Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

04/08/2007

Vampeta salva

Quem acompanha este blog sabe que a aposta do Corinthians em Vampeta não mereceu o menor apoio.

Ao contrário.

Mas ele foi a diferença alvinegra na partida diante do Goiás.

Principalmente no primeiro tempo, porque se poupou no segundo, visivelmente cansado.

Mas erro ele só cometeu um, já no fim da primeira etapa, quando perdeu uma dividida no meio de campo e não teve pernas para acompanhar quem lhe roubou a bola.

De resto, foi um oásis.

Deu lançamentos precisos, alguns de 30, 40 metros, nem sempre bem entendidos pelos atacantes alvinegros.

E foi dos pés dele que nasceu o gol corintiano, ao lançar Evérton Santos que cruzou para Clodoaldo marcar, aos 19 minutos de jogo.

Diante de apenas 4.229 pagantes, o Morumbi viu no baiano que voltou a jogar com a camisa que lhe faz um bem que nenhuma outra fez, embora volante, o verdadeiro armador alvinegro.

Se foi a peça decisiva na vitória parcial, quem garantiu a definitiva, depois de 10 jogos, foi o goleiro Felipe com, pelo menos, um milagre.

Verdade que Harley também teve que fazer defesas difíceis, principalmente porque o Goiás ficou reduzido a 10 jogadores ainda aos 17 da etapa final.

Enfim, quem diria, o velho Vamp voltou e bem.

Melhor ainda para o Corinthians foi a virada do Sport, outra vez heróico, para cima do Atlético Paranaense.

Perdia por 2 a 0 no primeiro tempo e virou para 3 a 2 no segundo (aos 43), complemento ideal para a vitória, com apenas nove jogadores, que havia conseguido diante do Palmeiras.

Assim, o Corinthians deixou o Furacão para trás.

Em Natal, o Náutico, que não ganha em casa, aplicou uma goleada no América, em Natal, por 5 a 1, porque fora de casa faz o diabo.

Por Juca Kfouri às 19h07

Virou um inferno

Por FLÁVIO RICCO, da coluna Canal 1

Hoje, o seriado infantil "Família Dinossauro" e o "Jornal da Band" são as duas maiores audiências da Rede Bandeirantes.

Alguém poderia perguntar: e o que esses programas têm em comum?

A resposta é simples: nenhum dos dois tem merchandising.

Nos dias atuais, sem qualquer receio em cometer algum exagero, pode-se afirmar que essa ação comercial, que nem nome em português possui, é uma das coisas piores, mais nefastas, na vida de muitos programas.

E nem falo dos esportivos, onde o exagero superou todos os limites do suportável.

A referência vale a todos os outros, principalmente àqueles distribuídos na faixa vespertina.

Vendem de tudo.

De dentadura À máquina de descascar amendoim.

Tentam passar como informação, uma coisa que só existe para tomar dinheiro dos desavisados.

Não tenho dados sobre o funcionamento disso e que tipo de reação essa massificação provoca no público de casa, mas existem números concretos sobre quedas de audiências nesses programas.

Nem poderia ser diferente.

Exceção feita à TV Globo, que sempre se preocupou em qualificar a sua faixa comercial, todas as outras apelaram para esse nicho.

Ou é a lei do menor esforço ou falta de competência.

De duas, uma.

Algo, inclusive, que já começa a incomodar os grandes anunciantes.

Por Juca Kfouri às 23h01

03/08/2007

Resumo da 16a. rodada

Com atraso, devido a um dia agitado, segue, como habitualmente, os números da 16a. rodada, ainda incompleta pelo adiamento de Flamengo e Cruzeiro, mais uma colaboração da CBF para esculhambar sua principal competição:


o maior público, de 22.084 pagantes, ficou para o Beira-Rio, com 76 torcedores a mais que o jogo do Mineirão.


A ironia é que tanto Inter quanto Galo perderam para Vasco e Santos.


O menor público aconteceu no Serra Dourada, com apenas 3.521 pessoas.


A média ficou na casa de 11.882 torcedores.


Foram 25 gols, 2,7 por jogo.

Por Juca Kfouri às 15h47

Sentença homofóbica

Faz bem o advogado de Richarlyson em mandar para o Conselho Nacional de Justiça a homofóbica sentença de juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho.

O magistrado parece ter exorbitado em suas funções.

Decretou que futebol é coisa para homens e que se homossexuais quiserem disputá-lo que tratem de fundar suas próprias federações, como revelou hoje a "Folha de S.Paulo", em reportagem de Mariana Basto e Ricardo Perrone.

Não se discute, veja bem, o fato de ele ter absolvido o dirigente do Palmeiras que cometeu um ato falho num programa de TV.

Também o absolveria.

Mas a sentença passou de quaisquer limites do mais empedernido machismo em pleno século 21.

E ainda põe em dúvida a autenticidade de uma coluna deste blogueiro, na "Folha de S.Paulo", anexada pela defesa do jogador, ao se referir a ela como "suposta".

Não, a coluna existe, foi escrita e defende o direito das minorias.

Ainda mais quando vítimas de sentenças tão insensatas.

O que prova, aliás, que não é verdade que uma sentença da Justiça deve ser cumprida e não discutida.

Cumpra-se, sim, mas discuta-se, também.

Porque faz bem, ainda, à cidadania.

Por Juca Kfouri às 15h26

Os jogos do fim de semana

Dos jogos deste fim de semana, pela 17a.rodada do Brasileirão, um é particularmente palpitante: Grêmio e São Paulo, no domingo, no Olímpico, às 18h10.

Se o Grêmio não vencer precisará de um grande esforço para continuar a sonhar com o título, embora uma derrota não signifique o fim de seus projetos.

Mas, sem dúvida, é o grande jogo da rodada.

Como é, também, por motivos óbvios, muito interessante o jogo da Vila Capanema, mesmo domingo e horário, entre o Paraná Clube e o Botafogo, com a provável volta de Dodô, um jogo sempre complicado para os visitantes.

De resto, no sábado, às 18h10, três jogos.

O Corinthians recebe o Goiás, ainda no Morumbi, com o time goiano na condição de favorito e o paulista à beira de um ataque de nervos.

O América recebe o Náutico, clássico nordestino de desesperados.

E o Sport, redivivo com a heróica vitória sobre o Palmeiras, em São Paulo, pega o Atlético Paranaense cheio de problemas, repleto de desfalques.


Já no domingo, além das duas partidas citadas às 18h10, tem ainda Vasco e Figueirense.

O Vasco vence tudo em São Januário, está jogando um futebol convincente, deve ter o apoio de sua torcida e pegará um Figueira animado pelo resultado diante do Grêmio, mas, certamente, retrancado.

Às 16h, quatro jogos.

Um reabre o Maracanã para o Campeonato Brasileiro, entre Fluminense e Palmeiras.

Tudo é possível neste clássico.

No Mineirão, Cruzeiro e Inter, com favoritismo mineiro, primeiro jogo dos gaúchos sem Alexandre Pato.

Santos e Flamengo jogam na Vila Belmiro, para desespero dos rubro-negros.

E o Juventude recebe o Galo, outro jogo sem prognóstico, porque os dois times não despertam confiança.

Por Juca Kfouri às 10h44

O Pato aqui? Não, o Pato ali, o Pato acolá...

Dizem que o pato não faz nada bem.

Que ele corre mal, nada mal e voa mal.

Pode ser.

Mas Alexandre Pato desmente o que dizem.

Porque ainda antes de completar 18 anos, o que só acontecerá no dia 2 de setembro, está indo para o Milan, para ganhar 24 milhões de reais por um contrato de cinco anos.

O Inter, time pelo qual Pato jogou 27 vezes, marcou 12 gols e foi campeão mundial, receberá 54 milhões.

Pato voa hoje para Milão.

Voa bem ou voa mal?

Certamente voará de primeira classe.

Enquanto o futebol brasileiro fica a ver navios, cada vez mais de segunda.

Por Juca Kfouri às 23h55

02/08/2007

Figueira pára o Grêmio

Em Floripa, chuva. Muita chuva.

E uma arbitragem que acendeu uma vela para Deus e outra para o Diabo.

Prejudicou o Figueirense na marcação de um impedimento absurdo e, em seguida, fez o mesmo com o Grêmio.

Ainda no primeiro tempo, expulsou Ruy, do Figueira, e, para compensar, Anderson Pico, do Grêmio.

Resultado do primeiro tempo: 0 a 0.

O segundo tempo começou com o Grêmio na base da pressão, mas a melhor chance de gol, aos 16, foi do Figueirense.

O Botafogo gostava do empate.

Com um jogo a menos, sempre é bom lembrar, ficava cinco pontos na frente do Grêmio, como já estava do Vasco e do Goiás, todos com 26 pontos.

Aos 23, o Figueira triscou o travessão gaúcho, com André Santos.

Só dava o alvinegro catarinense.

Que, aos 41, fez o gol da vitória, com Piter.

Sexta vitória do Figueira contra o Grêmio em Floripa, contra apenas uma derrota



O Botafogo também gostou, como o São Paulo, o Vasco e o Goiás, é claro.

Por Juca Kfouri às 21h22

São Paulo não dá folga

O São Paulo tomou um susto logo de cara, aos 2 minutos, com o gol do Juventude.

Que se já vinha para se defender, passou a jogar todo atrás.

Até que Souza bateu forte uma falta (a única coisa que fez, aliás, até ali) e no rebote do goleiro o zagueiro Miranda empatou, aos 31.

Era justo, mas era pouco.

O São Paulo tinha a obrigação da vitória, mas tinha de jogar bola.

E foi em busca dela no segundo tempo.

O empate só ficava bem para o próprio Juventude e...para o Botafogo.

Botafogo que viveu um dia glorioso, com a confirmação de que terá o Engenhão por 20 anos e com a correta absolvição de Dodô, por 5 a 3, no STJD.

E se mantinha, com um jogo a menos, dois pontos adiante do vice-líder São Paulo.

O São Paulo voltou um pouco melhor e o Juventude um pouco mais ofensivo.

Duas vezes Rogério Ceni correu riscos, mas, aos 31, Leandro driblou para lá e para cá três vezes pela esquerda e pôs na cabeça de Borges, para virar o jogo: 2 a 1.

Aos 37, em jogada de Souza pela direita, Hugo fez 3 a 1.


Júnior, que entrou no segundo tempo, ainda quase fez o quarto gol.

Acabou a folga botafoguense.

Por Juca Kfouri às 21h21

Paga, Euricão!

Após sete anos, entre o início da causa e a execução da condenação, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, foi obrigado a pagar indenização de R$ 350 mil ao jornalista Renato Maurício Prado, por crime de calúnia, injúria e difamação, cometidos contra o colunista do Globo, na TV e na Rádio.

A condenação final foi da 16ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, confirmando decisão da 7ª Vara Cível, também do Rio.


Após muita relutância, Eurico concordou em pagar pois, se não o fizesse, teria leiloada (para quitar o débito) a sua casa de Angra dos Reis, penhorada pelo advogado Carlos Roberto Barbosa Moreira, que defendia o jornalista.


Antes, porém, o dirigente ainda tentou doar o imóvel à esposa e aos filhos, numa manobra impgunada pelo Tribunal de Justiça, em recurso mais recente, declarando que a doação que Eurico fizera da casa de Angra (aos filhos e à mulher, com quem é casado pelo regime da separação total de bens) fora realizada em fraude à execução.



Há ainda um detalhe delicioso: o pagamento foi feito com depósito à vista - dinheiro vivo!!!

Feito pelo próprio Eurico.

Por Juca Kfouri às 18h28

Os jogos desta noite

São Paulo e Juventude e Figueirense e Grêmio os jogos desta noite, às 20h30, são.

O São Paulo não corre grandes riscos, a não ser o de vencer a sua recente inapetência para fazer gols.

Risco aumentado diante da aguardada retranca gaúcha.

Já o Grêmio tem uma tarefa mais complicada em Floripa, onde habitualmente se dá mal contra o Figueira.

O Botafogo está com os times do sul e não abre: é Juventude e Figueirense desde criancinha.

Já os corintianos, que ironia, terão de torcer pelo São Paulo.

Uma vitória do Juventude no Morumbi tira o time da zona de rebaixamento e bota nela, exatamente, o Corinthians.

Cláudio Duarte, que era o auxiliar de PC Carpegiani, agora dirige o Juventude.

Por Juca Kfouri às 14h20

01/08/2007

Vasco e Santos vencem. Empate na Arena

Parecia mentira.

Mas enquanto Alberto Dualib esteve fora do país o Corinthians ficou invicto sete jogos, com três vitórias, com o time que tem, no Brasileirão.

Ele voltou e o time não ganhou mais.

Passou nove jogos jejuando, com quatro derrotas.

Aí, hoje, pouco mais de duas horas antes de o jogo entre Atlético Paranaense e Corinthians começar, ele saiu da presidência do clube.

E não é que o Corinthians quase ganhou?

Saiu perdendo com um gol tomado no último minuto do primeiro tempo, daqueles que costumam ser fatais, mas virou.

E virou com William, que ainda não tinha feito gol como profissional com a camisa alvinegra.

Fez um de falta, num frangaço do goleiro Guilherme, e um golaço, depois de comer dois adversários pela esquerda e fulminar de fora da área.

E ainda deu sorte, porque Felipe também ia tomando um frangaço em chute de Nei e a bola acabou batendo na trave.

Mas, daí, parece que o zagueiro Cadu (que PC Carpegiani fez entrar aos 28 do segundo tempo no lugar do centroavante Clodoaldo) se lembrou que Dualib só se afastou, ainda não foi embora de vez.

E, no finzinho, numa bola cruzada por Rogerinho, e que era todinha de Felipe, ele tentou botar a escanteio e botou para dentro do gol: 2 a 2.

Ruim para os dois.

E 10 jogos sem vencer na campanha alvinegra.

Então a festa dos visitantes nos jogos quase de madrugada ficou apenas para  Santos e Vasco que venceram o Galo e o Colorado por 2 a 1 e 2 a 0.

O Vasco chegou a ser dominado pelo Inter, correu riscos, mas fez dois gols (quase três), na parte final do primeiro tempo (Alan Kardec e Leandro Amaral).

E obteve sua segunda vitória fora de casa e contra um adversário que já sonhava com vôos mais altos.

Mas quem está lá em cima é o time cruzmaltino.

Já o Santos fez um gol em cada tempo no Mineirão (Marcos Aurélio e Kléber Pereira) com dois passes de Kléber, jogando no meio de campo.

Danilinho ainda descontou, mas não bastou.

Não dá nem para imaginar como vão sofrer os meninos do Galo nas mãos de Leão.

Era tudo que eles não podiam fazer, perder para o time de Luxemburgo.

Por Juca Kfouri às 22h45

Botafogo em estado de graça

O Botafogo até assustou, porque duas vezes esteve na frente e duas vezes falhas clamorosas em sua defesa permitiram que o América empatasse.

Mas depois que o jogo ficou 2 a 2 o líder resolveu jogar para valer.

E logo fez 4 a 2.

Zé Roberto, aliás, que marcou dois gols, fez a diferença.

A verdade é que há problemas na defesa alvinegra (21 gols sofridos em 15 jogos é muito para quem luta pelo título) e que, por mais que André Lima esteja fazendo gols (marcou mais um, seu 11o.), Dodô faz falta para que o time se imponha com mais autoridade.

Enfim, problemas a serem resolvidos.

Mas o Fogão segue na frente e ainda recebeu hoje a ótima notícia de que sua nova casa será o Engenhão (embora ainda não seja algo que, juridicamente, esteja confirmado), fruto da inegavelmente boa administração de Bebeto de Freitas, para alegria do titio João Saldanha se estivesse vivo.

Nelson Rodrigues é que não ficaria nada feliz ao ver mais um empate do Fluminense, desta vez diante do Náutico, sem gols, no Recife.

Se foi ruim para o Timbu em sua luta para reagir, também foi para o tricolor que, assim, não disputará título algum.

Até porque o Náutico lhe foi superior.

Alegre mesmo está Paulo Baier, o homem certo no lugar certo no Goiás.

Fez o primeiro gol e deu o segundo ao seu time na boa vitória diante do Paraná Clube, 2 a 0 no Serra Dourada.

E tristes ficaram todos os palmeirenses que viram seu time ensaiar uma goleada diante do Sport e permitir a virada e segunda vitória do rubro-negro fora de casa: 2 a 1 no Palestra Itália.

Pior: o Sport teve dois jogadores expulsos, aos 12 do primeiro e aos 28 do segundo tempo, e nem assim o Palmeiras empatou, ao menos.

Edmundo deve estar morrendo de rir e o Palestra Itália voltou a virar assombração.

O Sport, por seu lado, mostrou que a goleada sofrida contra o Inter foi mesmo um acidente de percurso.

Nos jogos das 21h45, os visitantes Santos e Vasco vão levando vantagem sobre Galo e Inter, com gols de Marcos Aurélio e Alan Kardec.

Por Juca Kfouri às 21h26

Síndrome de Estocolmo

Como diz o excelente biógrafo Ruy Castro, biografados deveriam ser pessoas que já morreram, há quanto mais tempo melhor, e melhor ainda serão se não tiverem parentes vivos.

João Havelange como se sabe, está vivo.

E acaba de ser objeto de mais uma biografia.

Ou melhor: de um panegírico.

O título deveria ser "São Havelange", mas é "Jogo Duro".

Duríssimo, diria o crítico.

De engolir.

O autor, Ernesto Rodrigues, não só submeteu o texto final ao biografado, como confessa ter atendido alguns de seus pedidos.

E, ao que tudo indica, foi atingido pelo que se chama de Síndrome de Estocolmo, aquela que faz com que o seqüestrado se apaixone pelo seqüestrador.

E se você quiser ler a verdade sobre o personagem, dedique seu tempo à leitura mais útil em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/inde080698.htm

Por Juca Kfouri às 19h35

Dualib pede licença

Em reunião que terminou neste momento, no Parque São Jorge, Alberto Dualib pediu licença por 60 dias da presidência do Corinthians.

Da reunião participaram, além de Dualib, o vice-presidente Nesi Curi, que também se licenciou por igual período, o advogado do clube, Heraldo Panhoca, o presidente do Conselho Deliberativo, Carlos Senger, e os cardeais alvinegros Rubens Approbato Machado, Wadi Helu e Roque Citadini.

Na segunda-feira, assumirá a presidência do Corinthians um de seus vices, Clodomil Orsi, escrivão do Fórum e presidente dos serventuários da Justiça de São Paulo.

Durante o período em que Dualib e Curi estiverem afastados , continuará a investigação interna a que estão sendo submetidos.

Approbato e Citadini divergem sobre a reunião prevista para o próximo dia 7, quando o Conselho Deliberativo deveria votar o afastamento do presidente e do vice.

Para Approbato a reunião perdeu seu motivo, com o que Citadini não concorda e, por isso, convocou nova reunião do CORI, que preside, para uma deliberação conjunta a respeito.

Em seu discurso, Dualib chamou de "ratos" os vice-presidentes que o abandonaram na hora H e se disse "traído" pela MSI.

Em sua carta alegou dois motivos básicos para seu afastamento: juntar documentação para se defender na Justiça Federal do indiciamento por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha e, também, a não aprovação de suas contas no período 2005/2006.

Ninguém acredita que tanto ele quanto Curi voltem um dia aos cargos que ocuparam.

Por Juca Kfouri às 18h36

A 16o. rodada do Brasileirão

Está o desafortunado blogueiro diante das perspectivas dos sete jogos que hoje abrem a 16o. rodada do Brasileirão.

Estamos apenas a quatro rodadas do fim do primeiro turno e cadê um mínimo de lógica no que vimos até aqui, se o Santos perde em casa, por exemplo, para os rabeiras?

Tirante Botafogo e, em menor medida, mas vá lá, o São Paulo, quem tem passado alguma segurança?

Mas há que dar a cara a tapa.

Vamos lá:

Às 19h30, no Serra Dourada, o Goiás, como favorito, pega o Paraná Clube, que provavelmente perderá seu artilheiro Josiel, sempre surpreendente.

No mesmo horário, Náutico e Fluminense, nos Aflitos.

Que me perdoem os tricolores, mas cravo no Timbu depois que o time pernambucano deu a lição que deu a este blogueiro na Vila Belmiro.

Dará uma segunda lição, decepcionando?

Às 20h30, no Palestra Itália, com Edmundo devidamente barrado, o Palmeiras recebe o Sport que, depois de ganhar a primeira fora de casa, achou de perder também a primeira em casa e em grande estilo, de goleada para o Inter.

O Palmeiras exorcizou o medo de jogar em casa diante do Vasco e deve confirmar hoje.

Ainda às 20h30, Botafogo e América, em Cariacica.

Não me venham com o papo de que futebol é futebol: é Botafogo e ponto final.

Finalmente, três jogos às 21h45, em Curitiba, Porto Alegre (nada mais adequado, aliás, do que este horário nesta fase do ano em duas capitais de temperaturas elevadíssimas em agosto) e em Belo Horizonte.

É claro que o Galo de Leão tem tudo para jogar o Santos de Luxemburgo no começo de uma crise no Mineirão.

Até porque, pobre do time mineiro se aprontar uma desfeita para seu novo técnico bem diante do desafeto figadal.

O Inter, no Beira-Rio, deve se aproveitar de seu ótimo momento para evitar o que seria a segunda vitória vascaína fora de casa (perdeu cinco e empatou uma vez). 

E na Arena da Baixada, honestamente, não dá para chutar nada.

O Furacão sem cinco titulares (Alex Mineiro, Evandro, Alan Bahia, Clayton e Edno) contra o Corinthians completo, o que também não significa lá grande coisa.

O blogueiro, humilde, ressabiado e calejado, entrega o resultado ao Deus dos estádios. 

 

Por Juca Kfouri às 11h01

No "Estadão" de hoje


Ricardo Teixeira: houve bebedeira na Copa de 2006


Presidente da CBF revela um ano depois alguns dos motivos que levaram o Brasil ao fracasso na Alemanha


Por JAMIL CHADE E ALMIR LEITE


Zurique - Em um desabafo pouco habitual, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, revelou na noite de anteontem alguns dos motivos que, acredita, levaram a seleção brasileira ao fracasso na Copa da Alemanha. Ele acusou alguns jogadores até de chegarem bêbados na concentração, ao se reapresentarem após as folgas. Em uma conversa entre Rui Rodrigues, representante da agência MPM - que organiza a candidatura do Brasil à Copa de 2014 -, e da qual participou o Estado, no lobby de um hotel em Zurique, Teixeira não economizou críticas a um grupo de jogadores, ainda que não fizesse menção aos nomes dos indisciplinados. "Tinha jogador que chegava entre 4 e 6 horas da manhã, bêbado??, afirmou.

O Brasil decepcionou na Copa de 2006 e irritou os torcedores, principalmente em relação ao comportamento de algumas estrelas. Já durante a preparação na cidade suíça de Weggis, o clima era mais de festa que de treinamento, com ingressos sendo vendidos por até US$ 100,00 para ver Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos e cia. darem voltas no campo. "Era óbvio que aquilo não ia funcionar. Como é que ninguém via isso?", disse Teixeira.

O desabafo do dirigente foi em seguida a um comentário sobre a "coragem?? do técnico Bernardinho, da seleção masculina de vôlei, de cortar o capitão Ricardinho, um dos melhores jogadores do mundo, às vésperas do Pan. Ainda assim o Brasil conquistou a medalha de ouro.

Sem citar nomes, o presidente da CBF insinuou que o comando da seleção de futebol na Alemanha não era firme - o técnico era Carlos Alberto Parreira. A escolha de Dunga para suceder Parreira teria a função de corrigir esses e outros erros. "Por isso é que eu preciso de disciplina e esse é o papel do Dunga.??

Teixeira ainda deu a entender que não teria qualquer problema se Dunga deixasse de vez de convocar o atacante Ronaldo. "Com quantos anos está Ronaldo hoje? Com quantos ele estará em 2010 na Copa? É só isso que eu tenho a dizer.?? No Mundial da África do Sul, o atacante estará com 33 anos. "Temos de encontrar outro Ronaldo.??

O presidente da CBF disparou, ainda, contra a então condição física do Fenômeno. "Como é que um atleta pode chegar a uma copa pensando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta??, afirmou. Durante a Copa, o peso de Ronaldo - que estava visivelmente com alguns quilos a mais - foi tratado como um segredo de estado.

O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, chefe da delegação brasileira na Copa da Alemanha, afirmou não ter conhecimento dos excessos alcoólicos dos jogadores. "Se isso aconteceu eu não vi, porque a comissão técnica deve ter escondido muito bem esses ocorridos, até mesmo do chefe da delegação.?? Ronaldo foi procurado por meio de sua assessoria de imprensa, mas não se pronunciou. Parreira, atual técnico da África do Sul, não foi localizado.


Dois comentários:


1. Está claro por que Ronaldo foi escolhido como o bode expiatório de 2006;


2. E o presidente da CBF acha que pode se eximir de qualquer responsabilidade?


Repita-se a pergunta dele, literalmente: "Era óbvio que aquilo não ia funcionar. Como é que ninguém via isso?".

Por Juca Kfouri às 10h44

Está no "Cidade do Futebol"

Um gol para o Iraque

Por EUGENIO GOUSSINSKY

O clérigo Moqtada al Sadr deve ter assistido. Abu Mussab al Zarqawi não, porque, ex-líder da Al Qaeda no Iraque, morreu em emboscada. Mas Nuri Al Maliki, premiê xiita que tenta pacificar o país acompanhou roendo as unhas. O mesmo fez o curdo Jalal Talabani, presidente, na sua política para implementar na prática uma nova constituição já aprovada.

E o betume negro que se fez no céu do Iraque, terra ancestral acarinhada pelo Tigre e Eufrates, ganhou um lampejo proustiano de nobreza humana. Enquanto o país não consegue juntar seus fragmentos, nem restituir seu passado bíblico, sua seleção de futebol, comandada por um corajoso brasileiro, funcionou como equipe. Reintegrou na alma a geografia esfacelada da Mesopotâmia.

Não sei se Younis Mahmoud, autor do gol do título iraquiano da Copa da Ásia 2007 é xiita, sunita ou curdo. Só sei que ele uniu um país, redimensionou sua origem desde a fundação de Bagdá e de toda a tradição islâmica que desenhou o rosto de um povo. Younis e seu grupo emendaram retalhos de sangue e dor em um grito de vitória. Apenas um nessa imensidão de agonia, mas que bastou por ora.

Também os americanos torceram pelo Iraque. Foi uma força maior que esteve presente na violenta Jacarta, onde ocorreu a partida, terra também de rusgas entre cristãos e muçulmanos, afagando consciências, acalmando ódios, purificando corações. Todo ser humano tem um lado bom.

Quando este é preservado, milagres florescem, sorrisos brotam em marcha para a vida e não mais olham para trás, esquecendo-se da selvageria brutal e insana que transformou suas existências numa Sodoma sitiada de desesperança.

Não, isso não é o futebol. É o homem, através do futebol, acolhendo diferenças, reinando soberano. Por isso o esporte é generoso. Traz em seu cerne a consciência de que sua beleza toda é feita para outros apreciarem e não o seu ego, impulsionado pela perfeição da esfera. Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, para construir e não destruir.

E a bola é uma súdita dos desígnios de seus chefes. Une e não separa.

Como as bombas o são, para o outro lado. Neste, a matança se faz em explosões de ranço. Homens que se explodem em busca de jardins que murmuram regato e prometem felicidade, quando ela pode estar aqui e não lá.

Pode estar em uma flor que desabrocha no deserto. Ou na beleza de uma noite estrelada, alheia ao estrondo dos massacres que não a atingem. Então o homem, protegido pelo apagar do profano, se fecha em um templo saudável de introspecção.

A felicidade pode estar num cinturão-bomba que é desarmado antes do atentado, em puro ato de libertação. Ou no ventre de montanhas longínquas onde crianças brincam de mãos dadas sob o vento da areia. E também num estádio, quando a palavra gol se dilui como grãos em um vocábulo universal: salam, shalom, paz. Que Alá abençoe a seleção iraquiana de futebol.

Por Juca Kfouri às 10h37

Copa do Mundo de 2014: o Brasil pode

O Brasil pode organizar a Copa do Mundo de 2014 e ontem a CBF entregou as respostas ao caderno de encargos da Fifa.

O Brasil pode desde que seja do tamanho de nossas pernas.

O Brasil pode fazer uma Copa do Mundo brasileira no Brasil.

Não pode querer fazer a Copa do Mundo da Alemanha no Brasil.

O Brasil pode desde que o esforço seja para melhorar a infra-estrutura de suas cidades que vão receber a Copa.

Não pode se quiser sair construíndo estádios pelo país afora, para alegria dos empreiteiros e das agências de propaganda.

Basta dizer que os Estados Unidos, em 1994, não construíram nenhum e a Copa foi toda financiada pela iniciativa privada.

E a França construiu apenas um, para 1998, em Paris.

O Brasil pode sim fazer uma Copa do Mundo.

Desde que apresente imediatamente um o orçamento, coisa que ainda não fez, talvez para evitar que aconteça o que aconteceu com o Pan, quando o custo ficou nove vezes maior que o orçado.

O diabo é que não há nenhum motivo para acreditar que quem está à frente do projeto mereça a nossa confiança.

Por Juca Kfouri às 23h32

Está no "Comunique-se"

STF mantém ação contra Eurico Miranda por agressão a jornalista de O Dia

Da Redação

Eurico Miranda, presidente do clube Vasco da Gama, não conseguiu suspender sua condenação a indenizar em R$ 12 mil o jornalista Carlos Monteiro, do jornal O Dia, por agressões cometidas na final do Campeonato Carioca de 2004, vencida pelo Flamengo. A ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento à Ação Cautelar (AC) 1735, proposta pelo ex-deputado.

Na semana do clássico, Miranda comunicou publicamente a encomenda de 30 mil litros de chope para comemorar uma suposta vitória do Vasco. Ao término da partida com placar de três a zero para o Flamengo, Monteiro perguntou ao dirigente o que ele faria com a bebida e foi agredido pelo presidente do clube. A indenização foi uma substituição à pena original de seis meses de detenção para o ex-deputado, que jamais explicou o destino dos 30 mil litros de chope.

Faltou apenas dizer, e dar a melhor notícia: o que torna o ex-deputado inelegível.

Por Juca Kfouri às 23h22

31/07/2007

Os "milagres" de um time

Por MICHEL LAURENCE

Há muitos anos vi um time jogar beirando a perfeição.

Só que sempre foi muito difícil explicar nos dias de hoje como era isso.

As pessoas as vezes me achavam ridículo, outras um saudosista irremediável, um fantasista e até um mentiroso.

Mas os times do Santos nas décadas de 50 e 60 beiravam a perfeição.

Pelé, Coutinho, Mengálvio, Toninho Guerreiro, Lima, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos de Oliveira, Gilmar dos Santos Neves, Edu, Abel, Ramos Delgado, Dorval, Clodoaldo, Calvet, Djalma Dias, Pepe, Joel Camargo e Zito – para não citar nomes menos conhecidos como Kaneko, que sumiu do cenário depois de inventar um drible até hoje imitado – tinham truques, coisas quase imperceptíveis, que transformavam um jogo de um momento para o outro.

Por exemplo, Lima jogava solto, recebia a bola sempre em condições de armar a jogada ofensiva, tinha o "dom" para isso.

Todo mundo sabia, mas ninguém conseguia anular.

Carlos Alberto atacava de surpresa. Todo mundo sabia que ele ia atacar, se preparavam para isso, mas não se sabe bem como o Capitão do Tri "surgia" de repente e "surpreendia" os prevenidos.

Bom, isso sem falar de Pelé, claro, porque nele os "truques" eram incontáveis e todos de uma genialidade difícil de narrar.

A Paradinha na cobrança de um pênalti; subir para cabecear com os cotovelos abertos e protegendo dos adversários; a tabelinha com Coutinho e com as canelas dos marcadores; a matada de bola que ficava grudada no peito e lhe permitia girar para um lado ou o outro sem que os marcadores tivessem como lhe roubar a bola.

E um sem número de outros "truques" talvez mais conhecidos.

Tudo isso era muito difícil de explicar até... "ontem"!

Graças a Deus surgiu de uma década para cá esse maravilhoso time de vôlei beirando a perfeição!

Sim, beirando a perfeição, e com truques insuspeitados.

Se não como explicar surgir do nada como num passe de mágica, cinco pontos de cinco saques seguidos e transformarem uma derrota quase inevitável numa vitória inesquecível contra a Venezuela.

Não, meu amigo, isso não é só treino!

Isso é magia, bruxaria, parceria com algo que vem não se sabe de onde.

Como explicar sete bloqueios que viraram sete pontos seguidos contra os aturdidos jogadores dos Estados Unidos e transformaram uma iminente derrota em uma vitória que entrou para a história?

Cientistas do esporte, os americanos tinham tudo anotado no computador: "atenção, Gustavo saca no lado direito de nossa quadra; Rodrigão gira no ar e corta para o lado inesperado; Giba sobre feito um raio da linha dos três metros!"

Help!

Não, isso não é só treino!

Sete pontos de bloqueios seguidos... não, alguém olhou por esses rapazes, como olhou para o time do Santos nas décadas de 50 e 60.

Agora, cuidado, quando vocês forem mais velhos e contarem essa história de cinco saques e sete bloqueios, cuidado porque vai surgir alguém para dizer que você é um saudosista!

Quem sabe até chamar você de mentiroso!

Por Juca Kfouri às 11h13

Alex go home

O jornal inglês "The Independent" de hoje dá conta de uma lambança com o zagueiro Alex, da Seleção Brasileira.

Ele chegou a Londres no fim de semana, ficou retido no aeroporto de Heathrow e tomou um vôo de volta ao Brasil quatro horas depois.

O Chelsea, seu novo clube, nega que Alex tenha sido deportado, mas o fato é que houve problemas com sua documentação para trabalhar na Inglaterra.

Tudo por causa da exigência de que para atuar por lá o jogador não comunitário precisar ter jogado 75% das partidas por sua seleção nacional nos últimos dois anos e Alex não cumprir tal quota (atuou oito vezes nas últimas 14 partidas do Brasil).

O Chelsea garante que o problema foi solucionado a tempo, mas que Alex preferiu voltar ao país.

Edu, ex-Corinthians, teve problemas também, anos atrás, e passou pela mesma humilhação.

Por Juca Kfouri às 11h00

Estranha, e sumária, demissão

Depois de 24 anos como funcionária da CBF. Elisabete Sanchez foi sumariamente demitida da entidade, onde ocupava o cargo de chefia do Departamento de Registros.

Muito respeitada pelos cartolas dos clubes, a notícia causou estranheza geral.

Ela foi comunicada pelo diretor Luis Gustavo Vieira de Castro que era uma decisão direta de Ricardo Teixeira e de seu tio, o secretário geral da CBF, Marco Antônio.

"O Mariano morreu no domingo e na quinta-feira, sem mais, eles me despediram", contou, em referência ao falecimento de Melquíades Mariano, que a tinha em boa conta e era diretor de Patrimônio da CBF.

Nâo satisfeita, a CBF demitiu, também, a irmã de Elisabete, que ocupava funções de menor responsabilidade.

Articula-se um movimento de solidariedade a ela pelos clubes do país.

Se bem que, em regra, todos baixam a cabeça como cordeiros diante da CBF.

Por Juca Kfouri às 10h29

Curitiba e Porto Alegre em pé de guerra

Clima tenso no sul do país.

E o motivo é o futebol.

As direções do Atlético Paranaense e do Grêmio estão em pé de guerra.

No sábado, Grêmio e Atlético Paranaense empataram um jogo, no estádio Olímpico, em Porto Alegre, em que dois jogadores do Furacão saíram de campo ainda no primeiro tempo com graves lesões.

Alex Mineiro foi atingido por um chute no rosto desferido por Tcheco, tão forte que lhe custou uma fratura no nariz e outra no maxilar.

O atacante terá de ser operado e deverá ficar dois meses em recuperação.

Já o meia Evandro foi vítima de uma cotovelada de Gavilan que lhe arrancou quatro dentes.

O lance com Tcheco foi evidentemente casual, sem nenhuma intenção.

O de Gavillán foi proposital e deve merecer severa punição.

A troca de ofensas entre os cartolas dos dois clubes, entretanto, não ajuda em nada para evitar que, no segundo turno, na Arena da Baixada, o clima não acabe por proporcionar novas cenas que o futebol não pode motivar. 

Por Juca Kfouri às 23h55

30/07/2007

Um goleiro para o Fogão

O Botafogo afastou o goleiro Júlio César e, de quebra, dispensou seu preparador de goleiros, Acácio.

Júlio César, de fato, tem exagerado em repetir as mesmas falhas em saídas do gol.

Mas Max não parece ser a solução para um time que tem condições de ser campeão.

O Botafogo precisa contratar um goleiro e com urgência.

Porque se nem sempre é verdade que um grande time sempre começa com um grande goleiro (a Seleção Brasileira de 1970 é a prova mais eloqüente disso), é inegável que sem um bom goleiro fica muito mais difícil.

Por Juca Kfouri às 16h39

Uma alegria no Iraque

Faço minhas as palavras de Eduardo Tironi, em sua coluna de hoje no diário "Lance!", sob o título "O melhor do domingo esportivo":

"O Brasil brilhou no Pan, o Campeonato Brasileiro segue...mas não houve nada mais emocionante do que o Iraque neste domingo esportivo".

O Iraque, que foi treinado pelo brasileiro Jorvan Vieira, como se sabe, ao vencer a Arábia Saudita (1 a 0), na Indonésia, foi campeão da Copa da Ásia.

E garantiu lugar na próxima Copa das Confederações que também terá a Seleção Brasileira.

Por Juca Kfouri às 11h41

29/07/2007

Na "Folha" de sábado

TENDÊNCIAS/DEBATES

O Brasil tem condições de sediar uma Olimpíada?

NÃO

O Pan, as ilusões e a realidade

ALBERTO MURRAY NETO

A PARTICIPAÇÃO brasileira nos Jogos Pan-Americanos foi boa. Contudo, é importante não se deixar contagiar por um clima de euforia para não criar falsas ilusões sobre a nossa realidade esportiva. Embora seja certo que a competição continental que o Rio teve a honra de sediar pode ser o cenário do nascimento de uma estrela, também é correto que o nível técnico do Pan está muito aquém das competições mundiais relevantes. Obteremos em Pequim premiação naqueles mesmos esportes que, há vários anos, vêm dando medalhas ao nosso país.
Para sermos uma potência olímpica, há um longo caminho a ser percorrido. O Estado precisa incluir o esporte como fator preponderante na educação do povo, levando sua prática aos lugares mais pobres. O que o poder público oferece aos estudantes em suas escolas é uma propaganda contra a educação física, professores malremunerados e espaços inadequados para o seu exercício. Mais importante que medalhas, é ter um povo praticando esportes.
Nos 38 anos em que meu avô integrou o COI (Comitê Olímpico Internacional), sendo seu vice-presidente, vivi intensamente aquela entidade. Aprendi a entender como são os critérios de escolha da cidade olímpica. Por exemplo, a rotação de cidades-sedes entre os continentes nunca teve importância para o COI. À parte as competições esportivas, os Jogos Olímpicos são um grande negócio. A cidade eleita e o COI assumem obrigações contratuais de grande vulto financeiro com os chamados "top sponsors" do movimento olímpico.
O COI tem a tradição de entregar a enorme responsabilidade de sediar as Olimpíadas a cidades que ofereçam garantias seguras de que sua preparação e realização não enfrentarão percalços. O que é observado pelo COI inclui (mas não se limita a):
a) Construção de instalações esportivas que atendam rigorosamente ao seu caderno de encargos. Como o número de pessoas que participam de uma Olimpíada é muito superior ao do Pan, seria necessário despender muito dinheiro público em novas e moderníssimas praças de esportes;
b) O governo deveria garantir investimentos maciços em obras de infra-estrutura viárias, novas linhas de metrô, renovação da frota de ônibus municipais, trens, ampliação de aeroportos, hospitais de primeira qualidade e rede de hotéis suficiente para acolher a família olímpica e os turistas em número bem mais elevado;
c) Estrutura de segurança mais complexa e dispendiosa em razão do número de pessoas e dos chefes de Estado presentes ao evento;
d) Demonstração de responsabilidade social. Cidades com grandes desníveis sociais, historicamente, têm desvantagem;
e) Demonstração de responsabilidade ambiental. O ex-presidente Samaranch deixou como legado a mensagem de que o olimpismo é união de esporte, cultura e meio ambiente;
f) Garantias dos três níveis de governo de que as verbas a serem empenhadas para os Jogos Olímpicos não sofrerão atrasos;
g) Histórico de estabilidade econômica no país; e
h) Existência de mentalidade olímpica no país.
Durante a preparação para os Jogos Pan-Americanos, vimos disputas políticas públicas entre os três níveis de governo, atrasos em cronogramas, a não-realização das obras de infra-estrutura prometidas e questões orçamentárias contestadas pelo TCU, o que não é bem visto pelo COI. Organizar o Pan não é uma prova de que uma cidade pode realizar uma Olimpíada. O Brasil está longe de atender aos quesitos bem mais rigorosos para sediar os Jogos Olímpicos.
Para cumpri-los -e aqui citamos apenas alguns-, seria necessário despender quantias significativas de dinheiro público. Em um país em que se vê gente morrendo nas filas dos hospitais em razão de aparelhos quebrados e em que não há meios de praticar esportes com dignidade nos locais mais pobres, seria mais consciente gastar dinheiro para amenizar as severas mazelas sociais, adotando o esporte de base como um fator essencial na formação do povo.

 

ALBERTO MURRAY NETO, 41, é diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha (de incentivo ao esporte e ao movimento olímpico), árbitro da Corte Internacional do Esporte e membro da Assembléia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro. Esteve presente a nove Jogos Olímpicos.

 

 

Por Juca Kfouri às 21h06

Na "Folha" de sábado

TENDÊNCIAS/DEBATES


O Brasil tem condições de sediar uma Olimpíada?

SIM

Sim, mas aprendendo com o Pan

WALTER DE MATTOS JUNIOR

POR TODAS as nossas potencialidades, o Brasil reúne condições para realizar os Jogos Olímpicos. O Pan do Rio foi além do esperado, mas aquém do possível e do desejável. Às vésperas do evento, poucos acreditavam no término das obras e que o Pan transcorresse num nível mínimo de qualidade. Pior, a maioria temia um vexame. Felizmente, a dois dias do final, graças à competência esportiva de consultores e da equipe do Co-Rio, o pessimismo não se materializou. É verdade que o clima dos Jogos não permeou a cidade e que nem tudo foi perfeito, mas a avaliação geral é bastante positiva.
A boa imprensa cumpriu seu papel, aplicou olhar crítico antes, durante e o fará depois dos Jogos, apontando falhas e eventuais irregularidades que podem ser investigadas. Portanto, não é o caso de usar este nobre espaço para detalhar erros, normais e perfeitamente corrigíveis num próximo evento. Vamos nos preocupar com o que não foi feito, com o custo da oportunidade perdida. Mesmo países muito ricos não podem se dar ao luxo de realizar um evento esportivo como fim. Eles devem ser um veículo para inspirar e tornar real um sonho grandioso e transformador. Quando a chance existe, não pode ser desperdiçada.
Assim foi Tóquio (64), que apresentou ao mundo a modernidade do pós-Guerra, Barcelona (92) e a recuperação do pós-franquismo. O mesmo ocorreu em Seul (88) e Sydney (04), pontas-de-lança da inserção global de seus países. Os Jogos foram veículo de realização da vontade coletiva, latente, que seus líderes souberam ler, canalizar, datar e alavancar por meio desse que é o evento de maior alcance da humanidade. Esse não foi o caso do Pan do Rio.
Mas é obrigatório que seja o dos Jogos Olímpicos para o Brasil. O projeto do Rio em 2002 continha obras transformadoras, como o Transpan, a despoluição das lagoas da Barra, a linha 4 do metrô e a duplicação da estrada lagoa-Barra. Além disso, prometeu o alcaide Maia (nesta semana prometeu de novo) investir na formação de atletas. Lamentavelmente nada disso saiu do papel. Escalamos, sim, novos patamares esportivos, fruto de investimentos oriundos das loterias, mas não houve efetiva alteração da realidade.
Precisamos converter o custo deste Pan em aprendizado. E isso se traduz em termos um sonho de transformação e uma forma de realizá-lo. Os eixos inspiradores do projeto dos Jogos Olímpicos devem ser o investimento maciço em educação e esporte para a juventude de todo o país e a revitalização do Rio. Unir esporte e educação é a saída mais promissora para valorizar a escola como o caminho para a esperança e a conquista do futuro e, ao mesmo tempo, economizar em saúde e segurança pública.
A outra frente seria igualmente virtuosa para o Brasil: uma mudança na trajetória de declínio econômico e social do Rio é indispensável para um país que ambiciona ser potência global e relevante pólo de turismo. Não há projeto mais oportuno para aglutinar idéias e pessoas competentes em torno de um plano consistente para a cidade síntese do país (afastada de sua função de capital e depois forçada à fusão pelos militares) e para nossos jovens. A recuperação do Rio e o investimento de qualidade na juventude do Brasil concretizará o propósito maior dos Jogos Olímpicos. Não obstante, mesmo havendo um projeto inspirador e conseqüente, há que se chegar a um modelo indutor e que tenha controle social. Para se realizarem Olimpíadas, os investimentos são de enorme expressão.
Isso, por definição, subtrai recursos de outras prioridades nacionais. Então é desaconselhável que todo esse processo seja conduzido de maneira hermética e por um pequeno grupo (no caso do Pan, foi o COB e o prefeito Cesar Maia, até o "socorro" da União), sem uma ativa governança que contenha representação da sociedade.
Ao COB cabe a liderança absoluta em tudo o que for do campo esportivo. Aos governos, aplicar a boa prática da gestão do público. A hora para praticar um novo arranjo institucional é a da candidatura, definindo os investimentos, a maximização da participação privada e aplicando o conceito de transparência absoluta. Assim, a resposta para a pergunta é um SIM convicto. A oportunidade é extraordinária e não deve ser perdida.

 

WALTER DE MATTOS JUNIOR, 45, fundou e é editor do diário "Lance!".


 

Por Juca Kfouri às 21h05

Não teve povo no jogo do povo

E o São Paulo empatou com o Botafogo em número de pontos ganhos: 28.

Sim, o São Paulo com 15 jogos e o Botafogo com um a menos.

A 15o. rodada foi mesmo são paulina, porque o líder Botafogo perdeu e o terceiro colocado Grêmio só empatou, apesar de jogar em casa.

Já o Flamengo demitiu o técnico Ney Franco, porque fez apenas 12 pontos em 12 jogos e está em penúltimo lugar.

A 15o. rodada teve 34 gols, mais de três por jogo e média de público de 15 mil pagantes por partida.

Mesmo com um frio de rachar, o Olímpico recebeu o melhor público, com mais de 29 mil torcedores.

E, por incrível que pareça, Corinthians e Flamengo só não tiveram o pior público da rodada porque em Caxias teve 355 torcedores a menos que os 5.495 que foram ao Morumbi.

Foram quatro empates,apenas duas vitórias dos anfitriões e quatro dos visitantes.

O Pan acabou.

Mas tem futebol já no meio de semana, na quarta e na quinta.

Ou seja: tem diversão garantida.

Por Juca Kfouri às 20h32

A queda de Ney Franco

Ney Franco não é mais técnico do Flamengo.

O empate com o Corinthians, no Morumbi, o derrubou.

Foi a 12o. partida do Flamengo no Campeonato Brasileiro e o sexto empate.

Que somados às quatro derrotas e apenas duas vitórias deixam o time em penúltimo lugar.

Joel Santana vem aí? 

Por Juca Kfouri às 19h52

Mineirão em festa faz São Paulo sorrir

Júlio César, o goleiro do Botafogo, saiu outra vez mal do gol.

Não tinha nada que ir à intermediária do Mineirão quando o bom Guilherme tinha dois botafoguenses em seu encalço.

Resultado: tomou o gol cruzeirense, por cobertura.

Até ali, dois minutos do segundo tempo, o Botafogo era melhor desde o começo da partida, bem disputada, diga-se, com o Cruzeiro também se apresentando bem.

Mas Fábio precisava se desdobrar, principalmente depois que os mineiros ficaram reduzidos a 10 jogadores, no fim do primeiro tempo, pela correta expulsão de Daniel, aos 39.

Porta arrombada, Cuca, que de bobo não tem nada, botou Zé Roberto em campo no lugar do zagueiro Alex.

Mas, aos 15, Roni desperdiçou o gol mais feito do mundo, que seria o de 2 a 0.

Aos 22, Joílson chutou, Fábio defendeu com os pés e a bola foi ao travessão.

O jogo era bom, muito bom, não por coincidência o que tem acontecido sempre que o Botafogo joga.

Aos 23, pela esquerda, Zé Roberto chutou, Fábio tocou com a ponta dos dedos e a bola foi bater, outra vez, na trave.

Aos 28, Fábio salvou mais uma vez o que seria o gol de empate, de Zé Roberto, que entrou bem na partida.

O Cruzeiro se defendia e tentava liquidar o jogo em raros, mas perigosos, contra-ataques.

Num deles, aos 31, o árbitro interpretou erradamente um corte da zaga botafoguense como bola atrasada e marcou falta dentro da área.

Falta cobrada, a bola bateu na barreira e sobrou para Vagner fazer 2 a 0.

Em seguida, aos 35, Guilherme, de cabeça, matou o líder: 3 a 0.

André Lima, aos 41, diminuiu e, Renato Silva, aos 47 fez 2 a 3.

De fato, o placar de 3 a 0 não espelhava o jogo, embora não se possa dizer que a vitória mineira não tenha sido justa, apesar de o Botafogo ter por que reclamar no lance da má interpretação da arbitragem.

Em Natal, o São Paulo sorria.

Ganhava do América, 1 a 0, gol de Richarlyson, também de cabeça, ainda no primeiro tempo, e se igualava em pontos com o Bota, embora com um jogo a mais.

O tricolor não jogou bem, passou até sufoco, cedeu muito espaço no segundo tempo, mas, mesmo assim, fez o que precisava e esteve mais perto do segundo gol do que de sofrer o de empate, num jogo ruim.

Já o outro tricolor, o Flu, ficou no 1 a 1 com o Figueirense, em Brasília.

Por Juca Kfouri às 19h08

Está na "Folha" de hoje

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES
EDITOR DA ILUSTRADA

A sordidez do Pan

Não nos mobilizamos para resolver alguns problemas, mas temos bilhões para queimar num evento de terceira

EU TAMBÉM me diverti com o Pan e achei muito bonitas as instalações olímpicas construídas para os Jogos. O encanto e as emoções do esporte são contagiantes. E certamente algum efeito positivo para a prática esportiva -e a auto-estima do Rio- o evento terá tido.
Nada disso, porém, consegue apagar de minha mente o aspecto sórdido do Pan, que não é mais do que um reflexo do lado sombrio de nossa sociedade ou, como prefeririam alguns, de nossas elites.
Começando pelo começo: está claro que a opinião pública foi enganada pelo Comitê Olímpico Brasileiro, pela Prefeitura do Rio e pelo governo federal com um orçamento mentiroso.
Poderia dizer que foi um orçamento "equivocado", mas obviamente não é isso: a distância entre os cerca de R$ 400 milhões da previsão inicial e os mais de R$ 3 bilhões efetivamente gastos é tão grande que não pode ser erro de estimativa. Reportagem de Sérgio Rangel publicada pela Folha mostrou que para cada R$ 1 estimado foram efetivamente gastos R$ 8.
Atenção: estamos falando de dinheiro público, não de investimentos privados. E estamos falando de dinheiro público num país e numa cidade cujas carências e urgências são gritantes. Está na cara que os projetos foram bombados não apenas para as "bicadas" de praxe (e fico imaginando quanta gente bicou em toda essa cadeia!), mas como fruto de uma estratégia: tentar fazer uma Olimpíada no Rio.
Ou seja, a grande aposta que os espertos estão fazendo para a cidade é transformá-la em palco olímpico, supondo que, com isso, investimentos em infra-estrutura, urbanização e combate à miséria acontecerão. Teremos uma nova Barcelona...
É uma aposta irresponsável, que transforma a população em refém de um plano que tem enormes chances de ser extremamente dispendioso e dar errado, mesmo se aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional.
Em artigo no "Globo", Ali Kamel comparava os custos das obras que se anunciam para a Rocinha com os do Engenhão, elefante branco modernoso cercado de favelados. No primeiro caso, o poder público pretende gastar R$ 80 milhões. No segundo, torrou R$ 380 milhões!
A sordidez é essa, amigos do esporte. Não conseguimos nos mobilizar para resolver o problema vergonhoso das favelas, mas rapidamente arrumamos bilhões para queimar num evento de terceira linha que em breve estará esquecido e cujos desdobramentos são totalmente incertos. É isso aí: "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor".

Por Juca Kfouri às 18h08

Está no "Lance!" de hoje

CBV cortou Ricardinho


Decisão do afastamento do levantador partiu da Confederação, insatisfeita com o pedido do grupo para premiação pelo ouro no Pan-Americano

O corte de Ricardinho foi decidido por Ary Graça Filho, presidente da Confederação Brasileirade Voleibol (CBV).

O LANCE! apurou que o mandatário da entidade ficou irritado com alguns pedidos feitos pelos atletas para a disputa do Pan.

O grupo, que tinha o levantador como capitão e porta-voz, exigia uma premiação de R$ 3 milhões pelo ouro, além de hospedagem fora da Vila.

Os ânimos se exaltaram numa reunião, que discutia o assunto.

O corte, porém, teve a chancela do técnico Bernardinho, que já estava insatisfeito com o comportamento do jogador, oficialmente desligado por ter se atrasado para os treinos, no Rio de Janeiro.

Antes de oficializar o desligamento de Ricardinho, a CBV entrou em contato, inclusive, com o Comitê Olímpico Brasileiro.

Um alto dirigente do COB confirmou ao L! a informação e disse que a entidade, para respeitar a autonomia das federações, não tomou partido.

Antes da decisão contra os EUA, ontem, Ary Graça negou ter sido o responsável pelo corte.

– Eu não tenho nada a ver com isso. Não tenho nenhuma influência nas decisões tomadas. Nunca dei sugestão e não acho que essa seria a minha função – respondeu.

Sobre a premiação, que acabou fechada em R$ 1,2 milhão, Ary negou que tivesse havido a reunião, ao contrário do que apurou o L!.

– Tudo é resolvido no começo do ano. Se tivesse de acontecer algo, seria antes, não agora – garantiu.

Por Juca Kfouri às 17h55

Festa de Galos e empate de verdes

O Inter acabou com a invencibilidade do Sport na Ilha do Retiro.

Fez seis gols e ganhou de 5 a 1, 3 a 1 só no tempo.

Pinga, aos 8, de gol olímpico, abriu o placar.

Edinho, aos 24, contra, empatou.

Mas Índio, aos 32, e Iarley, aos 44, definiram o jogo que levou o Inter para perto dos primeiros e o Sport de volta a conviver com o perigo.

Alex, aos 32 do segundo tempo, depois de o jogo ficar paralisado por uma confusão que levou a duas expulsões do Sport e uma do Inter, fez 4 a 1.

Adriano, no fim, marcou o quinto gol, numa partida que a goleada exprime exatamente o que foi o jogo, porque só deu Colorado no Recife, desde o começo.

Gallo cantou mais alto no terreiro que já foi dele e que hoje o hostiliza.

No clássico verde, 1 a 1, com um gol, de Marcão, no primeiro tempo, para o Juventude, e outro para o Palmeiras, com Luís, no segundo.

E o Galo de Leão saiu na frente do Paraná Clube, com Danilinho, aos 22 do primeiro tempo.

Tomou o empate (Vinícius Pacheco, aos 37 do segundo), mas fez 2 a 1 imediatamente com Marcos, dois minutos depois, e fechou a fatura aos 47, com Vanderlei.

Um ótimo resultado.

Por Juca Kfouri às 17h01

O povo se abraça na desgraça

Num Morumbi gelado e desértico (5.495 torcedores, apenas), Corinthians e Flamengo fizeram um primeiro tempo equilibrado e de poucas emoções, embora de nível técnico aceitável.

O Corinthians mais se defendia e fazia faltas para conter o Flamengo.

E tentava nos contra-ataques.

Num deles, William encontrou Clodoaldo solto pela esquerda e o centroavante concluiu para fazer 1 a 0, aos 36.

Não era justo nem injusto, era o que era, como podia ser para o outro lado.

O segundo tempo não se limitou a mudança de lado de cada time.

O jogo mudou completamente.

Até os 18 minutos, quando Dinélson fez 2 a 0, só deu Corinthians, que alugou o meio campo rubro-negro e tomou conta da bola.

Quando tudo parecia definido, o Fla diminuiu.

O Flamengo havia voltado com Róger no lugar de Jaílton, e dos pés dele nasceu o gol carioca, em belo passe para Leonardo Moura, que encontrou a cabeça de Souza, aos 27.

Róger ainda fez outros bons passes e o Flamengo foi em busca do empate, porque o Corinthians não soube mais assumir o controle da bola como fizera no reinício do jogo.

Empate que veio, com justiça, dos pés de Léo Medeiros, aos 36, aproveitando-se do rebote de uma bola salva por Édson na linha fatal, depois de cabeçada de Moisés, em cobrança de escanteio de Leonardo Moura.

Aos 38, Bruno Otávio foi expulso e o Fla foi mais para cima ainda.

Se, contra o América, na rodada passada, o Flamengo voltou a vencer depois de oito jogos, o Corinthians completou, diante do Mengo, nove jogos sem vencer.

Resultado ruim para os dois, pior para quem jogou em casa, mas, compensado, por ter ficado com 10, porque o Flamengo esteve mais perto do terceiro gol.

E as duas maiores torcidas do país continuam em sua via crucis, juntas no sofrimento.

Por Juca Kfouri às 16h54

Chave de ouro

Primeiro foi o fundista Franck Caldeira na maratona que deu uma arrancada fulminante e ganhou um ouro que não estava previsto para ele.

Depois veio o basquete que confirmou a medalha dourada previsível, ao bater Porto Rico com facilidade por 86 a 65.

E, no tênis, para fechar com ouro, Flávio Saretta imitou Fininho em Santo Domingo, derrotou um chileno por 2 a 1, com 7 a 3 no desempate final do terceiro set, e fez a última festa.

Por Juca Kfouri às 13h37

No "Globo" de hoje. Brilhante!


Um parêntese de felicidade

Dorrit Harazim

Desde que as rotas do XV Pan e do Airbus da Tam se cruzaram na funesta terça-feira de 17 de julho, o país passou a alternar momentos de alegria vulcânica com abismos de horror. Para quem assistiu de casa ao noticiário ininterrupto e consecutivo dos dois dramas, as lavadas d’alma e o medo foram sendo expiados um após o outro, em privado.

Resultado: um estado de bipolaridade (termo tão na moda) nacional que especialistas haverão de estudar por muito tempo ainda.

Já para quem saiu de casa e foi assistir aos Jogos com o coração verde-amarelo, a solução foi abrir um parêntese de felicidade e deixar de fora o Brasil real — aquele que há 500 anos opta pelo descaso. De fora dos estádios, dos campos, das pistas, das piscinas, e torcer até se esbaldar. Ocorre que os dois brasis são indissolúveis. As cenas de pugilato nos aeroportos e nas bilheterias dos estádios são fruto da mesma impotência diante do abandono à própria sorte. Criado para durar 16 dias, o Brasil do Pan terá sua festa de encerramento hoje marcada por um “ufa” de alívio com tantos ouros e louros conquistados.

Só que a corrida não acabou. Este Brasil do Pan terá sido apenas uma linda miragem se ele não prorrogar o embate com o seu maior adversário — o Brasil de sempre.

Coube a dois Silva serem os primeiros a sinalizar o que está em jogo, e sempre esteve. Ambos nasceram do lado errado da escada social brasileira, com direito a uma ladainha de queixas. Ambos venceram.

Um fez a dura travessia do campo nordestino para a cidade grande, abriu picadas impensáveis na política e foi instalado pelo voto num palácio. O outro sequer precisou se mover — já nasceu na periferia do crime urbano, dela saiu dando chutes de taekwondo e chegou ao pódio do Pan com uma medalha de ouro no pescoço.

Luiz Inácio Lula da Silva levou a já célebre nunca-na-história-destepaís maior vaia do Maracanã, pelo que não faz, não diz, não decide.

Diogo Silva, além de primeiro medalhista de ouro brasileiro nestes Jogos, foi aplaudido de pé pelo que faz, como faz e quando faz. Lutou e venceu com uma das mãos quebradas desde abril — “ele é assim mesmo, enfaixa e vai em frente”, diz a mãe manicure, com a maior naturalidade.

Diogo usa dreads, fala claro e não tem espaço para se declarar triste. Continua exigindo e cobrando, dentro e fora do tatame.

Se os atletas de elite do taekwondo continuarem a receber apenas R$ 600 mensais, com três meses de atraso e com a mesma estrutura esquálida de hoje, o Pan ficará menor do que foi. E mais parecido com o país que ainda hoje tem mais de um milhão de almas sem certidão de nascimento É ao mesmo tempo comovente e aterrador que o esporte de alto rendimento abrigue talentos como o carateca da Baixada Fluminense Juarez Santos, que precisou conquistar o ouro “com a ajuda de Deus”. Sempre Ele. Ou que a figura maior e mais arrebatadora deste Pan, a atacante Marta, tenha precisado aprender a jogar bola “com a natureza”, lá no fundão de Alagoas, antes de acender ao topo movida a gana. Aliás, ela e suas companheiras de exuberância suada merecem o técnico que têm.

Qual é mesmo o nome dele? Poucos, entre os 70 mil torcedores em estado de graça na final dourada de quinta-feira, saberiam responder.

Mérito de Jorge Barcellos manter perfil tão anônimo no comando de um time em pico de celebridade e de uma jogadora eleita pela Fifa como a melhor do mundo. Para Barcellos, quem deve estar na vitrine, para os aplausos, são as atletas.

A necessária apuração sobre os custos e os gastos do Pan-2007 só fará sentido quando se souber qual o destino reservado a tanto investimento.

Que toda cidade-sede ultrapassa o orçamento original, seja em Pan-Americanos ou olímpicos, tornou-se fato quase inseparável do evento. Ainda em maio último, uma acusação varreu as galerias do Parlamento britânico diante das novas cifras para a Olimpíada de 2012, em Londres: “escândalo”, “escândalo”, apontou a oposição conservadora.

O orçamento triplicara em menos de um ano, saltando de 3 bilhões de libras esterlinas para mais de 6 bilhões.

E ainda faltam cinco anos.

O real valor da conta do Pan2007 só ficará claro dentro de alguns anos. Se, por exemplo, o Parque Aquático Maria Lenk estiver funcionando a pleno vapor como centro de treinamento para a elite e competições de alto nível, com alojamento para os atletas, o seu custo terá sido menor. Inversamente, o preço se tornará estratosférico se, como chegou a anunciar o governador Sérgio Cabral, o antigo Parque Aquático Julio de Lamare ou o Estádio Célio de Barros, ambos vizinhos do Maracanã e utilizados para o esporte de base, forem demolidos para dar lugar a um shopping center, hotel ou centro de convenções. Seria o retrato do Brasil de sempre.

O Rio não apenas sobreviveu ao Pan, mas acabou torcendo por ele.

Não houve o temido apagão terminal do trânsito, os atletas não se viram encurralados num arrastão, as instalações não revelaram falência múltipla de órgãos — à exceção da arena de beisebol e softbol. Houve falhas graves, outras releváveis.

Mas no cômputo final quem apanhou não foram as competições nem os atletas. Foi o público.

— Do que o senhor tem mais medo? — perguntou-se ao presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, três dias antes da abertura da Vila Pan-Americana.

— Dos serviços — respondeu na lata. Tradução: transporte, alimentação, ingressos. Tendo trocado quatro vezes de motorista-voluntário durante os Jogos de Atlanta, por ter ficado a pé ou não ter chegado a lugar algum naqueles Jogos, Nuzman tinha optado pela contratação de motoristas remunerados, e não voluntários, para dirigir os ônibus e viaturas da chamada família panamericana.

Deu certo e nenhum atleta foi parar no Morro do Alemão.

Em contrapartida, a mistura de ganância e bagunça que regeu os dois outros quesitos conseguiu superar os temores. A cadeia de lanchonete Bob’s, responsável pelo fornecimento de alimentação em todos os estádios e arenas, fabricou lindos cartazes apregoando: “O sanduíche exclusivo dos XV Jogos Pan-Americanos”.

Só que, de tão exclusivo, o sanduíche costumava acabar em meia hora. Foram dias e mais dias de cachorro quente frio e bebida racionada quente. Caixotes de madeira fazendo as vezes de caixa registradora, atendentes às voltas com contas rabiscadas em pedaços de papel, notas fiscais inexistentes, houve de tudo. A troca de acusações entre a Comitê Organizador e a rede de alimentação promete se estender bem além dos Jogos, mas de uma coisa o público não duvida: qualquer ambulante ou flanelinha de engarrafamento teria previsto melhor o fluxo da demanda.

A falência da operação de venda de bilhetes antecipados, por sua vez, que se desdobrou numa peregrinação de troca de vouchers por ingressos e bilheterias abarrotadas, levou a Força Nacional enviada de Brasília a usar gás pimenta contra famílias que apenas tentavam entrar no Maracanãzinho no jogo de estréia do vôlei brasileiro e anteontem. Para quem se propõe a se candidatar aos Jogos Olímpicos de 2016 este foi, talvez, o desastre maior e mais evitável.

O pecado nacional mais ruidoso — as vaias aos atletas , bandeiras e hinos de países considerados adversários — é o mais fácil de consertar. Basta a televisão, a imprensa, os locutores de competição, e os próprios atletas brasileiros sinalizarem que civilidade esportiva e patriotismo também combinam.

Tudo computado, mas diferentemente da Eco-92, o Pan-2007 lotou o metrô de desertores do transporte público, encheu calçadas, devolveu ruas aos passantes e vestiu o Rio com sua gente. Não erradicou a violência nem eliminou a criminalidade. Apenas plantou raízes para apaixonar pelo esporte toda uma geração de menores semrumo — e estes sim, no futuro, talvez diminuam a violência e a criminalidade. Há tempos não se tem uma chance tão grande. Ela não se repetirá tão cedo.

Resta àquele Brasil de sempre parar de discursar e começar a fazer.

A todos nós, cabe cobrar e correr atrás.

Por Juca Kfouri às 13h12

Os jogos de hoje

O Morumbi, certamente com pouca gente, receberá os fragílimos times dos dois clubes mais populares do Brasil.

Corinthians e Flamengo são também dois dos maiores exemplos do descalabro da administração de nosso futebol, porque detentores de dívidas praticamente impagáveis.

No Flamengo, recentemente, em 2001, um presidente, Edmundo Santos Silva, foi posto para fora, com humilhação, depois de ter chorado na CPI do Futebol ao dizer que "não sou um criminoso comum".

O Corinthians segue no mesmo rumo, com seu presidente, Alberto Dualib, indiciado por formação de quadrilha na Justiça Federal.

Qualquer coisa pode acontecer no jogo de hoje, às 16h.

Inclusive, nada.

Diferentemente do clássico das 18h10, no Mineirão, entre Cruzeiro e Botafogo.

Aí a hipótese de nada acontecer não existe, porque envolve o líder do Brasileirão e qualquer coisa que aconteça com ele é importante para o campeonato.

Talvez só os atleticanos não estejam na torcida pelo Cruzeiro, que não é favorito apesar de jogar em casa.

Como não é favorito o América que recebe o São Paulo, também às 18h10, no Machadão.

Mas como é o Fluminense, ainda às 18h10, no Mané Garrincha, em Brasília, contra o Figueirense, repetição da final da Copa do Brasil.

Nos demais três jogos das 16h, vantagem mesmo só tem o Paraná Clube diante do Galo na estréia de Leão.

Mas deve ser jogo duríssimo, como o da Ilha do Retiro, entre Sport (que, como apenas Botafogo e Vasco, ainda não perdeu em casa) e Inter.

E do confronto verde entre Juventude e Palmeiras, em Caxias do Sul, com ligeira vantagem para o animado Palmeiras.

Por Juca Kfouri às 12h16

Pró-memória

Ficou feia, muito feia a ausência de Cuba no pódio do vôlei masculino ontem para receber o bronze.

Quem quer que tenha dado a ordem antiesportiva deve ter aprendido com Ricardo Teixeira que, nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, determinou que a Seleção Brasileira de futebol masculino não fosse ao terceiro lugar do pódio olímpico.

Por Juca Kfouri às 11h59

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico