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Saiba quem é Juca Kfouri
Uma justiça tardia e impossível (1958x2002)

Copa dos Sonhos II

*Por RUY CARLOS OSTERMANN

Não tive tempo para encontrar Vicente Feola.

Seria importante esclarecer muitos assuntos da seleção de 58, a primeira brasileira Campeã do Mundo, sobre que muito li, muito conversei, mas ainda guardo uma certa desconfiança que os jornais da época, mas sobretudo os rádios paulistas e cariocas mais me desorientaram do que fortaleceram uma certeza.

Djalma Santos só no último jogo?

A condução lenta, discutida e nem sempre bem aceita do Garrincha torto e esquisito do Pelé quase uma criança, a titularidade de Didi, já considerado pelos padrões da época como um jogador velho e talvez desinteressado tudo isso sempre fez parte das minhas dúvidas.

Não consegui entender o processo destas reavaliações e nem a resistência que ainda percebo hoje.

Seria preciso conversar um bom tempo com o gordo Feola.

Ele não era muito disso, dizia-se, mas será que incumbido da tarefa que me impôs Juca Kfouri o técnico da primeiro seleção brasileira campeão do mundo não seria capaz de se enternecer com o jovem jornalista do Rio Grande do Sul

Foi por isso que embora tivesse tempo e oportunidade não fui conversar com Luiz Felipe Scolari.

Ficaria muito desigual, as advertências técnicas e táticas de um contrapostas ao silêncio de Feola.

O futebol é muito falado, nem sempre esclarecido, mas há uma vantagem sempre na fala: ela elucida áreas de sombra e torna-se simples aquilo na mitologia crescente vai parecendo cada vez mais uma profunda incompreensão.

Era preciso imaginar, portanto.

Como poderia um superar o outro quase cinqüenta anos depois, tantas mudanças já consolidadas e especial nós todos ao redor já tão modificados?

Ou será que por uma dessas razões consolidadas da História um não pudesse superar o outro e tivesse que se contentar com a simples constatação de que uma coisa não se transforme em outra?

Skoglund não existia mais em 2002 e nem havia um seu correspondente.

Felipão não precisaria mudar a defesa, bastava designar a tarefa de policiamento ao aplicado Lúcio.

Talvez resolvesse, se existisse um Djalma Santos no banco.Talvez De Sordi continuasse no time. E seria uma vantagem?

Se me atrevo a mover as pedras desse jogo imaginário concluo que inevitavelmente Pelé faria gol, talvez até Garrincha entrasse com bola e tudo desviando de Marcos.

Mas, com certeza Ronaldo, o melhor centroavante que vi jogar, também, faria gol, talvez dois.

E Rivaldo, que foi o melhor jogador da copa de 2002 no Japão não faria ao menos quatro passes mágicos para que alguém mais - Ronaldinho Gaúcho, por exemplo - também fizesse gols?

Me assusto com o escore que estou construindo, já estaria em 2 a 2s numa homenagem justa a tantos talentos superpostos, e há quanto poderia chegar nesse meu esforço de fazer justiça?

O futebol é injusto não foi criado para satisfazer as partes, foi inventado por escoceses espertos para simplesmente passar por cima do adversário.

Devo ser fiel a essa tradição, não olhar para trás e nem para os lados, simplesmente me fixar num ponto imaginário onde estaria mais uma vez Didi com a bola do jogo de baixo do braço, mas sorridente numa vitória inesquecível sobre esses bem recentes defensores da seleção.

Seria três a dois para o velho Vicente Ítalo Feola.

Não me perguntem se foi Pelé outra vez.

*Ruy Carlos Ostermann é colunista do jornal "Zero Hora", comentarista da RBS e do Sportv, simplesmente tratado, por todos nós, como "Professor".




Escrito por Juca Kfouri às 00h01
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O voto do blogonauta

*Por CONRADO GIACOMINI

 

A enquete recebeu 114 comentários. 67 elegeram a seleção de 1970, 24 preferiram o time bicampeão e 14 quiseram o empate. Os votos inválidos somaram 9.

 

Com a vitória, o time que conquistou a Taça Jules Rimet em definitivo assume a liderança isolada na disputa entre os internautas:

 

Tabela dos especialistas

 

                           Pontos Ganhos  Jogos   Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1982:  4 pontos                  2              1               1              0

-    Brasil/1970:  4 pontos                  2              1               1              0

3º. Brasil/1962:  2 pontos                  2              0               2              0

4º. Brasil/1958:  1 ponto                    1              0               1              0

-    Brasil/1994:  1 ponto                    2              0               1              1

6º. Brasil/2002:  0 ponto                    1              0               0              1

 

Tabela do público

 

                           Pontos Ganhos  Jogos  Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1970:  6 pontos                 2             2               0               0

2º. Brasil/2002:  3 pontos                 1             1               0               0

-    Brasil/1958:  3 pontos                 1             1               0               0

-    Brasil/1982:  3 pontos                 2             1               0               1

5º. Brasil/1962:  0 ponto                   2             0               0               2

-    Brasil/1994:  0 ponto                   2             0               0               2

 

No sábado, complementando a segunda rodada, Ruy Carlos Ostermann versa sobre o embate entre os escretes de 1958 e 2002.

 

* Conrado Giacomini é o ombudsman deste blog e imagina que a seleção que conquistou o tri seria ainda mais inesquecível se tivesse Djalma e Roberto Dias como zagueiros. 



Escrito por Juca Kfouri às 00h03
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Problema para os deuses dos estádios (1962x1970)

Copa dos Sonhos II


*Por UGO GIORGETTI


O jogo entre a seleção de 62 e a de 70 seria difícil e um empate não seria improvável.

Eu, se tivesse que apostar, apostaria nele.

Os pontos fortes das duas equipes eram os ataques.

E no ataque, dois nomes de cada lado: de 62, Garrincha e Amarildo. De 70, Pelé e Tostão.

As meias canchas eram mais ou menos equivalentes. Zito, Didi e Zagalo, contra Clodoaldo, Gerson e Rivelino.

As defesas não eram grande coisa: a de 62, lenta e envelhecida, a de 70, mais jovem, mas tecnicamente bem mais fraca.

A pergunta é: como evitar que Pelé, Tostão (e Jairzinho) ficassem mano a mano contra os veteranos Mauro Ramos de Oliveira, Nilton Santos e o fraco Zózimo?

A questão do outro lado é: teriam Brito, Piazza e Everaldo alguma chance contra Garrincha, Amarildo (e Vavá)?

Tenho a impressão que Clodoaldo iria jogar junto de Everaldo para o primeiro combate contra Garrincha, o que obrigaria Rivelino a recuar muito para compor o meio de campo com Gerson e, consequentemente, enfraqueceria um pouco o ataque.

Em compensação, do outro lado, ninguém estava acostumado a marcar jogadores sem posição fixa, abrindo grandes possibilidades principalmente para Tostão e Jair nos contra ataques.

Aparentemente a seleção de 70 leva alguma vantagem pela juventude.

No banco, porém, a de 62 tinha um treinador que enxergava o jogo como poucos: Aimoré Moreira.

E finalmente um ponto importantíssimo.

A seleção de 62 tinha um grande goleiro, a de 70 não.

Suponhamos, porém, que Felix estivesse num de seus grandes dias (como contra a Inglaterra), daí tudo ficaria de novo equilibrado.

E o resultado ficaria por conta dos deuses do futebol, caprichosos e imprevisíveis.

Acho que ao ver tantos craques em campo os deuses não deixariam o acaso, o lance isolado, a falha inesperada, decidir o resultado.

Generosamente optariam pelo empate.

*Ugo Giorgetti é colunista de "O Estado de S.Paulo", diretor de cinema de mão cheia. E poeta.

 



Escrito por Juca Kfouri às 00h02
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Vox populi

*Por CONRADO GIACOMINI

 

Foram registradas 110 manifestações. 46 votaram na seleção de 1982, 26 optaram pelo time de 1994 e 8 seguiram o relator Tostão que, consultado pelo blog às 11h45 deste dia 2, reiterou que seu resultado para esta única partida entre ambas as seleções é o empate. Os votos restantes foram invalidados.

 

As classificações atualizadas da Copa dos Sonhos II:

 

Tabela dos especialistas

 

                           Pontos Ganhos  Jogos   Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1982:  4 pontos                  2              1               1              0

2º. Brasil/1970:  3 pontos                  1              1               0              0

3º. Brasil/1958:  1 ponto                    1              0               1              0

-    Brasil/1962:  1 ponto                    1              0               1              0      

-    Brasil/1994:  1 ponto                    2              0               1              1

6º. Brasil/2002:  0 ponto                    1              0               0              1

 

Tabela do público

 

                           Pontos Ganhos  Jogos  Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/2002:  3 pontos                 1             1               0               0

-    Brasil/1970:  3 pontos                 1             1               0               0

-    Brasil/1958:  3 pontos                 1             1               0               0

-    Brasil/1982:  3 pontos                 2             1               0               1

5º. Brasil/1962:  0 ponto                   1             0               0               1

-    Brasil/1994:  0 ponto                   2             0               0               2

 

Na quinta-feira, dando prosseguimento à segunda rodada, Ugo Giorgetti analisa como seria o confronto entre os esquadrões de 1962 e 1970.

 

* Conrado Giacomini é o ombudsman deste blog e fã incondicional de Telê e Zico.

 



Escrito por Juca Kfouri às 00h03
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Se fosse por pontos corridos...(1982 x1994)

Copa dos Sonhos II

*Por TOSTÃO

Se houvesse uma partida entre as Seleções Brasileiras das Copas de 82 e 94, seria um confronto entre dois estilos.

A de 82 foi mais ousada, ofensiva, havia maior número de craques, mas tinha menos cuidados defensivos, embora esse não tenha sido o motivo para sofrer os três gols da Itália no final da Copa.

A Seleção de 94 se preocupou mais em fechar os espaços na defesa, não tomar gol, manter a posse de bola e confiar nos contra-ataques com a excepcional dupla de atacantes formada por Romário e Bebeto.

A Seleção de 82, comandada por Telê, tinha um estilo parecido com o atual Barcelona nos seus melhores momentos ou, sem comparar os jogadores, com o Botafogo, quando o time era o líder do Brasileiro.

A Seleção de 94, dirigida por Parreira, parecia mais com o Milan, forte na marcação e eficiente nos contra-ataques com Kaká.

Pode ser comparada também no estilo com o São Paulo, forte na defesa e sabendo esperar o momento certo para fazer o gol.

Se houvesse esse jogo e sem querer ficar em cima do muro, não haveria favorito.

Talvez, a Seleção de 94 tivesse uma pequena vantagem em um jogo mata-mata, e a de 82, teria chances de ganhar mais vezes em uma série de dez jogos.

Eu torceria para a Seleção de 82, que dava espetáculo e que também era eficiente.

Se a Copa fosse por pontos corridos, ela ganharia fácil.

Por causa de um começo de polêmica entre a interpretação do blog e a de alguns blogonautas sobre o resultado do jogo, o autor do texto foi consultado às 11h45 deste dia 2 de janeiro e reiterou que seu placar é de EMPATE.

*Tostão é colunista da "Folha de S.Paulo", comentarista da Jovem Pan e...gênio da raça.



Escrito por Juca Kfouri às 01h55
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E que venha 2008!

A Terra é uma bola. Viva a bola!

Recebi de um amigo distante, gostei e compartilho com todos os que costumam frequentar este blog, como fiz no último dia 24:

http://www.maxdereta.com/imagine/earth.html

Tão logo a música termina, a mensagem que compartilho também termina, embora o link continue com a página do companheiro fotógrafo.

2007 acaba também e tomara que acabe bem.

Tão bem como o começo, o meio e o fim do ano que vem.



Escrito por Juca Kfouri às 12h35
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A escolha da audiência

*Por CONRADO GIACOMINI

 

Houve 87 votos. 56 deles escolheram o time de 1958, 12 apostaram no empate e 7 ficaram com a seleção de 1962. Os votos anulados totalizaram 12.

 

Fim da primeira rodada da Copa dos Sonhos II. As classificações assim ficaram:

 

Tabela dos especialistas

 

                           Pontos Ganhos  Jogos   Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1982:  3 pontos                  1              1               0              0

-    Brasil/1970:  3 pontos                  1              1               0              0

3º. Brasil/1958:  1 ponto                    1              0               1              0

-    Brasil/1962:  1 ponto                    1              0               1              0      

5º. Brasil/2002:  0 ponto                    1              0               0              1

-    Brasil/1994:  0 ponto                    1              0               0              1

 

Tabela do público

 

                           Pontos Ganhos  Jogos  Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/2002:  3 pontos                 1             1               0               0

-    Brasil/1970:  3 pontos                 1             1               0               0

-    Brasil/1958:  3 pontos                 1             1               0               0

3º. Brasil/1982:  0 ponto                   1             0               0               1

-    Brasil/1994:  0 ponto                   1             0               0               1

-    Brasil/1962:  0 ponto                   1             0               0               1

 

Na terça-feira, primeiro dia do ano de 2008, Tostão escreverá sobre o Brasil de 1982 contra o de 1994.

 

* Conrado Giacomini é o ombudsman (sem registro em carteira) deste blog.



Escrito por Juca Kfouri às 00h02
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Homens ou anjos? (1958 x 1962)

*Por JOÃO AREOSA

Copa dos Sonhos II

Cai na minha caixa postal com um certo ruído, tendo em vista se tratar de assunto que provoca polêmica ou, no mínimo, bate-boca, um e-mail assinado pelo meu amigo Juca Kfouri.

Deseja o Juca com certa urgência uma comparação entre as seleções brasileiras do bicampeonato do mundo.

Estivesse com pressa ou preguiça, responderia de bate-pronto ou sem-pulo: "ora, Juca, como comparar produtos incomparáveis?"

E emendaria:"manda questão mais dura de ser respondida, pois essa eu tiro de letra".

Mas a polêmica e o futebol nasceram no mesmo dia - provavelmente na mesma hora - e nunca mais se separaram, daí o ruído que ouvi na chegada do e-mail do Juca.

E tirar de letra, eu?

Eu que travo com as letras brigas terríveis, tropeçando em crases e advérbios, compondo sem pudor linhas tortas, tortíssimas, tão tortas como as pernas de Garrincha.

Bem, para realizar a comparação pedida pelo Juca nem me darei ao trabalho de buscar socorro nos almanaques, uso a memória que ultimamente, aliás, anda a falhar.

Usei, sim, a pesquisa apenas para pegar as escalações.

O resto vem na onda que ainda me rola no coração e que me deixa a alma a aplaudir..

Tivemos (tanto em 58 como em 62) seleções de sonhos, equipes não de craques, mas de deuses da bola.

Misturem os dois times, peguem nossos bicampeões, joguem no liquidificador da história e lhes garanto que sairá bom caldo, um néctar para se sorver de joelhos com as mãos estendidas.

Dois timaços.

E ouso afirmar daqui que nunca se viu em copas - ou seja onde for - times como esses.

E sabe por que cometo tamanha ousadia?

Porque foram times que juntaram Pelé e Garrincha de uma só tacada.

Com direito a Didi e Nílton Santos.

Meu Deus, isto existiu?

Didi, o Príncipe Etíope do meio de campo. Nilton, a Enciclopédia do Futebol.

Não perderei daqui tempo a contar que Pelé e Garrincha começaram como reservas em 58 (falo sério).

Nem mesmo ficarei a descrever a contusão de Pelé de 62, aquela cena em que o negão leva a mão à perna e se despede do Mundial.

São histórias corriqueiras, que os avós e bisavós até hoje ficam a contar e a recontar ao meninos.

Gente, citei Nílton Santos e reparo que os santos nos foram gentis.

Na esquerda, Nílton; na direita, Djalma. Santos! Cracaços!

Na zaga, Bellini e Mauro? Gêmeos de futebol. Nossos capitães de físico invejável a nos garantir a saúde da área.

No meio de campo? Orlando, admirável em 58. Zózimo, notável em 62. Zito, ah, nem vou comentar.

No ataque? Vavá era o centroavante que ainda nos dá saudades. Pelé saiu machucado? Amarildo, raçudo como o capeta, entrou para decidir.

E o mais curioso dessas Copas: quando Pelé se lesionou em 62, Nílton Santos brincou com Garrincha:

"Compadre, você vai ter que resolver isso sozinho".

Senhores, creiam: Mané levou o caso ao pé da letra. Foi Pelé e Garrincha a um só tempo.

Termino essas linhas arriscando uma conclusão.

As duas seleções foram as melhores da nossa história.

E um jogo hipotético entre as elas, daria empate.

Os campeões de 70 que me perdoem.

Mas do alto dos meus devaneios, a de 58 seria ouro, a de 62 levaria prata, ficando o time do México com o bronze.

*João Areosa é colunista do "Jornal dos Sports".




Escrito por Juca Kfouri às 00h01
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