Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

01/03/2008

Tenha dó, Santos

Perder para o Sertãozinho, mesmo fora de casa, já é dose.

Mas não jogar nada, como Santos não jogou, e ainda ter de agradecer que a derrota tenha sido só de 1 a 0 é demais.

E o time interiorano mereceu sim ganhar de, pelo menos, 3 a 0.

Dá uma saudade do Robinho, principalmente depois de vê-lo entrar em campo e, com dois gols, virar o placar a favor do Real Madrid...

O primeiro gol, aos 30 do segundo tempo, assim que entrou em campo, recuperado de contusão.

E o segundo, aos 45, de cobertura, golaço, 3 a 2 no Recreativo Huelva.

E o Santos, de novo, de namoro com a zona de rebaixamento.

Por Juca Kfouri às 18h55

A culpa da imprensa

Tudo que acontecido com Adriano é culpa da imprensa, segundo ele mesmo.

A mesma imprensa que apostou que o São Paulo fazia bem em tentar recuperá-lo.

A mesma imprensa que começou a achar um certo exagero quando o São Paulo anunciou que traria, também, Carlos Alberto.

Carlos Alberto que está fora do jogo de amanhã porque pisou num caco de vidro em casa e teve de dar três pontos no pé direito.

Tudo bem, acidentes domésticos acontecem.

Mas perguntar não ofende: quantos casos você conhece de atleta profissional que ficou fora de um jogo por ter pisado num caco de vidro em casa?

Carlos Alberto, ao menos por enquanto, não botou a culpa na imprensa.

Por Juca Kfouri às 18h35

Está na 'Der Spiegel', a mais importante revista alemã

Caso de corrupção mancha o futebol internacional


Altos dirigentes do esporte teriam recebido mais de 18 milhões de francos suíços em subornos para acordos de TV e merchandising. A Fifa está envolvida e o caso na Suíça exporá um sistema de subornos -e talvez aqueles que os aceitaram



Para Joseph Blatter, a Federação Internacional de Futebol, a Fifa, é uma entidade que une o planeta, uma organização na qual valores como decência, moralidade e respeito mútuo predominam. Blatter é suíço e preside a entidade de 208 associações membros (ou 260 milhões de jogadores de futebol) desde 1998. Blatter considera a Fifa uma obra de arte complexa, ética -algo entre a ONU e a Anistia Internacional, uma que há muito deveria ter recebido um Prêmio Nobel da Paz.

Mas também há outra visão da organização, uma que pinta a Fifa como uma máquina global de imprimir dinheiro, arrecadando centenas de milhões de francos suíços por ano, com receitas de mais de 3 bilhões de francos suíços apenas entre 2003 e 2006.

Há menos de um ano, Blatter inaugurou a nova sede da Fifa em Zurique, que custou 240 milhões de francos. Agora ele pode passar seu tempo lá sonhando com o Nobel da Paz. Cinco dos oito andares do prédio são subterrâneos -evidência para seus adversários de que megalomania e cegueira são os verdadeiros princípios por trás de seu mandato.


Desde sua eleição há 10 anos, Blatter se defende da acusação de que a Fifa pode ser comprada. Ele nega consistentemente a existência de qualquer corrupção. "Eu não sou subornável", ele já disse em uma entrevista. "Caso contrário, você pode cortar fora minhas duas mãos."

Mas agora, investigadores suíços descobriram que dirigentes esportivos, incluindo representantes da Fifa, podem ter recebido subornos no valor de milhões. O gabinete do procurador-geral no cantão de Zug, Suíça, redigiu uma queixa-crime de 228 páginas, que inclui extenso testemunho e evidência de um sistema de suborno.

Os promotores compilaram esta informação para um caso contra seis ex-diretores da Ismm, uma holding que cuida de mídia esportiva e direitos de marketing. O julgamento do caso em Zug está marcado para 11 de março. Aparentemente, a empresa usava pagamentos secretos para comprar apoio de dirigentes-chave ligados à concessão de direitos exclusivos do futebol.

O caso também envolve a segunda maior falência na história econômica da Suíça. A Ismm teve que pedir falência em maio de 2001, depois que a empresa atualizou seu portfólio em preparação para abrir seu capital e ficou financeiramente em risco ao tentar se expandir. A empresa não apenas garantiu à Fifa um pagamento de pelo menos 2,2 bilhões de francos suíços pelos direitos de televisão e marketing da Copa do Mundo de Futebol de 2002 e 2006; a Ismm também usou sua subsidiária, a ISL Worldwide, para assegurar direitos de quase todos os grandes eventos esportivos, freqüentemente a preços inflacionados.

Um acordo fechado com a organização de tênis ATP, em 1999, que custaria à agência US$ 1,2 bilhão em um período de 10 anos, colocou a Ismm em situação financeira precária. Segundo os investigadores, a Ismm e a ISL Worldwide perderam mais de 860 milhões de francos apenas no ano fiscal de 2000.

O tribunal agora terá que decidir se os executivos das duas empresas recorreram a algum crime para prevenir o colapso de seu império de direitos esportivos. O gabinete do procurador-geral em Zug está acusando os réus de apropriação indébita, fraude, tratamento preferencial a credor, prejuízo a credores e falência fraudulenta. Ele pedirá penas de prisão de três a quatro anos e meio. Os advogados dos réus argumentam que seus clientes devem ser inocentados de todas as acusações e exigem compensação pelas despesas legais de seus clientes.

Uma teia mundial
Thomas Hildbrand, o juiz-investigador extraordinário que, como Blatter, vem da minúscula cidade suíça de Visp, no cantão de Wallis, passou três anos pesquisando os motivos por trás da falência da Ismm. Ele foi até o Brasil e Japão para interrogar testemunhas.

As viagens de Hildbrand também o levaram a Liechtenstein, onde ele descobriu os meios que os promotores acreditam que foram utilizados pela Ismm para subornar os dirigentes esportivos.

Como no recente caso de escândalo fiscal de Klaus Zumwinkel, um ex-presidente do serviço postal alemão, empresas obscuras tiveram um papel chave aqui. Uma se chamava Nunca, estabelecida em Vaduz, capital de Liechtenstein, em 1998. A Sunbow, a segunda empresa, foi criada mais de um ano antes nas Ilhas Virgens Britânicas, até ser adquirida pela Nunca em 8 de fevereiro de 1999.

Mesmo na Ismm, cujo nome era Sports Holding AG no final dos anos 90, apenas alguns poucos estavam cientes dessas conexões. As duas empresas não aparecem nos balancetes ou organogramas do grupo complexo. Mas os investigadores acreditam que eram claramente "unidades de negócios econômicos" da Ismm.

A Sunbow se tornou cliente do LGT, o mesmo banco que executivos alemães como Zumwinkel aparentemente usavam para driblar os impostos alemães. A conta Nº 193.223.31 da Sunbow logo se tornou altamente movimentada. No final de maio de 1999, a soma de 36.130.220 francos foi depositada na conta. O pagamento veio da conta da Sports Holding AG no Banque Nationale de Paris. O memorando anexado dizia: "Custos de direitos de aquisição".

Entre 3 de junho de 1999 e 15 de janeiro de 2001, a fortuna multimilionária da Sunbow se desfez em um saldo de apenas 2.134,90 francos. Os investigadores acreditam que 18.198.310 francos foram "transferidos para as contas de indivíduos que estavam direta ou indiretamente associados aos contratos fechados pelo grupo Ismm. Esses valores eram agrados ou subornos".

É o que dizem na queixa-crime.

Os promotores acreditam ter identificado até o momento dois dirigentes da Fifa que receberam subornos. A Sunbow aparentemente pagou 211.625 francos, em dois pagamentos separados, para o paraguaio Nicolás Leoz, o presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol, que é membro do conselho executivo da Fifa desde 1998. Pouco antes do Natal de 1999, Muhidin Ndolanga, o então presidente da Federação de Futebol da Tanzânia, supostamente recebeu 15.975 francos. Ndolanga nega a alegação, enquanto Leoz se recusou a comentar.

Os milhões restantes inicialmente se espalharam em um labirinto de empresas de fachada. A Sicuretta, uma empresa registrada em Vaduz, recebeu 5.873.224 francos suíços. A Taora, outra empresa de Liechtenstein, recebeu 5.123.206 francos. Segundo os investigadores, quatro milhões de francos foram para a Gilmark Holdings, uma empresa registrada em Hong Kong, enquanto outros 2.564.630 francos aparentemente foram transferidos para a Renford Investments Ltd.

Os investigadores estão convencidos de que o dinheiro foi então transferido dessas entidades para dirigentes corruptos. Mas os traços foram apagados. Os promotores acreditam que pelo menos um homem sabe os nomes dos beneficiários, mas ele é o principal réu no caso: Jean-Marie Weber, 65 anos, o ex-presidente do conselho supervisor da Ismm.

Durante as audiências, Weber se comportou como Helmut Kohl, o ex-chanceler alemão e presidente do partido conservador União Democrata Cristã (CDU), quando confrontado com as acusações de contribuições ilegais ao partido. Ele manteve seus segredos para si mesmo. Os pagamentos, disse Weber sob juramento, eram "confidenciais" e pretendia respeitar este "princípio de confidencialidade". Weber mencionou "comissões" e "taxas" que foram pagas "em paralelo à compra ou venda de direitos".

Um advogado da pequena cidade suíça de Baar descreveu para os investigadores como Weber operava discretamente. O advogado administrou os quase seis milhões de francos que foram transferidos da Sunbow para a Sicuretta, uma das empresas de fachada, em oito pagamentos separados. O advogado disse que toda vez sacava toda a soma em dinheiro e a entregava a Jean-Marie Weber -sem recebimento de recibo.

Segundo o advogado, o dinheiro era reservado para "aquisição de direitos". O advogado fazia parte da rede. Weber o convidou para ir a uma partida de futebol da Copa do Mundo em Paris, em 1998, onde ele foi apresentado ao recém-eleito presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Weber e Blatter se conhecem desde os anos 70, quando ambos trabalhavam estreitamente com o ex-presidente-executivo da Adidas, Horst Dassler, na divisão corporativa da empresa alemã na região da Alsácia, na França. Blatter era o diretor técnico da Fifa, enquanto Weber era o assistente pessoal de Dassler. Dassler reconheceu desde cedo quanto potencial de marketing inexplorado as grandes competições esportivas tinham para sua empresa. E por sempre ter desfrutado das melhores relações com os dirigentes da Fifa e do Comitê Olímpico Internacional, Dassler fundou a agência ISL em 1982. Ele logo obteve contratos de merchandising tanto para a Copa do Mundo quanto para os Jogos Olímpicos.

"Cultivando Relacionamentos"
Esta fase pioneira foi provavelmente o período em que Jean-Marie Weber aprendeu a arte do suborno. A rápida ascensão da agência ISL para a posição de líder global do setor, seguida por sua falência após 20 anos (que acabou quando a Ismm a adquiriu), aparentemente caminhou desde o início de mãos dadas com abundantes verbas para suborno. Um réu disse aos investigadores que desde a fundação, a ISL esteve envolvida no "tratamento preferencial de personalidades importantes nos esportes para promover suas políticas esportivas e metas econômicas".

Após a morte precoce de Horst Dassler da Adidas, em 1987, segundo documentos, Jean-Marie Weber assumiu o cargo de "cultivar relacionamentos". Natural da Alsácia, trabalhando sem um contrato de emprego formal e -na época da falência da Ismm- com um "salário base anual" de 870 mil francos suíços, ele se tornou uma das figuras mais misteriosas no setor dos esportes internacionais. Ele foi apelidado de "o homem com a lista negra" no setor.

Weber copiou Dassler, seu modelo. Ele usou a Sports Holding AG como eixo para "todo tipo de pagamentos que eram perigosos do ponto de vista fiscal". Os investigadores descobriram isso por meio de um advogado que estava familiarizado com os procedimentos internos.

Os problemas apenas começaram a ocorrer quando a Sports decidiu abrir seu capital no final dos anos 90, para levantar mais dinheiro para os negócios. Segundo um memorando interno, nenhum número "que pudesse ser interpretado como evasão fiscal" apareceria nos livros. Para manter as aparências, os milhões sujos seriam "transferidos para uma empresa na forma de uma doação única", como um dos réus descreveu os arranjos. Isto levou à criação da Sunbow e Nunca.

O gabinete do procurador-geral desfez este emaranhado de empresas por acreditar que a confusão visava prejudicar os credores da Ismm. Os 36 milhões de francos suíços que foram transferidos da Sports Holding AG para a Sunbow, disseram os promotores, foram escondidos em declarações financeiras consolidadas.

Agora os dirigentes da Fifa temem que Jean-Marie Weber possa entregar sua "lista negra". Weber poderá ser sentenciado a quatro anos e meio de prisão. Segundo as anotações de uma conversa telefônica realizada por um dos advogados de Weber, que foram obtidas pelos investigadores, "os recebedores desses fundos poderiam se ver em uma situação embaraçosa".

Blatter, o presidente da Fifa, se recusou a comentar para a "Spiegel" sobre o caso atual. Mas ao comentar seu próprio papel, ele declarou categoricamente: "Eu nunca -em concessão de direitos ou em outras circunstâncias- aceitei qualquer dinheiro, nem autorizei que qualquer dinheiro fosse aceito em meu nome".

Tradução: George El Khouri Andolfato

Por Juca Kfouri às 11h46

29/02/2008

São Paulo tetra?

Com quase 10 mil indicações (9745 para ser exato), 35,04% apontaram o São Paulo como o time brasileiro que irá mais longe na Libertadores.

Ir mais longe não significa, necessariamente, ser o campeão, é claro, mas está na cara que o tetra é possível para muita gente.

Para 28,22%, porém, o Flamengo está mais perto do bi.

Cruzeiro com 20,39%, Santos com 10,08% e Fluminense com 6,27% vieram a seguir.

Por Juca Kfouri às 16h41

Problemas no reformatório

Mais cedo do que se imaginava, a tentativa do São Paulo em recuperar Adriano dá dicas de que está indo para o espaço.

Adriano joga mal, comete atos de indisciplina, perde a cabeça, faz ameaças, vai embora do clube sem pedir autorização...

Uma lástima.

E Carlos Alberto enfrenta problemas físicos.

E Fábio Santos enfrenta problemas técnicos, além de prejudicar os desempenhos de Richarlyson e Hernanes.

Está na hora de acender uma luz amarela no Morumbi, antes que os prejuízos cheguem na Libertadores.

Por Juca Kfouri às 11h59

Chorar para mamar. Ou desviar

Luxemburgo chora.

E desvia.

Bebeto de Freitas chora.

E renuncia.

Leão chora.

E denuncia.

Antônio Carlos chora.

E anuncia.

O São Paulo inteiro chora.

Chorava todo mundo, aliás, mas agora todos choram mais.

Sim, Telê Santana também reclamava, como o Felipão, reclamão.

Em vez de reclamar do centrovante ou do goleiro, o experiente joga a culpa num terceiro e não admite que está com a cabeça em outro terreiro.

E desvia o foco da discussão.

O time está uma droga, não joga o dinheiro que custa, mas a culpa, repito, é do apito, do juizão.

Já o cartola renuncia e se licencia, para esquecer a renúncia que fazia.

Animal ferido, bota o dedo na ferida e denuncia que tem técnico que dá dinheiro para bandido.

E o discípulo do professor se irrita, para que a próxima derrota já tenha outro culpado na fita.

Chega!

É muita demagogia, é muita mentira, muito cinismo para que cada um não assuma suas responsabilidades, pura hipocrisia.

Ninguém faz uma crítica à estrutura, ninguém bota o dedo nas verdadeiras feridas, fica-se só neste joguinho de empurra, coisa burra.

Como nunca ninguém viu alguém quando é beneficiado reclamar, fica aqui o desafio, ingênuo, aos cartolas e técnicos, só para provocar: proponham uma nova partida quando seu time for por um erro ajudado.

Peçam desculpas ao adversário e dêem a ele a oportunidade de disputar novamente o jogo viciado.

Assim, certamente, quando seus times forem prejudicados e vocês chorararem, todos entenderão a queixa.

E ficarão solidários.

Nota do blog: texto de abertura da minha coluna na edição nacional da "Folha de S.Paulo" de ontem, quinta-feira, retomando o tema da choradeira e antecipando as queixas do fim de semana que chega.

Por Juca Kfouri às 11h16

Bissextos

Boa noite!

Bom dia!

É a primeira vez que nos vemos num dia como hoje.

E só voltaremos a nos ver daqui a quatro anos num dia como hoje.

Boa noite!

Bom dia!

Por Juca Kfouri às 23h21

O jogo do fim de semana

O jogo do fim de semana é o clássico paulista entre Corinthians e Palmeiras, uma rivalidade que tem mais de 90 anos.

O Morumbi será palco do derby de número 327, uma história na qual o Palmeiras se saiu melhor em 118 oportunidades e o Corinthians em 112.

Neste domingo, não há favorito.

Por mais que o elenco palmeirense seja melhor e o investimento alviverde muito maior, o fato é que o Corinthians está num momento mais feliz e mais descansado, porque folgou no meio de semana, diferentemente do rival.

O Corinthians também está na frente do rival na tábua de classificação e se vencê-lo deverá decretar sua eliminação das semifinais, ou seja, mais um ano na fila, pois desde 1996 que o Palmeiras não ganha o Campeonato Paulista.

Já foram vendidos mais de 30 mil ingressos e a expectativa é a de Morumbi com lotação recorde, pois o maior público até aqui foi de 41 mil pagantes para Corinthians e São Paulo e há 68 mil ingressos para o jogo deste domingo.

Por Juca Kfouri às 23h05

28/02/2008

Costa fora

O presidente da Comissão de Arbitragem da FPF, Marcos Marinho, acaba de dizer para o CBN EC que o árbitro Anselmo da Costa não apitará na Primeira Divisão paulista se permanecer como professor do IW(?)L.

Era mesmo o que tinha de fazer.

Por Juca Kfouri às 19h40

Trechos do inquérito que incrimina Dualib e Curi - Desvio entre R$ 1 milhão e meio a R$ 5 milhões e meio

Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado

Rua Minas Gerais, 316 – 5º andar – CEP: 01244-010 - Higienópolis

Tel:11 3017-7796 - Fax:11 3017-7787 – gaeco@mp.sp.gov.br 

 

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DE UMA DAS VARAS CRIMINAIS DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE SÃO PAULO

  

 

Autos do inquérito policial nº 050.07.063430-0/0000

 

Consta do incluso inquérito policial que, em dias e horários não determinados, no período compreendido entre janeiro de 2001 e janeiro de 2007, sempre nas dependências do Parque São Jorge, sede principal do Sport Club Corinthians Paulista, situado na rua São Jorge no. 777, Bairro do Tatuapé, nesta Cidade e Comarca de São Paulo, ALBERTO DUALIB, qualificado a fls. 1.558/1.559, JURACI BENEDITO, qualificado a fls. 1.569/1.570, MARCOS ROBERTO FERNANDES, qualificado a fls. 1.607/1.608, NESI CURI, qualificado a fls. 1621 e DANIEL ESPÍNDOLA DA CUNHA, qualificado a fls. 1602, associaram-se em quadrilha para o fim de cometer crimes de estelionato em detrimento daquela agremiação esportiva e, assim agindo, em concurso, com unidade de propósitos, todos voltados para um fim comum, obtiveram para si vantagens ilícitas consistentes no apossamento da quantia de R$ 1.433.333,00 (um milhão, quatrocentos e trinta e três mil, trezentos e trinta e três reais), em dinheiro e cheques, em prejuízo da vítima Sport Club Corinthians Paulista, mantendo os demais diretores e sócios do clube em erro, mediante meio fraudulento consistente em fazer supor, na contabilidade de notas fiscais sucessivas, que os pagamentos se davam de forma legítima, em contraprestação de serviços – na verdade inexistentes - a cargo das empresas denominadas "N.B.L. Serviços Contábeis, Consultoria e Assessoria Empresarial S/C Ltda"; "CSC Consultoria em Informática Ltda"; "Angulus-Ware Sistemas Ltda" e "Tecnosys Software S/C Ltda".  (...)

 

Segundo apurado nos autos, os denunciados Alberto Dualib e Nesi Curi, ocupando por vários anos cargos de diretoria do clube, com grande influência sobre os demais diretores, travaram contato com o denunciado Juraci, proprietário das empresas N.B.L. e CSC. Referida pessoa, de sua feita, tinha em seu poder, na qualidade de contador, talonários das empresas Angulus-Ware e Tecnosys, que embora não fossem de sua propriedade, eram geridas por ele. Feitas as tratativas iniciais, urdiram a trama de, em exploração da quadrilha, lesar o Corinthians por meio do apossamento de dinheiro pertencente ao clube. A dinâmica do crime passou, então, ao seu contorno definitivo: em atuação estável e permanente, com divisão de tarefas e hierarquia bem delineada, cabia a Juraci o fornecimento quinzenal ou mensal das notas fiscais das empresas N.B.L., CSC, Angulus-Ware e Tecnosys, referentes à prestação de serviços contábeis e consultoria em informática ao clube. Referidas assessorias, assim representadas pelas notas fiscais frias, justificavam o pagamento reiterado dos valores em dinheiro, em prejuízo da agremiação fraudada, já que, na realidade, os serviços não eram prestados. (...)

A despreocupação da quadrilha era tamanha e todos estavam tão seguros da absoluta impunidade, que, embora as empresas fossem diversas, com finalidades diferentes, as grafias lançadas no corpo das notas fiscais provinham, sempre, de um mesmo punho, evidenciando que os denunciados tinham pessoa certa para só preencher os documentos, manualmente, conforme evidenciado por meio do laudo pericial de fls. 1465/1469.  (...)

Com a obtenção das vantagens ilícitas representadas pelas quantias financeiras pagas a títulos de serviços que nunca foram prestados, o lucro financeiro resultante da operação era dividido proporcionalmente entre Nesi Curi, Alberto Dualib, Juraci Benedito, Daniel Espíndola e Marcos Roberto, assim mascarada a fraude em salários e vantagens pessoais ou, na maioria das vezes, sob a falsa rubrica de serviços de assessoria que nunca se realizaram. (...)

 

[1] A atuação dos denunciados na exploração de notas fiscais frias foi muito maior do que aquilo que se pôde constatar materialmente ao cabo das investigações (só com a apreensão de notas fiscais), não sendo despropósito concluir sobre a manipulação de valores muito superiores à soma daqueles documentos. As testemunhas ouvidas a fls. 549/553, 561/567 e 571/596, ex-integrantes do Conselho Fiscal do clube, estimaram em cerca de RS 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) o prejuízo durante os três anos em que permaneceram no conselho, explicando que segundo declarações do próprio controlador Marcos Roberto, eram gastos R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) por mês com “remuneração”, via esquema de notas fiscais frias, aos diretores do Corinthians. Assim, segundo as testemunhas, o valor total do prejuízo suportado pela agremiação pode ser obtido com a sua multiplicação por 12 meses, e, depois novamente por 3 anos, com o resultado final e aproximado de R$ 5.400.000,00 (cinco milhões e quatrocentos mil reais).

Diante do exposto, denunciamos ALBERTO DUALIB, JURACI BENEDITO, MARCOS ROBERTO FERNANDES, NESI CURI e DANIEL ESPÍNDOLA DA CUNHA como incursos nos artigos 288 (formação de quadrilha) e 171 (estelionato), por duzentas e sessenta e quatro vezes c.c. o artigo 29 (co-autoria) e 69 (concurso material de delitos), todos do Código Penal Brasileiro e requeremos, uma vez recebida e autuada esta, se lhes instaure o devido processo legal, citando-se, interrogando-se e prosseguindo-se nos demais termos do processo, até final sentença condenatória, intimando-se as testemunhas do rol abaixo, para virem depor em juízo, em dias e horários a serem previamente designados, sob as cominações legais.

São Paulo, 28 de fevereiro de 2008.

Arthur Pinto de Lemos Júnior

Promotor de Justiça do GAECO

 

José Reinaldo Guimarães Carneiro

Promotor de Justiça do GAECO

 

Roberto Porto

Promotor de Justiça do GAECO

 

Almachia Zwarg Acerbi

Promotora de Justiça do GAECO    

 

Nota do blog: Vale lembrar que a primeira denúncia, oferecida em 2007, foi rejeitada porque o Juiz não era adepto das investigações feitas só por promotores.
 
Agora, a investigação é resultante do trabalho da Doutora Inês Cunha, Delegada do DEIC e do GAECO.
 

Por Juca Kfouri às 16h59

A morte dos estaduais

Por ROBERTO VIEIRA

Os estaduais estão morrendo?

Viva o Brasileirão.!

A média de público dos campeonatos estaduais é menor que a média do Brasileirão.

Conclusão óbvia: Os estaduais estão morrendo.

Mas peraí. A média de público dos estaduais sempre foi menor que a média de público do Brasileirão.

E a média de público do Brasileirão sempre foi menor que a média de público dos clubes brasileiros na Libertadores.

Se prosseguimos no raciocínio. O Brasileirão está morrendo?

Viva a Libertadores!

Mas os campeonatos estaduais são disputados por outra razão.

Como os campeonatos nacionais europeus.

Eles são uma tradição. Uma oportunidade do torcedor assistir ao time de sua região.

De tirar um sarro do vizinho. De exercer a rivalidade local.

Quando o Cruzeiro vence o Internacional, o torcedor mineiro fica feliz.

Mas é muito mais legal vencer o Atlético. E vice-versa.

Pela proximidade. Pela tradição.

É claro que não há mais lugar para campeonatos estaduais longos. Infinitos.

O mundo atual é globalizado. Súbito.

Mas, antes de proclamar que o Big Mac é comida, simplesmente porque é o sanduiche mais vendido do mundo.

É bom deixar lugar para uma paella. Um bom vinho chileno.

Porque, se os estaduais estão morrendo!

Viva os estaduais!

Por Juca Kfouri às 15h25

Faltam çábios no IW(?)L

Ao ver alguns nomes dos professores do IW(?)L como o de Suzy Fleury, a psicóloga que comparou a eliminação da seleção na Olimpíada de Sydney à morte de um parente, ocorreu a este blogueiro que faltam alguns mestres.

Para dar aulas sobre construção de arenas, por exemplo, poderia ser chamado um conselheiro corintiano e sua agenda, além do arquiteto de quem é sócio, mas esconde.

Seu também parceiro, deputado tucano, Fernando Capez, seria o ideal no curso sobre Paz nos Estádios.

E ninguém melhor para o curso de Ética Esportiva do que aquele advogado que mexe com futebol no interior que até defendeu o dono do IW(?)L por ocasião do famoso episódio da manicure, em Campinas.

Pelo que se anuncia, os professores de jornalismo já estão escolhidos, embora seja de se lamentar ausências como a de parentes do conselheiro alvinegro e outros canastrões do gênero, daqueles que transitam entre merchans, bispos e meliantes campineiros.

E, falando sério, a pergunta é: pode um árbitro na ativa ser empregado de um técnico também na ativa?

Porque Anselmo da Costa é o encarregado do curso de árbitros do IW(?)L, embora possa, amanhã, apitar jogos em que seu patrão estará no banco.

Pode, Coronel Marinho?

Por Juca Kfouri às 23h44

27/02/2008

Marcinho salva o Flamengo

O Flamengo mandou no gramado, mas não criou chance de gol.

A melhor, aos 30, foi do Cienciano, brilhantemente neutralizada por Bruno.

Mas foi o Flamengo mesmo, com Souza, que fez 1 a 0, aos 38, depois de bom passe de Toró.

Parecia decretar o 1 a 0 na primeira metade.

Só parecia.

Porque Vassalo empatou aos 46, em cabeçada fraca, possível pela má posição de Bruno, que falhou.

O segundo tempo começou no mesmo diapasão, com um Flamengo pouco ligado, sem espírito de Libertadores.

O Flamengo parecia acreditar que faria o segundo gol com naturalidade.

Como não fazia, Joel Santana fez entrar Obina e Marcinho, nos lugares de Tardelli e Toró.

Ibson, estranhamente, errava demais.

E o Cienciano fez 2 a 1, em gol legal, muito mal anulado por impedimento, aos 25, digno de fazer o presidente do clube peruano renunciar, com razão.

Este blogueiro fica com vergonha...

Para compensar, Vassalo meteu a mão na bola dentro da área aos 37 e o árbitro também não marcou para o Flamengo.

Menos mal que, aos 44, Marcinho achou um gol e o Mengo ganhou.

Até fez por merecer, embora tenha jogado muito mal.

A presença de público também decepcionou, pois apenas 27.802 torcedores pagaram ingressos.

Por Juca Kfouri às 22h44

Foi bem, São Paulo

O começo do jogo foi preocupante para o São Paulo.

Logo aos 8 houve uma falha da dupla André Dias/Miranda e o Atlético Nacional fez 1 a 0.

E não fez dois porque o atacante colombiano chutou em cima de Rogério Ceni.

O tricolor só foi se encontrar ali pelos 30.

E, aí, justificou o empate, com Miranda, porque mandara uma bola no travessão com Richarlyson e quase fez 2 a 1 com Borges, no finzinho.

Jorge Wagner era a melhor arma ofensiva com seus cruzamentos milimétricos, como no gol, mas era o ponto fraco defensivo, porque ele mais cerca do que marca e permitia que os colombianos tivessem liberdade pelo lado esquerdo.

Menos mal que Fábio Santos não pôde jogar e Muricy refez a dupla Rick/Hernanes.

O segundo tempo foi mais morno até ali pelos 15 minutos, quando Rogério foi obrigado a voltar a fazer defesa difícil, em boa descida colombiana.

A estréia de Éder Luís valia mais pelo esforço do que pela técnica.

Garra, aliás, mostrada por todo time, diferentemente do que tem acontecido no Campeonato Paulista.

Mas criar que é bom, nadica, tanto que chutes a gol o São Paulo não chutava e Adriano simplesmente nem aparecia.

Um empate, enfim, para se comemorar.

Por Juca Kfouri às 22h44

As semifinais do Paulista

Para os frequentadores deste blog os semifinalistas do Campeonato Paulista serão Corinthians, São Paulo, Guaratinguetá e Ponte Preta.

48% indicaram o time de Guará e 43% o de Campinas, contra apenas 9% que indicaram o Barueri.

Por Juca Kfouri às 14h14

Boa, Andrés!

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, desde que assumiu, vem dizendo que há muita podridão no futebol e que ele daria os nomes aos bois.

Como não tem dado, dia desses, na "Folha de S.Paulo", chamei-o de "fanfarrão".

Pois eis que colho, agora, no blog do Paulinho (http://blogdopaulinho.wordpress.com/) uma resposta dele a um torcedor que não deixa a menor dúvida sobre o joio e o trigo.

Leia abaixo e aplauda, como este blog:

Rafael, bom dia!!!

Gostaria de deixar bem claro que o Sr. EDGARD SOAREZ jamais foi classificado como meu amigo muito pelo contrário, não dei oportunidade pra ele na minha diretoria justamente porque já sabia das suas falcatruas no meio do futebol.

Sua informação está equivocada.

Abs,

Andrés Sanchez

Por Juca Kfouri às 13h23

Me dá um dinheiro aí

Vanderlei Luxemburgo admitiu já ter dado dinheiro para a Gaviões, para a Torcida Jovem do Santos e para a Sangue Santista.

Bem como Leão denunciou.

Mas a Mancha Verde entrou na fila...

Elementar.

Por Juca Kfouri às 12h26

Viva o campeonato estadual!

A média de público do Brasileirão passado foi de 17.461 torcedores.

A da Taça Guanabara que acabou domingo foi de 8.864.

E a do Campeonato Paulista está na casa dos 5.889.

Não sou eu quem não gosta dos estaduais.

É o torcedor em geral que não dá a ele maior importância.

Por Juca Kfouri às 12h24

As estréias de São Paulo e Flamengo

O tricampeão da Libertadores, São Paulo, estréia hoje no torneio, em Medellin, na Colômbia, contra o Atlético Nacional.

Jogo duro, diante de esperados 35 mil torcedores, entre dois campeões nacionais e com ambos vivendo maus momentos neste começo de temporada, principalmente se comparados com os que viveram no final da temporada passado.

Em busca do bicampeonato, o Flamengo recebe o Cienciano, no Maracanã, com, no mínimo, 50 mil torcedores, em sua primeira partida no Brasil pela Libertadores.

A equipe peruana é daquelas duríssimas de serem batidas em casa, em Cuzco, quase 3400 mil metros de altitude, mas presa fácil quando ao nível do mar.

O empate para o São Paulo é bom, embora a vitória seja não só possível como importante para mudar o astral no Morumbi.

A vitória para o Flamengo é simplesmente obrigatória.

Por Juca Kfouri às 23h52

26/02/2008

Bom malandro?

Por GUSTAVO VILLANI 

 

Os sites de esportes brasileiros trazem duas notícias que se destacam aos olhos.

 

Em alguns deles, as informações estão uma do lado da outra: Vanderlei Luxemburgo já financiou torcidas organizadas – justifica a bronca de Leão que insinua atos orquestrados das uniformizadas do Santos - e Ministério Público, Polícia Militar e Federação Catarinense de Futebol vetam a presença de torcidas uniformizadas adversárias ao do time mandante, após mais um ato covarde que decepou a mão de um senhor de 62 anos.

 

Os contextos são distintos, mas merecem reflexão.

 

O treinador em comunicado oficial diz que ajudou “as escolas de samba da Torcida Jovem (do Santos) e Sangue Santista, assim como outras escolas de samba, além de muitas creches e hospitais (interessante, as torcidas merecem nome e sobrenome, já as entidades de caridade e assistência à saúde pública, não).

 

Ajudou também a Gaviões da Fiel a ir ao Mineirão em um jogo decisivo do Corinthians contra o Cruzeiro”.

 

Por sua vez, as autoridades de Santa Catarina querem minimizar os encontros sangrentos dessa gente que não parece ser gente.

 

Problema já antigo dos estádios paulistas.

 

Vamos supor que de fato a ajuda dada pelo treinador tenha sido para comprar carro alegórico, confete, serpentina e bexigas d’água para que os “civilizados” brincassem o carnaval da baixada.

 

É possível.

 

Agora, Luxemburgo não vê nenhum conflito ético no gesto, ou seja, será que ele não acha que compra o apoio desses “torcedores”?

 

Imagino que a partir do momento que outro técnico não dê esmola às “organizadas”, o sujeito passa a ser inimigo, não?

 

Vanderlei não é do tipo que quer ajudar o futebol brasileiro e prega o profissionalismo?

 

O treinador prossegue o comunicado, em tom de justificativa: “Jamais em minha carreira, repleta de conquistas, necessitei de qualquer tipo de artifício para que elas fossem realizadas”.

 

O treinador é contraditório.

 

Se ele acha necessário pagar ingresso aos torcedores para que o time ganhe em campo, numa ação muito sensível e comovedora, ele usa, sim, de artifícios fora de campo para as conquistas. Ou não?

 

Não se discute aqui as qualidades técnicas do treinador, apesar de me questionar quanto aos limites da esperteza e competência.

 

Até já suspeito que as ajudas beneficentes para as entidades x, y e z foram feitas depois do campeonato brasileiro, quando os noticiários esportivos se esvaziam e clamam por matérias.

 

Esse bom malandro, como gosta de se denominar, sei não...

Por Juca Kfouri às 19h15

Santos fora, faltam dois

Com 1500 participações, 78% não botam fé que o Santos seja um dos semifinalistas do Campeonato Paulista.

Como para os blogueiros o Palmeiras também ficará de fora e Corinthians e São Paulo se classificarão, resta saber quem serão os outros dois:

Guaratinguetá, Ponte Preta ou Barueri?

Por Juca Kfouri às 16h33

Verdão fora?

Com 3000 palpites, 65% dos blogueiros não acreditam que o Palmeiras fique entre os semifinalistas, ao contrário do dono do blog que, ainda, acredita.

E o Santos?

Eis a questão da vez.

Por Juca Kfouri às 08h51

Única unanimidade do futebol: todos o odeiam

Por ROMERO CARVALHO

"O árbitro é arbitrário por definição. Esse é o abominável tirano que exerce sua ditadura sem oposição possível e o verdugo afetado que exerce seu poder absoluto com gestos de ópera. Apito na boca, o árbitro sopra os ventos da fatalidade do destino (...)"

Dessa maneira genial, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, em seu livro "Futebol ao Sol e à Sombra", começa a descrever a figura mais controversa do esporte mais popular do mundo.

Se não houvesse o árbitro, talvez o futebol renderia muito menos assunto e já teria se tornado algo absolutamente pragmático, exato e, possivelmente, chato.

Mas, como diz o escritor no mesmo texto, "os derrotados perdem por causa dele e os vitoriosos ganham apesar dele. Álibi de todos os erros, explicação para todas as desgraças, as torcidas teriam que inventá-lo se ele não existisse. Quanto mais o odeiam, mais precisam dele".

Uma vez, perguntei a um amigo, que há 15 anos foi árbitro, o que o motivou a escolher tal carreira ingrata.

"Você tem uma visão do jogo que ninguém tem", respondeu.

Faz sentido.

Cruzeirense apaixonado, teve que se contentar em voltar à arquibancada, de onde tantos insultos escutou, quando encerrou a carreira.

O erro do árbitro faz parte do futebol.

Infelizmente.

Será assim até o dia em que a FIFA aceitar métodos eletrônicos ou a CBF profissionalizá-los devidamente.

Talvez.

Até lá, não adianta fazer teatro nos vestiários do Maracanã.

Aliás, nem foi pra tanto. Nem foi pra nada.

Tal atitude caberia muito bem à diretoria da Portuguesa, depois daquela atuação infeliz do Javier Castrilli contra o Corinthians, nas semifinais do Paulista de 1998.

Lembram-se?

Ou à diretoria do Atlético-MG, após os jogos contra o Flamengo, em 80, na decisão do Brasileiro, e, pior ainda, em 1981, na Libertadores.

Aragão e Wright ainda são arquiinimigos do clube de Minas.

O Cruzeiro também poderia lamentar a final do Brasileiro de 1974, quando perdeu para o Vasco, ajudado pelo Armando Marques, que não errava pela primeira vez em decisões.

Santos, em 1995, Inter, em 2005, América-RJ, em 2006, Inglaterra, em 1986, Alemanha, em 1966... A lista seria sem fim.

Nenhum desses times e seleções claramente prejudicados por arbitragens, algumas realmente suspeitas, fizeram o pequeno "circo" protagonizado pelos botafoguenses no vestiário.

Talvez porque todos entenderam que, mesmo que desperte tanta paixão, o futebol ainda é só um esporte.

Talvez a coisa mais importante entre aquelas que nenhuma importância têm.

Ainda sim, só um esporte, em que deveria vencer o melhor.

Mas ele se chama futebol.

Ou porque perceberam que, querendo ou não, o árbitro e seus erros históricos são tão cruciais ao esporte quanto o centroavante matador.

Continuo, portanto, dando voz ao belo texto de Eduardo Galeano, que afirma que o trabalho do árbitro consiste em se fazer odiar.

"Única unanimidade do futebol: todos o odeiam. É vaiado sempre, jamais é aplaudido".

"Durante mais de um século, o árbitro vestiu-se de luto. Por quem? Por ele. Agora, disfarça com cores".

Por Juca Kfouri às 01h06

A ética da reclamação

Eu só vou passar a respeitar quem reclama de arbitragem quando o técnico ou o presidente do clube que tiver sido beneficIado vier a público na coletiva depois do jogo e disser:

"Peço desculpas à torcida e ao time adversários porque eles foram prejudicados pela arbitragem.

Eu não tenho nada a ver com isso, mas tenho que reconhecer que o advresário foi prejudicado e estou disposto a fazer um novo jogo para tirar a limpo esta questão.

Porque não acho correto reclamar quando sou prejudicado e me calar quando sou beneficiado."

Eu não vi o Botafogo fazer isso quando foi beneficiado, contra o Santos, em 1995, contra o América, em 2006, contra o Galo, no ano passado.

Eu não vi o Corinthians fazer isso quando foi beneficiado contra o Inter, em 2005.

Aliás, na época do episódio do Javier Castrilli na partida contra a Portuguesa, os corintianos ficaram bravos comigo porque eu pedi que o então presidente Alberto Dualib fizesse isso, propusesse um novo jogo. 

É claro que foi  ingenuidade minha, mas essa coisa de reclamar quando é prejudicado e não falar nada quando é beneficiado parece coisa de quem quer levar vantagem em tudo.

Então, é isso.

Respeito a quem reclama só depois de ver alguém aceitar que foi beneficiado e tentar remediar o benefício.

Por Juca Kfouri às 00h51

São Paulo entre os quatro

Com mais de 2300 palpites, 66% dos blogueiros opinam que o São Paulo também estará entre os semifinalistas do Paulista, a exemplo do Corinthians, que teve 84%.

Agora é a vez do Palmeiras.

Por Juca Kfouri às 15h52

Corinthians na cabeça

Com cerca de 2200 palpites, 84% dos que responderam à nossa sondagem acham que o Corinthians se classificará entre os quatro semifinalistas do Campeonato Paulista.

E o São Paulo?

Eis a nova questão.

Por Juca Kfouri às 10h13

24/02/2008

Santos goleia com 10

O que parecia um drama virou festa na Vila Belmiro.

Aos 20 minutos do primeiro tempo o zagueiro santista Evaldo foi expulso de campo.

O Santos tinha saído na frente, com o colombiano Molina que, diga-se de passagem, jogou uma barbaridade.

Mas o Ituano empatou em seguida e com 11 contra 10...

Com 11 contra 10 o Ituano foi goleado no segundo tempo.

Kléber Pereira fez 2 a 1 e 4 a 1, porque Betão, sim, Betão, fez 3 a 1.

O Santos de Leão tem agora 14 pontos.

Pouco?

Sim, muito pouco.

Mas apenas dois pontos a menos que o Palmeiras do amigo dele, Vanderlei Luxemburgo...

Por Juca Kfouri às 19h08

Menos, Bebeto de Freitas!

Bebeto de Freitas merece uma estátua em General Severiano ou, quem sabe, batizar o Engenhão, até porque seu nome atual não só não tem nada a ver com o Botafogo como, ainda por cima, traiu seu tio, o imortal João Saldanha.

Bebeto de Freitas fez tanto pelo Glorioso desde que assumiu sua presidência que até engolir sapos ele engoliu.

Como conviveu com companhias das quais ele preferiria distância.

Até incoerente com sua história andou sendo.

Nada, no entanto, justifica a renúncia de Bebeto de Freitas por causa do jogo de hoje.

Que foi muito mais normal do que aquele que decidiu a Taça Guanabra de 2006, contra o América.

Por Juca Kfouri às 18h20

Na negra, deu vermelho e preto

Na terceira vez em que decidiram a Taça Guanabara, com uma vitória para cada lado, deu Flamengo: 2 a 1.

A melhor qualidade individual do Flamengo não foi suficiente para que o rubro-negro saísse na frente, ao contrário.

Foi o Botafogo, com Wellington Paulista, quem fez 1 a 0 no primeiro tempo, no Maracanã tomado e encharcado.

O Mengo voltou com Obina e melhor no segundo tempo.

Pressionou o que pôde, correu o risco de levar o segundo gol em contra-ataques, mas empatou de pênalti cometido em Fábio Luciano e convertido por Ibson.

Zé Carlos e Souza foram expulsos na confusão do gol e, em seguida, o Botafogo ficou com nove, pois Lúcio Flávio também foi posto para fora.

Aos 46, com rara categoria, Tardelli fez um golaço, o gol do título, quase impedido, no último segundo, por uma bola na trave de Bruno.

Decisão que dará assunto para mais de metro, com as queixas botafoguenses, embora o pênalti tenha mesmo acontecido e os nervos alvinegros estivessem à flor da pele.

Com mais de 13 mil palpites, o Flamengo ganharia para 52% dos que votaram neste blog. E ganhou.

Por Juca Kfouri às 17h01

Corinthians grande!

Debaixo de muita chuva, o Corinthians foi superior ao time da Ponte Preta e ainda fez um gol legalíssimo, com Acosta, anulado por um bandeirinha incompetente.

Só por isso o primeiro tempo acabou sem gols.

A Ponte voltou melhor e logo de cara o goleiro Júlio César, no lugar de Felipe, fez duas boas defesas.

Até que Carlos Alberto fez belíssima jogada pela direita e cruzou para Acosta fazer 1 a 0, sem que o bandeira pudesse anular de novo.

Em seguida, André Santos foi derrubado na área e o árbitro deixou de dar pênalti para o Corinthians, que conseguiu excelente vitória, sofrida sim, mas, apenas, porque prejudicado pelo apito.

Foi a primeira derrota da Ponte em Campinas.

E o Corinthians perdeu Dentinho, Acosta e Fabinho para o clássico diante do Palmeiras, todos suspensos pelo terceiro cartão amarelo. 

Mas entrou no G4, ao desalojar, no saldo de gols, o São Paulo.

Por Juca Kfouri às 16h58

O Noroeste mereceu vencer

Num jogo movimentado, Hernanes abriu o placar batendo falta de novo, Borges ampliou e o Noroeste fez dois gols também ainda no primeiro tempo.

Só que um deles foi mal anulado por impedimento, depois que Rogério Ceni bateu roupa.

O 2 a 1 até espelhava o que era o jogo, mas o justo seria, no caso, o legal: 2 a 2.

Coisa que aconteceu no segundo tempo, depois que o ultimamente à beira de um ataque de nervos Richarlyson foi corretamente expulso de campo.

E o São Paulo só não perdeu porque Rogério acabou por fazer um milagre num tirambaço do time de Bauru.

E merecia perder.

Por Juca Kfouri às 16h54

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico