Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

17/11/2007

Do 'blog do Josias'

CNBB veicula nota sobre risco de corrupção na Copa 

A CNBB, instância máxima da Igreja católica no Brasil, veiculou no portal que mantém na internet um texto curioso.

"De olho no bolo e na bola", eis o título.

Redigiu-o Dom Luiz Carlos Eccel, bispo da diocese de Caçador (SC).

Ele comenta duas notícias recentes: a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 –"Fiquemos de olho na bola"— e a descoberta da superprovíncia petrolífera de Tupi –"É preciso ficar de olho no bolo".

Sobre a Copa, o bispo Eccel anota: "Corremos o risco de, anestesiados com a notícia, ficarmos apenas na posição de espectadores deslumbrados. Assim, como poderá trazer vantagens, as desvantagens são possíveis, pelo menos para a maioria da população. O velho ditado ‘pão e circo’ tem muito de real".

Acrescenta: "A partir de agora, pessoas, grupos, empreiteiras... poderão lucrar freneticamente. O governo, em parceria com o setor privado, vai investir muito em infra-estrutura e o perigo da corrupção astronômica é iminente. Fiquemos vigilantes e na militância. A bola está rolando e não podemos ficar alheios, porque o povo também pode rolar".

Por Juca Kfouri às 15h00

Quanto vale Rogério Ceni?

Por GUSTAVO VILLANI

Esta semana veio da Inglaterra a notícia sobre o interesse do Tottenham no goleiro Casillas, de 27 anos, e do Real Madrid.

40 milhões de euros!

É que o bom técnico Juande Ramos, ex-Sevilla, quer reforçar o time inglês.

Casillas está no Real Madrid desde os oito anos de idade, é um dos poucos ídolos de uma camisa só no futebol atual.

Assim como Rogério Ceni no São Paulo, disse querer terminar a carreira no Real.

Sorte do técnico madridista Bernd Schuster, que acerta ao louvar a postura do goleiro, mas erra ao chamá-lo de o melhor do mundo.

Dos grandes especialistas da posição, só o italiano Buffon custou mais do que o Tottenham estaria disposto a pagar pelo espanhol.

A Juventus desembolsou 48,5 milhões de euros para tirá-lo do Parma em 2001.

Fico aqui mirabolando: quanto custaria Rogério Ceni, especialista em defender, armar e atacar?

Claro que hoje em dia, aos 34 anos, ele não tem mais tanto mercado na Europa, mas fica a pergunta.

Até mesmo Marcos, outro fiel em extinção, anos atrás estava num patamar acima do Casillas.

Acontece que esses dois craques de luvas quase não aparecem para o público europeu e por isso é até compreensível esse tipo de análise do Schuster.

Casillas é um bom goleiro, rápido, de reflexo apurado, mas frequentemente falha para sair do gol nas jogadas aéreas.

De vez em quando também se atrapalha ao trabalhar com os pés, nada diferente da maioria dos goleiros.

Mas é do Real Madrid, disputa a Champions League e está exposto aos olhos de quem acompanha futebol em qualquer lugar do mundo.

Rogério, não. É destaque nas competições nacionais e... na América do Sul.

A torcida do São Paulo e os brasileiros que gostam de futebol devem agradecer pela permanência de Ceni no País, pois são privilegiados de poder ver de perto uma das raridades do esporte.

Chato é saber que ele tem qualidade para encantar a mais gente, mas não pode por disputar campeonatos escondidos da maior parte do mundo.

Por aqui eles conhecem a Seleção, mas sabem muito pouco dos times brasileiros.

Aí, a gente é obrigado a ouvir que Casillas é o melhor do mundo e custa 40 milhões de euros.

Paciência.

Por Juca Kfouri às 00h07

16/11/2007

Zagallo, a amarelinha e as verdinhas

Zagallo sempre vendeu a imagem do patriota inveterado, maior apaixonado pela camisa amarela do Brasil.

Pois agora ele vendeu não só as camisas que usou nas finais das Copa do Mundo de 1958 (verdade que é azul...) e de 1962 (essa é amarela mesmo) como, também, a que Pelé usou no primeiro tempo da vitória contra a Itália, na Copa de 1970.

Pelé deu a camisa para Zagallo de presente, a 10 amarela com que, por sinal, fez o primeiro gol da vitória por 4 a 1.

As três camisas da coleção particular do ex-técnico serão leiloadas na Christie's, de Londres, na terça-feira que vem, dia 20.

As camisas de Zagallo são avaliadas entre 17 mil a 25 mil dólares.

E a de Pelé é cotada entre 90 mil a 190 mil dólares.

São tesouros da memória brasileira que se vão e faria bem a CBF se os arrematasse para o Museu do Futebol Brasileiro.

E surpreende que Zagallo ande tão necessitado, mesmo depois de ter recebido os famosos 500 mil dólares para dar uma entrevista aos líbios...

Por Juca Kfouri às 18h37

Júlio e Héctor

Por ROBERTO VIEIRA

Júlio Gonzalez é um atacante paraguaio.

Mas não um atacante comum.

Porque Júlio perdeu o braço esquerdo em um acidente de carro na Itália em 2005 quando era jogador do Vicenza.

Júlio que foi medalha de prata pelo Paraguai na Olimpíada de 2004.

Hoje Júlio Gonzalez entrará em campo defendendo as cores do Tacuary pelo Torneio Clausura no Paraguai.

Como um exemplo de coragem e superação.

Mas quando Júlio entrar em campo contra o Olimpia será impossível não recordar o passado.

Os olhos imediatamente regressarão para a final da Copa de 30 entre Uruguai e Argentina.

O jogo seguia incerto.

O Uruguai vencia por 3x2 de virada.

A Argentina pressionava e o empate parecia uma questão de tempo.

Foi quando num contra-ataque Dorado cruzou para a área portenha.

Lá estava o gigante Della Torre e o improvável Héctor Castro.

Ambos subiram, mas Castro chegou primeiro e de cabeça garantiu a primeira Copa do Mundo para o Uruguai.

Castro que recebera ameaças de morte antes da peleja.

Castro que fez o primeiro gol na história do Estádio Centenário de Montevidéu.

E o que tem Héctor Castro a ver com Júlio Gonzalez?

Quase tudo.

Quando era um menino pobre na periferia da capital uruguaia, Héctor perdera o braço direito em um acidente com uma serra elétrica.

Na escola o apelidaram de ‘Manco’. Na vida descobriu que não poderia ser cirurgião como sempre sonhara.

E Manco Castro retribuiu a vida fazendo gols e ganhando duas medalhas de ouro para o Uruguai nas Olimpíadas de 1924 e 1928.

Como um exemplo de coragem e superação.

Por Juca Kfouri às 14h04

Domingo tem Peru, cinco semanas antes do Natal

Faz quase 71 anos que Brasil e Peru se enfrentaram pela primeira vez, num dia 27 de dezembro de 1936, em Buenos Aires.

De lá para cá, foram 37 partidas, uma a cada quase dois anos.

E apenas três derrotas brasileiras, em 1953, 1975 e 1985.

Faz, portanto, 22 anos que os peruanos não vencem, eles que já foram derrotados 26 vezes.

Na verdade, nunca nem assustaram, a não ser, talvez, na Copa de 1970, quando, dirigidos por Didi, impediram que os argentinos fossem ao México e enfrentaram o Brasil nas quartas-de-final.

Perderam como sempre, por 4 a 2.

E têm tudo para perder de novo, neste domingo, em Lima, onde as casas não têm telhado porque por lá jamais chove.

Pode ser até que chova gol, porque Kaká e Robinho parecem animados, dispostos a se transformar nas maiores estrelas da companhia.

Nas duas partidas que disputaram nestas Eliminatórias, os peruanos empataram sem gols com o Paraguai em casa e perderam para o Chile, em Santiago.

Tomara que venha mesmo uma goleada, ao menos para diminuir o tédio do domingo, sem jogos do Brasileirão, como tem de ser, e com a partida marcada só para às 19h de Brasília.

Peru, em regra, morre na véspera do Natal.

Desta vez morrerá exatas cinco semanas antes da grande celebração cristã.

O que não é nada, não é nada, não é nada mesmo.

Por Juca Kfouri às 00h38

15/11/2007

Vaga olímpica garantida

A seleção de vôlei feminino do Brasil já está garantido nas Olimpíadas.

Mesmo que perca por 3 a 0 para o Japão com os três sets 25/0 e Cuba derrote a Sérvia pelo mesmo placar, no ponto average as brasileiras já estão classificadas, coisa que pouca gente se deu conta.

Por Juca Kfouri às 19h58

Do 'blog do Paulinho'

Há, no blog do Paulinho, um vídeo imperdível sobre corrupção na Fifa, do repórter Andrew Jennings, da BBC.

Já conhecia a reportagem, mas Paulinho descobriu no Youtube uma cópia legendada em português.

Não perca.

Você se surpreenderá.

Ou não...

http://oblogdopaulinho.zip.net/

Por Juca Kfouri às 18h37

Pontos Corridos

Por FÁBIO KOFF

Sempre entendi que sendo convicção matéria que sucede a reflexões, observações e experimentações, cabe-lhe especial respeitabilidade desde que não assuma cores dogmáticas ou, pior, rejeite o contraditório por efeito de uma certa soberba intelectual cujo nome de batismo é teimosia. Valho-me deste intróito conceitual para justificar minha posição solidária à manutenção da atual fórmula do Campeonato Brasileiro sem, contudo, desmerecer a possibilidade de reconsideração, se movida por argumentos que, destaco, ainda não foram apresentados às discussões sobre o tema.

Dizer que a torcida brasileira firmou gosto pelo sistema de mata-mata é falsear a verdade no conceito e na prática. É descabido identificar enraizamento cultural quando o futebol brasileiro consumiu décadas de experimentações sem, jamais, ter se fixado em uma única fórmula. Não existe, portanto, identificação cultural do consumidor com o sistema. Este equívoco é conceitual. A distorção da realidade se verifica na simples comparação dos públicos médios do Campeonato Brasileiro (pontos corridos) e da Copa do Brasil (mata-mata), desta temporada. No Brasileiro, a média é de 16.250 torcedores por jogo, e está crescendo, enquanto a Copa do Brasil fechou com 10.663 espectadores por partida. A ausência de grandes clubes no torneio deveria ser compensada pela alegada emoção superior emprestada pela fórmula e, principalmente, por ser atalho para a Libertadores, objetivo mais tangível sem o obstáculo dos melhores times. Mesmo assim, a média de público neste Campeonato Brasileiro poderá ser o dobro da que foi obtida na Copa do Brasil. Aonde fica, então, a "preferência cultural" do torcedor brasileiro pelo mata-mata?

Em alta consideração deve ser colocado, igualmente, o esforço dos clubes pela ampliação dos seus quadros associativos, como forma de robustecer as suas receitas ordinárias. São providências inovadoras que só podem prosperar se ao torcedor-consumidor for oferecida a contrapartida de jogos o ano inteiro. Quem paga mensalidade social não deseja ver a sua equipe encerrando, precocemente, a temporada de jogos, inevitável conseqüência do formulismo.

O distanciamento conseguido pelo São Paulo centraliza o discurso do segmento que manifesta desafeição pelo sistema de pontos corridos. Ora, esta é uma circunstância excepcional, está acontecendo pela primeira vez, mas que em nada diminuiu o interesse do torcedor pela competição, como demonstram as estatísticas. É possível, inclusive, que esteja em processo de consolidação uma saudável e, em outros tempos, impensável reestruturação do pensamento brasileiro, segundo o qual, vice-campeão e lanterna seriam a mesma coisa. Como em nenhum outro certame nacional, no mundo, o Campeonato Brasileiro evoluiu para a oferta de vários núcleos de interesse capazes de manter acesa a atenção do consumidor, até a última rodada. Neste modelo, tipicamente nosso, luta-se pelo título, por vaga na Libertadores e na Copa Sul-Americana e para fugir do rebaixamento. É ínfimo o número de clubes que não está envolvido em uma destas competições intra-campeonato. A média de torcedores nos estádios comprova que está se esgotando o absurdo conceito de que segundo e último colocados são posições de igual valor. Só a renitência obtusa não percebeu que o vice-campeão mais terceiro e quarto classificados ganham vagas para a rentável e valorizada Libertadores, único caminho para o título de Campeão Mundial, enquanto os quatro últimos colocados baixam para a Série B. Mesma coisa?

Neste elenco de justificativas pelos pontos corridos, é imperioso incluir e reconhecer que o futebol brasileiro ganhou reconhecimento e credibilidade no Exterior, em níveis nunca antes verificados. Com investidores asiáticos e árabes, estamos prestes a firmar contratos de cessão de imagens que significarão uma nova fonte de rendimentos financeiros para os clubes. O Clube dos 13 está conduzindo negociações que sinalizam para esta direção. E na origem destas novas perspectivas estão a manutenção da fórmula, rigoroso cumprimento das regras e seriedade absoluta na organização, promoção e desenvolvimento dos eventos.

Entre tantos argumentos disponíveis para a defesa da fórmula atual, alinham-se mais dois que, por tão óbvios, nem deveriam ser necessários: a conveniência de diversificar a natureza das competições, driblando a mesmice do mata-mata, e o valor inquestionável de dotar a principal competição brasileira da única fórmula capaz de apontar a melhor equipe, sem qualquer dúvida.

E ainda caberia lembrar que o Estatuto de Defesa do Torcedor exige que, em pelo menos uma competição de âmbito nacional, cada participante deva conhecer, previamente, o número de jogos que disputará e a nominata dos seus adversários. Como o sistema de pontos corridos, todos contra todos, é o único que faculta o atendimento destas imposições, seria necessário a alteração da lei como providência anterior a outras mudanças.

Aprovo e defendo a manutenção da fórmula atual para o Campeonato Brasileiro. Porém, reitero o que escrevi na abertura deste breve artigo: pela força de novos e consistentes argumentos, admito rever esta posição. Embora, estes argumentos ainda não tenham despontado em qualquer foro de debates.

http://clubedostreze.globo.com/Site/Component/artigos-29-10-2007.aspx

Por Juca Kfouri às 17h32

Aos navegantes

Uma quinta-feira de feriado e muito trabalho.

Começou pela manhã, com duas entrevistas na ESPN.

Uma com o alegre Flávio Gomes, eufórico com a subida da Lusa, que irá ao ar na terça-feira que vem.

A outra com o autor da biografia de João Saldanha, o jornalista André Iki Siqueira, no ar neste sábado.

O livro foi lançado no Rio na última terça-feira com grande sucesso, uma fila que começou às 19h e só terminou três horas depois.

No próximo dia 29, na livraria Saraiva do Shopping Morumbi, em São Paulo, haverá nova noite de autógrafos.

O livro é brilhante.

Peguei-o para ler no meio da tarde de ontem, fiz o que tinha de fazer e só fui parar de lê-lo mais de três horas da madrugada, com o jogo das meninas do vôlei pelo meio, quase sem som.

Siqueira conseguiu mostrar Saldanha sem omissões, com os dois lados e, com rara sensibilidade, porque o livro transpira afeto, além de ser justa homenagem a um raro gênio da raça brasileira.

É um colosso.

Não deixe de ler, pela Companhia Editora Nacional, "João Saldanha: Uma Vida em Jogo".

E tem mais: vem aí um documentário, de 90 minutos, dirigido pelo mesmo Siqueira, em parceria com Beto Macedo.

Dífícil imaginar que possa ser melhor que o livro, mas como a formação do autor é de cineasta...

Na entrevista, Siqueira disse que o filme é ainda mais João Saldanha.

Leia enquanto o filme fica pronto para ser exibido no ano que vem.

Por Juca Kfouri às 17h29

Alguns metros quadrados de Europa na Turiassú

Por BRUNO MORAES BONSANTI

Cheguei ao Palestra Itália às 21:40. O jogo começaria em cinco minutos.

Achar a entrada do setor Visa não foi difícil, pois um outdoor enorme com o símbolo da conhecida bandeira de cartões de crédito afasta qualquer possibilidade de erro.

Quando chego ao portão, vejo uma fila de alguns metros.

Meu primeiro pensamento foi: não importa o quanto modernizem, não há santo que acabe com as filas do Parque Antártica.

Erro meu.

Em menos de cinco minutos já estava passando o cartão de minha mãe pela catraca e entrando na ante-sala.

Ante-sala que conta com gramado sintético, fotos de times épicos do Palmeiras, tvs de plasma e etc.

Ao entrar, comprei um refrigerante e dirigi-me ao meu lugar.

Demorei um tempo para decifrar a numeração das cadeiras, mas isso não é problema, pois estádio moderno que se preze tem sempre um orientador.

E esse orientador me mostrou aonde eu deveria sentar.

Chego lá e a maior surpresa da noite acontece:

A minha cadeira numerada está vazia, esperando por mim!

Incrível!

O jogo começa, o Palmeiras domina, mas esbarra em Fernando Henrique e na zaga tricolor.

Até que, aos 35 minutos do primeiro tempo, após uma jogada de muita raça e determinação de Pierre, o volante toca para Edmundo, que repassa a bola para Rodrigão.

O camisa 29 do verdão tira do goleiro. Tira tanto que a bola sairia, não fosse o pé salvador (para os palmeirenses) de Fabinho cortando a bola para dentro de seu próprio gol.

A torcida faz festa, e a chuva aperta.

No intervalo, resolvo ver como que é o banheiro do novo espaço Visa.

Meus caros amigos, nunca pensei que veria isso em um estádio de futebol no Brasil.

O banheiro tinha assento nas privadas, sabonete, pia de mármore e até papel para enxugar as mãos!

È uma surpresa atrás da outra.

O segundo tempo começa, e a chuva piora o que torna o jogo muito ruim.

Mesmo assim, o time do Caio Junior ainda consegue criar duas boas chances, todas elas esbarrando no destaque do Fluminense no jogo: Fernando Henrique.

Por falar em goleiro, o Diego Cavalieri estava em uma noite muito infeliz.

Quase entregou o jogo por três vezes.

Entretanto, para o torcedor alviverde, o camisa 12 tem crédito de sobra.

Ótimo resultado para o Palmeiras, que agora depende apenas de si mesmo para chegar à Libertadores.

Melhor ainda para o futebol brasileiro, que tem, pelo menos, um pedacinho da Europa em seus estádios.

Por Juca Kfouri às 00h58

14/11/2007

Verdão com chuva, suor e cerveja!

Era o Palmeiras quem precisava vencer, mas o Fluminense era quem levava perigo.

Antes mesmo que o Palmeiras chutasse uma bola ao gol, o Fluminense teve duas chances, aos 9 e aos 11 minutos.

Aos 9 numa saída ruim de Diego Cavalieri que Soares quase converteu.

E aos 11 quando o mesmo Soares se desequilibrou e só por isso não abriu o marcador.

O Palmeiras só começou a jogar mesmo aos 25.

No minuto seguinte, Fabinho derrubou Deyvid dentro da área e o árbitro nada marcou.

Começava a chover forte e a chuva fazia bem aos donos da casa.

Aos 31, Caio, de fora da área, obrigou Fernando Henrique a fazer ótima defesa.

Dois minutos depois, ele não fez ótima defesa, fez milagre mesmo, em chute de Gustavo na pequena área.

E aos 36 o Palmeiras abriu o placar.

Fabinho começou mal e terminou ainda pior uma jogada na defesa carioca.

Foi desarmado na saída da área, correu para a frente de sua meta e ao tentar tirar o gol de Rodrigão, que recebeu de Edmundo, o volante desviou para a rede, em tento do palmeirense.

Tudo somado, subtraído, dividido e multiplicado, o 1 a 0 do primeiro tempo era justo.

Mesmo que, no último minuto, Thiago Neves tenha cabeceado para Diego Cavalieri espalmar contra a trave.

Diante de quase 25 mil pagantes (24.693 para ser exato) e chuva ainda forte, o segundo tempo começou com ares de drama para os palmeirenses, porque o Flu, a exemplo do primeiro, tinha o comando da partida.

E com o gramado já com poças d'água, todo lance era potencialmente perigoso.

Santistas, flamenguistas, cruzeirenses e gremistas torciam pelo empate do tricolor.

Que Renato Gaúcho buscava, ao tirar Fabinho e botar Adriano Magrão, aos 20.

Aos 25, três novas trocas: Davi entrou no lugar de Thiago Neves e Caio Júnior põe Martinez e Luís Henrique nos lugares de Deyvid e Caio.

Em seguida, Soares se machuca como Thiago Neves e Léo, das categorias de base do Flu, o substitui.

A bola quase não deslizava mais no gramado.

E com meia hora da etapa final o Palmeiras ainda não tinha chutado nem uma vez sequer no gol tricolor.

Aos 35, Diego Cavalieri faz nova presepada e é salvo pelo árbitro, que inventou uma falta de Magrão que o tinha desarmado perigosamente.

Rodrigão sai e entra Luís.

Edmundo bate falta com veneno e Fernando Henrique manda a escanteio, em sua primeira defesa no segundo tempo.

Na cobrança do escanteio, Luís chuta na pequena área e Fernando Henrique faz novo milagre, como no primeiro tempo.

O 1 a 0 estava de ótimo tamanho para o Palmeiras e o Flu jogava com a maior dignidade.

Aos 43, outra vez, Fernando Henrique salvou o segundo gol paulista, em chute de Martinez.

Edmundo agüentou os 90 minutos, foi bem, deu o gol e o Palmeiras acabou o ano invicto diante dos cariocas.

Quem sabe, voltará a encontrar o Flu na Libertadores.

O Verdão está no G-4 de novo, o Cruzeiro caiu para quinto e o Grêmio está praticamente fora da Libertadores.

Com chuva, suor e, agora, cerveja, porque, afinal, daqui a pouco é feriado.

Por Juca Kfouri às 23h44

O Dia D do Palmeiras

O Palmeiras conta com Edmundo para uma cartada em que não pode falhar.

Depois da bobeada indesculpável em casa diante do Juventude, só resta ao alviverde ganhar os três pontos na disputa com o relaxado Fluminense.

Mas que ninguém espere um Flu desinteressado ou interessado em não ajudar o rival Flamengo.

Pelo menos para Thiago Neves, o jogo tem caráter vital, para provar ao torcedor tricolor que sua casa de preferência é mesmo nas Laranjeiras.

Jogão, com o Palestra Itália lotado.

 

Por Juca Kfouri às 13h37

O preço real da Copa do Mundo

Por JOSÉ REINALDO GUIMARÃES CARNEIRO E ROBERTO PORTO*

Afinal, foi mais forte do que todos esperavam. As forças estranhas do futebol, atuando diretamente sobre o ânimo dos parlamentares, impuseram a rejeição da instauração da CPI do Corinthians. Não é fato banal como pode parecer em um primeiro momento. Não é mesmo.

Veio quando ainda estávamos comemorando nossa última conquista: o direito e a responsabilidade de organizar a Copa do Mundo de 2014. Notícia boa, já que acabou premiando 64 anos de espera, desde o evento de 1950, finalizado na derrota havida no Estádio Mário Filho, no Rio de Janeiro.

A rejeição da CPI do Corinthians, assim, já é prenúncio de que a nossa próxima Copa pode ser mais desastrosa do que a anterior. Não por culpa da arte do futebol brasileiro, agora mais respeitado em razão do acúmulo de cinco títulos mundiais. O perigo é outro, maior e mais grave. O crime organizado transnacional, na era globalizada, tem destinado investimentos vultosos de bilhões de euros na aquisição de clubes e jogadores de futebol, aplicando neles a arrecadação espúria do tráfico de armas, da atuação das quadrilhas organizadas, do tráfico de entorpecentes, enfim de tudo aquilo que o próprio Brasil já se obrigou a combater ao menos em duas Convenções das Nações Unidas, em Viena e Palermo. Todos sabem disso.

Não é por outro motivo que russos e iranianos acabaram tendo suas prisões preventivas decretadas pela Justiça Federal, dada a orquestração espetacular de lavagem de dinheiro internacional. Com esse cenário, caberá aos brasileiros o estabelecimento de limites dos benefícios representados pelos grandes investimentos que delimitam o circo da Copa do Mundo.

É necessário reprimir a cornucópia de delinqüentes internacionais que, normalmente, se aproxima dos nossos cartolas com promessa de dinheiro fácil e lucro garantido. Porque já vimos esse filme, esperava-se postura mais enérgica do parlamento brasileiro. A memória recente dos estragos de uma parceria em tudo desastrosa para o futebol do Brasil não foi suficiente para cobrar a consciência de deputados e senadores. Uma lástima.

Vimos que a rejeição de uma investigação que o futebol precisava ter foi um grande pecado de parte de nossos políticos. Pecado de omissão. Soa sem sentido e suspeito que dirigentes esportivos, com apoio de Senadores, Governadores e Deputados, tenham sido fortes o suficiente para fazer barrar no Congresso a legítima (e necessária) instalação de uma comissão parlamentar que tinha o único propósito de elucidar os mecanismos de utilização de clubes de futebol em operações criminosas de lavagem de dinheiro.

A realização da Copa não pode pagar o preço de calar as investigações a cargo das autoridades brasileiras. O custo do evento não pode chegar a ponto de pretender obstar a ação do Departamento de Polícia Federal e nem calar o Ministério Público, instituições brasileiras consolidadas.

Muito menos pode ofuscar – como ofuscou - a voz de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), abortada ao preço da distribuição de promessas de sedes para a realização do grande evento do futebol. Se o preço da Copa é o silêncio ou a omissão de quem se obriga, pela própria responsabilidade da função pública, a apurar e combater o uso do futebol por criminosos internacionais o melhor seria que ela nem viesse.

Não há perspectiva que sobreviva ao ataque à nossa soberania. As investigações no Brasil não podem se submeter ao critério de conveniência de organismos estrangeiros. Pelo contrário. Elas cabem ao exclusivo critério de agentes públicos responsáveis e não giram em torno de interesses privados e escusos. Buscam combater o câncer que a lavagem de dinheiro representa nas economias nacionais. É assim em todo o mundo civilizado e não tem porque ser diferente no Brasil.

Não há quem desconheça o resultado provocado pela lógica simplória do dinheiro a qualquer custo. O discurso de que uma investigação brasileira iria afastar investidores estrangeiros é de péssimo gosto, para falar o mínimo. Possui lógica perversa. Os tais investidores estrangeiros que não resistiriam a uma investigação brasileira não têm nada que fazer por aqui. Afinal, somos um país independente, compatível com uma longa e árdua história de redemocratização.

Nem a FIFA, nem a CBF, nem os políticos têm o poder de tentar contra a independência e soberania da República. A Copa é bem-vinda. Não é essa a discussão que se quer travar. Da mesma forma serão bem-vindos os investimentos nacionais e internacionais, desde que legítimos. Se eles forem compatíveis com o respeito às instituições brasileiras, teremos evento a ser comemorado para as gerações futuras. Se, em contrapartida, custarem o preço de silenciá-las, correremos o risco de ver o Brasil com o sério risco de rebaixamento. Rumo ao evento de 2014, a rejeição da CPI no Congresso fez o Brasil sair em desvantagem. Fizemos gol contra no início da partida. Que ninguém duvide disso.

*Promotores de Justiça do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), de São Paulo.

http://ultimainstancia.uol.com.br/artigos/ler_noticia.php?idNoticia=44444

Por Juca Kfouri às 13h04

Pesos, medidas e conspirações

Juridicamente sempre haverá uma justificativa para o efeito suspensivo que permitirá ao Flamengo jogar com portões abertos diante do Furacão, no Maracanã.

Afinal, o clube alega ter novos argumentos em sua defesa que, se não forem considerados suficientes, reverterão a pena para o primeiro jogo do clube no próximo campeonato.

Mas que pega mal mais uma vez para a imagem da Justiça esportiva, pega.

Do mesmo modo que pega mal o adiamento dos jogos de Corinthians e Goiás para atender a TV sem que se faça, no mínimo, a mesma coisa em relação a outros times ameaçados.

Ver no adiamento, no entanto, favorecimento ao Corinthians é procurar pêlo em ovo, do mesmo modo que se fez quando só o Corinthians jogou às 17h, como aconteceu, por exemplo, no domingo passado com Atlético Paranaense e Sport e ninguém estranhou...

Até porque quando o Corinthians jogou às 17h, houve jogos das 18h10 que lhe interessavam e que transcorreram já conhecendo o resultado do jogo do alvinegro.

Além do mais, os corintianos não gostaram do adiamento da partida contra o Vasco, simplesmente porque aumenta a agonia em mais 78 horas e pode acarretar maior perda de ritmo, mais de duas semanas sem competir.

Ou seja, as lambanças da Justiça esportiva, da CBF ou da TV só contribuem para manchar ainda mais a pouca credibilidade do futebol, mas atribui-las a favorecimentos nebulosos parece um certo exagero.

Que faz parte da racionalidade de torcedor.

Em tempo: basta dizer que ninguém está "estranhando" o jogo, isolado, de hoje entre Palmeiras e Fluminense.

E é inegável que o Palmeiras jogará conhecendo os maus resultados de seus concorrentes Santos, Cruzeiro e Grêmio no último fim de semana.

Por Juca Kfouri às 11h38

13/11/2007

Definidos os outros três times do Brasileirão-2008

Mesmo derrotada pelo Coritiba, que já estava garantido, por 2 a 0, a Portuguesa também garantiu sua volta à Primeira Divisão ao ser beneficiada pela derrota do Fortaleza para o São Caetano, por 1 a 0, em Fortaleza.

O Ipatinga que derrotou o Marília por 3 a 2 também subiu e será o terceiro representante das Minas Gerais.

Finalmente, ao derrotar o CRB por 4 a 1, em Salvador, o Vitória também voltou à divisão principal do futebol brasileiro.

O Coritiba era um dos três campeões brasileiros fora da Primeira Divisão e deve voltar, além do mais, como campeão da Segundona.

O Bahia, que ainda luta na Terceira Divisão para subìr à Segunda, e o Guarani, que permanecerá na Terceira, são os outros dois campeões brasileiros fora da divisão principal.

Mas a Primeira Divisão ainda corre o risco de perder um campeão, aliás, tetracampeão, o Corinthians.

Se o Corinthians permanecer, o campeonato do ano que vem terá apenas seis clubes que jamais ganharam o principal torneio nacional, idiosincrasias da CBF à parte: o Figueirense, o Náutico, o Sport, a Portuguesa, o Vitória, ambos que já foram vice-campeões, e o Ipatinga.

Por Juca Kfouri às 23h58

Sic transit gloria futebol

Acosta está bem na UTI de um hospital do Recife.

Voltará a jogar.

Mas quase aumentou a lista dos jogadores que morreram em condições trágicas.

Abraço,

Roberto

 

Por ROBERTO VIEIRA

Toda glória do mundo é passageira. Principalmente nos campos de futebol. Os gols, os abraços, os aplausos podem terminar de repente. Num pênalti mal batido. Numa despedida ingrata.

Numa curva da estrada.

A glória do mundo é passageira. Ela nos veste de falsos amigos. E nos traga nos bares e noites da vida. Como se as arquibancadas lotadas sempre fossem existir. E os microfones e manchetes fossem diamantes eternos.

A glória do mundo é passageira. Ela se encerra em um sanatório de Barbacena. Numa mesa de sinuca da periferia de Campinas. Em um hospital no interior do Brasil.

A glória do mundo é passageira. Ela morre de cirrose, tuberculose, sífílis, melancolia ou vício. Morre de morte matada e morte morrida. Morre porque toda glória do mundo é passageira.

Jogadores do futebol se tornam imperadores muito jovens. Usam tiaras cobertas de ouro. São aclamados pelas multidões. Endeusados por belas mulheres.

Julgam-se imortais.

Como qualquer um de nós se julgaria, se tão jovens recebêssemos mirra, ouro e incenso.

Porque sempre que fazemos um gol nessa vida. Sempre que defendemos um pênalti. Sempre que nos julgamos eternos.

Devemos repetir para nós mesmos:

Toda glória do mundo é passageira!

Por Juca Kfouri às 11h52

Carta de um corintiano

Compreendo todas as limitações da profissão.

Eu, por exemplo, sou cientista político; sei o quanto me custa a objetividade: mas é a profissão e a credibilidade que exigem.

Na verdade, uma luta: mais do que ser, a cada dia, tentar ser objetivo.

É por isso que, fato raro, resolvi te escrever.

Soltar a voz, superar a crítica e assumir a própria angústia, para além da profissão, que nada tem de objetiva é gesto de coragem.

De fato, anteontem foi um domingo daqueles.

Mas, não sei dizer se não quero que meu filho -- que hoje tem 1 ano e 10 meses -- passe por isso.

É claro que dói e muito.

Melhor que não passe por isso.

Mas como ensiná-lo que não se torce por um time apenas porque se é campeão?

Como aprenderá que há algo mais elevado do que a glória, que se cresce e se humaniza na adversidade?

Que a solidariedade e a identidade estão à prova é nesses momentos e não apenas na hora de comemorar os títulos, como hoje fazem sobejamente os tricolores?

Ah, os tricolores nunca saberão o que é isso!

Sei. Parece masoquismo.

Mas acho que somos corintianos também por essa virtude de saber sofrer e não renegar a dor; de se confraternizar na tristeza, de se aproximar na miséria.

Dói, eu sei. E sei que não há prazer nisso.

Mas há orgulho e isso há tempos estava me faltando na relação com o meu Timão.

Voltar a ser um "sofredor" me fez lembrar porque "escolhi" ser corintiano; porque vesti essa camisa de cores tão simples e tão dignas.

Me fez recuperar a identidade com uma massa enorme de tantos "sofredores" de dentro e fora dos campos e arquibancadas; me fez, de novo brasileiro, pois é essa nossa condição.

Juca, o Corinthians testa nossa hombridade.

Caia ou não caia -- rogo a todos os santos para que não caia --, essa é "a dor e a delícia de ser o que é".

Corintiano, maloqueiro e sofredor. Graças a Deus!

Agradecido por sua coluna,

Carlos Melo.

Por Juca Kfouri às 09h55

Corinthians é absolvido e Dualib pega três anos de suspensão

Deu no que era de se imaginar.

O STJD puniu Alberto Dualib e Nesi Curi, respectivamente ex-presidente e ex-vice-presidente do Corinthians, com três anos de gancho, como responsáveis pela parceria com a MSI.

E absolveu o Corinthians e o atual presidente, Andrés Sanchez.

Os dois punidos já estão mais que afastados do futebol e nem idade têm mais para voltar, próximos dos 90 anos que estão.

O atual presidente, que era o homem do futebol na parceria, escapa incólume e a vida segue, sem maiores turbulências.

O título brasileiro de 2005 continua nas mãos de quem sempre esteve, com o troféu inabalável, no Parque São Jorge.

Confortável, sem dúvida.

Afinal, chutar cachorro morto é um esporte nacional.

Não que Dualib e Curi não mereçam a pena, ao contrário.

Mas abalar as estruturas pode fazer mal ao homem cordial.

É aí que a porca torce o rabo.

Por Juca Kfouri às 00h01

12/11/2007

A volta da velha rivalidade sadia

Por SYLVIO MAESTRELLI

O quinto título brasileiro do São Paulo teve pelo menos um grande mérito: reacendeu a velha (e sadia) rivalidade entre paulistas e cariocas. Afinal, a questão de quem foi penta mais cedo e merece a taça em definitivo (e eu como paulista atesto ter sido o Flamengo) envolve a hegemonia no futebol brasileiro. Mexeu com os torcedores - inclusive do Sport!

Questionado por amigos, então, decidi pesquisar quem realmente "dá as cartas" na história do futebol brasileiro. E os fatos não mentem: vamos às estatísticas?

CAMPEONATOS INTERNACIONAIS

Mundiais de Clubes - SP 6 x RJ 1 (não cumputadas as Copas Rio de 51 e 52, vencidas por Palmeiras e Fluminense, a meu ver simples torneios internacionais)

Libertadores da América - SP 6 x RJ 3 (incuído o Sul-americano que o Vasco ganhou em 1948)

Recopa Sul-americana - SP 2 x RJ 0

Supercopa Sul-americana - SP 1 x RJ 0

Conmebol - SP 2 x RJ 1

Mercosul - SP 1 x RJ 2 - a única exceção!

CAMPEONATOS NACIONAIS

Campeonato Nacional Série A - SP 16 x RJ 11 (considerando o Flamengo campeão em 1987 - Copa União)

Campeonato Nacional Série B - SP 6 x RJ 1

Campeonato Nacional Série C - SP 6 x RJ 3

Robertão (o verdadeiro Nacional de 67 a 70) - SP 3 x RJ 1

Taça Brasil (o verdadeiro Nacional de 59 a 67) - SP 7 x RJ 1

Copa do Brasil - SP 5 x RJ 3

Taça São Paulo de Futebol Jr. (Campeonato Brasileiro Juvenil) - SP 22 x RJ 7

CAMPEONATOS REGIONAIS

Torneio Rio-São Paulo - SP 18 x RJ 10

Copa dos Campeões Mundiais - SP 2 x RJ 1

Copa dos Campeões - SP 1 x RJ 1

Pois é... Como se pode constatar, a diferença é grande. O Maracanã é o templo mundial do futebol, a coreografia das torcidas cariocas é um espetáculo magnífico, o fanatismo dos torcedores - mesmo nas derrotas - é comovente, mas...faixa de campeão é com os paulistas! E disparado!

Por Juca Kfouri às 23h02

Escândalo da arbitragem de 2005 chega ao STF

Refaço a nota, para torná-la mais exata (às 14h).

O escândalo da arbitragem no futebol em 2005 chegou ao Supremo Tribunal Federal.

E aguarda o relatório do ministro Carlos Alberto Menezes Direito para saber se a ação terá ou não prosseguimento.

Movida por um torcedor do Bahia que imputou ao árbitro Paulo José Danelon a queda do tricolor à divisão inferior, a ação de danos morais chegou à instância mais alta da Justiça brasileira.

Ao ministro caberá responder à arguição de relevância e, em caso positivo, a questão irá a julgamento no STF.

Se imaginarmos a admissão da relevância e, ainda por cima, o julgamento favorável ao torcedor, estaremos diante de uma situação complicada.

Porque a Fifa certamente reagirá e, aí sim, se poderá falar em ameaça à realização da Copa do Mundo no Brasil.

A queixa do torcedor diz respeito ao árbitro Paulo José Danelon, também denunciado em 2005 no "caso Edílson", e o aponta como um dos responsáveis pela queda do Bahia para a Terceira Divisão.

Então, a Justiça esportiva anulou 11 jogos da Primeira Divisão, mas não adotou o mesmo critério para os da Segunda.

Por Juca Kfouri às 11h30

O Domingo de Ramos de Felipe

Por ROBERTO VIEIRA 
 

Uma velha máxima do futebol afirma que todo grande time começa com um grande goleiro. Uma mentira deslavada.

Podem procurar o nome do goleiro da Ajax e da Holanda nos anos 70.

Pegavam o primeiro que aparecia e colocavam no gol.

Mas naqueles times não era necessário um grande goleiro. O goleiro sempre saía de uniforme limpo. A bola não chegava ao gol.

E quando chegava era gol. Como na final da Copa de 1974.

O Corinthians de hoje desafia a lógica. Porque o Corinthians de hoje é um grande goleiro procurando um time. Não precisa ser grande.

Pois Felipe olha dos lados e procura um Zé Maria, um Vladimir. Nada.

Quem sabe na zaga alguém contrate um Gamarra. Nem pensar.

Serve um Sócrates no meio de campo. Aliás, serve até um acadêmico de medicina, não precisa ter diploma.

Esqueça!

Palhinha, Baltazar, Cláudio?

Tá doido!

As bolas cruzam a grande área e os pênaltis são defendidos.

O camisa 1 do Timão prossegue multiplicando os pães, ressuscitando os mortos, devolvendo a luz aos cegos.

Em pleno Domingo de Ramos.

O Corinthians de hoje vive o paradoxo de um grande goleiro procurando um time. Não precisa ser grande.

Só precisa ser time.

Para que tudo não termine num Domingo da Paixão corintiana.

Por Juca Kfouri às 09h54

11/11/2007

Rodada de recorde e o Timão na mão de Leão

Na antepenúltima rodada, com o campeonato já decidido, o Brasileirão teve a média de público de 29.188 pagantes por jogo.

Falta ainda Palmeiras x Fluminense e esta média deve cair um pouco, para algo em torno de 28.200.

E viva a fórmula de pontos corridos!

O maior público, recorde, foi no Maracanã, outra vez com o Flamengo, com mais de 81 mil pagantes e mais de 87 mil torcedores presentes.

O pior foi também no Maracanã, com 9.916 torcedores no jogo do Botafogo.

Foram marcados 25 gols, quase três por jogo.

E o Flamengo ficou a apenas um ponto do Santos, com chances de ainda ser vice-campeão brasileiro de 2007.

Já a situação do Grêmio ficou muito complicada para chegar à Libertadores, embora ainda dê.

O Juventude está quase rebaixado e o Paraná Clube depende de milagres.

Corinthians e Goiás devem brigar até a última rodada para fugir da Segunda Divisão.

O curioso, aí, está em que o próximo adversário do Goiás é o Galo de Leão.

O técnico salvou o Corinthians no ano passado e o Galo já está salvo neste.

Se o Corinthians vencer o Vasco (tarefa árdua) e o Galo ganhar do Goiás, o alvinegro estará praticamente salvo, embora ainda dependa dos resultados do Paraná Clube (Santos, em casa, e Vasco, fora).

Os corintianos se sentem seguros nas garras de Leão?

Por Juca Kfouri às 19h54

0 a 0 é pouco, 4 a 1 é muito

Atletico Paranaense 0, Sport 0, na Arena.

Não vi e não gostei.

Imagino que o torcedor do Furacão também não tenha gostado.

Mas tenho certeza de que o do Leão gostou, porque cair o time não cairá.

Como não vi, e gostei, Atlético Mineiro 4, Juventude 1.

Porque jogo de tantos gols sempre vale.

Pena que tenha decretado a queda do Juventude que, na verdade, já era mesmo esperada.

 

Por Juca Kfouri às 19h13

Com a autoridade do pentacampeão

O São Paulo foi melhor que o Grêmio no Morumbi e mereceu sua vitória por 1 a 0, gol de pênalti em Dagoberto, batido por Rogério Ceni, no começo do segundo tempo.

Nos primeiros 45 minutos os donos da casa já tinham sido mais perigosos, embora a pontaria não estivesse 100% e só haviam levado um susto, em chute de Marcel, quase sem ângulo, na trave.

O tricolor abriu 17 pontos sobre o vice-líder Santos e deixou o Grêmio em situação muito difícil, embora ainda não impossível, de chegar à Libertadores.

Diga-se que o Grêmio teve personalidade diante de um time que mesmo sem dar tudo de si lhe é bem superior.

E que não é campeão, pentacampeão, por acaso.

Por Juca Kfouri às 19h07

O Mengo atropela na reta final

Com mais de 87 mil torcedores, o Maracanã viu um jogo equilibrado, bem disputado, com o Flamengo sempre superior, mas, sejamos justos, diante de um Santos ligado, guerreiro como há muito não se via.

Rodrigo Souto teve as melhores oportunidades santistas e Renato Augusto alimentou as rubro-negras.

Como o zero não saiu do placar no primeiro tempo e ao Flamengo só interessava vencer, Joel Santana botou Roger e Obina no meio do segundo tempo, aos 27, para buscar o que não demorou a alcançar.

O gol da vitória.

Que veio em cruzamento de Juan na cabeça de Obina, desta para a de Fábio Luciano que passou para a de Souza, a que fez o gol, aos 31.

O Mengo não está só muito perto da Libertadores.

Se duvidar, a um pontinho do Santos, ainda acaba vice-campeão.

Mesmo sem a taça de bolinhas...

E ela que se dane.

Por Juca Kfouri às 19h06

O inexplicável aconteceu em Floripa

Não vi e nem posso imaginar.

Como o Vasco faz 3 a 0 e permite, no segundo tempo, o empate em 3 a 3?

Esclarecimentos, por favor, para este humilde, e sofredor, blogueiro.

Por Juca Kfouri às 17h05

Felipe salva!

Os dois primeiros minutos de jogo no Serra Dourada foram corintianos.

Como se os paulistas quisessem assustar os esmeraldinos.

Só que ele não se assustaram e depois de dois bons ataques alvinegros, tomaram conta do jogo durante os vinte minutos seguintes, com uma série de lances agudos, alguns deles capazes de exigir tudo o que o goleiro Felipe tem de melhor.

O Corinthians não criava nada e tentava fazer ligações diretas entre a defesa e o ataque, sem sucesso.

Verdade que na altura do 22o minuto o Corinthians criou duas boas chances, com Bruno Bonfim e Finazzi.

Até que houve uma falta pela direita do ataque goiano, a bola foi alçada, desviada de cabeça, bateu em Fábio Ferreira e sobrou para o Sr. Goiás fazer 1 a 0, aos 27, 13o. gol de Paulo Baier no Brasileirão.

Finazzi já tinha levado o terceiro cartão amarelo e, assim como Moradei  e Zelão, não enfrentará o Vasco.

Em vez de tentar liquidar o jogo diante da confusão alvinegra, o alviverde tratou de esfriar a partida, erro que teve o castigo do gol de empate corintiano, em escanteio cobrado por Iran na cabeça de Fábio Ferreira, que contou com a colaboração do goleiro Harlei.

O jogador decisivo do Goiás, Paulo Baier, tinha feito sua parte, assim como Felipe, o melhor do Corinthians.

Já Harlei foi infeliz e Finazzi pouco apareceu.

E veio o segundo tempo, mais 45 minutos de sofrimento.

O Goiás voltou com sério desfalque, o ágil garoto Wendel ficou no vestiário, machucado. Sua mobilidade faria falta.

E em menos de 10 minutos o Corinthians teve três boas chances bisonhamente desperdiçadas por Bruno Bonfim, Finazzi e Lulinha.

Iran, quem diria, fazia sua melhor partida no Corinthians, apesar da má pontaria.

Aos 10, Bonfim teve o segundo gol corintiano evitado por ótima defesa de Harlei.

Moradei marcava Baier homem a homem e o Sr. Goiás desaparecia em campo.

Para variar, Gustavo Nery pediu para sair e Carlão entrou em seu lugar.

Em seguida, tinha de ser, Iran deu uma bicicleta no atacante Harisson, que acabara de entrar no lugar de Fabrício Carvalho.

Paulo Baier bateu e Felipe pegou, aos 31.

Milagre no Serra Dourada.

Felipe, com F da Fiel!

Felipe que anunciou aos companheiros que pegaria.

Arce substituiu Bonfim.

E, aos 41, numa arrancada fulminante, chutou na trave goiana.

Combinados primeiro e segundo tempos, o 1 a 1 acabou justo.

E muito melhor para o Corinthians, que continua a depender só de si.

O que não é lá muita coisa, mas é melhor do que depender dos outros.

Por Juca Kfouri às 17h03

Editorial do 'Jornal da Tarde' de hoje

Pizza corintiana à Ricardo Teixeira

Faz tempo que as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) perderam o apelo e o charme que tinham no passado e mantinham os cidadãos cativos da audiência dos canais de televisão e das emissoras de rádio acompanhando os emocionantes depoimentos de suas testemunhas. A seqüência de resultados nulos dessas audiências levaram-nas ao descrédito corrente na atividade parlamentar e na política em geral. Não era de esperar que a CPI mista para apurar as irregularidades cometidas na parceria entre a MSI e o Corinthians, proposta pelo deputado Sílvio Torres (SP) e pelo senador Álvaro Dias (PR), tivesse resultados concretos diferentes das demais, levando culpados à prisão e promovendo a reparação das vítimas de delitos. Ainda assim, é impossível deixar de lamentar o despautério representado pelo fiasco da tentativa de instalá-la pela falta de três assinaturas de deputados federais. O mínimo de assinaturas necessário era de 171 deputados e 27 senadores. Sobraram confirmações de senadores, faltaram de deputados: só 168 foram até o fim. E ficou mais uma vez adiada para as calendas qualquer tentativa de investigar os podres da “cartolagem” brasileira.

A mudança de ânimos foi conseguida pelo pertinaz trabalho do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que acaba de liderar comitiva numerosa e ruidosa de políticos e assessores a Zurique para torcerem pelo Brasil numa disputa que não houve para sediar a Copa do Mundo de 2014. Depois de argumentar que os clubes, federações e a confederação são privados, portanto fogem do interesse público, no que está certo, apelou para o espírito patriótico dos congressistas, advertindo para a possibilidade de uma CPI desgastar a imagem do País, impedindo a realização do torneio aqui.

Em relação ao primeiro argumento, urge pegá-lo pela palavra e cobrar as dívidas que os clubes mal administrados acumulam na Previdência e em outros órgãos do Estado. Quanto ao segundo, é uma evidente chicana. A Copa de 2014 é bem-vinda, por se tratar de um investimento que pode dar retorno em divisas, principalmente pela via do turismo, para o Brasil. Isso não quer dizer, contudo, que o mundo acabaria se outro país qualquer substituísse o nosso no gozo dessa honraria. Quanto ao assunto de interesse de Teixeira, o futebol brasileiro, a Copa de 2014 em nada alterará o deplorável (e muitas vezes criminoso) estilo de gestão adotado nos clubes e federações. As partidas internacionais transmitidas diretamente para o mundo inteiro pela televisão em nada alterarão este lamentável panorama. Os clubes continuarão falidos e a torcida terá de se contentar com atuações medíocres de seus times do coração, pois os melhores jogadores estão indo embora do País cada vez mais cedo. Em vez de ceder a Teixeira, os parlamentares deveriam cobrar dos gestores públicos menos condescendência com a gestão ruinosa dos “cartolas’.

Por Juca Kfouri às 12h38

No 'Estadão' de hoje. Imperdível!


Cena de aeroporto em 2014

UGO GIORGETTI


Estamos em 2014.

O senhor Hans Reutberger- Sieblinsky está parado no meio do aeroporto de Guarulhos, perplexo. Ele é o chefe da delegação de um pequeno, porém tradicionalíssimo, país europeu, que tinha, no último minuto, obtido classificação para a Copa no Brasil. Depois de 13 horas de vôo e esperar por um tempo a seu ver intolerável para sair da alfândega com as malas e material esportivo, o senhor Sieblinsky estava realmente confuso. Olhava para o monte de passagens aéreas em suas mãos com o nome da empresa brasileira que faria a conexão de seu vôo com Belo Horizonte.

Certamente herr Sieblinsky estava entendendo mal o que lhe diziam. Afinal seu inglês não era grande coisa. O do seu interlocutor brasileiro, infelizmente, não era melhor. O fato é que tinha conseguido entender que a companhia aérea na qual sua delegação deveria embarcar tinha encerrado as atividades. Fechado. Closed down. Kaput. Como seria possível uma coisa dessas?! Ontem mesmo tinha falado com a companhia! Ela não só existia como confirmou o vôo!

Mas realmente não havia ninguém atrás do balcão da empresa. Nobody. Personne. Procurou imediatamente entrar em contato com o embaixador de seu país no Brasil. Uma gravação em português respondeu: "Esse número não existe."

Depois de ouvir com toda a atenção por três vezes a mesma mensagem, resolveu ligar para o cônsul, em São Paulo. Ao receber uma resposta em sua língua nativa, quase foi às lágrimas de alegria. Mas apenas por um momento. Logo depois o cônsul em pessoa o informou que sim, não só era possível empresas de aviação no Brasil quebrarem da noite para o dia, como a sua realmente quebrara. Olhando desnorteado para as inúteis passagens o sr. Sieblinsky arriscou: "Bem, podemos ir de trem." Julgou ouvir uma risada abafada do outro lado e soube que no Brasil há muito tempo não há trens. Pelo menos o que um europeu considera trem.

Já apreensivo, ao ver seus jogadores e a Comissão Técnica se amontoando no chão do aeroporto lotado, o homem teve forças para dizer: "Ônibus, então?" Ônibus, muito bem, vamos verificar. Horas depois, o cônsul ligou de volta, e para surpresa do sr. Sieblinsky, com voz natural, de quem está no Brasil há vários anos, declarou: ônibus também não dá. Haverá grande reunião de evangélicos em BH, onde são esperados 5 milhões de fiéis. Não há passagens.

Pelo som que o pobre sr. Sieblinsky emitiu pelo telefone, o cônsul percebeu que sua presença era requerida no aeroporto. Antes, porém, resolveu avisar: não tinha a menor idéia de quando ia chegar em Guarulhos, porque ameaçava chover e a Marginal ia virar um inferno. Além disso, o mecânico que tinha prometido entregar o carro do consulado "o mais tardar lá pelo meio-dia" não estava respondendo aos insistentes telefonemas. Ao desligar, uma coisa continuou intrigando o cônsul: por que herr Sieblinsky tinha reservado vôo para Belo Horizonte? Será que ele não sabia que a sede dos jogos do seu país tinha sido transferida, no último instante, para Goiás? Ninguém avisou? No fim o cônsul mandou chamar um táxi especial e saiu rumo à Marginal, soltando palavrões em sua língua nativa.

Na mesma noite foi ouvido o seguinte diálogo entre dois garis do aeroporto:

-Você viu o gringo que pirou no meio do saguão?

- Que time que era?

- Sei lá, Itália, eu acho.

BRAZIL!! ZIL ZIL!!



Por Juca Kfouri às 10h53

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico