Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

18/08/2007

Os sete jogos deste domingo

Vamos lá.

O domingo tem sete jogos, quatro às 16h, mais três às 18h10.

Pela ordem.

1. O Vasco deve golear o América em São Januário e abrir com o pé direito sua participação no segundo turno.

2. Entre Náutico e Galo o equilíbrio deve prevalecer, ainda mais porque o gramado dos Aflitos não convida a um bom jogo.

3. Já o Juventude, sem técnico porque Cláudio Duarte pediu rapidamente o boné, mesmo em casa, dificilmente será páreo para o animado Corinthians, apesar da ausência de William.

4. Entre Palmeiras e Flamengo, todo desfalcado, no Palestra, o favoritismo é sim, todo verde.

Mas tem o fantasma...

5. O Cruzeiro tem a obrigação de atropelar o Fluminense no Mineirão, e deve fazê-lo.

6. Entre Botafogo e Inter, uma baita interrogação no Maracanã.

O que será do Glorioso se, de novo, não vencer?

O pior é que o risco é enorme.

7. Finalmente, Goiás e São Paulo, no Serra Dourada.

O Brasil inteiro é Goiás desde criancinha, menos, é claro, a torcida são paulina.

Nada que venha a acontecer será surpresa, muito menos se o São Paulo vencer pela oitava vez seguida.

Será?

Por Juca Kfouri às 22h04

Santos e Grêmio cumpridores. Furacão, não

Quando o Grêmio abriu o placar no Olímpico, o Santos tinha acabado de fazer seu primeiro gol na Vila e o Furacão já estava na frente na Arena.

No Olímpico, Diego Souza, pela direita, pegou belo chute cruzado e, na sexta oportunidade de gol gremista, que até pênalti já tinha sofrido sem que o árbitro assinalasse, num começo de jogo brilhante de Carlos Eduardo, desafogou a torcida tricolor que sofria com a sorte do Paraná Clube.

Não demorou muito e, para fazer justiça à atuação gremista, Anderson, pela esquerda e de fora da área, acertou um chutaço e ampliou depois de se livrar de dois adversários.

Bela exibição gaúcha.

Na Arena, Wilson, do Figueirense, tinha comido um dos grandes frangos do ano, em falta cobrada por Ramon.

O goleiro deixou a bola quicar na sua frente e a viu passar entre as pernas.

E o jogo, depois, transcorreu em ritmo lento, sem empolgar.

E na Vila o Santos demorou a engrenar, até que Cléber Pereira fuzilou de esquerda um rebote de bola mandada na trave do Rodrigo Souto, depois de excelente passe de Petkovic, até então vagando pelo meio de campo e bem neutralizado pelo Sport.

Verdade que, em seguida, o sérvio começou a se movimentar mais e a mostrar sua classe, ao dar outro passe açucarado para Baiano quase fazer 2 a 0 , além de ensaiar um lençol que só não cobriu o adversário porque este meteu a mão na bola.

Imediatamente antes do gol santista, registre-se, em rebote de cobrança de falta por Kléber, Adaílton bancou o zagueiro e perdeu gol feito embaixo do travessão pernambucano.

Se o começo santista preocupou, depois dos 20 minutos só deu alvinegro.

Os segundos tempos começaram com o Paraná Clube aparentemente derrotado e com o Sport e o Figueirense com direito a sonhar com resultado melhor.

Tanto que os goleiros do Santos e do Atlético Paranaense tiveram que fazer ótimas defesas nem bem os jogos foram reiniciados.

Só que se o Santos era fustigado, também fustigava, e Pedrinho, em outra bela atuação, fez 2 a 0 logo aos 8 minutos.

Já o Furacão era dominado e o resultado não tardou: Chicão, de pênalti, aos 12, empatou, com toda justiça.

Aos 20, no entanto, os paranaenses quase marcaram, em cabeçada de Rodolfo no travessão, embora com resposta imediata dos catarinenses que obrigaram o goleiro rubro-negro Viáfara a fazer boa defesa.

O Grêmio se acomodou e o Paraná Clube passou a ter mais o domínio da bola, mas sem levar perigo.

Diego Souza, que havia sofrido um pênalti no começo do jogo e levado amarelo por "simulação", acabou, no fim da partida, simulando mesmo em outro lance e levando o segundo amarelo, que virou vermelho.

Rodrigo Tabata, como Adaílton, ainda perdeu um gol feito na Vila, quase na pequena área.

Enfim, Santos e Grêmio cumpriram com suas obrigações (2 a 0 e 2 a 0) e o Furacão (1 a 1) continua sem jamais ter derrotado o Figueira na Arena, embora, aos 33, Ramon tenha desperdiçado chance de ouro para acabar com a escrita, assim como Fernando Mineiro, aos 37.

A massa atleticana terminou a noite clamando pela saída de Antonio Lopes e mandando Mário Celso Petraglia a um lugar que aqui não cabe. 

Por Juca Kfouri às 19h08

Bernardinho x Ricardinho

A cada dia que passa, em vez de melhorar, o caso piora.

Está mais que claro que o estopim da crise foi mesmo o desentendimento em torno de premiações.

E que o levantador pagou por ser o de temperamento mais explosivo.

Bernardinho resolveu a parada, mas a ferida está aberta.

E os dois bicudos não parecem dispostos a se beijarem, ou a darem um passo em direção ao entendimento.

Quem perde?

Ricardinho em primeiro lugar.

Bernardinho em segundo.

O grupo todo em terceiro.

E, mais que todos, a seleção brasileira de vôlei e seus torcedores.

Por Juca Kfouri às 12h55

A 'justiça' esportiva

Absolver Muricy Ramalho era o óbvio, para evitar um ridículo maior para quem aceitou uma denúncia sem o menor fundamento.

Condenar Tcheco por um lance involuntário e no qual a própria vítima (Alex Mineiro) o inocentou é voltar ao ridículo.

Ainda mais se são comparados os inaceitáveis três jogos que pegou aos poucos cinco jogos dados a Souza, do Flamengo.

Já Gavilan foi absolvido porque o Grêmio provou que foi Itaqui quem deu uma covarde cotovelada em Evandro, do Furacão.

Muito bem, mas, pergunta-se: Itaqui ficará ileso?

E agora ainda teremos o caso de Marcão, ao que tudo indica apenas mais uma prova da desatualização da legislação internacional antidopagem.

Mas que terá de ser julgado e não consta que haja tantos torcedores colorados no tribunal, como há botafoguenses.

Ao contrário, e ainda sob forte influência do seu ex-presidente, Luiz Zveiter, que prefere o diabo a ver o Inter em sua frente, são sombrias as perspectivas para o zagueiro no STJD. 

Enquanto isso, o "caso Dodô" segue sem culpados.

Por Juca Kfouri às 12h33

17/08/2007

O começo do returno

Um clássico sulista entre Furacão e Figueira, na Arena da Baixada, pega o time paranaense em péssima hora e o catarinense em sua já tradicional toada, com altos e baixos, mas dois pontos adiante do rival.

Risco enorme para os rubro-negros à beira de um ataque de nervos.

Outro rubro-negro com dura tarefa pela frente é o Sport, que enfrenta o Santos, na Vila Belmiro, em busca de reabilitação e sob forte, e justificada, desconfiança. 

Já o Grêmio recebe o Paraná Clube em outro clássico sulista, com obrigação de vitória e consciente que os times paranaenses não costumam se assustar com o Olímpico.

Por Juca Kfouri às 12h06

Do blog do Rizek

Isso é Brasil. O processo da Máfia do Apito parou!

Por ANDRÉ RIZEK

Nosso país não tem terremoto, ataque terrorista ou furacão... Mas vejam só a diferença entre Brasil x Estados Unidos quando o assunto é sistema judiciário.

A casa de Edílson Pereira de Carvalho caiu em setembro de 2005, quando ele acabou denunciado pelo Ministério Público de São Paulo. Ainda não temos uma sentença em primeira instância. O processo está simplesmente paralisado! Isso mesmo: pa-ra-li-sa-do.

Um dos acusados, Pedro Brites (certamente a figura mais poderosa de todos os réus), contratou o caríssimo advogado criminalista Mariz de Oliveira. Este, por sua vez, entrou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo, questionando se o caso (que corre na esfera estadual) não seria de responsabilidade da esfera federal.

Pronto, foi o suficiente para o processo parar. E sabe-se lá se ele recomeça, segundo alerta o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, que denuncia os membros da chamada Máfia do Apito. Há até o risco de um arquivamento.

Já o ex-árbitro da NBA Tim Donaghy foi acusado entre dezembro de 2006 e abril de 2007 por fraudes contra a liga-norte americana. Também era um juiz top e estava metido em esquema de apostas, assim como Edílson -- ele também alega ser viciado em jogos de azar, que coincidência.

Donaghy já foi julgado culpado por dois crimes e pode pegar até 20 anos de prisão, mais que o dobro de Edílson.

Se a nossa justiça não consegue colocar nem assassinos (ricos) como Pimenta Neves atrás da grades, o que dirá de um juiz ladrão que manchou um Campeonato Brasileiro.

Bom, pelo menos aqui não tem terremoto...

Esclarecimento

Por ANDRÉ RIZEK

O blog foi procurado pelo doutor Sérgio Alvarenga, um dos advogados que conseguiram o habeas corpus citado no post anterior, sobre a Máfia do Apito.

Seus esclacecimentos:

-- Seu escritório de advocacia não é caríssimo, como eu escrevi. Apenas cobra o que acha justo e o termo do blogueiro (usado para mostrar que se trata de um dos mais famosos e vitoriosos escritórios do país) pode afastar novos clientes.

-- Ele diz que Pedro Brites não é figura poderosa, como citado pelo blogueiro. Bom, isso caberá à Justiça decidir. O que posso garantir é que, de todos os réus, Pedro é quem goza de maior poder financeiro. E é a pessoa mais preparada e inteligente dos acusados.

-- O advogado explica que o habeas-corpus, na verdade, foi para pedir à Justiça que as escutas telefônicas, usados como prova de acusação, fossem transcritas nos autos do processo, em vez de constarem em um CD. E que foi o desembargador do Tribunal de Justiça quem decidiu pedir a suspensão do caso para estudar se ele é de esfera federal ou estadual, onde transcorre. Ele opina que isso, porém, não vai arquivar o caso.
Que fique claro que esta é a análise do advogado de defesa. E que mostrar os dois lados é obrigação deste jornalista.

O blog agradece os esclarecimentos e estará sempre aberto a eles.


http://cartabomba.blig.ig.com.br/  

Por Juca Kfouri às 11h56

O poeta e o futebol

Vinte anos atrás morria Carlos Drummond de Andrade.

Que entre tantas maravilhas, dedicou textos sem igual ao futebol.

Tantos e tão bons que estão reunidos num livro, "Quando é dia de Futebol", da editora Record.

Recolho dois deles, só para dar água na boca, lembrá-lo e homenageá-lo:

"Eu sei que futebol é assim mesmo,

um dia a gente ganha,

outro dia a gente perde,

mas porque é que,

quando a gente ganha,

ninguém se lembra que futebol é assim mesmo?"

E este:

"Enfim, domada a inflação!

Valorizou-se o Cruzeiro

e mais ainda o Tostão"

Em tempo: hoje, sexta-feira, às 23h30, o Sportv apresentará um programa especial sobre Drummond.

Imperdível.

Por Juca Kfouri às 23h03

16/08/2007

Como estava lindo o Maracanã

O que de mais bonito aconteceu hoje no Maracanã não estava em campo, mas, sim, nas arquibancadas.

O Fla-Flu é sempre, com casa cheia, 50 mil torcedores, um espetáculo inigualável, colorido, comovente.

Verdade que o gol rubro-negro no finzinho do primeiro tempo, num contra-ataque iniciado por Fábio Luciano e conduzido com brilho por Juan até chegar aos pés do baixinho argentino Maxi Biancucchi, foi digno da massa presente ao Mário Filho.

Beleza de gol para um jogo que estava equilibrado e que assim permaneceu até que, aos 14 do segundo tempo,  Juan foi expulso por uma falta boba.

Então, Bruno teve que trabalhar.

Uma, duas, três vezes, em belos vôos para evitar o empate tricolor.

Renato Gaúcho ia à loucura, porque seu time não tocava, não virava o jogo e, mesmo com um a mais, se expunha aos contra-ataques.

Obina estava em campo no lugar de Max com direito a ser 100% Obina.

Deu, por exemplo, um empolgante come em dois tricolores e, depois, chutou reto, na direção da bandeirinha de escanteio, da esquerda para direita.

Sim, tecnicamente o jogo era fraco, como tem sido, em regra, o Campeonato Brasileiro.

Aos 30, como se fosse do infantil, Roger cavou sua expulsão.

E, como se estivesse num picadeiro, encenou que foi agredido.

Só que se revelou um péssimo ator e o árbitro apenas riu na cara dele.

Onze contra nove, o Flu, com um mínimo de competência, teria de, ao menos, empatar.

O que faltava em técnica sobrava em emoção.

E o Flu revelava uma irritante incompetência.

Aos 48, Fábio Luciano se engalfinhou com Somália na pequena área, mas juiz nenhum diria que viu.

Resultado: enquanto o tricolor ficou estacionado em 11o. lugar, quando poderia ter chegado ao 7o., o Flamengo deixou o Juventude para trás e marcha para sair dos quatro últimos, como planejou ao completar os 19 jogos do turno.

O Mengo, enfim, ganhou seu primeiro clássico estadual em 2007.

Por Juca Kfouri às 21h28

O Pan e a segurança no Rio

Por MAURÍCIO MURAD 

Em todos os grandes eventos esportivos, a segurança é prioritária.

Preserva os investimentos, a integridade das pessoas, a festa popular.

Desenvolver a cooperação entre polícia e população, o binômio inteligência-prevenção e os fundamentos sócio-educacionais do esporte são exigências das entidades internacionais, para os jogos e para depois deles, como legado. Seul, Barcelona e Andorra são bons exemplos dessa estratégia.

O Rio lançou sua candidatura em 1998 e foi confirmado em 2002, quando venceu a final contra San Antonio, Texas/EUA, reduto eleitoral do presidente Bush, que mergulhou na campanha.

Em julho de 2007, foi feito um estudo sobre os Jogos Pan-americanos e a segurança no Rio, com 2410 homens e mulheres de diferentes idades, classe social e escolaridade, nas 15 áreas esportivas do evento.

Depois de 5 anos, 89% dos pesquisados não sabiam nada ou sabiam pouco do plano de segurança, que custou R$ 562 milhões, segundo dados oficias.

Pior que a desinformação, o objetivo de se criar um conceito novo de segurança, parece, não foi alcançado.

O envolvimento dos moradores, para se construir uma rede de apoio à ação das autoridades, tendeu a zero: quase nenhuma participação de associações, sindicatos, empresas, ongs.

"Por que não ouviram a sociedade?", perguntou um.

"Segurança tem que ser integrada, para aumentar a confiança e melhorar os resultados", concluiu outro.

E a conduta habitual da polícia em jogos e espetáculos foi considerada ruim (72%), também por isso: além do despreparo, o desconhecimento da realidade.

O que ficará de fato da segurança do Pan?

Nada ou pouco foi a resposta de 83%.

A descrença no discurso oficial e o sentimento de impunidade foram freqüentes em toda a pesquisa, quase unânimes entre os jovens (14 a 25 anos) e giraram em torno destas idéias: "isso é só pra gringo, depois a violência volta a correr solta. Pior que a corrupção é a impunidade e pior ainda é achar que é assim mesmo. Se precisamos tanto de valores, por que as escolas não participaram mais do Pan?"

Nota importante: foi observado um aumento da descrença e do sentimento de impunidade após o desastre aéreo, em SP, dia 17 de julho.

Que efeitos imediatos do Pan gostariam de ver para o Rio e até para outras cidades?

O policiamento ostensivo, que foi o maior ganho do Pan (78%), porque ajuda a reduzir o clima de insegurança, a criminalidade e a ação de flanelinhas, camelôs e cambistas, que ainda assim ficaram meio à vontade durante os jogos.

E mais: melhorias no transporte coletivo e no trânsito - "engarrafamento facilita arrastão"; na sinalização e iluminação da cidade - "escuridão incentiva violência"; leis duras e ações preventivas; integração entre município, estado e governo federal na área da segurança, considerada essencial (93%) para melhorar a qualidade de vida em todos os bairros estudados.

Houve também propostas estruturais, como aumentar o emprego e a renda, melhorar educação e moradia.

As sugestões imediatas predominaram nas classes mais altas.

As de longo alcance, nas camadas mais baixas.

Já entre os jovens, de classe, escolaridade e moradia diversas, houve coincidência na herança desejada: uma imediata – aplicar a lei – outra estrutural – mais emprego. Ambas vistas como complementares entre si, por 67% deles.

O Pan foi bonito e o Rio, uma cidade esportiva, não fez feio.

Instalações de alto nível voltadas para o futuro.

Mas poderia/deveria ter feito mais e controlado melhor os custos.

Esporte é atividade sócio-educativa, expressão de nossas identidades, fator de socialização.

Não resolve nossas questões básicas, mas pode agregar valores relevantes.

Então, que venham os resultados do Pan 2007!

Que os esportes ultrapassem os campos, as quadras, pistas, piscinas e contribuam para a inclusão, o desenvolvimento e a paz social.

Assim, o projeto de sediar a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 terá mais legitimidade.

Maurício Murad é professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e do Mestrado da Universo. 

Por Juca Kfouri às 14h34

Hoje tem Fla-Flu!

E hoje tem Fla-Flu, às 20h30!

Quer um favorito?

Pois vai ficar querendo.

Só se eu fosse mais maluco do que já sou para apontar um vencedor depois da avaliação (que era correta...) do clássico entre Botafogo e Corinthians.

E se o jogo de ontem no Maracanã era um clássico, o de hoje é aquele que começou 40 minutos antes do nada, como disse Nelson Rodrigues.

Sim, não se comparam as situações dos dois times na tábua de classificação, muito embora o rubro-negro mais otimista deva argumentar que se ambos tivessem os mesmos 18 jogos o Mengo poderia estar a apenas dois pontos do Flu.

Mas o fato é que o jogo de hoje não tem mesmo um favorito e tomara que o Maraca viva uma grande noite, com muita gente, não com apenas pouco mais de 13 mil torcedores como ontem, quando a torcida do Botafogo demonstrou que já não bota tanta fé em seu time.

Provavelmente com razão.

Por Juca Kfouri às 12h38

15/08/2007

É cedo para a Sul-Americana

Vamos combinar que da Copa Sul-Americana só falaremos mesmo depois que começar a fase internacional?

Até porque os adversários serão os argentinos, OK?

Seja como for, ótima vitória do misto do Vasco, na Arena da Baixada, 4 a 2 no Furacão.

E bom empate do mistão do São Paulo em Floripa, 2 a 2 com o Figueira.

Nos jogos de volta, o Vasco pode perder por dois gols (2 a 0 e 3 a 1) em São Januário.

E o São Paulo jogará por um 0 a 0 ou por um 1 a 1.

Por Juca Kfouri às 22h40

O milagre de São Jorge

Como diria um sacerdote, os irmãos botafoguenses que me perdoem, mas o Glorioso está em maus lençóis.

Em franca decadência.

Perder para o Corinthians, no Maracanã, é simplesmente imperdoável para quem almeja ser campeão brasileiro.

E a verdade é que, mesmo com o time completo como hoje, a queda começou com o episódio do doping de Dodô, um episódio até hoje sem culpados.

Hoje, mesmo no primeiro tempo quando teve o domínio do jogo, o alvinegro carioca não mostrou nada digno de nota.

Nem mesmo o gol de abertura, logo aos 2 minutos, marcado contra pelo corintiano Nilton.

O que parecia o começo de uma goleada anunciada (pelo menos neste blog), logo se transformou em empate, quando, sete minutos depois, Bruno Octávio acreditou numa bola que parecia perdida, cruzou da linha de fundo pela esquerda, Finazzi não pegou a puxeta e Arce marcou de cabeça.

Daí para diante o Corinthians se limitou a se defender, mas sem correr maiores riscos.

Tanto que voltou no segundo tempo muito menos atemorizado e com o jogo sob controle.

E, então, São Jorge começou a trabalhar.

Logo aos 8 Nilton livrou-se de um botafoguense e chutou para o fraco goleiro Marcos Leandro (sim, o Botafogo continua sem goleiro) aceitar.

Para melhorar as coisas para o alvinegro paulista, três minutos depois, Gustavo Nery furou grotescamente à frente do gol e a bola sobrou para Finazzi, que escorou no peito e cabeceou para o fundo da rede: 3 a 1.

O Corinthians merecia a vitória e o Botafogo merecia a derrota.

Veja como são as coisas: o Botafogo acaba o turno a sete pontos do São Paulo e o Corinthians apenas a um do Santos, o que dá o que pensar sobre o chamado custo/benefício dos rivais paulistas.

PC Carpegiani tratou de trancar, com as entradas de Ricardinho e Rosinei nos lugares de Nilton e de Arce.

E Cuca tratou de atacar, com Adriano Felicio e Ricardinho nas vagas de Alessandro e Luciano Almeida.

E a melhor chance de gol saiu dos pés de Finazzi, que carimbou o travessão botafoguense.

Só que, no minuto seguinte, Kadu fez um pênalti infantil em Dodô que bateu e diminuiu.

E Cadu ainda foi expulso.

O Botafogo teve 16 minutos para, contra 10, mudar as coisas.

Carlos Alberto entrou no lugar de Vampeta.

Adriano Felício teve boa chance para empatar, mas mandou por cima.

O Botafogo foi para o sufoco, com tudo, mas sem construir nada de mais perigoso, a não ser aos 44, quando Felipe fez uma senhora defesa em cabeçada de Dodô.

Aos 47 foi a vez de o Corinthians quase fazer o quarto gol em contra-ataque, coisa que se repetiu no minuto seguinte, mas William foi fominha ao não passar para Finazzi.

Com este 3 a 2, em 16 jogos entre paulistas e cariocas, os primeiros venceram 9 e perderam apenas três no primeiro turno do Brasileirão. 

Por Juca Kfouri às 21h28

O juiz e o preconceito

Por GUSTAVO KRAUSE

O babado aconteceu da seguinte maneira: no dia 25 de junho, o jornal "Agora" noticiou que " jogador de um grande clube paulista estava negociando o anúncio de sua homossexualidade na TV"; no dia seguinte o cartola do Palmeiras, José Cyrillo Jr., debatendo a homossexualidade no futebol, afirmou: "o Richarlyson (jogador do São Paulo) quase foi do Palmeiras"; no dia 30 de junho, Richarlyson formalizou queixa-crime contra o dirigente do Palmeiras; no dia 5 de julho o juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho decidiu arquivar o processo, argumentando que "futebol é jogo viril, varonil, não homossexual", ou seja, quem não for hetero, fora do futebol e mais: "Quem presenciou orquestras futebolísticas (a seleção de 70 é dada como exemplo) não poderia jamais sonhar em vivenciar (sic) um homossexual jogando futebol", isto porque, "homossexual no futebol prejudicaria a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio, o ideal", concluindo e ordenando com o desdém seguido de muxoxos: "se quiser jogar, forme seu time e inicie uma federação".

Fiquei duplamente chocado com o teor da decisão da qual extraí alguns trechos. Primeiro porque se trata de caso raro de sentença autocondenátoria: o Meritíssimo é atrasado, preconceituoso e um macho (?) inseguro; segundo porque agride meu arquétipo de Juiz de Direito, construído a partir do primeiro e grande magistrado que conheci, o sábio, competente e decente, Dr. Aluisio Xavier, pelos idos da década de cinqüenta, lá para as bandas da comarca de Vitória de Santo Antão.

Cara atrasado e perigosamente preconceituoso, o juiz Maximiano incita a homofobia.

Meu caro "Doutor em Leis", o Senhor está fora do mundo. Entre heteros e homossexuais existe muito mais coisa do que possa supor sua vã sentença. Dá, portanto, para sair do armário sem se assustar com a "bela adormecida" que todo machão, enrustido, carrega dentro de si.

Basta seguir o exemplo do jogador de futebol, David Beckham o mais famoso representante da tendência metrosssexual, inaugurada nos anos 94, e que abriga o homem sensível, vaidoso. Ele usa cremes para pele, depila o corpo, pinta unhas, usa cabelo e penteados da moda, não dispensa grifes, mas é espada, chefe. Aprecia mulher e dizem as boas línguas que essa história de metrossexual é uma estratégia esperta para conquistar e se banquetear com a mulher moderna sem esquecer de levar um papo e lavar pratos depois das refeições antropofágicas.

Se for uma dose exagerada, o amigo pode se tornar um übersexual. Trata-se de uma tendência mais moderada do padrão moderno de masculinidade. Segundo consta do livro "O futuro dos homens", o über é menos egocêntrico e narcisista do que o metro. Seus modelos são Brad Pitt e Donald Trump.

A criação mais recente é o retrossexual: é uma espécie reação ao crepúsculo do macho. Seu criador Harvey Mansfield (2005) prega, vê se pode, "o machismo esclarecido". Mas gosta de mulher e, no seu manual de gentileza e carícias, "montar na potranca, fazendo de rédeas, os cabelos" é o primeiro mandamento. Está mais para John Wayne, Clint Eastwood e Sean Pean

O que há de comum entre todas as tendências é que os caras soltam a franga, uns mais, outros menos, mas tudo indica (a ser comprovado pela teoria psicanalítica) que permanecem atraídos pela fêmea. Por enquanto não há registro no seus sonhos de fantasias eróticas com o Zorro, o atlético índio Tonto, Batman e Robin e o noivo eterno Clark Kent, o superman.

Se não sair do armário, muita gente vai extravasar a ladainha das "belas adormecidas": "Futebol é jogo pra macho". Não viu Marta e suas companheiras arrasarem no Pan e não entendeu que esta frase é um grito de socorro de quem morre de medo do espaço homoerótico que é o futebol.

Isto mesmo. Futebol é um esporte que desenvolve o amor entre homens (ou mulheres). É da natureza da competição e da convivência gerar fortíssimos laços afetivos entre os praticantes de tal forma que o psicanalista Tales Ab’Saber afirma: "O futebol é um campo sublimado da homossexualidade, um destino cultural específico do aspecto bissexual do humano". Daí, a paranóia homofóbica no esporte e na guerra em relação à homossexualidade. Em matéria de guerra, os valorosos guerreiros espartanos optaram por um exército de "bofes". Acreditavam que seriam invencíveis se os amantes fossem capazes de morrer uns pelos outros. Perderam a guerra, mas ficou a fama.

Como queremos paz e amor, o melhor caminho é admitir que futebol é para hetero e homossexuais, agora, a magistratura não é lugar para juízes preconceituosos.

Por Juca Kfouri às 10h58

Montenegro perde no Supremo Tribunal Federal

14/08/2007 - 20:06 - 1ª Turma nega HC a desembargador denunciado por julgar ações do Botafogo e fazer parte da agremiação

Pedido de suspensão de ação penal foi indeferido ao desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) Francisco José Pires e Albuquerque Pizzolante e ao presidente do Conselho Deliberativo do Botafogo de Futebol e Regatas do Rio de Janeiro, Carlos Augusto Saade Montenegro.

Eles foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF), juntamente com outro co-réu, pela prática do delito de falsidade ideológica.

A decisão é da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Habeas Corpus (HC) 88153.

Os acusados teriam modificado o livro de atas do Botafogo Futebol e Regatas a fim de retirarem o nome do magistrado do Conselho Deliberativo do clube para que não fosse constado o seu impedimento no julgamento de ações, no TRF-2, em que o Botafogo era parte.

O caso

Na leitura do relatório, pelo ministro Sepúlveda Pertence, consta que em 30 de junho de 1997, Francisco Pizzolante foi empossado no cargo de desembargador do TRF-2, tendo desde 1996 ligação com o Botafogo Futebol e Regatas. Ele teria exercido, na referida agremiação, os cargos de diretor de comunicação no ano de 1996 e diretor administrativo do ano de 1997, até outubro de 1998, "condição esta ostentada por ele no breve currículo constante no sítio do tribunal".

No dia 23 de novembro de 1999, o magistrado foi eleito com 174 votos, primeiro vice-presidente do conselho deliberativo do Botafogo, sendo empossado no mesmo dia com o segundo denunciado, Carlos Montenegro, que ocupou o cargo de presidente da agremiação. Conforme o relator, na condição de vice-presidente, Pizzolante comparecia regularmente às sessões do conselho deliberativo, constando o seu nome como componente na Mesa nas atas.

Pertence conta que, em março de 2002, o MP instaurou inquérito civil público (ICP) para apurar suspeitas de improbidade administrativa envolvendo, entre outros, o desembargador. Assim, para instruir o ICP, oficiou-se o Botafogo para que fornecesse documentos comprobatórios da constituição de seus órgãos deliberativos.

De acordo com as informações prestadas pelo clube, o desembargador Francisco Pizzolante teria se licenciado do cargo de vice-presidente da agremiação, em 8 de dezembro de 1999, ou seja, 15 dias após ser eleito no TRF-2. A justificativa do pedido, rubricado por Montenegro, seria o grande número de afazeres como juiz.

O relator expõe que o Botafogo, "novamente requisitado e depois de certa resistência", entregou ao Ministério Público o livro de atas do conselho deliberativo. O MP constatou que a informação era falsa, já que Pizzolante compareceu a diversas sessões do conselho deliberativo, tendo composto a Mesa em várias delas. Constatou também que ao final de algumas das atas daquelas sessões havia um "em tempo", no qual a composição da Mesa foi retificada para excluir da sua composição o nome do magistrado. Essas retificações foram assinadas apenas pelo presidente do conselho, o segundo denunciado, Montenegro. "As duas retificações são falsas e foram apostas às atas após a requisição do MP do livro", conta o relator, ministro Sepúlveda Pertence.

A fraude teria o objetivo demonstrar que Pizzolante havia se licenciado do cargo de vice-presidente do conselho deliberativo do Botafogo Futebol e Regatas. Mas, segundo Pertence, o desembargador "processou e julgou recursos interpostos pelo clube deferindo-lhes pretensões bastante vantajosas. E mantém-se até hoje vinculado ao clube".

"Assim, o denunciado Pizzolante auxiliado pelo segundo denunciado Montenegro firmou declaração falsa em documento particular sob fato juridicamente relevante incorrendo, ambos, nas penas do artigo 299 combinado com o artigo 29 do Código Penal", revela o relator. Ele destacou que por terem falsificado notas do livro de atas do conselho deliberativo do Clube Botafogo, encaminhando ao MP, os denunciados teriam praticando mais uma vez os mesmos delitos.

Como membro do conselho deliberativo do Botafogo, Pizzolante estava impedido de julgar as causas em que a agremiação fosse parte, como autor ou ré. No entanto, ele ocultou este seu impedimento e julgou recurso em que o Botafogo era parte, proferindo várias decisões em seu benefício. "A grande maioria desses recursos foi distribuído ao denunciado em razão de uma alegada prevenção de, no mínimo, duvidosa existência", declarou o relator.

Voto

De início, o ministro Sepúlveda Pertence julgou o pedido prejudicado em relação à prescrição, considerando não haver nos autos a informação do julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça de recurso [embargos de declaração] no qual se pedia a prescrição. "Não tenho, entretanto, como por em dúvida a informação trazida pelo advogado do primeiro paciente", disse.

O relator revelou não estar convencido da inépcia da denúncia pelo crime de falsidade ideológica. Ele lembrou que uma das atas foi levada ao registro geral das pessoas jurídicas e sua cópia não constava o 'em tempo', que só foi lavrado posteriormente no livro de atas.

Pertence contou que a explicação da circunstância, pela defesa, consiste em que as atas seriam manuscritas por antiga servidora do clube que, sem saber da licença de Pizzolante na vice-presidência do conselho, incluiu o seu nome e o dos componentes da Mesa antecipadamente, retificando-a posteriormente. "A explicação é possível, mas a sua veracidade ou pelo menos a sua verossimilhança, são questões de fato a aferir na instrução do processo", concluiu

Para o relator, "é patente a relevância jurídica das falsidades imputadas com vistas a elidir o impedimento ou a suspeição do primeiro paciente para sucessivas decisões favoráveis ao Botafogo quando, segundo a versão da denúncia, ocupava função de relevo em seu órgão deliberativo". Assim, indeferiu o habeas e foi acompanhado por unanimidade.

Por Juca Kfouri às 10h17

Ói nóis aqui traveiz

Sob novo, e solidário, comando, o blog "A verdade do Pan", está de volta.

http://averdadedopanoretorno.blogspot.com/

Por Juca Kfouri às 01h27

Uma noite para o Botafogo

Como diria um sacerdote, os irmãos corintianos que me perdoem, mas hoje tem tudo para ser a noite que o Botafogo sonhava.

O alvinegro carioca recebe o paulista no Maracanã com o time completo, depois de dois meses sem poder contar com força máxima.

A diferença técnica entre os dois times é enorme e uma vitória botafoguense servirá para mostrar ao São Paulo que o Glorioso permanece na páreo.

Uma goleada, então, soará como a recuperação total.

Se não bastasse, é improvável que a arbitragem prejudique o Botafogo outra vez, depois de tanta justificada bronca.

Ou seja, em dúvida, pró-Botafogo.

E as dimensões do gramado são pouco propícias para a eventual retranca que o Corinthians gostaria de montar.

Ou seja, e em resumo: o cenário está pronto para o Botafogo dar uma surra daquelas neste frágil Corinthians.

A menos que, como ainda diria o sacerdote, haja um milagre de São Jorge no Rio de Janeiro.

Por Juca Kfouri às 00h14

14/08/2007

Vivendo e aprendendo

Sabe quantos cartões amarelos suspendem um jogador no Campeonato Português?

Cinco!

Só que, depois da primeira suspensão por um jogo, a segunda virá com quatro cartões, a terceira com três e, da quarta em diante, com dois.

Que tal?

Piada ou lição?

Por Juca Kfouri às 13h18

A arte de roubar. A bola

Por IVAN MASSOCATO 

Como jogador horrível, mas marcador obsessivo, queria pôr uma questão no ar: "roubar-a-bola-e-passar-rapidinho-e-certo" não pode ser considerado quase um fundamento?

Porque, sem dúvida, é uma técnica.

Jamais me conformei com a marcação dos grandes times e da seleção, que marcam de longe, não sabem roubar a bola e precisam fazer falta para impedir o avanço do adversário.

Não estou defendendo o futebol feio e de poucos gols.

Mas acho que a marcação tem lá sua beleza, e que ela é extremamente mal praticada -e de forma generalizada- no futebol brasileiro.

Os "grandes marcadores" que demos ao mundo foram Dunga, Émerson, e Thiago Motta?

Mas você não lembra do Leandro, o lateral direito que jogou com a 10 do Mengo e que não perdia nenhuma?

Não lembra do Luizinho, que tomava a bola com autoridade e dizia pro Cerezzo: "vê se não faz bobagem"?

Aliás, lembra do Cerezzo (ele bobeou, é verdade, e outro monstro, o Júnior, levantou o braço)?

Lembra do Falcão?

Pra sair daquele time do mestre, lembra do Divino, que sempre estava onde a bola passava, contra ou a favor?

E o Gérson? Ele lançava antes ou depois de fazer a falta?

Pois é, tantos ótimos exemplos e ainda vemos gente "matando o lance".

Deve ser por isso que o Ronaldinho não sai do Barcelona e o Palestra ainda não tem como mandar o Edmundo embora.

Nem como renovar.

O futebol (brasileiro) é uma caixinha de impossibilidades: não pode nada.

Pato saiu sem nenhum Gre-Nal, o Lyon exige Willian ou rebaixamento do Corinthians, Deco joga pro Felipão e Wagner Love, um baita atacante que
sabe dividir, passar a bola e abrir espaços é mais conhecido pelo "love" que pelo futebol.

Bom, ainda é melhor que o Afonso, que só é conhecido por ser completamente desconhecido.

Agora Afonso ficou conhecido por ser completamente desconhecido, ruim de bola e perder boas chances.

E como diria o Teixeira, do bar da feira: "Brasil 2014: a torcida paga 4, o governo paga 10 e eu levo 20!"

Por Juca Kfouri às 10h19

Tudo é relativo

Sempre interessante a frase do Lincoln sobre a democracia.

Realmente, não se pode enganar todas as pessoas todo o tempo.

Mas, na lógica mercantilista que rege o mundo globalizado,você pode enganar metade das pessoas, ou menos gente ainda, e ficar suficientemente
rico com isso.

Ouvi a frase a primeira vez em relação a Madonna.

De um princípio político, passa-se a uma estratégia de marketing.

Nelson Franco Jobim, jornalista, professor e consultor de relações internacionais

Por Juca Kfouri às 10h03

Mentirosos Natos

"Pode-se enganar a alguns durante muito tempo;

pode-se enganar a muitos durante algum tempo;

mas não se pode enganar a todos durante todo o tempo",

ensinou Abraham Lincoln, sem nem pensar no COB, na CBF, na MSI, nos cubanos deportados ou na programação esportiva da TV aberta no país.

Por Juca Kfouri às 00h33

Pela terceira vez, dois irmãos juntos na Seleção Brasileira

O zagueiro Juan se machucou e Dunga convocou Luisão, do Benfica, para seu lugar.

Luisão é irmão mais velho do também zagueiro Alex Silva, do São Paulo, que já estava convocado para enfrentar a Argélia.

Assim, no próximo dia 22, na França, pode acontecer, pela terceira vez em 93 anos de história da Seleção, de dois irmãos jogarem juntos.

A primeira vez aconteceu em 1939 e o resultado foi péssimo.

O Brasil perdeu para a Argentina, por 5 a 1, pela Copa Roca, em São Januário.

O lendário zagueiro Domingos da Guia e seu irmão, Mamédio, chamado de Médio, os dois do Flamengo, estavam em campo, naquela que foi a única partida dele pela Seleção.

Anos depois, em 1956, pela Copa Oswaldo Cruz, em Assunção, a história se repetiu de maneira bem mais feliz.

O Brasil ganhou do Paraguai por 2 a 0 com os irmãos Zózimo, ótimo zagueiro, e Calazans, ponta-direita, ambos, então, do Bangu.

Lúcio e Naldo devem fazer a dupla de zaga titular no amistoso diante da Argélia, mas nada impede que, no correr do jogo, os irmãos Luisão e Alex possam jogar juntos.

 

Por Juca Kfouri às 23h45

13/08/2007

Falta de respeito

Trecho da coluna "Canal 1", de hoje:

Por FLÁVIO RICCO

Os programas esportivos exibidos na televisão decidiram seguir os passos do nosso futebol.

Também estão descendo a ladeira.

Quem vê uma dessas "mesas redondas", viu todas.

Não há qualquer novidade ou tentativa de mostrar alguma coisa diferente.

Mas muito pior que essa insuportável mesmice é a carga de comerciais agregada a eles, a maioria através de ações de merchandisings e testemunhais, que vão desde restaurantes (permutinhas, claro), até fio desencapado.

Tudo goela abaixo do telespectador.

Parece não haver o mínimo de respeito com quem está do outro lado do vídeo.

Mas isso é o que menos interessa.

O importante é faturar.

Vendem de tudo e, quando você pensa que, na seqüência, virá alguma novidade do planeta bola, eis que os apresentadores resolvem fazer "inesperados" agradecimentos às fontes dos seus comerciais.

Na maioria dos casos, os nomes de amigos-empresários ou publicitários citados estão por trás de toda essa carga comercial.

Jabazão com todos os requintes.

Por Juca Kfouri às 23h48

12/08/2007

Perdão, blogueiros

Escrevi, salvei e não publiquei o comentário sobre o jogo do Corinthians.

Deve ter sido a emoção...

Já está lá, logo antes do comentário sobre o jogo do Palmeiras.

Por Juca Kfouri às 20h05

Rodada do São Paulo

Só um dos seis times que estavam imediatamente atrás do São Paulo venceu na rodada: o Cruzeiro, agora em terceiro lugar.

O Botafogo, em segundo, e o Vasco, agora em quarto, só empataram.

O Goiás, que estava em quinto, o Grêmio, em sexto, e o Santos, em sétimo, perderam.

Resultado: na pior das hipóteses para o tricolor, quando todos completarem o turno, o time estará, no mínimo, quatro pontos à frente do segundo colocado.

A média de público foi de 17.341, com três estádios recebendo mais de 30 mil pagantes: o Beira-Rio, com 33.868; o Maracanã, no sábado, com 34.457 e o Morumbi, com 36.520.

Os piores públicos ficaram por conta do Machadão (3.502) e da Vila Capanema (3.480).

Aconteceram apenas 23 gols nesta última rodada.

Por Juca Kfouri às 19h00

Cruzeiro cumpre a obrigação

O Cruzeiro demorou, mas, aos 43 minutos, com Alecsandro, fez o que tinha de fazer: ganhou do América por 2 a 1.

Os mineiros abriram o placar com Fernandinho, aos 14, mas permitiram o empate, aos 42, no primeiro tempo.

E foram os únicos perseguidores do São Paulo que venceram na rodada.

Por Juca Kfouri às 18h57

Paraná pára o Vasco

O Paraná Clube começou o jogo em cima do Vasco e obrigou Sílvio Luiz a trabalhar.

Mas logo o Vasco equilibrou as coisas em Curitiba e Alan Kardec desperdiçou a melhor chance de gol no primeiro tempo.

Fala-se tanto do método truculento de Celso Roth, mas o Paraná Clube fazia muito mais faltas que o Vasco.

O time da casa voltou melhor no segundo tempo e o goleiro vascaíno teve de fazer, ao menos, uma grande defesa.

Nada indicava, no entanto, que o 0 a 0 sairia do placar, algo ruim para ambos.

Mas muito bom para o São Paulo que viu mais um perseguidor direto deixar de fazer três pontos.

Por Juca Kfouri às 18h55

Flu goleia sem forçar

O zagueiro Luís Alberto, do Fluminense, deve ter algum problema com o goleiro Fábio Costa, do santos.

No ano passado, como bem lembrou a transmissão do Sportv, nos dois jogos entre Santos, onde ele jogava, e Flu, duas vezes ele marcou contra.

Hoje, aos 36 do primeiro tempo, em cruzamento de Thiago Neves, marcou de novo, só que a favor: Flu 1 a 0.

Até então o Santos não ameaçou e foi de criatividade zero, graças a ausência de Kléber.

Na frente no placar, o Flu inverteu as coisas e tratou de esperar o Santos para fustigá-lo em contra-ataques.

Assim nasceu, no segundo tempo, o segundo gol, de Thiago Neves, depois de belíssimo lançamento de Júnior César, da esquerda, pelo meio de campo, para a direita, no bico da área.

Em seguida, o mesmo Thiago Neves, pela esquerda, recebeu um passe quadrado, matou com alta categoria e fuzilou para fazer 3 a 0.

Nem o Flu imaginou que pudesse ser tão fácil.

Por Juca Kfouri às 18h48

Inter, como era de lei

Só sei que o Inter jogou melhor, já merecia vencer no primeiro tempo e, no começo do segundo, com Adriano, fez o gol da vitória contra o Goiás.

Porque estava escrito que jamais Abel Braga perderia em sua reestréia no Beira-Rio.

Por Juca Kfouri às 17h12

Outro bandeira na vida do Fogão

Em Floripa, o desfalcado vice-líder Botafogo não ameaçou a não ser por uma vez a meta do Figueirense, embora tenha sofrido um pênalti claro que o árbitro preferiu, estranhamente, transformar em tiro indireto.

O Figueira também não foi capaz de fazer mais que isso no primeiro tempo.

Resultado: 0 a 0 deprimente.

Mas logo no recomeço do jogo, de falta e com muita classe, Dodô abriu o marcador.

Era tudo que o Botafogo precisava para não deixar o São Paulo se distanciar, ainda mais que o jogo que lhe falta para completar o turno é contra o Corinthians e no Maracanã.

Mas, aos 32, Otacílio Neto empatou, em impedimento escandaloso, para complicar a vida botafoguense que já tinha trocado Dodô por André Lima.

Aí, o caldo engrossou e a vida botafoguense se complicou.

Só falta agora o bandeirinha posar para uma revista masculina, até porque seu erro foi muito mais grosseiro do que o de Ana Paula.

Por Juca Kfouri às 17h00

Milagre palmeirense

Nem o Palmeiras sabe como acabou o primeiro tempo com 1 a 1 no Mineirão.

Porque o Galo foi muito melhor desde o início, quando teve um gol bem anulado por impedimento, mas marcou, em seguida, com Éder Luís, seu primeiro gol.

O Verdão teve a sorte de empatar logo depois, em cobrança de falta cruzada de Martinez, pela direita.

E depois sofreu um sufoco daqueles, com direito à bola no travessão em cobrança de falta por Coelho e muito mais.

Uns 3 a 1 não seriam demais para o time mineiro.

Que continuou a perder gols no começo da segunda etapa, embora o Palmeiras tenha até ameaçado ser mais agressivo.

Tanto que desempatou, outra vez com Martinez, aos 11, em bela jogada com a participação de Edmundo no último passe.

Aos 29, outra vez com Coelho, o Galo carimbou o travessão paulista.

Que o torcedor do Galo tem por que achar que foi uma baita injustiça é inegável.

Mas o palmeirense dirá que o time, fora de casa, é assim mesmo, capaz de coisas inacreditáveis.

Por Juca Kfouri às 16h57

Milagre corintiano

Diga-se desde logo que o Grêmio não jogou nada bem.

Tanto que se deixou dominar pelo Corinthians, que desperdiçou, com Clodoaldo, pelo menos uma clara chance de gol.

Mas mesmo com atuação bisonha e quando era inferior, foi o Grêmio que saiu na frente, depois de mais uma estabanada tentativa de saída de bola corintiana.

Carlos Eduardo aproveitou-se de um cruzamento pela esquerda e fez 1 a 0.

O Corinthians é um mistério.

Sabia, quando trouxe Finazzi, que tipo de centroavante ele é, daqueles grossos mas que fazem gols.

Só que prefere Clodoaldo, apenas grosso. E traz de volta Gustavo Nery, que dispensa apresentação.

Assim, mesmo mal das pernas, os gaúchos acabaram o primeiro tempo na frente.

Para o segundo tempo o Corinthians voltou com Finazzi no lugar de Clodoaldo.

E continuou com o domínio do jogo, embora tenha sido do Grêmio a melhor chance, logo aos 10, quando Carlos Eduardo carimbou o travessão de Felipe.

A verdade é que o segundo gol gremista parecia muito mais próximo do que um eventual empate corintiano.

Aos 20 minutos, o Corinthians já tinha cobrado 10 escanteios, contra dois do Grêmio, sem levar perigo.

A melhor chance paulista foi fantasticamente impedida por Saja, em desvio de Pereira, contra o próprio gol, depois de cruzamento de William.

Até que, no 11o. escanteio corintiano, aos 36, a zaga gremista desviou e Finazzi, centroavante limitado, mas centroavante, bem colocado, enfiou a cabeça para empatar.

Dois minutos depois, quem diria, o apagado Gustavo Nery, em tabela com Finazzi de pivô, fuzilou para marcar um belíssimo segundo gol.

A Fiel ia à loucura, por ver seu time sair da zona rebaixamento na base só do coração, porque a bola foi pequena, embora a vitória tenha acabado por ser justa, castigo que o Grêmio fez por merecer.

Por Juca Kfouri às 16h55

Guarani analisa venda do Brinco de Ouro para banco privado

Por ELIAS AREDES JUNIOR e CARLOS GIGOLON

Mais de 4 mil pessoas certamente estarão nas arquibancadas do Brinco de Ouro para empurrar a equipe que busca reconstruir seu passado de glórias.

O que esses mesmos torcedores não sabem que o estádio localizado ao lado da Avenida Princesa D´Oeste pode estar vivendo seus últimos dias de vida.

Um acordo negociado entre o presidente do clube, Leonel Martins de Oliveira e um banco de grande porte do Brasil pode sanear as dividas e ainda colocar 20 milhões de reais no caixa do clube para a contratação de reforços.

Segundo fontes próximas ao dirigente e que conversaram com esses dois jornalistas que assinam o artigo, o mecanismo seria simples: o banco - que segundo uma das fontes ouvidas é o Bradesco - e compraria todo o complexo que envolve o estádio Brinco de Ouro, as piscinas, o prédio administrativo e toda a parte social.

Ou seja, todo o patrimônio do clube. Só ficaria de fora o Centro de Treinamento que fica ao lado do estádio, cuja uma parte seria utilizada para a construção de novas piscinas e de uma sede social.

Em troca, o banco daria uma verba de R$ 20 milhões para a aquisição de reforços e auxiliaria na construção de um estádio.

Quanto a construção do novo estádio - cujo custos teriam auxilio do banco-, o terreno já estaria escolhido: seria no distrito de Barão Geraldo, um local com moradores de alto poder aquisitivo e que tem saída para as rodovias Anhanguera, Bandeirantes e Dom Pedro, talvez as de maior trafego do estado de São Paulo.

Resta saber se a proposta será aprovada pelos componentes do Conselho Deliberativo, que anteriormente conduziram Leonel Martins de Oliveira ao posto de presidente para completar o mandato de José Luis Lourencetti, afastado clube após vários rebaixamentos e uma dívida monstruosa para pagar.

Parece que o clube quer encontrar uma maneira de quitá-la. Resta saber se a torcida aceitará a proposta.

Por Juca Kfouri às 15h03

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico