vista técnico, é jogo para não se perder, graças, exatamente, ao novo time de Vadão.

O Atlético Paranaense tem sido responsável pelos melhores espetáculos de futebol nas últimas semanas e tem tudo para continuar a desfilar suas habilidades no amplo gramado do Maracanã.

Foram 18 gols nos últimos quatro jogos!

E como o Flamengo adora fazer prevalecer sua camisa quando ninguém acredita nele, sabe-se lá o que acontecerá diante do favoritismo dos visitantes endiabrados.

Por Juca Kfouri às 13h47

Holandesas assustam

O primeiro set foi tão tranqüilo que parecia até que o técnico José Roberto Guimarães tinha feito terrorismo ao falar com tanto respeito da equipe holandesa: Brasil 25, Holanda 18.

E o segundo começou no mesmo diapasão, com as meninas brasileiras livrando logo cinco pontos de vantagem.

Mas as holandesas se enfezaram, começaram a jogar e venceram por 25 a 23.

Um susto, apenas?

Antes fosse.

As loirinhas resolveram que não tinham que respeitar as brasileiras e aplicaram novamente 25 a 23, com a diferença de que comandaram todo o terceiro set.

Bateu um certo temor, não há como negar.

Seria a primeira derrota ainda no terceiro jogo do Mundial no Japão?

Bem, respeito é bom e a gente gosta.

E o quarto set foi um massacre: outra vez, 25 a 18, sem choro nem vela.

As holandesas sentiram a barra.

E como!

Tanto que no quinto e decisivo set, o Brasil logo fez 6 a 1.

E as moreninhas ganharam, finalmente, até com facilidade, por 15 a 9.

Estão classificadas antecipadamente para a próxima fase.

Boa noite!

Por Juca Kfouri às 03h02

Rodada para render

Repito:

um pênalti duvidoso no Morumbi, outro pênalti duvidoso no Maracanã.

E o feriado de Finados reavivou a discussão em torno do futebol.

No Morumbi o pênalti foi marcado aos 30 minutos do segundo tempo, quando o São Paulo surpreendentemente perdia para a Ponte Preta diante de quase 57 mil torcedores.

Bola na mão ou mão na bola?

Rogério Ceni nem quis saber e empatou o jogo, 1 a 1, placar final.

No Maracanã, no último minuto, quando Botafogo e Inter empatavam 0 a 0, o pênalti foi para o time visitante.

O zagueiro Asprila empurrou Luís Adriano ou o atacante simulou?

Alex não quis nem saber e deu a vitória ao vice-líder Inter, agora a cinco pontos do São Paulo quando faltam ainda seis rodadas.

Fosse este que vos fala o árbitro e não teria dado o pênalti no Morumbi, mas teria marcado o do Maracanã.

Como comentarista, no entanto, aceito como possível o pênalti no Morumbi e admito que o do Maracanã pode até não ter acontecido.

Só para que se perceba como é dura a vida do árbitro e como é bom discutir futebol.

Dito isso, foram 37 gols na rodada, maior público o do Morumbi, menor o de São Caetano, com apenas 861 torcedores.

Sem ainda os números do Palestra Itália e do Mineirão, que não cumpriram o que determina o Estatuto do Torcedor (parece que os dois ex-Palestras já foram mais bem organizados), a média de público está em 18.818, bem boa.

Por Juca Kfouri às 01h03

Pênaltis duvidosos?!

O teatro estava lotado, o debate foi muito legal, mas fiquei com dor de cotovelo, porque os segundos tempos foram emocionantes e polêmicos.

No Mineirão, o 2 a 2, com o Paraná Clube sempre na frente e com o Cruzeiro empatando no último minuto, mostra que os gols que não saíram no primeiro tempo não fizeram economia no segundo.

O resultado foi muito melhor para os paranaenses que para os mineiros.

No Morumbi, com recorde de público (56.677 pagantes), e no Maracanã, polêmicas.

Dois pênaltis deram o empate ao São Paulo e a vitória ao Inter, no último minuto.

Dois pênaltis que são convencionalmente chamados de "duvidosos".

Pois considerei o do Morumbi bem mais duvidoso do que o do Maracanã, embora Rodrigo Cintra seja um árbitro muito mais confiável que o normalmente péssimo Wilson de Souza Mendonça.

Mas não me convenceu que tenha sido mão na bola do zagueiro da Ponte e achei que o zagueiro botafoguense Asprila, de fato, empurrou o colorado Luís Adriano.

Fato é que mais uma vez um lance duvidoso é decidido contra a Ponte Preta, o que já virou norma nesta reta final.

Diga-se também, no entanto, que se houvesse qualquer má intenção e Cintra não teria anulado um gol de Aloísio, em lance difícil de precisar se ele empurrou o zagueiro da Ponte ou apenas se defendeu.

A diferença caiu para cinco pontos entre os líderes e a graça do campeonato está mantida.

Como contra o Fortaleza, um rabeira atrapalhou o São Paulo dentro de sua casa.

Desta vez, ao menos, Rogério Ceni não perdeu o pênalti, mas, como daquela, o São Paulo cansou de perder gols.

E o Inter, que foi inferior no primeiro tempo, superou o Botafogo no segundo.

Tem Gre-Nal no domingo, no Olímpico. E San-São, na Vila Belmiro.

É tudo ou nada. 

Por Juca Kfouri às 00h01

02/11/2006

Intervalo no Morumbi, Maracanã e Mineirão

Estou indo para o debate na peça do Marcelo Tas.

Depois dos 30 gols nos sete jogos de ontem, está tudo no zero nos três jogos desta noite.

No Mineirão, entre Cruzeiro e Paraná Clube, não sei por quê, pois não vi nada, mas ouvi o narrador dizer que os dois times perderam diversas chances.

No Morumbi, quase que só tem um time em campo e o São Paulo já desperdiçou pelo menos três chances claras de gol, embora a Ponte Preta tenha criado a primeira grande oportunidade do jogo.

Já no Maracanã, os primeiros 10 minutos foram exuberantes.

O Botafogo chegou três vezes e o Inter duas para fazer os gols que não saíram.

Jogo aberto, lá e cá, de muito bom nível, com o Botafogo ligeiramente superior.

Corro para o teatro e volto mais tarde, sei lá quão mais tarde.

O pior é que não deve ter ninguém para ver a peça, que eu vi duas semanas atrás e recomendo.

Porque a sensação é a de que a cidade inteira está no Morumbi.

Por Juca Kfouri às 20h24

Ipatinga firme, Bahia leva o Ba-Vi

O Ipatinga ganhou mais uma, fora de casa, em São Paulo, 3 a 0 no Grêmio, e permanece firme na liderança, com 18 pontos em sete jogos.

Dois dos gols foram marcados por Diego Silva, aquele que não deu certo no Flamengo e justificou ao dizer que até fome passou na Gávea, para não falar dos credores que batiam à sua porta.

O Criciúma, em casa, ganhou (1 a 0) do decepcionante Brasil de Pelotas e segue na vice-liderança, com 16.

O time gaúcho é o lanterna, com apenas quatro pontos.

Mesmo derrotado, o Grêmio Barueri continua em terceiro lugar, com 12 pontos, dois a mais que o Treze de Campina Grande, que só empatou, na Paraíba, com o Ferroviário, sem gols.

O Ferrim chegou aos sete pontos, igual à dupla Ba-Vi.

Isso porque o tricolor baiano ressuscitou ao vencer o rubro-negro na casa deste, o Barradão, por 2 a 1.

Ambos, de todo modo, ainda respiram, a apenas três pontos da quarta vaga para ascender à Série B.

O Bahia marcou no fim do primeiro tempo e no começo do segundo.

Só sofreu um certo sufoco a partir dos 33 minutos finais, quando o Vitória diminuiu e desperdiçou um pênalti. defendido pelo goleiro tricolor.

Por Juca Kfouri às 17h18

Mais uma de (outro) português

O artigo abaixo transcrito foi publicado no jornal "A Bola", de Lisboa, por ocasião da agressão sofrida pelo jogador brasileiro Anderson no clássico diante do Benfica, pelo Campeonato Português.

O menino que despontou no Grêmio só voltará a defender o Porto no ano que vem.

O autor, como o filósofo do Esporte Manuel Sérgio, é também português, Jorge Olímpio Bento.

Trata-se de um libelo contra a violência, as arbitragens e com críticas à imprensa esportiva.

Fernando Calazans, de "O Globo", certamente a assinaria.

Este blogueiro, modestamente, também.

Ventos da estupidez e contradição

1. O futebol é um jogo muito simples, balizado por regras de fácil compreensão. É por isso que concita a adesão e paixão da maioria das pessoas, sobretudo das menos propensas a lucubrações  mentais.

Sim, as regras são poucas, claras e inequívocas, não dando margem a dúvidas e interpretações subjectivas. Elas dizem, p. ex., que é proibido agarrar, empurrar e agredir, sem mais.

Delas não faz parte a questão idiota e tola de saber se esses actos são praticados com muita ou pouca ou nula intenção, porquanto quem os pratica é para tirar disso indevida vantagem.

Não importa se um jogador agarra ou empurra muito ou pouco, com uma só mão ou com ambas, com um dedo ou com dois; se bate com mão aberta ou fechada, se agride o adversário de maneira violenta ou dissimulada, se atropela as leis e os outros por querer ou sem querer, se acerta ou não na bola quando atinge o colega de ofício etc.

As regras proíbem esses actos, porque eles atentam contra o espírito e o sentido civilizatório, cultural e educativo do jogo.

O futebol e o desporto em geral são um investimento no progresso comportamental, corporal e gestual (tão necessário!) das pessoas e da sociedade.

Por isso renunciar às regras ou afrouxar a sua observância e aplicação corresponde a empobrecer o jogo nas suas dimensões técnicas e tácticas, éticas e estéticas, morais e cívicas e a colocá-lo ao serviço da proliferação da violência, grosseria e fealdade, da baixeza e bestialidade.

Enfim, as regras são racionais e sábias; os comentadores espertos, que se entretêm a tentar ludibriar-nos com  as "intenções" dos prevaricadores, são burros e ignorantes, sem tirar nem pôr.

2. Estou certo de que todos os árbitros, sem excepção, conhecem as  regras de cor e salteado, da frente para trás e de  trás para a frente.

Mas são poucos os que não titubeiam e não se  equivocam na sua aplicação.

Eles não hesitam em punir um jogador que agarre ou conteste as suas decisões; mas não têm igual presteza a punir  entradas que primem pela  violência nua e crua.

Castigam mais a ofensa verbal do que a física.

De resto alastra no futebol uma prática totalmente inaceitável no plano da justiça e da ética: pune-se da mesma forma uma mão na bola ou um agarrão e uma entrada que ponha seriamente em risco a integridade física de um atleta.

Pior ainda, o agressor fica em campo, enquanto o agredido é forçado a sair dele, estabelecendo-se assim uma situação caricata que dá vantagem à equipa do prevaricador e, não raras vezes, leva esta a chegar ao golo.

É preciso defender a beleza do jogo e o talento dos poucos jogadores que o possuem.

O talento é raro, porquanto, ao contrário do que consta no  registo bíblico, Deus não criou o homem à Sua imagem e semelhança; somente quando se distrai, em dia do Seu aniversário, é que faz uma criatura à Sua medida.

Veja-se o que se passou com Anderson.

Mal se atreveu, na sua ofensiva ingenuidade, a exibir no campo superiores dotes futebolísticos, passou imediatamente a ser alvo de intimidações e acções violentas por parte de oponentes mais adentrados na idade e numa prática  profissional sem escrúpulos.

E os árbitros ficaram a ver impávidos e serenos, nomeadamente o do jogo recente em que, à terceira ou quarta entrada dos adversários, Anderson foi arrumado de vez.

Quem ajuda os árbitros a sair deste atoleiro, minado pela inversão de valores?!

3. Lê-se em editoriais de jornais e ouve-se em programas dos canais de rádio e televisão que os dirigentes se deviam calar, para que as suas tiradas virulentas fossem substituídas pelas opiniões dos actores do jogo.

Mas então não é verdade que os dirigentes têm sempre à disposição um microfone e uma câmara de televisão?!

Quem é que lhes propicia isso?

Quem é que lhes dá honras de páginas primeiras ou centrais e põe os seus desaforos em destaque e à frente de todas as outras notícias dos telejornais?

Definitivamente, já não há espelhos neste país; a seriedade e a vergonha andam perdidas.

Será ainda possível reencontrá-las?

Jorge Olímpio Bento, 60 anos, acadêmico português, doutorado em Esporte na Alemanha

Por Juca Kfouri às 16h08

Picerni rejeitado

Causou forte irritação na cúpula da Federação Paulista de Futebol, repleta de palmeirenses, a contratação de Jair Picerni pelo clube de Parque Antarctica.

"Quando é para pedir empréstimos ele vem aqui. Quando é para contratar treinador ele resolve sem nos ouvir", reclamam do presidente palmeirense, Afonso Della Monica.

Claro que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

Só faltava consultar a federação antes de fazer contratações.

Mas o fato é que há na FPF quem queira ajudar o clube a não cair, algo que não é bem visto pelo presidente da entidade.

Marco Polo Del Nero, alviverde de quatro costados, acha que o problema é da direção do clube e ela que se vire, embora também não tenha gostado da contratação de Picerni, visto como muito introvertido e sem o poder de liderança que o time precisa neste momento.

Por Juca Kfouri às 13h22

Aos navegantes

Antes que me cobrem, aviso: só poderei ver ao vivo hoje à noite os primeiros tempos dos jogos do Brasileirão.

Às 22h tenho um debate na peça do Marcelo Tas, aqui em São Paulo, no Teatro do TUCA, com ele e José Trajano.

Só depois, então, gravado, poderei comentar a vitória do São Paulo (ou a Ponte cairá como um terremoto sobre o Morumbi?) e as partidas entre Botafogo x Inter e Cruzeiro x Paraná.

Partidas que podem deixar Botafogo, Paraná e Cruzeiro nos calcanhares do Vasco e absolutamente imprevisíveis.

E que têm o Inter, como única ameaça ao São Paulo.

À tarde acompanharemos a Série C, com o Ba-Vi de Finados...

Por Juca Kfouri às 11h28

01/11/2006

Indigestão e goleada do Timão!

Três visitantes foram comer o pão que o diabo amassou na casa de seus anfitriões.

Dois comeram e não gostaram:

o Santos e o Fluminense.

O Santos continua sem vencer fora de São Paulo neste Campeonato Brasileiro.

Saiu atrás do Juventude, virou, mas acabou perdendo por 3 a 2 do Juventude, em Caxias do Sul.

Seu consolo foram as derrotas do Grêmio e do Vasco.

Já o Fluminense pegou um São Caetano com 10 jogadores desde os 30 minutos de jogo e nem assim se saiu bem.

Fez 1 a 0, tomou o empate num verdadeiro gol contra de Fernando Henrique, também ficou com 10 aos 10 minutos do segundo tempo e está a três pontos da zona do rebaixamento.

PC Gusmão completou 16 jogos sem vitória, um espanto.

E fez toda as demagogias de que é capaz ao fim do jogo, como se um impedimento, mal marcado, fosse responsável pela ridícula situação do Flu.

Mas, em Fortaleza, o pão do diabo era doce.

O Corinthians não correu riscos, saiu na frente com um gol de costas de Renato no primeiro tempo e ampliou com Roger e César no segundo, quando Wilson entrou no lugar de Rafael Moura e mudou o panorama do ataque alvinegro. 

Wilson, por sinal, fez o quarto gol corintiano, depois de ter dado os passes para Roger e César fazerem o segundo e o terceiro gols.

Para quem vinha ganhando aos trancos e barrancos por 1 a 0, vencer por 4 a 0 foi mesmo uma senhora goleada.

Aliás, só não foi de mais porque Edson Bastos não deixou.

A briga do rebaixamento, agora, fica restrita ao Palmeiras, Fluminense e Ponte Preta.

Por Juca Kfouri às 22h46

Nota da Oposição no Vasco

Nota Oficial

A Chapa Por Amor ao Vasco esclarece que o manifesto atribuído a 123 beneméritos e grandes beneméritos do clube em apoio a chapa Azul, composta pela atual diretoria do Vasco, que luta pela reeleição, na última terça-feira (31/10), não representa a opinião dos mesmos. Em mais uma atitude de desrespeito aos vascaínos, o presidente do clube, e seus aliados, iludiu sócios e torcedores incluindo em tal manifesto de campanha nomes de beneméritos e grandes beneméritos sem sequer obter autorização dos envolvidos. O curioso é que "assinavam" o texto beneméritos contribuintes do Movimento Unido Vascaíno - MUV. Gestos como estes mostram que a credibilidade desta diretoria é zero.

Chapa Por Amor ao Vasco

Por Juca Kfouri às 22h38

Duelo tático!

Bem que Muricy Ramalho sempre elogia o Grêmio e o Figueirense.

Ele até deve ter escolhido o jogo do Olímpico para ver.

Se viu, viu Patrício bobear, Carlos Alberto (que já é do São Paulo) roubar a bola e dar para Soares fazer 1 a 0 para o time catarinense.

Como viu Galatto fazer pênalti em Schwenck e Cícero bater para ampliar.

O Grêmio só não pirou porque, em seguida, ganhou outro pênalti, infantil, do zagueiro Tiago Prado em Tcheco, que cobrou para diminuir.

Quando o Grêmio tentava o empate, o goleiro Andrey brilhava e, já no segundo tempo, Escalona foi expulso e deixou o Grêmio com 10.

Daí, o terceiro gol alvinegro esteve mais perto do que o do empate tricolor.

Foi a segunda derrota gremista em casa em 16 jogos.

 

Por Juca Kfouri às 21h56

Jogão!!! Drama!!! Joguinho!!!

Sim, Atlético Paranaense e Vasco fizeram um jogão na Arena da Baixada.

O Furacão começou melhor e abriu o placar num belo gol de Evanílson.

O tento surgiu logo aos 9 minutos, no rebote de um lance em que a bola chutada por Marcos Aurélio, na direção do gol, bateu em Paulo Rink e sobrou para o lateral arrematar de fora da área.

Só que o Vasco não se intimidou e tratou de se impor.

Antes que Ramón empatasse, aos 17, Jean foi derrubado por Danilo dentro da área e na cara do árbitro, que não marcou o pênalti porque não quis.

Em tempo: o gol de Ramón, pelo lado esquerdo, de fora da área, também foi belíssimo.

Impossível falar do Atlético sem mencionar a falta que fez a grande estrela dos últimos dias, o rápido Denis Marques, suspenso.

Paulo Rink, bem mais lento, parece estar já naquela fase em que a cabeça (e a dele é ótima) manda, mas o corpo não obedece.

Do mesmo modo, impossível falar deste Vasco cada vez mais ao feitio de Renato Gaúcho, sem lembrar que também Morais também faz muita falta.

E impossível falar em falta, mas noutro sentido, sem falar de Andrade, um dos que Rogério Ceni diz mais temer em cobranças de faltas.

Pois ele pegou uma de jeito, um míssil, daqueles que mudam de direção em cima do goleiro e ainda dão a sensação de falha do arqueiro para fazer 2 a 1, aos 42.

E o primeiro tempo terminou com placar justíssimo.

Não era um jogo inesquecível, mas já era bom, bem bom, aliás, e prometia mais no segundo tempo.

Já no Palestra Itália, tinha drama sim senhor.

Logo aos 7 minutos Danilo Portugal abriu o placar de fora da área, numa bola que Diego Cavalieri pegaria, mas Marcos não pegou, evidenciando o equívoco de escalar o ídolo em vez de quem está em melhor momento.

E o Goiás virou na frente do Palmeiras.

E no Maracanã, sem gols, o jogo não se limitou a ser um joguinho, porque pelo menos o torcedor do Flamengo teve duas chances de gritar gol diante do intimidado lanterna Santa Cruz, ambas com Renato Augusto.

Na primeira ele perdeu e na segunda mandou no travessão, de fora da área.

Mas o jogo mesmo era o de Curitiba, o eleito pelo blog para ser visto com 100% de atenção.

Voltemos a ele.

Logo aos 8 minutos, Marcos Aurélio bateu com perfeição de fora da área, mais colocado que forte, e empatou tudo outra vez.

Os dois times queriam vencer e o rubro-negro estava melhor.

Tanto que, aos 17, em bela combinação entre Cristian e Marcos Aurélio, o cuiabano de 22 anos e 1,67m fez o terceiro gol e virou o resultado para o time paranaense.

Por pouco tempo, no entanto, apenas seis minutos, porque Leandro Amaral, que andava meio sumido, mais uma vez deixou sua marca e empatou 3 a 3.

Sim, já era um jogão, ora se não.

Do drama, em São Paulo, só notícia: Goiás 2, Palmeiras 0, aos 12, gol de Vitor.

Que coisa!

E no Rio, quem diria?: Santa Cruz 1, Flamengo 0, gol de Márcio Mexerica.

Claro, o Flamengo estava sem Obina...

E para desespero maior dos flamenguistas, Andrade, aquele, de falta, aquela, outra vez, botou o Vasco na frente, 4 a 3, aos 27, sete gols!

A última vez que Atlético e Vasco tinham se enfrentado na Arena, só o Furacão tinha feito sete gols, contra dois do Vasco.

E nos últimos três jogos do Furacão, os rubro-negros tinham ganhado e marcado quatro gols, no Fortaleza, no Nacional e no Paraná Clube.

Era a esperança, fazer quatro, ao menos, que se concretizou na cabeça do zagueiro Danilo, que fez 4 a 4, aos 32.

Mas quatro, agora, para ganhar, era pouco, precisava do quinto, que veio também de cabeça, do colombiano Ferreira, apenas 1,66m, aos 34.

Sim senhor! 5 a 4, jogão!

Nove gols, como nos 7 a 2, mas muito mais jogo.

E o décimo gol só não saiu porque Madson desperdiçou o rebote de uma falta batida novamente por Andrade, aquele que Rogério Ceni teme.

Ah, Dininho, para fazer do drama mais dramático, diminuiu para o Palmeiras. 

Mas como ver, se na Arena cada piscada era um gol, um perigo de gol?

Sabe o Pedro Oldoni?

Pois ele entrou no lugar de Rink, recebendo de Evanílson, que jogou demais, e, aos 46, fez 6 a 4.

O Vasco merece uma vaga na Libertadores.

O problema é que o Furacão também.

Como o Palmeiras, que levou o terceiro do Goiás (artilheiro Souza, aos 46) e merece até cair.

Como o Santa Cruz, que levou o gol de empate de Renato Augusto no fim.

Por Juca Kfouri às 20h27

Jogão, drama, joguinho, duelo tático e indigestão

Daqui a pouco tem um jogão, às 19h30, Atlético Paranaense x Vasco, na Arena.

Imperdível.

Tem, também, um drama, no mesmo horário, Palmeiras x Goiás, no Palestra Itália.

Como tem, sem maior importância, Flamengo x Santa Cruz, no Maracanã.

Depois, às 20h30, tem o jogo entre os dois times que Muricy Ramalho, considera os mais interessantes do campeonato depois do dele, é claro: Grêmio x Figueirense, no Olímpico.

E às 21h45, três partidas:

Juventude x Santos, em Caxias do Sul, parada indigesta para os paulistas;

Fortaleza x Corinthians, no Castelão, parada ainda mais indigesta para os paulistas;

e São Caetano x Fluminense, e bote indigesto nisso para os cariocas.

 

Por Juca Kfouri às 17h43

Kaká, Nicolita "Jardel" e Van Nistelrooy

Tudo que teve de difícil para o Real Madrid de Robinho, em Madrid, diante do Steua, teve de fácil para o Milan de Kaká, em Milão, diante do Anderlecht, pela Copa dos Campeões.

O rubro-negro italiano ganhou de 4 a 1 dos belgas, com três gols de Kaká.

O primeiro de pênalti, o segundo em tabelinha com Cafu e o terceiro, no segundo tempo, de fora da área, um golaço.

Graaaaaande Kaká!

Já o time merengue espanhol tomou um vareio no gramado do time romeno no primeiro tempo e muita vaia de sua gente nas cadeiras do Santiago Bernabéu.

Muito marcados, os galáticos mostraram mais uma vez o desempenho de estrelas cadentes, embora, no segundo tempo, tenham perdido duas chances dentro da pequena área do time de Bucareste, quando podiam ter resolvido o jogo.

O Real só ganhou, 1 a 0, porque, ao faltarem vinte minutos, o meia romeno Nicolita atrasou uma bola para o goleiro quando este estava fora do gol e marcou contra, num lance bisonho e bizarro.

Aí, o Steua desmoronou, chocado, traumatizado com a pixotada do companheiro.

Em seguida, Van Nistelrooy, aparentemente solidário com o adversário, mas companheiro de profissão, bateu um pênalti de maneira tão desastrada e ridícula que foi imediatamente trocado por Ronaldo.

E não é que por pouco o próprio Nicolita quase empatou a partida ao faltarem 12 minutos?

Pobre Nicolita.

Ele que é apelidado de Jardel, ex-Vasco e Grêmio, por causa da semelhança física, como informou João Palomino, da ESPN-Brasil, virou vilão.

Por Juca Kfouri às 17h23

Dia 15, tem Furacão e Pachuca

Está quase clandestina a informação sobre o jogo de ontem, em Pachuca Soto, no México, entre Pachuca e Lanús, pela Copa Sul-Americana.

Como se recorda, o Pachuca havia vencido em Lanús por 3 a 0 e podia perder até por dois gols de diferença.

Pois empatou, 2 a 2, sempre atrás no marcador, com o time argentino que eliminou o Corinthians.

O primeiro jogo das semifinais será disputado na Arena da Baixada no próximo dia 15.

E o segundo, no México, uma semana depois.

Nas semifinais da Libertadores de 2005, o Furacão também enfrentou, e superou, uma equipe mexicana, e muito mais qualificada, a do Chivas Guadalajara.

Por Juca Kfouri às 15h22

Ricardo Teixeira erra ao acertar

Ricardo Teixeira fechou questão contra o movimento que Vasco e Fluminense iniciaram para ter mata-mata no Campeonato Brasileiro.

O presidente da CBF diz que não mudará a fórmula atual porque a considera um sucesso e porque é, também, o que a Fifa quer.

Desnecessário dizer que este blogueiro concorda com ele, o que é mais que raro.

Mas mesmo quando acerta, o cartola erra.

Porque a CBF deve ser mero meio de fazer a vontade dos clubes.

E se a maioria quiser diferente, tem de acatar.

Sabe-se, por exemplo, que o São Paulo tem a mesma opinião da CBF e, em sendo o campeão de 2006, será o clube de maior peso de votos (20) no Conselho Arbitral do próximo Campeonato Brasileiro.

Cabe a Teixeira não abrir mão do seu papel que deveria ser de liderança para tentar ganhar no voto, não com imposição.

Mas, e enfim, como os clubes há muito tempo perderam qualquer resquíicio de dignidade quando contrariados pela CBF, ficará tudo como está.

O que, no que diz respeito à fórmula do Brasileirão, não deixa de ser boa notícia.

Por Juca Kfouri às 15h06

Golpe branco. E gordo

Mustafá Contursi, que levou o Palmeiras à Segunda Divisão e hoje preside o conselho do clube, marcou para o próximo dia 20 uma reunião extraordinária do organismo.

Não se conhece a pauta até agora e sem pauta não há como fazer a reunião.

Desconfianças sobre o assunto há, e não são poucas.

Contursi, que se imagina um Maquiável e é visto por Ricardo Teixeira como o mais brilhante de nossos cartolas, quer separar o futebol do social no Parque Antarctica.

No que tem toda razão, diga-se de passagem.

O curioso é que, em 1996, quando ele presidia o Palmeiras, vetou tal possibilidade.

Tudo bem, pode ter progredido, porque de ninguém se deve cobrar compromisso com o erro.

Ocorre que para tanto é necessário mudar o estatuto do clube e é no mínimo estranho que se faça isso agora, às vésperas de eleições no Palmeiras, em janeiro.

Seus adversários desconfiam que ele queira tomar conta do futebol e trabalhar com um fato consumado, mesmo antes das eleições.

E Contursi sabe que se a oposição se juntar às forças comandadas pelo atual presidente, Afonso Della Monica,  que é o que está em vias de acontecer, suas pretensões têm grandes chances de ser derrotadas.

Por isso, Mustafá Contursi procura mover seus mais de 100 quilos com rapidez, mesmo que atropele o estatuto.

Nada surpreendente para quem já quis fazer, em 2000, o Palmeiras S.A. de maneira a ter o controle absoluto do que seria a empresa, absurdo que só foi evitado graças à uma reportagem da "Folha de S.Paulo".

Por Juca Kfouri às 14h15

Programe-se...

Se você gosta de cinema, se você gosta de futebol, se você quer conhecer o Brasil dos anos de chumbo, não perca:

entra em cartaz, amanhã, o filme "O ano em que meus pais saíram de férias".

Simplesmente genial.

Uma aula de sensibilidade.

Por Juca Kfouri às 12h49

O Fluminense somos nós

Leia abaixo o manifesto, que tem o título acima, que será distribuído hoje antes do jogo entre Fluminense e São Caetano, no ABC paulista, por um grupo de verdadeiros tricolores, provavelmente com a presença de ídolos do passado como Félix, Paulo César Caju, Manfrini etc.

 

"O nosso Fluminense, em sua essência, em sua história e tradição, não tem nada a ver com o que temos visto.

O Fluminense é sua torcida.

Foi ela quem segurou a barra nos anos negros.

Foi ela quem apoiou o clube nos piores momentos, lotando os estádios em divisões inferiores.

O nosso Fluminense não é este Fluminense de desmandos administrativos, de salários atrasados, de dívidas impagáveis.

O nosso Fluminense não é o paraíso dos empresários, das vendas absurdas de promissoras revelações e das incríveis compras de jogadores que não somam.

O nosso Fluminense não é o que apóia ações estranhas, ao lado de Eurico e do falecido Caixa D'Água.

Não fomos nós que abrimos champanhe para comemorar viradas de mesa.

Somos o Fluminense campeão.

Somos o Fluminense vencedor.

Somos Manfrini, somos Rivellino, somos Paulo César Lima, somos Romerito, somos Assis, somos Deley, somos Branco, somos Parreira.

Somos o Fluminense de Telê.

Somos o Fluminense de Castilho.

Somos a torcida que fez a mais bela homenagem a João Paulo II em pleno dia de Fla-Flu decisivo.

Estamos a postos para apoiar neste momento difícil, porque são o clube e sua história que estão em risco.

Não os que hoje o dirigem.

Estes vão passar e serão esquecidos.

O nosso Fluminense não tem nada a ver com eles.

Desmandos, atrasos, locupletação... O Fluminense não é nada disso.

O Fluminense somos nós."

Por Juca Kfouri às 01h17

Sport assume a ponta

A Série B está cada vez mais interessante.

Ao ganhar do Ceará (1 a 0) na Ilha do Retiro, o Sport assumiu a ponta, beneficiado pelo empate do Atlético Mineiro que só empatou com a lanterna Portuguesa, no Canindé (1 a 1).

Mais um resultado, aliás, para fazer a torcida do Galo pensar que este time é fraco para representá-la no ano que vem e que a atual diretoria precisa ser mudada de cabo a rabo.

Já o Mecão, o América potiguar, firmou-se na terceira posição, ao arrancar um empate (0 a 0) diante do Vila Nova, em Goiás, um resultado que significou apenas o segundo empate do time de Natal no campeonato.

A campanha do Mecão é sui generis: 17 vitórias, o mesmo número do líder Sport e 14 derrotas, como a última colocada, Portuguesa.

Bom resultado conseguiu o Náutico, ao ficar no 1 a 1 com o Coritiba, em Curitiba, e manter-se na quarta colocação, dois pontos à frente do Paulista que, num jogo repleto de alternativas, ganhou do CRB, em Maceió, por 4 a 3.

Sport e Galo estão praticamente de volta à Primeira Divisão.

América, Náutico, Paulista, Coritiba e Santo André lutam pelas duas vagas que sobram.

No rebolo, a exemplo da Série A que tem a Ponte Preta e o São Caetano, o futebol paulista tem dois representantes, o Guarani e a Lusa.

E pensar que Campinas já foi a capital do futebol brasileiro no fim dos anos 70, quando o Bugre ganhou o Campeonato Brasileiro e a Macaca foi vice-campeã paulista.

Por Juca Kfouri às 00h58

31/10/2006

Sangue, suor, classe e empate

Barcelona e Chelsea jogaram uma partida quase à sul-americana.

Ficaram no limite da virilidade, na fronteira da violência.

Jogo tenso, marcado, pegado.

Dez cartões amarelos e nenhum vermelho porque o árbitro, o italiano Farina, não quis.

Com menos de 2 minutos de jogo, Deco roubou uma bola no meio de campo, caiu em velocidade pela esquerda com a bola dominada, fez que daria para Ronaldinho bem aberto, cortou para dentro e fuzilou para fazer 1 a 0.

O Chelsea perdeu o norte.

Aos poucos, os ingleses puseram a cabeça no lugar e a bola do chão.

E criaram duas chances claras de gol, ambas evitadas pelo goleiro Valdez.

No segundo tempo o Chelsea pôs o Barça na roda e perdeu gols, um, dois, três.

Mandou em Camp Nou até que Lampard fizesse um golaço, sem ângulo, por cobertura, espírita.

Não dá nem para garantir que foi por querer.

Mas sem querer ou não, um golaço, aos 7 minutos.

O segundo gol era só uma questão de tempo, porque o Chelsea não ficou feliz em empatar no campo adversário, mesmo que já o tivesse batido no jogo de ida em Stamford Bridge. por 1 a 0.

E não demorou mesmo.

Seis minutos depois, Ronaldinho Gaúcho pegou uma bola na esquerda, livrou-se com um toque sutil de seu marcador, invadiu a área e deu 90% do gol para o islandês Gudjohnsen fazer 2 a 1.

É a diferença que um gênio faz, mesmo quando sem estar 100%.

Em seguida, outra vez Ronaldinho deu com açucar para o islandês, que desperdiçou.

Aí, o Barça predominou, mas, no segundo minuto dos acréscimos, Drogba matou no peito e fuzilou o gol catalão para empatar o jogo.

José Mourinho, o técnico luso do Chelsea, comemorou de joelhos.

Fazia sentido e o resultado era o mais correto para o que o jogo foi.

Como, enfim, o o embate entre Barça e Chelsea, desta vez, não foi na fase do mata-mata, muito provavelmente ambos se reencontrarão mais adiante.

Seja como for, duas impressões: 1. o Chelsea é um time mais pronto hoje em dia, que mesmo que não consiga fazer tudo o que quer, sabe exatamente o que quer;

2. o Barcelona está muito dependente de seus talentos individuais e sente muita, mas muita falta de Eto'o, como, aliás, qualquer time sentiria, exceção feita ao Flamengo que, afinal, tem o Obina...

Por Juca Kfouri às 17h24

Meio de semana rico

Dos 10 jogos previstos para o meio de semana no Brasileirão, três chamam a atenção.

O mais importante será disputado no feriado da quinta-feira, entre São Paulo e Ponte Preta, no Morumbi.

Não só porque tem o líder como, também, porque a provável nova derrota da Ponte Preta será mais um alívio para Fluminense, Palmeiras e Corinthians.

Botafogo e Inter, no Maracanã, e também no feriado, é outro jogo que promete, pela boa fase do time carioca e pela necessidade do bom Inter em não se afastar ainda mais do São Paulo.

Mas, tecnicamente, o jogo mais interessante deve ser o entre Atlético Paranaense e Vasco, na Arena da Baixada, amanhã, às 19h30.

O Furacão anda impossível e o Vasco vem de belíssima exibição diante do Flamengo.

É jogo para torcedor nenhum botar defeito.

Dos outros jogos, falaremos depois.

Por Juca Kfouri às 00h34

30/10/2006

Dunga, com cabeça

Dunga chamou Hélton, de novo, e Júlio César.

Ponto para Dunga e para quem, afinal, foi à Copa da Alemanha para ganhar experiência.

E não tirou ninguém dos clubes brasileiros na reta final do Brasileirão.

Outro ponto.

Aliás, tirou.

Um lateral-esquerdo, Carlinhos, reserva de Kléber, do Santos.

Menino de bons serviços às seleções brasileiras de base, para ser observado.

Mais um ponto.

E chamou Diego, que anda matando a pau na Alemanha.

Diego e Robinho, outra vez, mais maduros.

Ponto.

Fernando, ex-Juventude, no Bordeaux de Ricardo Gomes, também terá sua chance.

Finalmente, impedido de chamar Fred, convocou Ricardo Oliveira.

Objetivo: Brasil x Suiça, dia 15 de novembro.

Está fazendo tudo direito e dando claros sinais de coisa planejada.

Por Juca Kfouri às 16h02

Homenagem a Rogério Ceni

Mais uma bela homenagem, também, mas não só, aos 700 jogos de Rogério Ceni pode ser vista no "Blogol", na coluna à esquerda, entre os blogues que este blog indica.

Por Juca Kfouri às 12h04

Esporte não muda com a vitória de Lula

Lula goleou ontem como se previa e o esporte deve continuar como está no país.

Com alto investimento para os esportes de alto rendimento e com as migalhas para a inclusão social por meio da prática esportiva.

Os cartolas estão felizes porque votaram na reeleição de Lula.

De ameaça que era quando eleito pela primeira vez, o presidente Lula logo se deixou envolver pela sedução, por exemplo, da Seleção Brasileira de futebol.

Diga-se que o panorama provavelmente seria o mesmo caso Geraldo Alkmin tivesse vencido, embora se falasse no nome do deputado Sílvio Torres, que relatou a CPI da CBF/Nike, para o ministério do Esporte.

A reeleição trará de volta Agnelo Queiroz ao ministério do Esporte.

Que, agora, deve priorizar os esforços para que o Pan-2007 não fracasse e para a candidatura brasileira à Copa do Mundo de 2014.

A moderna legislação esportiva brasileira, ainda recente e pouco aplicada, deverá sofrer retrocesso e  os incentivos fiscais para os esportes de competição devem virar a ordem do dia -- ou dos próximos quatro anos.

Por Juca Kfouri às 23h05

29/10/2006

Hoje é dia de ficar com ela

Hoje o dia é dela.

Sem futebol pelo Brasil, o dia é dela.

Ela é a netinha, impagável.

Que, no domingo passado, insatisfeita com os pais, com os tios e com o avô que se dividiam entre dar-lhe toda a atenção possível e o jogo na TV, de repente, anunciou:

"Abre o olho, pessoal, que a Uiza vai dançar!".

E a Luiza saiu dançando pela sala com seu ano e nove meses recém-completados.

Mas, para que ninguém diga que não falei de futebol, eis aí o resumo da 31o. rodada:

só 25 gols em 10 jogos, média de público na casa dos 14 mil pagantes por jogo.

A rodada que começou na quarta-feira e só acabou no sábado, teve seu maior público no Maracanã, para Vasco e Flamengo, com mais de 41 mil torcedores.

E o menor no Arruda, porque a apaixonada torcida do Santa Cruz já jogou a toalha: apenas 1.105 torcedores viram a derrota para o Fortaleza.

Por Juca Kfouri às 23h37

Hoje é dia de votar

Hoje é dia de votar para presidente.

Passei anos de minha vida lutando por este direito.

E não me arrependo, ao contrário.

Mas hoje vou anular meu voto.

Porque me sinto traído pelos oito anos anteriores aos desta gestão que se encerra e também por ela.

Azar meu, que me iludi duas vezes.

Não aconselho ninguém a fazer o mesmo.

Um dia ouvi do governador Franco Montoro que o segundo turno serve para que o eleitor escolha, no mínimo, o menos ruim.

No primeiro, ele dizia, você vota em quem acha o melhor. No segundo, no menos ruim.

Talvez ele estivesse certo

Mas não acho que anular o voto seja alienação ou uma maneira de ser cúmplice com o que está aí.

Ao contrário.

Penso que é exatamente uma forma de não ser cúmplice e de protestar contra a geléia geral que transformou todos em tão iguais.

Não acredito, definitivamente, que os fins justificam os meios.

Acredito, piamente, que meios ruins levam a fins ainda piores.

Votarei nulo, repito.

E não aconselho a ninguém que faça o mesmo.

Mas não entendam como sinal de desistência.

Ao contrário, outra vez.

Botar o dedo nas feridas será sempre obrigatório e sonhar o sonho impossível, também.

Vou levar minha netinha comigo e pedir que ela aperte qualquer coisa na urna indevassável.

Ela não entenderá o que fará e nem vou explicar jamais.

Mas continuarei a brigar para que ela, com menos de dois anos de idade, viva num país melhor.

E tenho certeza de que viverá.

Por Juca Kfouri às 23h21

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico