Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

22/09/2007

Festa tricolor no Morumbi e no Olímpico

Nada vi, porque era dia de festa de criança e a Luiza tem prioridade.

Mas, pelo que ouvi, o São Paulo não deu nem susto, porque fez 2 a 0 antes dos primeiros 30 minutos, com Alex Silva e Leandro (golaço!), e fez a felicidade de mais de 44 mil tricolores no Morumbi, para desespero da torcida do Figueirense, ameaçado.

Boa figura para quem tem o Boca Juniors na quarta-feira pela frente, num jogo que virou questão de honra.

Já o Grêmio fez sua parte ao vencer o Santos em Porto Alegre, com gol de Marcel, e ao tomar o lugar do adversário no G-4, apesar de custar muito menos em termos de elenco e de comissão técnica.

Finalmente, o Goiás.

Que fase!

Não passou de um 1 a 1 com o América no Serra Dourada.

Parece querer brincar de cair.

Por Juca Kfouri às 20h22

Aos navegantes

Por sério compromisso, dos mais sérios que um avô pode ter (com minha neta, é claro), o comentário sobre os jogos de hoje não será imediato, como habitualmente.

Por Juca Kfouri às 14h59

O filho pródigo

Caro Juca,

Te mando em particular minha crônica para o clássico Náutico x Sport.

Eu me emocionei muito quando escrevi.

Como se não fosse uma fábula.

Os lances da partida são reais.

O pai e o filho talvez.

Aceite como um presente pelos últimos dias.

Um abraço,

Roberto

HISTÓRIA

O FILHO PRÓDIGO

Por: Roberto Vieira, Colaborador NauticoNET

"Eu amava a Alice’.

Eu estava ali sentado no hospital imaginando o que escrever sobre o Clássico dos Clássicos quando aquele senhor perdido em seus devaneios repetiu:

‘Eu amava a Alice’.

Antes que eu pudesse esboçar uma defesa ele prosseguiu. E eu não pude deixar de sorrir com o resto da história. História que eu transcrevo aqui pra vocês.

‘Eu amava Alice. E o pai de Alice era rubro negro. Diria mais, era um torcedor fundamentalista do Esporte.

Eu torcia pelo Náutico. Torcia é modo de dizer. Meu pai me levava a campo. Mas não compreendia bem aquela algazarra, aquela paixão.

Eu só amava Alice.

Quiseram me fazer de mascote, mas eu resisti à idéia. O que Alice ia dizer quando soubesse? Meu pai ficou triste. Porém era um raro exemplar de pai democrático naqueles tempos de palmatória. Desde esse dia não me forçou mais a ir a campo. Me dava um beijo e saía solitário para o estádio.

Eu ficava sonhando com Alice.

Naquele tempo namoro nem pensar. Era necessário um Concílio Vaticano pra pegar na mão da moça. Entretanto eu dava sorte, a mãe de Alice me dava aulas de reforço. E eu nunca melhorava muito na matéria senão eu deixava de ter aulas na casa de Alice.

Numa dessas aulas o pai de Alice puxou conversa sobre futebol e perguntou se eu torcia por algum time. Respondi de bate pronto: Esporte!

Ele exultou. Antes que eu pensasse duas vezes ele me chamou pro jogo contra o Náutico quando o Esporte, que ganhara o primeiro turno e liderava o segundo turno, iria jogar contra o alvirrubro.

Ainda lembro bem o dia. 20 de novembro de 1951. Era aniversário de papai.

Eu amava Alice.

‘Combinado!’

No dia do jogo eu menti pra papai. Teria prova no dia seguinte, ia estudar com os amigos. Saí de casa como um fugitivo da lei e encontrei-me sorrateiro com o pai de Alice nos Aflitos.

Quis o destino este senhor de mil faces que um rosto conhecido se cruzasse com o meu na multidão. Meu pai trocara o caminho, quem sabe pensativo em sua solidão, e passara defronte da torcida do Esporte.

Lá estava eu. Calabar.

Meu pai caminhou em minha direção e quando preparei o rosto pra primeira bofetada da minha vida ele me abraçou, deu um beijo em meu rosto e sussurrou baixinho em meu ouvido:

‘Não precisava mentir. Eu sempre vou te amar!’

E saiu para o seu lugar de sempre nas arquibancadas dos Aflitos.

Mudo. Envergonhado, fui conduzido pelos novos amigos rubro negros sob os gritos de Casá-Casá. Quando ergui meus olhos lá estava meu pai na torcida do Náutico. Eram poucos. Ninguém acreditava que naquela altura do campeonato algo fosse mudar a história.

Talvez apenas meu pai e os jogadores.

Quando o jogo começou, logo nos primeiros movimentos o atacante Tonho do Esporte marcou 1x0.

Meu pai olhava para o gramado hipnotizado. O que pensava eu não sei.

Os torcedores do Esporte deliravam e provocavam na distância os seus adversários: ‘A turma é da fuzarca!’

O pai de Alice me abraçava.

Um segundo depois o goleiro Vicente do Náutico sofre uma distensão. Não pode continuar jogando.

Não havia substituição naquela época. O grande zagueiro Lula veste a camisa de goleiro e vai pro gol.

Grande parte da torcida alvirrubra vai embora. O massacre era uma questão de tempo.

Rezo para que meu pai vá embora. Mas o seu olhar permanece distante. Como se nem mesmo percebesse o gol.

Desvencilhei-me dos meus novos amigos. Corri pela noite até o meu pai. Abracei-o em silêncio.

Iríamos enfrentar juntos ao dilúvio.

O Esporte parte para a goleada. Seu ataque perde duas chances claras de ampliar o marcador.

De repente Alcidésio avança e observando Manuelzinho adiantado dispara. Parecia impossível, a bola alcança as redes e o jogo está empatado: 1x1!

O que restou da torcida começa a gritar ‘Veteranos’. Era assim que se chamavam os jogadores do Náutico. Algo em todos nós avisa que o leão está nocauteado. Levou um direto no queixo.

Djalma como um raio dribla toda a defensiva adversária e marca o tento da virada 2x1.

O Esporte era o líder invicto do returno.

Lula prossegue defendendo tudo depois do intervalo.

Então Zeca aumenta para 3x1.

Hélio Mota faz 4x1.

O oportunista Fernandinho estabelece a goleada: 5x1!

Todos os atacantes do Náutico assinalaram um gol. Lula não sofreu nenhum.

O pai de Alice proibiu minhas aulas de reforço.

E daí?

Naquela noite voltamos eu e meu pai gritando N-Á-U-T-I-C-O pelas ruas da cidade.

Durante os anos que se seguiram assistimos muitas vitórias. Muitas derrotas também doeram em nosso coração.

Mas estávamos sempre juntos.

O Estádio dos Aflitos era o nosso país das maravilhas...'

Por Juca Kfouri às 10h30

21/09/2007

Belfort Duarte e o mico leão dourado

Por ROBERTO VIEIRA

Belfort Duarte era leal. Honrado.

Palavras em extinção, juntamente com a onça pintada, o ponta-esquerda e o mico leão dourado.

Houve um tempo no futebol brasileiro em que se afirmava que um zagueiro não poderia ganhar o Troféu Belfort Duarte.

Troféu entregue ao jogador que passasse dez anos sem ser expulso pelo árbitro.

Quase impossível.

Dez anos sem deixar sua marca nas canelas velozes que cruzavam seu caminho.

Mas por que Troféu Belfort Duarte?

Porque João Evangelista Belfort Duarte foi uma destas pessoas insubstituíveis.

Um mico leão dourado.

Abriu as portas do seu querido América-RJ aos negros em um tempo em que negro no futebol só era visto no vizinho Uruguai.

E mesmo assim eram gênios como Juan Delgado e Gradín.

Saiu viajando pelo Brasil fundando Américas.

Como um Américo Vespúcio moderno, de chuteiras e caravelas.

Parodiando o Marechal Candido Rondon, ele dizia:

'Ser driblado se preciso for. Fraturar, nunca!'

Como Lutero, ele nos apresentou a bíblia.

Traduzindo as regras do futebol para o português.

Esta última flor do Lácio, inculta, bela e boa de bola.

Mas acima de tudo, Belfort era leal. Honrado.

Tão correto que se tornou o nome de um troféu instituído pelo Conselho Nacional de Desportos em 1945.

27 anos após a sua morte.

O eterno capitão do Ameriquinha. Campeão de 1913.

Terça-feira Belfort Duarte ressuscitou na Inglaterra. Em Nottinghan.

Quando o goleiro Paul Smith marcou um gol, restabelecendo a justiça do placar de um jogo suspenso três semanas antes quando o zagueiro Clive Clarke, do Leicester, sofreu um ataque cardíaco.

Nada mais digno de um Belfort Duarte.

Imaginem o espanto dos ingleses quando viram uma onça pintada.

Porém o mais espantoso talvez seja o nosso tempo.

Tempo estranho.

Fair play e onça pintada causam espanto.

Viram manchete.

Por Juca Kfouri às 17h12

Diretoria marca eleição corintiana para 9 de outubro

Carlos Senger, presidente do Conselho Deliberativo, oficializou a renúncia de Alberto Dualib e anunciou a data da eleição que indicará o novo presidente alvinegro: 9 de outubro.

Senger tinha 30 dias para marcar o pleito, mas preferiu fazê-lo imediatamente.

Além de Dualib, renunciou também o vice Nesi Curi.

Por Juca Kfouri às 15h07

Comemorar sem se iludir

Hoje é sim um dia histórico para o futebol brasileiro.

A exemplo do que aconteceu com o Flamengo no começo deste século, nem bem cumprimos a primeira década do novo milênio e eis que cai também o presidente do segundo clube mais popular do país.

Mas é preciso não cair em ilusões.

Tanto Edmundo Santos Silva como Alberto Dualib caíram não por força de mobilização das enormes torcidas de Flamengo e Corinthians, mas, sim, ou pela força da nova legislação esportiva ou pela força da lei comum.

Nem rubro-negros nem alvinegros, por exemplo, fizeram alguma coisa parecida com o que fez a torcida do Bahia, até agora em vão.

E tanto não devemos nos iludir que a situação do Flamengo nem sequer mudou muito, noves fora a corrupção, o que é apenas obrigação.

Basta dizer que, no Grêmio, a comissão que foi montada para acompanhar o processo que envolve seu ex-presidente Guerreiro na parceria com a ISL renunciou coletivamente na semana passada, por falta de apoio dos cardeais gremistas.

No São Paulo, um presidente, Mesquita Pimenta, que saiu em desgraça, hoje, por acordo político, é novamente voz com alguma força no clube. 

E asim por diante.

Um presidente de Federação Paulista, outro de Federação Mineira, mais um da Paranense, também tiveram que dar o fora, mas, nem por isso, houve alguma mudança substancial nas entidades, como não houve no Rio, com a morte de um dos mais notórios.

No Corinthians, caso mais recente, será essencial que não se conduza à direção do clube nenhum dos apoiadores da parceria com a MSI, pena mínima a que devem se submeter aqueles que estavam preocupados apenas com os fins e não com os meios, apesar de mais do que conhecedores da ficha de Boris Berezovski e seus asseclas.

É isso.

Se é difícil vislumbrar uma renovação total no Parque São Jorge, que, ao menos, a nova direção tenha o passado limpo na vida e em relação à aventura desgraçada que foi a MSI.

E são poucos, apenas 16, entre os conselheiros, os que atendem, ao menos, à segunda exigência.

Por Juca Kfouri às 15h06

Dualib renuncia à presidência do Corinthians

Alberto Dualib enviou na manhã desta sexta-feira ao Conselho Deliberativo do Corinthians carta de renúncia à presidência do clube.

Às 15h, no Parque São Jorge, Carlos Senger, presidente do Conselho, irá formalizar a decisão de Dualib e convocar eleições.  

Com isso, a reunião que discutiria o impeachment do Dualib, que assumiu o Corinthians em 1993, está cancelada.



Alberto Dualib, que pediu afastamento da direção do Corinthians em agosto, é investigado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

A situação do dirigente deteriorou-se ainda mais quando foram divulgadas gravações legais feitas pela PF, onde ele dá detalhes sobre a parceria com a MSI.

Por Juca Kfouri às 10h40

Fim de semana de afirmação e sofrimento

Dos 10 jogos da 27a. rodada do Brasileirão, alguns, poucos, são desafios para a confirmação de campanhas e outros de puro sofrimento.

Outros são um pouco dos dois.

Para pura confirmação, por exemplo, é o jogo deste sábado no Morumbi, entre o líder São Paulo e o ameaçado Figueirense.

Confirmação de que a derrota na Bombonera não afetou o tricolor e do risco que corre o Figueira.

Grêmio e Santos, também amanhã, é sob medida para os gaúchos deixarem os paulistas para trás e, também, para os praianos se firmarem na luta pela Libertadores.

Mas ganhar do Grêmio no Olímpico é tarefa tão dura que o empate soará bem para o Santos.

Em Goiânia, o que esperar de Goiás e América?

Já no domingo sobra sofrimento.

Para Palmeiras e Corinthians, no Morumbi, por exemplo.

Jogo do medo contra o pavor.

Medo verde de se distanciar da Libertadores, pavor alvinegro de ficar bem pertinho da Z-R, a zona do rebaixamento.

Outro clássico estadual, entre Náutico e Sport, nos Aflitos, pode servir para o Timbu provar que reagiu mesmo, ou para Sport alimentar maiores sonhos.

Entre Galo e Inter, no Mineirão, também sobra preocupação, mais para os mineiros, embora os colorados não possam bobear.

Como nos jogos de Caxias, entre Juventude e Flamengo, de puro desespero, e o da Arena da Baixada, entre Furacão e Paraná Clube, ameaçadíssimos.

Situação bem diferente do clássico carioca, Botafogo e Fluminense, no Maracanã.

Porque o Flu está na dele, franco atirador, vaga garantida na Libertadores, pronto para estragar prazeres como o do Botafogo para chegar lá, ainda mais depois da noite histórica vivida no Engenhão diante do River.

Finalmente, em São Januário, o Vasco ou vence ou se complica contra um Cruzeiro que vem forte e moralmente revigorado pela vitória contra o Galo no jogaço do Mineirão.

Enfim, uma rodada que poderá ser marcante para as definições deste campeonato que ainda tem 12 clubes que não podem se dizer livres de ir para a Z-R, seis que brigam pela Libertadores (os tricolores paulista e carioca já estão garantidos) e apenas dois que ainda brigam pelo título, se é que, de fato, o Cruzeiro ainda tem chance.

Por Juca Kfouri às 23h08

20/09/2007

Mulheres vencem e pegam a Austrália

Não foi o show das duas primeiras partidas da Copa do Mundo na China.

A defesa segue invicta, mas o ataque quase não funcionou.

Quase.

Porque, nos acréscimos, Elaine lançou e Pretinha fez o gol da vitória: Brasil 1, Dinamarca 0.

Marta sofreu marcação implacável das dinamarquesas e, ainda assim, chutou uma bola na trave, mesmo sem ângulo.

E foi a melhor em campo, infatigável, tanto na frente como atrás, buscando jogo e até desarmando as adversárias, senhora jogadora.

Já a excelente goleira brasileira Andréia fez um milagre numa bola cabeceada à sua frente, no começo do jogo.

As brasileiras mereceram a vantagem mínima porque em nenhum momento o time se contentou com o empate que bastaria, muito ao contráro, o que é ótimo sinal.

A Seleção enfrentará a Austrália, neste domingo, às 9h, pelas quartas-de-final, aparentemente uma adversária menos qualificada.

Por Juca Kfouri às 09h48

19/09/2007

Três vitórias argentinas

Até o primeiro gol do Boca Juniors, aos 27 do primeiro tempo, com Palermo, de cabeça, em bola alçada que Miranda não cortou por ter escorregado, o São Paulo equilibrava o jogo na Bombonera.

Breno teve uma oportunidade cara a cara com o goleiro Caranta e Rogério Ceni, além de ter obrigado o goleiro xeneize a fazer ótima defesa em cobrança de falta, tinha feito ele mesmo um milagre em chute à queima roupa de Palermo.

O jogo era bom e digno dos dois tricampeões mundiais e só Richarlyson destoava, embora compensado por ótima atuação do menino Hernanes.

E era evidente a dificuldade dos brasileiros em se livrar da forte marcação argentina, que prevaleceu até o fim dos primeiros 45 minutos.

No recomeço da partida, em dois minutos, o Boca ameaçou uma vez e Leandro quase empatou.

Antes do décimo minuto, Souza se machucou e Borges entrou em seu lugar.

Em seguida, o centroavante foi puxado dentro da área, mas a arbitragem ou não viu ou fingiu que não viu, embora o bandeirinha, ao menos, tivesse a obrigação de ver.

Aos 15, Gracián fuzilou e Rogério fez ótima defesa.

O jogo seguia animado e indefinido, disputado na maior limpeza, diga-se.

Com o Boca, sem dúvida, melhor em campo, a ponto de impedir qualquer ameaça brasileira.

Superioridade que se cristalizou aos 37, outra vez pelo alto, outra vez com Palermo, 2 a 0.

Menos mal, e bote menos mal nisso, que, no último minuto, Miranda deixou Borges na cara do gol e ele diminuiu.

Pelo futebol, era injusto para o Boca.

Mas, pelo erro da arbitragem, não era.

Mesmo que, já nos acréscimos, Rogério tenha feito outra excelente defesa em cabeçada quase na pequena área.

O São Paulo jogará por um "simples" 1 a 0 no Morumbi, que, de simples, nada terá.

Enquanto isso, o Vasco perdia do Lanús, 2 a 0, placar construído com um gol em cada tempo, o segundo graças ao zagueiro vascaíno, e argentino, Dudar.

O Lanús teve ainda um pênalti defendido por Sílvio Luiz, o que pode até valer a vaga vascaína no jogo de volta.

O jogo transcorreu num gramado que ninguém merece, mas o Lanús mereceu mais que o 2 a 0.

Se o técnico do Lanús disse antes do jogo que do Vasco só sabia que era do Rio, Celso Roth prometeu respeito ao adversário e luta pela vaga.

Que poderá ainda vir mesmo em São Januário, mas com muita, muita dificuldade.

Nem a justificativa de gramado ruim o Goiás, também derrotado pelo Arsenal, 3 a 2, tem, pois jogou no tapete do Serra Dourada.

De nada adiantaram os dois gols de falta de Paulo Baier, que viraram o marcador.

Porque, em dois minutos, os argentinos viraram de novo e praticamente asseguraram vaga para as quartas-de-final.

Considerando-se que o Botafogo ganhou só por um gol do River Plate, não será surpresa se os quatro argentinos passarem adiante.

Por Juca Kfouri às 22h53

Noite Gloriosa

Vi Botafogo e River Plate com menos atenção do que gostaria e queria, porque em boa parte do jogo estava no ar, na CBN.

Mas gostei demais do que vi.

Confesso até que me comovi.

O Engenhão lotado (quase 39.500 pagantes), o Botafogo recebendo o River, não sei, bateu uma certa nostalgia de um tempo em que o Botafogo era o Botafogo e bateu, também, a sensação de que poderá voltar a ser.

No jogo, o Glorioso foi melhor e terminou o primeiro tempo com o placar do jogo, 1 a 0, um golaço de Joílson, de uns 30 metros, pegando em cheio, de peito do pé, numa bola que veio a feitio, aos 44 do primeiro tempo.

Pouco antes, Zé Roberto havia carimbado o travessão argentino.

No segundo tempo o River ameaçou mais, graças a um tolo recuo do Botafogo que, ao voltar a buscar o gol, reequilibrou a partida.

Se no primeiro tempo, 1 a 0 só foi pouco, o resultado acabou justo ao fim dos 90 minutos.

E valeu.

Valeu por este Botafogo que parece poder mesmo voltar a ser o que foi.

E que tem mais uma chance para prová-lo no Monumental de Nuñez.

Por Juca Kfouri às 20h33

A clava e o florete

Por ROBERTO VIEIRA

Quando Kerlon humilhou a defesa do Atlético-MG, metade do Mineirão aplaudiu.

A outra metade queria entrar enfurecida no gramado para fazer justiça com os próprios pés.

Ô trem antigo!

Na Copa de 34 a final colocou frente à frente a clava e o florete. A clava eram os fascistas italianos. O florete eram os tchecos.

A clava venceu. Como já havia vencido antes o leve Wunderteam austríaco.

E o mundo se dividiu.

Os sonhadores gritaram: 'Roubo!'

Os pragmáticos sentenciaram: 'Covardes'.

Quando Heleno de Freitas colou a bola no peito e driblou toda a defesa do Flamengo sem deixa-la cair até fazer o gol, os botafoguenses, com Armando Nogueira no comando, exclamaram: 'Gênio!'

Os rubro-negros demitiram todos os zagueiros, batizaram Heleno de 'Gilda' e mandaram baixar o sarrafo da próxima vez.

Quando Puskas driblava tinha sempre um zagueiro no seu pé de ouvido murmurando: 'Fritz Walter'. Aliás uma injustiça com o ex-paraquedista alemão.

Garrincha fintava. Os zagueiros destruiam lentamente seus joelhos sob aplausos da torcida. A mesma torcida que morria de rir quando os zagueiros passavam lotados.

Os pragmáticos contratavam Iustrich como solução para times que precisavam de garra.

Os sonhadores traziam Telê.

Quando os holandeses subverteram o futebol os realistas ficaram perplexos, principalmente quando o tico-tico no fubá de Zagallo não funcionou.

Dias depois novamente os alemães restituiram o equilíbrio ao esporte.

O futebol sem o drible que desmoraliza seria insípido. Rivelino não poderia dar o elástico, Canhoteiro voltaria para o Maranhão e Djalma Santos seria fuzilado quando fizesse suas embaixadas.

Viveriamos de Tomires e Coelhos.

Mas existe uma verdade que ninguém ousa confessar, e talvez esta verdade seja maior que o muro de Berlim entre a clava e o florete.

Os rubro-negros sempre sonharam com Gilda.

PS: O Rei Pelé está fora do texto e do contexto. Ele era tão genial, tão genial que era florete. Mas muitas vezes se vestia de clava!

Por Juca Kfouri às 12h30

Na 'Folha' de hoje

CLÓVIS ROSSI

Pedido de emprego

MUNIQUE - Quero ser setorista da "Champions League", a copa européia de clubes que se tornou o mais importante torneio de futebol do planeta.
Explico: pagaria para ver as partidas da copa. Em sendo setorista, me pagariam para fazer o que eu pagaria para ver. Nunca houve melhor emprego nesta Terra, diria um velho conhecido.
Mas a reportagem de ontem de Rodrigo Bueno mostra que não se trata de mero capricho. A "Champions League" é hoje um torneio majoritariamente brasileiro: 102 dos jogadores nasceram no Brasil.
Dá, portanto, algo mais que 9 times dos 32 que chegaram à fase de grupos, que se iniciou ontem.
E não são 102 "joões". São os Ronaldinho Gaúcho, os Kaká, os Ronaldo, os Robinho, enfim o melhor que o melhor futebol do mundo pode pôr em campo.
O inacreditável é que há mais brasileiros do que nacionais de qualquer país europeu, embora o torneio seja entre clubes europeus.
Como, desde o primeiro dia da faculdade de jornalismo, os professores me ensinavam que "é mais importante um cachorro que morra na esquina de casa do que 100 indianos que morram na Índia", o jornalismo brasileiro deveria marcar em cima o torneio -e não apenas pela televisão.
Se é assim, aviso aos editores: sou um bom marcador. Em quase todos os países a que aporto a trabalho, me interesso pela crescente diáspora brasileira. Creio que não haja diáspora mais significativa do que a dos futebolistas.
Há nela uma importância econômica óbvia, pelas portentosas cifras que o futebol movimenta hoje em dia. Mas há, acima de tudo, material para um estudo de caso antroposociológico.
Como é possível que se torne obrigatório emigrar justamente na única atividade em que temos uma "expertise" fora do comum, universalmente reconhecida?

Por Juca Kfouri às 11h45

Brasil x Argentina: é a Copa Sul-Americana

Começam hoje as oitavas-de-final da Copa Sul Americana.

Dificilmente teremos uma fase mais interessante, embora seja perfeitamente possível, e até provável, que brasileiros e argentinos voltem a se enfrentar mais adiante.

Mas hoje teremos quatro embates entre brasileiros e argentinos.

A começar por Goiás e Arsenal Sarandí, no Serra Dourada, às 17h15.

O Goiás em 12º. lugar no Brasileirão e o Arsenal em sexto no Campeonato Argentino.

Às 19h30, um jogão: Botafogo e River Plate, no Engenhão alvinegro.

O Glorioso em quarto lugar e o River em terceiro nos campeonatos do Brasil e da Argentina, Cuca x Daniel Passarella, com 25 mil ingressos já vendidos, o alvinegro em busca de voltar bem ao cenário internacional, o River sempre protagonista.

Depois, às 21h45, mais dois jogos.

Na cidade de Lanús, o Vasco, em sexto lugar no campeonato nacional, enfrenta o Lanús, em sétimo lugar no Apertura.

E, finalmente, o maior duelo de todos, os gigantes Boca Juniors e São Paulo, na Bombonera, vice-líder na Argentina, com o mesmo número de pontos do primeiro colocado Independiente , contra o líder do Brasil.

Rogério Ceni disse que tira-teima entre os dois só mesmo na Libertadores, que ambos já venceram nove vezes, seis o Boca, três o tricolor.

É verdade, mas como o que temos é a Sul-Americana, tratemos de curtir o confronto entre os dois tricampeões mundiais de clubes.

Porque os jogos do Engenhão, pelo que representa para a ressurreição do Botafogo, e o da Bombonera são, simplesmente, imperdíveis.

Mais até do que pela Copa em si, valem pela rivalidade de clubes tão tradicionais no mundo do futebol.

Por Juca Kfouri às 23h00

18/09/2007

A foca, o Coelho e o tacape

A jogada de Kerlon ainda repercute.

Não há nada que a impeça nas regras, não foi feita contra o Galo para gozá-lo e é, aparentemente, imarcável.

No que, aliás, reside um óbvio perigo, porque ainda ninguém inventou seu antídoto e é verdade que a busca dele pode acarretar em sérios prejuízos para o menino cruzeirense.

O que não cabe, no entanto, é defender a política da borduna, do tacape, como fez o tresloucado Coelho.

Que talvez, por parentesco distante, foi defendido, eu soube, ontem no "Bem, amigos", pelo ex-árbitro Arnaldo Cezar.

Por Juca Kfouri às 13h41

A nova luta de Tiago Camilo

Medalha de ouro no Mundial do Rio, apontado como o judoca mais técnico do mundo já há algum tempo e eleito o melhor do torneio que acabou no domingo na Cidade Maravilhosa, eis que a Confederação Brasileira de Judô quer impor uma seletiva a Tiago Camilo para que ele possa ir às Olimpíadas de Pequim.

Logo para ele que ganhou suas sete lutas por ippon nos tatames cariocas.

Parece brincadeira, mas é sério.

É mais ou menos como se a Federação de Tênis da Suíça venha a exigir que Roger Federer dispute um Pré-Olímpico, entre os suíços, para ir aos Jogos Olímpicos do ano que vem.

Para tudo, até para o ridículo, deveria haver um limite em qualquer ramo de atividade.

Mas no esporte brasileiro não há limites para a insânia.

E no esporte da faixa preta, têm cartolas que andam precisando de remédios de tarja negra, senão para eles, ao menos para evitar a nossa depressão com semelhante absurdo.

Tudo para proteger o também excelente Flávio Canto, que é um encanto e tem um trabalho social e tanto, mas que não deve ser cúmplice de uma arbitrariedade que só causa profundo espanto. 

Por Juca Kfouri às 00h03

17/09/2007

CBF: Confederação Babel de Futebol

Por ANTONIO AZEVEDO
 
 
Já não basta essa nossa politicagem podre e eis que ao abrir a página principal  da CBF deparo-me com esse absurdo.
 
Quer dizer que o importante é mandar os nossos meninos pra fora pra aprenderem línguas?
 
Não é dar-lhes educação aqui?
 
Não é dar-lhes campeonatos competitivos?
 
Não é dar-lhes contratos mais rentáveis?
 
Não é dar-lhes dirigentes sérios?
 
Não é dar-lhes um técnico de Seleção que os acompanhe aqui e não na Ucrânia?
 
Não é dar-lhes amistosos da seleção na nossa terra?
 
Oras, oras, é claro que não...
 
... eles são representados pela CBF...
 
Confederação BABEL de Futebol...
 
 
 


A Seleção Brasileira poliglota

Jogadores do Brasil têm oportunidade de aprender vários idiomas na Europa
 
Nota do Blog: Poucas vezes se viu tamanho descaramento.
 
É assumir de vez o papel de mera exportadora de pé-de-obra e abdicar de qualquer solução para impedir o êxodo de talentos.
 
Dona CBF, conhecida também como Casa Bandida do Futebol, só faz gol contra, pouco se lixa para os clubes que tem como filiados.

Por Juca Kfouri às 17h20

Relações perigosas

A ninguém era lícito dizer que não sabia quem era Renato Duprat, o braço direito de Alberto Dualib na parceria com a MSI.

E no relatório da Polícia Federal aparece mais uma conversa dele, agora com seu filho, Renatinho, que mostra em que cumbuca o deputado estadual Vicente Cândido (PT-SP) meteu a mão.

No dia 16 de abril de 2007, diz o relatório da PF, "Renatinho fala que mostrou o projeto 'TIP FIT' (aparentemente uma marca que vai ser divulgada em campanha publicitária) para várias pessoas e que elas gostaram.

Renato diz que conversou com Cândido (deputado Vicente Cândido) e que ele diz que tem alguma idéias e que arranja o BNDES na hora.

Renato diz que Vicente tem tudo e que só o projeto é o bastante para ser dado como garantia.

Renatinho acha ótimo.

Renato comenta que Vicente arranja tudo, só que ele (Cândido) vai querer ganhar um. (Nota do Blog: o grifo é da PF)

Renatinho concorda e explica detalhes do projeto "TIP FIT".

Renatinho diz que Renato pode marcar com ele e Renato, então, pede para Renatinho anotar o telefone e o nome..." 

Por Juca Kfouri às 10h38

16/09/2007

No 'Estadão' deste domingo

O Corinthians nos olhos do menino

Por UGO GIORGETTI*


Domingo último pela manhã, passando pela rua Javari vi, na frente do estádio do Juventus, um pequeno movimento que indicava jogo.

Entrei pensando que se tratasse de um jogo do Juventus.

Não era.

Iam jogar Corinthians e Noroeste, com seus times que em outros tempos eram chamados de juvenis ou coisa parecida.

Não tenho idéia de por que essas equipes iam jogar no campo do Juventus, e isso também não importa.

Os times entraram em campo, sob um sol terrível, e pelos aplausos e comentários pude reparar nos corintianos presentes.

A rua Javari é um estádio em que não há anônimos, não há multidão informe.

Você pode observar as reações de cada torcedor.

É como no cinema ou no teatro. Há de fato, nas arquibancadas da rua Javari, qualquer coisa do clima dos enormes cinemas de bairro, de antigas matinês de domingo, alguma coisa perdida para sempre, muito difícil de definir.

Bom, quanto ao jogo pouco a dizer.

Os garotos pareciam tentar desesperadamente jogar como os adultos no que estes têm de pior.

Poucas jogadas individuais, marcação forte, carrinhos e chutões.

Claro que havia alguns garotos em que se podia sentir a habilidade, mas desapareciam sob a marcação implacável.

Pude então me voltar para os espectadores, que talvez fossem mais interessantes que o jogo.

Chamou imediatamente minha atenção uma dupla: um menino de uns oito anos e um senhor ao lado, pela idade, o avô.

O velho estava recostado indolentemente olhando o jogo, não com desinteresse mas com certo, digamos, distanciamento.

Como se olhasse o jogo do alto da sua idade.

O menino não.

Torcia, como se estivesse no Pacaembu, num grande jogo.

E de repente o Corinthians fez um gol.

O velho apenas se mexeu, mas o garoto vibrou, pulando e gritando.

Me ocorreu que, para aquele garoto, o Dualib, a Polícia Federal, a MSI, os trambiques e negociatas não significavam nada.

 Diante dele não estava o clube comentado nas reportagens policiais, com dirigentes estampados nos noticiários de tv, tendo de explicar o inexplicável.

Diante do garoto, ali no campo, estava o Corinthians.

Tenho certeza que nem lhe passava pela cabeça que aquele era apenas o time de base, o juvenil.

Que aquele jogo talvez não tivesse nenhuma importância na trajetória desse clube cheio de tradição.

O que ele via era a camisa branca, os calções pretos.

Era o Corinthians mitológico, eterno, que passa de uma geração para outra.

Quando o jovem jogador ainda desconhecido fez o seu gol o garoto vibrou como se fosse do Rivellino, do Sócrates, do Tevez.

E eu também compreendi que mesmo num pacato domingo de manhã, mesmo com o time juvenil, ali estava o Corinthians.

O menino continuava sem tirar os olhos do campo.

O velho continuava olhando o jogo de longe.

Pode ser que ele, sim, estivesse pensando no Dualib e no Kia, e no que aconteceu com seu clube.

Mas pode ser também que,pelo menos por alguns momentos, olhando os jovens jogadores no campo,ele tenha pensado em Cláudio, Luisinho, Baltazar, Carbone e Mário, que talvez tenha visto mais de cinqüenta anos atrás na mesma rua Javari.

Sempre o Corinthians, na memória de uns, no imaginário de outros, mais forte que os fatos.

O velho chamou o vendedor que vestia um garboso jaleco grená com um J bordado no peito.

Dividiram o amendoim torrado, o garoto sem conseguir desviar os olhos da partida.

Vi que o Corinthians estava salvo.

*Ugo Giorgetti escreve no Estadão aos domingos, é diretor de cinema (autor de "Boleiros", por exemplo) e...palmeirense.

Por Juca Kfouri às 20h59

Clássicos fazem novo recorde no Brasileirão

Os quatro clássicos estaduais produziram a melhor média de público do Brasileirão-2007.

Com 23.434 pagantes em média, a 26a. rodada superou a marca anterior, de 23.017, da 23a. rodada.

Flamengo e Vasco tiveram o maior público, com 49.495 torcedores, cinco mil a mais que no Mineirão, 16 mil a mais que no Morumbi e 17 mil a mais que no Olímpico.

E houve confusões antes, durante ou depois dos quatro jogos, razão pela qual muita gente não comparece mais ao estádio em dia de clássico, como acontece há muito tempo em São Paulo e começa a acontecer em Porto Alegre.

Curiosamente, aliás, apesar da fama de cautela dos mineiros e de mais atirados dos gaúchos, Belo Horizonte ainda sofre menos com o fenômeno.

O pior público ficou por conta das 2.762 pessoas que foram ao Serra Dourada.

Só dois visitantes venceram nesta 26a. rodada, o Náutico e o Botafogo e e houve apenas um empate, o do Maracanã, com 3,1 gols em média por partida.

O Botafogo voltou ao G-4, embora o Vasco, com um jogo a menos, virtualmente possa ocupar o terceiro posto, o que desalojaria o Santos, que cairia para o quarto lugar e deixaria o Botafogo de fora.

Grêmio, Palmeiras e Fluminense também lutam cabeça a cabeça pelas quatro primeiras colocações e se o Flu for bem sucedido abrirá uma quinta vaga brasileira na Libertadores.

A briga para fugir do G-R, o do rebaixamento, também é encarniçada.

Só três pontos acima dele está o Figueirense; Goiás, Flamengo e Corinthians estão apenas dois pontos à frente e os dois Atléticos a um.

Juventude, aparentemente, e América, certamente, estão condenados e Paraná Clube e Náutico ainda podem se livrar.

Em resumo: a média de público deve continuar a crescer.

 

Por Juca Kfouri às 20h11

Grêmio vence com justiça

O Gre-Nal começou alucinante.

Com pouco mais de um minuto o Inter, com Adriano, chutou na trave gremista.

Tuta respondeu em seguida, ao quase abrir o placar, com dois minutos e um pouquinho.

E a partida seguiu assim, com alternativas divididas até que o zagueiro gremista Léo, aos 12, fez 1 a 0, depois de uma confusão na área colorada e de um bom passe de Tuta.

Aí, ficou como o Grêmio queria, que passou a não correr mais riscos.

O Inter voltou com Gil, para jogar com três atacantes.

Era promessa de mais emoção no Olímpico, que não lotou, por causa da violência.

Só quem mais atacou e mais chances criou foi o Grêmio, que teve pelo menos três grandes chances para aumentar.

O Gre-Nal foi bom e cumpriu o que prometeu.

Se bem que se foi bom para quem viu, foi ótimo para o tricolor e péssimo para o colorado.

Em Floripa, livre da retranca de Mário Sérgio, o Figueira enfiou 4 a 1 no Juventude. 

Por Juca Kfouri às 19h13

Empate cai do céu para o Flamengo

Nem bem o jogo começou no Maracanã e nada indicava que pudesse ser uma noite rubro-negra.

Logo aos 3 minutos, Jorge Luís tira com a mão a bola da cabeça de Obina e o árbitro não marca o pênalti.

Aos 8, Renato Augusto se machuca e dá lugar para Paulo Sérgio. 

Aos 10, Leandro Amaral, de cabeça, faz 1 a 0 para o Vasco.

E, aos 20, Paulo Sérgio também se machuca e é substituído por Leo Medeiros.

Só que, por incrível que pareça, o time vascaíno recuou para manter o resultado.

Mesmo assim, obrigou o goleiro Bruno, que saira mal da meta no primeiro gol, a fazer pelo menos duas senhoras defesas e teve Wagner Diniz empurrado na área por Juan sem que o árbitro, mais uma vez, marcasse o pênalti.

Mas, aos 47, Obina tocou de cabeça para Leo Moura empatar.

O jogo corria disputado, mas muito truncado.

E o Vasco voltou melhor no segundo tempo, com Conca levando Bruno a fazer outra ótima defesa, logo de cara.

Aos 10, agora com Perdigão, outra vez o Vasco vê seu gol impedido por Bruno, no cantinho.

Aos 18, Fábio Luciano empurra desnecessariamente Marcelinho na área e o árbitro prefere não ver.

Só dava Vasco, com Obina incomodando de vez em quando.

Aos 40, Bruno teve de sair nos pés de Leandro Amaral para evitar o segundo gol.

E, aos 47, Alan Kardec "salvou" o que seria o gol da vitória vascaína, em chute de Wagner Diniz, ao pegar rebote de outra ótima defesa de Bruno, em chute de Leandro Amaral.

E o que não parecia ser uma noite do Flamengo, acabou por ser.

Porque o empate ficou de bom tamanho, diferentemente do sentimento vascaíno, que merecia melhor sorte

Por Juca Kfouri às 19h05

Furacão deixa mal a dupla Pa-Pal

Com a vitória suada na Arena, por 2 a 1, diante do Palmeiras, o Atlético Paranaense desalojou o Palmeiras do G-4 e deixou o rival Paraná Clube, que perdeu para o Sport, no G-R, o do rebaixamento.

Foi duro.

Até de ver.

Jogo cheio de faltas, um time espelho do outro, cada um mais preocupado em não sofrer do que em fazer gols.

E o primeiro só saiu numa das inúmeras faltas cometidas nas imediações das áreas, aos 39 do primeiro tempo, bem batida por Netinho, embora Diego Cavalieri tenha pulado atrasado.

O segundo tempo foi tão feio como o primeiro, mas Dininho aproveitou-se de um vacilo da defesa atleticana para empatar de cabeça, aos 20, primeiro gol palmeirense na Arena.

E parecia que terminaria assim, embora o Atlético tenha ido buscar mais a vitória, que acabou vindo com Pedro Oldoni, aos 37, em jogada do estreante Marcelo Ramos.

Como o Sport não teve maiores dificuldades para fazer prevalecer seu favoritismo na Ilha do Retiro, a tarde foi de alegria para o Furacão, porque os 3 a 1 impostos pelos pernambucanos no Paraná Clube ficaram sob medida.

Por Juca Kfouri às 17h19

Um alvinegro sobe e o outro desce no Pacaembu

Um, dois, três, o Corinthians é freguês!

Foi como os botafoguenses saíram do Pacaembu.

Terceira vitória seguida diante do Corinthians e com gosto especial, por recolocar o Botafogo entre os quatro primeiros.

Num jogo truncado em que o Glorioso deixou-se envolver apenas pela luta dos corintianos e não conseguiu fazer prevalecer sua melhor técnica, com chances desperdiçadas quase em igualdade de condições pelos dois lados, Dodô fez seu 300o. gol na carreira, aos 27 do segundo tempo, com toda a categoria que Deus lhe deu.

E deixou o time paulista só dois pontos acima da zona de rebaixamento.

Por Juca Kfouri às 17h09

No Mineirão, o melhor jogo do Brasileirão

Sete gols num clássico eletrizante e com duas viradas, erros de arbitragem e uma jogada decisiva de Kerlon para matar o jogo, porque causou a expulsão de Coelho.

Que jogo...que jogo!

O Cruzeiro teve a felicidade de abrir o placar com Roni, em bola desviada no zagueiro atleticano pela esquerda, logo aos 11 minutos, quando tudo era equilíbrio e o Galo tinha até criado a melhor chance.

Em seguida, numa falta discutível e claramente fora da área, o árbitro deu pênalti que Roni converteu no segundo gol, aos 25.

O que soou como goleada serviu, na verdade, para mexer com o Galo.

Que foi à luta e diminuiu com Gérson, ao pegar o rebote de uma falta batida por Coelho na trave: 2 a 1.

Oito minutos depois, Marinho empatou de cabeça, em cobrança de escanteio de Marcinho, o que era justo, porque o Galo já tinha criado a chance do empate.

O alvinegro voltou de moral alto no segundo tempo, teve um lance discutível de pênalti não marcado e virou com outro, que não aconteceu, convertido por Marinho, aos 12: 3 a 2.

O atacante Marcinho tinha tropeçado nas costas do goleiro Fábio...

Era o velho Galo vingador.

Era, porque a torcida cruzeirense pediu e Guilherme entrou em campo.

Na primeira bola que pegou, o garoto chutou de fora da área para empatar tudo de novo, aos 17.

Por muito pouco o Cruzeiro não fez o quarto gol em seguida com Kerlon, mas fez, outra vez com Guilherme, aos 32, ao se aproveitar de um rebote do goleiro atleticano.

Era a segunda virada, mas a definitiva.

Porque Kerlon levantou a bola para sua cabeça aos 35 e foi fazer a jogada da foca, impedida, com violência e burrice, por Coelho, que foi expulso.

Fim de jogo.

O Cruzeiro não se afasta mais do São Paulo.

O Galo se aproxima do rebaixamento.

No que foi o melhor jogo do campeonato.

Por Juca Kfouri às 17h02

Os demais jogos do domingo

Já avaliados os três clássicos estaduais de hoje, em nota postada na sexta-feira, restam quatro partidas neste domingo.

Nestas, apenas dois favoritos: o Botafogo diante do Corinthians, no Pacaembu, às 16h, e o Sport contra o Paraná Clube, na Ilha, na mesma hora.

Porque, também às 16h, na Arena, favorito mesmo não há, embora o Palmeiras pareça mais perto de um bom resultado do que o Furacão.

Como acontece na partida das 18h10, em Floripa, embora, aí, o Figueira anfitrião é que desfruta de tal condição ante o Juventude.

Mas interesse mesmo despertam Galo x Cruzeiro, Flamengo x Vasco e o Gre-Nal.

Por Juca Kfouri às 09h37

Está na 'Folha' de hoje

Fidelidade

Títulos e filas modificam pouco as torcidas do país

Última pesquisa do Datafolha mostra pequena variação em relação à lista de 93

Flamengo e Corinthians preservam boa vantagem sobre rivais; times oscilam dentro da margem de erro ao longo desses 14 anos

RODRIGO BUENO
DA REPORTAGEM LOCAL

Os títulos em série e os anos de fila dos clubes brasileiros não produziram efeito significativo nas pesquisas de torcida do Datafolha nos últimos anos.


Os números colhidos entre os dias 14 e 15 de agosto últimos, frutos de 2.771 entrevistas em 164 municípios do país com pessoas de 16 anos ou mais, mostram variação dentro da margem de erro (dois pontos percentuais) em relação à consulta feita em maio de 2006.

E, analisando as pesquisas desde 1993, pouco mudou no cenário nacional, que vê Flamengo e Corinthians confortavelmente à frente na preferência.

Os três clubes com maior torcida na seqüência, São Paulo, Palmeiras e Vasco, mantêm o status que os fazem ganhar a mesma verba da TV que os rivais Flamengo e Corinthians.

O rubro-negro carioca aparece na última lista do Datafolha com 17% dos torcedores do país, mesmo número de 1993 -desde 1992 o Flamengo não conquista o Brasileiro, e suas maiores glórias datam de 1981.

O clube subiu dois pontos percentuais (margem de erro) em relação à pesquisa do ano passado. Já chegou a figurar com 19% da preferência e com 15%.

O Corinthians caiu um ponto percentual comparando com a lista anterior, mas seus 12% da preferência agora não revelam tendência de queda -o único título do time nos últimos quatro anos foi o contestado Brasileiro de 2005.

Em 1993, o mais popular dos times paulistas aparecia com 10% dos votos.

O São Paulo, apesar dos títulos recentes, mostra estagnação desde 2005, quando faturou seu terceiro Mundial.

Com 8% da torcida do país, figura com só um ponto percentual a mais do que tinha em 1993, o ano de seu segundo Mundial.

O Palmeiras tem oscilado mais desde 1993, quando saiu de sua maior fila, mas pouco foge da margem de erro.

Na última pesquisa, exibe os 8% que mostrou em outras duas listas neste século, que não viu títulos palmeirenses na elite.

O Vasco também apresenta pequenas variações ao longo dos últimos 14 anos.

Não baixa de 4% da torcida nacional nem supera os 7% -na pesquisa mais fresca, fica com 5%.

Os demais grandes times ficam bem próximos nas pesquisas.

Grêmio, Santos e Cruzeiro, com 4%, 3% e 3% da preferência, respectivamente, vêm em um segundo escalão.

Ao longo dos últimos 14 anos, alcançaram como topo 4% da torcida nacional. Em 1993, tinham um ponto percentual a menos.

O Inter, na primeira pesquisa pós-título mundial, figura com 2% dos votos.

No meio de 2006 e em 1993, registrava 3%.

O Atlético-MG é o mais regular: nas 12 pesquisas feitas pelo Datafolha nos últimos 14 anos, sempre teve 2% da preferência.

Fluminense e Botafogo oscilam entre 1% e 2% (na última pesquisa, o alvinegro está na frente), o que os deixam tecnicamente empatados com times de torcida mais localizada, como Bahia, Sport e Santa Cruz.

Por Juca Kfouri às 09h30

Judô de ouro

No final do século passado, dois nomes viraram sinônimo de judô no Brasil: Aurélio Miguel, principalmente, e Rogério Sampaio.

Ambos ganharam medalhas de ouro olímpicas, o primeiro em Seul, em 1988, o segundo em Barcelona, em 1992.

Aliás, o judô brasileiro contribui com 12 medalhas olímpicas para as glórias esportivas nacionais.

Pois nem bem começa o novo século e eis que já temos três nomes imortalizados, como campeões mundiais de judô.

Um deles, João Derly, bicampeão, coisa inédita no país, pois ganhou também no Cairo, dois anos atrás, quando se tornou o primeiro brasileiro a ganhar tal título,

Além de Derly, temos agora mais dois campeões mundiais, Luciano Corrêa e Tiago Camilo, este, além do mais, medalha de prata em Sydney-2000. 

E temos João Gabriel Schlittler, medalha de bronze neste mundial do Rio, ao bater um tricampeão mundial e campeão olímpico, o japonês Kosei Inoue.

Imagine, agora, se os nossos cartolas do judô fossem verdadeiros dirigentes.

Por Juca Kfouri às 23h02

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico