Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

14/07/2007

Empate no Morumbi: o Botafogo agradece de novo

Nem o mais fiel dos corintianos acreditaria: o Corinthians jogou melhor, bem melhor que o São Paulo no primeiro tempo, no Morumbi.

Foi quem teve a iniciativa do jogo, foi quem criou as maiores chances de gol (três, só nos primeiros 15 minutos com Rosinei, William e Finazzi) e não deixou o São Paulo criar.

Verdade que o tricolor perdeu Aloísio logo no começo do jogo, por mais uma contusão, e que com Leandro na função de criador no meio de campo (ainda mais tendo Dagoberto como opção), ninguém pode ir muito longe.

Pior: Diego Tardelli entrou em lugar de Aloísio.

Mas o fato é que o 0 a 0 da primeira metade do jogo não foi justo para o alvinegro.

O segundo tempo começou bem mais equilibrado.

E aberto, na base do lá e cá, nos 10 primeiros minutos.

Rogério Ceni se virava de um lado, Felipe se virava do outro, ambos os goleiros obrigados a fazer intervenções difíceis em estocadas seguidas dos dois ataques.

Dos 10 aos 20, no entanto, o jogo mergulhou em certo marasmo, sem emoções.

Aos 21, Muricy Ramalho tirou Leandro e botou Souza.

Aos 30, foi a vez de Júnior entrar no lugar de Jadílson.

William, de fato, dá uma nova feição ao Corinthians, embora não consiga, é óbvio, o milagre de fazê-lo ficar bonito, porque com companheiros como Pedro e Finazzi fica difícil, para não dizer impossível.

Mas, cansado, William, teve de sair, para a entrada de Dinelson, aos 31.

Aos 32, Tardelli só não marcou porque Felipe fez grande defesa.

O São Paulo assume o comando da partida.

Mas, aos 35, Everton deu para Dinelson, debaixo das traves, fazer o gol corintiano.

Pois não é que Dinelson conseguiu a façanha de mandar por cima?

Aos 37, PC Carpegiani trocou seis por meia dúzia, tirou Bruno Otávio e pôs Moradei.

Segundos depois, Dagoberto recebeu pela direita, matou e chutou cruzado, sem chances para Felipe: São Paulo 1 a 0.

Eis a diferença entre ter Dinelson e Dagoberto.

Betão saiu, entrou Dentinho.

Aos 47, Dinelson cruzou em cobrança de falta, sofrida por Dentinho, pela esquerda, a defesa tricolor fez linha de impedimento e Zelão entrou em condições legais para empatar: 1 a 1.

Ficou justo.

Com o empate, o São Paulo, como o Goiás, ficou a cinco pontos do Botafogo que, novamente, agradece.

E o tricolor está há 13 jogos sem perder para o rival (sem contar o jogo que foi anulado graças ao "caso Edílson").

Por Juca Kfouri às 21h35

O Inter dá uma respirada

O Inter saiu do Rio Grande do Sul para o Rio Grande do Norte com a obrigação de vencer o vice-lanterna América.

E saiu atrás no marcador, logo aos 11 minutos.

Mas virou.

No segundo tempo, aos 9 minutos, Pinga empatou, com categoria.

Aos 11, Pato entrou em campo.

Aos 36, Christian converte o pênalti que ele mesmo sofrera.

Por Juca Kfouri às 21h01

O Botafogo agradece ao Cruzeiro

O Cruzeiro segue em sua toada: uma no cravo, outra na ferradura.

Hoje, no Mineirão, foi no cravo.

Jogou melhor que o Goiás, fez 1 a 0 com Wágner, aos 36 do primeiro tempo e desperdiçou diversas chances para ampliar, tantas as falhas da defesa goiana.

Como quem não faz, toma, Felipe, aos 31 do segundo tempo, castigou a equipe mineira com o gol de empate goiano.

Mas, também, como o que é do homem o bicho não come, em seguida, Leandro desempatou para o Cruzeiro, de cabeça.

E a sucessão de bons resultados do Goiás foi interrompida.

A família botafoguense, penhorada, agradece.

Permanece cinco pontos na frente do Goiás.


Por Juca Kfouri às 21h00

Em quatro minutos, Santos derruba o último invicto

Foram necessárias 11 rodadas para que o Botafogo sofresse sua primeira derrota.

O Glorioso segue líder, mas a invencibilidade ficou na Vila Belmiro.

E de maneira fulminante.

Porque o alvinegro carioca foi bem melhor no primeiro tempo, amplamente superior tecnicamente ao Santos.

Que ainda perdeu Maldonado, machucado, e compensou com o coração o que faltava com a bola.

Mais ofensivo no segundo tempo, o Santos equilibrou as coisas e embora a partida fosse muito bem disputada e agradável de se ver, tinha cara de um daqueles bons 0 a 0, porque eram poucas as chances de gol.

Até que Carlinhos bateu um lateral para Marcos Aurélio sozinho dentro da grande área, numa bobeada da zaga carioca que pareceu ter se esquecido de que nãop existe impedimento em tais lances.

E Marcos Aurélio teve calma e habilidade para se livrar da zaga e fazer 1 a 0, aos 15, em belíssimo gol.

Quatro minutos depois, foi a vez de Rodrigo Tabata bater uma falta com perfeição e ampliar: 2 a 0.

Aos 44, por falta violenta, Juninho foi expulso, para acabar de vez com o Botafogo.

No minuto seguinte, em bela triangulação, Moraes fez 3 a 0, até um castigo duro demais ao líder.

Como o Santos era o Brasil quase inteiro nesta rodada do Brasileirão, o campeonato agradeceu o seu esforço para conquistar uma vitória sobremaneira marcante.

E se Dodô fez falta, não se pode debitar à ausência dele a primeira derrota botafoguense que, um dia, teria mesmo de acontecer.

O consolo é que ocorreu numa tarde em que, outra vez, o Botafogo jogou bem.


Por Juca Kfouri às 17h02

A Ilha tem dono

O Galo comprovou: quem manda na Ilha do Retiro é o Sport.

Que fez um gol em cada tempo.

E que gols, tudo que vi, por sinal.

Um do lateral-direito Diogo, de surpresa, aos 16 minutos, tão bonito que lembrou os de Josimar, na Copa do Mundo de 1986, no México.

E outro de falta, de Carlinhos Bala, aos 4 do segundo tempo, para mostrar que se Fumagalli fará falta, não será em cobranças com a bola parada.

Por Juca Kfouri às 16h57

Muito melhor para o Palmeiras

O Grêmio vencia o Palmeiras no Olímpico com gol de Ramon, de cabeça, aos 27 do primeiro tempo.

E parecia que venceria, porque embora o alviverde lutasse, o Grêmio tinha o domínio das coisas.

Aí, Mano Menezes errou.

Acontece aos melhores treinadores.

Tirou Adilson que era o melhor jogador em campo (talvez por cansaço, registre-se) e o Palmeiras, já com Valdívia em campo, começou a ameaçar.

Até que, aos 26, Luís, mesmo sem jeito, empatou.

O Grêmio pôs Carlos Eduardo para jogar e tratou de pressionar o Palmeiras, que resistiu bravamente, saiu de Porto Alegre com ótimo resultado, e interrompeu a brilhante reação gremista.

Por Juca Kfouri às 16h56

E a Polônia estava invicta

A Polônia estava invicta na Liga Mundial, jogava em casa e num ginásio, além de lotado, pra lá de entusiasmado.

Nem mesmo a vitória brasileira no primeiro set por 25 a 23 arrefeceu o grito da galera polonesa.

E foi neste grito e com um belíssimo time que os poloneses devolveram o placar do primeiro set.

Mas foi tudo que puderam.

Porque o incrível e gelado e empolgante e unido time de Bernardinho enfiou 25 a 21 no terceiro set e liquidou a fatura no quarto, outra vez por 25 a 23.

A Polônia certamente ganhará a disputa do terceiro lugar contra os Estados Unidos.

E depois verá Brasil e Rússia, na decisão da Liga Mundial.

Porque com brasileiro, no vôlei, não há quem possa.

Por Juca Kfouri às 16h15

Ouçam sempre as mulheres

Tatiana Lucas tinha razão.

Foi o próprio Botafogo quem deu a Dodô, seu marido, as cápsulas de cafeina que continham a substância proibida que resultou na suspensão do jogador.

Foi este o resultado anunciado pelo clube que mandou o material para ser examinado no laboratório da USP.

A suspeita de Tatiana causou duas reações iradas, do presidente do clube, Bebeto de Freitas, e do vice, Carlos Augusto Montenegro.

O primeiro não aceitou a desconfiança, o segundo, sempre menos equilibrado, ameaçou rescindir o contrato de Dodô.

Ambos devem desculpas ao atleta e à sua mulher.

A farmácia que manipulou o material já está lacrada e Dodô, obviamente, inocentado.

Resta saber se o Botafogo não irá se encalacrar porque, inocentemente, é claro, acabou por "dopar", segundo a legislação antidoping, todo o seu elenco.

O que dá a medida de como as leis foram feitas para ser interpretadas com bom senso e não com lógica positivista.

Mas é claro que os adversários não querem saber disso e vão procurar complicar a vida do Glorioso.

Porque, como se sabe, certas coisas só acontecem...

Por Juca Kfouri às 13h16

Sábado de vôlei e futebol

O sábado promete.

Às 15h, tem Brasil x Polônia, pelas semifinais da Liga Mundial de Vôlei.

Os poloneses, invictos, e em casa.

Os brasileiros, bem, são os brasileiros...

E com os brasileiros, no vôlei, faz tempo, não há quem possa.

Em seguida, às 16h, três jogos pelo ultimamente escondido Campeonato Brasileiro.

O Leão recebe o Galo, no Recife.

E o rubro-negro é o mais cotado para vencer.

Na mesma situação, o Grêmio, provavelmente com Carlos Eduardo, pega o Palmeiras, com Valdívia já no banco, no Olímpico.

E o Santos testa o líder invicto Botafogo em sua primeira partida sem Dodô, na Vila Belmiro, no jogo mais atraente da 11o. rodada.

Depois, às 20h, duas partidas.

Em ambas, dureza para os anfitriões.

O América que vem de bela vitória no Paraná enfrenta o Internacional, que é favorito e terá o retorno de Pato.

E o Cruzeiro, em mau momento, pega o Goiás, em ótimo.

Finalmente, às 20h30, no Morumbi, o traumatizado Corinthians, com William de volta, desafia o São Paulo, de quem tem sido freguês de caderneta.

Vencê-lo será tarefa de Hércules no atual momento técnico, político e policial do alvinegro.

Por Juca Kfouri às 23h19

13/07/2007

Foi bonita a festa, Pan!

Foi bonita a festa de abertura do Pan-2007, no Maracanã.

Bem brasileira.

O publico carioca é dos mais alegres do mundo e festeiro como poucos, o que ajuda, e muito.

E não se irritou nem com o atraso de meia-hora, outra marca registrada nossa.

E vaiou o presidente da República, duas (na verdade, seis) vezes, como é de praxe no Maracanã.

O que, provavelmente, levou Lula a ser o primeiro presidente a não declarar a abertura dos Jogos, desde 1951.

Coisas nossas, muito nossas.

Mas teve Villa-Lobos, Vinícius de Moraes, Tom Jobim, uma lindíssima Daniela Mercury, Aquarela do Brasil, Elza Soares e seu pessoalíssimo Hino do Brasil, luzes, cores, fogos, coros, e a miss Brasil, outro colosso.

Chato mesmo só o discurso de Carlos Nuzman, muito maior do que, em regra, são os discursos em ocasiões do tipo.

Joaquim Cruz acendendo a pira Pan-Americana foi emocionante.

Como, de resto, foi a festa.

Começou bem.

Que termine ainda melhor.

Por Juca Kfouri às 20h40

A hipocrisia não tem endereço fixo

A HIPOCRISIA NÃO TEM ENDEREÇO FIXO

Por Apolônio Abadio do Carmo*

"Observatório do Esporte"

A mídia brasileira, nos últimos meses, não fala de outra coisa senão dos jogos pan-americanos. Os noticiários enaltecem as moderníssimas instalações, os 42 países envolvidos, o número de atletas participantes e, logicamente, as chances de medalhas dos competidores brasileiros. Os jornalistas, em clima de festa, transferiram seus estúdios e realizam suas reportagens dentro das majestosas instalações da vila olímpica, entrevistando atletas de diferentes modalidades esportivas.

Em meio a tudo isso, as políticas públicas brasileiras de educação, esporte e lazer, saúde e muitas outras continuam bradando em alto e bom tom o famoso ideário da inclusão, da não discriminação, da equidade de oportunidades, e da igualdade de direitos. Entretanto, apesar desse grito histórico ecoar por todo o mundo, os dirigentes dos comitês olímpicos e paraolímpico não tiveram a coragem de transformar essas políticas em práticas efetivas.

Estamos falando da inadmissível, inaceitável e contraditória concepção de que os jogos parapan-americanos devem ser realizados após os jogos pan-americanos. Aceitar essa postura passivamente é legitimar que os segundos são menos importantes que os primeiros; que existem atletas de primeira e segunda categoria; que há campeões e "campeões"; ídolos e "ídolos".

A pergunta que não se cala é por que os atletas deficientes não podem competir com os seus pares no mesmo espaço e tempo dos outros atletas? Será que os organizadores não conseguiriam intercalar as provas esportivas e aproveitar, de uma só vez, o público presente, a segurança, os voluntários e toda a parafernália montada para os jogos pan-americanos?

Não! A questão não é técnica ou organizacional, mas de hipocrisia generalizada. Os dirigentes do Comitê Paraolímpico Brasileiro, por exemplo, gastaram todos os seus esforços, nos últimos anos, preparando os atletas brasileiros para essa competição. Entretanto, esqueceram da formação política desses atletas, perdendo, em casa, uma ótima chance de mudar a história dos jogos mundiais, de tornar realidade um sonho, o de ver nas vilas olímpicas atletas deficientes e não deficientes entrevistados, circulando e competindo com seus pares.

Justificar essa separação com argumentos econômicos, ou de que a vila não comportaria todos os atletas de uma só vez, não faz sentido, porque as dependências para os jogos foram planejadas e estão sendo construídas há vários anos. Infelizmente faltaram, na época certa, vontade política e visão de futuro dos dirigentes dos comitês olímpico e paraolímpico brasileiros.

As políticas públicas cortadas transversalmente pelo ideário da inclusão, da equidade de oportunidades e igualdade de direitos, mais uma vez foram esquecidas e negligenciadas, prevalecendo os discursos vazios e hipócritas, dos homens e mulheres sempre contrários à discriminação e às injustiças, mas favoráveis à igualdade universal entre os homens, porém, numa concepção de homem, mundo e sociedade em que se vêem e se acreditam mais iguais que os outros, deixando claro que a hipocrisia não tem endereço fixo.

* Professor aposentado da Universidade Federal de Uberlândia; Membro pesquisador do "Observatório de Políticas de Educação Física, Esporte e Lazer" (Observatório do Esporte) – CNPq/Unicamp.

Por Juca Kfouri às 15h00

Parabéns atrasados?

Na correria da ida a Belém, esqueci:

O Clube dos 13 completou 20 anos de vida no dia 11 de julho.

Merece os parabéns?

Era para ter se transformado na Liga dos clubes brasileiros.

Virou uma mera agência que intermedeia contratos de TV.

Pfiu!

Por Juca Kfouri às 13h36

Como enfrentar a Argentina?

O quarteto mágico mudou de lado.

E funciona.

Véron, Riquelme, Messi e Tevez.

Como fazer para pará-lo?

Não vale usar corda, nem arco e flecha, nem, muito menos, metralhadora.

Nem Fernando.

Se Dunga pensa mesmo nele só pode ser por estar querendo terminar o jogo com apenas 10 jogadores.

Se não pensa, está resolvido: irá de Elano no lugar do suspenso Gilberto Silva.

Mas deveria pensar com um pouco mais de ousadia.

Deveria pensar na entrada de Diego, para dar um mínimo de criatividade e toque de bola à seleção da CBF.

Poria Josué e Mineiro exatamente no posicionamento que tinham no São Paulo e dava tão certo, Júlio Baptista, porque vem dando resultado e, ao menos, Diego, o mais argentino dos nossos jogadores de meio de campo nesta Copa América.

Porque um Robinho só é pouco para envolver os hermanos.

E os brasileiros não podem abdicar de preocupar os argentinos.

Se entrar com quatro brucutus novamente é muito provável que saia de quatro do gramado de Maracaibo.

Ou entre para a história por ter vencido, na Copa América passada, mesmo com um time mais fraco, a Argentina na final.

Por Juca Kfouri às 23h08

12/07/2007

E a 11o. rodada do Brasileirão começou

O Paraná Clube desce a ladeira.

Depois de perder, em casa, para o América, foi novamente derrotado em seus domínios.

E pelo Figueirense, que sobe a ladeira: 2 a 1.

Como sobe o Vasco, que passou pelo desfalcado Atlético Paranaense, em São Januário, 1 a 0, gol de Leandro Amaral, aos 40.

Antes, o Furacão teve um gol mal anulado por impedimento inexistente, numa partida, no máximo, sofrível.

Ruim mesmo foi o resultado de empate entre Juventude e Náutico, 1 a 1.

Ruim para o time pernambucano, péssimo para o gaúcho, dois candidatos ao rebaixamento.

E assim começou a 11o. rodada do Brasileirão, quase clandestinamente.

Por Juca Kfouri às 21h30

A pior das crises da história corintiana

Você se lembra que houve quem dissesse que daria nisso que deu?

Tanto em relação à MSI como em relação ao calote que o Corinthians queria dar no Lyon, achando que encontraria respaldo numa corte internacional.

Os resultados estão aí.

Bens bloqueados da MSI, pedido de prisão de seus dirigentes e a direção corintiana igualmente indiciada por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Além da derrota óbvia no caso Nilmar, com o Corinthians, repita-se, o Corinthians, não a MSI, condenado a pagar 8 milhões de euros que, é claro, não tem.

E por não ter, sob risco de graves punições por parte da Fifa.

E não pense que se chegou ao fundo do poço.

Lembra que houve quem dissesse que o Corinthians comemoraria seu centenário, em 2010, na mais cava das depressões?

Pois é.

E não pense que há algum prazer em tais constatações.

Ao contrário.

A maior parte dos que fizeram tais alertas sempre torceu para estar errada, por querer o bem do Corinthians, como quer o bem de qualquer grande clube brasileiro.

Apenas, por antipático que soe, porque quem avisa amigo é.

E, também, porque o jornalismo feito com seriedade obriga que as coisas sejam mostradas como as coisas são.

Por Juca Kfouri às 16h41

Para refletir sobre o mundo de hoje

 

Por  Jorge Olímpio Bento

Reforma, metamorfose e desmemoriação

A BOLA, 12.07.2007

Lisboa 

 

Decidi ser pós-moderno e neoliberal. Ora isto implica não ter passado, esquecê-lo e recusá-lo. Não existem, portanto, nunca existiram, a casa pobre onde nasci, a aldeia ignota donde vim, o país de fome e miséria, opressão e escuridão em que cresci, a dura escola das letras e da vida que frequentei, os princípios e valores em que me criei, os ideais que acalentei, as lutas em que participei, as conquistas que testemunhei, os progressos de que beneficiei, o contexto cívico e ético em que me formei, a Universidade à qual me entreguei.

Sou reforma e metamorfose. Fica para trás, desmentido e desfeito, tudo o que acumulei, defendi e pratiquei ao longo dos anos. Tudo passou e está fora de moda: os ensinamentos dos livros, a história e a filosofia, a memória e a esperança, o direito e a política, as diferenças ideológicas e programáticas dos partidos, as convicções e utopias, os gritos de revolta e liberdade, as canções românticas. Estou a deitar tudo fora.

Tudo isso me apouca, aprisiona, incomoda e persegue. É um espelho de imagens que me desafia e agride a consciência e faz a vida difícil. Exige coerência, persistência, esforço e empenhamento e torna-me cúmplice da injustiça à solta. Eu não suporto isso. Quero mudar de rumo, não ter face nem identidade; embarcar na onda do deleite, do oportunismo, cinzentismo e comodismo. Trocar o apego à firmeza e defesa da verdade pela adesão à fluidez das conveniências. Quero estar do lado donde sopram os ventos e não encarar o monte de lembranças inquietantes e de compromissos assumidos nesta caminhada longa e grisalha. Uma a uma, quero apagar as imagens dos sítios por onde andei, as missões e causas que abracei. Não tenho espaço para tanto arquivo. Detesto o Outono e Inverno; quero viver sempre entre a Primavera e o Verão.

Também quero esquecer a cidade, as praças e casas, até porque já não existem de facto, demolidas que foram para dar lugar a bancos e outros templos do mercado e finança. Vou riscar da memória os cinemas, cafés, teatros, igrejas, clubes, campos de jogos e demais centros de convívio e tertúlia e, no seu lugar, registar as construções, estruturas e entidades que hoje esbravejam para povoar todo o espaço que nos separa do céu e para impor deuses superiores aos que foram meus.

Não retenho nada da infância; arranco molduras penduradas na parede do tempo. Não são mais quadros merecedores do meu apreço. Olho para trás e entranha-se em mim a sensação de estranheza em relação ao emaranhado de sentimentos que me levavam a pensar nos outros e a conter a indiferença, o individualismo e egoísmo. Morra o bem público e viva o interesse privado!

Agora que nenhum edifício resta na memória, eu não sei dizer o que sou e se existo, já que não me consigo ver a mim próprio. Só sei que não vou voltar para a casa antiga. Não quero saber de quem lá vivia e de como vai viver para além dela. Não quero saber que lá vivi, nem de quem não tem e nunca terá casa. Quero apenas evitar que as ruínas resistam ao meu projeto de desmemoriamento e teimem em avivar este sentimento de vazio ruim, o único que fica de todos os que ferem a minha carne e se atravessam no caminho de me libertar do passado.

Para o serviço da conversão ficar bem feito, reduzirei a cinza e nada toda a reminiscência que possa roubar tempo à decisão de me entregar, de modo acelerado, vistoso e confesso, à novidade e à criação da minha descomprometida condição de pós-moderno e neoliberal.

De professor passei a facilitador; não há mais lições para dar. Pertenço, de corpo inteiro, a esta sociedade incapaz de tudo, inclusive de notar as diferenças. Doravante a minha memória está limpa do que me ligava ao passado. De resto o que não se passou não pode ser passado; o que não sucedeu não pode ser lembrança. Sou expressão da desmemoriação. Oiçam bem: recuso, renego e abjuro o passado. Todo eu sou eterno presente, sobrevivo no limbo das inovações e adaptações permanentes. Desta forma reciclado, estou apto a subir no aparelho de Estado – ou noutro qualquer – e a aceder ao exercício das mais altas funções. Se assim o quiser a divina ou outra providência, eu vou longe.

Claro que carreguei nas tintas; mas exagerar é uma maneira de alertar.

Por Juca Kfouri às 15h41

Corinthians e MSI denunciados na Justiça

Demorou, mas aconteceu.

Por meio do juiz Fausto Martins Sanctis, da 6o. Vara da Justiça Federal, foi acatado o pedido do Ministério Público Federal que denunciou a MSI e a direção do Corinthians pelo crime de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Além disso, estão congelados os bens da MSI no país, o que impede que ela movimente o dinheiro que tenha em bancos.

E foi pedida, à Interpol, a prisão de Boris Berezovski, Kia Joorabchian e Nojan Bedroud, o diretor financeiro da MSI.

Foram denunciados também, embora sem pedido de prisão por residirem no Brasil, Alberto Dualib (presidente do clube), Nesi Curi (vice-presidente), o advogado da MSI, Alexandre Verri e Renato Duprat, braço direito de Dualib, além de Paulo Angioni, hoje no Vasco, ex-homem forte do futebol da parceria Corinthians/MSI. (Nota do Blog: acréscimo feito às 15h49).

O inquérito do MPF, em suma, chegou às mesmas conclusões do GAECO, do Ministério Público de São Paulo, em abril de 2005.

Por Juca Kfouri às 12h36

11/07/2007

A Argentina sobra

A Argentina teve seu adversário mais difícil até aqui na Copa América.

E segue invicta e 100%.

O México, que derrotou o Brasill sem maiores dificuldades, até assustou, mandando duas bolas no travessão argentino.

Mas a Argentina meteu três bolas no gol, além de dominá-la a maior parte do tempo.

Riquelme, por exemplo, não brilhou.

Mas deu o primeiro gol em cobrança de falta e fez o terceiro num pênalti cobrado com crueldade.

Messi também não foi lá muito bem.

Mas fez um gol de antologia, por cobertura, o segundo.

E Carlitos Tevez, além da bravura, deu o passe do gol de Messi e sofreu o pênalti convertido por Riquelme.

Em bom espanhol: a Argentina está sobrando na Copa América.

É favorita disparada na final, o que não significa que já é a campeã pela 15o. vez.

Porque quando jogam Argentina e Brasil tudo é possível, até o oitavo título nacional.

Mas será tão surpreendente que até este blogueiro se juntará ao Pachecão no foguetório.

EM TEMPO: aos 32 minutos do segundo tempo, exatamente quando Verón saiu de campo para entrar Gago, este escriba também saiu do hotel para tomar o vôo de volta para São Paulo.

Portanto, se houve mais gols, não vi, embora ainda tenha visto o gol perdido por Palacio que entrou no lugar de Tevez

Por Juca Kfouri às 22h35

Coisa rara!!!

Chego em Belém, entro no hotel, subo ao quarto e ligo a TV.

A tempo de ver o último ponto da...Bulgária.

O que é isso?

Como vocês deixaram?

O Brasil perdeu no vôlei?

Não se entende mais este mundo...

 

Por Juca Kfouri às 13h24

O blog pára no Pará

Este blog deverá ficar em silêncio durante toda a quarta-feira.

Porque o blogueiro passará as próximas horas voando, se a Infraero permitir.

Bem cedinho irá para Belém, onde, à tarde, participará de uma mesa no 59o. Congresso da SBPC, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

O tema: Justiça, Política e Futebol: Crime e Castigo, ao lado do jurista José Paulo Cavalcanti Filho e do jornalista Ricardo Noblat.

Terminado o debate, jantar e aeroporto, para voltar a São Paulo.

E não me cobrem porque o blog do Noblat deverá permanecer ativo.

Porque ele explora o filho..., coisa que este blogueiro não faz, por trabalhar sozinho.

Algo que os também blogueiros Jorge Bastos Moreno e Bob Fernandes poderão confirmar pois conhecem Noblat de longa data... 

Por Juca Kfouri às 23h30

E deu Brasil!

O jogo em Maracaibo começou bem.

Com os brasileiros buscando a iniciativa do jogo e com os uruguaios respondendo com altivez.

E na primeira chance real de gol, o gol aconteceu.

Júlio Baptista desceu bem pela direita depois de receber de Maicon, cruzou para Vágner Love que fez o corta-luz para entrada de Mineiro, que fuzilou.

O goleiro uruguaio defendeu parcialmente e a bola sobrou para Maicon abrir marcador: 1 a 0.

Tínhamos 12 minutos de jogo.

E o gol, diga-se, foi à moda Dunga, com um meio-campista se apresentando pela direita e com outro aparecendo de surpresa para finalizar.

Aí, os uruguaios pareceram sentir o golpe e a seleção da CBF tomou conta.

Pena que apenas por três minutos, porque houve um apagão no estádio.

E o jogo ficou parado por 13 minutos.

Quando voltou, voltou morno, até que os uruguaios o esquentaram.

E bastante.

Doni fez duas defesas importantes em chutes de Forlan e Recoba, aos 40 e aos 43.

A resposta veio aos 47, com belíssima jogada brasileira, que começou pela esquerda, chegou na direita com bola cruzada para Vágner Love que se desequilibrou e não a alcançou. .

No minuto seguinte, Doni socou mal o escanteio batido por Recopa e a bola sobrou a feitio para Forlan empatar: 1 a 1.

O jogo era bom e duro, como se esperava, embora antes do apagão tenha até dado a sensação de que poderia ser resolvido com facilidade.

Aos 53, foi a vez da defesa uruguaia falhar feio.

Maicon bateu falta pela direita e ninguém marcou Júlio Baptista que, com o pé, desempatou: 2 a 1.

Não era lá muito justo, mas, também, não chegava a ser injusto o placar do primeiro tempo.

O Uruguai voltou sem Recoba, que não estava mesmo 100% fisicamente, mas que havia infernizado a defesa brasileira com suas bolas alçadas na área, sempre venenosas.

O jogo ficou picado e de baixo nível.

Se o time amarelo não tem quem faça um lançamento longo, o uruguaio também ficou sem o seu especialista.

E com os dois times muito fechados e tentando jogar em toques curtos, não acontecia nada.

Com 20 minutos do segundo tempo, o gol era uma improbabilidade quase absoluta.

Um perde e ganha da bola até irritante.

Até que, aos 24, na primeira jogada de linha de fundo, a bola veio cruzada da esquerda e encontrou a cabeça de Forlan que desviou para Abreu empatar: 2 a 2.

A falta de criatividade brasileira era castigada e a uruguaia premiada.

Poderia ter acontecido, perfeitamente, o contrário.

Mas a semifinal estava empatada.

E Dunga pôs Fernando e Diego nos lugares de Josué e Júlio Baptista.

Fernando ganhou a primeira dividida, coisa rara no time brasileiro na partida, e, em seguida, o primeiro cartão amarelo, por entrada desclassificante.

E, aos 33, Afonso substituiu Vágner Love.

De cara, simulou um pênalti. Em vão.

Em seguida, foi pilhado em impedimento duvidoso.

Curiosamente -- ou não é tão curioso assim? --, desde que Diego entrou em campo a seleção da CBF tomou as rédeas da partida.

O jogo acaba empatado e o Brasil permanece sem vencer o Uruguai desde 1999.

Vieram os pênaltis.

Robinho fez a primeira cobrança e, desta vez, com perfeição: 1 a 0.

Forlan chutou no meio do gol e Doni defendeu com a perna: 1 a 0.

Juan não deu chance ao goleiro: 2 a 0.

O Uruguai diminuiu: 2 a 1.

Gilberto Silva, como Juan: 3 a 1.

O Uruguai diminuiu: 3 a 2.

Afonso -- que medo!-- bateu na trave: 3 a 2.

O Uruguai empatou: 3 a 3.

Diego fuzilou: 4 a 3.

O Uruguai empatou: 4 a 4.

Fernando -- que medo -- chutou na trave: 4 a 4.

O Uruguai bateu na trave: 4 a 4.

Que coisa!

Gilberto não vacilou: 5 a 4.

Lugano bateu no meio e Doni se adiantou um montão e pegou com as mãos!: 5 a 4.

Notas

Doni fez duas ótimas defesas e falhou no primeiro gol: 6,5

Maicon teve um erro grave sem conseqüência e dois acertos que valeram os dois gols brasileiros: 6,5

Alex fez sua melhor partida na Copa América: 7,5

Juan jogou como sempre: 7

Gilberto tem óbvios limites no apoio: 5,5

Gilberto Silva trabalhou bastante, tomou o segundo cartão amarelo e está fora da Copa América: 6

Mineiro poderia ter insistido em ser o elemento surpresa: 6,5

Josué desta vez foi mal, principalmente nas roubadas de bola e nas divididas: 5

Júlio Baptista é um guerreiro, que compensa na força o que não tem em técnica: 6,5

Robinho tentou jogar mais para o time do que para ele: 6

Vágner Love fez bom primeiro tempo e mau segundo: 6

Diego melhorou o desempenho geral: 7

Fernando é tosco: 5

Afonso também: 5

Dunga tem por que comemorar e, tomara, entrar com Diego desde o começo na final: 7.

Por Juca Kfouri às 23h11

10/07/2007

Os 10 melhores times para inglês ver

Na relação dos melhores times de todos os tempos feita pela revista inglesa World Soccer, dois fatos chamam a atenção pelas ausências e um pela presença:

1.a injustificável falta do maravilhoso time do Santos dos anos 60, o que desmoraliza qualquer lista do tipo;

2. e a nenhuma menção às seleções brasileiras campeãs em 1962(era basicamente o time de 1958 quatro anos mais velho, mas sem Pelé nos quatro últimos jogos da Copa do Chile), em 1994 (que o Dunga não saiba...) e em 2002.

Não há menção a elas nem entre os 20 times escolhidos, dos quais publico os 10 primeiros abaixo;

3. Já a Seleção Brasileira de 1982 aparece entre os 10 melhores times de todos os tempos (que o Dunga, outra vez, não saiba...), como aparece a de 1958 que, cá entre nós, porque tinha Mané Garrincha e Pelé juntos, foi ainda melhor que a de 1970:

1 Brazil 1970
2 Hungary 1953
3 Holland 1974
4 Milan 1989-90
5 Brazil 1958
6 Real Madrid 1956-60
7 Brazil 1982
8 Barcelona 1991-94
9 Italy 1934-38
10 France 1998- 2000

http://www.worldsoccer.com/greatest/

Por Juca Kfouri às 16h55

Respeite os uruguaios

O que você lerá abaixo é o texto da coluna de Ugo Giorgetti, publicada no jornal "O Estado de S.Paulo", logo depois do empate entre Brasil e Uruguai, 3 a 3, em Curitiba, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.

É imperdível e o guardei como dos melhores que já li.

Por UGO GIORGETTI

No ano 2000, Franklyn Morales, um dos mais antigos e venerados jornalistas esportivos uruguaios, estava lançando um livro em que revisitava mais uma vez a Copa do Mundo de 50.

Sabendo da minha presença na cidade, Morales me convidou para o lançamento.

Imaginei um lançamento convencional, numa livraria, com o autor distribuindo autógrafos e pessoas em trajes esportivos bebericando vinho branco, rindo e falando alto.

Não é assim que as coisas se passam em Montevideo.

O lançamento foi noGolf Club, com seus enormes salões revestidos de madeira escura.

As pessoas estavam vestidas para uma ocasião especial, as mulheres com penteados elaborados, os homens em impecáveis paletó e gravata.

Conhecendo felizmente os uruguaios tinha tomado precauções que permitiram apresentar-me num nível de decência razoável.

No salão reservado para o evento havia uma mesa onde se empilhavam os livros, atrás da qual estavam sentados o próprio Morales e outra pessoa mais jovem que logo descobri ser um sociólogo.

Havia muita gente.

O sociólogo falou primeiro e não me lembro bem do que disse.

Daí veio Morales e seu tom era outro.

Relembrou com crescente emoção as condições desiguais da disputa, com o grande time brasileiro que já se achava campeão, o público fanatico do Maracanã, a absoluta arrogância da imprensa e das autoridades brasileiras.

Falou de Zizinho, Jair Rosa Pinto e Ademir.

Depois falou do Uruguai, daquele punhado de homens sem medo enfrentando tudo, Obdulio, Gighia, Schiaffino, onze contra cento e cincoenta mil! Levantou-se da mesa, punhos erguidos, para bradar num gran finale: "foi a vitória da humildade contra a soberba!"

Nesse momento me viu entre os assistentes.

E surgiu imediatamente a outra face desse povo admirável.

Julgando que tivesse de alguma forma me ofendido chamou imediatamente a atenção de toda a sala para o "amigo brasileiro" que lhe dava a honra de sua presença e passou a quase se desculpar pela vitória uruguaia naquele perdido 1950.

Isso, entretanto, não impediu que, para terminar, os presentes fossem convidados a ouvir a irradiação do histórico gol de Gighia.

De algum lugar da sala surgiram ruídos de uma gravação ancestral de meio século.

Não era possível distinguir quase nada, apenas no fim o grito de gol, intenso, porém distante, como vindo do fundo da memória.

Houve um silêncio depois do gol e as pessoas começaram a se retirar.

Entre elas um homem de cabeça muito branca que recebeu muitos abraços e foi saindo majestosamente da sala.

Era Roque Maspoli, o goleiro e, na ocasião, um dos poucos sobreviventes da equipe mitológica.

Todo esse ritual seria ridículo em qualquer parte do mundo.

Menos no Uruguai.

Em Montevideo ele acaba por se revestir de uma insuspeitada grandeza, de uma nobreza quase comovedora, feita da necessidade permanente de cultuar seus heróis para manter a qualquer custo essa identidade oriental feita de bravura e gentileza.

É difícil enfrentar essa gente.

Por Juca Kfouri às 10h08

Deu no "Lance!", de domingo

Não deixe de ler. É brilhante.

Por MARCELO DAMATO

O verdadeiro legado ambiental do Pan de R$ 4 bi


Cartola do Co-Rio diz que tudo está dentro do cronograma. "Rigorosamente"



O secretário-geral do Co-Rio, Carlos Roberto Osório, merece ser indicado como legado ambiental do Pan de R$ 4 bilhões.

Sua impavidez ao dizer certas coisas mostra que seu rosto não é feito de músculos, mas de matéria vegetal rígida.

Para quem dúvida, basta conhecer o que disse quinta-feira, ao inaugurar o Complexo de Deodoro.

– Como tudo, essa obra está rigorosamente dentro do cronograma.

Essa declaração também acaba com a idéia de certas coisas aconteceram por acaso. Está tudo rigorosamente dentro do cronograma.

Na Vila Pan-Americana, os atletas e os mosquitos estão adorando a comida.

Os atletas almoçam no refeitório, e os mosquitos jantam nos quartos.

Uma atleta disse ter sido picada porque "vacilou".

Pura desinformação.

Os mosquitos a atacaram porque estavam rigorosamente dentro do cronograma.

Os atletas, aliás, convivem com obras.

A Vila devia ter sido entregue em janeiro, mas não o foi até agora por um atraso que está rigorosamente dentro do cronograma.

A venda de ingressos nas bilheterias foi adiada várias vezes para ficar rigorosamente dentro do cronograma.

As filas monstruosas que se formaram no primeiro dia também.

O dano causado a quem comprou pela internet, tendo o preço debitado do cartão sem receber o ingresso, foi uma falha absurda rigorosamente dentro do cronograma.

As raias da Lagoa Rodrigo de Freitas, apesar dos partidores automáticos, fabricados na Hungria, ficaram com profundidades diferentes, segundo os próprios atletas.

Tudo rigorosamente dentro do cronograma.

O mato da beirada que ameaça eliminar competidores, conforme alerta de caiaquistas brasileiros, também cresceu dentro do cronograma.

O carpete das plataformas, que ameaça machucar os saltadores, segundo Juliana Veloso, é de um modelo errado colocado rigorosamente dentro do cronograma.

A troca do carpete, decidida a uma semana da abertura, igualmente está.

A queda de um carro da TV oficial do Pan num buraco existente dentro do Centro de Imprensa estava no cronograma.

O tempo gasto para tirar o carro do buraco também.

Esse cronograma é demais.

Tudo cabe dentro dele.

De todas as Maravilhas do Mundo, deve ser a maior.

Por Juca Kfouri às 00h01

Brasil e Uruguai, nem 50 nem 70

Sempre que Brasil e Uruguai se enfrentam o assunto volta à tona:

a decisão do Mundial de 50, no Maracanã, e a semifinal da Copa de 70, no México.

Então, 2 a 1 para o Uruguai, 57 anos atrás, e 3 a 1 para o Brasil, há 37 anos.

Desta vez, no entanto, não se fala nem de um nem do outro jogo.

Provavelmente porque esta semifinal da Copa América não empolgue tanto.

Mas, seja como for, trata-se de um Brasil e Uruguai.

Jogos duros, em regra.

Tanto que de 1999 para cá houve cinco, com quatro empates e apenas uma vitória, do Uruguai.

Foram três 1 a 1, um 3 a 3 e um 1 a 0.

Dos quatro empates, três foram pelas eliminatórias das Copas do Mundo de 2002 e 2006 e um pela Copa América de 2004, também nas semifinais, como hoje, e que acabou com vitória brasileira, na disputa em pênaltis

O favorito hoje, em Maracaibo, é o Brasil, sem dúvida, mesmo que sem sua força máxima, ao contrário do adversário.

Mas contra os uruguaios todo cuidado é pouco.

É gente que merece respeito.

E Maracaibo lembra Maracanã.

Pronto.

Já toquei no que não devia.

Por Juca Kfouri às 23h47

09/07/2007

Dunga ou tunga?

Uma explicação técnica: jornais dominicais fecham suas colunas na madrugada de sábado para atender a distribuição da edição nacional pelo país inteiro.


O fechamento "quente" só é possível na edição local e para seus assinantes.


Razão pela qual fiz duas colunas para a edição da "Folha de S.Paulo" no último domingo.


A primeira era a reprodução do que havia escrito aqui, no blog, sobre Brasil 3, Chile 0.


A segunda, já com o comentário sobre o 6 a 1, não está acessível, via Internet, nem para os assinantes da "Folha" ou do UOL, razão pela qual a reproduzo abaixo.



Dunga ou tunga, eis a questão


Juca Kfouri


O que mais uma fácil vitória diante do frágil Chile pode significar? A solução é usar quatro volantes?


DESTA VEZ foi fácil.


Facílimo.


Em menos de 25 minutos estava tudo resolvido, com 2 a 0.


E em menos de 30, 3 a 0.


Parece que o porre que os jogadores chilenos tomaram no hotel não foi para comemorar a classificação, como se anunciou, mas de pavor por ter de enfrentar de novo a seleção da CBF.


O futebol chileno inexiste, sabe-se, mas também não será correto desconhecer que o time brasileiro fez tudo certo para tornar as coisas tão fáceis.


Tão certo que embute um risco óbvio: Dunga achar que o quarteto de volantes é a melhor solução, ainda mais que Júlio Baptista (de quem gosto, registre-se) até gol fez, o segundo, como Josué, o quinto.


Contra o Uruguai, mais forte em todos os sentidos que o Chile, é que não vamos ver mesmo jogadores mais criativos como Diego e Anderson.


E, numa possível final, diante de Argentina ou México, é que ele não arriscará.


Afinal, time bom é o que ganha, segundo a filosofia de Dunga.


Verdadeira tunga ao jeito brasileiro de ver e de gostar de futebol, capaz de até hoje celebrar aquela seleção de 1982, para horror de nosso treinador em exercício.


Enfim, sempre é bom vencer e agora é pensar na semifinal.


Sem esquecer, no entanto, que até aqui adversário de verdade só foi o México.


E foi o México quem venceu.


Mas que a seleção pareceu mais entrosada, lá isso pareceu.


DÉCIMA RODADA


Ao contrário da seleção da CBF que tem dois goleiros que não podem vestir a camisa que já foi de Barbosa, Gilmar, Taffarel e Marcos, o único jogador do Corinthians que pode vestir sua camisa titular é o goleiro Felipe.


Outros jogadores há que podem estar no grupo, entrando aqui ou ali, mas jamais como titulares.


Daí, ao contrário de Dunga que fica feliz com qualquer vitória, PC Carpegiani pode até ter motivos para se alegrar quando empata, porque a pobreza de seu elenco não merece nem o lastimável 1 a 1 diante do Fluminense.


Verdade que o elenco do Palmeiras não é tão melhor e, mesmo assim, o time está na posição em que está, quando já são decorridas 10 rodadas, marca mágica que permite fazer previsões um pouco menos chutadas que as de antes de o campeonato começar.


Cujas, incluem o Botafogo e o São Paulo como favoritos.


O primeiro pela desenvoltura do futebol que mostra, muitas vezes com requinte.


O segundo pela quantidade equilibrada que tem no elenco, qualidade essencial no sistema de pontos corridos, o melhor.


A sorte de muitos times, Corinthians incluído e deixe o Santos fora disso, é que os três times nordestinos pintam inexoravelmente como rebaixáveis (o que é de se lastimar, diga-se), o que impõe apenas uma vaga para um eventual grande, sem que o Juventude esteja passando firmeza.


Mas se o Corinthians não achar uma solução para sua vida política, que claramente influencia os resultados no gramado, é candidatíssimo a essa vaga.


Aliás, a diferença entre o sereno comando no Parque Antarctica e falta de no Parque São Jorge também explica muita coisa.


Por Juca Kfouri às 13h12

Copa América surpreendente

A Copa América chega às semifinais, com o joio separado do trigo, embora o Paraguai não seja exatamente joio.

Mas levou azar ao perder seu goleiro e ficar com apenas 10 jogadores nem bem o jogo começou diante do México.

Entre os quatro semifinalistas, dois grandes do futebol mundial, um ex-grande e um aspirante a sê-lo.

Argentina e Brasil dispensam comentários.

De fato, o Uruguai não é nem sombra mais do que já foi, embora, pela tradição, e passado recente nos confrontos com os brasileiros (não perde desde 1999 - quatro empates e uma vitória uruguaia em cinco jogos), mereça respeito.

Além do mais, tem em Lugano um zagueiro que se impõe e uma boa dupla de ataque, com Forlan e Recoba.

O México, mesmo sem sua força máxima nesta Copa América, busca um lugar ao sol e tem investido nesta direção.

E dinheiro, ao contrário do Uruguai, é o que não falta ao futebol mexicano.

A Copa América mostrou surpresas agradáveis.

Por exemplo: 72 gols em 22 jogos, com média de 3,2 gols por jogo.

Apenas seis empates, com só dois sem gols.

E presença de público em todos os jogos.

Nem por isso tem comovido a torcida brasileira, que a vê como um torneio de tênis entre estrangeiros, sem foguetórios ou gritaria nem nos gols brasileiros.

Coisa que deve permanecer assim mesmo que a seleção da CBF ganhe o título, como aconteceu na última edição.

E olhe que, então, os vínculos não estavam tão esgarçados, porque vínhamos da conquista do penta, não da frustração do hexa na Alemanha, naquelas circunstâncias.

Seja como for, tirante a chatice da disputa do terceiro lugar, tudo indica que teremos três jogos muito interessantes para ver nas semifinais e final.

Por Juca Kfouri às 11h11

08/07/2007

Argentina, calma, paciente e brilhantemente

O Peru entrou em campo com um objetivo claro: levar o jogo aos pênaltis.

E se deu bem no primeiro tempo.

O 0 a 0 não saiu do placar porque a Argentina, por mais que tivesse a bola em seu poder, só conseguiu levar perigo ao gol peruano por três vezes, numa delas com Messi que acabou no travessão.

Mas era pouco, muito pouco, apesar da louvável paciência argentina, que buscava cozinhar o Peru em fogo lento.

Os argentinos voltaram com Tevez em lugar de Milito no segundo tempo.

E, com menos de dois minutos, Tevez e Riquelme tabelaram para Riquelme abrir o placar.

O talento, em regra, prevalece.

Não restava ao Peru outra alternativa que não sair para o jogo.

Seria a degola?

Parecia.

Porque aos 5 Tevez cabeceou no travessão, em belo cruzamento de Zanetti.

Nem sempre ter um centroavante tipo referência como Milito é a melhor solução.

Aos 15, Riquelme, brilhante, achou Messi enfiado pela direita na grande área e o menino do Barça ampliou, entre as pernas do goleiro.

Como o uso do cachimbo deixa a boca torta, o Peru não sabia como atacar a Argentina, que continuou dona do jogo, mesmo sem brilhar.

Aos 26, Alfio Basile tirou o experiente Verón e botou o garoto Gago, do Real Madrid, em seu lugar.

Três minutos depois, pela esquerda, Tevez e Messi tabelaram e Messi fuzilou.

O goleiro espalmou e o rebote sobrou para Mascherano fazer o terceiro gol de sua carreira, o segundo pela seleção argentina. E seguido.

O talento, em regra, repita-se, prevalece.

Aos 37, saiu Cambiasso, entrou Aimar.

E como se fez para recepcionar Teves e Gago, Aimar também foi homenageado pelos companheiros com um gol, outro de Riquelme, em jogada que começou com o goleiro Abbondanzieri para reparar uma lambança, continuou com Tevez e culminou no quarto gol.

O talento, alguém já disse, em regra, prevalece.

E sobram talento e opções no time argentino.

Verdade que a média de seis gols por jogo nas quartas-de-final caiu para 5,5, por causa dos argentinos, que ficaram devendo dois gols.

Mas eles são os únicos que venceram as quatro partidas que disputaram.

Agora, terão o México pela frente.

Dá para encarar?

Sempre dá.

Mas é preciso muita calma nesta hora.

Por Juca Kfouri às 20h43

Federer, o gramático

Pedem que se comente o pentacampeonato de Roger Federer em Wimbledon.

E vem a pergunta: falar mais o que de Roger Federer?

Mas tem uma constatação, também: se Federer mostrou uma evidente evolução no saibro ao perder para Rafael Nadal na final em Roland Garros, o espanhol mostrou hoje algo equivalente na grama inglesa.

E, daí, outra pergunta: quem será o primeiro a bater no outro no piso em que cada um tem sido imbatível num torneio do Grand Slam?

Por Juca Kfouri às 18h17

México arrasa o Paraguai

O mais aguardado duelo da Copa América até agora acabou por não acontecer.

O México triturou o Paraguai: 6 a 0, maior goleada do torneio.

Também, pudera.

Com dois minutos de jogo o goleiro paraguaio fez pênalti, foi expulso e os mexicanos abriram o placar.

Onze contra 10, ficou fácil, e já no primeiro tempo a vitória foi construída em ritmo de treino, com mais dois gols.

No segundo, o quarto e o quinto, também de pênalti, e o sexto, para fechar com chave de ouro, aos 45

O México é semifinalista e espera pelo resultado de Argentina e Peru, que jogam daqui a pouco, para saber quem será seu adversário, embora todos já saibam de cor e salteado.

Uruguai 4, Venezuela 1; Brasil 6, Chile 1; México 6, Paraguai 0.

Dezoito gols nos três jogos das quartas-de-final.

Quanto será Argentina e Peru?

Por Juca Kfouri às 17h57

Resumo da 10o. rodada

A média de público da 10.rodada foi de 10.148 pagantes por jogo.

O Mané Garrincha recebeu a maior platéia, com 24.923 torcedores, seguido pelo Morumbi, com 17.027.

Os piores públicos ficaram por conta da Vila Capanema, com 3.290 e pela Vila Belmiro, com 3.414.

O Santos precisa urgentemente repensar sua vida e começar a jogar no Pacaembu.

Foram poucos gols também, só 22, em 10 jogos.

Um 0 a 0, dois empates, três vitórias de visitantes, cinco dos anfitriões.

Fla e Flu são os times com mais empates, cinco cada um, só que o rubro-negro jogou oito vezes e o tricolor 10.

O Mengo, como o Náutico, tem apenas uma vitória.

O América é o time que mais perdeu: sete vezes.

Por Juca Kfouri às 11h19

Galo e Galoucura: escândalo

Por ALEXANDRE SIMÕES



A Galoucura, maior torcida organizada do Atlético, fez um protesto ontem no Mineirão contra o preço elevado dos ingressos.


E gritou palavras de ordem contra o presidente Ziza Valadares.


No vestiário, o cartola reagiu dizendo que a manifestação só aconteceu porque ele parou de dar ingressos para a torcida.


Além disso, questionou a diretoria da Galoucura afirmando que na Série B, no ano passado, a diretoria deu ônibus para viagens dos torcedores e que os lugares no ônibus foram vendidos.


E Ziza afirmou, ainda, que os ingressos que eram passados pela diretoria do Atlético para a Galoucura também era vendidos pelos diretores da torcida.


Ziza afirmou também que diminuiria o preço dos ingressos se a Galoucura passasse a pagar direitos pela utilização da marca do Atlético nas suas camisas.

O presidente da Galoucura, Gustavo Lima, reagiu ao afirmar que a torcida recebia apenas 50 ingressos e vendia as entradas para comprar 100 entradas de estudantes.


Além disso, questionou por que o presidente Ziza Valadares não combatia a pirataria.

No final, Lima deu uma declaração que em qualquer país sério do mundo teria muita repercussão.


Mas no Brasil do mensalão, dos bois do Renan, dos sanguessugas, das ambulâncias, com certeza será esquecida rapidamente.


Declaração que comprova como funcionam as coisas em nosso futebol:

"E o Ziza Valadares já me deu dinheiro para apoiar a campanha dele.


Me deu dinheiro para fazer faixa para o Ricardo Guimarães ficar.


Pedindo para a gente cantar o nome dele.


Toda vez que ele ia lá na Galoucura a Galoucura cantava o nome dele.


Foi pago.


Faixas de apoio com o dinheiro do próprio bolso dele.


Eu recebi, R$ 400, várias quantias.


Isso era para fazer a faixa e gritar o nome dele na arquibancada."

A entrevista do Gustavo Lima, presidente da Galoucura, foi concedida ao repórter Thiago Reis, da Rádio Itatiaia, na porta do Mineirão, antes do jogo Atlético x Grêmio.

Por Juca Kfouri às 23h29

Dodô pego pelo antidoping

Nota Oficial do Botafogo

A notícia do encontro de uma substância proibida no exame antidoping do jogador Dodô, realizado no dia 14 de junho, após a partida contra o Vasco, pelo Campeonato Brasileiro, pegou a direção do Botafogo de Futebol e Regatas de surpresa, deixando atônitos todos os que convivem com o atleta diariamente no clube.

O Botafogo tratará o assunto com toda a atenção e cuidado que a situação merece, pois ele diz respeito à carreira de um jogador conhecido por sua exemplar conduta profissional, em mais de uma passagem por General Severiano.

A direção do Botafogo esperará o total e definitivo esclarecimento dos fatos para se pronunciar, mas aproveita para ressaltar que no dia 6 maio, após a segunda partida pela final do Campeonato Carioca, contra o Flamengo, Dodô foi submetido ao exame antidoping e nenhuma anormalidade foi constatada.

No dia 16 de maio, dessa vez ao final do jogo contra o Figueirense, pela Copa do Brasil, o atleta passou novamente pelo teste e mais uma vez nada foi encontrado. Dodô foi sorteado ainda para o antidoping no dia 30 de junho, após o jogo contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. Esse exame ainda não foi processado.

Bebeto de Freitas

Presidente

Botafogo de Futebol e Regatas

Por Juca Kfouri às 23h17

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico