Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

12/01/2008

Votações encerradas

*Por CONRADO GIACOMINI

 

Por 103 votos a 11, venceu a seleção de 1958. Cinco internautas cravaram empate. Os outros votos foram anulados.

 

Finda a terceira rodada, o escrete que nos deu o primeiro título mundial assume a liderança isolada entre os especialistas. Na classificação do público, ele divide a ponta com o time do tri.

 

Tabela dos especialistas

 

                           Pontos Ganhos  Jogos   Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1958:  7 pontos                  3              2               1              0   

2º. Brasil/1970:  5 pontos                  3              1               2              0

-    Brasil/1982:  5 pontos                  3              1               2              0

-    Brasil/1962:  5 pontos                  3              1               2              0

5º. Brasil/1994:  1 ponto                    3              0               1              2

6º. Brasil/2002:  0 ponto                    3              0               0              3

 

Tabela do público

 

                           Pontos Ganhos  Jogos  Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1958:  9 pontos                 3             3               0               0

-    Brasil/1970:  9 pontos                 3             3               0               0

3º. Brasil/2002:  3 pontos                 3             1               0               2

 -   Brasil/1982:  3 pontos                 3             1               0               2

-    Brasil/1962:  3 ponto                   3             1               0               2

6º. Brasil/1994:  0 ponto                   3             0               0               3

 

No domingo, inaugurando a quarta e penúltima rodada, José Geraldo Couto pontificará sobre a peleja entre o Brasil de 1970 e o Brasil de 2002.

 

* Conrado Giacomini é o ombudsman deste blog e entende que Aldair foi o melhor jogador da seleção brasileira tetracampeã.

Por Juca Kfouri às 01h32

11/01/2008

Feola contra Parreira (1958x1994)

Copa dos Sonhos II

*Por PAULO ROBERTO FALCÃO

Eu tinha cinco anos de idade quando o Brasil ganhou sua primeira Copa, em 1958, mas lembro-me de ver meu pai com os ouvidos colados no rádio para acompanhar os dribles de Garrincha e os gols de Pelé.

Em 94, acompanhei a Copa como treinador da seleção japonesa.

Cheguei a ir aos Estados Unidos, vi dois jogos do Brasil ao vivo e os demais pela tevê.

Do time da primeira conquista, vi apenas filmes, vídeos e alguns jogadores em fim de carreira.

Mas ouvi muitos relatos, inclusive de um adversário ilustre daquela final _ o sueco Nils Liedholm, recentemente falecido, que foi meu técnico na Roma e autor de um gol contra o Brasil.

Sei bem que o time de 58, treinado por Feola, utilizava um ousado 4-2-4, com quatro zagueiros, dois jogadores no meio campo e um ataque com dois pontas abertos e dois homens de meio de área.

Mas Pelé e Zagallo davam uma ajudinha ao meio campo. Zagallo, inclusive, orgulha-se de ter sido um atacante que voltava para o combate.

Já o time de Parreira optou por um esquema bastante defensivo, com quatro zagueiros, três volantes, um armador e apenas dois homens de frente, Bebeto e Romário.

Era um 4-4-2 que às vezes se transformava em 3-5-2, com Mauro Silva atuando como terceiro zagueiro.

São dois esquemas táticos quase antagônicos e seria bem curioso vê-los em confronto.

Porém, não há como comparar jogadores de épocas diferentes, pois as mudanças na preparação física, no material esportivo e até mesmo na interpretação das regras do jogo fazem o futebol atual parecer outro esporte em relação ao de cinco décadas atrás.

Ainda assim, descontados esses fatores, pode-se imaginar um jogo unilateral, com o time de Feola partindo para o ataque e o time de Parreira tentando segurar Garrincha, Pelé e Vavá, para encontrar Bebeto e Romário livres em raros contra-ataques.

Jogando assim, os dois times foram vencedores.

Tenho dúvidas se também o seriam fora de suas respectivas épocas.

Mas, se fosse possível um confronto direto, acredito que o vencedor seria a equipe com mais craques.

A de 58 daria banho.

3 a 1, porque Romario único craque de 94, não deixaria de marcar o seu gol. 

*Paulo Roberto Falcão é colunista do jornal "Zero Hora" e comentarista da Rede Globo de Televisão.

Por Juca Kfouri às 00h02

10/01/2008

A decisão do torcedor

*Por CONRADO GIACOMINI

Na mais equilibrada contenda da Copa dos Sonhos II até o momento, deu o time do bi: 91 a 71.

 

Oito votos apostaram no empate e o restante foi composto de comentários afins e votos repetidos.

 

Com a vitória, a seleção de Mané, Didi, Vavá e Amarildo compartilha a liderança da classificação dos críticos.

 

Entre os blogonautas, a ponta segue firme com o time de 1970.

 

Tabela dos especialistas

 

                           Pontos Ganhos  Jogos   Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1970:  5 pontos                  3              1               2              0

-    Brasil/1982:  5 pontos                  3              1               2              0

-    Brasil/1962:  5 pontos                  3              1               2              0

4º. Brasil/1958:  4 pontos                  2              1               1              0

5º. Brasil/1994:  1 ponto                    2              0               1              1

6º. Brasil/2002:  0 ponto                    3              0               0              3

 

Tabela do público

 

                           Pontos Ganhos  Jogos  Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1970:  9 pontos                 3             3               0               0

2º. Brasil/1958:  6 pontos                 2             2               0               0

3º. Brasil/2002:  3 pontos                 3             1               0               2

 -   Brasil/1982:  3 pontos                 3             1               0               2

-    Brasil/1962:  3 pontos                 3             1               0               2

6º. Brasil/1994:  0 ponto                   2             0               0               2

 

Amanhã, no encerramento da terceira rodada, Paulo Roberto Falcão cuidará da lide entre os campeões de 1958 e 1994.

 

* Conrado Giacomini é o ombudsman deste blog e pensa que Rivaldo foi o grande craque da Copa de 2002.

 

Por Juca Kfouri às 00h03

09/01/2008

Jogo duro? Jogo duríssimo! (1962x2002)

Copa dos Sonhos II

*Por RENATO MAURÍCIO PRADO 

Juca, meu bravo, jogo duro, hein? Duríssimo.

Não exatamente pelo confronto técnico (em que vejo a seleção de 62, mesmo sem o Pelé, em evidente vantagem), mas pelo preparo físico das duas equipes, em cada um dos respectivos Mundiais.

A de 62 já veterana, com muitos jogadores acima dos 30 (ou quase lá) e a de 2002 na ponta dos cascos.

Mas vamos dar asas à imaginação e deixar rolar a bola da fantasia...

Felipão, velho malandro, não ia deixar o Mané solto, ainda mais tendo à marcá-lo o Roberto Carlos (que mesmo antes do "meião de 2006, nunca foi de guardar posição).

Certamente, deslocaria para vigiar o Garrincha, também o Kléberson ou o Gilberto Silva (quem sabe os dois...).

E com a sua maior arma, inicialmente, anulada, creio que o time de 2002 poderia começar dominando a partida, na base do talento de Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho e do vigor de Ronaldo Fenômeno.

Pressão no campo todo, Didi e Zito meio perdidos, diante da correria dos "moleques" e... pronto!

Numa cobrança de falta, na entrada da área (há quem diga que fora pênalti, de Nílton Santos em Ronaldinho Gaúcho, mas a "Enciclopédia" deu dois passinhos adiante e o "truque" colou, de novo...), Rivaldo bate no ângulo, Gilmar se estica e ainda espalma, mas, caprichosamente, a pelota toca no travessão e volta, na marca do pênalti para... Ronaldo Fenômeno: 1 a 0.

Feridos em seus brios, os "velhinhos" reagem.

Zagallo (recuado, como sempre) cola em Rivaldo, Zito gruda em Ronaldinho Gaúcho e a defesa, aproveitando-se do esquema de Felipão, sem pontas, passa a atuar com Nílton Santos de líbero!

E a partida começa a mudar de fisionomia.

Ao final do primeiro tempo, num passe longo e oblíquo ("dissimulado, como o olhar de Capitu", escreveria mestre Armando), Didi coloca Amarildo na cara do gol e o "Possesso" ainda se dá ao luxo de deixar Roque Júnior sentado, com uma ginga desmoralizante, antes de encobrir Marcos.

Um golaço: 1 a 1.

Felipão enlouquece, à beira do gramado, manda o seu time pra frente e, no intervalo, exige a vitória a qualquer custo:

- Vocês não vão perder pra esse bando de "senhores", não é?

Do outro lado, Aimoré Moreira, faz preleção para um homem só:

 - Didi, vamos usar mais o Mané!

- Mas ele está sempre vigiado por dois ou três - justifica-se o craque.

 - E desde quando isso foi problema? - pergunta, sorridente, o próprio Garrincha que, ajeitando as chuteiras, se aproximou, como quem não quer nada, para ouvir a conversa.

Voltam os times a campo e, querendo a vitória a qualquer custo, Felipão lança Luizão, no lugar de Kleberson, para dar mais força ao ataque.

Mas, quando a bola rola, Didi toca para Mané e este, como de costume domina e pára, na ponta-direita.

 À sua frente, Roberto Carlos, Gilberto Silva e, mais atrás, na cobertura, Roque Jr.

Ele ginga uma vez, duas, três e parece não estar muito disposto a sair do lugar.

De repente, simula um passe pro lado e "zás-trás", parte como um raio, rumo à linha de fundo.

O carrinho de Roberto Carlos encontra o vazio, a cobertura de Gilberto Silva é vã e Roque Jr., dizem as más línguas, até hoje está procurando por onde o Mané passou...

Quase saindo com bola e tudo, Garrincha ergue a cabeça e alça o cruzamento.

No peito de Vavá, que mata e fuzila Marcos, sem apelação. 2 a 1!

Felipão se desespera, manda baixar o sarrafo e "escarrar" no "Torto", mas seu time já está descontrolado.

Didi, Zito, Zagallo e Nílton Santos tocam a bola com categoria e fazem o tempo passar.

Ronaldo, numa arrancada solitária, ainda acerta o travessão de Gilmar, mas Djalma Santos se antecipa a Luizão e evita o gol, no rebote.

Cafu e Roberto Carlos se mandam desesperadamente para frente e é, nas costas deles, que Amarildo e Mané fazem a festa, nos contra-ataques.

Num deles, o Possesso é derrubado próximo à entrada da área e Didi, de folha seca, marca o terceiro gol dos "canarinhos" de 62.

Ao apagar das luzes, Rivaldo ainda desconta, concluindo uma tabela com Ronaldinho Gaúcho, mas, dada a saída, Mané pega a bola, enfileira Roberto Carlos, Gilberto Silva, Roque Jr. e Lúcio e toca, de mansinho, na saída do já atarantado Marcos.

4 a 2 e fim de papo no Maraca (claro que esse jogo teria que ser lá).

Na saída do gramado, Nílton Santos abraça Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho e, com um cafuné na cabeça de cada um, profetiza:

- Vocês ainda serão os melhores do mundo!

 Mas não agora! - completa, com um sorriso maroto o Mané.

Que, com justiça, sai de campo aplaudido de pé. Até pelos adversários, todos eles, na verdade, seus grandes admiradores. 

*Renato Maurício Prado é colunista de "O Globo", comentarista do Sportv e do primeiro time da imprensa esportiva brasileira.

Por Juca Kfouri às 00h04

08/01/2008

O veredicto dos jurados

*Por CONRADO GIACOMINI

191 votos foram contabilizados. 110 escolheram a seleção de 1970, 28 preferiram o Brasil de 1982 e 17 concordaram com o empate previsto na belíssima crônica de Antero Greco. Os demais votos foram anulados.

 

Com este resultado, o escrete de Pelé, Gérson, Tostão, Rivellino & Cia assume a liderança isolada entre os internautas.

 

Já na classificação da crítica especializada, a equipe de Mestre Telê divide a ponta com o esquadrão do tri.

 

Tabela dos especialistas

 

                           Pontos Ganhos  Jogos   Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1970:  5 pontos                  3              1               2              0

-    Brasil/1982:  5 pontos                  3              1               2              0

3º. Brasil/1958:  4 pontos                  2              1               1              0

4º. Brasil/1962:  2 ponto                    2              0               2              0

5º. Brasil/1994:  1 ponto                    2              0               1              1

6º. Brasil/2002:  0 ponto                    2              0               0              2

 

Tabela do público

 

                           Pontos Ganhos  Jogos  Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1970:  9 pontos                 3             3               0               0

2º. Brasil/1958:  6 pontos                 2             2               0               0

3º. Brasil/2002:  3 pontos                 2             1               0               1

 -   Brasil/1982:  3 pontos                 3             1               0               2

5º. Brasil/1962:  0 ponto                   2             0               0               2

-    Brasil/1994:  0 ponto                   2             0               0               2

 

Na próxima quarta, Renato Maurício Prado discorrerá sobre o confronto entre os times de 1962 e 2002.

 

* Conrado Giacomini é o ombudsman deste blog e, como Washington Olivetto, estudou imparcialidade com Juca Kfouri.

 

Por Juca Kfouri às 00h03

07/01/2008

Sucrilhos com banana (1970x1982)

Copa dos Sonhos II

*Por ANTERO GRECO

Sabe aqueles sonhos tão intensos e cheios de detalhes que até parecem verdade?

Daqueles que a gente acorda suado e com o coração disparado?

Que nos fazem ficar com vontade de dormir de novo para ver se tem a continuação?

Pois é, tive um desses durante a semana e queria compartilhá-lo com vocês.

Sou notívago, por vocação e por ritmo de trabalho.

Saio sempre tarde, ou do ‘Estadão’ ou da ESPN/Brasil.

Em geral, chego em casa com a adrenalina lá em cima e levo um tempão até baixar a bola.

Como qualquer ser humano minimamente normal.

Tenho também uma fome crônica e traço o que tiver na geladeira.

Pareço a Magali. Só consigo dormir se forrar o estômago.

Como não sou mais criança, abri mão dos sanduíches de mortadela ou pratos de macarrão na madrugada e voltei a fazer refeições de ... criança.

Agora, só tomo leite com sucrilhos (sei, o correto é dizer flocos de milho) com uma fruta.

Na quinta-feira, escolhi colocar banana prata picada. Estava muito bom.

Estômago acalmado, fui pra cama e peguei no sono logo.

De repente, me vi sentado numa tribuna de imprensa, com a minha Hermes Baby cor de laranja, um bloquinho de notas e uma canetinha bic .

(Epa, antes de prosseguir, um esclarecimento: você sabe o que é uma Hermes Baby? Não é lap top de última geração, mas máquina de escrever portátil. Macia e barulhenta. Ainda se encontram algumas em lojas de antiguidades.)

Não conseguia distinguir com clareza qual era o estádio. Em alguns momentos, tinha a impressão de que era o Azteca, no México.

Em outros, me via no Sarriá, em Barcelona. Aquilo começava a me incomodar. Onde eu estava, afinal?

Enquanto tentava me achar, dois times com a camisa da seleção brasileira entravam em campo.

‘Não é possível’, pensei. ‘É Brasil contra Brasil?’, me perguntava.

Arregalei os olhos quando vi Carlos Alberto puxando uma fila e o doutor Sócrates encabeçando outra.

E atrás deles apareciam Brito, Piazza, Clodoaldo, Gerson, Tostão, Pelé, Oscar, Luizinho, Cerezo, Falcão, Serginho.

Meu coração disparou. "Será que eles vão se enfrentar?", me questionava. "A turma do tri de 70 contra o time do Telê?"

Mal deu tempo de esfregar os olhos e lá estavam Carlos Alberto e Sócrates trocando flâmulas (uma da CBD e outra da CBF) e vendo a moedinha subir.

Na beira do gramado, Zagallo com suas costeletas esbranquiçadas abraçava Telê Santana, com suas suíças grisalhas e já mascando palitinho para disfarçar a tensão.

Os dois se conheciam de longa data: Zagallo era ponta-esquerda do Botafogo, Telê, ponta-direita do Fluminense, em duelos que travaram nos anos 60.

O juiz não consegui ver bem: ora parecia o alemão oriental Glockner, da final de 70; ora, tinha quase a certeza de que era o israelense Klein, do fatídico 5 de julho de 82.

De qualquer forma, os dois estavam ligados à Itália.

Aliás, a Azzurra marcou a trajetória dessas duas equipes.

Uma faturou a Jules Rimet pra sempre em cima do time dos meus ascendentes, com 4 a 1.

Outra foi embora pra casa mais cedo, porque perdeu por 3 a 2.

Enquanto eu pensava nisso, a bola já rolava.

Mansamente, de pé em pé, sem pressa, com cadência, acariciada.

Não era maltratada, nem quando Brito e Serginho se chocavam; ela sofria, no máximo, uma escoriação de nada.

Clodoaldo, Gerson, Rivellino, Tostão, Pelé pareciam um quinteto de cordas, num concerto de câmera.

Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico estavam numa roda de samba formada por bambas.

Toca daqui, toca dali, Júnior aparece livre pela esquerda, toca para Éder, que cruza para a área. Serginho fura, mas o doutor Sócrates apara no peito, engana Piazza e toca rasteiro, sem chance para Félix.

Aplausos no estádio (Azteca? Sarriá?).

A seleção de 82 faz 1 a 0, com 10 minutos só de jogo.

Carlos Alberto chama Brito e Everaldo, diz alguma coisa no ouvido deles, leva a bola pro meio de campo.

Logo na saída, Tostão toca pra Gerson, que lança Jairzinho. O Furacão desembesta, deixa Luizinho perdido e chuta; a bola bate na trave e Valdir Perez sorri, um riso nervoso, aliviado.

‘O tempo passa’, narrava Fiori Gigliotti, e não é que a surpresa aumenta?

25 minutos: Leandro vê um corredor pelo lado direito, arranca pro ataque, recebe passe de Zico, vê Falcão na entrada da área e diz: ‘É sua!".

O Rei de Roma enche o pé. Era sonho mesmo: Brasil de 82 faz 2 a 0 no Brasil de 70.

O estádio se divide em aplausos e incredulidade.

O tira-teima ia ficar nisso?

Nem por sonho!

O segundo tempo começa com Pelé disposto a acabar com a brincadeira daqueles garotos.

O Rei dá uma entortada em Cerezo, abre pra Rivellino na esquerda e corre pra área. Oscar e Luizinho tentam adivinhar pra onde Pelé vai. Só se dão conta de que a dúvida era inútil, quando vêem o Negão subir no segundo andar e cabecear. Gol! Valdir Perez nem piscou.

Telê se agita no banco, percebe que aquele gol pode mexer com seu time.

E o pressentimento do Mestre tinha fundamento.

O Brasil de 70 cresce, Gerson passa a dominar o meio-campo, Pelé encontra seu espaço, Tostão desmonta a defesa de 82.

Resultado: aos 15 minutos, Jairzinho pega rebote de Valdir e empata.

"Agora a cobra vai fumar", pensei. E fumou.

Era cá e lá, os dois times com seu arsenal de jogadas vistosas, de dribles astutos, de lances de gol.

O time de 70, mais experiente, controlou melhor os nervos e virou.

Pois é, virou, aos 38, com Tostão, num passe milimétrico de Gerson, de antes do meio de campo.

"Acabou", batuquei na minha Hermes Baby.

Eram 43 do segundo tempo e o Brasil de 82 tinha um escanteio.

Éder bate do lado direito, com efeito; Oscar aparece do nada, cabeceia forte, Felix se esparrama, faz a defesa, mas o bandeirinha viu que a bola entrou. Por milímetros, mas entrou! 3 a 3!!!

Que jogaço!", eu vibrava, chutava o ar.

"Ei, o que você tá fazendo, Antero?! Tá tendo pesadelo?!"

"Ah, o quê?! Espera que ainda tem dois minutos de jogo."

"Esperar o quê, italiano?!. Tá maluco?"

"Maluco nada. O Oscar empatou, mas ainda tem jogo."

"Pára com isso e vê se fica quieto."

Era a Leila, que me chacoalhava, porque me ouviu urrar.

"Tive um sonho", eu disse pra ela. "Preciso ver como acaba."

Tentei de tudo, mas não dormi mais. Não sei como terminou aquele clássico.

De qualquer forma, tomei uma decisão: não tomo mais leite com flocos e banana antes de dormir.

Vai que eu tenha pesadelos com Cruyff, Caniggia, Paolo Rossi, Zidane.

Não quero isso de novo, não.

*Antero Greco é colunista de "O Estado de S.Paulo" e comentarista da ESPN-Brasil e seria mesmo um sonho se todos os jornalistas fossem como ele.

Por Juca Kfouri às 00h02

06/01/2008

Os números do embate

*Por CONRADO GIACOMINI

O blog contou 129 participações. 58 decidiram pelo time de Feola; 36, pela "Família Scolari"; e 10, pelo empate. Os outros votos foram desconsiderados.

Concluída a segunda rodada, as duas seleções favoritas, a de 1958 e a de 1970, despontam na liderança das duas classificações, a dos especialistas e a do público.

Tabela dos especialistas

 

                           Pontos Ganhos  Jogos   Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1958:  4 pontos                  2              1               1              0

-    Brasil/1970:  4 pontos                  2              1               1              0

-    Brasil/1982:  4 pontos                  2              1               1              0

4º. Brasil/1962:  2 ponto                    2              0               2              0

5º. Brasil/1994:  1 ponto                    2              0               1              1

6º. Brasil/2002:  0 ponto                    2              0               0              2

 

Tabela do público

 

                           Pontos Ganhos  Jogos  Vitórias   Empates  Derrotas

1º. Brasil/1958:  6 pontos                 2             2               0               0

-    Brasil/1970:  6 pontos                 2             2               0               0

3º. Brasil/2002:  3 pontos                 2             1               0               1

 -   Brasil/1982:  3 pontos                 2             1               0               1

5º. Brasil/1962:  0 ponto                   2             0               0               2

-    Brasil/1994:  0 ponto                   2             0               0               2

Na segunda-feira, abrindo a terceira rodada, Antero Greco imaginará o duelo entre os Brasis de 1970 e 1982.

* Conrado Giacomini é o ombudsman deste blog e considera a seleção brasileira de 1958 o melhor time de futebol de todas as épocas.

Por Juca Kfouri às 00h04

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico