Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

14/04/2007

Gols só na serra gaúcha

O Juventude ganhou do Veranópolis por 2 a 0, um gol em cada tempo, na casa do rival, pela primeira partida das semifinais do Campeonato Gaúcho.

E praticamente se habilitou para enfrentar ou o Grêmio ou o Caxias, que jogam amanhã, em Caxias do Sul.

Sem gols em Minas e em São Paulo, ao menos a serra gaúcha, com chuva, viu dois gols.

Por Juca Kfouri às 19h08

Baleia mordida por lingüiça no Pacaembu

Num Pacaembu santista com menos torcedores (28 mil) do que seria razoável imaginar, e sob uma arbitragem complacente com as inúmeras faltas do Bragantino, o Santos passou por maus momentos no primeiro tempo.

Muito marcado e sem o brilho individual de suas estrelas, o time praiano ainda se viu ameaçado em pelo menos três ocasiões que obrigaram Fábio Costa a se desdobrar.

O resultado parcial de 0 a 0 era correto.

O Santos voltou com Denis no lugar de Pedro (tinha levado um cartão amarelo) na lateral-direita e mais aceso.

Mas repetia um erro recorrente no primeiro tempo ao perder bolas na saída de jogo.

E, aos 10 minutos, a arbitragem não deu porque não quis um pênalti do zagueiro santista Adaílton em Alex Afonso.

Ah, se o jogo fosse, como deveria, na terra da lingüiça, em Bragança Paulista...

Aos 13, Rodrigo Tabata entrou no lugar de Rodrigo Souto.

A verdade era uma só: o Bragantino jogava melhor e era mais perigoso.

Aos 18, o Braga ficou com 10, na correta expulsão do zegueiro Luís Henrique.

E, aos 24, Zelão derruba Rodrigo Tiuí dentro da área, mas o apito fica mudo outra vez.

Pedrinho entra em campo no lugar de Cléber Santana, aos 28.

Desesperado, Vanderlei Luxemburgo desfilava todo seu rico vocabulário à beira do gramado, um tal de "baralho" pra cá e "baralho" pra lá, mas o Santos não se acertava, mesmo com a vantagem de um jogador.

Só aos 33 minutos o Santos criou sua primeira chance real de gol no segundo tempo, com um chute de Marcos Aurélio da marca de pênalti, bem defendido pelo goleiro Felipe.

Aos 44, foi a vez de Zé Roberto ter a chance e desperdiçar, da entrada da área.

Para quem, como este blog, esperava uma goleada santista, o 0 a 0 era uma enorme surpresa.

É verdade que outro empate, no domingo que vem, no Morumbi, classifica o Santos para a final.

E é fato também que dificilmente o Peixe jogará tão mal duas vezes seguidas.

Mas que a baleia foi mordida pela lingüiça, lá isso foi.

Por Juca Kfouri às 19h06

Juiz de Fora sem gols

Tupi e Cruzeiro não fizeram um mau jogo em Juiz de Fora, na primeira partida das semifinais do Campeonato Mineiro.

Com estádio praticamente lotado (16.722 pagantes, 21.000 presentes), foram muitas as chances de gol, mais para o Cruzeiro, embora com pelo menos uma muito aguda do Tupi.

O 0 a 0 diz e não diz o que foi o jogo.

Não diz pelas oportunidades criadas, mas diz por um outro lado:

o Cruzeiro mostrou o que é conhecido, que tem um punhado de bons jogadores (o menino Guilherme aí incluído), que tem um time que sabe o quer, que é capaz de ficar com a bola nos pés o quanto quiser, mas que, na hora H, parece ter dificuldades em fazer os gols.

Até mesmo Araújo, que sabe fazê-los, falhou nos momentos decisivos.

Já o Tupi mostrou personalidade e provavelmente será adversário também no Mineirão, quando o empate  botará o Cruzeiro na final.

Por Juca Kfouri às 17h01

Berezovski não vem aí

Toda vez que se aproxima uma reunião importante do Conselho Deliberativo do Corinthians, alguém anuncia a vinda do mafioso russo Boris Berezovski para salvar a lavoura.

Desta vez não foi diferente.

Às portas da reunião para tentar a aprovação de contas de Alberto Dualib, garantiu-se que o governo brasileiro deu OK para nova visita do bilionário.

Mesmo que se saiba que quem decide sobre sua prisão e eventual extradição, em atendimento ao pedido do governo russo, é o Supremo Tribunal Federal.

Mas, agora, depois da entrevista dada por Berozovski ao jornal inglês The Guardian, na qual ele prega a derrubada violenta do presidente Putin, certamente não haverá como recebê-lo aqui sem abrir grave crise diplomática entre Rússia e Brasil.

A repercussão da entrevista ganhou destaque na imprensa brasileira hoje e o governo federal não tem como alegar ignorância.

Aliás, o governo brasileiro sabe muito bem quem é o russo, fruto de pelo menos dois informes feitos por um orgão seu, a ABIN, informes que também são do conhecimento da embaixada russa em Brasília.

Custa a crer que, mesmo assim, tenha insistido em tamanha irresponsabilidade e possível acobertamento de um criminoso, coisa que o GAECO, do Ministério Público de São Paulo, promete não deixar passar em branco.

Por Juca Kfouri às 15h09

Vem aí a rádio Eldorado/ESPN

Daqui a pouco as transmissões esportivas ganham uma nova emissora em São Paulo: a rádio Eldorado/ESPN.

A estréia de uma nova opção e a promessa de um novo jeito de transmitir futebol tem Santos e Bragantino como atração.

Tanto o sítio da ESPN quanto o da Eldorado estarão juntos com o canal AM da tradicional, e respeitada, emissora do grupo do jornal "O Estado de S.Paulo".

Aos companheiros que estarão nesta bela empreitada, fica aqui o voto de sucesso.

Por Juca Kfouri às 14h59

13/04/2007

Torero e Lelê de volta!

O blog do Lelê volta amanhã.

O do Torero, na segunda-feira.

Assim respondo aos mais de 100 blogueiros que andaram me perguntando sobre a razão do desaparecimento de ambos.

O motivo foi mais que justo.

Mas ele mesmo explicará.

Por Juca Kfouri às 15h49

Para matar a curiosidade

A média de público do Campeonato Carioca, até aqui, é de 9.006 torcedores.

É baixa, mas melhor que a do Campeonato Paulista, 5.172.

A média do Campeonato Brasileiro de 2006 também deixou muito a desejar, mas é superior a ambas: 12.401.

A do Campeonato Mineiro está em 5.341 e a do Gaúcho, pasme, em 1.805.

Por Juca Kfouri às 15h45

Para os cartolas paulistas, capitalismo é isso aí

O velho Pacaembu (é de 1940) voltará a viver dias de glória.

Será palco, neste sábado e domingo, das primeiras partidas das semifinais do Campeonato Paulista.

No sábado, às 18h10, o Bragantino é o mandante do jogo diante do Santos, que joga por dois empates.

Mas, na verdade, o time de Bragança Paulista que trate de se cuidar, porque o risco de perder o rumo de casa é enorme, tamanha a superioridade do time santista.

No domingo, às 16h, o confronto é mais equilibrado.

Na qualidade de mandante, o São Caetano enfrenta o São Paulo que, a exemplo do Santos, joga pelos empates.

A diferença técnica e individual entre os dois é também enorme, mas o Azulão conta com a tradição de engrossar para qualquer adversário onde quer que jogue.

As duas partidas de volta serão disputadas no Morumbi.

Está tudo dentro do que prevê o regulamento e ninguém tem por que reclamar, pois não reclamou quando soube das regras.

Mas que é um absurdo que se prive o Santos, o São Caetano e o Bragantino de jogar em suas casas, lá isso também é verdade.

Ora, um dos principais argumentos em defesa dos campeonatos estaduais está na festa que possibilita aos torcedores do interior.

Pois exatamente no melhor do banquete, quem se farta são os torcedores da capital.

Vai ver é isso que os cartolas paulistas imaginam que seja capitalismo.


Por Juca Kfouri às 23h01

12/04/2007

Cabofriense será o adversário do Botafogo

O Volta Redonda foi melhor no primeiro tempo e terminou na frente da Cabofriense: 1 a 0.

O time de Cabo Frio equilibrou as coisas no segundo, empatou e livrou-se, nos últimos cinco minutos, pelo menos três vezes, de tomar o gol fatal, graças ao goleiro Gatti, nome de goleiro argentino que fez história no Boca Juniors, Hugo "El Loco" Gatti.

Vieram os pênaltis no Maracanã às moscas e deu Cabofriense, adversário do Botafogo na final da Taça Rio.

Gatti pegou dois dos penais. 

Por Juca Kfouri às 21h32

Ficou ruim, muito ruim para o Inter

Ter de ganhar do Nacional, na quinta-feira que vem, no Beira-Rio, já não seria uma tarefa fácil.

Ter de vencê-lo por 3 a 0 soa quase impossível.

Porque esperar que o Velez não vença, em casa, na mesma noite, o eliminado Emelec, soa ainda mais quase impossível.

É claro que no futebol tudo é o impossível.

Mas a vitória dos uruguaios sobre os argentinos, agora há pouco, em Montevidéu, por 2 a 0, parece decretar a morte prematura do campeão mundial em sua busca pelo bi.

Uma pena.

Por Juca Kfouri às 21h08

Gatos pingados

 Por MAURÍCIO VARGAS

http://jornalismoesporteclube.blogspot.com

PAra quem chama os campeonatos estaduais de "Festa do Interior", aí vai um balde de água bem gelada.

O Campeonato Paulista registrou um público total de 982.676 pagantes em 190 partidas, o que dá uma média de 5.172 espectadores por jogo.

Média razoável?

 Média enganadora.

 Os times pequenos só contabilizam públicos satisfatórios quando um dos quatro grandes visita os acanhados estádios longe da capital.

Tirando então esses jogos (em que o time da casa acaba tendo sempre menos torcida que o visitante), o público cai para 229.523 em 120 jogos, o que dá uma média mais real de 1912 torcedores.

O Corinthians foi quem mais levou torcedores aos estádios: 136.962, média de 13,6 mil por jogo.

 O Palmeiras chegou muito perto, com 135085 e média de 13,5 mil.

O São Paulo teve 11,6 mil e o Santos, 10,1 mil.

Dentre os pequenos, o Noroeste foi o campeão de público – 46429 torcedores pagaram para ver os jogos em Bauru.

Mas a média melhor quem tem é o Sertãozinho, caçula que permaneceu na elite: 4755 por jogo.

 O rebaixado Rio Branco, em dez jogos, não conseguiu lotar o Décio Vitta: registrou 13092 torcedores em um estádio que cabe 15 mil. Média de 1309.

Mas olhemos mais atentamente aos números dos pequenos SEM os jogos contra os grandes.

Aí, o surpreendente Guaratinguetá aparece como campeão de público: 29373 pagantes em oito partidas, com uma média de 3672.

Na outra ponta, o Tigre de Americana contabilizou 3324 pagantes nas mesmas oito.

Uma média – aí sim chego aonde quero – de 416 torcedores por jogo.

 América, Santo André, Ituano e São Caetano (terceiro colocado!) também não passaram dos mil por partida.

O campeonato teve 41 jogos com menos de mil pagantes no estádio: alarmantes 21%.

O pior público foi exatamente do Rio Branco, na última rodada.

Míseras 169 testemunhas viram o time, então já rebaixado, vencer a equipe B do São Caetano por 3 a 2.

Mas de quem é a culpa?

 Da fórmula do campeonato, que não atrai mais?

 Do preço dos ingressos, a R$15 o mais barato, totalmente fora da realidade do futebol brasileiro?

 Do horário das partidas de meio de semana, que começam às dez da noite?

 Das diretorias, que montam elencos pouco atrativos para o torcedor?

Os times que subiram tiveram boas médias.

 Falta motivação.

Que passa pelo ingresso caro, pela falta de segurança, pelo descrédito no time e pelo formato da competição.

Ponto para quem defende o fim dos estaduais.

E pior para os pequenos, que podem ficar sem festa alguma.

Outros números:


Cinco melhores públicos
1º São Paulo 3x1 Corinthians (8ª rodada): 32653
2º Corinthians 0x3 Palmeiras (11ª): 28371
3º São Paulo 3x1 Palmeiras (17ª): 25926
4º Corinthians 3x0 Ponte Preta (1ª): 24114
5º Corinthians 1x2 Ituano (4ª): 23735

Cinco piores públicos
1º Rio Branco 3x2 São Caetano (19ª): 169
2º América 1x1 Guaratinguetá (11ª): 246
3º América 2x4 Bragantino (15ª): 253
4º Rio Branco 2x3 São Bento (17ª): 253
5º Santo André 2x1 América (17ª): 262

Cinco melhores públicos do interior
1º Bragantino 2x1 Barueri (19ª): 13950
2º Marília 1x1 Noroeste (4ª): 8879
3º Guaratinguetá 0x0 Bragantino (5ª): 5561
4º Guaratinguetá 1x0 Ponte Preta (8ª): 5112
5º Noroeste 5x2 São Caetano (9ª): 4883

Ranking de público
1º Corinthians: 136962
2º Palmeiras: 135085
3º São Paulo: 116336
4º Santos: 101640
5º Noroeste: 46429
6º Sertãozinho: 42792
7º Guaratinguetá: 42011
8º Marília: 39960
9º Juventus: 38508
10º Paulista: 38413
11º São Bento: 34080
12º Bragantino: 33728
13º Ponte Preta: 30890
14º América: 27327
15º Barueri: 24321
16º Rio Claro: 23696
17º São Caetano: 23521
18º Ituano: 17353
19º Santo André: 16532
20º Rio Branco: 13092

Ranking de média
1º Corinthians: 13696
2º Palmeiras: 13509
3º São Paulo: 11634
4º Santos: 10164
5º Sertãozinho: 4755
6º Guaratinguetá: 4668
7º Noroeste: 4643
8º Marília: 4440
9º Paulista: 4268
10º Juventus: 3851
11º São Bento: 3787
12º Bragantino: 3748
13º Ponte Preta: 3432
14º América: 2733
15º Barueri: 2702
16º Rio Claro: 2633
17º São Caetano: 2352
18º Santo André: 1837
19º Ituano: 1735
20º Rio Branco: 1309

Por Juca Kfouri às 15h35

Os fora-da-lei

Diz o parágrafo 1o. do artigo 27 da chamada Lei Pelé, que está em pleno vigor:

É vedado que duas ou mais entidades de prática desportiva disputem a mesma competição profissional das primeiras séries ou divisões das diversas modalidades desportivas quando: 

a) uma mesma pessoa física ou jurídica, direta ou indiretamente, através de relação contratual, explore, controle ou administre direitos que integrem seus patrimônios;

Tanto o Cruzeiro quanto o Atlético Mineiro mantém, segundo ambos os clubes confirmaram ao blog, relações contratuais com o Villa Nova e com o Democrata, de Governador Valadares.

Estão, portanto, fora da lei, matrizes e filiais, assim como a Federação Mineira de Futebol, que aceitou a participação dos quatro em seu campeonato estadual, e, atenção, a CBF, que abrigou Cruzeiro e Villa Nova na Copa do Brasil deste ano (o Villa foi eliminado ontem, pelo Avaí). 

Quem se sentir prejudicado que se manifeste e recorra à Justiça.

Por Juca Kfouri às 13h39

Está no Zero Hora

Por MÁRIO MARCOS

Bola Dividida

 

Pisada

Ao visitar o histórico Estádio Anfield, de Liverpool, dias atrás, o gaúcho Leonel Chaves, que passa um período de estudos na Inglaterra, surpreendeu-se com o erro em uma velha placa.

A inscrição no local faz referência à decisão do título mundial de 1981 com o Flamengo, em Tóquio.

Diz o autor da mensagem:

Infelizmente, o jogo não estava para o Liverpool e terminou em 3 a 0 para os argentinos (Flamengo).

É um espanto que um erro assim seja cometido e se perpetue, sem correção, ao longo das décadas, em um local visitado por milhares de turistas.

Alguns europeus continuam achando, a exemplo de certos presidentes americanos, que Buenos Aires segue como a capital de um distante país chamado Brasil.

Por Juca Kfouri às 13h02

Imagens que falam mais do que 1000 palavras...



Faixas exibidas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília





 
POR EDUARDO NERY

Por Juca Kfouri às 10h19

Está tudo errado

Por LEANDRO MATTOS

UAI/ESTADO DE MINAS

Às vezes tenho vergonha de viver o Futebol Mineiro. Com seu pensamento tacanho, polêmicas recorrentes, seu atraso absurdo e essa já chata ‘briga de vizinhos’ entre Ziza Valadares e Zezé Perrela.

A impressão que se tem é a de que os dois vivem sedentos à procura de motivos - alguns sérios e fundamentados, outros nem tanto, já que beiram o ridículo - para se digladiarem frente às câmeras e aos microfones. Haja paciência.

A mais nova polêmica está criada. Ao ter seu estádio vetado pelo regulamento da Federação Mineira de Futebol, o Democrata de Governador Valadares escolheu mandar seu jogo contra o Atlético, o primeiro das semifinais, no campo inimigo, o Mineirão. A Federação, por entender que o clube mandante decide onde quer jogar, sacramentou a decisão e o jogo está marcado para o Gigante da Pampulha, neste domingo, às 16 horas.

O velho embate legalidade x moralidade norteia a mais nova (e longe de ser a última) polêmica do futebol das Gerais. Uma falha no regulamento permite que o Democrata-GV escolha o Mineirão para mandar seu jogo. Outro erro permite que o Cruzeiro questione a decisão, pois não há, em nenhum artigo ou parágrafo, algo que explicite que um time possa jogar as duas partidas semifinais em seu território.

Se seguirmos pelo caminho da moralidade, a discussão precisa e deve ser ampliada, pois há muitos pontos que merecem debate e figuram ali no limite entre o que é legal e o que é moral.

Deixo aqui duas perguntas:

- É legítima e aconselhável uma parceria entre dois clubes da mesma divisão, que disputam a mesma competição? Isso deveria ser proibido?

- É natural e/ou correto que o presidente de uma Federação, seja ele qual for, seja conselheiro de um dos clubes filiados à entidade que ele comanda?

Aproveito para deixar também uma provocação:

Se o Cruzeiro ganhasse a mesma ‘benesse’ do Ipatinga, por exemplo, e jogasse duas partidas contra o Tigre no Mineirão, Zezé estaria tão indignado e Ziza acharia tudo tão normal?

O espaço abaixo é a sua tribuna. Deixe seu recado!

P.S: Pena que, numa semana de semifinal de campeonato, não estejamos todos tratando de assunto mais nobre, falando de bola em jogo, escalações, chances, desempenhos, craques, destaques, palpites e tudo o que realmente apaixona e interessa à turma que adora freqüentar as arquibancadas e botar o coração à prova.

http://leandromattos.blog.uai.com.br

Por Juca Kfouri às 09h55

Fogão vence o jogo dos oito ou 80!


O primeiro tempo começou com o Vasco vencendo por 2 a 0 e terminou com o Botafogo na frente, por 4 a 3.

Sete gols em 44 minutos, nenhum deles de Romário, e só o sétimo por falha de goleiro, Cássio, do Vasco.

É preciso ser muito mal-humorado para criticar um jogo com tantos gols em tão pouco tempo.


Mas é preciso dizer, também, que, embora, sensacional, mais parecia o jogo dos sete erros, ou quase.


Como no primeiro gol vascaíno, de Renato, no primeiro minuto, fruto de uma confusão entre o zagueiro Juninho e o goleiro Júlio César.


Aos 3, foi a vez de Abedi ampliar, em bobeada de Túlio, bem aproveitada por Renato que deu na medida para o companheiro.


E, aos 4, Lúcio Flávio achou Luciano Almeida sozinho para diminuir de cabeça, no meio da perdida zaga cruzmaltina.


Estranhamente, o jogo passou 17 minutos sem gols.


Mas, aos 21, Luciano Almeida fez ótima jogada pela esquerda e cruzou para Zé Roberto empatar.


Aos 33, Jorge Luís ganhou duas divididas seguidas contra o pé mole de dois botafoguenses e desempatou, num golaço, que Romário tentou fazer, mas chegou meio milésimo de segundo atrasado.


Estava na cara de que não iria parar por aí.


Os atacantes estavam loucos para ampliar e os zagueiros doidos para entregar.


Pois dois minutos depois foi a vez de Dodô subir livrinho da silva para empatar, em novo cruzamento de Lúcio Flávio.


O mesmo Lúcio Flávio que, de falta, aos 44, botou o Botafogo na frente, em falha de Cássio.


Era o que de pior poderia acontecer ao Vasco.


Tinha o jogo na mão e saía derrotado.


E só não saía com apenas 10 jogadores porque a arbitragem não viu a agressão de Roberto Lopes em Jorge Henrique, aos 45.


Faltavam mais 45.


Tudo poderia acontecer, até nada.


Parecia impossível que Romário não desencantasse.


O Vasco começou melhor e ameaçava bastante.


Túlio fez falta para cartão amarelo, ia recebê-lo, reclamou e acabou expulso.


Faltam 37 minutos.


O Botafogo teve que tirar Lúcio Flávio, uma pena, para entrada de Diguinho.


Aos 14, Renato Gaúcho tira o zagueiro Júlio Santos e faz entrar André Dias que, estupidamente, é expulso dois minutos depois, ao dar carrinho por trás.


Valdir Papel deixou herdeiro em São Januário.


Ao menos sobrava espaço para Romário, cujos 10 gols no campeonato foram feitos em segundos tempos, mas era o Botafogo quem reequilibrava a partida.


Aos 28, Cássio faz pênalti em Dodô que o árbitro, que vinha bem, não assinala.


Aos 37, Alan empata, de cabeça, no primeiro pau, em cobrança de escanteio, livre, leve e solto.


Não era justo, principalmente pelo pênalti não dado e que os quase 40 mil torcedores presentes ao Maracanã viram com clareza.


Dodô teve a bola do jogo, aos 43, mas tocou para fora, na saída de Cássio.


Em 46 minutos no primeiro tempo, sete gols.


Em 49, no segundo, só um.


Quer dizer, o jogo dos oito ou 80.


Resultado: decisão, para ser tecnicamente rigoroso, em arremates da marca de pênalti.


A velha panturrilha de Romário dava sinais de vida, além de câimbras, nas duas pernas.


O milésimo adiado de novo, o Baixinho era um corpo estendido no gramado do Maracanã em interminável sessão de massagens para que ele pudesse, ao menos, participar das cobranças.


Os jogadores do Botafogo rezavam três Aves Marias.


Dava para rezar umas 30 enquanto Romário era massageado e comia bananas, potássio anticâimbras.


Mas ficaria de fora, pelo menos, da primeira série de cobranças.


O semblante vascaíno era de velório.


Incríveis 21 minutos depois do fim do jogo, Dodô abriria a série.


Coisas nossas, muito nossas.


Em jogo a vaga na final da Taça Rio, passagem para decidir o Campeonato Carioca com o Flamengo.


Para Romário, a possibilidade de ainda ter, a curto prazo, a chance de tentar o milésimo de suas contas no estádio que escolheu para tanto.


Dodô bateu e marcou, apesar de Cássio ter tocado na bola: 1 a 0.


Moraes bateu e Júlio César defendeu, na perfeição: 1 a 0.


Juninho fez 2 a 0.


Dudar bateu um verdadeiro tiro de meta. Para fora: 2 a 0.


Juca fez 3 a 0, friamente. Esse Juca...


Roberto Lopes diminuiu: 3 a 1.


Luciano Almeida definiu o finalista.


Com justiça, enfim!


Ufa!

Por Juca Kfouri às 23h19

11/04/2007

Ora bolas, Grêmio!

O Grêmio segue em sua sina de não vencer na Colômbia.

Pior.

Perdeu de novo.

Pior ainda.

Perdeu de 3 a 1.

E para o Cúcuta.

O tricolor deve se classificar, basta que vença o Cerro Porteño, no Olímpico..

Mas está longe, pelo futebol que tem mostrado, de poder sonhar.

Por Juca Kfouri às 22h46

Festa em Bragança

O Palmeiras fez a parte dele em Sorocaba e derrotou o caído São Bento por 3 a 0.


Mas como não tinha feito a lição de casa, no domingo, em Parque Antarctica, ficou na mão.


Porque parte bem feita mesmo foi a do Bragantino que passou pelo Barueri por 2 a 1.


E enfrentará o Santos nas semifinais.


Pobre Bragantino...


Santos que ganhou mais uma, 2 a 0 (Domingos e Renatinho) no Juventus, enquanto o São Paulo ficou no empate com o Marília, 2 a 2, com gols de Borges e Jorge Wagner.

Por Juca Kfouri às 22h43

Cai o último invicto

Com um gol de Marquinhos aos 8 minutos do segundo tempo, o Santa Cruz venceu o Sport, no Arruda, e impediu que o Leão fosse campeão pernambucano invicto.

Aliás, só o tricolor não perdeu para o rubro-negro neste campeonato.

Empatou 1 a 1 na Ilha do Retiro, no primeiro turno e acabou, no segundo, com o último invicto da temporada brasileiro.

Por Juca Kfouri às 21h45

Mixórdia!

Matriz e filial vão jogar duas vezes no Mineirão para decidir uma vaga nas finais do campeonato estadual.

Galo e Democrata, de Governador Valadares, já tinham feito um jogo de mãe para filho no domingo passado.

Cruzeiro e Ipatinga viveram situção igual, pouco tempo atrás, embora ambos sempre possam argumentar, com razão, que quando decidiram o título, para surpresa geral e no Mineirão, foi a filial quem se sagrou campeã.

À mulher de César não basta ser honesta, precisa parecer honesta...

Hoje a parceria do Cruzeiro é com o Villa Nova, que ficou fora das semifinais exatamente porque o Galo perdeu do Democrata.

Algo tão imoral como a relação do Galo com o Democrata.

Também não faz muito tempo o presidente da Federação Mineira caiu por causa do que apurou o Ministério Público mineiro.

Parece que a lição não foi bem entendida.

Também no futebol, Minas está onde sempre esteve: mas, na miséria ética.

Como, aliás, acontece pelo país da cartolagem afora.

Conversei com Levir Culpi, técnico do Galo, na segunda-feira passada, na rádio CBN.

Ele não sabe onde enfia a cara, constrangido que está com tudo isso.

A chamada Lei da Moralização do Esporte tinha um artigo que evitava tais situações.

Pressionado pelos cartolas, o deputado Gilmar Machado (PT-MG) o tirou.

Deu no que deu. 

Como querer que o torcedor acredite no futebol?

Por Juca Kfouri às 15h06

Hoje é dia do Grêmio

O Grêmio joga hoje, às 21h45, fora de casa, com o Cúcuta, com quem apenas empatou sem gols no Olímpico.

Hoje é dia de mostrar serviço.

Porque joga tranqüilo em função do resultado de ontem em seu grupo ( a vitória do Cerro Porteño sobre o Tolima) e porque sabe que é superior ao time colombiano.

Além do mais, está mais do que na hora de o Grêmio derrotar um time na Colômbia, coisa que faz tempo o tricolor gaúcho não faz.

Por Juca Kfouri às 12h21

Mil e uma inutilidades

O Maracanã volta a ser palco de um Vasco e Botafogo nesta quarta-feira.

Desta vez, vale vaga na final da Taça Rio.

E vale, também, por mais uma tentativa de Romário para chegar aos 1000 gols segundo sua contagem.

Mil gols que andam saindo caros para o Vasco.

Valeram, por exemplo, a eliminação da Copa do Brasil, pelo Gama.

E valeram crises com Leandro Amaral e Renato Gaúcho.

Crises injustas, diga-se, porque nem um nem outro atribuíram à busca dos tais 1000 gols as dificuldades do Vasco.

Apenas constaram o óbvio, admitido anteriormente pelo próprio Baixinho: a ansiedade foi morar em São Januário.

Se não bastassem as descuidadas declarações do artilheiro, sugerindo que Leandro e Renato fossem procurar outro clube para trabalhar, até a mãe de Romário, dona Lita, pediu a cabeça do treinador.

O que faz do Botafogo favorito para o clássico de hoje.

Mesmo que tome o milésimo, um sonho que está virando pesadelo.

Por Juca Kfouri às 00h47

Pato sábio

Dizem que os patos fazem tudo mal: andam, correm, voam e nadam mal.

Pode ser.

Mas Alexandre Pato faz tudo bem.

Gols, então, nem se fala.

O da vitória colorada contra o Emelec foi simplesmente primoroso.

Matou a bola com um movimento que impedia a aproximação do adversário e finalizou com a sabedoria de quem sabe tudo de bola.

Então, Emelec e Inter empatavam 1 a 1, o gol brasileiro marcado por Iarley, em rebote do goleiro equatoriano, aos 36 do primeiro tempo e o empate aos 46, quando os gaúchos fizeram linha burra e se deram mal.

Não foi uma vitória convincente, embora totalmente justa.

Mas mais que nunca o importante era vencer.

O campeão mundial vive!

Agora é torcer para que o Nacional não ganhe do Velez nesta quinta-feira, em Montevidéu. 

Em tempo: sim, Iarley estava impedido, numa daquelas situações em que cabe dúvida.

Fez bem o auxiliar, portanto.

Por Juca Kfouri às 00h14

10/04/2007

Em Potosí, o porre da altitude

No primeiro tempo as coisas foram equilibradas, como sempre.

E o Paraná Clube empatou com o Real Potosí, 1 a 1.

No segundo, as coisas iam bem até ali pelos 20 minutos.

Daí, o Potosí fez 2 a 1 e os 4000 metros disseram presente.

Deu tempo e faltou ar o suficiente para os bolivianos fazeram ainda o terceiro gol: 3 a 1.

Tudo bem, ou melhor, menos mal.

Paraná Clube e Real Potosí estão empatados em pontos (6), no saldo de gols (0) e os bolivianos tem um gol a mais (8 a 7), terceiro critério de desempate.

Só que os brasileiros recebem o frágil Maracaibo, já eliminado, em Curitiba no último jogo do grupo.

E o Real Potosí vai ao Maracanã enfrentar o Flamengo.

O rubro-negro devolverá ao tricolor paranaense, ao menos, três dos pontos que lhe tirou.

Por Juca Kfouri às 20h12

Festa inglesa!

Em Manchester, um massacre!

Dos 11 aos 18 minutos do primeiro tempo, o Manchester United fez 3 a 0 na Roma.

Ainda no primeiro tempo, fez o quarto gol, com Cristiano Ronaldo.

Depois, no segundo tempo, até tomou um gol italiano.

Mas fez mais três, sem dó nem piedade: 7 a 1.

Já em Valencia, o time espanhol saiu na frente do Chelsea.

Mas cedeu o empate no segundo tempo e, quando tudo parecia levar à prorrogação, no fim do jogo, os ingleses fizeram o gol da classificação.

Chelsea e Liverpool deverão fazer uma das semifinais da Copa dos Campeões da Europa.

Manchester United e Bayern Munique, ou Milan, farão a outra.

Final inglesa na Liga dos Campeões?

Por Juca Kfouri às 16h39

Que país é este?

Num país em que muito poucos são capazes de reconhecer seus erros, merece elogios a recuada do Co-Rio/2007 e a decisão de numerar os ingressos do Pan, como manda a lei.

Sim, como manda a lei e o cumprimento da lei é obrigação de todos.

O recuo, é claro, evita futuros, e inevitáveis, problemas com a Justiça.

Mas estamos no Brasil e nem vale tripudiar sobre as justificativas iniciais, sobre a "falta de cultura" de nossos torcedores ou sobre o "amadorismo" da competição.

Vale, apenas, saudar.

Como vale repudiar as tratativas oficiais para permitir a visita de Boris Berezowski ao país.

A se confirmar sua vinda (não se esqueça que há meses a anunciam...), ficará muito claro: o dinheiro pode tudo, até para o PT, ou principalmente.

Por Juca Kfouri às 14h44

O caso Renato Silva

Por SABINO LOGUERCIO

"São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente sua violação".

A concisão, a clareza, a redação irrepreensível, o tom humanista e o caminho jurídico direto e expresso desse texto da Constituição da República Federativa do Brasil (Art. V, Inciso X) configura um modelo a ser adotado por quem se digne atentar para o alcance de uma cláusula pétrea, inamovível, inquestionável, transcendente.

E que é, obviamente, obrigatória na Carta Magna de qualquer país que se tenha por nação.

Não menos fascinante é o documento que, editado na III Sessão Ordinária da Assembléia Geral da Nações Unidas (10.12.1948/Paris), continua demarcando as relações entre as pessoas e os povos, com a pompa merecida de Declaração Universal dos Direitos do Homem, ao evidenciar que todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa (Art. XI.1).

Os que exercem a medicina em sua plenitude sabem que a autorização para o seu nobre exercício, outorgada em ato invariavelmente solene, não concede ao médico a força ou o poder e muito menos o direito de profanar o interior do organismo de alguém para arrancar de seu âmago uma informação que lhe seja infamante.

O Código de Ética Médica vigente (Resolução CFM n.º 1246/88) salienta e destaca essa regra intocável em pelo menos quatro de seus artigos, que tratam do sigilo profissional.

Na instância científica, os livros de farmacologia, desde a década de 60 do século XX, incrustaram na mente do médico a noção de que os níveis teciduais terapêuticos eficazes variam entre os pacientes, devido a diferenças individuais na distribuição, no metabolismo e nas taxas de eliminação das drogas.

Essas diferenças são determinadas por fatores genéticos e variáveis não-genéticas, como idade, sexo, tamanho do fígado, função hepática, ritmo circadiano, temperatura corporal e fatores nutricionais e ambientais, como exposição concomitante a indutores ou inibidores do metabolismo de droga (...) As diferenças individuais na taxa metabólica dependem da natureza da própria droga. Assim, na mesma população, os níveis plasmáticos, em estado de equilíbrio dinâmico, podem refletir variações de até 30 vezes no metabolismo de uma droga e de apenas duas vezes no metabolismo de outra. (Dra. Maria Almira Correia, Ph.D., Professor of Pharmacology, Medicine, Pharmaceutical Chemistry and Biopharmaceutical Sciences, University of Californa, San Francisco, no livro de Bertram G. Katzung, FARMACOLOGIA BÁSICA E CLÍNICA).

Em 1972, no seu livro Hígado y Drogas, o laureado hepatologista argentino Victor Perez assinalou uma faceta da indução enzimática que o passar dos anos só robusteceu: quando se exerce uma indução enzimática com uma droga exógena, será produzida ao mesmo tempo uma estimulação do metabolismo endógeno. Isso promoverá uma série de interações homeostáticas mediante a liberação e inibição de repressores genéticos, o que demonstra a existência de um verdadeiro servomecanismo.

Tais verdades científicas permitem concluir que constitui estultícia arrasadora fixar um valor, para determinado exame laboratorial, que sirva de parâmetro para todos os seres humanos e estabelecer que, acima dele, é doping e, abaixo, não o é.

A tacanhice de valorizar a quantidade ficou escancarada em 1993, no caso Zetti, e foi diversas vezes confirmada em outras situações.

Armelino Donizetti Quagliato (o nosso Zetti), hoje um respeitado treinador de futebol, sempre foi considerado exemplo de atleta.

Além disso, dentre todos os jogadores convocados para a Seleção Brasileira de futebol, na disputa das eliminatórias (1993) para a Copa do Mundo de 1994, era o menos interessado em dopar-se, por sua condição de reserva do goleiro Taffarel.

De repente viu sua reputação jogada no lixo, ao lado do lateral esquerdo Rimba, da Seleção Boliviana, ao ficar constatada a presença de benzoilecgonina em ambos os testes urinários, pois a palavra oficial decretara que só a ingestão de "baldes de cocaína" faria com que aparecesse o metabólito benzoilecgonina nas amostras recolhidas.

Foi quando um jornalista responsável de Porto Alegre (Renato Bertuol Barros) resolveu ingerir o Trimate, que é uma infusão com quantidades mínimas de coca, anis e maçanilha, usada como chá por qualquer mortal que visite o altiplano da América do Sul.

O resultado foi nove vezes superior ao valor-limite utilizado pelo sistema de controle antidoping.

Essa experiência do jornalista valeu como o desmoronamento de alguns quilômetros de calota polar sobre a concepção de atribuir ao exame toxicológico urinário um poder que ele não tem.

Conquanto seja útil num contexto de investigação científica que não exclua outros métodos, inclusive os clínicos, o teste toxicológico urinário é mais do que ridículo como PROVA de doping.

Por Juca Kfouri às 00h46

O caso Renato Silva (continuação)

Tudo isso sem contar as influências de causas aleatórias, que receberam o status de emblema no caso Anderson, do Internacional de Porto Alegre, punido como morfinômano, em 1997, depois de ter apenas ingerido pãezinhos inocentes com sementes de papoula.

Tratar essa questão da papoula e de outras substâncias como curiosidade e não como possibilidade permanente é um vazio informativo que causa estupor às pessoas detentoras de algum saber médico.

O pecado mora do outro lado*, nos casos das drogas ditas sociais, que não são doping, fato reconhecido pelo próprio Comitê Olímpico Internacional.

Em que pese a força desse consenso, o atual sistema de controle do doping, afronta, com audácia e impunidade, os códigos de ética e agride violentamente o ordenamento jurídico universal. Catastrófico para a humanidade é saber que, sob o impulso de um moralismo arcaico, eternizado em mármore, esses postulados transformaram-se, há 40 anos, no sustentáculo do fair-play esportivo.

Com base na inexistência de elementos probatórios ou sob o abrigo de provas inconsistentes, o sistema vigente de controle do doping priva o atleta, por um tempo absolutamente inaceitável, de exercer aquele que é o mais elementar, mais clássico, mais consensual e mais sagrado de todos os direitos: o de viver do trabalho.

Por Juca Kfouri às 00h46

O caso Renato Silva (fim)

 

                 Diante da contundência desse arsenal de conclusões científicas, alguém precisa gritar, a pulmões plenos, que um indivíduo viciado em drogas é um doente para ser tratado e NUNCA um delinqüente para ser punido, ainda mais se o uso da droga for eventual.

 

Cabe aos advogados e juízes de espírito público esclarecer que a nova Lei Antidrogas (11.343/06) estabelece conceitos insofismáveis e faz uma nítida distinção entre a figura do usuário (o doente), que, por esse dispositivo legal, é advertido brandamente e apenas lhe cabe realizar trabalhos sociais, sem privação de liberdade, e a do traficante (o contraventor), cujas penas prevêem detenção de 5 a 15 anos, além de multas duras e inesquecíveis.

 

                   Pelo ato de rescindir o contrato do zagueiro Renato Silva, sem provas de seu delito e pelo atropelamento das leis maiores, o Fluminense Futebol Clube compromete uma história de grandeza reconhecida por todos os brasileiros.

 

Num esforço de imaginação, dá para observar o fácies rubicundo e envergonhado de Castilho, Píndaro, Pinheiro, Vitor, Edson, Bigode, Telê, Didi, Carlyle, Orlando e Rodrigues (onde quer que estejam, sob a arguta orientação de Zezé Moreira), pela ação truculenta do clube que defenderam com tanto suor. á motivos paHáHáHá poucos motivos para uma tristeza maior do que constatar a injustiça de uma punição, que mancha o passado, dilacera o presente e adia o futuro de um jovem cuja  inocência transparece quando a televisão exibe, em sua fisionomia, o transe por que está passando.

 

                   Como ressalva consoladora, destaque-se que a decisão do tricolor das Laranjeiras só não introduz a figura do dolo porque parece decorrer de ignorância e não de má-fé.

 

 Sabino Vieira Loguercio

(Médico gastrenterologista, endoscopista do sistema digestório e membro da Câmara Técnica de Gastrenterologia do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul - CREMERS).

                    

 

* uma paráfrase adaptada do filme de Billy Wilder The Seven Years Itch, traduzido para O pecado mora ao lado (aquele em que Marilyn Monroe tem sua saia levantada pela ventilação do metrô).

Por Juca Kfouri às 00h45

A Libertadores entre o céu e o inferno

Dois times brasileiros em ação hoje pela Libertadores.

Às 19h, o adversário do Paraná Clube não é propriamente a equipe do Real Potosí, vencida em Curitiba por 2 a 0.

O verdadeiro obstáculo é a altitude da cidade boliviana, 4000 metros acima do nível do mar, bem pertinho do céu.

Para enfrentá-lo, o tricolor paranaense incluiu um cardiologista na delegação.

Às 22h30 será a vez do Inter entrar em campo, em Guayquil, no Equador, ao nível do mar, mas contra um adversário um pouco mais qualificado, o Emelec, batido pelos gaúchos por 3 a 0, em Porto Alegre.

Se o Paraná Clube está em segundo lugar no seu grupo e, mesmo que perca hoje, tem tudo para se classificar para as oitavas-de-final, porque depois recebe o Maracaíbo enquanto o Real Potosí pega o Flamengo, no Maracanã, a situação do Inter é infernal.

Em terceiro lugar em sua chave, o campeão mundial e da Libertadores tem de vencer de qualquer jeito e nem assim estará garantido na próxima fase.

Sem se dizer que um mau resultado do Inter poderá significar a saída de seu técnico, Abel Braga, objeto de desejo e de propostas indecentes do Corinthians.

Que não falte ar ao Paraná Clube e sobre futebol ao Inter.

Por Juca Kfouri às 00h27

O mau (?) anfitrião

Por ALMIR MOURA

Gostaria de chamar a atenção para o fato de que em 2007 o Náutico tem se mostrado um anfitrião nada receptivo com suas visitas.

Só para se ter uma idéia, até aqui foram nove vitórias em dez jogos, sendo que das últimas seis partidas, cinco foram vencidas por goleada :

21/02 - Náutico 6x0 Parnayba

04/03 - Náutico 6x0 Ypiranga

18/03 - Náutico 6x0 Cabense

25/03 - Náutico 2x1 Santa Cruz

04/04 - Náutico 5x0 Paysandu

08/04 - Náutico 5x0 Central

Na próxima semana, em confronto válido pela primeira partida das oitavas de finais da Copa do Brasil, a equipe alvirubra vai receber uma visita das mais ilustres: o saudoso Corinthians.

.....Corinthians Grande....

Corinthians - um time grande que está muito longe de ter um grande time e que tem se esfacelado em suas próprias contradições: um time desorganizado, sem diretoria, sem rotatividade presidencial, sem brilho, sem brio, sem tática, sem técnica e sem técnico, e há muito, sem paz.

Um time de grande torcida - De Tradições e Glórias Mil - e acima de tudo um time de respeito, mas que infelizmente há algum tempo não tem se dado o respeito devido.

Um visitante dos mais aflitos que parece ser o adversário ideal para um anfitrião sereno que sugere ter encontrado a fórmula mágica e a calma necessárias para prosperar diante de sua torcida.

Entre a calmaria e o otimismo do anfitrião e a aflição e desespero do visitante fica o desejo de que um irriquieto, flamejante e extremamente lotado Eládio de Barros Carvalho receba e presencie uma grande partida de futebol. Digna de ficar marcada para sempre na memória de seus torcedores.

Por Juca Kfouri às 23h40

09/04/2007

Olé!

Por GUSTAVO VILLANI, de Madri.

 

Charutos cubanos e cachimbos refinados, casacos de diferentes peles, chapéus de todos os tipos!

Está aberta mais uma temporada das touradas espanholas ou "corrida de toros" e até outubro, antes de os toureiros arrecadarem milhares de dólares no México, será assim todo fim de semana.

Porém, uma das principais bandeiras culturais da Espanha não é unanimidade, pelo contrário, tende a cair de moda com o tempo.

São muitos os jovens e adultos espanhóis que dizem abominar o esporte!

Sim, esporte, assim entendem alguns nativos.

Penso não haver competição entre doze homens munidos de espetos, cavalos e espada contra um animal apenas com o instinto de se defender com um par de chifres, mas respeito a tradição.

Touro e toureiro compõem um cartão postal, entretanto são muitos os personagens dentro da arena para irritar e matar o animal.

O entretenimento à custa do sofrimento é inerente a nossa espécie, isso vem de séculos.

Agora, sinceramente não consigo conceber as touradas, ou mesmo o boxe, como esporte da modernidade.

Sentimentos à parte, domingo fui a Plaza de Toros e vi de perto o que acontece no espetáculo.

Personalidades, os toureiros ganham até 90 mil euros por apresentação e freqüentam o noticiário sensacionalista toda semana, assim como os jogadores de futebol.

Ao chegarem à arena são alvo de flashes e pedidos incessantes por autógrafos.

Já os touros, afora toda crueldade já mencionada, são preparados por cinco anos para se "apresentarem" ao público.

São treinados e devidamente alimentados para a morte, só sobrevivem em dois casos: ferimentos ao toureiro ou quando refugam a briga.

O público interage com vaias e aplausos, quanto mais bravo for o touro, melhor. Interessante, curioso, mas ainda prefiro os dribles do futebol.

Olé!

Por Juca Kfouri às 10h24

Carta de um ex-dirigente do Vitória S.A.

Por FLÁVIO RAUPP

Prezado Juca,

 

Existem coisas na vida que são inesquecíveis. Na semana passada, ocorreu um fato que comprova esta máxima.

Estava acomodado em minha cadeira na universidade, debatendo questões relativas à gestão de pessoas, tema da pós-graduação que pretendo terminar no fim deste ano. Meu celular vibrou em silêncio, como convém em uma sala de aula. No identificador de chamadas, apareceu o nome de um amigo, para quem retornei a ligação após a aula, lá pelas 22:45 hs. Seu objetivo era avisar-me que haviam sido postados dois textos no blog do Juca Kfouri que me interessariam. Ao chegar em casa, meus filhos estavam em frente à TV, vibrando com o gol de empate do Inter contra o Veranópolis, que acabara de ocorrer. Sentei-me com eles e acabei de assistir ao confronto, com final melancólico para o nosso Colorado.

Coloquei as crianças na cama e dirigia-me para meu quarto quando lembrei do que dissera o amigo. Sentei-me, então, em frente ao computador e acessei ao seu blog. Li atentamente os dois textos, um com o bilhete de João de Deus e outro com a manifestação de Paulo Carneiro.

Depois de quase oito anos, um destes períodos inesquecíveis da minha vida voltou com força à minha mente. Recostei-me na cadeira e fechei os olhos. Lembrei-me de quando cheguei a Buenos Aires, antes mesmo de me desligar do Gama, para diversas entrevistas com dirigentes do Exxel Group, quando ouvi sobre planos ambiciosos e modernos para o Vitória, que estavam por adquirir. Ouvi que os argentinos queriam alguém comprometido com o novo, com o ético, com a transparência e com resultados, e que por isso eu fora chamado para conversar. Ainda vivendo a turbulência da guerra do Gama contra a CBF, Clube dos 13 e FIFA, aceitei o convite do Exxel, em função do projeto apresentado e de uma oportunidade profissional com a qual sempre sonhei. Megulhei de corpo e alma naquele novo trabalho.

Alguns dias depois das reuniões de Buenos Aires, já acertado com o Exxel, fui a São Paulo para participar da reunião de fechamento das negociações e assinatura dos contratos entre Exxel e Vitória. Lá conheci Paulo Carneiro e Walter Seijo.

Alguns dias depois, desembarquei em Salvador com minha esposa e os dois filhos, ainda pequenos. Instalamo-nos em um confortável apartamento no Corredor da Vitória, meus filhos foram matriculados em uma ótima escola na Pituba, e minha esposa imediatamente apaixonou-se pela cidade.

Tudo ia muito bem. Meus primeiros tempos no Vitória foram maravilhosos. Estávamos, pouco a pouco, quitando as dívidas antigas do clube, o time ia bem (sagrou-se campeão baiano e estreou na Copa João Havelange com vitória de 4x1 sobre o Palmeiras) e os salários e obrigações rigorosamente em dia. As diferenças de personalidade entre mim e Paulo Carneiro eram minimizadas, ou poderiam até ser consideradas complementares. Os argentinos estavam satisfeitos e Walter Seijo (até prova em contrário, homem sério, idealista e apaixonado pelo Vitória) estava entusiasmado com a nova fase da empresa (Vitória S/A).

Um assunto, todavia, permanecia pendente: o contrato de trabalho de Paulo Carneiro com o Vitória S/A. Em função do meu cargo de VP de Controladoria, todos os contratos e pagamentos do Vitória passavam por mim. O contrato de Paulo Carneiro era a única exceção. Era tratado diretamente com Gerardo Leon.

Aproximadamente dois meses após iniciar meu trabalho em Salvador, numa de suas idas à Bahia, Gerardo convidou-me para almoçar em uma churrascaria próxima à sede do Vitória. Na ocasião, solicitou que eu assumisse a tarefa de fechar o contrato com o Paulo Carneiro. Disse-me que o contrato deveria prever uma remuneração fixa e uma variável, na forma de bônus em função de desempenho e obtenção de resultados. Não vi nada de mais nisso, até porque uma de minhas tarefas era propor um plano de remuneração variável para toda a empresa, em seus diversos níveis gerenciais. A resposta de Gerardo, no entanto, me estarreceu. Ele disse que o contrato com Paulo Carneiro não dependia do plano de remuneração variável do Vitória S/A, mas sim de um acerto verbal ocorrido antes mesmo da aquisição das ações pelo Exxel. Gerardo foi mais além, e informou-me do valor do bônus a ser pago: U$ 1,2 milhões. Assustei-me com a quantia, equivalente a 20% do valor de compra do Vitória, que foi de U$ 6 milhões, e lhe disse que, além de não considerar o valor razoável, o nosso fluxo de caixa não comportaria uma despesa de tal porte, ao menos no curto prazo. Além disso, o correto seria implantar o plano de remuneração variável para toda empresa, e que a remuneração de Paulo Carneiro deveria seguir a mesma política corporativa. Gerardo implorou para que eu aceitasse fazer o contrato como ele estava pedindo, pois fora uma remuneração combinada com Paulo Carneiro anteriormente ao fechamento do negócio, e que Paulo o estava pressionando muito para assinatura imediata do contrato e o pagamento do bônus.

Para entender esta posição de Gerardo, é preciso ter claro o cenário da época. Gerardo considerava a compra do Vitória, por apenas U$ 6 milhões, um negócio da China, e não queria correr risco de perdê-lo por não cumprir o que acertara com PC. Além disso, PC era muito forte politicamente e alinhado com o governo local. Gerardo não sentia-se forte o suficiente para peitá-lo, pelo menos naquele momento. Sua idéia era, após dois anos de operação, tirar PC e profissionalizar de vez o Vitória S/A. Walter Seijo era o candidato natural para assumir a presidência.

A partir desse momento, acabou minha tranqüilidade em Salvador. Em janeiro de 2001, e depois de uma série de atritos com Paulo Carneiro, pelos mais variados motivos, fui demitido pelo Exxel, em meio a discussões no conselho do Vitória S/A sobre o plano de reestruturação da empresa, por mim proposto, que previa uma redução drástica da inchada estrutura do clube. Com a minha demissão, Paulo Carneiro teria aceitado o plano de reestruturação.

Quanto ao tal bônus, é evidente que saí do Vitória S/A sem pagar um único centavo, mesmo com a enorme pressão de Paulo Carneiro. Após a minha saída, se o pagamento foi ou não feito, não faço a menor idéia, mas Jorge Valderrama, meu substituto, deve saber.

Depois de tudo isso, de volta à Brasília, ainda atuei alguns anos no futebol, especialmente na Liga do Centro Oeste e no Grupo de Trabalho que escreveu o Estatuto do Torcedor, onde orgulho-me por ter defendido e ver aprovadas as propostas de critérios técnicos para participação em campeonatos oficiais e o sorteio de árbitros. Com o fim das Ligas Regionais e da forma como ocorreu, tomei a decisão de afastar-me do futebol.

Hoje vivo em paz, trabalhando, estudando e cuidando de minha família maravilhosa. Sofri em silêncio com a derrocada do Vitória, pela torcida que possui e pelos amigos que lá deixei. Mas como disse anteriormente, existem coisas na vida que são inesquecíveis...

Por Juca Kfouri às 10h14

Eu acho que não tem jeito mesmo...

Antes, era uma fenômeno que não atingia o nordeste, a quem invejávamos pela festa permanente em torno do futebol.

Hoje, como se vê abaixo, não há mais exceção.

A selvageria se generalizou.

E as autoridades...

Por FERNANDO GRAZIANI 

Jornal O POVO, de Fortaleza

Eu sei que eu deveria estar acostumado, mas vou lembrar deste domingo de Páscoa, dia 08 de abril, como um dos mais violentos que eu já vi num estádio de futebol. E o palco, infelizmente, foi o Castelão e seus arredores. Foi um domingo triste, muito triste.

Logo de cara, ainda cedo, chegando ao estádio, era possível ver a polícia separando grupo de torcedores rivais, inimigos. Queriam brigar, não importa o motivo e sim o tamanho do pau ou da pedra que carregavam.

Já dentro do estádio, eu jamais vou esquecer do torcedor que chegou com o amigo - ambos com camisa de seus respectivos times, animados, dando risada - e um deles não consegiu ficar no local porque foi expulso com agressões e xingamentos raivosos por outros torcedores, em maioria. Eu deveria estar acostumado, é verdade, mas não consigo compreender porque ele foi impedido de ficar ao lado do amigo apenas porque cometeu o pecado de torcer para a outro equipe. E era o lugar mais caro do Castelão, provando mais umas vez que educação e humanidade não têm nada a ver com conta bancária. Foi selvagem, triste.

Como foi grotesco e inesquecível ver a preliminar do sub 14 entre Fortaleza e Ceará terminar numa pancaria generalizada, demonstração de ódio de crianças. Socos e pontapés, desferidos por meninos de rostos suados, marcados por uma raiva insana e juvenil. "Ganhamos no pau e na bola", dizia um atleta do Ceará, que venceu por 1 a 0, ao descer para o vestiário, frase testemunhada por Gleudo Coelho, taxista em serviço para a rádio O POVO/CBN.

Talvez tenha sido o mesmo menino, que em vez de comemorar a vitória com sua torcida, preferiu ir provocar os torcedores do Fortaleza, fazendo gestos como se estivesse com uma metralhadora nos braços.

Gestos também provocados pelas duas torcidas nas arquibancadas, que desde o começo da briga, vibravam como nunca, pulando e gritando, como se estivessem numa arena romana, esperando a morte de alguém, de algum menino. Cenas de barbaridade pura. Uma tristeza.

Também não vai dar para esquecer que várias vezes o repórter Paulo César Carioca, nos estúdios da rádio O POVO/CBN, avisava que ligações davam conta de brigas nas proximidades do Castelão, nas avenidas e ruas de sempre.

Também não vai dar para esquecer de vários comentários neste Blog, que podem ser lidos, estão aí, relatando assaltos dentro do Castelão, de torcedores contra torcedores. Todo mundo é inimigo mesmo, é preciso me acostumar.

Por fim, entrando no táxi do Gleudo, voltando do trabalho, encontro Edvaldo, irmão dele, que senta ao meu lado e resignado, avisa: "Graziani, eu venho ao Castelão faz muito tempo, mas jamais vi tanta violência como hoje. Eu não consigo descrever as barbaridades que eu vi".

O jogo? Será que tem alguma importância, depois de tudo isso? Tem sim, eu sei. E eu deveria estar acostumado com mais um domingo triste e que me faz, com toda sinceridade, achar que não tem mais jeito mesmo.

Por Juca Kfouri às 10h02

08/04/2007

Mengo quer o Boca?

Logo depois de ver seu time golear o América por 4 a 1, o técnico do Flamengo, Ney Franco, disse que não escolhe adversário para a decisão do Campeonato Carioca.

Mas que entre Caracas e Boca Juniors ele prefere os argentinos na Libertadores.

E ainda dourou a pílula, ao imaginar o que seria o confronto entre dois dos maiores clubes do continente.

O treinador rubro-negro é um homem inteligente.

É claro que ele prefere o Caracas, muito menos difícil.

Mas vai que o adversário seja o Boca.

Que impressão daria?

A impressão de que o Flamengo terá o adversário que não queria.

Ao escolher o Boca ele mostra que não teme ninguém e, mais ainda, que confia no seu time.

No que faz muito bem.

Por mais que prefira o Caracas...

Por Juca Kfouri às 20h42

Treinos animadores

Botafogo e São Paulo treinaram.

O Fogão enfiou 6 a 2 no Nova Iguaçu, com direito a mais um golaço de Dodô, por cobertura.

E reviverá com seu goleiro Júlio César a epopéia de tentar evitar o milésimo da contagem do Romário, já na próxima quarta-feira e, quem sabe, no domingo.

Sorte dele.

Ainda mais que o Baixinho deitou falação contra Renato Gaúcho e Leandro Amaral, por discordar que a pressão dos 1000 tornou o Vasco ansioso, como ambos disseram.

Já o São Paulo está goleando Barueri e também com show.

Fez 5 a 0 ao natural.

O São Paulo está pronto para seguir na Libertadores e disputar as finais do Paulista.

Serão quatro "São-Sãos": dois contra o São Caetano, mais dois contra o Santos, estes últimos, imperdíveis.

 

Por Juca Kfouri às 18h50

Sport é só festa

Já bicampeão pernambucano, o Sport recebeu o Belo Jardim e ganhou de 3 a 0.

Mais de 10 mil torcedores viram, na Ilha do Retiro, a 16o. vitória do Leão em 17 jogos.

Leão que está mais preocupado com a Copa do Brasil, pela qual enfrentará o Ipatinga.

Mas que, mesmo, assim, quer fechar sua campanha no estadual derrotando o Santa Cruz, no Arruda, domingo que vem.

Porque o Santa foi o único time que o Sport não derrotou neste 2007.

Por Juca Kfouri às 18h22

Parceiros sim, negócios à parte?

Quando Cruzeiro e Ipatinga eram parceiros, decidiram um título mineiro e o menor levou.

Agora a situação se repete entre o Atlético Mineiro e o Democrata, de Governador Valadares.

Hoje, com os reservas, o Galo perdeu para a filial por 2 a 0, que se classificou para as semifinais do estadual, assim como o próprio Galo.

Ambos voltarão a se enfrentar nas semi. Como será?

A outra semi será entre Cruzeiro, que acabou em primeiro lugar, contra o Tupi, de Juiz de Fora

Por Juca Kfouri às 18h13

O Grêmio contra Caxias

Só o Grêmio representa Porto Alegre nas finais do Campeonato Gaúcho.

Caxias do Sul, com a dupla Ca-Ju, e Veranópolis representam o interior dos pampas, ou a agradável serra gaúcha.

O Juventude será o adversário do Veranópolis e o Caxias o do Grêmio.

Grêmio e Juventude têm a vantagem do segundo jogo em casa.

O Veranópolis, que fica na microrregião de Caxias, ganhou do Esportivo, em Bento Gonçalves, por 3 a 1, para chegar às semifinais.

Por Juca Kfouri às 18h01

Santas finais!

O Campeonato Paulista já tem uma semifinal cravada: São Paulo x São Caetano.

A outra será entre Santos e, provavelmente, Bragantino.

São Caetano, São Paulo e Santos são os últimos três campeões paulistas, em 2004, 2005 e 2006.

Três times com nomes santificados e o Braga dos Chedids, que de santos nada têm.

São Caetano e Bragantino, ao lado da Inter de Limeira (em 1986, decisão com o Palmeiras), são os únicos pequenos paulistas que já venceram o estadual.

Quem levou o Braga ao título foi Vanderlei Luxemburgo, em 1990 (decisão com o Novorizontino), o mesmo Luxemburgo que pode beliscar o bi com o Santos.

Quem levou o Azulão foi Muricy Ramalho, em 2004 (decisão com o Paulista), o mesmo Muricy que, com o São Paulo, é o único que pode impedir o repeteco santista.

Por Juca Kfouri às 17h53

Palmeiras empata e olhe lá

Com 20 segundo, Dinei fez 1 a 0 para o Guaratiguentá.

Com 30 minutos, fez 2 a 0.

E aos 39 quase fez 3 a 0, não fosse Diego Cavalieri.

O Palmeiras levava um baile.

Para sua sorte, Valdívia achou um gol, aos 46.

Nem bem o segundo tempo começou e o Guará ficou reduzido a 10 homens.

Aí, aos 23, pênalti que Edmundo não teve medo de bater.

E o empate.

Melhor, no minuto seguinte, nova expulsão no time de Guará.

Mas mesmo com mais de 24 minutos para consumar a virada (o jogo foi até os 49), o Palmeiras não conseguiu.

E não conseguiu porque, ao contrário da partida que o eliminou da Copa do Brasil diante do Ipatinga, jogou mal, muito mal.

E deverá cair fora também do Campeonato Paulista.

Por Juca Kfouri às 17h44

Não cutuquem o Santos

O Santos fez 1 a 0 logo de cara em Bauru (Cléber Santana, de pênalti) e aquietou-se.

Estava bem, muito bom, liderança garantida no Campeonato Paulista, independentemente da última rodada.

Mas o Noroeste achou de fazer graça e empatou no segundo tempo, aos 17.

Bem feito.

Cutucou a baleia com vara curta e tomou mais três, só para largar de ser bobo.

Aos 33, 37 e 43, Rodrigo Tabata, Marcos Aurélio e Jonas trataram de mostrar que respeito é bom e eles gostam.

Será que o Santos precisa mesmo de um centroavante centroavante?

Por Juca Kfouri às 17h38

E não é que o Flu ganhou?

O Fluminense ganhou de virada do Boavista, por 4 a 3.

Vitória tão inútil como a do Corinthians ontem.

Está fora, mais uma vez, das semifinais de turno no Rio.

Sua direção precisa ser internada.

A Unimed bem que podia cuidar disso.

Por Juca Kfouri às 17h36

A culpa é do Romário?

A campanha pelos tais 1000 gols pode ter atrapalhado.

Mas o que atrapalha mesmo o Vasco, e não é de hoje, nada tem a ver com o sonho de Romário.

Tem a ver com um pesadelo chamado Eurico Miranda.

Sem o Baixinho, o Vasco perdeu para o Cabofriense, 2 a 1, e perdeu, também, a liderança de seu grupo para o Volta Redonda.

Que não tem Romário, é verdade, para seu azar, mas, para sua sorte, também não tem Eurico Miranda.

Por Juca Kfouri às 17h32

Festa dos pequenos

A decisão da Taça Rio terá um grande, Botafogo ou Vasco, contra um pequeno, Cabofriense ou Volta Redonda.

Não é a primeira vez, ao contrário, e nada indica que será a última.

A decisão do Campeonato Paulista deve ser entre dois grandes, o Santos (que segue dando as cartas com autoridade, como hoje em Bauru) e o São Paulo, único que pode derrotá-lo.

Já os outros dois semifinalistas serão o São Caetano e, provavelmente, o Bragantino.

Porque o Palmeiras conseguiu, em casa, a proeza de só empatar com o Guará, 2 a 2, e depois de estar apanhando de 2 a 0, de não ter tomado o terceiro gol por acaso e de ter enfrentado um rival com apenas nove jogadores em boa parte do segundo tempo.

O Palmeiras, para se classificar, precisa vencer o São Bento desesperado para não cair, em Sorocaba, e torcer para que o Bragantino (que perdeu em Sertãozinho) não vença o Barueri, em Bragança Paulista.

Muito improvável, porque era só vencer hoje para depender apenas de si.

A recusa de modernização da organização e do modelo de gestão em nosso futebol conseguiu tal milagre: os grandes se apequenaram em vez de os pequenos crescerem.

Por Juca Kfouri às 17h27

E ponto final!

Está no "Estadão" no hoje.

Perfeito!

Só um palmeirense de quatro costados como seu autor -- Ugo Giorgetti (leia abaixo) -- para ser tão definitivo.

Sentimentos são sentimentos e eles é que valem.

Na vida e no futebol, principalmente.

Vá, por exemplo, convencer o torcedor rubro-negro de que o Flamengo não foi o campeão brasileiro de 1987, independentemente do que a CBF considera ou deixa de considerar.

O que vale é como a Copa União foi tratada, então.

E nem daqui a 100 anos isso mudará, embora daqui a 100 anos não vá fazer nenhum sentido o Flamengo lutar por seu reconhecimento.

Simplesmente porque desnecessário. E inútil.

Do mesmo modo, convença o corintiano de que ele não foi campeão mundial em 2000, num torneio repleto de pecados, mas tratado como tal pela Fifa.

Ou os torcedores dos times brasileiros que foram campeões mundiais antes de a Fifa assumir o torneio como seu, quando a competição era tratada, oficialmente, como Taça Intercontinental.

E não me venham com a balela de que os europeus não dão bola, porque quando ganham fazem a maior festa.

Basta lembrar, aliás, o ar de decepção dos jogadores do Barcelona quando perderam para o Inter, ou os do Liverpool quando derrotados pelo São Paulo e assim por diante.

Ou como foram recebidos em suas cidades quando ganharam.

Porque as polêmicas, que fazem a alegria dos botecos, e tiram alguns fanáticos do sério, essas são intermináveis.

Já os sentimentos são eternos.

 

CADÊ A ALTIVEZ DO PALMEIRAS? 

Por UGO GIORGETTI 

Falou-se muito sobre o título de campeão mundial que o Palmeiras reivindicou. A maioria das pessoas que opinaram não têm a menor idéia do que foi essa conquista. Muitos dos que apóiam e criticam têm escassas informações sobre o acontecimento de 1951. Fora uns poucos historiadores sérios, que aliás nem foram consultados, a maioria fala sobre o que não testemunhou e opina sobre o que leu nas precárias páginas da internet. Num país onde não se registra nada, e quando se registra não se guarda nem se preserva o que por milagre se registrou, como falar das dimensões de um acontecimento que se passou há cinqüenta e seis anos? Através de recortes de velhos jornais? Através de pessoas que ou eram demasiadamente crianças ou são hoje demasiadamente velhas para dar um testemunho com valor incontestável?

Sobrou quase que só a opinião pessoal, subjetiva, de alguns defendendo o título e de outros contra o título, esses muitas vezes ocultos sob uma retórica de imparcialidade e justiça.

A meu ver o Palmeiras se deixou arrastar para uma situação nada honrosa para sua biografia. Nunca deveria ter reivindicado esse título nos moldes em que reivindicou. Deveria, pura e simplesmente, ter tomado a iniciativa de proclamar unilateralmente a Copa Rio como uma conquista equivalente a um campeonato do mundo e passado a se considerar a si mesmo como campeão mundial. Deveria ter estampado uma menção desse título claramente em sua camisa sem pedir ordem a ninguém. Deveria ter comunicado a sua torcida essa decisão e ponto final.

E isso deveria ter sido feito anos atrás, quando o próprio clube festejou os cinqüenta anos da conquista e muitos dos jogadores ainda estavam vivos. Lembro de Jair Rosa Pinto, que veio do Rio expressamente para festejar a data com velhos companheiros. Mas as coisas se limitaram a esse festejo tímido, quando aquela seria uma boa ocasião para o clube proclamar o título e comunicar isso aos jogadores. Sei que essa pode parecer um idéia delirante e que dirigentes devem ser sensatos. Da minha parte estou cheio de tanta sensatez, em todos os níveis, aliás, que infesta e paralisa este país. Em certas circunstâncias a sensatez tem de ser deixada de lado. Da maneira como procedeu, o clube permitiu que a Fifa, a CBF e a imprensa se apossassem de seu passado e o discutissem livremente. Creio que muitos torcedores acham que qualquer coisa seja preferível a isso. A história do Palmeiras só a ele pertence.

É evidente que a Copa Rio é uma presença de dimensões incomensuráveis na imaginação dos palmeirenses e todas as gerações ouviram falar dessa epopéia, como acontece com todos os acontecimentos que já pertencem à lenda. O clube não poderia pedir, quase implorar, para que fosse reconhecido, preenchendo formulários e mandando relatórios e dossiês para as entidades. O Palmeiras tem tamanho, títulos e tradição para,ele mesmo, determinar o valor de suas conquistas, independentemente do julgamento e, principalmente, do endosso de entidades e da imprensa.

Esse é um clube orgulhoso e diferente, que nasceu com uma guerra mundial e sobreviveu a outra, acostumado a enfrentar seus tremendos altos e baixos, que aliás fazem parte de sua natureza indisciplinada e anárquica, com altivez e sem pedir nada a ninguém. Lamento que desta vez tenha se comportado como qualquer outro time.

Por Juca Kfouri às 09h25

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico