Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

08/12/2007

O Palmeiras em busca de treinador

O vice-presidente do Palmeiras, Gilberto Cipullo, insiste em Vanderlei Luxemburgo para ocupar o cargo que Caio Jr. deixou vago.

E Dorival Júnior passou a ser terceira opção, muito mais dele mesmo, por sinal.

Porque na impossibilidade de ter Luxemburgo, Cipullo irá mesmo para cima de Cuca, que balança.

Por Juca Kfouri às 19h56

Segurança é coisa séria

Segundo publicou o sempre bem informado jornalista Bob Fernandes, editor-chefe do "Terra Magazine", o deputado tucano Fernando Capez luta para ser secretário da Segurança de São Paulo.

Luta aparentemente inglória, porque, por exemplo, ele não conta com nenhuma simpatia do secretário de Justiça e ex-Procurador Geral de Justiça paulista, Luiz Antônio Marrey, ao contrário.

Além do mais, as credenciais de Capez na área não autorizam tamanha ambição, diante do seu malogro no combate à violência de torcidas quando exercia a função de promotor de Justiça.

Por Juca Kfouri às 19h53

144 anos depois e estamos aqui

Por FERNANDO GRAZIANI

"Como a senhora explicaria a um menino o que é felicidade?
Não explicaria. Daria uma bola para que ele jogasse"

Dorothee Sölle

Neste sábado, 8 de dezembro, John Lennon e Tom Jobim serão lembrados.

Ambos faleceram neste dia. O primeiro, assassinado, em 1980. O segundo, durante uma angioplastia, em 1994.

Deixaram saudades, mas suas obras estão aí. Ainda bem.

Gente famosa e importante também nasceu neste dia, como Jim Morrison e Diego Rivera.

Suas obras também estão entre nós.

Mas talvez o que pouca gente lembre é que 8 de dezembro é considerado o dia da criação do futebol moderno.

O ano era 1863 e o esporte era jogado um tempo com os pés e o outro com as mãos. Uma confusão de regras, que tinha algo de rugby e futebol. E era considerado violento demais.

Foi então que um grupo de times de Londres resolveu bancar de uma vez por todas a separação das modalidades. Depois de algumas reunições, eis que em 8 de dezembro de 1863 o pessoal defensor do esporte jogado com as mãos se separou definitivamente.

Estava criada a estabelecida "Football Association".

Claro que no decorrer dos anos as regras foram aperfeiçoadas, até chegar onde estamos hoje.

Portanto, estar aqui escrevendo este post num blog quase 100% de futebol e completamente adaptado às novas tecnologias - é consequência daquele distante 8 de dezembro.

Nem dá para explicar racionalmente porque tanta paixão por esse esporte, mas que ela existe, existe.

E é no mundo inteiro, em todas as classes sociais, em qualquer religião.

Como no Brasil, onde o futebol faz parte da essência da alma brasileira, porque tem capoeira, malandragem, meio tom, sabedoria, chorinho, samba e vela, como dizia Aldemir Martins.

Que este 8 de dezembro seja apenas mais um ano da eternidade do futebol.

"O futebol não é uma questão de vida ou de morte.
É muito mais importante que isso..."

Bill Shankly

http://blog.opovo.com.br/esportes

Por Juca Kfouri às 11h51

Oba!

Tem um novo blog na praça, do excelente jornalista Marcelo Damato.

É só clicar: www.alemdojogo.wordpress.com

Por Juca Kfouri às 00h30

07/12/2007

Tem de aturar

Clique na foto e ouça como pode ser a próxima temporada do Corinthians.

Por Juca Kfouri às 18h30

O Natal de uma criança são paulina

"Querido Papai Noel:

Não quero mais nada!

Muito obrigado".

Por Juca Kfouri às 17h42

Leia que vale a pena

Levando os esportes a sério

Os esportes nunca foram tão importantes, mas o significado e os atrativos das atividades esportivas ainda não são levadas a sério. É hora de os esportes contarem com o mesmo peso cultural das artes cênicas, e de serem julgados segundo os padrões normais da vida pública

David Goldblatt*

Os esportes geram significados e prazeres de várias maneiras.

O movimento e as coreografias de alguns deles evocam os mesmos prazeres da dança.

E em muitos esportes a multidão é sem dúvida alguma o coro, que não só gera clima, comentário e renda, mas que também modela o tom e o rumo do jogo.

A oportunidade que isso proporciona para a dramatização coletiva de identidades e relações sociais, tanto de forma espontânea quanto organizada, não tem paralelo no campo da cultura popular global.

As Olimpíadas, com todos os seus defeitos, continua sendo a mais significativa comemoração global de internacionalismo.

Nenhuma linguagem ou religião tem um alcance geográfico e social tão grande quanto a participação e o consumo dos principais esportes mundiais.

Mas levar os esportes a sério parece ser algo meio contraditório.

Todo esporte, por mais que tenha sido mercantilizado, regulamentado e organizado, é, no final das contas, apenas uma forma complexa de brincadeira.

Usando-se como padrões de cálculo os critérios quantificáveis da utilidade, da eficiência e da segurança, os esportes não fazem sentido.

Usar tacos de metal para lançar bolas a meio quilômetro de distância em paisagens esculpidas para que elas caiam em pequenos buracos é algo sério?

Salto de esqui e luge?

Até como idéias esses esportes são absurdos.

Os esportes exigem dos seus participantes e espectadores um salto de fé, uma suspensão da razão, um abandono de vários julgamentos e valores convencionais, como pré-requisito para que se aceite que esses jogos têm importância.

O salto de fé nos conduz a um mundo livre da razão instrumental, no qual as pressões da sociedade moderna não possuem um lugar de direito.

A idéia de que tal espaço possa existir em um mundo que parece deformado pelo alcance do dinheiro e do poder se constitui de fato em uma perspectiva séria.

Pode-se argumentar que os esportes, ainda que livres das formas convencionais da instrumentalidade, se focalizam de forma incansável e obsessiva no mais estreito e desprezível dos objetivos.

Vince Lombardi, um técnico de futebol americano da década de 1950 que foi fantasticamente bem-sucedido, disse certa vez: "Ganhar não é tudo; é a única coisa".

Mas essa é uma ficção que todos nós mantemos, um outro salto de fé que mantém os profissionais dos esportes motivados.

Um jogo que é totalmente dirigido para os resultados não é mais um jogo.

Se ganhar um jogo de futebol é de fato a única coisa que importa, então não estamos mais jogando.

A maioria dos esportes, na maior parte do tempo, diz respeito a perder ou empatar.

Somente um time pode ganhar o campeonato a cada ano.

Nós continuamos a sentir prazer com a derrota, as quase vitórias, os sucessos ocasionais e a mediocridade sombria.

Mas o jogo seriamente organizado não pode ser puramente espontâneo.

Se quisermos assistir ao espetáculo e participar das suas grandes narrativas, precisamos de regras e de instituições que estabeleçam estas regras; necessitamos de infra-estrutura, estádios e atletas profissionais.

O espetáculo exige financiadores; alguém precisa pagar o custo do circo.

Os esportes atraem e precisam lidar com dinheiro e poder, e os financiadores estarão sempre procurando comprar ou tomar uma parcela da glória.

Como podemos determinar qual é a linha que separa os reinos do poder e do jogo, o espaço econômico do social?

A produção e o consumo dos esportes modernos são claramente políticos, apesar de com um "p" minúsculo.

Economistas e sociólogos deram os seus palpites sobre as origens e as conseqüências dos esportes, da globalização, da comercialização e do impacto de novas tecnologias.

No Reino Unido, a voz lacônica e auto-reflexiva das bases que geraram a cultura de fanzine de futebol da década de 1980 pode agora ser encontrada no rádio e em outros setores da imprensa.

Alguns poucos cronistas esportivos ampliaram os seus horizontes, geográfica e contextualmente, e buscaram algo a mais do que os mesmos e antigos vocabulários e narrativas.

Da mesma maneira, a política começou a aparecer de forma lenta e relutante nas bordas da imprensa esportiva britânica: as Olimpíadas de 2012 são um assunto acompanhado de perto.

Os piores excessos do atual regime da Fifa foram expostos.

Nos últimos meses, o controle estrangeiro sobre a Liga Nacional de Futebol transformou-se em uma grande história no Reino Unido, assim como o doping e o ciclismo.

No entanto, só há um punhado de jornalistas investigando, noticiando e escrevendo sobre as questões referentes a dinheiro e poder, posse e regulamentação, impropriedade e corrupção.

A cobertura esportiva da televisão e do rádio, embora tenha melhorado bastante sob o ponto de vista técnico, e se tornado disponível em inumeráveis canais de divulgação, na maioria das vezes deslocou-se meramente do anódino e desajeitado para o anódino e astucioso.

E qual seria o aspecto de uma cultura esportiva mais saudável?

Ela começaria com duas idéias.

Primeiro, o esporte deveria ser tratado com a mesma seriedade dedicada às artes cênicas.

Segundo, ele deveria ser julgado de acordo com os mesmos critérios de transparência, sustentabilidade e democracia que esperamos em outros setores da vida pública.

Muitas coisas se seguem a partir disso, mas consideremos apenas quatro.

Primeiro, contemos as nossas histórias da maneira correta.

Todos os esportes modernos deleitam-se nas suas próprias histórias e as utilizam para criar significados e prazeres contemporâneos.

A manutenção de registros sistemáticos, que distingue a era moderna dos jogos do passado, fornece uma estrutura constante para comparações entre times e indivíduos de várias épocas.

Narrativas de clubes, campeonatos e tradições de estilos de jogo proporcionam um rico nicho de interesse por competições esportivas.

No entanto, tanto no idioma oficial quanto no popular, o que nos fornecem basicamente é uma história substituta: o mito desenraizado e manipulado, hermeticamente lacrado para não ter contato com o contexto político, social e econômico mais amplo no qual ele ocorreu.

Os resultados são na melhor das hipóteses sombriamente sentimentais, e, na pior, não passam de acobertamentos obscenos de injustiças e contravenções passadas. Devemos insistir nas melhorias.

Segundo, será que podemos melhorar a conversação?

Embora não exista nada de errado no fato de os profissionais esportivos tornarem-se comentaristas na mídia, não há também motivo para achar que eles detêm o monopólio da sabedoria nas questões esportivas, e tampouco que a glória esportiva passada possa compensar qualquer dose de trapalhadas atuais.

No mínimo, tenhamos outras vozes em cena.

Terceiro, escritores e repórteres, políticos e platéias, participantes, espectadores e os seus vários representantes precisam se ligar nos atuais problemas epidêmicos referentes ao poder e ao dinheiro não regulamentados no esporte.

O universo esportivo global está repleto de acusações e de evidências de chantagens, engodos, fraudes e corrupção.

Precisamos equilibrar a oportunidade do capital privado de gerar lucros a partir do esporte e as suas obrigações de se preocupar com os outros.

O argumento tem início com o vínculo entre esporte profissional e a cultura esportiva mais ampla da sociedade - equipes de pubs, esporte escolar, ligas juvenis participando, vendo, seguindo e discutindo.

Sem esse substrato, o esporte no seu nível mais alto torna-se impossível.

Todas as organizações esportivas profissionais deveriam arcar com uma considerável responsabilidade pelas suas bases.

A aposta em corridas de cavalos é um exemplo de uma transferência de renda privada de volta à estrutura esportiva; e outros exemplos devem ser levados em consideração.

Finalmente, em uma época na qual nenhum aspecto da vida social ou política pode se ausentar do debate sobre a mudança climática, o esporte necessita assumir a liderança.

A Copa do Mundo, as Olimpíadas e todas as outras competições regionais e globais geram uma vasta quantidade de carbono emitido como resultado das reuniões de tanta gente em tantos lugares.

Os governos deveriam, de forma geral, estar se esforçando mais para fazer com que a indústria da aviação tenha maior importância, mas certamente uma fatia da renda de 500 milhões de euros gerada pela Liga dos Campeões, ou os bilhões que fluem para os cofres da Fifa, deveriam ser gastos com algum tipo de contrabalanceamento.

Enquanto isso, todos os esportes que tem um impacto ambiental direto - especialmente esqui, corridas motorizadas e golfe - precisam fazer algumas reflexões profundas.

É claro que um dos argumentos mais fortes contra a proposta de se levar os esportes a sério é o histórico desalentador daquelas ideologias que tentaram fazer isso no passado: um cristianismo musculoso a serviço do imperialismo; variedades de darwinismo social e de ultranacionalismo desvirtuados para inclinar as nações para a guerra; o absurdo pão e circo do fascismo, o autoritarismo populista latino-americano e o comunismo europeu; o presunçoso e hipócrita internacionalismo do movimento olímpico.

Mas abandonar tais políticas ou fingir que elas não têm importância não se constituem em respostas efetivas.

Uma alternativa, que procura reduzir a política no esporte ao seu devido tamanho, é imaginar isso como sendo um carnaval democrático em ação.

O mundo dos esportes é aquele no qual a maioria de nós, em diferentes períodos e de diferentes maneiras, é participante, platéia e comentarista; é um mundo no qual podemos achar prazer na contradição, um espaço social que depende do Estado e do mercado, mas que sabe como mantê-los à devida distância.

Esse espaço, afinal, não é exatamente o local no qual jogamos, e sim onde a boa vida deve ser vivida.

*David Goldblatt é escritor, telejornalista e professor.

Tradução: UOL

Visite o site do Prospect

http://www.prospect-magazine.co.uk/landing_page.php

 

Por Juca Kfouri às 00h43

O agitado mundo da bola

Ontem foi um dia agitado no futebol brasileiro.

Caio Júnior, por exemplo, trocou de verde.

Saiu do Verdão paulista para o esmeraldino goiano, que talvez se ajuste mais ao seu temperamento.

O Palmeiras está entre dois nomes para definir seu novo técnico: Dorival Júnior é um deles e o outro ainda é guardado em segredo

Já Adilson Batista fechou com o Cruzeiro, um casamento que tem tudo para dar certo.

E Romário topou ser técnico do Vasco, pelo menos nos primeiros meses do ano que vem.

Roger foi dispensado pelo Flamengo, ele que pertence ao Corinthians e não tem perfil de Segunda Divisão, embora tenha ajudado o Fluminense na Terceira.

E Botafogo e Fluminense disputam Leandro Amaral, que parece mesmo condenado a sair do Vasco.

O mundo dos cartolas também esteve agitado.

A ONG Gol Brasil ajuizou na Bahia uma ação baseada no Estatuto do Torcedor na qual pede a destituição de Ricardo Teixeira, como um dos responsáveis pela tragédia da Fonte Nova, quando morreram sete torcedores em torneio organizado pela CBF.

O Ministério Público baiano já tinha feito coisa semelhante.

E, finalmente, o ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, foi indiciado por estelionato e formação de quadrilha enquanto o presidente Lula anunciava seu próximo passo, que não tem nada a ver com terceiro mandato ou com a CPMF: ele anunciou que em sua primeira visita a São Paulo vai se associar ao...Corinthians.

Por Juca Kfouri às 00h11

06/12/2007

Pedida a destituição de Ricardo Teixeira na Bahia

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ____ VARA ESPECIALIZADA DE DEFESA DO CONSUMIDOR DA COMARCA DE SALVADOR - BA

 

INSTITUTO GOL BRASIL, organização não governamental sem fins econômicos, com sede na Cidade de São Paulo – SP, Rua Apinajés, nº 385, ap. 133 - B, inscrito no CNPJ sob o nº 05.846.744/0001-45, vem, por seus advogados (docs. 1/3) e com fundamento no artigo 282 do CPC, artigos 13 a 19 da Lei 10.671/03 – ("Estatuto do Torcedor") e disposições legais pertinentes à matéria, propor

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

em face de Confederação Brasileira de Futebol ("CBF"), entidade de administração do desporto com sede na Rua Victor Civita, 66, 5º andar, Bl. 5, na cidade do Rio de Janeiro - RJ, inscrita no CNPJ sob o nº 33.655.721/0001-99 e seu presidente Sr. Ricardo Terra Teixeira, também domiciliado na Rua Victor Civita, 66, 5º andar, Bl. 5, na cidade do Rio de Janeiro – RJ; o Esporte Clube Bahia S/A ("Bahia"), entidade de prática desportiva com sede no Município de Lauro de Freitas, no endereço Jardim Metrópole S/N e seu presidente Sr. Petrônio Barradas, também domiciliado no Município de Lauro de Freitas, no endereço Jardim Metrópole S/N, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.

 

I – DO CABIMENTO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA

1. – O art. 1º da Lei 7.347/85 prevê:

"Art. 1º - Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados:

(...)

II - ao consumidor;" (negritos acrescentados)

2. – O art. 42 § 3º da Lei 9.615/98 equipara o espectador pagante de evento esportivo ao consumidor, nos termos do art. 2º da Lei 8.078/90 ("CDC"):

"§ 3º O espectador pagante, por qualquer meio, de espetáculo ou evento desportivo, equipara-se, para todos os efeitos legais, ao consumidor, nos termos do art. 2º da Lei 8.078 de 11 de setembro de 1990." (negritos acrescentados)

3. – O art. 3º da Lei 10.671/03 ("Estatuto do Torcedor") equipara as entidades responsáveis pela organização da competição esportiva (federação e confederação) e as entidades de prática esportiva à figura do fornecedor estabelecida pelo CDC:

"Art. 3o Para todos os efeitos legais, equiparam-se a fornecedor, nos termos da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990, a entidade responsável pela organização da competição, bem como a entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo." (negritos acrescentados)

4. – Fica estabelecida, portanto, a relação de consumo entre o torcedor que pagou ingresso para comparecer ao evento esportivo e as entidades responsáveis pela organização de tal evento. Aplicável, portanto, o art. 1º, II, da Lei 7.347/85 ao caso.

5. – O Instituto Gol Brasil tem legitimidade para ajuizar ação civil pública porque, (i) tendo sido constituído em 12.8.2003 (ata de fundação – doc. 3), atende ao requisito do art. 5º, I da Lei 7.347/85 e (ii) tem por objetivo a defesa dos direitos dos torcedores, equiparados pela lei aos consumidores, em todo o território nacional, nos termos dos seus estatutos:

"Art. 4º - Constituem finalidades do Instituto Gol Brasil, tendo em vista a crescente importância econômica e social do futebol para o Brasil, o desenvolvimento, a implementação e o apóio a ações para:

(...)

III – promover a defesa dos interesses e direitos do torcedor de futebol (estatutos do Instituto Gol Brasil – doc. 4)".

II – OS FATOS

(i) O desabamento de parte das arquibancadas da Fonte Nova

6. - Em 25.11.2007, foi realizada no Estádio Octávio Mangabeira ("Fonte Nova"), em Salvador, a partida Bahia x Vila Nova, válida pela Série C do Campeonato Brasileiro de Futebol.

7. - Durante o evento, uma parte do anel superior do Estádio desabou, ocasionando a morte de 07 (sete) pessoas – Joselito Lima Júnior - 26 anos; Dijalma Lima Santos – 30 anos; Márcia Santos Cruz – 26 anos; Jadson Celestino Araújo Silva – 22 anos; Milena Vasques Palmeira – 26 anos; Anísio Marques Neto – 28 anos e Midian Andrade dos Santos – 23 anos.

8. - Na ocasião, a Polícia Militar da Bahia informou que 85 (oitenta e cinco) pessoas ficaram feridas, 04 (quatro) em estado grave (doc. 5 notícia da FSP de 26.11.2007).

(ii) Os fatos que antecederam ao desabamento – As evidências da precariedade das condições de segurança da Fonte Nova

9. – Em 19.1.2006, o Ministério Público da Bahia ajuizou ação civil pública – processo nº 944861-7/2006, perante a 2ª Vara Cível de Defesa do Consumidor do Estado da Bahia. Na ação, o Ministério Público da Bahia demonstrou, de forma cabal, as gravíssimas falhas estruturais da Fonte Nova. Falhas capazes de redundar, como efetivamente redundaram, numa ocorrência de proporções gravíssimas.

10. – Às fls. 05 da petição inicial, o Ministério Público da Bahia demonstrou que, já em 25.8.2005, a Vigilância Sanitária da Bahia havia apontado falhas na estrutura da Fonte Nova:

"A estrutura do Estádio Octávio Mangabeira, além de não apresentar os recursos destinados a combater incêndios e pânicos, necessita de determinados reparos para evitar que a saúde e a segurança dos consumidores sejam afetadas. A Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, em Relatório Técnico, lavrado em 25.8.2005, constante nas fls. 189 a 191 da apuração, enumerou uma série de irregularidades nas instalações físicas do Estádio multicitado, conforme transcrito a seguir:

‘ESTRUTURA – O estádio apresenta em toda a sua extensão áreas com ferragem expostas, além de tubulações enferrujadas e umidades nas estruturas. Existe uma infiltração acentuada localizada do lado direito da Tribuna de Imprensa. Observamos que em alguns pontos onde fica a arquibancada exitem algumas tubulações que são recobertas com cimentos e pregos, para evitar que os torcedores subam para o piso superior, esse método deve ser evitado pois podem causar ferimentos nos mesmos. O piso, em alguns setores encontra-se irregular e sem revestimento, formos informados que esse piso está sendo reparado para posterior colocação do piso de Granito." (prova emprestada - processo nº 944861-7/2006, perante a 2ª Vara Cível de Defesa do Consumidor do Estado da Bahia) (negritos acrescentados)

11. – A ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público da Bahia foi antecedida de inquérito civil, no qual, segundo a petição inicial da ação civil pública "as informações obtidas através da investigação de natureza cível, que serve de sustentáculo para a propositura desta medida judicial, foram prestadas por órgãos públicos competentes que possuem a missão, dentre outras, de fiscalizar as condições dos locais abertos ao público. Os problemas concernentes à ausência de projeto destinado à proteção contra incêndios e pânico, assim como dos instrumentos vitais ao cumprimento deste mister foram detectados pelo Corpo de Bombeiros, pela Polícia Militar e pela Vigilância Sanitária." (prova emprestada - processo nº 944861-7/2006, perante a 2ª Vara Cível de Defesa do Consumidor do Estado da Bahia)

12. – Na ação civil pública, o Ministério Público da Bahia apontou, como conclusão do inquérito, que o Esporte Clube Bahia, ora réu, incidia em descumprimento a diversas normas de segurança previstas no Estatuto do Torcedor.

13. – Portanto, anos antes do fatídico desabamento, as autoridades do Estado da Bahia já haviam atestado, de forma inconteste, as precárias condições estruturais da Fonte Nova e os riscos que tais condições agregavam à realização de eventos com presença de público no local.

III – O DIREITO

(i) A responsabilidade dos réus

14. – O art. 13 do Estatuto do Torcedor prevê:

"Art. 13. O torcedor tem direito a segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas.

Parágrafo único. Será assegurado acessibilidade ao torcedor portador de deficiência ou com mobilidade reduzida."

15. – O art. 19 da Lei 10.671/03 ("Estatuto do Torcedor") prevê:

"Art. 19. As entidades responsáveis pela organização da competição, bem como seus dirigentes respondem solidariamente com as entidades de que trata o art. 15 e seus dirigentes, independentemente da existência de culpa, pelos prejuízos causados a torcedor que decorram de falhas de segurança nos estádios ou da inobservância do disposto neste capítulo." (negritos acrescentados)

16. – O Estatuto do Torcedor contempla um capítulo inteiro – Capítulo IV - que dispõe sobre as regras de segurança nos estádios, que são de cumprimento obrigatório para as entidades responsáveis pela organização das competições – Federações e Confederações – e para os clubes detentores do mando de jogo nas competições esportivas, sob pena da responsabilização prevista no art. 19 reproduzido acima.

17. – A falta de segurança na Fonte Nova, decorrente do não cumprimento das disposições do Capítulo IV do Estatuto do Torcedor, redundou nos gravíssimos danos experimentados a partir do desabamento de parte da arquibancada do Estádio. O art. 19 do Estatuto do Torcedor prevê, nesse caso, a responsabilidade objetiva e solidária das entidades responsáveis pela organização do evento esportivo, como explicam CARLOS ADRIANO PACHECO E ROGER STIEFELMANN LEAL:

"Este dispositivo visa definir a responsabilidade sobre os prejuízos causados aos torcedores que decorram (a) da falta de segurança no estádio ou (b) da inobservância dos preceitos constantes no capítulo voltado à questão da segurança do torcedor nos eventos esportivo. Nesse ponto, o legislador optou por solução que amplia a condição do torcedor de ser efetivamente indenizado pelos danos sofridos.

Estabeleceu-se, assim, a responsabilidade solidária da entidade organizadora da competição, da entidade detentora do mando de jogo, bem assim de seus respectivos dirigentes. O regime da solidariedade instituído autoriza que o torcedor possa exigir a reparação pelo prejuízo causado de qualquer dos responsáveis citados acima.

(...).

Em relação ao torcedor, a mesma regra – mais tímida talvez – é encontrada no preceito em exame. Ainda que o Código de Defesa do Consumidor seja aplicável, explicitou-se precisamente que ‘as entidades responsáveis pela organização da competição, bem como seus dirigentes respondem solidariamente com as entidades de que trata o art. 15 e seus dirigentes, independentemente da existência de culpa, pelos prejuízos causados ao torcedor que decorram de falhas de segurança nos estádios’.

Tal responsabilidade, no entanto, somente terá lugar se comprovados (a) o prejuízo do torcedor; (b) a falha de segurança no estádio ou a inobservância de preceito legal contido no Capítulo IV e (c) o nexo causal entre tal fato (a falha ou a inobservância) e o prejuízo."

(in, Estatuto do Torcedor Comentado, São Paulo, Marco, 2006, pg. 31)

(negritos nossos)

18. – O prejuízo ao torcedor presente na Fonte Nova é absolutamente claro, uma vez que o desabamento redundou na morte de 7 torcedores e ferimentos para dezenas dos presentes. A falha de segurança está amplamente demonstrada nos itens 9 a 13 acima, nos quais restou demonstrado que os réus teriam a obrigação legal de conhecer e atentar para as precárias condições de segurança do Estádio, de modo a só permitir a realização de partidas no local se/quando fossem solucionados os graves problemas estruturais atestados pelas autoridades da Bahia. O nexo entre a falha de segurança e o dano também restou devidamente comprovado, na medida em que o acidente não pode ter tido outra causa senão as deficiências estruturais do Estádio que redundaram no desabamento de parte da arquibancada.

19. – A aplicação do CDC à hipótese também justifica a responsabilidade objetiva a ser aplicada aos réus, na qualidade de fornecedores assim definidos pelo art. 3º do Estatuto do Torcedor:

"Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.

a) A responsabilidade do Bahia na condição de clube mandante

20. – O art. 19 do Estatuto do Torcedor, ao definir a responsabilidade pelos danos ao torcedor, remete às entidades previstas no art. 15 do Estatuto do Torcedor que, por sua vez, define o conceito de entidade detentora do mando de jogo, para fins de responsabilização pelas falhas de segurança nos estádios:

"Art. 15. O detentor do mando de jogo será uma das entidades de prática desportiva envolvidas na partida, de acordo com os critérios definidos no regulamento da competição." (doc. 6 - regulamento da série C)

21. – O regulamento da série C do Campeonato Brasileiro de futebol publicado no sítio da CBF – www.cbfnews.com.br - , determina, em seu art. 19 que "terão o mando de campo das partidas os clubes colocados à esquerda da tabela". A tabela indica o Bahia como mandante do jogo do dia 25.11.2007 entre Bahia x Vila Nova (doc. 7 - tabela do octogonal da série C).

22. – Portanto, para fins de aplicação do art. 19 do Estatuto do Torcedor, o Bahia enquadra-se da condição de clube mandante, de modo que o clube e seu dirigente devem responder solidariamente pelos prejuízos sofridos pelos torcedores vítimas do desabamento da Fonte Nova.

Por Juca Kfouri às 19h20

Pedida a destituição de Ricardo Teixeira na Bahia (continuação)

23. - Vale ressaltar que, para fins de aplicação do Estatuto do Torcedor, o clube mandante responsabiliza-se pelas condições de segurança do estádio, mesmo que o estádio não seja de sua propriedade, como é o caso da Fonte Nova, que pertence ao Estado da Bahia. Ressalvada, pela lei civil, a possibilidade de o clube que alugou o estádio de terceiro cobrar direito de regresso caso comprove o dano estrutural não conhecido. De todo modo, ao torcedor lesado quem responde é o clube mandante. Portanto, o Esporte Clube Bahia deve responder pelos danos causados pelas falhas de segurança que redundaram no desabamento de parte da Fonte Nova, matando 7 pessoas de deixando dezenas de feridos.

b) A responsabilidade da CBF enquanto entidade organizadora da competição

24. – O jogo Bahia x Vila Nova, no qual ocorreu o lamentável desabamento de parte da Fonte Nova, fez parte da competição denominada Série C do Campeonato Brasileiro. A CBF é a entidade responsável pela organização da Série C do Campeonato Brasileiro.

25. - O regulamento da competição, divulgado no sítio da CBF na internet – www.cbfnews.uol.com.br – não deixa dúvidas nesse sentido:

"Art. 1º O Campeonato Brasileiro da Série C de 2007, doravante denominado Campeonato, será disputado pelos 64 clubes que o integram, na forma deste regulamento.

Parágrafo único – O presente regulamento trata dos assuntos específicos do Campeonato; as definições de natureza geral, comuns à todas as competições oficiais coordenadas pela CBF, constam do Regulamento Geral das Competições." (regulamento da Série C – doc. 6)

26. – O art. 23 do Estatuto do Torcedor prevê:

"Art. 23. A entidade responsável pela organização da competição apresentará ao Ministério Público dos Estados e do Distrito Federal, previamente à sua realização, os laudos técnicos expedidos pelos órgãos e autoridades competentes pela vistoria das condições de segurança dos estádios a serem utilizados na competição.

§ 1o Os laudos atestarão a real capacidade de público dos estádios, bem como suas condições de segurança.

§ 2o Perderá o mando de jogo por, no mínimo, seis meses, sem prejuízo das demais sanções cabíveis, a entidade de prática desportiva detentora do mando do jogo em que:

I - tenha sido colocado à venda número de ingressos maior do que a capacidade de público do estádio; ou

II - tenham entrado pessoas em número maior do que a capacidade de público do estádio." (negritos acrescentados)

27. – Nos itens 9 a 13 acima, restou demonstrado que laudos técnicos anteriores ao início do Campeonato da Série C de 2007 apontavam graves falhas estruturais no Estádio da Fonte Nova. O destinatário da obrigação da CBF de apresentar os laudos de segurança dos estádios, o Ministério Público da Bahia, ajuizou ação civil pública por meio da qual demonstrou as falhas de segurança da Fonte Nova.

28. – Nesse contexto, a CBF, na qualidade de organizadora da competição, jamais poderia alegar desconhecimento sobre a situação do estádio, tampouco se escusar de sua obrigação de assegurar que a Fonte Nova não fosse utilizada em suas competições até que apresentasse condições de segurança para os torcedores.

29. – O art. 11 do Regulamento Geral de Competições da CBF estabelece que "quaisquer competições somente poderão ser realizadas em estádios devidamente aprovados pelas autoridades competentes, conforme estabelecem as leis e normas em vigor e o presente RGC" (art. 11 – doc. 8 anexo- regulamento geral de competições). Determina, ainda, que os estádios deverão atender às exigências do Estatuto do Torcedor.

30. – Pois as autoridades competentes da Bahia – Vigilância Sanitária, Ministério Público, atestaram a precariedade da Fonte Nova. Mesmo assim, a CBF descumpriu a norma prevista no seu Regulamento Geral de Competições, permitindo a utilização no campeonato por ela organizado de um estádio que as autoridades da Bahia já haviam considerado com graves falhas estruturais. Falhou, ainda, ao não observar que o Ministério Público da Bahia, destinatário de sua obrigação de apresentar os laudos dos estádios da Bahia, constatara a inadequação da Fonte Nova. Diante de todos esses elementos, a CBF se omitiu, oferecendo ao torcedor a possibilidade de ir a jogos da Série C na Fonte Nova, sem a segurança necessária.

31. – Portanto, a CBF é a entidade organizadora da competição para fins de aplicação do art. 19 do Estatuto do Torcedor, devendo ser responsabilizada pelos prejuízos decorrentes das falhas de segurança na Fonte Nova, no dia 25.11.2007.

(ii) Aplicação das penalidades previstas no art. 37 do Estatuto do Torcedor

32. – O art. 37 do Estatuto do Torcedor prevê as penalidades decorrentes do descumprimento da lei:

"Art. 37. Sem prejuízo das demais sanções cabíveis, a entidade de administração do desporto, a liga ou a entidade de prática desportiva que violar ou de qualquer forma concorrer para a violação do disposto nesta Lei, observado o devido processo legal, incidirá nas seguintes sanções:

I – destituição de seus dirigentes, na hipótese de violação das regras de que tratam os Capítulos II, IV e V desta Lei;

II - suspensão por seis meses dos seus dirigentes, por violação dos dispositivos desta Lei não referidos no inciso I;

III - impedimento de gozar de qualquer benefício fiscal em âmbito federal; e

IV - suspensão por seis meses dos repasses de recursos públicos federais da administração direta e indireta, sem prejuízo do disposto no art. 18 da Lei no 9.615, de 24 de março de 1998"

33. – O §1º do art. 37 define que o dirigente, para fins de aplicação da penalidade, é o presidente do clube:

§ 1o Os dirigentes de que tratam os incisos I e II do caput deste artigo serão sempre:

I - o presidente da entidade, ou aquele que lhe faça as vezes; e

II - o dirigente que praticou a infração, ainda que por omissão.

34. - No caso do Esporte Clube Bahia, deve ser destituído o seu Presidente, o réu Sr. Petrônio Barradas. No caso da Confederação Brasileira de Futebol, deve ser destituído o Sr. Ricardo Terra Teixeira.

35. – É de rigor, ainda, que a CBF e o Esporte Clube Bahia sejam condenados às penas previstas no art. 37, III e IV, com o impedimento de gozar de benefícios fiscais de âmbito federal e suspensão por seis meses dos repasses de recursos públicos federais.

IV – O COMPULSÓRIO AFASTAMENTO CAUTELAR DOS RÉUS

36. – O art. 37, § 3º do Estatuto do Torcedor prevê:

§ 3o A instauração do processo apuratório acarretará adoção cautelar do afastamento compulsório dos dirigentes e demais pessoas que, de forma direta ou indiretamente, puderem interferir prejudicialmente na completa elucidação dos fatos, além da suspensão dos repasses de verbas públicas, até a decisão final."

37. – A regra legal determina o afastamento compulsório do dirigente que puder prejudicar a apuração dos fatos. Tanto o Presidente do Esporte Clube Bahia, quanto o Presidente da CBF podem prejudicar a apuração dos fatos, negando acesso a documentos e demais provas fundamentais para que se esclareça em que medida a ação/omissão do Esporte Clube Bahia e da CBF contribuíram para que a Fonte Nova aberta ao público com graves falhas estruturais que redundaram no acidente que vitimou 07 (sete) pessoas e feriu outras tantas.

38. – Nos termos da lei, é de rigor seja determinado, a partir do recebimento da ação, o afastamento cautelar do Sr. Ricardo Terra Teixeira do cargo de Presidente da CBF e do Sr. Petrônio Barradas no cargo de Presidente do Esporte Clube Bahia, além da suspensão do repasse de recursos públicos até decisão final.

39. – Ademais, a negligência dos referidos réus, os quais hão de ser compulsoriamente afastados, é gritante, maculando o desporto nacional e, mormente, maculando a cidade do Salvador, cidade aspirante a receber partidas de Copa do Mundo a ser sediada pelo país. Não paira qualquer dúvida de que a negligência dos responsáveis apontados na presente demandada aboquejou a cidade do Salvador, bem como o próprio Estado da Bahia, no âmbito desportivo nacional e mundial, não podendo a Magistratura da "Terra de Rui" coonestar esta atitude riscosa, sendo, assim, o afastamento compulsório cautelar corolário lógico da presente pretensão.

IV – DO PEDIDO

40. - Por todo o exposto, Instituto Gol Brasil requer digne-se V. Exa. julgar essa ação totalmente procedente, para o fim de:

(i) determinar a destituição do Sr. Ricardo Terra Teixeira da condição de Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, nos termos do disposto no art. 37, I do Estatuto do Torcedor

(ii) determinar a destituição do Sr. Petrônio Barradas da condição de Presidente do Esporte Clube Bahia, nos termos do disposto no art. 37, I do Estatuto do Torcedor;

(iii) condenação da Confederação Brasileira de Futebol ao impedimento de gozar de qualquer benefício fiscal nos termos do art. 37, III do Estatuto do Torcedor;

(iv) condenação do Esporte Clube Bahia ao impedimento de gozar de qualquer benefício fiscal nos termos do art. 37, III do Estatuto do Torcedor;

(v) condenação da Confederação Brasileira de Futebol à suspensão de recursos públicos pelo prazo de seis meses nos termos do art. 37, IV do Estatuto do Torcedor;

(vi) condenação do Esporte Clube Bahia à suspensão de recursos públicos pelo prazo de seis meses nos termos do art. 37, IV do Estatuto do Torcedor;

41. – Pelo exposto nos itens 36/39 acima, requer-se o afastamento liminar do Sr. Ricardo Terra Teixeira do cargo de Presidente da CBF e do Sr. Petrônio Barradas do cargo de Presidente do Esporte Clube Bahia, além da suspensão dos eventuais repasses de verbas públicas para CBF e Esporte Clube Bahia até decisão final desta ação, nos termos do art. 37, § 3º do Estatuto do Torcedor.

42. – O Instituto Gol Brasil deve ser dispensado do adiantamento das custas e emolumentos nos termos do art. 18 da Lei 7347/85.

43. – O Instituto Gol Brasil requer provar o alegado por todos os meios de provas em Direito admitidas, requerendo, ainda, a inversão do ônus da prova, nos termos do art. 6º do CDC.

44. – Requer, outrossim, a citação dos réus pelo correio, nos termos do art. 222 do CPC, para, em querendo, apresentar contestação à presente ação.

45. – Requer, por fim, que sejam as publicações encaminhadas ao Bel. Ricardo Magaldi Messetti (OAB/BA nº 1.129-A), sem o que não poderá atingir suas precípuas finalidades.

Termos em que, dando-se à causa para efeitos fiscais, o valor de R$ 1.000,00 (mil reais).

Pede deferimento,

Salvador, 06 de dezembro de 2007

RICARDO MAGALDI MESSETTI

OAB/BA nº 1.129-A

Por Juca Kfouri às 19h18

Declaração de amor

Por THIAGO CRESPO

Meu amor,

Não há por que não tornar público o nosso momento difícil. O maior deles, talvez, é verdade. Que, diga-se aqui, não é de hoje, de ontem, da semana passada. É de muito tempo, meu amor, admitamos. Você vai se zangar, perguntar por que escancaro nossa fragilidade mais íntima, por que exponho a sua e a minha tristeza a terceiros, quintos, décimos.

Compreendo, no máximo, mas, perdão, não concordo e não aceito. Todos, principalmente os mais próximos nossos, devem saber do que se passa por nós. Muitos, afinal, desde sempre manifestam desgosto com a nossa paixão. Há quem torça, veja só, para que nos separemos, para que fiquemos distantes e indiferentes. Parece-me merecido, portanto, que estes covardes conheçam os fatos.

Sou e sempre fui, não é segredo e tampouco novidade, fiel a você, meu amor. Sempre. Nos momentos de distância, nem mesmo neles fraquejei. Nos de decepção contínua, nos de falta de quaisquer perspectivas para nós, neles também me mantive assim, tão fiel, sempre pensando no que lhe era melhor. Tamanha a obsessão por sua felicidade, disseram até que eu não gostava de você. Tolos. Eu sempre fui um apaixonado incondicional, você sabe disso.

Por seu lado, sempre muito honestamente me deixou claro que tem muitos amantes, que não poderia jamais se guiar só por mim. E eu, coroando o provérbio que diz que o amor é cego, assisto a você vivendo com todos. Mesmo sabendo que alguns deles te ameaçam e te machucam feio. Não importa. Por mais que a ignorância seja injustificável, você, grande e auto-suficiente, um dia não dará qualquer motivo pra que isso aconteça de novo.

Não tardo em reconhecer, é verdade, que também já fui violento por sua causa, meu amor. Quebrei vasos, janelas, sim, chutei poltronas, joguei copos e quadros na parede. Quase perdi grandes amigos que ousaram não lhe respeitar. Quase abandonei a família. Por você, chorei de rancor, provei do ódio mais animal. Quase morri, de verdade, do coração.

Mas tudo isso é detalhe. Também por você, meu amor, chorei demais de alegrias, daquelas que você soube segurar por exatos minutos para finalmente me entregar na hora certa, dizendo "Toma aqui, é pra você. Eu também te amo". Quantas coisas você me ensinou, por quantos momentos me fez ser a pessoa mais feliz do mundo. Entendi que sofrer por amor é nobre demais quando se está no caminho certo, mesmo que o caminho seja de bastante poeira.

Com alguma cara encolhida de início, mas muita dignidade, está diante de uma nova fase, de um novo momento difícil a ser superado. É só mais um, você sabe. Empoeirado e amargo, mas justo e decerto promissor. Você me deu uma única chance para ficar ao seu lado, e eu, claro, não recusei. Agora, contudo, lhe dou quantas chances você precisar, desde que sirvam para dizer a todos o quanto somos fortes unidos.

É por isso, Corinthians, que, como um louco, eu te amo mais do que nunca e jamais vou te abandonar.

Por Juca Kfouri às 17h46

A minha solidariedade

De um palmeirense gozador:

"Eu sou palmeirense, mas acho que no fundo, todos nós temos que lamentar pelo ocorrido no último final de semana.

A queda para a 2ª divisão de um grande clube do futebol brasileiro pode até deixar alguns torcedores contentes, mas na verdade devíamos ficar tristes.

Essa é a consequência de uma má campanha, má administração e não só a torcida, mas todos os brasileiros deviam parar para refletir sobre o que aconteceu.

Disputar a 2ª divisão não é digno de um clube tão conhecido, que até já disputou a Taça Libertadores da América.

Por isso acho que todos nós, brasileiros e amantes do bom futebol, devemos nos unir e fazer um voto de confiança para que este clube esteja em 2009 de volta à 1ª divisão!

Força, Paraná! Você é muito grande!!!!!!!!!"

Por Juca Kfouri às 15h34

A crise ética continua no Corinthians

Ao assumir o posto de vice-presidente de futebol do Corinthians, o delegado de polícia, Mário Gobbi, declarou que origem de dinheiro não importa, importa apenas o destino que se dê a ele.

Com o que revelou saudades da MSI, cujos cabeças estão com mandado de prisão expedido pela Justiça Federal brasileira.

Resta saber o que acha disso o secretário de Segurança de São Paulo, Ronaldo Marzagão.

Se não bastasse, ao assumir o cargo de diretor de futebol do Corinthians, o até domingo passado jogador do Santos, Antônio Carlos Zago, amigo de infância do presidente do clube, Andrés Sanchez, não só confessou que já trabalhava há dois meses pelo novo empregador como, ainda por cima, afirmou que o Ipatinga hoje é mais valorizado que o Corinthians.

É, com gente deste nível, tudo indica que o Corinthians ainda não chegou ao fundo do poço.

Por Juca Kfouri às 00h28

05/12/2007

Resposta à questão anterior

Comentário de um são paulino feliz, o que é quase uma redundância:

"Pergunte ao corintiano se ele prefere ser da primeira no jornal ou no futebol?"

Por Juca Kfouri às 18h28

Verdade ou mentira?

Comentário de um corintiano fanático, o que é quase uma redundância:

"Com a queda do Timão, a Segunda Divisão virou a primeira página esportiva dos jornais paulistas e a Primeira ficou com a segunda."

Por Juca Kfouri às 11h45

Um ranking mais justo

Quando estava na revista "Placar", criamos um ranking do Campeonato Brasileiro com um critério que parece mais justo do que os que normalmente a CBF, por exemplo, utiliza (a mera soma de pontos ganhos pelas equipes através dos anos).

O ranking que você verá abaixo dá 10 pontos para o campeão de cada ano, nove para o vice e assim sucessivamente, até dar um ponto ao décimo colocado:

1 São Paulo 173

2 Corinthians 147

3 Internacional 146

4 Atlético-MG 146

5 Palmeiras 142

6 Grêmio 128

7 Santos 125

8 Cruzeiro 125

9 Vasco 111

10 Flamengo 109

11 Fluminense 94

12 Botafogo 73

13 Guarani 60

14 Coritiba 51

15 Goiás 41

16 Sport 40

17 Atlético Paranaense e Portuguesa 38

19 Bahia 37

20 São Caetano 30

21 Bragantino e Ponte Preta 27

23 Vitória 25

24 Operário-MS 18

25 Paraná 15

26 Santa Cruz 14

27 Bangu 12

28 América-RJ e Juventude 11

30 Brasil-RS 8

31 Londrina 7

32 Náutico 5

33 América-MG, Ceará e Figueirense 4

36 Joinville e Remo 3

38 Santo André e Uberlândia 1

Por Juca Kfouri às 10h21

Adeus, vovô

Por JOÃO AREOSA

Recolham as bandeiras

Encontro Luana pelas estradas da internet. É uma moça de 25 anos, brilhante, que gosta da vida e do Flamengo. Luana é minha leitora desde os 18 anos quando estreei a coluna Tiro Livre num outro jornal. Esperta e viva, escreve com paixão e desenvoltura seus e-mails inteligentes para esta coluna. Acabou se transformando numa musa inspiradora do cronista, função que exerce com formidável competência até hoje.

Estávamos a falar do Flamengo e da minha chegada ao Jornal dos Sports, quando Luana subitamente mudou de assunto.

- Contei a você sobre o meu avô? Enfartou no final de setembro três vezes

- Qual a idade dele? – pergunto.

- Oitenta e um. Foi operado de emergência e entrou em coma induzida.

Luana conta que se trata de um avô especial. " Mas a situação é complicada. Muito grave."

- É a vida, garota – arrisco uma palavra de consolo que sei de nada servir.

- Pois é, mas teve um lado engraçado – relata Luana pelas teclas do MSN. E continua: -quando eu fui lá no primeiro dia em que ele acordou do coma, a primeira coisa que balbuciou ao me ver foi: "o Flamengo caiu"? Contei que não e que o Flamengo pulou para a terceira posição com chances de ir à Libertadores. A pressão dele subiu na hora. Ameaçou: "se isso for mentira eu vou passar mal, veja lá". Abriu um sorriso e me indagou: "quanto tempo eu dormi, minha filha?

Dali em diante, Luana e seu pai se encarregaram de escamotear um velho radinho de pilha para ouvir os jogos do Flamengo sem que as enfermeiras notassem.

-Deixei também o meu MP4 para qualquer falha no radinho.

Luana garante que o avô é puro bom-humor apesar da doença. "Só ficou danado quando soube que estavam questionando o pentacampeonato" - contou rindo.

Reencontro Luana no Orkut. Segunda-feira, 3 de dezembro de 2007. Um par de mensagens com intervalo de poucas horas.

Primeira mensagem:" o vovô quase nos deixou por duas vezes nesse final de semana". Torça por nós aqui, caro amigo. Beijos"

Segunda mensagem: "Ele se foi, João. Está no andar de cima agora. Obrigado pela torcida, mas agora é hora de irmos recolher nossas bandeiras e apitos e voltar pra casa... O jogo acabou.

Obrigado pelo carinho! Beijos,

Luana"

Por Juca Kfouri às 00h48

É proibido proibir!

Por ROBERTO VIEIRA

18 de novembro de 1973. O Atlético-MG enfrentava o Vasco da Gama.

O centroavante Cosme da Silva Campos é pego no antidoping.

O primeiro caso de doping em Campeonatos Nacionais.

A substância: Efedrina.

A mesma de Maradona na Copa de 1994.

4 de dezembro de 2007. Romário é pego no antidoping pelo uso de finasterida.

Tecnicamente, o melhor tratamento para a alopécia androgenética. A popular, calvície.

Mas a finasterida também mascara o uso de esteróides anabolizantes

Muitos dirão que há exagero. Daqui a pouco até água vai ser doping.

Outro gritarão: 'Punam! Punam! Ponham nas correntes! Exilem nas galés!'

Nem tanto. Nem tão pouco.

Na década de 50 o doping já era comum. Até em final de Copa do Mundo se podia observar jogadores dopados.

O jogo acabava e eles continuavam correndo. Por dias, meses, anos. Saíam da Copa e iam descansar em clínicas suiças.

Nos anos 60, liberou geral! Almir, o Pernambuquinho, contou os detalhes das famosas pílulas energéticas em reportagem da Revista Placar.

Inúmeros campeonatos estaduais foram decididos quimicamente. Até campeonatos mundiais de clubes.

Mas eram tempos de flower power. Lucy in the Sky. Alegria, alegria.

E até João Saldanha insinuou o uso de Pervitin na seleção de 70. Pervitin utilizado pelos soldados americanos na II Grande Guerra.

Mas começou a ecoar a tragédia das Olimpíadas de 60. Três atletas mortos.

Foi quando no meio daquele vale-tudo surgiram as primeiras comissões antidoping.

Exércitos de Brancaleone na selva das substâncias proibidas.

Porque o mercado de substâncias utilizadas no doping não está para brincadeira. Já ultrapassou o mercado internacional de drogas como a maconha e a cocaína, segundo a Agência Mundial Antidoping.

Doping só é brincadeira para os clubes.

Para as federações. Para as seleções.

Eles nunca são punidos.

Quando um atleta aparece dopado exclamam: 'Automedicação!'

E logo aparece um advogado bradando: 'Alopécia! Troca de exames! Inocência!'

Acreditar que Romário se dopou é exagero.

Como acreditar que Campos era culpado foi um absurdo.

Mas imaginar que o doping pode ser controlado sem punir os chefes do tráfico é hilariante.

Digno de uma viagem psicodélica.

Se é pra ser assim, voltemos aos anos 60.

É proibido proibir!

Por Juca Kfouri às 00h43

04/12/2007

Romário dopado?

A legislação antidoping se desmoraliza a cada dia.

Alguém acha que Romário, aos 41 anos, famoso por correr no máximo 15 metros por jogo há mais de 10 anos, realmente se dopou para enfrentar o Palmeiras?

Estamos carecas de saber que não.

Até os remédios contra calvície sabem. 

Por Juca Kfouri às 23h18

Como explicar?

O que leva um profissional como Mano Menezes optar pelo Corinthians, esfacelado econômica e financeiramente, e na Série B, e não pelo Cruzeiro, muito mais bem estruturado e na Libertadores?

 

Por Juca Kfouri às 23h14

João Sebastião Bar

Por ROBERTO VIEIRA

O Zé Carlos tinha 9 anos. Mas nunca esqueceu aqueles olhos verdes. Por vezes azuis.

Por vezes oceanos. Nada pacíficos.

Olhos que conheceu naquela noite, na Consolação. No João Sebastião Bar. Olhos inusitados.

E uma voz inesquecível.

Porque sua voz era proibida. Proibida para meninos e adultos de bem.

Mas quando todos saíam de casa, Zé Carlos pegava o long-play e colocava na radiola 'Convite para ouvir Maysa número 2'. Escondido. Bem baixinho:

'... Meu mundo caiu, e me fez ficar assim.'

Que mundo era aquele? Por que aquele mundo era tão proibido?

'... você conseguiu, e agora diz que tem pena de mim.'

A primeira vez que ele ouvira aquela música estava jogando botão. Nunca mais conseguiu esquecer. Apaixonado pela capa do disco. E pela voz.

Gostava tanto de Maysa que os adultos decidiram uma ousadia. Levar o menino para conhecer os olhos verdes. Por vezes azuis.

Maysa se encantou com o pequeno fã. E cantou só pra ele 'Meu mundo caiu'.

No final deu um beijo em sua testa. Um autógrafo no disco. E disse adeus.

Não sem antes rebatizá-lo carinhosamente de Juca.

O Zé Carlos tinha 9 anos. Mas nunca esqueceu aqueles olhos verdes. Por vezes azuis.

Por vezes oceanos. Nada pacíficos.

Quando está triste, lembra aquela noite.

Lembra do ano de 1977.

Quando uma profunda tristeza e uma imensa alegria repousaram no seu coração.

Tristeza, quando viu morrer aqueles olhos verdes. Alegria, ao ver campeão seu time de infância.

É quando a paixão se rende, e ele põe pra tocar aquela antiga canção...

Por Juca Kfouri às 14h54

As culpas da imprensa

Timão: e a imprensa "festiva", não paga a conta?

*Por ELIAS AREDES JUNIOR.

Jogadores, integrantes da Comissão Técnica, empresários sem escrúpulos e uma administração caótica e sem rumo. O que não falta é personagem para ser eleito como vilão da queda do Corinthians à segunda divisão. Lógico, todos têm sua parcela de culpa. Até a sofrida torcida deve pagar penitência em virtude de se recusar a visualizar os desmandos ocorridos em Parque São Jorge, principalmente após a "celebração" da parceria com a MSI no final de 2004. Interessante, porém, é notar como uma parcela da imprensa esportiva atuou como cúmplice desta queda vergonhosa. Agora, veste o manto da solidariedade. Assim como alguns personagens desta triste história, alguns detentores do poder da palavra se calaram.

Especialmente na televisão aberta. Nos últimos anos, em plena era Dualibi, jornalistas gastaram horas e tempo com piadas sem nexo, teorias espatafúrdias e discussões inócuas. Tudo em nome da audiência. O fato de o Corinthians ser um feudo que passou de mão em mão em toda a sua história nunca foi tema de análise séria nos ditos programas esportivos da hora do almoço nas televisões abertas. Alberto Dualibi compareceu nesses programas por diversas vezes Para quem considera um exagero minha cobrança, não custa lembrar: pesquisas já realizadas pelo Ibope, Datafolha e IBGE constataram que a televisão é o principal meio de comunicação utilizado pelas classes C,D e E para se informar. Ou seja, quando o torcedor corintiano sofrido separava um período do seu almoço e acompanhar o noticiário do time do coração, a cilada era certa: de um lado, a televisão detentora do monopólio, a Rede Globo, que fazia uma cobertura apenas informativa. Afinal, seus interesses econômicos não podem ultrapassar as prioridades editoriais. Nesse contexto, as outras emissoras tinham tudo para praticar um jornalismo investigativo e critico contra a bandalheira registrada na Marginal Tietê. Preferiram perder tempo contando piadas.

Se toda (toda!!!) imprensa tivesse sido vigilante desde o início da Era Dualibi, a agremiação paulista certamente seria hoje mais transparente e teria poderio econômico mais vasto. É a velha regra: os donos do poder só corrigem seus rumos quando são colocados contra a parede. Como isso não aconteceu, a macabra bola de neve foi inevitável. As categorias de base foram rifadas, técnicos incompetentes projetados, revelações "queimadas" antes do tempo e jogadores empurrudos goela abaixo do torcedor.

O quadro pode mudar com a Série B? Duvido. A atual diretoria concedeu aval para que Dualibi destruísse um patrimônio de 20 milhões de torcedores. A agremiação está no chão. Sem dinheiro e perspectiva. Para piorar, o jornalismo televisivo praticado na tv aberta não quer colaborar para uma virada. A Rede Globo diz laconicamente que irá transmitir os jogos aos sábados e suas concorrentes abertas continuarão seu circo mambembe. Para eles, é apenas mudança de bairro. Desarmam a lona em bairro nobre e se instalam na periferia. O que interessa é anestesiar o povo. Para que depois não sejam cobrados ou crucificados.

Então, torcedor corintiano faça o seguinte: cobre atletas como Betão, Zelão, Felipe e Moradei pelo vexatório rebaixamento. Não deixe de emparedar (no bom sentido, sem violência) um minuto o atual presidente Andrez Sanches. A volta à primeira divisão em 2009 tornou-se obrigação. Sem desculpas.

Mas não deixe de exigir explicações da parcela "festiva" da imprensa esportiva. Ela te enganou quando os jornalistas sérios denunciavam os desmandos no Parque São Jorge. Decidiram que era melhor contar umas boas piadas e vender uns produtos. Afinal, todo mundo precisa sobreviver, né!? Só que enquanto você chora, eles não te oferecem um lenço para enxugar suas lágrimas. Preste atenção de hoje em diante. Para evitar nova decepção.

*Elias Aredes Junior

Por Juca Kfouri às 14h13

Kashima Antlers conquista a J-League

Por ALEXANDRE MASSI

www.blogdomassi.blogspot.com



Tem coisas que só o futebol pode proporcionar.

Se no Brasil o Corinthians foi rebaixado, se na Argentina o Lanús conquistou o Apertura pela primeira vez em sua história, no Japão...

O impossível aconteceu.

O Kashima Antlers, comandado por Oswaldo de Oliveira, tirou uma diferença de dez pontos faltando cinco rodadas para o término da J-League e obteve o título mais emocionante da história do Campeonato Japonês.

Após a conclusão da vigésima nona rodada do campeonato, o Urawa Reds, do centroavante Washington, tinha uma vantagem de dez pontos para o Kashima (67 a 57), terceiro colocado até então no campeonato. O Gamba Osaka era o vice-líder com 59. Naquela época, o Reds, campeões nacionais de 2006, estavam priorizando a Liga da Ásia, que classificava uma equipe para o Mundial de Clubes. Levaram o título.

Contudo, a conquista não parece ter feito bem para o time. Eles não venceram nenhum dos últimos cinco jogos da J-League, enquanto o ex-clube de Zico obteve 100% de aproveitamento.
A competição terminou com uma vantagem de dois pontos para o Antlers (72 a 70). O Gamba ficou com 65.

Se você pensa que acabou, está enganado. Ainda tem mais.

O Kashima tinha uma tabela complicada nas últimas três rodadas. Enfrentaria o Kashiwa (sétimo colocado), o próprio Urawa (fora de casa) e encerraria sua participação contra o Shimizu (quarto na classificação). Já o Urawa chegaria a última rodada tranquilo, pois teria como adversário o lanterna Yokohama FC, que havia conquistado apenas 15 pontos até então, uma espécie de América-RN nipônico. Sua campanha registrava 3 vitórias, 4 empates e 26 derrotas.

1x0 para o Yokohama FC e 3x0 em favor do Kashima.

Oswaldo de Oliveira agora é favorito para assumir o comando da Seleção Japonesa. Ele diz que não quer voltar pro Brasil tão cedo, pois tem tranquilidade para trabalhar e pode realizar no país um projeto a longo prazo.

Os ex-são paulinos Fabão e Danilo e o desconhecido Marquinhos, com passagem pelo Coritiba, fazem parte do elenco campeão.

A artilharia da competição é completamente brazuca. Juninho, do Kawasaki Frontale, foi o artilheiro com 22 gols. Baré, do Gamba Osaka, vem logo atrás com 20. O terceiro lugar vai para Edmílson, do Niigata, com 19. Na sequência, mais quatro canarinhos: Uéslei, Washington, Leandro e Marquinhos.

Por Juca Kfouri às 14h05

Sentido da Vida em 3 de Dezembro

*Por WALTER FALCETA JR.

Benedito vivia só e modestamente no apartamentinho do Bom Retiro. A aposentadoria de funcionário público permitia-lhe comer e pagar as contas. Diversão? A prosa com o povo misturado do bairro, reduto do imigrantes em São Paulo. Mais? Acompanhar o seu Coringão, cuja fundação fora presenciada pelo avô, um carroceiro bigodudo, que só conhecera por fotos.

Naquele 3 de Dezembro de 2.007, Benê acordou tarde, sentindo-se estranho. Diante do espelho, viu-se esfumaçado. Creditou a ausência de acuidade visual ao pranto do dia anterior. Estranhamente, não sentia fome ou sede, de modo que nem preparou o café. Resolveu ligar para o filho, a fim de desafogar-se. Trim, trim, trim, doze toques, e ninguém atendeu.

Resmungando baixinho, decidiu recorrer ao Armando galego, corinthiano também, colega dos tempos do Tribunal de Justiça. Trim, trim, trim, doze toques, e ninguém atendeu. "Eitcha!", praguejou. Assim, deliberou ligar para a irmã, que nem ligava para futebol, mas com quem poderia desabafar. Trim, trim, trim, doze toques, e ninguém atendeu.

Rangendo os dentes, Benedito levantou-se, vestiu o paletozinho surrado e saiu para a rua. Era longe, mas tinha o Tanaka, o japa corinthiano da Galvão Bueno. E assim atravessou lépido a Luz, subiu pela São João, enveredou pela São Bento, pegou a direita, saiu na Sé, alcançou a Avenida Liberdade e, em cinco minutos, ofegante alcançou seu destino. Na calçada, no meio da multidão, viu o amigo passar-lhe ao alcance de um braço esticado.

- Ei, ei, ei, Tanaka... Aqui, aqui... Tá surdo? – suplicou, sem resultado, vendo o grisalho oriental desaparecer rumo à Rua dos Estudantes.

Na volta para casa, acenou para o guarda da Pinacoteca, seu mais recente amigo, mas não recebeu retribuição. Entristeceu-se. Seria por ser corinthiano? Pensou em como o amor da Fiel por seu time despertava inveja e ciúme.

- Somos assim, o povão que não desiste nunca. Em 1.910, nos metemos no esporte dos ricos, e nunca baixamos a cabeça. Agora, mais um obstáculo, e vamos vencer... Vamos subir... – devaneava, enquanto caminhava pela Rua José Paulino, apinhada de gente fazendo compras para o Natal.

De repente, estancou na esquina com a Cônego Martins, no pilar que marca o local da reunião de rua, à luz de lampião, que decretou a fundação de seu amado clube. Os olhos marejaram, respirou fundo e filosofou:

- Isso aqui fez um bem danado ao Brasil. Quanta gente se fundiu, se misturou por causa dessa paixão.

Recordou-se de amigos que fizera na "cultura corinthiana", como o calabrês Vincenzo, o judeu Davi e o baiano Júlio, negro de dois metros de altura.

- Por isso é o "mais brasileiro", porque é tão mestiço quanto esta cidade e este País.

Caminhando de volta ao apartamento, avistou o Mohamed, corinthianíssimo, na esquina da Rua Júlio Conceição. Gritou, chamou, esgoelou-se, e nada. Resignado, resolveu recolher-se.

Ao chegar diante do apartamento 77, meteu as mãos nos bolsos e não encontrou as chaves. Amaldiçoou a memória degradada, bufou e deu um bico na porta. Estranhamente, não houve ruído. A perna, na verdade, migrou para o outro lado. Espantado, Benedito recuou. Depois, viu que o mesmo se passava com o resto do corpo. Assim, curioso, entrou todinho para a sala.

Ali, o esperava Elisa, compenetrada, mas jovial.

- Você, aqui? – perguntou, admiradíssimo.

- Vim conversar com você...

- Até que enfim... E o que mais?

- Preciso te contar uma coisa – disse Elisa, alisando a toalhinha de renda sobre a mesa.

- Diz, então...

- Sabe aquela história de "Corinthians até a morte"? Sabe?

- Sim, eu sei... – respondeu Benedito, sentindo-se já leve e remoçado.

- Pois, não é verdade... Bom, né?

Fez-se um grande silêncio. E, de repente, começaram a rir. Cheio de energia, Benedito despediu-se de si. Tinha muito o que fazer em 2.008. Assim, nascem os anjos.

*Walter Falceta Jr. é jornalista, corintiano, maloqueiro e sofredor, graças a Deus.

Por Juca Kfouri às 14h00

Apito salva o Timão

Por THIAGO CAFARDO

Trinta minutos do segundo tempo. Corinthians e Grêmio empatam em 1 a 1, resultado que leva o time paulista para a Segunda Divisão. O jovem Lulinha avança pela direita, dá um corte no zagueiro e toma um carrinho. O árbitro Alício Pena Júnior não titubeia: pênalti.

Sem Finazzi em campo, coube ao experiente Vampeta assumir a responsabilidade. Ele se prepara, bate, mas o goleiro Marcelo faz grande defesa. Para alívio da Fiel, o assistente Aristeu Tavares manda voltar o pênalti. Nova cobrança, novo erro. Vampeta se desespera. Mas ele não havia percebido que o bandeira, novamente, havia indicado que o goleiro do Grêmio se adiantara.

O técnico Mano Menezes reclama, diz que "isso é um vergonha" e é expulso de campo. Sem condições psicológicas, Vampeta pede para Clodoaldo bater a penalidade. O atacante converte o pênalti, para alegria da Fiel.

Fim de jogo. O Corinthians segura a pressão do Grêmio e se mantém na Série A. Jogadores do Grêmio cercam o árbitro Alício Pena Júnior. A torcida do time gaúcho joga objetos em campo e sai do Olímpico aos gritos de "vergonha, vergonha". Do outro lado, Betão chora de alívio. Ovacionado, o goleiro Felipe vai ao encontro da torcida.

No estádio Serra Dourada, o presidente do Goiás, Paulo Goulart, aos prantos, diz que o futebol brasileiro deveria fechar para balanço. "Isso é uma palhaçada, uma vergonha".

Na segunda-feira, o jornal Diário de S.Paulo estampa manchete. "Apito salva o Timão". No diário Lance!, a manchete era: "Valeu, Alício". A Folha de S.Paulo diz: "Juiz ajuda e Corinthians fica na Série A".

O jornal O Popular, de Goiânia, traz na capa uma foto de Paulo Bayer chorando e afirma: "Assalto em Porto Alegre tira Goiás da Série A". Além disso, o periódico traz matéria com o presidente do Goiás, afirmando que vai entrar com uma representação no STJD para anular a última rodada. "Eu disse bem antes que isso iria acontecer".

Na mesma edição, o jornal goiano escreve matéria dizendo ter informações de que Kia Joarabchian, presidente da MSI, teria enviado R$ 4 milhões ao Corinthians. O suposto dinheiro poderia ter sido repassado ao trio de arbitragem.

No programa Arena SporTV, o diretor de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha, promete emprestar "quatro ou cinco jogadores" para o Goiás disputar a Série B. "O São Paulo vai fazer a sua parte", dizia o cartola. Em Santos, o presidente Marcelo Teixeira também se solidariza com o time goiano. Lá da Alemanha, o meia Tinga, ex-Internacional, liga para seu amigo Harley para prestar solidariedade.

A comoção nacional é geral. Jornais de todo País todo repercutem a permanência do Corinthians na Série A. As torcidas Mancha Verde, do Palmeiras, e Independente (do São Paulo) se unem em nota paga nos jornais paulistas. "É o fim dos tempos do futebol brasileiro", dizia o comunicado.

http://blog.opovo.com.br/esportes/

Por Juca Kfouri às 13h47

De ontem, na 'Folha'

JUCA KFOURI

Crônica de uma queda anunciada


Quem tinha olhos, via. Os cegos não viam o que os bandidos faziam na equipe mais popular de São Paulo


N ADA MAIS a fazer. O Corinthians chegou ao fundo do poço. O Inter perdeu do Goiás e matou a esperança alvinegra. Pobre torcida corintiana.
A segunda maior paixão coletiva do país pode até renascer, revigorar-se com o calvário que passará a viver no ano que vem.
Mas jamais poderá esquecer quem a trouxe a tal humilhação.
Cartolas carcomidos e corruptos, associados a aventureiros sem escrúpulos, incentivados por uma mídia podre e cúmplice, e com o apoio de conselheiros mais preocupados com os fins do que com os meios, além da cegueira geral.
Sim, porque isso tudo com o respaldo dos que, nas numeradas, aplaudiam a quadrilha enquanto um time pouco mais que medíocre ganhava o título de 2005.
E ai de quem os denunciava.
Se o fundo do poço, no entanto, significasse a certeza do renascimento, talvez até valesse a pena.
Mas, nada garante, ao contrário.
Andrés Sanches, cujo passado no Corinthians/MSI é condenável, não aprendeu a lição.
Gandulas que atrapalham o jogo como no Pacaembu, ou 20 minutos de atraso no Olímpico (o time demorou tudo isso para entrar em campo, mas nem 1/20 disso para tomar o gol gremista), não só não ornam com profissionalismo e ética, como menos ainda combinam as contratações que ele anuncia.
O que fará Antônio Carlos como diretor corintiano, ele que se despediu ontem do Santos?
Não recomendará a contratação de jogadores negros, para fazer jus ao seu currículo de único jogador brasileiro punido por racismo?
Mas o Bóvio pode?
Ou será ele apenas mais um representante de Vanderlei Luxemburgo, que, não satisfeito em assumir também o Joinville, parece estar virando uma holding neste obscuro mundo do futebol?
A verdade é que não é hoje, é anterior mesmo aos mafiosos da MSI, que o Corinthians está sem rumo, e nada indica uma correção de rota.
Acredite se quiser, mas a nova direção corintiana passou esses dias garantindo, com ar misterioso, que o time não cairia, espertos que são.
Pois neste aspecto o domingo foi glorioso, porque não só a arbitragem mandou voltar duas vezes a cobranças de pênalti em Goiânia, a dano do Corinthians, como o Galo ainda classificou o Cruzeiro para a Libertadores, em mais uma histórica tropeçada do Palmeiras em casa.
É mesmo, o Santos também perdeu em casa, para o Flu, e o São Paulo foi mais uma vez derrotado na Arena da Baixada.
Derrotas que, é claro, nada significam, exceção feita à do Palmeiras, um prejuízo enorme.
Nada, no entanto, que se aproxime da derrocada corintiana.
Corintianos da velha-guarda, que jejuaram 22 anos, vão precisar ensinar às novas gerações alguma coisa que eles nem sequer suspeitam.
Que o que fez o Corinthians foi o sentimento de que não há derrotas definitivas para o povo, razão pela qual é possível recomeçar.
Mas é preciso identificar dentro de casa quem são os inimigos, os que só querem explorar o Corinthians, porque também é inegável que, neste dezembro de 2007, o povo está, sim, sendo derrotado.

Por Juca Kfouri às 12h48

Uma outra visão de Mano Menezes

Adeus, Manin

*Por AIRTON GONTOW

Já que o remake dos grandes filmes está em moda, que tal fazer uma nova versão de "Inacreditável – A Batalha dos Aflitos", documentário longa-metragem tão bem dirigido por Beto Souza, com roteiro de Eduardo Bueno? Não, não é preciso mudar muita coisa. Aos 35 minutos do segundo tempo o juiz marca um pênalti inexistente para o Náutico. Os jogadores do Grêmio reclamam, protestam, peitam o árbitro e um a um são expulsos até que ficam apenas sete em campo. Sete contra onze!

O roteiro, o cenário, os personagens, tudo permanece igual. O estádio lotado com 20 mil pernambucanos ensandecidos, o pênalti contra, o Grêmio desfigurado. O adversário ajeita a bola, toma distância, dá uma curta corrida em direção à bola e – agora é que o filme muda! – faz o gol de pênalti.

Ao contrário do antológico filme de Wolfgand Becker, "Adeus, Lenin", em que o personagem procura reinventar um mundo em que o Muro de Berlim não caiu, imaginemos um filme em que o Grêmio não subiu à Primeira Divisão do futebol brasileiro.

O que seria dito no dia seguinte? O que estaria estampado nos jornais? O que estaria na boca do povo e nas vozes dos ferozes cronistas esportivos do Sul do País? Como seriam os depoimentos dos personagens – jogadores e torcedores famosos - neste remake de "Batalha dos Aflitos". O novo filme tem as respostas: "O Mano Menezes pôs o time lá atrás e o Grêmio não deu um único chute a gol durante toda a partida!", "O Grêmio mais uma vez jogou um futebol covarde fora dos seus domínios!", "O Mano não mandou o time para frente nem mesmo depois de o Náutico perder dois gols e um pênalti no primeiro tempo", "Como pode um técnico deixar o craque do time, o Ânderson, no banco de reservas durante quase todo o jogo decisivo e, pior, em quase toda a competição?"

Mano Menezes seria visto como um técnico que sabe ler como poucos o esquema tático do adversário, que consegue extrair o máximo empenho e desempenho de um limitado grupo de jogadores e, ainda, como um notável motivador de grupo. Mas também seria percebido como um técnico que não sabe criar esquemas para aproveitar melhor o potencial de seus poucos craques, que atua de forma covarde e inadmissível fora do Olímpico e que possui o estranho hábito de colocar em campo alguns jogadores como Ramon, contra a opinião de todos e da própria bola, que se afasta sempre que a procuram.

Neste enredo alternativo, que proponho agora, Mano Menezes seria colocado em seu devido lugar – ao contrário do filme e da realidade, onde foi guinado à condição de responsável maior pela conquista. Se Mano não é, obviamente, um vilão, também não é o mocinho da história, o herói destemido que arrancou o time das garras desta terrível bandida, que é Segundona. Neste filme, Mano é apenas um bom ator coadjuvante, que até consegui roubar algumas cenas, mas que não tem a mesma importância na vitória contra o Náutico que Ânderson, Gallato e a mítica camisa tricolor – esses sim os verdadeiros heróis dos Aflitos.

Mano não é herói no meu remake da "Batalhas dos Aflitos". Não apenas porque na nova história o Grêmio perde a guerra, mas porque o cinema não transforma o medo em heroísmo! Além disso, é um treinador que se recusa terminantemente a aprender com as lições da história. Transformou o que foi sorte em tática de jogo e atuou como nos Aflitos na quase totalidade das partidas fora do estádio Olímpico.

Se alguns personagens do Cinema ficaram imortalizados por suas expressões, como o T-800 de Arnold Schwarznegger em "O Exterminador do Futuro", com seu "Hasta la vista Baby", em meu remake dos Aflitos - e em todos os outros filmes seguintes -, vemos Mano Menezes, em close, dizer antes das partidas do Grêmio jargões como "Temos de valorizar a posse de bola" e "Precisamos saber jogar com inteligência aproveitando os erros do adversário"...

Mano sempre diz a mesma coisa e o Grêmio invariavelmente perde as partidas disputadas fora de seus domínios. Em um dos filmes, vemos o tricolor gaúcho derrotado em seis dos sete jogos disputados fora de casa na Libertadores (a única vitória aconteceu contra o Cerro, com o goleiro Saja defendendo um pênalti no último minuto). Em outra película, o Grêmio é derrotado em 12 das 19 partidas jogadas fora de casa (das cinco vitórias, duas foram no próprio estado, contra Inter e Juventude; e uma contra o América, último colocado, com portões fechados). Sempre jogando com inteligência. Sempre valorizando a posse da bola.

E no documentário sobre o último Campeonato Gaúcho então? Vou mostrar em câmera lenta alguns lances dos jogos mais importantes sob o comando de Mano Menezes. Reparem na postura passiva do Grêmio na derrota de 3 a 0 para o Caxias na final do Gauchão, lá na Serra! Percebam a postura retranqueira do time! Vejam no filme do Brasileirão em slow-motion os melhores (piores?) momentos dos quatro jogos decisivos fora de casa na reta final do campeonato – contra o América não conta! Derrota para o Flamengo, para o São Paulo, para o Atlético e para o Palmeiras. Sempre jogando com inteligência. Sempre esperando pelo adversário.

Haverá neste documentário os depoimentos dados por jornalistas e pelo goleiro Rogério Ceni do São Paulo após a partida, estupefatos com o fato do campeão brasileiro ter atacado mais que um time que precisava da vitória. Também destaque para o banco de reservas. O técnico preferiu trocar o Bustos, exímio batedor de faltas, pelo Patrício. E ainda colocou o Ramon de titular. Tetas no lugar de Bustos!

Assistam também ao documentário de terror que foi a partida contra o Flamengo no Maracanã. O Grêmio havia atuado contra o Goiás no domingo anterior, em Porto Alegre, em jogo morno. Já o Flamengo tinha viajado para pegar o Paraná, em partida dificílimo no domingo e, depois, enfrentado seu arqui-rival Vasco, em partida disputada em ritmo alucinante e debaixo de uma chuva torrencial durante os 90 minutos. Para piorar, o Flamengo atuou com dez desde o início. No domingo, era o jogo de um time descansado contra uma equipe extenuada. O que o Grêmio fez? Jogou com inteligência, e valorizou a posse de bola. Ficou aguardando pelo Flamengo! Não cansou o adversário. Não sufocou o rival. O Flamengo gostou do jogo. A torcida se empolgou e a derrota foi, mais uma vez, inevitável. O mesmo filme de sempre. A mesma tática vencedora dos Aflitos! O acaso transformado em filosofia de jogo!

Há também as cenas lamentáveis de outros jogos do Grêmio fora de casa, como contra o Santos, quando o adversário estava morto em campo e os próprios narradores de diferentes emissoras diziam que o Grêmio não queria vencer a partida! Vejamos as imagens do embate contra o combalido Corinthians no Pacaembu. O Grêmio ganhando de um a zero, a torcida corintiana vaiando o time, a bola queimando dos pés dos jogadores do timão.... Como em tantas outras no campeonato, o Grêmio poderia ter arrancado em rápidos contra-ataques de dois contra um, de três contra um. Mas não podia. Lá à beira do gramado estava o coadjuvante transformado em astro principal: gesticulando e gritando com o time! "Estamos ganhando, estamos ganhando; é preciso valorizar a posse de bola; é preciso jogar com inteligência!" E mais uma vez o Grêmio não definiu a vitória. O Corinthians empatou, a torcida passou a apoiar o time e a derrota improvável, para um time medonho, acabou se tornando realidade.

Neste Brasileirão, na imensa maioria dos jogos em que o Grêmio saiu na frente não houve um único contra-ataque que ampliasse a vantagem. Contra o Palmeiras, o Atlético-MG e, agora, o Corinthians, vitórias parciais e – é preciso jogar com inteligência! –, no fim, empate. Contra o Figueirense, vitória parcial e, no fim, derrota. O Grêmio sempre tocando a bola de forma inócua, sempre abdicando do ritmo de jogo e da fluidez necessária ao bom futebol.

Claro, dirão alguns, há jogos em que o Grêmio goleou ou, ao menos, abriu dois gols de vantagem. Mas foram partidas em que o time havia perdido fora de seus domínios e o técnico não podia segurar o resultado. Nestes jogos eliminatórios, Mano não podia controlar o time, não podia pedir que valorizassem a posse de bola e que abdicassem do ataque. Catástrofe nos três a zero para o Caxias? Quatro a zero em Porto Alegre! Dois a zero para o Defensor no Uruguai? Dois a zero em casa e vitória nos pênaltis! Derrota para o São Paulo por placar mínimo no Morumbi? Dois a zero no Olímpico!

Mano, repito, tem méritos e tudo para se firmar como um dos grandes treinadores do País. Mas por enquanto é ainda um técnico menor – um Celso Roth melhorado, capaz de tirar o time das últimas colocações e conduzi-lo a lugares seguros, mas não ao topo da tabela de grandes competições de pontos corridos, como o Brasileiro. Ainda que possa até conquistar uma Libertadores, como quase conseguiu este ano - nos mata-matas. Perdendo fora, vencendo em casa...

O Grêmio deve muito ao treinador e torço até para que ele volte no futuro. Mais ousado e maduro. Mas o fato é que mesmo com jogadores apenas razoáveis o time poderia ter ido mais longe. É hora de colocar outro filme no DVD. Talvez por isso o ato falho do presidente Paulo Odone ao anunciar como novo técnico ninguém mais ninguém menos que "Walter Avancini".

Bem-vindo Vagner Mancini! Adeus, Manin! Ou melhor: Hasta la vista, baby!

*Airton Gontow, 45 anos, é jornalista, cronista e gremista.

Por Juca Kfouri às 12h41

Doping e o Pan 2007: temos um problema

O sítio da WADA (a agência mundial de controle de dopagem) publica o documento  "Controle de Doping nos Jogos PanAmericanos 2007" preparado por uma comissão independente de especialistas, comissionada pela agência, para acompanhar a qualidade do controle de doping em todos os eventos esportivos de âmbito internacional.

A idéia é a de submeter uma avaliação isenta (o grupo tem o nome de Independent Observers) à comunidade internacional.

O documento pode ser acessado em inglês ou em francês - as duas linguas oficiais da WADA, com sede em Montreal, Canadá.

E a comissão é composta pelo diretor do Instituto de Esportes de Lisboa; pelo gerente executivo da agência. nacional de controle de dopagem do Japão; pela diretora da agência esportiva de controle de doping da Austrália e por um membro da própria WADA.

Como se vê, aparentemente, trata-se de gente séria e imparcial.

Após os agradecimentos polidos de praxe à cortesia dos brasileiros, o documento aponta diversas irregularidades.

Tanto na coleta de amostra, que não seguiu praxes internacionais, quanto no laboratório, o Ladetec.

Ladetec que só começou a fazer alguns tipos de análise na segunda semana, depois que chegaram especialistas estrangeiros, pois o pessoal do laboratório "não estava familiarizado com alguns dos equipamentos que haviam sido comprados pouco antes dos Jogos".

Em meio à confusão causada pelo caso Rebeca Gusmão, o documento enfraquece a argumentação do COB e do médico Eduardo de Rose.

Confira em http://www.wada-ama.org/rtecontent/document/IO_Report_PANAM_2007_En.pdf

Por Juca Kfouri às 02h52

Os melhores do ano

Rogério Ceni, Leonardo Moura, Breno, Miranda e Kléber; Hernanes, Richarlyson, Ibson e Valdívia; Acosta e Josiel.

Eis os onze eleitos como os melhores do Brasileirão 2007, além de Muricy Ramalho, pela terceira vez consecutiva escolhido como o melhor técnico do Brasil.

Coisa que, por sinal, o "CBN EC" e o "Linha de Passe", na ESPN-Brasil, anteciparam, o primeiro por volta das oito horas da noite de ontem e o segundo ali pelas nove.

De leve...

O blog não deu nada porque estava em estado de reflexão...

Mas a pergunta é a seguinte: esse time, dirigido por Muricy Ramalho, faria bonito?

A resposta é sim, faria.

A defesa é ótima, embora os dois alas sejam do tipo que obrigariam um esforço redobrado dos volantes na marcação.

E os atacantes, Acosta e Josiel, ainda precisem provar, apesar de veteranos, que são capazes de se dar bem com camisas de mais peso, com todo respeito ao Náutico e ao Paraná Clube.

Rogério Ceni ganhou ainda os prêmios de melhor jogador da crítica e da torcida.

Talvez por ser o melhor goleiro brasileiro da atualidade, coisa com a qual, é óbvio, Dunga, o técnico da Seleção Brasileira, não concorda.

Aliás, o time dos eleitos poderia representar o Brasil nas Eliminatórias?

É claro que não.

Ué, mas por que, se está dito que o time é bom?

Ora, porque Valdívia é chileno e Acosta uruguaio...

Por Juca Kfouri às 02h20

Kajuru agora tem sítio

E estréia com um vídeo para rememorar o célebre "Globo Repórter" sobre a CPI da CBF.

http://www.sitedokajuru.com.br/

Por Juca Kfouri às 01h30

Brasileirão 2007: classificação por estados

1o. São Paulo, 60,25 pontos

2o. Rio de Janeiro, 57,75 pontos

3o. Minas Gerais, 57,50

4o. Santa Catarina, 53 pontos

5o. Rio Grande do Sul, 51 pontos

6o. Pernambuco, 50 pontos

7o. Paraná, 47,50

8o. Goiás, 45 pontos

9o. Rio Grande do Norte, 17 pontos

Por Juca Kfouri às 00h50

O ranking dos pontos corridos, desde 2003

Por CONRADO GIACOMINI

 

1o. SPFC - 373 pontos

 

2o. Santos - 361 pontos

 

3o. Inter - 340 pontos

 

4o. Cruzeiro - 329 pontos

 

5o. Corinthians - 311 pontos

 

6o. Goiás - 311 pontos

 

7o. Atlético/PR - 310 pontos

 

8o. Fluminense – 293 pontos

 

9o. Figueirense - 291 pontos

 

10o. Flamengo – 288 pontos

 

11o. Paraná - 281 pontos

 

12o. Vasco - 277 pontos

 

13o. Juventude - 266 pontos

 

14o.P almeiras – 251 pontos

 

15o. Atlético/MG – 227 pontos

 

16o. Botafogo – 216 pontos

 

17o. São Caetano - 215 pontos

 

18o. Grêmio – 214 pontos

 

19o. Ponte Preta - 204 pontos

 

20o. Coritiba - 184 pontos

 

21o. Paysandu - 146 pontos

 

22o. Fortaleza - 142 pontos

 

23o. Criciúma - 110 pontos

 

24o. Guarani - 110 pontos

 

25o. Vitória - 104 pontos

 

26o. Sport – 51 pontos

 

27o. Náutico – 49 pontos

 

28o. Bahia - 46 pontos

 

29o. Brasiliense - 41 pontos

 

30o. Santa Cruz - 28 pontos

 

31o. América/RN – 17 pontos

Por Juca Kfouri às 00h42

03/12/2007

Meu mundo caiu

Este blog passará esta segunda em estado de reflexão.

Não acrescentará nota alguma além desta que exprime o que vai em sua alma.

Console-se, ou delicie-se, com Maysa.

Até terça.

Por Juca Kfouri às 00h00

02/12/2007

Domingo histórico

A última rodada teve média de 20.830 pagantes por jogo.

O pior público da rodada, e do Brasileirão, foi em Caxias, com796 testemunhas.

O melhor foi no Olímpico, com 34.453 pagantes, 238 torcedores a mais que o jogo do Serra Dourada.

Foram 29 gols, para decretar o Santos como vice-campeão, o Flamengo como terceiro e fora da dita pré-Libertadores e o Cruzeiro classificado para disputá-la.

Rebaixados estão o América, o Juventude, o Paraná Clube e o Corinthians.

E na Sul-Americana teremos, além do São Paulo, que também está na Libertadores ao lado do Santos, o Grêmio, Palmeiras, Atlético Mineiro, Botafogo, Vasco, Inter e Atlético Paranaense.

Se a queda do Corinthians agita o futebol brasileiro, na Argentina, o Lanús foi o campeão, pela primeira vez em sua história.

Se o Corinthians caiu com o 1 a 1 no Olímpico, o Lanús, com igual placar na Bombonera diante do Boca Juniors, faturou o Apertura argentino.

Domingo histórico, sem dúvida.

Por Juca Kfouri às 20h41

Goiás salvo, Corinthians na Segundona!

O Corinthians demorou 20 minutos para entrar em campo.

Mas não levou nem 90 segundos para tomar o primeiro gol no Olímpico, um Olímpico com a faca entre os dentes, louco para ver o Corinthians rebaixado, como já aconteceu duas vezes com o Grêmio.

E Jonas fez 1 a 0, de cabeça, em cobrança de falta pela esquerda.

Só dava Grêmio, que perdeu duas chances de ouro para ampliar, e o melhor que o corintiano tinha a fazer era mudar-se para o Serra Dourada e torcer pelo Inter.

Veria Paulo Baier perder gol certo ao diividir uma bola com Clemer, veria Fabiano Oliveira mandar uma bola na trave gaúcha e veria Elson empatar.

Sim, porque, antes, Orosco tinha feito 1 a 0 para o Inter, em gol parecido com o do Grêmio, também de cabeça em cobrança de falta pela equerda.

Enquanto o Serra Dourada explodia com o empate esmeraldino, que salvava o Goiás, Clodoaldo, antes mesmo que o Inter desse a saída, empatava no Olímpico, em cruzamento de Carlos Alberto.

Então, baixou uma espécie de letargia no Goiás e, ao mesmo tempo, no Grêmio, que já sabia que o Cruzeiro fazia 2 a 0 no América e tirava suas chances de Libertadores.

Com o que o Corinthians não só equilibrou a partida como até levou algum perigo.

O Goiás foi rebaixado para seu vestiário e o Corinthians salvo para o dele.

Mas faltavam 45 minutos.

45 minutos de enlouquecer.

Porque quando ambos os segundos tempos começaram, o Paraná Clube, com 10 jogadores desde o começo do jogo, já perdia para o Vasco, gol de Morais, o que deixava a parada só mesmo entre Corinthians e Goiás, Grêmio e Inter.

Ainda mais que, em seguida, Leandro Amaral aumentava em São Januário.

Aos 10 minutos, Paulo Baier começou a bater pênaltis para Clemer se adiantar e defender, um em cada canto.

Aí, Elson fez 2 a 1, tirou o Goiás da Série B e botou o Corinthians.

Mesmo já sem chances de Libertadores com o fim do jogo no Mineirão, o Grêmio era mais perigoso e obrigava Felipe a se virar.

O Vasco fazia 3 a 0 e acabava de despachar o Paraná Clube.

No Corinthians, perdinho da silva depois do segundo gol goiano, entraram Arce, Aílton e Héverton, nos lugares de Bruno Octavio, Everton e Vampeta.

Tuta entrava no lugar de Tcheco, no Grêmio.

O Goiás fazia a parte dele e se salvava.

O Corinthians pagará na Segunda Divisão por todos os erros que cometeu neste século 21.

Triste, mas justo. 

Por Juca Kfouri às 18h16

E o Cruzeiro chegou lá

O Cruzeiro fez o mínimo, vencer o América, por 2 a 0.

E conseguiu o máximo: a Libertadores.

Porque o Palmeiras perdeu para o Galo, 3 a 1, em São Paulo.

Festa mineira, drama paulista.

Aliás, Palmeiras, São Paulo( 2 a 1 para o Furacão, para variar) e Santos (4 a 2 para o Flu) perderam.

Mas derrota mesmo foi a do Verdão. 

Por Juca Kfouri às 18h08

No 'Jornal do Brasil' de hoje

Por AUGUSTO NUNES

Sete pedras no caminho

"Vocês não têm outro assunto?", irritou-se Ricardo Teixeira ao ouvir a pergunta que abriu a entrevista improvisada na manhã de segunda-feira. Ele estava no Palácio da Cidade para conversar com o prefeito Cesar Maia sobre a Copa de 2014. Pensava no futuro. Os jornalistas estavam lá para saber o que tinha a dizer o chefão da CBF sobre a tragédia ocorrida em Salvador no domingo. Para o cartola, pensavam num passado remoto.

Dez minutos antes do fim do jogo entre Bahia e o Vila Nova, diretores do clube abriram os portões para que mais torcedores engrossassem a multidão de 70 mil convivas da festa que não houve. O desabamento de um pedaço da arquibancada matou sete, feriu quase 200 e impôs ao País do Futebol o mais dramático domingo. Mas Teixeira não é de perder o sono por tão pouco.

"Estamos pesarosos pelos resultados", tentou virar a página, com a voz na fronteira que separa o tédio da exasperação. Perdeu de vez a paciência ao constatar que os jornalistas só pensavam naquilo. "Por que falar só do acidente?", subiu o tom Teixeira. "Vocês não querem falar de futebol, não? Vamos falar de futebol", desafiou. Para sorte do desafiante, os desafiados recusaram a proposta formulada por um homem que nada entende de futebol. Nunca jogou bola, nem na infância. Se subir num par de chuteiras, certamente vai cair de quatro.

O cargo que ocupa caiu-lhe no colo como parte do dote da noiva, filha única de João Havelange. Quando o casamento terminou, o alpinista conjugal já chegara ao cume da montanha. Descobrira que não era preciso entender de futebol para ficar por lá. Bastavam jogadas fora do campo.

O flamenguista Teixeira nunca decorou o nome completo do Flamengo, nem a escalação do time liderado por Zico. Mas aprendeu a escalar presidentes de federações estaduais e chama pelo prenome as figuras que mandam na Fifa. A Copa do Mundo de 2014 não é nossa. É de Teixeira.

Na segunda-feira, não estava preocupado com a tragédia, mas com a festa. Não via mortos, mas pedras no caminho. "Não vou dizer mais sem ler o relatório", esbravejou. "Vocês conhecem o relatório? Nem eu". Mentia. Teixeira conhece vários relatórios sobre o estádio administrado em parceria pelo governo estadual e pela cartolagem do Bahia. Todos anunciaram a tragédia.

Em 2005, a prefeitura de Salvador pediu a interdição da Fonte Nova. O pedido foi reiterado em 2006 pelo Ministério Público e, em setembro passado, pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia. "O estádio foi inteiramente reformado", jurou o governador Jaques Wagner num programa de rádio. Ele driblou a verdade para garantir um jogo da Seleção na Bahia. Teixeira fingiu acreditar em Wagner, que agora resolveu implodir o alçapão assassino. Agora é tarde.

A Bahia de Jaques Wagner não merece a Copa que a CBF de Teixeira tampouco merece organizar. Os brasileiros querem só ganhar a Copa. Cartolas e políticos espertos só pensam em ganhar com a Copa.

Por Juca Kfouri às 14h39

Garcia Lorca e Pelé

Por GUSTAVO VILLANI

Esta semana a Espanha comemorou a compra do único manuscrito do poema Crucifixón de Federico Garcia Lorca, na casa de leilões Sotheby´s, em Londres.

O Ministério da Cultura espanhol pagou 30.757 euros, ou 80.802 reais, para ficar com a obra perdida após o assassinato de Lorca em tempos de Guerra Civil, em 1936.

Ao ler a notícia imediatamente me lembrei de outro leilão, também em Londres, há alguns dias.

A camisa de Pelé da final da Copa de 70, presenteada pelo próprio rei ao então técnico Zagallo, foi arrematada por 69.800 euros.

Das semelhanças entre os dois casos, em que os personagens centrais são figuras históricas, há uma triste diferença: o manuscrito de Lorca está onde deve, na Espanha, sob cuidados do governo espanhol, já o uniforme de futebol mais famoso do mundo está nas mãos de um anônimo inglês.

Ainda não sei o porquê da camisa de Pelé ter sido leiloada.

Não acredito que o ex-técnico da Seleção Brasileira esteja precisando de dinheiro depois de tudo que acumulou na consagrada vida profissional.

Vender um presente qualquer é um gesto questionável.

Agora, leiloar a camisa de Pelé da final do tricampeonato, a mesma com a qual o rei se despediu das Copas do Mundo, a número 10, daquele golaço de cabeça contra a Itália, enfim, é inaceitável.

Trocar a história por um saco de dinheiro é tão triste quanto saber que o Ministério dos Esportes ou da Cultura, sem falar da CBF, sequer participou do leilão.

É mais uma mostra de como o Brasil cuida da própria bandeira.

Um admirador endinheirado faz o papel de todo um governo e traz para sua casa o que significa muito para a história da nação.

Algo razoável para um país que já teve a própria taça do mundo derretida ou que vê seus ex-craques mendigarem a sobrevivência fora de campo.

No Brasil, onde mais vale ser esperto do que sábio, tudo isso é normal.

Sorte da Espanha, dos espanhóis.

Federico Garcia Lorca não é Pelé, mas bem que poderia ser o Garrincha das letras.

Mesmo assim teve seu reconhecimento merecido.

Crucifixón já está na Espanha.

Enquanto isso, Garrincha há tempos assiste de algum lugar a outros companheiros repetirem a trajetória do sofrimento.

E Pelé deve estar se questionando sobre quem está exibindo a camisa que deveria ser de Zagallo.

Por Juca Kfouri às 14h35

O futebol politicamente correto

Por ROBERTO VIEIRA

- Tira a moqueca do texto!

- Por quê?

- Os baianos não vão gostar.

- Mas se fosse em Porto Alegre eu botava churrasco. Em Recife era buchada.

- Eu sei, você sabe, mas tem gente que não vai entender.

Dias depois.

- Tira o Corinthians do texto!

- Outra vez?

- Os corintianos vão pensar que você está querendo ofender alguém.

- Mas é só um texto. Eu podia escrever que o pai é alvirrubro, flamenguista, sãopaulino...

- Estou só avisando. Eles vão esquecer o drama do alcoolismo, vão esquecer da tragédia do João Pedro e vão se fixar no Corinthians.

- Será?

- Podes crer!

Uma semana depois...

- Você estava certo.

- Não te falei.

- Ninguém se ligou na destruição do lar, na tristeza da criança, nas tragédias que cercam um jogo de futebol.

- E você queria o quê? Falaram até do cativeiro do coitado do Olivetto. Cai na real!

Lá fora faz um lindo dia de sol em Recife. O mundo parece perfeito. Crianças brincam no parque da Jaqueira. Tudo parece simétrico, perfeito, diáfano. Horizontal.

O Náutico permanece na Série A. Um Papai Noel vai descer de helicóptero no Shopping.

- Você precisa escrever sobre um futebol politicamente correto.

- Isso existe?

- Claro, basta ler os jornais.

- E o menino?

- Esquece!

Por Juca Kfouri às 12h58

Dá para vencer sem Ricardinho. E com ele é menos difícil

E o Japão conseguiu ganhar um set do Brasil.

O primeiro, porque depois perdeu os outros três, com o que o time de Bernardinho é bicampeão da Copa do Mundo.

Verdade que no quarto set houve algo inusitado: os japoneses venciam por 7 a 2 quando a arbitragem descobriu um erro inicial de rodízio, o que mudou o placar para 2 a 0 para os brasileiros.

Aí, não há nem japonês, com toda sua disciplina e frieza, que agüente.

A conquista brasileira é importante por mostrar que mesmo sem Ricardinho o bi olímpico em Pequim é possível.

Mas, se conheço Bernardinho, diferentemente do que se supõe, exatamente pela vitória sem o extraordinário levantador, ele mais uma vez fará questão de dizer que a porta está aberta para o craque, coisa que teria constrangimento em fazer se tivesse fracassado.

Mesmo que Marcelinho tenha feito uma excelente Copa do Mundo.

Por Juca Kfouri às 11h44

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico