Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

17/05/2008

Noite de sábado na Série A

A torcida do Sport parece que fez o que Nelsinho Batista não fez: se o técnico escalou o que tinha de melhor para pegar o Vitória, o torcedor se guardou para o jogo contra o Vasco, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

Apesar disso, foi o maior público do sábado, com 19.104 pagantes, mais que os 14.296 do Mineirão e bem mais que os apenas 6.032 de São Januário.

Resultado: 0 a 0, com pouca pressão e, pelo menos, uma grande defesa do goleiro baiano colombiano Viáfara no clássico nordestino.

O Vitória teve um gol anulado no fim por falta na conclusão do lance e o Sport teve um pênalti não marcado a seu favor em seguida.

Mas, no mínimo, o mais justo teria sido um empate com gols.

Já no clássico nacional, o Cruzeiro mereceu amplamente derrotar o misto do Botafogo no Mineirão, por 1 a 0, gol de pênalti de Guilherme, ainda no primeiro tempo.

Não fosse o goleiro Castillo, que voltou, o Glorioso teria sido goleado, mas ele é pago para defender e os atacantes do Cruzeiro para marcar, o que não tiveram de competência de fazer em diversas ocasiões, numa partida agradável de ser vista.

Carlos Alberto estreou. Estreou?

Também foi agradável a partida de São Januário, o clássico colonial, que teve a Lusa mandando no travessão logo de cara, mas o Vasco, com força máxima mandando no jogo até fazer 2 a 0, com Leandro Amaral e Edmundo, um em cada tempo.

A Portuguesa descontou de pênalti, e Edmundo, no fim, fez 3 a 1, com justiça absoluta.

Por Juca Kfouri às 20h07

Vitória no sufoco, Corinthians?!

Primeiramente é obrigatório dizer que o Gama é óbvio candidato a disputar a Série C no ano que vem.

Simplesmente não existe.

Então, em franca maioria nas arquibancadas, o Corinthians treinou no esburacado gramado do Boca de Jacaré, no Distrito Federal, com ingresso pago durante os 45 minutos iniciais.

Por baixo, 80% dos quase 18.500 pagantes eram alvinegros.

Com 23 minutos o jogo só não estava 5 a 0 porque o goleiro Luís Henrique tinha evitado dois gols de Douglas, um de Lulinha e o travessão tinha evitado outro, de Fábio Ferreira.

A única bola que entrara viera da cabecita de oro de Herrera, aos 11, ele que foi acusado de empurrar o zagueiro do Gama no lance, mas que, na verdade, foi empurrado minutos depois em pênalti não marcado pela arbitragem de segunda em Taguatinga.

Se o primeiro tempo tivesse acabado 5, 6 a 0, nada poderia se reclamar da atuação corintiana.

Mas com apenas o 1 a 0, há que se dizer que o time deixou a desejar e que Perdigão, mais uma vez, teve atuação abaixo da crítica.

O segundo tempo seguiu na mesma toada, afora o fato de o Gama até ter tentado alguma coisa de fora da área e de o Corinthians ter criado apenas uma chance de gol, com Dentinho.

Para alegria geral da nação corintiana, aos 15, enfim, Mano Menezes tirou Perdigão e botou Eduardo Ramos.

O jogo estava duro. De ver.

Aos 17, acertaram a nuca do Cabecita de Oro, sem maiores conseqüências.

Cuca, técnico do Botafogo, certamente via o jogo e gostava do que via, isto é, não gostava, mas pedia aos céus que fosse este Corinthians o adversário do Botafogo na terça-feira, no Engenhão, na primeira partida das semifinais da Copa do Brasil.

Porque não é que, aos 22, por pouco o Gama não empatou numa dividida de Ludemar com o goleiro Felipe?

E, aos 24, não é que Adriano Magrão, de cabeça, empatou?

O terceiro gol de bola alçada tomado pelo Corinthians na Segundona!

Menos mal que, três minutos depois, Douglas que perdera dois gols mais fáceis, fez belo tento de pé esquerdo, de fora da área, em bola muito bem colocada.

Com 30 minutos, Acosta substituiu Lulinha.

E, aos 31, acredite, por muito pouco o Gama não empatou de novo...

E, aos 33, em falha de saída do gol de Felipe, que anda inseguro, outra vez...

A coisa foi ficando tão preocupante que Mano Menezes pôs William em campo, no lugar de Herrera!

Parece mentira, mas fato é que os minutos demoravam a passar.

E o adversário era não a Ponte Preta, o Bahia, vá lá, o São Caetano.

Era o Gama, meu Deus!

Aos 45, no entanto, com o número 25 na costa, Acosta fez lindo gol, também de fora da área, ao estilo de Carlitos Tevez.

O Corinthians está 100% na Série B, duas vitórias em dois jogos, o que é importante, sem dúvida.

Mas está 100% na Segundona também no futebol que está apresentando.

E que ninguém diga que se trata de má vontade, porque a vontade não poderia ser melhor.

Só que o time não ajuda.

Hoje, como no sábado passado diante do CRB, não havia motivo para sofrer.

Será preciso jogar muito mais contra o Botafogo.

Por Juca Kfouri às 17h52

Palestra Paradiso

Por ROBERTO VIEIRA

- Papà!

- Ma come Toto?

- Eu queria assistir o gioco do Palestra domenica, Papà!

Silenzio. Olhos no infinito.

- Podemos, Papà?

O pai olha para o filho e pensa nas economias.

Os reais guardados para que não falte comida pro bambino, para que não falte um livro na escola.

Para que ele seja um dottore.

- Ma no, Toto!

- Perché Papà?

Como explicar pro figliolo que seu pai não tem o dinheiro para comprar dois ingressos para o estádio do Palestra?

Como explicar que os ingressos custam molto caro?

Que agora todo jogo do Palestra custa uma final de campeonato?

Como explicar que a vida é muito mais complicada que um jogo de calcio?

Enquanto pensa todas essas coisas, o velho pai observa o pequeno Toto chegando perto dele lhe abraçando as pernas.

E num instante o vecchio operaio percebe que seu filho entendeu o seu drama, a sua angústia.

E ambos choram baixinho. Longe do Palestra.

Perto do paradiso...

Por Juca Kfouri às 00h40

O primeiro da Segunda

Para todos aqueles que, com razão, se queixaram, se queixavam, se queixam e se queixarão deste blog por não acompanhar devidamente a Série B, exceção feita ao time do coração do dono do blog, eis uma dica: http://www.segundona.org/

É ótimo!

Por Juca Kfouri às 23h57

16/05/2008

Viva o Imperador!

Nada menos do que 78% dos 800 blogueiros que responderam, consideram que Dunga acertou ao reconvocar o Imperador Adriano.

Já se a pergunta fosse sobre Rafael Sóbis, na reserva do Bétis, sei não...

Por Juca Kfouri às 22h47

O fim de semana de futebol

Às 18h10, três jogos:

um clássico nacional, entre Cruzeiro e Botafogo, no Mineirão, com o time carioca poupando-se para a Copa do Brasil, mas prometendo estrear Carlos Alberto;

um clássico nordestino, entre Sport e Vitória, na Ilha do Retiro, ambos com força máxima, porque Nelsinho Batista não quer ver o Leão ficar para trás e não poupará ninguém para o jogo diante do Vasco no meio da semana;

um clássico colonial, entre Vasco e Lusa, em São Januário, para se ver tomando vinho verde com tremoços, o Vasco com mistérios por causa da Copa do Brasil, a Lusa com tudo.

No domingo, outros sete jogos, quatro às quatro:

na Arena da Baixada, os rivalíssimos Furacão e São Paulo se encontram, com os tricolores se poupando para a Libertadores;

no Olímpico, força total para Grêmio e para Flamengo, que inova com Caio Jr. num 3-5-2;

no Maracanã, Flu e seus reservas recebem o Náutico;

e, no Serra Dourada, o Goiás em petição de miséria enfrenta o Galo que faz um mês que não ganha de ninguém...

Às 18h10, três jogos, um deles, o jogo da rodada:

exatamente o do Palestra Itália, entre Palmeiras e Inter.

O Palmeiras pode até perder que nem por isso ficará assim tão longe que não possa se recuperar.

Mas não pegará bem para o campeão paulista uma segunda derrota seguida e para o campeão gaúcho, que também sabe que seu clima ficará pesado se voltar a Porto Alegre com duas derrotas na cabeça, a mais grave diante do Sport.

O clima no Palestra, aliás, já parece pesado depois que Kléber agrediu o menino Maurício sem bola no treino e Valdívia acertou Lenny.

Em Floripa, outros dois campeões estaduais se enfrentam, Figueirense x Coritiba, com grande equilíbrio.

E o Santos, tudo indica que com seus titulares terá o Ipatinga, na Vila Belmiro, para se recuperar da má jornada no México.

Antes disso tudo, na Série B, às 16h do sábado, no Distrito Federal, o Gama, em minoria, recebe o Corinthians obrigado a vencer.

Por Juca Kfouri às 22h40

Imperdível!

 

Após seis anos de trabalho, vai para as telas dos melhores  cinemas do Brasil, em junho  próximo,  o 1958 o ano em que o mundo descobriu o Brasil.

É um filme de admiração aos grandes heróis do futebol brasileiro dirigido por José Carlos Asbeg.

 

Por Juca Kfouri às 20h41

Sobre futebol, ídolos e sociedade.

LINO CASTELLANI FILHO

Observatório do Esporte


O destaque dado pela mídia aos episódios relativos tanto ao mais recente caso amoroso do "Ronaldo Fenômeno" quanto das cenas de guerra civil proporcionada por parte da torcida palmeirense e policiais nas ruas paulistanas logo após o encerramento do jogo da final do campeonato paulista, entrecortadas pela notícia, vinda da Espanha, denunciadora de possível doping do "Ronaldinho Gaúcho", nos fez retomar texto do contemporâneo professor e filósofo do fenômeno esportivo, o português Manuel Sergio.

Que por aqui permaneceu bons dois anos, ao final da década de 1980, compartilhando suas reflexões com seus colegas brasileiros, o que continua fazendo até hoje.


Àquele seu breve escrito, deu o título, bem ao estilo português, de "Sobre o Futebol: Pensamentos novos, na moda e no modo".

Por maior que seja a tentação de reproduzi-lo na íntegra, nos contentamos em fazer referência a algumas de suas passagens.

Vamos a elas:

"Raros são os esportistas profissionais que se apercebem do significado do esporte. A profissão, demasiado absorvente e altamente competitiva, não lhes consente a reflexão que descobre o sentido e a significação da sua atividade imediatamente corporal".

"A grande questão para o futebolista, reside aqui: Por que sou eu um ídolo? Para reproduzir um mundo em agonia ou para ajudar o surgimento de um mundo novo? Tenho eu uma mensagem, sem ambigüidades, para os que me aplaudem e contemplam?".

"Fazer progredir o futebol não tem sentido, se os Homens do Futebol continuam reificados, simplificados, reduzidos a linhas, esquemas, tempos e medidas. Será assim exagerado pretender que um dos problemas maiores, hoje postos à sua reflexão, é justamente o problema da aliança do amor e da técnica, da relação fraterna e da relação funcional, da eficiência e da vivência, da interioridade e da exterioridade, do particular e do universal? Mas não implicará a aliança do amor e da técnica uma real perda de produtividade? Talvez. Mas aquilo que se perde, neste setor, se ganha no sentimento de participação e desalienação, de comunicação e de comunhão, de conhecimento do Homem pelo Homem; Se ganha na qualidade da prática esportiva, na limitação da violência, na libertação daquilo que o Poder massificou, que a tecnocracia manipulou, que o Ter dividiu".

"O futebolista-ator constitui um elemento de verdade e fascinação, desde que reflita servilmente a época em que vivemos, mas sirva, sobretudo, para desmontá-la, desfibra-la e propor a transformação do que nela possa estar errado. Quando será possível a ligação profunda entre a prática do futebol profissional e a libertação do Homem?"


"A visão pessimista do nosso futebol não deve fundar-se (...) nos prêmios monetários dos jogos, mas sim na carência de ciência e consciência, em todo o sistema onde o futebol se desenrola. Uma luta egoísta, sem vida sindical constante e lúcida, indiferente ao sofrimento dos antigos ou atuais colegas de profissão, que jazem na miséria, nunca sai vitoriosa, porque é uma forma de autopreservação da injustiça e do erro"...

"Profissionais com ordenados exorbitantes e regalias principescas, asseverarem que sofrem penosamente no exercício da sua profissão, é de bom tom. Aristocratiza a dor. O Ter e o Poder revêem-se nela. 'Os grandes desgraçados são mudos: choram às ocultas'".

Por Juca Kfouri às 18h36

Revendo Brasil e Suécia na Copa de 94

Lennart Johansson, ex-presidente da UEFA, sueco, e homem sério, sobre quem jamais se levantou qualquer tipo de suspeita tão comum no mundo da alta cartolagem, deu entrevista ontem para uma revista de seu país e disse ter sido estranha a atuação de um árbitro sul-americano na semifinal da Copa de 1994 e atribuiu sua escala ao então presidente da Fifa, o brasileiro João Havelange, sobre quem não se pode dizer o mesmo que sobre o sueco.

O sueco reclamou principalmente da expulsão do clássico capitão da Suécia, Thern, por uma falta em Dunga que, segundo ele, mereceria sim cartão amarelo, jamais vermelho.

Hoje, no "Estadão", árbitros brasileiros ouvidos a respeito reagiram assim diante da suspeita de Johansson:

" 'Acho uma leviandade. Uma brincadeira sem fundamento.'

Foi dessa forma que o ex-árbitro Arnaldo Cezar Coelho reagiu às declarações do ex-presidente da Uefa Lennart Johansson, que criticou a arbitragem do colombiano J.J. Torres na semifinal do Mundial dos EUA, em 1994.

Segundo o juiz da decisão da Copa de 82, na Espanha, o árbitro teve atuação muito boa. 'Não houve nada a ser questionado. A Suécia perdeu porque não tinha Romário.'

José Roberto Wright, que dirigiu a disputa do 3º lugar no Mundial da Itália, em 90, não entendeu o porquê de Johansson levantar dúvidas sobre a atuação do árbitro colombiano 14 anos depois do jogo.

'Se ele queria denunciar algo, por que não o fez naquela época, quando dirigia a Uefa?'

Wright afirmou que nunca ninguém questionou o cartão vermelho aplicado por Torres ao sueco Thern. "

Não é fato.

Fui ver o que escrevi, em "Placar", à época.

E lá está:

"Aos 17, o capitão sueco Thern mostra que é terno só ao se desculpar pela entrada feia que deu em Dunga e que lhe valeu a expulsão um tanto rigorosa demais".

E leia o que saiu na "Folha de S. Paulo" no dia seguinte ao jogo:

"O técnico sueco também criticou o árbitro colombiano Cadena pela expulsão do meia Jonas Thern, capitão do time. 'Não entendi a expulsão', disse.

'Acho que ele nem viu o que aconteceu. Só escutou Dunga gritando e expulsou Thern', declarou o jogador sueco Brolin sobre o árbitro do jogo." 

Por Juca Kfouri às 13h57

A Libertadores a um passo das semifinais

Recordemos que três times brasileiros, dois argentinos, mais dois mexicanos e um equatoriano estão disputando as quartas-de-final da Copa Libertadores da América.

Os jogos de ida já foram disputados e na semana que vem saberemos quem são os quatro semifinalistas.

E não é que tudo indica que teremos apenas um brasileiro, nenhum argentino, um equatoriano e os dois mexicanos?

Pois é.

Fluminense e São Paulo decidem no Maracanã que brasileiro seguirá vivo.

O América mexicano pode até perder por um gol do Santos na Vila Belmiro para continuar.

O Atlas recebe o Boca Juniors em Guadalajara e jogará por um empate 0 a 0 ou 1 a 1.

E a LDU recebe o San Lorenzo em Quito e também joga pelo 0 a 0.

Se quem está com a vantagem depois do jogo de ida a mantiver no de volta, teremos uma semifinal entre os mexicanos do América e do Atlas e outra entre os tricolores brasileiros (que muro, hein?) e a LDU do Equador.

E, aí, com um mexicano garantido na final, o outro finalista já estará classificado para o Mundial no Japão, porque os mexicanos não podem representar a América do Sul no torneio da Fifa, poís já têm o Pachuca, campeão da América Central e do Norte.

Coisas dos regulamentos que só existem deste lado do mundo...

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 16 de maio de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

 

Por Juca Kfouri às 00h01

Santos mal, arbitragem pior e...Cabañas

Sem trocadilho, o Santos começou feito leão sua partida diante do América, no estádio Azteca.

Jogou cinco minutos quase empolgantes, sem deixar o time rival pensar.

E foi tudo.

E foi pouco.

E foi quase nada.

Porque daí por diante o Santos começou a errar passes em cima de passes e a errar no posicionamento de sua defesa a tal ponto que tomou um gol porque dois santistas subiram com o mesmo mexicano e deixaram livre adivinhe quem: ele, Cabañas.

Que só teve o trabalho de chutar cruzado e forte para vazar o gol brasileiro, aos 23.

O Santos parecia anestesiado, Lima parecia embriagado, até pisar na bola e cair ele pisou e caiu.

Altitude?

Talvez, embora o time já estivesse lá desde sexta-feira e 2400 metros sejam razoavelmente suportáveis.

Aos 16, do segundo tempo, deixaram adivinhe quem livrinho da silva para fazer 2 a 0: Cabañas, de novo.

O algoz do Mengo virou algoz do Peixe.

Que agora tem de virar um placar indigesto na Vila Belmiro.

Dá?

Dá, é claro, como o próprio América mostrou no Maracanã.

Quem sabe, agora, os mexicanos de algozes virem vítimas.

Fato é que o Santos só voltou a jogar nos últimos cinco minutos, o que revelaria que a altitude não influiu tanto.

E teve chances de diminuir.

Sabe quem evitou?

Não, agora você errou: não foi o paraguaio Cabañas, foi o argentino Sebá, aquele mesmo que maltratava a bola no Corinthians.

Além dele, outro argentino matou o Santos, este fora de seu papel: o árbitro Héctor Baldasi que, aos 45, anulou um gol legítimo de Kléber Pereira, bem dele que estava com o América atravessado na garganta.

E 2 a 1 significaria fazer apenas 1 a 0 na Vila...

Bandido!

61% dos 1500 blogueiros que opinaram quebraram a cara ao apostar no Santos.

Quando o dono do blog diz que em futebol não se deve fazer previsões...

Por Juca Kfouri às 23h24

15/05/2008

Deco diz adeus ao Barça

Por GUSTAVO VILLANI, da Espanha

Um ano depois de me dizer que sairia do Barcelona caso o clube não retomasse o caminho das vitórias, o jogador Deco faz um acordo com a diretoria e anunciou oficialmente o desligamento do time catalão.

O luso-brasileiro quer ir "a Itália ou Inglaterra, pois em respeito ao Barça não jogaria no Real Madri".

Deco acredita na reciclagem para retomar o caminho das vitórias e assume a parcela de responsabilidade que lhe cabe pelas duas últimas temporadas ruins da equipe. Há quem minta ou crie fatos para motivar o ambiente do vestiário, mas há quem diga a verdade, simples assim.

Deco se vê como parte do problema, antes de qualquer transferência de culpa.

O jogador já passa dos 30 anos e o futebol não é o mesmo que o levou aos tantos títulos coletivos e individuais em Portugal e Espanha.

Mesmo com dois anos restantes de contrato recheado (saiu do Porto campeão da Champions League, eleito o melhor jogador pela UEFA e Bola de Prata FIFA), ele pede para sair.

Nos últimos meses foi perseguido de perto por uma série de lesões que o afastaram de boa parte da temporada, apesar de chegar a Eurocopa aparentemente recuperado.

Nessa idade treina para se manter, e não mais para melhorar o condicionamento, mas mesmo assim está sujeito às lesões.

Por outro lado o clube que o contratar sabe que, além de contar com os últimos anos dos toques refinados de Deco, levará ao elenco uma boa dose de sabedoria. Essa conversa do "basta resolver em campo" me parece uma meia verdade, ainda que reconheça a existência de craques problemáticos.

Ser um bom jogador é parte do todo, e não complementa para mim a idéia de um bom profissional.

Essas pessoas pontuais são importantes na formação de um grupo, e Deco é uma delas.

Por Juca Kfouri às 22h13

Boa, Dunga!

Dunga convocou Adriano.

Fez muito bem.

E o futebol brasileiro agradece ao São Paulo que, se falhou com o desimportante Carlos Alberto, acabou por acertar com Adriano.

A quem, também, deve, como se viu ontem, mais uma vez.

U'a mão que lava a outra e que deixa todos bem.

Ótimo!

 

Por Juca Kfouri às 15h36

Vem aí um golaço em forma de livro

Acabo de entrevistar o professor de Literatura na USP, músico, compositor, ensaísta José Miguel Wisnik.

Ele escreveu, para a Companhia das Letras, o livro "Veneno remédio, O futebol e o Brasil", que estará nas livrarias no próximo dia 23, 480 páginas por R$41.

Será, sem dúvida, um marco na vida nacional para a compreensão do que é o jogo de futebol.

A entrevista irá ao ar no dia 22 de maio, na ESPN, e hoje, em minha coluna na "Folha", tentei fazer uma resenha da obra.

O acesso, infelizmente, é apenas para assinantes UOL ou do jornal.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1505200805.htm

Por Juca Kfouri às 12h53

Os palpites de ontem e o jogo de hoje

Muito bem, hoje é quinta-feira, depois de uma quarta repleta de futebol.

E como prometido ontem, vamos aos palpites.

Como era óbvio, o Vasco eliminou o Corinthians Alagoano, vencendo bem, por 3 a 1, porque o time de Maceió não é o América do México.

Também como eu já sabia, aquele 1 a 0 do Inter sobre o Sport no Beira-Rio não era nada confortável.

E o rubro-negro, com a Ilha do Retiro lotada como já era sabido, com 32 mil torcedores, fez um jogo heróico e ganhou também por 3 a 1.

Vai pegar o Vasco nas semifinais da Copa do Brasil.

Como o Botafogo vai pegar o Corinthians, depois de eliminar o Galo no Engenhão mais vazio do que cheio, 18 mil torcedores, como era previsível, 2 a 0, resultado que derrubou o técnico Geninho.

Tudo dentro do figurino.

E com 62 mil pagantes no Morumbi, os competitivos tricolores do São Paulo ganharam dos técnicos tricolores do Fluminense, 1 a 0, gol de Adriano, que jogou demais, mais até que o time são paulino que fez sua melhor atuação nesta temporada.

Ah, hoje tem, na Cidade do México, América, aquele que não é o Corinthians das Alagoas, contra o Santos.

Jogo duro cujo palpite, sem falta, eu dou amanhã.

Até amanhã.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 15 de maio de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 01h14

O futuro é verde

Por BRUNO MORAES BONSANTI 

Anteontem à noite foi realizada, em um prédio residencial no Morumbi, uma reunião entre os investidores da Traffic, Vanderlei Luxemburgo e os diretores do Palmeiras.

Nela os representantes da empresa esportiva que apóia o Palmeiras disseram ter participação em mais de 200 jogadores, entre eles Hernanes, volante do São Paulo e Elias, ex-meia da Ponte Preta, hoje no Corinthians.

Entretanto eles não cogitam o mesmo tipo de parceria que têm com o Verdão com nenhum outro clube paulista.

Deixaram bem claro que seu principal objetivo no clube alviverde é a compra de jogadores jovens visando lucros posteriores, que serão divididos em 20% para o Palmeiras, 20% para a Traffic e o restante entre seus cotistas.

A empresa de marketing esportivo disse também que já tem três camisas 10 engatilhados para reforçar o Palmeiras que chegarão, muito provavelmente, após Valdivia ser negociado com a Europa.

A partir daí, foi a vez de Luxemburgo falar.

Disse que em dois anos conseguiu reduzir a folha de pagamento do Santos pela metade e que, mesmo assim, foi rejeitado ao pedir R$ 6 milhões  para contratações.

Isso, somado à relação que tem com Cipullo e sua identificação com o Palmeiras, o fez voltar ao Parque Antártica.

Luxemburgo ratificou que o projeto no Verdão é a longo prazo e que duas partes dele, a reformulação do CT e a nova Arena, têm urgência em serem realizados.

O time, tecnicamente, acompanhará esse desenvolvimento.

O treinador do Palmeiras prevê que, com a manutenção de Cipullo, Beluzzo e companhia na direção do alviverde, em torno de cinco anos o Palestra será o maior clube da América do Sul.

Se as previsões se confirmarem, a torcida palmeirense terá motivos para sorrir e esquecer dos sombrios tempos de Mustafá Contursi.

Por Juca Kfouri às 00h56

São Paulo ganha primeiro tempo

Estou acostumado a ver três jogos ao mesmo tempo.

Não gosto, porque vejo tenso, sem prazer.

E confesso: hoje foi quase impossível, porque normalmente um jogo pára, você olha o outro em ritmo mais lento que o terceiro e assim a coisa evolui.

Acontece que nesta noite os três jogos foram eletrizantes, sem parar.

No Morumbi, por exemplo, com 62 mil torcedores, Renato Gaúcho surpreendeu ao entrar com Dodô e Washington, além de Thiago Neves.

Três atacantes para assustar, para segurar, para atacar o São Paulo em sua casa.

Só que o São Paulo não se assustou, não se segurou e nem foi atacado mesmo.

Ao contrário, foi para cima e fez sua melhor partida neste ano, com Adriano jogando demais tanto na armação de jogadas como na conclusão.

E Fernando Henrique parecia com vontade de tomar gol.

Quase tomou um entre as pernas, de Adriano, de fora da área.

Depois, em chute cruzado de Hernanes depois de passe de Adriano, espalmou para dentro da área e para sua sorte não apareceu ninguém do São Paulo.

Só que, aos 19, exatamente quando o Flu começava a impor seu toque de bola, Adriano recebeu de Hugo, abriu na esquerda para Dagoberto, ele chutou cruzado, FH rebateu para o meio da área outra vez e, desta, a bola se encontrou com o pé direito do artilheiro, o Imperador Adriano, que fez 1 a 0.

Verdade que, para limpar a barra do goleiro do Flu, no fim do primeiro tempo ele pegou uma cabeçada perigosa de Adriano e no começo do segundo uma bomba de Richarlyson.

Mas o São Paulo quase liquidou o jogo no primeiro tempo, quando Adriano deu para Dagoberto marcar e ele chutou em cima de Roger.

No segundo, aos 16, Renato Gaúcho tirou Thiago Neves e botou Conca. Thiago saiu bravo, bem bravo.

Mas o Flu apertava, valente.

Até que, aos 27, Dagoberto perdeu gol feito, outra vez, imperdível, imperdoável.

E saiu, trocado por Aloísio.

Quando o jogo terminou, na verdade, os dois tricolores estavam felizes.

O São Paulo porque não levou gol e o Flu porque tomou só um.

O Maracanã será o palco da decisão.

Falta ainda um tempo de 90 minutos.

No primeiro, acertaram 65% dos 7000 blogueiros que apontaram o tricampeão mundial como favorito.

Por Juca Kfouri às 23h52

Graaaaaaaaaaaaande Sport!!!!

O Sport saiu na frente logo aos 3 minutos, em escanteio batido por Luizinho Neto na cabeça de Leandro Machado.

Como se para provar que não era favorito ao título da Copa do Brasil à toa, o Inter não só não se assustou como foi para cima, como um torniquete.

Apertou, apertou, uma, duas, três vezes, até que o zagueiro Sidnei veio lá de trás, recebeu da cabeça de Alex e marcou de virada, aos 30.

Era justo, porque o Colorado se aproveitou bem do recuo do Leão.

Que, aí, foi para cima, e teve boas chances com Sandro Goiano, aos 34, e com Enílton, aos 46.

No segundo tempo o Leão foi com tudo para cima e, aos 16, Roger fez 2 a 1, para explosão da Ilha do Retiro, com 32 mil torcedores.

Faltava um gol.

Mas, aos 23, Luciano Henrique foi expulso e deixou o rubro-negro, que já não tinha Romerito, com 10.

Mesmo assim, aos 31, Clemer fez milagre, em cabeçada certeira de Durval.

Como fizera contra o Palmeiras, mesmo com 10 no segundo tempo, o Sport era melhor.

E era heróico, abnegado.

E, aos 33, de esquerda, de falta, do meio da rua, Durval fez o terceiro gol, mais que justo 3 a 1.

Iarley entrou imediatamente no lugar de Danny Moraes.

Não adiantou.

O Sport eliminou os dois favoritos ao título.

Passa a ser ele o favorito.

Que venha o Vasco. 

Por Juca Kfouri às 23h49

Fogão cozinha o Galo, de novo! E sem arbitragem

No Engenhão, no primeiro tempo, o Botafogo criou apenas uma chance real de gol, impedida pela arbitragem que marcou mal um impedimento de Zé Carlos, que entraria de bola e tudo, aos 8.

Já o Galo criou quatro, uma contra seu próprio gol, milagrosamente defendida por Juninho depois de cabeçada de seu zagueiro Vinicius, aos 27.

Antes, Marques, aos 4, Danilinho, aos 8, e o mesmo Danilinho, de maneira imperdoável, aos 24, desperdiçaram gols feitos, principalmente este último, em lindo passe de Petkovic.

Num Engenhão decepcionantemente meio vazio/meio cheio (apenas 18 mil pagantes), o Galo era melhor no 0 a 0.

Mas não foi no segundo, quando o Botafogo, aos 10, depois de cobrança de escanteio, abriu o placar com Wellington Paulista dando um toquinho na bola depois de cabeçada de Zé Carlos, o verdadeiro autor do gol.

Depois, o alvinegro carioca soube fazer por justificar a vitória sobre o alvinegro mineiro e, agora, enfrentará o alvinegro paulista, Corinthians.

Porque ainda fez, nos acréscimo, seu segundo gol, com o zagueiro Alessandro vindo de trás e pegando um belo chute da entrada da área em bola que veio da linha de fundo, pela esquerda.

O Botafogo é favorito para fazer a final.

E o Galo procura técnico, porque Geninho se demitiu. 

Por Juca Kfouri às 23h47

14/05/2008

Boca se complica

O Boca Juniors saiu atrás do Atlas logo no começo do jogo, no estádio do Velez, em Buenos Aires.

O Boca empatou ainda no primeiro tempo e virou no começo do segundo.

Daí, saiu em busca do terceiro gol, para ir sossegado para Guadalajara.

Esteve a ponto de marcá-lo pelo menos em três oportunidades.

Não fez.

E quem não faz...

Pois tomou o empate no finzinho.

E terá vida dura em Guadalajara.

Por Juca Kfouri às 21h25

Vasco e quem?

O Vasco deixou o Corinthians Alagoano ficar mais com a bola e até ameaçá-lo por duas ou três vezes, o que poderia incendiar o pequeno estádio do clube em Maceió.

Mas aos 22 Edmundo tratou de dar uma enfiada de bola preciosa para Leandro Amaral fazer 1 a 0.

Se 4 a 0 já soava impossível, 5 a 1, para levar a decisão à marca do pênalti, era ainda mais insensato.

E para liquidar qualquer sonho enlouquecido, aos 28, Alex Teixeira, fez 2 a 0.

Só um 7 a 2 para eliminar o Vasco...

Mas acabou 3 a 1, porque o time alagoano descontou, de falta, quando o Vasco só fazia o tempo passar.

Daí, porque foi mexer com quem estava quieto, no finzinho, Edmundo deu com açúcar para o zagueiro Rodrigo Antônio ampliar.

Agora, que venha o Inter. Ou o Sport.

Mas que, seja quem for, também venha devagar.

Por Juca Kfouri às 16h40

Uma quarta-feira para quatro semifinalistas

A quarta-feira definirá os outros três semifinalistas da Copa do Brasil, já que o Corinthians Paulista está classificado.

Alguém dirá que o Vasco também já está definido, porque não perderá para o Corinthians Alagoano, mesmo em Maceió, às 15h, por 4 a 0.

É claro que não, como dissemos todos sobre a possíbilidade de o América mexicano fazer 3 a 0 no Flamengo, no Maracanã...

OK, mas às 21h50 dois superjogos, no Engenhão e na Ilha do Retiro.

No Recife, o Inter leva o 1 a 0 de vantagem que conseguiu no Beira-Rio diante do Sport, uma vantagem considerável que, no entanto, está longe de ser confortável.

E, no Rio, Botafogo e Galo correm atrás de um gol, depois de passarem em branco no Mineirão.

Se não resta dúvida de que a Ilha estará lotada, não há tanta certeza em torno do Engenhão.

Mas o grande jogo da noite, que não define, apenas começa a definir um semifinalista da Libertadores, será disputado diante de mais de 60 mil torcedores no Morumbi, entre os tricolores São Paulo e Fluminense, também às 21h50.

Segundo os próprios técnicos das duas equipes, o confronto entre os competitivos paulistas e os técnicos cariocas.

Palpites?

Só amanhã... 

Por Juca Kfouri às 00h05

13/05/2008

Não pára, não pára, não pára!

Nem parecia que era o São Caetano quem precisava de gol.

Porque só o Corinthians pressionou.

Aos 8, Diogo Rincón não fez um gol, na marca do pênalti,  que até o seu avô faria.

O seu e o dele.

Vinte minutos depois, Chicão fez.

Sem querer, mas fez, ao tentar aparar um escanteio cobrado por André Santos pela esquerda.

Festa para quase 22 mil corintianos no estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto. E branco.

Mas o 1 a 0 era, na verdade, pouco.

Talvez por isso, aos 5 do segundo tempo, André Santos bateu falta com perfeição e fez 2 a 0.

Aos 38, em jogada toda de Herrera, ele deu com azúcar para Acosta, que acabara de entrar, e o uruguaio marcou o 3 a 0, numa jogada platina.

Aos 43, entre as pernas de Felipe, Tuta diminuiu: 3 a 1.

O Corinthians é semifinalista da Copa do Brasil.

Que venha quem?

Botafogo ou Galo?

Seja quem for, cá entre nós, que venha devagar...

Para que os 58% dos 1700 blogueiros que secaram o Timão e apontaram o Azulão como vencedor possam, quem sabe, errar de novo...

Por Juca Kfouri às 22h29

Aos navegantes

Passo a terça-feira fora de São Paulo.

Volto para comentar Corinthians x São Caetano.

Por Juca Kfouri às 00h13

É o Corinthians diante de seu destino

O Corinthians joga hoje, em Ribeirão Preto, às 20h30, contra o São Caetano, um de seus jogos mais importantes em 2008.

Se empatar com o Azulão estará nas semifinais da Copa do Brasil, contra Botafogo, mais provavelmente, ou Atlético Mineiro.

E, se passar, disputará a final, contra Inter, mais provavelmente, Sport ou Vasco.

Seja contra quem for, nunca jogará como favorito, mas outros já se viram na mesma situação e triunfaram.

Ganhar a Copa do Brasil tornará menos dolorosa a ausência na Série A do Campeonato Brasileiro, porque, ao menos, já garante uma vaga na Libertadores, prêmio para poucos da Primeira Divisão.

Por isso hoje o Corinthians joga uma das suas partidas mais importantes, para poder jogar, quem sabe, outras quatro, mais importantes ainda.

Por Juca Kfouri às 00h10

A Lei Áurea e o futebol

Por ROBERTO VIEIRA

Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel.

Uma lei com apenas dois artigos:

Art. 1º - É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.

Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.

Simples na escrita. Profunda nos seus designios. Motivo de festa nas ruas do país. Princípio da República.

Por caminhos tortos, a Lei Áurea foi muito mais importante para o futebol brasileiro que a Lei Pelé.

Quase 60 anos depois era lançado um clássico da literatura brasileira. O livro 'O Negro no Futebol Brasileiro' de Mario Filho.

Pois o Brasil sem o negro seria um país de futebol nenhum. Um saco de pancada dos argentinos.

Mas a chegada dos antigos escravos no futebol foi lenta. Porque a abolição da escravatura no Brasil foi mais verbo que ação.

Os amigos de Charles Miller jogavam bola nos gramados bem cuidados dos clubes ingleses.

Os negros imitavam seus trejeitos nos campos de terra batida. Descalços e incultos. Criativos.

As portas dos clubes e das salas grã-finas eram fechadas aos negros. Até que os negros começaram a fazer gols.

E o gol subverteu a história do Brasil. Abriu portas.

El Tigre. Olhos claros, tez indefinida, futebol de gênio. Como a sociedade escravagista poderia resistir aos dez mil gols de Fried?

Como se até o Champs-Élysées beijava seus pés?

Como se ali do lado os uruguaios veneravam Jose Leandro Andrade?

Enquanto nossos jornais insistiam em chamar os jogadores negros de colored, hábito que persistiu até os anos 60, surgiu Fausto.

E depois de Fausto, Domingos da Guia. E depois de Domingos da Guia, Leônidas.

Leônidas que subverteu as leis da física com suas bicicletas tal qual Einstein.

O Brasil descobriu Zizinho. Ou será que foi Zizinho quem descobriu o Brasil?

Os mestres do apocalipse colonial porém insistiam: 'Temos talento mas não temos nervos. O negro é frágil, doentio, sifilítico...'

Como se as doenças da pobreza fossem causa e não consequência do Jeca Tatu.

Quando fomos derrotados em 50, um culpado: Moacir Barbosa!

Crime: Ser negro.

E baniram-se os negros da camisa número 1 da seleção brasileira.

Da camisa número 1. Porque das demais camisas era tarde demais. Ou não?

Publicou-se um relatório nos corredores do futebol antes de 1958. 'Com os negros não ganharemos uma copa jamais!'

Voltem as chibatas. Os navios negreiros. Restaure-se o pelourinho!

Eis que uma criança apanha uma bola na coxa, dribla um bretão e encaçapa uma bola nas redes com a sem cerimônia de um rei africano.

Silêncio. A imagem daquele rapazola franzino sendo carregado em triunfo na Suécia era um paradoxo. Um cataclisma.

A liberdade oferecida no bico de pena era agora conquistada na ponta da chuteira.

O Brasil se descobria Brasil nos pés e na arte de um neto de escravos.

Pois, que importa do nauta o berço?

O gol não tem certidão de batismo, árvore genealógica, nome e sobrenome feudal.

O Brasil começou a ser Brasil 120 anos atrás. Num dia de domingo. 13 de maio.

No mesmo horário de um Fla-Flu, de um Palmeiras x Corinthians, de um Clássico das Emoções. De um Ba-Vi.

Há 120 anos era assinada a Lei Áurea pela Princesa Isabel.

Uma lei com apenas dois artigos...

Por Juca Kfouri às 00h03

12/05/2008

Olhaí o que deu na sondagem

Quem será o campeão brasileiro de 2008?

São Paulo, 19,41%; Palmeiras, 19,11%; Inter, 15%; Cruzeiro, 14,96%; Fluminense, 14,45%; Flamengo, 12,25% e Santos, 4,82%.

Peço desculpas aos comentaristas que apaguei, porque havia cometido um erro ao copiar e colar o resultado da sondagem, o que impedia a votação normal na nova enquete.

Por Juca Kfouri às 12h36

Meras constatações...

Todos os gaúchos venceram.

Todos os paranaenses ganharam.

Nenhum paulista triunfou.

Só um carioca perdeu.

Apenas um mineiro venceu.

Nenhum pernambucano empatou...

Por Juca Kfouri às 10h59

11/05/2008

Primeiro balancinho do Brasileirão

Como cansou de acontecer com os jogos do Bahia, na Terceira Divisão, no ano passado, e do Galo, na Segunda, no ano retrasado, eis que o público do jogo do Corinthians, no Pacaembu, pela Série B, foi o maior do fim de semana de futebol:

32.232 pagantes contra 31.660 para Coritiba e Palmeiras, o melhor público da Série A.

O pior público da série A ficou para o jogo mais sensacional, no Canindé, com 10 gols e apenas 2495 pagantes, um gol para cada 249 torcedores e meio.

A média de público foi de 12.197.

Só houve um 0 a 0, entre Galo e Flu, mas, em compensação, tivemos este 5 a 5, entre Lusa e Figueira.

A média de gols ficou em 2,6 gols por jogo.

A primeira rodada do Brasileirão-2008, na verdade, ficou marcada pela preocupação de Fluminense, Santos e São Paulo com a Libertadores e a do Inter, Sport, Botafogo, Galo, com a Copa do Brasil.

Ainda vai melhorar.

E muito.

Por Juca Kfouri às 20h36

Canindé salva a noite!

Nos três jogos da noite da primeira rodada, futebol mesmo só no Canindé.

Porque dois minutos bastaram para o Flamengo derrotar os reservas do Santos no Maracanã sem ninguém.

Aos 29, Juan passou para Marcinho fazer 1 a 0.

Aos 30 Marcinho passou de letra para Ibson fazer 2 a 0.

Mas o Santos só pensa em quem o Flamengo não quer nem pensar, o América, razão pela qual seus titulares já na Cidade do México.

E Juan, em contra-ataque rápido, de novo aos 29, fez 3 a 0.

Os meninos do Santos não existiam em campo e o Flamengo passeava, sem maior desgaste, embora o Santos tenha até podido, ao menos, diminuir, coisa que só foi acontecer nos acréscimos, com Morais, de pênalti.

Enquanto isso, no Mineirão, em meio a protestos da torcida do Galo, justificadamente indignada com sua diretoria, os meninos do Flu seguraram o 0 a 0, em jogo fraco, de poucas chances de gol uma delas dos tricolores, com Arouca chutando no travessão.

Ambos os times reclamam de pênaltis e os cariocas parecem ter mais razão que os mineiros, mas estes têm de reclamar é de Castillo, que perdeu um gol feito em bola dada por Petkovic no primeiro tempo.

E quem salvou a rodada com gols em profusão foi o jogo do Canindé, onde Portuguesa e Figueirense empataram 5 a 5, num final de jogo sensacional, no qual, aliás, Rodrigo Fabri, revelado pela Lusa e hoje no time catarinense, sofreu pênalti que a arbitragem desconheceu.

A Lusa esteve vencendo por 5 a 2, ao fazer gols aos 11, 12 e 14 minutos do segundo tempo.

Mas levou três gols aos 24, 43 e 46.

S E N S A C I O N A L!!!!

Por Juca Kfouri às 20h07

1 a 0, 1 a 0 e 2 a 0

Nem bem o jogo começou no Beira-Rio e o time reserva do Inter fez 1 a 0 sobre o Vasco, com Sidnei, de cabeça, no minuto 1, resultado que manteve até o fim.

Nem bem o jogo começou no Ipatingão e o Furacão fez 1 a 0 sobre o Ipatinga, no minuto 3, com Léo Medeiros, resultado que manteve até o fim.

No Engenhão não foi assim, porque o Botafogo, com Jorge Henrique, só fez 1 a 0 sobre o Sport aos 33 do primeiro tempo.

Mas, aos 35 do segundo, as luzes se apagaram e o jogo ainda continua.

Não continua mais, mas,  Diguinho, só para fazer o blog mudar o título da nota, mudou o placar, em envolvente segundo gol.

 

Por Juca Kfouri às 17h53

Michel faz a festa Coxa

No encontro os campeões estaduais do Paraná e de São Paulo, os primeiros, os donos da casa, fizeram a festa.

E com toda justiça.

O Couto Pereira, todo verde, viveu tarde de festa, na volta do campeão nacional de 1985 à Primeira Divisão.

Embora o Palmeiras tenha começado o jogo tentando se impor para intimidar o Coritiba, o fato é que o Coxa foi melhor durante a maior parte do jogo.

E, principalmente, no segundo tempo, quando logo de cara exigiu uma senhora defesa de Marcos e, em seguida, com Michel, abriu o placar, aos 8, em linda tabela com Hugo.

Michel, que veio do Guaratinguetá, aliás, foi o nome do jogo, cheio de graça e ousadia, deixando para trás a atração Keirrison, até porque o artilheiro que o Palmeiras quer e o Coritiba faz tudo certo para manter, se machucou e saiu no fim do primeiro tempo.

Hugo entrou em seu lugar, para ter papel especial no jogo.

Vendo que a coisa estava feia, Luxemburgo botou Denílson logo aos 17, no lugar de Pierre.

E depois que o apagado Diego Souza foi expulso, aos 24, com Carlinhos Paraíba, o técnico ainda tirou Martinez e Alex Mineiro, para as entradas de Sandro Silva, ex-Mirassol, e Lenny.

Tudo em vão.

Porque Hugo fez 2 a 0, em nova tabela com Michel, aos 38.

"Cadê, porco, cadê, porco?", perguntavam os coxas em coro.

Bem, os campeões paulistas estavam em Curitiba, mas a tarde era do Coritiba.

Tarde de Michel, que tantas fez, que até Denilson, o do circo, pediu que ele jogasse com seriedade e Luxemburgo disse a ele que jogasse futebol.

Pois ele jogou e, depois do pedido do professor, deu o segundo gol para seu time.

Ou Valdívia pode e Michel não pode?

Por Juca Kfouri às 17h49

A mãe do juiz

Por ROBERTO VIEIRA

"Até hoje eu não sei, meu filho. Ele poderia ter sido qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Sempre foi um menino inteligente, aplicado nos estudos, sempre tirava notas boas na escola.

Mas tinha alguma coisa de diferente nele.

Os irmãos organizavam uma pelada e ele ficava de apito na mão, apitando falta, marcando pênalti. O caçula gostava de ser artilheiro, dizia que era o Roberto Dinamite. Mas, doido igual ao Zezinho, só o mais velho que brincava de ser goleiro.

As outras mães davam força. Diziam que ele levava jeito pra coisa. Tinha pelada? Lá ia ele de preto. Brabo feito siri. Se alguém dizia que ele tinha errado na marcação ele logo dava cartão, enfrentava, gritava.

Perdi a amizade da minha vizinha no dia em que ele expulsou os dois filhos dela na final do campeonato da escola. Ela nunca se conformou. Dizia que ele era muito rígido. Inflexível.

O pai ria da história. Dizia que aquilo ia sobrar pra mim. Mesmo assim levou uma conversa séria com ele e disse que ninguém vive de apito honestamente. Ele devia procurar uma profissão, ser engenheiro, advogado. Ser juiz era pras horas vagas.

Ele concordou, entrou pra faculdade de direito e pro curso de árbitro da Federação. Passou nos dois com distinção.

Eu fiquei toda orgulhosa na entrega dos diplomas. Meu filho sorria feliz. Começou a apitar jogos importantes. Jogo que aparecia na televisão. Começou a ser elogiado pelos jornalistas, reconhecido nas ruas. Era o juiz revelação do futebol brasileiro segundo o Globo Esporte.

Eu, como mãe, colecionava suas fotografias num álbum de retratos. Mas nunca fui a campo.

Um dia ele chegou triste, cabisbaixo. Marcou um pênalti que o tira teima mostrou que foi fora da área. Nesse dia ele mal dormiu. Eu vi a luz do quarto acesa até tarde. Ele estava na frente da televisão assistindo mil vezes o mesmo lance. Controle remoto nas mãos.

De manhã nem quis tomar café. No trabalho ouviu piadinhas infames durante todo o expediente. Mas os dias se passaram, outro jogo chegou e ele foi se acostumando com a vida.

Um dia disseram que ele roubou. Logo meu filho, sempre tão honesto, incapaz de contar uma mentira. Aquilo doeu fundo na alma dele. Mas um colega mais antigo veio conversar com ele e disse que nessa profissão todo mundo acha que só tem ladrão.

Mal sabem eles o sofrimento de uma mãe quando ouve o filho ser xingado por uma multidão.

Escrevo estas linhas por um motivo apenas. Um motivo tão singelo quanto impossível.

Não é por mim. É por tantas mães no Brasil e no mundo que hoje irão sofrer vendo os seus filhos correndo em campo. Proibidos de fazer um gol e levantar a camiseta com os dizeres: 'Valeu mamãe!'

Eu gostaria que pelo menos uma vez lembrassem que a mãe do juiz é uma mãe igual a todas as outras. Igual a mãe dos torcedores.

E que pelo menos nesse dia lembrassem delas com carinho.

Obrigado pela atenção".

Mercedes Alencar, mãe de juiz.

Por Juca Kfouri às 01h41

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico