Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

14/06/2008

Resumo da sexta rodada

Três líderes com 13 pontos, depois de uma sexta-feira 13, que sempre dá margem às superstições mais diversas.

Aliás, uma perguntinha: ter achado o terço depois do jogo contra o Botafogo, deu sorte ou azar ao goleiro corintiano Felipe?

Mas Flamengo, Grêmio e Cruzeiro puxam a fila.

Palmeiras e São Paulo estão já por ali, só costeando os primeiros postos.

A sexta rodada teve 34 gols, 3,4 por jogo.

E 13.770 pagantes por partida.

Maior público, no Maracanã, com 55.238.

Pior no Canindé, apenas 2.419.

Público mais decepcionante foi o do Palestra Itália, com apenas 6.272 pagantes, num jogo em que o Palmeiras, precisando de apoio, enfrentava simplesmente um dos dois líderes, e invicto, do campeonato, o Cruzeiro.

Azar do palmeirense que não foi, porque deixou de ver um 5 a 2 altissonante.

Como azar do rubro-negro que viu seu time tomar quatro do São Paulo, mas, de todo modo, a torcida do Mengo está outra vez de parabéns.

Nota triste: a torcida do Náutico vaiando o hino do Brasil.

Por Juca Kfouri às 21h11

'O' jogo, outra vez, foi no Recife

Alguma coisa me dizia que o jogo a ser visto entre os quatro das 18h20 era o do Recife.

Porque embora tudo indicasse que seria o Grêmio quem acabaria a rodada, como acabou, com os mesmos 13 pontos de Flamengo e Cruzeiro, o jogo entre Náutico e Vasco prometia, talvez por tudo que vem cercando o futebol pernambucano nos últimos dias.

E não deu outra.

Prometia também, afinal, porque o Náutico tinha a possibilidade de chegar aos 13 pontos.

O Grêmio passou pelo fraco Goiás com dois gols de Marcel e um de Thiego, 3 a 0, e segue firme em sua boa campanha, agora líder.

A Lusa fez as honras da casa e bateu o Furacão, 1 a 0, gol de Washington no primeiro minuto do primeiro tempo.

O Coritiba não e ficou no 0 a 0 com o Vitória.

Mas Náutico e Vasco fizeram um belo jogo, principalmente no segundo tempo.

Choveu o que São Pedro quis que chovesse e houve um troço chato ainda antes de o jogo começar, quando para protestar contra a injustiça esportiva, a torcida timbu vaiou o hino nacional, numa confusão daquelas, como a de confundir o Vasco com Eurico Miranda.

Vasco que não fez nem pelo 0 a 0 do primeiro tempo e foi salvo pela trave aos 47, quando Felipe desperdiçou.

Com mais de 20 mil torcedores no Mundão do Arruda, estádio do rival Santa Cruz, o segundo tempo foi aberto e com chances desperdiçadas pelos dois lados, muito por causa do gramado, lastimável.

Até que Edmundão no Arruda dividiu com destemor um rebote de milagre do goleiro Eduardo e fez 1 a 0 para o Vasco, aos 22.

O Náutico se mandou inteiro e perdeu mais um gol embaixo das traves, para, no minuto seguinte, empatar em linda bicicleta de Wellington, desses lances de fazer o torcedor sair do estádio e comprar outro ingresso.

Ele tinha perdido três gols muito mais fáceis de fazer...

O 1 a 1 deixou o Almirante mais feliz do que o Timbu.

Por Juca Kfouri às 20h24

Pelo mundo afora

A Espanha está nas quartas-de-final da Eurocopa ao ganhar, nos acréscimos, por 2 a 1 da Suécia, mais um gol de Villa, o que tomou o lugar de Raúl.

E a atual campeã européia, a Grécia, perdeu da Rússia por 1 a 0 e está fora.

Nas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2010, a Venezuela aprontou de novo, desta vez em Montevidéu, e empatou 1 a 1 com o Uruguai, que abriu o placar com o ex-são paulino Lugano.

E, no pré-olímpico de basquete feminino, em Madrid, o Brasil ganhou de Angola, nada mais que sua obrigação, por 75 a 58, e disputa com Cuba, amanhã às 14h30, a vaga para Pequim, sem, é claro, Iziane.

Ela viu o jogo já sem uniforme da delegação e na arquibancada, para ver se aprende que não se chama nem Hortência, nem Paula, nem sequer Janeth, longe disso, porque as três rainhas jamais pensaram só no próprio umbigo.

Por Juca Kfouri às 18h22

O sexto passo, 100% na Segundona

Sem precisar jogar nada de mais porque o nível do adversário não exige coisa alguma, o Corinthians com o Pacaembu com surpreendentes 17 mil pagantes, ganhou do Brasiliense por 1 a 0, gol de William, ainda no primeiro tempo,

Foi o pior público corintiano do Pacaembu, porque contra o CRB foram 34 mil e contra o Fortaleza cerca de 24 mil.

Mas, para as circunstâncias, mais de 19 mil presentes não é pouca coisa.

No segundo tempo o time da capital até ameaçou o gol de Júlio César, um bom goleiro que não tem problemas nem com Antônio Carlos Zago nem com Andrés Sanchez, ao contrário de Felipe.

Aí, quando a torcida já vaiava, aos 20, Herrera fez 2 a 0.

Aos 24, em belíssimo contra-ataque, Herrera foi derrubado na área e Chicão fez 3 a 0.

Aos 44, em outro contra-ataque puxado por Douglas, André Santos fez 4 a 0 e aos 45 o time candango diminuiu.

Foi o sexto, e obrigatório passo, do Corinthians 100% na Segundona. 

Por Juca Kfouri às 18h03

O poderoso São Paulo derruba o último invicto

O 1 a 0 do primeiro tempo no Maracanã, com 55 mil pagantes e 58 mil presentes, foi um castigo para o Flamengo.

Primeiramente porque quando ainda estava 0 a 0, Souza faria o gol não fosse um impedimento mal marcado.

E depois porque o gol de Borges, aos 22, depois de cruzamento de Jancarlos e um oportuno toque de Hugo, foi dos poucos ataques tricolores, que mais tinha mesmo era de se defender.

O segundo tempo, no entanto, foi diferente.

Porque o Flamengo até empatou, com Ibson, de pênalti, aos 11 minutos.

E o que era justo virou uma demonstração de competência do ataque tricolor e de incompetência da defesa rubro-negra.

Borges ganhou de Fábio Luciano e do goleiro Bruno no peito e na raça, aos 16 e fez 2 a 1.

Alóisio , três minutos depois, fez 3 a 1, em cruzamento de Richarlyson que entrara no lugar de Jancarlos tão logo acontecera o empate.

Era hora de Obina.

Ele entrou e de cara sofreu pênalti, que Ibson bateu, Rogério Ceni defendeu, mas o rebote sobrou na cabeça do batedor: 3 a 2.

Que jogo!

Com a cara do São Paulo bicampeão brasileiro, em busca de seu sexto título.

Com a garra do Flamengo, também em busca do sexto título.

Obina empatou, mas estava impedido e Maxi substituiu Tardelli.

O Mengo pressionava, mas o São Paulo era permanentemente perigoso e consciente do que fazia no Maracanã.

A ponto de, no último segundo, fazer 4 a 2, em gol de Éder Luis.

A ponto de derrubar o último invicto e se autorizar mais uma vez como um dos favoritos ao título.

Desde a primeira rodada do Brasileirão passado que o Flamengo não perdia, no Maracanã, para um time de fora do Rio na competição.

Enquanto isso, o Inter cumpria sua obrigação e derrotava o Botafogo por 2 a 1, num dia triste, porque foi anunciada a venda de Fernandão para o futebol árabe.

E o Sport, de ressaca, era derrotado pela primeira vez em Floripa, 3 a 1 para o Figueirense.

Não vi nem um nem outro. 

Por Juca Kfouri às 18h02

13/06/2008

Como é bom ver a Holanda jogar

 

Em vez do Stade de France, em Paris, o Stade de Suisse, em Berna.

Em vez da França dando as cartas, a Holanda.

Que jogou os primeiros 20, 25 minutos do primeiro tempo como se fosse um sonho, bola de pé em pé, quase um carrossel.

Logo aos 9, Kuyt fez 1 a 0.

No segundo tempo, a Holanda deu uma parada e a França cresceu.

Aos 3 minutos houve um lance claro de mão na bola que o árbitro interpretou com boa na mão, dentro da área holandesa.

E, em seguida, Thierry Henry perdeu gol feito, ao tentar encobrir o goleiro Van der Sar, depois de lindo passe de Malouda. 

Aos 13, no entanto, uma pintura de contra-ataque, começado por Van Nistelrooy no meio de campo para Robben pela ponta esquerda e o complemento de Van Persie, que acabara de entrar no lugar de Kuyt.

Henry diminuiu aos 25, em contra-ataque pela direita, com um toque sutilíssimo, de quem sabe tudo, mesmo que há tempos não jogue o que sabe.

Antes que a França pensasse no que fazer e a Holanda se preocupasse, foi dada a saída, Robben foi lançado pela esquerda da grande área e soltou uma bomba de esquerda, para fazer 3 a 1, quase sem ângulo.

A Holanda está nas quartas-de-final, depois de fazer 3 a 0 na Itália e 4 a 1 na França.

Sim, porque, nos acréscimos, Sneijder fez um golaço de fora da área.

A Itália e a França têm um ponto e a Romênia tem dois.

Na terça-feira que vem, Holanda e Romênia e Itália e França se enfrentam, às 15h45.

Se a Romênia ganhar da Holanda, que pode poupar jogadores porque já garantiu o primeiro lugar no chamado grupo da morte, as atuais campeã e vice do mundo darão adeus à Eurocopa... 

Graças aos holandeses, os tais que não são competitivos.

Por Juca Kfouri às 17h35

Itália na UTI

A Itália fez 1 a 0 com Toni no fim do primeiro tempo, mas um bandeira lambão e norueguês inventou um impedimento.

A Romênia endurecia o jogo e, aos 9 do segundo tempo, Mutu se aproveitou de uma bola mal atrasada por Zambrotta e fez 1 a 0.

Era a eliminação da Itália na Euro-2008.

Só que a Itália é a Itália.

E dois minutos depois, em cobrança de escanteio, a bola sobrou para Panucci empatar.

Então, aos 34, Panucci fez daqueles pênaltis que ninguém marca e o árbitro marcou.

Mutu bateu no meio do gol e Buffon defendeu com a mão e o pé direitos.

Mutu morreu e foi substituído.

A Itália ainda não, embora vá fazer o último jogo desta fase, contra a França, em situação complicadíssima, ainda mais com os franceses querendo vingar a final da Copa do Mundo de 2006.

Mas a Itália é a Itália, como, mais uma vez, Buffon e Panucci demonstraram.

E ainda está viva, mesmo que ao respirar por aparelhos. 

Por Juca Kfouri às 14h53

E a sexta rodada acaba no sábado

O grande jogo de amanhã será disputado no Maracanã, entre Flamengo e São Paulo.

Jogo de definições, não definitivas, mas de definições.

Jogo que pode ser lembrado, no fim da temporada, como essencial para o primeiro hexacampeão brasileiro.

Que o Flamengo não se julgue favorito, porque este é o tipo do jogo que o São Paulo costuma ganhar.

É jogo de respeito, para os dois lados.

E do qual Richarlyson não participará como titular, decisão que Muricy Ramalho demorou a tomar.

É um baita jogo, como teria sido o entre Palmeiras e Cruzeiro, não fosse pela expulsão prematura (porém justa) do zagueiro cruzeirense.

Seja como for, a ausência de Denílson, outra decisão que tardou, preencheu uma lacuna.

Já o clássico de Porto Alegre, Inter e Botafogo, no Beira-Rio, é obrigação colorada. E ponto.

Figueirense e Sport tem o interesse de mostrar o campeão da Copa do Brasil depois da festa.

E pelo que o Leão promete, o Figueira que se cuide.

Os três jogos serão às 16h10, porque Luciano Huck tem a força...

Como Corinthians e Brasiliense, no Pacaembu, provavelmente vazio, porque agora é só pela Segunda Divisão, sem mais o charme do time que poderia se redimir na Copa do Brasil.

Felipe está barrado, previsível bode expiatório, ainda mais que cartolagem alvinegra não gosta dele.

Às 18h20, pela Primeira Divisão, é claro, mais quatro jogos: Náutico e Vasco, no campo do Santa Cruz, o Mundão do Arruda, pela absurda interdição dos Aflitos. Você verá, alías, que o gramado do Santa não é melhor que o dos Aflitos;

Lusa e Furacão, no Canindé, o rubro-negro que se cuide porque o rubro-verde já despachou o favorito Colorado na rodada passada;

Goiás e Grêmio, com pique de quem vai longe, e Coritiba, anfitrião indigesto, e Vitória, completam a sexta rodada. 

Por Juca Kfouri às 13h35

A expressão da liberdade

POR ROBERTO VIEIRA

No Brasil de hoje podemos expressar nossa palavra. Nosso pensamento.

Não chega a ser um livre-pensar pois a maioria do povo brasileiro não é livre.

Vive sob os grilhões da ignorancia.

Mesmo assim os jornais podem usar e abusar da palavra.

Tolhidos apenas pelo sistema e por seus donos.

E os leitores podem blogar e blogar e blogar na eterna esperança de serem aprendizes.

Pode não ser tudo, mas é muito.

Muito mais que as edições dos jornais dos anos 30, 60, 70 deste país.

Quando não se podia escrever palavra contrária, antônimo só sob pseudônimo.

Já fomos radicais, radicais presos.

Agora somos radicais, radicais livres.

Discutimos nossos pontos de vista à vista de todos.

Tão bom quanto a liberdade de expressão, meus amigos.

É a expressão da liberdade!

Por Juca Kfouri às 13h04

No Recife tem Leão!

Por BRAULIO TAVARES

 

Se você é caçador,

viajante, aventureiro,

daqui ou do estrangeiro,

preste atenção por favor:

caso um dia você for

caçar nessa região,

tenha muita precaução

seja muito cuidadoso:

o Recife é perigoso,

no Recife tem Leão!

É um Leão diferente

que veste preto e vermelho

e eu vou lhe dar um conselho

que já salvou muita gente:

se surgir na sua frente

corra noutra direção

avise à população

que fuja para outro lado,

Recife é campo minado,

no Recife tem Leão!

Que seja internacional,

mosqueteiro ou palmeirense,

vascão ou brasiliense,

em Recife se dá mal.

Timbu e cobra-coral,

fregueses de tradição,

avisam: "Não venha não!

Se vier, eu lhe abandono,

pois Pernambuco tem dono

e o Recife tem Leão!"

Por Juca Kfouri às 11h19

Noite verde aqui e (em) LA

Quarto jogo da decisão da NBA.

O Boston Celtics está na frente do Los Angeles Lakers: 2 a 1.

Segundo jogo em Los Angeles.

O anfitrião abre 24 pontos no primeiro quarto.

Termina o primeiro tempo com 21 pontos de vantagem.

No quarto quarto, no entanto, faltando quatro minutos, Boston, pela primeira vez, passa na frente.

E abriu cinco pontos, para perplexidade da torcida amarela diante da reação do time verde, ao faltarem dois minutos.

Faltando um minuto, a vantagem era de apenas três pontos, com posse de bola dos visitantes.

Que fizeram 94 a 89.

E venceram por 97 a 91.

Não bastasse a goleada do Palmeiras sobre o líder Cruzeiro, eis que o time verde de Boston está a uma vitória do título.

No domingo, teremos o terceiro jogo em LA.

Se não acabar aí, o Boston Celtics terá nova partida, a sexta, em casa, na terça-feira 

Para ser campeão.

Por Juca Kfouri às 00h51

12/06/2008

Opinião x Desejo

Com quase 1900 opiniões, descobrimos que é grande o contigente das pessoas que respondem às sondagens muito mais com o desejo do que com a opinião mesmo.

E quem é que não desconfiava disso?

Nada menos do que 44% dos blogueiros disseram que são assim.

Por Juca Kfouri às 22h39

O Palmeiras acordou

O Cruzeiro jogava como bem entendia em Palestra Itália e parecia rumar para mais uma vitória e deixar crítica a situação no Palmeiras.

Fez 1 a 0 de pênalti, aos 16, com Guilherme, depois que Henrique cortou uma bola com a mão dentro da área.

A coisa ficou complicada para o Palmeiras e Marcos teve que se virar para, por exemplo, evitar o segundo gol, quase marcado por Ramires.

Até que, aos 28, tudo mudou.

Porque Valdívia recebeu na entrada da área, avançou e ia empatar quando Thiago Martinelli o derrubou: pênalti e cartão vermelho para o zagueiro cruzeirense.

Alex Mineiro empatou, com categoria.

Imediatamente o Cruzeiro tirou Marcinho e pôs Léo Fortunato para recompor a defesa.

O Palmeiras respondeu tirando Léo Lima e pondo Diego Souza para ficar mais ofensivo.

E depois disso só deu Palmeiras.

No intervalo o Cruzeiro trocou Guilherme por Henrique, o volante.

E deu o campo para o Palmeiras usá-lo como o campo é, ou seja, do Palmeiras.

Que pintou e bordou.

Valdívia passou a reinar e fez belo gol ao se aproveitar de recuo, de cabeça, de Diego Souza, para pegar da entrada da áera de pé direito, aos 11.

Onze minutos depois, com absoluto domínio paulista, Valdívia retribuiu e deu um gol feito para Diego Souza: 3 a 1.

E, aos 32, o inusitado: Charles chutou de longe e meio fraco e Marcos, simplesmente, frangou.

Frangou e se desculpou com a torcida e com seus companheiros.

O Cruzeiro até acreditou que daria, ao menos, para salvar a invencibilidade.

Ledo engano.

Aos 34, Leandro cruzou na perfeição para Henrique chegar na frente de Léo Fortunato e fazer 4 a 2, de cabeça.

No fim, em grande jogada de Pierre pela direita, Alex Mineiro fez 5 a 2, placar da final da Copa do Mundo de 1958, na Suécia.

Num jogo de seis pontos, o Palmeiras ficou a apenas três dos líderes Flamengo e Cruzeiro.

Enquanto isso, no Mineirão, o rival do Cruzeiro, o Galo, é claro, ganhava de 4 a 2 do fraco Ipatinga, com direito a pênalti perdido do time do Vale do Aço.

E o Fluminense conseguia sua primeira vitória, ao ganhar do Santos, por 1 a 0, gol de Washington, que pegou rebote de Fábio Costa em chute de Dodô, logo aos seis minutos de jogo.

Conseguia até os 46 minutos do segundo tempo, quando, depois de excelente passe de Rodrigo Souto, Tiago Luís empatou e conseguiu o primeiro ponto de Cuca, para desespero de Renato Gaúcho, que viu um placar justo, porque o Santos foi melhor no segundo tempo do Maracanã.

A sexta rodada será complementada no sábado, com sete jogos porque, no domingo, teremos Paraguai x Brasil, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2010.

Por Juca Kfouri às 22h25

Os conflitos dos Aflitos

André Luís pegou um bom gancho, de 12 jogos.

O árbitro levou a dele, 120 dias, por não saber escrever.

Discordo da perda de mando do Náutico por dois jogos, mas, admito: a farsa que se fez em torno da garrafa que não pegou no torcedor, deve ter ajudado para punir o Timbu.

Mentir dá nisso. 

Por Juca Kfouri às 14h39

Ainda sobre a arbitragem na Copa do Brasil

Em tempo: é claro que houve erros de arbitragem contra o Corinthians, como, por exemplo, um lance de impedimento mal marcado do Acosta.

Como Carlinhos Bala merecia ser expulso com Saci, embora ele tenha sido discreto e o Mula-Sem-Cabeça tenha sido espalhafatoso.

Mas houve um pênalti em lance sem bola do Fabinho no Enílton, lance que também deveria redundar na expulsão do corintiano...

Por Juca Kfouri às 14h17

O 'pênalti' em Acosta

Escrevi ontem que aparentemente houve pênalti de Magrão em Acosta.

Fosse eu o árbitro e teria marcado a falta.

E hoje estaria arrependido...

Depois de ver o lance dezenas de vezes, calmamente, de todos os ângulos com as imagens da Globo e da Band, conclui que não houve o toque no atacante corintiano.

E comparar o lance ao de Fábio Costa em Tinga, em 2005, só pode ser brincadeira.

Caros corintianos, aprendamos todos a perder.

A vitória do Sport foi incontestável e seria mesmo se o pênalti tivesse acontecido.

Até porque não só não há garantia de que o pênalti viraria gol como, também, é bom não esquecer de um gol que nasceu de uma falta corintiana no jogo do Morumbi.

Lance corriqueiro, aliás, como seria a marcação do pênalti.

Seria errada, mas não seria um "roubo", tanto que Arnaldo César Coelho (como eu) achou que foi e Renato Marsiglia achou que não foi.

Um é carioca, o outro é gaúcho, e estão pouco se lixando para o Sport ou para o Corinthians.

Repito: aprendamos a perder.

Dói menos, eu garanto.

Por Juca Kfouri às 13h34

A Copa do Brasil é do Sport pela primeira vez

Na campanha para ser campeão da Copa do Brasil o Sport passou por cima de quinze títulos brasileiros:

quatro do Palmeiras, três do Inter, quatro do Vasco e quatro do Corinthians.

Não é pouco.

Aliás, é muito.

E derrotou esses papões nacionais sempre por, no mínimo, dois gols de diferença.

Dois gols de diferença, ontem marcados contra o Corinthians pelo predestinado Carlinhos Bala e por Luciano Henrique, que valeram o título inédito ao Leão do nordeste.

Numa Ilha do Retiro enlouquecida, a decisão, cercada por um clima de guerra graças aos cartolas irresponsáveis dos dois lados e ao silêncio cúmplice da CBF, o Sport fez a festa que mereceu.

Festa que, diga-se, transcorreu na mais perfeita paz.

E Carlinhos Bala sobrou na agulha.

Ele que tinha dito, logo depois do jogo no Morumbi, que o gol do Sport no último minuto era o gol do título e que garantiu ter conversado com Deus para ter certeza de que a taça ficaria em Pernambuco, ontem não só fez o primeiro gol do jogo como ainda foi o responsável pelas expulsões de Saci e de William.

Saci que apareceu ontem no Recife muito mais como Mula-Sem-Cabeça.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 12 de junho de 2008.

Por Juca Kfouri às 01h35

O primeiro título do resto de nossas vidas

Por Roberto Vieira

O Sport começou a ganhar o título da Copa do Brasil quando o técnico Nelsinho cristianizou o jovem Kássio. Nelsinho que não cometeu erros durante toda a campanha rubro negra em 2008.

O Corinthians começou a perder a Copa do Brasil no momento em que abdicou de jogar. Como determinou o técnico aniversariante Mano Menezes. Sábio se vencesse, herético se perdesse.

Uma final é como um duelo no velho oeste americano. Um piscar de olhos e você está vivo. Ou morto. O Corinthians levava o jogo em banho-maria. Mas numa fração de segundos: Sport 2 x 0! Justo no momento em que a torcida do Sport começava a silenciar duvidando da Terra Prometida.

O Corinthians renasceu das cinzas do rebaixamento. Fez juz ao adjetivo de Timão. Foi bravo.

Mas como negar o mérito de um time que eliminou o Palmeiras, o Internacional, o Vasco e o próprio Corinthians em confrontos épicos? Resta apenas aplaudir. Aplaudir os gols, a garra, a dor. A expulsão ingênua de Saci na malandragem de Bala, os milagres de Magrão. A raça de Dutra.

Não é difícil concluir sobre a importancia do título para o Nordeste. O primeiro da Copa do Brasil. O primeiro título nacional desde o campeonato brasileiro do Bahia há 20 anos. Ganha o Nordeste, ganha também o Brasil. Não há grandeza se apenas o eixo consegue disputar as Libertadores da vida. Como o Uruguai nos tempos do Nacional e do Peñarol. Como a Espanha do Real e do Barcelona. Domínios feudais, heranças da Idade Média.

Durante a semana os torcedores do Sport voltarão a ser torcedores do Sport. Como os do Bahia em 1988. Ostentarão suas faixas de campeão, orgulhosos, distribuindo piadas de ordem. Como fazem sempre os torcedores campeões. A felicidade é livre!

Mas, no presente, tudo é festa. Hoje uma parte dos alvirrubros e tricolores torce por Pernambuco. Amanhã tudo volta ao normal. Parodiando o gênio de Albert Einstein. Einstein que afirmava que o futebol era igual a massa da torcida vezes a velocidade do atacante ao quadrado.

Se o Sport perdesse, o torcedor adversário diria: Quem perdeu foi o Sport!

Como o Sport ganhou, os torcedores adversários sempre vão lembrar:

Quem venceu foi Pernambuco! Quem venceu foi o Nordeste!

Nós somos madeira de lei que cupim não rói!

 

Por Juca Kfouri às 00h10

Sport, um imenso campeão!

Foi o primeiro tempo que o Sport pediu a Deus.

O Leão tomou conta do jogo desde o começo, mas não conseguia levar perigo ao gol corintiano.

Nem o Corinthians ao gol do Sport.

Nelsinho Batista surpreendeu ao entrar com Diogo no lugar de Luisinho Netto, o homem da bola parada rubro-negra.

E Mano Menezes, sempre cauteloso fora de casa, onde não costuma se dar bem, preferiu Alessandro a Lulinha.

Aos 25 minutos, a primeira substituição: Kássio deu lugar a Enílton, o autor do gol salvador no Morumbi.

Tudo seguia em clima de tensão sem emoção até que houve um raro erro de saída de bola de Chicão.

Foi o bastante para Carlinhos Bala receber livre pela direita e fuzilar cruzado. Felipe ainda tocou na bola, mas o primeiro gol estava decretado aos 34 minutos.

A Ilha do Retiro balançou.

E foi à loucura em quatro minutos, quando Luciano Henrique arriscou de fora da área, Enílton atrapalha Felipe que aceitou, no pique da bola, entre as pernas.

A taça estava nas mãos do Sport, que não podia levar gol.

Coisa que o Corinthians tratou de ir buscar e quase conseguiu numa cabeçada de Fabinho, bem neutralizada pelo goleiro Magrão.

Com 2 a 0 o primeiro tempo acabou.

Acabou como queriam os rubro-negros.

E acabou em paz, o que é importante mencionar, além de uma arbitragem sem interferência no placar.

O segundo tempo começou com Roger no lugar de Leandro Machado e Lulinha e Acosta entraram no lugar de Carlos Alberto e Diogo Rincón, um peso morto no time paulista.

E o jogo ficou mais solto. Mais tenso e mais solto, com o Sport exigindo mais de Felipe do que o Corinthians de Magrão, mas com ambos os times em busca do gol.

O jogo, tecnicamente, como é comum em decisões e ainda bem em gramados ruins, era bem pobre.

Dentinho saiu aos 26 para a entrada de Saci.

E Saci foi expulso no segundo seguinte, por chutar sem bola Carlinhos Bala.

Saci ou Mula-sem-cabeça?

A fatura estava liquidada.

Bem que Carlinhos Bala tinha avisado ainda em São Paulo e repetido o aviso depois de falar com Deus.

Para ter ainda mais segurança, o Sport tirou Luciano Henrique para entrar Éverton.

Um lance perigoso com Acosta, aos 33, é interrompido por impedimento inexistente.

Aos 37, Herrera teve a chance de fazer 1 a 2. Mas não fez.

Aos 43, Acosta driblou Magrão e caiu. Foi derrubado? Aparentemente, sim.

William é expulso aos 48, por dar um soco em Carlinhos Bala.

O árbitro mineiro Alício Pena Júnior apita o fim da Copa do Brasil 2008.

O fim do sonho de redenção corintiana.

A apoteose de uma campanha épica do Sport.

Por mais doído que seja para os corintianos voltarem suas atenções apenas à dura realidade da Segunda Divisão, há um dado incontestável: o time perdeu as três partidas que fez fora de casa contra times da Primeira Divisão -- Goiás, Botafogo e Sport.

E o Sport passou por cima de quem encontrou pela frente em casa, com absoluta autoridade.

Campeão mais justo, impossível. 

Por Juca Kfouri às 23h53

11/06/2008

Ironia, ironia, ironia...

Este blog informa que a organizadíssima CBF e o não menos competente governo Aécio Neves foram muito bem sucedidos na venda de ingressos para o jogo entre Brasil e Argentina.

Uma beleza!

Mais de 70 mil torcedores estão felizes pelas ruas de Belo Horizonte, sem filas, tudo fácil, via Internet, como manda a modernidade do impecável governo mineiro e de sua parceira, a CBF.

Viva a Copa do Mundo de 2014 no Brasil!

Aécio presidente!

(O dono deste blog está indo para o Iraque...)

Por Juca Kfouri às 18h18

Portugal dentro, Suíça fora

Portugal ganhou bem da República Tcheca por 3 a 1 em jogo que, infelizmente, não vi.

Era a senha que Felipaõ esperava para o Chelsea anunciar sua contratação.

Portugal está nas quartas-definal.

Já a Suíça é a primeira anfitriã a ser eliminada, pois acaba de perder, de virada, 2 a 1, para a Turquia.

Amanhã, contra a Polônia, deve acontecer a mesma coisa com a outra anfitriã, a Áustria.

 

Por Juca Kfouri às 17h40

Felipão no Chelsea

O sítio da BBC dá a notícia que este blog antecipou faz uma semana.

O do Chelsea também.

De leve...

http://news.bbc.co.uk/sport2/hi/football/teams/c/chelsea/7449627.stm

http://www.chelseafc.com/xxchelsea180706/index.html#/page/Homepage

Por Juca Kfouri às 17h33

Copa do Brasil: clima de decisão, clima de guerra

Já faz quase seis anos que São Paulo não respira assim o ar de uma decisão de Copa do Brasil.

A última vez foi exatamente por causa do Corinthians, que a decidiu em 2002, contra o Brasiliense, para vencer.

No ano anterior também a decidiu, e perdeu-a para o Grêmio.

Verdade que em 2004 e 2005, times paulistas também ganharam a Copa, o Santo André e o Paulista.

Mas, é claro, não tinha clima, a não ser em Jundiaí e Santo André e olhe lá, porque o Corinthians mobiliza muito mais as duas cidades, inclusive.

Tinha, na verdade, no Rio, que desde 2003 tem um representante seu na final, quando não tem dois.

Em 2003 o Flamengo perdeu para o Cruzeiro; em 2004 para o Santo André; em 2005 o Fluminense foi derrotado pelo Paulista; em 2006 a decisão foi entre Fla e Vasco, com o rubro-negro campeão e no ano passado deu Flu, ao decidir com o Figueirense.

Já em Pernambuco só houve este clima uma vez, exatamente na primeira decisão, em 1989, quando o mesmo Sport acabou superado pelo Grêmio.

O clima de decisão é sempre bom, menos quando passa dos limites e vira clima de guerra, coisa típica de um futebol ainda subdesenvolvido em sua superestrutura.

O bate-boca ente cartolas do Sport e do Corinthians, as atitude de ambos os lados com relação aos ingressos, tanto em São Paulo quanto no Recife, dão a medida do descalabro, sob o cúmplice silêncio de quem organiza a competição, a CBF.

Uma pena.

Era para ser só uma baita curtição.

Como é uma lástima que os times brasileiros que disputam a Libertadores estejam alijados da Copa do Brasil.

Por Juca Kfouri às 11h58

Um filme inesquecível

Aconteceu ontem, em São Paulo, a pré-estréia do documentário, de 85 minutos, "1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil".

Simplesmente comovente.

O filme começa com os últimos 10 segundos da decisão diante da Suécia, culminando com o quinto gol brasileiro, de Pelé.

Muito bem editado, com uma bossa de recriar detalhes de lances decisivos com a câmara bem fechada, os depoimentos, em regra, são ricos, bem humorados ou até queixosos, como os dos jogadores franceses que acusam Vavá de ter quebrado o capitão Jonquet de maneira desleal, razão da goleada final por 5 a 2, pois a França ficou reduzida a 10 jogadores.

Mas há depoimentos impagáveis, como o de um russo que conta que o marcador de Mané Garrincha, Kusnetsov, ao chegar nocauteado no vestiário após a vitória brasileira, jogou a chuteira longe e desabafou; "Eu não quero mais jogar futebol. Os brasileiros é que sabem jogar futebol".

Para o atacante francês Piantoni, "o futebol brasileiro é como a música brasileira. Alegre, feliz e todo mundo se diverte".

Pois o filme de José Carlos Asbeg, que entra no circuito comercial no dia 13 deste mês no Rio e em São Paulo, é diversão pura, comoção do melhor nível e documento histórico de valor inestimável.

Um filme que talvez comece a convencer o país de que a Copa de 1958 está para o amor próprio do Brasil assim como a Copa de 1954 está para o reerguimento da Alemanha.

A diferença está em que os alemães não se envergonham disso, ao contrário, cultuam aquele momento, o primeiro de felicidade depois da catástofre do nazismo.

E nós, que não levamos nada a sério, ainda achamos que Nelson Rodrigues estava brincando quando disse, depois da derrota em 1950, que tínhamos complexo de vira-latas, coisa que a Copa de 1958 sepultou.

Ou não?

Por Juca Kfouri às 01h30

Para fazer Recife ferver

O Sport atrás de um título inédito.

O Corinthians em busca do tricampeonato da Copa do Brasil.

Qualquer empate na Ilha do Retiro dá o título aos paulistas, assim como, é claro, qualquer vitória alvinegra.

Até mesmo uma derrota por um gol de diferença favorece o Corinthians, vantagem colossal.

Para o Sport, um 2 a 0 siginificará seu primeiro título importante e incontestável em nível  nacional.

O 3 a 1 para o rubro-negro leva a decisão para a marca do pênalti.

Já o 4 a 2 ou qualquer outro resultado por dois gols de diferença para os pernambucanos dá a taça aos paulistas.

O Corinthians é o favorito, mas a única certeza desta noite de hoje é a de que Recife vai ferver.

E, também, a de que haverá foguetório em São Paulo, com qualquer resultado...

Por Juca Kfouri às 01h15

10/06/2008

A aritmética do Sport

Colaboração de Lusenalto Andrade Filho, Diretor de Arte no Recife. 

Por Juca Kfouri às 18h04

Cai o campeão da Europa

A Grécia, atual campeã européia, acaba de ser derrotada inapelavelmente pela Suécia, pelo mentiroso placar de 2 a 0.

Os suecos mereciam bem mais.

E a zebra grega que apareceu em Lisboa, quatro anos atrás, começa a voltar para Atenas, depois dessa passagem por Salzburgo, na Áustria.

Por Juca Kfouri às 17h39

Audálio Dantas, o cidadão

Foto Cacalo Kfouri

 

 

Ontem  à noite, na Câmara Municipal de São Paulo, tive a honra fazer a saudação a Audálio Dantas, que recebeu o título de Cidadão Paulistano.

 

Reproduzo-a abaixo, como mais uma homenagem a um brasileiro raro:

 

Boa noite, amigas e amigos de Audálio Dantas.

 

Vocês já viram uma cerimônia em que o orador está mais orgulhoso que o homenageado.

 

Se não viram, vão ver agora.

 

Sim, porque desde que fui escalado para falar de Audálio Dantas estou mais pimpão do que ele mesmo, tamanha a honra, tamanho o privilégio, dessas coisas para encabeçar o currículo.

 

Ele certamente merecia um admirador melhor, mas eu, sem dúvida, não poderia ter uma admiração maior.

 

Porque não é de hoje que Audálio Dantas deixou de ser um alagoano de respeito para se tornar um cidadão paulistano, um cidadão brasileiro, um cidadão do mundo, um CIDADÃO na acepção do que os gregos imaginaram, alguém mais que livre, alguém capaz de lutar pela liberdade do próximo.

 

Este é Audálio Dantas.

 

Eu sei que nestas ocasiões é esperado que o orador trace uma biografia do homenageado.

 

Mas quem, aqui, não sabe bem que é Audálio Dantas, o repórter, antes de tudo, o líder sindical, o político?

 

Ora, se eu for contar tudo de bom que Audálio Dantas fez na profissão e pela profissão, no país e pelo país, ficaríamos horas aqui a conversar.

 

Por isso, ao me congratular com esta casa porque este sim é um homenageado que merece todas as honras, quero contar uma história que vivi perto de Audálio Dantas, que testemunhei, quase minuto a minuto.

 

É uma história de medo.

 

Sim, nós tínhamos medo.

 

Vladimir Herzog estava morto, assassinado covardemente nos porões da ditadura.

 

Diziam que o meu nome estava numa lista e que viriam me buscar.

 

Eu tinha medo, muito medo.

 

Só em dois lugares, no entanto, eu me sentia seguro.

 

Só em dois lugares eu sentia medo com segurança.

 

Na Cúria Metropolitana, casa de Dom Paulo Evaristo, Cardeal Arns de São Paulo e na Rua Rego Freitas, no Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo, casa de Audálio Dantas.

 

E como eu não era nem padre, nem freira e nem sequer coroinha e já era jornalista, eu não saía da casa de Audálio Dantas.

 

Audálio Dantas talvez nem saiba, mas para muitos de nós, ele era sinônimo de segurança, de proteção.

 

E vi um homem preocupado, mas sereno, fustigado, mas firme, tenso, mas equilibrado, corajoso sem ser temerário, sensato sem ser dono da verdade, incapaz de uma demagogia, um blefe, uma guampada de boi manso, como dizem os gaúchos.

 

Estamos acostumados, com justa razão, a lembrar do ato ecumênico da Catedral da Sé como um ato que mudou a História do Brasil e por isso reverenciamos os três pastores que o conduziram, o Cardeal Dom Paulo Arns, o Rabino Henry Soebel e o Reverendo James Wright.

 

Frequentemente, no entanto, porque somos o país que somos, propensos a certos esquecimentos, deixamos de lembrar que se não fosse pela atitude de Audálio Dantas naqueles dias sombrios, não teríamos o Ato da Sé.

 

Audálio Dantas, então, não se notabilizava por ser religioso, nem católico, nem judeu, nem protestante.

 

Era apenas um cidadão. Um cidadão indignado com a barbárie.

 

E para que ninguém diga que estou sendo ufanista, exagerado ou corporativista, é obrigatório lembrar de pelo menos mais cinco nomes que foram imprescindíveis para que o Caso Herzog começasse a mudar o Brasil.

 

Outro jornalista, nosso queridíssimo Fernando Pacheco Jordão, braço direito de Audálio Dantas durante todo o tempo, ponto de equilíbrio.

 

Os jovens advogados Samuel Mac Doweell e Marco Antônio Rodrigues Barbosa e o juiz de Direito Márcio José de Moraes que, a todo risco, levaram adiante a vitoriosa ação contra a União Federal.

 

E, é claro, nossa eterna companheira, a publicitária Clarice Herzog, então viúva do Vlado, mãe do André e do Ivo, que foi até o fim.

 

Audálio Dantas, então, não era filiado a nenhum partido político, era apenas um jornalista que lutava pelo bom jornalismo, pela liberdade de expressão, sem a qual o bom jornalismo é impossível.

 

Já era o Audálio Dantas da fabulosa reportagem “Quarto de Despejo”, com Carolina Maria de Jesus. Ou o Audálio Dantas que reuniria mais tarde em “Círculo do Desespero”, 12 de suas melhores, inesquecíveis, marcantes reportagens.

 

Era o presidente do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo como viria a ser, como é hoje, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa em São Paulo.

 

Não era ainda o deputado federal eleito sem um tostão em 1978 porque as pessoas lhe eram gratas, coisa que também testemunhei porque fui um dos coordenadores de sua campanha sob o lema “Vamos virar o jogo”, talvez porque ele seja um empedernido corinthiano...

 

Deputado, diga-se, apontado como um dos 10 melhores do país, assim como foi eleito uma dos três líderes sindicais mais influentes do Brasil -- e olhe que Audálio Dantas nunca foi petroleiro nem metalúrgico.

 

Audálio Dantas costuma dizer que seu melhor trabalho foi o papel que desempenhou no Caso Herzog.

 

De fato, porque, então, Audálio Dantas foi testemunha e protagonista, escreveu a História e nela foi inscrito.

 

É isso.

 

Audálio Dantas é parte importante, heróica, da História do Brasil.

 

Tenho comigo mesmo o compromisso de lembrar a todos disso sempre que com ele estiver numa cerimônia pública.

 

Para que jamais nos esqueçamos de alguém que acredita piamente que quem tem as respostas é o povo e que, por isso, pergunta, pergunta e pergunta, com bem sabem as mulheres que ele amou, os filhos que criou, todos que ele ouviu e continua a ouvir.

 

Este é um pouco de Audálio Dantas.

 

Audálio Dantas, é uma honra ser seu contemporâneo!  

 

E, como diria o poeta Vinicius de Moraes, ah, se todos fossem iguais a você...

 

Em seguida, um coro de crianças da favela de Heliopólis subiu ao palco e cantou a canção do poetinha.

 

 

 

Por Juca Kfouri às 17h30

A Espanha crê

Por GUSTAVO VILLANI

Foi boa a estréia da Espanha, mas poderia ser melhor.

O resultado de 4 a 1 omite, por exemplo, o sufoco de quase cinco minutos finais que os russos deram no time de Luis Aragonés.

Acho que a Espanha vai longe na Eurocopa, assim também como penso que é a própria Espanha o principal adversário da equipe.

É impressionante como o time se acovarda em situações pontuais.

Depois de 3 a 0 no placar, os espanhóis ainda conseguiram resgatar a moral russa.

Os três gols do camisa 7 David Villa (aos numerologistas, o antigo número de Raul) tiveram importância além das quatro linhas.

Aqueles que pediam a presença do veterano capitão do Real Madrid na seleção devem aceitar e respeitar o garoto.

Villa ganha confiança para seguir firme na equipe, e isso será importante devido à má temporada do Valencia que apagou o brilho dele.

O ataque espanhol, servido ainda do centroavante Fernando Torres (mais de 30 gols na temporada inglesa), dá gosto de ver.

Os pequeninos Xavi, Iniesta e Silva erram poucos passes no meio-campo.

Marcos Senna ganhou a titularidade em cima da hora e deu consistência à marcação.]

O reserva Cesc Fábregas, autor do quarto gol que joga melhor no Arsenal do que na Fúria, é erroneamente usado para jogar próximo ao ataque, e não controlar o jogo e chegar de trás com a bola como faz na Inglaterra.

A retaguarda é razoável.

Sergio Ramos é o melhor zagueiro do mundo, mas ele e Aragonés não pensam assim.

Jogador de força e estatura respeitáveis, Ramos jura que é um lateral-direito que consegue defender e chegar ao fundo do campo para cruzar.

Sem falar dos passes e inversões periclitantes perto da área, um desperdício.

O outro lateral, Capdevilla, se limita mais a defender e cumpre a função, assim como Puyol e Marchena.

Para encerrar, gosto do rápido goleiro Casillas, apesar da baixa estatura e das esporádicas falhas nas jogadas aéreas.

Há uma campanha nacional "Juntos podemos" para levantar a estima da seleção de futebol.

Algo típico de seleções menos expressivas como Equador, Colômbia e cia., em tempos de Copa do Mundo.

Se surtir efeito, dificilmente a Espanha será batida.

O time é bom e se preparou muito bem, ao bater Argentina, França e Itália.

Se não bastasse a boa geração de profissionais, a Espanha arremata grandes títulos nas seleções de novatos.

Chegou a hora de acreditar e, o que é mais importante, decidir.

 

Por Juca Kfouri às 16h30

Disputas políticas afundam Galo no ano do centenário

O centenário deveria ser um ano de glórias, celebrações e alegrias para os atleticanos, mas descambou para disputas políticas - e disputas entre políticos (de carreira, diga-se).

À medida que o time – limitado, envelhecido, sério postulante à luta contra o rebaixamento no Brasileirão 2008 – coleciona fracassos e vexames, seus diretores, assessores, conselheiros e presidente travam dura batalha e afundam as esperanças dos torcedores.

Os objetivos?

Em boa parte, tão turvos quanto os da maioria dos cartolas do futebol brasileiro.

Na semana passada, precedendo mais um fiasco dos jogadores na goleada de 5 a 1 para o São Paulo no Morumbi, a crise que tomava conta dos bastidores do alvinegro veio definitivamente a público, e das piores maneiras possíveis: com cartas abertas e até embates entre assessores e torcedores em redes de relacionamento na Internet.

O Portal Uai noticiou, a 3 de junho, que o presidente Ziza Valadares descartou ser defendido por Roberto Vasconcellos, vice-presidente jurídico do clube, no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Mineira de Futebol, no qual foi denunciado por afirmar que havia uma "armação para tirar o título [do Campeonato Mineiro] do Atlético no ano do centenário".

Em carta aberta publicada no sítio supracitado, o advogado garantiu que já trabalhava na defesa do presidente; este último, por sua vez, dois dias depois, alegou motivos pessoais para a recusa dos serviços.

(Link da matéria do UAI - http://www.superesportes.com.br/ed_esportes/002/template_esportes_002_94253.shtml)

Os motivos pessoais alegados por Ziza passam pela busca de Vasconcellos por informações sobre denúncias de "transgressões disciplinares do presidente", e pelo fato do vice-jurídico ter sido, ao lado de Roberto Hermont Arantes - o "Beto Bom de Bola" campeão brasileiro de 1971 -, protagonista do "caso Leão".

Na ocasião, após a demissão de Geninho – o primeiro presente de grego em 2008 para os atleticanos, os quais o rejeitam como não rejeitaram qualquer outro técnico em 100 anos –, Beto e Vasconcellos foram em busca de Leão, então já mais para lá que para cá no Santos.

Ziza e o assessor da presidência, Hissa Elias Moisés – braços-fortes do ex-presidente Ricardo Guimarães, aquele mesmo do Banco BMG do mensalão – opuseram-se aos valores pedidos pelo técnico e anunciaram Gallo como novo comandante da equipe.

Xeque-mate em Arantes, que pouco após o ocorrido, renunciou ao cargo que ocupava desde dezembro de 2006, o de diretor de futebol do clube, alegando estar desgastado.

Por falar em Ricardo Guimarães, seu nome esteve em pauta no Orkut, maior rede de relacionamentos on-line do Brasil.

Segundo informações e confirmações de diversas fontes, o assessor de imprensa, Cássio Arreguy, teria afirmado na comunidade oficial do Atlético, que conta com mais de 190 mil membros, que Guimarães nada tem a ver com a administração do Galo.

Ora, é evidente que o terreiro aonde cantava o Galo virou o quintal, o Lego, o brinquedinho das horas vagas do presidente do BMG e de sua família.

Não à-toa seu filho tornou-se conselheiro benemérito do Clube Atlético Mineiro quando ainda púbere.

A torcida do Galo que una forças, pois, em decorrência de más administrações, causas particulares escusas de atuais e ex-dirigentes, um dos grandes protagonistas do futebol brasileiro nos últimos 100 anos já se transformou num coadjuvante sem qualquer pretensão maior;

escravo de dívidas e ilicitudes, escavador de um poço cujo fundo pode estar muito além da Série B.

Por Juca Kfouri às 15h19

Ser Corinthiano!

Por RANDALL NETO

Eu já tive vontade de ser tanta coisa... mesmo depois daquela fase das perguntas "o que você quer ser quando crescer?", eu continuei querendo ser o que não era.

Dito assim, não parece bom, mas dentre as coisas que eu queria ser, nessa semana eu queria ser corinthiano.

Confesso que não é a primeira vez que esse sentimento me assalta os confins da alma, lembro de ter sentido algo semelhante nos tempos da Democracia, quando jogava de camisa pra fora do calção e me dizia Casagrande;

naquele carrinho milagroso do Viola no Brinco de Ouro em 88;

no gol solitário do limitado Tupãzinho matando o São Paulo clássico do "mestre" Telê;

nas deslizadas de joelho do gorducho Neto a cada gol retirado a fórceps, conduzindo o time como um Leônidas nada espartano, ou quando o Dida pegou aqueles dois pênaltis do Raí como se brincasse de uni-duni-tê!

Ano passado eu não quis ser Corinthiano, mas queria estar no meio da Fiel quando o Hino Informal do Corinthians foi composto, o arrepiante "Aqui tem um bando de lôco!".

Deve ser muito bom torcer pro Corinthians!

Os meus colegas de trabalho saíram nas 18 horas cravadas do relógio de ponto na véspera do feriado do dia do trabalho pra ver um combalido e desacreditado Corinthians "série b" tentar reverter uma desvantagem sobre o Goiás, um conhecido e frequente algoz.

O time podia não ser lá essas coisas, mas a torcida confiava que poderia fazer a sua parte, e ainda no primeiro tempo estalava um 4 x 0 no placar.

Depois dessa rodada, com o meu Palmeiras eliminado, vaticinei que pintava em preto e branco o Tri Campeão da Copa do Brasil!

Meus amigos continuaram indo, mesmo ritual, mesma confiança, primeiro o São Caetano, depois o Botafogo, presença garantida no Morumbi lotado, e uma fé que eu, recém campeão paulista, não conseguia entender de onde vinha.

Exatamente por não ser Corinthiano!

E não sendo, vi uma movimentação entre os caras e descobri que não era pra combinar a logística do primeira partida no Morumbi, e sim, confirmando presença num pacote pra ver a segunda partida no Recife!

Abri um sorriso de felicidade vicária e falei:

"Só corinthiano mesmo!".

Foi corrigido a tempo: "Isso aqui é pra qualquer um, mano! Corinthiano mesmo iria mesmo se tivesse perdido o primeiro jogo!".

E lá vão meus "broders" pra Veneza Brasileira, a Pasárgada cantada pelo filho da terra, jogar na "Ilha de Lost", como diz o Xico Sá!

Um contingente menor do que aquele que invadiu o Maracanã pra parar a Máquina Tricolor em 76, mesmo Maracanã que viu o único campeão Mundial da "era moderna" que não precisou ir pro Japão, ganhou em casa, no outrora batizado "Recreio dos Bandeirantes", em pleno verão carioca!

Salve o Corinthians, pois graças a ele, o meu Palmeiras consegue seguir tão grande quanto o Grande Rival!

*Randall Neto é advogado e, como se viu, é palmeirense. É maior e vacinado.

Por Juca Kfouri às 13h45

Só a pau, Juvenal?

Faixa cobrava reforços e apoiava Muricy

"Juvenal Juvêncio, abre o cofre e traga jogadores dignos de vestir essa camisa. Força Muricy, sabemos que a culpa não é sua."


Esse era o texto da faixa da discórdia.

Dezoito torcedores que fazem parte da comunidade São Paulo FC – Tricolor, no Orkut, levaram a faixa para o Morumbi, no último sábado, dia 07, para protestarem contra o presidente do São Paulo.

Chegaram lá às 16:30 e, de cara, receberam o apoio de outros torcedores do São Paulo.

Os torcedores fizeram tudo de acordo com a Lei da cidade de São Paulo e com as normas do estádio Cícero Pompeu de Toledo.

 Eles não tiveram problemas para entrar no estádio e se acomodarem nas cadeiras térreas azuis.

Pouco tempo depois, a polícia chegou ao local e disse, nas palavras dos torcedores: "a administração do estádio solicitou, por gentileza, que a faixa seja retirada."

Os torcedores voltaram a mostrar o ofício emitido pela polícia e tudo ficou bem.

Porém, poucos minutos após, uma nova tentativa de retirar a faixa foi feita.

Só que desta vez, ao invés dos policiais, foram os seguranças do São Paulo que foram pedir para que a faixa fosse retirada.

Em troca desse favor, os torcedores migrariam das cadeiras térreas para as cadeiras superiores, um lugar mais confortável.

Os torcedores, que estavam ali para serem notados, não aceitaram, claro.

Foi aí que os torcedores tiveram a maior surpresa do sábado.

E não foi a goleada de 5 a 1 sobre o Atlético Mineiro.

Os seguranças do São Paulo chamaram, pelo rádio, um sujeito de nome Toledo, que chegou com mais 6 seguranças.

Os torcedores mostraram para o tal Toledo o ofício mostrado, e aprovado, pela PM.

Ele rasgou o ofício e ordenou: "Tira essa porra daqui e, se reclamarem, tira todos eles também!"

A confusão se formou e, por pouco, não houve uma briga entre os torcedores – já com o apoio de mais são-paulinos – e os seguranças do São Paulo.

Inconformados, os responsáveis pela faixa saíram do estádio e encaminharam-se para o 34º DP, na avenida Francisco Morato e registraram um Boletim de Ocorrência.

A faixa, mesmo sendo de propriedade particular e de acordo com as especificações da polícia e das normas do estádio, ficou retida no Morumbi até às 21:15, ou seja, até o jogo acabar.

Tanto a polícia, quanto a administração do Morumbi, concordam que a faixa era um direito de manifestação pacífica e legítimo. A administração do estádio prometeu investigar o ocorrido.

Thiago Braga, especial para a SPNet

http://www.saopaulofc.com.br/news.php?cod=31053

Por Juca Kfouri às 00h08

09/06/2008

Copa do Brasil coloca Corinthians entre céu e inferno

Por Juca Kfouri às 18h28

França chata, Itália em ruínas

Num jogo bem do chato, França e Romênia ficaram no 0 a 0 na Euro-2008, em Genebra, na Suíça.

Essa coisa de torneios pós-campeonatos nacionais, como a Copa do Mundo, não anda dando certo, porque os jogos deixam a desejar em sua maioria.

Não foi o caso, no entanto de Holanda 3, Itália 0, em Berna, também na Suíça.

Ao contrário.

Foi jogo para ser 6 a 3 para a Holanda, tantas foram as chances perdidas.

Mas se o bicampeão europeu, o time francês, estreou com empate, pior fez o atual campeão mundial, o time italiano, que terá de suar muito para seguir adiante no chamado grupo da morte, o Grupo C.

Porque além de ter perdido, está com três gols de déficit, enquanto França e Romênia têm um ponto e saldo zero.

Por Juca Kfouri às 17h35

Flu na cabeça

Com 58% das 2.180 indicações, o Flu será o campeão da Libertadores.

Tomara!

Por Juca Kfouri às 14h31

Pensata de segunda

1. Que Wilson Souza de Mendonça é o rei da lambança não é preciso dizer.

Nem por isso, no entanto, ele pode ser vítima de injustiças, como a que este blog cometeu ao comentar a falta que ele marcou contra o Vasco, chamando-a de "incompreensível".

Porque por mais que caibam interpretações ao texto da regra e das decisões da Fifa a respeito, o fato é que ele acertou.

A regra 12 fala em "voltar a tocar a bola com as mãos depois de tê-la colocado em disputa, antes que qualquer outro jogador a tenha tocado".

Alguém poderá dizer que o goleiro Tiago não colocou a bola em disputa porque em nenhum momento esta deixou de ser disputada, o que pode ser um argumento esperto, mas é só isso.

Porque ficou claro que Tiago "voltou a tocar a bola com as mãos" e não foi propriamente por uma defesa em dois tempos ou uma rebatida de bola.

Aliás, exatamente para prevenir tais expedientes espertos, há uma decisão da Fifa que diz explicitamente o seguinte:

"Será considerado que o goleiro controla a bola quando a toca com qualquer parte de suas mãos ou braços.

A posse de bola incluirá a defesa intencional pelo goleiro, exceto se, na opinião do árbitro, a bola rebate acidentalmente no goleiro, por exemplo, após efutuar uma defesa".

Ora, é claro que Tiago fez o que fez intencionalmente e que o árbitro não tinha como ter outra opinião.

2. Que o Vasco tem sido sistematicamente prejudicado em torneios nacionais e ajudado nos estaduais também é evidente.

As razões são mais ou menos óbvias.

Nem por isso seu presidente interino Eurico Miranda, que deveria acatar o que a Justiça maior determina em vez de ficar com expedientes protelatórios em relação às eleições no clube, deve conclamar a torcida para protestar diante da CBF.

Até porque só irão, se forem, seus correligionários, subvencionados pelo Vasco.

Aliás, o blog aposta que o cartola fanfarrão nem levará a idéia adiante, porque fadada ao fracasso e a demonstrar que ele não tem poder de mobilização.

Além do mais, se ele não tivesse reduzido o time cruzmaltino ao que é, há anos, o Vasco ganharia também dos eventuais erros de arbitragem, como cansou de fazer em seu passado de glórias.

Em tempo: o título desta nota é, propositalmente, ambíguo.

Entenda-o a seu bel prazer...

Por Juca Kfouri às 11h09

08/06/2008

Se a moda pega...

Por ROBERTO VIEIRA

O futebol já viu o soco no ar de Pelé.

O futebol já viu o braço erguido de Sócrates.

O futebol já viu o sinal da cruz de Petras.

O futebol já viu o porco de Viola.

O futebol já viu o dedo de Ronaldo.

O futebol já viu a cambalhota de Romeu.

O futebol já viu o vôo suicida de André Catimba.

O futebol já viu as mãos erguidas ao céus de Kaká.

O futebol já viu o sorriso de Garrincha.

O futebol já viu o sinal de paz e amor de Mickey.

O futebol já viu a careta de Maradona.

O futebol já viu a explosão de Rivelino.

O futebol já viu o desmaio de Hohberg.

O futebol já viu o silêncio de Paul Breitner.

Mas hoje, na Ilha do Retiro, no jogo Sport x Palmeiras, o futebol foi apresentado ao inusitado.

O jogador Luciano Henrique após marcar o primeiro gol rubro negro contra o Palmeiras foi cumprimentar o chefe do policiamento.

Se a moda pega...

Foto Rodrigo Lobo/JC Imagem

Por Juca Kfouri às 21h18

O Campeonato Brasileiro começa a ficar animado

Enfim, 30 gols em 10 jogos, três por partida, quase o dobro dos 16 gols da última rodada.

E dois líderes, Flamengo e Cruzeiro, 13 pontos cada um em 15 possíveis, o Mengo na frente pelo saldo de gols de 9 a 8.

Flamengo e Cruzeiro que seguem como únicos invictos.

O Fluminense segue sem nenhuma vitória, assim como o Goiás e são também os únicos, porque a Lusa, enfim, venceu.

A quinta rodada teve nove vitórias dos mandantes e apenas um empate, infelizmente sem gols, em Ipatinga.

E o Campeonato Brasileiro começa a pegar fogo, agora que falta apenas que se decidam a Copa do Brasil, já nesta quarta-feira, e a Libertadores, no fim deste mês e no começo de julho.

O melhor público foi proporcionado pela maior torcida e pela torcida do líder, a do Flamengo, com 22 mil pessoas no Maracanã.

O pior público foi o de Ipatinga, com apenas 2.875 pagantes.

A média de público ficou na casa dos 13.250 torcedores por jogo.

A rodada que vem será dividida entre a quinta-feira, com três jogos, e o sábado, com sete.

Porque no domingo tem Paraguai e Brasil, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

O Paraguai que lidera as eliminatórias e tem Cabañas, aquele centroavante gordinho que arrasou com o Flamengo e o Santos na Libertadores...

O jogo será disputado em Assunção, no estádio Defensores del Chaco.

Ainda bem que não será em Boston, nem contra a Venezuela...

Por Juca Kfouri às 21h05

Cruzeiro segue bem. Geninho vence, Cuca perde

O Mineirão viu o Cruzeiro martelar a defesa do Vasco durante 45 minutos.

De todos os jeitos, por todos os lados, mas jamais com a perfeição necessária para furar o gol de Tiago.

Fez por merecer, é verdade, mas não furou.

O Vasco voltou mais corajoso no segundo tempo e equilibrou o jogo, convencido de que com um pouco de sorte poderia até vencer.

E começou a incomodar o goleiro Fábio.

Aos 16, no entanto, Ramires levou um pontapé pornográfico de Jonilson dentro da área e Guilherme bateu o pênalti para Tiago defender parcialmente. O rebote caiu nos pés do cruzeirense que, de novo, chutou, para, outra vez, Tiago defender.

Parecia que estava escrito que o Cruzeiro não faria gol na noite de 8 de junho de 2008, nem de pênalti, depois de desperdiçar, no mínimo, quatro grandes chances com a bola rolando.

Mas, aos 26, complementando uma cobrança em dois toques dentro da área vascaína, Fabrício do bico direito da pequena área recuou para Charles que, estranhamente sem marcação, achou um buraco debaixo do gol carioca para fazer 1 a 0.

Não era justo, era pouco.

Mas a marcação do tiro indireto foi incompreensível, da cabeça adivinhe de quem: Wilson DE Sousa DE Mendonça...

Irritada sabe-se lá com o que, a torcida cruzeirense chamou Adílson Batista de burro quando ele trocou Jadílson por Jonathan.

No Barradão, só teve um time em campo: o Vitória.

Que fez 1 a 0 no primeiro tempo com Dinei, aos 22, de cabeça, depois de falta cruzada da esquerda.

Mas foi pouco: 3 a 0 estaria mais correto.

Para piorar, logo aos 7 minutos do tempo complementar o santista Wesley pegou um adversário por trás e foi bem expulso.

O estreante Cuca coçava a cabeça, desanimado.

Ainda mais porque Kléber Pereira perdeu um gol incrível nos acréscimos, o que seria terrivelmente injusto para o time baiano.

Não vi o jogo do Engenhão, o da estréia de Geninho, no Botafogo.

Carlos Alberto fez 1 a 0, aos 20 do primeiro tempo e foi expulso no fim do jogo, e Hugo empatou para o Coritiba, de pênalti, aos 21, do segundo.

Mas, aos 40, Lúcio Flávio, também de pênalti, fechou o placar para o Botafogo: 2 a 1.

Por Juca Kfouri às 20h07

Quem manda em casa são seus donos

Os reservas do Sport tomaram conta do jogo e não deixaram o Palmeiras ameaçar.

E ganharam pelo placar que o Sport precisa para ser campeão da Copa do Brasil...

No primeiro tempo só deu rubro-negro, com direito a bola no travessão de Marcos, único goleiro que trabalhou durante todo o primeiro tempo.

O goleiro reserva do Sport, Cléber, só apareceu mesmo ao tomar um chute de Denílson que deveria ter sido expulso no fim do primeiro tempo.

Não foi, mas também não voltou para o segundo, trocado por Jumar.

Segundo tempo que continuou do Sport, mesmo com a Ilha do Retiro com pouca gente, se guardando para quarta-feira.

Luciano Henrique fez 1 a 0, aos 14, depois de invadir a área pela direita e ainda pegar o rebote de ótima de defesa de Marcos. Gustavo quase salvou, mas só quase.

Placar mais que justo e nova atuação abaixo da crítica do Palmeiras, que pouco ameaçou mesmo depois de tomar o gol.

Razão pela qual foi devidamente castigado pelo segundo gol, de Roger, de cabeça, livre na grande área, em cruzamento de Alex pela esquerda.

No embate entre Grêmio e Fluminense, bem mais empolgante, quem brilhou foi Perea, com um gol em cada tempo.

O primeiro ao se aproveitar de um rebote de Fernando Henrique, o segundo num contra-ataque impiedoso quando o Flu buscava o empate.

O Flu reclama, com razão, que o lance anterior foi um escanteio não marcado que virou tiro de meta...

Enquanto o Inter tomava de 3 a 1, de virada, da Lusa, no Canindé, o tricolor gaúcho se esbaldava no Olímpico, ainda mais depois que Thiago Neves perdeu a cabeça e achou de soltar o braço no zagueiro Felipe, para ser justamente expulso.

Verdade que, valente, o Flu ainda descontou com Dodô batendo pênalti que ele mesmo sofreu.

Em cinco jogos, o provável campeão da Libertadores perdeu quatro no Brasileirão.

Ali pertinho do Olímpico, na Arena da Baixada, o ameaçado Goiás, tomava de 5 a 0 do Furacão, com direito a gol de pênalti porque o zagueiro goiano pegou uma bola com a mão por pura distração.

A tarde de domingo, de novo, foi só dos donos da casa.

Por Juca Kfouri às 18h00

Generosos anfitriões

Suíços e austríacos são povos educados e gentis.

Sediam a Euro-2008 só por sediar.

Na cidade da Basiléia, ontem, a Suíça estreou perdendo para a República Tcheca: 1 a 0.

Agora há pouco, em Viena, a Áustria também estreou, diante da Croácia, e perdeu: 1 a 0.

Nada de novo sob o sol e o mais provável é que os anfitriões não passem às quartas-de-final.

Algo que se exige da seleção de Portugal, com estréia segura diante dos turcos, 2 a 0, ontem, em Genebra.

E, daqui a pouco, tem Polônia e Alemanha.

Deu Alemanha, 2 a 0, vi só um pouquinho e pelo que vi a Polônia estava melhor, mas os alemães eram mesmo os favoritos.

Por Juca Kfouri às 14h59

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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