Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

27/10/2007

O Evangelho segundo o João

Mané Garrincha, o segundo maior gênio da história do futebol, faria amanhã, 28 de outubro, 74 anos.

Por ROBERTO VIEIRA

Não. Não fiquei triste com a morte dele. Pra que mentir? Não pude me vingar. Eu preferia que ele nem tivesse existido. Pouparia muitos do desemprego, da vergonha. Você não imagina o que é rirem de você. Milhares de pessoas rindo de você, como se você fosse um palhaço de circo mambembe. Até mesmo seus amigos, seus filhos, rindo.

Eu sempre joguei sério. Na bola. Sempre fui respeitado. Quando era pequeno rezava todas as noites para ser um craque. Um jogador de futebol. Eu acreditava nas minhas orações. Obedecia meus pais. Pedia a benção. Vim jogar no Rio. Virei capa de revista. Comecei a sonhar com a seleção. Foi aí que meu mundo virou de pernas pro ar.

Eu o conhecia das peneiras. Um aleijado. Dava pena. Chegava calado e saía mudo. Quando os técnicos viam aquelas pernas eles o mandavam embora. Mas ele sempre voltava.

Foi então que um dia eu soube que ele enfeitiçou o Nilton. Logo o Nilton, meu ídolo! E foi escalado pra jogar no Botafogo. E começou a fazer gols.

Imaginei que devia ser piedade divina e fiquei na minha. Um dia nosso destino iria se cruzar. E seria seu fim.

Coronel e Jordan tinham conversado comigo:

'Cuidado!'

Eu fiquei rindo. Ele também tinha enfeitiçado os dois. Prometi a mim mesmo que eu ia acabar com aquela palhaçada.

Chegou o dia. Domingo. Maracanã lotado.

Batem o centro. Vem a primeira bola e eu me antecipo. Sério. Na bola. Toco para o ataque e volto correndo para minha posição. Sem pena. Pois o que Coronel e Jordan sentiam era pena. Eu ia mostrar ao mundo a farsa das pernas tortas.

A segunda bola escapou de suas chuteiras.

O primeiro tempo se encaminhava para o fim quando ele domina a pelota. Eu entro no meio do joelho dele. Sem pena. Pra quebrar. Ele cai. Olha o joelho. Levanta.

Alguém na geral grita:

'Quebra ele!'

Ele sorri. Para a geral e para mim. Como um passarinho no alçapão. Aquilo me desconcertou. A pancada que eu dei poderia derrubar uma parede. Mas ele levantou sorrindo pra mim.

O Maracanã lotado.

E a bola chegou até ele um segundo antes de mim. E ele partiu na direção do gol. Eu atrás. Ele parou, súbito. Eu passei, lotado. Voltei e dei um carrinho. Ele escapou pela direita. Eu levantei e ele driblou pela esquerda. Beijei o chão. Ele cruzou na cabeça de Paulo Valentim. Gol.

Perdi a conta das vezes em que fui driblado. Não vi mais a cor da bola. O Botafogo venceu por 6x2. Alegria do povo.

Porém, um lance ficou gravado em minha memória. Sem dribles. Pisei num buraco. Chorei de dor. Ele partia em direção ao gol. Seria o sétimo gol. A torcida já gritava '7, 7, 7'... As mesmas pessoas que gritavam 'quebra, quebra, quebra'.

Inexplicavelmente ele parou e tocou a bola para fora. Tocou a bola para fora pra que eu fosse atendido.

Fratura. Aleijado. Ele me ajudou a sair de campo.

Nunca mais nos vimos.

Eu vim trabalhar nessa fábrica. As capas de revista eu guardo lá em casa.

Com o tempo ele virou gênio. Tão aleijado quanto eu. Cheio de mulheres. De fama.

De vez em quando vem um jornalista como você vem me entrevistar.

Quer saber a verdade. A verdade?

A verdade é que não. Não fiquei triste com a morte dele. Pra que mentir? Não pude me vingar.

Eu preferia que ele nem tivesse existido.

Por Juca Kfouri às 22h02

Só o Santos venceu

O Santos, mesmo com dificuldades para entrar na defesa do Goiás, teve o primeiro tempo em suas mãos na Vila Belmiro.

Os goianos só foram perigosos num escanteio batido por Paulo Baier, o Senhor Goiás, 12 gols e 12 assistências no Brasileirão.

De resto, o Santos teve um pênalti não marcado em lance de mão na bola do zagueiro Paulo Henrique, uma bola na trave direita em falta cobrada por Kléber enquanto o goleiro Harlei arrumava a barreira colado à trave esquerda, e mais uma boa chance embaixo do travessão goiano.

Mas foi aos 2 do segundo tempo que Pedrinho fez o gol, ele que acabara de entrar, em bola que Kléber chutou em cima dele e ele virou para marcar.

Daí em diante, o jogo mudou.

O Santos teve inúmeras possibilidades, mas Kléber Pereira mais atrapalhava que ajudava.

E o Goiás se mandou todo, sob a batuta do Senhor Goiás.

E Luiz Henrique chegou a acertar o travessão de Fábio Costa.

O Santos errava demais, mas Tabata o salvou, aos 29, em belo gol, antecedido por um drible seco que desnorteou o time do Brasil Central.

Aí, o Goiás se entregou, não sem antes quase diminuir com Baier, em grande defesa de Fábio Costa.

Mas foi o Santos que contra-atacou com Vitor Júnior e fez 3 a 0, aos 36.

O São Paulo já não pode ser pentacampeão amanhã e o Goiás pode ser alcançado, em pontos, pelo Corinthians.

Já o Santos passou o Cruzeiro.

Que apenas empatou com o Furacão no Mineirão, 1 a 1.

Em jogo muito equilibrado, logo de cara Ferreira perdeu gol feito ao tentar encobrir o goleiro Fábio.

O Cruzeiro respondeu com Kérlon mandando no travessão paranaense.

E fez seu gol, aos 41, com Leandro Domingues.

Só que o Atlético Paranaense não se entregou e repetiu o que os visitantes têm feito na casa cruzeirense, ao empatar, com Ferreira, aos 35.

Bom para o Furacão, muito ruim para o Cruzeiro, que tem o Grêmio em seu encalço.

O 1 a 1 do Mineirão foi o placar também do Maracanã, para Fluminense e Galo.

Aos 14 segundos, Adriano Magrão fez o gol mais rápido do Brasileirão e a tarde parecia tricolor.

Mas aos 30 minutos, Maurício deu um presentão para Éder Luís que agradeceu e empatou.

O Flu ainda tentou vencer no segundo tempo, mas foi ineficaz.

O Galo não tem do que se queixar.

Por Juca Kfouri às 19h08

Caio no Ajax

O Ajax, da Holanda, ofereceu 10 milhões de euros para os empresários de Caio, do Palmeiras.

O Palmeiras poderá ficar com quatro milhões de euros.

E perderá seu melhor jogador nas últimas rodadas do Brasileirão.

A Trafic, parceira do Palmeiras, tentará evitar para que ele dispute, ao menos, a Libertadores.

Com pouca chance de êxito.

Por Juca Kfouri às 10h42

26/10/2007

Mais uma rodada de fogo

Sábado de três jogos, às 18h10.

Em Flu e Galo, no Maraca, qualquer coisa pode acontecer.

Porque se o tricolor tem mais time que o alvinegro, a equipe mineira tem muito mais personalidade que a carioca e precisa muito mais do resultado.

No Mineirão, Cruzeiro e Furacão.

Aí os dois precisam do resultado, por razões parecidas: um quer a Libertadores e outro a Sul-Americana.

Está na hora de o time azul, ainda imaturo, reencontrar o bom caminho. Tem tudo para conseguir.

E na Vila tem Santos e Goiás.

A diferença entre ambos é abissal, mas o Goiás tem Paulo Baier que, com a sua camisa, mostra uma personalidade que falta ao time santista.

Só que nem isso evitará o obrigatório, a vitória do time paulista.

No domingo, três jogos às 16h.

América e Flamengo será uma festa em Natal.

Festa rubro-negra, sim senhor, nas arquibancadas e no gramado.

No Recife, Sport e São Paulo.

Sem entrar no mérito do desequilíbrio entre os times e mesmo com quatro jogadores descansados como estão Miranda, Jorge Wagner, Júnior e Leandro, algo me diz que o Sport não será batido na Ilha, porque os efeitos de Bogotá ainda serão sentidos pelos tricolores.

E no Olímpico teremos a Batalha dos Aflitos 2.

Já imaginou se o Timbu complica a luta gaúcha pela Libertadores?

Não será uma revanche à altura do que houve na Série B, mas, sem dúvida, soará como vingança.

No entanto, duvideodó.

Às 17h, haja drama no Pacaembu.

O combalido Corinthians entra em campo sem favoritismo diante do Figueirense, que tem time melhor e mais bem organizado, além de tranqüilo, sete pontos adiante do rival.

Será daquelas tardes que ou a torcida joga, ou...

Finalmente, três jogos às 18h10.

Paraná Clube e Inter, na Vila Capanema, tem a cara do Colorado, que sobe a ladeira e tem bom time.

Juventude e Botafogo, em Caxias, também parece ao feitio do Glorioso.

E Vasco e Palmeiras, em São Januário, é mais uma prova para a maturidade alviverde, capaz de se sair bem dela.

Por Juca Kfouri às 09h41

25/10/2007

Uma tentativa de golpe do Peru

Para aqueles que ainda teimam em achar que altitude é frescura, a tentativa peruana de levar seu jogo contra o Brasil pelas eliminatórias primeiro para Cusco e depois para Arequipa deve ensinar alguma coisa.

Cusco fica a 3.500 metros de altitude e por isso a Fifa vetou.

Arequipa fica a 2.300 e aí a Fifa vetou porque a inscrição da cidade foi feita fora do prazo.

Então, o Peru resolveu convocar dois times diferentes para seus dois próximos jogos nas eliminatórias:

um, apenas com jogadores que atuam no país, para enfrentar o Equador, em Quito, na altitude de 2.850 metros.

E outro, com os que jogam fora do Peru, para jogar contra o Brasil, em Lima mesmo, ao nível do mar.

Porque até os atletas peruanos que jogam fora do país tinham reclamado da possibilidade de jogar na altitude.

Demonstração mais óbvia de que a altitude é uma arma dos que não tem futebol não poderia haver.

Por Juca Kfouri às 23h10

Faz 10 anos...

O dom do Dom

Por BRUNO FORMIGA

Nublado, o céu chorou.

E sob lágrimas, o sábado se vestiu de melancolia.

Aquela tarde de outubro parecia pressentir que seria a moldura final da obra de um artista.

Um artista plástico.

A perna esquerda do garoto pobre foi a ponte para uma vida longe das favelas.

Foi ela quem levou o pequeno Diego à escada dos imortais.

E lá, Maradona se eternizou desde o primeira dia em que pisou em um campo de futebol.

Vindo da plebe, ousou colocar em dúvida toda uma Monarquia.

Driblava com uma soberba jamais vista.

Inventava espaços onde a bola mal cabia.

E quando ela cabia em qualquer lugar, ele dizia: - "Vai ali, no peito do atacante. Sem pressa, com calma".

A bola, claro, obedecia.

Maradona era a contradição pura do esporte moderno, que exigia um atleta completo, em forma.

E, sobretudo, calado.

Com a camisa 10 apertada, muitas vezes denunciando uns quilos a mais, ele jogava futebol com apenas uma perna: a esquerda.

Mas sempre com a direita, companheira fiel, ao lado, correndo e se perguntando por que não tinha sido a escolhida.

Nos microfones, Maradona era sempre Diego.

E Diego era Maradona.

Falava sem pensar.

Mas também pensava para falar.

Foi a alegria de muito repórter.

Desafiou a FIFA.

Tornou-se amigo íntimo de Fidel Castro e fã incondicional de Che Guevara.

Era esquerda também no pensamento.

Mas em campo sempre fez tudo direito. Maravilhosamente direito. Perfeito.

Fora dele, a vida conturbada. Mas como já escreveu o uruguaio Eduardo Galeano, "Maradona foi o melhor de sua época apesar da droga e não por causa dela".

E naquela tarde de outubro, vendo o choro cair do alto e os aplausos virem das arquibancadas, Maradona cansou.

Cansou de correr, de vencer. De perder.

Depois de ajudar o Boca Juniors a vencer o River Plate, em pleno estádio Monumental, ele quis ser apenas Diego.

Mas nunca conseguiu. Saiu dos gramados para ser gênio apenas na História.

Maradona vive na memória de quem ama futebol.

É personagem dos principais no filme do esporte.

Está no roteiro, que escreveu que no dia 25 de outubro de 1997 Maradona teria que pendurar as chuteiras.

O céu já sabia. E chorou. Assim como todos nós.

Por Juca Kfouri às 17h35

Na 'Folha', de hoje

todo-poderoso

CBF veta governo no comitê da Copa

Estatuto de entidade de candidatura ao Mundial-2014, que virará organizadora, exclui qualquer interferência estatal

Ricardo Teixeira é sócio, presidente da Brasil 2014 e detentor de poderes quase absolutos, mas não tem que responder por seus atos

RODRIGO MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

O comitê de candidatura do Brasil à Copa do Mundo de 2014 -que se transformará no organizador da competição- tem um formato jurídico que veda a interferência do governo federal. As regras dão plenos poderes ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira, como diretor-presidente e sócio.
Esses dados constam do estatuto da Associação Brasil 2014, obtido pela Folha no registro civil do Rio de Janeiro.
Se a Fifa confirmar o Brasil como sede do Mundial, o documento deverá sofrer alterações. Mas o formato jurídico da entidade deverá ser mantido.
Fundada em junho, a atual entidade é uma associação civil sem fins econômicos. E o estatuto deixa a União, que vai bancar a maior parte dos custos do Mundial, de fora de qualquer decisão sobre o comitê.
O artigo 30 diz que a entidade "não exerce função delegada do Poder Público nem se caracteriza como entidade ou autoridade pública e goza de peculiar autonomia quanto à sua organização e funcionamento, não estando sujeita à ingerência ou interferência estatal".
A Fifa permite que o comitê organizador seja formatado como empresa, com remuneração e participação dos lucros dos dirigentes. Mas, como sociedade empresarial, a Brasil 2014 estaria submetida a regras mais duras de fiscalização.
No atual formato, sua situação é similar à de entidades esportivas, autônomas pela Constituição. Como não tem fim desportivo, por enquanto, o comitê também não está submetido à Lei Pelé, que prevê a publicação de prestações de contas e fiscalização pelo Ministério Público Federal.
Para reforçar a independência, a Brasil 2014 não pode receber verba pública dentro "da dotação orçamentária", pelo artigo 26. Isso impede fiscalização, como ocorreu com o Comitê Organizador dos Pan-2007. Só que patrocínios de estatais estão liberados.
Com autonomia, o comitê tem seu poder centralizado nas mãos de Ricardo Teixeira.
A CBF e o dirigente são os únicos sócios da entidade. Tanto que ele assina tanto em seu próprio nome quanto no da confederação.
A Assembléia Geral, que é o órgão máximo do comitê, é composta pelos associados. Caberá a esta - na prática, a Teixeira- deliberar sobre contas, estatuto e composição da diretoria, entre outros tópicos.
Abaixo deles está a diretoria executiva, composta pelo cartola, presidente, e mais três: Carlos Langoni, Rui Rodrigues e Francisco Müssnich.
Nenhum deles será remunerado, nem terá participação nos lucros. Qualquer despesa acima de R$ 50 mil tem que ser aprovada pelo presidente.
Todo-poderoso, Teixeira e seus diretores estão livres de serem responsabilizados pelos atos administrativos da Brasil 2004, pelo estatuto. Só podem ser responsabilizados por violação à lei. Assim, não se poderia cobrar deles em caso de prejuízos. Esse artigo tem legalidade questionável, segundo advogados ouvidos pela Folha.

Outro lado

Associação se recusa a falar sobre regras

DA REPORTAGEM LOCAL

Questionada sobre seu estatuto, a assessoria da Associação Brasil 2014 e da CBF informou que não comentaria o assunto.
A Folha apurou que o modelo de pessoa jurídica sem fins econômicos foi adotado para evitar críticas se houvesse salários ou lucros pagos a cartolas.
Em edições anteriores, o comitê organizador da Copa costumava obter superávit. A Fifa até permite que dirigentes tenham participação nesse lucro.
No caso da Brasil 2014, se houver sobra de dinheiro, os recursos serão aplicados em "projetos especiais para o desenvolvimento do futebol na América Latina".
Mas outro ponto importante na escolha do formato foi o veto à interferência estatal. Ricardo Teixeira sempre evitou receber dinheiro público para não sofrer fiscalização do governo federal na CBF.
As mudanças no estatuto, se o Brasil for confirmado como sede, ainda terão de ser decididas por Teixeira. Mas não devem atingir o formato jurídico.
As finalidades do comitê, sim, devem mudar, de promotora da candidatura brasileira para organizadora da Copa. (RM)

POLÍTICA: UNIÃO ESPERA A FIFA PARA ATUAR
Integrantes do Ministério do Esporte pretendem interferir de forma mais efetiva no projeto da Copa-2014 após a próxima semana, quando a Fifa deve confirmar o Brasil como sede. Eles não descartavam participação no comitê no Mundial.


Por Juca Kfouri às 16h31

24/10/2007

Sem desculpas, brasileiros dão adeus à Sul-Americana

O Vasco fez um primeiro tempo perto do exemplar.

Tanto que fez 1 a 0 com Leandro Amaral logo aos 10, em seguida, aos 22, teve o segundo gol salvo, que seria de Conca, por um mexicano na linha fatal e mais adiante, aos 36, mandou uma bola na trave do América, com Luisão.

Isso para não falar das duas ótimas defesas que obrigou o goleiro Ochoa fazer, tanto aos 35, em cabeçada de Alan Kardec, como, um pouco antes, aos 28, já tinha espalmado um bom chute de Conca.

Tudo porque os cruzmaltinos foram para cima desde o começo, sem trégua.

Correu riscos, é claro, porque o time asteca de bobo não tem nada e soube levar perigo ao gol de Cássio, uma boa escolha do técnico Romário.

Mas causou muito mais preocupação no adversário do que teve de se preocupar com ele.

E quando acabou a primeira metade da partida, o 1 a 0 era injusto, profundamente injusto.

Dois a zero seria pouco, essa é que é a verdade, três, no mínimo, seria o razoável.

O segundo tempo começou exatamente no mesmo ritmo.

Logo aos 5 minutos, em nova cabeçada de Alan Kardec, a bola é salva na linha fatal.

Parecia coisa do outro mundo.

Conca, que havia batido o escanteio desviado por Rubens Júnior para o gol de Leandro Amaral, jogava demais.

E Romário mandou Romário se aquecer.

Ele obedeceu.

E pôs Marcelinho no lugar de Leandro Bonfim, aos 11.

Aos 20, Romário mandou Romário entrar.

E ele entrou.

Saiu Alan Kardec, sem reclamar com o técnico.

Aos 24, Marcelinho cruzou para ele e o Baixinho, quem diria, subiu desajeitado para cabecear e só resvalou na pelota.

Aos 28, Leandro Amaral teria a bola do 2 a 0 nos pés, mas passou por ela.

Aos 34, Romário tocou na bola pela segunda vez, ao abrir um passe pela setor direito.

E, aos 35, desferiu uma bomba, de dentro da área, desviada pela cabeça de um defensor mexicano.

Na altura da Cidade do México, o América foi melhor.

Ao nível do mar, o Vasco fez por merecer muito mais.

Mas não deu.

O técnico Romário ganhou o jogo em sua primeira, e provavelmente, segundo ele mesmo após o jogo, última partida como técnico.

A nota dele?

Oito!

Segundo ele mesmo, em entrevista ainda no gramado.

Enquanto isso, em Bogotá....

Altitude, como sabem todos os doutores em fisiologia, é pura frescura.

E não foi, portanto, por causa dela que o Millonarios equilibrou o jogo contra o São Paulo, ao contrário do que acontecera no Morumbi, quando até ganhou uma partida que deveria ter perdido por 4 a 0, tantos foram os gols perdidos pelos tricolores.

O fato é que Rogério Ceni precisou trabalhar mais no primeiro tempo que o goleiro colombiano.

E o perigo viria a seguir, porque embora a altitude não tenha a menor influência, como também se sabe, o jogador de futebol é muito influenciável e se deixa impressionar por essas bobagens que saem na imprensa, sobre os efeitos (inexistentes, sublinhemos) de jogar a 2.640 metros.

E só o Millonarios foi perigoso, porque o pentacampeão brasileiro não conseguia criar uma jogada, mal ficava com a bola no pé, uma de suas principais características.

O São Paulo sabia que 0 a 0 ou nada era a mesma coisa, só que não conseguia ir para cima, provavelmente por alguma coisa que o time comera no jantar.

Aos 26, Muricy tirou Hugo e pôs Francisco Alex.

E foi o meia, que veio da Ferroviária de Araraquara, quem deu, aos 29, o primeiro chute são paulino ao gol colombiano na etapa final.

Aos 31, o Millonarios fez 1 a 0 e, ao contrário do primeiro jogo, era justo.

Aos 36, 2 a 0, outra vez com Ciciliano, em contra-ataque, exatamente depois da melhor chance de gol brasileira.

A Copa Sul-Americana, para o São Paulo, valeu apenas pela vitória diante do Boca Juniors.

Mas que se repita: a altitude não tem nada a ver com isso, nem diante dos mexicanos nem diante dos colombianos.

O futebol brasileiro segue virgem na Copa Sul-Americana. 

Por Juca Kfouri às 22h47

Aos navegantes

Depois das regulamentares duas horas e vinte minutos de avião entre Salvador e São Paulo, e abusivas duas horas do aeroporto de Guarulhos até o escritório na Paulicéia, este pobre blogueiro voltou como se pode perceber com as ótimas contribuições de Roberto Vieira e da ZH, além de ter respondido alguns dos comentários dos blogueiros sobre a nota "O que é este blog?".

Gracias.

Voltaremos com os jogos do São Paulo e do Vasco, não sem antes fazer o programa da CBN, algo impossível na noite soteropolitana.

Por Juca Kfouri às 16h43

Técnicos pernas-de-pau

Por ROBERTO VIEIRA

Como analisar um craque como Romário assumindo o cargo de técnico?

Impossível prever o futuro.

Mas talvez seja possível analisar o passado.

Vamos pegar como exemplo os técnicos da Seleção Brasileira através dos tempos em Copas do Mundo.

Havia algum ex-craque entre eles?

Dificilmente. Parece que o primeiro requisito para treinar a Seleção é ser perna-de-pau.

Salvo as exceções que confirmam a regra.

Píndaro de Carvalho, Luiz Vinhares e Adhemar Pimenta eram pernas-de-pau.

Nem pra goleiro serviam. E foram ser técnicos na vida.

Flávio Costa não conseguia fazer duas embaixadas.

Zezé Moreira, quando jogador, tinha a delicadeza de um policial do GOPE.

Vicente Feola? Nem pensar. Grande sujeito, mas seu negócio era tirar um cochilo.

Aymoré Moreira fazia parceria com o irmão Zezé.

Zagallo foi o primeiro grande jogador a assumir a Seleção.

Tem quem não goste do estilo do Formiguinha. Mas ser bicampeão do mundo não é pra qualquer um.

E ainda por cima fazendo dois gols em Copas.

Cláudio Coutinho como jogador de futebol era um grande mergulhador.

Já Telê Santana foi um jogador singular. Seu talento estava principalmente na massa cinzenta.

Lazaroni e Parreira?

Parreira é um bom pintor.

Filipão deixou marcas do seu tempo de jogador no Rio Grande do Sul.

Marcas de suas chuteiras nas canelas dos adversários.

Dunga foi um bom jogador. Não era tão bom tecnicamente, mas compensava tudo com garra.

Quando a gente vê Romário seguindo o caminho atual, não podemos deixar de lembrar de Puskas e Di Stefano.

Algumas vitórias. Muitas decepções.

E a leve impressão que o futebol, pra quem sabe, é muito mais fácil dentro das quatro linhas.

Por Juca Kfouri às 15h11

O Juca. E o Kfouri

Por ROBERTO VIEIRA

A polêmica é senhora. Desde que o futebol é futebol é assim.

Então, lendo os comentários dos últimos dias, não pude deixar de também comentar.

Porque existe o Juca. E existe o Kfouri.

Blog é uma invenção recente. Dez anos talvez.

São mais recentes que os três pontos por vitória. Ainda engatinham.

Porém, para os mais velhos como eu, é uma invenção revolucionária.

Nos anos 70 quando eu era leitor da Placar ou da Manchete Esportiva, seria formidável poder trocar idéias com Michel Laurence, Sérgio Martins, Lemyr Martins ou José Maria de Aquino.

Mas não havia internet. Não havia Blog.

Certa vez uma carta minha sobre o Doutor Sócrates chegou a ser publicada na Placar. Eu guardei o exemplar durante anos como um troféu.

Mas naquele tempo de correios e distâncias, só havia o Kfouri. Não havia ainda o Juca.

Porque se houvesse Blogs no passado...

Talvez houvesse o Blog do José Bento, para quem gostasse de Monteiro Lobato.

Talvez o Blog da Garota de Ipanema, pra quem fosse fã do Vinícius.

Talvez o Blog da Estrela Solitária, pra quem lesse Armando Nogueira.

Talvez o Blog do Mané, pra quem vibrasse com o Garrincha.

Porque o Blog é o momento em que sentamos na mesa de um bar pra conversar sobre a vida.

Porque o Blog aproxima as pessoas. Pessoas que sempre vivem tão distantes.

Porque chega um momento em que precisamos andar descalços na areia.

Em que precisamos deixar o Kfouri de lado.

Pra sermos apenas o Juca.

Por Juca Kfouri às 14h59

Na coluna do Falcão, na ZH

Por PAULO ROBERTO FALCÃO

Quatro campeonatos

Muita gente está espantada com a lotação dos estádios nesta reta final do Brasileirão, já com o título praticamente definido a favor do São Paulo. A afluência de público, além de chancelar a tão questionada fórmula de pontos corridos, mostra que os torcedores brasileiros começam a dar importância para a classificação de seus clubes preferidos, mesmo quando estes não têm mais chance de ser campeão. Como bem disse o vice-presidente de planejamento do São Paulo, Marcelo Portugal Gouvêa, são quatro campeonatos num só.

O primeiro é o mais ambicionado, pois dá direito a participar da principal competição do continente e possibilidade de chegar à disputa do Mundial. Ninguém mais tira o São Paulo desta condição, mas todos os demais que estão um pouco acima ou um pouco abaixo dos 50 pontos podem pleitear as vagas restantes. Estão assim Palmeiras, Cruzeiro, Santos, Grêmio e Flamengo. O segundo campeonato mais importante, dentro do Brasileirão, é o da Sul-Americana. Embora seja uma espécie de prêmio de consolação para quem não consegue chegar ao G4, também começa a ser valorizado pelos clubes e por seus torcedores, que ao menos têm a oportunidade de participar de uma competição internacional. Praticamente todos os clubes podem ficar nesta faixa de sete classificados. Há também uma competição sem prêmio no Brasileirão, a faixa das cinco equipes que ficam apenas com o direito (ou o consolo) de se manter na elite. Abaixo dela está a desgraça do rebaixamento. Como exceção do América-RN, que já estão condenado, as torcidas dos outros atuais ocupantes do grupo de baixo ainda não perderam a motivação de ajudá-los a sair do buraco.

Tudo isso faz do Brasileirão uma competição empolgante, mesmo sem a qualidade técnica desejada.

Fórmula

Mesmo quem aprecia formulismos deve reconhecer que seria injusto zerar tudo para um quadrangular, ou para uma final, quando o São Paulo está 13 pontos na frente do segundo colocado.

Por Juca Kfouri às 14h58

Deu na 'Zero Hora'

Fórmula do Campeonato Brasileiro pode mudar em 2009

Possibilidade é de turno e returno com octogonal ou quadrangular final

A fórmula do Campeonato Brasileiro pode mudar em 2009. A informação foi dada na noite desta terça-feira pelo repórter Sérgio Guimarães, da Rádio Gaúcha, após conversa com o diretor financeiro do Clube dos 13, o ex-presidente do Internacional Fernando Carvalho.

Há duas possibilidades, ambas com turno e returno: um octogonal ou um quadrangular final entre os melhores classificados. Em 2008, a fórmula deste ano, com turno e returno e o título para o melhor colocado, será mantida.

Nota do blog: um absurdo, ainda mais agora que a fórmula dá sinais de ter pegado de uma vez por todas.

Por Juca Kfouri às 14h56

23/10/2007

Quarta-feira da virada ou da despedida da Copa Sul-Americana

O São Paulo vive uma semana daquelas que Muricy Ramalho, com razão, odeia.

Dois jogos, com duas viagens longas, desgastantes.

A primeira para pertinho do céu, em Bogotá, a 2.640 metros de altitude, com a responsabilidade de virar, nesta quarta-feira, um jogo que o São Paulo está perdendo para o Millonarios, por 1 a 0.

E viaja sem Miranda, sem Júnior, sem Jorge Wagner e sem Leandro, poupados para enfrentar a segunda viagem, para Recife, onde o Sport os espera no domingo, numa rara partida em que o tricolor não é favorito, justamente por causa do desgaste.

Já o Vasco pega o América com a missão de repetir a façanha alcançada diante do Lanús, virar um resultado que lhe é desfavorável por 2 a 0.

A atração em São Januário é Romário, duplamente no banco, como técnico e como jogador.

Pois não é que, num ataque de modéstia, o Baixinho resolveu não se escalar -- além de barrar cinco titulares, entre eles o inseguro goleiro Sílvio Luiz e o meio campista Andrade?

Daí, fica a pergunta: será que Celso Roth tinha razão ao implicar com Andrade e não escalar o próprio Romário?

Por Juca Kfouri às 19h32

Robinho se complica

Por GUSTAVO VILLANI, de Madrid 

A balada de Robinho no Rio de Janeiro rende matérias e matérias nos jornais espanhóis.

Os cronistas mais divertidos sugerem até uma medalha honrosa pelas 40 camisinhas pedidas pelo brasileiro, que será pai pela 1° vez em breve.

Brincadeira à parte, especula-se em 3, 4, 15 e até 40 mil euros de multa ao jogador por transgredir as normas do Real Madrid, que preza pela conduta pessoal, cuidados com a saúde, valores do clube e pontualidade nos treinos.

Nas próximas horas o clube merengue divulgará o resultado do expediente sancionador, ainda em curso entre os dirigentes.

Júlio Baptista também será julgado, apesar de não ter sido vinculado a tal festa.

Julio assumiu o erro publicamente ao alegar que poderia, sim, ter ligado para os dirigentes para comunicar o atraso do vôo, Robinho permanece calado.

O atacante está na terceira temporada e todos ainda esperam pelo tão falado futebol digno da camisa 10 vestida por ele. Episódios como esses do Rio só encurtam ainda mais a paciência de torcedores, dirigentes e imprensa.

Drible como aquele do Maracanã não é visto aqui. Gols?

Até agora 14 em 75 jogos e a titularidade nunca foi um fato, fosse com Wanderley, Juan Caro, Capello ou mesmo agora, sob comando de Bernd Schuster.

"Robinho precisa estar feliz, não pressionado", diz o atual treinador.

Pois aí parece estar o problema.

Primeiro com a adaptação, depois com as trocas de treinador e pressão pela falta de títulos, na seqüência não se sentiu protegido pelo clube ao ser chamado de baladeiro por Mijatovic(diretor de futebol), aí vieram os problemas com Capello quando até pediu para ser negociado e, por último, essa festança polêmica, seguida de atraso de seis horas na reapresentação sem ao menos avisar, depois da partida contra o Equador.

Fato é que Robinho não joga aqui tudo aquilo que jogou na Copa América e Eliminatórias passadas, sem sequer citar o Santos.

Não há casa de cinco milhões ou carro presenteado de 60 mil euros que pague a satisfação de acordar todos os dias para trabalhar.

Quem sabe o nascimento de Robson Júnior, entre final do ano e começo de 2008, traga novas motivações?

Aos 23 anos, há muito ainda que mostrar.

Para quem esperar ser o melhor do mundo em 2008 ou 2009, falta bastante.

Para os espanhóis, espelhar-se em Romário e Ronaldo não basta, tem que começar a jogar o que os outros dois jogaram.

Por enquanto, Robinho parece ser apenas a imagem distorcida dos ídolos.

Por Juca Kfouri às 16h10

Resposta irada

Besta é tu

 

Por FELIPE SANTOS 

            (Como prólogo do texto, digo àqueles que não me ofenderam, ou àqueles que me corrigiram, lembrando que, tecnicamente, pode-se dizer que Rogério Ceni já fez um gol com bola rolando – no empate em 2 a 2 com o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Brasileiro do ano passado, quando, aliás, levou, merecidamente, nota dez na “Bola de Prata” de Placar: talvez o adjetivo que usei para o goleiro são-paulino não tenha sido, realmente, o mais correto. Talvez o que eu queria dele seja um ato pioneiro. Porque, diferenciado, Ceni já é, devo dar a mão à palmatória. E, sendo diferenciado, já que faz coisas que outros arqueiros já realizaram, mas com um nível de excelência poucas vezes alcançado, porque exigir pioneirismo dele? Deixemos Ceni do jeito que ele é. Não leve o que vai a seguir em conta. E obrigado por qualquer coisa.)

 

            “Patético” foi o adjetivo menos ofensivo – e menos mal-educado – que li nas críticas ao texto “Rogério Ceni não é diferenciado. Ainda.”.

            Mal sabem os leitores do incentivo que me deram a escrever esta resposta.

            Porque é você, leitor, o patético da história.

            E, pior, não aceita admitir que o é. 

            A imprensa esportiva brasileira é de qualidade paupérrima? É. 

            Mas, ultimamente, observo que você, leitor de qualidade paupérrima, também grassa no Brasil.

            É você que, em época de Copa do Mundo, não quer ampliar a sua cultura futebolística, só quer saber da “amarelinha”, como se não houvesse mais 31 países no torneio. 

            É você que orgulha-se de ignorar os outros esportes, falando que “esporte é futebol, o resto é educação física”. 

            É você que não quer ver mulher jogando bola, invadindo o território dos machos. 

            É você que tem feito aquela gozação saudável, em que todos tiravam um mútuo sarro, mas continuavam amigos, transformar-se em uma coisa doentia e predatória. 

            Você não quer mais que seu time vença o adversário, o rival. 

            Você quer que seu time trucide o adversário, elimine-o. Ou então, quer que o adversário sangre, até morrer. 

            Você quer ver seu time sendo o único e soberano na face da Terra, sem mais nenhum oponente, tal um exército napoleônico antes de Waterloo, ou o Terceiro Reich antes do General Inverno. 

            E a quem discordar de você, é reservada a ofensa baixa, o xingamento simples, a ilação desarrazoada. Se o outro magoa-se, você não está nem aí.

            Você se contenta com o superficial, não quer melhorar. 

            Por exemplo: se o dono do blog coloca um texto mais longo, ou um texto cujo assunto não é atual, você já comenta “ih, texto chato, tira isso daí, fala da rodada”. E, se o dono do blog dá notícias e mais notícias sobre o time dele, você tasca um “isso aqui está virando blog do Corinthians, ao invés de blog do Juca”.

            Faça duas perguntas a você mesmo. 

            Quem é o dono do blog? A quem ele deve agradar, primordialmente: a ele ou aos leitores? 

            Acho que sabemos a resposta. 

            E, já que você entrou na moda e está colocando frases de “Tropa de Elite” em seu vocabulário – é moda, não é? -, eu vou me rebaixar ao seu nível, leitor.

            Leitor, pede pra sair.

            (Ah, sim: para não ficar perguntando quem sou eu, vá a http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2007-08-26_2007-09-01.html e procure o texto “Olá, blogueiros”. Se bem que não faz diferença.)

Por Juca Kfouri às 15h59

O que é este blog?

Sorria, porque estou na Bahia.

E reflita comigo:

este blog é um diário, de um jornalista, é verdade, mas sem a obrigação, por exemplo, de ouvir todos os lados.

Aqui é publicado o que o dono do blog quer, diferentemente de quando, por exemplo, era editor de uma revista.

Há quem se queixe da "terceirização", uma bobagem como se vê na repercussão positiva dos textos de outros autores.

E, engraçado, quando se publica um "outro lado", como no caso da nota sobre Rogério Ceni, por mais que eu não concorde com ela, tem quem reclame.

Vamos deixar claro: aqui é publicado o que o dono do blog acha que deva ser publicado.

Parece que está de acordo com o que a maioria quer ver, haja vista o número de visitas, espantoso, tão surpreendente que até hoje espanta o blogueiro.

E sem mentiras, porque tem aí um contador a cada minutos, coisa que nem todos podem fazer...

Agora, com licença: Salvador está lá fora esperando por mim. 

Por Juca Kfouri às 13h27

22/10/2007

O Nascimento de Edson Arantes

Por ROBERTO VIEIRA

23 de outubro. Os jornais se derramarão em versos ao gênio de Pelé.

E esquecerão o menino Edson.

Porque 23 de outubro não é o nascimento de Pelé.

23 de outubro é o dia de nascimento do menino Edson. Filho de João e Maria.

O Edson engraxate, como tantos outros Edsons deste país.

O Edson correndo atrás de uma bola pelos campinhos de pelada desse país.

O Edson que teve a sorte de ter um pai e uma mãe amorosos, ao contrário de tantos Edsons deste país.

Quando Edson nasceu, no distante ano de 1940, o Brasil engatinhava no futebol.

Jogamos sete partidas naquele ano. Ganhamos uma.

O Brasil vivia no escuro. Tinha medo de Bicho-Papão, que se chamava Argentina.

Tinha medo de Papa-Figo, que se chamava Uruguai.

Já o Edson não tinha medo de nada. Pois como JK, outro mineiro ilustre, Deus o poupou do sentimento do medo.

Aos 12 anos Edson deslumbrava os sábios do Templo, mas Dona Maria Celeste tinha medo.

O futebol era traiçoeiro.

Dos milhares de Edsons que amaram uma bola nesse país, a grande maioria era analfabeta e morria antes de chegar na idade adulta.

Morria de febre, vômito, diarréia e ignorância.

E morria gritando 'Gol'.

Mas Deus é brasileiro. E nosso Edson vive até hoje. Porém só o chamam de Pelé.

Pelé, como todo gênio que se preza, nasceu mil vezes.

A primeira vez no dia 7 de setembro de 1956 quando estreou no Santos.

A outra em 7 de julho de 1957 quando estreou na Seleção Brasileira.

Mas 23 de outubro não é dia de falar de Pelé.

Porque no dia 23 de outubro nasceu o Edson.

E temos de cuidar dos muitos Edsons que sonham em ser reis.

Porém, que na maioria das vezes, acordam abandonados em seu próprio sonho.

Gritando 'Gol'.

Por Juca Kfouri às 23h01

Perguntar ofende?

Quem faz papel mais ridículo: a ex-bandeirinha Ana Paula Oliveira ao se filiar ao PCdoB sem fazer a menor idéia do que seja o comunismo ou o PCdoB filiá-la apenas para ter mais um nome notório em suas desgastadas fileiras?

Será que o episódio com Ademir da Guia não foi o suficiente?

Por Juca Kfouri às 16h41

Rogério Ceni não é diferenciado. Ainda.

 

Por FELIPE SANTOS

O fundamentalismo dos são-paulinos, que não aceitam comentários mais ponderados sobre Rogério Ceni, me preocupa. Bem como os comentários invejosos dos torcedores de outros times.

E já sei que levarei lambadas das duas vertentes. Algumas serão agressivas e desrespeitosas. Me entristece, mas democracia é pluralidade de opiniões, não prevalência de um conceito. E vamos à idéia que tenho do marido de Sandra:

Rogério Ceni, aos meus olhos, ainda não é diferenciado.

Significa dizer que ele é um jogador ordinário ?

Não, nem de longe.

Rogério é o melhor goleiro do Brasil há pelo menos quatro anos. E está entre os quinze melhores do planeta, se não estiver entre os dez. Não chama a atenção por suas defesas exatamente por ser um goleiro sóbrio, com senso de colocação extraordinário (quando é que ele fez um milagre espalhafatoso ? Qual a última vez que tomou um frango ?). Mereceu como poucos a indicação para a Bola de Ouro da revista France Football. Além de nunca ter ofendido os rivais – jogadas de medalha de vice à parte, já que todos erram.

Para que não restem dúvidas a respeito do meu apreço pelo camisa 1 do São Paulo, digo que, fosse hoje Marcelo e não Felipe o arqueiro do Corinthians, adoraria que ele fosse corintiano. Digo que o considero equivalente a Buffon. Digo que ele é muito melhor do que o português Ricardo, que tanto sucesso fez na Copa da Alemanha. Digo até, com o coração sangrando, que ele, hoje, supera de longe Van der Sar, mesmo que o holandês seja um de seus inspiradores, no tocante a jogar com os pés. Digo até que não acho que ele seja arrogante, hoje. Pode até ter sido, mas não mais.

Vou mais longe: acho levianas as críticas de gente predisposta a falar mal do filho de seu Eurides, dizendo coisas ridículas como "ele é ruim porque ajoelha ao sair do gol", "ele é presepeiro", "joga para a torcida" e, injustiça das injustiças, cometendo o mesmo erro de Milly Lacombe, ao dizer com todas as letras que ele forjou a proposta do Arsenal. Ninguém sabe o que aconteceu ao certo, portanto comentários a respeito são precipitados.

Porém, apesar de ser um goleiro soberbo, fora do comum, ainda é um goleiro.

Dizem que ele é diferenciado por saber bater faltas e pênaltis de modo quase indefensável.

Ora, se é assim, Higuita já era diferenciado, Chilavert já era diferenciado, o alemão Hans-Jörg Butt já era diferenciado, Ortiz já era diferenciado...

Ceni foi o goleiro que mais gols fez na história do futebol ? Sim. E já merece palmas por isso. Mas ele ampliou uma seara já aberta por outros.

Aí, dizem que ele é diferenciado por saber jogar com os pés, quase sendo como um líbero, além de fazer lançamentos cirúrgicos.

Ao que digo: jogar bem com os pés é item indispensável a todo e qualquer goleiro que queira vencer no futebol moderno. E o será cada vez mais.

Não quero, de maneira alguma, dar a entender que Rogério é um barrigudo peladeiro de várzea.

Todavia, ainda me parece faltar aquele "fato", aquele "a mais", aquilo que, se feito, só o terá sido por Rogério e por mais ninguém. Falta uma única coisa.

Só me juntarei ao coro dos que consideram Rogério diferenciado quando ele fizer um gol com a bola rolando.

E sem que ele esteja jogando na linha – aí, acharei desrespeito demasiado para com os outros times.

Difícil ? Muito. Talvez esteja exigindo demais.

Mas ele não é ótimo nos fundamentos de linha ? Não tem habilidade para tentar ? Ele não é Rogério Ceni, não um goleiro comum, como se gabam justamente os tricolores ?

Não poderia ser feita uma eventual triangulação-surpresa com os meias ? Ou então ele não poderia sair da área, driblar todo mundo e fazer um tento que ficaria na memória de todos ?

Se Rogério já alcançou o nível que alcançou fazendo coisas que outros guarda-metas já fizeram, imagine se ele fizesse um gol de bola rolando ?

Se, e quando, o moço de Pato Branco fizer isso, prometo ser o primeiro a saudar Rogério Ceni como um goleiro diferenciado.

Por Juca Kfouri às 16h07

Milagres acontecem. Acontecem?

O Corinthians ganhou até aqui 38 dos 96 pontos que disputou, aproveitamento de 39,5%.

Faltam 18 pontos para serem disputados e o alvinegro precisa ganhar 12 para se livrar do rebaixamento, aproveitamento de 66%.

Será preciso ter fé, muita fé.

Por Juca Kfouri às 13h20

Tragikós Aflitos

Por ROBERTO VIEIRA

Futebol é catarse, diria Aristóteles se torcesse pelo Náutico ou pelo Corinthians.

Porque se o anfiteatro brasileiro é o estádio de futebol, não há lugar mais trágico que o Estádio dos Aflitos.

A começar pelo nome.

O 0x0 permaneceu por 89 minutos. Simétrico.

Trágico para todos os personagens.

Então, o juiz marcou um pênalti. Um pênalti que em qualquer outro lugar do mundo seria motivo de festa.

Mas a torcida não gritou. Ficou em silêncio.

Porque o torcedor do Náutico não acredita em pênaltis.

Metade da torcida foi pra casa. Triste.

A outra metade ajoelhou-se. Cética.

Um pênalti que em qualquer outro lugar do mundo seria motivo de festa. Nos Aflitos é uma tragédia grega.

No gol corintiano, Filipe. Filipe, o grande responsável pelo 0x0. Frio.

Filipe, amigo de Aristóteles desde os tempos da Macedônia.

Pelo gramado os jogadores do Náutico rezam. Aflitos.

Silêncio. Pode se ouvir o vento.

Geraldo pega a bola e ajeita na marca de cal. Aristóteles sorri.

Porque ele e Geraldo são lógicos.

'A esperança é o sonho do craque acordado!'

Não existe tragédia para o craque. Existe o sonho.

Goleiro de um lado, bola do outro.

O coro de 20 mil torcedores grita no gol de pênalti. Um grito sufocado desde 2005.

Aristóteles sorri novamente. Grego.

Porque semana que vem: Grêmio.

Por Juca Kfouri às 13h14

21/10/2007

ROGÉRIO IVANOVICH CENY

Rogério Ceni está na lista dos 50 melhores jogadores do mundo da revista francesa France Football, candidato à Bola de Ouro, único atleta brasileiro em atividade no continente americano.

Este blogueiro já não sabe mais o que falar dele e, por isso, recorre, mais uma vez, a quem sabe:

Por ROBERTO VIEIRA

Domingo no Morumbi.

Sob o olhar de milhares de meninos vestidos de adulto, uma aranha negra percorre o palco.

Parece uma cena corriqueira.

Nem sempre foi assim.

É preciso voltar no tempo, consultar as sagradas escrituras do futebol para compreender a beleza da música que emana das luvas e chuteiras imortais.

No princípio era o gol.

Todo menino queria fazer gol.

E todos corriam atrás da bola nas peladas.

Furiosos. Incansáveis. Como os fantasmas holandeses na Copa de 74.

Todos, menos um.

Um menino desafiando o gênesis. Um menino desafiando a própria essência do futebol.

Um subversivo: O goleiro.

Talvez uma simples vingança de um coração apaixonado. A bola ignorava solenemente seus carinhos. O traía em plena luz do dia com o primeiro centroavante que aparecia.

Planicka sonhava em ser como seus amigos Nejedly e Puc. Zamora entre as suas baforadas tropeçava na pelota. Combi nunca acertou um chute na escola. Marcos Mendonça nem tentava.

Albert Camus sentia-se um estrangeiro.

Entretanto sob as traves, inexpugnáveis. As bolas cruzavam a área e invariavelmente eram defendidas com raiva. Com ódio. Com desprezo.

De repente os meninos que não sabiam controlar uma bola, os exilados do mundo, esses meninos descobriram maravilhados que tinham seus super-heróis. E os seus super-heróis eram bacanas, vestiam trajes de super-heróis. Misteriosos. Enigmáticos.

E foram felizes. Por pouco tempo.

O gol era glória e paredão.

Os goleiros permaneciam emoldurados, pictóricos. Prisioneiros da pequena área, da tela. Finitos.

Mesmo Carrizo que nunca levou um gol de pênalti, era um pássaro preso nas engrenagens de La Maquina.

Até que um dia, na vastidão da mãe Rússia, um menino que jogava hockey foi levado pelos amigos para assistir um jogo de futebol. Por acaso o goleiro do poderoso Dínamo, Khomich machucou-se:

‘Pega no gol Iashin!’

Como o Rei dos Folgados em Coritiba, lá foi Lev Iashin ser gauche no gol.

Após meia hora de jogo, pânico.

Ligaram pra KGB. Ligaram pra Stalin.

Iashin foi retirado preso do gramado. Incomunicável.

Além de se recusar a levar um gol, Iashin todo vestido de negro ainda insistia em sair da área e jogar bola com os outros companheiros de time. Livre.

Proibido!

Pode. Não pode. Pode. Não pode.

Cadê o livro das regras?

Nada havia no livro das regras do futebol sobre a liberdade dos goleiros.

GLASNOST!

Lev Ivanovich Iashin foi o primeiro soviético no espaço. Foi professor de Yuri Gagarin. Ele insistia que a Terra era verde.

A bola, essa moça cobiçada por todos, caiu de amores por Lev que dormia ouvindo jazz moderno.

Jazz moderno, suprema heresia aos ouvidos dos atacantes rompedores.

Depois de Iashin vieram os Beatles. Raul e Jongbloed vestiram amarelo, Simonal vestiu azul, Banks desafiou Pelé para um duelo ao meio-dia, Leão foi garoto propaganda e Tomazewski apagou a luz do Império Britânico.

Porém liberdade não significa igualdade. Os goleiros continuavam sendo de certa forma vilões. Se a razão do futebol era o gol, eles existiam no limite da irracionalidade.

O jazz moderno rompera barreiras. Porém a escala cromática ainda possuía sua hierarquia. Atacantes marcam gols. Goleiros defendem.

Era assim desde o princípio dos tempos.

Mas o final dos tempos se aproximava.

Apocalipse. Dodecafonismo.

O futebol moderno subitamente se torna atonal quando a primeira bola chutada por Chilavert alcança as redes.

Os técnicos esbravejam no banco: ‘Queremos Beethoven, queremos Mozart, queremos Chopin’!

Os goleiros ensaiam o Concerto para Piano e Orquestra, Opus 42, de Schoenberg.

É tarde demais.

Na pequena cidade de Pato Branco no Paraná um menino veste-se de negro e luvas.

O menino cresce e hoje seu olhar percorre a partitura das quatro linhas do gramado.

Como uma aranha negra ele dirige-se ao palco do Morumbi.

Rogério Ivanovich Ceny.

Pois no princípio era o gol.

Todos os meninos queriam fazer gol.

E todos corriam atrás da bola nas peladas. Furiosos. Incansáveis. Como os fantasmas holandeses na Copa de 74.

Todos.

Por Juca Kfouri às 21h56

Média européia no Brasileirão

Dez jogos, nenhum empate, 10 vitórias dos mandantes.

Pela primeira vez neste Brasileirão!

A 32a. rodada teve 26 gols e foi má, péssima para o Corinthians, quase morto e, certamente, ainda na Z-R na próxima rodada, mesmo que vença o Figueirense, no Pacaembu, o que não será nada fácil.

Se não houver nenhuma reviravolta, apenas Goiás e Corinthians lutam para não ficar ao lado de América, Juventude e Paraná Clube.

E o time goiano, três pontos na frente do paulista, tem três vitórias a mais, primeiro critério de desempate.

A rodada foi ótima, no entanto, para o pentacampeão São Paulo, para o firme vice-líder Palmeiras e para os sonhos do Flamengo, ressuscitado e empolgante, ainda mais depois que Cruzeiro, Santos e Grêmio foram derrotados.

A torcida rubro-negra bateu novo recorde de presença de público, com mais de 63 mil pagantes.

A do São Paulo veio atrás, com mais de 60 mil no Morumbi.

Resultado, a média de público foi européia nesta rodada, a seis rodadas do fim do campeonato, mesmo já com seu campeão mais que sabido: 29.860!

Quase 30 mil pagantes por jogo e apenas uma partida com menos de 10 mil torcedores, a de Floripa, com 9.517.

É, o torcedor aprendeu a gostar dos pontos corridos.

Ainda bem!

Por Juca Kfouri às 19h51

O Maracanã é rubro-negro. E ponto final

O Grêmio reclama de dois pênaltis, um em cada tempo.

Pode ser, mas foram, de fato, lances difíceis de ser vistos.

O Flamengo fez dois gols, um em cada tempo.

O primeiro com Souza, em jogada pela direita de Cristian, aos 25, depois que a zaga gremista bateu cabeça e a bola sobrou para Souza faturar.

O segundo com Ibson (que jogou demais), depois de linda jogada de Maxi, pela esquerda, aos 15.

E ainda mandou uma bola no travessão gaúcho e obrigou Saja a fazer milagre.

Dois gols do time que jogava melhor, contra outro que só saiu vencedor fora do Rio Grande do Sul em duas oportunidades.

Já o Mengo, no Maracanã, além da lotá-lo a cada rodada, perdeu apenas duas vezes, empatou cinco e ganhou 10 (se minhas contas não estiverem erradas, o que ocorre com freqüência).

Ou seja, de seus 49 pontos, ganhou 35 no Maraca.

Ainda jogará mais três vezes lá, contra Corinthians, Santos e Atlético Paranaense.

E tem uma moleza no Machadão, quando será maioria outra vez em Natal, além do Cruzeiro e do Náutico, fora.

Ora, por que o rubro-negro não pode sonhar com a Libertadores?

Em tempo: hoje, a nação rubro-negra bateu outra vez o recorde de público do brasileirão, com 63.189 pagantes.

Por Juca Kfouri às 19h06

Inter não bobeia

O Inter venceu o Juventude por 3 a 0, no Beira-Rio, com gols de Magrão e Fernandão, aos 21 e 31 minutos do primeiro tempo, e, outra vez, Fernandão, aos 44, do segundo.

Não fez, diga-se, nada além de sua obrigação.

Mas a torcida colorada ficou tão aliviada que até olé gritou em cima do degolado time de Caxias do Sul.

Por Juca Kfouri às 19h03

Figueira se safa de vez

O Figueirense jogou melhor que o Santos durante todo o primeiro tempo e mereceu a vitória parcial por 1 a 0, gol contra de Kléber, aos 44.

É claro que o Santos tratou de pressionar no segundo tempo, quase empatou, mas ficou no prejuízo e perdeu a chance de assumir a vice-liderança, lugar que tem a obrigação de conquistar pelo que custa.

Mas o fato é que o time santista não é confiável e o catarinense não tem nada com isso, cada vez mais livre de qualquer hipótese de degola.

Para variar, Vanderlei Luxemburgo, o que prometeu não falar mais de arbitragem, deu seu show no fim do jogo, ao reclamar, sem razão, da arbitragem.

Não tem jeito: pau que nasce torto, morre torto.

Por Juca Kfouri às 19h03

Nalbandián, o argentino surpreendente

Por GUSTAVO VILLANI, de Madrid

O argentino David Nalbandián ganhou da balança, da desconfiança, dos três melhores do mundo e, por fim, o Master Series de Madrid.

O tenista de 25 anos não disputava uma final desde maio de 2006 e na atual temporada havia chegado apenas às quartas-de-final do Trofeo Godó, em Barcelona.

Na final de hoje bateu Roger Federer, parciais de 1/6, 6/3 e 6/3.

Cai o tabu de dois anos do suíço em quadra coberta.

A última derrota havia sido para o próprio Nalbandián, em Shangai.

Antes da final de hoje, ganhar de Rafael Nadal intensamente apoiado pelos conterrâneos já tinha sido um feito.

Aliás, não foi uma vitória qualquer e, sim, um massacre: 6/1 e 6/2 em uma hora e onze minutos na última sexta-feira.

Caía o número 2.

Pois então no sábado veio o número 3, o sérvio Novak Djokovic, e mais uma vitória com 6/4 e 7-6(4).

No caminho da surpresa do torneio estava o craque, o melhor de todos, o indiscutível Federer.

Ou melhor, teoricamente no caminho de Federer estava Nalbandián.

O primeiro set dava contornos de realidade, o suíço mantinha Nalbandián no fundo da quadra correndo de um lado para outro.

Ao próprio estilo, Federer não comemorava os pontos, mas também não lamentava os poucos erros até ali.

Comportamento inverso ao de Nalbandián, argentino na mais pura concepção, que reclamava da arbitragem, pedia frequentemente o recurso do replay e até paralizou a partida por conta do barulho de uma mangueira posicionada atrás dele.

Coincidência ou não Federer perdeu a concentração, mão, raquete... e o jogo.

Justo, venceu o melhor.

Antes "desordenado", segundo o próprio treinador Martín Jaite, o polêmico Nalbandián está de volta.

Amigo íntimo de Maradona, o argentino deixou de treinar sozinho, emagreceu e teve atuação quase impecável em Madrid.

Por tudo isso, foi aplaudido de pé.

Por Juca Kfouri às 18h28

Os Atléticos vivem!

O cenário do Mineirão era o de vitória, para evitar sofrimentos posteriores.

Mais de 50 mil atleticanos empurravam o time.

Que ficou com 11 contra 10 do Vasco, aos 36 do primeiro tempo, com a expulsão do lateral carioca Eduardo.

Celso Roth tirou Conca no intervalo para reforçar a defesa.

O castigo não tardou.

Meio sem jeito, de canela ou seja lá como for, o capitão Marcos, logo aos 2 minutos, depois da cobrança de escanteio, pegou o rebote de uma defesa com os pés de Sílvio Luiz e fez o gol da vitória do Galo.

Galo que ainda teve chances de aumentar, mas quem se importava?

Importava vencer e o Galo cumpridor, venceu.

Como o Furacão, diante do rebaixado América.

Ferreira, aos 19 do primeiro tempo, e Marcelo Ramos, aos 20, do segundo, desenharam a vitória que era mesmo obrigatória.

Por Juca Kfouri às 17h55

O pentacampeonato mais fácil da história

O clássico entre São Paulo e Cruzeiro prometeu mais do que cumpriu, no Morumbi repleto, mais de 60 mil pagantes, segundo melhor público do Brasileirão.

Pelo menos nos 45 minutos iniciais.

A rigor, emoção mesmo só os mineiros causaram, ao obrigar Breno a salvar uma bola quase na linha fatal, depois de boa jogada de Leandro Domingos.

Embora o São Paulo tenha voltado melhor, era o Cruzeiro que criava chances de gol, duas em seguida.

Aí, Muricy pôs Tardelli para jogar.

E em sua primeira participação, pela esquerda, ele deu com açúcar para Jorge Wágner abrir o placar.

É aquilo de sempre: quem tem o elenco mais equilibrado acaba por desequilibrar um campeonato em pontos corridos.

Na frente, o São Paulo teve com Dagoberto duas boas oportunidades de ampliar, com direito a pedaladas.

Quando o pentacampeonato chegar, em breve, alguém dirá, com razão: nunca foi tão fácil.

Por Juca Kfouri às 17h00

Timbu ri, Gavião chora

O primeiro tempo de Náutico e Corinthians pode ser resumido em um minuto: o 42o.

Até lá, o Náutico teve o domínio do jogo diante de sua torcida que encheu o estádio dos Aflitos, mas não levou perigo ao gol do Corinthians.

Que se limitou a jogar atrás, com apenas Finazzi no ataque.

Aos 42, no entanto, o defensor alvinegro Fábio Ferreira avançou e desperdiçou a primeira grande chance da partida, na cara de Fabiano, que fez a defesa.

Pois o minuto nem tinha passado e o atacante alvirrubro Felipe, da marca do pênalti, exigiu ótima defesa do seu xará corintiano.

Foi tudo.

Já no segundo tempo até que o Corinthians voltou com mais coragem, com Dentinho no lugar do inútil Iran.

Mas aos 9 minutos, por duas vezes, Felipe salvou a pátria corintiana em chutes de Júlio César e Serginho.

Aos 14, Gustavo Nery lançou Fábio Ferreira pela direita e Fabiano fez boa intervenção.

Mas o Náutico mandava em campo.

Aos 16 minutos, os pernambucanos bateram seu oitavo escanteio, contra apenas um dos paulistas.

E neste lance, Zelão desviou mal e Serginho perdeu gol certo, de cabeça.

O Corinthians pedia para tomar um gol e a bola não saía de sua área, com Geraldo furando sem goleiro.

Aílton entrou no Corinthians para fazer uma bobagem em cima da outra.

Por mais que o Náutico tenha feito campanha melhor sem Acosta do que com o artilheiro, fato é que o uruguaio fazia falta, muita falta.

O 0 a 0 era ruim para ambos, pior para os donos da casa, não só por jogar em seus domínios, mas, também, porque jogou para vencer.

E a vitória veio aos 43, num pênalti infantil cometido por Aílton, convertido por Geraldo, com categoria.

Era justo.

O Timbu permanece fora da Z-R e o Corinthians permanece nela, complicadíssimo, quase degolado.

O mérito alvinegro é um só: compensa a falta de perspectiva técnica com muito suor.

 

 

Por Juca Kfouri às 16h58

Teixeira, Zagallo e Galvão

O locutor Galvão Bueno deu a resposta abaixo quando o globoesporte.com perguntou qual foi a derrota brasileira que mais lhe doeu:

"Aquela vergonha de Weggis... Aquilo foi uma vergonha absoluta. Como é que um time pode se preparar em um estádio para 5 mil pessoas? Com gente invadindo o campo? Para chegar no local, passava-se por um prostíbulo. De um lado se vendia bebida, do outro se vendia drogas... Era moça com os seios de fora. Um absurdo. O circo romano era mais correto. À medida que os dias passavam, e você vê que está tudo errado. Foi dando raiva. No final, a derrota para a França foi a que mais me incomodou pelo conjunto da obra, digamos assim".

Mais de um ano depois da Copa, ele segue na esteira do que já disseram, recentemente, o presidente da CBF e o coordenador da Seleção.

Galvão Bueno, ao contrário dos outros dois, nada podia fazer para mudar o rumo daquela bagunça.

Mas poderia, ao menos, tê-la noticiado e criticado, com a veemência que os fatos mereciam.

Ao contrário, os que o fizeram foram rotulados, à época, de derrotistas, brigados com a vida, antipatriotas etc.

Nada como um dia após o outro.

Por Juca Kfouri às 10h42

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico