Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

21/07/2007

Os três jogos de hoje e os sete de amanhã

Vasco e Galo não fizeram mesmo um bom jogo, como era de se prever.

Mas por culpa do time mineiro e o Vasco venceu, 4 a 0, com toda justiça, dois gols do colombiano Martin Garcia, um de Alan Kardec e outro do argentino Conca, os três últimos quando o Atlético só tinha 10 jogadores, por causa da justa expulsão de Lima, que pegou o colombiano por trás.

O Galo foi para São Januário em busca de um empate e quase não houve futebol no primeiro tempo.

O Vasco queria vencer.

Venceu e mereceu, no mínimo, mais um gol.

Já o Furacão conseguiu a proeza de ser o primeiro time a perder em Natal.

O Mecão fez 2 a 0 no primeiro tempo, viu o time paranaense ensaiar uma reação, mas soube segurar o 2 a 1, mesmo sob forte pressão.

Em Caxias do Sul, clássico foi clássico e vice-versa.

O Juventude interrompeu a reação colorada, venceu por 2 a 0, e deixou o Corinthians na zona do rebaixamento, pelo menos por esta noite.

Corinthians que tem o Náutico neste domingo pela frente, no Morumbi, às 16h.

Fácil?

PC Carpegiani sabe o que o Náutico fez com o time dele no Pacaembu, na Copa do Brasil.

Cruzeiro e São Paulo, no Mineirão, fazem uma partida vital para ambos.

Ao Cruzeiro que, quem diria, já começa a falar em ser campeão.

Ao São Paulo, bem, Muricy Ramalho sabe bem por quê.

No Olímpico, dá pena do Flamengo.

Só mesmo daquelas coisas que às vezes acontecem com o rubro-negro para livrá-lo de mais uma derrota, agora diante do Grêmio.

Fluminense e Goiás devem fazer um jogo equilibrado, em Vitória.

Às 18h10, mais três partidas.

O Santos recebe o Figueira.

Vida dura, mas obrigação de triunfo.

O Paraná Clube recebe o Palmeiras.

Vida duríssima e...sem prognóstico.

E o Sport, invicto na Ilha do Retiro, pega o líder Botafogo, traumatizado ainda sem Dodô e vindo do fim de sua invencibilidade.

Adivinhe que estádio terá o maior público da 13o. rodada?


Por Juca Kfouri às 18h50

Ciúmes de homem

A derrota do futebol masculino brasileiro no Pan não tem a menor importância.

Uma seleção sub-17 não poderia esperar algo muito melhor, ao enfrentar times mais velhos e mais fortes.

Entre o Pan e o Mundial sub-20 era natural que Brasil, Argentina, Chile, Estados Unidos e México, escolhessem o torneio do Canadá.

Jamaica, México, Bolívia e Equador disputarão as medalhas e é de se notar, apenas, a presença mexicana que, apesar de tudo, chegou lá.

A CBF, como quem não quer nada, deu seu presente ao COB, com quem mantém relações apenas protocolares.

Ricardo Teixeira e Carlos Nuzman disputam o amor de João Havelange.

E como já dizia Ulysses Guimarães, nada é pior do que ciúmes de homem.

Mas não há de ser nada: tem o time feminino para ver.

E este tem valido a pena, mesmo sem apoio.

Por Juca Kfouri às 18h38

Façanhas e façanhas

Danielli Yuri Barbosa acaba de se classificar para a final no judô ao bater a lutadora argentina Daniela Krukower, campeã mundial na categoria até 63 kg.

Eis aí, de fato, uma façanha.

Como é uma façanha a de Thiago Pereira, que já ganhou seis ouros na natação, e pode chegar a oito, amanhã, embora, neste caso, sem adversários à sua altura.

E outra façanha é o tricampeonato pan-americano do handebol feminino, com facilidade.

Por Juca Kfouri às 11h18

Pan, Pan, Pan, Pan!

Três reportagens de hoje, sábado, na "Folha de S.Paulo".

As duas primeiras de Fabio Grijó e Paulo Cobos.

A terceira de Eduardo Ohata.

 

Mar poluído tira Poliana da piscina

A poluição do mar de Copacabana fez a primeira vítima do Pan.

Poliana Okimoto não pôde competir ontem nos 800 m livre após sofrer por quatro dias com diarréia e vômito.

Ela participou, no último sábado, da prova de maratona aquática e obteve a prata.

Segundo o médico Marcos Bernhoeft, que acompanha a equipe de natação, a ingestão da água do mar provocou infecção intestinal na atleta.

"O mar estava revolto, e ela bebeu muita água do mar, que não é isenta de bactérias e coliformes fecais.

Na segunda-feira, ela começou a vomitar e teve diarréia", disse o médico.

De acordo com Bernhoeft, Poliana não melhorou até anteontem, véspera da prova.

"Na terça, ela ficou 12 horas tomando soro na veia. Eu julgava que a diarréia fosse parar, mas persistiu."

O médico explicou que os casos de infecção intestinal levam de três a cinco dias para serem curados.

Segundo ele, a atleta apresentou quadro leve de desidratação. "Como a prova é longa [800 m], não seria prudente disputar."

Poliana decidiu não participar e ontem, às 8h30, foi desligada da equipe.

Ela foi a São Paulo com o técnico e marido, Ricardo Cintra. Bernhoeft disse que a atleta fará exames para detectar se há risco de doenças como hepatite.

Segundo a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Rio), a praia de Copacabana é recomendada para o banho. (FG E PC)


Joanna Maranhão diz que presidente da CBDA é ditador e ouve resposta

A festa de medalhas da natação nacional aconteceu no mesmo dia de um forte tiroteio entre Joanna Maranhão e Coaracy Nunes, o presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos).

A pernambucana, que ficou ontem fora do pódio dos 200 m medley, chamou o cartola de ditador. "Ele está há 19 anos no poder. Isso não pode acontecer."

Segundo a nadadora, Coaracy só se importa com quem dá resultados.

Disse que os colegas da modalidade têm medo de falar o que pensam sobre ele com receio de perderem o patrocínio dos Correios e que a confederação peca em alguns aspectos técnicos.

Ela falou ter certeza de que o dirigente "vai fazer algo" para prejudicá-la.

"Mas eu não vou ficar calada. Se ele me tirar da seleção, posso até competir por outro país", disse Joanna, abrindo a chance de se casar com estrangeiro para ganhar a cidadania de outra nação.

Coaracy rebateu as acusações de Joanna, quinta colocada nos 400 m medley na Olimpíada de Atenas-2004.

"A única maneira de a Joanna aparecer é falar mal da CBDA. Afinal, ela não dá mais resultado técnico", afirmou o cartola, que deu sua justificativa para o fato de a nadadora não ter mais verba dos Correios, o patrocinador da sua entidade.

"Ela não cumpriu algumas cláusulas do contrato com os Correios. Não usava a camisa [com a logomarca dos Correios] nem foi à festa anual que os Correios fazem. Isso era obrigatório pelo contrato. E eles [a empresa] resolveram encerrar o contrato neste ano."

O cartola diz que a CBDA não persegue atletas e retrucou a crítica de Joanna pelo seu longo reinado na entidade.

"Ela que se candidate", disse o dirigente. (FG E PC)

 

Cuba supera aguaceiro e EUA na final; fãs sofrem 

Finalmente, Cuba e EUA fizeram a final do beisebol ontem.

Se no campo se viu o melhor da modalidade, na platéia parecia show de pegadinhas.

Os efeitos das chuvas que adiaram a decisão do ouro para ontem ainda eram sentidos.

Se o campo não apresentasse condições de jogo novamente, a confederação pan-americana decidira que ambas as equipes seriam ouro. México, que partiu ontem pela manhã, e Nicarágua dividiram o bronze.

Com bolsões de água acumulados, o toldo cedeu em várias oportunidades e resultou em banhos no público e na mídia, em típica cena de ""pegadinha" dos programas de TV. Quem não estava embaixo da lona, tinha a atenção desviada pelo som de água atingindo assentos -e pessoas-, ou por quem saía buscando outros lugares.

"Não é algo que vai me tirar daqui. Não é constante", disse José Carrera, da delegação do Equador. Outro jato d'água atingiu assentos próximos a ele, afugentando seus vizinhos.

Quase só, seguiu os colegas.

Funcionários retiravam água com a ajuda de sifão.

Como artistas de circo, faziam contorcionismo para se pendurar nas estruturas que sustentavam a lona. Tudo sem equipamento de segurança.

"É horrível. É uma falta de segurança, desvia a nossa atenção", disse Rossana Ramirez, 28, fonoaudióloga.

Torcedores próximos a ela perguntavam o que os funcionários faziam pendurados. "Acho que tirando a água, ou fazendo sair mais rápido. Ah, ah, ah, os bacanas [embaixo deles] vão é ficar ensopados", arriscou um deles, acomodado sob o sol.


Quem usava bandeirinhas de seu país para se proteger do calor eram os entusiasmados cubanos que foram à Cidade do Rock.

Ofuscados pelos gritos dos demais membros da delegação, os campeões olímpicos Teófilo Stevenson (boxe), Regla Torres (vôlei), Feliberto Ascuy (luta greco-romana) e Alberto Juantorena (atletismo) passavam meio despercebidos.

Uma experiência interativa à torcida: a baixa altura da grade de segurança que separava o público do campo permitiu que uma bola fosse rebatida para a platéia.

Ao aterrissar, logo foi levada como suvenir por uma senhora cubana, que festejou a vitória de seu país por 3 a 1.


 

Por Juca Kfouri às 09h50

20/07/2007

Começa a 13o. rodada

Três jogos abrem a 13o. rodada do Brasileirão, amanhã, às 18h10.

São Januário vê Vasco e Galo e pode ver qualquer coisa.

Até um bom jogo, que é o menos provável.

No Machadão, se duvidar, o Furacão confirma sua goleada da rodada passada com outra.

Ou será que o América ganhará sua primeira partida em Natal?

Já em Caxias, clássico estadual.

O favoritismo é todo colorado, embora o Juventude já esteja com a corda no pescoço e ou reage ou se afunda de vez.

Sobre o Pan: note que até agora não caiu nenhum recorde mundial.

O último importante, aliás,  foi quebrado em 1987, vinte anos atrás.

Só em Atenas, nas últimas Olímpiadas, foram quebrados 21 recordes mundias.

Nota

Corrigi de 1979, como havia escrito, para a data correta, 1987, segundo me informou o jornalista Odir Cunha, cuja comentário, misteriosamente, desapareceu, assim como a resposta que lhe dei, ao agradecer.

Mas, em resumo, respondi, porque ele acha que é elitismo se preocupar com recordes mundiais, que o papel do jornalista é informar as coisas como as coisas sao e que o ufanismo é coisa de torcedor, nada a ver com a imprensa.

 

Por Juca Kfouri às 10h05

19/07/2007

Palmeiras e Santos empatam, Mengo desce, Goiás e Grêmio se seguram

Palmeiras e Santos empataram 2 a 2 no Palestra lotado.

Em jogo equilibrado e emocionante o Santosl teve a felicidade de ver um chute da intermediária de Kléber acabar entrando no gol verde por falha de Diego Cavalieri.

O Palmeiras empatou em seguida, mas Pedrinho, ainda no fim do primeiro tempo, desempatou novamente.

Aos 48, porém, do segundo tempo, Souto marcou contra e fez justiça.

Até porque o Palmeiras pede um pênalti, discutível mesmo, e reclama que houve inversão na marcação da falta que originou o primeiro gol, com razão.

Mas o fato é que o Palestra quase ficou frustrado, ainda mais porque Edmundo perdeu duas chances de ouro.

Em Goiânia, o de sempre quando o Grêmio sai de casa.

Primeiro, cautela.

Depois, se der, um golzinho.

Hoje não deu e Goiás e Grêmio ficaram no 0 a 0, até bom para os dois nas atuais circunstâncias da tabela.

E o Flamengo perdeu.

Tomou 2 a 0 do Paraná Clube, diminuiu, ainda no primeiro tempo, pôs Obina aos 15 do segundo tempo em Uberlândia, mas perdeu.

E já faz sete jogos que não ganha.

E por mais que tenha jogos a menos, namora o rebaixamento.

Já pensou: Flamengo e Corinthians na Segundona?

O que fará a Globo

Por Juca Kfouri às 21h32

Ouro que vale ouro

Há ouros e ouros.

O do vôlei feminino é de lei.

Porque fruto de um embate entre o que há de melhor, de fato, na América: Brasil x Cuba.

E foi um jogaço.

As brasileiras saíram na frente, 27/25.

As cubanas reagiram:25/22.

As meninas de Zé Roberto devolveram:25/22.

E o quarto set foi épico.

As brasileiras tiraram uma diferença de cinco pontos, mas, no fim, deu Cuba: 34/32, de matar do coração.

Tinha mesmo que haver um quinto set.

Nervos de aço,

Cuba fez 1 a 0.

E 2 a 0.

No saque, Cuba errou: 1 a 2.

No bloqueio, o Brasil empatou: 2 a 2.

E de novo no bloqueio, virou: 3 a 2.

O 4 a 2 veio na cortada.

Paula Pequeno, uma gigante, fez 5 a 2.

Tempo pedido pelo treinador cubano.

A narração em espanhol é deliciosa.

Mas o próximo ponto é das cubanas: 5 a 3.

Que diminuem mais: 5 a 4.

Sheila não alivia: 6 a 4.

Invasão cubana: 7 a 4.

Cuba reage: 7 a 5.

Paula faz 8 a 5.

Tempo técnico.

Faltam sete pontos para o ouro brasileiro, 10 para o cubano.

Brasil erra o saque: 8 A 6.

E Cuba faz mais um: 8 a 7.

O Brasil crava: 9 a 7.

As cubanas empatam com dois pontos seguidos: 9 a 9.

Que jogo!

As duas seleções a seis pontos do ouro.

E numa defesa fantástica com um ataque dificílimo, Cuba passa: 10 a 9.

Sheila empata, numa deixadinha brilhante: 10 a 10.

Depois de duas defesas sensacionais, Sheila bota o Brasil na frente: 11 a 10.

Cuba empata: 11 a 11.

Mas erra no ataque seguinte: Brasil 12 a 11.

Novo empate: 12 a 12.

Será mesmo que só faltam três pontos para o ouro?

Num belo rali, Sheila faz 13 a 12.

Sassá saca e Sheila faz o 14 ponto.

Só falta um, um pontinho, um ponto, um pontão.

De ouro.

Cuba faz 14 a 13.

Sheila tenta duas vezez, a bola volta da defesa cubana e, na terceira, ela bota na rede: 14 a 14.

Não era mesmo jogo para acabar em 15.

Cuba faz 15 a 14.

O Brasil empata.

Cuba na frente: 16 a 15.

E depois de um rali maluco, a medalha de ouro é cubana.

Não há do que reclamar.

O novo time cubano, num ginásio lotado, é campeão.

As cubanas do vôlei devolveram, 16 anos depois, no Rio, o que as brasileiras do basquete fizeram sob as barbas de Fidel Castro ,em Havana.

Por Juca Kfouri às 16h13

Noite em que tudo é possível

Do jeito que está o Brasileirão, qualquer prognóstico é chute.

Hoje, por exemplo, às 20h30, pode acontecer qualquer coisa nas três partidas que quase completam a 12o. rodada(quase porque sem o líder Botafogo...).

Ou alguém duvida que o Paraná Clube possa vencer o Flamengo, no Parque do Sabiá, em Uberlândia?

Ou que o Santos derrote o Palmeiras, no Parque Antarctica?

Ou, ainda, que o Grêmio supere o Goiás, no Serra Dourada?

Este, aliás, é o jogo mais empolgante na luta pela liderança, a partida que reúne mais pontos -- 19 do Goiás, 17 do Grêmio -- os donos da casa com chances de ficar a dois pontos do Botafogo e os visitantes a quatro.

Boa, também, é a chance de outro Verdão, o Palmeiras, que pode ficar a apenas três pontos do líder.

E dura é a vida do Mengo, que fará apenas seu nono jogo no campeonato, o que distorce tudo e o deixa numa situação incômoda, daquelas que exigem muita cabeça fria para não impressionar os jogadores. 

Por Juca Kfouri às 10h46

Orgulhos uruguaios

Conversando ontem com um historiador do futebol uruguaio, o jornalista Franklin Morales, a quem conheço desde a Copa do México, em 1986, soube de algo que jamais tinha chamado minha atenção: o Brasil nunca derrotou o Uruguai em Montevidéu em jogos para valer, ou seja, eliminatórias da Copa do Mundo ou campeonatos sul-americanos, hoje chamados de Copa América.

Foram oito jogos, com três empates e cinco vitórias uruguaias, motivo de orgulho para eles que, infelizmente, hoje vivem muito mais do passado glorioso de seu futebol, duas vezes campeão olímpico, quando não havia Copas do Mundo, e duas vezes campeão mundial.

Também para a Argentina o Uruguai jamais perdeu em Montevidéu.

Tratei de verificar na página da CBF e é isso mesmo.

Vitórias em Montevidéu, do Brasil, só em Copas Rio Branco e, assim mesmo, apenas duas, em 1932 e 1976.

Quanto às vitórias uruguaias no Brasil, basta citar uma, né?

A na final da Copa de 1950...

Por Juca Kfouri às 10h18

18/07/2007

Meio mandante, meio visitante

Fosse uma pizza e a meia dúzia de jogos que iniciaram a 12o. rodada seria dividida meio a meio.


Três visitantes venceram, três mandantes também.


O Sport conseguiu um grande resultado em Floripa ao vencer o Figueira por 1 a 0, no finzinho, gol de Carlinhos Bala.


A primeira vitória fora de casa do Leão o levou lá para cima e permite supor que Geninho fará, outra vez, bom trabalho no Brasileirão.


Tão boa, e mais difícil, foi a vitória do Flu, gol de pênalti cobrado por Somália, sobre o São Paulo no Morumbi às moscas.


Rogério Ceni bateu falta, outra vez, na trave.


Fazia tempo que o São Paulo não perdia, mas agora faz tempo que não ganha.


Ainda fora de casa, o Cruzeiro deu no cravo e passou pelo condenado Naútico por 4 a 1.


Os outros três mandantes fizeram prevalecer o favoritismo.


A começar pelo Inter que, com dois gols de Pato e um de Adriano, jogou o Corinthians para a perigosa situação de namorar o rebaixamento: 3 a 0.


A continuar e a terminar pelo Galo e pelo xará paranaense que golearam: Zetti respira com os 4 a 1 impostos sobre o América e o Furacão afundou o Juventude, por 4 a 0.


Nada vi em Montevidéu, só ouvi, via Internet.


Não houve dúvida sobre o pênalti no Morumbi, mas houve controvérsias sobre o pênalti que valeu o primeiro gol no Beira-Rio.


Como não vi nem um nem outro, você me diz se houve ou não.


Gracias.

Por Juca Kfouri às 22h40

A 12o. rodada vem aí

O Inter, de luto com a morte de seu ex-presidente Paulo Amoretty no acidente da TAM, vem de duas vitórias e pega o Corinthians, que não sabe o que é vencer faz tempo, no Beira-Rio.

O Colorado é favorito às 21h45, mas, também, não está com essa bola toda, além de enfrentar um time que progrediu na última partida.

No mesmo horário, no Morumbi, o São Paulo não terá facilidade para superar o Fluminense, mas tem a obrigação de fazê-lo, como tem de segurar Josué.

Náutico e Cruzeiro, nos Aflitos, também às 21h45, fazem um jogo que é um interrogação só, porque os pernambucanos estão em casa e os mineiros ainda não deixaram claro se hoje é o dia do cravo ou da ferradura.

Antes, ãs 20h30, o Galo recebe o América.

Nem é bom pensar no que acontecerá se não vencer, mas não deve se esquecer que o time potiguar tem feito fora o que não faz em Natal.

Já o xará paranaense faz um jogo duro com o retrancado Juventude.

Duro porque o rubro-negro também está longe de ser confiável.

E, finalmente, por hoje (tentarei ver pelo menos um jogo por aqui, coisa difícil, porque o Pan tem preferência nas emissoras esportivas uruguaias e argentinas, como é de lei, no hotel em que estou não tem a Globo internacional, apenas a Record), às 19h30, tem Figueirense e Sport, duro desafio para outro rubro-negro que precisa mostrar serviço fora de casa.

Por Juca Kfouri às 10h05

Mais uma tragédia no ar

Hoje é feriado em Montevidéu, dia do Juramento à Constituição.

A cidade, de 1 milhão e meio de habitantes, absolutamente tranqüila se comparada a São Paulo ou Rio, está ainda mais em paz.

Uma paz que lembra tristeza, porque o dia está cinzento e, certamente, por causa de meu estado psicológico, desde ontem abalado com o que aconteceu em Congonhas.

Sem antecipar conclusões, uma coisa é certa: o pessoal da aviação civil vinha dizendo que uma tragédia era iminente no aeroporto.

A sorte que o time do Grêmio teve ao mudar de planos e não embarcar no vôo fatíidico, não a teve o ex-presidente do Inter, e advogado do Corinthians no caso Nilmar, Paulo Amoretty.

Fica difícil falar nos jogos desta noite.

Mas será o tema da nota a seguir.

Por Juca Kfouri às 09h51

17/07/2007

No "Globo" de hoje

Crianças e críticos

Por FERNANDO CALAZANS

Dunga dedicou o título da Copa América às crianças de todo o mundo, o que é muito edificante. Por causa de mensagem semelhante, ao marcar seu milésimo gol, no Maracanã, Pelé sofreu zombarias. Ele pediu que olhássemos pelas criancinhas do Brasil. Não olhamos e, hoje, quase 40 anos depois, damos razão ao Pelé. Dunga voltou ao tema, justificando que as crianças são puras.

São puras, não têm inveja nem rancor. Foi o que ele disse, ainda no campo, na Venezuela, e tem repetido depois.

A mensagem de Pelé foi pura, como as crianças. A de Dunga nem tanto. Ela contém uma boa dose de ironia, dirigida aos seus críticos e aos críticos da seleção brasileira em sua caminhada até o título da Copa América. Sobretudo por causa das palavras "inveja" e "rancor". Foi a queixa velada de Dunga ao que ele considerou rancor e inveja dos críticos.

Inveja e rancor dos críticos? Pode ser, sim. Críticos não são crianças, perderam a pureza. Dunga tampouco é criança. É exatamente como os críticos. Sempre dedicou, e nunca fez questão de disfarçar, absoluto desprezo pela seleção de 82 e pelos jogadores da seleção brasileira de 82, derrotados na Copa da Espanha. Desprezo (inveja? rancor?, não sei) porque jogaram bonito e perderam. Mais desprezo porque jogaram bonito do que porque perderam.

Ele, Dunga, valoroso campeão mundial de 94, venceu, mas nunca jogou bonito, porque nunca soube. E o Falcão, o Sócrates, o Zico, o Júnior, o Leandro sabiam.

Essa coisa de jogar bonito e jogar feio, de perder e vencer, essa dualidade, esse antagonismo impregnaram os críticos e impregnaram o Dunga - desde a derrota em 82 e a vitória em 94. Dunga e uma parcela de seus companheiros de vitória nunca suportaram as críticas à sua seleção e menos ainda suportaram os elogios e homenagens aos derrotados de 82.

Infelizmente, estabeleceram-se, sobretudo no futebol brasileiro, as alternativas "bonito ou feio", "vitória ou derrota".

Se déssemos mais atenção a Tostão - mestre do futebol e mestre, hoje, da crônica esportiva, e que, por ser da seleção de 70, está acima da seleção de Zico e acima da seleção de Dunga - aprenderíamos que uma coisa não exclui a outra. É o que ele vive a ensinar, e nós nos recusamos a aprender. Ou seja: pode-se ganhar jogando bonito. Como se pode ganhar jogando feio. Pode-se perder jogando feio ou jogando bonito.

Dou exemplos: a seleção de 82 perdeu jogando bonito; a seleção de 94 ganhou jogando feio; e a seleção de 70, a tal do Tostão, ganhou jogando bonito, bonitíssimo, assim como a de 58, aquela de Garrincha e Pelé. Eis por que, professor Dunga, essas duas seleções, as de 58 e 70, são mundialmente consideradas as melhores seleções brasileiras de todos os tempos: porque venceram e porque jogaram bonito. Ou seja: uniram o útil ao agradável. Simplificaram. O que mais tarde, para infelicidade do futebol, viraria uma dualidade, essas duas seleções praticaram num gesto só. A harmonia em vez do antagonismo. O prazer em vez do sacrifício. Já que estamos com o Tostão, eis outra lição do mestre, retirada de sua última coluna: "É lamentável o desprezo de Dunga e de tantos outros técnicos pela qualidade do futebol."

E de certos críticos também, acrescento eu. Sim, a qualidade. É lamentável, assino embaixo, porque técnicos profissionais, esses que se intitulam "professores", deviam ser os primeiros a zelar pela qualidade de seu trabalho, de sua profissão - de sua obra.

Em todo esse contexto, eu diria que a seleção de Dunga, no último jogo, até que se saiu bem: ganhou sem jogar feio. Jogou muito melhor do que a Argentina.

Sem pureza, porque não sou criança, mas também sem ironia e sem rancor.

 

Por Juca Kfouri às 19h14

No "Estadão"de hoje

Desafios da seleção
 

LUIZ ZANIN

Amigos, a meu ver a seleção brasileira tem dois problemas a resolver, que se tornam mais evidentes com a vitória na Copa América. Talvez os dois estejam interligados.

O primeiro diz respeito à forma de jogo e à sua eficácia. A forma é uma expressão do estilo, da escola brasileira, feita de ginga, inventividade, técnica apurada, jogadas imprevisíveis, etc. Vocês sabem: aquelas qualidades que fizeram o nosso futebol famoso no mundo todo.

A eficácia se refere à maneira como esse estilo de jogo se mostra capaz (ou não) de vencer. Ele se impôs com clareza em 1958, 1962 e 1970 - para ficar nas Copas do Mundo. Perdeu em 1974, 1978 e, sobretudo, 1982, naquele jogo batizado de A Tragédia de Sarriá.

O segundo desafio da seleção é o seu relacionamento com o torcedor brasileiro, que parece ter esfriado. Os motivos são vários e já foram apontados e discutidos pelos melhores cronistas: jogadores que saem cada vez mais cedo para o exterior e perdem contato com o País, mercantilização da imagem da seleção pela CBF, ausência de jogos no Brasil, etc. Esse distanciamento se aprofundou com a derrota para a França na Copa de 2006.

Fica a pergunta: se essa seleção de 'estrangeiros' se tornar vencedora, nós a sentiremos mais próxima? Se ganhar o hexa na África do Sul, voltaremos a nos apaixonar por ela? Na eventualidade de o Brasil sediar a Copa de 2014, teremos por aqui uma renovada febre de paixão pelo escrete? Voltará ele a ser a pátria em chuteiras, expressão que hoje tendemos a ridicularizar?

A julgar pelas declarações após a vitória, Dunga tem clareza sobre alguns pontos. Primeiro: vencer é tudo, e o resultado anula as críticas. Segundo, o título deve ser suficiente para 'resgatar a auto-estima do torcedor brasileiro, aquele trabalhador que mora no subúrbio e só tem alegria com a seleção'. Ele se esquece de que o consolo do homem do subúrbio talvez seja maior com seu time do que com a seleção, mas esta é uma outra história.

Ou seja, para Dunga, é vencendo que a seleção se recoloca no lugar de honra simbólico do povo brasileiro. Será que é assim mesmo? Ele não entende que um retorno ao 'estilo brasileiro' seja imprescindível. Talvez porque esse estilo não exista mais, ou tenha se tornado obsoleto no futebol moderno ou mesmo porque ele, Dunga, não tenha grande apreço pela escola brasileira da bola. Não existindo uma identidade estilística a defender, apenas o resultado conta. Ganhou, tem razão. E a vitória, por si só, será capaz de recompor os laços fragilizados entre a seleção e sua torcida.

No entanto, devemos lembrar que o estilo brasileiro de jogar futebol não é algo neutro, uma invenção da cabeça de cronistas. É uma espécie de linguagem, marca registrada, construída e depurada ao longo de gerações de craques, de Friedenreich a Domingos, de Leônidas a Garrincha, de Zizinho a Pelé. Uma linguagem corporal que fala às pessoas porque elas se reconheceram nessa forma de jogo. Ou talvez sentiram naqueles jogadores uma espécie de ideal a ser atingido, que expressava o que gostaríamos de ser e não necessariamente o que éramos de fato. Nos imaginávamos completos como Pelé, irreverentes como Garrincha, sábios como Didi, inteligentes como Tostão, valentes como Jairzinho.

Daí porque talvez os resultados, que são fundamentais, não digam a última palavra sobre o relacionamento entre o torcedor e a seleção. O Brasil de 2007 certamente não é o mesmo daquele dos anos 1960 e 1970. Qual a 'linguagem' futebolística que nos falaria hoje à alma e nos faria retomar o antigo caso de amor com a seleção?

Leia, também, se puder, em "O Globo", a coluna de Fernando Calazans, infelizmente impossível de ser copiada e colada para ser aqui postada.

Por Juca Kfouri às 17h22

Alma uruguaia

Um texto maravilhoso, que diz muito à alma, do extraordinário escritor uruguaio Eduardo Galeano, publicado hoje, 17/7.

 

La celeste, que estuvo en los cielos


Por EDUARDO GALEANO


Hace más de medio siglo que el Uruguay fue campeón del mundo, en el inmenso estadio de Maracaná. Desde entonces, traicionados por la realidad, buscamos consuelo en la memoria.

Si aprendiéramos de ella, todo bien, pero no: nos refugiamos en la nostalgia cuando sentimos que nos abandona la esperanza, porque la esperanza exige audacia y la nostalgia no exige nada.

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El Bebe Coppola, de profesión peluquero, era también el director técnico del club de fútbol del pueblo de Nico Pérez. Esta era la orientación ideológica que daba a sus jugadores:

–La pelota al suelo, los punteros bien abiertos y buena suerte muchachos.

El Bebe Coppola no tuvo nada que ver con Maracaná. Pero fue como si lo estuvieran escuchando: así de simple, así de bien, jugaron aquellos uruguayos la final de 1950.

Más de medio siglo después, todo al revés: jugamos al pelotazo y que Dios se apiade; nuestros punteros, los wings, los alados, ya no vuelan y parecen más bien sonámbulos que deambulan por el centro de la cancha; nuestro fútbol es cerrado, avaro, pesado; y la buena suerte no nos acompaña. Mucho no la ayudamos, la verdad sea dicha, aunque nos sobran ideólogos dispuestos a proporcionar inteligentísimas explicaciones a cada uno de nuestros desastres.

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En aquella final de Maracaná, Uruguay cometió la mitad de las faltas que cometió Brasil.

Pero más de medio siglo después, abundan los uruguayos que dentro y fuera de la cancha confunden el coraje con las patadas y creen que la garra charrúa es otro nombre del crimen. En los partidos internacionales, nunca faltan los inflamados locutores y los hinchas rugientes que antes gritaban: métale, métale, y ahora mandan: mátelo, mátelo. Y hasta hay expertos comentaristas que elogian lo que llaman la falta bien hecha, que es el asesinato cometido cuando el árbitro está de espaldas, y la patada de ablande, que es la que se propina cuando el partido recién empieza y el árbitro no se anima a echar a nadie.

Hemos llegado a creer que no hay nada más uruguayo que jugar al borde de la tarjeta roja. Y si el árbitro la muestra, y quedamos con diez jugadores, ésta es la prueba de que el rival juega con doce: el juez nos ha robado, una vez más, el partido. Y entonces la autocompasión, pobrecito paisito, se nos llena de diminutivos.

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A partir de Maracaná, en realidad, hemos ido de mal en peor.

Quizás algo tenga que ver la decadencia del fútbol con la crisis de la educación pública. Nuestros años dorados han quedado muy atrás: en la década del veinte fuimos dos veces campeones olímpicos, en 1930 ganamos el primer campeonato mundial y 1950 fue nuestro canto del cisne. Aquellos milagros parecían inexplicables, en un país con menos gente que un barrio de Ciudad de México, San Pablo o Buenos Aires. Pero desde principios de siglo nuestra educación pública, laica y gratuita había sembrado campos de deporte en todo el país, para educar el cuerpo sin divorciarlo de la cabeza y sin distinguir pobres de ricos.

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Un drama de identidad. Triste anda quien no se reconoce en la sombra que proyecta. Y entre las causas de nuestra desdicha futbolera, que es la gran desdicha nacional, hay que mencionar también la venta de gente.

Exportamos mano de obra y también pie de obra. Los uruguayos, habitantes de un país deshabitado, estamos desparramados por el mundo. Nuestros jugadores también. Tenemos 248 futbolistas profesionales en 39 países. El fútbol es un deporte asociado, una creación colectiva, y no resulta nada fácil armar una selección nacional con jugadores que se conocen en el avión.

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De fútbol somos. El lenguaje cotidiano lo revela:

quien no hace caso, no da pelota;

quien elude su responsabilidad o desvía la atención, tira la pelota afuera;

para enfrentar una crisis, hay que parar la pelota o ponerse la pelota bajo el brazo;

quien hace algo bien, mete un gol, y si lo hace muy bien, un golazo;

quien da una respuesta justa, pone la pelota cortita y al pie;

quien comete deslealtades, ensucia el partido, embarra la cancha, pega de atrás;

quien se equivoca por poquito, pega en el palo;

una buena respuesta es una buena atajada;

quien se descoloca en cualquier situación queda fuera de juego;

quien se equivoca feo se hace un gol en contra;

los niños muy niños están empezando el partido;

los viejos muy viejos están jugando los descuentos;

cuando la mujer echa de casa al marido infiel, le saca tarjeta roja.

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Los uruguayos, pueblo futbolizado, creemos que la patria se acabó en Maracaná.

En el fondo, sospecho, el problema está en que todavía creemos en esta gran mentira impuesta como verdad universal, esta infame ley de nuestro tiempo que nos obliga a ganar para demostrar que tenemos el derecho de existir.

Pero nuestra mayor victoria en el Mundial de 1950 ocurrió después del partido que nos coronó en Maracaná. Nuestro triunfo más alto encarnó en el gesto de Obdulio Varela, el capitán celeste, el caudillo del equipo. Al fin del partido, él huyó del hotel y del festejo. Y se fue a caminar y pasó la noche bebiendo en los bares de Río, callado la boca, de bar en bar, abrazado a los vencidos.

 

Por Juca Kfouri às 09h03

Montevidéu vale

Faz frio em Montevidéu.

Coisa de 7 graus.

Mas um frio seco, gostoso, nada agressivo.

Como, de resto, é a cidade que não visitava desde 1973.

De fato, como alguém observou, Assunção é mais perto do Rio, e me esqueci dela.

Só não me esqueço do quanto a seleção foi criticada em sua má campanha até a grande partida que fez na final, embora não me surpreenda a reação ufanista dos que trocam o espírito crítico pela vitória.

Chamo de seleção da CBF pelo óbvio motivo de que perdeu seus vínculos com a torcida, por ter virado instrumento de fazer dinheiro por parte da entidade, que faz questão de dizer que é privada e que estimula a ida de nossos jogadores para fora do país.

O que não significa que não vibre com seus triunfos como o de domingo, independentemente do que possam pensar os cegos que não querem ver.

Ou estavam todos felizes com as apresentações diante do México, do Equador, mesmo da primeira vitória diante do Chile (a segunda não vale, contra um time embebedado) e com o empate com o Uruguai?

Reações iradas semelhantes às que os corintianos brindaram o blogueiro quando, em plena fase de vitórias, denunciava a parceria com a MSI.

Tudo bem, faz parte.

O jornalismo sério e comprometido com a verdade factual não foi feito para agradar ninguém, até, ao contrário.

Interessa lembrar, ainda, que ontem fez 57 anos do 16 de julho no Maracanã.

E os uruguaios prefiriram saudar a vitória brasileira sobre os argentinos.

Um jornal chegou a dar como manchete que "O Brasil é o pai", e chamou a exibição de "aula de futebol".

Aqui se vê o Pan-2007 com outros olhos, também.

E sem a fissura do ouro, ouro, ouro.

Muito mais se vê pelo ângulo da exaltação da beleza das competições, como todos deveríamos ver.

Montevidéu vale uma visita.

Se ao estar aqui pela primeira vez, em 1971, tinha a cabeça e o coração repletos de sonhos que não se realizaram em busca de um mundo melhor, há aqui uma dignidade que parece termos perdido em algum lugar no século passado.

 

Por Juca Kfouri às 08h41

16/07/2007

Pernas pro ar!

O blogueiro se impôs uma missão jornalística da maior importância.

Ver o Pan-2007 da capital americana mais próxima do Rio.

Faz um frio gostoso, seco e ensolarado, em Montevidéu.

Aqui o blog instalou seu QG até sábado.

E daqui mandará o que possível for.

Relaxadamente.

Por Juca Kfouri às 12h14

Que festa!

Impressionante como o povo brasileiro foi às ruas para comemorar o título de Copa América.

Carreatas, foguetórios, carnaval em julho, uma loucura!

Por Juca Kfouri às 08h08

Teixeira, 1/4 de século

Ricardo Teixeira, ao arrepio da lei, será eleito hoje para mais sete anos à frente da CBF.

Será seu sexto mandato consecutivo e, se chegar ao fim, ele completará nada menos do que 25 anos como presidente da entidade.

Baterá o recorde do ex-sogro, Joao Havelange.

A lei determina que todos os filiados da CBF tenham direito a voto, mas o estatuto da entidade determina que votem apenas as 27 federações estaduais e os 20 participantes da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.

Curral menor, como se sabe, é mais fácil para o coronel.

E como se desobedece a lei sem conseqüências?

Baseado no princípio constitucional da autonomia das entidades esportivas, interpretação maliciosa que há anos está para ser julgada no Supremo e até hoje nao teve solução.

Diz a Bíblia que sete anos são um período de vacas magras ou gordas.

Como os 18 anteriores foram o que foram, com a conquista de duas Copas e a instalação de duas CPIs, o que esperar dos próximos sete?

Por Juca Kfouri às 08h06

Dunga, campeão da Copa América

Dunga dedicou o título às crianças excluídas do mundo inteiro.

Porque elas são "puras, não têm maldade".

Coisa bonita.

Desde que tenha sido isso mesmo.

Muito melhor do que o "vocês vão ter de me engolir" do Zagallo, em 1997, na Bolívia, que deu no que deu em 1998, na França.

Para não lembrar da vitória na Copa América de 1989, no Brasil, que deu no que deu na Itália, em 1990.

Ou na conquista, em situação muito parecida, da Copa América de 2004, no Peru, que deu no que deu na Alemanha, no ano passado.

Se foi essa mesmo a intenção de Dunga, um carinho nas crianças, nota 10 para ele, porque é mais difícil saber ganhar do que perder.

Mas se a intenção de Dunga foi responder às críticas que ele o time que montou receberam durante a pífia campanha na Venezuela, errou o alvo.

Primeiro porque, no mínimo, parece que as críticas tiveram o condão de mexer com o ânimo do grupo, capaz de fazer a apresentação que fez diante dos derrotados argentinos.

Pelo menos foi quase unânime a reação dos jogadores após a vitória em responder às críticas.

Dunga, portanto, deve agradecer aos críticos.

E, segundo, porque o jornalista que abdicar do papel de crítico, deve desistir da profissão.

Críticas que não cessarão todas as vezes em que o futebol brasileiro não for representado com a criatividade que sempre o caracterizou e é sua marca registrada.

Ontem, por exemplo, a vitória de 3 a 0 sobre a Argentina só não foi irretocável porque a seleção da CBF exagerou no número de faltas que fez o que, definitivamente, não é motivo de orgulho.

Foram 39 faltas brasileiras contra 25 argentinas.

Não que a constatação embace a vitória histórica, mas, apenas, permite que se faça jornalismo como deve ser, ao tratar de fatos, não de torcer ou apoiar o que quer que seja indiscriminadamente. 

Por Juca Kfouri às 23h01

15/07/2007

Está no "Olé", da Argentina

ARGENTINA 0 - BRASIL 3
Tristeza sin fin



GOLPE. Zanetti, el Pato, Heinze y Ayala no encuentran consuelo tras la derrota. (AP)


GOLPE. Zanetti, el Pato, Heinze y Ayala no encuentran consuelo tras la derrota. (AP)




Por Facundo Quiroga, enviado especial a Venezuela
La Selección no le encontró nunca la vuelta al partido y cayó sin respuestas ante el equipo de Dunga. Julio Baptista abrió la cuenta temprano, Ayala aumentó en contra y Alves selló la goleada en el complemento. El conjunto de Basile tuvo momentos de brillo en la Copa América, pero al igual que en 2004 perdió la final contra su máximo rival.




Por Juca Kfouri às 19h22

O Brasil é octa!!!


Com menos de quatro minutos de jogo, o time de Dunga já mostrava a que viera: Mineiro pegou Riquelme e Elano pegou Riquelme.

Mas Elano pegou, também, Júlio Baptista solto pela esquerda e fez um lançamento precioso para que ele marcasse um gol simplesmente maravilhoso.

Com nove minutos de jogo, o Deus dos estádios mostrou o que fora fazer em Maracaibo.

A Argentina fez sua primeira jogada mais aguda, que culminou com um tirambaço de Riquelme: na trave!

A iniciativa do jogo era dos argentinos, que jogavam com paciência.

O time brasileiro, no entanto, revelava-se incrivelmente calmo, consciente, até, talvez, de suas limitações.

Messi parecia encapetado.

E Maicon levou perigo duas vezes ao arco argentino, uma ao chutar de fora da área, outra em jogada de linha de fundo.

Aos poucos, a seleção da CBF foi assumindo mais a bola e deixando de correr riscos.

Por dessas coisas do futebol, só Robinho jogava abaixo do que pode no time amarelo.

E por falar em amarelo, este era o desafio do time de camisas azuis e brancas: mostrar que não amarela nas finais, como suspeita a imprensa portenha.

Afinal, mesmo com belos times, desde 1993 que a seleção argentina não ganha nada, diferentemente do que acontece com os clubes argentinos.

Pena que Elano se machucou e teve de sair, aos 32.

Daniel Alves entrou no lugar dele, numa boa improvisação de Dunga que mostrou não confiar no futebol tosco de Fernando.

Aos 34, Doni fez grande defesa em chute de Riquelme.

À medida que o fim do primeiro tempo se aproximava, a pressão argentina aumentava e os brasileiros abusavam das faltas, expediente perigoso contra um time que tem Riquelme.

Mas, bem posicionada, a zaga brasileira aliviava todas.

E, aos 40, em cruzamento de Daniel Alves, apavorado, Ayala meteu para dentro das próprias redes: 2 a 0!

O Deus dos estádios sorria, marotamente.

Fogos espoucavam em São Paulo, poucos, mas os primeiros na Copa América.

O primeiro tempo terminava de um jeito que nem Dunga, no melhor de seus devaneios, poderia esperar.

E não havia o que contestar por parte dos adversários.

Ao contrário, aliás, porque Mascherano fez por ser expulso nos cinco minutos finais e o árbitro Carlos Amarilla acomodou.

Camisas amarelas, árbitro Amarilla, os argentinos amarelam?

Os brasileiros estavam a 45 minutos do octa na Copa América.

Argentinos e uruguaios a venceram 14 vezes.

O segundo tempo começou em clima de pura tensão.

A paciência que os argentinos tinham mostrado durante toda a competição tinha se esgotado.

E a pressa, como se sabe, é inimiga da perfeição.

Riquelme era marcado com faltas em cima de faltas.

Tanto que aos 11 minutos do segundo tempo, o Brasil tinha feito 26 contra a metade cometida pelo rival.

Aos 14, Cambiasso saiu e Aimar entrou. Tudo ou nada.

Aos 17, um bombardeio de três morteiros argentinos, todos desperdiçados.

Aos 22, Lucho González substituiu Verón.

Aos 23, em rápido contra-ataque, Vágner Love achou Daniel Alves que chutou cruzado na perfeição: 3 a 0!

Mais rojões, um pouco mais, espoucaram em São Paulo.

Fernando e Diego entraram no lugar de Vágner Love e Robinho só para Dunga ganhar tempo.

A seleção da CBF conquistava uma vitória histórica.

Notas:

Doni fez uma senhora defesa quando estava só 1 a 0: 8

Maicon teve atuação seguríssma: 7,5

Alex foi quase perfeito: 8,5

Juan, ainda mais: 9

Gilberto fez sua melhor partida: 7,5

Josué reencontrou-se com Mineiro: 7,5

Mineiro reecontrou-se com Josué: 7,5

Elano vinha bem até se machucar e deu o passe do primeiro gol: 7,5

Júlio Baptista fez e gol e lutou feito um leão, ou como a Besta: 7,5

Vágner Love não parou em campo e foi utilíssimo, além de ter dado o terceiro gol: 7.5

Robinho não esteve nada bem: 5

Daniel Alves brilhou. Provocou o segundo gol e fez o terceiro: 8,5

Fernando e Diego sem nota.

Dunga dirá:"Vocês querem mais o quê? Ganhamos dos melhores da Copa América e por 3 a 0!". Tomara que não se convença que pode abrir mão do que há de melhor no futebol brasileiro: 8,5

Por Juca Kfouri às 18h42

Lulinha melhor que Lula

Lula foi vaiado seis vezes no Maracanã.

Lulinha foi aplaudido três vezes no Engenhão.

Marcou os três gols da seleção sub-17 na equipe de Honduras (não ria, Honduras ganhou da seleção do Felipão na Copa América, lembra?), na estréia do futebol masculino no Pan-2007.

Lulinha tem futuro.

Que não decepcione quando virar Lula, para que, um dia, possa ser Lulão.

Por Juca Kfouri às 17h37

Brasil é hepta!

Os russos também não puderam, de novo.

Ganharam o primeiro set, até com folga, 25 a 18.

Para quê?

Mexeram numa casa de marimbondos.

E tomaram.

Tomaram de 25 a 23, 28 a 26 e 25 a 22.

Sétimo título brasileiro na Liga Mundial.

Para surpresa geral, na decisão do terceiro lugar, os Estados Unidos venceram os donos da casa, os poloneses, por 3 a 1.

E como desgraça pouca é bobagem, para os russos, na decisão do Mundial juvenil, disputada simultaneamente, os meninos do Brasil também venceram os russos.

E por 3 a 0, com parciais de 25/18, 25/18 e 25/19.

Está bom ou quer mais?

Por Juca Kfouri às 16h17

11o.rodada em resumo

Foram nove jogos e média de público de 13.867 pagantes por partida.

Apesar de três partidas terem ficado na casa dos 2.000 torcedores, como aconteceu em Caxias do Sul, em São Januário -- os dois piores públicos da rodada -- e na Vila Capanema.

Vexames compensados pelos mais de 26 mil pagantes no Mineirão e, para variar, pelos mais de 24 mil na Ilha do Retiro.

No Morumbi, registre-se, o público não chegou a 20 mil torcedores e, embora o mando fosse do Corinthians, tinha bem mais são paulinos.

Gols foram só 21, mesmo sem nenhum 0 a 0.

Empates, só três e apenas duas vitórias de visitantes (Figueirense e Inter).

E a rodada ficará marcada como a que derrubou o último invicto.

Por Juca Kfouri às 23h23

Argentina x Brasil: É hoje!

O futebol de fantasia contra o futebol de resultados.

Até aqui, na Copa América, o futebol de fantasia é também o de melhores resultados, com vitórias em todos os jogos.

O futebol de resultados não só já perdeu e empatou como não produziu nenhuma fantasia, a não ser com Robinho.

O coração está ao lado do futebol de resultados, numa inversão de valores quando se pensa na tradição do melhor futebol brasileiro.

A cabeça quer ver a fantasia triunfar mais uma vez, na esperança de que o futebol volte a ser um espetáculo em que só vencer não basta.

Mas vai que o futebol de resultados promove fantasia e ainda ganha?

Será o melhor dos mundos.

Como girará a Terra, que é redonda, neste domingo, 15 de julho?

Por Juca Kfouri às 23h07

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico