Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

19/04/2008

Está na 'Veja'

No dia 30 de março passado, o jornal "O Globo" já contava boa parte desta história.

A "Veja" traz, agora, novos detalhes, todos edificantes em relação a Agnelo Queiroz, tão bajulado por um certo tipo de jornalismo quando era ministro.

 

Brasil
A fraude documentada

ONG ligada a políticos do PCdoB e do
PSB desvia milhões de reais em Brasília


Diego Escosteguy

Ana Araújo
Lindomar Cruz/ABR
Michael Vieira e o ex-ministro Agnelo Queiroz (à dir.): testemunha diz que sacou dinheiro de empresa fantasma para entregar ao ex-ministro

As Organizações Não-Governamentais (ONGs) ficaram conhecidas nos últimos tempos como um instrumento eficaz de roubar dinheiro público. Sem observar critérios elementares de boa gestão, o governo federal despejou, nos últimos cinco anos, 12 bilhões de reais nos cofres dessas entidades. Em vez de grandes resultados sociais, as ONGs vêm encabeçando uma infinidade de escândalos. Descobriu-se que muitas delas são entidades de mentirinha, cujos dirigentes, quase sempre subordinados a partidos políticos, simulavam serviços, montavam prestações de contas e dividiam os lucros entre si. Uma CPI foi instalada no Congresso para tentar desvendar os caminhos do dinheiro desviado, mas pouco conseguiu até agora. VEJA localizou uma testemunha que ajuda a entender como muitas ONGs se transformaram em verdadeiras minas de ouro. Do que ela confessa e pode provar, emergem as engrenagens criminosas de uma entidade de Brasília que se associou a comunistas e socialistas que comandam os ministérios do Esporte e da Ciência e Tecnologia e conseguiu desviar, sozinha, 3,4 milhões de reais. Fácil, fácil.

A testemunha chama-se Michael Vieira da Silva, ex-funcionário do Instituto Novo Horizonte, uma ONG que dizia oferecer cursos de treinamento a crianças pobres. Ele conta que atuava como uma espécie de faz-tudo da entidade, mas seu grande trabalho foi abrir uma empresa de fachada, a T & Z, para fornecer notas fiscais frias à ONG, que assinou um convênio (que tem o sugestivo número 171) com o Ministério da Ciência e Tecnologia no valor de 1,8 milhão de reais. Os recursos saíram dos cofres do ministério e desapareceram sem deixar vestígios. Os documentos apresentados por Michael revelam o destino final do dinheiro: a conta pessoal do responsável pela ONG, Luiz Carlos de Medeiros (veja o quadro). O golpe é simples e de altíssima rentabilidade. A ONG simulava gastar a maior parte da verba que recebia em material didático. Investia, na verdade, apenas 5% do que declarava. A diferença, 95%, caía nos bolsos dos donos e de amigos que participavam do esquema. "Havia pagamento a secretárias e funcionários dos ministérios", diz Michael. Ao emitir notas fiscais frias para comprovar as despesas falsas, Michael acabou sendo multado em 722 000 reais pelo Fisco estadual.


Fotos Cristiano Mariz e Ana Araújo
Luiz Carlos de Medeiros já ganhou muito dinheiro como ongueiro. Sua antiga ONG foi pilhada numa auditoria. Para continuar recebendo – e desviando – recursos públicos, ele simplesmente abriu uma nova

Luiz Carlos é um bem-sucedido ongueiro, embora quase nada apareça em seu nome. De origem humilde, mora hoje num apartamento de cobertura, dirige carros importados, promove festas requintadas, mas também é dono de uma ficha corrida na polícia. A ONG Novo Horizonte, por exemplo, está registrada em nome de Antônio Carlos de Medeiros, irmão dele. "Não tenho nada, nada a ver com a Novo Horizonte. Sou uma pessoa humilde", diz Luiz Carlos. Luiz tem amigos influentes em sua área de atuação. Um deles é o comunista Agnelo Queiroz, ex-ministro do Esporte e atual diretor da Anvisa. O outro é Joe Valle, secretário de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia. "Luizinho é bom, sério, vai além do que o ministério exige", explica o ex-ministro. Em junho de 2006, três meses depois de Agnelo deixar o cargo, a ONG que Luiz diz que não é dele faturou um convênio de 1,6 milhão de reais com o Ministério do Esporte. Meses depois, Luiz atuou na campanha de Agnelo ao Senado. Era tratado pelos funcionários do comitê como "assessor". "Sou fã do Agnelo e votei nele", diz Luiz. Segundo Michael, cerca de vinte computadores da ONG de Luiz Carlos foram cedidos ao comitê de Agnelo.

Agnelo perdeu a eleição, mas a amizade com o ongueiro continuou – e os negócios também. Em 2007, o Ministério do Esporte fez uma auditoria no convênio com a Novo Horizonte e descobriu que os serviços não foram prestados. Uma das acusações graves que a testemunha faz trata do nível de intimidade entre o ongueiro e o ex-ministro. Michael Vieira afirma que um dos saques na conta da empresa fantasma T & Z, feito no dia 1º de outubro do ano passado, no valor de 150000 reais, teve como destinatário o ex-ministro. Ele relata ter sacado o dinheiro do banco, acompanhado do irmão de Luiz Carlos e de um funcionário da ONG. "O dinheiro foi entregue para o Agnelo", garante Michael. Agnelo diz que a informação é "absurda". "Estão querendo me prejudicar", afirma. Na semana passada, Michael prestou depoimento ao Ministério Público e entregou os documentos ao promotor Ricardo de Souza, que abriu procedimento para investigar o caso. Enquanto isso, Luiz Carlos, aquele que nada tem a ver com ONGs, segue a sua trajetória humilde. Além de planejar sua candidatura a deputado pelo PCdoB, ele assumiu o Instituto Universo, sua nova ONG, e já conseguiu assinar um convênio no valor de 638 000 reais com o Ministério do Esporte. A classe operária, ao que parece, encontrou nas ONGs o seu paraíso.

 

 

 
 
 




 

Por Juca Kfouri às 20h51

Ponte heróica, Aranha extraordinário!

Quando o jogo em Guaratinguetá tinha 25 minutos, tanto o time da casa como a Ponte Preta tinham criado duas chances de gol cada um.

O Guará de cabeça, uma pra fora, outra muito bem defendida por Aranha.

A Ponte teve ambas com os pés, impedidas pelo goleiro Fábio.

Em dois minutos, no entanto, tudo mudou.

Para ficar igual.

Nenê, aos 26, em ótimo contra-ataque, abriu a contagem para o Guará.

E Luís Ricardo, aos 27, fez 1 a 1, de cabeça, em cobrança de escanteio.

O jogo não era bom.

Era ótimo.

E passou a ser quase todo do time vermelho e...de Aranha, o goleiro da Ponte.

Que pegou até pênalti no fim do primeiro tempo e soube segurar a pressão do Guará durante todo o segundo tempo, quando fez defesas inimagináveis, duas delas no mesmo lance, à queima-roupa.

Aí, como futebol é futebol, a defesa anfitriã saiu jogando errado, foi desarmada e Wanderley, aos 33, fez 2 a 1 para a Ponte, que jogava com 10 já fazia tempo, com a expulsão de Eduardo Arroz, aos 13.

Ponte que no intervalo perdeu o experiente zagueiro César, contundido, e que já não tinha o seu meio-campista Elias, também machucado e fora do campeonato.

E que viu o Guará perder, sem exagero, no mínimo, cinco claríssimas oportunidades de gol no segundo tempo.

Ponte Preta heróica, que não terá Renato no primeiro jogo da decisão, suspenso pelos cartões amarelos.

Ou seja, não deverá ter nem César, nem Elias, nem Renato, sua espinha dorsal.

Mas que terá Aranha e sua camisa.

Uma camisa que já faz por merecer uma outra faixa, além daquela que traz em seu uniforme, mais antigo time de futebol em atividade, para valer, em nosso futebol.

Uma camisa que já participou de quatro decisões da Campeonatos Paulistas, duas contra o São Paulo (1970 e 1981) e duas contra o Corinthians (1977 e 1979), sem jamais vencer.

Terá chegado a hora?

Este blogueiro não esconde que torce para que a resposta seja SIM!

Em tempo: 2 a 0 para o blog em suas previsões...

Por Juca Kfouri às 20h03

Galo lá!

O Galo já está na final do Campeonato Mineiro.

Ganhou no fim, em Juiz de Fora, do Tupi, embora tenha tomado alguns bons sustos principalmente no primeiro tempo, quando viu duas bolas irem às suas traves e só uma vez ameaçou o gol contrário.

No segundo tempo, no entanto, teve mais chance de vencer, não fez gol por detalhe até os 45 minutos e soube segurar os donos da casa.

Aí, aos 46, o promissor menino Renan Oliveira fez 1 a 0 para o Galo ficar ainda mais feliz.

Agora espera para saber amanhã se enfrentará o tradicional rival Cruzeiro ou o Ituiutaba, torcendo, é claro, pelo menor.

Nas previsões do blog, 1 a 0 pra nós...

Por Juca Kfouri às 17h49

Briga ruça

SÓCIO DA MSI PROCESSA DONO DO CHELSEA

LONDRES, 18 ABR (ANSA) - Boris Berezovsky acusa seu compatriota Roman Abramovich de perdas financeiras por coerção e reivindica ressarcimento na Justiça londrina.

Berezovsky, um dos donos da MSI (fundo de investimentos que gerenciou o Corinthians em 2005 e enfrenta processos de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal no Brasil), apresentou um processo de indenização contra Abramovich, dono do Chelsea, no valor de US$ 2,5 milhões.

Segundo as atas do processo, Berezovsky teria sido obrigado, por meio de intimidações de Abramovich, a vender parte de suas ações aplicadas no mercado.

O processo judicial entre os fundadores da empresa petrolífera russa Sibneft começou hoje no Superior Tribunal de Justiça de Londres.

O advogado de Abramovich, Andrew Popplewell, disse ao juiz que solicitaria a revogação total do caso por falta de mérito.

Berezovsky tinha como representante da MSI no Brasil o iraniano Kia Joorabchian, o qual dividiu a administração do Corinthians com o ex-presidente Alberto Dualib.

Apesar da desvinculação da MSI com o clube paulista (parceria que trouxe o argentino Carlitos Tévez por US$ 19 milhões), alguns dirigentes ainda estão sob investigação da Justiça brasileira. (ANSA)

Por Juca Kfouri às 13h00

Uma Seleção que não engana

Foi uma brincadeira em Pequim e outra aqui.

Na China, Marta e companhia iam fazendo gols na seleção de Gana, em disputa de uma vaga nas Olimpíadas.

Um, dois, no primeiro tempo, três, quatro, cinco, no segundo.

Enquanto isso, um olho na tela, outro nela, Luiza se divertia com uma bola e gritava "Basil!", "Basil!".

Sei não, de que futebol minhas netas mais gostarão, mas esse das mulheres está dando gosto de ver.

Generosas, nossas meninas ainda concederam um golzinho às esforçadas jogadoras de Gana. 

Já sonhando com o pódio olímpico.

Por Juca Kfouri às 11h36

O centauro negro

Por ROBERTO VIEIRA

No hipismo, homem e cavalo se tornam um só. Centauros.

Centauros de sangue azul.

Porque o hipismo é um esporte elitista. Como o golfe e o tênis.

Como o futebol já foi um dia.

Mas, ontem, um jovem centauro negro conquistou o direito de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.

Como um Friedenreich redivivo. Como um Arthur Ashe em Wimbledom.

Rogério Clementino torna-se o primeiro cavaleiro negro brasileiro a disputar uma Olimpíada.

O primeiro cavaleiro negro no maior país negro do mundo.

Rogério nasceu no Mato Grosso do Sul. Pobre. Em cima de um cavalo.

Quando chegou em São Paulo foi limpar estábulos.

Muita gente ainda pensa no Brasil que lugar de negro é no estábulo.

Mas, a habilidade do jovem centauro não passou despercebida para Victor Oliva, o dono da coudelaria onde trabalhava Rogério.

Oliva chamou o técnico belga Johan Zagers para treinar o centauro.

E lhe entregou o puro-sangue Lusitano Nilo V.O.

Em dois anos, Rogério ganhou medalha no Pan. E barbarizou nas seletivas dos Jogos.

No hipismo, homem e cavalo se tornam um só. Centauros.

Centauros de sangue azul.

Mas o talento não tem cor. O talento rompe os muros dos guetos, os muros das prisões.

O talento permite a um garoto pobre e negro, um garoto que nunca conheceu seu pai, sonhar.

Sonhar com o dia em que Rogério Clementino não seja uma exceção à regra.

Um dia em que Casa Grande e Senzala seja apenas um livro na estante.

Um dia em que a humanidade seja uma só...

Por Juca Kfouri às 11h31

18/04/2008

Na 'Marca' da fofoca


Por GUSTAVO VILLANI

Ronaldinho "acerca" a Kaká al Real Madrid.

Eis a manchete do diário Marca desta sexta-feira.

A matéria se refere a um possível choque de vaidades e de postura profissional entre os dois, caso Ronaldinho assine mesmo contrato com o Milan.

Não fosse a "reportagem" publicada por este jornal espanhol, seria surpreendente.

Por isso a relação entre os jogadores, em especial os estrangeiros que moram na Espanha, é de amor ou ódio com o periódico.

Nesta mesma edição, por exemplo, há uma ampla entrevista de página dupla com o argentino Javier Saviola, até então esquecido pela mídia, em que repórter e jogador passeiam pela linda Madri, com direito a almoço em um restaurante del charco.

Neste caso exalta-se o jogador, afinal, Saviola ainda não deu certo no Santiago Bernabeu, precisa de espaço e oportunidades.

Saviola é tratado como substituto de Robinho para o próximo jogo, já que o camisa 10 brasileiro não se estabiliza no clube e vive outra fase ruim.

Por outro lado, tento imaginar as reações de Kaká e Ronaldinho ao ler a matéria de capa.

O texto se refere ao gaúcho como bon vivant e ao paulista como crack.

Sabe-se que Kaká é uma promessa antiga do presidente merengue Ramón Calderón, sabe-se que os dois vivem momentos profissionais diferentes, mas que em breve poderiam ser companheiros de clube.

Juntemos os fatos isolados e formemos um contexto para uma reportagem, simples.

Oportunismo e maniqueísmo seguidos à risca.

Algo que talvez fosse tema para uma análise, vem estampado na capa do jornal, como chamada da reportagem principal do dia.

Não seria louco de ignorar as tantas brigas entre estrelas que há no futebol, mas a história em questão me parece diferente.

Basta conhecer ou reconhecer um pouco o talento de Ronaldinho e a personalidade de Kaká.

Nem acho que "como bom brasileiro Ronaldinho prefere o samba a trabalhar", nem penso que "a contratação de Ronaldinho poderia fazer Kaká repensar o futuro", como destaca o jornal.

Além de descabida, a matéria é preconceituosa.

Por Juca Kfouri às 17h27

Fim de semana de decisões

Quatro grandes e decisivos clássicos movimentam o fim de semana do futebol pelo país afora:

em Salvador, no Barradão, tem Ba-Vi, às quatro da tarde, última rodada do turno da fase que decide o título baiano, quem ganhar salta na frente a apenas três rodadas do fim do campeonato;

no Rio, no Maracanã, também às quatro, tem o Clássico Vovô, Botafogo e Fluminense, quem ganhar é campeão da Taça Rio e decide o título estadual com o Flamengo, aí em dois jogos;

em Curitiba, na Vila Capanema, tem Paraná Clube e Coritiba, às quatro, com o Coritiba podendo perder por um gol para ser finalista diante do Furacão ou do Toledo;

e em São Paulo, no Palestra Itália, ainda às quatro da tarde, tem Palmeiras e São Paulo, o tricolor pelo empate para chegar à decisão do Campeonato Paulista contra Guará ou Ponte Preta; já o Verdão joga por uma vitória simples;

tem decisão também em Minas, mas entre Tupi e Galo, no sábado, em Juiz de Fora, e no Mineirão, no domingo, entre Cruzeiro e Ituiutaba;

como tem no Rio Grande do Sul, no domingo, com Inter e Caxias em Porto Alegre, no Beira-Rio, e Inter de Santa Maria e Juventude, em Santa Maria, na, veja lá que nome de estádio, Baixada Melancólica.

Este blog aposta que dá Vitória, Botafogo, Atletiba, Palmeiras e Ponte, Galo e Cruzeiro, e Inter e Inter, sem baixaria e sem melancolia.

 

Por Juca Kfouri às 00h07

Do blog 'Olhar Crônico Esportivo'

 

57,6% - O tamanho do gosto pelos pontos corridos

Segundo pesquisa publicada em "Veja" nesta semana, cariocas e soteropolitanos são os maiores torcedores de poltrona do Brasil: cada um assiste em média 2,4 jogos por semana, pela TV.

Em terceiro lugar está o paulistano, cuja média é de 2,1 jogos por semana.

Em último lugar na pesquisa, entre as regiões metropolitanas pesquisadas, está o morador de Florianópolis: apenas 1,4 jogo por semana.

A pesquisa aponta, ainda, outro dado interessante em três capitais: 69% dos belorizontinos, 60% dos paulistanos e somente 47% dos cariocas apontam o Campeonato Brasileiro como sua competição preferida.

O diário "Lance!" também trouxe uma informação muito interessante: a de que 47,1% dos compradores de jogos pelo pay-per-view também comparecem aos estádios, derrubando o mito que esse público não iria assistir ao vivo os jogos de seus times preferidos.

Eis que o "Olhar Crônico Esportivo" foi atrás de mais informações junto ao Clube dos 13 e trouxe uma informação ainda mais interessante: os torneios preferidos dos brasileiros.

Vamos a eles:

1º - Campeonato Brasileiro____ 57,06%

2º - Copa do Brasil___________ 13,80%

3º - Copa Libertadores________ 13,44%

4º - Estaduais/Regionais_______ 8,15%

5º - Não souberam responder___ 7,55%

Eis aí um dado realmente interessante e que comprova o gosto do brasileiro pelos pontos corridos: 57,06% dos torcedores brasileiros afirmam gostar mais do Campeonato Brasileiro que de todos os demais torneios juntos, todos eles com diferentes fórmulas "mata-mata".

Um número de peso, pois, afinal, já estamos na sexta edição seguida do Campeonato dentro dessa fórmula.

Os cinco anos anteriores já foram mais que suficientes para tornar a competição conhecida e ao gosto do público, contrariando as afirmações de muita gente em sentido contrário.

Cabe destacar, também, o grande aumento na venda de pacotes pay-per-view, cujo carro-chefe é o Brasileiro.

Um pouco sobre a pesquisa, feita pela subsidiária brasileira da TNS Sports, a maior empresa do setor em todo o mundo, nesse início de ano.

Algumas informações sobre sua base de dados:

Universo

6.036 torcedores de futebol

Faixa etária

acima de 16 anos de idade

Distribuição por sexo

Homens – 70%

Mulheres – 30 %

Classes sociais

A1, A2, B1, B2, C e D

Regiões Metropolitanas

São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Brasília, Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Goiânia e Campo Grande

Interior dos estados de

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Cobertura populacional

65,5%

Cobertura do PIB

85,2%

Margem de erro

1,1%

Os entrevistados primeiro definiram-se como torcedores de futebol e só depois passaram a responder ao questionário.

Uma pesquisa como essa, em que há uma pré-definição do público-alvo, uma seleção, permite uma margem de erro bastante reduzida, no caso presente de apenas 1,1%.

A maior parte dos dados dessa pesquisa não serão abertos ao público por enquanto, pelo menos enquanto continuarem as negociações Clube dos 13/Globo, em torno dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileito para 2009 a 2011. 

http://www.olharcronicoesportivo.blogspot.com

Por Juca Kfouri às 23h16

17/04/2008

Flu, o melhor

Diante de 20 mil tricolores no Maraca, o Flu, mesmo sem Thiago Neves e Washington, deu um passeio na LDU, embora tenha vencido apenas por 1 a 0.

O gol saiu aos 30 minutos do primeiro tempo, quando Cícero subiu ao terceiro andar para cabecear uma bola alçada da esquerda.

Muito dificilmente o Flu deixará de ter a melhor campanha da Libertadores, porque se Atlas e Flamengo podem atingir os mesmos 13 pontos, o time mexicano terá de vencer o Colo-Colo, no Chile, por três gols de diferença e o Fla terá de vencer o Coronel Bolognesi, no Brasil, por cinco.

Por Juca Kfouri às 21h33

Rádio é de graça

A juíza Marivone Koncikoski Abreu, da 1ª vara cível de Florianópolis, em janeiro deste ano, concedeu liminar para que as rádios catarinenses transmitissem os jogos do campeonato local sem ter de pagar, como pretendiam os clubes a exemplo do que pretende hoje o Atlético Paranaense.

Para a juíza, como a Lei Pelé só faz menção ao direito de arena em relação às transmissões de TV, a radiodifusão é, implicitamente, gratuita.

Dá discussão pra mais de metro...

 

Por Juca Kfouri às 17h46

Está no 'Consultor Jurídico'

Perto da prescrição

Eurico Miranda tem de prestar serviços à comunidade

O presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, terá de prestar serviços à comunidade. Ele havia entrado com pedido de Habeas Corpus na Justiça Federal tentando suspender a execução da pena a que foi condenado por crime de resistência. No entanto, o desembargador Messod Azulay, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (RJ e ES), negou o pedido.

Eurico foi condenado a um ano e seis meses de detenção. A pena foi trocada pela prestação de serviços à comunidade durante esse período e pelo pagamento de multa de 360 salários mínimos. O crime de resistência, previsto pelo artigo 329 do Código Penal, é aquele em que se impede, com violência ou ameaça, a execução de um serviço legal de um funcionário público.

Com a decisão, desta quarta-feira (16/4), Azulay cassou a liminar que ele mesmo havia concedido ao presidente do Vasco. Na época, o desembargador levou em conta que Recurso de Agravo de Instrumento não havia sido julgado pelo Superior Tribunal de Justiça. Azulay ponderou, na liminar, que a lei garante ao réu a suspensão da pena até o trânsito em julgado. No entanto, se fosse mantida a liminar, haveria o risco de a pena não chegar a ser cumprida, ressaltou o desembargador. Isso porque o crime está perto da prescrição.

“A manutenção da decisão antecipatória aumenta demasiadamente o risco de inviabilizar a efetividade da prestação jurisdicional. Ora, tendo o Estado agido em tempo de imprimir os efeitos jurídicos sobre a conduta delituosa do paciente, não se afigurando razoável ou proporcional que o provimento jurisdicional final se esvaia em razão da utilização dos instrumentos recursais de forma alargada”, afirmou.

O desembargador disse que Eurico Miranda já esgotou todos os recursos cabíveis: “Vislumbra-se aí um juízo de certeza da imutabilidade da sentença condenatória que, a meu ver, autoriza o início da execução da pena restritiva de direito”.

Eurico Miranda tentou impedir fisicamente o cumprimento de ordem judicial que determinava a busca e apreensão de documentos contábeis na sede do Vasco da Gama. Ameaçou o oficial de justiça e mandou que as luzes do clube fossem desligadas. Ele recusou-se também a assinar o lacre do material apreendido. A ordem tratava de fatos levantados na CPI do Futebol em 2001.

Processo 2008.02.01.005157-6

Revista Consultor Jurídico, 16 de abril de 2008

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Por Juca Kfouri às 02h20

Santos de virada, Inter e Corinthians complicados e Sport tricampeão

Tudo em ordem, susto superado, felizmente.

E grande virada do Santos, na hora certa, derrubando o penúltimo (sobrou apenas o Lanus) invicto da Libertadores, o Cúcuta, e garantindo sua classificação.

Só falta, agora, o São Paulo, para que o futebol brasileiro siga adiante com seus cinco times.

E tanto Fla quanto Flu podem ainda ter a melhor campanha da Libertadores.

Pela Copa do Brasil, o Paraná Clube complicou a vida do Inter, um dos favoritos no torneio, ao vencê-lo por 2 a 0.

Como o Goiás deixou o Corinthians em má situação, ao derrotá-lo por 3 a 1, fazendo valer sua superioridade, algo que os corintianos teimam em não aceitar, apesar do time que têm.

E Lusa e Bota ficaram no 1 a 1, ótimo para o Glorioso.

A Portuguesa continua invicta em Copas do Brasil no Canindé e, ao que tudo indica, manterá também a escrita de jamais chegar às quartas-de-final do torneio.

Finalmente, registre-se o tricampeonato pernambucano do Sport.

O Leão tinha jogado 13 vezes e vencido todas na Ilha do Retiro.

Ontem, podia empatar com o Central para garantir o título.

Foi o que fez.

Saiu na frente, cedeu o empate e ergueu a taça, com antecedência.

Está de parabéns.

Por Juca Kfouri às 01h59

16/04/2008

Lamento, mas...

Estou com um pequeno problema médico em minha família e terei de me ausentar.

Neste momento o Cruzeiro já levou uma goleada que não teve, é claro, nada a ver com a bobagem da altitude: levou de 5 a 1 do Real Potosí, a quem tinha batido em BH por 3 a 0.

O Vasco, a duras penas, contra 10 do Criciúma durante todo o segundo tempo, ganhou de 1 a 0 em São Januário, gol de Edmundo, de pênalti.

O Santos vai perdendo de 1 a 0 do Cúcuta na Vila Belmiro, enquanto o Chivas bate o San José por 2 a 0, o que elimina o time brasileiro.

Com dois gols de Paulo Baier, sempre ele, o Goiás está vencendo o Corinthians, no Serra Dourada, intervalo de jogo.

No Canindé, também no intervalo, 0 a 0 para Lusa e Botafogo.

O Azulão ganhou do Atlético Goianiense por 2 a 1, em Ribeirão Preto, com o goleiro Márcio, herói goiano na eliminação do Grêmio, perdendo pênalti que empataria o jogo..

E Paraná Clube e Inter empatam sem gols.

Amanhã eu volto.

Sinto.

Por Juca Kfouri às 22h48

Má campanha

Quem acompanha o Campeonato Paulista já há de ter notado uma estranha placa nos estádios de São Paulo com a frase "Seqüestro, não. Apóie esta idéia."

Difícil entender para quem está endereçada, porque só pode ser para os sequestradores, já que não se sabe de ninguém mais que possa ser favorável a sequestrar pessoas.

A campanha, que não se confunde, por exemplo, com a contra o racismo, é de um empresário cuja filha foi sequestrada e que está montando uma ONG voltada a combater o crime.

A causa é nobre, mas a campanha, por enquanto, infeliz.

Por Juca Kfouri às 18h44

E continua a goleada na Justiça

Por 3 a 0 a 3a. Câmara Cível do Tribuna de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou, ontem, recurso de Ricardo Teixeira contra este blogueiro.

Ele já havia perdido em Primeira Instância.

O cartola se sentiu ofendido pela coluna (de 14 de agosto de 2006) que republico abaixo e seu advogado, assim como um outro de São Paulo, tentou deixar mal o jornalista pelas críticas feitas ao Poder Judiciário.

Deu-se mal, não só porque os três desembargadores não viram nada que pudesse ofender o cartola, como, ainda por cima, ciosos da Justiça como têm de ser, manifestaram que por público, o Poder Judiciário pode sim ser criticado.

E, é claro, embora não tenham dito, que entenderam a quem se destina a crítica feita na coluna.

Porque como existem bons dirigentes no futebol, existem maus juízes no Judiciário, bons e maus advogados, idem com batatas em relação aos jornalistas.

Eis o texto que motivou nova derrota de Teixeira: 

Contra a liberdade de expressão

Dada a gravidade do fato, republico aqui, excepcionalmente (porque exclusivo dos assinantes da "Folha de S.Paulo" ou do UOL), minha coluna de hoje no jornal.

E já antecipo, como correção, que a frase que abre a coluna, atribuída a Franco Montoro, é, na verdade, citada por ele em sua obra jurídica, mas de autoria do jurista uruguaio Eduardo Couture.

JUCA KFOURI

Entre o Direito e a Justiça


O Brasil justo não será construído se o Judiciário suscitar tantas desconfianças em seus julgamentos

"TEU DEVER é lutar pelo Direito. Mas no dia em que encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça."


A frase é do professor de Direito do Largo de São Francisco, o saudoso André Franco Montoro, combatente dos mais ardorosos pela redemocratização do Brasil e dos mais limpos e eficazes governadores de São Paulo.


É uma frase irretocável, que cai como luva para abrir o raciocínio que segue abaixo, com o correspondente pedido de desculpas ao leitor que esperava ler aqui o comentário sobre a rodada que manteve o São Paulo na liderança.


Mas não dá.


Não dá diante da condenação do editor e presidente do diário "Lance!", Walter de Mattos Jr., em primeira instância, pelo juiz da 45ª Vara Civil do Rio Janeiro. Ele foi condenado a pagar indenização de R$ 9.000 a Ricardo Teixeira por causa de um artigo que escreveu, em 31 de julho de 2006, para o jornal "O Globo" e republicado pelo diário "Lance!".


No artigo, com absoluto equilíbrio, lamenta-se a impunidade da cartolagem do futebol diante de tudo que foi denunciado por duas CPIs no Congresso Nacional.


O punido, embora ainda caiba recurso, foi, mais uma vez, quem exerceu o sagrado direito da crítica e não quem descumpre as leis vigentes no país.


Curiosamente, aliás, Teixeira não processou "O Globo", que publicou originalmente o artigo, mas, apenas, Mattos e o "Lance!".

Fosse a condenação uma exceção e já seria gravíssimo.

Infelizmente, porém, tem sido a norma, muito porque o Judiciário parece querer se vingar da imprensa que, ainda bem, vem há tempos revelando como andam mal as coisas no chamado Terceiro Poder.


E não é preciso ir ao Estado de Rondônia, onde o presidente do Tribunal de Justiça está preso por envolvimento com venda de sentenças, para fazer a constatação. São raros os Estados, na verdade, em que não há casos semelhantes, e, particularmente no Rio, a promiscuidade é tamanha que não são poucos os membros do Judiciário que viajam à custa de entidades privadas, por exemplo, como a CBF, principalmente nas Copas do Mundo, fato fartamente noticiado desde a Copa de 1990.


Nem por isso os que se deliciam em hotéis cinco estrelas se dão por impedidos de julgar casos da CBF ou de seu presidente, o grande promotor das mordomias.


Se alguém com o espaço que Mattos tem para espernear é vítima de tamanha injustiça, imagine-se o cidadão comum, que não pode se queixar nem para o bispo.


A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) não podem ficar silentes diante de tais atentados à liberdade de imprensa. Porque tudo faz parte da desconstrução do Brasil que os homens de bem querem edificar.


Filho de promotor público, este colunista jamais se esquecerá do que ouviu de seu pai pouco antes deste se aposentar, desiludido com a aplicação da Justiça no país e com o sistema penitenciário.


"Meu filho, fique o mais longe que puder dos Fóruns e delegacias. Procure evitá-los até como testemunha. Porque eu sei como é feito o direito no Brasil."

A história já fez justiça a Franco Montoro e tem dado razão ao procurador de Justiça Carlos Alberto Gouvêa Kfouri, meu pai.


Sem dúvida, fará justiça também à luta que travam homens como Walter de Mattos Jr.

Mas, neste caso, a que preço?

Ao preço da intimidação, do sentimento de impotência e da pior das sensações que é a que sente a vítima de uma injustiça?

Por Juca Kfouri às 17h37

E o São Paulo virou

Com quase 6800 respostas, o São Paulo inverteu o favoritismo que era, com 4000 respostas, do Palmeiras, na base de 55% a 45% até antes do jogo do domingo passado.

Agora está 52% a 48% e é hora de mudar a sondagem, para a decisão da Taça Rio...

Por Juca Kfouri às 16h39

Sete jogos e 12 brasileiros em ação

Dois jogos da última rodada da primeira fase da Libertadores e cinco jogos de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil movimentam 12 times brasileiros nesta noite de quarta-feira.

Só um joga fora do Brasil, exatamente aquele que se vencer, será o time com melhor campanha da Libertadores: o Cruzeiro, que enfrentará o Real Potosí, às 19h30 de Brasília, num estádio que fica 3850 metros acima do nível do mar. No jogo no Mineirão, o Cruzeiro fez 3 a 0 nos bolivianos.

Às 21h50, ao nível do mar, na Vila Belmiro, o Santos recebe os colombianos do Cúcuta Deportivo.

Para não depender do resultado do jogo entre San José e Chivas, no mesmo horário, em Oruro, na Bolívia, o Santos precisa vencer.

O Cúcuta já está classificado e se ganhar do Santos sem que o Cruzeiro vença seu jogo, será dele a melhor campanha, o que permitirá jogar sempre o segundo jogo em casa. No jogo de ida, Santos e Cúcuta empataram sem gols.

A Copa do Brasil também começa às 19h30, com o Vasco, com Edmundo no banco, recebendo o Criciúma, em São Januário.

Que os cariocas não esperem facilidade diante do líder do campeonato catarinense.

Às 20h30, em Ribeirão Preto (correção feita às 16h37), o São Caetano recebe o surpreendente Atlético Goianiense, que eliminou o Grêmio.

E às 21h50, três jogos.

O Paraná Clube recebe o Inter sem Fernandão, desfalque importante para os gaúchos.

A Portuguesa conta com o Canindé para pregar uma peça no superior Botafogo do técnico Cuca.

E Goiás e Corinthians jogam no Serra Dourada, com favoritismo moderado para o time da casa.

Boa quarta-feira a todos.

Por Juca Kfouri às 00h01

15/04/2008

Eurico Miranda e seus charutos

Segundo a revista Piauí que está nas bancas com um perfil de Eurico Miranda, muito bem feito pelo jornalista Roberto Katz, o cartola do Vasco fuma 10 charutos cubanos Cohiba Siglo II por dia.

Desnecessário dizer o mal que faz à saúde, mas este é um problema dele e certamente não são poucos os vascaínos que torcem para que ele dobre o consumo.

Importa saber que não se compra legalmente tal charuto por menos de R$ 60 no Brasil.

Considerando-se que um ex-deputado federal jamais se valeria de contrabandistas, pode-se dizer que ele gasta R$ 600 diariamente, ou R$ 18 mil mensalmente só com o tabaco.

Considerando-se, ainda, que ele não é remunerado no Vasco, embora ao Vasco se dedique o dia inteiro...bem, deixa pra lá.

Por Juca Kfouri às 14h42

Obrigado, Peixe!

Por ROBERTO VIEIRA

Prezado Peixe,

Sei que muita gente não te entendeu. Eles recordam dos últimos anos quando os teus gols quedaram raros, finitos. Quando você se tornou aparentemente dispensável, supérfluo.

Mas, a imensa maioria dos brasileiros te lembra em 1994. Quando a nossa esperança era você e mais dez.

O Brasil era um lugar soturno. A inflação e a corrupção velaram uma geração de brasileiros. Numa curva de Ímola, Senna, nossa única alegria aos domingos, se imortalizara.

O Brasil era um país de luto.

Não tinhamos dinheiro no bolso. O futebol era uma coleção de fracassos. A gente tinha incorporado novamente nossa alma viralata.

Alguém lembrou 1993. O Maracanã lotado. Você chegando calado. Entrando em campo sério. Detonando o Uruguai com a autoridade dos craques.

O Maracanã chorou de alegria. Lembrou de Zizinho, de Garrincha, de Zico. Lembrou do gol.

O Barcelona e o PSV te idolatravam. Mas a gente tinha te esquecido. Ingratos.

Você nos presenteou com a esperança. O presente mais belo que pode ser ofertado na vida e no futebol.

E lá foi você, Baixinho, ser Peixe na Copa.

Rússia, Camarões e Suécia. Um gol cada. Um toque. A rede balançando de mansinho. Feliz na terra do soccer.

O país queria acreditar, diria mais. O país precisava acreditar. Em Romário. No Real.

Holanda. Eles nos atacaram e você decretou seu fim em um novo Guararapes. Nosso Antonio Felipe Camarão, desculpe, Antonio Felipe Peixe!

Quando Branco chutou aquela bola, você foi craque! Você foi craque até sem tocar na bola.

Vinte e oito anos e campeão do mundo, Peixe. Marcando gol de cabeça nos gigantes suecos. Como o Rei.

O que seria do Brasil de 94 sem você?

Um peixe fora d'água.

Sei que muita gente não te entendeu. Eles recordam dos últimos anos quando os teus gols quedaram raros, finitos. Quando você se tornou aparentemente dispensável, supérfluo.

Mas, a imensa maioria dos brasileiros te lembra em 1994. Quando a nossa esperança era você e mais dez.

Romário das onze camisas.

Romário dos 1002 gols. Romário que teria vaga em qualquer seleção brasileira de todos os tempos.

Agora que você deixa os campos e desfila nas enciclopédias do futebol.

Só nos resta dizer humildemente:

Obrigado, Peixe!

Por Juca Kfouri às 13h58

Pênalti em Adriano

Volto da ESPN-Brasil e minha caixa postal está inundada: sim, houve um pênalti em Adriano antes do gol com a mão.

Se o gol com a mão era difícil de se ver, o pênalti mais ainda.

Mas, sim, o gol foi com a mão e houve o pênalti que, se não houvesse, talvez permitisse um gol legal.

E viva o futebol!

Em tempo: procure não ouvir o bestialógico da narração.

http://www.youtube.com/watch?v=Yf95F3aRF88

 

Por Juca Kfouri às 00h14

14/04/2008

A solidão do goleiro na hora do adeus

Por ROBERTO VIEIRA

Ontem, o Santa Cruz venceu o Vera Cruz por 4 x 2 pelo Hexagonal do Rebaixamento do Campeonato Pernambucano. Até aí nada demais. Vida que segue.

No intervalo da partida, a torcida tricolor descarregou toda sua raiva e frustração com o time em um só jogador. O arqueiro Jean.

Jean que defendeu o Corinthians e a Ponte Preta. Jean que foi quatro vezes campeão baiano.

Jean que fazia parte do elenco do Cruzeiro, campeão da Libertadores 1997.

Aos 35 anos, Jean foi contratado pelo Santa Cruz no dia 26 de fevereiro. Era um contrato de risco. O jogador se recuperava de uma grave contusão no joelho.

Jean estreou em um dia de chuva torrencial contra o Centro Limoeirense. Estreou de supetão. O técnico Fito Neves decidiu em cima da hora barrar o titular Paulo Musse. Jean entrou e tomou dois gols fáceis. A torcida olhou desconfiada, mas ficou calada, pois o Santa Cruz venceu.

Dias depois, empate com o Petrolina. Jean toma dois gols no primeiro tempo e é barrado no intervalo, após descer para os vestiários sob estrondosa vaia.

Sábado passado, o Santa Cruz tinha apenas dois goleiros para enfrentar o Vera Cruz. Jean e o garoto Rafael de apenas 15 anos. Jean decidiu entrar em campo. Deixar um menino de 15 anos jogar era loucura.

O Santa Cruz abriu o marcador. O Vera Cruz empatou. O Santa fez 2 x 1 e novamente sofreu o empate. No final do primeiro tempo, o tricolor faz 3 x 2 de pênalti.

Jean desce aos vestiários debaixo de vaias e xingamentos.

Volta para o segundo tempo e realiza três defesas milagrosas. Dessas que até Deus duvida. No seu rosto a dor pelo joelho machucado.

A torcida aplaude e grita: ‘Paredão!’. Jean sai de campo chorando, abraçado pelos companheiros.

Um repórter se aproxima do arqueiro. Jean enxuga as lágrimas e, olhando o antigo estádio, declara:

- Não dá mais! Hoje paro de jogar!

E desce, pela última vez, lentamente aos vestiários do Arruda.

Na infinita solidão de um goleiro na hora do adeus.

Por Juca Kfouri às 12h43

Com a cabeça de Adriano e a mão do Imperador

O centrovante são-paulino Adriano trocou os pés pelas mãos ontem no Morumbi.

E meio de cabeça, meio de mão, fez o primeiro gol de um jogo que se apresentava complicado para o São Paulo.

É verdade que seu gol aconteceu quando ainda havia mais de 80 minutos a serem disputados.

E o Palmeiras não soube lidar com isso, o que não deixa de ser uma deficiência.

Vanderlei Luxemburgo, é claro, como sempre faz quando perde, quis falar mais da falha do apito do que de outra coisa.

Aliás, quando quis falar de outra coisa foi para se queixar até do cartola tricolor encarregado de recepcionar a delegação alviverde, um auditor do desmoralizado tribunal de justiça esportiva da federação paulista.

Beirou o ridículo.

A arbitragem falhou no primeiro gol são-paulino e o zagueiro palmeirense Gustavo falhou no segundo gol são-paulino, mas sobre isso não se ouviu uma palavra.

Só que o pênalti de Alex Silva em Lenny, uma boa idéia de Luxemburgo no segundo tempo, serviu para o Palmeiras diminuir o prejuízo para 2 a 1.

E para manter o favoritismo como maior candidato ao título paulista da temporada, pois basta fazer 1 a 0 no São Paulo, domingo que vem no Palestra Itália, para disputar a final contra Ponte Preta ou Guaratinguetá.

Com o que, aliás, os frequentadores deste blog parecem concordar, porque nossa sondagem continua com uma margem de 55% a 45% a favor do Palmeiras, desde que foi lançada. 

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 14 de abril de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/programas/cbnesporteclube.asp

Por Juca Kfouri às 00h01

13/04/2008

Fogão arrasa o Mengão

Botafogo e Flamengo fizeram um primeiro tempo amarrado, mais para um clássico gaúcho do que carioca, onde a marcação falava mais alto.

Quem era mais perigoso e exigia mais do goleiro adversário, no entanto, era mesmo o Botafogo, embora Diguinho tenha salvo um gol rubro-negro.

E foi o Glorioso quem acabou saindo na frente depois de um escanteio batido pela esquerda, desviado de cabeça no primeiro pau por Zé Carlos e concluído, adivinhe por quem: sim, pelo artilheiríssimo Wellington Paulista, aos 39.

Para o segundo tempo o Flamengo voltou com Marcinho no lugar de Souza, que não se sentia bem.

E só deu Botafogo até os 15 minutos, quando Alessandro marcou o segundo gol para botar o Fogão na final da Taça Rio, depois de excelente jogada de Zé Carlos pela esquerda.

O 3 a 0 veio com Lúcio Flávio, de pênalti duvidoso de Toró em Jorge Henrique, aos 27.

O Mengo estava mortinho da silva e agora esperará para ver quem lhe cabe na decisão do estadual, se Flu ou Bota.

O clássico foi visto por quase 48 mil torcedores, a exemplo de Flu e Vasco, com quase 50 mil.

Por Juca Kfouri às 18h00

A ressurreição do São Paulo

O Palmeiras começou a jogar no Morumbi como se estivesse no Palestra Itália.

Foram três minutos de absoluto domínio, tônica quase permanente do primeiro tempo.

O São Paulo tratava de se defender em seu campo e deixava a iniciativa do jogo para o adversário.

Mas não só tinha de novo a segurança de Alex Silva em seu trio de zagueiros, como tinha em Zé Luís um carrapato no chileno Valdívia.

E na conhecida jogada de Jorge Wagner sobre a área, Adriano fez um gol meio de cabeça meio de mão, irregular, é claro, mas dificílimo de ser visto.

Eram 11 minutos e até ali tanto Richarlyson como Pierre já tinham levado exagerados cartões amarelos, que os alijam do jogo de volta.

Valdívia, apagado, também levara o dele sem que fosse necessário, e acabou por não levar um segundo, este merecido, que o tiraria da decisão ainda no primeiro tempo.

Embora dominasse, o Palmeiras esbarrava na reconstruída defesa tricolor e lance agudo de gol mesmo só arquitetou um, com Alex Mineiro mandando de cabeça no pé da trave de Rogério Ceni.

O 1 a 0 não era injusto pelo maior volume de jogo alviverde, mas era pelo erro, compreensível, repita-se, da arbitragem.

Só que nem bem o jogo recomeçou o Palmeiras saiu jogando errado com Gustavo, Jorge Wagner roubou a bola e a deu para Adriano ampliar, um choque que pode valer o 21o. título paulista tricolor e custar o 22o. título alviverde.

O Morumbi recebia 37 mil pessoas surpresas com o que viam.

Em seguida foi a vez de Rogério Ceni dar o ar de sua graça, ao defender um chute cara a cara de Diego Souza.

E Denílson e Martinez entraram em campo nos lugar de Kléber e Pierre, além de Zé Luís ter levado o terceiro cartão amarelo.

Deveria, por sinal, como Valdívia no primeiro tempo, ter levado o vermelho logo depois, mas o árbitro maneirou.

No desespero, Luxemburgo botou Lenny no lugar de Élder Granja e, em seu primeiro lance, ele quase diminuiu em chute cruzado pela direita.

O São Paulo quebrava uma série de 14 jogos sem perder do Palmeiras e assumia a liderança do campeonato em número de pontos, o que pode lhe valer a vantagem de fazer a decisão em casa.

Mas o martelo verde não parava de martelar.

E depois de o São Paulo desperdiçar duas boas chances de fazer 3 a 0, Lenny, em sua segunda descida, foi derrubado na área por Alex Silva.

Alex Mineiro bateu o penal e diminuiu aos 31, além de ter tornado possível que um simples 1 a 0 no Palestra Itália bote o Palmeiras na final.

O jogo que já era bom, muito bom, pegava fogo definitivamente e a entrada de Lenny tinha muito a ver com isso, mérito de Luxemburgo.

E a verdade é que o empate seria mais justo, pelo erro da arbitragem no primeiro gol tricolor, o que manteria a vantagem palmeirense.

Muricy pôs Hugo no lugar de Dagoberto que desperdiçou dois bons contra-ataques são paulinos.

No penúltimo minuto Denílson fez linda jogada pela esquerda e quase Alex Mineiro empatou de letra.

Mas o fato é que o São Paulo ressuscitou.

E como!

Joga pelo empate no domingo que vem.

Que jogo, hein?! 

Por Juca Kfouri às 17h56

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico