Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

05/04/2008

Cai o América

O América acaba de ser rebaixado para a Segunda Divisão do futebol do Rio de Janeiro.

Segue a sina do América mineiro, do América potiguar, do América de São José do Rio Preto, embora seja o mais tradicional e glorioso dos Américas brasileiros.

Uma lástima.

Dificilmente o centenário América carioca sobreviverá. 

Por Juca Kfouri às 17h30

04/04/2008

Parabéns, Ricardo Teixeira!

Presidente Ricardo Teixeira é o único a discordar da decisão da Conmebol de apoiar jogos acima de 2.750m

Presidente da CBF não assina documento que Confederação Sul-Americana enviou à FIFA


CBF NEWS

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi a única voz discordante na reunião da Confederação Sul-Americana de Futebol, realizada em Assunção, em que as outras nove federações integrantes da Conmebol decidiram enviar uma declaração à FIFA em que apóiam a realização de jogos acima de 2.750m. 

O presidente Ricardo Teixeira explica que, como representante do futebol e dos clubes brasileiros, tinha a obrigação defender uma posição que tem amparo em avaliações médicas, que consideram lesivo aos jogadores atuarem em cidades com 2.750 metros acima do nível do mar.

- Mais importante do que qualquer posição política, está o interesse do futebol brasileiro. Os danos que podem ser causados em jogos nessa altitude já foram amplamente demonstrados e discutidos, o que motivou, inclusive, a própria FIFA a se manifestar contrária à realização de partidas acima de 2.750 metros.

Apesar da divergência com a Conmebol neste aspecto, o presidente Ricardo Teixeira garante que o Brasil continuará se empenhando por uma posição de unidade na América do Sul.

- As divergências podem, e devem acontecer, sempre que se busca o entendimento. E é com esse objetivo que o Brasil continuará lutando, para que se mantenha a unidade nas decisões no âmbito da Conmebol.

Nota do blog: acrescente-se que até o presidente Lula apelou para a mudança da posição da Fifa.

E Teixeira continou a defender o interesse do futebol brasileiro. E da Ciência do Esporte.

Está mesmo de parabéns.

Por Juca Kfouri às 18h26

O silêncio não ajuda

Por GUSTAVO VILLANI

Sai o diagnóstico da última lesão (no treino) de Ronaldinho: ruptura de fibras do músculo adutor da perna direita, tratamento estimado em seis semanas.

Penso, imediatamente: "Nada novo para quem não rende há mais de um ano".

Meu impulso aos poucos dá espaço à pena, o sentimento mais melancólico possível.

Em apenas duas temporadas o futebol de Ronaldinho se dilui nas memórias, fotos e imagens.

Em campo, nada.

Os porquês disso tudo poucos sabem, talvez só ele, mas muitos especulam sobre a terrível fase que assola o jogador de apenas 28 anos.

O silêncio do jogador o responsabiliza, Ronaldinho não conduz a má fase como direcionou a glória, aparecendo para o mundo.

Ao não falar com a imprensa, não se explica ao público.

A falta de transparência, por sua vez, dá margem às especulações.

Nas raras entrevistas obrigatórias de campanhas publicitárias, diz que não se vê longe de Barcelona.

Já o irmão e empresário, Roberto Assis, fala aos jornais italianos, brasileiros e espanhóis sobre uma cláusula contratual que permite ao camisa 10 romper o acordo vigente de maneira unilateral.

É um jogo de palavras de dupla interpretação, em que o perdedor é ele, Ronaldinho.

Os companheiros de elenco o protegem, na medida do possível. Edmílson não suportou o lenga-lenga que afeta ao ambiente do clube e falou em mulheres, relógios, carrões.

Dunga traça paralelos irônicos entre o pedido de dispensa do jogador, na última Copa América, e as recentes lesões.

Já Eto’o, antes contrário à postura do brasileiro, agora pede ao menos paz ao lesionado Ronaldinho.

Por outro lado, Messi é fiel ao ombro amigo de "Ronnie".

A imprensa espanhola ainda fala em baladas intermináveis, aumento de peso, propostas milionárias e carta de dispensa do Barcelona.

Ou seja, todos falam, todos têm as próprias verdades, menos o objeto do assunto.

As estatísticas apontam: na atual temporada ele treinou uma vez a cada três sessões com o restante dos companheiros.

A média de gols caiu e a Seleção Brasileira já é algo distante.

No meio de semana o jogador perdeu o primeiro jogo de Liga dos Campeões desde que chegou ao Barcelona, em 2003.

Nada merece resposta, na opinião dele.

Sem poder olhar nos olhos ou mesmo escutar o tom da voz do jogador, fica difícil saber o rumo que dará a própria carreira.

Apesar de o contexto dizer muito.  

Por Juca Kfouri às 12h11

Só o Flamengo pode ficar fora da Libertadores

Dos cinco times brasileiros que estão na Libertadores, dois já passaram para a próxima fase, as oitavas-de-final: Fluminense e Cruzeiro.

E em primeiro lugar no grupo deles.

Um terceiro time brasileiro está praticamente garantido, o São Paulo, provavelmente também em primeiro lugar.

O Santos corre um risco remoto de ficar fora das oitavas e quem apostar nisso deve perder a aposta.

Já o Flamengo corre risco real.

É o único que não está na liderança ou na vice-liderança de seu grupo neste momento, está em terceiro lugar.

E vai jogar contra um concorrente direto, o Cienciano, em Cusco, quase 3500 metros de altitude, na quarta-feira que vem.

E vai jogar apesar das fanfarronices de seus cartolas, que garantiam que o Flamengo não jogaria na altitude.

O clima certamente estará ruim para os rubros-negros no Peru.

Rubro-negros que devem se lembrar que venceram o Cienciano a duras penas no Maracanã, 2 a 1.

E que sabem que os adversários ganharam os dois jogos que fizeram na histórica, e altíssima, cidade de Cusco.

Que fica pertinho de Machu Picchu, um lugar inesquecível.

Mas o Flamengo não vai a passeio, vai para um baita desafio mesmo.

Comentário para o Jornal da CBN, 1a. Edição, de 4 de abril de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/programas/cbnesporteclube.asp  

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp


Por Juca Kfouri às 00h33

De roxo, Timão vai em frente

Dois times da Série B, Corinthians e Fortaleza tinham tudo para fazer um jogo de segunda.

Não fizeram.

Fizeram uma partida em homenagem ao dia da semana, de quinta.

Os corintianos, registre-se, com cor de sexta, o roxo da sexta-feira da Paixão.

Só que por pouco foi Preto quem não fez 1 a 0 para o time cearense.

Não fez e viu Diogo Rincón fazer, dois minutos depois, aos 25, aproveitando-se do rebote de uma boa jogada de André Santos.

Os derradeiros 20 minutos do primeiro tempo foram aborrecidos e só.

Aí, logo no primeiro minuto do segundo tempo, Paulo Isidoro foi expulso e o fraco Fortaleza ficou ainda mais fraco.

Então Herrera fez boa jogada pela direita e deu para trás para André Santos ampliar, aos 13.

O resto do jogo foi o resto, embora tenha servido para que quase 10 mil corintianos no Morumbi se perguntassem, irritados: o que é Bóvio?

Sim, sabemos, é óbvio!

Fatura liquidada, o Corinthians terá o Goiás como adversário nas oitavas-de-final da Copa do Brasil.

O Goiás que ficou na Série A.

Por Juca Kfouri às 23h30

Cruzeiro nas oitavas!

Que o jogo em Ipatinga não seria mole para o Cruzeiro era mais que certo.

O San Lorenzo é um time bem organizado e...argentino.

Mas o jogo acabou sendo mais fácil do que se supunha.

Tudo porque, quando o Cruzeiro já era melhor, Marcelo Moreno, aos 10 minutos, pegou o rebote de uma bola e encheu o pé para abrir o placar.

Aí o time brasileiro tratou de administrar a vantagem e correu apenas uma vez o risco do empate.

No segundo tempo a coisa quase complica, quando os argentinos chegaram a mandar uma bola na trave.

Mas o mesmo Marcelo Moreno, de cabeça, aproveitou-se de um escanteio para ampliar, aos 26.

E foi aí que quase ficou mesmo fácil, porque, aos 37, foi a vez de Wagner fazer 3 a 0, num bate e rebate na pequena área.

O San Lorenzo ainda diminuiu aos 42, mas o Cruzeiro já estava nas oitavas-de-final.

Por Juca Kfouri às 23h11

03/04/2008

Vasco desafia o Criciúma, com moderação

Jean fez belo gol no começo do primeiro tempo e Eduardo fez outro, de cabeça, no começo do segundo: Vasco 2, Bragantino 0.

Fatura liquidada?

Pois sim.

Aos 10, ainda por cima, Somália foi expulso.

Mas não é que o Braga diminuiu aos 41 e aos 45 meteu uma bola no travessão, que se entra levaria o jogo aos penais?

Bem, o Vasco terá o Criciúma nas oitavas-de-final.

Que venha.

Mas que venha calmo, porque o clube catarinense já foi campeão da Copa do Brasil, sob as ordens do Felipão, em 1991.

O Vasco busca um título inédito.

Por Juca Kfouri às 21h27

Calma, corintiano. Kléber Pereira joga

Emerson Leão acaba de me dizer que escalará Kléber Pereira no domingo, diante da Ponte Preta.

"Não posso impedir que ele tenha mais uma chance de fazer gols e acabar como artilheiro do Campeonato Paulista", argumentou.

Ele, Leão, também estará no banco, porque não viajará com o grupo de 16 jogadores que embarcará para Guadalajara já no sábado à noite.

"E vou escalar três zagueiros de 1m90 para cima, Fabão, Marcelo e Evaldo, além do Tabata no meio, ele que anda louco por uma oportunidade", arremata Leão para o "Juca entrevista" da ESPN que irá ao ar logo mais às 21h, em primeira exibição.

Ou seja, Leão diz que a Ponte Preta, que terá de buscar o gol, vai pegar um Santos forte pela frente.

"Resta ao Corinthians fazer a parte dele em Bauru", finaliza.

Por Juca Kfouri às 17h42

Do blog do Marcelo Damato

Brasileiro sem chocolate

A Nestlé decidiu não renovar a parceria com o Campeonato Brasileiro. A decisão foi comunicada ao Clube dos 13 nos últimos dias.

A multinacional de alimentos avalia que teve sua imagem arranhada no episódio do jogo Flamengo x Atlético-PR, no Maracanã, na rodada do Campeonato Brasileiro. A promoção foi realizada num dia de excepcional procura de ingressos, pois o Rubro Negro estava na bica de conseguir uma vaga para a Libertadores. As filas foram enormes, houve confusão. Algumas pessoas ficaram machucadas e centenas não conseguiram fazer a troca.

O Clube dos 13 avalia a decisão como uma perda importante, e agora busca um novo parceiro.

Muitos torcedores processaram a empresa por causa do episódio. O blog apurou que as ações passam de 500. Os torcedores usam o Código de Defesa do Consumidor como base para os processos. Pelo menos um conseguiu uma indenização, de R$ 500, mais R$ 17 gastos com a compra do produto. Usando esses valores como média, a Nestlé poderá ter de pagar R$ 310 mil em indenizações.

http://alemdojogo.com/ (ENDEREÇO QUE, ASSIM COMO O DE ALBERTO HELENA, ESTÁ ENTRE OS QUE ESTE BLOG RECOMENDA).

Nota do blog: Não fosse muito antipático, seria o caso de dizer que não foi por falta de aviso...

Empresa séria que ligue seu nome ao futebol da dona CBF, ao Clube dos 13, ao ministério do Esporte que nada faz contra a violência e para cumprir o Estatuto do Torcedor, que só pensa em Timemanias e incentivos aos de sempre, estará permanentemente correndo sérios riscos.

Por Juca Kfouri às 12h47

Qual é o tricolor mais querido?

Em jogos de características muito parecidas, contra adversários paraguaios, no pornográfico horário das 21h50, no Maracanã e no Morumbi, os tricolores Fluminense e São Paulo levaram mais de 59 mil pagantes aos seus jogos.

Mas o tricolor carioca levou  7.988 pagantes a mais, pois o Maracanã recebeu 33.551 pagantes e o Morumbi apenas 25.563.

Será que o são paulino não está levando fé no tetra ou já não se liga tanto na disputa da Libertadores?

Ou será que o tricolor paulista tem certeza da classificação, ao passo que o carioca quis testemunhar a primeira vez que o Flu chega tão longe?

Por Juca Kfouri às 01h35

Já são conhecidos oito dos 16 finalistas da Copa do Brasil

Oito times já estão classificados para as oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Sete deles se classificaram ontem à noite e se juntaram ao Inter.

Quatro se classificaram em seus jogos de ida: Juventude, Goiás, Criciúma e Palmeiras.

E mais três em jogos de volta: Paraná, Portuguesa e Náutico.

Hoje mais dois clubes se classificarão, Vasco e Corinthians, provavelmente, ou, para surpresa geral, Bragantino e Fortaleza.

Porque a Copa do Brasil é o torneio talhado para surpreender.

Ontem mesmo, por exemplo, foram duas surpresas.

A maior delas em Bacabal, no Maranhão, onde o River do Piauí, a 200 quilômetros de sua casa em Teresina, derrotou o badalado Botafogo por 2 a 1.

Mesmo placar, por sinal, imposto pelo Atlético Goianiense, no Serra Dourada, ao até então invicto Grêmio em 2008.

Só há um confronto já definido para as oitavas, entre Inter e Paraná Clube.

Se sair tudo como se espera, os outros sete confrontos devem se dar entre Goiás e Corinthians; Portuguesa e Botafogo; Náutico e Galo; Palmeiras e Sport; Criciúma e Vasco; Juventude e Corinthians de Alagoas e, finalmente, entre Grêmio e Coritiba ou São Caetano. 

A Copa do Brasil é um grande barato e nunca será demais lamentar que os times que estão na Libertadores ficam impedidos de disputá-la.

Por Juca Kfouri às 01h18

O Central fica em Caruaru

A verdade é que o Central assustou o Palmeiras nos primeiros 10 minutos e por pouco, em três oportunidades, não abriu o marcador.

Mas foi só o Verdão se adaptar ao gramado lamentável de Caruaru (como são lamentáveis, também, muitos dos gramados paulistas) para que se impusesse e jogasse bem.

Tanto que Leandro desceu pela direita, deixou todo mundo para trás, chutou na trave e permitiu que Kléber pegasse o rebote para fazer 1 a 0, aos 18.

E daí em diante praticamente só deu Palmeiras, até que, aos 43, foi a vez de Élder Granja descer pela direita e botar a bola na cabeça do cabeludo Valdívia, que mergulhou para ampliar.

Os pernambucanos foram para o vestiário com a sensação de que não iriam conhecer o Palestra Itália.

Mas voltaram dispostos a forçar o segundo jogo, até por terem percebido que o Palmeiras voltou meio acomodado.

E o Central tentou uma, duas, três vezes, numa das quais até foi prejudicado por um impedimento mal marcado.

Noutra, obrigou Marcos a fazer ótima defesa.

E numa sucessão de escanteios, aos 11, a bola desviou em Léo Lima e traiu Marcos: 2 a 1.

Aos 16, não fosse por Marcos, o Central teria empatado.

E, no minuto seguinte, Valdívia quase ampliou.

O jogo era muito melhor do que se poderia esperar.

Diego Souza e Denílson saíram para entrar Martinez e Alex Mineiro em busca de eliminar o jogo da volta.

Preá entrou no lugar de Kléber.

Mas o 2 a 1 saiu do placar graças a Martinez em cobrança sensacional de falta pela direita.

E o 3 a 1 saiu do placar porque Martinez sofreu pênalti que Alex Mineiro converteu.

E o 4 a 1 saiu do placar porque Valdívia sofreu pênalti que Alex Mineiro converteu.

E o Palmeiras voltou para São Paulo certo que de não receberá a visita do Central.

E o Central ficou jururu em Caruaru com um 5 a 1 que nem mereceu.

Por Juca Kfouri às 23h41

4 a 0 seria pouco no Maracanã

O Maracanã em clima de festa viu o Fluminense fazer 1 a 0 com Cícero, de cabeça, bola que ainda desviou num paraguaio do Libertad, e foi pouco.

Porque o tricolor mereceu mais nos primeiros 45 minutos, tamanha a sua superioridade.

E o gol que só saiu aos 29 poderia ter saído antes como deveria ter saído depois.

Mas o intervalo chegou com a apenas a vantagem mínima, embora o Flu jogasse um futebol agradável de se ver.

A justiça veio logo aos 5 do segundo tempo, de Thiago para Thiago.

O Neves bateu a falta pela direita e o Silva cabeceou para fazer 2 a 0 e garantir o Flu nas oitavas-de-final da Libertadores.

O Flu sobrava.

Aos 13, Cícero cabeceou no travessão e, 13 minutos depois, Thiago Neves soltou um torpedo na trave esquerda.

Por Juca Kfouri às 23h39

Sofrimento e justiça no Morumbi

O que aconteceu no primeiro tempo entre São Paulo e Sportivo Luqueño, no Morumbi?

Três coisas.

Um chute de Hernanes de fora da área que o goleiro Garcia agarrou.

O segundo chute de Hernanes de fora da área que o goleiro Garcia espalmou para escanteio.

E o terceiro chute de Hernanes de fora da área que o goleiro Garcia espalmou de novo para escanteio.

Fora disso, o São Paulo dominou completamente, não correu nenhum risco, mas, também, não conseguia ser perigoso.

Diferentemente, diga-se desde já, do começo do segundo tempo, quando o tricolor pressionou o que pôde, como um torniquete.

Mas nada de gol.

Aos 21 o improdutivo Fábio Santos deu lugar a Dagoberto e, seis minutos depois, Éder Luís saiu para entrar Carlos Alberto.

Era feia a situação, como se vê.

A primeira participação de Carlos Alberto foi um peteleco que beirou o ridículo.

O gol parecia questão de segundos, ou de minutos.

Ou de horas...

Aos 49, no entanto, Jorge Wagner pôs na cabeça do Imperador Adriano que fez o gol salvador e absolutamente justo.

Por Juca Kfouri às 23h38

02/04/2008

Maravilha, River!

Primeiro Castillo engoliu uma frangaço em Bacabal e o Botafogo saiu perdendo em seu jogo de ida da segunda fase da Copa do Brasil.

Depois, ainda no primeiro tempo, Wellington Paulista fez um golaço de fora da área e empatou.

Por mais que o gramado fosse ruim, e era, é claro, para os dois, estava na cara que o Glorioso venceria no segundo tempo.

Na cara de quem, cara-pálida, perguntou o torcedor piauiense.

Porque quem desempatou e ganhou o jogo por 2 a 1 foi o River.

O River Plate?

Não, esse é outro, é argentino, aquele lá do Monumental de Nuñes, nem é bom falar.

Estamos falando do River de Teresina, do River do Piauí.

Mais que um que passa na vida do Botafogo.

Por Juca Kfouri às 21h52

Festa turca na Liga dos Campeões

Em Londres, só para inglês ver, Arsenal e Liverpool empataram 1 a 1, bom resultado para o time da terra dos Beatles.

Não vi.

Vi o jogo de Istambul.

E que jogo!

O Chelsea mandou na partida durante todo o primeiro tempo e boa parte do segundo.

Saiu na frente aos 13 minutos de jogo graças a um gol (contra!) do atacante brasileiro do time turco do Fenerbahce, Deivid.

Parecia o fim.

E continuou obrigando o goleiro turco a fazer o diabo.

Só que, aí, o brasileiro, naturalizado turco,  Aurélio, fez de conta que era o Alex (que não jogou o que sabe) e deu um lançamento precioso para o empate, aos 65'.

E o Fenerbahce se agigantou.

Então, Deivid se lembrou de Zico, seu técnico.

E como bem chamou a atenção o narrador da ESPN, João Palomino, chutou como se fosse o Galinho, de fora da área, quase colado à bola.

Eram 81 minutos de jogo e era a virada, que dá alento para o time turco buscar um empate em Londres e ser semifinalista, como certamente o Barcelona será, e para botar água na festa inglesa que jurava botar três de seus quatro times nas semifinais.

Ainda dá, é claro, e é até provável.

Mas deixou de ser uma certeza.

Por Juca Kfouri às 17h59

Barbárie

Mancha Verde e Gaviões da Fiel se pegaram ontem numa decisão de futsal entre Palmeiras e Corinthians.

A direção alvinegra já protestou oficialmente e disse que aquela minoria não representa a torcida.

Mas essa mesma direção se curva às vontades da Gaviões, como acabou de ocorrer no episódio da camisa roxa, sem se dizer que bajula abertamente a "organizada".

Já a direção alviverde nem se manifesta, paralisada pelo medo que tem de seus vândalos, a ponto de ter tirado um técnico das categorias de base que simplesmente foi agredido por um dos "líderes" de sua maior "organizada" por substituir o filhote dele num jogo.

Nosso futebol está nessas mãos.

Leia abaixo as duas notas:

 

Final interrompida


O futsal da Sociedade Esportiva Palmeiras chegou a mais uma final, após vencer o Juventus, por 5 a 2, na semi. Nesta terça feira, o Verdão enfrentou o Corinthians pela decisão da Taça Cidade de São Paulo, no Ginásio poliesportivo de São Bernardo do Campo.

Até o intervalo do jogo, o Palmeiras empatava com o rival, em 1 a 1. A partida foi interrompida por falta de segurança, no início do segundo tempo.

Em reunião extraordinária, que acontecerá nesta segunda-feira, a Federação Paulista de Futsal decidirá o futuro da competição. Ainda não se sabe se haverá uma nova partida com ou sem a presença da torcida.

Nota oficial - Futsal

O Sport Club Corinthians Paulista lamenta profundamente os incidentes ocorridos no ginásio poliesportivo de São Bernardo do Campo na decisão do Troféu Cidade de São Paulo de Futsal.

O tão aguardado clássico entre Corinthians e Palmeiras foi manchado por atitudes covardes e irresponsáveis de pessoas que não são ligadas ao esporte. Porque lugar de marginais não é o ginásio ou estádio de futebol, é a cadeia.

Embora a confusão toda tenha se iniciado por culpa da torcida do Palmeiras, conforme comprova matéria publicada na data de hoje no jornal Lance!, o Corinthians não medirá esforços junto às autoridades competentes no sentido de punir seus torcedores envolvidos nesse lamentável episódio.

O clube reitera que essa infeliz minoria não representa de forma alguma a Nação Corinthiana.

 

É para rir ou para chorar?

 

Por Juca Kfouri às 14h34

A patativa, o porco e o cego Jacinto...

Por ROBERTO VIEIRA

Caruaru está em festa. E nem é São João. O Central enfrenta pela primeira vez o Palmeiras.

Mas em festa mesmo, está o cego Jacinto.

O cego Jacinto acordou satisfeito. Juntou todo o seu dinheiro e mandou comprar o ingresso. Vai matar um sonho antigo. Sonho dos tempos em que via o mundo.

Assistir a Academia do Palmeiras.

Ta certo que não tem Ademir, mas tem Valdívia. E ta certo que Jacinto já não tem os olhos, mas tem a razão. E a razão tem razões que a própria razão desconhece.

Jacinto mandou lavar sua roupa da missa. Engomada como pro domingo. Não importa que nas arquibancadas do Lacerdão ela fique molhada de chuva. Que agora deu pra chover todo dia nesse sertão. Coisas do fim do mundo.

Mas o cego Jacinto quer estar bem apresentado pra quando os jogadores do sul entrarem em campo. Ninguém imagina, mas cego entende de futebol. Quando o time adversário entra em campo, vaia. Quando o time da gente sobe o túnel é foguetório. No gol dos outros, a gente cala. No gol da gente, a gente explode.

Se perguntarem pro cego Jacinto porque torce pro verdão, ele negaceia. Diz que é motivo particular. Coisa de si mesmo pra si mesmo. Então muda de assunto e se aboleta a falar de Mestre Vitalino. Cego Jacinto tocou flauta com Mestre Vitalino desde criança. No tempo em que flauta era pífano.

Hoje à noite não é São João, mas é dia de festa em Caruaru. Disseram que o gramado anda verde. São Pedro mandou chuva pro sertão e pro agreste. Faz quinze dias que só chove, e o barulho da chuva chega junto do barulho do noticiário esportivo no antigo radinho de pilha ráiovaque do pobre ceguinho.

Fui perguntar ao cego Jacinto, se ele não sente um pingo de remorso por estar torcendo contra o time de sua cidade: O Central.

Ele me olha, como só olham os cegos, com a profundidade rara dos sábios e filósofos do sofrimento resignado, e diz. Baixinho, pra só nóis ouvir:

"Minha vista fui perdendo aos poucos. Primeiro o azul. Depois o vermelho. A claridade fui perdendo aos dias. No final, bem no finalzinho, só me restava o verde. Um verde escuro, depois um verde cinza. A única lembrança que eu trago da vida e dos campos de futebol, é esse verde longe. Esse verde esperança que é meu único bem guardado. Nas noites eu me sinto humanidade. Na penumbra, quando ninguém enxerga um palmo, sou ser vivente. Mas no dia, quando meus olhos buscam e só encontram esse vazio, é aquele verde quem me acalenta a alma. Hoje, eu sou Palmeiras. No resto do ano me conformo com o preto e branco do Central..."

Por Juca Kfouri às 14h09

Emoção

Por BRUNO SILVA QUIRINO


Já ouvi e li muita gente comentando a emoção de ver um gol do seu time no estádio.

A festa da torcida, a corrida do jogador em direção à arquibancada, o festejar das bandeiras etc.

Como frequentador do Mineirão, não contesto o posto do gol como momento maior da emoção do torcedor.

Mas ouso alertar: quase tão impactante é um outro instante.

Refiro-me àqueles últimos segundos antes de ganhar as arquibancadas. Os derradeiros degraus...

É necessário retornar um pouco no tempo da narração para evidenciar o quão intenso é este instante, sob pena de ninguém compreender.

O primeiro disparar do coração ocorre, para quem vem do interior, quando se faz aquela curva do shopping, pegando a Avenida Catalão, reta final pra chegar na Pampulha.

Ali, você sente que está indo pro jogo.

Os carros em fila, torcedores buzinando, acenando, balançando bandeiras e gritando o nome do time. Enquanto isto ouve-se os comentários esportivos no rádio.

Daí pra frente você respira futebol.

Nada, no mundo, é mais importante que seu time.

Pelo menos durante aquele trajeto.

Você só quer chegar logo, estacionar o carro, caminhar até o portão de acesso. Você entra, passa pela revista da PM, sobe os primeiros lances de escada.

É aí que começa a coisa.

Você não pára de andar, mas o mundo pára.

Seus olhos estão vidrados ante a expectativa do que há porvir em tão pouco tempo.

Degrau por degrau, você já sabe o que o espera.

Ainda assim, mesmo sabendo que não há surpresa na imagem que verá, o coração não entende.

Para ele, é a primeira vez.

Primeiro você vê a torcida do lado de lá, fazendo festa.

O gramado vai surgindo aos poucos.

Se o jogo é noturno, tudo é mais bonito ainda.

O contraste da grama verde com o céu negro é de arrepiar.

Sobe mais um pouquinho e agora, sim, a visão é completa.

O retângulo está todo visível.

Você, estático, só sabe olhar para o verde, para o negro.

Acima, o círculo da cobertura do estádio realça o mar de estrelas.

É um longo, divino, inexplicável momento de contemplação antes de tomar seu lugar nas arquibancadas.

Por Juca Kfouri às 01h08

Parece mentira?

Contra 13 em Oruro (a altitude vale por dois), e prejudicado pela arbitragem, o Santos perdeu de 2 a 1 para o San José.

Contra 11 na Vila Belmiro, o Santos fez 3 a 0 no primeiro tempo.

E contra 10 no segundo tempo, um boliviano foi expulso ainda no primeiro, o Santos fez mais 4 a 0.

É isso, foi de 7, no dia 1o. de abril, mas não é conta de mentiroso.

Só o colombiano Molina fez quatro.

Por Juca Kfouri às 23h02

01/04/2008

Dia das visitas

Uma visita a Mogi das Cruzes, para fazer uma palestra no começo da noite, impede que este blogueiro veja os segundos tempos de Roma 0, Manchester United 1 (gol de Cristiano Ronaldo), e Schalke 04 0, Barcelona 1.

Os visitantes se dão bem, por enquanto.

Também não poderei acompanhar o jogo do Santos, embora, aí, tenha certeza de que o visitante San José não terá vez.

Por Juca Kfouri às 16h33

Meio de semana divertido para quem gosta de futebol

Se você gosta de futebol, este meio de semana está uma delícia.

A começar por hoje, isso mesmo, nesta terça-feira, às 15h45, pelas quartas-de-final da Liga dos Campeões, tem dois belos jogos: Roma x Manchester United e Schalke 04 x Barcelona.

Se não tem Ronaldinho Gaúcho no Barça, tem Cristiano Ronaldo no Manchester United.

E pela Libertadores, às 20h30, tem Santos e San José, da Bolívia, na Vila Belmiro.

Na quarta-feira a peteca, quer dizer, a bola não cai.

Também pela Liga dos Campeões, o Fenerbahce de Zico recebe o milionário Chelsea, em Istambul, às 15h45, assim como o Arsenal recebe o Liverpool, em Londres.

E pela Libertadores tem mais, porque as 21h50 o Maracanã recebe Fluminense e Libertad e o Morumbi será palco de São Paulo e Sportivo Luqueño, dois confrontos entre Brasil e Paraguai.

Ainda na quarta, três grandes de nosso futebol jogam fora de casa pela Copa do Brasil, para tentar evitar o jogo de volta: o Botafogo vai para Bacabal, no Maranhão, enfrentar o River do Piauí, às 19h30; o Palmeiras vai a Caruaru, em Pernambuco, jogar com o Central, às 21h50 e o Grêmio viaja para Goiània, onde pega o Atlético Goianiense, também às 21h50.

E não pense que é tudo, porque na quinta-feira tem mais.

Tem mais Libertadores, com o Cruzeiro diante dos argentinos do San Lorenzo no Ipatingão, porque tem show de axé no Mineirão, às 21h e tem mais Copa do Brasil, com os jogos de volta de Vasco e Corinthians.

O Vasco joga às 19h30, em São Januário, na sexta estréia de Antônio Lopes como seu técnico, diante do Bragantino.

O time cruzmaltino joga pelo 0 a 0 e pelo 1 a 1 para seguir adiante.

E o Corinthians pode até perder do Fortaleza por 1 a 0, no Morumbi, às 21h30, que mesmo assim irá às oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Comentário para o Jornal da CBN, 1a. Edição, de 1o. de abril de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/programas/cbnesporteclube.asp  

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

O que está em negrito são correções feitas às 11h30, graças aos gentis blogueiros.

Por Juca Kfouri às 01h21

31/03/2008

Aos amigos do Rio

Amigos do Rio de Janeiro têm reclamado que faz duas rodadas que este blog nem toca nos jogos do campeonato estadual.

É verdade.

Simplesmente porque desde que os semifinalistas estão definidos -- os quatros grandes, é claro -- não há nenhum motivo que leve a tocar nos jogos em andamento, desprezados pelos próprios grandes, que escalam times reservas.

Por Juca Kfouri às 14h20

30/03/2008

O ovo ou o maiô?

Por ROBERTO VIEIRA

Dezoito recordes mundiais quebrados em seis semanas.

Dezessete com o novo maiô LZR Racer da Speedo.

Quem nasceu primeiro, o nadador ou o maiô?

No final do século XIX, os trajes de natação chegavam a pesar quatro quilos quando molhados.

E de vez em quando despiam o nadador no meio das disputas.

Depois veio o lastex nos anos 30. Um fio de látex recoberto de fibras têxteis que se moldava ao corpo.

A pele de tubarão daquela época.

Em 1937 os homens foram autorizados a nadar de top less. Os trajes foram diminuindo.

O corpo inteiro foi sendo depilado. Tudo em busca de décimos de segundo.

Sim, mas afinal, quem nasceu primeiro, o nadador ou o maiô?

Quando Inglaterra e Hungria entraram em Wembley no distante 1953, uma outra guerra se travava.

A Hungria utilizava chuteiras. A Inglaterra usava coturnos.

A Hungria vestia calções. A Inglaterra, bermudas.

Mas não foi o uniforme que determinou a goleada magiar.

Foi o talento.

O uniforme era parte do abismo técnico e tático entre as equipes. Mas não fazia gols.

Agora, imaginemos outra situação.

Roger Federer jogando com as antigas raquetes de madeira seria facilmente batido por Nadal com as modernas raquetes de carbono.

Não existiria abismo técnico nem tático entre Federer e Nadal. Apenas tecnológico.

Tecnologia sozinha não bate recordes. Não torna ninguem um Johnny Weissmuler.

Mas, em igualdade de condições, a tecnologia decide jogos e medalhas.

E o maiô decide quem é o melhor nadador.

A natação precisa colocar todos os competidores em igualdade de condições.

Pois um Abebe Bikila vencendo descalço uma maratona não aparece todo dia.

Por Juca Kfouri às 22h03

Capital x Interior, outra vez, em São Paulo

Guaratinguetá, Palmeiras, São Paulo e Ponte Preta.

Tudo indica que será esta a classificação final da primeira fase do Campeonato Paulista.

O Corinthians até pode ainda ficar entre os quatro, mas além de ter de vencer o Noroeste, em Bauru, terá de torcer ou para a Ponte Preta não ganhar do Santos, na Vila Belmiro, ou para o Juventus empatar com o São Paulo, no Morumbi.

A segunda hipótese mais parece uma catástorfe e a primeira, aparentemente normal, esbarra no fato de o Santos jogar na quarta-feira seguinte em Guadalajara, no México, pela Libertadores, contra o Chivas.

Leão, que é credor do Corinthians e desafeto de seu presidente, certamente não escalará seus titulares.

Se o Guaratinguetá vencer o Ituano, em Itu, na última rodada, será ele o líder que enfrentará o quarto colocado, provavelmente a Ponte Preta.

Assim, como no ano passado, um time do interior estará na final.

O outro será da capital, ou Palmeiras ou São Paulo, que devem fazer uma semifinal com cara de decisão de Copa do Mundo.

Comentário para o Jornal da CBN, 1a. Edição, de 31 de março de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/programas/cbnesporteclube.asp  

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 20h51

Pena, Santos

Com mais de 2500 opiniões, 58% dos blogueiros, como o dono do blog, acreditavam na classificação do Santos.

Mas, não deu.

Uma pena, porque pela reação o time até que merecia.

Menos mal que há vida na Libertadores.

Por Juca Kfouri às 17h54

Corinthians sofre, mas sobrevive

 Duas vezes Herrera marcou, aos 9 e aos 12.

Só valeu o segundo, de cabeça, em cruzamento de Fábio Ferreira.

Porque, no primeiro, o árbitro exagerou ao marcar um empurrão dele.

Duas vezes Fábio Ferreira dividiu na grande área e, na primeira delas, deu a sensação de ter feito pênalti, coisa que o árbitro não achou.

Duas vezes, ainda, Diogo Rincón, foi violento, ambas sem a menor necessidade, e, na segunda delas, foi expulso de campo, aos 9 do segundo tempo.

Aos, 15, de cavadinha, em cobrança de falta, Júlio César empatou para o MAC.

Felipe só olhou.

Aos 18 foi a vez de Gum ser expulso, deixando tudo igual de novo, 10 contra 10.

Diante de mais de 18 mil sofredores, Finazzi entrou no lugar de Fabinho e Bóvio ficou em campo.

E aos 34, André Santos, fez um belo gol, depois que Dentinho errou um chute e a bola sobrou para ele na área.

Aos 47, Herrera puxou um contra-ataque, deu para Finazzi marcar, ele desperdiçou, mas André Santos pegou o rebote e estufou a rede do Marília: 3 a 1.

E o Corinthians sobreviveu.

Ao Corinthians restará ganhar do Noroeste, em Bauru, e torcer para que o Santos, ao menos, empate com a Ponte Preta.

Só assim será semifinalista.

Por Juca Kfouri às 17h52

São Paulo, mole, mole

Duas vezes o Bragantino deixou Adriano sozinho.

Duas vezes Adriano só parou na rede do Bragantino.

Na primeira, aos 9, ele saiu ainda antes do meio de campo.

Na segunda, aos 20, estava quase na pequena área.

Fato é que nem o São Paulo imaginava que seria tão fácil.

E o segundo tempo virou mera contagem regressiva.

Ao São Paulo bastará ganhar do Juventus, no Morumbi, para ficar entre os semifinalistas.

Alguém tem alguma dúvida?

Por Juca Kfouri às 17h50

Heranças de Agnelo

Agnelo, como se sabe, é cordeiro, em italiano.

Mas a herança deixada pelo ex-ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, do PCdoB, está mais para outro tipo de bicho.

O jornal "O Globo", de hoje, revela como correligionários dele desviaram recursos do programa Segundo Tempo e, pior, ainda tiveram seu convênio renovado já na gestão de Orlando Silva, também do PCdoB.

Estamos falando de alguma coisa na casa dos R$ 600 mil e fica cada vez mais claro como é mentirosa a informação de que o programa atende um milhão de crianças, como as autoridades gostam de falar.

Queiroz, é claro e como sempre, diz que tudo é ridículo, do alto do posto que ocupa hoje, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, responsável, quem sabe, por uma política nacional de desratização, já que não pode com o mosquito da dengue.

Leia, abaixo, as duas reportagens de "O Globo" sobre o tema.

É revoltante, para dizer o mínimo, ainda mais quando nos lembramos dos rapapés que sempre foram dedicados a Queiroz pela, por exemplo, Rede Globo de Televisão.

ONGs de Brasília viram palco político sem muita fiscalização
Presidente intimado a devolver R$ 77 mil ainda responde por outro projeto

Bernardo Mello Franco

BRASÍLIA. Para a burocracia federal, Abdenaldo Batista Gama, intimado a devolver R$ 77.032,65 do programa Segundo Tempo, está “em local incerto e não sabido”.

Para o presidente do Grupo Quadrilha Junina Galera dos Matutos, o Ministério do Esporte está logo ali, numa placa oficial sobre a janela.

Três anos depois de encerrar um convênio sem prestar contas, ele continua responsável pela execução de um dos maiores projetos sociais do governo no Varjão, bairro pobre a poucos quilômetros da Esplanada dos Ministérios.


A história de Bidé, como o líder comunitário é conhecido, reúne indícios das principais irregularidades denunciadas no programa: falta de fiscalização, uso de ONGs fantasmas e uso político-eleitoral dos benefícios.


Em 2004, Bidé foi selecionado para levar o Segundo Tempo a 400 crianças da periferia de Brasília.

Em entrevista ao GLOBO, ele atribuiu a escolha a Luiz Carlos Coelho de Medeiros, o Luizinho, a quem apontou como militante do PCdoB e assessor do então ministro do Esporte, Agnelo Queiroz.

Os dois participaram da solenidade de inauguração do núcleo, que era considerado modelo e chegou a ser incluído no roteiro da visita oficial de um conselheiro das Nações Unidas para esporte e desenvolvimento.

Recursos acabaram antes do fim do convênio

Dois meses antes do fim do convênio, o dinheiro da merenda acabou, os monitores deixaram de receber a ajuda de custo de R$ 300 e as mães foram orientadas a manter os filhos em casa.

Bidé alega que não prestou contas porque o fornecedor do lanche das crianças, cujo nome ele diz não se lembrar, deixou de entregar as notas fiscais.

O ministério, por sua vez, informa que o local não foi visitado porque na época a fiscalização só era feita por amostragem, quando havia alguma denúncia de fraude.


— Um dia eu vou ter que devolver esse dinheiro. Eu tenho essa consciência — afirma Bidé.


O endereço da Galera dos Matutos registrado na Receita Federal e nos documentos do Segundo Tempo corresponde à casa do líder comunitário.

A quadrilha só se reúne às vésperas da festa junina, mas ele atende às demandas do bairro todos os dias como diretor da Creche Comunitária do Varjão e, até o início do mês, também controlava a associação de moradores.

Quando a ONG ficou inadimplente, Bidé recorreu aos amigos mais próximos no governo.

Apesar da dívida, os recursos voltaram a chegar por meio do Instituto de Tecnologia e Educação Novo Horizonte, controlado por Luizinho e presidido por seu irmão, Antonio Carlos.

ONG tem pedido negado por não prestar contas

O segundo convênio foi assinado no segundo semestre de 2006, quando Agnelo já tinha deixado o cargo para o atual ministro Orlando Silva, que foi seu secretário executivo e também pertence ao PCdoB.

Bidé conta que foi recrutado para a campanha de Agnelo ao Senado, pelo Distrito Federal, e o ajudou a pedir votos no Varjão.

Em junho passado, o Novo Horizonte tentou renovar o convênio, mas a proposta foi recusada porque a ONG, que deveria ter atendido mais de cinco mil crianças em Brasília, também não prestou contas da aplicação do dinheiro.

Em dezembro passado, os laços políticos de Bidé voltaram a ajudá-lo a obter recursos do Ministério do Esporte.

Ele foi inscrito como um dos gestores do Segundo Tempo no convênio com a ONG Instituto de Desenvolvimento e Valorização Profissional Universo.

O projeto deve começar na próxima terça-feira.

Luizinho negou inicialmente qualquer vínculo com a entidade, mas depois admitiu atuar como presidente, embora seu nome não apareça nos documentos oficiais.

Apontado por outros dois coordenadores de núcleos como assessor de Agnelo, ele afirmou não ter vínculos formais com o ex-ministro:

 — Eu nunca trabalhei para o Agnelo na minha vida. Eu o conheço muito, sou eleitor dele, pedi votos na campanha, mas nossas áreas são diferentes.
O que eu tenho do PCdoB é uma camisa que nunca usei.

Ex-ministro nega ter se beneficiado com apoio Agnelo negou ter trabalhado com Luizinho, mas fez muitos elogios às suas ONGs, que classificou de exemplares.

Ele também disse não ter se beneficiado com o apoio político dos coordenadores do Segundo Tempo.

— Isso é ridículo. Tive 544 mil votos. É absolutamente insignificante uma pessoa dessa ter feito (campanha) — disse o ex-ministro, que perdeu a eleição em 2006 e hoje ocupa uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.



Jogo pesado no Segundo Tempo
Ministério do Esporte comprova irregularidades em ONG com recursos para crianças carentes

Ary Cunha e Bernardo Mello Franco
RIO e BRASÍLIA

Crianças andando de bicicleta ou jogando bola na calçada são as únicas atividades físicas esporadicamente visíveis em frente à Rua Sibéria, 844, em Bangu.

É no endereço ocupado por uma casa de portão alto, pintura desgastada, telhado colonial e sem campainha que o Ministério do Esporte acreditava estar a sede da ONG Sociedade Humanitária de Assistência Social e Cultural (Sohasc).


Entre 2004 e 2005, a entidade recebeu dos cofres públicos R$ 533.996,33 através do programa Segundo Tempo.

O dinheiro desapareceu e uma auditoria do ministério constatou a fraude que pode ter deixado até seis mil crianças e adolescentes sem aulas de prática esportiva e reforço escolar.


Ao visitar os locais indicados no plano de trabalho, os fiscais do ministério não encontraram indícios do programa.

“Restou constatada a inexistência de núcleos em funcionamento e a inexistência de crianças atendidas”, diz o relatório de auditoria, feito a cinco dias do fim do convênio.

De acordo com a auditoria, a Sohasc não desenvolveu qualquer atividade em sete das 11 comunidades a serem atendidas na Zona Oeste.

Apenas 1.365 das 6 mil crianças que seriam beneficiadas pelo convênio 76/2004 foram cadastradas, sem provas de que teriam mesmo sido atendidas.


Depois de três anos, o caso deve parar no Tribunal de Contas da União.


A Sohasc teve sua primeira prestação de contas reprovada e, em edital publicado há três semanas no Diário Oficial da União, o ministério intimou o presidente da ONG, Valter da Silva Oliveira, a entregar nova prestação de contas ou devolver o dinheiro até o último dia 20.

Oliveira, que assinou o convênio com o Segundo Tempo, em julho de 2004, ignorou as notificações sobre irregularidades e, segundo o ministério, encontra-se “em local incerto e não sabido”.

— Quando o projeto começou, houve muito atraso. O material que vinha do programa “Pintando a liberdade” (bolas, uniformes e outros itens), demorou três meses e eu fiquei situação delicada. Aí, eu saí três meses depois que assinou o convênio — afirma Olivier Ferreira Pinto Júnior, que ainda consta no site do Segundo Tempo como coordenadorgeral da Sohasc.

— Inscrevemos seis mil pessoas na associação de moradores da Favela do Barbante, em Campo Grande, mas o trabalho nunca começava.


Tráfico é usado como justificativa

A casa que deveria ser a sede da Sohasc pertence ao vice-presidente Almir Gomes.

No dia em que o prazo para a entrega de uma nova prestação se esgotou, ele afirmou ao GLOBO que não sabia que as contas da Sohasc haviam sido rejeitadas.


— A prestação não foi aprovada? Não sabia disso — diz Gomes, negando ter sido procurado pelo ministério.


— O trabalho foi feito. Não houve sacanagem.

Para o ministério, porém, ainda há muito a ser esclarecido.

A Sohasc deixou de cadastrar os profissionais envolvidos e de apresentar relatórios exigidos no contrato.

Os responsáveis pela ONG chegaram a atribuir as falhas de execução a problemas com o tráfico de drogas.


Apesar das irregularidades, a entidade ainda tentou renovar o convênio por mais um ano em maio de 2005, sem sucesso.

Um mês antes, o deputado Noel de Carvalho (PMDBRJ) apresentara projeto de lei declarando a Sohasc como “Entidade de Utilidade Pública"


Por Juca Kfouri às 12h47

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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