Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

13/10/2007

O que dizer de Botafogo e Vasco?

Botafogo e Vasco jogam neste domingo, às 16h do horário de verão (15h no horário do sol ) no Maracanã.

Pouco tempo atrás, o Botafogo era candidato ao título e o Vasco à Libertadores.

Agora, se empatarem, passarão a ficar, mais o Vasco, perigosamente perto da Z-R.

Se o Vasco perder, então...

E o time do Botafogo tem a obrigação de vencer, por Cuca, e para calar de vez o Montenegro, de saída, segundo se anuncia.

Por Juca Kfouri às 19h46

E viva a CBF!

Genial como é, a CBF conseguiu esconder o começo das eliminatórias sul-americanas.

Como acompanhar Uruguai 5, Bolívia 0, e Argentina 2, Chile 0, com tanto jogo do Brasileirão ao mesmo tempo?

Mesmo o jogo do Brasil, amanhã, às 19h, na Colômbia, ficou em segundo plano.

Porque o torcedor quer saber muito mais de seu clube do que da Seleção.

Para não falar dos clubes que foram prejudicados por terem jogadores convocados para jogar as eliminatórias, não só os da Seleção, mas, também, os das outras, que viraram fornecedores de atletas para o nosso mercado.

Olhe para os outros países e veja se houve rodada nos campeonatos nacionais, na Europa, inclusive, por causa das eliminatórias da Eurocopa.

E a CBF é tão burra que anuncia o calendário para 2008 com os mesmos erros, ao não adequá-lo ao calendário mundial e ao manter fora da Copa do Brasil os times brasileiros que estarão na Libertadores.

Ou seja, o negócio da CBF é dar tiro no próprio pé.

Por Juca Kfouri às 19h41

Bom empate na Vila

Santos e Palmeiras fizeram um clássico movimentado na Vila Belmiro e o 1 a 1 ficou de bom tamanho, embora tenha significado a queda palmeirense para o quinto lugar.

Mas o Palmeiras mostrou-se uma equipe madura, ao encarar o Santos de igual para igual, ao menos no primeiro tempo..

Palmeiras que saiu na frente com gol olímpico de Caio, numa falha dupla de Alessandro e de Fábio Costa, aos 34 do primeiro tempo.

Mas que cedeu o empate, depois que Alessandro se redimiu em bela jogada pela direita que culminou nos pés de Renatinho, depois de cabeçada de Kléber Pereira defendida por Diego Cavalieri, aos 13 do segundo tempo, quando o Santos foi bem superior e quase venceu.

Por Juca Kfouri às 19h12

Virada com a cara do Grêmio

O Grêmio retomou o quarto lugar ao vencer o Goiás de virada e desalojar o Palmeiras.

Saiu atrás, quando o Sr. Goiás, Paulo Baier, bateu escanteio na cabeça de Leonardo que fez 1 a 0, aos 8.

Pereira empatou ainda no primeiro tempo, em lance idêntico, cobrado por Tcheco, aos 25.

E Tuta se encarregou de mandar bola, zagueiro e goleiro para o fundo das redes, aos 6 do segundo tempo.

Porque com o Grêmio tem sido assim no Olímpico, aos trancos e barrancos, mas em frente.

Prova de que lutará até o fim por uma vaga na Libertadores.

Já o Goiás, se tanto, lutará para não cair.

Por Juca Kfouri às 19h09

Ufa! Galo cumpridor

O Galo sofreu e só fez seu gol de pênalti (mão na bola), aos 37 do segundo tempo, com Gérson.

Antes tinha visto o goleiro Sérvulo operar pelo menos dois milagres.

Mas também tinha tomado um baita susto, quando Bilu salvou na linha um gol que já era comemorado pelo América.

O Galo, foi melhor só no segundo tempo, mas cumpriu com sua obrigação e respira, sem aparelhos.

Por Juca Kfouri às 19h01

Mengo mata o Paraná Clube

Depois de um primeiro tempo muito truncado, com apenas uma chance de gol para cada lado, com Josiel e Souza, o segundo pegou fogo em Curitiba.

E o Paraná Clube jogou fora a chance de se reabilitar, não só ao perder um pênalti cobrado por Josiel e defendido por Bruno, como, também, ao ficar com 10 ainda aos 14, pela expulsão de Adriano.

O Flamengo, que era inferior, não demorou a se aproveitar, com Fábio Luciano, de cabeça, abrindo o marcador, aos 18.

Três pontos valiosos para o rubro-negro, corda que aperta o pescoço do tricolor paranaense.

Por Juca Kfouri às 16h56

Empate significativo para o líder

O Fluminense fez a leitura perfeita do adversário que teria pela frente.

Era o líder São Paulo sim, com o melhor elenco do Brasileirão, mas sem seis titulares.

A começar pelo goleiro, pois era o menino Fabiano quem estava na meta paulista.

E o Flu foi para cima desde o início, sem o menor respeito, no que fez bem.

Porque risco mesmo só correu ao fim do primeiro tempo, em cabeçada de Leandro que Fernando Henrique defendeu muito bem, ao mandar para escanteio.

Antes disso, aos 34, exatamente o menino Fabiano (que já havia feito uma boa defesa) tinha cometido um pênalti em Adriano Magrão, que entrara no lugar de Somália, machucado aos 23.

O 1 a 0 estava correto e poderia ser mais, se a pontaria do tricolor carioca estivesse mais calibrada.

Só que para o segundo tempo o São Paulo voltou com comportamento de líder e com Fernando no lugar de Jackson, tímido em sua estréia.

E logo de cara, aos 6, Breno cabeceou para um milagre de Fernando Henrique que, no entanto, sobrou para André Dias empatar.

O São Paulo não precisava mais do que isso.

Mas o árbitro inventou um pênalti de Hernanes em Gabriel.

Não era justo.

Mas o próprio Gabriel encarregou-se de cobrar para que Fabiano começasse a escrever sua história no São Paulo, pois defendeu a cobrança com frieza de veterano.

Aos 30, para quem acha que o São Paulo está sendo auxiliado pelas arbitragens, Aloísio foi expulso depois de fazer uma falta absolutamente normal.

O São Paulo soube garantir o empate e, mais uma vez, o Flu não foi o que poderia ser.

Por Juca Kfouri às 16h54

Corinthians empata no fim. Era 13 de outubro

O Corinthians é pura dedicação. O que é bom.

Mas é só isso. O que é mau.

Já o Inter é um mistério.

Individualmente tem jogadores que deveriam lhe dar o comando técnico num jogo como o do Pacaembu.

E seu técnico é Abel Braga.

Nem por isso, no entanto, o time joga como um time.

E, na verdade, nem sequer mereceu o 0 a 0 do primeiro tempo.

Não só porque Finazzi perdeu dois gols feitos aos 20 e 30 minutos -- o primeiro na pequena área e o segundo, ao receber livre, por tocar forte demais para se livrar de Clêmer e mandar a bola pela linha de fundo.

Mas também porque, num mesmo lance, ao fim dos 45 minutos iniciais, sua defesa derrubou dois corintianos dentro da área, em jogadas, no mínimo, duvidosas e que poderiam ter sido marcadas.

O Inter, no entanto, voltou muito melhor no segundo tempo e se impôs, ao assumir o domínio da partida.

O que se fez refletir no marcador aos 11 minutos, quando Magrão abriu o placar, já diante de um Corinthians que parecia morto em campo, como se o esforço do primeiro tempo tivesse sido demasiado.

Onze minutos depois, Jonas quase amplia, não fosse mais uma boa defesa de Felipe.

O Inter, enfim, fazia e desfazia, como bem entendia.

Mas, aos 41, Aílton bateu falta na cabeça de Finazzi que empatou.

Como se num 13 de outubro o Corinthians não pudesse mesmo perder um jogo.

Quase 25 mil torcedores foram mais aliviados para casa.

Por Juca Kfouri às 16h53

Faz 30 anos!

A revista "Placar" está com uma edição especial nas bancas para relembrar os 30 anos do título paulista do Corinthians que pôs fim a quase 23 anos de jejum.

E a revista perguntou a alguns corintianos onde eles estavam naquele 13 de outubro de 1977.

Minha resposta segue abaixo:

Estava no lugar certo, na hora certa

Por JUCA KFOURI, 57 anos

Ora, e isso é pergunta que se faça?

Eu estava no Morumbi para comemorar o 16o. título paulista do Corinthians, queriam que eu estivesse aonde?

Verdade que se a memória de tudo é bem nítida até o gol de Basílio, do gol em diante as coisas ficam meio confusas -- embaçadas, digamos assim..

Recapitulemos: eu era, então, chefe de reportagem desta Placar.

Vi o jogo como penetra nas cadeiras cativas superiores do estádio, setor 3, porque não era jogo para se ver na cabine de imprensa.

Felizmente, não era ainda uma cara conhecida, razão pela qual podia me misturar com a massa numa boa.

Não que tivesse massa propriamente dita nas cadeiras cativas, mas daqui a pouco você entenderá o porquê da observação.

E Basílio fez o gol da libertação, o gol que abriria um futuro que culminaria, outros 23 anos depois (alguém já tinha se dado conta disso?) no primeiro título mundial de clubes da Fifa.

Do que me lembro, então?

Lembro que o corintiano que estava sentado ao meu lado olhou para mim, pôs a mão no meu peito e perguntou: "Você está se sentindo bem?".

Lembro que respondi: "Nunca me senti tão bem na vida, amigo".

E, depois, só me lembro de estar no gramado do Morumbi, com uma bandeira alvinegra nas mãos, nem sei como fui parar lá e quem me deu o estandarte, se é que não o comprei.

Mas eu tinha um compromisso, ir atrás do trio elétrico que Placar tinha trazido de Salvador desde o sábado anterior e que estava escondido em São Paulo.

Eu havia prometido para minha mulher, grávida de cinco meses, que a pegaria em casa e iríamos para a avenida Paulista, ver o trio passar.

Peguei o carro e sai correndo, com o cuidado de não ouvir Osmar Santos, porque sabia que não agüentaria.

Pus na rádio Bandeirantes, em tempo de ouvir o saudoso "senador" Mauro Pinheiro dizer: "Antes de falar do jogo, quero abraçar um jovem companheiro que deve estar perdido por algum canto deste festivo Morumbi, o chefe de reportagem da Placar, Juca Kfouri".

Pronto! Pra quê?

Subi na ilha da avenida Cidade Jardim, parei o carro, e chorei convulsivamente não sei por quanto tempo.

Recuperado, peguei minha mulher, fomos à Paulista, o trio já tinha ido, e resolvemos jantar no Gigetto, um dos poucos restaurantes, àquela época, que ficavam abertos na madrugada paulistana.

Lá nos encontramos com o presidente Vicente Matheus, um pé calçado, outro descalço.

"Uai, presidente, cadê o seu sapato?", perguntei.

"Sei lá, nem notei que estava sem", ele respondeu.

E nos abraçamos como dois felizardos.

Agora, abaixo, mais dois textos sobre o mesmo tema, de dois valiosos colaboradores deste blog.

OUTUBRO

Por ROBERTO VIEIRA, 43 anos

Outubro de 1977.

Prisão.

Eles esqueceram de mim.

Os dias e as noites iguais. Xerox.

A única alegria desses anos todos foi naquele domingo.

Um bilhete chegou na minha cela.

"É hoje!"

Meu Corinthians ia decidir o título com o Palmeiras de Oswaldo Brandão.

O Palmeiras verde esperança.

O mesmo Oswaldo Brandão de 1954.

Se Deus existe ele é sarcástico.

23 anos sem ser campeão.

10 anos de ditadura.

3 anos na prisão.

Eu ainda desejava a revolução. Mas depois de tanta pancada eu me contentaria com um gol de Rivelino.

Não tive notícias durante alguns dias.

Mas fiz a festa assim mesmo.

O timão não poderia perder. Unido o povo jamais será vencido.

Até que um capitão vendo alegria no inferno veio me contar:

"1x0 Palmeiras. Gol de Ronaldo!"

E eu atônito calei. Para então começar a gritar desesperado:

"Mentira. Mentira. O Corinthians ia preferir morrer a perder um jogo desses!"

E desmaiei sob o cassetete da realidade.

Eu que acreditava que um homem deve morrer antes de se render.

Ali perdi minha última esperança. E de certo modo enlouqueci.

Os jogadores com certeza tinham sido torturados.

Obrigados a entregar a vitória. Esquartejados.

A revolução derrotada.

Minha última alegria, também.

Os anos se passaram nas trevas.

Nunca mais pensei sequer em futebol.

Até agora.

Pois agora em outubro eles me soltaram.

Nesse feriado maluco.

Feriado em que Geisel decidiu enquadrar o Sílvio Frota.

Antes que Frota enquadrasse ele.

Mas eu não tinha família. Minha família eram meus companheiros.

E eles estavam todos mortos.

Dormi numa pensão barata. Com medo de falar. Com medo de ser acordado do sonho de estar livre.

No dia seguinte acordei de tardezinha.

Imaginava que a cidade fervilhava com a tentativa de golpe dentro do golpe.

Mas não.

A cidade não falava de Frota. Não falava de Geisel.

Porque Golbery decerto aconselhara Geisel:

"Se tiver de fazer, faz agora! Agora que o povo só quer saber de Corinthians!"

Por ironia do destino o Corinthians ia de novo decidir um título.

A cidade só falava de Vaguinho. De Moisés. De Zé Maria.

E um tal de Russo.

Minha boca sem dentes sorriu.

Se Deus existe ele continuava sarcástico.

Mas Deus não é corintiano. Ele é santista, palmeirense, militar.

Corintiano, nunca!

Pensei com meus botões marxistas:

"Futebol é o ópio do povo!"

E era disso que eu precisava. Ópio.

Esquecer.

Juntei os trocados e fui andando solitário.

Quando vi que do meu lado outros homens, mulheres e crianças caminhavam.

Meus pés involuntários haviam tomado o rumo do Estádio do Morumbi.

E eu me vi envolvido por uma imensa massa de pobres, ricos, negros, brancos, amarelos, fascistas, comunistas, anciãos, judeus e muçulmanos.

Sofredores.

Como eu.

E entrei, depois de muitos anos de ortodoxia, no Coliseu.

Não. Não era a revolução que eu sonhava.

Não era Lênin o nome que a multidão gritava.

Embora houvesse um Vladimir no time.

Eu me deixei levar pelo ópio.

Pelo sonho.

Eu que neguei o meu Corinthians mais de mil vezes.

Me vi gritando alucinadamente seu nome santo.

Era a única Revolução de Outubro possível.

Nosso 1917. Sessenta anos depois.

O único outubro possível.

Os times corriam. Brigavam.

Até que a bola foi e voltou. Foi e voltou na trave.

Um pé empurrou a bola para as redes.

E eu me ajoelhei.

Fiel.

Não sei como invadi o campo.

Arranquei um naco de grama como uma relíquia sagrada.

O meu santo sudário.

E prometi ir descalço até Moscou.

Deixar minha oferenda.

Na Catedral de São Basílio.

 

Hoje é dia de São João!

Por FELIPE SANTOS, 21 anos

Não, você não leu errado.

Não voltamos a um 24 de junho qualquer, por meio de uma máquina do tempo.

Apenas é o dia em que os corintianos lembram-se de uma ocasião histórica.

O dono do blog escreveu, em seu livro "Corinthians – Paixão e Glória", que "quando o alvinegro ganha, até o mais alienado dos cidadãos percebe que alguma coisa realmente importante aconteceu".

E talvez, nunca mais se verá um dia em que todos perceberam que alguma coisa realmente importante acontecera, como se viu há exatos trinta anos.

Dia em que os corintianos – todos eles, os já nascidos então, os que nasceram depois e os que ainda virão – aprenderam, após um longo curso de "espírito esportivo" que teve a duração de 22 anos, que o time deles também podia ganhar, e que a vida não era só feita de derrotas.

Eu disse que o curso durou 22 anos? Minto: 22 anos, oito meses, sete dias e mais oitenta e um minutos.

Foi o tempo que se precisou esperar para ver o momento decisivo, a epifania, acontecer, quando São João transformou em uma perna humana a espada que São Jorge lhe emprestara, para ferir mortalmente o fantasma que atrapalhava os coríntios. E ainda usou os escombros de uma ponte preta para matar o alvo de vez.

Depois, é aquela festa que todos vêem, até hoje (principalmente hoje, 13 de outubro), na tevê, ou ouvem, no rádio.

Gente atravessando de joelhos o gramado do Morumbi, de uma trave a outra. Gente arrancando pedaços de grama com as mãos, ou mesmo com a boca, para depois degustá-los, como se aquele fosse o melhor dos manjares. Gente guardando o canhoto do ingresso para aquele jogo, como se fosse o papel que dava direito à entrada para uma outra dimensão, onde tudo era festa.

Oferendas sendo feitas.

E continuam sendo feitas.

Por quê?

Ora bolas, para lembrar e celebrar, todo 13 de outubro, desde 1977, o dia de São João.

São João Roberto Basílio!

Arquivo FOLHA


Por Juca Kfouri às 23h01

12/10/2007

Don Alberto Martín Acosta

Por ROBERTO VIEIRA

Acosta foi expulso de novo.

Os cronistas se revoltam.

Acosta foi expulso de novo.

Depois de empatar o jogo em 2x2.

Então entenda.

O craque está sempre perto do céu.

E do inferno.

O craque sempre tem muito de gênio.

E muito de louco.

Não se explica um craque.

Você escala e espera.

O céu e o inferno.

Pergunte aos amigos de Picasso.

Aos irmãos de Pixinguinha.

Aos pais de Acosta.

Quando viravam os olhos lá estava ele.

Quebrando janela.

Tacando fogo no cachorro.

Botando sal na comida.

Quando avisaram pro Cruzeiro que o Náutico ia jogar com o time reserva, esqueceram de avisar uma coisa.

Nos treinos do Náutico, time titular é onde joga Don Alberto Martín Acosta!

Por Juca Kfouri às 22h21

Os seis jogos deste sábado

Parece mentira que quase dois anos depois de jogarem no Pacaembu como líder e vice-líder do Brasileirão de 2005, Corinthians e Inter se reencontrem hoje na situação de lutar para não serem rebaixados.

Pouco sobrou daqueles times que se enfrentaram no "jogo do Tinga" ou "do Márcio Rezende de Freitas".

E, do que restou, digno de nota mesmo, só Fernandão.

Ele é a grande diferença da partida de hoje no mesmo Pacaembu, embora o Corinthians tenha Felipe e certamente terá muita gente no estádio., apesar da inegável superioridade técnica colorada.

Entre Paraná Clube e Flamengo a situação é simples. E muito complicada.

Os donos da casa têm de vencer e são tradicionais algozes dos convidados, que não ficarão infelizes com um empate.

Fluminense e São Paulo farão o clássico tricolor no Maracanã.

Muricy Ramalho já disse que mais uma derrota não será nenhuma catástrofre.

E, friamente, não será mesmo, ainda mais depois de mais uma bobeada do Cruzeiro, embora o Santos possa ficar a "apenas" nove pontos do São Paulo.

Mas, pensando bem, perder a quarta seguida não será de bom tom.

E embora o Flu possa perfeitamente vencer, algo me diz que isso não acontecerá (para alegria dos torcedores das Laranjeiras...).

Entre Santos e Palmeiras, a previsão é de jogo duro e catimbado na Vila Belmiro, com ligeiro favoritismo para o time da casa.

Tão ligeiro que pode passar assim, sem ser notado.

Uma vitória alviverde soará como atestado de que o time dos Caios e de Valdívia ficou maduro.

No Olímpico, o Grêmio deve passar por cima do Goiás, com facilidade, com dificuldade, do jeito que for, mas passará.

E o Galo ou ganha do América, em Natal, ou que vá cantar em outra freguesia, provavelmente na Segundona, de novo.

Mesmo que o Mecão pareça determinado a, ao menos, cair com uma certa dignidade.

Por Juca Kfouri às 22h14

O amor de Lucas pela bola

 

Por MARCELO TORRES* 

Certa vez perguntaram à teóloga alemã Dorothee Sölle: "Como a senhora explicaria a uma criança o que é a felicidade?".

"Não explicaria", a religiosa respondeu. "Daria uma bola para que ele jogasse".

De fato, a bola é uma coisa mágica e sublime para uma criança, principalmente para um menino.

A primeira coisa que meu filhinho aprendeu a balbuciar depois de mãmã e papá foi a palavra bola, que na sua vozinha de anjo virou bóua.

Você precisa ver como é bonitinho ele falando bóua, naquele seu jeitinho, com o som do "u" no lugar do "l".

É como se fosse a palavra ‘boa’, com o "o" aberto e um "u" no meio. Bóua.

Mas bóua é uma das poucas, pouquinhas palavras que ele arrisca.

Quando vê um cachorro, por exemplo, ele diz que é o auau.

Se vê outra criança, maior ou menor que ele, o anjinho vibra. - Neném!

Quando a mãe coloca o sapatinho no pé, o danadinho suspira. – Papato!

Na hora de deitar para dormir, ele olha para a mãe e fala suave mimi.

Com sede ou fome, o leãozinho não chora, pede dedêra.

Batata é tata, banana é nana... e por aí vai.

Aliás, tudo neste mundo que traz a cor amarela é nana para ele.

Outro dia eu enchi uma bola de soprar, de cor amarela, e ele, radiante, foi logo gritando BÓUA-NANA!

Até quando olha para as lamparinas redondas do jardim ele grita "Bóuuuaaa!", como a vibrar com um gol. E quem há de dizer que não é um gol?

Ah!, lembrei também: quando dá um chutinho na bola, ele grita BÓUA-GÔ.

Papá, mamã, neném, mimi, nana, papato, dedêra, tata, auau, bóua, gô. Eis a sua seleção de primeira. A seleção das primeiras palavrinhas.

Claro que eu me derreto quando ouço o anjinho sussurrar levemente papáááááá. Mas essa tal de bóua é um caso.

Caso de amor.

Amor à primeira vista. À primeira palavra.

Bóua é encanto, magia, feitiço, beleza, alegria. Ou felicidade, como filosofou a alemã.

Seus olhos brilham quando vêem a tal da bóua. Seja ela uma bolinha de gude, uma bola de plástico ou um balão de soprar.

Mês passado levei-o para conhecer tios, primos e vovôs na Bahia. Ganhou carrinho, brinquedinho, roupinha, lembrancinhas e tal e coisa.

Mas ‘o presente’ mesmo, aquele que caiu em sua graça e não saiu dos seus braços foi uma bola, uma bolinha simples.

Para Lucas, aquelas histórias sobre tirar ou pôr doce na boca de criança não servem.

Quer conquistá-lo e vê-lo alegre, falante e agitado, dê-lhe uma bola. Quer vê-lo derrubar o mundo, tome-lhe a bola das mãos.

Bola é sua metáfora. É sua máxima.

Tirai do mundo a bola, e o mundo será um ermo, um imenso estádio vazio.

Brinquedo predileto, bichinho de estimação, a bola não lhe sai da boca, da cabeça, dos pés, das mãos.

Mãos? Será que ele vai ser goleiro? Ou será jogador de vôlei? Handebol? Basquete?

Às vezes ele a chuta, mas é aquele chutinho leve e despretensioso, como um tapinha carinhoso no bumbum da amiguinha.

Depois, joga-a para cima e a ampara. Não deixa a pelota cair. Apara a moça de volta. Acolhe. Acaricia.

Às vezes, quando a bola está murcha, ele assopra, na vã tentativa de enchê-la com seu soprinho de nada.

E, sem nada falar, leva a bola à minha boca, como a ordenar "Enche aí, papai".

O papai, claro, enche a bola do filhinho.

Com a bola toda, ele a abraça com doçura e afeto. Dá-lhe um beijinho de olhos fechados. Apaixonados.

Não sei o que ele vai ser quando crescer. Aliás, ele nem precisa crescer.

Não tenho pressa. Por isso, ainda não o levei a um estádio. É cedo. Também não comprei a camisa do time de coração.

Por Mônica, a mãe - que é carioca e tricolor - ele vai ser Fluminense. Por mim, que sou baiano e torcedor do Vitória, ele torceria tão-somente pelo rubro-negro baiano.

Por enquanto, só sei que Lucas fez da bola um evangelho, um sacramento, uma bíblia. No futuro, talvez ele veja que tudo não passou de ilusão.

Enquanto o amanhã não chega, bendito seja o amor que esse menino tem pela bola. E que esse amor seja sublime e eterno enquanto dure.

*Marcelo Torres é jornalista, radicado em Brasília, é baiano e torce pelo Vitória.

Por Juca Kfouri às 21h46

Três empates no Dia das Crianças

O Cruzeiro jogou suficientemente bem para fazer 2 a 0 no primeiro tempo, com gols de Alecsandro e Ângelo, aos 32 e 35 minutos.

O Náutico até deu duas pontadas perigosas, mas foi só e o volume mineiro justificou o placar inicial.

Só que no segundo tempo só deu Náutico.

Que justificou plenamente o empate, com dois gols de Acosta, aos 16 e 32.

O primeiro foi uma pintura, depois de driblar um zagueiro e ter calma suficiente para enfiar o pé esquerdo por baixo da bola e encobrir quem corria para defender a linha fatal.

Já o segundo foi típico de um centroavante oportunista, bem colocado ele desviou uma bola cruzada para empatar.

Mesmo com seis reservas, você pensa que o Timbu recuou para segurar o ótimo empate?

Nada disso.

Buscou consolidar a virada e, é claro, correu riscos por isso.

Fato é que o Cruzeiro vacilou novamente, completou sua quarta partida sem vitória e ficou ao alcance de Santos e Palmeiras.

Já o Naútico marcha seguro para a Copa Sul-Americana, num trabalho digno de nota do técnico Roberto Fernandes e de Acosta, 17 gols uruguaios em pleno Brasileirão.

Por que ele não é chamado para a seleção uruguaia é um mistério que não dá para decifrar.

A não ser que seja por indisciplina, porque ele, que voltava de suspensão, achou de tomar dois amarelos no Mineirão, foi expulso aos 42, e está fora do próximo jogo, tido como vital pelo alvirubro, contra o Corinthians.

Nos outros dois jogos, dois 0 a 0 com significados opostos.

O do Recife, entre Sport e Figueirense, não ficou mal para nenhum dos dois, embora, é claro, tenha sido melhor para os catarinenses.

Já o de Caxias do Sul foi péssimo para o Juventude e muito ruim para o Atlético Paranaense.

No Dia das Crianças, ficou tudo igual no Brasileirão.

Amanhã volta a ser uma jornada só para adultos.

Por Juca Kfouri às 21h30

E agora, Maracajá?

Paulo Maracajá está para o Bahia assim como Eurico Miranda está para o Vasco ou Alberto Dualib esteve para o Corinthians.

E, agora, está em apuros, alvo de uma campanha certeira como pode ser constatado no endereço abaixo:

http://www.portalesportivo.com.br/index.php?site=17&modulo=eva_conteudo&co_cod=14025

Por Juca Kfouri às 23h28

Três jogos à noite para alegrar o Dia das Crianças

O feriado desta sexta-feira reserva três jogos do Campeonato Brasileiro para às 20h30.

O mais interessante, em Belo Horizonte, entre o vice-líder Cruzeiro e o 14o. colocado Náutico.

Náutico que joga sem seis titulares no Mineirão, todos suspensos, de propósito, para que possam enfrentar o Corinthians na rodada que vem, nos Aflitos.

Mesmo assim o técnico Roberto Fernandes está otimista, porque terá o artilheiro Acosta de volta para manter a boa fase de um time que ganhou seis dos últimos sete jogos que disputou, embora esteja apenas dois pontos acima da Z-R.

Já o Cruzeiro, com 52 pontos, no G-4, perdeu em casa dois de seus últimos três jogos e empatou o terceiro.

Ou ganha ou provavelmente será superado por Santos ou Palmeiras, que se enfrentam no sábado.

Deve ganhar.

Como o Sport, que recebe o Figueirense e é favorito no Recife.

Os dois times estão na zona da Copa Sul-Americana, o rubro-negro com 42 pontos, em ótimo sétimo lugar e o Figueira com 41, em bom nono.

Finalmente, o moribundo Juventude enfrenta o Furacão em Caxias do Sul.

Os gaúchos em penúltimo lugar, com apenas 30 pontos, e os paranaenses em 10o., com quase confortáveis 41 pontos, embora precise melhorar.

Chance melhor do que a desta noite, impossível.

Por Juca Kfouri às 23h13

11/10/2007

Maracanã: as duas faces da mesma moeda

O padrão de excelência Mario Filho

Por MAURÍCIO METRI

Numa oportunidade, o Muricy Ramalho, quando já era técnico do São Paulo, expôs sua idéia sobre futebol moderno e, para tanto, "fez uma comparação do futebol atual com um outro esporte: o basquete.

'Futebol hoje é isso. Você perde a bola, e todo mundo volta para se agrupar. Hoje todo mundo se defende e depois parte para o ataque', discursou." (Folha de SP, 07/10/2006).

O técnico são paulino naqueles tempos, no entanto, já reconhecia que sua tática não podia ser absoluta. "Gosto de campos mais apertados, mais de agredir o adversário o tempo todo, mais de guerra. Mas no Maracanã não dá para ser assim. O campo é muito grande e, se você ficar correndo atrás do adversário o tempo todo, não agüenta." (Folha de SP, 07/10/2006).

Para alegria dos atacantes, do futebol arte e dos torcedores, enquanto a educação física com seus suplementos e vitaminas não transforma os jogadores em quase maratonistas sem prejuízo à sua força física e à sua explosão muscular, o "inconveniente" Mario Filho seguirá impondo seu tamanho sobre as táticas e os técnicos "modernos".

E, em matéria de futebol, como em tantas outras da vida, tamanho ainda é documento.

Aos insensíveis (idiotas da objetividade, diria Nelson Rodrigues) que não percebem os significados implícitos nas declarações do técnico "moderno", e que não entendem a importância dessa questão, ofereço-lhes números.

O padrão de referência consagrado pela FIFA para as dimensões dos estádios de futebol modernos é de 105 metros de comprimento e 68 metros de largura (Obs.: os padrões máximo e mínimo internacionais estabelecidos pela entidade são respectivamente de: 110 x 75 m e 100 x 64 m.

(Maiores detalhes, ver:http://www.fifa.com/worldfootball/lawsofthegame.html).

Essas dimensões padronizadas (105 x 68 m), não por coincidência, são exatamente as dos mais modernos estádios brasileiros, o Engenhão (RJ) e a Arena da Baixada (PR), assim como dos mais importantes estádios europeus: na Espanha, o Camp Nou e o Santiago Bernabeu; na Inglaterra, o Emirates Stadium (novo estádio do Arsenal) e o Novo Wembley; na Itália, o San Siro (ou Giuseppe Meazza) e o Estádio Olímpico de Roma; na Alemanha, o Allianz Arena (Estádio de Munique) e o Estádio Olímpico de Berlin; e na França, o Stade de France.

(Obs.: As dimensões dos estádios aqui citados foram obtidas por meio do instrumento de medição do Google Earth e confirmadas ou nos
sites oficiais na Internet, ou então em outros, como, por exemplo, o da Enciclopédia Livre Wikipédia).

Com seus imponentes 110 metros de comprimento e 75 metros de largura, o Maracanã cria mais espaços do que se pode imaginar num primeiro momento.

Quem joga bola sabe, a diferença não é trivial.

Mesmo em relação ao padrão europeu (FIFA), a diferença que, inicialmente, parece pequena (de 05 metros no comprimento e de 07 na largura)
tem efeitos consideráveis na área do campo.

Neste caso, para cada metro acrescido na largura dos campos, expande-se a área em 105 m2.

A partir daí, para cada metro acrescido ao comprimento do campo, amplia-o em 75 m2.

Ao final a diferença total em termos de área entre o padrão consagrado pela FIFA e o padrão de excelência Mario Filho é de 1.110 m2.

(Obs.: os campos europeus citados têm uma extensão de 7.140 m2, enquanto o Maracanã possui 8.250 m2).

Em suma, há uma diferença de mais de mil metros quadrados de tapete verde à disposição dos jogadores para rolarem a pelota e perfurarem as defesas mais famosas; uma diferença que é maior que uma quadra de futebol de salão e até mesmo de um campo de futebol de areia.

(Mais precisamente, 01 quadra de futebol de salão inteira e mais 40% de uma outra; ou 01 campo de futebol de areia inteiro e mais 10% de outro).

Outra forma de se entender a diferença é perceber que, no caso do padrão europeu (FIFA), para marcar o campo inteiro cada jogador fica "responsável" em média por 649 m2 do campo, enquanto que no Mario Filho essa área expande-se em 100 m2 por jogador, ou seja, para 750 m2 de área/ jogador.

Prestem atenção que o glorioso Mario Filho é aqui comparado aos maiores e melhores campos europeus.

As diferenças em relação aos outros campos de menor porte tendem a se tornar, obviamente, colossais.

O Mario Filho, em síntese, é capaz de transformar a Muralha da China numa Linha Maginot.

Não há adversário que resista a ele.

Imaginem o que fariam o Ronaldinho, Robinho, Ronaldo ou Kaká, se dispusessem, todo domingo, de um Maracanã?

Viva o Romário, que foi jogar nos estádios europeus e se deu conta de que o padrão de excelência está aqui, voltando no ápice da forma e da carreira para gozar daquilo que só nós brasileiros podemos proporcionar aos craques, nada mais nada menos do que o maior e melhor palco do futebol mundial.

Dê um Maracanã a um craque, e ele lhe proporcionará tardes inesquecíveis.

Danem-se literalmente os zagueiros, os volantes e os técnicos "modernos" que adoram gozar do sentimento de que tudo está dominado ou preste a ficar.

Eles é que fiquem com os buracos nas costas dos laterais, com a impossibilidade de uma cobertura, com o problema de se conceder mais espaço aos gênios dos pequenos espaços. Padeçam no inferno de um campo de futebol de tamanho.

No Brasil, um país em que para muitos "um drible bonito é mais bonito do que um gol" (palavras do Macunaíma dos Gramados, Dener, ex jogador da Portuguesa, do Grêmio e do Vasco. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=YW9FmXehQd8), o pânico decorrente da falta de controle, pelo sentimento de humilhação eminente diante de um elástico ou de uma pedalada, talvez, explique a violência contra o craque cruzeirense Kerlon, o ódio visceral com que os brucutus atleticanos tentaram intimidá-lo, assim como o sentimento corporativo dos zagueiros nas "mesas redondas" de futebol perante o imarcável.

O desespero é tanto que se tenta imputar regras tácitas, que vão além das definidas pelo próprio jogo, para coibir o que, para eles, está além de suas possibilidades.

Talvez nada seja mais humano do que o pânico de ser humilhado perante um público de milhares e da foto e da manchete estampadas no dia seguinte nos jornais e sites esportivos, como também nada mais medíocre e revelador do que a fuga para a violência.

Este é o problema de que padecem os gênios ao expor a mediocridade de seus pares, que no caso do futebol no Brasil ganha proporções do tamanho de seus estádios mais importantes.

(Em tempo: o Mineirão tem as mesmas dimensões do Glorioso Mario Filho, assim como o Serra Dourada (GO) e o Castelão (CE)).

Observação do blog: O autor, economista carioca, de 32 anos, agradece a correção e comenta que "de fato, não pegou bem".

Já eu diria que mais vale a reflexão que o equívoco corrigido.



A regra número 1

Por ROBERTO VIEIRA

Quando Jorginho, o auxiliar-técnico da seleção de Dunga, reclama das condições do gramado do Maracanã para o jogo do Brasil contra o Equador ninguém fica surpreso.

O país pentacampeão do mundo nunca deu importância à regra número 1 do futebol.

A regra que trata dos campos de futebol.

Mas como não?

Então nós não possuímos pirâmides espalhadas nos quatro cantos de Pindorama?

Temos.

E os campos têm as dimensões exatas da FIFA.

Todos têm barra, rede e bandeirinhas de escanteio.

Todos têm círculo central e meia-lua.

Mas vá jogar bola neles!

Alguns se parecem com campos de baseball tal a quantidade de terra.

Outros lembram campos de golfe. Volta e meia um buraco.

Tem aqueles de grama alta e fofa como uma floresta tropical.

Além dos que tem somente o velho e tradicional capim.

Muitas vezes ficamos na dúvida se a habilidade dos nossos craques é genética ou fruto das adversidades do terreno.

Claro que nos últimos quarenta anos os nossos gramados evoluíram.

Eu não serei tão radical para afirmar o contrário.

Porém se fossemos justos, Friedenreich, Romário e Pelé não seriam os maiores goleadores do nosso futebol.

Tal honra caberia ao ilustre Morrinho Artilheiro.

Por Juca Kfouri às 09h20

45 anos atrás, Santos campeão mundial

Há 45 anos, o auge do futebol-arte

Por ODIR CUNHA

Em 11 de outubro de 1962, uma quinta-feira como hoje, na velha e bela Lisboa iluminada pela magia de um futebol que nunca mais se viu, Benfica e Santos fizeram a segunda partida da decisão do Mundial Interclubes. Ah, tempos que lembrados agora parecem sonho, pois vivia-se o deslumbramento do futebol-arte! Santos e Benfica falavam não só o mesmo apaixonante idioma de Camões, mas também compartilhavam a mesma linguagem da beleza, da classe, da coragem e do jogo limpo. Um verdadeiro encontro de dois mundos gêmeos, que não pode jamais ser esquecido.

Como esquecer uma partida que tinha Pelé e Eusébio no esplendor de suas carreiras? Que tinha o Santos, base da Seleção Brasileira bicampeã do mundo, contra o Benfica, autêntica Seleção de Portugal, que desfrutava o melhor momento de sua história? Como não fechar os olhos e imaginar o Estádio da Luz iluminado pela magia dos craques?

Nunca me conformei de que esta data passasse batida na história do Santos e do futebol brasileiro. Mais do que representar a primeira vez que um time nacional se tornou campeão do mundo, ela simboliza uma época que dificilmente será revivida. Quem viu, viu. Quem não teve a benção de ver, só mesmo através da literatura.

Por isso decidi pesquisar mais sobre o jogo, sobre aquela época, e escrever "Donos da Terra", a ser lançado nos próximos dias pela Editora Realejo, ou Realejo Livros, de Santos. Neste momento, o editor de arte Luis Carlos Almeida está juntando palavras e imagens que logo estarão à disposição dos santistas e dos amantes do futebol. Santos tem a sorte de ter uma Editora como a Realejo, do jovem e idealista José Luiz Tahan, que preserva as boas coisas da cidade em obras esmeradas, imprescindíveis.

O melhor do livro

Se me perguntassem o que o livro tem de melhor, eu responderia:

1 - O depoimento de jogadores do Benfica que participaram da partida, tais como: Eusébio, António Simões, José Augusto, Humberto Fernandes e Fernando Cruz

2 – Fotos inéditas, extraídas de fotogramas do Canal 100.

4 – Cobertura da partida, com fatos anteriores e posteriores ao evento.

5 – Uma boa visão daquele dia, mês e ano, dos acontecimentos daquele início de anos 60.

6 – A beleza da edição de arte.

7 – A concisão, o texto enxuto e, por conseqüência, uma obra sem exageros também no preço, que caberá no bolso de todo leitor.

Ficha técnica

Benfica 2, Santos 5

Primeiro tempo: Benfica 0, Santos 2.

Data: 11 de outubro de 1962 (quinta-feira)

Horário de Lisboa: 22 horas.

Horário do Brasil: 19 horas.

Local: Estádio da Luz, Lisboa.

Árbitro: Pierre Schinter (França), auxiliado por Steiner e Boalilou.

Público: Cerca de 80 mil pessoas, com 73 mil pagantes.

Renda: 2,5 milhões de escudos.

Benfica: Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Caven e Jacinto; José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Riera.

Santos: Gilmar; Olavo, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Luís Alonso Peres (Lula).

Gols: Pelé, aos 17 e 26 minutos do primeiro tempo; Coutinho, aos 3, Pelé, aos 19, Pepe aos 31, Eusébio, aos 41, e Simões aos 44 minutos do primeiro tempo.

Texto de Quarta Capa

Vai começar o espetáculo!

11 de outubro de 1962, Estádio da Luz, Lisboa.

Em um jogo deslumbrante, o Santos goleia por 5 a 2 o Benfica, bicampeão europeu, e se consagra o primeiro time brasileiro campeão do mundo. Pelos comentários dos jogadores, do árbitro e da imprensa dá para se ter uma idéia do impacto que aquela partida provocou no mundo do futebol.

"Um espetáculo. Foi uma noite excepcional do futebol. Mesmo perdendo por 5 a 2, nós não nos sentimos derrotados. Saí de campo com uma impressão diferente do que era futebol. O Santos era superior porque tinha jogadores excepcionais. O Santos tinha um time maravilhoso" (José Augusto, ponta-direita do Benfica e da Seleção Portuguesa).

"É muito difícil encontrar tanto craque, tanto jogador inteligente como naquele time. Eu comparo o Santos de 62 com a Seleção do Brasil de 70. Considero as duas as melhores equipes de futebol que eu vi até hoje. A Seleção de 70 é a confirmação de um modelo de jogo que o Santos já vinha demonstrando há muito tempo" (Simões, ponta-esquerda do Benfica e da Seleção Portuguesa).

Sim, neste momento o Santos é imbatível. Seus jogadores se aplicam com ardor, não me parece viável que algum time posso vencê-lo" (Vittorio Pozzo, técnico bicampeão mundial pela Itália em 1934 e 38).

"Em cada posição o Santos tinha jogadores extraordinários, mas foi o Pelé que fez mais. O Pelé é um jogador como ainda não conheci. Ele estava impossível de ser marcado" (Humberto, zagueiro-central do Benfica).

"Mas não era só o Pelé. Tinha o Pepe, o Zito, o Coutinho, o Dorval... Era uma equipe extraordinária" (Fernando Cruz, lateral-esquerdo do Benfica e da Seleção Portuguesa).

"O Santos é uma equipe quase perfeita. Joga sereno, seus homens sabem se desmarcar e fazer passes, todos eles possuem um controle de bola excepcional" (Matt Busby, técnico do Manchester United).

Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved (Gabriel Hanot, editor do L’Équipe).

"Foi a melhor partida que vi em toda a minha vida" (Pierre Schwinte, árbitro do jogo).

"O Brasil tem também o melhor clube do mundo"

(France Football, França).

"O que se pode dizer do Santos? Ontem, qualquer equipe teria sucumbido sob sua potência" (Diário de Notícias, Portugal).

"Não há nem pode haver melhor" (Gazeta Esportiva, Brasil).

O fatos do dia, do mês, do ano, os preparativos para o grande confronto, os elencos fantásticos de Santos e Benfica, os geniais Pelé e Eusébio, os lances da partida – enfim, neste livro você terá todas as informações sobre um dos jogos mais importantes da história do futebol, aquele que marcou o auge da era do beautiful game e consagrou o primeiro time brasileiro campeão do mundo, o insuperável Santos de Pelé.

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Odir Cunha é autor de "Time dos Sonhos, a história completa do Santos F.C"; "Pedrinho escolheu um time" e "Heróis da América, a história completa dos Jogos Pan-americanos".

Nota do blog: Um dia ouvi de Pelé que esta partida diante do Benfica foi a melhor exibição de um time que ele viu em sua vida.

 

Por Juca Kfouri às 08h52

O futebol nos limites da razão

Por ROBERTO VIEIRA

Em 2005 o Santa Cruz foi campeão vencendo os dois turnos.

Em 2007 foi a vez do Sport.

Baseada nestes exemplos a Federação Pernambucana foi buscar no passado de tabelas geniais uma fórmula para dar emoção ao campeonato estadual.

Três grupos. Seis quadrangulares. Um Hexagonal.

E ainda assim pode ser que nenhum clássico venha a ocorrer em 2008.

Nada de pontos ganhos e pontos perdidos.

Jogos de ida e volta.

Turno e returno.

Final com os ganhadores dos turnos.

Nada de dar a taça pra quem somar mais vitórias.

Tudo isso é muito simples.

Coisa de europeu terceiro-mundista.

A nova fórmula aprovada na quarta-feira é simples como ler Immanuel Kant.

Eu escrevi 'ler Immanuel Kant'.

Porque entender são outros quinhentos!


Por Juca Kfouri às 23h27

Barcelona prova que é possível

O caso Barça

Por VICENTE CRISCIO

Vamos falar de gestão!

O Corinthians acabou de eleger um novo Presidente. E um dos candidatos chegou a comentar que a referência deles seria o Palmeiras, pelo processo de reestruturação que estava em andamento. Reserve esse parágrafo...

O Luis Fernando, palestrino, consultor e colaborador do blog, enviou um material da Deloitte sobre o ranking das receitas dos clubes europeus. A Deloitte é uma das maiores empresas de auditoria e consultoria do mundo e a maior em consultoria no esporte, principalmente na Europa.

O relatório mostra o caso do Barcelona e a reestruturação realizada em sua gestão a partir do ano de 2002/03. Agora pode juntar o parágrafo lá de cima.

A pergunta é: pode um clube social promover uma mudança no seu modelo de gestão a ponto de transformar chumbo em ouro? de sair de dívidas? de ser rentável? e tudo isso investindo no seu principal produto: futebol?

VAMOS AO CASO DO BARCELONA

Só relembrando aqui: o Barcelona se caracteriza como um Clube Social, não tem ações em bolsa, os sócios elegem o Presidente e a Diretoria Executiva, e estes - Presidente e Diretoria - são remunerados e trabalham em tempo integral no clube.

CONTEXTO DO BARCELONA AO FINAL DA TEMPORADA 2002/2003

- Pior posição da Liga Espanhola desde 1987/1988;

- As receitas eram de 123 milhões de euros, menos da metade do Manchester United;

- O Barcelona ocupava a 13a. posição no ranking das receitas da Liga

- Os salários dos jogadores somavam 110 milhões de euros (88% das receitas);

- O clube tinha tido um prejuízo operacional de 72 milhões de euros naquele ano fiscal;

- As dívidas chegavam a 186 milhões de euros (151% das receitas anuais).

O INÍCIO DA MUDANÇA

Em junho de 2003 Joan Laporta foi eleito Presidento do clube, com um time de jovens empreendedores.

Iniciou a implementação de um radical programa para melhorar a situação financeira do clube e o desempenho esportivo do time de futebol.

O processo teve como premissa básica a MANUTENÇÃO de DOIS PRINCÍPIOS BÁSICOS:

- Futebol Espetacular;

- Comprometimento com o clube social e suas raízes.

O processo de mudança tinha duas opções (quem já teve a oportunidade de participar em processos de reestruturação de empresas já experimentou essas alternativas):

1. OPÇÃO NATURAL: ORTODOXIA

- Impor uma forte redução de custos;

- Investir de forma moderada no futebol.

Essa opção era financeiramente a mais segura e para um líder conservador seria a opção natural. Se desse errado, ele poderia justificar que tinha que ser conservador pelas questões financeiras e os possíveis resultados ruins do time seriam justificados.

A opção não foi adotada!

2. OPÇÃO AGRESSIVA: TOTAL TRANSFORMAÇÃO DO MODELO

- Impor uma profunda mudança na gestão do clube, com a troca de 7 do total de 9 executivos antigos;

- Adotar um planejamento baseado em ação/revisão, corrigindo os desvios de rota e adotando um modelo de aprendizado contínuo;

- Recrutar pessoas seniores para a gestão de todas as áreas do clube;

- Revisar os processos operacionais, instigando o controle de custos e o aumento sustentável das receitas;

- Implementar profundas mudanças na gestão esportiva.

Essa foi a opção adotada. Mais agressiva não é? Mas vamos ver quais foras as profundas mudanças implementadas na gestão esportiva.

QUAIS FORAM AS MUDANÇAS ADOTADAS NO FUTEBOL?

1. Mudanças no comando técnico e na equipe com introdução de remuneração variável

1.1 Contratação de Frank Rijkaard, Ronaldinho, Rafael Márquez

1.2 Saída de jogadores com altos salários e baixa performance

1.3 Introdução de um modelo variável de remuneração aos jogadores baseado em desempenho

1.3.1 Protegia o modelo de negócios contra as flutuações de receitas e incentivava os jogadores

1.3.2 Contratos incluíam pagamentos fixos e bônus, baseados no desempenho do time e individual

2. Gestão da dívida

2.1 Acordo financeiro assinado com os bancos em janeiro/2004

2.2 Alongamento da dívida e refinanciamento para os investimentos

Empréstimos de € 150 M

Ao final da temporada 2005/2006 18% dos salários estavam ligados ao desempenho do time e outros 18% ligados ao desempenho do jogador.

QUAIS OS RESULTADOS?

As receitas em 2003/2004 cresceram 37%. Despesas com salários de jogadores caíram para € 85 M, representando 50% da receita. O lucro operacional foi de € 6,7 M (lembram que ele tinha prejuízo operacional de € 72 M?). As receitas cresceram continuamente nos anos seguintes e em 2005/06 representavam mais que o dobro comparando com 2002/2003.

Veja o quadro abaixo, com as receitas divididas em Matchday (dias de jogos), Broadcasting (transmissão de TV) e Commercial (patrocínio, publicidade, licenciamento, merchandising). 

Mas o desempenho esportivo chegou a superar tudo isso e criou o círculo virtuoso do futebol:

- 2º lugar no Campeonato Espanhol em 2003/04

- Campeão Espanhol em 2004/05

- Campeão da Champions League em 2004/05

- Campeão Espanhol em 2005/06

Mais: no período 2005/06 o Barça ficou em 2o. lugar no ranking da Deloitte em receitas (€ 259 M) atrás apenas do grande rival Real Madrid (€ 292 M). Lembra que o Barça era menos da metade do Manchester? O Barça terminou o período com € 16 milhões a mais de receita que os diabos vermelhos.

A história é de arrepiar o amante do futebol bem jogado dentro e fora de campo.

E por que o Palmeiras não consegue fazer isso? Ou consegue? Qual a sua opinião?

Saudações Alviverdes!

http://terceiraviaverdao.blogspot.com/2007/10/o-caso-bara.html

 

Por Juca Kfouri às 23h25

10/10/2007

Outra vez, o São Paulo caiu

O primeiro tempo são paulino foi sofrível.

Não correu nenhum risco, é verdade, mas chance de gol real mesmo só teve uma, com Souza, na cara do goleiro, bem no finzinho.

Até aí, tinha chutado de longe, tinha ameaçado alguma coisa aqui ou ali, mas nada muito agudo.

No segundo tempo, não.

O time foi para cima e criou pelo menos quatro chances muito claras de gol.

Aos 5, Jorge Wágner bateu falta e Miranda desviou de cabeça, rente à trave.

Aos 7, Hugo fez linda jogada com chapéu pela esquerda e Tardelli cabeceou mal embaixo da trave.

Aos 20, foi a vez de Aloísio, que entrou no lugar de Tardelli, proporcionar bela defesa ao goleiro do Millonarios.

E, aos 23, Aloisío botou, com um passe de peito, Júnior na cara do gol, mas o ala chutou por cima da entrada da área.

Era o terceiro jogo seguido do tricolor sem fazer um mísero golzinho.

E como miséria pouca é bobagem, aos 39, em contra-ataque, Zapata, que acabara de entrar, chutou a primeira bola colombiana ao gol de Bosco e acertou em cheio: 1 a 0.

O 0 a 0 que já era um castigo porque, no mínimo, 2 a 0 seria o placar razoável, virou 0 a 1, como diante de Flamengo e Corinthians.

Em sete jogos contra os colombianos, o São Paulo venceu apenas um, empatou quatro e perdeu o segundo.

E, no jogo de volta, além do Millonarios, tem a altitude de Bogotá para superar.

Antes, já no sábado, tem o Fluminense no Maracanã.

E, no outro domingo, o Cruzeiro, no Morumbi

É bom abrir os olhos.

Bem abertos.

Por Juca Kfouri às 22h33

Outra vez, um desafio para o Vasco

O Vasco fez um bom primeiro tempo, criou as mesmas três chances de gol que o América criou, Leandro Amaral sofreu pênalti não marcado, mas, como é freqüente, correu demais na altitude da Cidade do México.

E sentiu no segundo tempo.

Mais ainda depois de sofrer, de cabeça, em cobrança de escanteio, logo aos seis minutos, o gol mexicano.

Para piorar, porque falta de oxigenação também complica o raciocínio, Júlio Santos foi expulso em maldade desnecessária, com o jogo interrompido.

Aí, a porteira abriu.

E veio o segundo gol, aos 33.

O Vasco terá que repetir a atuação histórica diante dos argentinos do Lanús, quando também perdeu por 2 a 0 o primeiro jogo e virou em São Januário com um 3 a 0.

Por Juca Kfouri às 22h28

Justiça penhora rendas do São Paulo

A Justiça Federal determinou a penhora de 20% do faturamento da bilheteria dos jogos mandados pelo São Paulo até o final do Campeonato Brasileiro.

Mesmo diante das alegações do clube de adesão à Timemania, o Judiciário manteve a decisão da juíza Ana Lúcia Jordão Pezarini.

O São Paulo devia aos cofres do INSS a quantia de R$ 4.595.672,36 e negociou seu parcelamento.

Mas deixou de pagar as parcelas nos últimos 12 meses, o que resultou em débito de R$ 1.315.407,50, ora cobrados.

O procurador do INSS que conduziu o caso e obteve ganho de causa, Murillo Giordan, é ardoroso torcedor tricolor.

 

Por Juca Kfouri às 22h18

Pesquisa Datafolha

Está abaixo, outra vez, o endereço para quem quiser ver a pesquisa completa do Datafolha de setembro deste ano, analisada, mais no que diz respeito aos clubes paulistas, por Mauro Paulino, diretor do instituto, três notas abaixo:

http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=510

Por Juca Kfouri às 17h54

Para as crianças são-paulinas

Aproveitando-se do Dia da Criança, a W/Brasil criou para Reebok as duas camisas acima para alegrar a garotada tricolor.

Ambas com todas as imperfeições dos desenhos infantis e, sem dúvida, criativas.

Por Juca Kfouri às 15h37

Cadê o pôster do Porto?

Por FELIPE AUGUSTO MARX

Meu pai era advogado, mas um dia teve um ataque megalomaníaco e resolveu comprar um restaurante que ficava no mesmo prédio de seu escritório – o Scotch Bar, que foi criado pelos ex-funcionários da casa de chá do antigo Mappin, na Praça Ramos de Azevedo, no Centro Velho de São Paulo.

Dentre os funcionários da casa, havia um tipo inconfundível – o Jaime, que era barman. O Jaime era português, morava há não sei quantos anos no Brasil. Nunca entendi muito bem o que houve, mas aparentemente por um problema com a família, ele perdeu o que tinha em Portugal, e ficou por aqui sem grana, esposa ou filhos. Morava em uma pensão, e por um tempo chegou a dormir no próprio restaurante. Já tinha seus 60 anos.

Era baixo e muito magro. "Feio" é um termo vago e indelicado, mas não me ocorre outro para descrever o seu rosto: pálpebras caídas, nariz grande, queixo fino, e um cabelo bem preto de lado – sabe Deus se não era uma peruca.

Era a imagem da rabugice e do enfado, parecia mesmo um barman de filme noir. Vivia dando corridas em mim e nos meus irmãos quando a gente resolvia remexer no bar – pra mim o uísque do bar era o de menos, eu queria mesmo era ver se tinha Ginger Ale, que de vez em quando eles compravam.

Só tinha uma coisa que era capaz de trazer-lhe algum prazer, alento ou conforto: o Futebol Clube do Porto.

O Jaime era portista até os ossos e comprava um jornal português chamado A Bola não uma mas três vezes por semana (era a periodicidade do jornal) na Banca do Gaúcho, na avenida Ipiranga - tudo pra acompanhar o Porto. Não sei se ele sempre gostou de futebol a esse ponto ou se acompanhar o time do coração dele era a forma de estar ligado à terra-mãe, mas fato é que a sua leitura do jornal, que eu acompanhava meio às escondidas, era o que o deixava melhor.

Apesar desse seu amor pelo futebol – ou talvez por isso mesmo – ele não me emprestava os malditos jornais. Eu tinha que encher muito o saco dele pra ele praguejasse e os deixasse em cima do bar, pra que eu desse uma olhada. E eu não olhava – eu devorava, anotava as escalações pros meus times de botão, os desenhos das camisas e os patrocinadores.

Aos poucos, tamanha devoção foi gerando certa tolerância aos meus pedidos de empréstimo. Mas não resultou em nenhuma melhora no seu humor: eu chegava na segunda-feira, todo pimpão, puxando assunto sobre os jogos, mas sua reação era a de ralhar alguma coisa sobre a atuação do time, mesmo quando ganhava.

Um dia, o Jaime me chamou, dizendo que tinha uma coisa para mim. E me entregou um pôster do Porto campeão europeu de 1987. O pôster era simples, desses de página de revista, mas estava enquadrado e envidraçado com cuidado, numa moldura de madeira branca pintada de azul. Devia ser a coisa mais importante da vida dele - até hoje eu penso se foi ele quem emoldurou ou se algum parente mandou para ele, um filho, um neto? – e ele estava me dando de presente.

Não lembro muito bem o que eu disse – devo ter falado que não podia aceitar. Só me lembro dele dizendo para eu aceitar sim, com um sorriso meio encabulado que eu nunca tinha visto na vida e não imaginava que fosse ver. Sorriso mesmo, com a boca – não com os olhos, não dava pra ver seus olhos de tão caídas que eras suas pálpebras. Sorriso de se abandonar o Benfica – era o meu time de botão favorito – para se transformar em portista fervoroso. Sorriso de se crer o tutor da coisa mais preciosa do mundo. Sorriso de se orgulhar por reconhecer a ternura no lugar supostamente mais inóspito. Sorriso de se acreditar na espécie humana.

Depois disso eu viajei pra Europa, e durante a viagem, o restaurante fechou e não tornei mais a ver o Jaime. Soube que ele faleceu há uns 10 anos atrás, acho.

E não sei por quê, estava tomando banho agora há pouco e me veio a falta do pôster. Tomara Deus que esteja na casa da minha mãe – não lembro de ter vindo com a mudança, acho que está no meu antigo armário, acho que ainda está lá sim. Não vou me perdoar se eu o tiver perdido. Se eu perder esse pôster, vou me sentir como um pai desnaturado, uma criança descuidada, Pequeno Príncipe sem rosa. E vou tomar uma senhora corrida do Jaime, tenho certeza disso.

http://www.minhascamisas.com.br


Por Juca Kfouri às 12h12

'Eu joguei dopado'

 

Por NIVALDO PEREIRA

O Arsenal era o time de futebol dos pescadores de Zumbi.

Vestia camisas brancas com uma faixa diagonal vermelha.

O calção podia ser de qualquer cor.

Sua gênese: a presença de marinheiros ingleses de passagem "por aquelas bandas".

Zumbi é uma entre tantas praias deslumbrantes no Rio Grande do Norte.

Próxima ao Cabo de São Roque, perto de Natal e distante de Deus, posição que orientaria a estratégia americana na II Guerra Mundial ao construir uma base militar no litoral brasileiro, logística de suprimento aos aliados nos front europeu e africano.

Mas não é de guerra e menos dos yanques que recordo.

Lembro e jamais esquecerei da arrogância do Botafogo, time de Pititinga, principal adversário do saudoso Arsenal.

Pititinga, a uma légua de Zumbi, era uma comunidade desenvolvida: tinha escola com primário, estrada e marinheiros aposentados, que viajaram por um bocado de lugar.

Falam , mas não acredito, que alguns pititingas foram ao estrangeiro.

Povo besta. Besta, mentiroso e ruim de bola.

O Arsenal surrava o Botafogo todo mês, doze vezes por ano.

 Em nossa casa e no chiqueiro deles.

Fazíamos a barba com os aspirantes e o cabelo com os titulares.

O aspirante do Arsenal era tão bom que formou um time dissidente chamado de Calor do Ar, porque ganhou umas camisas azuis de um tenente da FAB que um dia se perdeu, apareceu lá em Zumbi, tomou umas cachaças com peixe frito e ficou amigo dos zumbis, povo simpático e acolhedor.

Mas voltemos às surras que a gente dava nos vizinhos .

Cansados de apanhar, os pititingas passaram a enchetar o Botafogo com jogadores de Natal e de outras redondezas.

Até jogador de federação, que já dera entrevista na Rádio Cabugi, eles trouxeram, pagando, não sei como, para marcar nossos craques: Betinho, Catimbira, Mané Sabina, Chico de Lina, Bubu, Chico de Pedro... sem esquecer General, filho de Mane Baú, um goleiro tão bom que só não ficou no Alecrim de Natal porque teve saudade da namorada, essas coisas que ocorrem também com profissional do Rio e de São Paulo que vai pro exterior. General era melhor do que Gilmar.

Enchetado de jogador de federação o Botafogo passou a vencer o Arsenal.

De fevereiro a julho ganhou quatro e empatou duas.

Até goleada teve e isso me envergonho de contar.

Foi quando procuramos ajuda do tenente da FAB.

O Arsenal tinha de melhorar o "rendimento físico", diagnosticou o milico enfático: "esse time de Pititinga tá cheio de jogador dopado. Vocês têm que se dopar também".

Falou com a segurança de um tenente da Aeronáutica e foi embora.

No domingo, mais um Arsenal X Botafogo, no chiqueiro deles.

Nossa torcida pedia vingança, maneira de jogar na cara dos pititingas o mofo da arrogância e passar o mês de agosto sorrindo e contando lorotas.

Sábado, véspera do clássico, pátio da capela, tradicional lugar para os acertos finais.

Pedro Neves, um comunista receitador de remédio que chegou em Zumbi ninguém sabe como trouxe a fórmula do doping que permitiria ao Arsenal enfrentar o Botafogo em pé de igualdade: seis latas de goiabada cascão e doze melhoral, comprados na bodega de Nezinho e ingeridos ainda no sábado.

O restante dos entorpecentes foi adquirido clandestinamente e tomado atrás de uma moita pouco antes do jogo: l5 garrafas de coca-cola e meio quilo de sal.

Ingerimos a mistura e partimos pro jogo.

Ganhamos na bola e no pau.

Três gols de Catimbira.

Trinta anos passados ainda temo a apresentação de recurso ao STJD.

Os pititingas são chegados a essas coisas de leis.  

Por Juca Kfouri às 23h38

Torcida jovem

Por MAURO PAULINO, diretor do Datafolha.

Especial para o Blog do Juca.

Há algo que nos últimos 14 anos não mudou na cabeça dos brasileiros: seus times de preferência.

Nesse período alguns clubes conquistaram os mais cobiçados títulos, outros enfrentaram jejuns e crises históricas.

Nada interferiu na distribuição das torcidas pelo país.

Em 1993, quando o Datafolha fez a primeira de sua série de pesquisas sobre as predileções clubísticas dos brasileiros, o Flamengo ocupava a primeira colocação com 17% das menções, enquanto o Corinthians era citado por 10% dos que tinham mais de 16 anos de idade.

No levantamento mais recente, feito em agosto deste ano, o Flamengo continua com os mesmos 17% e o Corinthians varia apenas dentro da margem de erro estatística chegando a 12%.

Mesmo o São Paulo, com todas as conquistas obtidas nesse período, não apresenta variação significativa e contínua que possa caracterizar crescimento.

Alguns acreditam que se as pesquisas fossem feitas também com jovens a partir de 12 anos os resultados captariam a possível ascensão dos são paulinos.

Até aqui os números não confirmam esse argumento mas sinalizam uma boa notícia para eles.

No final de 1993, um ano após a conquista do primeiro título mundial e às vésperas do bicampeonato, o São Paulo contava com 8% dos torcedores entre os brasileiros mais jovens, com idade entre16 e 24 anos, número muito próximo dos 7% obtidos no total naquele ano.

Sete anos depois, passada a era Telê, outra pesquisa do Datafolha mostrava que a fatia mais jovem da torcida tricolor crescera para 12%.

Não foi o suficiente para alterar o seu percentual total mas, a partir daí o São Paulo passou a figurar em todas as pesquisas seguintes, junto com Flamengo e Corinthians, entre os únicos times com torcida acima da média nesse segmento.

Até aqui, São Paulo e Palmeiras permanecem empatados em 8% na terceira colocação do ranking de torcidas em todo o Brasil.

Mas o São Paulo leva vantagem entre os jovens (11% a 9%) enquanto o Palmeiras fica à frente entre os que têm mais de 60 anos (8% a 3%).

Nos próximos anos saberemos se essa característica somada ao tricampeonato mundial e aos feitos de Rogério Ceni serão suficientes para isolar os são paulinos como a terceira maior torcida do país.

O que a série de pesquisas revela de certo é que mesmo com o êxodo dos ídolos para o exterior e a interminável desorganização do futebol brasileiro, os jovens entre 16 e 24 anos são os que demonstram maior interesse pelo esporte, são os que mais freqüentam estádios e os mais assíduos espectadores dos jogos na TV.

O país do futebol deveria oferecer coisa melhor para essa insistente galera.

Se você quiser ver a pesquisa completa, entre no endereço abaixo:

http://datafolha.folha.uol.com.br/po/ver_po.php?session=510

Atenção: o endereço que estava aqui remetia à pesquisa de 2006 e, por isso, foi retirado.

Daqui a pouco publicarei o correto.

Por Juca Kfouri às 23h00

09/10/2007

Sanchez presidente

E deu Andrés Sanchez.

Como se previa.

Resta que cumpra metade do que prometeu e que seja fiscalizado de hoje até janeiro de 2009, quando terminará este mandato tampão.

Com respeito, é claro, ao que o Conselho (347 votos) do clube decidiu: 175 votos para Sanchez, 158 para Paulo Garcia, mais 14 votos a para Osmar Stábile e três abstenções.

Por Juca Kfouri às 21h12

Uma boa e uma má notícia

A boa: até as 17h, duas horas antes de começar a eleição no Corinthians, entre as indicações válidas neste blog, Paulo Garcia vencia por 135 a 7.

Na sondagem do UOL, ele também vencia, mas por 30% a 21% dos votos, com mais de 8 mil internautas se manifestando.

A má notícia: das "Diretas Já" à cassação de Renan Calheiros, passando também por uma célebre eleição no Corinthians, em 1985, entre a Democracia Corinthiana x conservadores, a vontade popular invariavelmente é derrotada seja no Congresso Nacional, seja nos conselhos dos clubes de futebol...

Pessimismo?

Talvez.

Mas pode ser só realismo.

Por Juca Kfouri às 17h24

Enquete só para corintianos

Quem você prefere que ganhe a eleição no Corinthians: Andrés Sanchez ou Paulo Garcia?

Por Juca Kfouri às 12h13

O Bahia de Todos os Santos

Por ROBERTO VIEIRA

1960. Maracanã.

Pela primeira vez um time do Nordeste atua no maior do mundo.

E o faz em grande estilo.

Com Todos os Santos e a Mãe Menininha.

O Bahia de Todos os Santos bate o Santos por 3x1.

É o primeiro campeão da Taça Brasil.

O que poderia um Santo contra todos?

No último domingo o Bahia entrou novamente em campo.

E venceu o Fast por 1x0.

Com um gol aos 50 minutos do segundo tempo.

Cercado de mistérios por todos os terreiros.

Mas não houve canto nas igrejas de Salvador.

Não houve festa.

Embora não faltassem velas acesas.

Porque o Bahia de hoje não é o Bahia de Todos os Santos.

Não é o Bahia de Bobô e Alencar.

Os santos ainda protegem o Bahia.

Mas os 8 mil torcedores que sofreram na Fonte Nova nesse domingo sabem.

Este não é o Bahia de Todos os Santos.

Por Juca Kfouri às 11h57

Um brasileiro desolado na Europa

Por GUSTAVO VILLANI, de Madrid

Duas conclusões: o futebol da Seleção Brasileira é reconhecidamente forte, a principal bandeira cultural do País ao lado da música. Já o futebol brasileiro em si é fraco, digno de poucas linhas nos jornais, o que justifica em boa parte a falta de conhecimento das pessoas por aqui. É incompreensível o porquê de um campeonato tão competitivo, como Brasileirão, não ser seguido mais de perto.

Na Espanha o milésimo gol de Romário foi o que mais chamou atenção nos últimos sete meses, mesmo assim a notícia se limitou ao rodapé dos jornais ou aos últimos cinco minutos dos programas de rádio. Os resultados até que são divulgados, ao lado do campeonato turco, russo e por aí vai. Eles conhecem demais a vida dos craques brasileiros, mas duvido que se interem do atual momento do Grêmio e Santos, por exemplo. Em longa visita pela Inglaterra, a mesma coisa. As poucas linhas lidas nos últimos meses se restringiam ao grupo que se instalou no Corinthians, prisões preventivas decretadas pela Interpol, enfim, essa "beleza" toda que acompanhamos recentemente.

A falta de divulgação do futebol brasileiro não se limita a Europa, o que é ainda mais triste. O goleiro colombiano René Higuita, em entrevista ao repórter Bernardo Ferreira no site globoesporte.com perguntou se Rogério Ceni já havia ultrapassado os 41 gols dele, Higuita. Pois o são-paulino já quase dobrou a marca, com 76 gols, e é recordista mundial. Higuita joga na Venezuela, que faz fronteira com o Brasil. No velho continente, também nem se fala de Rogério Ceni, curiosamente uma das maiores atrações do futebol tupiniquim nos últimos anos. Desconfio que se jogasse no Velez da Argentina teria mais crédito, afinal, o futebol hermano é muito mais observado.

Refletindo, é possível pensar em falta de organização e credibilidade, mas se levarmos em conta a consolidação dos pontos corridos, e o aumento da média de público, esse descaso não seria tão absurdo. Então, imediatamente pode-se ventilar a escassez de bons jogadores e o sucateamento do nível técnico no Brasil, no entanto, o País ainda produz valores como Pato, Lucas, Ilsinho... É verdade que revela e logo exporta, mas até aí a Argentina também o faz. Fato é que o futebol brasileiro vive numa "bolha", alijado de qualquer outro universo. Tristes conclusões.

Por Juca Kfouri às 11h22

Média errada

Ao contrário do que este blog informou, a média de público da última rodada ainda não superou a casa dos 24 mil pagantes.

Houve erro na apresentação dos públicos em dois jogos, nos quais foram computados sócios ou não pagantes como tais.

Atlético Paranaense x Vasco teve 23.303 pagantes, e não 24.736, como computado.

Do mesmo modo, Inter x América, teve 14.508 e não 17.133.

Dessa forma, a média de público ficou em 23.773, apenas a maior do ano.

Por Juca Kfouri às 10h37

O Corinthians decide seu destino

Hoje tem eleição no Corinthians.

Concorrem três candidatos, dois com possibilidade de vitória: Andrés Sanchez e Paulo Garcia.

Sanchez foi entusiasta apoiador da parceria com a MSI, vice de futebol do destronado Alberto Dualib, que o apóia, teve uma conversa gravada pela Polícia Federal em que combinava seu depoimento à Justiça com o ex-presidente e é respaldado por gente boa de um lado e pelo que há de pior no Parque São Jorge, por outro.

Paulo Garcia tem como seu vice o presidente da Democracia Corintiana, Waldemar Pires, e o apoio de todos que se opuseram à parceria com a MSI.

Nenhum dos dois significa a modernização que o Corinthians necessita, mas Garcia é, de longe, a solução menos ruim.

O diabo está em que apenas 400 conselheiros decidirão o destino de uma paixão que envolve algo em torno de 25 milhões de torcedores.

Como quando houve eleições no Palmeiras, no Galo, no Santa Cruz, no Vasco ou a mobilização da torcida do Bahia, este blog avalia que tem a obrigação de dar sua opinião, sem disfarces.

Por Juca Kfouri às 23h56

08/10/2007

As mesmas paixões

...ou em homenagem ao futebol:

Por TIAGO DE SOUZA

Eu tenho um primo.

Naquelas coisas de família, tenho um primo doente (sim, a paixão pelo time de coração, em muitas oportunidades, tem sintomas doentio) pelo São Paulo.

Assim como meu avô, meu pai, minha mãe, meu tio, minha irmã...

E com ele costumo ver meu time em clássicos.

Nunca perdíamos, éramos invictos, imbatíveis juntos, era o que acreditávamos.

Vimos mais de dez clássicos juntos e em todos os sorriso aberto jamais deixou de aparecer ao final da partida.

E ontem fui ao Morumbi.

Na verdade, minha ida ao estádio começo no início da semana.

Nesse, de domingo, não queria ir.

Mas ele me liga na terça-feira avisando apenas que irá comprar nossos ingressos.

Pronto, já sabia que time venceria.

Era daquelas certezas que se tem, por exemplo, quando se encontra um grande amor.

Iria voltar para casa com sorriso no rosto novamente.

Eu tenho uma namorada.

E tenho uma namorada – na verdade meu grande amor –, corintiana, naquelas coisas que o Senhor Destino resolve aprontar na vida da gente, acredito eu, apenas para se divertir.

Imagino o Sr. Destino, um homem sisudo, barbudo, olhando esse "detalhe" da minha vida e, marotamente, sorrindo com a canto da boca...

Apesar de saber da minha doença, o futebol, especificamente o São Paulo, ela, a namorada, insiste na frase "eu odeio futebol".

Ora para me provocar, ora para criar intriga, ora por dizer a verdade.

Mesmo assim, convidei-a para assistir o jogo no estádio comigo.

Ela, sem pestanejar, topou.

Ah, Sr. Destino....

Iria, ao estádio, com meu amuleto chamado primo, ver meu time líder, pegar o rival combalido, com a namorada "eu odeio futebol" a tiracolo, e a convenceria, não só a gostar do futebol, como a mudar de lado, de torcida.

Torcer para quem vence é mais fácil, pensei.

Esquecendo a violência dos estádios paulistas, fui com ele, ela e mais tio, irmã, amigos...

Para todos seria um programa de fim-de-semana.

Para mim não!

Aquele seria o dia derradeiro, que eu inverteria aquilo que fazia o Sr. Sisudo-barbudo rir da minha vida.

Ficamos, é claro, no lado tricolor do Morumbi.

O meu primo, com uma cara preocupado, me avisa que um dos nossos atacantes não vai jogar e um zagueiro entrou no meio.

Mas nós, juntos estávamos lá, nada abalava minha certeza.

Sem entender aquela conversa, minha namorada também não se preocupou. Apenas observava com indiferença.

E ficamos bem perto da torcida adversária.

Faziam barulho.

Muito.

Até mais que a nossa superioridade numérica. Os rivais não ajudavam.

Mas e eu só esperava o momento da explosão. Do gol. Do nosso gol.

Daquele que a tocaria, vendo minha alegria, para nos unirmos ainda mais, até nas paixões.

E o jogo corria, mas nada do meu momento chegar.

E nesse tempo, eu ia imaginando a maneira de comemorar.

Dar-lhe um beijo longo, enquanto a massa explodia em êxtase?

Chorar de emoção?

 Fazia planos. Imaginava a vitória. Esplendorosa. Ela, a namorada, jamais imaginava, meus maquiavélicos pensamentos. Estava lá não sei por qual motivo...

E o jogo caminhava para um morno fim. Bom, pelo menos levei-a ao estádio, fiz aquilo que pensei que nunca aconteceria, comecei a pensar.

Mas, a poucos segundos de mudar uma história, enfim o gol.

Em vez de tornar realidade aquilo que planejei, apenas observo, atônito, a massa adversária vibrar. Não! Esse era o meu momento. Não podiam me roubar aquilo...

Atrás de mim, olho e vejo um sorriso.

Eu conhecia aquele sorriso.

Eu já tinha o visto na minha cara, na cara do meu primo, muitas outras vezes.

Mas dessa vez ele estampava o rosto (e que belo rosto) da minha namorada.

No primeiro instante, perguntei: "Por que fazes assim, Destino?"

Não entendia o sarcasmo.

De me fazer sofrer daquele jeito. Em estragar um enredo meticulosamente estudado.

O jogo acabou.

Frustado, olhei a decepção do meu primo, o ex-amuleto.

Perdemos...

Foi a primeira observação, sem compreender de fato o que estava ocorrendo.

Mas não, percebo que ganhei.

Porque, na demora em sair do estádio, olho a namorada, ex-"eu odeio futebol", encantada. Maravilhada.

Ela apenas observava a torcida, sempre adversária para mim.

Naquele momento, ao pé do meu ouvido, ela me pediu para um dia leva-la daquele lado. Falei que não. Mas da boca para fora.

Porque, ali, naquele instante, senti que dividíamos mais uma paixão.

Não seria pelo time, é claro, porque essa é uma coisa imutável, assim como o sentimento entre casais que se amam.

Mas pelo futebol, esse esporte que anseia multidões. A partir daquele momento, sei que ela passou a me entender.

Como um livro que tem vida própria e segue seu caminho à revelia do escritor, a minha vida tomou um rumo não planejado ontem.

Mas com um final surpreendente. E muito bonito.

Quem disse que ontem não saí vencedor?

É... meu primo me dá sorte sim! Sim, continuamos invencíveis juntos...

Agora eu tenho um primo, uma namorada, e os três uma grande paixão.

Aaahh, Sr. Destino, que sisudo nada tem,muito obrigado!!!

Por Juca Kfouri às 11h24

07/10/2007

A notícia da rodada é o Corinthians, sim senhor!

Tinha pouca gente a menos no Mineirão para Galo e Sport do que no clássico do Morumbi, entre São Paulo e Corinthians: 37.038 em BH e 38.325 em SP.

É a massa do Galo que resolveu apoiar agora para não ter de levantá-lo depois, no que faz muito bem.

E é a já tradicional fuga dos paulistanos dos clássicos, por causa da violência dos torcedores, como voltou a acontecer no Morumbi.

Mas gente mesmo tinha no Fla-Flu, novo recorde do Brasileirão, com 61.042 pagantes.

O menor público ficou por conta do Engenhão, com apenas 7.918 pagantes para Botafogo e Santos.

A média de público da 30a. rodada foi também a maior de todas e, pela primeira vez na temporada, com mais de 24 mil pessoas por jogo, 24.192 para ser exato.

Aliás, para os defensores do mata-mata: este quinto campeonato em pontos corridos já tem média de público maior que os três últimos campeonatos com mata-mata, em 2000, 2001 e 2002, que ficaram nas casas dos 11 mil e 12 mil torcedores por jogo.

O campeonato de 2007 já ultrapassou a casa dos 15 mil pagantes por partida, sem se dizer que bateu todas as marcas da compra de pacotes do pagar-para-ver da TV.

A rodada teve poucos gols, só 24.

E, a rigor, só tem seis times livres do rebaixamento, do São Paulo, com 63 pontos, ao Fluminense, com 47.

Porque do Sport, em sétimo lugar, com 42 pontos, para baixo todos ainda correm riscos, pois o Corinthians, o primeiro dos últimos, tem 37, apenas cinco a menos, quando faltam ainda oito rodadas.

E a briga pela Libertadores também anda dura, não se podendo mais afirmar que o Cruzeiro, apenas quatro pontos adiante do Grêmio, esteja garantido, tantos têm sido seus tropeços nas últimas três rodadas.

Mas notícia mesmo nesta 30a. rodada foi a vitória corintiana sobre o líder São Paulo, gol de Betão, aos 40 minutos do segundo tempo.

A vitória tricolor não seria notícia, por esperada.

A corintiana foi assim como se o homem mordesse o cachorro.

Agora, agüenta...

Nota do blog: esta nota foi corrigida, às 22h40, em relação ao público do Morumbi, maior em 2.126 pagantes do que estava originalmente.

Por Juca Kfouri às 20h29

No dia 7 de Afonso

Por ROBERTO VIEIRA

Como 7 são os dias da semana.

E 7 os dias da criação.

7 foram os gols de Afonso na sétima rodada do Campeonato Holandês.

Era o sétimo jogo de Afonso sem marcar.

7 palmos de um artilheiro.

E 7 as trombetas do Apocalipse que se anunciavam.

Ninguém acorda de manhã e vai pro campo dizendo: 'Hoje eu vou marcar 7 gols!'.

Pois não foram 6 gols. Nem 8.

Foram 7.

Um número cabalístico.

Como um ritual.

Um amigo me falou que os 7 gols foram feitos no Heracles.

O outro nome para o mitológico semideus Hércules.

E que Heracles não é imortal. É apenas o Íbis dos Países Baixos.

Tanto faz.

Não foram 6. Não foram 8.

Foram 7.

Pois hoje, adivinhem, também é o dia 7.

Por Juca Kfouri às 19h16

Flu letal!

O Maracanã, mais uma vez, estava abarrotado, com novo recorde de público, 61.042 pagantes, 73.616 presentes.

Aliás, o Maraca é palco dos sete jogos de maior público no Brasileirão, com o Fla em todos.

Quatro deles, clássicos cariocas, dois Fla-Flus, um Fla e Bota e outra Fla e Vasco.

Prova óbvia de que o Campeonato Brasileiro não diminui rivalidades locais, como gostam de dizer os que defendem os campeonatos estaduais.

E o Fluminense foi letal.

Fez 1 a 0 no primeiro minuto do primeiro tempo e fez 2 a 0 no segundo minuto do segundo tempo.

O primeiro com Somália, desviando uma bola alçada da direita mais de canela do que com o pé, o que matou Bruno.

O segundo em contra-ataque bem puxado por Arouca, que serviu Somália, que chutou nas costas de um zagueiro e a bola sobrou para o retornado Thiago Neves ampliar.

O Flamengo tinha tomado conta de parte do primeiro tempo, mas sem grandes oportunidades.

Que ficaram mais a cargo de Alex Dias, que perdeu dois gols imperdíveis, um no primeiro, outro no segundo tempo.

Aliás, o Flu sempre esteve mais perto do terceiro gol que o Fla do primeiro.

Por Juca Kfouri às 19h06

As bobeadas que o Cruzeiro dá

O Cruzeiro é impressionante.

Outra vez começou o jogo numa blitz danada ao criar três chances de gol e obrigar o goleiro Harlei, do Goiás, a trabalhar tanto que se machucou e teve de ser atendido por cinco minutos.

Mas, daí, o time pára e não cria mais nada, motivo das derrotas tanto para o Figueirense quanto para o Santos.

E por pouco, nos últimos minutos, não perdeu de novo, algo que deve ao goleiro Fábio, com duas defesaças.

Parece até que combinou com o São Paulo...

Os mineiros seguem em segundo lugar, mas a 11 pontos do líder, e apenas um e dois adiante de Santos e Palmeiras, embora a quatro do Grêmio.

 

Por Juca Kfouri às 19h02

Figueirense implacável

O Figueira nem deu bola para o Paraná Clube.

Ou melhor, deu quatro.

Todas nas redes paranaenses, duas vezes com Chicão aos 19 e 27 do primeiro tempo, e mais duas com Frontini, aos 26, e André Santos, aos 40 do segundo.

O alvinegro catarinense subiu para o nono lugar e livrou quatro pontos da Z-R.

Parabéns!

Por Juca Kfouri às 19h01

Mário Sérgio, o breve, e Cuca, o retornado

O Sportv acaba de informar que Mário Sérgio não é mais técnico do Botafogo.

Também, pudera.

Em três jogos, três derrotas.

E Cuca está de volta.

Só o conhecido equilíbrio de Carlos Augusto Montenegro para produzir esquisitices do gênero.

Por Juca Kfouri às 18h39

Anfitriões cumpridores

O Inter fez o que dele se exigia, com dois gols de cabeça, de Fernandão e Magrão, ainda no primeiro tempo, derrotou o América por 2 a 0.

O Galo também, ao virar para 3 a 1 o jogo que perdia para o Sport (Romerito) no Mineirão, com gols de Éder Luiz, Eduardo e Marinho, o primeiro no primeiro tempo, os dois últimos no segundo.

Também o Furacão, em casa, cumpriu seu papel ao vencer o Vasco, gol de Ferreira, aos 43 do segundo tempo, em falha clamorosa de goleiro Sílvio Luís, e deixá-lo mais perto da Z-R do que o rubro-negro estava.

 

Por Juca Kfouri às 17h05

Betão enlouquece os corintianos

O Corinthians teve disposição e sorte.

Disposição porque era só o que lhe restava.

Sorte porque além da já sabida ausência de Leandro, o São Paulo não pôde contar, na última hora, também com Dagoberto.

O que prejudicou demais a mobilidade tradicional do ataque tricolor, com Aloísio e Borges lá na frente.

De resto, o Corinthians não levou perigo ao gol de Rogério e o São Paulo apenas obrigou Felipe a trabalhar muito, mas sem momentos dramáticos.

O 0 a 0 do primeiro tempo esteve na medida certa, embora houvesse apenas um time em busca de jogo e outro na tentiva de evitar qie tivesse jogo.

Para melhorar a situação corintiana, Rogério Ceni se machucou no último minuto e o São Paulo quase voltou com o garoto Fabiano, de 19 anos, pois a tola simulação de Bosco no Parque Antarctica lhe custou uma justa suspensão de três jogos.

O menino estrearia no time principal do tricolor, mas mesmo com dor na panturilha, Rogério voltou para tentar ficar durante o segundo tempo.

Mas drama e dor mesmo aconteceu logo no recomeço da partida, quando o zagueiro corintiano Carlão bateu a cabeça e teve de sair na ambulância, desacordado.

Vampeta entrou em seu lugar.

Aos 10, a primeira grande chance de gol num jogo que havia baixado de intensidade, provavelmente por causa do trauma em Carlão, que tinha ido para o ambulatório do Morumbi: Richarlyson achou Borges sozinho na grande área, o centroavante matou bem, mas chutou por cima, sem direção.

Em seguida, a informação mais tranquilizadora; Carlos recobrara os sentidos e foi levado ao hospital, para exames neurológicos.

Aos 14, Richarlyson pegou um tirambaço de esquerda, de fora da área, e Felipe faz uma senhora defesa.

Borges, atingido por Fábio Ferreira, teve de ser substituído por Diego Tardelli.

A partida continuava de um time só e o empate parecia tudo que o Corinthians poderia alcançar.

Enquanto alguns corintianos se matavam para segurar o resultado, o tagarela Vampeta tinha participação bisonha e este blogueiro desenvolvia uma pequena curiosidade: quem foi que disse a Iran que ele é jogador de futebol?

E olhe que ele já tem 28 anos, com passagens pela Ponte Preta e Botafogo, mas nem escanteio é capaz de bater. Claro, a culpa não é dele, é de quem o contrata e escala.

Hernanes jogava bem, Richarlyson subia de produção e Betão e Zelão aliviavam a barra alvinegra.

Aos 26, Héverton deu lugar a Lulinha, no Corinthians.

O Corinthians ganhava um ponto e o São Paulo perdia dois.

Se bem que quem precisava de três pontos era exatamente o Corinthians.

O primeiro dos últimos completava sua sétima partida sem ganhar, cinco derrotas e dois empates, seguidos, contra os tricolores carioca e paulista.

Mesmo machucado, Rogério Ceni não tinha nenhum trabalho.

Mas, aos 40 minutos, Gustavo Nery bateu falta pela esquerda no segundo pau, Fábio Ferreira tocou para trás na cabeça de Betão que operou o milagre corintiano: 1 a 0.

Curiosamente, era uma vez uma escrita de 13 jogos sem perder para o Corinthians e o virtual pentacampeão brasileiro passará o campeonato sem vencer os times mais populares do país, um empate e uma derrota para o Flamengo e igual contra o Corinthians.

Por Juca Kfouri às 16h57

Os jogos deste domingo

O São Paulo só sem Leandro, o Corinthians só com Felipe.

Prenúncio de goleada no Morumbi.

O Flamengo sem Maxi, o Fluminense com Thiago Neves de volta.

Tem cara de empate no Maracanã.

Já no Beira-Rio, de duas uma: ou o Inter atropela o América ou reserva uma vaguinha na Z-R.

Como o Furacão, que tem a obrigação, na Arena, de vencer o Vasco, para quem perdeu três vezes neste 2007.

E como o Galo, que não pode dar mole ao Sport, no Mineirão. Se vacilar, abre o caixão de vez.

Finalmente, dois enroscos.

Entre Figueira e Paraná Clube, em Floripa, só pode dar Figueira.

E entre Goiás e Cruzeiro, no Serra Dourada, só pode dar Cruzeiro, mas está com uma cara danada de que dará Goiás. 

 

Por Juca Kfouri às 08h38

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico