Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

24/11/2007

Um gaúcho ainda sonha e outro já caiu

O Grêmio não teve dificuldades para fazer 3 a 0 no América, em Natal.

E amanhã torce. Torce muito para ainda poder disputar uma vaga na Libertadores na última rodada.

Torce para o Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo não vencerem e para o Santos perder.

Se, ao contrário, Palmeiras e Flamengo ganharem e o Santos empatar, a Libertadores acabou para o tricolor

Já o Juventude não torce mais.

Vendeu caro a sua derrota para o Flu, no Rio, 3 a 2, jogo definido só aos 42 minutos do segundo tempo, com justiça, diga-se.

O time gaúcho disputará a Segunda Divisão no ano que vem, depois de 13 anos na Primeira.

Por Juca Kfouri às 20h04

A batalha do Arruda

O título é inescapável: A batalha do Arruda.

Pois o Coritiba perdia do Santa Cruz por 2 a 1 até os 43 minutos do segundo tempo, quando empatou.

Empate insuficiente, porque o Ipatinga era o campeão da Série B depois de ter goleado o Paulista, em Jundiaí, por 5 a 2.

Mas parece que o Recife está fadado a ver coisas impossíveis.

O time coxa, com nove jogadores contra 10 do tricolor, aos 47, fez o gol do título.

Não se compara, é claro, à "A Batalha dos Aflitos", mas lembra.

E como lembra.

Por Juca Kfouri às 18h06

Acosta, o craque do Brasileirão

Por ROBERTO VIEIRA

 

Acosta é singular.

Enquanto Rogério Ceni é plural, defende e marca gols. Acosta é singular.

Aos 19 anos, Acosta descobriu que iria ser pai. Ganhava na época 400 reais como jogador de futebol. Muitas vezes nem recebia.

Precisando sustentar sua esposa e filha, Acosta abandonou os gramados. Foi ser feirante.

Durante seis anos, Acosta não marcava gols, não dava passes. Acosta vendia frutas e verduras numa quitanda.

Aos 25 anos, Beto Acosta foi convidado para jogar no Cerrito de Montevidéu. Mas não largou a quitanda.

Acordava de madrugada, vestia o uniforme de feirante e trabalhava até o meio-dia, quando partia para o treino.

A jornada dupla só teve seu final quando foi contratado pelo Peñarol em 2005.

No final de 2006, o uruguaio decidiu se transferir para o Clube Náutico Capibaribe. Teve que esperar dois meses até sua regularização.

Na estréia, um gol de placa. No jogo seguinte, uma expulsão. Momentos de gênio se mesclavam com carrinhos de volante.

A torcida não sabia se aplaudia ou vaiava.

No Brasileirão, Acosta mesmo machucado em campo conseguiu forças para marcar um gol em Rogério Ceny. Náutico 1 x 0 São Paulo.

Quando o Náutico perdia por 4x2 para o Paraná em casa, Acosta fez dois gols e empatou a partida. Herói.

Foi expulso em seguida. Vilão. Saiu chorando de campo.

Seguiu marcando e sendo expulso, herói e vilão, até que no domingo 9 de setembro dinamitou o Botafogo com quatro gols.

O primeiro estrangeiro a marcar quatro gols em partidas do Brasileirão.

Continuou marcando gols. Contra o Cruzeiro no Mineirão o Timbu perdia por 2x0. Jogando com o time reserva.

Acosta empatou o jogo. E pra variar, foi expulso no final da partida.

Voltou para transformar um jogo perdido contra o Grêmio em um improvável 4x3.

De folga, envolveu-se em um acidente de carro que por pouco não tirou sua vida.

Beto Acosta é pois, singular.

Um caso de ame-o ou deixe-o.

No futebol linear, burocrático e sonolento de hoje em dia, Acosta é o inesperado.

O torcedor não pode ir cedo pra casa com Acosta em campo.

Porque com Alberto Martín Acosta em campo, tudo pode acontecer.

Tudo.

Talvez Acosta não seja escolhido o craque do campeonato.

Pena.

Jorge Valdivia tem os votos da torcida do Palmeiras, Rogério Ceni tem seus admiradores.

Mas certamente, este foi o campeonato de Alberto Martín Acosta.

Acosta que resume a vida de boleiro em uma frase:

'Jogador, se não passar fome, não é jogador...'

Por Juca Kfouri às 11h34

Felipão, o profissional

Anos longe de casa mudam as pessoas.

É natural e positivo.

Conversei ontem no CBN EC com Luís Felipe Scolari e lamentei que ele tivesse dito a Lula, com quem se encontrou em Brasília, que ficaria em Portugal.

Ele respondeu que o presidente da República também lamentou e pediu que ele dirigisse o Corinthians.

Para minha surpresa, contou que não afastou a possibilidade, mas "mais adiante"...

Aí, surpreendi-me novamente, e perguntei se ele tinha mudado de idéia, já que sempre disse que em Porto Alegre só o Grêmio e em São Paulo só o Palmeiras.

Pois eis que o gajo não titubeou:

"É claro que a gente se apega e cria uma relação especial nos lugares em que a gente trabalha e é bem recebido. Mas sou um profissional e admito trabalhar no Corinthians sim, como também no Inter."

Por Juca Kfouri às 07h41

23/11/2007

Rico e pobre futebol inglês

Por SYLVIO MAESTRELLI

Cada "first team" dos times ingleses tem, em média, um elenco de 25 jogadores.

No Manchester United, são 17 estrangeiros.

No Chelsea, idem.

No Liverpool, são 23 estrangeiros.

No Arsenal, idem.

Os principais times ingleses já venceram um Mundial de Clubes, 10 Copas da Uefa e 10 Ligas dos Campeões.

Na última (2006-2007), ocuparam três das quatro vagas de semifinalistas.

Rico este futebol inglês!

Por sua vez, a seleção inglesa só venceu uma Copa do Mundo.

Na Inglaterra.

Com muita polêmica.

Gol ilegítimo validado, expulsão injustificada de jogador adversário etc.

Lá no distante 1966. E quando tinha craques como Bobby Charlton, Bobby Moore, Gordon Banks...

Não conquistou nenhuma Eurocopa.

Nem tem grande tradição nas categorias de base.

Protagonizou, na Copa do Mundo de 1950, em Belo Horizonte, um dos maiores vexames do futebol mundial ao perder para os Estados Unidos!

E agora chega ao fundo do poço.

Desclassificada da Euro, após derrota em Wembley para a Croácia!

Quando podia empatar!

Ironia de 2007: mais um McClaren derrotado!

Fará companhia à Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales.

Talvez numa ressuscitada Copa Britânica das Nações.

Pobre este futebol inglês!

Talvez devesse mandar alguém ao Brasil para aprender como se faz uma seleção rica e se empobrece os clubes.

Por Juca Kfouri às 16h55

Mordaça para Edmílson

Por GUSTAVO VILLANI, da Espanha

As reações dos jornais e jogadores espanhóis devido às declarações do brasileiro Edmílson impressionam.

Na Espanha o tal "Código de Ética do Futebol" também é seguido à risca, tão ditador como no Brasil.

Há dois dias o volante disse em entrevista a TV3 que no Barcelona não existe mais aquela mesma garra de dois anos atrás, que a má fase de Ronaldinho pode ter explicação em algum problema pessoal, mas que mesmo assim ãoo o tiraria do time, e que o vestiário barcelonista funciona como em qualquer segmento da sociedade, com boas e más pessoas.

Hoje, o jornal catalão Mundo Deportivo traz de manchete, acima da foto de Edmílson:

Por qué no te callas?

Essa foi a pergunta irada do rei Juan Carlos ao presidente venezuelano Hugo Chávez, há duas semanas no Chile, quando Chávez disse que a Espanha ainda trata aos hispanoaméricos como índios .

Não vejo o porquê da relação dos fatos, como se Edmílson tivesse cometido um insulto aos barcelonistas.

Guti, volante do Real Madrid, comenta a polêmica do rival na capa do diário madrilenho Marca, "no Real nao há ovelha negra".

Duvido.

Nao é possível que o elenco mais caro do mundo, em épocas galáticas, tenha ficado quase quatro anos sem títulos de espontânea vontade.

Já o meia Iniesta, companheiro de Edmílson, disse que "o que importa é que ele já pediu desculpas".

Como se nada estívesse acontecendo no Barcelona e ponto final.

Os jogadores sempre foram massacrados pela imprensa e antigamente até pela sociedade – eram os cafajestes, lembram? – por nao terem opinião própria ou não se preocuparem com valores familiares.

Pois Edmílson até mesmo citou na entrevista esse desvio de princípios por conta de relógios, carros e vaidades que o farto dinheiro lhes proporciona.

Semanas atrás o técnico da Seleção Brasileira Dunga esfolou o meia Souza por discordar da opinião do são paulino, que acredita ser necessário fazer malabarismo no semáforo para que os jogadores que atuam no Brasil apareçam e sejam convocados.

Reflexões: o Barcelona está jogando o que jogava há dois anos?

Ronaldinho, mesmo depois das férias pedidas, está jogando tudo o que se espera dele?

Você, blogueiro, acredita que só existam bons profissionais num ambiente de 25 jogadores e comissão técnica?

Nao existe nenhum jogador em atividade no Brasil em condições de ser convocado?

Qualquer opinão é válida, só nao vale ser hiprócrita.

Por Juca Kfouri às 13h07

A penúltima rodada, ou quase, e seus absurdos

Se já é difícil analisar os jogos do Campeonato Brasileiro em plena efervescência, mais complicado se torna depois de duas semanas sem jogos, este absurdo proporcionado pelo calendário das Eliminatórias sul-americanas.

Quem ganhou e quem perdeu com a parada, se é que alguém ganhou, porque, o normal, é que todos tenham perdido o ritmo de jogo, embora, em tese, isso possa favorecer os mais fracos, ao nivelar os desempenhos.

Fato é que amanhã teremos dois jogos, às 18h10.

No Machadão, o Grêmio joga suas últimas esperanças na Libertadores, diante do desafio de se dar bem fora das plagas gaúchas, onde perdeu 11 vezes.

Enfrenta um América que só quer terminar com um mínimo de dignidade sua péssima participação no campeonato.

Já o tranqüilo Fluminense recebe o Juventude, praticamente rebaixado, mas, matematicamente, ainda não.

O domingo reserva cinco partidas.

As duas primeiras às 16h.

São Paulo e Botafogo não desperta nenhuma emoção, mas pode ser um belo jogo, dadas as circunstâncias de ambos os times.

Inter e Palmeiras é drama puro, pelo menos para os paulistas, que precisam muito de um bom resultado e que entrarão em campo antes de seus rivais Santos, Flamengo e Cruzeiro, outro absurdo.

Que o Inter não se faça de rogado para prejudicar o Grêmio é a sua obrigação.

Às 18h10, mais três jogos.

Paraná Clube e Santos tem prejuízo aos paranistas que jogarão antes de outros rivais na luta para fugir do rebaixamento, porque Goiás, Corinthians e Náutico só jogarão na quarta-feira.

E o Santos (como Flamengo e Cruzeiro) tem a vantagem de saber, ao menos, o resultado do Palmeiras.

Mas precisa se cuidar.

O tricolor paranaense jogará com a faca entre os dentes e se o Santos não vencer poderá ser superado pelo Palmeiras (caso este vença), Flamengo e Cruzeiro (idem, ibidem).

Cruzeiro que terá dura missão na Ilha do Retiro, contra o Sport, em busca de vaga na Copa Sul-Americana.

Finalmente, o jogo recordista de público (e de confusões na compra dos ingressos, que está valendo investigação do Ministério Público do Rio, tanto em relação ao Flamengo quanto em relação à Nestlé) no Brasileirão, entre Flamengo e Atlético Paranaense.

Por incrível que pareça, porque assim é a vida e o futebol, a ausência de Toró causou uma tempestade na Gávea.

Mas o Furacão que se prepare para enfrentar a melhor camisa 12 deste campeonato. 

Por Juca Kfouri às 12h52

O craque brasileiro do Campeonato Brasileiro não é da Seleção Brasileira

Dos três jogadores indicados para o prêmio da CBF de craque do Brasileirão-2007, só um é brasileiro, o goleiro Rogério Ceni.

Os outros dois são o chileno Valdívia e o uruguaio Acosta.

Curiosamente, nenhum deles joga em suas seleções nacionais.

Valdívia por indisciplina.

Acosta por ser considerado velho.

E Rogério Ceni porque...

Por que mesmo?

Bem, Rogério Ceni não da Seleção Brasileira porque...

Ora, Rogério Ceni não é da Seleção Brasileira porque o Dunga é o técnico da Seleção Brasileira.

E não me pergunte por que o Dunga é o técnico da Seleção Brasileira.

Porque eu não sei por quê!

Por Juca Kfouri às 00h29

22/11/2007

A era Carlos Verri

Por ROBERTO VIEIRA

Carlos Verri foi soberbo. Sagaz. Deu um nó tático em todos nós. Admitam.

Colocou três jogadores inexperientes em campo para cansar o timaço uruguaio: Kaká, Ronaldinho e Robinho. E os três trocavam de posição atrapalhadamente. Como os três patetas.

Mas era só pra dar aos celestes a falsa sensação de que seria um jogo fácil.

O Uruguai marcou 1x0? Podia fazer mais? Tudo no script.

Quando deram espaço na retaguarda Luís Fabiano, numa jogada ensaiada por Carlos Verri, abriu o marcador chutando entre as pernas de Carini.

Quem não entendeu pensou que foi frango.

Vocês não entendem de futebol! Até Juca Kfouri não enxerga o óbvio ululante! Foi tudo ensaiado exaustivamente.

No segundo tempo, a arma secreta: Josué!

Mineiro, Josué e Gilberto Silva. O triângulo mágico. Foi muito para o Uruguai.

Ainda mais que Luís Fabiano, em outra jogada ensaiada com Gilberto, marcou 2x1.

Júlio César não fez mais que a sua obrigação. Goleiro existe pra defender. Bater falta é coisa de atacante.

Ronaldinho e Robinho voltaram pro banco. Estão em início de carreira.

O brasileiro gosta de reclamar de barriga cheia. Não se contenta em vencer, quer sempre convencer.

Injustiça é não ganhar os três pontos. Jogar bonito e perder.

A verdade, meus insatisfeitos amigos, é que poucos times do mundo possuem um técnico como Dunga.

Campeão da Copa América. Invicto nas Eliminatórias. Um gentleman.

Aliás, Dunga não, Mestre Carlos Verri.

Por Juca Kfouri às 22h14

Líder, o Paraguai espera pelo Brasil daqui a seis meses

As Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010 só voltam em junho do ano que vem.

E o primeiro jogo da Seleção Brasileira será em Assunção, contra o Paraguai, líder da competição depois da ótima vitória diante do Chile, na madrugada desta quinta-feira, em Santiago, por 3 a 0.

O Paraguai tem 10 pontos, a Argentina 9, o Brasil 8, como a Colômbia, mas o saldo de gols brasileiro é melhor.

Invictos, depois de quatro rodadas, só paraguaios, brasileiros e colombianos.

Daí a importância das atuações de Júlio César e Luís Fabiano na injusta vitória brasileira de ontem sobre os uruguaios, 2 a 1, no Morumbi.

Não fosse por eles e o Brasil não só teria perdido o jogo como passaria seis meses fora do grupo dos quatro países que se classificam, o que seria uma tempestade na cabeça de Dunga.

Que ele aproveite a calmaria para descobrir como organizar a Seleção Brasileira, que mais parece um bando de onze jogadores do que propriamente um time de futebol.

Por Juca Kfouri às 01h32

Notas

Júlio César só não ganha 10 porque não é Deus nem Pelé e ainda sofreu um gol: 9

Maicon corre, se esforça, mas produz pouco: 6

Alex esteve tímido e perdeu todas pelo alto: 4,5

Juan sofreu com desorganização geral: 6

Gilberto foi uma lástima: 3

Gilberto Silva foi como o xará: 3

Mineiro ficou perdido até a entrada de Josué: 4

Ronaldinho, Kaká e Robinho: difícil dizer quem foi pior, mas, vá lá; Ronaldinho 4, Kaká 5 e Robinho 3

Luís Fabiano, salvador da pátria: 8

Josué melhorou o meio de campo: 6

Vágner Love e Daniel Alves, pouco tempo, sem nota.

Dunga não consegue dar padrão ao time e nem fazer suas estrelas renderem: 5

Por Juca Kfouri às 00h20

21/11/2007

Deus é brasileiro

O Uruguai fez gato e sapato do Brasil no primeiro tempo.

Deixou o time nacional feito barata tonta e se não é o goleiro Júlio César teria feito, ao menos, mais dois gols.

Porque um já tinha feito, aos 8 minutos, depois que o goleiro brasileiro desviou um cruzamento e Abreu abriu o placar.

Os dois laterais, Maicon e Gilberto, eram absolutamente ineficazes.

Mineiro e Gilberto Silva não ficavam atrás.

E o trio Kaká, Ronaldinho e Robinho eram três decepções.

Nem Juan repetia suas boas atuações, atarantado, talvez sentindo falta de Lúcio.

Luís Fabiano, coitado, estava mais solitário que um náufrago em ilha deserta.

O Uruguai marcava a defesa brasileira com seus três atacantes e a saída de bola nacional era pífia.

Os uruguaios tiveram mais posse de bola, jogaram muito melhor e fizeram menos faltas no primeiro tempo.

Que acabou numa tremenda injustiça, quando Luís Fabiano recebeu de Maicon e fuzilou quase sem ângulo, no meio das pernas do goleiro Carini.

Aos 44 minutos...

Até lembrou, remotamente, o gol de Gighia em 1950, embora Barbosa não tenha falhado tanto como Carini.

Sorte do bando que vestia amarelo e tomava vaia, justa vaia, no Morumbi.

Não que faltasse vontade, porque isso o bando mostrou.

Mas, como todo bando, sobrava desorganização, talvez porque Dunga não saiba organizar um time de futebol.

Nem bem o jogo recomeçou e quase o Uruguai fez 2 a 1, não fosse, mais uma vez, Júlio César.

O Brasil era o mesmo, diante de 65 mil torcedores que já tinham xingado o técnico Dunga em coro.

Dunga que não tinha nem Elano nem Diego no banco, mas que tinha Josué para, quem sabe, melhorar o desempenho de Mineiro e do meio de campo brasileiro.

E que tinha Kléber, muito mais jogador que Gilberto.

Mas, nada.

E os uruguaios ganhavam todas pelo alto, mesmo com Alex, tímido, na zaga.

O time nacional continuava atônito e mudo.

Aos 15, Dunga tirou Ronaldinho e botou Josué.

Dunga queria manter o empate?

O Uruguai tinha três atacantes e o Brasil tinha três volantes, num jogo no Morumbi!

Claro, podia até dar certo, mas estava errado.

O time também não ajudava.

Mas, deu certo.

Porque, aos 19, Gilberto pegou mal na bola que sobrou para Luís Fabiano fazer 2 a 1.

Um minuto depois, Júlio César fez novo milagre, numa cabeçada certeira.

Rogério Ceni, ao menos, não fazia falta.

E o Uruguai era vítima de uma baita injustiça.

Robinho deixou o campo para entrar Vágner Love, aos 28.

Em seguida o Brasil faria o terceiro gol, em jogada de Luís Fabiano com Maicon, erradamente anulada por impedimento.

O Brasil ganhou, só Deus sabe como.

Ele, Júlio César e Luís Fabiano.

Por Juca Kfouri às 23h37

Copa União, 20 anos depois

Já está nas livrarias e será lançado no próximo dia 29, na livraria da Travessa, no Shopping Leblon, no Rio, o livro "Uma bela jogada: 20 anos de marketing esportivo", da Editora Outras Letras.

O autor, João Henrique Areias, foi o primeiro diretor de marketing do Clube dos 13, em 1987, e um dos principais idealizadores da bem sucedida Copa União, o verdadeiro Campeonato Brasileiro daquele ano.

Ele revela os bastidores da organização do Clube dos 13 e da Copa União desde o momento em que a CBF abriu mão de organizar a competição, decisão da qual voltou atrás exatamente por se dar conta do sucesso que seria, como foi, a Copa União.

Com o respaldo da Rede Globo, da Varig e da Coca-Cola, a Copa União não só teve média de público superior a 20 mil torcedores pagantes por jogo como atingiu a casa dos 40 mil, se considerados as rendas indiretas de cada partida.

Com depoimentos de Pelé e Zico, entre outros protagonistas, o livro propõe um novo modelo de gestão para o esporte nacional, baseado no profissionalismo.

Ao fim da leitura, dá pena verificar o que virou o Clube dos 13, que poderia ter se transformado na Liga dos clubes brasileiros, anterior até mesmo à Premier League inglesa.

Ao contrário, o Clube dos 13 hoje não passa de uma agência intermediadora de contratos com a TV, para a alegria do bolso dos que a dirigem sem alternância de poder, como é regra na cartolagem nacional.

Em tempo: o livro passa ao largo da falsa polêmica em torno de quem foi o campeão brasileiro de 1987, por ser público e notório, então, que foi o Flamengo, tem 209 páginas e custa R$39,90.

Por Juca Kfouri às 13h32

Euforia no Palmeiras

Palmeirense militante e dono da Traffic, braço direito de Ricardo Teixeira (ou seria o contrário?), o empresário J.Hawilla anuncia um fundo de R$ 40 milhões para ajudar o Palmeiras a voltar a ser vencedor.

O clima no Palestra Itália é o de que a hegemonia do São Paulo está com os dias contados.

Aguardemos.

Por Juca Kfouri às 13h05

Venezuela arrebenta e Argentina perde

Confesso que as Eliminatórias Sul-Americanas não me comovem.

Acho que são muito longas e com oito seleções lutando por duas vagas, porque as outras duas são cativas de Brasil e Argentina.

Mesmo assim, dá para se divertir.

Por exemplo: Venezuela 5, Bolívia 3, foi bom de ver.

Esqueça a qualidade técnica, mas num jogo em que os bolivianos Moreno, do Cruzeiro, e Arce, do Corinthians (ambos nem titulares são por aqui, é verdade) brilham, pode acontecer de tudo, como aconteceu.

A Bolívia fez 1 a 0, 2 a 1 e 3 a 2, primeiro e terceiro gols de Moreno e o segundo de Arce.

E perdeu, como sempre acontece nas Eliminatórias quando joga fora da altitude de La Paz.

Houve momentos interessantíssimos, como quando a Venezuela fez um gol, o segundo, em que seu autor recebeu a bola da nuca do companheiro, por puro acaso.

Ou como no quinto gol, quase do meio de campo, por cobertura, quando jogava no gol boliviano um improvisado jogador de linha, o volante Gutierrez.

Ora, oito gols em 90 minutos não aborrece ninguém.

Como não aborreceu o jogo entre Colômbia e Argentina.

Verdade que se não bastasse a altitude de Bogotá, o jogo ficou ainda mais desigual logo aos 24 minutos do primeiro tempo, quando Carlitos Tevez foi expulso.

Mesmo assim, quem abriu o placar foi Messi, ainda no primeiro tempo, num golaço.

Onze contra 10, a 2640 metros do nível do mar, os colombianos sabiam que si, se puede.

E em linda cobrança de falta, Bustos empatou, aos 17.

Daí, não tem 10 contra 11 que resista e a Argentina cedeu, mortinha da silva.

Aos 37 tomou o segundo gol, de Moreno, com direito a levar olé depois da virada.

E Dunga dirá: pois é, e vocês reclamam do 0 a 0 do Brasil na estréia, na mesma Bogotá...

Foi a segunda vitória colombiana (com mais dois empates) e a primeira derrota argentina (que tinha vencido as outras três partidas).

Por Juca Kfouri às 00h51

2014, o banquete

O jantar que Ricardo Teixeira promoveu com o mercado publicitário num restaurante de São Paulo foi um su, com se dizia antigamente.

Ele reiterou que a Copa do Mundo de 2014 não tem dono.

E que quem tiver clientes que queiram se associar à idéia e ganhar dinheiro não deve pensar duas vezes antes de procurá-lo.

J.Hawilla também discursou para mostrar que erram os que supõem que a candidatura brasileira, por ter sido única, foi uma barbada.

Ele fez questão de atribuir à habilidade de Teixeira a unanimidade em torno da CBF, na costura da pretensão brasileira.

Pelé não compareceu mais uma vez, mas o técnico do Santos, Vanderlei Luxemburgo, estava lá, assim como o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez e Galvão Bueno, narrador da Globo.

Nem João Havelange nem Juvenal Juvêncio foram vistos no ágape.

Alguns grandes anunciantes como Alpargatas e Penalty disseram presente, mas Nizan Guanaes, que tem a conta da CBF, não.

Teixeira insistiu em que a empresa criada para organizar a Copa, que ele presidirá, não aceitará um tostão de dinheiro público.

Por enquanto, tudo é festa.

Por Juca Kfouri às 00h08

20/11/2007

Vaiar ou não vaiar, eis a questão do Morumbi

Dunga disse que espera que o Morumbi se comporte amanhã como o Maracanã se comportou no jogo contra o Equador.

Dunga talvez tenha se esquecido que houve duas ameaças de vaias, antes do primeiro gol e antes do segundo.

Depois, de fato, tudo foi só festa.

Mas o Uruguai não é o Equador, coisa que a torcida paulista fará bem se levar em conta.

Não custa lembrar que também o Paraguai enfiou cinco gols no Equador.

Por outro lado, é fácil saber como o Morumbi irá se comportar.

Dependerá do comportamento da Seleção.

Se o time jogar como contra o Peru, será vaia na certa.

Se se comportar bem, será aplaudida.

A disposição para vaias mora, ao menos, no coração dos são paulinos, pela ausência de Rogério Ceni.

Mas é bom lembrar que Júlio César não tem nada com isso e não pode ser vítima, como um dia foi, em 1970, seu meio xará, Paulo César, escalado no lugar de Pelé.

Até porque Rogério Ceni é o que é, mas não é Pelé.

E Paulo César Caju era craque, craquíssimo.

Que a porção tricolor do Morumbi não se esqueça, também, das injustas vaias com que parte dela contemplou Kaká, tachando-o até de pipoqueiro.

Vaiar é um direito do torcedor, mas devagar com o andor porque o Uruguai sempre merece respeito.

E, mais ainda, a Seleção Brasileira, apesar da irritante atuação em Lima. 

Por Juca Kfouri às 15h31

Só um dono

Ricardo Teixeira convida as agências de propaganda de São Paulo para jantar hoje no Leopolldo.

Quer sinalizar que a Copa de 2014 não em dono, como faz crer a MPM de Nizan Guanaes.

Ou melhor: quer mostrar que tem um dono só.

Por Juca Kfouri às 10h42

19/11/2007

Boa e má notícia

A boa, para os amigos: passei parte do domingo à noite e toda a segunda-feira em regime de checagem geral.

A saúde é de menino.

A má notícia, para os inimigos: passei a segunda-feira em regime de checagem geral.

A saúde é de menino.

E não podia passar um dia inteiro sem uma notinha.

Nem que fosse só para chatear.

Por Juca Kfouri às 23h48

18/11/2007

Thiago, Ricardinho, Romário e Ronaldo...

O domingo começou mal, muito mal, com a derrota do vôlei masculino brasileiro para os Estados Unidos, por 3 a 0 (!), na Copa do Mundo.

Melhorou substancialmente com o recorde mundial de Thiago Pereira nos 200m medley, em piscina curta, de 25 metros, infelizmente não mais usada em Olimpíadas.

Sexto ouro do nadador na Copa do Mundo, façanha ainda maior que a obtida no Pan.

E o domingo acabou como começou, mal, muito mal, com o empate da seleção de futebol contra o fraco Peru.

Soluções há.

Para o vôlei é tão óbvia como tem nome, no diminutivo, Ricardinho, o levantador que é tão bicudo como o técnico Bernardinho.

Que, aliás, reconhece ser o atleta mais importante do que ele para tentar o segundo ouro olímpico seguido.

Ricardinho parece estar para as Olimpíadas de Pequim assim como Romário estava para a Copa do Mundo de 1994.

E não há ninguém como Romário quando se pensa na Copa de 2010.

Mas que Daniel Alves e Kléber bem que poderiam ocupar as laterais, parece evidente.

Assim como será melhor ver Luís Fabiano do que Vágner Love, pelo menos enquanto, e se, Ronaldo Fenômeno não vira Romário

Por Juca Kfouri às 21h51

Seleção se engasga com o Peru

Foram 45 minutos de muitas insinuações e muito pouco de concreto.

Tanto que a única defesa aconteceu aos 44, quando Kaká ia encobrindo o goleiro Penny e este fez ótima intervenção.

Antes disso, Vágner Love tinha quase feito o 1 a 0 numa roubada de bola e Kaká tinha feito o 1 a 0, num golaço de fora da área.

O jogo foi franco, não só porque os dois times queriam jogar e deixavam jogar, mas, também, porque a arbitragem pouco interveio, em lances que normalmente são marcadas faltas no futebol sul-americano.

Para o segundo tempo o Peru adotou uma tática kamikaze, se mandando todo para frente mesmo depois de perder seu atacante mais perigoso, Gerrero, que se machucou.

Já Seleção Brasileira mostrou o mesmo pecado de sempre, muito pouco coletiva, ao acreditar que seus talentos podem resolver de uma hora para outra.

Como Kaká resolveu, por exemplo.

Aos 23 minutos do segundo tempo, Luís Fabiano substituiu Love e no mesmo minuto, por muito pouco, Lúcio deixou de fazer o segundo gol, em mais uma excelente defesa de Penny.

Mas, aos 25, num dos muitos rebotes pegos pelos peruanos, Vargas chutou de fora da área, Júlio César pegaria sem grandes dificuldades, mas Lúcio desviou contra a rede brasileira.

E Robinho saiu para entrar Elano.

No último lance da partida, Juan cabeceou na trave.

Se a Seleção jogar como jogou em Lima no Morumbi, será vaiada como sempre.

Porque o golear o Equador o Paraguai também goleou.

Notas

Júlio César não teve muito trabalho, mas esteve firme e seguro, sem culpa no gol: 7

Maicon tem força de sobra e técnica de menos: 5,5

Lúcio ia bem e deu azar ao desviar a bola do gol peruano: 6,5

Juan passa horas sem errar um lance: 9

Gilberto marca e ataca pior do que Kléber: 5, 5

Gilberto Silva anda longe do que foi: 5,5

Mineiro talvez se desse melhor com o velho companheiro Josué: 5,5

Ronaldinho Gaúcho estava evidentemente inseguro: 5,5

Kaká quase resolveu o jogo sozinho, mesmo sem brilhar: 6,5

Robinho quase não fez nada: 5

Vágner Love fez apenas uma jogada e continua isolado: 5,5

Luís Fabiano foi melhor que ele, mesmo jogando pouco tempo: 6

Elano, pouco tempo, sem nota.

Dunga não podia permitir que o time recuasse tanto no segundo tempo: 5 

Por Juca Kfouri às 21h06

Jalisco, 40 graus

Por ROBERTO VIEIRA

Prezado Nilton,

Por onde devo começar?

Um sol de 40 graus e eu sentia frio. Minhas mãos geladas e meus olhos frios. Eu não ouvia nada para não ouvir meu coração. Quando tocou o hino eu olhei na multidão pelo Estádio Jalisco. A boca seca. Depois sentei.

Como se negasse minha mãe numa esquina de Copacabana.

Afastei-me da esquina e me sentei sozinho. Domingos Fernandes Calabar à espera do seu Porto Calvo. Eu sabia que iria ser derrotado. Mas e se eu vencesse?

Eu tinha Cubillas.

Tudo poderia ter acabado contra a Argentina em La Bombonera. E acabou. Para a Argentina.

Depois veio aquele terremoto. Aquelas mortes. Aquela Búlgaria. Estava tudo perdido e eu já pensava na viagem de volta pra Lima quando os meninos decidiram jogar bola. Viraram um jogo perdido. 3x2. E venceram o Marrocos.

Quando dei por mim ao consultar a tabela notei o precipício. Matias de Albuquerque. O Brasil venceu a Inglaterra. O primeiro do grupo C contra o segundo do grupo D. Nós. Ou eles? Como eu deveria chamar o time que eu treinava? Nós? Ou eles?

Não dormi na véspera. Todos os meus sonhos terminavam em folha-seca no Maracanã. Em pleno 1970 eu vivia 1957. Mas eu estava na barreira nos meus sonhos. E a bola não entrava. E num contra-ataque eu lançava Terry que marcava 1x0 depois de driblar você Nilton. O Peru se classificava para a Copa da Suécia em pleno Maracanã.

Eu acordava suado na madrugada mexicana.

O Brasil começa arrasador. Faz 2x0. Graças a Deus!

'Brito, cuidado com...'

Gol de Gallardo.

O primeiro tempo vira 2x1.

O frio aumenta. Guiomar. De quem foi essa idéia de treinar o Peru?

Tostão! Obrigado Tostão! Agora está tudo terminado. Mas não deixem o Teófilo livre. Não deixem... 3x2.

Rezei. Confesso humildemente que rezei. Com aquelas duas defesas em campo eu tive de rezar. De repente, tudo era possível.

Então Jairzinho entra na área fazendo miséria. 'Chuta Jairzinho!'

Ele não chuta! Se ele perder esse gol eu entro lá e mato ele.

'Chuta Jairzinho!'

Ele toca calmamente para as redes. 4x2. Eu fecho os olhos. Eu me controlo pra não mandar o time recuar.

Fim de jogo. Foi a derrota mais feliz da minha vida. Se é que eu posso escrever algo assim.

Valeu a pena confiar em Rubiños.'

Um abraço do amigo,

Waldir Pereira

Por Juca Kfouri às 11h15

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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