Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

28/06/2008

Nove gols no sábado. E foi pouco.

No primeiro jogo do Vasco sem ele (mas com ele em seu camarote soturno) o Vasco logo fez 2 a 0 como se quisesse homenagear Roberto Dinamite.

Mas, aí, como se lembrasse que o outro ainda está por lá, deixou o Ipatinga marcar duas vezes em São Januário.

Menos mal que o jogo acabou 4 a 2.

Como acabou 3 a 0 para o Vitória, no Barradão, o seu jogo contra o Goiás, prova de que o time baiano está mesmo recuperado de seu mau começo e de que o goiano precisa se cuidar.

Finalmente, um 0 a 0 inexplicável no Canindé entre Lusa e Santos, que fizeram belo jogo.

A Lusa foi até melhor, mas era jogo para 4 a 4, tantas foram as chances de gol criadas por ambos.

No mínimo, um 2 a 2, ou 3 a 2, para Portuguesa.

 

Por Juca Kfouri às 20h19

De um vascaíno, comum. E sensível

"Ah, meu caro, como pulsa a Cruz de Malta que carrego no peito!!!!!

Como pulsa, como vibra, como balança.

Na madrugada fria de São Paulo, em silêncio para não acordar a pequena, minha vontade é de colocar o Hino para tocar em altíssimo e bom som.

Vontade de mostrar ao mundo como é bom poder voltar a ter orgulho do meu time.

Poder, definitivamente, sepultar o aposto que fui obrigado a falar durante anos quando me perguntavam meu time: 'Sou Vasco, mas sou contra o Eurico'.

A partir de hoje, posso dizer pura e simplesmente que sou Vasco.

Como é bom voltar a ter orgulho das minhas camisas.

Como é bom saber que nunca mais vou ter conflito na hora de torcer pelo meu time.

Como é bom saber que vou poder ensinar minha filha a ser Vasco, pelo simples fato de que ser Vasco é bom.

Não vou ter que explicar para ela que o pseudo presidente do clube não representa a família vascaína.

Gostaria somente de render uma homenagem.

Aos fundadores do MUV, que em 12 anos tornou esta vitória possível.

Alguns homens comuns, os "regular joes", como falam os americanos.

Sem dinheiro, sem contatos na imprensa, sem nada.

Só unidos pela justiça, pela moral, democracia e amor a este clube tão maltratado.

Este movimento que hoje destrona a ditadura nasceu nas sociais de São Januário, sem dinheiro, sem apoio, sem nada.

Somente com coragem.

Dentre eles, meu velho pai, neste momento pegando uma carona para ir até em casa, saindo na madrugada da Lagoa até a Barra, sozinho, com frio, sem jantar, a voz cansada e embargada ao telefone.

Obrigado, pai, por tudo.

Obrigado por ter me feito honesto, por ter me feito digno. Obrigado por ter me feito vascaíno."

Por Juca Kfouri às 13h05

Para dar esperança ao Flu

Li numa bem sacada coluna do diário "Lance!", de hoje, a fantástica história da única decisão da Libertadores que o anfitrião conseguiu reverter uma desvantagem de dois gols.

Foi na decisão de 1989, entre Atlético Nacional, de Medellin, e Olimpia, do Paraguai, jogo disputado no estádio El Campín, em Bogotá, capital da Colômbia, porque a capacidade do estádio de Medellin não cumpria o regulamento.

No primeiro tempo inteiro, apenas um lance perigoso, um chute a gol do Nacional.

No segundo, aos 36, em bola cruzada, um zagueiro paraguaio se atrapalha e marca contra.

E, aos 46 (!), de cabeça, o Nacional faz 2 a 0.

A decisão vai para a marca de pênalti.

Logo de cara, Higuita defende.

Mas o quarto colombiano erra e a série de cinco tiros termina em 4 a 4, com o último gol colombiano marcado por Higuita.

Daí, o impossível acontece.

Higuita pega três pênaltis e os batedores colombianos erram os três pênaltis que valeriam o título, com um chute no travessão, outro para fora e mais um defendido pelo goleiro do Olimpia.

Só que um paraguaio erra o sétimo pênalti seguido, o que permitiu ao Nacional marcar o seu e ser campeão.

Em 10 minutos, clicando aí embaixo, você vê tudo isso.

http://br.youtube.com/watch?v=Ed7czTp5174

Por Juca Kfouri às 08h32

Eurico Miranda morreu. Viva o Vasco!



 

Acabou!

Parece mentira, mas Eurico Miranda acabou.

Roberto Dinamite é o novo presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama, 140 votos contra 103!

Que seja feliz e saiba que a simpatia que teve como símbolo da oposição ao nefasto ex-deputado transforma-se, agora, em fiscalização.

Por Juca Kfouri às 02h25

Eurico Miranda estrebucha

Neste momento os conselheiros do Vasco votam para o Conselho Fiscal e para a presidência, em eleição casada.

O algoz vascaíno estrebucha de charuto na boca.

Seu reinado está por minutos.

Aleluia!

Por Juca Kfouri às 01h26

Eurico Miranda agoniza

Acaba de sair o primeiro resultado das eleições no Vasco.

E para o bem dos cruzmaltinos, na eleição para o Conselho Deliberativo, a chapa de Roberto Dinamite ganhou por 146 a 113.

O resultado deve se repetir para o Conselho Fiscal e, enfim, para a presidência.

Ufa!

Por Juca Kfouri às 00h56

27/06/2008

O maior dos jogos não será aqui

O sábado nos reserva três jogos, todos às 18h20, o mais interessante deles, talvez, entre Vasco e Ipatinga  em São Januário, quem sabe livre pela primeira vez, em mais de duas décadas, da figura sinistra de Eurico Miranda.

Torçamos.

Teremos também Lusa x Santos, no Canindé, com papéis invertidos, a Portuguesa em cima, o Peixe embaixo.

E um Vitória x Goiás, no Barradão, ambos em fase de recuperação.

No domingo sobra jogo bom, a começar pelo embate rubro-negro na Ilha do Retiro, às 16h, entre Sport e Flamengo, o campeão da Copa do Brasil que ainda não venceu depois do título e o líder do Brasileirão.

Figueirense e Galo, em Floripa, é o menos atraente dos jogos, também às 16h.

Porque tem Gre-Nal no Olímpico, Atletiba na Arena da Baixada, Palmeiras e Náutico no Palestra e até um Flu e Botafogo no Maracanã que não deverá atrair muita gente, mas que é importante demais para ambos.

O clássico paranaense às 16h e os demais às 18h10.

E tem Cruzeiro e São Paulo, no Mineirão, o maior jogo da 9o. rodada, às 16h.

O maior da rodada, porque o maior do fim de semana, sem dúvida, será disputado na Áustria, entre Alemanha e Espanha, os alemães em busca do tetra e os espanhóis em busca do bi da Eurocopa.

Esta Eurocopa que brilhou depois de um começo pouco convidativo.

A decisão começa às 15h45 do domingo, em Viena, com transmissão pela Record e Sportv.

Imperdível. 

Por Juca Kfouri às 15h29

O que se deve a um realizador de sonhos?

Por WALTER FALCETA*

Idário

 

No encontro com os heróis da Copa do Mundo de 1.958, realizado na quinta-feira, o presidente Lula prometeu encaminhar ao Congresso projeto de lei que garanta aposentadoria especial aos atletas campeões mundiais pela Seleção Brasileira.

A idéia é oferecer amparo àqueles que hoje não disponham de rendimentos suficientes ao bem-viver.

Entre os defensores da proposta, há quem recorra a Nelson Rodrigues para destacar o caráter épico da façanha esportiva.

Segundo o dramaturgo e escritor, o povo do Brasil deixou de se julgar "viralata" depois dos 5 a 2 sobre a Suécia.

Em uma crônica da época, publicada na "Manchete Esportiva", sentenciou:

- O brasileiro tem de si mesmo uma nova imagem. Ele já se vê na totalidade de suas imensas virtudes pessoais e humanas.

Mas será que os heróis dos clubes-nação não merecem semelhante tratamento?

Se é gigante o Corinthians, por exemplo, convém lembrar que sua mística foi construída por dedicados atletas, muitos deles em atividade nessa mesma época.

O poderoso time campeão do IV Centenário (1.954), no entanto, que converteu tantos brasileiros ao corinthianismo, teve seus próceres esquecidos por décadas.

Um deles é o raçudo Idário Sanches Peinado, nascido no Cambuci, corinthiano desde sempre, revelado nas categorias de base do clube.

Apelidado de Sangre, por conta da origem espanhola, o lateral-direito enfrentou com valentia endiabrados pontas, como Canhoteiro e Pepe.

Subia o adversário e a massa gritava: "pega ele, pega ele, Idário".

E jamais a Fiel deixou de ser atendida.

Idário deu-se por dez anos ao Timão, entre 1.950 e 1.960.

Fez 475 jogos e conquistou três Paulistões (1.951, 1.952 e 1.954) e três torneios Rio-S. Paulo (1.950, 1.953 e 1.954).

Guerreiro obstinado, escondia as contusões para seguir defendendo o clube do coração.

Como tantos outros de sua geração, Idário não fez fortuna com o futebol.

Depois de trabalhar por 35 anos, 25 deles na Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, aposentou-se.

Hoje, aos 81 anos, vive de maneira modestíssima num apartamento na Praia Grande (SP).

Somado seu rendimento ao da esposa, Dona Natividade, são quatro salários mínimos, consumidos em boa parte na compra de medicamentos.

Idário enfrenta uma inflamação crônica na próstata, artrose nos joelhos e uma catarata, agravada por uma enfermidade nas pálpebras.

Sem filhos, resiste com dificuldade, sem seguro de saúde.

Recentemente, recebeu a solidariedade de jovens do site "Loucos por ti" e de membros de uma comunidade corinthiana do Orkut.

"Nossa mobilização, levantou fundos para auxiliar na compra de alguns desses remédios", informa Janaína Barioni, uma das participantes do grupo.

"Antes, confeccionamos uma placa comemorativa que resgata o valor desse ídolo de várias gerações".

Meses atrás, Idário encontrou-se com o atual presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que lhe prometeu auxílio.

 Depois disso, entretanto, a muralha de secretárias e assessores impediu um novo contato.

"Ligamos muitas vezes, mas nada conseguimos falar com ele", lamenta Dona Natividade.

Vale lembrar que o patrocinador do Corinthians é a Medial Saúde, uma das principais empresas de saúde privada do país.

 Fica, portanto, novamente a pergunta: o que deve um grande clube a um realizador de sonhos?

*Walter Falceta é jornalista e corintiano, melhor dizendo, é corintiano e jornalista.

Por Juca Kfouri às 15h15

O Náutico inocente e o Vasco livre

A justiça esportiva, enfim, inocentou o Náutico pelos episódios nos Aflitos no jogo contra o Botafogo.

Fez-se justiça embora tardiamente e de maneira falha.

Porque se o Náutico livrou-se da perda de mando do dois jogos, o fato é que já jogou duas vezes fora de seu estádio e, numa delas, contra o Vasco, apenas empatou, coisa improvável no seu campo.

E dois pontos podem fazer muita falta ao fim do campeonato.

Mas por falar em Vasco, o clube do Almirante vive hoje um dia histórico.

O dia que deve marcar o fim da ditadura Eurico Miranda, uma catástrofe que quase levou São Januário à bancarrota, embora tenha deixado uma dívida que se anuncia de 250 milhões de reais.

Roberto Dinamite, o maior ídolo da centenária história vascaína, deve ser eleito nesta noite o novo presidente do clube da cruz de malta.

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre o Vasco!

Por Juca Kfouri às 00h46

Do 'Correio Braziliense', de ontem

O país que ainda tem muito a aprender

Por José Cruz
jose.cruz@correioweb.com.br

Ao liberar R$ 85 milhões para a candidatura do Rio de Janeiro a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o presidente Lula protestou, em tom indignado: "Qual é a explicação para que nunca tenhamos tido uma olimpíada na América do Sul? O Brasil não é um paisinho qualquer". E concluiu: "Em qualquer critério que venha a ser analisado, o Brasil se coloca entre os 10 maiores países do mundo".
***
É verdade, não somos mais um "paisinho". Houve progressos expressivos, deve-se reconhecer. Mas é exagero afirmar que estamos entre os 10 do mundo "em qualquer critério". Como disse o poeta, "tudo depende do ângulo com que se mira o cristal". E, então, teremos cores e tonalidades variadas.
***
Já que estamos falando de esportes, vamos mirar a afirmação do presidente Lula sob esse enfoque. No critério olímpico, não estamos entre os 10 do mundo. Aí, a realidade é mais dura. Exemplo batido, mas é preciso citá-lo: há 24 anos o nosso atletismo não ganha uma medalha de ouro olímpica. Esse triste recorde de um quarto de século é de Joaquim Cruz. Nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, chegamos ao último dia de prova dependendo do desempenho de um cavalo para ganhar uma, uma só medalha de ouro. E Baloubet de Rouet empacou.
***
Mais uma virada no cristal e observaremos que não temos política de esportes. Em qualquer "paisinho", socialista ou capitalista, de ontem e de hoje, a atividade física na escola é programa elementar. Não no Brasil, onde faltam equipamentos, instalações e incentivo aos professores, desmotivados pelo abandono da classe nos últimos anos.

E estamos nessa situação mesmo contando com ministérios do Esporte, da Educação e da Saúde. No entanto, que programas integrados de governo temos para nossa juventude, culminando com a identificação de atletas? Olhando o cristal sob esse enfoque, somos, sim, um paisinho.
E não é por falta de dinheiro.
***
Ocorre que o brasileiro desconhece o potencial de seu país e se contenta com pouco. Um pódio olímpico é motivo para festa espetacular. Como se fôssemos os melhores, imbatíveis. Uma medalha na natação é manchete nacional e festa que dura uma semana. E estamos falando de um "paisinho" de 33 milhões de crianças matriculadas em escolas públicas...

Mas não sabemos como encaminhá-las para explorar os potenciais, seja no esporte, nas artes, enfim. Isso porque falta aos ocupantes do Ministério do Esporte compromissos com o setor. São políticos de passagens transitórias pela Esplanada. Logo, suas prioridades são outras, como a própria projeção de seus partidos.

Enquanto isso ...

.... quando se tem alguma iniciativa para tentar fazer um mínimo com o dinheiro disponível, a corrupção aparece em primeiro lugar. Nesse ponto, sim, estamos entre os 10 países do mundo. Mas esse, sabe-se, é o pódio da vergonha.

Querem ver? Há muito tempo a imprensa vem denunciado que o projeto Segundo Tempo, destinado a manter as crianças na escola por mais um turno, é uma enorme farsa. Provas disso não faltam.

A mais recente é um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que está dando dor de cabeça enorme a técnicos do Ministério do Esporte para tentar explicar onde foi parar o dinheiro que não chegou ao destino.

O relatório é sobre auditorias em instituições do Rio de Janeiro que recebem verba do Segundo Tempo. Os dados que ali constam são de arrepiar. Lá pelas tantas, diz que o Ministério do Esporte destinou à ONG Viva Rio recursos para atender 50.248 crianças. No entanto, só encontraram 34 mil crianças cadastradas. Que fim levaram os recursos que atenderiam 16.248 crianças?

Os auditores também constataram que foram pagas despesas por serviços não realizados, além de convênios com instituições que não tinham estrutura mínima para desenvolver o Segundo Tempo.

Em outro convênio, pagou-se R$ 60 mil por material esportivo adquirido de uma empresa — acreditem — fornecedora de alimentos. Pior: pagou-se e os tênis não foram entregues. Em que categoria o presidente Lula enquadraria o nosso Brasil diante dessa evidência de corrupção.

 

Por Juca Kfouri às 00h36

26/06/2008

Globo e Corinthians: tudo a ver

Dentre os comentários recebidos sobre a nota anterior, alguns fazem sentido, outros nem tanto, alguns nenhum.

Os que fazem: de fato, esqueci de mencionar a audiência da Band no domingo com o jogo entre Vasco e Palmeiras.

Deu 2 pontos que, somados aos 16 da Globo, estão bem acima da metade dos 28,5 atingidos por Corinthians x Bragantino.

Os que nem tanto: aqueles que não entenderam que o texto da Máquina do Esporte compara apenas audiências das quartas-feiras.

Os que nenhum: os que acham que eu concordo ou deixo de concordar.

Apenas constato e entendo que, para a Globo, valem as leis do mercado, que consideram o futebol como entretenimento e sua transmissão como tal, não como evento jornalístico.

Tanto que, é óbvio, o jornalismo da Globo deu todo o espaço devido à Libertadores a quase nenhum ao jogo de Ribeirão Preto.

Eu, como a maioria que comentou no blog, vi o jogo do Flu, no Sportv, e acompanhei de esguelha o jogo do meu time.

Mas a maioria dos telespectadores da Globo, em São Paulo, prefere ver o jogo do Corinthians, coisa que a Globo sabe, por mais que nós não gostemos.

E quando, por exemplo, a Globo transmitiu Grêmio e Boca Juniors para São Paulo, e Boca Juniors não é LDU, nem deu os 26 pontos de Corinthians e Bragantino.

Mas que fiquem todos calmos: na quarta que vem, último jogo, no Maracanã, dramático, veremos o Flu.

E mais calmos ainda fiquem aqueles que acham que defendi a Globo porque trabalho na CBN.

Que saibam que, na CBN, vivo criticando o futebol às 10h da noite e o fato de a Globo Esporte ser contra o campeonato de pontos corridos.

Minhas opiniões, certas ou erradas, não dependem da opinião de mais ninguém.

Finalmente, outra constatação: em matéria de torcida, tanto a massa do Flamengo quanto a do Corinthians vivem dando goleadas.

De audiência na tevê, inclusive.

Por Juca Kfouri às 21h59

Goleada da Fiel

Os números preliminares do Ibope indicam que a Globo teve média de 26 pontos ontem com a transmissão do jogo do Corinthians em São Paulo.

A Rede TV! teve 2,5 pontos.

Dá quase o dobro dos 16 pontos de média alcançados no último domingo com a transmissão de Vasco x Palmeiras.

Quanto teria obtido a transmissão do jogo do Fluminense?

Por Juca Kfouri às 11h13

Só o segundo tempo salvou

O primeiro tempo do Fluminense envergonhou todas as gerações de tricolores desde 1902.

Porque o time apenas esteve em campo em Quito, mas para ver a LDU jogar.

Que jogou como quis e foi fazendo gols como se enfrentasse um timinho qualquer, a ponto de acabar o primeiro tempo com 4 a 1 no marcador.

O gol brasileiro surgiu de uma falta brilhantemente cobrada pelo argentino Conca, aos 11, cinco minutos depois de Washington ter perdido um gol imperdível.

E foi tudo de perigoso que o Flu fez.

Gols tomou para todos os gostos.

Logo no primeiro minuto, Guerrón cruzou e Bieler se antecipou a Thiago Silva para fazer 1 a 0.

Aos 27, Guerrón pegou o rebote de bela defesa de Fernando Henrique e fez 2 a 1.

Aí, virou festa.

Mais cinco minutos, escanteio pela esquerda, Campos sobe na primeira trave e desvia para o 3 a 1.

E, aos 45, escanteio pela direita, Washington desvia na primeira trave de presente para Urrutia na segunda: 4 a 1.

Parecia tudo irremediavelmente perdido.

Menos mal que logo aos 5 do segundo tempo, Thiago Neves diminuiu de cabeça, em bela antecipação à zaga equatoriana, depois de cruzamento de Gabriel.

O jogo, ao menos, ficou equilibrado, embora esquisito, sem cara de decisão de Libertadores.

Aos 25, Renato Gaúcho tirou Washington, nulo, e pôs Dodô.

E, aos 42, quem sabe, o lance que pode dar o sonhado título ao Flu: Fernando Henrique fez defesa parcial, a bola foi ao travessão e voltou para ele.

O 5 a 2 seria quase impossível de ser virado.

O 4 a 2 não é. 

Na sondagem do blog, de 9100 opiniões, 44.97% apontaram a LDU como vencedora do jogo de hoje, contra 43.92% pró Flu e 11.11% para o empate.

Por Juca Kfouri às 23h51

Não Pará, não Pará...o Timão é 83%

O primeiro tempo foi duro, muito duro de ver e sem gols entre Bragantino e Corinthians para pouca gente em Ribeirão Preto.

No segundo, Pará fez 1 a 0 para o Bragantino, em cobrança de falta com falha de Julio César, aos 7. 

Aos 22, Moradei foi expulso com excesso de rigor por reclamação e deixou o Braga com 10.

No lance seguinte, Acosta sofreu pênalti e Chicão empatou.

11 contra 10, a vitória corintiana parecia questão de tempo.

Mas só parecia, porque o gol não saiu e o Corinthians empatou de novo sem jogar bem, ao que parece por sentir os efeitos da perda da Copa do Brasil.

Segue invicto, mas a Fiel lamentou, porque o time deu uma parada, graças ao gol de Pará.

Soma agora 20 pontos em 24 disputados, quatro adiante do Avaí, o vice-líder.

Por Juca Kfouri às 23h42

25/06/2008

Absurdo! O que teme o CRM?

Jornal da Tarde é censurado

Liminar concedida ontem impediu a publicação de reportagem sobre supostas irregularidades cometidas no Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Juristas e representantes de entidades de classe consideraram a decisão censura prévia

FELIPE GRANDIN, felipe.grandin@grupoestado.com.br

Passados quase 40 anos da adoção do AI-5, que marcou o início do período mais duro do regime militar, o Jornal da Tarde volta a ser vítima de um ato de censura. Liminar concedida ontem pelo juiz-substituto Ricardo Geraldo Rezende Silveira, da 10ª Vara Federal Cível de São Paulo, proibiu a publicação de reportagem sobre supostas irregularidades cometidas pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) - que estão sendo apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A liminar foi entregue ontem às 20h na redação do JT por Cláudia Costa, advogada do Cremesp. Sua autenticidade foi confirmada pela Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça. O juiz não foi encontrado para comentar a decisão.

A reportagem estava apurando as denúncias quando foi surpreendida pela liminar. Primeiro, foi avisada por telefone pela assessoria de imprensa do órgão e, depois, a cópia do documento foi entregue pessoalmente pela advogada.

Ontem à tarde, em entrevista, o presidente do Cremesp, Henrique Carlos Gonçalves, insinuou que poderia processar o JT, caso as denúncias fossem publicadas. “Qualquer divulgação (...) que venha a macular a imagem da instituição, evidentemente, o difamador nós vamos processar e quem, evidentemente, fizer a propalação desta difamação. Com processo civil e com processo-crime.” E justificou: “Não é nada pessoal. É uma instituição pública que tem que manter esse status.”

Horas depois, chegou o parecer do juiz. Silveira decidiu atender o pedido do Cremesp (veja ao lado). A alegação do órgão era de que “as supostas irregularidades não se sustentam” e que havia “intuito político da reportagem, ante o processo eleitoral em que se encontra a autarquia”. A eleição da nova diretoria do conselho será em agosto.

O magistrado ainda intimou o Grupo Estado, do qual o JT faz parte, a “prestar esclarecimentos” no prazo de 72 horas. E suspendeu a publicação da reportagem “até ulterior determinação deste Juízo”.

Repercussão

“Teria que prestar esclarecimentos sobre o quê? Sobre o que vai publicar? Sobre a intenção? Isso é censura”, disse o jurista Dalmo Dallari, professor catedrático da USP. “Ele está se baseando em suposições. Não há nenhum dado objetivo que dê fundamento a essa decisão.”

“A Constituição Federal, no artigo 220, proíbe a censura e especialmente a censura prévia”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo. “O grande inimigo da imprensa hoje é o Poder Judiciário, que, em decisões de juízes despreparados e com vocação totalitária, cerceia a liberdade de expressão e os direitos estabelecidos.”

Para a Federação Nacional dos Jornalistas, o ato é antidemocrática. “Lutamos muito pelo fim da censura, mas infelizmente isso tem se tornado freqüente”, disse o presidente do órgão, Sérgio Murillo de Andrade. Ele diz que o Conselho pode procurar a Justiça se informação inverídica for publicada. “O jornal é impedido de fazer o seu trabalho, o maior prejudicado é o cidadão.”

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) condenou a decisão judicial. “A Justiça nunca deveria proceder dessa forma.Não podemos ter jornais censurados vivendo em uma democracia”, afirmou Plínio Bortolotti, diretor da Abraji para assuntos de liberdade de imprensa. “A Abraji defende o direito que qualquer pessoa tem de entrar na Justiça ao se sentir ofendida com um conteúdo publicado. Mas, nesse caso, a matéria sequer tinha sido publicada.”

O Sindicato dos Jornalistas do Estado reconhece que os mecanismos judiciais fazem parte da democracia, mas não devem ser usados em favor da censura. “Todo cidadão tem direito de recorrer à Justiça, mas quando tentam usar isso de modo escuso é condenável”, afirmou José Augusto Camargo, presidente do Sindicato.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) também condenou a atitude do Cremesp e do juiz. “O abuso é punido a posteriori. Jamais previamente, antes de expressado o pensamento”, diz o presidente da OAB, Cézar Britto. “A prática da censura prévia tem sido noticiada constantemente, o que deve acender o sinal de alerta da democracia.”

Por Juca Kfouri às 10h04

30 anos da Copa na Argentina

Por SERGIO LEVINSKY*

Pasaron ya treinta años de aquel Mundial 1978 que le tocó organizar a la Argentina, y el ejercicio de la memoria para todos aquellos que hemos vivido en el país en esos días negros nos debe permitir reflexionar desde aquel contexto de muerte y censura que nos envolvía, para comprender que acaso junto a los Juegos Olímpicos de 1936, en el Berlín nazi de Adolf Hitler, fue el mayor intento de manipulación social que se conozca a partir de un hecho deportivo.

La dictadura militar que asoló al país entre 1976 y 1983, desde el mismo 24 de marzo del nefasto golpe al gobierno de María Estela Martínez de Perón, supo desde el primer instante que el fútbol ocuparía un lugar fundamental en el devenir de los años con su poder, porque su manipulación la ayudaría a perdurar y para poder cometer la masacre más grande que se recuerde entre argentinos, con un saldo de 30.000 desaparecidos, y 42.000 millones de dólares de una deuda externa que cuando asumió, apenas si estaba en los 8000.

Así fue que en medio de las marchas militares en la cadena nacional, se pudo ver el partido amistoso que la selección argentina jugaría en Chorzow, Polonia, ante el equipo local, por el Canal 7, o que también la primera reunión militar tuvo un duro debate entre la Marina y el Ejército para determinar cuál de las fuerzas se quedaría con el fútbol.

Al cabo, la Marina consolidaría su poder, quedándose con el correr de los meses con el Ente Autárquico Mundial 78 (EAM 78), una vez que fuera asesinado el general (elegido en tiempos democráticos) Omar Actis, cuando el dictador Jorge Rafael Videla intentó desviar como un crimen cometido por los Montoneros cuando está comprobado que fue un hecho provocado por la interna de ambas fuerzas armadas. En el libro que lleva como sugestivo título "Almirante Lacoste, ¿quién mató al general Actis?", Eugenio Méndez demuestra cómo el procedimiento de ese asesinato no tenía ninguna relación con la guerrilla urbana.

A partir de ese momento, y ya con el ex contraalmirante Lacoste en el poder del EAM 78 como vicepresidente detrás del general Antonio Merlo, comenzó a fraguarse lo más duro de la organización del Mundial 78, y hasta varios testigos indican que la nueva conducción de la AFA, con Alfredo Cantilo como mandatario, fue "sugerida" a punta de pistola, y con todos los dirigentes levantando la mano sin chistar.

Ese Mundial se jugó con tantas irregularidades deportivas y políticas, que este artículo no alcanzaría a contar ni si tuviera el espacio de todo el periódico de hoy, pero de sólo pensar que a escasas cuadras del estadio Monumental, en el que los hinchas argentinos festejaban cada gol de la selección de César Luis Menotti, se torturaba gente en la Escuela Mecánica de la Armada (ESMA) ya eso solo significaba un escándalo internacional, aunque todo estuvo tapado por la censura mediática y los argentinos no tuvieron acceso a la información veraz de lo que ocurría, aunque en el exterior tanto argentinos como extranjeros intentaron organizar distintas acciones que en el país fueron tachadas de "campaña antiargentina".
Desde jugadores de importantes seleccionados que se negaron a venir al país y los que intentaron acercarse a las Madres de Plaza de Mayo (como el arquero sueco Hellstrom), desde recomendaciones de embajadas en la Argentina para que periodistas de muchos países no asistieran, hasta aquellos cronistas que tenían que escribir sus notas en códigos (por ejemplo, este periodista pudo dialogar en Ámsterdam con un enviado al Mundial que justamente trabajó en Mendoza y que para pasar la censura colocaba nombres de jugadores holandeses para referirse a Videla, Massera, Agosti o Lacoste), hasta rumores de doping y de partidos arreglados, y hasta un atentado en la casa de Juan Alemann, economista conservador, pero crítico de la organización del Mundial, justo con el cuarto gol de Argentina a Perú, todo fue irregular, y todo da para seguir intentando investigar los hechos, no dejarlos pasar.

La aparición de un nuevo libro en Colombia ("El hijo del ajedrecista II", de Fernando Rodríguez Mondragón), que revela cómo se habría comprado el partido ante Perú por parte de miembros del EAM 78 en una reunión en Colombia, el propio ingreso de Videla al vestuario peruano en Rosario antes de ese partido decisivo, son otros condimentos, como el que una vez contó también a este cronista el notable periodista, ya fallecido, José María Suárez, "Walter Clos". Un día en la esquina de la AFA, Suárez tomaba café con un ex dirigente de San Lorenzo, y al preguntarle con sorna "para cuándo el monumento a los campeones del mundo", aquél respondió indignado: "ah, si, ¿y a nosotros, qué? ¿o quiénes cambiaban los frasquitos del antidoping?".

Pero más allá de preguntas sin respuestas en el terreno deportivo, el Mundial 78 y su enorme manipulación sirvió para que la dictadura continuara, para transmitir al exterior imágenes de un país "alegre" y que nada parecía saber ni ocurrir en cuanto a violaciones de Derechos Humanos. Por ese tiempo, según aquel slogan, fuimos derechos y humanos, mientras, desesperados, cientos de miles de familiares buscaban a sus seres queridos, no sólo sin poder encontrarlos, sino que aquellos que debían darles respuestas eran los mismos que se los habían llevado. Como bien caracterizó Eduardo Luis Duhalde, secretario de Derechos Humanos del actual gobierno, se trató del "Estado terrorista argentino".

Fue cuando la pelota se lo tragó todo, como dice León Gieco en su sabia canción sobre la memoria.

Pasaron 30 años, y más allá de aquella gran final en la que la selección argentina levantó la Copa del Mundo por primera vez, con los asesinos levantando el pulgar en un palco ensangrentado, y a un muy buen equipo que no por eso dejó de desplegar un gran fútbol, quedan muchísimos temas para seguir reflexionando, analizando e investigando, para que todo lo que allí ocurrió no quede impune.

http://sergiol-nimasnimenos.blogspot.com/

*Sergio Levinsky é jornalista e sociólogo argentino.

Por Juca Kfouri às 09h48

A professora morreu

Em casa, do seu jeito, sem alarde.

Dona Ruth morreu.

Não foi cedo, não foi tarde.

Foi primeira-dama sem querer.

E dela fui aluno, sem merecer.

Porque a devota era ela e o maroto, eu.

Sei que hoje, há pouco, a professora morreu.

Notícia que, neste mau aluno, doeu.

Bastante.

Por Juca Kfouri às 23h16

24/06/2008

Vai tricolor, vai que a América quer ser sua

O Fluminense jogará nesta quarta-feira, às 21h50, em Quito, no Equador, contra a LDU, a segunda partida mais importante de sua vida.

A primeira, a mais importante, jogará na quarta-feira que vem, no Rio de Janeiro, no Maracanã, contra a mesma LDU.

Hoje o Fluminense jogará a primeira partida decisiva da Taça Libertadores da América, troféu que jamais conquistou.

E esta primeira partida decisiva é sim a segunda mais importante de sua história centenária.

A segunda partida, no Rio, claro, será a mais importante, porque a que tudo resolverá.

Hoje, um empate é ótimo resultado na altitude de 2850 metros de Quito, uma derrota por um gol não será de todo mau e uma vitória será quase a glória.

O Fluminense já jogou em Quito nesta Libertadores, contra esta mesma LDU, e empatou 0 a 0.

O tricolor estará completo e é mais time que a LDU.

E contará com o apoio de Nelson Rodrigues direto do inferno, (sim, é óbvio que ele preferiu a companhia do diabo), do Papa João de Deus direto do céu e de Chico Buarque de Hollanda direto da Terra.

É apoio demais para não dar certo.

Por Juca Kfouri às 22h48

Sobre os comentários da nota 'Massa exige!'

Não me culpem se cada um entende o que quer e não o que está escrito.

Dei apenas sinal de vida, sem nenhum mau humor, lembrei o que é um blog, e expliquei por que pouco ou quase nada falo de automobilismo e, de quebra, de boxe.

Não considero que entrar numa banheira com combustível seja um esporte por mais que saiba da necessidade de preparo físico dos pilotos e não considero que uma atividade que tem como objetivo derrubar o oponente, e que mata milhões de neurônios por disputa, seja esporte.

O que não significa que não respeite os que gostam.

Ou que até tenha ídolos entre seus praticantes, porque o ser humano é mesmo contraditório.

Ou, ainda mais, que alguns dos melhores livros que li e filmes que vi tiveram ou um ou outro como objeto.

E, lembremos, existem blogs a respeito tanto de automobilismo como de boxe, de ótima qualidade, diga-se.

Tão simples como isso.

Agora, se tem gente com o fígado ruim, é problema de quem está com o fígado ruim e de suas projeções.

Não deste modesto blogueiro.

Por Juca Kfouri às 18h53

Desperdício!

Por ALBERTO MURRAY NETO

O Presidente Lula, ao despejar R$ 85 milhões nos cofres da campanha olímpica Rio 2.016, declarou que "acabou o tempo de dizer que somos pobrezinhos, que temos favela, que temos crianças de rua. Isso mobiliza ONGs, mas não decisão de Estado."

O que mais me causa estupefação, é ouvir isso justamente de quem.

Sou um Olímpico, por essência.

E justamente por isso, sou da opinião de que se essa dinheirama toda fosse empregada na melhoria da vida das tais criancinhas pobres, de rua, dos favelados pobrezinhos, dando-lhes condições mais favoráveis, inclusive acesso ao esporte, o Brasil estaria melhor servido.

Sou diretor de uma ONG que promove o Movimento Olímpico, a qual, posso garantir, fica, sim, muito mobilizada com a miséria do Brasil, inclusive no campo esportivo.

Alberto Murray Neto, Advogado, Diretor da ONG Sylvio de Magalhães Padilha (www.symap.org), Árbitro da Corte Arbitral do Sport, em Lausanne e membro da Assembléia Geral do Comitê Olímpico Brasileiro.

Por Juca Kfouri às 13h13

23/06/2008

Com discurso do "fico", Dunga permite ser fritado

Por Juca Kfouri às 20h07

Massa exige

Olá, boa tarde!

Daqui a pouco, exatamente às 15h, estarei no bate-papo de todas as segundas-feiras no UOL.

E passei por aqui só para lembrar os que estão cobrando alguma nota sobre a façanha de Felipe Massa, o primeiro brasileiro em primeiro lugar na F-1 desde 1993.

Volto a lembrar que o blog é algo absolutamente pessoal, não tem obrigação alguma de falar de tudo.

E volto a lembrar que, errado ou certo, este blogueiro não considera nem automobilismo nem boxe como esportes, embora tenha sido fã de Éder Jofre e de Muhammad Ali, assim como acordou cedo nos domingos dos anos 70/80 e 90 para torcer por Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna.

Quando  Massa for campeão mundial, prometo, o homenagearei devidamente.

Por Juca Kfouri às 13h41

22/06/2008

A história se repete

Na Copa do Brasil de 1996, no Olímpico, o Grêmio ganhou do Atlético Paranaense por 3 a 0, como hoje.

Como hoje, os três gols foram de pênalti.

Todos cobrados por Adílson, hoje técnico do Cruzeiro.

As informações são do pesquisador e ombusdman deste blog, Conrado Giacomini.

Por Juca Kfouri às 21h30

Balanço da sétima rodada do Brasileirão

Não foi uma jornada gloriosa, esta sétima rodada do Brasileirão.

Mas teve lá sua graça.

Gols foram poucos, só 27 em 10 partidas.

O público também deixou a desejar, 110.060 pagantes, média de 11.006.

O maior público, como tem sido habitual, foi o do Olímpico, com 21.438 torcedores que pagaram.

O pior foi na Vila Belmiro, apenas 3.848 pessoas.

Mas houve lá suas compensações.

Por exemplo: nenhum empate e quatro vitórias dos visitantes Goiás, Palmeiras, Flamengo e Portuguesa.

Flamengo, Grêmio e Cruzeiro têm 16 pontos e lideram.

O Náutico, com 14, completa o G-4.

Curiosamente, quatro times estão a, no máximo, três pontos do Náutico: Palmeiras a um, São Paulo a dois, Vitória e Lusa a três.

Já no grupo dos rebaixados encontramos o Fluminense, Santos, Ipatinga e Goiás.

E oito clubes estão, no máximo, a três pontos do primeiro dos últimos: Botafogo e Inter a um, Atlético Paranaense, Vasco, Sport e Figueirense a dois, Coritiba e Atlético Mineiro a três.

Mas, calma: não chegamos nem à metade do primeiro turno, coisa que só acontecerá daqui a duas rodadas.

Por Juca Kfouri às 21h24

Grê-Go-Nau!

No primeiro tempo, o árbitro marcou um pênalti que raramente se marca, mas que aconteceu.

E Roger fez 1 a 0 para o Grêmio, no Olímpico.

No segundo tempo, quando o Atlético Paranaense já jogava com 10 jogadores, Roger forçou um pênalti e o árbitro caiu na dele.

Depois, houve mais um, que Roger, com paradinha, também converteu.

E o Grêmio segue nas cabeças, entusiasmado, é claro, e com razão.

Como o Náutico, que mesmo fora dos Aflitos, no campo do Santa Cruz, passou pelo Galo, 2 a 1, depois de sair na frente, tomar o empate e, com muita luta, vencer, com justiça.

Finalmente, Santos e Goiás, na Vila.

Goiás 4, Santos 0.

Hélio dos Anjos caiu do céu para o Goiás e Romerito gastou a bola.

Dois gols foram de pênalti, o último deles uma forçada de barra.

Mas enquanto Grêmio e Náutico estão nas alturas, Goiás e Santos estão nas catacumbas.

Por Juca Kfouri às 20h07

E a Itália não foi a Itália! Arriba, Espanha!

 

A Espanha dominou o jogo e a Itália nem ligou muito.

Porque perigo mesmo a Espanha não levou, a não ser num lance em que o árbitro poderia ter marcado pênalti para os espanhóis.

Buffon até trabalhou mais do que Casillas, mas foram do goleiro espanhol as defesas mais difíceis dos 120 minutos de jogo, porque o 0 a 0 do tempo normal levou à prorrogação.

E aos pênaltis, como a Itália parecia querer, tamanha sua falta de pressa durante toda a partida.

Debaixo das traves, os dois capitães, Buffon e Casillas.

E no segundo pênalti italiano, 2 a 1 para a Espanha, De Rossi bateu e o espanhol pegou.

No quarto, 3 a 2 para a Espanha, o italiano pegou, mas o espanhol também!

E a Espanha venceu por 4 a 2, com a cobrança de Fabregas.

Deu Espanha e Rússia na semifinal que todos esperavam ser entre Holanda e Itália.

Por Juca Kfouri às 18h21

Palmeiras + Flamengo= Vitória

Admito que não queria deixar de ver com 100% de atenção o jogo entre Espanha e Itália para ver Vasco e Palmeiras.

Mas admito, também, que não fiquei frustrado.

Principalmente pelos lépidos primeiros minutos do Vasco, só paralisados depois que Diego Souza obrigou Roberto a fazer grande defesa, numa cabeçada que ainda foi à trave carioca.

O jogo, então, ficou mais equilibrado, e um cruzamento perfeito de Élder Granja encontrou a cabeça do artilheiro Alex Mineiro e o gol palmeirense foi inevitável, aos 36.

O Vasco voltou disposto a empatar e fez Marcos trabalhar bastante, enquanto o Palmeiras tentava cozinhar a pressão e ameaçar em contra-ataques.

E foi assim que, aos 30, Kléber fez belíssimo gol, para matar a partida em São Januário, depois de driblar para lá e para cá com bem entendeu.

O árbitro Carlos Simon errou duas vezes, no começo do primeiro e no começo do segundo tempos: ao não expulsar o vascaíno Vinicius e o palmeirense Leandro, por jogadas violentas contra Élder Granja e Pablo.

O Palmeiras, até com salários atrasados, é candidatíssimo.

Enquanto o Vasco perdeu a primeira em casa, o Palmeiras ganhou a primeira fora.

Enquanto isso, o líder Flamengo passava pelo Ipatinga (3 a 1), com gols de Juan, Ibson e Kleberson , no segundo tempo, em Ipatinga, e o Inter perdia mais uma vez, agora para o Vitória, por 2 a 1, no Barradão, na campanha mais decepcionante deste Brasileirão porque a do Flu, ao menos, tem uma compensação.

Por Juca Kfouri às 17h58

Carta de um jovem, e revoltado, torcedor do Flu

Caro Leitor,

Não sei a quem esse e-mail chegará, mas valerá como o desabafo de um torcedor fanático.

Sou novo, é verdade, mas nos meus 17 anos aprendi a amar o Fluminense, e sempre sonhei em, um dia chegar aos pedestais já alcançados por São Paulo, Internacional, Flamengo...

Esse dia sempre pareceu longe, tão longe quanto eu estava, morando em Roma, na Itália.

Mas no dia 6 de junho de 2007 tudo mudou.

Estava pendurando uma bandeira do Flu na janela de casa, para a final da Copa do Brasil quando vejo passar na minha rua um grupo de brasileiros, vestidos à caráter com a camisa do clube.

Só ali é que realizei o que era estar na final de uma competição nacional.

Por causa do fuso de 5 horas a mais, tinha que acordar às 3 da manhã de quinta feira para poder ouvir as partidas pelo radio, algo que fazia com muito prazer, mesmo que contrariasse meu pai.

Agora voltei para a nossa "mui amada" pátria, só que infelizmente não pensei que os ingressos para a finalíssima da Libertadores fossem ser vendidos tão cedo, e marquei meu avião para chegar ao Rio sábado à tarde.

Quando soube, ingenuamente pedi para a minha tia que tentasse comprar os ingressos, já que provavelmente não estariam mais disponíveis no domingo.

Ela aceitou, e foi para a fila às 7h da manhã para tentar comprar, e ficou 4 horas na fila antes de desistir e voltar para casa.

Agradeço a Deus por isso, pois ela estava bem perto de onde ocorreu a confusão, e se algo acontecesse não me perdoaria jamais.

A situação de meu primo foi ainda pior, pois quase foi atingido por policias, se é que se pode chamar de protetor da ordem quem bate indiscriminadamente em mulheres idosos e crianças, e ele, que estava na fila desde às 5 da manhã, também saiu sem ingressos.

E é aqui que entra a minha indignação, porque até aceito ficar sem ir ao estádio, mas não aceito de jeito nenhum, que minha família arrisque a saúde, pela incompetência, para não dizer corrupção, de cartolas brasileiros.

Os ingressos acabaram em quatro horas, segundo informações oficiais, em todos os postos de venda, mas se considerarmos os cinco postos e os 60.000 ingressos, seriam 12.000 ingressos por posto, que divididos por 240 minutos (4 horas) seria como se os caixas dos 5 postos vendessem 50 ingressos por minuto, e como existe o limite de 2 ingressos por pessoa, seriam 25 pessoas por minuto, quase uma pessoa a cada 2 segundos....

Isso eu acho um absurdo, e ainda mais por querer ser jornalista esportivo em um futuro não tão distante (assim espero), me sinto obrigado a deixar por escrito essa palhaçada!

Desculpem-me se me alonguei demais, mas um desabafo não deve ter limite de linhas.

Pedro Lucas Rocha Cabral de Vasconcellos

Por Juca Kfouri às 14h34

Pró-Memória. Deu na 'Veja', de 5/12/2001

 

Máquina de fraudes

Documentos indicam que cartola
lavava dinheiro e usava recursos da CBF

Alexandre Oltramari

 

OPERAÇÃO LIECHTENSTEIN
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, usou uma empresa de fachada, a R.L.J. Participações, com sede no Rio de Janeiro, para esquentar dinheiro ilícito vindo de um paraíso fiscal, o principado de Liechtenstein. A operação foi assim: em julho de 2000, a R.L.J. registrou em seu balanço uma dívida de 2,9 milhões de reais com a Sanud Etablissement, de Liechtenstein (no alto). Documento sigiloso do Banco Central de 1º de novembro passado, ao qual VEJA teve acesso, indica que, nos últimos seis anos, a R.L.J. não recebeu empréstimo da Sanud e, nesse mesmo período, não mandou um único centavo a Liechtenstein a título de pagamento. Além disso, no ano passado, a Sanud já não existia havia dezenove meses. Seu fechamento, que não poderia ocorrer sem a quitação de todos os seus créditos, inclusive os 2,9 milhões de reais de Ricardo Teixeira, está documentado em correspondência do Coaf, órgão brasileiro de fiscalização financeira .


Ricardo Teixeira, o maior cartola do futebol brasileiro, é um homem visado. Dele, já se falou de tudo. Já se disse que teria amealhado um patrimônio pessoal considerável e que, entre outras peripécias, teria desviado para o próprio bolso dinheiro da entidade que preside há uma década, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a mais alta entidade do futebol nacional. Também já se especulou que Ricardo Teixeira usaria suas empresas no Brasil para lavar dinheiro ilícito vindo de paraísos fiscais. Até agora, tudo isso tinha ficado no território da suspeita – ou, pior, da acusação sem provas. Nas últimas semanas, porém, VEJA teve acesso exclusivo a um conjunto de documentos cuja leitura indica que tudo o que se disse acima é verdade. Com um patrimônio pessoal declarado superior a 5 milhões de reais, Ricardo Teixeira tornou-se íntimo dos cofres da CBF. Usou dinheiro da entidade para pagar pelo menos 82.000 reais a dois advogados que defendiam suas causas pessoais, e não as da CBF. Por meio de uma empresa no Brasil, o cartola recebeu pelo menos 4,9 milhões de reais, de origem desconhecida. Mais da metade desse dinheiro saiu do principado de Liechtenstein, um dos mais fechados paraísos fiscais da Europa.

Ricardo Teixeira diz que nunca desviou um centavo da CBF nem lavou dinheiro sujo. Os documentos obtidos por VEJA contam uma história diferente. Em dezembro de 1992, a principal empresa de Ricardo Teixeira, a R.L.J. Participações, resolveu associar-se à Sanud Etablissement, uma firma com sede em Liechtenstein. Pelos termos do contrato, a Sanud deveria integralizar suas cotas, no valor de 850.000 reais, até julho de 1993. Desde então, em razão da tal sociedade, Teixeira recebeu vários repasses de dinheiro. Até o ano passado, as transferências somavam 2,9 milhões de reais. Mas era tudo fachada, descobriu-se agora. As cotas nunca foram integralizadas pela Sanud, de modo que a sociedade jamais se materializou. Se a sociedade não foi firmada, por que a Sanud mandava dinheiro a Ricardo Teixeira? Diz a contabilidade da R.L.J. que os valores decorriam de "empréstimos" tomados da Sanud. A empresa do cartola poderia ter feito empréstimos, mas há um problema: examinando-se os balanços da R.L.J, constata-se que nos últimos seis anos a empresa não pagou um centavo do "empréstimo", nem um tostãozinho de juro, e não foi cobrada por isso.

 

NO PRÓPRIO BOLSO
Há suspeitas de que Ricardo Teixeira tenha desviado recursos da CBF para uso pessoal. Na correspondência acima, o advogado Leonardo Orsini de Castro Amarante pede ao diretor do departamento jurídico da CBF documentos sobre um inquérito que apura denúncia de contrabando contra a empresa El Turf, de propriedade de Ricardo Teixeira. O rabisco manuscrito, na base do ofício, manda que o departamento financeiro da CBF faça o pagamento ao advogado, ainda que a causa fosse de interesse exclusivamente pessoal de Ricardo Teixeira. O pagamento, de 12 000 reais, foi feito pela CBF por meio do cheque número 027601, do Banco Real, no dia 29 de maio, seis dias depois da data da carta.


Até esse ponto, pode parecer que Teixeira, usando sua experiência no mercado financeiro, no qual atuou antes de virar cartola do futebol, teve a astúcia de encontrar uma mamata financeira com uma empresa otária de Liechtenstein – que empresta dinheiro a rodo, não cobra juro nem exige pagamento do principal. Mas não. Há quatro meses, o Coaf, órgão do governo brasileiro de fiscalização financeira, interessou-se pelas transações. Investigando o assunto, o Coaf foi informado de que a Sanud se extinguiu em 8 de janeiro de 1999. "Isso não é possível. Eu nunca soube disso", espanta-se o sócio Ricardo Teixeira. Como uma empresa não pode fechar as portas sem antes acertar sua contabilidade, recebendo o que lhe devem e pagando o que deve a terceiros, fica difícil entender como a R.L.J de Teixeira declarou ter uma dívida com a Sanud em sua contabilidade de 2000, quase dois anos depois do fechamento da companhia européia. É mais um sinal de que o tal "empréstimo" tomado pela R.L.J. não passou de invenção contábil. Tem cara de ter sido um negócio feito com recursos do próprio Ricardo Teixeira. "Essa é a clássica forma de lavar dinheiro sujo do exterior, parecida com a Operação Uruguai, feita por Collor", afirma um alto funcionário do governo brasileiro especialista no assunto, que examinou os papéis obtidos por VEJA.

A Operação Liechtenstein de Ricardo Teixeira se repetiu em outra ocasião, só que no Brasil. Em seu balanço de dezembro de 1999, a R.L.J. informa ter tomado um empréstimo de 1,2 milhão de reais de uma tal Acoc Administração e Participação, com sede no Brasil. A transação tem as mesmas características de falcatrua para esquentar dinheiro ilícito. Na contabilidade da Acoc não aparece nenhuma menção ao negócio. No seu balanço de dezembro de 1999, a Acoc informa que tem apenas 200.000 reais de crédito para receber, e não 1,2 milhão. "Eu não tenho dados sobre isso", declara Ricardo Teixeira. Como a R.L.J. diz uma coisa e a Acoc informa outra, a conclusão é inevitável: uma das duas empresas fraudou o balanço. Ganha uma chuteira da Nike quem apostar que a fraude é da R.L.J., pois há outros descalabros contábeis da firma. Num deles, a R.L.J. registra que deve quase 800.000 reais a uma pessoa. O indivíduo em questão é o próprio Ricardo Teixeira. Porém, em sua declaração de imposto de renda não há nenhum vestígio do tal empréstimo.

Uma coisa é certa: no Brasil, em Liechtenstein ou no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, Teixeira tem uma lábia tremenda para descolar um financiamento. Consegue crédito apesar de suas cinco empresas exibirem uma saúde financeira equivalente à de borracharia de deserto. É mais um indício de que os "empréstimos" são, na verdade, lavagem de dinheiro. Alguns exemplos tirados de negócios feitos por empresas pertencentes a Ricardo Teixeira:

Entre 1997 e 1999, a City Port Bar obteve dois empréstimos, no total de 900.000 dólares – um saiu do Brasil mesmo, outro das Ilhas Cayman. No mesmo período, a empresa amargou um prejuízo de 610.000 reais.

Em 1996, a El Turf Bar e Restaurante levantou 2,5 milhões de dólares no Banco Real. Desde 1995, no entanto, a El Turf não sai do vermelho. Em 1999, seu prejuízo acumulado chegava a 4 milhões de reais.

Nos últimos cinco anos, a R.L.J. acumulou prejuízos de 3,1 milhões de reais e sua receita operacional foi zero real. Repita-se: zero real. Mesmo assim, conseguiu os "empréstimos" de 2,9 milhões em Liechtenstein.

Até a Rio Port View One Bar tem crédito na praça. E, nos últimos três anos, sofreu prejuízo de 500.000 reais. Em 1998, faturou zero real. No ano seguinte, melhorou barbaramente: amealhou 38,95 reais. Deu quase 40 reais.

Ricardo Teixeira tem crédito inclusive junto aos cofres da CBF, apesar de ter empurrado a entidade para o vermelho. Condenado a seis anos de prisão por sonegação de impostos, sentença da qual está recorrendo em liberdade, Ricardo Teixeira já contratou advogados para se defender em causas pessoais – mas a conta é espetada na CBF, o que pode valer-lhe a acusação de apropriação indébita. O advogado Leonardo Amarante, por exemplo, recebeu pelo menos 62.000 reais da CBF, por meio de quatro cheques, a título de serviços jurídicos desde 1995. Amarante trabalhou em três processos, mas em nenhum o cliente é a CBF. É sempre Ricardo Teixeira. A advogada Márcia Parente, do Rio de Janeiro, ingressou com um pedido de habeas-corpus em favor de Ricardo Teixeira para evitar que ele fosse preso sob a acusação de sonegar imposto. O processo não tinha nada a ver com a CBF, mas, de novo, quem pagou a conta foi a confederação. Nesse caso, 20.000 reais. "Nunca trabalhei para a CBF. Sempre defendi Ricardo Teixeira", diz a advogada.

 

DESTINO DESCONHECIDO
Sob o comando de Ricardo Teixeira na CBF, houve o sumiço de pelo menos 400 000 dólares. O dinheiro foi comprado pela entidade no Banco Rural, em fevereiro de 1998. Em seguida, foi transferido para uma instituição (a IBJ Schroder) e depois para outra (a Northern), ambas nos Estados Unidos. A transferência, curiosamente, foi comunicada, como mostra o extrato acima, para Renato Tiraboschi, amigo e sócio de Teixeira em vários empreendimentos. Tiraboschi não possui nenhum cargo na CBF e, em tese, não teria razão para ser informado sobre a movimentação financeira da entidade. No mesmo dia em que Tiraboschi é avisado da mudança de endereço dos 400 000 dólares, o dinheiro foi remetido para um banco em Montevidéu, no Uruguai. E sumiu. Na contabilidade da CBF, não há registro da movimentação dos recursos nem informação sobre seu destino final.


Com práticas assim, a CBF vem apresentando sucessivos prejuízos nos últimos anos – mas Ricardo Teixeira e seus amigos estão sempre no lucro. Em 1995, a entidade fechou contrato com uma corretora de câmbio do Rio, a Swap. A corretora, na época, pertencia a dois empresários que, por coincidência, também eram sócios de Teixeira na El Turf. Foi uma festa. Quando a CBF comprava dólares, a Swap vendia-os por cotação superior à do mercado. Quando a CBF precisava vendê-los, a corretora aplicava uma cotação inferior à do mercado. Fazendo-se as contas, descobre-se que o prejuízo da CBF (e o lucro da Swap) chegou a 2,2 milhões de reais até o ano passado, quando o contrato foi rompido. O interessante é que a corretora só era um lobo mau em negócios com a CBF. Quando Ricardo Teixeira fazia transações pessoais, a Swap virava um cordeirinho manso – e brindava o cartola com descontos de até 20% na cotação do dia. Será que, para merecer tal deferência, Teixeira era um cliente mais graúdo que a CBF? Era o contrário: as operações da entidade somaram 127 milhões de reais. As de Ricardo Teixeira não chegaram a 170.000 reais.

O presidente da CBF pode ter tido outros lucros com a Swap. Em 1996, enquanto enchia as burras com operações de câmbio, o empresário Octávio Koeler, um dos donos da corretora e ex-sócio de Teixeira, vendeu uma mansão em Búzios, no litoral do Rio, para uma tal Ameritech Holding, empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, outro paraíso fiscal na história. Vendeu, não. Deu de presente, pois cobrou só 14.500 reais por um casarão num terreno de 1.400 metros quadrados, em ponto nobre do balneário. Um ano depois, a Ameritech vendeu a mansão a Ricardo Teixeira por 500.000 dólares. Durante as transações, a Ameritech foi representada por dois procuradores – um era advogado de Teixeira, o outro era sócio dele. A suspeita, óbvia, é uma só: que a Ameritech seja, na verdade, propriedade de Ricardo Teixeira. Ele jura que não. "Não tenho empresas no exterior", diz. Mas é engraçado: dois anos depois de vender a mansão, a Ameritech descobriu que tinha uma dívida de 18.000 reais em impostos da casa. Sem chiar, Teixeira pagou o débito.

Os amigos de Ricardo Teixeira, mesmo aqueles que não têm nada a ver com a CBF, costumam exibir uma notável intimidade com os negócios da confederação. É o caso do empresário Renato Tiraboschi, que também foi dono da Swap durante a farra dos dólares e sócio do cartola. Em fevereiro de 1998, a CBF despachou 400.000 dólares para os Estados Unidos. O dinheiro caiu na conta de uma instituição financeira, o IBJ Schroder, em Miami. Em tese, seria usado para custear despesas da Seleção Brasileira de Futebol, que estava nos Estados Unidos disputando um torneio, a Copa Ouro. No mesmo dia, sabe-se lá por quê, a CBF decidiu transferir a bolada para outra instituição americana e, dali, para um banco no Uruguai, onde não havia competição nenhuma. Por alguma razão, o IBJ Schroder comunica a transferência a Renato Tiraboschi, que nunca ocupou cargo algum na CBF. "Foram gastos 60.000 dólares, e 340.000 voltaram para o Brasil", garante Ricardo Teixeira, que diz desconhecer que o dinheiro passeou pelo Uruguai. Ocorre que não há registro na contabilidade da CBF sobre o destino final do dinheiro depois da escala uruguaia. "Não sei por que meu nome aparece no extrato", observa Tiraboschi. "Mas, se a transação não está na contabilidade da CBF, aí é estranho mesmo", completa.

Com suspeitas de lavagem de dinheiro e apropriação indébita, além das intrincadas conexões com empresas em paraísos fiscais, Ricardo Teixeira está no olho do furacão. Nesta semana, o Senado deve votar o relatório final da CPI do Futebol, que, atiçada pelo milionário contrato de patrocínio firmado entre a CBF e a Nike, investigou os maiores cartolas brasileiros. O relator da CPI, senador Geraldo Althoff, do PFL de Santa Catarina, dá pistas de que seu relatório, guardado a sete chaves, será duro com Ricardo Teixeira, mas não comenta detalhes. Na semana passada, Althoff limitou-se a dizer que tem recebido muitas pressões, inclusive algumas sibilinas ofertas de suborno, para amenizar o texto do relatório. Na tribuna, o senador Álvaro Dias, presidente da CPI, fez a mesma acusação, mas também não deu detalhes sobre as descobertas da investigação parlamentar. Se a CPI não chegou aos documentos a que VEJA teve acesso, mostrando a folia financeira de Ricardo Teixeira, seu trabalho terá sido de mentirinha. Se chegou, a vida de Ricardo Teixeira nunca mais será igual ao que era até a semana passada.

 

 

 

 

Ff

UM PATRIMÔNIO CONSIDERÁVEL
Entre seus bens, o cartola tem uma casa em Miami (no alto à esq.), outra no Rio de Janeiro (no alto à dir.) e uma terceira em Búzios (acima, à esq.), além de lancha: fortuna de mais de 5 milhões de reais

 

OS MOVIMENTOS DA MALA PRETA

DENÚNCIA À PF
O relator da CPI, Geraldo Althoff: tentativa de suborno

Às vésperas da votação do relatório final da CPI do Futebol, os homens da mala parecem ter-se mobilizado. O relator da CPI, o senador catarinense Geraldo Althoff, foi procurado por um suposto enviado da CBF quando estava na cidade de Tubarão, no interior de Santa Catarina. Foi no domingo passado. Althoff não quis recebê-lo. Em seu lugar, o senador despachou um assessor, que, mais tarde, relatou a proposta que ouviu: que o tal enviado dos cartolas tinha à disposição alguns milhões de reais que poderiam ser generosamente distribuídos entre os senadores da CPI, e Althoff em particular, para ajudar no financiamento da campanha eleitoral do ano que vem. Em suma, uma proposta escancarada de suborno para que o senador amenizasse o conteúdo do relatório da CPI. Indignado, Althoff denunciou o caso à Polícia Federal. São recorrentes as denúncias de que parlamentares são assediados com dinheiro para mudar seu voto. Desta vez, porém, o caso motivou a abertura de investigação pela Polícia Federal.

Até sexta-feira passada, os policiais estavam empenhados em descobrir se o emissário da mala realmente tinha mandado da CBF para fazer seu périplo. Não se tem notícia, até agora, de nenhum senador que tenha sido seduzido pelo balaio financeiro da cartolagem para alterar seu voto. Mas é certo que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não está de braços cruzados. Na semana passada, o cartola esteve em Brasília, onde despachou na sede da confederação até quinta-feira, quando embarcou de volta para o Rio de Janeiro. "Liguei para uns três senadores apenas, para dar minha versão dos fatos", explica o dirigente. O curioso é que Ricardo Teixeira está de licença médica. Por causa disso, não depôs na CPI do Futebol, porque afinal estava doente e não podia deslocar-se a Brasília e até se afastou do comando da confederação de futebol. Ao que parece, Teixeira já se recuperou plenamente de seus problemas de saúde.

Por Juca Kfouri às 14h07

Que noooooooooooojo!!!!!!!!!!!

Encontro entre Pelé e Ricardo Teixeira, no Mineirão:

"Meu presideeeeeeeenteeeeee!", cumprimentou Pelé.

"Meu reeeeeeeeeeeeiiiii!", devolveu o cartola.

Por Juca Kfouri às 13h31

Novos rumos para o Vasco

A oposição ganhou a eleição no Vasco que, sem a presença de Eurico Miranda, transcorreu em paz na sede do Calabouço.

O mais notável neste sábado foi a constatação de que se não há possibilidade de fraude a turma do ex-deputado não aparece.

Bastou ter lá um representante da OAB, urna eletrônica do TRE, policiamento e...Eurico e seus casacas amestrados refugaram.

Mais sintomático, impossível.

Que o Vasco volte a ser dos vascaínos e que os que o exploraram paguem pelo que fizeram.

E que a nova situação não seja mais do mesmo, como no Corinthians, com raras exceções.

Por Juca Kfouri às 23h34

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico