Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

20/10/2007

Brasileirão perde para Campeonato Mexicano e empata com Argentino

Ligas nacionais movimentam R$ 21,7 bi

Da Máquina do Esporte


Os 11 principais campeonatos de futebol do mundo movimentam mais de R$ 21,7 bilhões. Os números são da Deloitte e foram publicados na edição de setembro da revista "Mundo Estranho". A publicação levantou os números mais importantes em cada uma das competições.

O campeonato nacional com maior receita é o inglês, com R$ 5,1 bilhões, seguido do italiano com R$ 3,6 bi e do alemão e do espanhol com R$ 3,1 bi. O certame mexicano movimenta R$ 1 bi. Entre os que recebem menos dinheiro, estão Brasil, Argentina e Portugal com R$ 600 milhões cada.

Só o faturamento da Segunda Divisão do Campeonato Inglês é de R$ 1,1 bilhão, pouco menos do que a soma da elite brasileira e argentina. Enquanto isso, o Barcelona e o Real Madrid, juntos, arrecadaram R$ 1,4 bilhão.

No entanto, quanto o quesito é a média de público, a Alemanha assume a liderança com 37,6 mil torcedores por partida. Em segundo lugar, ficou a Inglaterra com 33,3 mil, seguida da Espanha com 28,8 mil. Mais uma vez o torneio brasileiro aparece nas últimas colocações, com 12,4 mil, apenas à frente do português.

Na Itália, onde a média ficou em 18,4 mil, os números caíram 15% com o escândalo de corrupção e o rebaixamento da Juventus para a Série B.

No entanto, quando o assunto é o número de títulos internacionais das equipes do país nos últimos anos, o Brasil, com dez, só perde para a Argentina, que tem 11. Entre os europeus, o país mais bem colocado é a Espanha, com nove.

Ao total, as equipes que disputam as principais competições do mundo cederam para as seleções que foram para a Copa do Mundo de 2006 um total de 453 jogadores. O montante representa 61,5% do total de atletas que participaram do evento. Mais uma vez os clubes ingleses estão na frente, com 108 jogadores.

Os dados referentes a faturamento das equipes usam como base a temporada européia de 2005-2006; no Brasil, Argentina, México e Japão, os números são de 2005. Já a média de público é referente aos campeonatos da última temporada.

Por Juca Kfouri às 19h35

Verdão firme na Libertadores!

Palmeiras e Paraná fizeram uma partida equilibrada no primeiro tempo.

Com domínio paulista no Palestra, mas com apenas quatro chances de gol até que Rodrigão, de cabeça em rebote de chute de Luís Henrique, abriu o placar no finzinho.

Até ali, Caio havia obrigado o goleiro paranista Gabriel a fazer uma boa defesa, Valdívia havia desviado uma bola com perigo e o Paraná Clube tivera duas oportunidades mais agudas, num chute de longe de Jumar, na trave, e noutra jogada que Diego Cavalieri teve de defender duas vezes.

Mas o Palmeiras voltou muito melhor no segundo tempo e ampliou aos 19, com Valdívia, que tinha sofrido um pênalti não marcado um pouco antes.

Houve um lançamento longo pelo alto da esquerda, o chileno deu um tranco legal no zagueiro e fez 2 a 0.

Mais de 23 mil alviverdes cantavam e vibravam em Parque Antarctica.

Ainda mais, aos 27, quando o lateral Leandro fez ótima jogada pela esquerda e cruzou para Rodrigão fazer 3 a 0.

Deyvid ainda mandou uma bola na trave paranista.

É o Verdão firme na luta pela Libertadores.

É o Paraná Clube em sua marcha inexorável rumo ao rebaixamento.

Por Juca Kfouri às 19h08

Tarde do Senhor Goiás!

Oito gols no Serra Dourada!

Dois de pênalti, de Thiago Silva, para o Flu.

Ambos bem marcados.

Três gols do Senhor Goiás, Paulo Baier, um de pênalti, também bem dado.

O Flu fez 1 a 0 quando não merecia, com Cícero se aproveitando de passe de cabeça de Alex Dias, aos 35.

Mas o Goiás, com Baier, aos 43, e Rinaldo, aos 45, virou ainda no primeiro tempo, com justiça.

Era o que o time goiano precisava para respirar.

Só que respirou por pouco tempo, porque aos 9, já do segundo tempo, Thiago Silva empatou.

O jogo ficou lá e cá, de matar goianos, e corintianos, do coração.

Para alegria dos goianos e tristeza dos alvinegros e tricolores, Baier desempatou de pênalti, no minuto seguinte.

Mas estava escrito que nada estava acabado.

Tanto que, aos 19, outra vez Thiago Silva empatou de pênalti.

Mas em sua partida de número 150 com a camisa verde, o Senhor Goiás ainda daria o ar de sua graça, agora de cabeça, aos 37, em cruzmento pela direita: 4 a 3.

Aos 40, fim de sofrimento: Júnior César, contra, fez o quinto gol goiano, ao tentar cortar um cruzamento de Fábio Bahia.

O Goiás respira com todos os méritos (livrou três pontos do Corinthians e passou o Galo) e o Flu, bem o Flu é isso: ameaça, ameaça e fica na ameaça, me engana que eu gosto.

Por Juca Kfouri às 19h08

Enfim, Fogão!

Com dois gols logo no começo de cada tempo, o Botafogo liquidou o Sport sem nenhum problema.

Mas sem nenhum problema mesmo, porque chegou a jogar bem no Engenhão e nunca foi ameaçado pela tímida equipe pernambucana.

Lúcio Flávio fez 1 a 0 aos 5, num tirambaço de fora da área, depois de linda tabela com Reinaldo que devolveu de calcanhar.

Luciano Almeida, aos 4, marcou o segundo ao pegar o rebote de outra bomba, esta de Juninho, em cobrança de falta.

Pena que, quatro minutos depois, Luciano Almeida fraturou o pé e saiu do gramado em prantos.

Foi a nota infeliz, e muito, da tarde botafoguense, que ainda teve mais um lindo gol de Dodô, aos 12, pegando de primeira um cruzamento da esquerda, de Lúcio Flávio.

No fim, Reginaldo fez o chamado gol de honra do rubro-negro.

Enfim, o Glorioso fez as pazes com a vitória e, ao menos, deixou longe qualquer possibilidade de rebaixamento.

Por Juca Kfouri às 19h02

19/10/2007

Lulinha tem proposta

Lulinha, do Corinthians, já escalado para jogar com o Náutico no próximo domingo, recebeu uma oferta de 6 milhões de euros para ir jogar no Tottenham, na Inglaterra.

Seu empresário, Wagner Ribeiro, procurou a direção corintiana e fez uma proposta para evitar a multa contratual, pois o menino tem mais 18 meses de contrato pela frente: renovação imediata por mais cinco anos e uma compensação parcelada em 36 meses do que ele receberia dos ingleses, o que significa um salário na casa dos R$ 120 mil.

Recebeu como resposta que o Corinthians não pode arcar com tal salário.

O empresário não vê outra saída que não seja a de pagar a multa e esperar que ele faça 18 anos, em abril do ano que vem, para fazer a transferência. 

Por Juca Kfouri às 16h50

Enfim, uma boa notícia no Corinthians

Depois de muito resistir, por causa de suas atividades profissionais, o economista Luís Paulo Rosemberg acaba de aceitar a vice-presidência de marketing do Corinthians.

Sob seu chapéu ficarão a planejada incubadora de jogadores, a negociação com a TV, os projetos em torno do estádio, as ações de marketing propriamente ditas, é claro e, o que na atual situação é o mais relevante, a garantia de ações transparentes e voltadas para o clube.

Ele convidará as boas cabeças de todas as alas do Parque São Jorge para trabalhar ao seu lado e fiscalizar cada passo.

Por Juca Kfouri às 16h34

A TV Pública e o fim da "volta olímpica" no Clube dos 13

Por JOSÉ FRANCISCO C. MANSSUR

O Clube dos 13 reflete hoje a frustração de algo que foi criado para ser muita coisa e se transformou em praticamente nada. Só existe para deixar os dirigentes mais "à mão" para reuniões com os privados que querem fazer bons negócios com os principais clubes de futebol do Brasil. É um facilitador para promover reuniões e reunir cartolas numa mesma sala. Essas reuniões, geralmente, adotam um procedimento padrão. Muitas vezes são feitas em alguns bons hotéis das capitais do Brasil. Há alguma discussão pela manhã. Uma boa parada para o almoço, onde são servidas aos cartolas boas comidas e alguma bebida. Depois do almoço, com todo mundo já satisfeito (alguns até enfastiados), assina-se o que se tem que assinar, de preferência rapidamente e sem muita contestação. O que justifica a existência do Clube dos 13 não é a defesa dos interesses dos seus filiados, mas como facilita a vida dos "parceiros", principalmente da TV.

A assinatura dos contratos nas reuniões do Clube dos 13 já foi apelidada por alguns dos participantes como "volta olímpica". Essa constatação diz respeito ao fato de que basta ao funcionário dar uma volta pela mesa com o contrato em mãos que, ao final da última curva, sempre estará devidamente assinado. A ironia reflete como as discussões são feitas de forma precária e os interesses vitais dos clubes resolvidos abruptamente.

Há momentos em que alguns dos dirigentes presentes até se insurgem contra essa situação. É raro, muitas vezes a motivação é oportunista, mas seria injusto com os que o fazem negar que isso acontece. Quem toma tal ousadia imediatamente se torna, aos olhos dos cooptados, vilão, intruso, irresponsável, clandestino, amigo dos "inimigos dos clubes". Alguns cartolas chamam os seus inimigos de inimigos dos clubes e o fazem como decorrência natural da própria confusão que alimentam entre a sua figura (e patrimônio) e a entidade que dirigem. Companheiros dividem o pão, almoçam juntos e, depois de comer, não cospem no prato. Quem cria problemas para a atual administração do Clube dos 13 não merece dividir a mesa do almoço, deixa de ser companheiro.

O negócio da TV é pagar menos. O dos clubes deveria ser ganhar mais. O Clube dos 13 deveria servir aos interesses dos clubes, como seria óbvio. A TV faz o jogo do privado. Quer pagar menos e usa de que dispõe para tanto. O Clube dos 13 só existe hoje em dia porque serve como um desses meios de que dispõe a TV. No dia em que deixar de atuar para facilitar bons negócios, deixa de existir.

Mas, não precisaria ser assim. O Clube dos 13 poderia ser a nossa Liga Nacional de Futebol. Uma entidade competente para três funções principais: (i) organizar as competições do futebol no âmbito nacional; (ii) negociar mais e melhor as propriedades dos clubes e (iii) fiscalizar a administração dos clubes para garantir lisura e concorrência equânime nas competições.

A primeira função citada parece óbvia e não merece maiores comentários. A segunda pretende a ação profissional e eficiente na venda dos "produtos dos clubes". Organização dos processos de venda das marcas registradas, trabalho profissional e científico na definição do preço dos direitos de TV e critérios objetivos para divisão das quotas, eliminando as decisões tomadas para acomodar interesses políticos. A terceira função tem a ver com a concorrência no esporte. É preciso garantir que os clubes participem da competição em igualdade de condições, para que a disputa seja decidida no âmbito esportivo. O dinheiro que não tem origem conhecida ou tem origem reconhecidamente ilícita não pode competir com o dinheiro que vem como decorrência lícita dos negócios praticados pelos clubes. Pagar salários e encargos legais não é uma decisão administrativa. O dilema "fico bem com a torcida ou bem com o Leão e o Cartório" só pode existir na cabeça do dirigente irresponsável que se beneficia de um sistema que privilegia a impunidade. No Estado de Direito, quem paga suas obrigações não pode concorrer em igualdade de condições com quem não paga. E caberia à Liga aplicar os princípios do direito da concorrência para o esporte.

Como resultado da interação entre os pusilânimes oportunistas que se fartam com bons almoços, os que até queriam reagir, mas são dominados pelo medo e os que reagem mas não têm a força necessária para mudar a situação, resta esse processo de estagnação e definição medíocre de atribuições que aflige atualmente o Clube os 13. É a letargia de que se beneficiam poucos em detrimento de quase todos.

O fato novo que poderá alterar o estado letárgico é a TV Pública. TV Pública do Estado, a serviço do Estado e não de governo algum. Levada ao ar com uma missão bastante definida: trazer conhecimento e difundir a cultura para a massa excluída que não tem pleno acesso aos meios de informação. Enfim, TV Pública que só vai poder existir a partir de investimentos do Estado, mas que vai ao ar como instrumento de política social para reverter seus resultados sempre em favor da população.

O Estado deve ser agente ativo indutor do desenvolvimento. O conceito de estado mínimo, passivo, que assiste de braços cruzados à ação dos agentes de mercado só serviu para levar os índices de crescimento do país a níveis vergonhosos e aumentar a demanda social.. Onde o mercado livre, pela finalidade natural do privado, levar a distorções em detrimento do interesse social, o Estado deve intervir para equilibrar as relações em prol da coletividade.

Como ente do Estado, a TV Pública deve servir a essa política. O futebol faz parte do patrimônio cultural do país definido por lei. Uma vez que as relações comerciais entre os clubes e a TV estão sendo conduzidas de tal forma a sedimentar o subdesenvolvimento desse setor fundamental, cultural e economicamente, deve a TV Pública intervir nesse mercado, para equilibrar as forças atuantes, para racionalizar a gestão e induzir desenvolvimento.

Para tanto, a TV Pública deve entrar no mercado e concorrer com as TVs privadas pela compra dos direitos de tv do futebol brasileiro. Agindo assim, deve colaborar para que haja disputa em prol do produto e do consumidor final. Deve assegurar uma relação de mercado saudável e objetiva, sem que o privilegio de uns poucos seja colocado em detrimento do interesse de todos.

Com a força do Estado, no exercício legítimo de sua função, a TV Pública pode induzir a mudança do futebol brasileiro, começando pelo Clube dos 13. Fazer ver aos clubes a necessidade de modernização da gestão para "enfrentar" o mercado. Fazer criar a Liga que o Clube dos 13 tinha que ser e não é. A TV Pública pode ser o fim da "volta olímpica". E o começo da indigestão daqueles que exagerarem no almoço antes da reunião.

Por Juca Kfouri às 15h24

O primeiro Náutico e Corinthians

Por ROBERTO VIEIRA

1954 foi um ano de fatos marcantes.

Getúlio se foi.

A Hungria de Puskas também.

Mas ninguém lembra nada disso.

Pergunte a qualquer um nas ruas.

A resposta é uma só:

‘1954 foi o ano do primeiro Náutico x Corinthians’.

Maio.

Ilha do Retiro.

O primeiro Náutico e Corinthians.

Dilúvio.

As baronesas desciam o Capibaribe.

Os morros tremiam.

Estádio lotado.

O segundo jogo do Timão em Pernambuco.

Contra o América: 3x0.

Gols de Nardo, Luizinho e Carbone.

O Corinthians de Gilmar, Murilo e Olavo; Idario, Goiano e Roberto; Cláudio, Luisinho, Nardo, Carbone e Simão.

Muitos deles jogariam meses depois contra o Palmeiras na conquista do Paulistão.

Antes da grande fome.

O Náutico de Manuelzinho, Caiçara e Lula; Gilberto, Gago e Jaiminho; Ivanildo, Ivson, Hamilton, Marcos e Zeca.

Nunca houve uma defesa em Pernambuco como Manuelzinho, Caiçara e Lula.

As crianças decoravam isso na escola.

Como tabuada.

2+2= Manuelzinho, Caiçara e Lula.

17’ do primeiro tempo.

Cláudio cruza. Luizinho entra de cabeça e abre o marcador.

O Náutico reage. A bola ronda o gol corintiano.

Mas no gol, Gilmar.

A bola encontra a trave do Corinthians.

Depois se choca no travessão do Náutico.

Mas no gol, Manuelzinho.

Os pessimistas de sempre diziam:

‘Já perdeu!’

Quando a pelota de repente, passeia solitária na área corintiana.

Implorando.

‘Me chuta!’

Ivson escuta.

Gol.

Empate.

Como eu ia dizendo.

8 de maio. 1954.

Ilha do Retiro.

O primeiro Náutico e Corinthians.

Dilúvio.

As baronesas desciam o Capibaribe.

Os morros tremiam.

Empate.

Pergunte a qualquer um nas ruas.

A resposta é uma só:

'1954 foi o ano do primeiro Náutico x Corinthians'.

Por Juca Kfouri às 15h17

Na 'Folha", de hoje. Que farra!

Painel FC

RICARDO PERRONE -
painelfc.folha@uol.com.br

Efeito surpresa

Membros da bancada da bola ficaram otimistas após o lobby de Ricardo Teixeira no Congresso para impedir a instalação de CPMI sobre Corinthians e MSI. Contam que, no gabinete do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), muitos se comprometeram a retirar o apoio, sem alarde. A estratégia é preencher requerimento anulando suas assinaturas no pedido de abertura. Assim, quando a lista de adesão for apresentada, acreditam que o número será inferior ao exigido. Hoje há apoio suficiente, mas o pedido não foi formalizado.

No ventilador. Cartolas com trânsito na CBF e na FPF dizem que, no encontro com o corintiano Andrés Sanches e Marco Polo Del Nero, Ricardo Teixeira manifestou preocupação sobre a CPMI. Acredita que todo o futebol brasileiro pode sair arranhado.

Negociador. O presidente corintiano diz que na visita conseguiu uma redução na dívida do clube com a CBF, superior a R$ 1 milhão. Só não fala o tamanho do desconto.

Reforço. O presidente Lula tem presença confirmada na sede da Fifa, em Zurique, no dia 30, quando o Brasil deve ser anunciado pela entidade como sede da Copa de 2014.

Em campo. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), empenhada em ter jogos da Copa de 2014 em seu Estado, aproveitou Brasil x Equador para estreitar relações com Ricardo Teixeira. Assistiu ao jogo perto do cartola.

Por Juca Kfouri às 14h32

Presidente da AFA é investigado por lavagem de dinheiro

Da ANSA

A Argentina investiga no Uruguai supostas manobras de lavagem de dinheiro ligadas ao presidente da AFA (Associação do Futebol Argentino), Julio Grondona, e um ex-dirigente do clube uruguaio Deportivo Colonia, informou nesta sexta-feira o jornal "Republica".

De acordo com a publicação, o enfoque das investigações tem relação com 17 empresas, quase todas sociedades anônimas, que estariam lavando de dinheiro sob coordenação de Grondona.

Um relatório ao qual o jornal diz ter tido acesso informa que "são inúmeras as irregularidades cometidas por este dirigente, entre as quais contam-se pressões a juízes, revendas de entradas, fraude em eleições, suspensões forçadas de partidas, tratos e acordos pessoas pouco confiáveis etc".

A Inteligência argentina também investiga várias pessoas do círculo familiar e pessoal de Grondona.

Como parte da investigação, as autoridades procuram no Uruguai documentos e informações relacionadas com atividades de Grondona, assim como também questiona sua conexão com o ex-dirigente do clube local Deportivo Colonia, Daniel Gorosito.

Gorosito foi secretário-geral e dirigente do Deportivo Colonia e conta com "extensos antecedentes penais e comerciais", segundo o relatório.

O empresário tem antecedentes na Argentina por fraude, drogas e roubo de veículos. Ele preside atualmente o clube Real Arroyo Seco, fundado em 2004 em Rosário, Santa Fé, e conta com uma equipe composta por jogadores argentinos, uruguaios e brasileiros.

Nota do blog: Grondona está há 28 anos como presidente da AFA e será reeleito hoje para o seu sétimo mandato.

Um filho dele, chamado de Grondoninha, foi contratado por Kia Joorabchian para trabalhar nas categorias de base do Corinthians.

O Grondona pai, imagine, é o chefe da comissão da Fifa que investiga...lavagem de dinheiro no futebol internacional.

O que causou natural constrangimento no delegado da Polícia Federal brasileira, Protógenes Queiroz, que comanda o inquérito da MSI.

É  que ao chegar a Zurique ele foi encaminhado para tratar do tema exatamente com Grondona.

Por Juca Kfouri às 14h19

Dez jogos, nenhum só para cumprir tabela

Nenhum jogo do fim de semana no Brasileirão é inútil, dessas coisas que acontecem em campeonatos por pontos corridos.

Porque o Goiás nem pode pensar em não ganhar do Fluminense, no Serra Dourada, amanhã.

É ganhar ou preparar o pescoço para a degola.

Como o Palmeiras tem a obrigação de passar pelo Paraná Clube, no Palestra Itália, também amanhã.

E ainda no sábado, todos os jogos às 18h10, ou o Botafogo se reabilita diante do Sport, no Engenhão, ou também bota o pescoço a prêmio, o que será uma vergonha para quem até cotado para ser o campeão esteve.

No domingo, sete jogos também importantes.

A começar por Náutico e Corinthians, nos Aflitos, às 16h, jogo de seis pontos para dois times ameaçados, mais o paulista que o pernambucano.

Fique de olho no apito.

Tem também um grande clássico, o melhor jogo da 32ª. rodada, no Morumbi, também às 16h, entre São Paulo e Cruzeiro, líder e vice-líder em ação.

Difícil imaginar que depois de tanto bobear, o Cruzeiro possa surpreender o tricolor.

Ainda às 16h, no Mineirão certamente com muita gente, o Galo recebe o combalido Vasco e ou ganha ou fica em situação ainda mais incômoda do que já está.

Às 17h, o Furacão recebe o Mecão, em jogo para se aliviar na Arena.

E três jogos completam a rodada, às 18h10.

No Maracanã, um sensacional Flamengo e Grêmio, com a Libertadores por objetivo.

No Beira-Rio, clássico gaúcho, entre Inter e Juventude e o campeão mundial que trate de não fraquejar de novo, porque, aí, ficará complicado mesmo.

Por fim, Figueirense e Santos, em Floripa, o primeiro ainda preocupado em se manter na Primeira Divisão e o segundo em se garantir na Libertadores, o que deve conseguir.

Por Juca Kfouri às 02h12

Flamengo pode sonhar

Acabo de ver, gravado, o clássico entre Flamengo e Vasco.

Já sabia o resultado e não gosto muito de ver jogos, pela primeira vez, nesta condição.

Nem por isso, no entanto, me chateei.

Muito ao contrário.

O primeiro tempo, principalmente, foi muito bom.

Toró foi seu principal personagem, ao roubar uma bola de Perdigão e fuzilar de longe para Sílvio Luiz aceitar, aos 8 e, aos 14, ao fazer uma falta boba no mesmo Perdigão que foi aproveitada por Andrade, em bola também defensável por Bruno: 1 a 1.

De quebra, Toró ainda sofreu a falta que causou a expulsão de Marcelinho, nos acréscimos dos primeiros 45 minutos.

E olhe que tudo parecia favorável aos cruzmaltinos quando Hugo Colace, que tinha entrado no lugar de Rômulo, machucado, foi expulso por entrada violenta em Marcelinho, aos 22.

Só que quem fez novo gol, 10 minutos depois, foi o time rubro-negro, depois que Leandro Amaral perdera um gol incrível, em rebote de Bruno, caído, com o gol vazio.

Leo Moura foi derrubado na área por Rubens Júnior e Ibson tratou de desempatar.

Para melhorar as coisas para o time da Gávea, veio a expulsão de Marcelinho, quando o Flamengo já tinha Renato Augusto no lugar de Maxi.

O segundo tempo, 10 contra 10, prometia ser ainda melhor, mas não foi.

Gramado encharcado, jogo muito brusco, cartões amarelos em profusão e vitória do Mengo que, agora, sonha mais forte com a Libertadores, a cinco pontos do Grêmio, seu próximo adversário no Maraca, que ontem recebeu 37.990 mil pagantes, mais de 44 mil presentes.

O melhor lance da etapa final coube ao retornado Obina, que cabeceou no travessão no último minuto.

Eu não acredito, mas, no lugar dos rubro-negros, também acreditaria que dá para chegar à Libertadores.

Até porque sonhar ainda não paga impostos.

E, no lugar dos vascaínos, não ficaria muito preocupado com o fato de estar apenas cinco pontos acima da Z-R.

Porque não acredito em bruxas, embora elas existam...

E o próximo jogo é no Mineirão, contra o ameaçado Galo. 

Por Juca Kfouri às 01h43

18/10/2007

Na 'Folha' de hoje

Maracanã festeja superlotado

Estádio registra torcedores de pé, em corredores, e uma multidão de convidados e não-pagantes

Quase cem mil assistiram à goleada da seleção, recorde recente de público, mas que escancarou desrespeito a normas exigidas pela Fifa

DO ENVIADO AO RIO, PAULO COBOS

Foram gastos quase R$ 200 milhões para o Maracanã não deixar mais torcedores em pé, como exige a Fifa. Mas, na volta da seleção ao estádio depois de sete anos, a arena ficou superlotada, e o mesmo desrespeito de sempre às normas da entidade mundial se repetiu.
Mesmo com espaço bastante reduzido depois da reforma, a antiga geral recebeu milhares de torcedores, muitos deles com faixas criticando Dunga.
Só que a maioria não estava lá por opção. As cadeiras do anel inferior, com exceção de uma área reservada para convidados de patrocinadores, estavam superlotadas. Na maior parte delas, até os corredores estavam tomados, o que impedia a circulação dos torcedores, outro pecado para os padrões Fifa. O mesmo acontecia em boa parte das arquibancadas.
A CBF anunciou que havia colocado à venda pouco mais de 71 mil ingressos. Depois, acabou adicionando uma carga de 1.900 entradas. Ontem, anunciou um público pagante superior a 76 mil torcedores. Outros 15 mil bilhetes para convidados foram distribuídos.
Só que o borderô distribuído pela Suderj, a administradora do Maracanã, acrescentou outra multidão que ajuda a explicar a superlotação.
Foram mais de 8.000 fãs dentro do estádio carioca que não faziam parte dos pagantes ou dos convidados. Só no grupo "público pagante de anuidade" foram mais de 5.000 pessoas. Outros 661 portadores de "necessidades especiais" estavam no estádio, além de 726 idosos e 3.114 menores de 12 anos.
Ou seja: computando pagantes, convidados e os mais de 8.000 não-pagantes listados pela Suderj, quase 100 mil pessoas estiveram ontem no Maracanã, o maior público brasileiro nas eliminatórias sul-americanas nos últimos cinco anos.
Apertados, os torcedores reclamaram bastante do veto à venda da cerveja. Em coro, pediram a liberação da bebida.
Eles tiveram atrações importadas do Pan carioca, como animador de torcida, com coreografias, e banda militar, com o "Tema da Vitória". Um jogo diferente, que o técnico Dunga considerou "uma demonstração de que o Brasil tem condições de sediar a Copa do Mundo". 

Por Juca Kfouri às 18h14

O que os cartolas temem?

Infelizmente não poderei ver Flamengo e Vasco, um jogo interessante e sem favoritos, além do mais, com o Baixinho no banco.

Os dois times com o mesmo número de pontos, cinco acima da zona do rebaixamento, e com um jogo a menos, razão pela qual o empate pode ser o melhor para ambos.

Jogo para muita gente no Maracanã, embora já se saiba que não teremos nada nem parecido com o que se tentou fazer ontem, com sucesso apenas parcial, pelo que se lê no depoimento abaixo e na reportagem acima, de Paulo Cobos, na Folha de S.Paulo de hoje.

Mas não poderei ver o jogo do Maracanã porque estarei num programa da TV Cultura, o Opinião Nacional, que começa às 22h40 e termina depois da meia-noite.

Será um debate sobre a CPI do Corinthians/MSI, que Ricardo Teixeira, estranhamente, tenta evitar a qualquer custo, com o auxílio do presidente da FPF, Marco Polo del Nero que, por sinal, foi convidado para participar do programa e depois de pedir à sua assessoria que confirmasse os participantes, achou melhor não comparecer.

Quem ele temerá: o deputado Sílvio Torres, um dos articuladores da CPI?

O jornalista Luís Fernando Gomes, redator chefe do diário Lance!?

O advogado do Corinthians, Heraldo Panhoca, ou o da Comissão de Esportes da OAB, Otávio Augusto de Almeida Toledo?

O empresário Wagner Ribeiro?

Este pobre blogueiro?

Sabe Deus.

Por Juca Kfouri às 18h03

E era pra ser a prova de que o Brasil pode sediar a Copa de 2014...

Por MARCELO CORREA RAMOS*

09-10-2007.

Cheguei às bilheterias do estádio da Gávea por volta das 10:50 da manhã.

Era o segundo dia de vendas para o jogo da Seleção Brasileira, no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010.

As vendas começavam às 11h (porque será que os bilheteiros do Rio de Janeiro têm o privilégio de só começarem a trabalhar às 11h?!).

Encontrei duas filas, mais ou menos do mesmo tamanho.

Uma para "inteira" e outra para "meia" entrada.

Como tenho carteirinha de estudante, entrei na fila de meia-entrada.

20 minutos após o início da jornada de trabalho dos sortudos bilheteiros, eu tinha dado apenas uns dois passos à frente.

Fui ver o porquê disso e percebi que, das três bilheterias da Gávea, uma tinha sido destinada aos estudantes e duas aos demais torcedores.

Até aí, tudo bem.

O problema é que a fila de "inteira" já não existia mais.

Todos os que estavam nessa fila, já tinha comprado seus ingressos e, apenas muito de vez em quando, chegava alguém para comprar tais ingressos.

Ou seja, dois dos três bilheteiros estavam praticamente sem fazer nada, enquanto o terceiro, destinado aos estudantes, vendia os ingressos numa verdadeira operação tartaruga.

Diante da fila que só fazia aumentar (enquanto a outra fila simplesmente não existia!), vi muitos estudantes desistindo do seu direito de comprar meia-entrada e indo comprar seus ingressos de "inteira".

Vi outros saindo da fila e comprando ingressos dos cambistas que agiam tranquilamente, oferecendo ingressos a todos os que chegavam à fila.

E também vi alguns desistindo de ir ao jogo, pois não tinham condições de pagar o preço da "inteira".

Como eu estava com tempo, disse a mim mesmo que só sairia dali com meu ingresso na mão.

Depois de 2 horas de muita paciência e sol na cabeça, consegui, finalmente, comprar meu ingresso pra ver a Seleção Brasileira.

18-10-2007

Cheguei ao Maracanã 2 horas antes do início do jogo, conforme aconselharam as autoridades.

Estava com um casal de amigos e, logo na entrada do estádio, recebemos bandeiras do Brasil para torcermos.

Ótima iniciativa, pensei.

Entramos nas arquibancadas verdes e achamos um lugar para nós três.

Os assentos não podiam estar mais sujos.

Nojentos, para falar a verdade.

Não sei quanto foi gasto com a confecção de 70 mil bandeiras, mas eu preferiria ter um lugar com um mínimo de limpeza para sentar, a receber uma bandeira de plástico.

Resolvemos comprar umas cervejas, então.

Chamei o vendedor e pedi três.

Ele me respondeu que não estavam vendendo cervejas.

Como assim? Eu sou freqüentador assíduo do Maracanã, estive lá sábado passado, inclusive, e sempre bebo minhas cervejinhas.

Abre parênteses: não estou aqui contra a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios. Estou aqui contra a incoerência e a hipocrisia. Quer dizer que num jogo de Campeonato Brasileiro, mesmo com 60, 70 mil torcedores, pode-se vender cerveja no Maracanã, mas em jogo da Seleção Brasileira, com o mesmo público, não? Qual a lógica disso? Quer dizer que a dona CBF, ou a SUDERJ, ou o governo do Rio de Janeiro, ou sei lá quem proibiram a cerveja no jogo da Seleção para coibir a violência, mas acham que nos demais jogos essa violência é tolerável? Fecha parênteses.

Sem cerveja, fui de refrigerante mesmo.

E o público chegando, chegando, chegando.

Até que todos os corredores de circulação ficaram lotados de torcedores em pé, numa clara demonstração de que tinha mais torcedores que a capacidade atual do estádio.

Graças a esses torcedores em pé, os que estavam atrás, mesmo com lugares pra sentar, tinham que ficar em pé também, pra poder ver o campo. E assim por diante.

Enfim, mesmo quem chegou cedo teve que ver o jogo em pé.

Foi aí que percebi o porquê preferiram gastar dinheiro com bandeiras, em vez de lavarem os assentos...

*Marcelo Correa Ramos é um torcedor.

Por Juca Kfouri às 16h28

Torcendo contra a seleção de Dunga

Por SÉRGIO MALBERGIER*

Folha Online

O futebol brasileiro, paixão nacional, fracassou, e seu fracasso é das maiores provas de um problema muito maior, o fracasso do país.

Temos os melhores jogadores, um público ávido e uma marca de valor máximo no esporte mais popular do planeta. Se, com tudo isso, não conseguimos organizar o futebol para termos clubes fortes, bem gerenciados e lucrativos, capazes de manter ao menos alguns grandes craques por aqui, é porque somos muito incompetentes. É como se a Arábia Saudita não ganhasse dinheiro com o petróleo.

Por isso os 5 a 0 do Brasil contra o Equador foram um péssimo resultado, já que dão força à segunda era Dunga e à infindável era Ricardo Teixeira na presidência da CBF (desde 1989).

Dunga foi convocado para comandar a mais importante equipe de futebol do planeta sem nunca ter comandado outra equipe. O quê?! Quando vejo anúncios de emprego dizendo "não é preciso experiência" sempre desconfio que seja picaretagem. Dunga não é técnico, ponto.

Já Ricardo Teixeira herdou do então sogro, João Havelange, o comando do futebol brasileiro. Em julho, foi eleito por aclamação pelos representantes das federações estaduais e dos clubes para o sexto mandato seguido na CBF, até 2011. Se nossos senadores são o que são, imagine os representantes das federações estaduais de futebol. E nosso Hugo Chávez da bola já alterou os estatutos para poder ficar no cargo por até 26 anos, apesar do pífio desempenho.

O que a CBF fez para estancar a fuga de craques cada vez mais jovens que tirou a arte dos certames e esvaziou os estádios? Nada. O que a CBF fez para melhorar a gestão dos clubes e do futebol como um todo para que o esporte se desenvolva, não definhe? Nada.

E só teremos ao menos alguns de nossos craques jogando por aqui quando nossos clubes tiverem gestão profissional. Não é preciso nada além de competência mínima. Temos mercado vasto, matéria prima barata, marca forte, penetração global, melhor produto. E uma Bolsa de Valores vibrante, capaz de atrair muito capital para marcas como Flamengo, São Paulo, Corinthians. Mas há algo de muito podre no reino da bola, e nada acontece.

Apesar da obviedade da solução, aliás a mesma para o resto do país (boa gestão), ela é improvável. O presidente Lula, nosso líder mais apaixonado pelo esporte dos últimos tempos, poderia ao menos tentar fazer algo. Sua Timemania, que serve para refinanciar dívidas milionárias dos clubes com o governo, geradas por incompetentes e corruptos, não exige nenhuma contrapartida em termos de boa gestão e saneamento básico. Ao contrário, dá fôlego à estrutura atual, quando era excelente oportunidade para implodi-la.

A desfaçatez com que deixamos nosso futebol apodrecer à luz dos holofotes desanima e desespera, como se estivéssemos condenados à mediocridade. O desespero é tanto que ontem tentei torcer contra o time de Dunga, como o próprio Maracanã, lindo, lotado e louco para soltar a vaia.

Mas Ronaldinho, Robinho e Kaká tornam essa tarefa impossível. Seus golaços e jogadaças, importadas, nos anestesiam e reforçam nossa miséria exuberante. São como anjos do mal, enchendo de graça o enterro de nossa maior paixão.

 

Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
E-mail:
smalberg@uol.com.br

 

Por Juca Kfouri às 13h30

Deu no 'Correio Braziliense'

 
 

 

Relações suspeitas

Por JOSÉ CRUZ


A saída de Renan Calheiros da Presidência do Senado desfalca a "bancada da bola" — formada por políticos que defendem os interesses dos cartolas do futebol no Congresso Nacional. Pior para Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que tinha em Renan um poderoso padrinho. Esse poder teve um custo: R$ 100 mil. O valor é irrisório, mas a contribuição vinda da CBF para ajudar Renan a se reeleger para o Senado, em 2002, mede-se mais pela questão ética e moral. A questão é: pode uma instituição como a CBF, cujos dirigentes respondem a dezenas de denúncias de fraudes contra o sistema financeiro, doar dinheiro a quem tem a obrigação de fiscalizá-lá?

***


Lá se vão seis anos que duas comissões de inquérito provaram as falcatruas nas contas de clubes, federações e da própria CBF. Uma pesquisa feita a pedido do deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) — ex-relator da CPI CBF/Nike — revela que são mais de duas dezenas de processos, ainda em análise por órgãos do governo, envolvendo a CBF e cartolas do futebol. Muitas desses processos, na Receita Federal e na Polícia Federal, são denúncias de lavagem de dinheiro.

Pois são dirigentes desse nível, como Ricardo Teixeira, que ainda circulam livremente pelo Congresso Nacional, agora tentando impedir a instalação de mais uma investigação. Proposta do senador Álvaro Dias — que presidiu a CPI do Futebol, também há seis anos — e do deputado Silvio Torres, a comissão mista de inquérito teria um alvo único, a crise no Corinthians, suspeito de lavar dinheiro nas fracassadas relações com a multinacional MSI.

***


Mesmo sem Renan à frente do Senado Federal, Ricardo Teixeira tem lá os seus aliados. Afinal, foi para isso que ele engordou os cofres das campanhas eleitorais de 17 políticos nas duas últimas eleições. Desses, apenas 11 se elegeram (veja quadro abaixo). São cinco deputados e seis senadores que integram a bancada da bola no Congresso Nacional, responsáveis por convencer seus pares mais próximos a vetar qualquer investigação contra os desmandos financeiros do futebol.

Por Juca Kfouri às 10h49

17/10/2007

5 a 0! E você queria mais o quê?

Com rigor, há que se dizer que o primeiro tempo foi quase um horror.

A primeira sensação de gol só aconteceu aos 15 minutos, quando Juan fez um lançamento longo para Vágner Love, o zagueiro do Equador se confundiu com o goleiro, a bola sobrou para o brasileiro que, sem ângulo, chutou na parte de fora da trave.

Com complacência, há que se dizer que os equatorianos não ofereciam nenhum risco e que Júlio César via o jogo sem perder a paciência.

E que quando a massa começava a vaiar, aos 18, Robinho enfiou o pé embaixo da bola em grande passe para Maicon por cobertura, o lateral arrancou, engatou a primeira, deu um drible da vaca, engatou a segunda e já em terceira marcha chegou à linha de fundo e cruzou para trás onde estava Love que fez 1 a 0.

Com generosidade, depois do gol inicial, há que se dizer que houve até momentos de felicidade.

Robinho fez uma graça, Ronaldinho bateu falta com veneno e o árbitro não viu dois pênaltis: um em Kaká, puxado pela camisa, e outro de Gilberto, mão na bola.

Com realismo, há que se dizer que não havia motivo para esperar o segundo tempo com otimismo.

Porque o Equador encontrou pela frente um Brasil que o deixou jogar, deu espaços e a sensação de que não era nenhum bicho a ser temido.

E veio o segundo tempo.

Que ninguém se fizesse de rogado.

Ou o time melhorava ou seria vaiado.

E já com o gramado molhado, Ronaldinho foi derrubado.

Pena que na cobrança da falta o goleiro tenha espalmado.

Mas o time brasileiro parecia mais ligado, a fim de dar o espetáculo que o Maracanã esperava, lotado.

Uma falta cobrada pelo Equador deixou o estádio assustado, mas, em seguida, Vágner Love soltou um petardado envenenado.

A linha do Equador reagiu prontamente e se não é Júlio César teria empatado.

A resposta foi imediata, num arranque de Kaká, enfezado.

Tinha jogo, de lado a lado.

A toada tinha mudado e será de bom tom fazer o mesmo.

Maicon pôs a bola na cabeça de Love que perdeu o gol -- desculpe, mas foi um pecado.

A massa começou a pedir Obina, brincadeira fora de hora, porque ele mesmo, em seguida, depois de grande jogada de Ronaldinho, quase ampliou.

O Equador acreditava que era possível, e não se entregava, ao contrário, se empregava.

Mas a defesa brasileira estava firme, com Lúcio e Juan quase intransponíveis.

E, de novo, quando a vaia era ensaiada, aos 26, numa jogada que começou desorganizada, Kaká chutou de longe, Ronaldinho enfiou o pé esquerdo na bola, que iria para fora, e fez 2 a 0.

Era justo?

Nem justo nem injusto, era o que era.

Aos 30, Dunga tirou Love e pôs Elano.

No minuto seguinte, com a classe que Deus lhe deu, Kaká pegou de fora da área e fez 3 a 0, não sem antes obrigar a bola a fazer uma curva espetacular.

O Maracanã já não tinha do que se queixar.

Bolívia e Colômbia ficaram no 0 a 0, em La Paz, o Chile ganhou do Peru por 2 a 0, em Santiago, e o Paraguai derrotou o Uruguai, em Assunção, por 1 a 0, num jogo lastimável.

Enfim, tudo dentro do esperado.

E um 4 a 0 com direito a olé, gol de Elano, aos 37, depois que, pela esquerda, Robinho simplesmente fez o diabo.

Aliás, era o Robinho ou o Canhoteiro?

Ou seria um Mané pela esquerda?

Que coisa!

O quinto gol, de Kaká, aos 39, nem vou contar.

Foi um frango tão engraçado que o goleirinho equatoriano voltará para Quito desconsolado.

Notas:

Júlio César, muito bem de novo, 7;

Maicon, um tanque eficiente, 7;

Lúcio, uma barreira, 7,5;

Juan, outra barreira, 7,5;

Gilberto, na dele, sem brilho, sem queixa, 6;

Mineiro, trabalhador e eficaz, 7;

Gilberto Silva, sumido, 5;

Ronaldinho, Robinho e Kaká, altos e baixos, baixos não comprometedores, altos altíssimos, 8 para cada um;

Vágner Love, sua melhor partida com a amarelinha, 7;

Elano, só fez o gol (?!), 7;

Diego, sem nota.

Dunga, você queria uma vitória? Teve. Vocês queriam goleada? Tiveram. Querem mais o quê?; 7. 

Ah, a nota da torcida, 76 mil pagantes, 85 mil presentes, foi 10.

Só resta, agora, que seja tratada do mesmo jeito sempre, a começar por amanhã, com Flamengo x Vasco.

Por Juca Kfouri às 22h50

O Clube dos 13 já era

O Clube dos 13 acabou faz tempo.

Pelo menos o espírito que o criou, 20 anos atrás, como alternativa para a falida CBF.

De lá para cá virou uma mera agência que intermedeia contratos com a TV e sustenta alguns poucos cartolas com salários interessantes.

De resto, virou apenas uma metástase do câncer que caracteriza a estrutura dirigente do futebol brasileiro, com mandatos intermináveis, arbitrariedades, conchavos, tudo que impede que tenhamos aqui uma NBA.

Porque o Clube dos 13 nasceu como semente de uma Liga Profissional, como na maior parte dos países europeus.

Mas virou algo de tamanha incompetência que nem sequer foi capaz de organizar a Copa João Havelange, em 2000, fato que admitiu em seguida, ao prometer que nunca mais se meteria a tocar nenhuma competição.

Também, pudera.

Seu presidente de então, e de hoje, Fábio Koff, simplesmente estava num cruzeiro em alto mar quando Vasco e São Caetano decidiam o torneio.

A crise que transbordou ontem pode até não dar em nada, como já aconteceu outras vezes.

Porque o medo das rupturas é amplo, geral e irrestrito, sem exceções.

O que os cinco rebeldes do momento (Flamengo, São Paulo, Cruzeiro, Botafogo e Atlético Mineiro) queriam é razoável, nada mais do que retormar um mínimo de poder de decisão e acabar com as reeleições sem fim.

E o que é ou não é mais democrático no futebol é menos simples do que aparenta.

A vontade da maioria dos clubes pode não ser, necessariamente, a vontade da maioria da torcida.

Por exemplo: se Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco que representam quase a maioria absoluta dos torcedores (50%, segundo a última pesquisa do Datafolha) quiserem, juntos, a mesma coisa, o que é mais democrático?

Serem derrotados pelos votos do Sport, Coritiba, Vitória, Goiás Portuguesa e Guarani?

O que o Clube dos 13 deveria fazer, e nunca fez, seria a criação de um fundo que permitisse o amparo aos menores e uma distribuição mais justa de recursos.

E por não fazer é que clubes como Flamengo e Corinthians, se fossem mais bem geridos, deveriam negociar seus interesses separadamente.

O rolo atual serviu, ainda, para demonstrar a tibieza do Palmeiras e a dependência do Corinthians (a posição do Vasco é a de Eurico Miranda, que dispensa comentários e que um dia prometeu nunca mais pisar no Clube dos 13).

O Palmeiras por romper a corda que havia ajudado a engrossar em troca de um cargo na próxima diretoria do Clube dos 13.

O Corinthians, que anunciava posições firmes em sua "nova" fase, foi levado à CBF pelo presidente da FPF na segunda-feira e de lá voltou aliviado.

Daí ter renunciado, pelo menos temporariamente segundo um de seus representantes, aos seus maiores interesses.

Quem sabe um pronto-socorro financeiro (como aquele a que o Flamengo habitualmente recorre) e tranquilidade para fugir do rebaixamento tenham sido argumentos mais convincentes.

Afinal, o passado já ficou para trás, o presente é a desgraça que é e o futuro a Deus pertence.

Porque à CBF, e à Globo Esporte, interessa manter o Clube dos 13 em sua eterna subserviência.

Por Juca Kfouri às 11h09

Deu na 'Gazeta do Povo', de Curitiba

Empresários deram dinheiro a Miranda

Pagamento era para cobrir contas "não catalogadas" no clube

por MARCIO REINECKEN

O presidente afastado do Paraná, José Carlos de Miranda, admitiu ontem, à Gazeta do Povo, que recebeu dinheiro de empresários para realizar negócios "não catalogados" no clube. Esse dinheiro não passava pelo caixa paranista, indo parar direto na conta bancária particular do dirigente. A verba teria sido utilizada em gastos com sua campanha de reeleição, para pagar bicho aos jogadores e até "gorjetas que não podem ser contabilizadas".

"Há uma série de contas que você paga e não tem como comprovar em um clube como o Paraná", disse o dirigente.

A reportagem teve acesso a documentos e vídeos que estariam sendo utilizados para comprovar que Miranda teria utilizado o clube em benefício próprio. Um cheque nominal, no valor de cerca de R$ 16 mil, microfilmado por empresários que fizeram negócios com o time da Vila, mais dois comprovantes de depósitos na conta do dirigente, no valor de R$ 15 mil e R$ 5 mil, respectivamente.

A reportagem também assistiu a dois vídeos. Em um deles, Miranda recebe um cheque dos mesmos empresários – que pediram sigilo pelas informações. No segundo, apenas uma conversa entre as partes. Nos dois casos, contudo, o som estava inaudível.

"Os empresários (que deram os cheques) são da L. A. Sports. Eram parceiros. Todas as contas (de transações) passavam pelo financeiro do clube. Esse é um negócio que eu tinha, com essas ajudas e outras coisas aí de bichos que prometiam, etc. Coisa particular minha. Vou me defender na Justiça, não tem nada a ver com o clube", afirma Miranda, que se diz vítima de chantagem.

O dirigente disse ontem, em entrevista à rádio Banda B, estar no meio de um fogo cruzado entre empresários. Se referia a Léo Rabelo e LA Sports, que brigam para definir o destino do meia Thiago Neves, atualmente no Fluminense, mas com pré-contrato assinado com o Palmeiras e vínculo com o Paraná.

Teria sido por tomar conhecimento desta documentação que dirigentes do Tricolor pediram o afastamento de Miranda. A versão não é confirmada por ambas as partes. O dirigente diz que se afastou por problemas médicos. O Conselho afirma que desconhece as provas. O presidente em exercício, Aurival Correia, também.

O depósito de dinheiro na conta de dirigentes não é o caminho natural de receitas oficiais no Tricolor. O Paraná recebe sempre em cheque administrativo nominal ao clube, para evitar que dinheiro depositado nas contas bancárias da associação seja confiscado pela Justiça, para pagamento de dívidas trabalhistas.

"Ele (o dinheiro) fica guardado no nosso cofre e vamos gastando de acordo com a necessidade", afirma Correia.

Antes de ser levado ao topo do organograma do clube, Aurival era vice de finanças. Questionado se seria normal Miranda utilizar a conta pessoal para alguma transação oficial, respondeu: "Aí não".

Por Juca Kfouri às 10h00

Os 9 a 1 de Chuchuca

Por ROBERTO VIEIRA

O Equador perde por 9x1 para o Brasil no Sul Americano de 1949.

Mas, se a derrota era inevitável, os nove gols foram pura soberba.

Coisa de quem nunca comeu melado. E quando come se lambuza.

O Equador chegou na Cidade Maravilhosa.

Naquele tempo mais maravilhosa ainda.

Mulheres lindíssimas. Praias infinitas.

O Cristo Redentor!

E o Equador foi jogar um amistoso na Gávea contra o Flamengo.

O Flamengo!

E o Equador meteu um 2x1 no Flamengo. Gols de Vargas e Maldonado.

2x1 no time mais querido do Brasil!

'Somos invencíveis!'

Pensaram os equatorianos nas suas camas.

Mal sabiam eles que naquele tempo o Flamengo perdia até de si mesmo.

Quem mandava era o Expresso da Vitória: O Vasco da Gama.

E lá se foram os homens de Quito para São Januário.

Enfrentar um time com sete jogadores do Vasco da Gama que por acaso também vestiam a camisa da seleção brasileira.

E foram massacrados por 9x1.

O gol do Equador foi marcado pelo famoso Sigifredo Chuchuca.

Gol de Chuchuca.

Pura soberba de Chuchuca e companhia...

Coisa de quem nunca comeu melado...

Por Juca Kfouri às 02h40

16/10/2007

Argentina na toada da Copa América

Mesmo sem forçar, a Argentina fez 2 a 0 na Venezuela, em Maracaibo, ainda no primeiro tempo.

Com um gol logo aos 15 minutos, depois que Riquelme pôs a bola na cabela de Milito, em cobrança de falta, como sempre.

E com outro aos 42, em jogada de Tevez pela direita que foi parar com Messi, que fuzilou em belo gol.

Como estava fácil, a Argentina voltou para deixar o tempo passar no segundo tempo.

E quase se deu mal, porque os venezuelanos foram para cima e criaram boas situações ao envolver a não muito segura defesa argentina.

Verdade que quando os argentinos se deram conta de que poderiam se complicar se tomassem um gol, trataram de botar os venezuelanos em seus devidos lugares, ao criar, pelo menos, três claras chances de gol.

Mas tudo ficou no 2 a 0 mesmo.

A Argentina segue em sua toada da Copa América, quando foram o melhor time e levaram um baile na final do Brasil.

Como, aliás, tem feito o Brasil, na mesma toada da Copa América, quando foi muito mal até que fez a final que fez.

A Venezuela segue sem jamais ter vencido a Argentina, mas está feliz.

Porque ganhou três pontos que não esperava no Equador.

Por Juca Kfouri às 23h34

O Brasil no Maracanã que afaga e apedreja

O Brasil é favorito disparado para vencer o Equador hoje, no Maracanã lotado.

Mais que isso: depois do empate em Bogotá, tem a obrigação de vencer.

Mais ainda: de vencer e de convencer, para não ser vaiado.

O time deve ser o mesmo que enfrentou a Colômbia e o Equador perdeu na estréia para a Venezuela, em Quito.

Dito o óbvio, atenção: brasileiros e equatorianos já se enfrentam seis vezes por Eliminatórias da Copa do Mundo.

E os equatorianos venceram duas, sempre na altitude de Quito, além de terem empatado uma vez, também em casa, mas ao nível do mar, em Guayaquil.

Os brasileiros venceram três, duas vezes em São Paulo, outra em Manaus.

Equilíbrio total, certo?

Nem tanto.

Porque na história houve 25 jogos, com apenas essas tais duas vitórias do Equador, dois empates e 21 vitórias do Brasil, que marcou 78 gols e sofreu 19.

Vale repetir: a Seleção é favorita hoje, tem obrigação de vencer e de convencer.

Assim, fará linda festa no Maracanã, sempre capaz de ser generoso.

Senão, será vaiada em sua volta ao país, dois anos depois, e ao Maracanã, nada menos do que sete anos depois.

Porque o Maracanã é capaz de vaiar até minuto de silêncio, que o diga o presidente Lula, na abertura do Pan. 

Por Juca Kfouri às 23h02

Clube dos 13: racha à vista

Por razões ainda não sabidas (espera-se uma manifestação oficial na próxima hora), São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Atlético Mineiro e Botafogo abandonaram a reunião do Clube dos 13, que acontece neste momento em São Paulo, na qual seria discutido um novo estatuto para a entidade, com a diminuição dos poderes de seu presidente.

Os cinco clubes entraram em regime de "reunião permanente".

Por Juca Kfouri às 14h32

Roubado do 'blog do Citadini'

Nas últimas semanas, assistimos à publicação de algumas pesquisas de preferência de torcidas de futebol, algumas das quais realizadas por excelentes institutos.

Publicamos aqui as últimas pesquisas que poderão oferecer aos nossos blogueiros um mapa do que ocorre entre os torcedores. 

Por Juca Kfouri às 13h17

Amigos, amigos, taças à parte

Apesar de antiga e estreita aliança, São Paulo e Flamengo, agora, divergem.

Em entrevista à CBN, o dirigente tricolor João Paulo Jesus Lopes disse que a posição oficial do clube será a de receber a taça destinada ao clube que for pentacampeão brasileiro, taça que o Flamengo reivindica.

O troféu foi instituído pela Caixa Econômica Federal quando o Campeonato Brasileiro surgiu, em 1971, e deveria ser entregue definitivamente ao primeiro clube tricampeão de maneira seguida ou penta de forma alternada.

Como a CBF não reconhece o título do Flamengo de 1987, a taça não lhe foi entregue em 1992, ano de seu penta.

E está guardada num cofre da CEF.

Agora, caso ganhe o penta como tudo indica, o Morumbi deverá abrigá-la para sempre.

A direção do São Paulo argumenta que considera o Flamengo como autêntico pentacampeão, mas alega que não lhe cabe discutir os critérios da CBF, razão pela qual julga ser seu direito ganhar o prêmio.

O Flamengo discorda e diz que se a situação fosse inversa, não o aceitaria, por coerência.

Lopes ainda acrescenta que será melhor para o rubro-negro a taça ficar definitivamente em São Paulo do que ir, eventualmente, para São Januário, pois o Vasco, rival figadal, também é tetra.

Na verdade, tanto o São Paulo quanto o Flamengo jogam para a platéia porque, nessas horas, prevalece o interesse imediato e a coerência que se dane.

Porque se a legitimidade estivesse acima dos interesses particulares, o troféu da CEF, aquele cheio de bolinhas (foto acima), estaria na Gávea há 15 anos.

 

Por Juca Kfouri às 10h31

15/10/2007

Um jogo entre Venezuela e Argentina como nunca se viu

Às 22h40 de hoje tem um jogo que ficou muito interessante para se ver na TV fechada: Venezuela e Argentina, em Maracaibo.

Os venezuelanos foram a grande surpresa da primeira rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo ao vencerem os equatorianos, em Quito, com um gol de falta batida quase no meio de campo, típico gol da altitude, pela rapidez da bola no ar rarefeito.

Os argentinos também venceram na estréia, como se esperava, ao bater os chilenos por 2 a 0, dois golaços de Riquelme, também de falta, em Buenos Aires.

E embora sejam os favoritos nesta noite mesmo como visitantes, os argentinos sabem que a Venezuela não é mais aquela moleza de poucos anos atrás, o que deve possibilitar um jogo bom de ser visto, com atrações como o próprio Riquelme, Carlitos Tevez e, principalmente, o menino Messi.

Vale dormir um pouco mais tarde mesmo para quem tem de acordar cedo.

Por Juca Kfouri às 23h56

São Paulo ganha na Justiça

O desembargador federal Luiz Stefanini aceitou, nesta segunda-feira, toda a argumentação do São Paulo e suspendeu a decisão anterior que penhorava 20% das rendas do São Paulo como mandante.

Até mesmo, ao contrário do que pleiteava o INSS, a renda já penhorada, no último dia 7 de outubro, deverá ser devolvida aos cofres do clube.

Por Juca Kfouri às 16h39

São Paulo x INSS

O INSS oficiará à juíza, que determinou a penhora de 20% das rendas do São Paulo como mandante até o fim do Campeonato Brasileiro, no sentido de que sejam mantidas as rendas já retidas e canceladas as penhoras posteriores.

Depois de examinar a documentação enviada pelo clube, o INSS considerou que a situação foi, de fato, regularizada, mas posteriormente à decisão judicial, razão pela qual adotou a postura acima descrita.

Por Juca Kfouri às 12h56

Deu no 'Correio Braziliense" de hoje

O puxadinho do ministério

Por UGO BRAGA

Oficialmente, o Ministério do Esporte funciona em dois endereços no Plano Piloto. O ministro e seu staff mais próximo despacham no bloco A da Esplanada. Os setores operacionais ficam num prédio do Setor de Autarquias Norte. Há 15 dias, porém, um terceiro endereço foi inaugurado sem qualquer alarde. Ele fica nas salas 126 e 128, bloco B do Centro Empresarial Norte, um prédio discreto e moderno, de localização estratégica. E vem sendo apontado à boca miúda como espécie de repartição pública clandestina, onde pessoas não autorizadas analisam processos que envolvem milhões de reais gastos pela União no programa Segundo Tempo, vitrine da pasta.

De tão recente, o terceiro endereço não tem sequer telefone. Ele foi visitado pela reportagem do Correio na última quinta-feira. É notória a falta de espaço no lugar. Processos estão empilhados em cima das mesas. Havia um computador no chão. Na porta da sala 128, uma placa mandava o visitante entrar pela porta ao lado, número 126. Nesta, nenhum indicativo de que se tratava de repartição federal. Na portaria do prédio, onde uma grande placa informa as empresas que ocupam cada uma das salas nos diversos andares, nenhuma menção ao Ministério do Esporte.

As insinuações sobre a suposta clandestinidade, contudo, não têm nada a ver com a inexistência de placas identificadoras no lugar. Mas com outra, mais grave. Nenhum órgão federal pode ocupar instalações físicas, seja construindo, comprando ou alugando, sem autorização prévia da Secretaria de Patrimônio da União ou da Secretaria Nacional de Gestão, ambas do Ministério do Planejamento. Nesse caso, foi o que aconteceu.

Para montar o terceiro endereço sem o devido aval público, o Ministério do Esporte lançou mão de um verdadeiro drible burocrático e legal, que deixou de cabelos em pé um auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) e um procurador da República a quem o caso foi relatado. Os dirigentes da pasta fizeram um contrato de adesão a uma antiga licitação do Ministério da Justiça, pela qual se atrelaram à Aplauso Eventos. Como o próprio nome diz, essta empresa é especializada na montagem de eventos.

A Aplauso é proprietária das salas 126 e 128 do Centro Empresarial Norte. E as cedeu ao Ministério do Esporte, via contrato de adesão àquela licitação do Ministério da Justiça. Informações colhidas pela ONG Contas Abertas, especializada em gastos públicos, revelam que a pasta esportiva separou R$ 1 milhão de seu orçamento, no dia 13 de julho, para pagar "despesas com organização de eventos" justamente à Aplauso. No último dia 1º, houve um depósito de R$ 152.601,38 na conta bancária da empresa. Ou seja, o serviço está mesmo sendo pago. Embora não esteja explícita e publicamente contratado, o aluguel das salas parece ser parte dele.

"Interesse público"
"Mandamos ofício à Secretaria de Patrimônio da União e demos entrada no pedido para ampliar as instalações", conta o secretário nacional de Esporte Educacional, Júlio Filgueiras, ex-secretário municipal de Guarulhos e militante do PCdoB assim como o chefe, ministro Orlando Silva. "Mas o processo tende a demorar alguns meses. Assim, decidimos fazer através da empresa que nos oferece suporte na montagem de eventos", admite. "Era justificável e atendia ao interesse público."

Na letra fria da lei, o terceiro endereço do Ministério do Esporte é uma aberração. Segundo o secretário de Esporte Educacional, não é formalmente reconhecido pelo Ministério do Planejamento. Além disso, seu custeio se dá a partir de uma espécie de contrato cruzado, feito para a montagem de eventos, mas que paga até locação de imóveis.

Pilha de 300 processos

O terceiro e desconhecido endereço do Ministério do Esporte foi montado especificamente para abrigar uma força-tarefa incumbida de analisar 300 processos de prestação de contas referentes a convênios do Programa Segundo Tempo. Não se sabe exatamente quantos milhões de reais esses documentos representam. Mas é fato que todos estão pendentes e, por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), precisam ser examinados para que o governo continue enviando dinheiro às ONGs, prefeituras e secretarias estaduais conveniadas.

O acórdão do TCU mandou o Ministério do Esporte se mexer justamente porque pipocaram denúncias de algo que, no jargão burocrático, chama-se falhas no objeto. Ou seja, o dinheiro era repassado e a instituição que o recebia não prestava o serviço para o qual fora contratada. Ao menos havia indícios de que não prestara o serviço. Os exemplos se multiplicam.

No Distrito Federal, a Federação Brasiliense de Kung Fu (Febrak), por exemplo, recebeu R$ 2 milhões em 2005. Sua tarefa era oferecer aulas da arte marcial depois do turno escolar. Em março de 2006, o Correio revelou que a entidade retirava as crianças da sala de aula e então ministrava os treinos. E que encaminhava aqueles que se destacassem para virarem alunos da academia do presidente da instituição, João Dias, isso na parte da tarde, justamente o horário em que deveriam receber aulas gratuitas, pagas pelo Estado, para permanecerem no colégio.

A chefe da força-tarefa instalada no terceiro endereço, Danielle Gruneich, informou à reportagem que os convênios problemáticos geradores do acórdão do TCU estão sob análise de uma equipe formada por 14 técnicos contratados por intermédio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que tem até 10 de novembro para dar cabo do "passivo". Ela nega que eles estejam assinando prestações de contas, atividade exclusiva de funcionários públicos. "Eles dão parecer sobre o cumprimento do objeto dos convênios", diz. "Nós é que, com base no parecer, assinamos e encaminhamos a prestação de contas dentro do ministério."

Servidores alarmados com tal formatação sugerem que as análises servirão mesmo é para legalizar falhas em convênios de interesse do PCdoB, partido que administra o Ministério do Esporte desde 2003, do qual Danielle é militante. Daí o motivo de a estrutura ter sido montada fora das sedes oficiais da pasta. "Isso não tem cabimento. Os pareceres são públicos", rebate ela. (UB)

Por Juca Kfouri às 12h31

14/10/2007

Faltaram ar e futebol

Com 45 minutos de atraso por causa da forte chuva que caiu sobre Bogotá, Colômbia e Brasil começaram a partida com perspectivas opostas:

os colombianos em busca de jogo, os brasileiros para fazer o tempo passar.

Porque 2640 metros de altitude são 2640 metros de altitude.

E os brasileiros se deram melhor em seus objetivos nos 45 minutos iniciais.

Correram risco de tomar gol só uma vez, quando Renteria cabeceou firme e Júlio César fez boa defesa, aos 14.

E também tiveram sua chance, aos 25, depois que Robinho fez belo passe para Ronaldinho e este se livrou do marcador e obrigou o goleiro colombiano também a fazer difícil defesa.

Cada lado reclamou de um possível pênalti, mas o árbitro fez bem em não marcá-los.

A expectativa era de um segundo tempo com menos poupança, em busca da primeira vitória nas Eliminatórias.

Mas o Brasil seguiu em sua toada, em câmara lenta, tocando bola e alvo fácil para a marcação da Colômbia, que, por sua vez, não ameaçava.

Individualmente, ninguém jogava mal, ninguém jogava bem, na verdade, ninguém jogava na acepção da palavra.

E o jogo era um porre.

Os colombianos, também com a maioria de seus jogadores atuando fora do país, também sentiam os efeitos da altitude, embora com o aditivo de uma torcida que não parava de apoiá-los.

Aos 17, Dunga tirou Robinho e botou Julio Baptista, a Besta, forte como poucos, uma boa idéia.

Aos 25, tirou Vágner Love para pôr Josué.

O 0 a 0 estava mesmo de bom tamanho e era o que Dunga queria, como ficou claro desde o começo, quando seu time já fazia cera.

E, vai ver, ele está certo.

Mesmo assim, aos 40, fez entrar Afonso, outro tanque, no lugar de Kaká.

Enfim, num jogo nota 4, com 10 só para a altitude, a grande vilã que a Fifa ameaçou matar mas não teve peito para cumprir, parece justo dar 5 para cada brasileiro em campo, com 6 para Júlio César, e 7 para Dunga que, afinal, conseguiu o que queria.

A arbitragem merece 7 e o gramado, quase perfeito depois daquela borrasca, fica com 9. 

Em La Paz será pior, em Quito será igual, mas bom mesmo será em Lima, em Montevidéu, em Buenos Aires, Assunção, enfim, onde dá para jogar bola, como no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre...

Em tempo: que os blogueiros me poupem com comentários do tipo "altitude é frescura".

Por Juca Kfouri às 20h38

Cautela e caldo de galinha

A rodada do feriadão teve média de público de 17.939 pagantes por jogo.

E poucos gols, apenas 18, sinal de que os cuidados começam a superar a ousadia.

E muitos empates, nada menos do que seis, o que comprova o dito acima.

Três 1 a 1, dois 0 a 0, e um 2 a 2.

Só o Grêmio venceu em casa, porque Galo e Flamengo venceram fora e o Vasco jogou no Maracanã.

À torcida do Fluminense, em linda festa de bandeiras no Maraca, coube a melhor presença, com 32.406 torcedores.

E o Machadão recebeu apenas 2.405. 

Por Juca Kfouri às 17h07

Vasco, enfim, vence

O Botafogo passou uma semana treinando em Itu e o Vasco até na Cidade do México esteve.

Mas quem começou o clássico no Maracanã a todo vapor foi o Vasco, que com menos de um minuto já conseguiu um escanteio.

E aos oito abriu o placar, numa linda jogada iniciada pelo calcanhar de Perdigão para Marcelinho que cruzou pela direita para Leandro Amaral pegar de primeira.

O Vasco tratou de tentar matar o jogo e permaneceu muito melhor, sempre rondando a meta botafoguense.

Só aos 23 o Botafogo foi realmente perigoso, quando Lúcio Flávio chutou uma bola que bateu numa trave, correu sobre a linha fatal, bateu na outra trave e voltou para ele, que desperdiçou o rebote.

Então, o Botafogo melhorou e passou a ser parado só com faltas.

Quando o segundo tempo começou, o Botafogo foi todo ao ataque e o Vasco voltou todo à defesa.

O Vasco passou a usar e abusar das faltas também nas imediações de sua área, todas mal aproveitadas.

E, nos contra-ataques, o time cruzmaltino teve ao menos três chances para liquidar o jogo, em vão.

Verdade que Zé Roberto também pôde empatar, ao mandar mais uma bola na trave de Sílvio Luiz, assim como Conca, em cobrança de falta, depois que o jogo já estava empatado, também mandou uma.

Porque tamanho foi o domínio botafoguense, com mais gás que o Vasco porque, afinal, de fato, ambos tinham vivido situações opostas na semana, que Reinaldo empatara, num raro contra-ataque do Glorioso, aos 29.

O 1 a 1 era um terror para ambos, o Vasco há oito rodadas sem vencer e o Botafogo a seis jogos sem ganhar.

O Vasco ficaria só três pontos acima do rebaixamento e o Botafogo só cinco.

O jogo foi emocionante e truncadíssimo, com mais de 50 faltas (40 só do time de Celso Roth, chamado de burro pela torcida) e com 10 cartões amarelos, cinco para cada lado, e dois vermelhos, para os vascaínos Amaral, aos 39, e Enílton, aos 48 

O Vasco parecia em maus, péssimos lençóis, com a expulsão de Amaral, mas Andrade cruzou para Jorge Luís enfiar a cabeça e desempatar, aos 41.

Alívio em São Januário, seis pontos acima do rebaixamento e com um jogo a menos, igualzinho ao Flamengo, com quem jogará nesta quinta-feira.

E, pelas chances criadas, o Vasco mereceu.

Por Juca Kfouri às 17h01

Brasil X Brasil na Copa de 2014

Anúncio oficial de que país será sede virá até 30 de outubro. Mas o país escolhido hoje pode ser descredenciado amanhã

Por MAURICIO MURAD*

É quase certo: a Copa de 2014 será no Brasil. Único concorrente, como em 1950 (primeiro Mundial, após a interrupção da II Guerra; o último fora em 38 na França), o país já recebeu os inspetores da FIFA, que gostaram do que viram. O anúncio oficial virá até 30 de outubro. Então, temos que nos preparar, porque o país escolhido hoje pode ser descredenciado amanhã.

Como organizar um megaevento esportivo, segundo os padrões internacionais, fixados a partir das Olimpíadas de 92, em Barcelona, marco divisor da história da capital da Catalunha? A primeira coisa é avaliar: 1) a última competição equivalente realizada, a Copa da Alemanha/2006; 2) o último grande torneio que o país sediou, o Pan-2007/RJ, e 3) suas outras pretensões, como as Olimpíadas de 2016. Diga-se que o COI já credenciou o Rio como cidade olímpica candidata. A segunda diz que as avaliações têm que ser científicas, para ajudar o planejamento, a execução e a gestão do legado. Então, vamos convocar uma pequena seleção de dados e informações de pesquisas feitas pela UERJ e pelo Mestrado da Universo, que podem auxiliar.

A Copa na Alemanha foi um projeto da sociedade alemã e uma ajuda à inclusão e ao desenvolvimento. Por mais de 5 anos o país investiu muito em infra-estrutura, turismo, pesquisa, cultura, educação, além de campanhas na mídia, nas ruas e nas escolas, mostrando o evento como uma grande oportunidade e o futebol como patrimônio cultural.

O lema dos quase 1 milhão de alemães, homens e mulheres, que cantaram e dançaram no último dia do Mundial, no Portão de Brandemburgo, não deixou dúvida: "a Itália ganhou uma Copa; a Alemanha ganhou uma alma".

A segurança pública em megaeventos é sempre prioridade, para garantir os investimentos, a integridade das pessoas, a festa popular. Na Alemanha/2006 foi assim e o apoio das polícias internacionais deu exemplo e seguiu o previsto no planejamento. Segurança não pode se resumir a repressão: pesquisa, inteligência e prevenção, eis o que se faz necessário. E mais ainda em realidades como a brasileira, com práticas de violência estruturais e históricas, decorrentes de mais de 350 anos de escravidão e de uma sociedade altamente concentradora de riqueza, poder e oportunidade.

Na Alemanha, a lei foi aplicada com autoridade, rapidez e teve por base trabalhos científicos, como a restrição e controle na venda e consumo de álcool. Esta é causa da violência no país: 7000 delitos por alcoolismo na média mensal, com 875 feridos, sendo 200 policiais. Desenvolver a cooperação polícia-população e os fundamentos sócio-educacionais do esporte são pré-condições para os grandes eventos esportivos e devem ficar como legado, de acordo com a FIFA e o COI. Na Copa de 2006 e no Pan 2007, esses critérios foram considerados imprescindíveis. Lá, isto ocorreu. E aqui?

Para responder a esta indagação, durante o Pan foi feito um estudo sobre a segurança e o sentido pedagógico dos Jogos no Rio, com 2410 homens e mulheres de diferentes idades, classe social e escolaridade. Do total, 89% sabiam muito pouco do plano de segurança. Pior que a desinformação, para 72% dos entrevistados o objetivo de se criar um conceito novo de segurança não foi alcançado, e isto porque passou ao largo do envolvimento dos moradores para se construir uma rede de apoio à ação das autoridades que ficasse. Este envolvimento e esta rede de apoio estavam previstos como fatores de grande importância.

Pouco será o legado do Pan, para 83% dos pesquisados. A descrença nas autoridades e o sentimento de impunidade (traços históricos do país) foram muito freqüentes, quase unânimes entre os jovens (14 a 25 anos), o que é ainda mais grave, já que a juventude faz o futuro. Eis as razões: "isso é só pra gringo, depois a violência volta" e "não há uma política educacional para ocupar as áreas esportivas". Importante: foi observado um aumento da descrença e do sentimento de impunidade, após o desastre aéreo, em Congonhas, SP, dia 17 de julho.

O policiamento ostensivo, maior ganho do Pan para 78%, deveria ficar, porque "ajuda a reduzir o clima de insegurança e mesmo a criminalidade". Pedem também melhorias no transporte coletivo e no trânsito - "engarrafamento facilita arrastão"; na iluminação - "escuridão incentiva violência"; leis duras e ações preventivas; integração entre município, estado e união na área de segurança, considerada essencial (93%) para melhorar a qualidade de vida em todos os bairros estudados.

Houve propostas estruturais, como aumentar o emprego e a renda, melhorar educação e moradia. Sociologicamente interessante é que as sugestões imediatas predominaram nas classes mais altas. As de longo alcance, nas camadas mais baixas. Já entre os jovens de todas as classes houve coincidência na herança desejada: uma imediata – aplicação da lei – outra estrutural – mais emprego. Ambas vistas como complementares por 67% deles.

A Copa de 2006 foi um sucesso. O Rio não fez feio no Pan. Mas aqui deveríamos ter feito mais, controlado melhor os custos e mantido em plena atuação os mecanismos de segurança pública. Já que a Copa de 2014 bate à porta e já que queremos as Olimpíadas de 2016, que tal estudar, criticar e aprender com quem já fez?

Historicamente, esporte é atividade sócio-educativa, expressão de identidade, fator de socialização. Não resolve questões básicas, mas pode agregar valores relevantes de "consciência social" e, assim, dar mais legitimidade aos projetos coletivos.

*Mauricio Murad é sociólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e do mestrado da Universo (RJ). Seu livro mais recente é A violência e o futebol: dos estudos clássicos aos dias de hoje, Editora da FGV, RJ, 2007.

http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/

Por Juca Kfouri às 23h04

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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