Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

28/07/2007

Ouro fácil

O vôlei masculino brasileiro ganhou o ouro mais fácil de sua vida.

Três a zero nos Estados Unidos.

Que vieram sem o Ricardinho e sem o Giba deles.

Verdade que o Brasil também estava sem seu Ricardinho.

Mas não teve jogo e o ouro veio sem que a Seleção Brasileira perdesse um set sequer.

No primeiro set, 25 a 16.

No segundo, 25 a 20.

E, no terceiro, 25 a 22.

Foi mais ou menos como os 5 a 0 da Seleção Brasileira feminina de futebol contra as juvenis dos Estados Unidos.

Ou como a sova que eles nos aplicaram no pólo aquático, por 9 a 2.

Por Juca Kfouri às 22h09

Reportagem exemplar de "Veja"

A tragédia, segundo as caixas-pretas

Por Marcio Aith, Fábio Portela e Julia Duailibi

Um erro humano está na origem do pior acidente aéreo da história da aviação brasileira. As informações já obtidas por meio da análise das caixas-pretas do Airbus A320 da TAM – que no último dia 17 se chocou contra um prédio da companhia, causando a morte de 199 pessoas – indicam que o avião, ao pousar, não conseguiu desacelerar o suficiente por causa de um erro do comandante do vôo. Essas informações, ainda mantidas em sigilo pela comissão da Aeronáutica que investiga o acidente, mostram que uma das duas alavancas que regulam o funcionamento das turbinas, chamadas de manetes, estava fora de posição quando o avião tocou a pista principal do Aeroporto de Congonhas. O erro fez com que as turbinas do Airbus funcionassem em sentidos opostos: enquanto a esquerda ajudava o avião a frear, como era desejado, a direita o fazia acelerar. Com isso, o avião, que pousou a cerca de 240 quilômetros por hora, não conseguiu parar. As investigações revelam ainda que, apesar da chuva, não houve aquaplanagem na pista nem falha no sistema de freios dos pneus. A reportagem de VEJA apurou também que quem pilotava o Airbus no momento do acidente era o comandante Kleyber Lima, e não, como suspeitava a Aeronáutica, o co-piloto Henrique Stephanini Di Sacco, que fora demitido da Gol depois de três meses de trabalho e estava na TAM havia pouco tempo.

A investigação completa do acidente deverá durar ainda dez meses. No entanto, já se chegou à conclusão de que o erro do piloto foi mesmo a causa inicial do acidente – que, não fosse pelas características da pista do Aeroporto de Congonhas, poderia ter tido conseqüências muito menores. Os motivos que levaram à queda do Airbus da TAM têm relação indireta com o fato de a aeronave estar voando naquele dia com o reverso direito travado. Reverso é um mecanismo que, ao inverter o fluxo de ar das turbinas, ajuda a desacelerar o avião. Como o sistema de frenagem de uma aeronave é composto de um conjunto de recursos, um aparelho pode voar sem problemas com um dos reversos desativados ou até com dois. Só que, quando isso acontece, o piloto, ao pousar, tem de operar os manetes de forma diferente da rotineira (veja quadro). E isso é o que pode ter confundido o comandante do vôo. Ao manter o manete da turbina direita – que estava com o reverso travado – em posição de aceleração, e não na posição "marcha lenta", ele impediu a frenagem completa do avião, que atravessou o fim da pista a uma velocidade próxima a 200 quilômetros por hora. Não se trata de um erro inédito. Ele foi cometido pelos pilotos de ao menos outras duas aeronaves do mesmo modelo, o A320 da Airbus. Tanto no desastre ocorrido em março de 1998, nas Filipinas, quanto no acidente que houve em 2004, no aeroporto de Taipei, em Taiwan, concluiu-se que houve falhas na operação dos manetes. As coincidências vão além: nos dois casos, os aviões estavam com uma das turbinas travadas, exatamente como no acidente da TAM. Nas Filipinas, um vôo da Philippine Airlines passou direto pela pista e só parou após se chocar com barracos de madeira nas proximidades. Em 2004, o fato se repetiu com rigorosa exatidão. Dessa vez, um A320 atravessou a pista do aeroporto de Taipei. Novamente as investigações mostraram que o manete da turbina que tinha o reverso travado estava na posição errada, empurrando o A320 para a frente.

Na quinta-feira, o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe das investigações do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) do Ministério da Defesa, disse que a aterrissagem com o reverso travado pode ter "influenciado psicologicamente" os pilotos. Disse ainda ser improvável que a ausência de ranhuras para escoamento de água em Congonhas, o grooving, tenha tido alguma relação com o acidente (chovia em São Paulo na noite do dia 17). A conclusão é que não houve aquaplanagem no dia da tragédia. Ela apóia-se em três evidências. A primeira delas é a ausência de marcas específicas na pista do aeroporto. Essas marcas são formadas quando a água sob os pneus de uma aeronave que está derrapando esquenta até o ponto de fervura. Elas são claras, muito diferentes das marcas negras causadas por frenagens normais. Na pista de Congonhas, tais marcas não foram encontradas. Os dados já colhidos nas caixas-pretas e a análise do que restou dos pneus do Airbus, encontrados nos escombros do prédio da TAM, afastaram de vez essa hipótese.

Para os familiares do comandante, é um drama ver seu nome protagonizando um episódio que causou tanta dor – principalmente quando ele, uma das vítimas, não pode defender-se. Ocorre que, isolado, seu erro poderia ter uma dimensão muito menor. Bastava que a pista do Aeroporto de Congonhas fosse mais longa e tivesse uma área de escape. No caso do avião filipino, houve apenas três mortes, e todas em solo, por atropelamento. Todos os 130 ocupantes da aeronave sobreviveram. No acidente de Taipei, nem sequer houve feridos graves. Nos três eventos, além das coincidências entre os modelos e a situação mecânica dos aviões, também as condições de pouso eram semelhantes: o vento, o peso da aeronave e a velocidade com que ela se aproximou do solo estavam rigorosamente dentro dos padrões. Em Taipei, inclusive, caía uma chuva fraca, assim como em São Paulo. Por que, então, só aqui todos os ocupantes do avião morreram? Nas Filipinas, onde o acidente ocorreu com tempo seco, a pista tem 2.100 metros e se abre para uma área de várzea, onde havia alguns barracos que formavam uma ocupação irregular. Em Taipei, a pista de pouso é maior: tem 2.600 metros, mais 160 metros de área de escape. A extensão das pistas e as áreas de escape possibilitaram que, em ambos os casos, o erro dos pilotos pudesse ser corrigido a tempo – antes de se transformar em tragédia.

A Airbus, fabricante do A320, emitiu na terça-feira um comunicado mundial para seus clientes relembrando os procedimentos técnicos para aterrissagem com um dos reversos travado. A medida foi tomada cinco dias depois do início da análise das caixas-pretas do avião acidentado – trabalho que representantes da empresa acompanharam. Causa curiosidade o fato de um mesmo erro ter sido a causa de três acidentes, ao longo de uma década, sem que a empresa fizesse modificações substanciais nos equipamentos. A Aviation Safety Council, uma agência independente de Taiwan criada para investigar e prevenir acidentes aéreos, recomendou à Airbus, depois do acidente de 2004, que melhorasse o sistema responsável por alertar os pilotos quando os manetes se encontram na posição errada. Com o acidente da TAM, presume-se que nenhuma medida eficaz foi tomada nesse sentido. A mesma agência produziu um relatório com a transcrição da comunicação entre os tripulantes do avião acidentado no aeroporto de Taipei. Os diálogos gravados mostram o momento em que o piloto pousa e percebe que não consegue parar. Seguem-se segundos dramáticos, em que ele grita por cinco vezes: "No break" (sem breque) e "no break at all" ("nenhum breque"). Enquanto isso, o avião sai da pista principal e percorre a área de escape até finalmente encontrar as valas de drenagem, onde os trens de pouso atolam. O avião pára. A partir daí, as frases registradas pela caixa-preta, embora ainda tensas, são cheias de alívio. O piloto pede à torre ajuda do pessoal de terra e um tripulante dirige-se ao microfone para falar aos passageiros. Informa que o avião saiu da pista, pede desculpas pelo susto e diz que a situação é segura agora. Em Congonhas, os 187 ocupantes do Airbus A320 da TAM e as doze vítimas em solo não tiveram chance. A pista do aeroporto paulistano não deixa margem para nenhum tipo de erro. É o cenário ideal para tragédias.

Com reportagem de Marcelo Carneiro,Guilherme Fogaça e Wanderley Prete Sobrinho

Por Juca Kfouri às 21h07

A vida é dura

Presidente da Odepa diz que falta muito para o Rio abrigar Olimpíada

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro

O mexicano Mario Vasquez Raña, presidente da Odepa (entidade responsável pelos Pan-Americanos), afirmou que a edição de 2007 foi "a mais limpa da história", em referência a não existir um só caso de doping até agora durante os Jogos. Por outro lado, ele se negou a afirmar neste sábado que a competição carioca é "a melhor de todos os tempos".



"Na preparação de Rio houve sempre uma verdadeira obsessão de que seriam os melhores. Partiu nesse caminho, está nele, mas faltam 24 horas ainda e amanhã farei um balanço muito realista", afirmou o dirigente, que administra a instituição esportiva há mais de duas décadas, durante entrevista coletiva no Riocentro.

Ele, porém, apontou pelo menos um erro de organização: a Cidade do Rock, que abrigou o softbol e o beisebol. "Perfeito esse Pan não foi, mas foi muito bom. A falha no estádio do beisebol é muito difícil de explicar", disse Raña.

Ocasionais chuvas alagaram os campos sem drenagem e construídos em terreno alagadiço. Ventanias derrubaram a frágil estrutura montada em tendas de alumínio e lona. Também não havia tela de proteção para segurar a platéia das boladas.

"Do Rio, levo muitas coisas que não se deve fazer. Outras muitas que devem ser repetidas", decretou o dirigente, que joga um balde de água fria naqueles que acham que o Pan credenciou a cidade para sediar os Jogos Olímpicos. "Fazer um Pan não dá o direito de ganhar os Jogos Olímpicos. Há muito trabalho por fazer. É difícil convencer os 120 membros do comitê executivo do COI."

Neste domingo, Raña pode decretar a frase de "melhor de todos os tempos", que cabe até aqui para os Jogos de Winnipeg, em 1999. Mas isso é uma praxe que o dirigente só não fez na problemática edição de Santo Domingo, em 2003. "Quero que Guadalajara-2011 faça ainda melhor que o Rio", disse.

Por outro lado, o mexicano elogiou muito o fato de que não houve casos positivos de doping na competição. "Estou muito satisfeitos que são os Jogos mais limpos da história". Ele lembrou que os testes começaram em Caracas-1983, Pan marcado por 19 testes postitivos e vários atletas desistindo de competir para não serem pegos. Em Santo Domingo-2003 foram 12 casos, e em Winnipeg, 11.

Por Juca Kfouri às 21h00

Cuba na frente

Neste momento Cuba livrou nove medalhas de ouro de vantagem e não será mais alcançada pelo Brasil (59 a 50).

Esta contagem é discutível, melhor seria ponderar pesos entre os três metais, como faz o diário "Lance!".

Aí, daria Brasil em segundo, pois ganhou mais pratas (39 a 35) e bem mais bronzes (67 a 41), com um total de 156 a 135.

Mas o que vale considerar, mesmo, é que é absolutamente comum que o país sede ganhe mais medalhas do que em regra.

Basta dizer que, em Havana, em 1991, só de medalhas de ouro Cuba ganhou 140.

Isso, 140 medalhas só de ouro!

E ficou na frente dos Estados Unidos, como, em 1951, a Argentina, com 68 ouros,também ficou ao sediar os Jogos Pan-Americanos, em Buenos Aires.

Então, como agora, os norte-americanos davam pouca bola ao Pan.

Por Juca Kfouri às 20h38

Náutico e Vasco brilham, Grêmio decepciona

Os santistas que perdoem este blogueiro.

E, principalmente, os timbus.

Os primeiros pela ilusão aqui criada sobre o que aconteceria hoje na Vila Belmiro.

Os segundos pela desconfiança aqui depositada no Náutico.

Náutico que venceu o Santos por 2 a 1, com méritos e deve estar convencido de que seu melhor negócio será disputar o Campeonato Paulista, que o digam o São Paulo, o Corinthians e o Santos.

Os pernambucanos fizeram o primeiro gol no primeiro tempo (Elicarlos, aos 32) quando o Santos fez uma apresentação abaixo da crítica e o segundo no segundo tempo, quando os peixeiros se mandaram todos em busca do empate e sofreram o contra-ataque fatal, concluído por Acosta, aos 19.

A arbitragem ainda prejudicou o time pernambucano ao expulsar injustamente o atacante Ferreira, aos 26 do segundo tempo. Kléber Pereira descontou aos 42.

Grande resultado do Náutico, como foi ótima a atuação do Vasco, que enfiou 4 a 1 no Goiás.

Quem pode com o Vasco em casa, aliás?

Os cruzmaltinos abriram o placar no primeiro tempo (Amaral, aos 41, em rebote de Harlei), quando fizeram por merecer mais gols, e golearam no segundo, com direito a show de bola.

No primeiro minuto do segundo tempo, em nova falha de Sílvio Luiz, o Goiás empatou com Diego.

Mas, aos 31, Leonardo foi bem expulso por falta violenta em Wagner Diniz.

E aos 34, com Vilson, aos 36, com Leandro Amaral, e aos 41, com Alan Kardec aproveitando-se de lindo lance de Wagner Diniz, o Vasco construiu sua vitória.

E se o Náutico se dá bem em São Paulo, o Goiás se dá mal diante dos cariocas.

Depois dos três do Fluminense, mais quatro do Vasco.

Já no Olímpico, prevaleceu a tradição de os paranaenses não darem muita bola para o fator casa gaúcha.

O Grêmio saiu na frente com Tcheco num primeiro tempo ruim e depois de um escanteio que, por mal cobrado, pegou a defesa do Furacão mal colocada.

Mas cedeu o empate (Marcelo, aos 29) quando o rubro-negro tinha apenas 10 em campo (Claiton foi injustamente expulso), num lance muito parecido com o gol gremista.

E saiu vaiado por sua torcida que passou frio e ficou justamente decepcionada.

Por Juca Kfouri às 19h27

Está na "Época"

Briga na família

Uma discordância na divisão dos prêmios abala o aparentemente perfeito ambiente da seleção de vôlei

Nelito Fernandes


PAI E FILHO
Bernardinho e Bruno Rezende, em um treino no Pan. Jogador de talento, Bruno foi vaiado na estréia da seleção por estar no lugar de Ricardinho

“O Ricardinho merece esse prêmio, ele foi o motor da equipe.” A frase foi dita pelo técnico da seleção de vôlei, Bernardinho, pouco depois de o jogador ter sido anunciado o melhor jogador da Liga Mundial de vôlei, na Polônia. Uma semana depois de o Brasil vencer a competição pela quinta vez seguida, o melhor levantador do mundo foi cortado e ficou fora do Pan. O motivo: dinheiro. A comissão técnica e os jogadores dividiram o prêmio de US$ 1 milhão pela vitória. O levantador decidiu, porém, que seu prêmio individual de US$ 100 mil seria dividido somente entre os jogadores, e não com a comissão técnica, rompendo uma combinação cumprida desde 1991. Segundo três pessoas próximas da seleção, Ricardinho e Bernardinho travaram, exaltados, o seguinte diálogo na frente da equipe:

– O prêmio do jogador é dos jogadores. São eles que passam a bola, eles que entram em jogo.

– Isso não é o combinado. Como você pode decidir isso e não me falar nada?

LÍDER
Conhecido pela personalidade forte, Ricardinho negocia os prêmios do time

– E quando você vai dar suas palestras, você me fala alguma coisa? Quando vai gravar comercial, você divide com a gente?

De acordo com as mesmas pessoas ouvidas por ÉPOCA, Ricardinho já havia se queixado com companheiros de equipe porque Bernardinho, garoto-propaganda de um curso universitário, de um desodorante, de uma bebida à base de soja e de calçados esportivos, estaria faturando com a imagem da seleção sem que os jogadores recebessem um porcentual. O levantador não se conformaria também com o fato de a comissão técnica, ao contrário dos jogadores, receber salário e ainda levar parte do dinheiro das premiações. Capitão da equipe, Ricardinho preparava sua próxima ofensiva: o grupo não iria dividir o dinheiro do Pan com a comissão técnica. Bernardinho soube do plano e teria dito: “Isso se ele estiver no Pan”. O treinador decidiu cortar sua estrela e promoveu a titular o eterno reserva Marcelinho. Bruno, filho de Bernardinho, foi chamado para a reserva. Levantador de talento genuíno, Bruno nada tinha a ver com a confusão e foi injustamente vaiado pelo público do Maracanãzinho no primeiro jogo da seleção no Pan. “É normal, tenho de me acostumar”, disse o jogador de 21 anos, que na seleção usa o mesmo número 1 que o pai vestia nos tempos de jogador. Na partida seguinte, Bruno foi aplaudido.

Procurados por ÉPOCA, nem Ricardinho nem Bernardinho quiseram falar. O jogador, conhecido pelo temperamento considerado “difícil”, já deu entrevistas dizendo que “foi traído”. Ele esperava que os jogadores ficassem do seu lado. O caso é o maior teste enfrentado pela “família Bernardinho”, um grupo até então notório pela união. Como as boas famílias brigam, mas não se separam, espera-se que o caso não afete a preparação para os Jogos de Pequim.

Por Juca Kfouri às 17h40

27/07/2007

Revanche com requintes

A Venezuela pagou pelo que fez quatro anos atrás, em Santo Domingo.

Tomou de 3 a 0, com direito a dar um susto que só serviu para fazer mais saborosa a vingança.

Porque os venezuelanos chegaram a fazer 23 a 18 no primeiro set.

E viram os brasileiros virar para 24 a 23 e fechar o set em 30 a 28.

Ou seja, sentiram na carne a dor de ter um set nas mãos e vê-lo fugir entre os dedos.

Daí em diante aconteceu o que tem de acontecer sempre que Brasil e Venezuela se enfrentarem no vôlei masculino.

Um passeio.

O segundo set, por exemplo, foi fechado com 25 a 18.

E o terceiro por 25 a 16.

Ou seja, não teve mais jogo.

A Venezuela decidirá o bronze com Cuba.

E amanhã tem a disputa pelo ouro.

Contra os Estados Unidos.

Por Juca Kfouri às 21h58

Os três jogos deste sábado

Dos três jogos deste sábado, todos às 18h10, apesar do inverno em Porto Alegre e mesmo em Santos e no Rio, um não deixa dúvidas:

o da Vila Belmiro, porque o Santos não é o Corinthians para permitir surpresas ao Náutico.

Afirmação tão peremptória como serão as gozações dos timbus caso o blogueiro quebre a cara outra vez.

Já em São Januário a coisa é bem mais complicada, embora a campanha vascaína em casa seja quase irrepreensível, com cinco vitórias e um empate.

Só que o Goiás não apenas está em quarto lugar como já ganhou três vezes fora de casa, embora tenha perdido quatro, sem nenhum empate.

Finalmente, no Olímpico, o Grêmio é favoritíssimo diante do Furacão.

Mas, aí, entram aqueles fatores da proximidade entre gaúchos e paranaenses e as habituais (tão habituais que deixam de ser surpreendentes) boas apresentações dos últimos em Porto Alegre.

Seja como for, não vejo como o Grêmio possa desperdiçar a chance de dormir de sábado para domingo novamente na vice-liderança.

Por Juca Kfouri às 16h55

Foi em 1999...

O blog perguntou e CONRADO GIACOMINI respondeu: eis abaixo o último Corinthians x Flamengo com ambos em boa situação no Campeonato Brasileiro, diante de 37.391 torcedores, no Pacaembu, numa quarta-feira á noite, dia 1o. de setembro de 1999:

 

FUTEBOL
Com dois gols, atacante do Flamengo garante vitória e interrompe série invicta do clube paulistano

Romário implode recorde corintiano

MAÉRCIO SANTAMARINA
da Reportagem Local

Com dois gols do atacante Romário, ontem à noite, no Pacaembu, o Flamengo impediu que o Corinthians batesse o recorde do Atlético-MG em 1977, com oito vitórias em um início de Brasileiro, justamente na data em que o clube paulista completou 89 anos.
Neste ano, em vitória flamenguista pelo Rio-São Paulo, Romário já havia feito dois belos gols no Corinthians no Pacaembu.
A derrota de 2 a 1 para os cariocas, em um jogo em que até o artilheiro Luizão perdeu pênalti, além de encerrar a fase de 100% de aproveitamento de pontos do Corinthians (que agora tem 87,5%), também impediu que o clube continuasse em busca de outro recorde, o de maior série invicta, que é de 1993, com 15 jogos. Ontem, terminou uma invencibilidade de 12 partidas.
Com a vantagem de ter treinado no Pacaembu, portanto mais acostumado aos buracos do gramado, o Corinthians manteve o domínio da partida desde o início, mas acabou expondo as falhas de sua defesa. O placar foi definido no primeiro tempo.
O atacante Luizão fez o seu nono gol no Brasileiro, abrindo o placar para o Corinthians, logo aos 5min. A jogada começou com uma roubada de bola do meia Ricardinho, que lançou para Edílson, livre na direita. Edílson viu Luizão chegando e cruzou rasteiro para que ele pudesse voltar à artilharia do campeonato, ao lado de Alex Alves, do Cruzeiro.
Jogando ofensivamente, mas com uma zaga fraca, o Flamengo cometia erros consecutivos. Edílson desperdiçou quatro chances de ampliar dos 13min aos 15min.
Em um descuido dos zagueiros corintianos, aos 27min, Romário recebeu a bola de costas para o gol de Dida, dominou no peito, virou e empatou o jogo, num belo gol.
O Corinthians ainda perdeu duas chances, aos 29min, com Luiz Mário, e aos 32min, com Rincón, antes de o Flamengo virar o placar, novamente com Romário.
Ele marcou o segundo gol, aos 34min, de cabeça, após cruzamento de Beto da esquerda. Os zagueiros João Carlos e Nenê, do Corinthians ficaram apenas olhando. Ele comemorou exibindo uma camiseta com a inscrição: "Armas não protegem, matam".
O técnico do Corinthians, Oswaldo de Oliveira, trocou Luiz Mário, que vinha substituindo Marcelinho, por Edu no segundo tempo, mas o time teve dificuldade para reagir diante de um Flamengo mais fechado na defesa, com Leonardo no lugar de Beto.
A melhor jogada veio aos 10min, com Edílson, que conseguiu envolver a defesa do clube carioca e acabou sofrendo um pênalti. Luizão cobrou com um chute rasteiro, mal colocado, e Clêmer defendeu.
O Corinthians passou a pressionar ainda mais, enquanto o Flamengo tentava ganhar tempo nas faltas e reposições de bola.
Aos 20min, Edu chegou a interceptar com a cabeça uma falta cobrada por Ricardinho, mas a defesa rival não permitiu o gol.
Na sequência, foi a vez de Edílson desperdiçar.
Foram os dois que protagonizaram a melhor jogada da etapa final, aos 37min. Em tabela na área, Edílson tocou para Edu que, de calcanhar, quase empatou, não fosse a defesa de Clêmer, em uma noite inspirada.

 

Por Juca Kfouri às 10h02

Resumo da 14o. rodada

Foram 32 gols e apenas uma vitória de visitante -- o Grêmio, nos Aflitos.

Empates, dois, ambos por 2 a 2, nos jogos entre Figueirense e Corinthians e Atlético Paranaense e Cruzeiro.

Cinco anfitriões venceram marcando três gols (Palmeiras, Flamengo, Botafogo, São Paulo e Atlético Mineiro).

Os outros dois, Goiás e Inter, ficaram na chamada contagem mínima.

O pior público ficou por conta da noite gelada e do desânimo na Arena da Baixada, com apenas 4.720 pagantes.

E o maior foi na caloroso e decepcionado estádio dos Aflitos: 13.009.

A média foi a mais baixa de todas as rodadas até aqui: 7.520 torcedores por jogo.

O pior é que no domingo que vem o Morumbi será grande demais para abrigar o "jogo do povo", Corinthians x Flamengo.

Aliás, há quanto tempo que os times mais populares do país não fazem um clássico com ambos em boa situação?

Por Juca Kfouri às 23h07

26/07/2007

Um tricolor sobe e o outro pára

O São Paulo tinha só Borges no ataque, isolado.

E uma terrível dificuldade em acertar o gol do Sport.

Quando acertava, o goleiro pegava.

Como quem não faz, toma, no único contra-ataque do Sport no primeiro tempo, Weldon fez 1 a 0, aos 30.

Se já estava muito frio no Morumbi, a torcida são paulina gelou de vez.

Enquanto isso, no Mineirão, com temperatura muito mais agradável, o Fluminense tinha apenas Somália no ataque.

E nem chutar chutava no gol do Galo.

O Galo, com Emerson Leão nas tribunas, aproveitou-se para sair na frente, gol de Coelho, depois que Marcinho errou um chute bisonhamente, aos 36.

Com o pé de Coelho, o Galo sorria para Leão, de cara fechada, porque não gosta do lateral, tanto que o dispensou do Corinthians.

O intervalo chegou com a equipe rubro-negra na frente em São Paulo e com a alvinegra na frente nas Minas Gerais.

Mas logo aos 4 minutos, Souza desceu pela direita, cruzou rasteiro, Borges fez o corta-luz com perfeição e Leandro empatou.

Ia começar tudo de novo.

O tricolor martelando, o rubro-negro se defendendo.

Em Belo Horizonte, Renato Gaúcho mudou de tática e botou o atacante Jean no lugar do ala Rafael.

Mas, aos 14, Paulo Henrique fez 2 a 0, aproveitando-se de rebote do goleiro Fernando Henrique.

Quase ao mesmo tempo, aos 11, em São Paulo, Souza, com frieza, virou o jogo para o time da casa, em passe de Borges, mesmo caído.

Só para irritar Leão, Coelho, batendo falta pela esquerda, aos 32, contou com um desvio para fazer 3 a 0.

O tricolor paulista assumia a segunda colocação, a três pontos do líder Botafogo, que tem um jogo a menos.

Já o tricolor carioca perdia a chance de subir da décima para a quinta colocação.

O Galo subia da 15o. para a 11o., enquanto o Sport caía da 11o. para a 12o.

E ainda para esquentar a noite no Morumbi, aos 36, Rogério Ceni marcou seu primeiro gol de falta em 2007: 3 a 1.

E foi um golaço, o 74o. da carreira dele, com direito a bater no travessão antes de entrar, bem onde a coruja dorme.

Enfim, duas vitórias incontestáveis dos donos da casa.

Por Juca Kfouri às 21h31

Líder com pose de líder

Pena que foi com portões fechados, em Edson Passos.

Porque o líder Botafogo merecia platéia cheia em sua confortável vitória sobre o Juventude por 3 a 1.

Antes mesmo de fazer 1 a 0, com André Lima, o Glorioso já merecia estar na frente.

Acabou surpreendido pelo gol de empate gaúcho, mas não passou recibo.

Em seguida, e ainda no primeiro tempo, Joílson recolocou as coisas em seus devidos lugares.

No segundo tempo, André Lima fez mais um e liquidou a partida, que o alvinegro se limitou a administrar.

Por Juca Kfouri às 16h03

Essas mulheres e seu futebol maravilhoso

Talvez o meu companheiro de CBN, Victor Birner, tenha razão: quem gosta de futebol arte deve ver o futebol feminino.

Como as mulheres têm menos força que os homens, ocupam menos espaços no gramado e sobra campo para jogar.

A habilidade já é a mesma, basta ver algumas jogadoras que são simplesmente espetaculares, como a Marta.

A Seleção Brasileira deu um show contra a equipe sub-20 dos Estados Unidos.

Sim, sub-20, e deve se dizer que foi como se um time de meninos brasileiros enfrentasse a seleção principal dos EUA.

Certamente perderiam.

Mas, no caso das mulheres, a diferença não é tão grande, em função do desenvolvimento do futebol feminino na terra de Tio Sam, bicampeãs olímpicas e mundiais.

Além do mais, é bom lembrar que na decisão do ouro Olímpico, em Atenas, três anos atrás, entre os dois times principais de cada país, as brasileiras só não ganharam porque foram clamorosamente prejudicadas pela arbitragem.

Desnecessário lembrar que, então, a dona CBF prometeu um respaldo que jamais deu ao futebol feminino.

E a festa do Maracanã, com público enorme e entusiasmado, mostrou ainda como a CBF errou ao não dar força ao torneio masculino do Pan, uma oportunidade desperdiçada para tentar reatar os vínculos perdidos da nossa torcida com a Seleção.

Custava, ao menos, permitir que o Romário participasse da festa?

Fato é que a Seleção feminina não deu chance às norte-americanas, marcando-as ainda em sua metade de campo e praticamente não correndo riscos, a não ser numa cobrança de escanteio que quase valeu um gol olímpico, não fosse a ótima defesa da goleira Andréia, ainda quando tudo estava 0 a 0.

Até aí, o Brasil já havia criado inúmeras chances de gol e feito jogadas de encher os olhos, desde um chapéu aplicado por Marta até duas triangulações de gente que sabe o que quer dentro do gramado.

Aos 17, enfim, Rosana foi derrubada por trás na grande área e Marta converteu o pênalti no minuto seguinte, marcando seu 11o. gol no torneio.

Dez minutos depois, Cristiane ampliou em jogada ensaiada depois de cobrança de escanteio: Daniela Alves bateu, Elaine cabeceou na segunda trave e Cristiane arrematou com facilidade, na pequena área.

Está na cara que esta Seleção, enquanto não se cria uma estrutura para o futebol feminino no país, deveria ser adotada pela CBF como uma equipe permanente e bem paga para jogar pelo mundo afora e se exibir pelo Brasil inteiro como forma de incentivar a prática do esporte, repita-se, que vale a pena ver como espetáculo que lembra, e muito, o futebol masculino dos anos 50/60.

Veio o segundo tempo e a festa continuou bonita.

Festa que tinha começado na estréia diante do Uruguai com um 4 a 0.

Seguido contra a Jamaica com um 5 a 0.

Continuado sobre o Equador com 10 a 0.

E, extraordinário, ante o time principal do Canadá, classificado para a próxima Copa do Mundo, o Brasil enfiou nada menos que 7 a 0.

Nas semifinais, 2 a 0 contra o México, quando as meninas jogaram de salto alto e, cá entre nós, nada mais adequado...

Logo aos três minutos, Marta lançou Cristiane, depois de chapelar uma adversária, e saiu o terceiro gol.

Era o 31o. gol das brasileiras sem tomar nenhum.

Cerca de 60 mil torcedores se deliciavam no Maraca.

Aos 10, Marta foi derrubada na área depois de precioso lançamento de Cristiane, outra craque, e fez 4 a 0 na cobrança do pênalti.

Precisar não precisava, mas, aos 20, o árbitro inventou um terceiro pênalti para o Brasil.

Marta abdicou em favor de Elaine que fez justiça e bateu na trave.

O quinto, aos 30, foi fabuloso.

Cristiane lançou Marta pela direita como se ela fosse o Jairzinho, o Furacão da Copa de 70.

Marta deu um corte na zagueira e passou do outro lado para Daniela Alves ampliar: 5 a 0!

Trinta e três gols marcados, nenhum sofrido.

Golaço!

Em tempo de homenagens, justas e merecidas, Pretinha entrou em campo, no lugar da brilhante Cristiane.

E não é que as americanas mandaram uma bola em nosso travessão?!

Atrevidas!

As brasileiras ensaiaram um olé como resposta e tiveram o reforço de outra homenageada, Kátia Cilene em lugar de Rosana.

Vitória tão fácil em decisões importantes com a participação do futebol brasileiro, que me lembre, nem em 1958, na Suécia, 5 a 2 nos donos da casa.

Ou em 1962, no Chile, 3 a 1 na Tchecoslováquia.

Ou em 1970, no México, 4 a 1 na Itália.

Mas eram outros tempos do futebol masculino, tempos do futebol arte...

Se bem que, é verdade, a recente vitória por 3 a 0 sobre a Argentina, na Copa América, também foi fácil, mais na força que na arte, mas também na arte.

Mas é das mulheres que tratamos aqui e elas estão de parabéns.

Até menos pela medalha, que era mais ou menos obrigatória, mas pelo show.

E que show!

Se não bastasse, a 35o. medalha de ouro bota de novo o Brasil em segundo lugar no Pan, na frente de Cuba pela vantagem em pratas.

Essas mulheres e seu futebol maravilhoso.

Muito obrigado!

Por Juca Kfouri às 12h49

Noite verde

A noite de ontem começou e acabou verde.

Começou verde em Goiás, com a vitória goiana sobre o Santos, 1 a 0, que recolocou o time entre os quatro primeiros.

E acabou verde com a virada sensacional do Palmeiras, com 10 jogadores, sobre o Vasco, que vencia por 2 a 0 e saiu derrotado por 3 a 2.

Outro que se deu muito bem foi o Grêmio, que já está em segundo lugar, depois de ganhar do Náutico por 2 a 0.

O Flamengo conseguiu sua segunda vitória em 11 jogos e o Corinthians, ao empatar, completou oito jogos sem vencer.

Corinthians e Flamengo se enfrentam no domingo, no Morumbi.

Antes, exatamente hoje, torcem.

Torcem para que o Botafogo derrote o Juventude, com o que o Corinthians ficará fora da zona do rebaixamento e o Flamengo mais perto de sair dela.

O jogo será em Edson Passos, com portões fechados, atenção, às 15h.

Às 20h30, outros dois jogos reúnem Atlético Mineiro e Fluminense e São Paulo e Sport.

O Galo em desespero, no Mineirão, contra um ascendente tricolor.

E o São Paulo, em casa, disposto a retomar o segundo lugar, diante de um Sport já bem diferente do que começou o Brasileirão.



Por Juca Kfouri às 23h27

25/07/2007

As emoções da 14o. rodada

Marcos Aurélio perdeu um pênalti no começo do segundo tempo e o Goiás ganhou do Santos no Serra Dourada com gol de Welliton, que está indo embora.

Interrompida a recuperação do Santos e reavivada a do Goiás, num placar absolutamente normal.

Normal também, mas ruim para os dois, foi o empate entre Atlético Paranaense (Gustavo e Pedro Oldoni) e Cruzeiro (Araújo e Nenê): 2 a 2.

Pior para o Furacão, porque jogou em casa e o empate mineiro foi aos 48 do segundo tempo.

E sua defesa, nas bolas cruzadas, é de matar de rir. Ou de raiva, se você for atleticano.

Já o Flamengo obteve sua segunda vitória, num jogo disputado em Juiz de Fora, contra o América: 3 a 1.

A grande novidade foi o terceiro gol, marcado por Obina, depois de longo período de recuperação.

E o Grêmio ganhou de novo do Náutico nos Aflitos, que os gaúchos daqui a pouco vão apelidar de Alegres.

Na base do contra-ataque, Tuta marcou no primeiro tempo e Carlos Eduardo no segundo.

O rival Inter também ganhou, do Paraná Clube, graças a um golaço de Alexandre Pato, no último minuto do primeiro tempo.

Até aqui, nada de surpreendente.

Como não foi surpreendente o resultado do Palestra Itália, a não ser pelas circustâncias.

O Vasco, que dominava, fez dois gols em três minutos, aos 18 e 21 do primeiro tempo, com Rubens Júnior e Leandro, e pôs pressão nos donos da casa.

Valdívia descontou ainda no primeiro tempo, aos 35.

Nem empatou, aos 36, em falha do goleiro Sílvio Luiz, quando desde, os 20 minutos, o Palmeiras tinha apenas 10 em campo, graças à expulsão de Makelele.

E para delírio alviverde, Luiz Henrique, aos 41, de fora da área, virou o jogo.

Não, não era a revanche dos famosos 4 a 3 do Vasco na decisão da Copa Mercosul, mas foi uma virada sensacional, com um a menos.

Destas de retemperar.

Surpreendente apenas foi o empate em Floripa, 2 a 2, entre Figueirense e Corinthians.

O Figueirense teve umas 10 chances de gol e o goleiro Felipe foi o melhor em campo.

O Corinthians teve duas, com Wilson e Clodoaldo, uma em cada tempo, e as aproveitou.

O Figueira empatou duas vezes, com Jean Carlos e Felipe Santana, em posição duvidosa.

Num jogo também emocionante.

Por Juca Kfouri às 22h45

Está no "Blogol"

CASO RICARDINHO - A VERDADE

Por ANDRÉ KFOURI

Antes de mais nada, um aviso: não falei nem com Bernardinho e nem com Ricardinho.

O que você lerá abaixo é fruto de conversas com três pessoas próximas (de formas diferentes) do episódio do corte do levantador.

É lógico que não posso revelar seus nomes.

O desgaste no relacionamento entre os dois "inhos" é antigo e era inevitável.

São personalidades parecidas, extremamente competentes e competitivos, dois líderes de um mesmo grupo.

A posição de porta-voz dos jogadores, exercida por Ricardinho nas mais variadas questões (com a comissão técnica e com a Confederação), apenas aumenta o atrito entre jogador e treinador.

Há relatos de desentendimentos motivados, por exemplo, por folgas.

Um deles aconteceu ano passado, quando a Seleção retornou ao Brasil depois de semanas no exterior. Bernardinho deu dois dias de descanso para o time, e marcou a reapresentação para o Rio de Janeiro.

O local não caiu bem para quem não mora na cidade, o que levou Ricardinho (que vive em Maringá) a dizer algo do tipo: "Se o tempo já é curto para você, que vai dormir na sua casa, imagine para quem tem de viajar para ver a família..."

Ricardinho sempre foi, e será, contestador.

Isto serve para dizer que o corte foi o resultado de um processo, e não um fato isolado.

Mas os últimos episódios foram os seguintes: antes da última Liga Mundial, Ricardinho conversou com o presidente da CBV, Ary Graça Filho, sobre a premiação em caso de título da Liga e dos Jogos Pan-Americanos.

Ouviu do dirigente que, no que dizia respeito ao Pan, a conversa não era com ele, e sim com o Comitê Olímpico Brasileiro.

Ricardinho procurou, então, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

Há quem diga que Giba e Gustavo foram junto, mas não consegui confirmar.

Também há diferentes versões em relação ao tempo que Nuzman o deixou esperando. Mas não foi menos de duas horas.

Ao fim das quais, Ricardinho ouviu da secretária de Nuzman que não seria recebido. E foi embora.

Claro que os jogadores não gostaram.

Na Polônia, após ser escolhido o melhor jogador da fase final da Liga Mundial, Ricardinho não quis dividir o prêmio em dinheiro com a comissão técnica.

É costume que os valores de prêmios individuais sejam repartidos entre os jogadores, mas Ricardinho não achou correto que Bernardinho e seus auxiliares entrassem no rateio.

O argumento é que a comissão técnica recebe salário da CBV.

Na polêmica, dois outros líderes do time (Giba e Gustavo, eu suponho, porque não ouvi os nomes da boca de ninguém) concordaram com a posição do melhor levantador do mundo.

Foi quando Bernardinho percebeu que o controle do time estava sob risco. E decidiu pelo corte.

Ninguém pode afirmar que os dois se entenderão e voltarão a trabalhar juntos. As pessoas com quem conversei não acham que seja impossível.

Qualquer que seja o desfecho do caso, será certamente um dos capítulos mais interessantes da auto-biografia que Ricardinho está escrevendo, com a ajuda do jornalista Luiz Carlos Ramos.

O livro se chamará "Levantando a Vida", e deve ser lançado no mês que vem.

http://blogol.blig.ig.com.br/  

Por Juca Kfouri às 21h55

Brasil, 100 medalhas

O Brasil acaba de atingir 100 medalhas no Pan-2007.

Já Aruba segue sem medalhas...

Aliás, dos 42 países, 15 ainda não ganharam nenhuma e o Brasil já está na frente de Cuba, em segundo lugar.

Por Juca Kfouri às 16h41

A 14o. rodada

Às 19h30, Atlético Paranaense e Cruzeiro e Goiás e Santos.

O primeiro é um jogo entre dois times que têm tudo para ir bem no Campeonato Brasileiro, mas que, infelizmente, têm se notabilizado pela irregularidade.

Prognóstico?

Rigorosamente nenhum, mas Antônio Lopes e Dorival Júnior que se cuidem.

No Serra Dourada, um jogo pra lá de interessante.

O Goiás que precisa se recuperar do último mau resultado, menos pela derrota, mais pelo placar (0 a 3 diante do Flu), recebe um Santos em franca reação.

Basta dizer que se os paulistas vencerem passam os goianos na tábua de classificação.

Prognóstico?

Rigorosamente nenhum, mas Paulo Bonamigo e Vanderlei Luxemburgo estão tranqüilos.

Às 20h30 o Flamengo recebe o América em Juiz de Fora.

Seria, em tese, o melhor adversário do mundo para o rubro-negro fazer as pazes com a vitória e conseguir a sua segunda em 11 jogos.

Mas não só o América, enfim, venceu em Natal na última rodada como já surpreendeu o Santos e o Paraná Clube.

Ney Franco sabe dos riscos que corre.

Mesmo assim, vá lá, o Mengo é favorito.

No mesmo horário, o Grêmio volta aos Aflitos.

Que jogo rico!

Imagine a sede do Náutico em conseguir ganhar este jogo, embora, é claro, vencer não signifique uma revanche.

Qualquer coisa pode acontecer ou alguém duvida disso?

No Beira-Rio, um clássico do sul entre Inter e Paraná Clube.

Aí é o Gallo que precisa botar sua crista de molho, porque ou ganha ou...

E, no Palestra Itália, Palmeiras e Vasco, clássico de grande tradição e de muitos gols.

E, também, apenas com ligeiro favoritismo dos donos da casa.

Finalmente, em Floripa, o Figueirense recebe o Corinthians e é favorito.

A cabeça de PC Carpegiani só está em risco se ele mesmo resolver entregá-la porque, no Parque São Jorge, pescoços mais poderosos estão sob a guilhotina.

Por Juca Kfouri às 13h36

Em homenagem a Ricardo Teixeira

Este blogueiro, fora do país quando da reeleição de Ricardo Teixeira  para mais sete longos anos à frente da CBF, encontrou no poeta a melhor maneira de, mesmo tardiamente, tratar do tema:

 

Por LUIS DE CAMÕES

 

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: - Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida! 

Por Juca Kfouri às 11h35

Lembrete

Que a TAM e o PAN não nos façam esquecer do RENAN!

Por Juca Kfouri às 23h40

Três atletas que valem mais que ouro

Ontem foi o dia de três atletas brasileiros que valem mais do que pesam e mais até do que ganharam.

Dois homens e uma mulher.

A mulher é negra e se chama Janeth, também chamada de a "Dama de Ferro", terceira pessoa da Santíssima Trindade do basquete feminino brasileiro, ao lado de Hortência e Paula.

Ontem, aos 38 anos, ela encerrou sua carreira no Pan do Rio coroada com uma medalha de prata.

Antes, já tinha sido ouro no Campeonato Mundial de 1994, na Austrália, e no Pan-91, em Havana, além de outra prata nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996.

Um dos homens também tem 38 anos e se chama Hugo Hoyama, neto de japoneses.

Ele conquistou sua nona medalha de ouro no tênis de mesa do Pan-Americano e se transformou no brasileiro com maior número de ouros na competição.

Superou o ex-nadador Gustavo Borges que, como ele até ontem, tem oito ouros.

Gustavo Borges tem, ainda, duas pratas e dois bronzes nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Atlanta e Sydney.

Aos 35 anos de idade, Gustavo Borges estava ontem na torcida por Hugo Hoyma e fez questão de abraçá-lo, como tinha prometido.

Janeth, Hugo e Gustavo: nas quadras, nas mesas e nas piscinas, três atletas que estão na História do Esporte, com H e E maiúsculos.

Por Juca Kfouri às 23h20

24/07/2007

Acabou a parceria com a MSI!

Por 241 a zero, com o voto até de Alberto Dualib, o Conselho Deliberativo do Corinthians acaba de acabar (com o perdão da redundância) com a parceria com a MSI.


Agora começa a discussão sobre o afastamento de Dualib da presidência do clube.



Às 22h45 a reunião terminou depois que se decidiu por novo encontro do Conselho Deliberativo com a finalidade específica de afastar temporariamente Alberto Dualib e Nesi Curi da presidência e vice do clube.

Deve ser convocada, ainda, uma Assembléia Geral dos sócios para definir o afastamento definitivo de ambos.

O cuidado se justifica para evitar liminares dos eventuais afastados na Justiça Comum, já que o Código Civil determina que só a Assembléia dos sócios pode afastar definitivamente.

Ao que tudo indica, se não renunciar antes para evitar a humilhação, os dias de Dualib estão contados: tem mais 14 dias para infelicitar a vida dos corintianos.

Por Juca Kfouri às 21h20

O céu é o limite

César Ciello ficou, no Pan-2007, a vinte centésimos do recorde mundial do russo Alexander Popov nos 50 m livres.

É, também, nosso nadador mais talhado para se dar bem em Pequim-2008.

Saiba mais sobre ele no texto abaixo.

Por ALEX GUTEMBERG

César Ciello tem 20 anos e está no segundo ano da faculdade da Universidad deAuburn, nos EUA.

Ele nada as provas nobres da natação, 50 e 100 m livres.

Desde 17 de março deste ano, César é a foto de capa e o destaque do site da natação da poderosa NCAA, responsável pelo esporte universitário nos EUA.

Quem compete no campeonato nacional americano universitário, gente como o Spitz, Phelps, Gary Hall, Rowdy Gaines, entre outros tops, torna-se top no mundo da natação.

São 300 universidades com atletas de primeira linha na Divisão I.

O campeonato disputado no final de semana de 15 de março teve como destaque maior, entre atletas olímpicos, o brasileiro Cesar Cielo, principal
responsável pela quinto campeonato seguido da Auburn University do Alabama -meca da natação mundial.

Ciello é a foto da capa.

Dentro do artigo, Ciello é denominado como 'world class swimmer'.

Ele venceu os 50m os 100m e os revezamentos 200 medley e 200 livres, com recordes em todas as provas.

Quatro medalhas de ouro no campeonato universitário americano não é para qualquer um.

Nem mesmo para Mark Spitz!!

Em tempo: Cielo ainda tem que estudar muito, manter uma média de notas acima de 3.0 (máximo 4.0), cumprir com as obrigações acadêmicas em seu segundo idioma e treinar por 5 horas diárias.


http://www.ncaasports.com/swimming/men

Por Juca Kfouri às 15h18

Atendendo a pedidos

Reproduzo, abaixo, a coluna publicada ontem na "Folha de S.Paulo":

JUCA KFOURI

Relaxa, top top top, e goza. É ouro!


Impressiona como o país cada vez mais se acostuma a fingir e a viver, e a morrer, das próprias mentiras



PEGUE-SE QUALQUER exemplo, mas fiquemos com os mais recentes.

No esporte, para começar.

O milésimo de Romário é um bom caso.

O Pan-2007, outro.

Ora, todos sabemos que o Baixinho, fabuloso, maior jogador que uma grande área já viu, criou um objetivo para ele mesmo e todos entraram na festa. Viva!

Mentira inofensiva. Mas mentira. Mentirinha, digamos.

Com o Pan é mais grave, pelo uso do dinheiro público sem a menor cerimônia, um dinheiro que os passageiros que cruzam o país pelos ares agradeceriam se o vissem mais bem gasto.

E aí a falsidade é grave, porque mata.

Em torno do Pan, a omissão é medalha de diamantes.

Thiago Pereira, que é um nadador digno de todo respeito e não tem a menor culpa do que se omite, é tratado como quem superou Mark Spitz.

E, friamente, é verdade.

Mas meia verdade, muitas vezes pior que a mentira pura, por mais difícil de ser desmascarada.

Ora, Spitz, ao ganhar cinco ouros no Pan de Winnipeg, em 1967, simplesmente bateu três recordes mundiais, como bateu outros sete ao ganhar mais sete medalhas de ouro em Munique, nos Jogos Olímpicos de 1972.

Compará-lo a Pereira não honra nenhum dos dois.

Fiquemos por aqui, para falar do que é mais chocante, porque sempre com a cumplicidade da mídia.

A tragédia da TAM, que obscureceu o Pan, é rica em ensinamentos.

Começou não é de hoje, com o escândalo do Sivam, no governo anterior, e continuou impávida e colossal de lá para cá.

Uma frase debochada e ultrajante da ministra do Turismo, um gesto raivoso e moralmente pornográfico do assessor presidencial, um pronunciamento vazio e perplexo do presidente que nunca havia visto uma sucessão de acontecimentos tão caóticos nos aeroportos nacionais e pronto!

Tudo continua como antes, a não ser, é claro, para quem morreu e para quem ficou por aqui, na saudade.

Ora, nem Romário é um artilheiro comparável a Pelé nem Pereira é o novo Spitz nem este governo é mais ou menos culpado que o anterior.

Somos todos responsáveis, ou quase todos, que continuamos a voar como voamos, a votar como votamos, a festejar como festejamos e a reclamar mais dos que são rigorosos do que daqueles que são complacentes.

Dar ao Pan-2007 sua verdadeira dimensão é, para muitos, sintoma ou de bairrismo ou de mau humor.

E a crise aérea vira exploração política.

Mas o que se vê na TV no Pan, e o que se viu e ainda se verá na TV sobre o avião da TAM, é de dar vergonha de como se faz jornalismo/sensacionalismo no Brasil.

O ufanismo sem limites e a demagogia sentimentalóide não nos levarão a lugar algum, a não ser neste em que estamos, do caos, da falta de perspectiva e da acomodação cúmplice e criminosa.

Os resultados superdimensionados do Pan-2007 inevitavelmente se transformarão em frustração quando Pequim chegar, no ano que vem.

Ou alguém acredita mesmo que o Brasil superou o Canadá, que é mais saudável e pratica mais esporte que o país norte-americano?

Brasileiro com muito orgulho?

Quadro de medalhas: 200 mortos.

Por Juca Kfouri às 12h45

Corinthians vive mais um dia D

Não, o Corinthians não tem nenhum jogo decisivo pela frente hoje.

Até porque, com seu atual time, jogos decisivos para o Corinthians são apenas aqueles para não cair para a Segunda Divisão.

Mas o Parque São Jorge viverá se não um dia, uma noite decisiva.

O Conselho Deliberativo do Corinthians se reunirá e poderá tomar duas decisões históricas: acabar com a parceria com a MSI e afastar o presidente e o vice do clube.

Ontem, o Conselho de Orientação e Fiscalização do Corinthians decidiu, por oito votos a quatro, sugerir ao Conselho Deliberativo o afastamento de Alberto Dualib e Nesi Curi porque ambos foram denunciados pela Justiça Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

O estatuto alvinegro diz que só o Conselho Deliberativo pode tomar tais decisões, embora o Código Civil determine que apenas uma Assembléia Geral dos sócios possa afastar os dirigentes.

A noite deverá ser quente porque se o bom senso aponta para o fim de Alberto Dualib e da parceria, ainda existe gente, na oposição, que só queira a degola do presidente.

Sim, estranhamente, mesmo se dizendo oposição a Dualib, há quem ainda sonhe com a volta de Kia Joorabchian.

E olhe que contra ele pesa, simplesmente, um mandado de prisão expedido pela Justiça Federal brasileira.

Por Juca Kfouri às 23h33

23/07/2007

Vôlei sem alegria

A seleção brasileira de vôlei estreou no Pan com vitória diante do Canadá, como era mesmo de se esperar.

Três a zero, com 25/19, 25/18 e 25/17.

O trauma causado pela dispensa de Ricardinho ficou evidente: em nenhum ponto conquistado, em nenhum set vencido, nem mesmo ao fim do jogo, viu-se sequer um sorriso dos jogadores brasileiros.

Amanhã será a vez de enfrentar Cuba.

Por Juca Kfouri às 22h17

Fogueira corintiana

O CORI, Conselho de Orientação e Fiscalização do Corinthians, acaba de se reunir e decidir, por oito votos a quatro, encaminhar ao Conselho Deliberativo, que se reúne amanhã, o afastamento do presidente do clube, Alberto Dualib, e do vice-presidente, Nesi Curi, por terem sido denunciados pela Justiça Federal por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

O CORI espera que o Conselho Deliberativo vote, também, o fim da parceria com a MSI.

Por Juca Kfouri às 21h28

Haja educação!

Para receber os Jogos Olímpicos é preciso, também, ter educação.

Se não bastasse o que houve ontem no judô, hoje, no Engenhão, cada vez que a norte-americana ia saltar para tentar superar a brasileira Fabiana Murer, que foi brilhante no salta com vara, a torcida a vaiava.

Bem de acordo com o que Oscar, o "Mão Santa", fez na ginástica, ao gritar "vai cair, vai cair!", para cada ginasta estrangeiro.

Custa crer que Oscar tenha agido assim e é lamentável que linda medalha de ouro ganha por Fabiana tenha tal mancha.

Por Juca Kfouri às 20h42

Um corte previsto

Por ULISSES IAROCHINSKI

Como único jornalista (brasileiro) presente no mundial de vôlei na Polônia, onde o Brasil conquistou o heptacampeonato da Liga Mundial, posso dizer que em nada me estranhou o fato de Ricardinho ter sido cortado.

Ao final de cada partida, compareciam para entrevista coletiva, apenas, os dois técnicos e capitães das equipes.

Ricardinho apareceu só na primeira partida, derrota para a Bulgária, mesmo assim não disse nada e retirou-se antes de encerrada a participação de todos.

Nos jogos seguintes apenas o Bernardinho compareceu.

Falou, respondeu, foi extramente sincero e diplomático em suas falas e respostas.

Nesta primeira coletiva, Bernardinho responsabilizou-se pela derrota, alegando que deveria ter tirado da equipe Dante, que não estava bem na partida.

Na segunda partida, bastou Giba (esse sim o melhor da equipe) começar a errar saques e defesas de fundo de quadra para Bernardinho tirá-lo e colocar Murilo, que desencantou e foi responsável pela vitória.

Essa partida foi decisiva para que Giba tenha perdido o título de melhor do mundial para Ricardinho.

Na coletiva após a final, com a ausência de Ricardinho, jornalistas do mundo inteiro cobraram de Bernardinho.

Este fez um gesto com as mãos e cabeça dando a entender que Ricardinho tinha ficado louco com o título do mundial e de ter sido considerado o melhor do campeonato.

A coletiva foi longa, com a réplica de Bernardinho ao capitão da seleção russa Vadin Khamuttskikh, que disse que os brasileiros eram mercenários, que jogaram apenas pelo 1 milhão de euros de prêmio ao campeão.

E também deu sua versão à minha pergunta ao capitão russo de que ele tinha provocado os jogadores brasileiros nas duas partidas.

Para mim, o russo respondeu que não, que eram situações de jogo.

Para mim, Bernardinho respondeu pelo russo dizendo que não sentiu provocação, afinal Khamuttskikh enfrenta os brasileiros há anos (o russo tem 38 anos e foi o jogador mais velho do mundial) e que há uma sincera amizade entre eles.

Mas ainda sobre Ricardinho: quem pudesse acompanhar no fundo da quadra os jogos, e não ao vivo pela tela da TV Polsat (que transmitiu suas imagens para todo o mundo), teria podido perceber que Ricardinho exercia um poder paralelo ao técnico dentro da quadra.

Dizia palavrões a todo o momento, não só contra adversários, juízes, torcida, erros próprios, mas também contra todos os companheiros.

O que se percebia é que os demais sentiam a partida e manifestavam com gritos, expressões de desapontamento, raiva, alegria e satisfação.

Ricardinho ganhou o prêmio com os votos dos jornalistas polacos (maioria entre os credenciados), pois ao meu lado, entre jornalistas búlgaros, russos, franceses, libaneses, alemães, o voto foi para Giba.

Com o anúncio de Ricardinho, o jornalista da TV Al Jazeera, ao meu lado, explicou que a saída de Giba, no início do segundo set da segunda partida, foi o que tirou o título de Giba e deu a Ricardinho.

Não esquecendo que Gustavo ganhou o de melhor bloqueio de rede.

Enfim, creio que a chegada atrasada de Ricardinho aos treinos, motivada por problemas de vôos, não foi a causa do corte.

Para quem acompanhou na quadra, e não na tela da TV, Ricardinho já tinha demonstrado que dificilmente estaria no PAN.

Talvez, por isso, é que minha última pergunta ao Bernardinho tenha sidoi: "Não vai acontecer nenhum corte neste grupo para o PAN? Nenhum jogador vai pedir dispensa como fizeram Kaka e Gaúcho na seleção de futebol?".

Bernardinho tranqüilo, respondeu: "Não acredito, pois firmamos um compromisso de estarmos juntos até o final, dia 28 de julho, quando todos entrarão de férias."

Ulisses Iarochinski, jornalista, doutorando em história na Universidade Jagiellonski de Cracóvia, Polônia.

Por Juca Kfouri às 13h39

Viver é aprender

Zetti tinha uma situação cômoda no Paraná Clube.

Trocou-a pelo Galo.

Mas acaba de ser demitido.

É natural que se queira progredir na vida.

Mas com um passo de cada vez.

Não sei quanto ele ganhava no Paraná e quanto foi ganhar em Minas.

Não é da minha conta.

Digamos que tenha triplicado seu salário.

Valeu a pena?

Agora está desempregado e vê o Paraná Clube em terceiro lugar, apenas três pontos atrás do líder, enquanto o Galo está na 15o. posição, a dois da zona de rebaixamento.

Repita-se: valeu a pena?

Por Juca Kfouri às 11h02

Resumo da 13o.rodada

Sem o público de Cariacica que recebeu o Fluminense com estádio lotado, mas não anunciado, a média da rodada ficou em 13.634 pagantes por jogo.

O Mineirão recebeu o maior, com 32.999 mil torcedores, seguido pela Ilha do Retiro, com 27.570 mil.

O pior foi o do Machadão, por ironia na primeira vitória do Mecão em Natal, com 3.539 torcedores.

A Vila Belmiro ficou com o segundo menor público, 5.607.

Foram 30 gols em 10 jogos, com sete vitórias dos anfitriões e duas dos visitantes.

Empate apenas um, mas num jogo que provavelmente foi o mais emocionante de todos até aqui, entre Sport e Botafogo.

Por Juca Kfouri às 23h33

Bernardinho&Ricardinho

Apenas ouvi tudo o que foi dito pelos principais envolvidos nesta surpreendente dispensa do melhor levantador do mundo, o craque que revolucionou o jeito de se jogar vôlei.

Não conversei nem com um nem com outro, nem com ninguém.

Reservo-me o direito de ter uma opinão a respeito, é claro.

E começo por dizer que a biografia de Bernardinho não autoriza suspeitas sobre seu comportamento.

Não que ele seja perfeito, porque ninguém é.

Até mesmo não concordo com seu silêncio sobre a miserável políticagem que cerca o esporte nacional em todos os sentidos.

E embora não veja nenhum problema em que ele faça as vezes de garoto-propaganda, me constrange vê-lo anunciar produtos que, certamente, não têm o nível de excelência que ele se impõe e aos seus comandados.

Bernardinho não é jornalista e pode fazer publicidade. Só não pode querer pautar a imprensa.

Mas duvido muito que Bernardinho tenha tomado uma decisão sem ouvir o grupo de atletas da seleção brasileira.

E embora acredite que um bom líder precise ter capacidade para gerenciar crises em nome do objetivo final, imagino que o desgaste tenha chegado a tal ponto que não era mesmo possível continuar.

Provavelmente ele fez o que fez para poder ter Ricardinho em futuro mais desafiador.

Apesar de achar que, no mínimo, a coisa tenha sido feita de maneira infeliz, ao expor o atleta desnecessariamente.

Não precisava esperar que ele se apresentasse no hotel, por exemplo.

Melhor teria sido resolver o problema antes.

Quanto à convocação de Bruno, filho do técnico, nada contra.

Bernardinho, repito, tem uma história que não permite que se suspeite desse tipo de protecionismo.

E Bruno é ótimo jogador, o terceiro melhor levantador do país.

Agora, que deu uma quebrada no encanto da vitoriosa seleção brasileira de vôlei masculino, lá isso também é verdade.

Nota do blog, às 10h25: A leitura dos jornais de hoje que dão conta da reação dos atletas exige que se retifique parte da opinião acima, onde está dito que  "duvido muito que Bernardinho tenha tomado uma decisão sem ouvir o grupo de atletas da seleção brasileira".

Está claro que os jogadores foram pegos de surpresa, ao contrário das declarações evasivas que fizeram diante das câmeras de TV no domingo.

O que torna a crise mais grave e permite mesmo supor uma atitude autoritária de Bernardinho.


Por Juca Kfouri às 23h13

22/07/2007

Campeonato aberto

O equilíbrio é tamanho no Campeonato Brasileiro que basta observar o seguinte:

faça um corte na tabela bem no meio;

pegue o Sport, em 10o. lugar, com os mesmos 18 pontos do Santos;

observe que ambos estão a apenas três pontos da zona da Libertadores, que tem o Grêmio em quarto lugar;

mas veja, também, que os dois estão só quatro pontos na frente do primeiro dos últimos, o Corinthians.

Há que se observar, ainda, que Botafogo, Vasco, Fluminense, Juventude e Corinthians têm 12 jogos, um a menos que todos os demais, exceção feita ao Flamengo, que tem apenas 10 partidas.

Mas até isso precisa ser visto com cautela.

Porque o que deve ser positivo para os três primeiros cariocas, é, aparentemente, negativo para Juventude, Corinthians e Flamengo.

Sim, porque Botafogo, Vasco e Flu têm motivos para acreditar que ganharão os três pontos que disputarão.

Já os outros três...

Em bom português: está tudo aberto.

Em cima, no meio e embaixo.

Menos embaixo do que em cima, é verdade, mas, ainda assim, tudo aberto.

Por Juca Kfouri às 20h36

Santos achou seu artilheiro?

Kléber Pereira estreou com a função de fazer gols.

E fez dois, logo de cara.

Precisa mais?

Pedrinho ainda fechou o placar, depois do Figueirense ter diminuído.

Se o problema santista era falta de um centroavante de referência, será que Kléber Pereira é a solução?

Parece que sim, ainda mais com o outro Kléber centrando bolas em sua cabeça, como no primeiro gol.

Fato é que o Peixe já se aproxima da zona de Libertadores.

Por Juca Kfouri às 19h21

O Paraná sobe, o Palmeiras cai

O Palmeiras criou pouco e o Paraná Clube acertou um gol lotérico, em cobrança de falta que era mais um cruzamento de Márcio Careca.

Só que Dininho achou de complicar o alviverde, fez uma falta criminosa, foi expulso e, curiosamente, o Palmeiras até melhorou, além de ter um gol mal anulado ppor impedimento de Valdivia.

Foi tudo, no entanto.

Porque o Paraná Clube mandou bola na trave e quase viu o artilheiro Josiel marcar um golaço, de letra.

Outra vez, os paranistas, agora com seu terceiro técnico (Gilson Kleina) porque abandonado por Zetti e por Pintado, está na cabeça da tabela.

Por Juca Kfouri às 19h17

Jogaço na Ilha do Retiro

Fosse o contrário e não teria sido injusto, mas o intervalo chegou com o líder na frente, mesmo sem Juninho, Zé Roberto e Dodô.

O Sport voltou com Weldon que, no primeiro minuto, incendiou a Ilha do Retiro.

Quase fez um gol em segundos e no primeiro minuto cabeceou na trave.

Bruno pegou o rebote e empatou.

Se o jogo vinha equilibrado, ficou emocionante.

E logo aos seis, André Lima foi novamente feliz, ao cabecear em cima do zagueiro Bruno que desviou para dentro do próprio gol: 2 a 1.

O Sport parecia condenado a perder sua primeira partida em casa.

Mas só parecia.

Porque o oportunista Carlinhos Bala estava impossível.

Bem colocado, aproveitou-se de um cruzamento da direita e, aos 11, empatou de novo.

Aí, o Botafogo foi quem tratou de tentar cozinhar o jogo.

Só que Carlinhos Bala queria mais e fez um golaço, aos 31, de bate-pronto, novamente se aproveitando de um cruzamento da direita.

Seria a quinta vitória em sete jogos do Leão em casa.

E a quinta derrota do Botafogo em 2007.

E a segunda derrota, tomando três gols, sem Dodô.

Seria.

Porque, aos 48, André Lima fez mais um e empatou de novo: 3 a 3.

O Sport ganhou quatro e empatou três na Ilha.

O Botafogo conseguiu um resultado que acabou sendo excelente.

O alvinegro ainda tem um jogo a menos que o vice-líder São Paulo e está três pontos na frente do tricolor.

Por Juca Kfouri às 19h12

Aos navegantes

Há algum problema no envio de comentários.

Porque tem gente reclamando de comentários não publicados que simplesmente não chegaram ao blog.

Por Juca Kfouri às 17h34

Tricolores em ação. Povão no fundo do poço

Perder para o Grêmio no Olímpico é um resultado normal para qualquer time do mundo.

E o Flamengo perdeu, mas com gol contra: 1 a 0, graças a Irineu.

E o Flamengo não podia perder, porque só venceu uma vez em nove jogos.

E já segura a lanterna sozinho e nem que vença os três jogos que tem a menos sairá de perto da zona do rebaixamento.

Só que o Grêmio não tinha nada com isso e segue adiante, candidatíssimo.

Perder para o Náutico no Morumbi é um resultado anormal para qualquer time paulista.

E o Corinthians perdeu, de 3 a 0, também com um gol contra.

Corinthians que já havia perdido, mas só por 2 a 0, para o mesmo Náutico na Copa do Brasil, mas no Pacaembu.

Ou seja, para o atual Corinthians, nada é anormal.

Corinthians que perdeu o rumo de casa e já faz companhia ao América, ao próprio Náutico e ao Flamengo, na rabeira.

Não foi por falta de aviso, diga-se.

Já o São Paulo virou para cima do Cruzeiro, no Mineirão animado.

Porque o São Paulo, apesar da campanha insatisfatória para seus padrões mais recentes, é melhor que o time mineiro.

E jogou melhor para vencer, depois de estar perdendo de 1 a 0.

O gol da vitória, de Hernanes, foi uma pintura.

Outro tricolor que anda com tudo e só não pode ficar prosa porque tem caminho pela frente é o Flu.

Não só por ter derrotado o próprio São Paulo na rodada passada como também porque ninguém enfia 3 a 0 no Goiás sem méritos.

E o campeão da Copa do Brasil começa a mostrar que quer mesmo voltar a ser campeão brasileiro.

Por Juca Kfouri às 17h08

Comparar, informar e nadar

Thiago Pereira ao ganhar seis ouros no Pan-2007 superou Mark Spitz, o nadador norte-americano que ganhou cinco em Winnipeg, em 1967.

Disso o país todo já sabe.

O que poucos sabem é que Spitz, então, quebrou nada menos que três recordes mundiais, nos 100 e 200 metros borboleta e no 4x200 livre.

Custa dar informação tão simples?

Em tempo: depois de Winnipeg, Spitz sentiu a altitude na Cidade do México nas Olímpiadas de 1968 e ganhou apenas duas medalhas de ouro.

Decepcionado, estabeleceu que em Munique, quatro anos depois, a história seria outra.

Então, "entrou para a história ao conquistar sete medalhas de ouro nas provas da natação, quebrando o recorde mundial de todas elas, feito jamais igualado até hoje e tornando-se o grande nome da natação norte-americana e mundial em todos os tempos.

Spitz disputou e venceu os 100m livre, 200m livre, 100m borboleta, 200m borboleta, 4x100m livre, 4x200m livre e 4X100m medley".

Está na Wikipédia, facinho, facinho.

Por Juca Kfouri às 23h24

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico