Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

17/02/2007

Graaande São Paulo!

Só o São Paulo fez prevalecer sua grandeza.

Deu um baile no América, em Rio Preto, e, ao natural, marcou 4 a 2, mesmo sem forçar muito, mesmo tendo pênalti a seu favor não marcado, mesmo desgastado pela ida ao Chile.

Porque o Santos foi outro grande que perdeu.

E perdeu nos últimos dois minutos para o São Bento, na Vila, por 2 a 0.

Perdeu a invencibilidade no Campeonato Paulista e a gordura acumulada, pois tem agora o único invicto São Paulo nos seus calcanhares, a um ponto.

Como gosta de fazer, Vanderlei Luxemburgo enganou todo mundo e botou Kléber, Cléber Santana e Zé Roberto para jogar, mas nenhum deles estava em noite feliz.

Por mais que parecesse que venceria o jogo a qualquer momento, o Santos acabou surpreendido no fim por dessas coisas do futebol.

No Rio, tudo definido.

O América perdeu para o Friburguense (3 a 4) e se deu bem: pegará o Madureira nas semifinais da Taça Guanabara.

O Vasco empatou no fim com o Fluminense num clássico maluco que terminou 4 a 4, e com um pênalti mal marcado contra o Flu, e enfrentará o Flamengo.

Ou seja: teremos, outra vez, um pequeno na final carioca.

Por Juca Kfouri às 19h11

Carnaval dos pequenos

Tarde para rasgar fantasias.

Aos 50 minutos do segundo tempo, o Paulista derrotou o Corinthians por 3 a 2, com justiça.

O tricolor de Jundiaí jogou com 10 desde os quatro minutos do primeiro tempo e mesmo assim sempre foi mais organizado e mais perigoso que o alvinegro.

Aos corintianos só resta reclamar de nada menos que cinco impedimentos mal marcados, todos em situação de gol, ao passo que só uma vez o Paulista foi vítima do mesmo erro de auxiliares abaixo da crítica, embora o árbitro tenha ido bem.

Roger, aos 37 do segundo tempo, também foi expulso, num lance grotesco de agarrão no adversário.

A incapacidade mostrada pelo Corinthians com um jogador a mais é dessas que não há Leão (também bem expulso por reclamação) que explique e nem Nilmar que dê jeito, mesmo com bom retorno.

No Parque Antarctica o Palmeiras fez a sena.

Completou seis jogos sem vencer no Campeonato Paulista, desta vez diante do antepenúltimo colocado, o Rio Claro, 1 a 1, depois de estar perdendo.

E, diga-se, por muito pouco não perdeu, no fim do jogo.

Como perderam feio o Botafogo e o Flamengo.

Claramente desgastado, o rubro-negro tomou um vareio do Madureira que, com quatro gols de Marcelo, dispensado da Gávea, goleou por 4 a 1, numa tarde terrível para o goleiro Bruno, com duas falhas graves em dois dos gols.

Verdade que o gol do Flamengo, em cobrança de falta de Renato, também foi um frangaço.

Já o Botafogo é o Botafogo e certas coisas só acontecem lá mesmo.

Conseguiu perder para o inexistente Boavista, por 3 a 2, e ficar fora das semifinais da Taça Guanabara, que já tem classificados o Madureira, o Flamengo, apesar de tudo, e o América, além do Vasco.

O Madureira espera o resultado de Vasco e Fluminense para saber se jogará com o América ou com o Vasco nas semifinais.

Os pequenos dão as cartas no Carnaval.

Até porque os grandes são cada vez menores.

Por Juca Kfouri às 17h15

Ronaldo, inteiro

Primeiro, Pirlo cruzou e Ronaldo fez de cabeça, coisa rara.

Milan 1, Siena 0.

Depois, Ronaldo deu para Kaká, recebeu de volta, passou para Ricardo Oliveira que não desperdiçou.

Milan 2, Siena 1.

Finalmente, Kaká foi à linha de fundo, cruzou para trás nos pés de Ronaldo que meteu para dentro.

Milan 3, Siena 2.

Ronaldo ainda perdeu dois gols.

Um, porque caprichou demais e acabou por chutar rente à trave, depois de deixar o goleiro na saudade.

O outro em nova cabeçada.

Ronaldo se movimentou, pediu bola, orientou, tomou duas faltas feias e jogou a partida inteira.

No fim, Milan 4, Siena 3.

Tudo quase perfeito.

Pena que a defesa milanista é deplorável.

Mas Ronaldo voltou.  

Mais uma vez.

Por Juca Kfouri às 12h48

Futebol no sábado de Carnaval

O melhor do futebol neste sábado de Carnaval começa daqui a pouco, em Siena, na Itália, onde ao meio-dia o fenômeno Ronaldo deve jogar como titular pelo Milan.

E segue às 16h, em Moça Bonita, no Rio, com o jogo entre Flamengo e Madureira, que decide vaga para um dos dois nas semifinais da Taça Guanabara.

Ainda no Rio, palco da rodada mais interessante dos estaduais neste período de Momo, o clássico, às 18h10, no Maracanã, entre Vasco e Flu: o nome da prenda é Renato Gaúcho, que não sabe com que roupa terminará o Carnaval.

Finalmente, em São Paulo, o Santos poupará Kléber, Cléber Santana e Zé Roberto, o que tira bastante a graça de seu jogo diante do São Bento, na Vila, às 18h10.

Mas o São Paulo, no mesmo horário, em Rio Preto, bota Ilsinho, Souza e estréia Marcel diante do América.

Antes, às 16h, em Jundiaí, Nilmar volta aos gramados para reforçar o Corinthians contra o Paulista, num jogo em que se a dupla de ataque corintiana, com Nilmar e Jean, preocupa os adversários, a de defesa, com Marcos Vinícius e Gustavo, preocupa, e como, os alvinegros.

Por Juca Kfouri às 10h30

16/02/2007

Pan, que desperdício!

Não deixe de ler, em "CartaCapital" desta semana, já nas bancas, a reportagem de Phydia de Athayde sobre o Pan-2007.

É o mais completo retrato jornalístico do evento publicado até agora pela imprensa brasileira.

O título desta nota é a manchete de capa da revista.

Por Juca Kfouri às 19h54

Pela culatra

Em atendimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro, a juíza Márcia Cunha, da 7o. Vara Empresarial, concedeu liminar que volta a afastar Rubens Lopes da Costa Filho da presidência e torna sem efeito a reunião que o elegeu no último dia 12.

A juíza determina uma multa diária de R$ 10 mil tanto para a FERJ quanto para Rubens Lopes em caso de descumprimento da liminar, sob a óbvia alegação de que ele não poderia ser eleito para a presidência de uma direção que foi afastada judicialmente e na qual figurava como vice-presidente.

A liminar determina que a FERJ publique em sua página na Internet, em 24 horas, que Rubens Lopes não é seu presidente, sob pena de mais R$ 10 mil diários.

E mais: proibe a presença dele nas dependências da FERJ, reitera a necessidade de que se promova nova eleição em 30 dias, sem que Rubens Lopes possa se candidatar, além de ter mandado apurar eventuais crimes de desobediência, desacato e prevaricação na reunião do dia 12.

A juíza ainda juntou aos autos o DVD com a gravação das imagens da ESPN-Brasil que são suficientemente esclarecedoras.

Ou seja, da decisão do desembargador homenageado pelo Vasco ficou apenas a presença do interventor anterior a Hekel Raposo, José Teixeira Fernandes.

Ao pleno do Tribunal de Justiça do Rio ficará reservada a última palavra.   

Por Juca Kfouri às 16h36

Virada da Justiça?

A juíza Márcia Cunha e o MInistério Público devem entrar hoje com um recurso, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, contra a decisão monocrática do desembargador (recentemente homenageado pelo Vasco, segundo nota na Folha de S.Paulo, de hoje) que fez tábula rasa de sua sentença que determinou intervenção na FERJ.

A juíza e o promotor público não têm dúvida de que no pleno do Tribunal, com 22 desembargadores, a Justiça prevalecerá.

É também o que esperam todos os que ficaram estarrecidos com a frase de Eurico Miranda: "Eu sou o dono da Federação".

Por Juca Kfouri às 00h22

15/02/2007

Lucas adora o Paraguai

O menino Lucas foi um dos heróis na conquista da vaga olímpica e do Sul-Americano sub-20, em janeiro passado, no Paraguai.

Pois ele voltou a Assunção e marcou o golaço da vitória gremista em sua estréia na Libertadores, diante do Cerro Portenho, 1 a 0.

Com direito à tradicional recepção paraguaia, que inclui pedradas e garrafadas, como uma que o atingiu na coxa.

Impressionante, o Grêmio.

Em sua sétima apresentação em 2007, a sétima vitória, o 18o. gol, e a invencibilidade de seus goleiros (Gallato jogou duas partidas e Saja, cinco), que ainda não foram buscar nenhuma bola no fundo das redes neste ano.

Sebastian Saja, por sinal, experiente goleiro argentino revelado pelo San Lorenzo, com passagens pelo futebol italiano, espanhol e mexicano, aos 28 anos bateu seu recorde pessoal, que era de quatro jogos e meio sem sofrer gol e com uma atuação tão boa que ainda pegou um pênalti no penúltimo minuto de jogo.

Mas, o mais importante foi constatar que o Grêmio jogou com muita maturidade e não se acovardou diante do adversário mais difícil de seu grupo.

O Grêmio, em busca do tri, jogou melhor desde o começo do jogo e não afrouxou nem mesmo depois da perda de Tuta, logo no início da partida.

Teve o ônibus apedrejado na chegada, foi provocado e não se impressionou.

Espera-se que a Conmebol tome providências porque foi um jogo ao estilo da velha Libertadores.

Por Juca Kfouri às 23h15

Especialista apóia o Flamengo

O doutor Renato Lotufo, médico do Corinthians e diretor clínico do Instituto de Avaliação Física do Esporte (Iafe), graduado pela Escola Paulista de Medicina e uma das principais autoridades em Medicina Esportiva e fisiologia do exercício do país, acaba de dizer à CBN que o Flamengo tem toda razão em se recusar a fazer novos jogos acima dos 2000 metros de altitude.

E disse que o risco de algum atleta perder a vida num jogo na altitude aumenta consideravelmente.

Por Juca Kfouri às 21h44

O filósofo Eurico Miranda

Eurico Miranda acusou o Fluminense de comportamento antiético por ter contatado Renato Gaúcho.

É possível que tenha razão.

Mas não foi ele mesmo que um dia disse que "esse negócio de ética é coisa de filósofos"?

Por Juca Kfouri às 21h40

Paraná Clube estréia com show

Tudo bem.

O Maracaibo está longe de ser um timaço.

Mas é o campeão venezuelano e o futebol da Venezuela progrediu muito nos últimos anos.

E o que se faz diante de um time que não é lá essas coisas?

Goleia-se?

Pois foi o que Paraná Clube fez, em Maracaibo, ao vencer por 4 a 2, com show particular de Dinélson.

Driblador nato, ele pintou e bordou pela esquerda.

Fez gol, deu gol, driblou, enfiou entre as pernas.

E o Paraná Clube, em sua estréia, só é digno de elogios, apesar de ter mostrado falhas em sua defesa, algo que o técnico Zetti terá de corrigir.

Mas que o tricolor paranaense mostrou que deve passar à segunda fase ficou mais que claro.

Por Juca Kfouri às 21h26

Lula diz que não pode receber Berezovski

O presidente Lula disse a um interlocutor de sua confiança que não tem a menor condição de receber Boris Berezovski.

Disse mais: disse que o bilionário russo até pode entrar no país, onde não há nada contra ele (embora se saiba que a embaixada russa já se manifestou negativamente diante da possibilidade, observação do blog), mas que deve procurar os caminhos normais e não o presidente da República.

Ao que tudo indica, a possibilidade de a maior autoridade brasileira receber o russo foi apenas mais uma das lorotas de Renato Duprat, que a mantém para sobreviver como sabe-se lá o quê no Corinthians.

Por Juca Kfouri às 15h36

Enfim!!! E que não fique na ameaça

NOTA OFICIAL DO FLAMENGO

1. Ontem à noite, Flamengo arrancou um empate heróico contra o |Real Potosi, em condições anti-desportivas e desumanas.

2. A presidência do clube faz questão de homenagear os profissionais que, em jornada épica, encarnaram o lema rubro-negro, segundo o qual, nossa glória é lutar.

3. E deseja também enaltecer a presença de uma torcida do Flamengo em Sucre, dado marcante da grandeza do clube e do tamanho nação rubro-negra.

4. Mas, torna público que vai comunicar oficialmente à CBF, à Confederação Sul-Americana e à FIFA que, doravante, não comparecerá a partidas em altitude superior aos limites recomendados pela medicina esportiva.

5. Por definição, o campo de jogo é um espaço que deve oferecer igualdade de condições aos oponentes que buscam a conquista esportiva, mediante esforço que engrandece a condição humana, contribuindo para a educação e a saúde.

6. Primeiramente, o campo de jogo, em altitude não recomendada pela medicina, não oferece igualdade de condições aos oponentes, ferindo o princípio da desportividade, o "fair-play".

7. Por fim, a prática esportiva, em condições não recomendadas pela medicina, faz do esforço físico um ato bárbaro, degrada a condição humana e coloca em risco a vida dos atletas. Não proibir jogos nessas condições é o mesmo que ser conivente com a dopagem.

8. O Flamengo, em nome do esporte, denuncia a responsabilidade que as entidades de administração, em especial a FIFA, têm com a preservação da prática esportiva em condições humanas e com a vida dos atletas e não jogará mais em altitude não recomendada pela medicina. O Flamengo é responsável.

9. Flamengo, Flamengo tua glória é lutar.

Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2007

Márcio Baroukel de Souza Braga
Presidente

Por Juca Kfouri às 14h41

14/02/2007

Empates opostos na Libertadores

O Flamengo obteve um empate heróico em Potosí.

Saiu perdendo por 2 a 0 no primeiro tempo e tudo indicava que levaria uma goleada, porque o Flamengo, sem ar, via o Real jogar.

Não dá para analisar futebol de um time submetido à altitude de 4000 metros.

Não é só o pulmão e as narinas que sofrem: o cérebro também é submetido a uma sensação de porre, por falta de oxigenação.

Não dá para raciocinar normalmente.

Veio o segundo tempo, quando tudo deveria piorar, e em duas bolas aéreas Roni e Obina empataram.

O time boliviano ainda perdeu um sem-número de oportunidades de gol e o árbitro, perverso, deu mais quatro minutos de acréscimos.

Quem diz que o Santos de Pelé ou a Seleção Brasileira nunca deram bola para a altitude não sabe o que fala e ignora princípios básicos da Ciência do Esporte.

O Santos de Pelé só uma vez foi a La Paz e venceu por duros 4 a 3 o Deportivo Municipal (na volta, na Vila, ganhou de 6 a 1!) e o Brasil perdeu sua invencibilidade em eliminatórias exatamente em La Paz, em 1993, diante da Bolívia.

Times que se valem da altitude costumam vencer em casa e perder todas fora.

O Flamengo goleará  o Real no Rio e pode comemorar como vitória o 2 a 2 que arrancou Deus e o Paulinho sabem como.

Já o São Paulo ficou no 0 a 0 com o fraco Audax Italiano, em Santiago do Chile.

Jogou muito mais, poderia ter vencido por uns 3 a 0, mas sempre falhou na hora agá.

Não jogou, enfim, como um tricampeão da Libertadores.

Bola, mesmo, só o Aloísio jogou.

Mas, também o tricolor não deverá encontrar maiores dificuldades no jogo de volta, em São Paulo.

Por Juca Kfouri às 22h46

O Brasil na Copa América

Definido o grupo do Brasil na Copa América, na Venezuela: México, Equador e Chile.

O México tem sido um rival amargo nos últimos anos e o Equador vive franco progresso, endurecendo até mesmo em amistosos.

No último, já sob o comando de Dunga, a Seleção Brasileira só venceu depois que os equatorianos ficaram com um jogador a menos.

E o Chile não assusta.

Por Juca Kfouri às 21h30

Santos todo prosa

O Santos deu mais um passeio no Campeonato Paulista.

Enfiou 4 a 1 no América de Rio Preto e não só livrou três pontos sobre o segundo colocado, o São Caetano, como ficou sete pontos adiante do quinto, o Corinthians.

Apenas quatro times se classificam para as finais e o Santos segue impávido e invicto, com sete vitórias e um empate.

Apesar das críticas ao seu ataque, os santistas passaram a ter o maior número de gols, com 22, um a mais que o Corinthians.

O bom Marcos Aurélio fez dois, Pedro um e Cléber Santana, para variar, mais um (e um belo gol de fora da área), isolando-se na artilharia com oito tentos, um a mais que Somália.

Em tempo: Zé Roberto, mais uma vez, gastou a bola.

É o melhor jogador em atividade no Brasil neste momento.

Por Juca Kfouri às 21h02

Estádio João Hélio Fernandes-2

A propósito da idéia de dar ao estádio do Engenhão, construído para o Pan-2007, o nome do menino João Hélio Fernandes, o jornalista André Fontenelle lembra:

"O estádio de Caio Martins tem esse nome em homenagem a um escoteiro de 15 anos, que morreu em 1938 depois de socorrer seus colegas de patrulha, vítimas, como ele, de um desastre de trem. Não seria, portanto, o primeiro jovem a batizar um estádio!".

 

Por Juca Kfouri às 14h46

Atrás do bi e do tetra na Libertadores

O Flamengo começa hoje uma dura caminhada atrás do bi na Libertadore.

Desde os tempos sagrados de Zico e companhia, em 1981, o rubro-negro não sabe o que é festejar o maior título do continente.

Seu adversário de hoje, às 21h45, não existe, é o Real Potosí, da Bolívia.

O fato de o estádio ser modesto e o gramado ruim também não é assim tão assustador para um time brasileiro.

Mas os 4000 mil metros de Potosí são um obstáculo tão poderoso que permitem dizer que um empate não será de todo mal.

Aliás, é um absurdo que quem viva ao nível do mar seja obrigado a tamanho sacríficio, algo que o esporte no século 21 não poderia permitir.

Tarefa bem mais fácil tem o São Paulo, no Chile, diante do também inexistente Audax Italiano, no mesmo horário.

O tricolor conhece todos os atalhos da Libertadores e não é por acaso que parte em busca do tetracampeonato, maior campeão brasileiro do torneio das Américas.

Por Juca Kfouri às 09h03

13/02/2007

O Maracanã e o Pan-2007

Há cinco anos se sabe que o Pan-2007 seria no Rio.

A tabela do Campeonato Brasileiro de 2007 poderia ter levado tal obviedade em conta.

Por outro lado, a tabela do Brasileirão foi divulgada com a antecedência devida e só agora os organizadores do Pan, por razões de segurança, acordaram para a coincidência de eventos.

Os dois lados têm razão e os dois lados estão errados.

Como fazer?

Parece claro, também, que, de fato, um Fla-Flu, em meio ao Pan, poderia ser uma excelente atração para os turistas que estarão no Rio, talvez o melhor evento esportivo durante a realização dos Jogos.

Se os especialistas em segurança, no entanto, dizem que a simultaneidade dos eventos é impraticável, não há o que fazer, a não ser acreditar.

Mas é bem provável que num clima de busca sensata de uma solução, esta apareça.

Em clima de cabo de guerra, certamente é que não se achará a melhor saída nem para o Pan nem para o futebol.

Por Juca Kfouri às 14h04

12/02/2007

O Judiciário do Rio é expulso de campo pelos cartolas

A Federação de Futebol do Rio de Janeiro foi palco ontem de uma eleição ilegal.

Pior: os que lá participaram da farsa simplesmente desacataram uma decisão judicial, da juíza Márcia Cunha.

Pior ainda: alguns cartolas, como Eurico Miranda, fizeram o delegado de polícia, que lá estava para cumprir a decisão judicial, de gato e sapato.

Eurico Miranda pôs o dedo em riste na cara do delegado, disse que ele, o delegado, não estava convidado para a reunião e que ele, Eurico, era o dono da federação.

O delegado não lhe deu voz de prisão, a eleição foi feita por aclamação e ficou provada, por a + b, a total ausência de autoridade na cidade do Rio de Janeiro.

Até cartolas do futebol fazem e desfazem do poder do Estado.

Imagine os traficantes e os assassinos. 

 

Por Juca Kfouri às 23h53

Estádio João Hélio Fernandes

Autor de "Universo Olímpico", uma enciclopédia das Olimpíadas, (Editora Códex), Eduardo Colli, sugere:

por que não dar o nome de JOÃO HÉLIO FERNANDES ao estádio do Engenhão, mais um com o nome de João Havelange, que está sendo erguido para o Pan-2007, no Rio?

Será uma maneira de perpetuar o nome do garoto barbaramente assassinado e mantê-lo vivo na memória de todos.

Esquartejado como Tiradentes, no século 18, vítima da covardia sem limites como Vladimir Herzog, no século 20, João Hélio Fernandes é o mártir brasileiro deste novo século e a lembrança faz todo sentido.

Por Juca Kfouri às 12h05

Aos Romaristas, como eu


“É possível alguém fazer 1000 gols como Pelé. Mas é impossível alguém fazer um gol como Pelé.”, já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade.

O mesmo se pode dizer de Romário.

De uma vez por todas, o que se discute não é a capacidade do Baixinho de fazer gols nem sua genialidade, melhor jogador que vi dentro da área, superior mesmo a Pelé na zona do agrião.

O que se discute é que todas as contagens de gols se limitam à carreira do jogador como profissional.

Com exceção, é claro, daquelas que envolvem atletas de antes do profissionalismo, como Friendenreich que, repita-se, ficou longe dos 1000 gols, embora a Fifa, em mais um texto descuidado, aceite a lenda.

E a contagem de Romário rompe com esta regra.
 

Por Juca Kfouri às 11h38

Dos gandulas

Por LUIZ FERNANDO BINDI

História velha - 1

Quando o argentino Bernardo Gandulla ia buscar bolas perdidas nos treinos do Vasco por pura gentileza, todos achavam educado da parte dele.

Na reserva, atacante de qualidade reduzida, tentava mostrar-se ambientado ao time e à cidade fazendo gentilezas.

Era ele que ajudava a servir café para os jogadores, era ele que se dispunha a ser intérprete nos amistosos internacionais.

Goleador no Ferrocarril e no Boca, Gandulla, no Vasco, foi apenas um cara legal.

***

História velha - 2

Segundo estatísticas da ONU e da USP existem mais de 1 milhão decrianças em situação de abandono no Brasil todo.

Sejam morando na rua, sejam maltratadas pelos parentes, sejam sodomizadas por pedófilos.

Desse contingente, outros estudos mostram que a imensa maioria adora esporte, mesmo os já considerados "perdidos".

E parte dessa maioria sonha em ser jogador de futebol.

***

História velha - 3

Os atuais gandulas são homenzarrões feitos, muitos deles membros de organizadas.

A função deles é levar a bola rápido quando o time da casa está perdendo e sumir com as bolas quando o time casa está ganhando.

A lei do CBJD é desrespeitada, o regulamento dos torneios idem.

Os juízes, como sempre homúnculos desfeitos, nada fazem.

Dão um pitizinho e segue o corso.

***

Se juntarmos as Histórias velhas 1, 2 e 3, talvez tenhamos uma história nova.

É só começar a escrevê-la.

--
Luiz Fernando Bindi
www.distintivos.com.br

Por Juca Kfouri às 11h19

11/02/2007

Meia dúzia de clássicos e apenas duas vitórias

Nos seis clássicos estaduais de alcance nacional disputados no fim de semana, nada menos do que quatro empates.

Porque, como disse o filósofo, clássico é clássico e vice-versa.

Na Ilha do Retiro, no Recife, o Sport deixou de ser 100% ao empatar 1 a 1 com o Santa Cruz.

Nem por isso deixou de ser campeão do primeiro turno e de ganhar a Taça Tabocas e Guararapes, diante de 15.929 torcedores, com oito vitórias e só este empate.

No Barradão, em Salvador, o BaVi também ficou no 1 a 1, o que manteve o Vitória quatro pontos na frente do rival, com 24.855 torcedores.

Na Arena da Baixada, em Curitiba, o menor público dos clássicos, 14.530 pagantes, para ver o 2 a 2 no Atletiba, que deixou ambos em situação delicada na tabela.

E, no Maracanã, 30.795 torcedores viram um jogaço no 3 a 3 entre Botafogo e Flamengo, resultado que deixou os dois muito perto das semifinais da Taça Guanabara.

Vitórias mesmo só no Morumbi e no Mineirão e pelo mesmo placar: 3 a 1.

Em São Paulo, o São Paulo triturou o Corinthians e manteve a escrita de quatro anos sem perder para o rival.

32.653 pessoas viram o centroavante Aloísio brilhar.

Ele não fez nenhum gol, mas participou dos três do tricolor.

E, em Belo Horizonte, o Atlético Mineiro virou para cima do Cruzeiro, diante do maior público dos seis clássicos, com 42.272 torcedores.

O Galo ganhou seu primeiro jogo no campeonato, derrotou o líder, saiu da lanterna e mostrou que está vivo.

Em tempo: embora não tenha o mesmo alcance dos seis clássicos acima citados, Ceará 4, Fortaleza 3, no Castelão, foi o jogo que levou mais gente ao estádio no fim de semana: 47.350 pessoas.

Por Juca Kfouri às 23h00

Mais três gols do Baixinho

E Romário fez o quarto, quinto e sexto gols do Vasco na goleada sobre o Volta Redonda (6 a 1), com apenas 25 minutos em campo.

Agora faltam só 88 para o gol 1000.

Por Juca Kfouri às 20h46

Vitória do futebol no Maracanã

Seria uma injustiça se o Botafogo fosse para o vestiário no intervalo em desvantagem para o Flamengo, no Maracanã.

O alvinegro foi mais perigoso desde o primeiro minuto do primeiro tempo e só perdia até os 45 minutos, quando Jorge Henrique empatou com precisão, porque Zé Roberto perdeu um gol incrível o Flamengo tem Bruno para defender e Obina para marcar.

Depois de bobeada botafoguense no meio de campo, e jogada perfeita entre Renato e Juan pela esquerda, Obina tinha aberto o placar, aos 21.

Na volta, logo no primeiro minuto, Juan derrubou Jorge Henrique fora da área (parte do corpo estava dentro, mas a perna atingida estava mesmo fora), o árbitro deu pênalti e Dodô fez 2 a 1.

Era o resultado mais justo pelo que os dois times tinham feito até ali.

E o 3 a 1 só não aconteceu porque Bruno evitou, 10 minutos depois, que Dodô marcasse mais um em veloz contra-ataque.

Só que, exatos outros 10 minutos, o travessão salvou o empate, em peixinho de Renato Augusto, numa bola que foi um pecado.

Aos 23, foi a trave de Bruno que salvou o terceiro gol, que seria de Joílson, depois que o Botafogo pintou e bordou com a defesa do Flamengo.

Para não cansar o leitor, o segundo tempo alternou chances de gols lá e cá, repleto de emoções.

Lá e cá, cá e lá, para coroar um belo clássico, na cobrança de um escanteio, Ronaldo Angelim empatou o jogo aos 32, mas ficou sem Juan, expulso, em seguida.

Nada indicava, no entanto, que seria o placar final.

E não foi mesmo.

Juca fez boa jogada, Joílson pegou um pelotaço de fora da área, onde a coruja mora, e botou o Fogão outra vez na frente, aos 36.

E, agora, com um homem a mais.

Vantagem que não tinha a concordância de Roni, que voltou a empatar, em seguida, como se fosse o Nunes, pela esquerda, numa bobeada de Túlio, o defensor botafoguense.

Que jogo!

Só havia uma dúvida, quando a chuva apertava no Maraca: quem faria o sétimo gol do clássico?

Obina, aos 41, por pouco não fez.

E, aos 42, um crime!

Obina recebeu no meio de campo em posição legalíssima e sem ninguém para interromper sua caminhada em direção ao gol, com exceção do goleiro botafoguense Max.

E o bandeira inventou um impedimento.

No lance seguinte, Zé Roberto fez o 4 a 3, mas o árbitro anulou por considerar que, antes, André Lima metera a mão na bola, o que não ficou claro, embora, de fato, ele tenha tentado. E se a intenção vale...

Diante de 30 mil felizardos que viram um jogão, o clássico ficou no empate.

 

Por Juca Kfouri às 19h07

E o São Paulo se diverte

São Paulo e Corinthians faziam um jogo razoavelmente equilibrado até os 30 minutos do primeiro tempo.

O Corinthians era até mais insinuante e foi vítima de dois impedimentos mal marcados.

Aos, 30, no entanto, as inúmeras diferenças que existem entre os dois times começaram a aparecer.

Lenílson chutou cruzado e fraco de fora da área, mas Marcelo aceitou.

E, aí, como é bem melhor coletiva e individualmente, o São Paulo passou a bailar.

Aos 44, Marquinhos ficou no mano a mano com Aloísio e você adivinha o que aconteceu?

Pênalti!

Rogério Ceni bateu, fez seu primeiro gol em 2007 e 2 a 0 para o São Paulo.

No segundo tempo só deu tricolor.

Logo aos 13, Aloísio deu para Leandro fazer 3 a 0.

O Corinthians ainda perdeu um gol e ameaçou perder também a cabeça e a compostura.

Porque tomava olé e um drible ali e outro aqui menos ortodoxo, mas nada que significasse desrespeito ou falta de esportividade.

Para sorte alvinegra, Aloísio, o melhor em campo, sentiu cãimbras e saiu aos 30.

E Magrão, para variar, foi expulso aos 31, ao acertar Leandro depois de tomar uma caneta.

Rídiculo!

Wilson ainda descontou, aos 36, mas qualquer reação era impossível.

Não só pela diferença entre os times como, também, porque estava 11 contra 10.

Mesmo assim, o Corinthians ainda criou mais uma chance, teve um pênalti não marcado em Daniel, e Jadílson acabou expulso, aos 48.

Ao Corinthians falta o que sobra ao São Paulo: cabeça e organização.

Apesar dos gandulas, que o São Paulo também usa de maneira infame e desonra o futebol. como, de resto, fazem todos os times mandantes do país, sem que federações e CBF tomem providência, o que seria facílimo.

 

Por Juca Kfouri às 17h00

Meia hora do Fenômeno

Ronaldo jogou exatos 30 minutos em Milão, na vitória sobre o Livorno por 2 a 1 dos milanistas.

Quando ele entrou o resultado era de empate.

Quatro vezes chutou a gol.

Duas bolas passaram rente ao poste, uma foi fraca e fácil para o goleiro, outra foi potente, de fora da área, e exigiu boa defesa.

Ronaldo se movimentou, pediu jogo e estava indisfarçavelmente feliz.

E quase magro.

Por Juca Kfouri às 12h59

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico