Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

31/05/2008

Vasco, o time da virada, tá lembrado?

Estivesse Roger com o pé na forma, e o Grêmio teria ido para o intervalo com 3 a 0 no placar de São Januário.

Como não estava, o Vasco foi para o vestiário perdendo de apenas 1 a 0, gol de Reinaldo, aos 30 minutos.

Então, no segundo tempo, tudo mudou.

A começar pelo time vascaíno, que tirou Morais e botou Jean.

Santa substituição, hein, Antônio Lopes?

Aos 7, Jean empatou, com um chute violento para complementar bela jogada de Leandro Bonfim.

Aos 30, de novo Jean, agora após jogada de Wagner Diniz e de duas tentativas dele mesmo, deixou sua marca e virou o jogo: 2 a 1.

O Grêmio jogou fora a chance de mais um bom resultado no Rio de Janeiro, com Jonas, inclusive, no último minuto.

E o Vasco mostrou força suficiente para se recuperar da frustração da Copa do Brasil.

E Jean deve ser titular, pelo menos, no próximo jogo.

Em Floripa, Figueirense 0, Goiás 0. Não vi e não gostei.

Por Juca Kfouri às 20h24

Sport se deu bem, mas nem gostou

O Inter fez por fazer, no mínimo, três gols no Sport só no primeiro tempo.

Mas marcou apenas um, com Alex, de fora da área, logo aos 5 minutos.

O próprio Alex perdeu mais dois gols.

O Sport, que não tem nada a ver com os erros dos outros, empatou ao 12, quando Leandro Machado, livrinho da silva, cabeceou na pequena área.

Como dissera antes de o jogo começar, diferentemente do que fizera na Ilha do Retiro quando comemorou "em respeito ao torcedor rubro-negro" seu gol contra o Inter que o revelou, Leandro não comemorou no Beira-Rio, aí "em respeito ao torcedor colorado e ao carinho que sente pelo Inter".

O segundo tempo ia no mesmo diapasão, com Nilmar desperdiçando pelo menos mais duas chances evidentes, até que o Inter perdeu, por justa expulsão, o zagueiro Sidnei.

Aí, o Sport que tinha chutado apenas duas bolas a gol, ganhou corpo e passou a ameaçar.

Não virou aos 29 por detalhe, porque Renan pegou não só um pênalti, que ele mesmo cometera, cobrado por Carlinhos Bala, como pegou o rebote que veio da cabeça do batedor.

Nilmar seguia sem jogar bem e deixou o campo para entrar Iarley, aos 35, o que levou a massa a chamar Abel Braga de burro, ele que já tinha posto Ji-Paraná no lugar de Adriano.

Nelsinho Baptista também tinha mexido no meio do segundo tempo: para poupar um pouco Luisinho Netto, o homem da bola parada, botou Diogo, e pôs Enilton no lugar de César.

E foi exatamente Enilton quem sofreu o pênalti que poderia ter dado a vitória ao time pernambucano, que se desgastou sim em Porto Alegre, mas viaja para São Paulo com moral elevado pelo bom resultado obtido.

O goleiro Magrão, por exemplo, jogou muito bem, por mais que contasse com o erro de pontaria dos atacantes gaúchos.

Mas, ao fim do jogo, Dutra se queixou: "Empate com sabor de derrota, porque tivemos o jogo em nossas mãos e perdemos o pênalti".

É o Sport, que volta ao Recife, para viajar apenas na segunda-feira para São Paulo.

Por Juca Kfouri às 20h18

O quarto passo do Timão 100%

Contra um time excessivamente violento e incapaz de levar perigo ao seu gol, o Corinthians passeou pelo Pacaembu em ritmo de poupança para o jogo que interessa, na quarta-feira, contra o Sport.

E assim ganhou do Fortaleza só por 1 a 0, gol de Alessandro, de fora da área, em bola desviada pela zaga cearense, aos 22 minutos, no primeiro tempo.

Ainda no primeiro tempo, o centroavante Lima desperdiçou duas chances claras de gol e de fazer seu nome junto à torcida corintiana.

Numa delas, é verdade, o goleiro fez boa defesa.

Pior que ele só Fábio Ferreira que, por egoísmo, não deu o segundo gol ao tentar marcar sem ângulo com três companheiros pedindo a bola na pequena área.

No segundo tempo, Fábio Ferreira quase fez, aos 27, mas Tiago Cardoso fez sua segunda grande defesa no jogo.

A resposta do Fortaleza veio em seguida, na única chance criada em todo jogo, mas mandada por cima, sem, portanto, que Felipe precisasse intervir.

Aos 29, enfim, o árbitro resolveu expulsar um dos brucutus do Fortaleza.

Aos 34, Herrera que acabara de entrar, aproveitou-se de bela jogada do estreante Elias e liquidou a partida que, na verdade, estava liquidada desde o começo porque o goleiro Felipe, por exemplo, só passou frio, perigo jamais: 2 a 0.

O Corinthians segue 100% e deu seu quarto passo em direção ao lugar que é seu na Primeira Divisão.

Nada menos que 24 mil corintianos passaram frio nas arquibancadas, mas, novamente, saíram felizes do estádio, com virou hábito nas tardes de sábado.

Além do mais, viram a boa estréia de Elias, uma ótima atuação de Fabinho, mais um gol de Herrera, ou seja...

Por Juca Kfouri às 18h08

Goiás infame

O que o Goiás fez com Romerito, e com o Sport, está abaixo da crítica.

Não permitir que ele fique mais 10 dias no clube pernambucano para disputar a decisão da Copa do Brasil é inqualificável.

Porque revela nenhuma solidariedade com um clube que luta a mesma luta que o Goiás luta.

E porque deixa um profissional seu tão insatisfeito que certamente não terá boa seqüência em Goiânia.

Se o Goiás cair haverá frevo rubro-negro no Recife.

E com razão.

Por Juca Kfouri às 08h56

Ah, a Seleção joga hoje...

O Nirvana e a Seleção

Por ROBERTO VIEIRA

Quatorze anos após a morte de Kurt Cobain a seleção brasileira chega a Seattle para enfrentar o Canadá.

A seleção brasileira enfrentando o Canadá em Seattle é tão grunge quanto uma seleção de futebol americano enfrentando o Equador em Caruaru durante o São João.

Eu digo grunge, mas o certo talvez fosse dizer psicodélico. Os cartazes que apresentam a seleção trazem Ronaldinho e Kaká. São, no mínimo, propaganda enganosa.

Mas será que a CBF está dando ponto sem nó? Por que jogar em Seattle? Seattle que não está nem um pouco interessada no futebol?

Vejamos. Os clubes da Major League Soccer (MLS) foram liberados para exibir patrocínio em suas camisas na temporada passada. Logo, a Herbalife anunciou o patrocínio do Los Angeles Galaxy. Mês passado, a Volkswagen adotou o DC United.

Seattle, além de terra do Nirvana e do Pearl Jam, também é a terra da Microsoft.

A terra de Bill Gates. E a Microsoft decidiu patrocinar o Seattle Sounders Futebol Clube, que estréia na Major League no próximo campeonato.

E como fazem desde os tempos de Pelé no Cosmos, lá vão os brasileiros tentar fazer da terra do baseball a terra do football. Como o bebê na capa do álbum Nevermind do Nirvana.

O gramado do Qwest Field onde Robinho vai dar suas pedaladas é um pasto.

A torcida, uma incógnita.

O horário pra torcida brasileira, pouco importa.

O jogo tem tanta importancia que Dunga perdeu o vôo.

Mas talvez eu esteja sendo injusto. Numa coisa a seleção brasileira tem tudo a ver com o Nirvana.

Hoje em dia, ela é apenas uma banda numa propaganda de refrigerante!

Por Juca Kfouri às 08h52

Robinho no Santos!

Por PAULO HENRIQUE TENORIO e CAMILA CAETANO, Jornal Impacto

O Santos está em vias de anunciar a contratação do meia Robinho, do Mogi Mirim, já pretendido pelo Botafogo e pelo Paraná Clube.

Robinho foi apontado como uma das revelações da Segundona paulista nesta temporada e maior responsável pela volta do Mogi Mirim à Primeirona.

No meio das negociações o empresário Delcir Sonda.

Veja, abaixo, a ficha do jogador, tirada da página do Mogi Mirim:

Nome: Robsom Michael Signorini

Data Nascimento: 10/11/1987

Local de Nascimento: Marialva -PR

Altura: 1.73m

Peso: 70Kg

Clubes anteriores: Inter - RS / Varginha - MG  

Por Juca Kfouri às 23h54

30/05/2008

Sábado animado

Sábado animado principalmente para os gaúchos, ambos com jogos às 18h10.

O Grêmio que faz boa campanha, e costuma se dar bem no Rio, vai a São Januário enfrentar um Vasco meio de baixo astral com a eliminação da Copa do Brasil.

Ótima chance para outro bom resultado tricolor.

Já o Inter, com a faca entre os dentes, recebe o Sport que o eliminou da Copa do Brasil e que promete, temerariamente, jogar com força máxima no Beira-Rio apesar de enfrentar o Corinthians na quarta-feira, no Morumbi.

Corinthians que também joga no sábado, no Pacaembu, mas às 16h10, contra o Fortaleza, primeiro adversário com um pouco mais de nível que pegará na Série B.

Mesmo com a cabeça na decisão da Copa do Brasil, o alvinegro que se cuide neste jogo de seis pontos, porque o time cearense é vice-líder e, se vencer, ultrapassa o time paulista.

O outro jogo deste sábado, às 18h10, reúne Figueirense e Goiás em Floripa, pela Série A, é claro.

Por Juca Kfouri às 12h00

Viva!

Bom dia!

E antes que eu me esqueça: viva o STF!

Por Juca Kfouri às 02h02

Pára, não pára, pará por que, não pára por quê?

Edmundo chegou deprimido ontem à tarde em São Januário.

De cabeça pelada para se punir por ter perdido o pênalti contra o Sport, anunciou que tinha parado com o futebol.

E que iria para a sala do presidente do clube, Eurico Miranda, para comunicar sua decisão.

Ao sair da sala do cartola, Edmundo não falou com a imprensa.

Mas Eurico Miranda falou.

Falou que Edmundo vai treinar hoje de manhã.

Sim, vai treinar hoje de manhã.

Ué, mas o Edmundo não parou com o futebol?

Não, não parou, decretou Eurico Miranda.

E quando o ex-deputado decreta alguma coisa no Vasco da Gama pode escrever: até o almirante acata.

Edmundo vai treinar daqui a pouco em São Januário.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, dia 30 de maio de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

 

Por Juca Kfouri às 01h21

29/05/2008

O mito do goleiro estrangeiro

Por ROBERTO VIEIRA

Quando o arqueiro Pablo Miglione do Boca Juniors papou um soberbo peru contra o Fluminense, os mais antigos não puderam segurar o riso.

É que todos conviveram com o mito do goleiro estrangeiro.

Durante o século XX o Brasil conviveu com algumas lendas tidas como verdades. A gente não tinha petróleo, comunista comia criancinha, goleiro bom era goleiro de fora. Então o São Paulo foi buscar Jose Poy. Ídolo nas décadas de 50 e 60 no arco tricolor. O Atlético-MG se socorreu de Mazurkiewicz. O Santos de Pelé importou Cejas. O Bahia trouxe Buttice, que depois rumou para o Corinthians.

O Brasil produzia craques em todas as posições, menos no gol. A exceção era Gilmar. Mas Gilmar era tão calmo que não podia ser brasileiro segundo os críticos.

A Copa de 70 foi o apogeu da crise. Gilmar havia se despedido da canarinha. Félix assumiu seu lugar. Veio o jogo com a Inglaterra. Banks fez milagre na cabeçada de Pelé. Félix fez milagre na cabeçada de Lee. Mas Banks era inglês, jogava de luvas. Félix era nacional e insistia em defender o pão nosso de cada dia de mãos desnudas. Veio o jogo com o Uruguai, Pelé tirou Mazurkiewicz pra dançar, Félix salvou o Brasil de uma prorrogação com uma defesa cinematográfica aos 44’ do segundo tempo. A imprensa elogiou a coreografia do goleiro uruguaio e ignorou o número 1 do Brasil. Cega.

Mas uma coisa deixava os comentaristas com uma pulga atrás da orelha: Por que os estrangeiros não brilhavam tão intensamente no Brasil?

A explicação era simples. Foi dada por Cejas em entrevista quando defendia o Santos. O problema estava nos nossos atacantes. Na Argentina, na Alemanha, na Inglaterra todo mundo só rezava o Pai Nosso. Gol, só de cartilha. Todo goleiro já sabia o que ia acontecer. Aqui, não!

Cejas foi brincar de se adiantar e levou um chapéu de Dirceu Lopes. Saiu pra enfrentar Leivinha e tomou uma caneta. Depois de muita vaia descobriu que no Brasil goleiro era profissão perigosa. Aliás, o próprio Pelé ia destruindo o mito por onde passava. Viktor da Tchecoslováquia quase toma um gol do meio de campo. E o milésimo gol foi comemorado contra o argentino Andrada que esmurrava o chão inconformado. Mito?

De tanto enfrentar os melhores atacantes do mundo, de tanto aprender com os arqueiros que vinham de fora aos milhares, o goleiro brasileiro hoje é o melhor do mundo. Fernando Henrique provou isso contra o Boca. Claro que de vez em quando ainda aparece um órfão do passado. Gente que jura de pés juntos que Oliver Kahn é melhor que Marcos. Máspoli superior à Barbosa. Pato Abbondanzieri mais seguro que Júlio César...

Mas é só da boca pra fora do campo. Dentro das quatro linhas goleiro bom é goleiro Made in Brazil.

Por Juca Kfouri às 21h11

Uma entrevista com Di Stefano

Por GUSTAVO VILLANI, de Madrid

Só o fato de Alfredo Di Stefano ser presidente de honra do Real Madrid já valeria a pauta.

Mas ele é muito mais do que isso.

Ao chegar à Sala de los Veteranos do estádio Santiago Bernabeu e ser literalmente entrevistado por ele, em constrangedora inversão de papéis, percebi que é uma pessoa rara.

Quis saber quem eu era, o que fazia na Espanha, onde está minha namorada e, para encerrar, me deu conselhos para não sofrer com as diferenças culturais na Europa.

Talvez porque conheceu a vida cigana de jogador de futebol há quase 60 anos, antes de qualquer conceito sobre bloco econômico e contra todos os preconceitos sobre dupla nacionalidade.

Jogou, em ordem cronológica, no River Plate, Huracán (volta para o River), Millionarios, Real Madrid e Espanyol.

Disse ter sido amigo do escorraçado goleiro Barbosa, a quem conheceu numa série de amistosos no Brasil, no final da década de 40.

Fã de Zizinho, elogiou a escola brasileira.

Não se recusou a falar de nada, mas me interrompeu e se mostrou indisposto ao falar de Didi e Pelé.

Em uma dessas ironias da vida, que tiraram de Zico uma conquista de Copa do Mundo, Di Stefano não pôde jogar um Mundial.

Sofreu com o boicote da Argentina em 1950.

Em 54 e 58, já pela seleção espanhola, nem embarcou para Suíça e Suécia.

Em 62, já trintão, estava no Chile, mas machucado.

Aos 40 anos se aposentou, em 1966.

 

O que falta ao Robinho para jogar o que se espera dele?

Não sei o que faz fora de campo, se treina bem, não gosto de individualizar meus comentários porque sou da mesma profissão. Garoto jovem para se firmar na Europa tem que se adaptar às circunstâncias da vida, dos estádios, dos companheiros, depende de como ele leva tudo isso. Qualidade ele tem. A adaptação não depende do treinador, se o treinador monta um time pra ele ou não. Tem uma frase que diz: "cada maestro tem seu livro", e deve ser respeitada.

Às vésperas da Eurocopa, qual a seleção que mais lhe encanta?

Não há como dizer. Cada seleção tem seu ciclo, sua característica, seja Brasil, Argentina, Itália, Alemanha. Não sei se a Bélgica está um fenômeno ou se a Dinamarca vai voltar à tona. Não dá para prever. Tem jogador que vai a Igreja pedir ajuda divina para ganhar campeonato. Por favor! Outras seleções também pedem ajuda de Deus. Então, lá de cima, ele diz: "vai empatar, com certeza".

Sua biografia se chama "Gracias, Vieja". Qual o porquê do nome?

A mãe para alguns é a número um do mundo, essa que dá a luz, dá carinho, te cria, que faz tudo. Eu valorizo muito a figura feminina. Então estava num café em Barcelona, com os jogadores do Real Madrid, vendo um monumento. Um deles, que estava com sono, brincou: "vou fazer um monumento a uma cama". E o outro disse que faria um monumento à esposa. Eu disse que faria um monumento à bola, porque se não fosse por ela não estaríamos ali, sentados. A história se propagou até chegar a um escultor, que se ofereceu para um trabalho. Comprei. Ele esculpiu o símbolo do River e a menção "gracias, vieja", homenagem que pedi a minha mãe e à bola. (a escultura enfeita o jardim da casa de Di Stefano)

Você saiu de casa, na Argentina, aos 23 anos, quando a palavra globalização nem existia. Como foi?

Houve uma revolução bombástica na América, a Colômbia até separou-se da FIFA. A maioria dos jogadores das equipes pequenas não recebia, ou recebia picado. Nós, os grandes jogadores da época, fizemos uma organização secreta na Argentina, Perón não podia saber. Íamos de clube em clube semeando a idéia da greve. Genial. Depois de alguns anos, em um momento precioso, explodiu a greve que durou seis, oito meses, com argentinos, uruguaios e outros mais. Queríamos defender os jogadores dos times pequenos, ou da segunda divisão. Tinha jogador que recebia um salário a cada quatro meses trabalhados. Saí do River para o Millionarios da Colômbia, assim como muitos outros.

Você acha o jogador brasileiro tão politizado como os argentinos e uruguaios?

Vocês são descendentes de portugueses, certo? É diferente, apesar de sermos todos latinos. Outra: o Brasil é muito grande, em São Paulo tem muitos times, no Rio de Janeiro também, em Belo Horizonte tem dois, Porto Alegre... O importante é que falo de organização, não estou aqui fomentando a rebeldia. Brigávamos pelos direitos, não contra o clube. Se existe um contrato, tem que cumpri-lo.

Alfredo, fale da experiência de jogar por diferentes seleções.

Eu joguei pela Argentina e pela Espanha. Falam da Colômbia, mas eu não joguei pela seleção colombiana. Sou argentino e espanhol, tenho duas nacionalidades. Há um ditado que diz: "uno es de dónde pase, no de donde nace". Você tem que ser torcedor de onde você come. Que te recebam em outro país, tem que estar agradecido. Faz sete anos que já não volto para Argentina, mas quando podia estava lá todas as férias, entre amigos e familiares.

O que espanta é que hoje as pessoas se locomovem com facilidade, mas antes...

Colombo foi a América, e Vespucio também. Um tem que começar, dar início à vida. Eles descobriram a América, e nós descobrimos a Europa, entende? Saí da Argentina e depois da Colômbia por necessidade, foi difícil. Uma ligação telefônica de Bogotá a Buenos Aires demorava 48 horas, às vezes quatro dias. Agora, em 48 segundos se fala com Buenos Aires aqui de Madri. Tudo melhorou.

Notícias da namorada só por carta?

Isso, sim, piorou. As pessoas eram mais letradas, e hoje são mais mecânicas, estão acostumadas com teclado, Internet, essas coisas. Eu tinha que inventar frases para impressionar minha namorada, nada era pronto. Tinha que postar a carta e começar a escrever outra, porque demorava demais para chegar. Tudo pela Rutina. (risos)

Tenho aqui algumas frases de Bobby Charlton e Eusébio. Disseram que Stefano foi o melhor. Just Fontaine acredita que Alfredo e Pelé foram iguais...

Só tem craque aí, hein. Gosto de me sentir parte de um todo, sou um colaborador. Nunca gostei do "eu", de ser capitão, a estrela, ou coisa do tipo. Eu era da equipe, do conjunto. Quem quiser presumir, que presuma, mas eu não gosto da presunção. Cada um fala o que quiser.

Didi dizia que o dono do time, você, o boicotava no Real Madrid.

Eu falo, conto uma história, e ele conta outra história. Para falar de uma pessoa têm que estar os dois presentes. Eu digo uma coisa, você outra e, aí, as coisas se aclaram. Você me pergunta de Didi. Pois digo que aqui Didi foi tratado muito bem. (Pausa) Vou te contar uma coisa: Didi veio a Madrid num inverno do c... e não comprou um casaco. Ponto. Não me pergunte mais.

Falamos, então, de um compatriota que gosta muito de você. Maradona.

Minha relação com Maradona é antiga, o conheço desde que tinha 17, 18 anos e ainda jogava no Argentinos Juniors. Tenho uma história para ilustrá-lo. No Mundial da Argentina fui trabalhar para uma televisão venezuelana. Cheguei a Buenos Aires e logo minha mãe me disse: "Alfredo, esse Menotti não convocou o Maradona. O que você acha? Tem que matar esse homem!" Menotti é meu amigo e me dizia que Diego era muito jovem para jogar um Mundial, apesar do talento que já demonstrava. Tentei acalmar minha mãe, que tinha uns 60 anos e estava uma fera, contando que só conhecia Diego de ouvir falar e que ele nem deveria ser tudo isso. Ela me mediu com os olhos e disparou: "Pois eu vivo aqui, saiba que Diego é o melhor jogador argentino". Por onde Diego passou foi uma figura extraordinária. Agora, digo sempre que as más companhias tiraram dele a possibilidade de ser mais do que é. Eu o quero muito bem, é um grande amigo.

Por falar em Copa do Mundo, dói não ter jogado um Mundial?

Como me vai doer se eu estive no Chile! Fiz gols na classificação da Espanha para jogar o Mundial. Mas tive a lesão nas costas, apesar dos médicos insistirem que era na perna, e perdi tempo na recuperação. Queriam que emagrecesse cinco quilos a todo custo, exageraram na minha preparação e me machuquei. Pelé também se machucou. Ou seja, ao Mundial eu fui, mas não pude jogar por lesão. (Pausa) É a defesa que eu tenho. E outra: não me importa!

Tampouco foi sua culpa a ausência da Argentina na Copa de 50.

Argentina sempre briga com alguém. Por uma coisa ou por outra não foi ao Mundial do Brasil, dirigentes não se organizaram entre eles e faltavam os grandes jogadores que deixaram o país depois daquela greve. Sempre tem um problema "x" na Argentina. Desde que Grondona assumiu, a coisa melhorou um pouco, apesar do êxodo dos jogadores. Vão a França, Itália, Inglaterra, México, aos países escandinavos... É uma sangria. Os públicos argentino e brasileiro estão deslocados. Quem eles podem ver jogar? Os estádios se esvaziam. Têm que pagar a televisão para ver os times europeus. Em vez de torcer para o River, Boca ou Chacarita, torcem para o Milan, Real Madrid e Benfica.

É possível mudar a situação?

Se um jogador na América ganha 100 e aqui ganha 100.000, você mesmo responde. O que faz o jogador? Antes era uma prisão aos clubes, podiam te reter para a vida toda, éramos como escravos. Hoje você só pode estar na Antártida ou no Equador porque as pessoas lutaram pelo direito mundial, que é a liberdade.

Você gosta de políticos, dos dirigentes do futebol?

Os políticos gostam de futebol assim como simpatizamos por alguns deles. Você não pode impedir a um político de ter preferências, isso vem de 10, 11 anos de idade, seja com o Real Madrid, Santos, São Paulo. Portanto, não podemos fazer um torcedor deixar uma equipe porque ele tem um cargo político. O que isso tem a ver? Eu posso ser torcedor de um político e não ser do mesmo partido dele, por exemplo. As pessoas levam a questão sempre para o mau.

Franco não usava o Real Madrid como bandeira?

Não, nem sabia que jogávamos. Sabia, mas pouco. O Real Madrid teve a grande vantagem de ganhar muitas Copas da Europa, e cresceu em prestígio. Nunca presentearam nada ao clube, tudo isso(estádio) foi construído. Pagamos cimento, tijolo, andaime, tudo. O presidente Santiago Bernabeu não era tonto. Contratou Didi do Brasil, Santamaría do Uruguai, eu vim da Colômbia, apesar de ser argentino, enfim, boa parte do mundo sempre torceu pelo Real Madrid. O clube ganhou muito dinheiro em amistosos.

Já agradeceu alguma vez pelo Barça ter desistido de lhe contratar?

O Barça não desistiu, o Barça perdeu a briga com o Real Madrid. Os catalães negociaram com o River, que embolsou o dinheiro, sendo que meu passe já era do Millionarios. O Real Madrid negociou diretamente com o Millionarios e aqui estou. A FIFA tentou aquela medida para apaziguar, mas não deu certo porque, aí, sim, o Barcelona desistiu de me ter. (Di Stefano teria que jogar quatro temporadas na Espanha, duas pelo Real Madrid e outras duas pelo Barcelona)

Cinco Copas da Europa, uma Copa Intercontinental, dois prêmios Bola de Ouro, uma Copa América, artilheiro desde sempre... Faltou algo na carreira?

Não, tenho muita coisa. Reconheço o carinho de todos, sempre foram bons comigo e tentei ser igual. Esse é o resultado, não tenho mais nada a dizer, sou feliz. Sou agradecido a todos os prêmios e, digo sempre, a todos meus companheiros.

Com permissão para imitá-lo, Gracias, Viejo.

Nada, obrigado a todos vocês. Um abraço à torcida brasileira.


O repórter e o gênio

Por Juca Kfouri às 11h37

Constatação, ironia e destino

A constatação: Renato Gaúcho não está repetindo um velho chavão do dizer que "ainda não ganhamos nada".

Não mesmo, quando o adversário se trata do Boca Juniors.

Ou alguém acha que um 1 a 0 no Maracanã é alguma coisa de outro mundo?

Portanto, tricolores, que os mortos saiam das tumbas para ajudar o bom time tricolor a eliminar os incansáveis xeneizes.

A ironia, já por demais lembrada, que envolve Nelsinho Batista e os sonhos corintianos no ano passado e neste.

E o destino de Mano Menezes, cujo ponto alto na carreira aconteceu no Recife, nos Aflitos, e que agora tem o desafio da Ilha do Retiro.

Por Juca Kfouri às 11h07

O futebol, que afaga e apedreja

Felipe, o goleiro do Corinthians, falhou no gol que significaria a classificação do Botafogo.

E pegou o pênalti que significou a classificação corintiana.

Magrão, o goleiro do Sport, falhou no gol de Edmundo que poderia significar a classificação do Vasco.

Mas bateu com perfeição o seu pênalti, depois de ter visto o Edmundo...

Bem, o Edmundo fez o gol no último minuto, o gol que poderia valer a classificação vascaína nos pênaltis.

E só ele acha que pode bater pênaltis.

E só ele errou a cobrança de pênaltis.

Finalmente, Fernando Henrique, o goleiro do Fluminense.

Sobre quem sobra desconfiança.

Mas que ontem, em Buenos Aires, fez pelo menos um milagre para garantir o empate com sabor de vitória.

Felipe, Magrão e Fernando Henrique, apedrejados e afagados.

Edmundo, afagado e apedrejado...

Por Juca Kfouri às 01h46

Perto da redenção

O Corinthians está a dois jogos,contra o bravíssimo Sport, de fazer do limão de 2008 uma saborosa limonada.

Aquele que era para ser o ano da provação, pode virar uma grande festa se o tricampeonato da Copa do Brasil vier, para garantir vaga na Libertadores de 2009, um dos mais cobiçados, se não o mais cobiçado prêmio do Campeonato Brasileiro da Série A.

Porque a Série B tem tudo para virar, com o amor próprio de time grande resgatado, um festivo desfile por São Paulo e pelo país afora.

É claro que o Corinthians não terá a chance de lutar para ser o terceiro pentacampeão brasileiro, mas a vitória diante do Botafogo nos 2 a 1 do Morumbi, e nos 5 a 4 da decisão em chutes da marca de pênalti, revela um grupo de abnegados.

Faltam dois passos, lá e cá ou cá e lá.

Que precisam ser dados com a mesma humildade de quem corre atrás de um prato de comida, como faz boa parte dos 62 mil corintianos que viveram mais uma noite inesquecível em preto e branco.

Por Juca Kfouri às 00h41

Fluzão, Timão e Leão!!!

Fim dos três primeiros tempos.

Pelas semifinais da Copa do Brasil, sem gols e com pouca emoção embora com muita gente tanto no Morumbi (62 mil presentes) quanto em São Januário.

No Rio, o Sport foi bem melhor, mais maduro e, mesmo sem Romerito, fez para pelo menos marcar um gol, ao contrário do Vasco.

Em São Paulo, nem Felipe nem Castillo precisaram trabalhar.

O jogo foi tenso, marcado implacavelmente, com quase nenhuma sensação de gol a não ser, talvez, numa bola de Herrera por cima da trave.

Pelas semifinais da Libertadores, ao contrário, não só houve dois gols, como poderia ter havido quatro.

Os gols foram do genial Riquelme depois de bela triangulação do ataque do Boca Juniors com passe final de Palacio e o do Fluminense do extraordinário zagueiro Thiago Silva, de cabeça, em falta cobrada por Thiago Neves.

Um aos 11 e o do empate aos 14.

O Flu mostrava coragem, era insinuante do meio de campo para frente e confuso na defesa.

Logo depois do empate, numa bobeada em que sobrou espaço para o ataque xeneize, Palermo ajeitou para Chávez mandar na junção da trave brasileira.

A resposta tricolor, com o mesmo perigo, só veio no último minuto, quando Júnior César por pouco não fez 2 a 1, coisa, aliás, que teria acontecido se ele tivesse passado a bola para Washington, na pequena área.

Os segundos tempos começaram com mudanças.

No Morumbi, o Corinthians voltou com Acosta no lugar de Fábio Ferreira e sem Mano Menezes, expulso de maneira exagerada pelo árbitro.

E o Botafogo voltou com Alexandro em lugar de Fábio.

Aos 6 minutos, Herrera recebeu na direita, driblou André Luís e deu para Acosta só cumprimentar e fazer 1 a 0, em saída amalucada de Castillo..

O Botafogo empatou em seguida, com Renato Silva, aos 8, depois de má saída de Felipe, que anda inseguro não é de hoje.

O Corinthians se mandou.

E, aos 19, em cobrança de falta, Chicão fez 2 a 1, com o baixinho Castillo chegando tarde na bola.

Cuca tira Túlio Souza e bota Zé Carlos.

Marcel e Carlão entram nos lugares de Saci e Diogo Rincón.

Um gol mais classificava o Corinthians, ou o Botafogo.

Por enquanto, pênaltis.

Aos 41, saiu Wellington Paulista, entrou Adriano Felício.

O Botafogo criou duas boas chances, perdidas por puro nervosismo.

E a decisão foi para a marca do pênalti.

Chicão bateu o primeiro para o Corinthians: 1 a 0.

Lúcio Flávio empatou.

Herrera fez 2 a 1.

Alexandro empatou.

Nilton fez 3 a 2.

André Luís empatou.

Alessandro fez 4 a 3.

Jorge Henrique empatou.

Acosta fez 5 a 4 em seu conterrâneo.

Zé Carlos bateu e Felipe defendeu.

O Corinthians está na final da Copa do Brasil pela quarta vez. 

Em São Januário, no Vasco, saiu Alex Teixeira e entrou Jean, como a torcida queria.

E, aos 19, Leandro Bonfim bateu falta para Leandro Amaral cabecear de peixinho e fazer 1 a 0.

Um gol mais, pênaltis, ou a classíficação do Sport, que viria, também, sem mais nenhum gol.

Aos 45, Magrão soltou uma bola insoltável e Edmundo fez o 2 a 0 dos pênaltis, o que parecia impossível.

Edmundo bateu o primeiro para o Vasco muito mal.

Luizinho Netto botou o Sport na frente: 1 a 0.

Leandro Amaral fez 1 a 1.

Fábio Gomes fez 2 a 1.

O goleiro Tiago empatou.

O goleiro Magrão fez 3 a 2.

Leandro Bonfim empatou.

Dutra fez 4 a 3.

Vágner Diniz empatou. 

Carlinhos Bala classificou o Sport para a sua segunda final de Copa do Brasil.

Em Avallaneda, o Boca partiu para cima do Flu que não soube sair da pressão, ao errar passes em demasia.

Aos 17, saiu Maurício e entrou Romeu. Pra quê?

Água mole em pedra dura, eis que, de falta, aos 20, ele, de novo, Riquelme fez 2 a 0, em bola que desviou na barreira, exatamente em Romeu...

Aos 30, no entanto, para coroar uma boa atuação, Thiago Neves arriscou de longe e o goleiro portenho engoliu um pollo.

Dodô entrou em lugar de Washington.

O fim do jogo foi de matar do coração, mas o do Fluminense estava forte, bem forte, com Roger no lugar de Thiago Neves, para segurar.

O Flu jogará no Maracanã pelo 0 a 0 e pelo 1 a 1.

Graaaaaaaande, Flu!

Por Juca Kfouri às 00h20

28/05/2008

Clap, clap, clap!

Tostão, craque exemplar, médico de primeira, jornalista que virou paradigma, escreveu hoje em sua coluna na "Folha de S.Paulo" a nota abaixo:

Propaganda

Vi pela televisão um comercial da Timemania e da Caixa Econômica Federal.

Pelé é o garoto-propaganda.

Apareço de costas em um lance da Copa de 1970, perto de Pelé.

Sei o meu lugar e que a intenção não é explorar meu nome, mas tinham obrigação de pedir minha autorização.

Se pedissem, não daria, por dinheiro nenhum.

Não sou garoto-propaganda nem sou a favor da Timemania.

Peço que retirem o anúncio.

E qual foi a reação da CEF?

Atendê-lo imediatamente.

O mundo não está perdido.

Por Juca Kfouri às 18h22

O Sport está com tudo

Agora, uma pesquisa que vale, embora não seja uma pesquisa, porque sem rigor científico, mas, ao menos, uma sondagem verdadeira.

Ao faltar pouco mais de seis horas para os jogos da Copa do Brasil, o grande favorito como finalista é o Sport, com 82% de preferência.

O Vasco tem apenas 18%.

Entre Corinthians e Botafogo, os paulistas têm 52% e os cariocas 48%.

A final mais votada é entre Sport e Corinthians, com 43%.

A seguir, Sport x Botafogo, com 39%, ficando Vasco e Botafogo e Vasco e Corinthians com 9% cada.

Por Juca Kfouri às 15h36

Mil perdões!

Errei feio.

Cai num conto que não poderia cair.

A "pesquisa" do Gallup não existe.

Obra de algum engraçadinho para enganar trouxas.

Como eu!

Por Juca Kfouri às 15h20

LDU pertinho da final

A LDU jogou  mais que o América no primeiro tempo, mas não fez gol.

O América jogava melhor que a LDU no segundo tempo, mas tomou um gol, aos 18.

Falha do goleiro Ochoa, que não cortou um cruzamento pela direita.

Dez minutos depois, no entanto, o América tratou de empatar.

Em seguida, Sebá, lembra dele?, e Bolaños, foram expulsos: 10 x 10.

Sobrava espaço num jogo em que a altitude não influencia em nada, pois se a Cidade do México fica 2400 metros acima do nível do mar, Quito é 400 metros ainda mais alta.

De todo modo, o 1 a 1 foi muito bom para a LDU, que joga pelo 0 a 0 em Quito para ser finalista da Libertadores, ao contrário do que tricolores e xeneizes preferem, pois o América na final é a garantia de Fluminense ou Boca Juniors no Mundial de clubes da Fifa.

LDU que, lembremos, estava no grupo do Flu, na segunda fase do torneio.

E muito cá entre nós, o novo mau resultado do lanterna do Campeonato Mexicano apenas revela como foi inexplicável a vitória dele por 3 a 0, no Maracanã, sobre o Flamengo.

Porque o Santos, sabemos, não só é inferior ao Flamengo como, ainda por cima, foi prejudicado seriamente pela arbitragem no jogo no estádio Azteca.

Que hoje apanhou mais de 105 mil torcedores

Por Juca Kfouri às 00h06

27/05/2008

O último gemido de Leão

Emerson Leão chegou à conclusão definitiva de que sair do Santos era o melhor caminho quando ouviu do presidente do Conselho Deliberativo santista, José da Costa Teixeira, que não havia mesmo dinheiro para nada.

"Mas, então, vamos jogar só para não cair?", Leão perguntou.

"Exatamente, para não cair", foi a resposta.

Depois de Corinthians, Atlético Mineiro, o próprio Santos no Paulistinha, Leão achou que era de bom tom parar de sofrer.

E parou.

Por Juca Kfouri às 21h54

Goleada do sexo

70% dos 3300 blogueiros responderam que entre sexo e futebol, preferem o sexo.

O brasileiro é mesmo um povo bom de cama, porque nas Europas a resposta foi bem diferente.

Bom de cama ou cascateiro?

Por Juca Kfouri às 19h01

Amanhã é o dia

Amanhã é o dia, como diria Nelson Rodrigues, de os vivos e mortos subirem as rampas.

De os vivos saírem de suas casas e os mortos de suas tumbas.

Todos em direção ao estádio de Avellaneda.

Amanhã é o dia de Boca Juniors e Fluminense, no campo do Racing, estádio Juan Perón, em Buenos Aires, começo da final antecipada da Copa Libertadores da América.

É o dia para o Fluminense encarnar o espírito de Castilho, Carlos Alberto Torres, Pinheiro, Edinho e Altair; Brant, Didi, Gerson e Rivellino; Telê Santana, Tim e Hércules, 12 símbolos tricolores, como também foram Marcos Carneiro de Mendonça, Pedro Amorim e Russo, Preguinho e Romeu, Félix e Romerito, Assis e Washington, agora redivivo.

Amanhã é o dia, Flu!

Que os deuses dos estádios te protejam.

E amanhã também é o dia da definição de quem fará a final da Copa do Brasil.

Morumbi e São Januários lotados para Corinthians e Botafogo e Vasco e Sport.

Os cariocas em São Paulo com uma pequena vantagem e os pernambucanos no Rio como uma vantagem maior.

Mas nada que impeça que a final venha a ser entre Corinthians e Vasco, como foi, por sinal, em 2000, no primeiro Mundial de Clubes da Fifa.

Decisões entre Corinthians e Sport e entre Botafogo e Sport nunca aconteceram, diferentemente, é claro, da história de Botafogo e Vasco, que já decidiram o campeonato carioca quatro vezes, sempre, aliás, com vitórias botafoguenses.

Enfim, amanhã é o dia. 

Por Juca Kfouri às 18h00

Chance de título 'adoça' ano amargo para o Corinthians

Por Juca Kfouri às 11h58

26/05/2008

Futebol faz chorar

Com 1800 opiniões, 84% admitiram que já choraram por causa de futebol.

Achei até pouco.

E, agora, a sondagem que está aí do lado esquerdo da tela repete uma pesquisa que foi feita na Europa.

Por Juca Kfouri às 22h09

FPF, pesos e medidas...

O que você lerá abaixo está na página da Federação Paulista de Futebol, na classificação da Segunda Divisão.

O curioso é que a mesma pena é aplicada de maneira diferente a dois clubes.

Um, o Atibaia, teve compensados nos seis pontos que perdeu no Tribunal, os três da derrota de seu jogo.

Outro, o Primeira Camisa, de Roque Júnior, que também perdera, para o ECUS por 3 a 0, não.

O que lhe trouxe um prejuízo final de nove pontos!

Eis o que diz a FPF:

Conforme Ata do TJD do dia 19/05/2008, condenaram o SC Atibaia, na perda de 6 pontos de seu ativo, já considerados os 3 primeiros pontos em virtude da derrota. Jogo do dia 19/04/2008
Conforme Ata do TJD do dia 19/05/2008, condenaram o FC Primeira Camisa, na perda de 6 pontos de seu ativo. Jogo do dia 26/04/200
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Por Juca Kfouri às 17h45

O relatório do gás em Parque Antarctica

1. É preliminar;

2. Fruto de um inquérito em delegacia dirigida por delegado da atual situação palmeirense, nada menos adequado;

3. Que, se culminar por responsabilizar a direção do São Paulo, nem por isso justifica que o Palestra Itália não tenha sido interditado.

Porque não só não exime a responsabilidade do mandante até que tudo fique claro, como, ainda por cima, não havia as câmaras de filmagem, nas imediações do vestiário, que lá deveriam estar;

4. E, finalmente, caso seja mesmo comprovada a responsabilidade do São Paulo, seu presidente, Juvenal Juvêncio, deve ser eliminado do futebol, como foi o goleiro chileno Rojas, pela palhaçada que fez no Maracanã, em 1989.

Por Juca Kfouri às 14h58

A terceira rodada deixou a desejar no Brasileirão

Os gols andam raros, outra vez só 26 em 10 jogos.

O torcedor também anda se guardando, média de 14.370 por jogo nesta terceira rodada.

No Serra Dourada, o menor público: 1.773 testemunhas.

No Maracanã, para Flamengo e Inter,  o melhor: 27.031 pagantes.

Estranhamente, só 6 mil torcedores no Pacaembu para Palmeiras e Portuguesa e só 5 mil para São Paulo e Coritiba.

Ao fim da terceira rodada, algumas constatações:

Só restam cinco times invictos;

Três deles, Cruzeiro, Flamengo e Grêmio, estão nas três primeiras colocações;

Outro, o Atlético Paranaense, está em quinto;

Mas o quinto time invicto, o Atlético Mineiro, está em 15o., porque se não perdeu, também não ganhou de ninguém.

Aliás, mais cinco times estão nesta situação, a de não ter vencido jogo algum: Goiás, São Paulo, Portuguesa, Fluminense e Ipatinga.

Sem nenhum empate, só quatro times: Cruzeiro, Náutico, Inter e Santos.

O Cruzeiro 100% porque ganhou seus três jogos;

O Náutico porque ganhou duas e perdeu uma vez;

Inter e Santos porque ganharam uma e perderam duas. 

OBS: As palavras em negrito correspondem às correções feitas às 11h30.

Por Juca Kfouri às 00h04

25/05/2008

Empates na Arena e no Engenhão

Os Atléticos empataram na Arena, 1 a 1, com o Mineiro saindo na frente (Eduardo, aos 10, de cabeça, em bola dada por Petkovic) e o Paranaense empatando em seguida, aos 16, com Marcelo Ramos, também de cabeça, para lembrar os tempos de Cruzeiro.

O Galo teve Eduardo expulso e um pênalti não marcado a seu favor.

No Engenhão, outro 1 a 1.

O misto do Vasco empatou com o misto do Botafogo, com um gol logo aos 55 segundos, de Eduardo Luiz, depois de escanteio pela direita.

Não vi bem nenhum dos dois jogos, mas vi que o Vasco foi mais perigoso e mandou bola na trave do Botafogo, no primeiro tempo.

E vi que o Botafogo só empatou de pênalti, depois que o Vasco ficou com 10, com Lúcio Flávio, aos 41, num segundo tempo em que foi bem melhor que o Vasco.

Que os dois tratem de ganhar a Copa do Brasil... 

Por Juca Kfouri às 20h08

Palmeiras paga o preço da soberba

Não tem pênalti no futebol de Sálvio Spinola.

Tanto que ele deixou de marcar três nos oito primeiros minutos de Portuguesa e Palmeiras.

Um em Edno, da Lusa, outro em Valdívia e mais um em Diogo, também da Lusa.

Mas tem pênalti sim no futebol de Sálvio Spinola.

Tanto que ele marcou um, menos claro, aliás, em Denílson, aos 33, e que Alex Mineiro cobrou na trave.

Antes, graças à superioridade do Palmeiras, o zagueiro David tinha feito 1 a 0, aos 20, em jogada de Valdívia pela esquerda.

E poderia ter feito mais antes de o primeiro tempo terminar no Pacaembu, com alegados apenas 6 mil torcedores.

Mas não é que a Lusa veio para cima no segundo tempo?

E o Palmeiras demonstrou que não levava muito a sério o esforço adversário.

Nem depois que Diogo obrigou que Marcos fizesse boa defesa, aos 8.

E quando acordou já era tarde, ou quase, aos 13, quando o mesmo Diogo chutou de novo, desta vez longe do alcance do goleirão.

Hora de Kléber, porque um empate seria um desastre. Sai Martinez, aos 19.

Paulatinamente, o Palmeiras foi tentando impor, novamente, sua óbvia superioridade.

Mas a Portuguesa tinha perdido o respeito e apesar de se defender mais do que atacar, mostrava que também queria ganhar.

Fabinho Capixaba entrou em lugar de Élder Granja, aos 28.

E começou a bater o desespero no Verdão, desperdiçando chances preciosas e reclamando de pênalti até quando o zagueiro luso estava com o braço atrás do corpo.

Em pênaltis, aliás, a desvantagem era lusa

Alex Mineiro saiu bravo e entrou Lenny, aso 32.

Christian também saiu bravo, para entrar Rogério na Lusa.

E o 1 a 1, desastroso para os planos verdes, não saiu do marcador. 

Por Juca Kfouri às 20h04

Sport sem dó. Goiás com

O Sport fez 2 a 0 nos reservas do Flu, com Júnior Maranhão e Leandro Machado, aos 23 do primeiro tempo e aos 36 do segundo.

E tomou um gol de falta de Dodô, aos 43, mas viu o mesmo Dodô bater fraco um pênalti aos 47, defendido por Magrão. 

O Flu só tem um ponto, oito a menos que o Cruzeiro.

Que trate de ganhar a Libertadores.

Em Goiânia, o Goiás conseguiu: fez 1 a 0 com gol de falta de Paulo Baier aos 5 do primeiro tempo e levou o empate do Ipatinga aos 34 do segundo, gol de Neto Baiano.

 

Por Juca Kfouri às 17h57

Cruzeiro com eficácia e beleza

Cruzeiro e Santos fizeram um jogo bom de se ver no Mineirão.

E no qual os mineiros tiveram todas as chances para liquidar a fatura, mas desperdiçaram.

O Santos também jogou fora algumas possibilidades muito claras, a tal ponto que o primeiro tempo poderia ter terminado, digamos, 3 a 2 para o Cruzeiro.

Mas terminou 1 a 0 mesmo, gol de Guilherme, depois que Jajá, um primoroso enfiador de bolas na tarde deste domingo, lhe deu um passe maravilhoso, aos 18.

Um minuto antes, no entanto, Molina tinha perdido boa oportunidade no ataque santista.

E um minuto depois, Fábio Costa saiu jogando errado, Ramires, com o diabo no corpo, roubou, deu para Wagner fazer 2 a 0 e ele não fez, como não fez aos 31, ao mandar no travessão uma bola trabalhada por Ramires Guilherme, de calcanhar.

Antes disso, no entanto, é bom dizer, Kléber Pereira chutou uma bola em cima do goleiro Fábio e logo depois disso foi a vez de Molina, de novo, perder gol, ao encobrir Fábio mas botar para fora.

Molina não voltou para o segundo tempo, dando lugar a Wesley.

O Cruzeiro, com Jonathan no lugar de Jadílson, continuou melhor, criando mais, embora correndo algum risco, como numa cabeçada de Marcelo, sem marcação.

Até que, aos 18, Guilherme recebe na área, se livra de Fabão com um drible seco e fuzila para ampliar: 2 a 0.

Fatura liquidada, Cruzeiro 100%.

E só ele.

Ramires, Guilherme e Wágner têm tudo para fazer história.

Ainda mais se Marcelo Moreno não gostar do que foi ver na Ucrânia, embora seu substituto, Jajá, tenha agradado e muito.

Aos 25, Wágner ainda fez 3 a 0, na cara de Fábio Costa, depois de uma cobrança esperta de falta.

Desenhava-se uma goleada no Mineirão, algo que o traumatizado time do Santos nem merecia.

Mas o Cruzeiro, é claro, não tinha nada com isso e Maicosuel fez o quarto, aos 34.

E Fábio ainda fez um milagre em chute de Tabata.

Por Juca Kfouri às 17h56

Depressão no Morumbi

O São Paulo jogava discretamente bem, claramente ainda doído com a eliminação da Libertadores.

E tomou um susto, logo aos 14, quando Michel entortou pelo lado direito e deu para Rubens Cardoso, com um chute fraquinho que Rogério só olhou.

O tricolor foi à luta conseguiu o empate, com Borges, depois que Jorge Wagner cruzou para dentro da área e o goleiro Édson Bastos não segurou.

Depois disso foram inúmeras as chances do São Paulo, com Aloísio, com Hernanes e com Joílson, que mandou no travessão, tudo ainda no primeiro tempo.

Logo no começo do segundo tempo, exatamente aos 4, porém, o goleiro coxa se recuperou ao pegar um chute à queima-roupa de Jorge Wagner.

Muricy Ramalho tentava de tudo e botou o time ainda mais no ataque ao tirar o esfalfado Hernanes para a entrada de Hugo, aos 32.

Aos 37, Hugo não matou uma bola embaixo da trave, para desespero dos 5 mil presentes ao Morumbi, que, no mesmo lance, reclamaram de um pênalti, inexistente, em Aloísio.

Em seguida, num contra-ataque, Rubens Cardoso foi agarrado e derrubado por Alex Silva na área e o árbitro não marcou o pênalti.

O Coritiba agora tem uma vitória, uma derrota e empate.

E o São Paulo segue sem vencer no Brasileirão, uma derrota e dois empates.

Deprimidos, os poucos que foram ao campo vaiaram das arquibancadas.

Por Juca Kfouri às 17h53

Ronaldo na Espanha. No Mengo?

Por GUSTAVO VILLANI

Fui almoçar e me encontrei com Ronaldo, acompanhado do filho Ronald, do fisioterapeuta Bruno Mazziotti e  de outros funcionários do atacante.

A previsão da volta do jogador é setembro.

O Manchester City queria contratá-lo, mas Ronaldo nem quis iniciar a negociação.

Um amigo espanhol do brasileiro fala em vê-lo no Atlético de Madrid, o que não seria mal, pois o Atlético estará na próxima Liga dos Campeões e de quebra Ronaldo estaria perto do filho.

Nada disso, porém, o empolga tanto como jogar pelo Flamengo.

Já existe um acordo verbal com Kleber Leite.

"Dois anos de contrato", assopra um amigo.

O sobrepeso do jogador, que já caminha normalmente, chama atenção e se faz notar desde o rosto.

O Fenômeno terá de suar bastante para retornar bem aos campos.

Mas, ao menos Ronaldo parece estar em paz em meio a tanto carinho dado ao filho. 

Bonito de se ver. 

Por Juca Kfouri às 13h41

Guga!!!

Foto AFP

Guga parou.

Começa a lenda.

Com quatro letras.

Como Mané.

Como Pelé.

Com G, de Ganhador.

C'est fini.

Merci.

Está tombado.

Muitíssimo obrigado.

Por Juca Kfouri às 12h44

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico