Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

24/05/2008

Dá Boca?

Com pouco mais de 3000 palpites, 61% dos blogueiros apostam no Boca Juniors e 39% no Fluminense.

Tomara que a maioria esteja errada.

Por Juca Kfouri às 20h08

Sábado de alegria à moda da casa

 

Flamengo e Inter jogaram um ótimo primeiro tempo no Maracanã, com superioridade gaúcha.

Não que o rubro-negro não tenha criado, porque chegou perto do gol pelo menos três vezes, com boas intervenções do goleiro Renan, além de ter contra si um impedimento mal marcado que poderia redundar em gol, com Tardelli.

Mas o Inter foi ainda melhor.

Por pouco Nilmar não marcou de bicicleta, como, por Bruno, Fernandão não marcou de cabeça, fora mais, pelo menos, outros três lances agudos.

E fora o gol, de Nilmar, depois de uma enfiada preciosa de bola dada por este excelente Alex, aos 33.

Era justo sim, tão justo como foram injustas as vaias da torcida do Mengo ao fim do primeiro tempo, incapaz de reconhecer que a derrota se dava para uma equipe que era melhor, sem que o Flamengo fosse decepcionante.

Na verdade, as vaias eram ainda o fruto amargo do peso da derrota para o América mexicano que, parece, perseguirá o time durante 2008, haja vista a faixa da torcida no Maracanã, "O Brasileiro é obrigação", uma bobagem, porque ninguém tem obrigação de ganhar o campeonato.

Enquanto isso, no Olímpico, o Grêmio derrubava o líder Náutico, com um gol obtido segundos antes do gol colorado no Rio, com Léo, num chute cruzado pela direita, aos 32.

O jogo era duro e o Náutico marcava bem o time tricolor, além de ter criado uma boa chance com Felipe, embora a única.

Estava tudo certo em Porto Alegre, como estava em Salvador, onde o Vitória ganhava de 2 a 0 do Figueirense, gols de Jackson e Dinei, aos 20 e 25.

O Flamengo voltou com Jônatas em lugar de Jaílton, o mais marcado pela massa.

E voltou alugando meio campo do Inter, com tudo.

E aos 5 minutos, Fábio Luciano cabeçou para Renan fazer um milagre que, no entanto, sobrou nos pés de Marcinho, que empatou.

Também o Grêmio começou o segundo tempo disposto a intimidar o Náutico, só que, logo aos 3 minutos, deu uma bobeada e Felipe perdeu gol certo, o que seria o do empate.

E, na Bahia, Dinei fazia o terceiro gol do Vitória, aos 4, como Ricardinho faria, bem mais tarde, o quarto, aos 38.

Mas voltemos ao jogão do Maraca.

Aos 10, Tardelli livrou-se com quis do zagueiro Índio, entrou na área, passou por Renan, sofreu pênalti, mas a bola sobrou para Souza fulminar e fazer 2 a 1.

Que virada!

A massa ia à loucura...

Marcinho teve de sair, machucado e Renato Augusto entrou, aos 15.

Souza também teve e Obina entrou, aos 20.

No Olímpico, aos 19, Perea de cabeça exigiu um milagre do goleiro Eduardo. 

Mas, no minuto seguinte, fez 2 a 0, em falha da defesa Timbu, com Everaldo.

Só resta o Cruzeiro 100% no Brasileirão, mas, no Olímpico, só interessava mais uma vitória gremista com derrota colorada.

Aos 25, no Rio, o impossível aconteceu.

Nilmar recebeu um senhor passe de Andrezinho que entrara no lugar de Ji-Paraná, driblou Bruno e quase encostado na trave esquerda tocou para dentro do gol, sem imaginar que Léo Moura o acompanhava para salvar de maneira milagrosa em cima da linha fatal.

O jogo continuava excelente.

E Gil foi para o lugar, aos 29, de Marcão.

Dani Moraes também cedeu lugar para Adriano.

Era Abel Braga no tudo ou nada e Caio Júnior tentando segurar.

Aos 36, Gil pegou mal a virada na cara de Bruno, que defendeu.

O Inter não queria por que não queria perder seu segundo jogo de seis pontos, como acontecera diante do Palmeiras.

Mas o Flamengo, que se livrara de perder do Grêmio na segunda rodada, superava o rival  com bola e raça. 

E aquela massa que vaiava, cantava, feliz da vida dela.

Porque era uma noite de sábado ao estilo dos anfitriões em Porto Alegre, no Rio e em Salvador.

Por Juca Kfouri às 20h06

1, 2, 3, A, B, C, o terceiro passo do Timão

Maior campeão estadual do país, 50 vezes campeão potiguar, o ABC subiu da Série C para a B por ter ficado com o quarto lugar na Terceirona no ano passado.

E no bom gramado de seu estádio lotado, o Frasqueirão, exigiu apenas uma defesa do goleiro corintiano durante todo o primeiro tempo, péssimo e truculento.

Que foi também tudo que o Corinthians exigiu do goleiro abecedista.

O Corinthians que é o maior campeão paulista, com 25 títulos, a metade do ABC, e que caiu da Série A para a B por ter sido o primeiro dos quatro últimos da Primeira Divisão.

No segundo tempo, aos 10 minutos, Douglas, em jogada começada por Herrera, perdeu daqueles gols que a mãe da gente faria.

Foi, acredite, a primeira emoção do jogo, que Mano Menezes tratou mais como treino para enfrentar o Botafogo, na quarta-feira, com o Morumbi já com lotação esgotada, 68 mil ingressos vendidos.

A partir dos 15 minutos, o jogo começou a ficar um pouco mais interessante, com dois bons ataques do Corinthians com Herrera e Dentinho e dois outros do ABC, num deles com o desperdicio de um gol debaixo da trave corintiana.

O Corinthians que tinha trocado Carlão por Lulinha ainda no primeiro tempo, trocou Alessandro por Carlos Alberto, aos 23 do segundo.

André Santos também foi para o jogo, no lugar de Wellington Saci, aos 30.

O treino tinha acabado.

E o Corinthians tinha 15 minutos para tentar ganhar o jogo e se manter líder, com 100% de aproveitamento, porque o 0 a 0 o derrubava para o segundo lugar, atrás do Fortaleza, com quem jogará no sábado que vem.

E Douglas, a exemplo do que fez contra o Gama, marcou, aos 33, de fora da área, um gol muito mais difícil do que aquele que perdera, 23 minutos antes.

Igualzinho ao que acontecera na Boca do Jacaré, quando também perdeu gol feito e marcou um golaço.

As coisas estavam, de novo, em seus lugares.

Aos 42, André Santos deu um passe brilhante para Douglas fazer 2 a 0 e ele, com dor no tornozelo, perdeu.

O Timão, de todo modo, dava seu terceiro passo certo em direção à Primeira Divisão.

Por Juca Kfouri às 18h00

Ode a Guga

Por RODRIGO FOCACCIO

 

A força do guerreiro se reconhece no campo de batalha.

Em Roland Garros, ainda desconhecido, Gustavo Kuerten desmantelou seus adversários para conquistar a primeira das três coroas e ter seu coração, instantaneamente, flechado pelos encantos de Paris.

Como o herói grego Aquiles, Guga, sozinho, fez da raquete espada para riscar sua trilha gloriosa no tênis mundial.

Ainda que o calcanhar nunca o abandonasse, seu quadril o colocou defronte ao inevitável abandono das quadras.

Guga gostaria, mas não pode lutar mais.

Aos 31 anos, haverá de interromper seus golpes no terreno que o consagrou. 

O primeiro duelo em Roland Garros em 2008 é a caminhada para uma derrota sabida (a menos que os deuses resolvam aprontar alguma).

Exatamente como fez o herói grego na derradeira batalha em Tróia.

Mas para o verdadeiro guerreiro, a vitória é detalhe frente à verdadeira graça de combater.

Nada melhor que os tempos de luta tenham um fim em seu solo favorito: o saibro.

Onde ele desenhou sonhos e corações.

Guga fez para o Brasil o que nenhum guerreiro imaginou e só por isso merece um templo no esporte nacional.

Talvez até haja alguém para contestar seu real valor. 

Não importa.

 O que fica é a História de suas conquistas.

Na França, a odisséia de Guga terá um final feliz.

*Rodrigo Focaccio é jornalista

Por Juca Kfouri às 12h44

Vender, vender e vender

Por GUSTAVO VILLANI, de Madrid

Em quase um ano e meio aqui, não tinha visto palavras tão pontuais quanto as que Alex Ferguson usou para definir o Real Madrid.

O jornal Marca foi citado pelo inglês, mas antes de desenvolver qualquer raciocínio sobre o tema, gostaria de incluir no contexto o jornal As, que é menos próximo dos merengues, mas também tem longa data de serviços prestados ao clube.

É uma relação de simbiose, de troca de favores, em que venda de jornais anda de mãos dadas à sedução de jogadores.

Por isso Ferguson disse que "o Real Madrid usa o Marca para desestabilizar os jogadores", referência a Cristiano Ronaldo, assediado pelo time da capital espanhola.

Em uma aula de pós-graduação com Pedro J. Ramirez, que é diretor executivo do jornal El Mundo, membro do grupo Unidad Editorial assim como o Marca, ouvi: "uma capa com manchete positiva sobre o Real Madrid vende mais do que uma capa sobre vitória da seleção espanhola.

E uma capa negativa do Barcelona vende menos do que uma boa capa do Real Madrid, mas ainda assim vende mais do que a seleção espanhola".

Ou seja, dá-lhe Real Madrid ou abaixo ao Barça, o resto é bobagem.

O Marca completa 70 anos de vida e é o jornal mais lido e vendido, à frente do El País.

É história suficiente para às vezes fundir a história do esporte com a história do jornal.

Onde existe uma praça esportiva na Espanha há uma placa publicitária do Marca.

Entre as fotografias estampadas na redação estão as de Pelé, Schumacher, Michael Jordan e Pete Sampras, todos com um prêmio Marca em mãos, recebidos aqui em Madri.

Parte desse sucesso se justifica na ampla cobertura.

Nunca vi uma crônica sobre um jogo de time espanhol ser escrita da redação, seja do Alavés ou do Real Madrid.

Consideradas as diferenças de dimensões geográficas e facilidades da Europa mais unida a cada dia, a cobertura dos grandes eventos do Marca é melhor do que o trabalho frio dos jornais brasileiros em geral.

Nada disso, porém, justifica a metodologia de trabalho.

Quando vi Wagner Ribeiro plantar (e colher, o que é pior!) a notícia de Tiago Luis no Real Madrid, estranhei.

Quando vi o argentino Kun Agüero, do Atlético de Madrid, ser vítima de uma armadilha fotográfica que dava a entender que iria para o Real Madrid, fiquei indignado.

Mas quando soube que Bernd Schuster, treinador merengue, também é colunista do jornal, passei a rir para não chorar.

A venda está acima de tudo.

Ferguson só faltou chamar o Marca de "brinquedo madridista", o que não seria um exagero.

Voltou aos anos de chumbo franquista, quando as vitórias do clube serviam de bandeira política, para ironizar o conceito distorcido de liberdade do presidente Ramón Calderón.

Bateu em cheio na amoralidade do clube, comparando-o com o rival Barcelona.

E não pensem vocês, como visto na nota abaixo, que o Marca abafará a ira do manager inglês.

Pelo contrário, amanhã o assunto será capa do jornal e servirá para amplo debate na rádio.

A idéia não será refletir, argumentar ou tirar proveito do tipo, pois o que vale para eles você sabe o que é.

Por Juca Kfouri às 23h21

23/05/2008

Está no 'Marca' de hoje

EL ENTRENADOR DEL MANCHESTER UNITED INSISTE EN QUE CRISTIANO NO ESTÁ EN VENTA

Ferguson: "Calderón utiliza a MARCA para desestabilizar a mis jugadores"

El interés del Real Madrid por contar en sus filas con Cristiano Ronaldo podría desembocar en una guerra abierta entre ambos club, algo que este viernes quedó de manifiesto cuando Sir Alex Ferguson valoró ante los medios de comunicación de Inglaterra las última información publicada por MARCA sobre la intención del club blanco de ofrecer ochenta millones de euros por el crack portugués.

El técnico escocés acusó a los blancos de "falta de moral" y dijo que "Ramón Calderón utiliza a MARCA para desestabilizar a mis jugadores".

El entrenador del Manchester United no sólo reiteró que Cristiano Ronaldo no está en venta, sino que acusó al Real Madrid de "falta de moral" por su forma de actuar en todo este asunto.

"Creen que pueden pasar por encima de todo el mundo, pero no lo harán con nosotros. El Real Madrid no tiene catadura moral en absoluto, en términos de gran club, el Barcelona tiene más moral de la que el Real Madrid tendrá nunca", subrayó Ferguson, quien aseguró que la entidad madrileña no es la única interesada en el portugués.

"¿Creéis que no nos han llegado ofertas por nuestros jugadores de otros clubes?. El Real Madrid no es el único interesado en Ronaldo, pero el resto no lo dicen, no entran en estas tonterías", declaró.

El preparador escocés también lamentó las declaraciones de Ramón Calderón, quien dijo que no se puede retener a un jugador en un club contra su voluntad. Ferguson se refirió a la esclavitud e, incluso, sacó a relucir el nombre del general Franco.

"Leí el teletexto, Calderón está hablando, Schuster está hablando... Calderón realizó la gran declaración de que 'la esclavitud se abolió hace muchos años'. ¿Se lo dijeron a Franco?. Denme un respiro", sentenció.

"El hecho es que Cristiano tiene otros cuatro años de contrato", continuó para a renglón seguido afirmar que "no se va a ir nadie" del Manchester United.

Ferguson también se refirió a la salida de David Beckham, Ruud van Nistelrooy y Gabriel Heinze del Manchester United con destino al Real Madrid. El técnico manifestó que si sucedió fue por propio deseo de la entidad inglesa.

"Cuando quieres mantener a alguien trabajas duro para conseguirlo, eso es algo que no ha perdido el Manchester United y el Real Madrid tampoco. Les vendimos a Beckham, Van Nistelrooy y Heinze porque quisimos", indicó.

No piensa en la retirada

Por último, al ser cuestionado sobre su posible retirada de los banquillos, Ferguson respondió que no es "algo que siquiera haya pensado", al tiempo que tampoco quiso hablar de otros hipotéticos traspasos.

"Tengo que mirar al equipo para ver si bastante para cubrir la próxima temporada. Tendremos tres partidos extra, la Supercopa y dos del Mundial de Clubes, un viaje que te exige una semana. Ya hemos visto lo que le ha pasado al Rangers este año, que ha tenido que jugar 67 partidos, así que tenemos que decidir el equipo", concluyó.

Por Juca Kfouri às 17h54

Homenagem a Jefferson Péres (1932-2008)

"Toda vez que um justo grita,

um carrasco vem calar.

Quem não presta fica vivo,

quem é bom, mandam matar."

De O Justo, do Cancioneiro da Independência, de Cecília Meireles

Por Juca Kfouri às 12h42

Rio, capital do futebol sul-americano?

Quarta-feira quem vem, no campo do Racing (correção feita no sábado, às 10h), o Fluminense enfrentará o Boca Juniors no jogo de ida de uma das semifinais da Libertadores.

Na outra quarta-feira, 4 de junho, o jogo de volta no Maracanã.

Sobrou o Fluminense dos cinco brasileiros que começaram no torneio, o Fluminense campeão da última Copa do Brasil.

E com todo respeito tanto ao América mexicano quanto ao time da LDU do Equador, se o Flu conseguir aquilo que, normalmente, os times brasileiros não conseguem, isto é, eliminar o Boca, o título da Libertadores ficará muito perto, pertíssimo das Laranjeiras.

Será não só um presentão para o futebol brasileiro como, também, para o do Rio de Janeiro.

E já imaginou se o Vasco surpreende, vira para cima do Sport e ainda ganha a Copa do Brasil desta temporada?

Ou, é claro, se o Botafogo ganha o título?

Ou, ainda melhor, para os cariocas, já pensou se acontece uma final de Copa do Brasil entre Botafogo e Vasco?

Depois de já ter visto o Flamengo ganhar a Taça Guanabara e o campeonato estadual, e o Botafogo vencer a Taça Rio, o Cristo Redentor é capaz de descer e comemorar no meio do povo. 

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 23 de maio de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 00h06

Santos fora, o Fluminense é o Brasil na Libertadores

Foram necessários uma hora mais dois minutos de jogo para que o Santos marcasse seu primeiro gol na Vila Belmiro, apinhada, contra o América.

Então, gol de cabeça de Kléber Pereira depois de cruzamento de Quiñónez em seu primeiro lance no jogo, faltava coisa de meia-hora para o Santos fazer mais um gol, e levar o jogo aos pênaltis, ou dois, para enfrentar o Fluminense nas semifinais.

Até abrir o placar, só tinha dado Santos em Santos, com um sem-número de chances de gol, invariavelmente atrapalhadas pela natural ansiedade proporcionada pelas circunstâncias de um jogo desses.

Sem se falar que o goleiro Ochoa é o que o América tem de melhor, superior mesmo ao artilheiro Cabañas.

O esforço santista era até comovente, com 10 vezes mais finalizações ao gol que os mexicanos aos 25 minutos do segundo tempo, 20 a 2, simplesmente, como informou a Sportv.

O América tentava fazer o tempo passar, às vezes conseguia, às vezes não.

Mas o tempo passava.

Angustiantemente passava depressa demais.

Faltavam 10 minutos para o jogo acabar.

E Kléber Pereira perdeu um gol que não se perde, depois de maravilhosa jogada entre Molina e Trípodi.

Já Molina, no minuto seguinte, tirou tinta do travessão em arremate de fora da área.

2 a 0 era o mínimo que o Santos merecia. O mínimo.

E o árbitro, corretamente, deu cinco minutos de acréscimos.

Faltam dois.

Falta um.

Desgraçadamente, o gol não saiu.

E o erro criminoso da arbitragem na Cidade do México, tirou o Santos da Libertadores.

O América enfrentará a LDU numa semifinal, com Fluminense e Boca Juniors na outra.

Quatro times de quatro países diferentes, México x Equador e Brasil x Argentina.

Se o América passar, independentemente do que aconteça na final, quem o enfrentar na decisão terá lugar garantido no Mundial no Japão. 

Por Juca Kfouri às 23h48

22/05/2008

LDU na semifinal. Contra quem?

Mesmo com 10 jogadores desde o primeiro tempo, quando já perdia de 1 a 0, o San Lorenzo conseguiu empatar com a LDU, em Quito.

O 1 a 1, conseguido no começo do segundo tempo, foi o mesmo resultado do jogo em Almagro, na Argentina.

E, na decisão por pênaltis, deu LDU.

Que espera para saber quem enfrentará na semifinal.

Se o Santos eliminar o América, LDU e Boca Juniors farão uma semifinal e Flu e Santos a outra.

Se o América seguir vivo, pega a LDU.

E Flu e Boca também se pegam.

Por Juca Kfouri às 21h34

Letras maiúsculas, não!

Volto a informar que o blog não publica comentários enviados em letras maiúsculas, a chamada caixa-alta.

E, por quê?

Porque, na linguagem da Internet, usá-las equivale a gritar.

E gritar não é educado.

Quem usa do expediente, na verdade, busca se distinguir dos demais, aparecer mais que o próximo, uma coisa, convenhamos, feia.

Por Juca Kfouri às 21h09

Carta a Muricy Ramalho

Por ROBERTO VIEIRA

Prezado Muricy,

Quando o São Paulo levou aquele gol no fim do jogo eu imaginei o que se passava na sua cabeça.

Eu imaginei os elogios da torcida tricolor. Torcida que vive pegando no seu pé. Torcida que não entende que um time se faz com um técnico e onze jogadores.

Jogadores que foram tirados de você.

Não basta um imperador sem corte.

Ano passado foi a mesma coisa. No começo do Brasileirão viviam te chamando a atenção. Depois você virou gênio. Unanimidade. Como é perigosa essa tal unanimidade!

Mas o motivo desta carta não é ficar falando do São Paulo. Não!

Eu só queria te lembrar que o Náutico está sem técnico. E você talvez fique sem clube. Depois de Fantoni e Palmeira não consigo pensar em outro técnico pra dirigir o alvirrubro. Sei que é uma missão impossível, seus salários hoje são estratosféricos, seu ciclo no Nordeste acabou como o ciclo do açúcar.

Mas não custa tentar! Afinal estamos em tempos de biodiesel.

Caso você não aceite o convite, tudo bem! Nosso carinho e respeito por você permanecem inabaláveis.

Um último lembrete. Não fique triste, Mestre!

Todo Muricy tem seu dia de Telê... Ontem, o Maracanã foi o seu Sarriá.

Porém nada como um dia depois do outro com um jogo de futebol no meio!

Saudações alvirrubras,

O Timbu

Por Juca Kfouri às 12h57

Washington, o provocador

Toca o telefone.

"Juquinha, você não concorda que o melhor Corinthians do momento é o Boca Juniors?"

"Sim, talvez, Washington", respondo, surpreso.

"Pois é. E, ó, fiz aqueles dois gols ontem em homenagem ao Rui Branquinho", acrescenta.

"Pombas, ele deve estar doído, não faça maldades, embora ele saiba mesmo que você sempre foi bom de cabeça", pondero.

Washington Olivetto ri e se despede.

Sorte de Branquinho, presidente de Criação da W/Brasil, que hoje é folga da companhia...

 

Por Juca Kfouri às 12h43

Flu espera seu adversário nas semifinais

 

Numa noite histórica no Maracanã, o Fluminense fez 3 a 1 no São Paulo, eliminou o tricampeão da Libertadores e se classificou para as semifinais.

E só vai saber na noite desta quinta-feira quem será seu adversário.

Porque ontem, também em jornada inesquecível, o Boca Juniors enfiou 3 a 0 no Atlas, no estádio Jalisco, em Guadalajara, e se classificou, eliminando a equipe mexicana.

Hoje, dois jogos definem os outros dois semifinalistas.

Às 19h20, em Quito, no Equador, jogam LDU e San Lorenzo.

A LDU joga pelo 0 a 0, mas, caso passe o argentino San Lorenzo, este fará, obrigatoriamente, a semifinal com o Boca Juniors.

Daí, o Fluminense enfrentará quem sair do confronto entre Santos e América, às 21h50, na Vila Belmiro.

O Santos precisa vencer por 3 a 0, ou por 2 a 0 para levar aos pênaltis.

Se passar, será, obrigatoriamente, o adversário do Fluminense.

Ou seja, o Flu só terá o Boca pela frente nas semifinais se nem Santos nem San Lorenzo se classificarem.

Aí, a outra semifinal será entre América do México e LDU do Equador.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 22 de maio de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 01h17

Sport com tudo

Aos 4 minutos o Vasco teve uma chance única, rara, de silenciar a efervescente Ilha do Retiro, com 34 mil torcedores.

Morais recebeu livre pela esquerda, entrou na área, mas, em vez de passar para Leandro Amaral ou Edmundo que chegavam sem marcação, chutou cruzado. E errou.

Pra quê?

Daí para frente o Sport tomou conta.

E fez seu primeiro gol aos 14, com a conhecida bola de Luisinho Netto na cabeça de Durval.

Quem segura a Ilha? Quem segura o Leão, que não sossega?

Ninguém, pelo menos por enquanto.

Quatro minutos depois é a vez de Daniel Paulista acertar belíssimo chute de fora da área para ampliar.

Desenhava-se o pior cenário possível para um Vasco intimidado e frágil.

Que fez um pênalti, aos 43, não marcado, em lance claro de mão na bola na pequena área.

Em seguida, Leandro Amaral furou e Durval só não marcou porque Tiago fechou bem e fez ótima defesa.

Na verdade, 2 a 0 foi pouco.

E continuou a ser no segundo tempo, graças a Tiago.

O Vasco terá de suar sangue para virar em São Januário.  

Por Juca Kfouri às 23h53

Noite histórica do Fluminense

Dodô, cansado, pediu para não entrar como titular.

Sorte do Flu, sorte do Maracanã lindo, trepidante, com mais de 68 mil pagantes.

Porque o tricolor carioca não deu um instante de paz ao São Paulo, com Conca fazendo o diabo.

Como, por exemplo, aos 8 minutos, ao dar um passe genial para Cícero, que chutou em cima de Rogério, embora devesse ter dado para Washington, livrinho da silva.

Três minutos depois, o mesmo Cícero ganha pelo alto de Alex Silva e Washington, com oportunismo, dá um toque sutil de perna direita e faz 1 a 0.

O 2 a 0 sempre esteve mais perto do que um possível empate são paulino.

Principalmente aos 37, quando Conca dribla Fábio Santos (de quem havia levado uma forte cotevelada minutos antes sem que o árbitro visse) e manda no travessão de Rogério Ceni.

Thiago Neves ainda pega, mas mal, o rebote, de cabeça.

O São Paulo vai para o vestiário meio grogue e deve agradecer que o placar tenha ficado só em 1 a 0.

E voltou mais inspirado no segundo tempo, embora o primeiro lance mais agudo tenha saído dos pés de Conca, aos 6, ao acertar a toalha de Rogerio Ceni, no pé da trave.

Dodô entrou no lugar de Arouca, aos 9.

E Aloísio no de Dagoberto, aos 12.

De cara, ele quase empata.

E, aos 19, perdeu gol feito que levou Luís Alberto a quase bater em Thiago Neves.

Aos 23, foi a vez de Adriano cabecear a Fernando Henrique salvar com os pés.

Dodô não acontecia e o São Paulo já fazia por merecer o empate.

O que aconteceu, com facilidade, depois que Aloísio fez linda jogada pela esquerda e botou na cabeça de Adriano, aos 25.

No minuto seguinte, como por encanto, Dodô desencantou, entre as pernas de Rogério, que falhou: 2 a 1.

Placar que garantia o São Paulo nas semifinais.

Jorge Wagner substituiu Hugo, aos 30 e, aos 36, Maurício entrou no lugar de Ygor.

Estava tudo aberto, mas o São Paulo fazia prevalecer sua maior experiência.

O único gol sofrido pelo Flu no Maracanã era suficiente para eliminá-lo.

Aos 38, infantil, Joílson agarrou o exuberante Júnior César e foi corretamente expulso.

E o Flu foi para o tudo ou nada.

Duas vezes, em um minuto, Rogério salvou a pátria são paulina, em arremates de Maurício e Gabriel.

O garoto Alan entrou, saiu Gabriel.

O Flu não saía da área e o terceiro gol saiu da cabeça de Washington, em cobrança de escanteio.

Justo, muito justo.

Brilhante mesmo!

O Flu é semifinalista da Libertadores, como acreditaram 42,44% dos 1065 blogueiros que opinaram.

 

Por Juca Kfouri às 23h52

21/05/2008

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal...

Por GUSTAVO VILLANI, de Madrid

Certo dia um amigo, ex-jogador de futebol com passagem por Portugal, me disse que os portugueses têm uma característica: "São bons jogadores, mas não decidem jogos importantes".

Escutei a observação com atenção e aos poucos fui criando minhas próprias idéias.

Não gosto de preconceitos, mas respeito os conceitos de pessoas mais velhas, ainda mais por se tratar de um cara que viveu em Portugal.

Pois assisti ao clássico mundial entre Manchester e Chelsea.

Cristiano Ronaldo, o melhor da atualidade, perdeu um pênalti na final da Liga dos Campeões!

E na semifinal contra o Barcelona também!

E Portugal perdeu a última Eurocopa em casa (para Grécia!).

Eu estava quase convicto de que Portugal não tem poder de decisão e pensava ao lado de três colegas lusitanos: "Eles pipocam mesmo na hora do vamos ver..."

Para alimentar ainda mais minhas conclusões, um deles "cantou" pessimista o pênalti do Manchester.

Pronto!

Fechei o raciocínio com a lembrança de um triste fado, música típica no cantinho espremido da península ibérica.

Alguns minutos se passaram e aqui dou vida aos pensamentos.

Ao refletir mais, me dou conta que três jogadores portugueses (CR, Ricardo Carvalho e Nani) estavam em campo na final de Moscou.

Se pensar que Ronaldo aos 23 anos sequer atingiu a maturidade, é compreensível vê-lo perder pênaltis (já Nani, converteu).

E se levar em consideração que Portugal terminou a Eurocopa de 2004 em 2° lugar, a edição de 2000 na 3° colocação, na de 1996 caiu nas quartas-de-final e em 1992 nem se classificou para disputa da competição, percebe-se os portugas em evolução.

Apesar de eles nunca terem ganhado uma Copa do Mundo, nem uma Eurocopa.

A garantia da eternidade do jejum deles vem da mesma certeza que tenho de que ganharão um grande campeonato de futebol em breve.

São desses raciocínios sem fim que se alimentam os torcedores.

Nem o amigo, na melhor intenção de transmitir conhecimento baseado numa experiência vivida, é capaz de fechar um conceito sobre futebol.

Sigo atento à "falta do poder de decisão deles", assim como acho que estão entre os melhores nos dias atuais.

Por Juca Kfouri às 21h56

E o Boca, bem, o Boca...

O Boca Juniors chegou ao estádio Jalisco, em Guadalajara, olhou, cumprimentou a todos, e foi fazendo gols no Atlas.

Um, dois, três, todos de Palermo, o último, de esquerda, por cobertura, como se fosse, assim o Platini.

E no primeiro tempo!

O jogo ainda está em andamento.

Mas o Boca já é semifinalista da Liberadores.

Hepta à vista?

Por Juca Kfouri às 21h06

A Europa é vermelha!

No primeiro tempo só deu o Manchester United em Moscou.

Num gramado melhor do que se dizia, embora pesado porque chovera, o jogo correu de maneira muito viril, beirando a violência, numa intensidade com a qual não estamos habituados.

O português Ricardo Carvalho, por exemplo, deu uma solada no conterrâneo Ronaldo assustadora.

Cristiano Ronaldo estava impossível e fez, de cabeça, o primeiro gol, aos 26.

O segundo só não saiu três vezes porque numa Tevez se atrasou e em outras duas a muralha Petr Cech impediu, brilhantemente, num peixinho à queima-roupa de Tevez e, no rebote, num potente chute de Carrick, da entrada da área.

O Chelsea só via.

Desde os tempos do comunismo que a Praça não ficava tão vermelha.

Mas, aos 45, porque o jogo se chama futebol, Essien arriscou de longe a bola reboteou em dois jogadores vermelhos e sobrou de graça para Lampard empatar.

E o que deveria ser, no mínimo, um 2 a 0, foi para o intervalo como um 1 a 1.

Aí veio o segundo tempo e o Chelsea foi melhor, bem melhor, embora não tanto quanto o MU no primeiro.

Cristiano Ronaldo deu uma desaparecida com apenas dois lances brilhantes e os azuis passaram a ameaçar.

Drogba, por exemplo, aos 32, mandou uma bola na trave, de fora da área.

Parecia que tudo ficaria azul em Mockba.

Por mais que o Chelsea apertasse, no entanto, sem que o MU conseguisse ameaçar, o segundo tempo acabou como começou e a decisão da Liga dos Campeões da Europa foi para a prorrogação.

Logo aos 3 minutos, depois de trocar passes dentro da área, nova bola na trave mandada pelo Chelsea, agora com Lampard.

Mas Cristiano Ronaldo parecia disposto a dar, outra vez, o ar de sua graça.

E o Manchester ameaçava nos contra-ataques, em busca do título invicto, enquanto o Chelsea buscava ser o primeiro clube londrino campeão europeu em 53 anos de Liga dos Campeões.

Aos 10, Terry, de cabeça, na linha fatal, salvou o que seria o segundo gol vermelho, de Giggs.

E num clima de extrema tensão, começou a derradeira etapa da prorrogação, sob chuva, chuva forte, já na madrugada moscovita, sete horas adiante do horário de Brasília.

(E como é bom poder ver um jogo só, algo que não poderá ser feito logo mais à noite, com Flu x São Paulo e Sport x Vasco ao mesmo tempo).

Essien não largava Cristiano Ronaldo nem para ir ao banheiro, embora o português não tenha ido ao banheiro, pelo menos durante a prorrogação.

Ao faltarem cinco minutos para acabar a decisão, Drogba foi expulso ao dar um tapinha num adversário e sobraram cartões amarelos ainda para Tevez, que comprou a briga, e Ballack.

Os pênaltis pareciam inevitáveis e o MU corria o risco de ser, agora sim, o primeiro vice-campeão invicto da Liga.

E Belletti  entrou para bater pênaltis pelo Chelsea, assim como o menino Anderson, pelo Manchester.

Tinha brasileiro na final, afinal. 

Tevez bateu primeiro: 1 a 0.

Ballack empatou.

Carrick fez 2 a 1.

Belletti, herói do Barcelona na Liga dos Campeões, empata.

Cristiano Ronaldo vai bater. O craque normalmente erra. O luso dá a paradinha. Cech não se move. Ronaldo bate, o tcheco defende.

Lampard bota o Chelsea na frente: 3 a 2.

Hargreaves empata.

Cole faz 4 a 3, apesar de Van Der Sar tocar na bola.

Nani faz o que o conterrâneo não fez e empata.

O capitão Terry vai bater o pênalti do título que o Chelsea não tem. Ele escorrega e chuta para fora! Que drama!

O menino Anderson bota o MU na frente, no meio do gol, o herói da Batalha dos Aflitos...

Kalou empata.

Chove, chove muito.

Giggs não falha: 6 a 5.

Anelka bate, Van der Sar defende!

O Manchester é o campeão.

Por Juca Kfouri às 18h34

Vai pra casa, Kaká!

Por ROBERTO VIEIRA

A seleção brasileira é uma utopia. Só existe nas mentes encaracoladas da CBF.

A seleção brasileira já não joga no Brasil. Já não treina no Brasil. Já não mora no Brasil.

O verde e amarelo é apenas uma jogada de marketing.

E se a seleção principal é uma utopia, a olímpica é uma abstração.

O futebol mundial nunca compreendeu os ideais do Barão de Coubertin. Aliás, aqueles mais chegados ao Barão vão mais longe: Nem o Barão sabia muito bem que ideais eram esses.

Há 80 anos o futebol rompeu as amarras da hipocrisia e se declarou independente. Profissional.

Decidiu seguir seus próprios ideais. Criou a Copa do Mundo.

E ao romper as amarras do Barão, o futebol tornou-se o rei dos esportes. Pra felicidade geral da nação.

Porque se você imagina que o futebol é corrupto, é porque você não conhece as Olímpiadas.

O Comitê Olímpico compactuou com Hitler da mesma forma que compactua com os herdeiros do Massacre da Praça da Paz Celestial.

O Comitê Olímpico vive falando em Jesse Owens, mas Jesse Owens voltou pra casa e foi viver na miséria.

O Comitê Olímpico fechou os olhos ao doping dos países da Cortina de Ferro, subtraiu as medalhas de Jim Thorpe e ignorou o apartheid.

Quando percebeu que estava perdendo dinheiro, o COI se rendeu ao profissionalismo em 1992.

Candidamente, na maior cara de pau.

Kaká será pai pela primeira vez esse ano. Mais ou menos na época dos Jogos Olímpicos.

O Brasil não precisa de Kaká. O filho(a) dele sim!

Sem a medalha de ouro olímpica, Kaká estará na companhia de Garrincha, Pelé, Di Stefano e Maradona. Nada mal.

O último grande gênio do futebol que ganhou uma medalha de ouro olímpica foi Ferenc Puskas.

Puskas que foi saudado como herói nacional em 1952.

Puskas que foi apedrejado dois anos depois quando perdeu a Copa do Mundo.

É por essas e outras que qualquer Dalai Lama mais ajuizado aconselharia ao pebolista cristão:

'Vai pra casa, Kaká!'

Por Juca Kfouri às 00h22

Ontem foi injusto. E hoje?

Ontem, pela Copa do Brasil, no Engenhão com 30 mil torcedores, o Corinthians jogou melhor que o Botafogo, que era o favorito.

O empate seria um resultado justo, mas o Glorioso ganhou de 2 a 1 graças também aos árbitros que deram impedimento no que seria o gol de empate corintiano, no último minuto da partida.

O Botafogo jogará pelo empate no jogo de volta, quarta-feira que vem no Morumbi.

E o Corinthians jogará pelo 1 a 0 para ser finalista e tem tudo para se dar bem diante da Fiel.

Hoje, mais de 100 mil torcedores devem lotar o Maracanã e a Ilha do Retiro.

No Recife, como favorito, o Sport recebe o Vasco e espera 30 mil rubros-negros nas arquibancadas, no jogo de ida da outra semifinal da Copa do Brasil.

E, no Rio, 70 mil torcedores tricolores devem ver Fluminense e São Paulo na luta por um lugar nas semifinais da Libertadores.

O São Paulo ganhou o jogo de ida por 1 a 0 e joga, como favorito, pelo empate.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, dia 21 de maio de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 00h01

20/05/2008

Botafogo busca e acha vitória no fim

O Engenhão não recebia o público que o jogo exigia, apenas 30 mil pagantes.

No primeiro tempo, o Botafogo mostrava muita ansiedade, pouca criatividade e nenhuma volúpia.

Já o Corinthians era só seriedade, bastante marcação, estocadas perigosas e vontade em estado puro.

Na verdade, 1 a 0 foi menos que o alvinegro paulista mereceu nos primeiros 45 minutos, com cinco lances agudos, agudíssimos, na verdade.

O primeiro e o último deles a favor do alvinegro carioca, um por falha do Corinthians logo aos 7 minutos, outro por mérito botafoguense já no fim, aos 46.

Eduardo Ramos saiu jogando muito mal com uma bola atravessada da esquerda da defesa para o meio, Wellington Paulista a roubou e foi para cima de Felipe, que abafou bem o atacante e fez uma defesaça, embora seja daqueles gols imperdíveis.

No fim do primeiro tempo, Felipe fez outra bela defesa em chute de esquerda de Alessandro, na cara do gol, em complemento a um cruzamento da direita.

Os três melhores momentos do jogo foram todos corintianos e todos tramados por eles.

A começar pelo gol, belíssimo, de Carlos Alberto, aos 22.

O corintiano finalizou pela direita do ataque um lance que começou na esquerda da defesa, quando André Santos evitou que um passe torto de Diogo Rincón saísse pela lateral, saiu jogando com o próprio Rincón, e a trama toda, com direito a toque de calcanhar de Dentinho no meio, acabou nos pés de Herrera que deu na medida para um chute cruzado e indefensável.

Era, na verdade, o primeiro ataque perigoso do Corinthians, mas do time que era mais time em campo.

Sete minutos depois, por pouco, pelo travessão, não saiu o 2 a 0.

Rincón virou o jogo da direita para esquerda com André Santos que avançou e cruzou na cabeça do mesmo Rincón, mas o travessão evitou o gol.

Aos 40 e aos 44, Renan salvou uma cabeçada de Herrera e Renato Silva chegou 1/10 de segundo antes do argentino que faria o gol, dois lances perigosos que valem por um agudíssimo.

Fato é que a torcida corintiana tinha motivo para festejar e a do Botafogo vaiava seu time na ida para os vestiários.

Talvez, na verdade, este blogueiro ande exigente demais com o Corinthians, que fez um primeiro tempo de gente grande.

O Botafogo voltou com Fábio em lugar de Zé Carlos.

Logo de cara no recomeço do jogo, Fábio sofreu falta na entrada da área de Eduardo Ramos, que ao lado de Lulinha era o único que destoava, e Lúcio Flávio bateu tão bem que acendeu a torcida do Glorioso.

Era outro Botafogo, mais guerreiro ao menos, embora se expondo aos contra-ataques.

Aos 8, um pênalti infantil de Carlos Alberto, ao se desequilibrar na área, em Jorge Henrique, o que valeu ainda o terceiro cartão amarelo ao corintiano, fora do jogo de volta no Morumbi.

Dois minutos depois, Lúcio Flávio bateu bem no meio do gol e empatou.

O placar não espelhava os 55 minutos de futebol, mas era indiscutível.

Fábio Ferreira entrou no lugar de Lulinha que fez cera para sair e também levou o terceiro cartão..., aos 12.

Era Mano Menezes tentanto o remédio para o veneno de Cuca com a entrada de Fábio.

E o Botafogo tomava conta do jogo.

Aos 23, corajoso, Mano Menezes botou Acosta no lugar de Rincón.

Em seguida Cuca tirou Wellington Paulista para fazer entrar Alexsandro.

Sem ser perigoso, o Corinthians, ao menos reequilibrava o jogo e Alessandro, do Botafogo, levava o terceiro cartão por falta em Herrera, assim como Fabinho, do Corinthians, que pegou Lúcio Flávio, em bom segundo tempo -- três a um em jogadores suspensos para infelicidade do time de Parque São Jorge.

Para tentar ganhar, Eduardo saiu e entrou Adriano Felício no Glorioso.

Mas quem quase fez o segundo gol foi o Corinthians, aos 30, num chute da intermediária de Fabinho que desviou na zaga e tirou Renan do lance: a bola saiu por cima.

Aos 35, atento, Felipe evita o que seria gol de Lúcio Flávio, em dividida na pequena área.

E, aos 43, bola no segundo pau de Alessandro, sobra para Jorge Henrique fazer 2 a 1 depois da cabeçada errada de Fábio Ferreira, um prêmio que o Botafogo buscou, mas, sem dúvida, um castigo que o Corinthians não mereceu.

Alessandro também levou o terceiro cartão e não jogará em São Paulo, assim como André Santos.

Ou seja, quatro corintianos fora, contra dois botafoguenses.

Está tudo aberto, porque o Corinthians joga pelo 1 a 0 em casa, embora muito, muito desfalcado.

E a arbitragem do gaúcho Gaciba foi corretíssima até o minuto final, quando Chicão fez um gol legal e o auxiliar errou ao marcar impedimento. 

50,31% dos 2750 blogueiros acertaram com o Botafogo, 44,72% erraram com o Corinthians, assim como 4,97% com o empate.

Por Juca Kfouri às 22h24

Botafogo x Corinthians: tem favorito, mas não tem zebra

Botafogo e Corinthians jogam hoje às 20h30 no Engenhão a partida de ida das semifinais da Copa do Brasil.

O alvinegro carioca é vice-campeão estadual, ganhou a Taça Rio, é da Série A, tem mais time e joga em casa.

O alvinegro paulista não ganhou nada nesta temporada, está na Série B, tem um time inferior e joga fora de casa.

Contra o Glorioso pesa a fama de se dar mal na hora da decisão.

A favor do Timão, a abnegação que o time tem mostrado em suas últimas apresentações.

O Botafogo é favorito.

O Corinthians jamais será zebra.

Por Juca Kfouri às 00h38

O que você faria no lugar de Kaká?

O Milan anunciou que não vai mesmo liberar Kaká para as Olimpíadas.

Não é novidade, porque estava na cara, já que o clube não tem a obrigação como tem no caso de Alexandre Pato.

Fontes da CBF, que pedem para não serem identificadas pela agência Reuters, argumentam que é o jogador que não faz questão de disputar o torneio olímpico porque, com o status de melhor do mundo, teria condições de convencer o presidente do clube a liberá-lo.

Essas mesmas fontes dizem que há jogadores que não fazem mais questão de defender a Seleção.

E você, que agora lê estas mal traçadas linhas, brigaria com seu patrão que lhe paga US$ 1 milhão por mês para disputar uma medalha olímpica?

Por Juca Kfouri às 00h33

19/05/2008

Abel, o Vermelho

Perguntei para o Abel Braga, em programa que irá ao ar no sábado que vem à noite na ESPN, qual seria a chance de ele ir trabalhar no Grêmio se lhe oferecessem um caminhão de dinheiro.

A resposta foi curta e grossa, no bom sentido:

"Zero, nenhuma, sou vermelho."

Por Juca Kfouri às 14h10

18/05/2008

O Náutico de Olavo Bilac

Por ROBERTO VIEIRA

Ora (direis) que é apenas a segunda rodada. Certo, perdi meu senso!

E eu vos direi, no entanto. 'Amai para entender'.

Pois só quem ama pode compreender o sentido da paixão.

Olavo Bilac, cujo nome de batismo já era um verso alexandrino, não era torcedor alvirrubro. Mas tinha lá suas paixões.

O Clube Náutico há dois anos era a última flor do Lácio, inculto e esquecido da beleza dos grandes palcos.

Imagina-lo, dois anos depois, liderando o principal torneio de clubes do país era uma temeridade.

Um requisito de um Lima Barreto, jamais de um Olavo Bilac.

Mas o torcedor alvirrubro quando olhava triste as partidas da Série A, sonhava. E via.

Quem sabe um dia...

Os sensatos repetiam: 'Ora (direis) ouvir estrelas!'

Porém, que é feito do torcedor sem o sonho. Sem a fantasia depois da quarta-feira de cinzas das derrotas colossais.

Épicas.

Sem a lágrima da batalha trágica, que se anuncia eterna. E se revela efêmera.

Porque é efêmera toda despedida para quem ama. Toda lágrima.

Na ausência de palavras que expressem essa singular alegria alvirrubra só nos resta lembrar de Bilac.

O Bilac sério e nacionalista.

O Bilac que nunca foi um torcedor de futebol.

Mas que ousou transcrever emoções que soam como hino para quem ama seu clube, seu time, na felicidade breve e transitória de que é feito o futebol:

"Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Por Juca Kfouri às 21h45

O balanço da segunda rodada do Brasileirão

Foram só 21 gols em 10 jogos.

E 129.918 mil torcedores, média de quase 13 mil por jogo, que não é muito, mas não é pouco para os hábitos brasileiros.

O Olímpico apanhou o maior público para ver Bruno defender até pensamento e o travessão salvar, por duas vezes, o Flamengo de perder para o Grêmio: foram 38.564 pagantes.

O pior público foi para a única goleada da segunda rodada do Brasileirão, apenas 2.396 torcedores para ver Santos 4, Ipatinga 0.

E só dois times ganharam as duas partidas que disputaram, o Náutico e o Cruzeiro.

O grande clássico da rodada, entre Palmeiras e Inter, teve apenas 10 mil torcedores, talvez por causa do aumento do preço dos ingressos.

E teve duas expulsões, de Edinho e Guiñazú, do Inter, a primeira essencial para a derrota colorada por 2 a 1 para o Verdão.

Duas expulsões justas por duas faltas injustificáveis e que merecem punição disciplinar por parte da direção gaúcha. 

No jogo entre Atlético Paranaense e São Paulo aconteceu um lance bizarro: o bandeirinha, aos 13 minutos do segundo tempo, errou ao marcar um impedimento do atacante tricolor Alex Cazumba, que entrou na área e caiu.

O árbitro deu pênalti, que não aconteceu, mas voltou atrás ao ver que seu auxiliar havia marcado impedimento.

Em bom português: dois erros equivaleram a um acerto.

Houve, ainda, dois acertos que deram errado para os tricolores São Paulo e Fluminense, ainda sem vitória no Brasileirão por poupar titulares para a Libertadores.

E um acerto que valeu por um acerto mesmo, a decisão de Emerson Leão em botar os titulares do Santos para enfrentar o Ipatinga: os 4 a 0 fortalecem o time para tentar fazer três no América de Cabañas, que merece respeito.

Por Juca Kfouri às 21h31

Bom jogo e pouca gente no Palestra

No segundo minuto de jogo no Palestra Itália vazio, com apenas 10 mil pessoas, o Inter teve, nos pés de Alex, a possibilidade de fazer 1 a 0.

O atacante fez o que tinha de fazer, assim como o goleiro Marcos, que defendeu muito bem.

No terceiro minuto de jogo no Palestra Itália, o Palmeiras teve, nos pés de Denílson, a possibilidade de fazer 1 a 0.

O atacante nem passou para Alex Mineiro, na cara do gol, nem chutou no gol, mas mandou a bola nas piscinas do clube.

Aos 12, no entanto, na intermediária, Denílson enfiou uma bola preciosa para Alex Mineiro desperdiçar desequilibrado.

O jogo era bom, como prometia e, no Verdão, a ausência de Kléber punido por Luxemburgo, era compensada pela volta de Léo Lima.

Aos 18, com toda razão, o árbitro expulsou Edinho que já tinha pegado Élder Granja e pegou também Valdívia.

Era a sétima falta colorada contra apenas uma do alviverde.

Mas, aos 23, quem teve de trabalhar de novo foi Marcos, em forte tiro de Alex, de fora da área.

Aos 25, o árbitro aliviou para Guiñazú, que deu um carrinho digno de receber cartão amarelo, que seria o seu segundo...

O Palmeiras tinha o controle do jogo e Nilmar não pegava na bola.

Quando pegou, aos 29, fez ótima jogada pela esquerda e cruzou para Marcão com chances, mas ele se atrapalhou ao tentar pegar de voleio.

No lance seguinte, Denílson pegou a bola entre dois zagueiros que bobearam, deu bela finta em Sorondo e chutou de esquerda, para fazer um lindo gol, além de muito mais difícil do que tinha perdido.

Aos 40, Valdívia jogou por cima do gol a chance do segundo gol, que já estava maduro.

Aos 43, foi a vez de Denílson desperdiçar ótimo ataque.

E o Inter teve de trocar Sorondo por Orosco.

Aos 47, o velho castigo para os que não fazem.

Alex bateu falta na cabeça de Índio, que empatou 1 a 1.

Terminava o primeiro tempo com empate entre o campeão paulista e o gaúcho, amargo para o Verdão, doce para o Colorado.

E os 10 primeiros minutos do segundo tempo foram absolutamente tranquilos.

Aos 11, no entanto, Henrique bateu falta com violência e Renan defendeu.

Aos 12, David perdeu gol feito, em cruzamento de Denílson, pela direita.

E aos 13, Valdívia foi derrubado na área por Orosco.

Alex Mineiro bateu o pênalti, aos 15, e fez 2 a 1.

Pouco antes dos 30, Fernandão saiu para dar lugar a Adriano e Léo Lima deixou o campo para a entrada de Lenny.

Aos 31, Pierre salvou o empate gaúcho, depois que Marcos falhou na saída do gol e pôs na cabeça de Índio.

Denílson, que foi muito bem, saiu para entrar Sandro Silva, como Élder Granja tinha saído para entrar Wendel.

Guiñazú, em seguida, foi expulso, por pegar Lenny e Nilmar saiu, trocado por Ricardo Lopes.

Na verdade, o 2 a 1 ficou bom para o Inter, que poderia ter sofrido mais gols, embora o Palmeiras tenha corrido o risco de sofrer um empate que seria desastroso, por não ter sabido matar o jogo.

Seja como for, boa vitória no primeiro jogo entre dois dos favoritos do Brasileirão.

OK, eles também eram favoritos na Copa do Brasil...

Mais de 1900 blogueiros se dividiram ao apontar quem venceria o clássico: 44% acertaram com o Verdão, 43% errraram com o Colorado, assim como os 13% que apontaram empate.

Enquanto isso, em Floripa, no embate entre dois outros campeões estaduais, o campeão catarinense Figueira se deu bem ao derrotar o campeão paranaense Coritiba, 2 a 1, com dois gols de Cleiton Xavier e um de Hugo.

Gallo se despediu do Figueirense. Está indo para o Galo. Já cometeu o mesmo erro quando foi para o Colorado...

E, em Santos, depois de um primeiro tempo com surpreendentes chances de gol para os dois lados, o Santos, com seus titulares, treinou no segundo tempo com o Ipatinga, com quatro gols dos Kléber.

O primeiro, aos 15, de falta, só de Kléber.

Os três seguintes, 22, 25 e 34, de pênalti, de Kléber Pereira.

Que faça o mesmo contra o América, mesmo com um gol a menos.

Por Juca Kfouri às 20h08

Só o Náutico venceu!

A Libertadores cobrou seu preço de São Paulo e de Fluminense na segunda rodada do Brasileirão.

Os tricolores paulistas, com seus reservas até no gol, foram mal no primeiro tempo, na Arena da Baixada, e levaram um gol do Atlético Paranaense, aos 14, de Danilo, de cabeça, depois de escanteio.

No segundo o tempo o São Paulo foi melhor, mandou bola na trave, pressionou, e acabou empatando, aos 35, com Éder Luís, recebendo da linha de fundo de Júnior.

Foi justo, apesar da patética arbitragem, mais desatenta que a própria desatenção.

Já o tricolor carioca, perdeu pênalti com Carlinhos no começo do segundo tempo, teve em Fernando Henrique, seu único títular no jogo, autor de três grandes defesas e de um frango, aos 26 do segundo tempo, em cabeçada do espigado Wellington, no Maracanã e perdeu, também, o jogo.

Até porque o Timbu, neste momento líder do campeonato, ainda fez mais um, nos acréscimos com Warley.

O Flu foi o único derrotado da tarde do domingo.

Porque em jogos que vi apenas de relance, Grêmio e Flamengo ficaram no 0 a 0 no Olímpico e Goiás e Galo no 1 a 1, gols no segundo tempo, de Paulo Baier e Vanderlei.

Faz mais de um mês que o Atlético não ganha de ninguém e o Grêmio reclama de um pênalti que, no máximo, foi obstrução, ou seja, falta em dois lances.

Mas o tricolor gaúcho mereceu, ao menos, uma vitória pela contagem mínima, coisa que o goleiro Bruno, que quase não jogou, evitou com muita competência, além de sorte, pois viu a trave salvá-lo duas vezes.

Por Juca Kfouri às 17h59

Falou, Doutor!

Proximidade infeliz

Por SÓCRATES

Temos pela frente a última chance de o nosso basquete chegar às Olimpíadas. Nas outras oportunidades, demonstramos, muito mais que incompetência, uma tremenda imaturidade, pois o time tinha todas as condições técnicas de já ter conseguido uma vaga. Essa incapacidade, que já dura alguns anos, e o desempenho pífio no Mundial de Atletismo mostram com clareza a real situação do nosso esporte de alto rendimento no cenário mundial.

Muita gente chegou a clamar em altos brados destacando nossa campanha no Pan-Americano, ignorando que enfrentamos equipes que em nada estavam privilegiando aquela competição. Os melhores atletas dos adversários ficaram de fora para, exatamente, preparar-se para os torneios mais importantes.

Nós nem mesmo sabemos o que buscamos. Há alguns anos, uma boa soma de recursos é colocada nas mãos de nossos administradores esportivos para ações indefinidas. Precisamos mesmo é de movimentos que nos ofereçam a perspectiva dos objetivos a ser alcançados. Não interessa em uma política de Estado o resultado esportivo em si, e sim o grau de mobilização da sociedade. Só a partir daí poderemos entender a maior valorização do esporte competitivo.

Não dá para imaginar, e isso é histórico, boas representações nacionais sem grandes atletas. E de onde virão os atletas? Virão de uma estrutura que permita, estimule e dê a todos acesso à prática desportiva. Dessa multidão sairão os mais bem-dotados, mas isso nem de longe é feito ou mesmo pensado. O que importa é ter os recursos na mão para utilizá-los de acordo com interesses pontuais ou menores.

Sempre que se discute algum tipo de renúncia fiscal para financiar projetos esportivos, os mesmos eternos administradores esportivos tentam se aproximar do governo. É cada vez mais freqüente vermos nosso ministro do Esporte (aliás, como o anterior) cercado por eles. Será que é tão importante essa vizinhança? Não creio. Até porque eles jamais se interessaram pelo esporte em si. Querem, sim, ganhos para sua gente.

No futebol, por exemplo. Diga-me uma única iniciativa da Confederação que tivesse como objetivo a propagação da prática esportiva. Uma única que estimulasse a formação intelectual de nossos jogadores. Nenhuma! Por tudo isso gostaria de lembrar ao ministro que ele deveria ter cuidado com quem anda. Que deveria estar atento à formulação de um projeto que atendesse aos interesses do País, e não de poucos.

Quando a gente adquire certa projeção, por conquista ou por indicação, atrai para perto toda sorte de interessados. Alguns vêm atrás de uma pequena quantia de dinheiro para a subsistência imediata e outros querem emprego, mas a maioria quer mesmo é te explorar de todas as maneiras possíveis. Raramente se aproximam pessoas do bem, interessadas em te auxiliar em alguma dificuldade. Reconhecer quem é quem no meio da multidão nem sempre é fácil.

Neste caso, porém, está claro com quem ele está se relacionando. Basta buscar nos anais do Congresso Nacional o resultado das CPIs que investigaram nosso esporte. Ele pode argumentar que estes contatos são importantes por culpa dos cargos que estas pessoas ocupam, mas gostaria de saber qual é o objetivo destes encontros. Que eu saiba não se discute algo relacionado com o futuro do nosso esporte. No mais das vezes, o que se oferece ao ministro são comendas de parco valor ou convites para acompanhá-los em jantares ou passeios turísticos. E aplaudir uma eterna reeleição. É muito pouco.

Ó ministro, largue mão dessa gente! Você tem coisas mais importantes para fazer. O trabalho que existe pela frente para um dia sonharmos com algo estabelecido com resultados concretos, social e esportivamente, é longo e difícil. Não dá para ficar perdendo tempo com esses eventos sociais que não levam a lugar nenhum. Que não oferecem nenhum ganho em relação ao que todos esperam. Existem pessoas, grupos e organizações com propostas muito mais interessantes. É só abrir a agenda para quem quer que o País melhore. Não esses aí.

É só avaliar o tal do legado do Pan-Americano no Rio de Janeiro. O que sobrou para a população carioca do gigantesco investimento que foi feito? Absolutamente nada. Nem mesmo podem utilizar os equipamentos esportivos construídos. Muitos deles abandonados à própria sorte. Será que isso é lógico para um País tão injusto e uma Nação com tão pouco acesso ao conhecimento e à saúde?

Só não vê quem não quer.

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=940

Por Juca Kfouri às 12h18

Levante seu direito

Por GUSTAVO VILLANI, de Madrid

Certa vez o Dr. Sócrates me disse que os jogadores de futebol "devem usar os microfones para se comunicar com o público, e não com a imprensa em si. Os jogadores e o público têm uma relação mais forte do que com a imprensa".

Pois hoje pude vivenciar a força da união dos jogadores do Levante que fizeram greve de treino toda a semana e, por sua vez, ameaçaram não entrar em campo na festa do título do Real Madrid.

A diretoria do clube já rebaixado para segunda divisão não honra os compromissos firmados com os atletas.

Sem opção e cansados das falsas promessas, apelaram para greve, em campo, nunca de entrevistas, apesar dos poucos jornalistas que insistiam em minimizar a importância e seriedade do protesto.

A imprensa foi só um instrumento de pressão dos jogadores e, claro, pressão que se tornou insuportável a partir do momento em que os torcedores em geral entenderam a situação dos atletas do Levante.

Imagine você a festa do 31° título espanhol do Real Madrid, sem jogo, apenas com uma singela volta olímpica no Bernabeu.

Seria pateticamente histórico.

A Liga de Fútbol Española e a Asociación de los Futbolistas Españoles se comprometeram em público a levantar fundos para o pagamento dos salários de funcionários e jogadores do Levante, clube do zagueiro Álvaro, ex-São Paulo.

Haverá o jogo, o que ainda é discutível.

Mas está aí uma mostra da importância de reivindicar o justo, o que é de direito.

Por Juca Kfouri às 11h29

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico