Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

07/06/2008

Timbu tímido em Ipatinga

Numa rodada que começou com 11 gols em dois jogos no Rio e em São Paulo, em Minas, Ipatinga e Naútico ficaram no 0 a 0.

Não vi.

Perdi?

Por Juca Kfouri às 20h15

Passeio no Maracanã em festa

O que era previsível aconteceu.

O Flamengo pintou e bordou com a péssima defesa do Figueirense e só no primeiro tempo marcou quatro vezes, três com Marcinho, de todo jeito, pelo meio, pela esquerda e pela direita.

Logo aos 2, ele trocou passe com Maxi, depois de uma roubada de bola no campo do ataque rubro-negro, e fez 1 a 0.

Entre o primeiro e o segundo gols, o Flamengo jogou em ritmo de treino, sobrando em campo.

Aos 36, foi a vez de Souza roubar uma bola no campo de ataque, entregar para Juan que deu para Marcinho, enfiar outra vez para Souza fazer 2 a 0.

Estava fácil, extremamente fácil, porque o Figueira não parece nem sombra do time do ano passado.

Neste Brasileirão, o Figueira já tomou cinco da Lusa, quatro do Vitória e mais cinco do Flamengo, em cinco jogos.

O massacre prosseguiu aos 39, quando Juan recebeu de Souza e fuzilou o goleiro Wilson que até defendeu bem, mas o rebote sobrou nos pés de Marcinho que mandou para a rede: 3 a 0.

O Flamengo nem queria mais, mas também não jogaria fora suas chances.

E Léo Moura deu uma de Mané Garrincha pela direita, deixou dois catarinenses na saudade com um drible sensacional, entrou na área e achou quem?

Achou Marcinho que, em duas tentativas, fez 4 a 0.

No segundo tempo o Flamengo relaxou como é natural e o Figueirense exigiu pelo menos duas grandes defesas de Bruno, uma delas terminando na trave.

No fim, para massa sair mais feliz ainda, Souza cumprimentou de cabeça um cruzamento de Obina e fez 5 a 0.

O Flamengo agora tem um saldo melhor que o do Cruzeiro:  9 a 7.

Para continuar líder, o Cruzeiro terá de vencer o Vasco por três gols de diferença.

Ou seja, amanhã, o rubro-negro torcerá pelos cruzmaltinos para ser líder isolado.

Torcerá para que o Vasco perca de pouco, é claro!

Sábado, no mesmo Maracanã, tem o São Paulo, que luta pelo mesmo hexacampeonato brasileiro. 

Hoje, o estádio tinha 22 mil pessoas, três vezes mais que o jogo do tricolor paulista no mesmo horário e quase com a mesma goleada, contra outro alvinegro.

Por Juca Kfouri às 20h11

Passeio no Morumbi vazio

Em 15 minutos no Morumbi, o São Paulo tinha chutado quatro vezes no gol do Galo e marcado três gols.

O Galo não tinha chutado nem uma bola sequer.

Hernanes fez o primeiro, acertando um daqueles chutes de fora da área como cansou de fazer no ano passado.

Eram decorridos apenas 8 minutos e quem sabe seja o sinal de que as coisas começam a voltar a seus lugares no São Paulo.

Porque, aos 12, também como em 2007, embora com a camisa do Botafogo, Joílson também fez belo gol de fora da área, depois de receber de Borges no papel de pivô.

E, ao 15, outra vez Joílson apareceu, ao dar para André Dias fazer um gol de atacante, encobrindo o goleiro Juninho.

O Galo estava tonto e Gallo tentou consertar, fazendo duas substiuições logo aos 24 minutos.

Em vão, é claro, porque a porta estava mais que arombada.

Impiedoso, ainda no primeiro tempo, o São Paulo consolidou sua primeira vitória neste Brasileirão, e sacramentou a primeira derrota do Galo, com Hugo, de cabeça, aos 38, ao concluir um cruzamento de Jancarlos que começou com uma tabela com Joílson.

Aos 25 do segundo tempo, Coelho diminuiu, em chute de longe que desviou em Aloísio, já contra um tricolor desinteressado.

Tão desinteressado que Muricy Ramalho começou a ficar irritado, algo que parece ter sido percebido por Hugo que achou melhor evitar a bronca e, aos 40, tratou de fazer o quinto gol.

Estará Hugo também de volta ao passado tricolor, mas tricolor gaúcho?

O São Paulo tinha marcado dois gols em quatro jogos e marcou cinco num só.

O Galo tinha sofrido dois gols em quatro jogos e sofreu cinco num só.

Melhor nem falar nada de Muricy Ramalho ou da possibilidade do tri/hexacampeonato tricolor.

Mas o fato é que, depois de poder trabalhar uma semana inteira, o São Paulo deu o ar de sua graça.

E sete mil torcedores no Morumbi é de dar vergonha no clube que se gaba de ser o Clube da Fé.

Sábado tem Flamengo, no Maracanã, lotado, é claro.

Por Juca Kfouri às 20h10

O quinto passo foi de 4

Era um jogo de risco.

Com o time reserva e mais três titulares, com a cabeça na decisão da Copa do Brasil, na casa do adversário, aparentemente dos mais qualificados da Série B, ainda invicto, a exemplo do próprio Corinthians, e do Avaí.

Só que o bom gramado do campo em Barueri conspirou contra os donos da casa e o Corinthians passeou no primeiro tempo.

E marcou três vezes:

Acosta, com a colaboração autorizada do bandeirinha (41 centímetros impedido), depois de enfiada de bola preciosa de Elias;

Ávalos, contra, em jogada de Douglas pela direita e Lima, em jogada de Wellington Saci pela esquerda, aos 9, 21 e 27 minutos.

O jogo esteve 1 a 1, por coisa de um minuto e pouco, depois que Felipe bobeou e Márcio Careca empatou.

Se o Corinthians pudesse nem teria voltado para o segundo tempo. Como não pode, voltou só para tentar fazer o tempo passar.

Sofreu um pênalti não marcado, levou uma bola na trave, viu Felipe fazer uma boa defesa e foi levando -- até levando alguns sustos.

Depois de um desses sustos, para acabar a brincadeira, Fábio Ferreira fingiu que era o Rivellino e deu um lançamento de mais de 40 metros para Douglas fazer belo gol: 4 a 1, aos 16.

O quinto passo foi de 4.

100%! 

Por Juca Kfouri às 18h05

Histórico: Venezuela 2, Brasil 0

Trimmmmm!

Toca o telefone na suíte presidencial do Palácio da Alvorada.

-Alô, aqui é o Lula, quem fala?

-Ei, meu companheiro, é o Chávez, de Caracas.

-Chávez?! O que houve desta vez?

-O jogo, Lula, o jogo?

-Que jogo, Chávez, você enlouqueceu?

-O jogo de futebol, meu camarada!

-Mas foi na quarta-feira passada e nós ganhamos de 3 a 1. Falta agora o jogo decisivo, em Recife.

-Não, Lula, falo de Venezuela e Brasil, em Boston.

-Chiiiiii, esqueci completamente e dormi. Você está ligando para se queixar?

-Não, amigo, para me desculpar.

-Porque, vocês tiveram que bater muito nos meus meninos?

-Não, Lula, não.

-Mas, então, por que, me conte como foi o jogo.

-Bem, logo aos 5 minutos fizemos 1 a 0, com Maldonado, numa bobeada da defesa de vocês, em linha.

-Você não vai me dizer que ganharam da gente de 1 a 0?

-Não, não!

-Ah, bom!

-É, que ainda marcamos, aos 42, com Vargas, em homenagem àquele outro presidente de vocês, mais do meu estilo. Só no primeiro tempo, quando ainda perdemos uma ótima chance. Vocês até dominaram, mas meu goleiro não teve que fazer uma única defesa. Resultado: 2 a 0!

-Meu Deus!

-Hable.

-Eu disse Deus, Chávez.

-Perdon.

-Fala em português, Cháves. E já que você me acordou, conte-me como foi o segundo tempo, porque futebol nunca foi o negócio de vocês. Ciclismo, beisebol, petróleo, futebol não!

-Bueno, ustedes tentaram reagir, e o Diego mandou de chilena na trave. Ele entrou no lugar do Pato, como o Josué no do Gilberto Silva e o Maicon no do Daniel Alves.

-De chilena?! O que é isso, Chávez. Fala em português, hombre!

-Nosotros llamamos de chilena, ustedes de bicicleta, porque imaginam que foi Leônidas da Silva quem inventou a jogada, mas foi um chileno. Na verdade, um basco chamado Ramón Unzaga Asla, que migrou e adotou a nacionalidade chilena e jogou pelo Colo-Colo...

-É, os chilenos inventaram a bicicleta e os venezuelanos inventarm de botar fogo na América Latina...

-Calma, meu camarada. E o espírito esportivo? O Dunga, diga-se, tentou de tudo, tirou o Elano, pôs o Mineiro, tirou o Adriano que por pouco não marcou um gol de calcanhar e pôs o Luís Fabiano, depois o Sóbis no lugar do Anderson.

-Não acredito. É a terceira derrota do Dunga! Portugal, México, vá lá. Mas Venezuela, Chávez?! Eram 17 jogos e 17 vitórias! 78 gols marcados e, até hoje, pelo que você me diz, e juro, não estou acreditando, só tínhamos tomado quatro gols, segundo eu vi no sítio da CBF enquanto fingia que prestava atenção na conversa com esse chato do Aécio Neves.

-Sítio, camarada? A CBF tem um sítio?!

-É como nós que não nos dobramos ao imperialismo ianque falamos site, Cháves, understand me?

-Hable em português, presidente Lula. Dê-se ao respeito.

-É o sono, Chávez. Amanhã vou conferir se é verdade ou se você está fantasiando, para variar. Aliás, que notas você deu para os jogadores?

-Notas? Não paguei ninguém, não.

-Avaliações, de 1 a 10, Chávez?

-Para os meus, 10 para todos. Para os seus, 1 para todos.

-Que pesadelo!

-Buenas noches!!! 

Por Juca Kfouri às 00h23

06/06/2008

Pra não dizer que não falei...

O Fortaleza perdia, em casa, por 2 a 1 do Avaí, e empatou 2 a 2.

O ABC perdia, em casa, por 1 a 0 do Juventude, e empatou 1 a 1.

A Ponte Preta vencia, em casa, o Gama, por 1 a 0, e perdeu de 2 a 1.

E querem que o blog fale da Série B.

O blog fala do Corinthians na Série B, e olhe lá.

Por Juca Kfouri às 22h04

O sábado de bola

O sábado do futebol começa às 16h10, em Barueri, entre o Corinthians e seus resevas contra o time da prefeitura da cidade -- que ainda não tem hospital, mas já tem estádio.

Tudo porque o mau prefeito do lugar quer ser governador de São Paulo.

Às 18h10, no Morumbi, a coisa fica séria, com o jogo do São Paulo, em busca de sua primeira vitória, e  Galo, um dos três invictos.

No mesmo horário o Ipatinga, outro time artificial e nebuloso, recebe o Náutico que tem tudo para confirmar sua boa campanha.

E também na mesma hora o Flamengo é favoritíssimo contra o Figueirense, no Maracanã.

São três pontos dados como certos na campanha pelo hexacampeonato brasileiro, única conquista que pode fazer esquecer o trauma da Libertadores, em vias de ser ganha pelo rival Flu, ainda por cima. 

Em tempo: Barueri inaugurou no último dia 29 de maio, e com grande atraso, seu hospital municipal, em regime parcial de trabalho.

O estádio de futebol já tem mais de ano em funcionamento...

Por Juca Kfouri às 15h49

Ei, não se esqueça

Hoje tem Brasiiiilllll!!!!!!!

Sim, às 10 da noite tem Seleção Brasileira.

Em Boston.

Que bo...m!!!!!!

Contra a Venezuela!

Ela!

Com Robinho, Adriano e Pato.

Eu vou ver.

E você?

Por Juca Kfouri às 14h14

Basquete de altíssimo nível

Acabo de ver um grande jogo de basquete.

O primeiro das finais da NBA, entre Boston Celtics e Los Angeles Lakers, em Boston.

Os donos da casa ganharam por 10 pontos, 98 a 88.

Que jogo!

Intenso, repleto de alternativas, LA melhor no primeiro tempo, ditando o ritmo, Boston infernal no segundo, com o coração e a pontaria falando mais alto.

Um jogo, enfim, no nível daqueles dos tempos em que este blogueiro, modestamente, desfilava seu (meu!) talento pela quadras de São Paulo...

Por Juca Kfouri às 01h06

Sport segue absoluto

Meus amigos, como diria João Saldanha, já está mais que claro que a sondagem sobre quem ficará com a Copa do Brasil não mudará.

Mesmo depois do jogo de ontem a tendência permaneceu: de 32.500 participações, 54,34% apostam no Sport, que perdeu apenas pouco mais de 1% dos 3 a 1 para cá (1,19% para ser exato).

É hora de mudar, porque um valor mais alto se levanta, a decisão da Libertadores.

Mudemos, pois.

Até porque, lembremos, a Copa do Brasil não é mais a mesma desde que a CBF foi incapaz de manter nela nossos representantes na Libertadores.

Por Juca Kfouri às 23h19

05/06/2008

De Nelson Rodrigues para Antonio Athayde*

Por RICARDO PEDREIRA**

Meu caro Tatá (desculpe a intimidade, mas seu pai, aqui a meu lado, me disse que alguns amigos lhe tratam dessa forma),

Saudações tricolores!

Do alto, vi o estádio Mário Filho – não me conformo em chamá-lo de Maracanã – coberto por uma nuvem de pó-de-arroz que já prenunciava o momento da glória.

Observei sua figura nervosa e de mãos crispadas, qual uma Maria temendo pela morte do Filho no calvário, e tentei lhe avisar que não havia motivo para temores. Mas você só tinha olhos para os Tiagos e Cia. e ouvidos para os urros alucinados das paixões milenares. Não me viu, não me ouviu. Calei-me, resignando-me ao silêncio respeitoso dos que sabem, na carne e na alma, que você vivia a angústia antecipatória das vitórias deslumbrantes.

O Rio de Janeiro estava parado, cálido como no Fla-Flu de 19.

Pouco antes do jogo, no Andaraí, um defunto carregado em féretro – onde três viúvas jorravam lágrimas de crocodilo - quis tirar o lenço que lhe amarrava o queixo e gritar: "Neeense!"

Mas você, homem incréu, duvidava daquilo que estava escrito há quatro mil anos! Minto. Duvidava daquilo que estava escrito antes do nada! Meu doce Otto, que bovinamente acompanhava minha vigília diante do seu atordoamento, recomendou-me generosidade e paciência: "conheço esse rapaz. Sempre quis tudo logo..."

Veio o primeiro tempo e seu silêncio, Antonio, parecia rachar catedrais. De fato, Washington não poderia ter perdido aquele gol logo no início! Veio o segundo tempo e o Palermo, com saúde de miúra dos pampas, fulminou nosso Fernando Henrique com a eficiência de um espadachim.

Sua pressão, meu caro amigo havia subido. Confesso que temi pelo pior. Em São Paulo, Isa pensava em Gonçalves e nos momentos de felicidade. Não seria justo.

Mas o caminho da glória se abriu, como o Mar Vermelho diante de Moisés. Washington se redimiu naquela falta primorosa, de fazer inveja a Riquelme. Conca confirmou a certeza absoluta, própria dos heróis de Dostoievski, de que os grandes precisam da sorte. E Dodô – veja que o nome e o sorriso desse rapaz parecem um doce da Vila Campista - selou a carta remetida por forças maiores.

Não importam os lances de perigo do Boca. Alguns idiotas da objetividade pediram para que eu visse o vídeo-tape do jogo e verificasse os momentos em que os sangüíneos argentinos quase nos liquidaram. Respondi impávido: o vídeo-tape é burro!

Gravatinha sorriu, de peito inflado como uma pomba da paz.

Assistimos ontem, você, eu e a nação tricolor, um momento de eternidade. Vamos guardá-lo na memória, como tesouro que foi.

Mas é hora de calçar as sandálias da humildade! Alucinado, como o velho Lobo, Telê diz aqui a meu lado: "só faltam dois!" Calma. Calcemos as sandálias! Onde estão as sandálias?

Recuso-me, agora, a consultar os oráculos. Quero a ignorância do crioulões em flor! O que importa, meu caro Antonio, é uma torcida como essa que vi você fazer no Mário Filho.

Vamos chegar a Tóquio, passando primeiro pela linha do Equador!

Saudações tricolores,

do Nelson

*Antonio Athayde é das melhores cabeças do mundo da comunicação no Brasil e filho de Austregésilo de Athayde, jornalista e escritor que presidiu a Academia Brasileira de Letras.

**Ricardo Pedreira é editor do jornal da Associação Nacional dos Jornais (ANJ).

Por Juca Kfouri às 18h20

Palhaçada!

Então interditaram os Aflitos por causa do gramado?

Por que só agora?

Palhaçada.

Por que não dizer que a interdição é preventiva, que o julgamento se dará antes do jogo contra o Vasco?

Agora, se o julgamento condenar o Náutico estaremos diante de uma flagrante injustiça.

Por Juca Kfouri às 13h25

Aproveita, São Marcos!

Assim que assinar com o Chelsea, Luiz Felipe Scolari desfalcará a Comissão Técnica do Palmeiras.

Não, ele não levará Vanderlei Luxemburgo para auxiliá-lo, mas, sim, o ótimo preparador de goleiros Carlos Pracidelli.

Que não irá para Londres como tal e sim como observador de jogos para Felipão.

Porque o goleiro tcheco Petr Cech, para muitos o melhor do mundo, tem um treinador pessoal há quase 10 anos.

Por Juca Kfouri às 10h40

3 a 1 e 3 a 1. Que noite!

Fluminense e Boca Juniors fizeram um primeiro tempo sem gols de tamanha tensão que 85 mil pessoas comiam as unhas no Maracanã.

Pois no segundo tempo comeram as unhas, os dedos e os cotovelos.

Porque o Boca Juniors fez 1 a 0 com Palermo e o Maracanã ficou com cheiro de Maracanazo.

Mas os mortos não tinham saído de suas tumbas para ver nova derrota brasileira para os xeneizes.

E Washington empatou. E Conca desempatou. E Dodô botou uma pá de cal no túmulo do Boca: 3 a 1.

Resultado que leva o Fluminense para a decisão da Libertadores pela primeira vez, contra a LDU, do Equador, primeiro jogo em Quito, segundo no Maracanã, dias 25 de junho e 2 de julho.

Outro 3 a 1, no Morumbi, com 64 mil torcedores, deixou o Corinthians na situação de poder perder por um gol de diferença no jogo de volta, na quarta-feira que vem, na Ilha do Retiro, no Recife.

O Corinthians mandou no primeiro tempo e fez 2 a 0, com Dentinho e Herrera.

O Sport reagiu no segundo, mas tomou o terceiro gol de Acosta e só respira ainda porque Enílton, nos acréscimos, descontou.

É claro que o Corinthians está mais perto do tricampeonato da Copa do Brasil que o Sport de seu primeiro título.

Mas não é menos claro que o gol pernambucano deixou a decisão aberta.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 5 de junho de 2008. 

Por Juca Kfouri às 00h25

Flu como nunca! Adiós, Boca! Venha LDU!

Fluminense e Boca fizeram um primeiro tempo equilibrado e tenso, com ligeira vantagem argentina.

Vantagem que se tornou dramática quando Palermo cabeceou livre e fez 1 a 0, aos 12 do segundo tempo.

Parecia aquele velho filme que estamos literalmente cansados de ver.

Mas Washington, logo depois, aos 18,em cobrança perfeita de falta, empatou.

Era o que bastava.

Mas não era.

Porque num contra-ataque, aos 26, Conca, ex-River, chutou da esquerda, a bola desviou em Ibarra e eliminou o Boca no Maracanã em festa com 85 mil torcedores, e pôs o Flu em sua primeira final de Libertadores.

Porque os mortos saíram de suas tumbas e o Gravatinha riu na cara do Sobrenatural de Almeida, cujos poderes Fernando Henrique tratou de evitar.

Não que ele não tenha dado o ar de sua desgraça, ao evitar o terceiro gol de Júnior César, no pé da trave aos 46.

Pero, el Sobrenatural de la Naturaleza apareceu nos pés de Dodô, ao tomar a bola de Palacio na intermediária e liquidar a fatura aos 47.

Lembremos: o Flu eliminou o tricampeão São Paulo, o hexacampeão Boca Juniors e buscará seu primeiro título contra uma LDU que também jamais foi campeão.

E dos clubes brasileiros, só o Santos, em 1963, superou o Boca.

Esta Libertadores tem a cara do Flu, só tem!

Por Juca Kfouri às 23h53

A decisão é na Ilha! Mesmo!

No primeiro tempo do Morumbi só um time jogou: o Corinthians.

Para falar bem a verdade, nos últimos cinco minutos o Sport até esboçou jogar um pouco, mas só um pouco.

Até tomar 2 a 0, o Leão não se comportou como tal, ao contrário, mais pareceu um bichinho assustado. Muito assustado.

Dentinho teve duas boas chances de gol logo no começo do outro.

Como Carlos Aberto teve a seguir.

A quarta, quinta e sexta chances alvinegras, acabaram na rede pernambucana, depois que Daniel salvou na linha a cabeçada de Herrera, outro zagueiro salvou no meio da área o rebote de Fabinho e a bola sobrou para Dentinho quebrar seu jejum de 13 jogos e fazer 1 a 0, aos 18 minutos.

Depois dedicou o gol para a mãe, para o presidente da República e para Zagallo, os dois últimos porque não só o elogiaram com têm a ver com o número 13, Lula por causa do PT, que é 13, e Zagallo não precisa dizer.

Aos 23, 2 a 0, depois que Herrera recebeu o passe de Dentinho, lançado por André Santos em contra-ataque que nasceu de uma disputa de bola faltosa entre Carlos Alberto e Luciano Henrique.

Apequenado em campo, só restou ao Sport reclamar, com razão, mas em vão.

E, de tão confusos, a zaga e o goleiro Magrão quase entregaram de graça um gol a Herrera, em bola mal atrasada.

Disposto a buscar o gol, o Sport voltou com o centroavante Roger no lugar de Luciano Henrique e, registre-se, mais corajoso, mais do seu tamanho.

E o Corinthians voltou cauteloso demais, como se fingisse de morto para contra-atacar e fazer o terceiro gol, que soaria como quase definitivo.

E aos 9, por detalhe, o terceiro gol não saiu da cabeça desajeitada de Diogo Rincón, enquanto os escanteios pró-Sport se sucediam, antes e depois.

E o Sport era mais perigoso, parecia que a correria e a marcação forte do primeiro tempo cobrava seu preço do Timão.

Aos 15, Mano Menezes resolveu tirar Diogo Rincón e botar Acosta.

Mantido o 2 a 0, quaisquer resultados, menos um, obtido pelo Sport em seus jogos na Ilha do Retiro, palco da final, lhe servem.

O único que não serve é o 3 a 1 sobre o Inter, porque dá o tricampeonato ao Corinthians.

O 2 a 0 diante do Vasco leva a decisão para a marca de pênalti.

E os três 4 a 1, contra Imperatriz, Brasiliense e Palmeiras significarão o título inédito do Sport.

Aos 23, Eduardo Ramos saiu e entrou Nilton no time paulista e no pernambucano Éverton substituiu Sandro Goiano em seguida.

O Corinthians estava feliz demais com o 2 a 0 e talvez não devesse estar tão feliz assim.

E o Sport não estava nada feliz e tinha motivo para tanto.

Leandro Machado sentiu cãimbras e deu lugar a Enílton, aos 29.

No minuto seguinte, novo gol platino do Corinthians, com Herrera dando para o ex-Timbu Acosta na esquerda fuzilar Magrão sem dó nem piedade.

Nenhum dos resultados obtidos pelo Sport na Ilha, agora, lhe servem.

Tem de fazer outro 3 a 0 para levar aos pênaltis ou 4 a 0 para ser campeão.

Tudo porque, também, aos 35, Felipe fez milagre em cabeçada de Enílton, ele que já evitara um gol olímpico de Luisinho Neto.

Com mais de 64 mil torcedores, o Morumbi enlouquecido era um convite para o Corinthians sair de seus cuidados e tomar um gol que não deveria tomar.

Porque por mais que dê para o Sport virar, nada indica que o tri corintiano não virá.

Até porque, sempre que um time paulista da Segunda Divisão nacional decidiu a Copa do Brasil, foi campeão, com Paulista e Santo André.

E fora de casa no Maracanã e em São Januário, contra Fla e Flu.

Como o Corinthians, que é bicampeão decidindo em Porto Alegre e em Brasília.

Fábio Ferreira entrou no lugar de Alessandro, para segurar ainda mais.

Mas não segurou: Enílton diminuiu aos 46, aos trancos e barrancos.

O 3 a 1 fazia justiça ao segundo tempo.

Ou seja, o 2 a 0 contra o Vasco vale o título, o 3 a 1 contra o Inter vale pênalti, e os três 4 a 1 valem também o título pernambucano.

É justo lembrar, ainda, que, por outro lado, qualquer resultado das derrotas do Corinthians jogando fora poderá dar o tri, tanto o 1 a 3 contra o Goiás, que leva aos pênaltis, quanto o 1 a 2 contra o Botafogo, que será suficiente.

E ninguém levou o terceiro cartão amarelo.

Que jogo teremos na Ilha!

 

Por Juca Kfouri às 23h44

04/06/2008

Sport na frente, por mais de 10%

Dez minutos antes de começar o primeiro jogo entre Corinthians e Sport, 29.562 opiniões, o rubro-negro tem 55,53% das preferências como próximo campeão da Copa do Brasil.

Veremos como a sondagem continua depois da partida.

Por Juca Kfouri às 21h42

Até quando Felipão resistirá?

O Chelsea quer porque quer contratar Luiz Felipe Scolari.

Mas Felipão está às portas da Eurocopa e teme ser mal compreendido se assinar um contrato agora com os ingleses.

Ingleses é modo de dizer, porque o dinheiro é russo e muito, muito dinheiro, quatro vezes mais, por exemplo, do que Felipão ganha na seleção de Portugal.

Seleção de Portugal que não garante renovar o contrato dele, que vai até o fim de Euro.

E se Portugal for mal no torneio?

Se for, digamos, eliminado na primeira fase, quando enfrentará a Turquia, República Tcheca e os donos da casa, a Suíça?

Gaúcho como é, Felipão há de saber que o cavalo não passa encilhado duas vezes na porta de casa.

Na casa dos 60 anos, o que lhe falta na vida em termos de desafios?

Levar o Chelsea ao título da Liga dos Campeões pode ser uma boa resposta.

Ainda mais que lhe acenam com um contrato de três anos e, é claro, com as contratações que ele quiser fazer, com direito a levar sua comissão técnica, o inseparável Murtosa, entre outros.

Mas os ingleses têm pressa de uma definição, não querem esperar o fim da Eurocopa, apesar de até admitirem fazer o anúncio mais para frente, ou seja, querem a assinatura o mais rapidamente possível e deixam para anunciar depois.

Felipão resiste, bravamente.

Pior, nega que as coisas estejam neste pé, embora agora confesse que tanto o Manchester City como o Atlético de Madri o convidaram e ele rejeitou.

Nega e diz que as fontes deste blogueiro em Londres são furadas, embora, reitero, não sejam.

Felipão sabe o que fazer da vida dele melhor do que ninguém.

Mas não pode correr o risco de perder uma oportunidade dessas.

Já imaginou: ele ganha uma Liga dos Campeões nos próximos três anos, volta para o Brasil em meados de 2011 e se aposenta depois de dirigir a Seleção Brasil na Copa do Mundo de 2014, no Maracanã?

Vai nessa, Felipão!

Por Juca Kfouri às 17h45

Rio olímpico

O Rio passou pelo primeiro corte do Comitê Olímpico Internacional.

Praga, por exemplo, não passou.

Ao lado de Chicago, Madrid e Tóquio, a Cidade Maravilhosa é candidata a sediar os Jogos Olímpicos de 2016.

Deveríamos festejar a notícia, mas com essa gente que está aí, a mesma que decuplicou o orçamento do Pan-2007,  devemos nos preparar porque ao passar pelo corte a candidatura brasileira vai doer em você, no seu bolso.

Por Juca Kfouri às 14h45

Burros e marginais

As imediações do hotel em que a delegação do Sport está hospedada, em São Paulo, não dormiram nesta madrugada, por causa dos rojões soltados por marginais que se dizem corintianos.

Marginais e burros.

Tão burros como os marginais que se dizem torcedores do Sport que fizeram o mesmo com a delegação do Vasco, no Recife.

Burros porque a retaliação, no jogo de volta, é tão óbvia como 2 + 2 são 4.

Marginais porque são marginais tantos os de São Paulo, como os de Pernambuco, como os do Rio de Janeiro.

Os que agem e os que reagem.

Por Juca Kfouri às 13h53

Prepare o seu coração

Se você torce pelo Fluminense, se prepare.

Se você torce pelo Corinthians, se prepare.

Se você torce pelo Sport, se prepare.

E se você torce contra o Flu, contra o Timão ou contra o Leão, também se prepare.

Porque a partir das 21h50 o coração baterá mais forte.

O Flu joga pelo 0 a 0 e pelo 1 a 1 contra o poderoso Boca Juniors para disputar a final da Libertadores contra a LDU, do Equador.

O time brasileiro é favorito, mas apenas ligeiramente, num Maracanã tricolor que certamente viverá uma noite histórica.

Num Morumbi também lotado e em preto e branco, Corinthians e Sport começam a decidir a Copa do Brasil.

Copa do Brasil que, é bom lembrar, teve exatamente o Fluminense, tão perto do Mundial de clubes, como seu último campeão.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 4 de junho de 2008.

Por Juca Kfouri às 00h38

LDU espera Boca ou Flu

O primeiro tempo de LDU e América foi um porre.

Os mexicanos ainda tiveram duas boas oportunidades e os equatorianos nem isso.

Mas o 0 a 0 em Quito significava a classificação dos donos da casa para a decisão da Libertadores.

E quem esperava que a LDU voltasse para jogar um segundo tempo de pura retranca se enganou, até porque, aos 14, o América ficou reduzido a 10 jogadores.

Porque o estádio Casa Blanca, lotado, não só viu um bola na trave mexicana como viu a LDU criar, pelo menos, mais três chances claríssimas de gol.

A coisa chegou a tal ponto que começou a dar aquela sensação do quem não faz toma.

E, na verdade, aos 37, não fosse o fato de o paraguaio Cabañas ter matado mal uma bola na grande área e o castigo teria vindo.

Mas não veio e o 1 a 1 do estádio Azteca valeu a vaga na final para a LDU.

Que estava no grupo do Flu na 2a. fase da Libertadores, com um empate em casa e a derrota, dura, de 1 a 0, no Maracanã.

Tomara que a história se repita.

Como festa.

Por Juca Kfouri às 00h11

03/06/2008

Nós elegemos, nós merecemos

A decisão da Assembléia Legislativa de Pernambuco de homenagear a tenente truculenta e o comandante da desastrada ação da PM nos Aflitos só revela o baixo nível da classe política tupiniquim que, por sinal, nós todos elegemos.

Pior que essa bobagem só mesmo a da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, que mandou soltar o ex-chefe da Polícia fluminense, preso pela PF por formação de quadrilha...

Fica claro por que é como é o Congresso Nacional?

Por Juca Kfouri às 21h15

O coração de Abel

Por DANIEL RICCI ARAÚJO

Abel não está indo embora do Inter porque tira Nilmar, inventa escalações ou submete a equipe a hierarquias que a essa altura já são inadmissíveis. Não. Abel está indo embora simplesmente porque nada, na vida, é para sempre. Nem mesmo nosso ex-comandante e seu tremendo coração podem driblar os ponteiros do relógio.

Casamentos terminam. Amizades soçobram. As vidas das pessoas podem entrar em modo de espera, em "standby", ou do nada darem uma guinada às alturas, tudo conforme o tique-taque dos ponteiros ou o escoar da areia das ampolas. O mundo é assim mesmo. Na vida do Inter, Abel foi um furacão vitorioso de iniciativa, discursos emocionantes e vontade de vencer. Nas circunstâncias do Inter atual, isso bastou, e a história foi indelével e maravilhosamente escrita assim.

Tempo, tempo, tempo. Nele e por ele, a verdade de ontem é a mentira de hoje, a meta de outrora é a acomodação da atualidade. O Inter, por exemplo, esse Inter que Abel ajudou a dar forma está agora encharcado de glória. Indignação, filas no Portão 8, discursos revolucionários, reuniões de Conselho Deliberativo que mais pareciam o prenúncio da Terceira Guerra Mundial, tudo isso acabou. Abel foi o porta-voz de uma nova era, de um momento que tem muito de sua assinatura e vontade de vencer. E por isso estamos todos calmos, empanturrados e felizes. Mas o tempo passa. Nada é para sempre.

Somos, no momento, vítimas. Sim, vítimas. De um casamento feliz, de um relacionamento que foi perfeito e que nos deu o título capaz de fazer qualquer torcedor de futebol tocar o céu com as mãos. De momentos inspirados, quase religiosos, de êxtase puro e emoção inacabável. Mas até o matrimônio mais feliz cessa. Passa. Abatuma. Inter e Abel, na melhor das hipóteses, precisam dar um longo tempo tempo. Foram escalações erradas demais, preterições baseadas num fisiologismo evidente demais, frases de efeito demais - e as frases de efeito, quando cessam as vitórias, viram a forca do orador.

O maior - mas não o melhor - técnico da história do Inter vai merecidamente embora para enriquecer na Arábia. Abel foi menos treinador do que o imaginário coletivo que a torcida idealiza, mas bem mais do que a tropa de seus críticos ferozes pensa. Eu vejo em Abel um planejador eficiente de jogos decisivos, um estrategista sem controle mas com ímpeto e gana, e coração, muito coração, que se traduz em uma vontade de vencer tão necessária para um time quanto a correnteza é para um rio. Se as opiniões não se encontram, rendamo-nos ao razoável: ninguém vence tanto por mera casualidade.

A memorável, antológica e histórica palestra antes do jogo com o Barcelona, gravada para o futuro e realizada por ele numa naturalidade que faria corar um Napoleão será a marca registrada de Abel, o técnico-torcedor. Sobre ele talvez mais do que qualquer outro, as futuras gerações perguntarão com curiosidade e orgulho. E nós gostaremos muito de responder, porque Abel é o tipo de homem que suscita essas histórias capazes de marcar e inspirar as pessoas.

Muitos afirmavam que o maior defeito de Abel era essa sua intempestividade, esse élan vital e necessário, essa vontade de abarcar o Inter com seus braços e levá-lo para casa. Ao fim e ao cabo, como o profeta Ezequiel, Abel foi quase perfeito em seus caminhos. Noves fora as estripulias e erros cometidos, não há como discutir: o maior momento da história colorada acabou sendo protagonizado por um treinador que, antes de ser profissional, é um homem capaz de matar ou morrer pelo Inter. Abel não foi perfeito, mas o destino foi. Sinceramente? Não sei se poderíamos pedir mais do que isso.

Vencer é bom, mas fazer isso no meio dos nossos, de colorados para colorados, é ainda melhor. Os detratores de nosso treinador dirão que lhe falta autoridade, tática, vontade de mudar e, talvez, até um pouco de simplicidade. Mas uma coisa não poderão negar.

Digam qualquer coisa de Abel Braga, menos que ele não tem um imenso coração.

Por Juca Kfouri às 15h13

O Typhis Pernambucano

Por ROBERTO VIEIRA 

De repente, Pernambuco se tornou a Argentina dos anos 60.

Vanderley Luxemburgo diz que tem medo de jogar em Recife.

Abel Braga exclama sobre a nossa prostituição.

O presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, deseja retirar os jogos do nosso estado.

Rubens Lopes que assistiu o conflito no jogo Náutico x Botafogo ali perto. Na Austrália.

Tudo curiosamente depois das derrotas dos seus clubes.

Tudo no dia 2 de junho. Dia em que se completam 184 anos da Confederação do Equador.

O futebol brasileiro foi tomado por uma aura de santidade nunca vista.

Jamais houve quebra pau entre PM e torcida em Porto Alegre.

Na Batalha dos Aflitos os jogadores do Grêmio não chutaram o árbitro.

A PM de São Pulo não evitou um desastre no jogo Corinthians e River Plate quando os torcedores ameaçaram invadir o campo.

São Januário não presenciou cenas dantescas na partida entre Vasco e Sport.

O Maracanã nunca foi invadido. Nunca teve mortos na quebra de grades de proteção.

Nunca antes na história deste país um estádio assistiu a confusões entre jogadores e polícia.

O Brasil não tem prostitutas.

O Brasil não tem marginais.

O Brasil não tem violência.

O Brasil não tem desigualdade social.

O Brasil é um oásis de felicidade e desenvolvimento na América Latina.

Exceto por uma chaga. Exceto por uma ovelha negra. Exceto por uma pústula:

O Estado de Pernambuco.

O resto do Brasil esqueceu. Pois a amnésia é abundante nesta terra que tudo dá.

Mas Pernambuco não se rende. Nunca se rendeu.

Nem em 1817. Nem em 1824. Nem hoje.

As manobras que tecem nos bastidores do futebol brasileiro são mesquinhas. São injustas.

São fratricidas.

O Estado de Pernambuco é muito maior que as calúnias de Vanderley Luxemburgo, Abel Braga, Bebeto de Freitas e Rubens Lopes.

Muito maior que um jogo de futebol.

Pernambuco é mais que um estado. É um sentimento. Uma saudade.

E o nosso amor por Pernambuco não está à venda.

Não tem preço.

Mesmo nesse tempo de trevas esportivas. Tempos em que cabe recordar os versos de Camões que constavam do jornal Typhis Pernambucano, editado por Frei Caneca:        

"Uma nuvem que os ares escurece
sobre nossas cabeças aparece. 

Por Juca Kfouri às 15h07

Santos e Cuca, uma união para fazer a Vila feliz

Nem Cuca era o primeiro técnico da lista do Santos nem o Santos era o primeiro time da lista de Cuca.

O Santos preferia Paulo Autuori e Cuca preferia o São Paulo.

Mas nem Paulo Autuori conseguiu se desligar de seu clube no exterior nem o São Paulo abriu vaga para treinador.

E o Santos e Cuca anunciaram que viverão juntos pelos próximos 18 meses, no mínimo.

Se viverão mesmo só o tempo dirá, porque não é que casamento de clube com técnico é só eterno enquanto dura, como os demais, aliás.

Casamento de técnico com clube não é eterno nem enquanto dura, basta dizer que oito técnicos já saíram nas quatro primeiras rodadas do Brasileirão, uns porque quiseram, outros porque foram demitidos.

E o Santos e Cuca têm tudo para uma vida feliz a dois.

Cuca diz que ganhará o mesmo que ganhava no Botafogo, lembra que saiu de um alvinegro para outro, acha que, no máximo, há cinco times melhores que o Santos no Campeonato Brasileiro e se apresentará na quinta-feira, já pronto para dirigir o time contra o Vitória, no domingo, em Salvador.

Como o bom senso manda que os santistas não sonhem em ser tricampeões brasileiros neste 2008, é bem capaz que Cuca dê um bom jeito no time e o leve a fazer o que a Vila Belmiro mais gosta, desde os anos 50: dar espetáculo.

Cuca monta times como poucos técnicos no país.

Por Juca Kfouri às 01h40

02/06/2008

Náutico não é culpado por confusão em Recife

Por Juca Kfouri às 16h45

Árbitro desmente a PM pernambucana

O árbitro Wilson Luiz Seneme desmente que tenha pedido à PM para retirar André Luís do banco de reservas depois da expulsão.

Ele mesmo, árbitro, tomou a providência e estava sendo atendido.

Em sua súmula ele considera ruins os comportamentos do Botafogo e do policiamento e bom o comportamento do Náutico.

Por Juca Kfouri às 16h30

Será que agora vai?

Acórdão é publicado e nova eleição no Vasco será realizada em até trinta dias

O Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro traz, nesta segunda-feira (2/6), a publicação do acórdão no qual o desembargador Adriano Celso Guimarães, da 8ª Câmara Cível, rejeita os embargos de declaração que a diretoria interina do Vasco apresentou ao acórdão que confirmou a anulação da eleição para o Conselho Deliberativo do clube, realizada em novembro de 2006.

A decisão publicada hoje, proferida em 15 de abril, era a última etapa para a realização da nova eleição.

A partir de amanhã (dia seguinte a publicação), o presidente da Assembléia Geral do Vasco, nomeado pela justiça, tem 30 dias realizar a nova eleição, conforme a decisão da 15ª Vara Cível, confirmada pelo acórdão da 8ª Câmara Cível.

Por Juca Kfouri às 13h29

O futebol dos anos 50 e 60...

Por SAAM MOMEN

Gostaria de brevemente relatar um evento que passou quase despercebido pela mídia, mas que,de fato, foi um dia histórico no futebol.

Trabalho na UEFA há quase quatro anos e já fui a vários jogos da Champions League, Copa da UEFA, Sub-21, e em breve estarei na Euro 2008.

Tudo do bom e do melhor do futebol europeu.

Porém em nenhum dos jogos mencionados anteriormente eu senti o que eu senti no sábado retrasado.

Como diretor da partida da final da Copa Feminina de Futebol Européia (Women’s Cup) pude assistir praticamente incrédulo a um dos espetáculos mais bonitos que já vi ao vivo na Europa.

Em campo simplesmente as duas melhores equipes femininas de futebol do mundo: 1. FFC Frankfurt da Alemanha e Umea IK da Suécia.

De um lado a impressionante Birgit Prinz e do outro a intergaláctica Marta. A nossa Marta.

Em campo duas equipes femininas, repito femininas, que possuem um orçamento anual acima de um milhão de euros.

Duas equipes que até então haviam ganho cada uma, duas UEFA Women’s Cup (a versão feminina da Champions League).

Um duelo de gigantes onde o resultado da primeira partida em Umea havia sido 1 x 1 (com um gol relâmpago de Marta no começo do jogo).

O palco desta "batalha" não poderia ter sido melhor, o Commerzbank Arena de Frankfurt.

O mesmo estádio na qual estive em 2006 para assistir a triste derrota do Brasil diante da França pela Copa do Mundo.

Um público de 27.640 pagantes.

Recorde mundial de público para uma partida de futebol entre dois clubes femininos.

No campo, tudo ocorreu como os deuses do futebol pediram.

Com emoção. Muita emoção.

A equipe de Frankfurt saiu na frente com 1 x 0 logo no inicio e segurou o resultado até o intervalo.

No segundo tempo, mais um gol para os donos da casa, que levaram o público ao delírio e, uma quase certeza de vitória.

Porém onde tem Marta, tem jogo.

E ela tratou de pegar a bola no meio de campo e se livrar dos marcadores até ser derrubada na área.

Pênalti e gol para a equipe sueca.

Três minutos depois, um balde de água fria para as pretensões suecas.

Após uma bela cobrança de falta de Wimbersky, a equipe de Frankfurt abre o 3 x 1.

E foi quando faltavam apenas 7 minutos para o final que a partida ganhou ares de drama shakesperiano.

Em uma falta de atenção da zaga alemã a equipe de Umea diminui para 3 x 2 e partiu com tudo para cima de Frankfurt.

Marta cobrou uma falta com perigo e aos 44 e 46 minutos, por duas vezes, a equipe sueca encontrou o poste adversário.

A equipe alemã acabou ficando heroicamente com o título diante do seu público.

Um placar de 3 x 2 no campo que também define o numero de títulos europeus de cada equipe.

E por que escrevo isto tudo?

Onde quero chegar?

Simples.

Não sei porque, mas foi a primeira vez que senti tal emoção.

Imaginei estar diante de duas equipes dos anos 50, 60.

Que jogavam futebol pela paixão de jogar futebol.

Nada mais.

Que jogavam futebol para o público.

O vigor físico foi deixado de lado pela habilidade (e que habilidade tem a Marta!).

Os times estavam concentrados em obter a vitória e não em evitar a derrota.

E como isso é gostoso.

Infelizmente já nasci na descendente do futebol.

Sou da geração pós-Telê.

Não pude ver em campo Pelé muito menos o maior de todos, Garrincha.

Infelizmente cresci num futebol em que o vigor físico esta acima da habilidade.

Em que a velocidade esta acima da visão de jogo.

E em que o respeito pelo adversário é conversa para boi dormir.

Sábado retrasado eu senti pela primeira vez que eu estava vendo a essência do futebol.

E isso não tem preço.

Viva o futebol feminino!

Por Juca Kfouri às 13h25

Peraí!!!!!

Leio um monte de gente, na imprensa, inclusive, pedindo a interdição do estádio dos Aflitos.

Mas, por quê?

Pelo que fez a PM?

Com toda a confusão causada por André Luís e pela PM, não se viu nenhum objeto jogado no gramado, nem invasão de campo por parte de torcedor, nem nada.

Querer punir o Náutico é absoluta insensatez.

Que culpa tem o clube da arbitrariedade de uma força policial?

Seria melhor não ter polícia?

É o Náutico quem escala os soldados?

Menos, menos, muito menos!

Por Juca Kfouri às 09h35

Implicância do blog?

Notas do diário "Lance!", de hoje:

Carlos Alberto, do Botafogo:

"Não se omitiu, mas perdeu boas chances e não conseguiu dar sequência às jogadas".

Nota 4,0;

Denílson, do Palmeiras:

"Não criou, não atacou, não marcou e errou muitos passes".

Nota 3,0.

Por Juca Kfouri às 09h31

Luxemburgo em Lyon?

Primeiro era o México que andava atrás de Vanderlei Luxemburgo.

E soube-se que, de fato, seu nome era o sétimo numa lista de 10 possíveis técnicos.

Agora é o Lyon, heptacampeão francês que estaria atrás do técnico palmeirense, que fica constrangido quando tocam no assunto com ele, afinal comprometido com um projeto de longo prazo em Parque Antarctica.

Além do mais, é bom lembrar, Juninho Pernambucano é o rei de Lyon, herói da cidade, a quem se atribui a responsabilidade pelos sete títulos nacionais seguidos do time da cidade.

E Juninho chorou ao ouvir o hino do Brasil na Copa da Alemanha.

E Luxemburgo o criticou e disse que o tiraria imediatamente da equipe fosse ele o técnico da Seleção.

O que valeu o seguinte comentário do belíssimo jogador:

"Soube que ele levantou uma suspeita do meu comportamento por estar emocionado na hora do hino, e que eu deveria ser investigado.

Queria dizer que a minha emoção é uma maneira de expor minha vontade de vestir a camisa da Seleção, só que não posso aceitar esta crítica de quem veio.

Não respeito Vanderlei como pseudo-jornalista.

Não o reconheço em nada nesta função.

E como treinador não posso falar muito porque jamais trabalhamos juntos e acho que ele tem um histórico de muitas confusões ultimamente para ficar falando assim dos outros, ainda mais de gente do meio do futebol.

Quem é ele para levantar suspeita sobre alguém?

Não gostei mesmo".

Será que há clima para Luxemburgo na Lyon de Juninho Pernambucano?

Ou é mesmo apenas mais uma espuma? 

Por Juca Kfouri às 00h52

Deu no 'Zero Hora', de hoje

Clube dos 13 e Pelé juntos: a tabelinha do ano

Fábio Koff e o Rei do futebol tentam mudar lei sobre jovens talentos

Por LEANDRO BEHS, LEONARDO OLIVEIRA E MÁRIO MARCOS DE SOUZA

O futebol brasileiro passa pelo sexto andar de um prédio da rua Florêncio Ygartua, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Dali, há 11 anos Fábio Koff preside o Clube dos 13, entidade que congrega 20 dos principais times do Brasil.

Nesta semana, um encontro com Pelé pode dar início à pequena revolução. A idéia é de que os jovens talentos assinem o primeiro contrato por cinco anos — contra os três de agora —, a fim de salvaguardar os clubes formadores.

Pelé será o grande aliado nesta cruzada para convencer a Fifa. Aos 76 anos, Koff viaja o mundo para vender o Brasileirão. Faz de 2008 o ano do marketing na Ásia. Até 2011, a idéia é comercializar direitos de transmissão e publicidade por R$ 1 bilhão. Confira os principais trechos da entrevista:

O Rei

"Vou conversar com o Pelé nesta semana. Ele será nossa ligação junto ao presidente Lula para uma atualização na Lei Pelé. E, depois, junto à Fifa. Precisamos atualizar a lei, especialmente quanto à saída de jovens jogadores para o Exterior. É preciso resguardar os clubes. Queremos um aumento do primeiro contrato de três para cinco anos, a fim de elevar o valor da cláusula penal. Temos a lei nacional, mas precisamos alterar a legislação na Fifa. Ela determinou que suas afiliadas reconhecessem o primeiro contrato profissional de apenas três anos. E a CBF, por ser afiliada à Fifa, não aceita esse contrato por cinco anos. Por isso, temos que usar a influência política para convencionar os cinco anos. Mas é claro que os europeus não permitirão isso. Daí a importância do Pelé nesta ação."

Fórmula

"Trata-se de um tema eternamente polêmico. Alguns entendem que a disputa se esvazia em meio ao Campeonato Brasileiro. A Rede Globo teria interesse em decisões. Houve diminuição de audiência, o público está mais interessado em mata-matas. Mas a maioria dos clubes entende que essa fórmula dá equilíbrio técnico e permite que aqueles com menor capacidade de investimento podem chegar ao título com um pouco de organização. A fórmula será mantida assim para os próximos anos porque a CBF é intransigente e porque a lei (o Estatuto do Torcedor) não permite alterações. O que pode mudar para 2009 é o rebaixamento direto de três em vez de quatro times. O último disputaria um mata-mata com o quarto da Série B. Quem vencer permanece ou sobe no ano seguinte."

Credibilidade

"Pelo que tenho percebido no Exterior, o futebol brasileiro adquiriu credibilidade. As muitas alterações de sistema de disputa e as viradas de mesa acarretavam incertezas. Isso acabou. Hoje, sabemos dia e hora de quem vai jogar com quem. O número de jogos não é maior nem menor do que na Alemanha ou na Inglaterra. Mas temos competitividade diferente. Dos 20 participantes da primeira divisão, 17 deles já foram campeões brasileiros. O nosso futebol está em um bom momento.
E a legislação brasileira hoje é exemplar."

Êxodo

"Além da modificação no tempo do primeiro contrato, não há muito mais o que se fazer para impedir a saída de jovens para o Exterior. Por exemplo, é difícil pedir para a CBF que acabe com as seleções de base. É um processo crescente de prostituição infantil. Daqui a pouco, os europeus estarão comprando crianças de 10, 12 anos e a Fifa vai dar a transferência. Nós, um país imperialista da América do Sul, buscamos crianças da Bolívia, do Peru, e da Colômbia, para depois vendê-los para a Europa."

Cotas

"Nessa última negociação com a TV, Flamengo, São Paulo e Corinthians assumiram posição de enfrentamento. Na cabeça deles, os três representam 40% da audiência do futebol brasileiro. Mas estão errados. Não há divisão mais justa do que a brasileira. No ano que vem, Grêmio e Inter deverão arrecadar de R$ 22 milhões a R$ 24 milhões ao ano - hoje ambos recebem R$ 14 milhões anuais da TV. Além disso, haverá uma espécie de fundo de reserva para premiarmos os clubes com o excedente do pay-per-view. Poderemos dar ao campeão brasileiro de 2009 um prêmio de até R$ 8 milhões, superior ao da Liga dos Campeões da Europa, que é de US$ 2,5 milhões de dólares (cerca de R$ 4,8 milhões)."

Direitos de transmissão

"O contrato com a TV aberta já foi renovado de 2009 até 2011.Estamos discutindo pay-per-view, publicidade estática, direitos internacionais, internet e telefonia móvel. O pacote deverá chegar a R$ 450 milhões em 2009, e a R$ 500 milhões ou a R$ 600 milhões em 2010. Para 2011 não há previsão. Estou brigando agora para que se fidelize o pay-per-view. Os clubes devem receber pela compra dos pacotes de transmissão. Hoje é tudo um bolo só. Temos 5 milhões de assinantes de TV a cabo no Brasil, mas apenas 500 mil compradores de pay-per-view. Pesquisas mostram: temos potencial para atingir 1 milhão de assinantes hoje. Se tivéssemos esse número, já passaríamos os valores da TV aberta só com o pay-per-view. Hoje, a TV aberta paga R$ 220 milhões pelo Brasileirão, mais R$ 20 milhões de mídia e R$ 40 milhões em publicidade estática. É o teto. A Rede Record ameaçou concorrer com a Globo e desistiu. O primeiro contrato que fiz com o Clube dos 13, em 1997, era de R$ 10 milhões. Não há nada no Brasil que tenha crescido mais do que os nossos contratos com a Globo. Hoje recebemos R$ 110 milhões do pay-per-view e poderemos chegar a R$ 400 milhões em 2011."

Exportação

"Estive recentemente na Índia, no Japão e em Cingapura para vender as transmissões do futebol brasileiro. É um mercado em crescimento, mas a minha expectativa era bem maior. Não vendemos nada. Estamos fazendo uma série de ações para chegar a 2011 com R$ 1 bilhão em contratos de transmissão do Campeonato Brasileiro. O Japão, por exemplo, tem preferência por adquirir os direitos de transmissão do Brasileirão para a telefonia celular. Devido ao fuso horário, eles acham mais fácil assistir na tela do telefone. O problema é que nós ainda não temos tecnologia para isso. Em Cingapura, o Campeonato Inglês foi comprado por três anos ao preço de US$ 170 milhões. Para o Brasileirão, eles pagaram US$ 60 mil dólares por ano. Avisei que não renovaria por esse preço. Preferi dar de graça para eles. Até agora eles viram algo parecido com futebol (o Campeonato Inglês). Agora, quero viciá-los no futebol brasileiro. Depois, vou cobrar."

Duas observações deste blog:

1. A legislação que hoje Koff chama de "exemplar" foi sabotada por ele o quanto foi possível.

Ótimo que tenha mudado de opinião;

2.Quando se redigia a Lei Pelé, duas vezes ele foi chamado e duas vezes não foi ao encontro do então ministro extraordinário do Esporte.

Eis que agora, como se leu na reportagem da ZH, Pelé vai encontrá-lo...

Por Juca Kfouri às 23h14

01/06/2008

Em vez de gols, obscenidades e truculência

Numa rodada em que só foram marcados 16 gols em 10 jogos, e com média de público de apenas 11.131 torcedores por jogo, a notícia só poderia mesmo ser extra futebol.

Porque nenhum jogo da Série A do Brasileirão chegou aos mais de 22 mil pagantes da partida do Corinthians, pela Série B.

E não há mais nenhum time com 100% de aproveitamento em quatro rodadas na Primeira Divisão, ao contrário do que acontece na Segunda Divisão, onde o Corinthians é 100%.

Diante de tal quadro, o assunto da Série A só poderia ser mesmo um caso de polícia.

Os incidentes que envolveram o zagueiro gaúcho André Luís, do Botafogo, no estádio dos Aflitos, foram um absurdo do começo ao fim, daqueles nos quais ninguém, rigorosamente ninguém tem razão.

Ele foi corretamente expulso de campo porque a Fifa mandar punir com cartão quem der carrinho por trás, e ele deu, mesmo que tenha acertado a bola.

Ele foi indecentemente grosseiro ao fazer gestos obscenos para a torcida e gravemente irresponsável ao chutar uma garrafa d'água que acabou atingindo um torcedor.

Se não bastasse, passou de quaisquer limites esportivos ao se dirigir ao banco de reservas do Botafogo em vez de ir para o vestiário, como é de lei para quem é expulso de campo.

Aí, a PM entrou em campo.

E mostrou todo o seu despreparo para intervir num evento esportivo.

Jogou para a torcida, foi truculenta, arbitrária, não entendeu o seu papel e fez uma tempestade em copo d'água.

Diga-se, a favor da PM pernambucana, que seu modo de agir é a regra, de sul a norte do país e que quem mais sofre com isso nem sequer são os torcedores violentos, mas, sim, os torcedores comuns, permanentemente vítimas dessa mesma truculência, falta de diálogo, gases e cacetetes.

E o pior é que quem paga os policiais violentos somos nós.

Por Juca Kfouri às 22h44

Os jogos da noite do domingo

 

No gelado Parque Antarctica, Palmeiras e Furacão viveram apenas dois momentos de emoção durante todo o primeiro tempo.

Aos 9, Alex Mineiro desviou uma bola de cabeça, o goleiro Vinicius defendeu parcialmente, a bola caiu nos pés de Diego Souza que fuzilou na cara do arqueiro que, mesmo assim e caído, salvou o gol.

Aos 20, Wallyson fez um gol legal e o bandeirinha deu impedimento, no segundo lance do domingo em prejuízo do futebol paranaense.

O Palmeiras voltou bem melhor no segundo tempo e Alex Mineiro abriu o marcador aos 9, depois de boa triangulação entre Kléber, Diego Souza e o artilheiro.

Para ficar melhor para os paulistas, Alex Fraga foi expulso corretamente e deixou o Furacão com 10, aos 12.

Mesmo assim, quase Marcelo Ramos, empatou em cabeçada, livre, na frente de Marcos, que defendeu.

Diego Souza também perdeu boa chance, de cabeça, e a melhor notícia do jogo era a boa estréia de Jumar com a camisa verde.

A má acabou sendo a expulsão, exagerada, de Kléber, no fim do jogo.

Caiu, assim, mais um invicto, o Atlético Paranaense.

Enquanto isso o Galo ganhava da Lusa, sem sofrer, no Mineirão, por 2 a 0, gols de Coelho, de falta, aos 29 do primeiro tempo e de Marques, pegando rebote do travessão, aos 11 do segundo.

Ao lado do Cruzeiro e do Flamengo, só o Galo sobrevive invicto.

Já o Fla-Flu não saía do 0 a 0, graças à boa defesa de Bruno em cobrança de falta de Dodô e à fome de Marcinho, que mandou na trave, sem ângulo, uma bola que deveria ter dado para Tardelli, livre, na cara do gol, ambos os lances no primeiro tempo.

Fernando Henrique também deu o ar de sua graça ao pegar uma boa cabeçada de Juan.

No segundo tempo o Flu abdicou de tentar o gol e o jogo virou ataque contra defesa.

Só que, inteligente como é, Tardelli achou de ser expulso e tornou as coisas mais difíceis.

Fernando Henrique fez um milagre ao pegar um tiro de Fábio Luciano e um pênalti em Juan, aos 41, que Léo Moura bateu para dar a vitória, que era obrigatória, ao Flamengo, líder, ao lado do Cruzeiro, com 10 pontos.

Por Juca Kfouri às 20h02

Os jogos da tarde do domingo

Coritiba e Cruzeiro jogaram futebol em Curitiba.

O Coritiba mais que o Cruzeiro no primeiro tempo, quando teve um gol legal, aos 27, mal anulado por um bandeirinha burro que não sabe que em dúvida pode deixar o jogo seguir.

Dez minutos depois, para piorar, Michael foi derrubado na área cruzeirense e a arbitragem marcou fora.

Logo no começo do segundo tempo, porém, Michael quase não achou a bola, mas quando a achou enfiou na rede mineira, aos 3.

Era justo, mas foi o sinal para o Cruzeiro reagir.

E reagir bem, com Ramires, que empatou de cabeça, esperto, ao aproveitar cruzamento de Jadílson, aos 11.

Daí em diante o jogo ficou equilibrado e bom de se ver.

Bem diferente do jogo na Vila Belmiro.

Santos e São Paulo ficaram num 0 a 0 modorrento, no qual o medo de perder tirou a vontade de ganhar para deixar o Luxemburgo contente com uma frase feita.

Se o Cruzeiro continua líder e deixou de ser 100%, o São Paulo segue 100% sem vencer, em meio às especulações de ver Muricy Ramalho ir para o Inter no lugar de Abel Braga que acertou com o futebol árabe.

Já o Ipatinga ganhou a primeira, do Vitória, por 2 a 0.

E o Botafogo seguiu em seu calvário, goleado, pelo vice-líder Náutico, nos Aflitos, 3 a 0, além de ter sido vítima da violência da PM pernambucana.

Que achou de bancar a valente, ridiculamente, com o zagueiro André Luís, expulso de campo, com correção, ainda no primeiro tempo.

O zagueiro exagerou nos gestos ofensivos e deve ser punido por isso, mas a PM precisa estar mais bem preparada para saber como se comportar num espetáculo esportivo.

Felipe fez dois gols, um em cada tempo, e Wellington fechou o marcador.

Por Juca Kfouri às 18h02

O domingo do torcedor

O San-São de hoje, na Vila Belmiro, interessa mais a Muricy Ramalho que ao Santos. (16h)

Porque desse resultado pode depender a permanência dele no São Paulo, ao passo que o Santos entrou em fase de transição.

Já o Fla-Flu vale só para o Fla, que tem obrigação de vencê-lo. (18h10)

O Flu tem mais o que fazer e mais no que pensar e o jogo do Maracanã que lhe interessa não é o de hoje, é de quarta, e o rival deixou de ser o rubro-negro passou a ser aquele amarelo e azul.

O Palmeiras recebe o Furacão e veremos se a terapia de choque imposta pelo analista Luxemburgo surtiu efeito. (18h10)

Imagina-se que sim, para azar dos paranaenses.

O Náutico abre os Aflitos para enfrentar o Botafogo e seus traumas.(16h)

Certamente buscará agravá-los...

Ipatinga e Vitória é daqueles jogos que só interessam aos poucos torcedores ipatinguenses e aos muitos do time baiano. (16h)

Como Galo e Lusa, que interessa aos muitíssimos do time mineiro e aos pouquíssimos do paulista.(18h10)

Por último, mas não em último, ao contrário, em primeiro, o Cruzeiro, líder 100% no duro embate em Curitiba, contra o Coritiba, no jogo mais interessante da quarta rodada, também às 16h.

Por Juca Kfouri às 01h40

O Canadá, quem diria, perdeu pro Brasil...

Começou em ritmo de brincadeira.

Só jogava a Seleção Brasileira.

A do Canadá, olhava, e olhe lá.

Aí, logo aos 3, Robinho deu um elástico pela esquerda e se lembrou da Vila Belmiro.

Ao se lembrar dela, procurou Diego.

E deu-lhe a bola.

O velho, embora jovem, companheiro agradeceu como se deve, tocando com classe, fora do alcance do goleiro: 1 a 0.

A brincadeira parecia que iria virar goleada.

Só parecia.

Porque não é que, aos 9, Júlio César saiu caçando borboletas e os norte-americanos empataram, gol de Friend?

Empataram e gostaram.

Gostaram tanto que acabaram por perder um gol que só mesmo um canadense descendente de japoneses, e com nome de piloto barbeiro da Fórmula 1, poderia perder: Nakajima ganhou da desatenta dupla Lúcio e Juan e se assustou com a saída de Júlio César.

Até encobriu o goleiro, mas sem direção.

Logo em seguida, eles ainda exigiram uma defesa difícil do goleiro brasileiro, com um chute de fora da área.

Só aí o time nacional acordou e Luís Fabiano exigiu também uma defesa complicada do goleiro adversário

Com 40 minutos de jogo, cinco faltas, três delas feitas pelo time brasileiro no estranho gramado de Seattle, grama natural sobre grama artificial.

E, aos 41, a penúltima boa chance de gol no primeiro tempo. E do Canadá...

Novamente falha do miolo da zaga que parecia estar em Marte e boa intervenção de Júlio César, já absolvido do erro inicial, ou quase.

A última chance foi mesmo aos 44.

E foi gol.

E foi gol do Brasil.

Brasiiiiiiiiiillllllll!!!!!!!!!!!!!

Robinho puxou o contra-ataque, deu para Gilberto que cruzou na cabeça de Luís Fabiano.

A bola explodiu no peito do goleiro Onstad e entrou, sem chegar às redes: 2 a 1.

A expectativa era a de que no segundo tempo a Seleção de Dunga voltasse a tomar conta do jogo, porque ser ameaçado pelo Canadá é dose.

Se ser ameaçado pelo Canadá é dose, imagine tomar dois gols dos canadenses.

Pois, aos 10 minutos, a defesa brasileira, uma avenida central em Seattle, tomou, ao permitir que Guzman, livre, pegasse um lindo chute da meia lua: 2 a 2.

O time amarelo teve de se coçar novamente e logo desempatou, aos 13.

Mas o bandeirinha pegou um impedimento milimétrico de Luís Fabiano e anulou o gol.

Três minutos depois Júlio César saiu de novo mal do gol e quase levou mais um.

Não levou e, em compensação, aos 17, Guzman lançou Robinho que fez o terceiro gol nacional.

Como?

Sim, isso mesmo que você leu.

Pelo setor esquerdo do ataque canadense, no meio de campo, Guzman fez uma lambança que Robinho aproveitou sem dó nem piedade.

Entraram Luisão, Elano e Adriano nos lugares de Lúcio, Júlio Baptista e Luís Fabiano, os dois primeiros, entre os substituídos, em jornada pra lá de infeliz.

Em seguida, saiu Diego e entrou Alexandre Pato.

Daniel Alves em campo, Maicon fora.

Rafael Sóbis entrou no lugar de Robinho, aos 41, só para dizer que entrou.

E o Canadá, aos 39, quase empatou, coisa, aliás, que merecia.

Mas, depois de três confrontos e dois empates, acabou por perder pela primeira vez.

Só a Noruega segue invicta diante do Brasil, o que não é nada, não é nada, não é nada mesmo. 

Notas

Júlio César, começou muito mal, se recuperou muito bem e terminou médio: 6;

Maicon foi melhor no apoio: 6, 5;

Lúcio foi mal como há muito tempo não acontecia: 4;

Juan foi mal como nunca tinha acontecido antes: 4;

Gilberto fez uma de suas melhores atuações pela Seleção, com participação em dois gols: 7,5;

Josué e Mineiro não cumpriram bem a missão de proteger a zaga e colaboram pouco na armação: cada um fica com 5 e está bom demais;

Júlio Baptista não foi feito para jogos "fáceis": 4;

Diego foi dos melhores, o que, no caso, não é muito: 7;

Luís Fabiano, fez dois gols, um não valeu: 6;

Robinho, como Diego, foi dos melhores, só que, em seu caso, não foi pouco: 7,5;

Daniel Alves armou um contra-ataque adversário; Luisão foi melhor que Lúcio; Elano bem melhor que Júlio Baptista; Adriano brilhou mais que Luís Fabiano; Pato ficou no nível de Diego e Sóbis nem contou, mas nenhum deles tem nota, porque jogaram pouco tempo.

Dunga não pode ser avaliado num jogo nessas circunstâncias, a não ser pela convocação, que foi correta: 6

 

Por Juca Kfouri às 01h27

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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