Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

10/03/2007

Para pensar a violência

Por ADAUTO SUANNES*

Se nos dispusermos a estudar a origem e a motivação dos esportes, veremos que todos eles estão, invariavelmente, ligados a fatos naturais da vida do homem, sendo, quase sempre, resultado de uma sublimação - ou seja, a substituição de algo reprovável ou menos aceitável por algo mais aceitável socialmente - daquela natural tendência para a prática de atos agressivos. Seria cômodo ilustrar isso com o óbvio esporte do boxe, onde, sem subterfúgio algum, temos a briga entre dois homens. A correspondência entre a agressividade natural e a agressividade sublimada é evidente, até porque as normas de civilidade exigem que os punhos sejam cobertos por uma luva acolchoada, que se poderia indagar se são assim para proteger o rosto de quem apanha ou o punho de quem bate. O mesmo se poderia dizer da esgrima.

O arremesso de dardo, considerado um dos jogos olímpicos, tanto quanto a disputa de arco e flecha ou mesmo de tiro-ao-alvo não estão aí para nos indicar que o espírito do caçador, que se eternizou nas pinturas rupestres, continua dentro de cada um de nós?E já que falamos em jogos olímpicos, qual a origem da mais clássica das provas olímpicas, a corrida da maratona? Segundo reza a lenda, após uma árdua batalha na região de Marathon, quando os persas acabaram desistindo de invadir a Grécia, no ano 490 a.C., o soldado Filípedes foi encarregado de avisar os seus compatriotas da vitória dos atenienses. Para isso, correu cerca de 36 quilômetros, para levar a boa-nova. Depois de fazer o feliz anúncio, morreu de exaustão. Aquela prova seria uma homenagem àquele herói grego e, portanto, recordação de uma batalha sangrenta.

Mais difícil será aceitar que o civilizadíssimo jogo de tênis (que até há poucas décadas exigia que os disputantes, homens ou mulheres, se vestissem como vestais, roupa impecavelmente branca, até que uma brasileira, Maria Ester Bueno, como boa representante da irreverência desse povo, quebrasse a tradição) seja sublimação de um duelo a espada: por força das normas de civilidade, a ponta dessa arma mortal voltou-se em direção ao próprio punho e ali se fixou, para afastar o perigo de ferir o adversário. Ficou um espaço vazio, ovalar, que foi coberto com um cordoamento, transformando-se em raquete. Não será, obviamente, por acaso que os jogadores usam a expressão matar o ponto, quando dão um golpe vencedor. Mata-se o ponto em lugar de matar o adversário.

Inúmeros esportes coletivos, tanto quanto o mencionado tênis, são disputados em torno de uma bola. E que é a bola senão a simbolização da cabeça do adversário?

Admira, pois, que os meios de comunicação reajam com tanta indignação diante da chamada violência nos estádios de futebol. Um pouco mais de atenção àquilo que ali é representado mostraria que não estamos diante de algo tão extraordinário assim.

Realmente, quando uma tribo pretendia partir para a guerra, a primeira preocupação era pintar o corpo com cores muito vivas, o que, evidentemente, também estava sendo providenciado pela tribo adversária. Para que isso? Para que, durante a refrega, o guerreiro não perdesse tempo tentando descobrir se a cabeça em que pretendia desferir o golpe de borduna pertencia a alguém de sua tribo ou da tribo adversária. Pela diferença de cor da tintura essa dúvida não teria mais razão de ser, ganhando-se tempo precioso. Compare-se a diferença entre o uniforme dos alemães, especialmente o capacete, e o uniforme dos seus adversários na II Guerra Mundial para concluir-se que mesmo quando os combates nem sempre se dão corpo-a-corpo é necessário saber distinguir os aliados dos inimigos. Ironicamente, isso não impediu que na recente guerra do Oriente Médio aviões norte-americanos bombardeassem reduto de seus aliados, confundindo-os com os inimigos, surgindo então a expressão "fogo amigo". O que mostra que nem sempre a tecnologia supera a sabedoria da natureza.

Hoje, graças ao avanço da civilização - pelo menos é assim que se costuma referir à passagem da Humanidade dos estágios anteriores para o atual -, não mais temos guerra de tribos (hipoteticamente falando, caro leitor, pois não sou tão ingênuo assim). Mas o homem conserva em si a natural agressividade, a necessidade de conquista, a força que o empurra para a luta. Que fazer com essa força? Sublimá-la.

O que acontece nas disputas coletivas é precisamente isso: cada tribo veste um uniforme que distingue seus componentes dos componentes do outro time. Em lugar de lutar-se para conquistar a cabeça do adversário, ela já vem trazida pelo árbitro: a bola.

E se isso não é bastante para convencer meu prezado leitor, responda: por que motivo, ao fim de uma disputa, o vencedor ganha uma taça? Trata-se, ainda uma vez, de uma cerimônia simbólica: originalmente, era na taça que os vencedores bebiam o sangue dos vencidos, para se apropriarem do espírito dos derrotados, da coragem por eles demonstrada na luta. Por vezes, em lugar de taça, o vencedor leva uma salva, uma bandeja de prata. Não se esqueça que foi numa bandeja de prata que a cabeça de João Batista foi ofertada a Salomé.

Se uma partida de futebol contém, como estamos convencidos de que contém, os mesmos ingredientes de uma guerra entre tribos, com as alterações introduzidas pela civilização, a agressividade que ali é descarregada é a mesma força natural, o empenho em vencer a morte, pois toda vitória é sempre, em síntese, um triunfo da vida contra a morte. Ora, enquanto a guerra está limitada pelas quatro linhas do campo de luta e sob o controle de um juiz, essa agressividade é geralmente contida pelos cartões amarelo e vermelho. Exagerarei se recordar que o de cor de sangue indica que o guerreiro está fora da luta, como se tivesse morrido? Esse simbolismo certamente não passou pela cabeça de quem escolheu essa cor para o cartão, mas que seguramente estava guardado em seu mundo inconsciente lá isso estava. Com o hábito de os torcedores usarem a mesma camisa do seu clube - isto é, também se prepararem para a guerra -, o confronto entre torcidas, agravado pela instituição das torcidas uniformizadas, como desdobramento da tribo, tornou-se inevitável. Agora não estamos mais diante de uma luta de onze contra onze, mas de um número incontável contra outro número incontável. Será de admirar que de uma guerra dessas surjam mortos?

A violência, portanto, a nosso ver, nada mais é do que a agressividade mal administrada. Quando sabemos que todo ser vivo é dotado de agressividade, temos duas alternativas para evitar que ela se torne violência: ou bem nos utilizamos das soluções radicais, como aquela proposta por Anthony Burguess, em seu livro, magistralmente filmado por Stanley Kubrick, ou bem tratamos de criar mecanismos de sublimação dessa agressividade, reeducando o ser humano, sem transformá-lo na laranja mecânica do livro.

*Adauto Suannes é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo e autor de diversos livros jurídicos, entre os quais "Ninguém Sofre porque Quer", pela editora Papel&Virtual (www.papelvirtual.com.br)  de onde o excelente texto acima foi extraído.

 

Por Juca Kfouri às 21h44

Flamengo, sem A, com B

O time B do Flamengo penou para virar em cima do fragílimo Nova Iguaçu, que há um ano não ganha um jogo sequer.

O Flamengo saiu atrás no primeiro tempo, virou no segundo para 2 a 1 em três minutos, com Leonardo, aos 18 e 21 minutos.

Leonardo, aliás, era a atração do jogo, porque não são poucos os que o tem como em condições para ser titular, no lugar de Roni.

Caio Júnior, por exemplo, seu técnico nos tempos de Paraná Clube aposta tudo nele.

O centrovante teve três chances para marcar e aproveitou duas.

Convenhamos que pedir mais seria demais, até porque em duas ocasiões ele passou bolas preciosas desperdiçadas pelo companheiro Léo Medeiros.

Por Juca Kfouri às 21h30

Inter já preocupa

O nosso campeão mundial começa a preocupar.

Mesmo sem jogar com força máxima, mas com Alexandre Pato no time, o Inter só empatou (1 a 1) com o Santa Cruz, no Beira-Rio, onde perdeu no meio de semana para a Ulbra.

O jogo marcou o primeiro empate do Colorado com Pato na equipe desde que ele se profissionalizou.

Antes havia vencido as seis partidas que disputou, mas Pato permanece invicto como profissional, computadas as partidas do Sul-Americano sub-20.

Pato participou de oito dos nove jogos do Brasil e está, portanto, sem saber o que uma derrota como profissional há 15 jogos.

Christian fez 1 a 0, em seu primeiro gol na volta ao Inter.

O time está apenas em quarto lugar em sua chave, saiu vaiado de campo pela torcida e corre risco de não se classificar para as finais.

O pior de tudo é ver que o time não tem se encontrado.

Nesta quarta-feira, em Buenos Aires, no entanto, o Inter pode restabelecer a confiança posta em dúvida, diante do Velez Sarsfield, pela Libertadores.

Por Juca Kfouri às 19h41

Mengo ganha a Taça Guanabra, de novo!

Não vi, mas vale o registro.

O Flamengo acaba de ganhar também a Taça Guanabara de juniores.

Derrotou, no Maracanã, o Nova Iguaçu, com quem tinha empatado sem gols no primeiro jogo, por 3 a 0.

Se for sinal daquela velha máxima rubro-negra que ensina que "craque o Flamengo faz em casa", a notícia não poderia ser melhor.

Por Juca Kfouri às 19h35

Empate empolgante

O jornalista GUSTAVO VILLANI, ex- rádio Globo e ex-TV Record, dos melhores repórteres da nova geração, está na Espanha para estudar e se aperfeiçoar.

É dele o relato do jogo que só os assinante da Sky puderam ver no Brasil.

 

Times eliminados na Liga dos Campeões, declarações polêmicas ao longo da semana, decadência técnica evidente...

Tinha tudo para ser truncado, possivelmente até chato!

Eis que Barcelona e Real Madri fizeram o que sempre esperamos de um clássico: gols.

E não foram poucos.

A bolsa de apostas indicava 1 a 0 como o resultado mais esperado pelos fãs que depositaram confianca e dinheiro em Raul e Ronaldinho Gaúcho como os primeiros goleadores do jogo.

Quebraram a cara!

Com 27 minutos apenas ouvia muitos gritos que homenageavam e xingavam, na mesma medida.

Estou na fria Madri, de 11 graus de temperatura, mas me senti em São Paulo quando assisto a Palmeiras x Corinthians na minha casa.

Porque aqui o torcedor também nao se contém ao comemorar e esbravejar com a cara na janela.

Fim de primeiro tempo, 2 a 2.

Nistelrooy e Messi compuseram o empate espetacular no placar que ainda teve boas jogadas de Ronaldinho Gaúcho - bem daquelas que dificilmente se vê na Seleção! - e a expulsão do lateral Oleguer, do Barça.

Se o Barça foi melhor no primeiro tempo, pouco pode fazer na segunda etapa com um jogador a menos.

O Real teve a bola na maior parte restante do jogo e fez 3 a 2 com Sergio Ramos, de cabeça.

Mas aquele time medroso, de dissidentes como Ronaldo, Beckham e Roberto Carlos, que vem de resultados ruins há quatro anos desde o início da época galática, voltou à tona.

Tentou administrar o resultado como já havia feito nas partidas contra o Bayern de Munique e se deu mal, de novo.

Messi, em mais um lançamento rasteiro de Ronaldinho invadiu, como se fosse reprise do primeiro gol, e empatou: 3 a 3, aos 45.

O Barça ainda esta vivo e segue na cola do Sevilha.

Já o Real praticamente termina a temporada, sem brilho.

Três primeiros gols de Messi, 19 anos, desde que voltou após contusao.

Ele foi o destaque do jogo, para decepção, mais uma vez, da silenciosa vizinhança madrilenha.




 

Por Juca Kfouri às 19h09

Está no Estado de S.Paulo

Dinheiro não é tudo na luta por 2012, avisa o COI

JAMIL CHADE

Na guerra pelo direito de transmissão de eventos esportivos no Brasil, o Comitê Olímpico Internacional (COI) alerta que não basta oferecer dinheiro para vencer a concorrência pelos Jogos Olímpicos de 2012 - outros critérios serão avaliados além das propostas financeiras. O Comitê ainda não tomou uma decisão sobre quem no Brasil terá o direito de transmissão da Olimpíada de Londres, mas confirmou que nos últimos dias foram feitas negociações envolvendo Record, Band e Globo.

Segundo o COI, a decisão será anunciada na próxima semana. "Estamos avaliando as propostas no que se refere à cobertura, ao número de pessoas que poderão assistir aos Jogos pela TV e também ao compromisso das redes com os valores do esporte não apenas durante os Jogos, mas em todo o ano", explica uma assessora de imprensa do COI. "Só o dinheiro não conta."

Os Jogos Olímpicos sempre foram transmitidos no Brasil por Globo e Bandeirantes, como também ocorrerá em 2008 na Olimpíada de Pequim. Segundo a revista Veja, a Record teria oferecido US$ 30 milhões para obter o direito de 2012, valor duas vezes superior à oferta da Globo pelos Jogos em 2008. "Nada foi assinado ainda", conclui o COI.

Berezovski quer morar no Brasil. A Rússia está de olho

JAMIL CHADE

Boris Berezovski quer viver no Brasil. O magnata russo pretende fazer investimentos em vários setores no País e promete construir estádio para o Corinthians. Sua situação diplomática lhe garante livre ingresso sem risco de extradição, desde que obtenha junto aos consulados brasileiros no exterior visto adequado. Isso porque ele foi reconhecido pelo Reino Unido como refugiado. Convenções e protocolos internacionais, dos quais o Brasil é um dos signatários, impedem que refugiados sejam extraditados para julgamento em seus países de origem. Mas a embaixada da Rússia no Brasil acompanha com atenção a situação do magnata e já no ano passado, quando ele esteve em São Paulo, encaminhou ao governo brasileiro pedido de extradição.

Por Juca Kfouri às 11h32

09/03/2007

A final da Copa dos Pesadelos

Quis o destino que a Copa dos Pesadelos -- do blog do Torero -- repetisse a final da Copa dos Sonhos.

Santos e Flamengo!

Faz sentido.

Ambos tiveram jogadores tão bons, mas tão bons, que, pela comparação, os pernas-de-pau de cada um ficam ainda mais pernas-de-pau.

Vamos ao jogo.

Palpitarei no blog do amigo.

Por Juca Kfouri às 20h29

Ovo de Colombo

Já que ninguém fazia nada e a coisa era empurrada com a barriga, a Suprema Corte Argentina resolveu agir.

E decidiu que daqui para a frente a AFA e os clubes serão os responsáveis por quaisquer violências que aconteçam nos estádios.

Os lugares terão de ser numerados, a venda de ingressos antecipada e descentralizada, quem não tiver ingresso não poderá entrar na imediação dos estádios, será obrigatória a instalação de câmeras, a contratação de seguranças e de monitores para informar e dar proteção aos torcedores, além da proibição dos famosos ingressos de cortesia aos torcedores organizados, lá chamados de barras-bravas.

Parece até o Estatuto do Torcedor brasileiro.

Tomara que lá pegue.

Por Juca Kfouri às 12h57

Caracas!

Por ALMIR MOURA

No dicionário popular, a expressão caracas pode significar espanto, indignação,

Na Copa Libertadores, também.

Quem não se espantaria ao saber que o Caracas, modesto clube venezuelano, venceu a LDU na sua estréia da Libertadores 2007? A tal LDU, que já sapecou 3 a 0 para cima do São Paulo em 2004 e que ano passado foi a única equipe que conseguiu vencer o Inter, campeão das américas e do mundo, em jogos internacionais...

Quem não se assombraria ao saber que o "todo poderoso" River Plate, jogando dentro de seus domínios, acaba de ser derrotado pelo Caracas (1 a 0), que dessa forma assume a liderança da chave com seis pontos em seis disputados?

Caracas!!!!!

Por Juca Kfouri às 09h25

08/03/2007

Santos x São Paulo, a pré-estréia

Nos preparativos para o clássico do domingo, na Vila Belmiro, o Santos saiu-se melhor.

Mesmo com time quase reserva, os santistas não tiveram nenhum problema para fazer 3 a 0 no Rio Branco, em Americana.

Três gols de bola parada, que vale igual: Cléber Santana, de pênalti, e dois de Tabata, de falta.

Já o São Paulo, quase com força máxima, só virou diante do Guaratinguetá aos 39 do segundo tempo, com Marcel.

O tricolor saiu atrás no primeiro tempo, graças a um gol de Dinei, e sofreu para empatar em belo tento de Souza, de fora da área.

E perdeu o estreante Jorge Wagner, ainda no primeiro tempo, machucado no tornozelo.

Seja como for, quem ganhar o clássico fica na liderança deste campeonato de apenas dois times.

Por Juca Kfouri às 21h22

Voz do povo...

 

Foto de André Mantelli

Por Juca Kfouri às 21h10

Está no Lancenet

Decisão judicial anula eleições do Vasco

Laudo comprovou irregularidades no pleito que elegeu Eurico Miranda

Por EDUARDO TIRONI

O resultado da eleição presidencial do Vasco, realizada em novembro de 2006, foi anulado nesta quinta-feira, após decisão do juiz Renato Ricardo Barbosa, da 15ª Vara Cível, em resposta a uma ação movida por cinco conselheiros do clube com base na diferença do número de sócios pagantes registrados no balanço anual do clube e também com base em laudo encomendado pela oposição, que apontam votos irregulares.

No pleito, a chapa encabeçada por Eurico Miranda venceu a chapa de Roberto Dinamite.

O cancelamento da eleição foi à revelia porque a diretoria do Vasco não se defendeu da ação dos conselheiros Jose Pinto Monteiro, Jose Hamilton Mandarino, José Roberto Gomes da Costa, Abílio Borges e Bruno Pires.

Por Juca Kfouri às 17h15

Está no Correio Braziliense

O triste cenário do Pan

Por JOSÉ CRUZ


É trágico — e triste — o relatório que o ministro Marcos Vinicios Vilaça apresentou ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o andamento da construção de praças esportivas para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. A 127 dias da abertura do evento, o jogo das contas e do dinheiro tornou-se mais emocionante — e decepcionante — do que o próprio calendário dessa competição continental, que reunirá cinco mil atletas de 42 países, de 13 a 29 de julho.

Os pontos críticos do relatório do TCU estão na reportagem da página 47, mas em resumo é o seguinte: "Nenhuma das instalações necesárias aos Jogos encontra-se totalmente concluída e poucas possuem folga nos cronogramas, capazes de tolerar a ocorrência de imprevistos ou atrasos adicionais".

* * *



Durante muitos anos reclamou-se que faltava dinheiro para o Brasil se tornar potência esportiva. E o dinheiro veio. Entre 2002 e 2006, só as loterias federais destinaram mais de R$ 1 bilhão para o Ministério do Esporte, clubes de futebol, confederações e comitês Olímpico e Paraolímpico. Isso sem falar nos patrocínios de Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobras, Correios e Telégrafos, Infraero, Eletrobrás e no Orçamento do governo federal. É uma situação tão rica e rara que o presidente do poderoso Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, reconheceu que o Brasil é privilegiado por ter dinheiro público como principal fonte de financiamento.

Com dinheiro em caixa, faltava um grande evento para o Brasil ter visibilidade esportiva continental. E lá veio o Pan-Americano. Mas a que custo para os cofres públicos? A conta que seria de R$ 400 milhões está pra lá de R$ 3 bilhões. Aumento de 700%. Na ponta do lápis, o governo federal banca 50% dessas despesas. O restante é pago pela Prefeitura do Rio de Janeiro e pelo Governo do Estado do Rio.

* * *



Ao Brasil do dinheiro fácil no esporte de elite — porque não chega à base, aos atletas com potencial para se tornarem profissionais — falta uma política para o setor. Tem um ministério só para o esporte, mas que desrespeita a Constituição em seu artigo 217: verba pública é prioritária para o desporto educacional, justamente onde países de Primeiro Mundo identificam os seus talentos.

Temos um Ministério da Educação, mas quem promove os Jogos Escolares e Universitários é o Comitê Olímpico Brasileiro.

* * *



É nesse quadro de falta de rumos — porque não se sabe quem comanda — que promoveremos o Pan. As obras até poderão ficar prontas a tempo — o que o Tribunal de Contas tem dúvidas. Mas, salvo uma ou outra modalidade, como vôlei e ginástica, falta um plano para identificar e formar atletas. Isso repercute no desempenho geral: nosso último ouro olímpico no atletismo foi conquistado há 23 anos, por Joaquim Cruz, nos 800m.

Uma pesquisa do professor Fernando Franco, do Centro de Estudos de Atletismo, de Brasília, revelou que os tempos e as marcas do atletismo no Campeonato Escolar Brasileiro de 1983 foram superiores aos da competição correspondente de 2003, os Jogos da Juventude. Ou seja, a nova geração do atletismo, além de não ter evoluído, regrediu tecnicamente em duas décadas. Esse é o lado oculto do país do Pan.

A nova bancada da bola — que defende os interesses dos cartolas e da CBF no Congresso Nacional — apresentou as credenciais na atual legislatura. Ontem, os deputados Eugênio Rabelo (PP-CE) — também presidente do Ceará SC — e Abelardo Camarinha (PSB-SP) reabriram os debates sobre o passe de jogadores de futebol, instrumento que proibia aos atletas decidir onde jogar e que a própria Fifa há muito sepultou.

Bancada da bola
Na reunião da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, ficou claro que o debate será quente, pois os colegas Deley (PSC-RJ) e Gilmar Machado (PT-MG), protestaram imediatamente. "Passe não existe mais e isso não se discute aqui." De qualquer forma, o Estatuto do Esporte, que trata das relações trabalhistas entre clube e atleta, voltará ao debate entre os parlamentares.

O ex-deputado federal e atual presidente do Flamengo, Márcio Braga, interessado direto no assunto, acompanhou a discussão. Ele veio a Brasília para tentar pressionar o governo a assinar a regulamentação da Timemania, loteria que destinará dinheiro aos clubes que aplicaram calote fiscal. A proposta de regulamentação está no Palácio do Planalto e ainda não há prazo para ser assinada pelo presidente Lula.

Por Juca Kfouri às 15h55

Uma no cravo, duas na ferradura

Ontem foi um dia paradoxal para o bilionário russo Boris Berezovski, da MSI.

Ele recebeu um representante do governo brasileiro para estudar um plano de investimentos no Brasil que poderiam chegar a U$ 10 bilhões, como informa a edição de hoje do jornal "O Estado de S.Paulo".

Berezovski, revela o correspondente do "Estadão", Jamil Chade, estaria disposto a passar meio ano no país e continua preparando uma nova visita ao Brasil.

Hoje, porém, o Diário Oficial da União publica que os governos do Brasil e da Russia, enfim, assinaram um tratado de extradição, o que, é óbvio, dificultará qualquer visita do bilionário ao país, pois o governo russo o quer em Moscou para responder incontáveis acusações.

Ainda nesta área, o governo da Georgia, país do maior aliado de Berozovski, Badri Patarkatsishvili, também assinou acordo de extradição com a Russia, o que leva o georgiano a não mais sair de Londres (leia, em inglês, em www.mosnews.com).

Nada a ver com futebol?

Aparentemente, de fato, não.

Mas tudo a ver com o Corinthians... 

Por Juca Kfouri às 11h26

07/03/2007

Paulista pega fogo

O Paulista ganhava de 2 a 0 do São Caetano, teve seu melhor jogador (Gilsinho) expulso, e cedeu o empate.

O Bragantino só empatou, também.

O Ituano perdeu.

Tudo como o Palmeiras queria.

Mas o Palmeiras acabou derrotado pelo bom Noroeste, no Parque Antarctica, 2 a 1.

E o Corinthians?

Bem, o Corinthians empatou 1 a 1 com o Marília, em Marília.

Santos e São Paulo nadam de braçada.

O resto luta por duas vagas nas semifinais.

 

Por Juca Kfouri às 22h47

Oh, meu Mengão!

No ano passado, nem sei mais por quê, escrevi aqui que "Flamengeo é Flamengo".

Não foram poucos os que me gozaram e quiseram uma explicação.

Calei.

Porque certas coisas não se explicam, se sentem.

Pois é.

O Flamengo enfiou 4 a 1 no Madureira.

Ah, tá bom, no Madureira?!

Pois é.

No Madureira.

Não importa.

Porque Flamengo é Flamengo.

Dezessete vezes campeão da Taça Guanabara.

Precisa explicar?

Flamengo é Flamengo.

Boa noite.

 

Por Juca Kfouri às 22h42

E como gira o mundo!

Alex, faltando sete minutos, empatou para o PSV, classificou seu time e eliminou o Arsenal.

O Manchester United eliminou o Lille, ao vencer, de novo, por 1 a 0.

Milan e Celtic estão começando a prorrogação, depois de empatar 0 a 0.

(Kaká acaba de abrir o placar, aos 2 minutos).

E o Bayern Munique eliminou o Real Madrid, 2 a 1, com todos os méritos.

As batatas de Fábio Capello e Roberto Carlos vão assar.

Por Juca Kfouri às 17h42

O mundo gira

Robinho entrou quando faltavam 15 minutos.

E agitou o jogo.

O árbitro marcou um pênalti, polêmico, de Lúcio sobre ele.

E, faltando oito minutos, o Real busca o gol da classificação, porque converteu o pênalti.

Por Juca Kfouri às 17h30

Fracassos&Sucessos

Roberto Carlos falhou de novo, causou um escanteio bizarro e, na cobrança, Lúcio fez 2 a 0 para o Bayern.

A exemplo de Mancini, que fez um golaço com direito a pedalada, e o goleiro (quem diria?) Doni, ambos da classificada Roma, Lúcio brilha e vai eliminando o Real Madrid, ele que fez gol também na Espanha.

Emerson foi substituído ainda no primeiro tempo, tão nula era a sua participação na equipe espanhola.

Outro brasileiro azarado foi o zagueiro Alex, do PSV, que marcou contra no jogo diante do Arsenal, o que está causando uma eventual prorrogação.

Por Juca Kfouri às 17h18

Fracasso relâmpago

O Real Madrid dá a saída em Munique.

A bola é recuada para Roberto Carlos.

Ele bobeia e vê a bola ser roubada e passada para Makaay fazer 1 a 0 para o Bayern.

Em 10 segundos cravados, o gol mais rápido da Copa dos Campeões da Europa.

Temos, agora, 10 minutos de jogo.

Por Juca Kfouri às 15h56

Erro meu. Inteiro

Não é verdade, como está na nota anterior, que os regulamentos dos outros campeonatos paulistas não exigem a execução do Hino Nacional.

Exigem.

Alguns comentários chamaram a minha atenção para o fato de o Hino ser tocado nas divisões inferiores e voltei aos regulamentos, quando constatei o meu erro.

Fui traído por uma leitura inicialmente apressada do regulamento, pelo que me penitencio e peço desculpa à FPF e aos blogueiros.

Por Juca Kfouri às 15h08

Cumpra-se. Em parte...

Como se sabe, o Hino Brasileiro tem sido executado antes de todos os jogos do Campeonato Paulista da Primeira Divisão.

Obedece-se, assim, a uma lei estadual de 2001, infeliz, sem dúvida, embora provavelmente repleta de boas intenções, do deputado do PDT, Geraldo Vinholi.

A lei determina que "é obrigatória a execução do Hino Nacional Brasileiro em todos os eventos esportivos realizados no Estado".

Nunca foi cumprida, no entanto, até que a FPF resolveu ressuscitá-la, pelo que, é claro, a entidade não pode ser criticada.

Se é lei, cumpra-se, pois não, como está no regulamento do Campeonato, até que alguém tenha a idéia de revogá-la diante do desrespeito e banalização do Hino.

O curioso, porém, é que a própria FPF cumpre a lei só em parte.

Porque não exige a execução do Hino na Segunda e Terceira divisões.

O que permite pensar que é mera demagogia.

Por Juca Kfouri às 13h11

De fracasso em fracasso

Que sorte estará reservada para os brasileiros na rodada de hoje da Copa dos Campeões da Europa?

Porque ontem foi triste.

Ronaldinho Gaúcho fez apenas uma jogada brilhante na eliminação do Barcelona.

Hélton comeu um peru histórico na desclassificação do Porto.

E Fred deu uma cotovelada criminosa na derrota do Lyon.

 

Por Juca Kfouri às 10h41

Ziza Valadares, uma «raposa» no Galo

As últimas eleições no Galo cometeram o grave erro de reconduzir o esquema da situação ao comando do clube, apesar de todos os pesares, talvez influenciadas pela volta do time alvinegro à Primeira Divisão.

O resultado está na coluna abaixo.

Por CLÉSIO GIOVANI (*)

Raposa, na linguagem política, significa uma pessoa astuta, sagaz e manhosa.

E como bom político que é, o presidente do Atlético, Luiz Otávio Ziza Valadares, mostrou todo o seu jogo de cintura na tentativa de sensibilizar
os magistrados do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O TRT de Minas está julgando o pedido do clube para destinar somente 10% de sua receita mensal para pagamento de dívidas trabalhistas.

A causa ainda está sendo votada, e o placar está 11 a 9 favorável ao Atlético.

No próximo dia 9, o julgamento será encerrado.

Com sagacidade, Ziza Valadares tramou uma jogada de mestre para alcançar seu objetivo.

E para isso usou a imprensa.

O dirigente determinou que um assessor seu entrasse em contato com o editor da área de um grande órgão da mídia impressa.

O seu interlocutor, obediente, procurou a pessoa indicada,explicando o motivo do encontro - de posse, claro, das informações que
estariam em pauta.

Inicialmente, o procurado mostrou resistência na publicação.

A situação mudou quando o assessor de Ziza «ameaçou» passar as informações sobre a crise financeira atleticana para outro órgão de imprensa, desta vez, da mídia radiofônica e com grande penetração no estado e no país.

Essa seria a segunda opção.

O efeito foi o esperado.

E a agitação foi total com a veiculação da reportagem.

Sabiamente, Ziza Valadares, como se desconhecesse que o assunto seria publicado, convocou o restante da imprensa para uma entrevista coletiva na qual iria colocar a penúria do Atlético em preto e branco, literalmente.

Embora reconheça a situação financeira delicada que o Atlético atravessa, considero o político alvinegro também um artista.

Ziza Valadares mostrou isso durante a coletiva.

Além de sensibilizar os juízes do TRT, o presidente atleticano procurou também comover a torcida do Galo para que contribua mais
com o clube por meio do projeto «Torcedor Colaborador», em parceria com a Cemig.

Um intento em que ele apostou muito, mas acabou se configurando - até o momento - em um fracasso.

No início do projeto, ele esperava arrebanhar cerca de três milhões de contribuintes.

Para muitos torcedores atleticanos que conheço, entre eles o Serginho, do Conjunto Estrela Dalva, isso que Ziza Valadares fez foi um «marketing
negativo».

Segundo ele, depois que o assunto ganhou repercussão nacional -divulgando a imagem de que o Atlético é um clube falido, com várias ações na
Justiça do Trabalho -, dificilmente a diretoria atleticana conseguirá contratar grandes jogadores para o Campeonato Brasileiro.

O resultado de tudo isso, se foi benéfico ou ou não para o Atlético, nós só ficaremos sabemos nos próximos dias, quando o TRT se reunir para realizar o último julgamento.

E ainda por meio das boletas do tal projeto com a Cemig, que continuam à disposição dos torcedores no site do clube na Internet (www.atletico.com.br).

Até agora tem sido frustrante a participação do torcedor na iniciativa.

Surpreendentemente decepcionante, pouco mais de 16 mil atleticanos estão contribuindo mensalmente.


*Jornal "Hoje em Dia", 6 de março de 2007

Por Juca Kfouri às 00h18

O homem morderá o cachorro pela terceira vez?

Todas as atenções do país do futebol estarão voltadas hoje à noite para o Maracanã.

Flamengo e Madureira decidirão a Taça Guanabara.

O rubro-negro atrás de sua 17o. conquista.

O tricolor suburbano de sua primeira.

Nas últimas duas vezes em que se encontraram, o Madureira ganhou.

De 4 a 1 e de 1 a 0.

O Madureira joga pelo empate para ser campeão.

Se o Flamengo vencer por um gol, teremos pênaltis.

O presidente do Flamengo, Márcio Braga, garante que o raio não cairá pela terceira vez no mesmo lugar e que seu time vencerá por 2 a 0.

De fato, é possível e é até provável, ainda mais que o Madureira jogará sem sua dupla de ataque, Valdir Papel, machucado depois de ser caçado no último jogo, e Marcelo, suspenso pela injusta expulsão no último jogo.

Mas, lembremos, para que o homem morda o cachorro pela terceira vez não será preciso que o Madureira vença.

Bastará que empate.

Jogo imperdível.

Por Juca Kfouri às 23h31

06/03/2007

Ioiô e covardia

A Justiça do Rio de Janeiro parece estar brincando de ioiô com o caso da FFERJ, tirando e reconduzindo o comando da entidade.

E a CBF permanece calada, como se não fosse com ela nem envolvesse um de seus principais filiados.

Calada e acovardada.

Seu presidente já suplicou para que o deixem fora dessa, porque acha a barra muito pesada.

E se ele acha é por que deve ser mesmo.

Por Juca Kfouri às 13h03

A bruxa está solta ou há algo mais nos gramados brasileiros?

Primeiro foi o Obina, no domingo retrasado, no Maracanã.

E no domingo passado, mais três: Nilmar, outra vez, e Alemão, no Morumbi, e Kerlon, no Mineirão.

O famoso deus dos estádios deu adeus aos estádios e deixou a bruxa em seu lugar?

Ou há algo mais nos gramados que torce joelhos e ninguém sabe explicar?

Teorias há e não são poucas.

Uma dá conta que essas torções sempre aconteceram, só que antigamente não se operava, por complicado que era.

Então, se tratava até que o joelho estourava de vez.

E ceifava carreiras.

Outra teoria alerta contra o perigo das travas longitudinais das chuteiras que, ao contrário das arredondadas, não permitem que o joelho acompanhe o movimento de rotação da pernas, porque o pé de apoio trava no gramado.

Se é isso, por que permitem que os jogadores usem tais travas?

Qualquer que seja a resposta, uma coisa é certa: os joelhos viraram o calcanhar de Aquiles de nossos craques.

Por Juca Kfouri às 23h55

05/03/2007

Fatalidades

Nilmar terá de fazer nova cirurgia, igual a anterior, só que no outro joelho.

Machucou-se no mesmo Morumbi, contra o mesmo Palmeiras, outra vez num lance comum.

Parece que Kerlon viverá o mesmo drama, como Alemão, do Palmeiras.

De seis a oito meses de estaleiro, fora o sofrimento.

São fatalidades às quais os atletas estão permanentemente sujeitos.

No caso de Nilmar, no entanto, impossível não lembrar que a cabeça da gente é misteriosa.

E, então, perguntar: será que se ele se sentisse mais seguro, mais respaldado, não fosse vítima de desconfianças, não estivesse submetido ao absurdo desafio que lhe impuseram de ter de provar isso ou aquilo, o novo trauma teria acontecido?

Honestamente, desconheço a resposta.

Mas compartilho a reflexão que me ocorreu, atrás de alguma luz.

Por Juca Kfouri às 16h29

Torcedor ganha também pelo pagar-para-ver

E mais um torcedor ganhou da CBF, agora na Bahia, e pela série B, e por ter se sentido lesado por ter comprado o direito de ver os jogos pela TV.

Leia, abaixo, trechos da sentença:

 

PROCESSO N.º 12808-2/2006

AUTOR : CARLOS ALBERTO SANTANA MACHADO

RÉ : CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL

SENTENÇA

Tem-se que o Autor comprou o direito de assistir o Campeonato Brasileiro de Futebol - Séries A e B, perante a Confederação Brasileira de Futebol, mediante contrato específico pay per view, e durante o transcurso do campeonato foram aprofundadas as denúncias, como, também, relata a reportagem do Correio da Bahia, ESPORTES, páginas 15, de 26/10/2005.

Quatro árbitros foram identificados, sendo que dois deles chegaram a ser presos, e os quatro tiveram suas licenças de arbitragem cassadas. A mencionada reportagem noticia trechos do depoimento do árbitro José Danelon confessando ter recebido R$ 30.000.00 por três jogos que apitou "cujo resultado favoreceu á quadrilha de apostadores clandestinos na internet " . Este e outro árbitro conhecido como Edílson Pereira de Carvalho foram banidos dos campos por seu envolvimento com a Máfia do Apito ( fls. 149).

A CBF - Confederação Brasileira de Futebol anulou 11 jogos da série "A" que haviam sido apitados pelo árbitro Edilson Pereira da Silva, réu confesso. Os jogos anulados desta série foram repetidos, sem cobrança de ingresso e transmitido para todos aqueles que adquiriram o produto daquela série, sem custo adicional, em precedente reconhecimento de vício nos jogos previstos.

Todavia, a Série "B" não foi anulada, mas as apurações revelam que no quadro de árbitros escalados estão nomes dos alguns envolvidos na "Máfia do Apito". Protestos populares, brigas em Estádios, com vítimas por lesões corporais graves em decorrência de tumultos entre torcedores, insegurança contratual, são alguns dos efeitos negativos da corrupção dos placares.

Como fornecedora de produto, a Confederação assumiu a responsabilidade objetiva por sua falta do controle de qualidade que tumultuaram a boa-fé dos destinatários dos jogos, todos os torcedores interessados, consumidores pagantes, presenciais ou telespectadores.

Houve reflexos insofismáveis de corrupção em relação à série "B", sem qualquer providência enérgica adotada. Assim é que estes jogos, mesmo sob todas as suspeitas, maculados pelos mesmos vícios da série "A" não foram anulados.

O controle de qualidade das séries de jogos comercializadas é dever da CBF, principalmente porque, como fartamente noticiado na imprensa, Danelon não gozava de boa reputação social e Edílson Pereira da Silva, também gerando desconfiança e insegurança para a expectativa dos torcedores. Mesmo na orbe das suspeitas contra seus árbitros, as convocações foram realizadas pela CBF e ainda assim vinha admitindo o árbitro nos jogos patrocinava, demonstrando desleixo, negligência e falta de responsabilidade.

O caso teve repercussão nacional, ante a revolta da massa de torcedores, tantos os presenciais, como os adquirentes do p ay per view, a merecer do Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio da Promotoria do Consumidor, ajuizamento de ação civil pública propondo responsabilidade solidária contra a CBF, pela escolha de árbitros inabilitados para os certames negociados, notícia veiculada na imprensa televisiva e escrita, profissionais que não gozavam de lhaneza técnico-profissional.

Trata-se da espécie de interesses coletivos lesados, da espécie dos individuais homogêneos, com titulares determináveis ou indetermináveis (interesse de um grupo de pessoas entre as quais não existe vínculo jurídico ou fático preciso), grupo menos determinado eis que se trata de torcedores dos times que participaram da torcida e adquiriram o produto campeonatos por transmissão por TV à Cabo, da espécie "payper view".

A defesa da Ré não merece prosperar. Falta competência ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva para julgar e processar relação de consumo. A Lei 9.651/98 define a competência do STJD no âmbito disciplinar interna corporis , do sistema organizacional e gestacional dos Desportos. Nesta linha de obrigações, a CBF tem a obrigação de exercer o controle de qualidade dos jogos os quais transformou em produto comercializado, fonte de lucro para suas atividades. A falta de controle de qualidade, comercializado ou não o produto, ou disponibilizado em rede nacional de televisão impõe ou exige do consumidor vantagem manifestamente excessiva, art. 39, V,do CDC.

Sem sombra de dúvida, as reportagens acenam para a existência de corrupção dentro das organizações dos jogos, circunstância a demonstrar falha da entidade, no que lhe cabe, na fiscalização, pois se não é responsável pela organização material do campeonato, o que não se acredita, pois tem poderes de fiscalizar e de interferir na arrumação das grades dos certames, passou a ter obrigação quanto à qualidade dos jogos, porque, ao comercializar venda privilegiada, através de televisão a cabo, tornou-se fornecedora de produto e/ou serviço. Despicienda a argumentação de que não havia subordinação hierárquica entre a CBF e, pois, como associação desportiva, tem o dever de zelar pelo objetivo central: o desporto.

Caso semelhante foi decidido nas Turmas Recursais do Rio de Janeiro e dois Juizes foram responsáveis por posicionamentos brilhantes:

"O juiz Brenno Mascarenhas, relator do caso, não acolheu os argumentos. Ele afirmou que não há dúvidas de que a CBF "comanda o futebol brasileiro"".A decisão é em primeira instância e ainda cabe recurso, mas ela abre precedente para que outros torcedores consigam uma indenização. Outra decisão foi proferida nas Turmas Recursais de São Paulo, dando procedência ao pedido de indenização por danos morais,cujo resumo se transcreve: "Acho que todos que se sentiram lesados deveriam recorrer. A anulação dos jogos não provocou apenas danos morais, mas danos patrimoniais incontroversos".

A ementa abaixo afasta a responsabilidade da transmissora nos casos de jogos de futebol pela transmissora, corroborando a responsabilidade da Confederação Brasileira de Futebol, verbis::

"RESPONSABILIDADE CIVIL - DANO MORAL - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO - TV A CABO - TRANSMISSÃO DE JOGOS DO CAMPEONATO BRASILEIRO POR SISTEMA DIFERENCIADO, PAY-PER-VIEW - Não há lugar para se presumir existente dano moral em face de suspensão de serviço de TV por assinatura relativo a jogo de futebol. Recurso provido" .

Ante o exposto, julgo PROCEDENTE a queixa para condenar a Ré no pagamento de danos materiais correspondentes a R$129,62, valor dos jogos comercializados pela Sky, e danos morais, no valor de R$10.000,00, assim arbitrados pelos motivos gravosos do dano, movendo, de forma abusiva, a expectativa pública, havendo, sem sombra de dúvida, aflição, angústia, desequilíbrio no bem-estar do torcedor, anormalidade de conduta que interferiu intensamente no comportamento psicológico do consumidor requerente, além de ter havido repercussão prejudicial coletiva.

P.R.I. Salvador, 8 de fevereiro de 2007.

NÍCIA OLGA ANDRADE DE SOUZA DANTAS

Juíza de Direito

Por Juca Kfouri às 14h44

Mais um torcedor ganha da CBF



Por Juca Kfouri às 14h17

Revisão sim, passe não

Do encontro de Pelé com o ministro Orlando Silva Júnior resultou que o Rei levou para casa o texto que está em discussão no Congresso sobre eventuais formas de proteger o clube formador.

Pelé manifestou o seu desconforto com as críticas injustas à lei que leva seu nome, embora mais uma vez tenha reconhecido os estragos nela feitos por Maguito Vilela, quando de sua regulamentação.

Está de acordo, em princípio, com o reexame da lei, também se disse incomodado com o êxodo precoce de nossos jogadores, mas fez questão de enfatizar que não admite nem que se pense em volta da Lei do Passe.

O ministro saiu otimista de que possa ser feito algo a quatro mãos.

Por Juca Kfouri às 13h01

Pelé, Luxemburgo e o ministro do Esporte

Pelé e Vanderlei Luxemburgo acabam de chegar ao escritório do Governo Federal, na avenida Paulista, em São Paulo, para se reunir com o ministro do esporte, Orlando Silva Júnior.

Pelé anda incomodado com as críticas à lei que leva seu nome.

O curioso é que Luxemburgo é exatamente um dos que mais criticam o texto legal.

Resta saber quem convenceu quem.

Saberemos depois do encontro.

Por Juca Kfouri às 10h09

Revisão

Ao rever os lances do jogo entre Flamengo e Madureira, duas observações:

1. Houve pênalti em Renato Augusto, deslocado no ar, dentro da área, quando o jogo ainda estava sem gols, num lance difícil de ser percebido pela arbitragem;

2. É possível que não tenha mesmo acontecido o reclamado pênalti em Marcelo.

O que não justifica sua expulsão, de graves conseqüencias para o segundo jogo, porque seria impossível não cair após o choque.

Aliás, eis aí um erro que justificaria uma reunião extraordinária do tribunal para anular o cartão e dar condições de jogo ao atleta;

3. Além da correta expulsão de Moisés, também deveriam ter sido expulsos, na mesma confusão, o goleiro Bruno e Fábio Júnior, do Madureira.

Por Juca Kfouri às 10h04

Duelo sobre o Morumbi

O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, se encontrará nos próximos dias com o presidente da República.

Dirá a Lula que o Morumbi não pode ficar fora de uma eventual Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

Mas Juvêncio sabe que Ricardo Teixeira tem dito a quem lhe pergunta que não há a menor hipótese de o Morumbi ser utilizado.

E que o presidente da CBF ainda acrescenta que não adianta apelar a Lula, porque quem decide é ele, Teixeira.

Por Juca Kfouri às 08h47

Corintianos e flamenguistas acordam de cabeça inchada

Se as pesquisas estão certas, quase 1/3 do brasileiros que gostam de futebol acordaram hoje com o gosto amargo da derrota.

O Corinthians levou uma bela traulitada do Palmeiras e o 3 a 0 saiu até barato, porque por pouco, no último minuto, o alviverde não marcou seu quarto gol. E de bicicleta.

Já o Flamengo perdeu de novo do Madureira, agora só de 1 a 0, na primeira partida da decisão da Taça Guanabara.

E também se livrou, no último minuto, de levar o segundo gol.

Depois de amanhã, o Madureira joga pelo empate para ser campeão da Taça.

Ontem o Maracanã recebeu 38 mil torcedores, 10 mil a mais que o Morumbi.

A pergunta que as cabeças inchadas talvez não saibam responder é simples:

o que é pior, ser goleado pelo rival ou perder para um pequeno em dia de decisão?

Seja qual for a resposta, uma coisa é certa: o Parque Antarctica e Conselheiro Galvão estão em festa porque fizeram por merecer a enxaqueca que causaram nos adversários.

Por Juca Kfouri às 23h02

04/03/2007

O Santos anda tranqüilo demais

O Santos está com um pequeno problema que Vanderlei Luxemburgo certamente já percebeu e deverá corrigir o mais rapidamente possível, antes que se torne crônico e, daí, grave:

o time está tão confiante em seu poderio, e não sem razão, que se comporta sempre como se fosse vencer seus jogos naturalmente.

O que tem um lado bom, porque mostra confiança no taco.

Mas pode virar auto-sufiência.

Confiança no taco que, também diga-se, encontra respaldo nos últimos resultados do time, exceção feita ao aborto da natureza que foi o tropeço diante do São Bento.

Mas contra o Paulista, na Vila Belmiro, agora há pouco, quase houve nova surpresa desagrádavel.

Primeiramente, porque o Paulista tem um bom time e muito bem organizado.

Para sorte, e mérito também, dos santistas, quando o time de Jundiaí era melhor, num contra-ataque mortal o bom Marcos Aurélio fez 1 a 0, no fim do primeiro tempo.

O Santos teve a chance de matar o jogo logo em seu recomeço, mas quem acabou por empatar foi o adversário, aos 8 minutos.

E a coisa só não se complicou de vez porque, oito minutos depois, Zé Roberto, o melhor jogador em atividade no país, fez uma jogadaça que Tiuí aproveitou para desempatar.

(Zé Roberto, sempre foi ótimo jogador, mas sempre foi coadjuvante. Agora, como protagonista principal, anda jogando um futebol que talvez nem ele mesmo soubesse de que era capaz).

Verdade que, também, depois dos 2 a 1 só deu Santos, que fez por merecer pelo menos mais um gol.

O Santos manteve a liderança e pega o São Paulo, na Vila, no próximo domingo, no jogo mais promissor e esperado deste Campeonato Paulista.

O alvinegro terá de jogar atento e abnegado durante os 90 minutos.

Por Juca Kfouri às 19h05

Que dureza, Flamengo!

O Madureira ganhou de novo.

1 a 0!

Com um golaço de Maicon, no segundo tempo, quando o time suburbano tinha um jogador a menos, fruto da injusta expulsão de Marcelo que não só sofreu pênalti não marcado como levou o segundo amarelo.

O Flamengo teve mais a bola, mas jamais jogou bem, presa fácil do esquema do adversário que, em resumo, foi até mais perigoso e muito mais eficaz.

Por pouco, aliás, não fez o segundo gol no finzinho do jogo.

Na quarta-feira que vem, o Madureira joga pelo empate para ganhar a Taça Guanabara pela primeira vez.

O Maracanã recebu 38 mil torcedores, 10 mil a mais que o Morumbi no clássico entre Palmeiras e Corinthians.

 

Por Juca Kfouri às 17h10

Palmeiras, com direito a olé

Com um gol de Edmundo, aos 17, e outro de Osmar, aos 38, o Palmeiras foi para intervalo derrotando o Corinthians por 2 a 0.

Tinha mais corintiano do que palmeirense entre os 28 mil torcedores (10 mil a menos que no Maracanã para Flamengo e Madureira) nas arquibancadas, mas parecia que tinha mais palmeirense que corintiano no gramado.

Tanto que o goleiro Marcos não teve de fazer nenhuma defesa em todo o primeiro tempo.

Repita-se: nenhuma.

Um cone faria o mesmo papel que o goleiro alviverde.

Valdívia, tecnicamente, muito bem assessorado por Martinez, fazia a diferença.

E Edmundo, o velho Edmundo, era o jogador decisivo de sempre nos momentos importantes.

No bando corintiano, ninguém se destacava, entre firulas e nenhum esquema de jogo.

Acovardado com três volantes, o Corinthians não incomodou o Palmeiras.

Nem no segundo tempo quando trocou Daniel por William e Eduardo por Amoroso.

Porque é óbvio: ter mais defensores não significa mais segurança e ter mais atacantes não significa ser mais perigoso.

O chileno Valdívia foi quem reinou ao mostrar que entendeu bem o espírito do clássico.

O Corinthians ainda ficou com um menos, fruto de preocupante contusão de Nilmar.

E Edmundo fez um a mais, aos 37, com toda justiça.

Em festa, a torcida alviverde clamava pela permanência de Leão enquanto cantava em festa e ensaiava um compreensível olé.

 

Por Juca Kfouri às 16h59

O amigo da onça

Caro Juca,

Como bom santista, normalmente torço contra o Corinthians e Palmeiras.

Entretanto, decidi fazer uma boa ação.

Nesse jogo quero o melhor para os dois.

Logo mais, estarei deitado na rede e com a TV, na minha frente, ligada no jogo do Morumbi.

Aplaudirei a entrada dos jogadores do Corinthians, do Leão também (ele deve estar com muitas saudades dos seus tempos da Vila).

Também aplaudirei aos palmeirenses igualmente; lembrar-me-ei, a todo momento, da minha boa ação de hoje.

0 x 0 maravilhoso, pode continuar assim...

1 x 0 Corinthians; ah, a minha promessa...

Imediatamente passarei a torcer pelo São Marcos, Edmundo e companheiros.

1 x 1 brilhante... Porco, Porco, Porco... e, assim, relaxarei.

2 x 1 Palmeiras.

Serei corinthiano por alguns momentos... vai Roger... Gustavo, chuta com o pé certo... Timão, Timão...

2 x 2 ufa!!! como é difícil cumprir uma boa ação... enfim... relaxarei novamente

Chega juiz... acaba com isso... dá-lhe Porco... dá-lhe Timão...

ACABOU... empate... um ponto pro Corinthians... um ponto pro Palmeiras...

Dá-lhe Porco... dá-lhe Timão...

Feliz, feliz, estarei muito feliz por ninguém ter perdido.

Viva o Coringão, viva o Parmera...!

(hehehehehehe)

Um abraço.

Antonio Azevedo

Recife-PE

Por Juca Kfouri às 23h02

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico