Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

08/09/2007

A PF desvenda a parceria Corinthians/MSI

O editor chefe da revista "Terra Magazine", BOB FERNANDES, e este blogueiro, tiveram acesso ao relatório da Polícia Federal sobre a parceria Corinthians/MSI.

A quatro mãos, produzimos o texto abaixo, publicado na edição da FOLHA DE S.PAULO deste domingo e na "Terra Magazine", desde a tarde deste sábado.

 

Por mais que pareça ficção, o que se lerá aqui é uma história verídica, repleta de cenas de intrigas, mentiras,ciúmes entre homens, deslizes, traições, ameaças e, até, um romance com final feliz, passando por gabinetes bem próximos ao do presidente da República, no Palácio do Planalto, além de seu próprio gabinete.

Tudo gravado, com autorização judicial, pela Polícia Federal, e resumido em um relatório do órgão, de 72 páginas, a que a Folha e a revista eletrônica "Terra Magazine" tiveram acesso, como, ao menos, um dos advogados de pessoa citada.

E a história tem nome, como é habitual nas ações da Polícia Federal: Operação Perestroika.

O mote foi a parceria Corinthians/MSI.

Tudo começa com uma conversa entre Kia Joorabchian e o jogador Ricardinho, na qual o atleta é informado que "conforme combinaram, o dinheiro vai ser pago hoje, mas que acha que só vai ser creditado amanhã, pois está pagando fora do país".

Ricardinho, então, pergunta se será avisado do crédito, e Joorabchian diz que sim, ao pedir que ele fale com o advogado da parceria, Alexandre Verri, "para confirmar a transação".

Joorabchian informa que o crédito é de US$ 1,144 milhão.

Quantias dessas são o que há de mais comum nas conversas.

No dia 14 de agosto de 2006, por exemplo, às 12h16, a noiva de Joorabchian, a advogada Tatiana Alonso, informa ao homem do futebol da parceria, Paulo Angioni, que conversou com o noivo e este disse que só poderia dar R$ 400 mil por mês para o técnico Emerson Leão, o que derruba a versão de que a MSI não participou da transação por não concordar com ela.

Pouco menos de uma hora depois, Angioni liga para Tatiana e conta que Alberto Dualib se comprometeu a pagar a diferença de R$ 100 mil com dinheiro da Federação Paulista.

E, ainda no mesmo dia, Angioni diz a Renato Duprat que Leão pediu R$ 3 milhões no ato da contratação, o mesmo valor dali a um ano e mais R$ 1 milhão se classificar o Corinthians para a Libertadores.

Duprat, por sinal, como se verá, não será coadjuvante neste enredo, e impressionará pela capacidade de ludibriar.

No mesmo dia 14, por sinal, sem que uma coisa tenha a ver com a outra, Angioni diz para Duprat que Marcelinho tem que sair do clube e Duprat informa que já acertou a saída dele com Boris Berezovski. Fica claro que, embora também alardeasse ser contrária a contratação do jogador, era a MSI quem pagava o salário e os direitos de imagem dele.

No dia seguinte, 15, Angioni relata que a FPF antecipará R$ 2 milhões para pagar Leão a título de empréstimo que será pago apenas no ano seguinte.

Já no dia 21, Angioni comunica a Nojan Bedroud, diretor da MSI, que "está deixando a empresa, porque prefere trabalhar com Kia fora do Corinthians".

Dinheiro, por dentro, por fora, emprestado.

Dinheiro que leva Gisele, ex-mulher de Carlos Alberto, que hoje está no futebol alemão, a deixar uma ameaça gravada em seu celular, exatamente às 11h10 do dia 5 de setembro, dizendo que "vai abrir a boca sobre o depósito do salário que é feito metade aqui e metade na Suíça". E garante ter comprovante em mãos.

Enquanto isso, de Londres, repetidas vezes Duprat fala com Dualib e promete não só resolver rapidamente o envio de dinheiro para pagar as contas do clube como a própria sucessão de Joorabchian na MSI, além de garantir que falta pouco para legalizar a entrada de Berozovski no Brasil.

Mas o agosto alvinegro segue.

No dia 26, Joorabchian diz para a noiva que Berezovski considera Leão um "idiota" e que o Corinthians é "uma bagunça política".

Impaciente, Tatiana diz ao noivo que eles estão trabalhando muito no Brasil e que Berezovski está brincando com a vida deles. E apela para que ele saia "dessa bagunça, abandone essa merda".

Setembro chega, mas a crise permanece.

O casal Kia/Tatiana volta a se falar no dia primeiro e ele se queixa de que o jornal "Financial Times" noticiou seu interesse pela compra do West Ham, o que nega: "Apenas pusemos o Tevez e o Mascherano lá porque não tínhamos outra opção", explica, para ouvir de volta "que talvez isso seja um aviso, não quero passar em Londres pelo que estamos passando no Brasil, vamos tocar os negócios do seu pai, porque o Boris é um bilionário, não faz nada na vida, só besteiras, que nem consegue avaliar as conseqüências de suas intervenções idiotas, porque sabe que nada o atinge, diferentemente deles (Tatiana e Kia), pessoas normais, com empregos normais".

Joorabchian concorda e conta que discutiu com Berezovski num restaurante e disse a ele "não ter bilhões nem ter escolhido a vida política".

De Londres, Dualib reclama de falta de dinheiro e manifesta preocupação, no dia 25, ao dizer que a conta do hotel vai ser de "100 pau" e que "100 pau", no cartão dele, "na hora" o imposto de renda pega.

Desde o "escândalo Ivens Mendes" que o presidente corintiano parece ter problemas com o "um-zero-zero"...

Só que os problemas do futebol brasileiro parecem coisa de criança quando confrontados com os dos parceiros que o Corinthians arrumou, sem nem ter a desculpa de que não sabia com quem estava se metendo.

Exemplo disso é o diálogo entre Dualib e Duprat, no dia 8 de outubro, precisamente às 17h52, o primeiro em Londres, o segundo em São Paulo.

Duprat revela que o "pessoal de Badri Patarkatsishvili (o empresário georgiano sócio de Berezovski) está preocupado com a situação na Geórgia e que ele está mandando toda sua família para Londres".

Dualib aconselha que ele saia da Geórgia, "antes que o matem" e acrescenta que Andrés Sanches, que se apresenta como líder da oposição no clube, "está sabendo o que falar na Federal, porque depois da nota oficial da MSI que desmente a participação de Berezovski na parceria, ninguém mais pode falar em Boris, o Boris acabou, tá fora e se ele (Andrés) falar o que o Boris é, fode com tudo".

Duprat concorda: "Boris não é, é o Badri que é".

Exatos 48 minutos depois dessa conversa, Sanches quer saber o que Dualib e Nesi Curi, vice-presidente do Corinthians, vão falar na PF, para que ele também fale.

Dualib então revela que pedirá adiamento do depoimento e que Sanches deve fazer o mesmo porque é preciso saber antes, com o pessoal em Londres, o que foi que Berezovski disse em seu depoimento quando detido em São Paulo.

Sanches topa e acrescenta que mandará seu advogado tentar o adiamento. "Vou falar o que vocês falarem."

Estranhamente, Dualib encerra a ligação com o comentário: "Quem acompanhou o depoimento do Berezovski foi o Duprat, e eu não estou conseguindo falar com ele"... De fato, ninguém confia em ninguém.

Tanto que, em seguida, Dualib volta a falar com Duprat para informá-lo do que conversara com Sanches. Duprat o aconselha a não confiar nele, e Dualib argumenta que, "se ele foi chamado, é porque também está envolvido".

E pede que "Londres fale com Marco Polo Del Nero" (presidente da FPF e advogado) para que todos recebam a mesma orientação. Duprat promete falar com Marco Polo.

Entre tantas angústias, a falta de dinheiro continua.

No dia 10 de outubro, Curi pergunta a Duprat se o dinheiro já chegou, e ele diz que o assunto está sendo discutido naquele momento, que Berezovski está na sua frente. Curi fala para Duprat cobrá-lo porque ele prometera o dinheiro imediatamente, mas Duprat explica que "quem manda dinheiro é o Badri, não o Boris", e que Badri está por chegar.

São inúmeras, mais de vinte, as conversas semelhantes entre Duprat e a direção corintiana, sem que o dinheiro apareça.

E ainda não se chegou à novela sobre como Berezovski entraria no Brasil, outra vez com Duprat intermediando.

O fim da novela é conhecido: Berezovski não veio e está, assim como Joorabchian, com mandado de prisão e acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, a exemplo do que acontece, em relação aos dois últimos itens, com Dualib, Curi, Duprat, Angioni e Verri, o advogado da parceria, do escritório Veirano, o mesmo de Tatiana Alonso, agora esposa de Joorabchian.

Mas os capítulos da novela são também interessantes e serão contados mais adiante.

No dia 12 de outubro, Duprat conversa com alguém não identificado e diz que "parece que Verri entregou tudo, fez um estrago em seu depoimento, que a PF até ficou surpresa com tanta informação, parece até que ele quer ferrar o Kia, que ele mostrou direitinho como é a operação, como vem de fora".

Duprat ainda opina que "a única coisa que parece irregular é a compra de jogadores e que sabe pelo Dualib que o Corinthians tem uma conta em Nova York ainda do tempo da parceria com a Hicks&Muse".

Ao ser perguntado se sabe quem é que está no inquérito, Duprat responde que é "o Protógenes, o mesmo da outra vez", referência ao delegado da PF, Protógenes Queiroz.

E, na mesma conversa, Duprat comenta que Dualib despediu o filho do Grondona (Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina e vice-presidente da Fifa), "que é o cara responsável pela fiscalização de lavagem de dinheiro na Fifa, o que causou mal-estar quando a PF foi à Fifa e mandaram falar exatamente com o Grondona, que até foi questionado por ser o responsável por essa área e o filho estar envolvido com o Corinthians". Duprat acha que Joorabchian pôs, "estrategicamente", o Grondoninha no clube.

Paralelamente a tudo isso, outra história se desenrolou _ ou não se desenrolou _, a de Nilmar, tão enrolada como as demais, razão pela qual o leitor será poupado dela.

Porque melhor é a nova conversa mantida entre Dualib e Duprat, no dia 16 de outubro.

O cartola pergunta se "é para manter o discurso mentiroso sobre o Boris, que ele não tem nada a ver, que é tudo com o Badri?". Duprat ri e diz que "tem de falar a verdade, que o Boris nada tem a ver com a MSI".

Daí, o Flamengo aparece.

Joorabchian, no dia 31 de outubro, determina que Angioni fale com Verri para que este explique como será a entrada deles no clube carioca depois de ouvir que "o Flamengo quer abrir as portas para Kia".

Só preciso de um mês para terminar tudo com o Corinthians e começar a investir no Flamengo". Novela curta, minissérie, porque logo acabou.

No dia anterior, ao receber nova cobrança de envio de dinheiro, Duprat diz a Dualib que "o problema é em Londres, porque eles não tem em nome de quem mandar".

Na verdade, não dá para acreditar numa só palavra dele.

Nem mesmo quando, aparentemente com sensatez, aconselha Dualib a não brigar com Curi, "pois não é hora". Só que Dualib está indignado ao telefone neste dia 23 de novembro, "porque ele não pode fazer o que está fazendo, chamando minha neta de ladra, porque tirei notas, de 14 anos para cá, para poder livrar a cara do Nesi da investigação e se não tivesse feito isso ele estaria enrolado juntamente com o Mello" (Carlos Roberto Mello, ex-vice-presidente de finanças do clube).

Novembro termina, dezembro começa, e tudo na mesma.

No dia 3, Duprat diz a Curi que contratou o centroavante Borges, no Japão. O jogador, de fato, veio do futebol japonês, mas para o São Paulo.

No dia 6, Curi diz a Duprat que todas as contratações estão sendo desmentidas na imprensa, e Duprat afiança que mandará muito dinheiro a partir do dia 15. "Primeiro, um dinheiro para cobrir o déficit; depois mais US$ 5 milhões e depois mais US$ 10 milhões." E começa a falar sobre a contratação de Cícero, meia do Figueirense.

Este acabou no Fluminense.

Um pouco depois, no mesmo dia, é Dualib quem cobra Duprat ao dizer que precisa de ao menos US$ 1 milhão. Duprat responde que será esse o valor e que o mandará "amanhã".

No dia 22, às 10h01, Duprat voa mais alto. A um interlocutor não identificado, diz que "eles vão comprar mais quatro clubes no Brasil para lavar dinheiro" e diz "que o russo agora é o dono da Varig".

ERRATA - 13h32, de 10/9/2007: NA VERDADE, APARENTEMENTE COMO DIZ O RELATÓRIO DA PF, DUPRAT OUVE A FRASE E NÃO A DIZ,( ou seja, De um interlocutor não identificado, ele ouve que "eles vão comprar mais quatro clubes no Brasil para lavar dinheiro e "que o russo agora é dono da Varig").

Berezovski, é verdade, quis, mas não comprou. Chegaremos nisso daqui a pouco.

Uma semana depois, Duprat fala a alguém não identificado que é contra o empréstimo do lateral Coelho para o Galo, "porque existe algum esquema entre o Kia, o Nesi e o Atlético".

Coelho, como sabem até as montanhas das Alterosas, é hoje jogador atleticano.

Mas Duprat não desiste, Duprat insiste, está em todas.

E em conversa com um dos vice-presidente

Por Juca Kfouri às 21h21

A PF desvenda a parceria Corinthians/MSI (continuação)

No mesmo diálogo, Duprat diz a Kalil que Carla, a neta do presidente, prefere ele, Kalil, como laranja do avô, a Edgard Soares, outro vice de Dualib.

O clima esquenta.

Curi diz a Duprat que "está arranjando uns guardas para bater em Martinez" (diretor de futsal do clube) e pergunta se Berezovski vem mesmo ao Brasil. Duprat diz que sim, "mas, se ele não vier, já tenho outro judeu", responde, e acrescenta que está tentando pegar Robinho emprestado.

Não é incrível que alguém pudesse acreditar?

Então, esquentam as negociações para Berezovski vir.

Dualib garante num diálogo com Curi que Duprat já acertou tudo com Brasília.

Nesi garante que "aquela mulher gorda estava atrapalhando", e Dualib a identifica como Clara Arnt, "da ala radical do PT e contra o Boris".

Ela, secretária pessoal de Lula, confirma: "Fui contra sim que o presidente o recebesse".

Curi acrescenta que o Lula teria gostado da visita deles, mas que é bom não comentar nada sobre o fato de terem ido falar sobre o Boris, para que ninguém mais trabalhe contra.

Sim, Dualib, Curi e Duprat estiveram com o presidente da República e pediram que ele se esforçasse para eliminar as barreiras que impediam a entrada do bilionário russo no Brasil.

Numa cena constrangedora, Curi até pediu que Lula ligasse na frente deles para Berezovski, sem ser atendido, segundo relata Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência, ouvido sobre o episódio.

"A pedido da direção do Corinthians, nos limitamos a ver se era possível conseguir a extensão do asilo político dele na Inglaterra para o Brasil e não sabíamos sobre o russo o que sabemos hoje. Agora temos tratado de extradição com a Rússia, e é impensável tê-lo aqui. Além do mais, vi Duprat apenas na audiência com o presidente e jamais falei com ele sobre qualquer assunto depois disso", garante, embora confirme que houve gestões do jornalista Breno Altman, ligado ao ex-ministro José Dirceu e ao ministério da Justiça.

Altman chegou a viajar para a Europa para se encontrar com Berezovski e, quando da primeira vinda do russo ao Brasil, organizou reuniões para ele.

A justificativa é simples: o russo queria investir no Brasil em estádios, bio-diesel, etanol etc e estava até disposto a passar parte do ano por aqui. Dono de uma fortuna avaliada em US$ 4 bilhões, Berezovski mobilizou vários segmentos, aí incluida a Assembléia Legislativa de São Paulo, por intermédio do deputado estadual petista, Vicente Cândido, um dos articuladores, segundo ele mesmo, sempre em nome de Dirceu, da frustrada vinda do bilionário.

Mas a Operação Perestroika, traz de volta o mesmo nome de um velho personagem da corrupção no futebol brasileiro.

Em 1982 a revista "Placar" desvendou um esquema de manipulação de resultados dos jogos da Loteria Esportiva, no que ficou conhecido como a "Máfia da Loteria". Era um jornalista cearense de nome Flávio Moreira, que trabalhava na agência Sport Press, quem escolhia os 13 jogos da loteca.

Descobriu-se que ele fazia a escolha de acordo com os grupos que manipulavam os resultados pelo país afora.

Pois é um tal Flávio Moreira quem procura Duprat, segundo o relatório da PF, para oferecer seus serviços para "classificar" o Corinthians no Campeonato Paulista, nega-se a falar mais pelo telefone e manda tirar suas referências com Paulo Pelaipe, diretor do Grêmio.

Duprat o dispensa e a conversa não evolui ou não tem novos registros nas escutas da PF.

Uma fonte ouvida pela reportagem, garante que Flávio Moreira é Flávio Moreira (Leia nota acima, do domingo, 14h30).

O fim desta novela, como quase todas, tem uma história de amor: Joorabchian passou pelo Brasil e levou para Londres a morena Tatiana, com quem se casou no dia da Pátria (a nossa...) em rica cerimônia.

E mais não se sabe desta novela porque, estranhamente, quando a PF avançava em suas investigações e se preparava para os capítulos finais da Operação Perestroika, eis que o Ministério Público Federal apresentou denúncia à Justiça, o que abortou novas abordagens.

 

Por Juca Kfouri às 21h13

Santos com persistência

E não é que o Juventude não deu vida fácil ao Santos?

Embora os santistas tenham criado mais chances de gol, os gaúchos também as criaram e, no primeiro tempo, a mais aguda, salva pelo goleiro Roger por puro reflexo.

Petkovic foi guardado para o segundo tempo.

E assim que pegou na bola pôs o artilheiro Kléber Pereira em ótimas condições de marcar.

Mas o artilheiro parecia numa noite como a de Dodô diante do Palmeiras, sempre bem colocado, sempre perigoso, mas infeliz.

E seu xará, na Seleção, fazia falta na criação.

De todo modo, não faltavam esforço nem seriedade em busca da vitória na Vila Belmiro.

Compensados aos 39 minutos, quando Renatinho pegou uma sobra de bola largada pelo goleiro gaúcho graças a um choque com um zagueiro do próprio Juventude.

Aquela velha história da água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

O curioso é que a bola veio cruzada da esquerda por Dionísio, como se fosse o lateral Kléber.

 

Por Juca Kfouri às 19h11

O Cruzeiro não desiste

Cruzeiro e Grêmio fizeram um jogo à européia no Mineirão.

De forte marcação, com alguns lances tecnicamente refinados (daqueles que os "estrangeiros" proporcionam pelo Velho Continente) e permanente aplicação.

Tão à europeía que tinha cara de 0 a 0.

Mas o tricolor Diego Souza quase fez um gol de voleio que seria uma maravilha.

Menos mal que, aos 38 do primeiro tempo, Marcelo Moreno, de cabeça, ao aproveitar escanteio batido por Maicossuel, abriu o placar para os mineiros.

O que obrigou o Grêmio a se abrir mais em busca do empate, embora, registre-se, no começo da partida os gaúchos foram mais perigosos.

Com mais de 35 mil torcedores, o Mineirão viu o Grêmio assumir o comando no segundo tempo.

Só que o Cruzeiro se virava como podia e evitava o empate, muitas vezes de maneira estabanada porque, definitivamente, a defesa não é o forte da Raposa.

Diferentemente do ataque, como se sabe.

E foi o surpreendente Marcelo Moreno quem resolveu a vida mineira, ao fazer 2 a 0 aos 20 minutos, quando nada indicava que isso aconteceria.

Fato é que selou a nona vitória seguida de seu time em casa.

O Cruzeiro se mantém a distantes nove pontos do São Paulo.

E tem ainda que jogar contra o líder, embora no Morumbi.

Pode, portanto, sonhar.

Principalmente se seus atacantes continuarem a funcionar. 

Por Juca Kfouri às 19h09

São Paulo estava atento. Dagoberto também

Apesar do feriadão, São Paulo estava de plantão.

Pelo menos no primeiro tempo.

Porque só deu Vasco em São Januário.

Do primeiro ao último minuto.

Duas bolas foram na trave de Rogério Ceni, uma de Amaral, no travessão, e outra de Júlio Santos, no pé da trave esquerda do goleiro.

Além disso, Rubens Júnior obrigou o ídolo tricolor a fazer boa, quase ótima defesa.

O São Paulo perdeu André Dias, machucado, e Jadilson entrou.

Com São Janu em tarde de gala, repleto e bonito, no segundo tempo os paulistas melhoraram e passaram a jogar de igual para igual, como se espera de um líder.

E, aos 16, Dagoberto fez um golaço, indefensável para Sílvio Luiz.

No mesmo gol que a bola não quis entrar nos primeiros 45 minutos, é claro.

Como seria também indefensável, três minutos depois, uma bola em falta batida por Andrade que desviou e tirou Rogério Ceni do lance.

Só que a danada passou rente à trave, caprichosa, cúmplice da conspiração de todos os astros pelo pentacampeonato do São Paulo.

Aos 35, Dagoberto perdeu a chance de liquidar o jogo, já cansado, sem forças para vencer o goleiro vascaíno.

Mas, aos 49, Hernanes pedalou, chutou, a bola desviou e...entrou: 2 a 0.

O São Paulo quebrou a invencibilidade de 22 jogos do Vasco em sua casa e ainda completou 898 minutos sem tomar gol.

Esperemos para ver qual será o motivo de choradeira.

Não foi justo?

Pelo primeiro tempo, não.

Pelo segundo, sim.

O empate seria mais justo?

Sim.

E o que o São Paulo tem a ver se os outros chutam nas traves e ele nas redes?

Ou será que duas bolas na trave valem um gol?

Valem não.

Por Juca Kfouri às 17h03

Festa no sul

Os dois times sulistas fizeram a festa em casa.

Em Porto Alegre, o Inter matou o jogo logo no primeiro tempo ao dominar o Flamengo e fazer dois gols, com Wellington Monteiro, aos 19, depois de receber do estreante Gil, e com Roger, o menino colorado, belíssimo, aos 44.

Para culminar, a torcida do Beira-Rio se reencontrou com Fernandão, que entrou depois do intervalo no lugar de Gil, como Roger, o do Flamengo, deu lugar a Jaílton, o que dispensa comentários.

No fim do jogo, Elder Granja meteu a cabeça para fazer 3 a 0.

Em Floripa, o Figueira também fez 2 a 0 no primeiro tempo, com Chicão, de cabeça, aos 10, e com Jean Carlos aos 17.

O Galo ainda esboçou reagir, com Leandro Almeida aos 22.

Mas ficou nisso.

Resultado: o Figueirense se afastou da zona do rebaixamento e o Flamengo permanece por ali.

O Inter segue pensando na Libertadores e o Galo tem é de se cuidar. 

Por Juca Kfouri às 16h56

07/09/2007

Os cinco jogos deste sábado

Vasco e São Paulo, em São Januário, às 4 da tarde.

Grande jogo.

O Vasco que não é derrotado em casa há um ano.

O São Paulo que não sofre gols há quase nove jogos.

Vasco que só perdeu para o tricolor uma vez em São Janu, em 11 partidas, com seis vitórias.

E que até o goleou, em 2001, por 7 a 1.

São Paulo praticamente completo, sem Alex Silva, mas com Miranda.

Vasco que ainda não sabe se terá o importante Perdigão.

É o jogo da rodada, sem dúvida.

Em seguida, por ordem de importância, às 18h10, Cruzeiro e Grêmio.

Os dois, o Cruzeiro, principalmente, precisam acreditar que o líder cairá e que, portanto, o empate será péssimo.

Ps mineiros buscam sua nona vitória seguida no Mineirão.

No Beira-Rio,às 16h, Inter e Flamengo.

Favoritismo colorado, que estreará Gil e terá Fernandão como opção.

Muita gente de volta no rubro-negro que, no entanto, ainda não contará com Maxi.

Em Floripa, ainda às 16h, Figueira e Galo, com cara de Galo.

Finalmente, também às 18h10, o Santos tem a obrigação de ganhar do Juventude, mesmo sem o lateral Kléber, na Seleção.

Bastará entrar de chuteira. 

Por Juca Kfouri às 22h10

A 24a. rodada foi assim

Com 29 gols e média de público de 11.484.

Adivinhe onde aconteceu o maior público?

É claro, na Ilha do Retiro, com 25.576 pagantes.

O menor foi na Vila Capanema, com 2.860.

Decepcionante o público do Mineirão, com apenas 16.118, menos, por exemplo, que o do Olímpico, com 18.147, e o do Pacaembu, com 17.331 torcedores.

A maior novidade da rodada é negativa, a entrada do Paraná Clube no grupo dos rebaixados, embora com o mesmo número de pontos do Figueirense, que demitiu Mário Sérgio.

Do jeito que vai, nenhum grande cairá.

Por Juca Kfouri às 01h05

Espantaram o futebol no feriadão

Em sua permanente campanha para estropiar o Campeonato Brasileiro, justamente no momento em que o torcedor mais tem comparecido aos estádios, eis que a CBF determina que todos os cinco jogos do domingo do feriadão vão ser disputados às 19h.

Tudo porque a seleção da CBF jogará em Chicago, às 17h, contra os Estados Unidos, em mais um jogo que não comove ninguém.

Assim, a grande atração do fim de semana de futebol fica por conta de apenas uma partida, no sábado, às 16h, em São Januário, entre Vasco e São Paulo, quarto e primeiro colocados do Brasileirão.

O terceiro melhor ataque do país contra a melhor defesa, incólume há 808 minutos no Campeonato Brasileiro.

Curta o 7 de setembro, divirta-se com o embate entre vascaínos e são paulinos no sábado e passe o começo da noite de domingo na estrada, de volta para casa, ouvindo futebol pelo rádio.

Por Juca Kfouri às 00h21

06/09/2007

Só o jogo agradou no Maracanã

O Palmeiras mais via o Botafogo jogar do que jogava.

E até bola na trave tomava de um alvinegro que dominava, mas não era capaz de ser eficaz.

Aí, aos 41, num erro carioca, os paulistas fizeram 1 a 0, com Edmundo, íntimo do Maracanã.

Castigo merecido para a incompetência botafoguense, embora prêmio imerecido pelo que o Palmeiras mostrava até ali.

Merecimentos à parte, o Palmeiras estava na frente.

Era o que importava.

Só mesmo aos 45, Diego Cavalieri teve que se desdobrar, numa bola bem colocada por Dodô.

Antes, a trave é quem tinha trabalhado por ele, logo aos 5 minutos, em outra jogada de Dodô.

Mas, aos 3 do segundo, na pequena área, Dodô chutou por cima o gol de empate carioca.

Um assombro.

Aos 20 foi ainda pior.

Porque Dodô até de Cavalieri se livrou, mas não conseguiu fazer o gol.

Enfim, aos 30, Leandro Guerreiro empatou, da entrada da área, em jogada iniciada por Dodô.

Só que o empate, amigo, o empate era ruim para os dois.

Como foi, embora o jogo não tenha sido, ao contrário. 

Porque, aos 47, Dodô, outra vez, teve a chance da virada e perdeu.

Por Juca Kfouri às 21h31

Flu faz a festa com o Timbu

Neste blog é assim: quando o Fluminense é apontado como favorito, ele nega fogo.

Quando é o seu adversário o eleito, o Flu não deixa barato.

Como não deixou no Recife, ao vencer o Sport por 2 a 0, deixá-lo incomodamente perto do grupo dos rebaixados e melhor, livrando-se de tal companhia.

Cícero, de cabeça, e Tiuí, quase sem ângulo, construíram a vitória, no segundo tempo.

E com apenas 10 jogadores.

O Sport não tem do que reclamar, nem do lindo gol de bicicleta de Carlinhos Bala, porque o impedimento era claro.

Tem mais é que lamber as feridas e tomar cuidado.

Muito cuidado, porque o rival Náutico reage.

Ou alguém acha que fazer, como fez o Timbu, 4 a 2 no Paraná Clube, em Curitiba, é para qualquer um?

Por Juca Kfouri às 21h27

Gênio!

Por JOÃO FELLET
 
Andy Roddick parecia se superar a cada ponto.
 
Fazia um ace atrás do outro: a bola saía da sua raquete a 200, 210, 215 km/h.

Quando errava o primeiro saque, vinha nova bomba no segundo.
 
Se mesmo assim a bola voltasse para a sua quadra, continuava a disparar o seu canhão, até vencer o ponto.

Num dia inspirado como esse, sua vitória era quase certa.
 
Quase --não fosse seu adversário um desses atletas cuja genialidade assombra o esporte mundial de tempos em tempos.
 
Nos últimos 30 anos, o mundo conheceu só dois do mesmo quilate: Diego Maradona e Michael Jordan.
 
Roger Federer é o terceiro.

Com o saque impecável, Roddick levou o primeiro set para o tie-break.
 
Vacilou numa só bola, o suficiente para que o suíço saísse à frente: 1 a 0.

Inabalável, Roddick começou o segundo set determinado a empatar a partida.
 
Seus golpes eram tão fortes que não seria surpresa se seus braços descolassem do corpo em algum momento e voassem em direção à torcida.

Comemorava cada ponto com saltos e gritos.
 
Sempre aguardava o saque do adversário girando a raquete rapidamente entre as mãos e erguendo as mangas das camisas.
 
Mantinha-se agitado, intenso, como se sob os efeitos de alguma poderosa droga.

Em certa troca de bolas, aplicou com perfeição seus potentes golpes no fundo da quadra.
 
Confiante, resolveu subir à rede com uma difícil bola rasante.
 
Federer teve uma fração de segundo para se curvar e por pouco evitar que a bola tocasse o chão pela segunda vez.
 
Naquelas circunstâncias, uma passada seria impossível.

Foi então que o gênio fez algo inimaginável: com um golpe seco, encobriu Roddick, que, grudado à rede, apenas aguardava o momento para liqüidar o ponto.
 
Incrédulo e imóvel, o americano assistiu à bola cair no fundo da sua quadra.
 
Ponto de Federer.

Nem Roddick nem qualquer um que assistia àquela partida já havia visto jogada parecida.
 
O suíço acabara de inventar um novo golpe.
 
Que nome dar àquilo?
 
Teria sido um lob com slice?
 
Atônita, a platéia que lotava a quadra central de Flushing Meadows, em Nova York, quase se esqueceu de aplaudir.

Daquele ponto em diante, o jogo caminhou para o seu desfecho sem sobressaltos, ainda que o persistente Roddick tenha conseguido levar também o segundo set para o tie-break.
 
No final, 3 a 0 para Federer.

Após o último ponto, o suíço apenas ergueu o indicador para a torcida.
 
Nem sequer esboçou um sorriso.
 
Agora está nas semi-finais do US Open, rumo ao seu quarto título consecutivo. 
 
Para o jogador que caminha rumo à quebra de todos os recordes da história do tênis, vencer se tornou banal.

Ele nem sorri.
 
Mas, para quem o vê em quadra, impossível é não gargalhar.

Por Juca Kfouri às 11h38

Os jogos de hoje

São três, todos às 20h30.

Botafogo e Palmeiras, no Maracanã, é o que chama mais atenção.

Muita, por sinal.

Chance para o Botafogo assumir o terceiro lugar na vaga do Santos e para desalojar o rival Vasco do G-4.

E chance para o Palmeiras deixar o Grêmio e o próprio Botafogo para trás.

Os dois vêm de derrotas acachapantes.

Quem ganha?

Muro!

De onde desço para apontar o Sport como favorito diante do Flu, na Ilha do Retiro.

E para onde volto ao não fazer prognóstico em torno de Paraná Clube e Náutico, na Vila Capanema.

Boa noite para quem ainda vai dormir e bom dia para quem está acordando.

Por Juca Kfouri às 00h53

Revelar para quê?

Por GUSTAVO VILLANI, de Madri

A Espanha está na final do Mundial sub-17, após derrotar o algoz brasileiro, Ghana, por 2 a 1 na prorrogação, com boa arbitragem de Sálvio Spíndola Fagundes Filho.

O craque do jogo foi o atacante do Barcelona Bojan, que na Eurocopa sub-17 já havia dado o título aos espanhóis com um gol frente a Inglaterra.

Qual a expectativa desse garoto ser aproveitado no time principal, com Henry, Eto’o, Messi e Ronaldinho?

Deve se a mesma do rival Roberto Soldado, que disputa vaga com Raúl, Robinho e Nilsterooy.

Barcelona e Real Madrid têm ao todo apenas quatro garotos convocados, entre os 21 atletas sub-17.

Na seleção principal, a mesma coisa: quatro, entre os vinte chamados para os jogos da Eurocopa.

Os grandes da Espanha massacram as categorias de base.

Isso ajuda explicar a calmaria da Fúria ao longo da história, com uma Eurocopa conquistada no próprio país, em 1964, uma medalha de ouro também em casa em Barcelona/92 e um título no Mundial sub-20 em 99.

O técnico Luís Aragonés, perguntado sobre os motivos que distanciam a Espanha dos títulos, é claro: "Muita contratação de estrangeiros, pouco trabalho para revelar talentos".

Dia desses assisti pela internet ao meia Souza, no programa ArenaSportv, dizer que "mais prefere um bom contrato financeiro a disputar uma Copa pelo Brasil, afinal, jogador que permanece no País é desvalorizado".

Aqui na Espanha é a mesma coisa, pois o que adianta ser revelado no Real Madrid ou Barcelona e não jogar?

Dois atletas da finalista Seleção sub-17, Sergio Tejera e Fran Mérida, já estão respectivamente no Chelsea e Arsenal, sorte deles.

O Real Madrid, atual campeão espanhol, tem apenas três jogadores no próprio elenco revelados no clube, Torres, Balboa e Soldado, nenhum titular.

O Barcelona tem cinco, Valdés, Puyol, Xavi, Iniesta e o garoto mexicano Giovani, que espera oportunidade no banco.

Sem patrocinadores milionários, os catalães estão mais dispostos a formar e lançar jogadores, mesmo que apenas para serem coadjuvantes em meio às estrelas internacionais.

Carentes de ídolos, os espanhóis choram a cada lista convocatória a ausência de Raúl, que passa dos 30 anos.

Aragonés resiste e pretende renovar aos poucos a Seleção.

É uma alternativa para melhorar o mísero quarto lugar obtido no Brasil, há mais de 57 anos, em Copas do Mundo. A ver.

Por Juca Kfouri às 00h36

O Brasil parou para ver o gol que não aconteceu

Por Napoleão Bonaparte...

OK, é um exagero.

O Brasil não parou para ver o gol que não aconteceu.

Mas que quem estava vendo futebol, fosse o jogo que fosse, acabou por ver o gol que não aconteceu é a mais pura verdade.

Porque o gol que não aconteceu não aconteceu no Mineirão.

E a partida do Mineirão terminou mais tarde que todas as demais de ontem, por causa de um apagão que demorou 10 minutos.

Foi então que, aos 45 minutos do segundo tempo, houve um pênalti para o Galo e Coelho foi bater.

Fazia 807 minutos que Rogério Ceni não buscava uma bola na rede no Campeonato Brasileiro.

A última vez tinha acontecido aos 2 minutos do primeiro tempo na vitória por 3 a 1 contra o Juventude.

De lá para cá, além dos 88 minutos da partida contra os gaúchos, mais oito jogos sem tomar gol, incluindo o que estava em curso, contra o Galo.

Pois Coelho bateu o pênalti, Rogério deu aquela adiantada básica e defendeu.

Coelho ainda pegou o rebote e chutou à queima-roupa, para nova defesa do goleiro.

Resultado: 0 a 0, Rogério há 808 minutos sem sofrer um golzinho sequer.

E ainda há quem diga que Rogério Ceni é um goleiro comum, apenas com a vantagem de fazer gols de falta e de pênalti.

E de sair muito bem com o pés, vá lá.

E de lançar seus companheiros como nenhum outro goleiro brasileiro, também é verdade.

E de ficar esse tempo todo sem sofrer gol, tudo bem.

Ele é mesmo um goleiro comum.

E, eu, que assino este comentário, sou o Napoleão Bonaparte.

Por Juca Kfouri às 00h03

05/09/2007

E ninguém faz gol no São Paulo

O líder São Paulo foi ao Mineirão com a segurança de que se fizesse um gol ganharia do Galo.

Porque sofrer gols parece coisa proibida no time do Morumbi.

E olha que o São Paulo perdeu Alex Silva ainda no primeiro tempo, machucado, o que forçou o recuo de Richarlyson para a zaga.

O jogo foi bem disputado, longe de ser brilhante, e com ligeira superioridade para o tricolor, embora o Galo não tenha dado descanso, ao jogar de igual para igual, com personalidade.

O Mineirão, sob forte chuva no primeiro tempo, até um apagão sofreu, o que causou 10 minutos de interrupção.

Aí, quando o São Paulo voltou para o segundo tempo, já sabia que o vice-líder Cruzeiro tinha perdido.

Dava para especular com um bom empate, mas, mesmo assim, seguiu mais perigoso.

E, aos 35, soube que o terceiro colocado, o Vasco, também tinha perdido.

Estava bom demais.

Nove pontos à frente do segundo, 12 adiante do terceiro, o Santos.

Só que, aos 43, Richarlyson fez um pênalti infantil em Danilinho.

Rogério Ceni manteria a invencibilidade da muralha são paulina?

Aos 45 minutos Rogério se adiantou sim, e muito, mas pegou o pênalti cobrado por Coelho e, ainda por cima, o rebote, chutado pelo próprio Coelho.

Sim, vem muita choradeira por aí.

Dirão que Rogério é o único goleiro a se adiantar no mundo do futebol.

Mas o fato é que o São Paulo não tem apenas uma gordura para administrar.

Tem quase um elefante mesmo.

Ou uma bezerra, um dos sobrenomes de sua senhoria, o árbitro do jogo.

Em tempo (às 1hh45, do dia seguinte, 6 de setembro): é tão óbvio o pênalti cometido em Jorge Wagner que nem era necessário mencioná-lo, principalmente diante da cena final da partida.

Por Juca Kfouri às 22h56

É Kléber demais para um Inter só

O Inter assustou o Santos na Vila.

Fez 1 a 0 com Adriano, logo aos 11 minutos.

Mas quem tem Kléber Pereira tem garantia de gols.

E foi ele quem, ao receber do xará da lateral-esquerda, de primeira, empatou ainda no primeiro tempo, aos 27.

Pois não é que sete minutos depois, o xará, como se fosse centroavante, se aproveita de uma largada de Clemer, depois de um chute cruzado de Renatinho, e consolida a virada praiana?

2 a 1!

A dupla K-K anda mesmo impossível e botou o Santos entre os quatro primeiros, o que não é pouca coisa, ainda mais depois do trauma do último domingo, no Pacaembu. 

Por Juca Kfouri às 22h45

Os sete minutos no Olímpico

Nos anos 70 fez furor um romance do escritor americano Irving Wallace cujo é "Os sete minutos", alusão à duração de uma relação sexual e aos devaneios de uma senhorita durante o ato.

Pois o Olímpico viveu nesta noite sete minutos capazes de enlouquecer o mais frio dos torcedores.

Entre os 9 e os 16 minutos do primeiro tempo, três gols.

O primeiro de Bustos, ao bater falta com perfeição.

O segundo de Alan Kardec, aos 15, para empatar para o Vasco.

E o terceiro, no minuto seguinte, de Ramon, que recebeu de Tuta, livrou-se de um marcador e fez 2 a 1 para o Grêmio.

Depois, o jogo seguiu movimentado, mas menos frenético.

No segundo tempo, também aos 9 minutos, o tricolor Labarthe foi expulso e a situação pintou dramática para os donos da casa.

Mas, aos 18, Jorge Luiz também fez falta violenta e o Vasco perdeu a vantagem de um homem a mais.

Para felicidade de Tuta que, de calcanhar, deu para Hidalgo passar para Sandro Goiano fez 3 a 1, numa pintura de gol.

O Vasco, que era o terceiro colocado, caiu para o quarto lugar, cedendo o lugar para o Santos, ambos apenas um ponto adiante do Grêmio. 

Por Juca Kfouri às 22h42

Flamengo, na moral

O Flamengo, desta vez, não bobeou.

Abriu o placar com gol contra de Carlinhos, aos 27, e desmontou a retranca catarinense.

Ocorre que, aos 46, o Figueirense empatou, com André Santos.

O intervalo transcorreu com o Maracanã em silêncio, preocupado.

Mas Obina, batendo pênalti, trouxe a alegria de volta, aos 18.

Para não ter mais surpresas, Ibson ampliou o placar, aos 41.

E para enganar quem só souber do placar, aos 44, Paulo Sérgio fechou o marcador

E, neste momento da vida rubro-negra, apesar de mais uma apresentação distante das tradições do Flamengo, ganhar é tudo o que importa.

Aliás, o quinto gol só não saiu por detalhe.

E o Mengo ganhou seu 11o. ponto nos últimos 15 que disputou no Maracanã.

Por Juca Kfouri às 21h27

E o vice-líder caiu lutando

Como era de se prever, o Cruzeiro sofreu em Caxias do Sul.

E diga-se que lutou bravamente para, pelo o menos, diminuir a catástrofe.

Tomou um gol aos 41 minutos (Tadeu, revelado pelo São Paulo, para o Juventude), e tentou.

Esbarrou na forte marcação gaúcha, no jogo truncado que valeu oito cartões amarelos (quatro para cada lado) e no gramado duro, onde a bola quica, não corre.

Para um time técnico e leve, estava pronto o cenário da derrota.

E Alecsandro, que já não tinha marcado nem na goleada sobre o Palmeiras, ainda perdeu um gol feito no começo do segundo tempo, sendo imediatamente substituído por Roni.

Mas o desesperado Juventude soube segurar o resultado, além de diversas vezes obrigar o goleiro Fábio a várias intervenções, para alegria, também, dos são paulinos. 

Por Juca Kfouri às 21h21

Virada do Furacão no Serra Dourada

Goiás e Atlético Paranaense se esmeraram em errar passes e em bobear para ver qual deles fazia um gol no Serra Dourada.

Nem assim, no primeiro tempo, o placar saiu do zero.

Quando saiu, foi com, para variar, Paulo Baier, que pôs o Goiás na frente.

Mas o Furacão de Ney Franco não se entregou, ao contrário.

E mostrou que de pobre não tem nada.

Porque não se limitou a empatar com Netinho, aos 24.

Virou com Pedro Oldoni, aos 27.

E ampliou com William, aos 35.

O Goiás ainda tentou reagir e diminuiu, aos 41, com Paulo Henrique.

Mas ficou nisso, para alívio dos rubro-negros, que buscam se livrar da zona incômoda do rebaixamento.

Por Juca Kfouri às 20h25

Minimamente, Corinthians

No Pacaembu, durante todo o primeiro tempo, dois lances merecem destaque.

O do gol corintiano, com Finazzi depois de receber uma bola mascada, logo aos 11 minutos.

E, aos 45, o de um impedimento mal marcado quando o América poderia ter empatado.

De resto, foi um jogo tecnicamente à altura dos dois times.

No segundo tempo, com a entrada de Lulinha no lugar de Arce, até que o Corinthians ficou mais insinuante, criou algumas chances, uma delas, de novo com Finazzi, imperdível.

Mas o jogo ficou mesmo na contagem mínima.

O que, para a situação corintiana, mesmo diante do lanterna e em casa, é o máximo. 

Por Juca Kfouri às 20h22

Os sete jogos desta quarta-feira

Quarta-feira gorda no Campeonato Brasileiro.

Em ação, às 21h45, o líder do torneio, o São Paulo, com parada indigesta, diante do Galo, no Mineirão.

O Brasil torcerá pelo alvinegro mineiro, mas, cá entre nós, mesmo fora de casa o tricolor é o favorito.

Às 20h30, o vice-líder Cruzeiro também não terá vida fácil, menos pelo adversário, o Juventude, mais pelo desespero dos gaúchos e pelas condições do gramado, desfavoráveis ao estilo rápido e leve dos mineiros que, no entanto, também são favoritos. 

Antes, às 19h30, no Pacaembu, o Corinthians recebe o lanterna América.

Desnecessário dizer que o favoritismo é todo do Corinthians que, no entanto, precisa tomar apenas um cuidado: não achar que são favas contadas e que depois da vitória sobre o Santos o time potiguar não pode aprontar uma surpresa.

Dadas as limitações do time paulista, tudo o que ele não pode fazer é repetir o erro da soberba santista.

Também às 19h30, o Goiás enfrenta o Atlético Paranaense, no Serra Dourada.

Pobre Furacão.

Às 20h30, no Maracanã, jogo fundamental para o Flamengo, contra o Figueirense, daqueles que não se pode pensar em outra coisa que não sejam os três pontos.

Mas que os rubro-negros estejam preparados para a caixa de maldades que certamente o time catarinense de Mário Sérgio abrirá para conseguir, ao menos, um empate.

Como deve estar atento o Santos, na Vila, às 21h45, diante do Inter, disputa de dois times irregulares que sonham com a Libertadores.

Pode acontecer qualquer coisa e qualquer derrota, ou empate, será catastrófico.

É ganhar ou vencer.

Finalmente, ainda às 21h45, Grêmio e Vasco, no Olímpico.

Sem tirar nem pôr, mesmíssima situação do embate em Santos.

Qualquer resultado que não seja a vitória deixará mal um ou outro.

Ou os dois. 

Por Juca Kfouri às 23h00

04/09/2007

Gaeco faz operação de busca e apreensão no Corinthians

Equipe do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), comandada pelo procurador Reinaldo Guimarães Carneiro, faz neste momento uma operação de busca e apreensão no Sport Clube Corinthians atrás das notas frias emitidas pelo clube em seu relacionamento com a NBL Serviços Contábeis, Consultoria e Assessoria Empresarial S.C. Ltda.

O Gaeco já esteve na empresa e lá já fez toda a apreensão que precisava.

A NBL é acusada de vender notas falsas e simular a prestação de serviços contábeis ao clube.

As notas tiraram dos cofres do Corinthians a quantia de R$ 436,5 mil entre os anos de 2000 e 2005, quando o esquema funcionou.

Por Juca Kfouri às 13h54

Crise anunciada

O Clube dos 13 vive a efervescência do período pré-eleitoral.

Flamengo e São Paulo querem assumir o comando da entidade que virou mera agenciadora de direitos de TV.

Fábio Koff, que há anos diz não ser candidato a mais uma reeleição, é candidatíssimo, até negocia a cabeça de seu eterno aliado Mustafá Contursi, para agradar a direção do Palmeiras.

Desde 1995 na presidência, Koff também estreita relações com Eurico Miranda, como forma de tentar neutralizar a oposição.

Enquanto isso, segundo informa hoje a coluna de Daniel Castro, na "Folha de S.Paulo", há quem na Globo queira abrir mão do futebol, que não rende mais os 30 pontos de audiência do começo da década e tem dificuldade para superar os 20 pontos.

Como pano de fundo, o óbvio de uma crise mais que anunciada: tudo porque os cartolas e a TV só viram seus interesses imediatos em detrimento dos do futebol e produziram a promiscuidade que hoje sufoca a galinha dos ovos de ouro.

À espreita, disposta a pagar mais e a manter tudo como está, a Record.

Que, ironicamente, a própria Globo Esporte alimentou nos últimos anos.

Por Juca Kfouri às 09h35

O futebol quer que os árbitros errem

Não é de hoje que as segundas-feiras são dedicadas muito mais a discutir arbitragens do que propriamente a falar futebol.

E nada indica que isso vá mudar.

Em vez de se falar do gol mais bonito, de escolher, por exemplo, entre os gols de Nilton, Maicossuel e Souza, ou comentar o recorde da torcida do Flamengo, fala-se dos erros das arbitragens.

Ontem não foi diferente e um dos temas era se o carrinho dado por Pierre em Ramirez foi ou não para expulsão.

Fato é que as arbitragens erram pelo mundo afora como sempre erraram.

A diferença, já se disse mil vezes, é que hoje a TV flagra o erro por mais milimétrico que tenha sido, o que torna o árbitro o grande vilão do futebol, muito mais que o centrovante que perde um gol ou o goleiro que come um frango.

E assim será até que três medidas sejam adotadas:

1. auxílio eletrônico para a arbitragem;

2. profissionalização dos árbitros;

3. independência do departamento de árbitros das federações e confederações.

O problema é que nenhuma dessas medidas está no horizonte brasileiro porque:

1. falta dinheiro para profissionalizar a arbitragem num futebol que dá prejuízo;

2. o conservadorismo do mundo do futebol não quer nem pensar em arbitragem eletrônica;

3. dar independência aos árbitros significa deixar de exercer uma grande fatia do poder que está nas mãos da cartolagem.

Qual é a saída, então?

A de sempre.

Discutir os erros da arbitragem depois de cada rodada.

Por Juca Kfouri às 00h17

03/09/2007

Qual o rumo do Guarani?

Por ELIAS AREDES JUNIOR

Você acompanhou o noticiário esportivo?

Esteve ligado nos resultados da rodada de final de semana?

Pois bem.

Tomara que seu poder de atenção tenha sido suficiente para perceber que o Guarani, campeão brasileiro de 1978 e celeiro de craques como Careca, Amoroso e Júlio César está eliminado da Série C do Campeonato Brasileiro.

A história é simples: o time campineiro precisava empatar com o Vila Nova para passar à próxima fase.

Atuou na defesa a maior parte do tempo no estádio Serra Dourada.

Até que aos 42 minutos, o veterano Túlio (sim, ele mesmo) fez o gol da vitória e decretou período de férias antecipadas ao elenco bugrino, que terminou com 8 pontos no Grupo 22 da competição.

Os goianos CRAC e Vila Nova passaram à próxima fase do campeonato, que irá selecionar os quatro integrantes da Série B em 2008.

Apesar da derrota, é preciso destacar alguns pontos.

A torcida, por exemplo, teve papel impecável em toda a campanha.

Compareceu aos estádios, incentivou e nunca deixou de acreditar em uma equipe determinada e lutadora.

Mas que perdeu o fator surpresa para intimidar e surpreender os oponentes após a venda de Deyvid ao Palmeiras.

Hoje, o atleta não é aproveitado no Parque Antártica.

O Guarani recebeu um dinheiro para pagar dividas, é verdade, mas também está sem o craque (para os seus atuais padrões) e rumo até o final do ano.

Duro é constatar que havia direcionamento no começo do ano.

Foi feita uma aposta em revelações e a equipe, apesar das limitações, jogava com coragem na Série A-2.

Era ofensiva.

Tinha espírito de quem desejava subir e retomar o seu lugar de honra no futebol nacional.

Mesmo com o êxito no Campeonato Paulista, a retranca tirou a coragem aos poucos na Série C.

Jogo a Jogo.

A decepção bateu a porta e não houve tempo para reação.

Culpados?

Não interessa e nem compensa procurar.

O que os torcedores precisam fazer é evitar que o Guarani caia no marasmo.

É hora de lutar contra o circulo vicioso das derrotas e das quedas de divisão.

A diretoria não pode se contentar apenas em venerar o passado e esquecer de construir seu futuro.

Mesmo assim, não é salutar deixar de apostar e apoiar o trabalho sério da atual diretoria comandada por Leonel Martins de Oliveira.

Caça ás bruxas e pedido de cabeças só trará insegurança a uma diretoria que tem uma dívida de R$ 80 milhões para administrar.

Não é pouco...

O objetivo não foi alcançado no segundo semestre?

É verdade.

Isso não quer dizer que tudo deva ser jogado no lixo.

Estruturas sólidas só aparecem com o tempo.

A torcida bugrina não pode cair na tentação de apoiar salvadores da pátria que podem trazer empresários a tiracolo para formar times efêmeros na categoria profissional.

Tais fórmulas até obtém bons resultados em curto prazo.

Mas é preferível caminhar com as próprias pernas e encontrar a trilha da vitória com a o apoio do torcedor.

Em resumo: o momento não é de consternação ou de luto.

É de reação.

Antes que seja tarde.

Por Juca Kfouri às 15h27

Absurdo na Bahia

Por NELSON BARROS NETO

Aconteceu neste domingo à tarde, no Estádio da Fonte Nova, por mais incrível que possa parecer. Em pleno ano de 2007, há 22 desde o desfecho oficial do regime militar, torcedores do Bahia foram compelidos a retirar uma faixa que criticava a diretoria do clube.

O protesto do Movimento Avante Esquadrão e da Consciência Tricolor tinha o seguinte dizer: "Maracajá & Cia., a derrota do Bahia". A atitude - de seguranças aparentemente particulares - foi registrada por um dos integrantes dos grupos e terminou parando no You Tube. Clique aqui para assistir ao vídeo.

Só para citar os primeiros incisos do famoso artigo 5º da Constituição Federal, o II enuncia que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei" e o IV, que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato".

Eis o Estado Democrático de Direto em que nos encontramos.

http://www.ecbahia.com.br/imprensa/plantao.asp?nid=14369

Em tempo, o Bahia venceu o jogo contra o Atlético-PB, por 3 a 1, e avançou para a penúltima fase da Série C. O time já estava classificado, mas havia 22.207 pagantes no Octávio Mangabeira. A média tricolor no porão do futebol nacional é de 27.623 torcedores.

Bicampeão brasileiro em 88, o Bahia é dono da melhor campanha geral da Terceirona e um dos 16 clubes que seguem sonhando com o acesso. No meio deles, também temos o Ameriquinha do Trajano e o Bragantino, único paulista vivo na disputa. Times como Guarani e Paysandu já se despediram.

Por Juca Kfouri às 12h28

02/09/2007

Chave de ouro americana

Os Estados Unidos fecharam o Pré-Olímpico com chave de ouro: enfiaram 118 a 81 na Argentina, para desfazer o único resultado inferior a 100 pontos que acontecera no jogo anterior entre ambos.

Ah, o Brasil também jogou pelo bronze contra Porto Rico.

E perdeu de novo: 111 a 107.

Por Juca Kfouri às 20h49

E o torcedor diz presente

Se na 21a. rodada aconteceu a primeira média de público superior a 20 mil pagantes por jogo no Brasileirão-2007 (na verdade, superior a 21 mil), a 23a. rodada bateu a marca: a média foi de 23.017.

E olhe que não só o público em Natal, para América e Juventude, foi de apenas 1.446 pessoas como, no Pacaembu, para Corinthians e Santos, só houve 10.438 pagantes.

Os melhores públicos foram os do Maracanã, no clássico Flu e Vasco, com 40.871 pagantes e para Flamengo e Sport, com 51.552.

Vinte e nove gols garantiram a média de quase três por partida.

O Flamengo voltou à zona do rebaixamento, embora com dois jogos a menos e com o mesmo número de pontos do Atlético Paranaense, imediatamente acima dele.

Verdade que os jogos que faltam são duríssimos, contra Cruzeiro e Vasco, vice-líder e terceiro colocado no campeonato.

A grande surpresa da rodada ficou mesmo por conta da vitória do Corinthians sobre o Santos, a vitória da abnegação sobre a soberba, com o surgimento de uma nova lei: a Lei de Nilton, autor de um golaço de falta, da salvação de um gol na linha fatal e da expulsão do zagueiro Adaílton. 

Por Juca Kfouri às 20h39

Com Ronaldinho, não há quem possa

Por GUSTAVO VILLANI, da Espanha

Foi apenas a segunda partida, mas o suficiente para concluir que ele voltou a jogar bola.

E como!

Contra Racing e Athletic Bilbao, Ronaldinho Gaúcho fez excelentes lançamentos, driblou, tabelou, deu carrinho, bateu pênalti, falta...

Nada além do que a gente se acostumou a ver no Barcelona e tudo que ainda esperamos ver na Seleção.

Porém, há uma diferença nítida no futebol do camisa 10 quanto ao que vimos na temporada passada– ou não vimos, né? –, especialmente nos jogos finais da Champions League, Mundial de Clubes, Espanhol e toda Copa do Mundo.

A primeira impressão é melhor possível, e Ronaldinho Gaúcho tem motivos para voltar a ser o melhor.

Primeiro, joga em uma equipe de ponta ainda mais reforçada com as chegadas de Abidal, Touré e princialmente Henry.

Segundo, ele está devidamente descansado, após trinta dias de pernas para o ar, como todo cidadão tem direito.

Terceiro, aos 27 anos, tem idade suficiente para manter o auge da forma física e técnica, depende dele.

No empate em 0 a 0 na partida de estréia contra o Racing, Ronaldinho foi muito bem, deu lançamentos precisos por cima e rasteiros.

Hoje, na vitória por 3 a 1 sobre o Athletic, sobrou em campo.

Fez um golaço de falta, no ângulo e no mesmo canto do goleiro, converteu outro em cobrança de pênalti e rolou com precisão para Touré marcar o terceiro gol do Barça.

Até a eleição da FIFA em 2008, certamente veremos lances espetaculares do jogador.

Kaká, Messi e Cristiano Ronaldo, que estiveram em alta na temporada 2006/2007, agora devem ser acompanhados de perto por Gaúcho.

Ou melhor, isso se Ronaldinho não explorar todo potencial.

Porque se ele retomar aquilo fez em 2005, não vejo adversários à altura.

Os dois últimos jogos foram de cair o queixo.

Deu até para voltar acreditar que um dia, quem sabe, ele fará tudo isso pelo time do Brasil.

Por Juca Kfouri às 19h54

Empate complica o Vasco

A diferença do bom e equilibrado primeiro tempo disputado no Maracanã entre Vasco e Fluminense tem um nome argentino: Conca.

Não é de hoje que o meia vem jogando bem e neste domingo não foi diferente.

Depois de chances criadas pelos dois lados e até de bola no travessão em cobrança de falta por Leandro Amaral, aos 33, Conca tentou de longe e Fernando Henrique, constrangido, aceitou: Vasco 1 a 0.

Só restava ao Flu ir à luta.

E ele foi, tomando conta do começo do segundo tempo.

Mas, aos 15, Fernando Henrique se redimiu, ao pegar um chute à queima-roupa de Guilherme, que mataria a partida.

O clássico continuava bom e vibrante.

O Flu queria porque queria o empate e o Vasco não parecia nada disposto a ceder, ao contrário, lutava para manter um resultado que significava o terceiro lugar.

A má notícia estava no terceiro cartão amarelo de Conca, desfalque para o duro jogo diante do Grêmio, no Olímpico, embate essancial antes de pegar exatamente o São Paulo, em São Januário.

Aos 19, saíam o lateral Rafael e o volante David para o Flu ficar mais ofensivo com Cicero e Soares.

Promessa de mais emoção.

Xavier entra no lugar de Marcelinho para fechar o Vasco, expediente sempre perigoso

E a emoção veio aos 33, quando Thiago Neves foi à linha de fundo e cruzou para Cícero empatar de cabeça, em lindo gol.

Em seguida, de fora da área de novo, Conca quase desempata, mas Fernando Henrique defende.

Os gritos da torcida tricolor abafavam a cantoria vascaína que, naturalmente, predominava até então no Maracanã.

Celso Roth tenta consertar a mexida anterior e tira Perdigão para a entrada de Leandro Bonfim, na busca da vitória que era fundamental.

Mas o empate permaneceu, nada bom para o Vasco, digno para o Flu.

Conca ainda foi puxado na área num lance difícil para a arbitragem, mas num pênalti não marcado, o que tornou o resultado ainda pior.

Como foi ruim para Náutico e Inter o 1 a 1 nos Aflitos, em jogo em que Christian perdeu pênalti (aos 19 do segundo tempo) quando o Colorado vencia por 1 a 0 (Adriano, aos 44 do primeiro tempo) e permitiu o empate num ousado gol do lateral Sidny, aos 23.

Já o Goiás fez sua parte ao ganhar do Figueirense, no Serra Dourada, por 2 a 1, gol de desempate dele, Paulo Baier, em cobrança de falta que bateu na trave e nas costas do goleiro catarinense. 

Por Juca Kfouri às 19h08

Bah, Tuta! Trilegal!!!

Só vi os gols.

Mas o Grêmio arrasou o Botafogo.

Com Tuta aos 22, 29 e 33 do segundo tempo.

E, na Arena da Baixada, com um gol de pênalti bem marcado, aos 29 do primeiro tempo, Ramon deu a vitória ao Furacão diante do Galo.

 

Por Juca Kfouri às 16h57

Pierre expulso. Goleada do Cruzeiro

Não tivesse esquecido da apresentação dos jogos dominicais, este blog teria dito que o Cruzeiro era o favorito para sair com a vitória no Mineirão, diante do Palmeiras.

Como saiu, por goleada, melhor ataque disparado do Brasileirão.

E o time azul começou muito melhor que o verde, sem dar folga à defesa paulista.

Acontece que nem bem o Palmeiras equilibrou a partida, até com bola no travessão cruzeirense, e a arbitragem cometeu um crime, ao expulsar Pierre por um carrinho perfeito que ele deu num desarme na bola, aos 23 minutos.

Aí, ficou desequilibrado.

Nem bem três minutos depois, Marcelo fez 1 a 0, em lançamento de Alecsandro, depois de erro na saída de bola palmeirense.

Aos 40 foi a vez de Wagner ampliar.

E aos 10, do segundo tempo, Marcelo deu ares de goleada: 3 a 0.

Que se consumou aos 24, com Thiago, de cabeça.

E foi ampliada aos 39, num golaço de Maicosuel, de fora da áre: 5 a 0.

Impossível não dizer, no entanto, que tudo não tenha começado na injusta expulsão de Pierre.

O Palmeiras que junte seus cacos, o Cruzeiro que siga, com seu ataque avassalador, como único candidato a incomodar o São Paulo. 

Por Juca Kfouri às 16h55

Lei de Nilton!

Freud talvez explique que este blogueiro tenha esquecido de fazer a apresentação habitual dos sete jogos deste domingo.

Porque diria que não acreditava que o Santos devolvesse os sete gols que sofreu em 2005.

Mas diria, também, que o Peixe faria uns três ou quatro, sem maiores problemas.

Ainda bem que não disse.

Porque o Santos entrou de salto alto sem se dar conta que animal ferido é animal ferido, e o Corinthians vinha de uma goleada para o Galo.

Logo de cara, o time de Zé Augusto mostrou a que vinha: reter a bola o mais que pudesse e marcar o Santos.

Marcar, marcar e marcar.

Com pouco menos de três, sob domínio da tática corintiana, Petkovic pegou um tirambaço de fora da área e Felipe fez defesa sensacional.

Parecia que seria isso mesmo, que o maior talento santista resolveria.

Mas, aos 9, há uma falta para o Corinthians, atrás da linha da intermediária.

Nilton vai cobrar.

"Quem é Nilton?", deve pensar Fábio Costa, que nem barreira pede.

Agora já sabe.

Porque Nilton soltou uma bomba que percorreu quase 40 metros para entrar no ângulo do goleiro santista.

Com 1 a 0, o que era aplicação, virou obsessão por parte dos corintianos.

Que continuaram a marcar, marcar e marcar.

E ainda tiveram a melhor chance de gol, com Arce, em ótima defesa de Fábio Costa, aos 34.

O Santos voltou para o segundo tempo sob a promessa que mudaria de atitude.

E, de fato, mudou.

Começou a apertar o Corinthians, como se fosse um torniquete, embora lento, sem levar maior perigo, durante os sete primeiros minutos.

Foi quando Marcos Aurélio pisou na bola, o meio de campo corintiano armou o contra-ataque, a bola caiu com Finazzi pela esquerda que cruzou na cabeça de Arce, que fez 2 a 0.

Parecia mentira.

Imediatamente entraram Tabata e Renatinho nos lugares de Pedrinho e Marcos Aurélio.

Em seguida, saiu Baiano, entrou Vitor Júnior.

Era tudo ou nada.

O domínio era santista, com algumas estocadas até perigosas, mas nada que fosse muito dramático.

Felipe ia bem quando empenhado e Nilton limpava todas, com auxílio de seus antenados companheiros, com bola para o mato quando era preciso.

O Corinthians assumia sua inferioridade técnica, mas dava aula de abnegação, sem o que nada se faz.

Aos 22, Renatinho chutou para diminuir e Nilton tirou de cabeça, na linha fatal.

Era o herói da vitória, enquanto Felipe também fazia sua parte, com boas defesas em chutes de fora da área.

Aos 27, Moradei entrou no lugar de Everton Santos, para tentar dar sangue novo a um time que começava a dar sinais de esgotamento.

No minuto seguinte, Felipe fez dois milagres, o primeiro numa defesa parcial em cabeçada de Pet e, depois, com os pés, no chute à queima-roupa, no rebote de Kléber Pereira.

Os poucos mais de 11 mil torcedores presentes ao Pacaembu eram muito poucos para o que, surpreendentemente, acontecia no gramado.

Aos 31, Nilton, sempre ele, fez fila na defesa santista e foi derrubado por Adaílton, que foi corretamente expulso de campo.

O Corinthians assegurava uma vitória impecável e bem ao seu estilo.

Por pouco, ou por Fábio Costa, Moradei não fez o terceiro gol corintiano, aos 36, para consolidar seu triunfo até com humilhação.

Daqueles que nem Freud explica. 

Por Juca Kfouri às 16h53

Brasil potência

O basquete masculino brasileiro foi tricampeão pan-americano no Rio de Janeiro, em julho.

Houve, e não foram poucos, os que se esgoelaram com a medalha de ouro.

O atletismo brasileiro ganhou nove medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze no Pan-2007.

Uma façanha, um feito admirável, olhe do que somos capazes, tantos se orgulharam.

O basquete masculino brasileiro não conseguiu vaga para Pequim no Pré-Olímpico das Américas, em Las Vegas, no primeiro dia de setembro.

E no Mundial de atletismo, no Japão, que acaba de acabar, o esporte nacional conseguiu apenas uma medalha, de prata, com Jadel Gregório.

Mas, não se esqueça: o Brasil é uma potência esportiva.

Por Juca Kfouri às 10h53

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico