Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

16/08/2008

A polêmica sobre o quadro de medalhas

Toda Olimpíada é a mesma coisa: qual é o melhor critério para dizer quem está na frente no quadro de medalhas?

O número de medalhas de ouro ou o número total de medalhas?

Eu diria, modestamente, que nem um nem outro.

Os chineses, e o mundo, contam pelo número de ouros.

Os americanos estão contando pelo total.

É claro.

Nesta momento tem 27 medalhas de ouro e os americanos 16.

Já no total os Estados Unidos têm 54 contra 47 da China.

Não seria melhor atribuir pesos às medalhas?

Por exemplo: 10 pontos para o ouro, sete para prata e cinco para o bronze.

Aí, os chineses estariam na frente com 396 pontos contra 382.

E o Brasil passaria a Polônia no quadro de medallhas mais aceito, porque com um ouro e quatro bronzes teria 30 pontos contra 17 dos poloneses, com um ouro e uma prata que, no caso, está valendo mais que quatro bronzes.

Não parece correto.

Imagine que um país com 10 bronzes, e apenas 10 bronzes, vencerá um outro que tenha nove ouros, e "apenas" nove ouros.

Faz sentido?

Aliás, se você não estiver fazendo nada nesta noite de sábado, bem que poderia fazer as contas para este blog cujo dono tem muito o que fazer ainda nesta noite que apenas começa em Guanajuato.

Como seria o quadro se fossem atribuídos pontos às medalhas?

Por Juca Kfouri às 22h29

Sua benção, Caymmi!

Que chorem todas as Marinas do Brasil.

Principalmente as morenas.

Mesmo as que se pintam.

Minha querida nora, inclusive.

Morreu Dorival Caymmi.

Uma notícia triste para se receber em qualquer lugar, mas, ainda mais, quando fora de casa.

Quantas vezes ninei meus filhos com a "minha jangada vai sair pru mar"?

As netinhas também, embora a Luiza prefira que o avô não cante (digamos que eu seja um pouco mais desafinado do que gostaria...) e a Julia, as duas filhas da Marina do meu André, ainda não possa se manifestar.

Claro que Caymmi é daqueles imortais.

Porque daqui a 1000 anos ainda será cantado em prosa, verso, com violão, piano, nas serenatas, pelo mar afora.

Caymmi é uma nova incelença que entrou no paraíso.

Por Juca Kfouri às 20h39

Sábado anfitrião

O Atlético Paranaense não fez nada mais que a sua obrigação ao golear o Ipatinga, com três gols de Pedro Oldoni, na Arena, por 5 a 0.

Mas, lembremos, o lanterna mineiro andou tirando pontos de bichos papões, na casa deles.

O Figueira também fez as honras da casa ao ganhar da Lusa por 2 a 1.

Já a tarefa do Cruzeiro era bem mais complicada.

E o vice-líder se saiu bem, muito bem, ao vencer o bom Vitória, no Mineirão, por 2 a 1.

E foi duro.

O time baiano teve duas ótimas chances de gol no começo e no fim do primeiro tempo, mas entre uma e outra quem marcou foi Charles, aos 39, de pé-esquerdo, do bico direito da área.

Um golaço.

E Guilherme fez 2 a 0, aos 11 do segundo tempo.

Fábio precisou fazer ao menos um milagre, o Vitória descontou no fim, aos 43, com Ricardinho, mas, eis aí, o Cruzeiro bota pressão no Grêmio.

Por Juca Kfouri às 20h26

E a camiseta?

Evidentemente não vi Corinthians 2, América 0.

Nem precisava.

Vi, aliás, os gols, um de Douglas, outro contra, em jogada dele, ambos no segundo tempo, depois de vaias no intervalo.

O adversário era o América potiguar, lá pela ZR da Série B, de Brasil.

Será que teremos uma camiseta comemorativa da façanha?

Por Juca Kfouri às 19h12

Bolt? Phelps?

E você não vai falar do Bolt?

E do Phelps?

Eu não!

Falar o quê?

Talvez, no fim, eu fale.

Porque o show de um ainda não acabou e o do outro só começou.

E eu juro que só espero que um dia a gente não venha a saber de coisas sobre ambos que soubemos sobre...

Bem, deixa pra lá.

 

Por Juca Kfouri às 14h33

Não vai ter pra ninguém

Depois de esmagar Grécia, a seleção da NBA pegou a Espanha, atual campeã mundial.

Final antecipada, se disse.

Pois bem.

Se foi, já era.

E deve ter sido mesmo, porque a atual campeã olímpica, a Argentina, também não será páreo.

Ah, sim, porque a Espanha não foi.

Os Estados Unidos resolveram recuperar o ouro olímpico.

Azar de todos os demais.

Sete pontos de diferença no primeiro quarto, mais sete no segundo, seis no terceiro, e quando o quarto começou a vantagem já era de 20 pontos, 83 a 63.

Parei de ver o jogo quando faltavam pouco mais de 5 minutos e estava 100 a 71.

Fui tomar café da manhã, porque estava em pé desde às 5 da matina, para ver Brasil x Camarões.

Sim, porque Guanajuato tem duas horas a menos que Brasília... 

Em tempo: o jogo terminou 119 a 82.

Por Juca Kfouri às 12h57

E lá vem, de novo favorita, a Argentina!

Sim, a Holanda é muito melhor tecnicamente do que a apenas forte equipe de Camarões.

E a Argentina pareceu que iria liquidá-la logo no começo do jogo, quando teve duas chances enormes de gol e acabou por fazê-lo na terceira, com Messi.

Só que, apesar de dominar, teve um lance de falta de sorte e os holandeses empataram ainda no primeiro tempo.

Daí, o segundo foi muito equilibrado e, na verdade, Drenthe teve, aos 87, a grande chance de eliminar os hermanos, atuais campeões olímpicos.

Perdeu-a e a partida foii para prorrogação, com Aguero desperdiçando logo de cara uma oportunidade para botar a Argentina na frente.

Foi preciso que Messi desse um passe espetacular para Di Maria fazer 2 a 1, no minuto final do primeiro tempo da prorrogação e garantir a classificação para enfrentar o Brasil nas semifinais -- a outra será entre Nigéria e Bélgica.

Como nas últimas duas decisões da Copa América, a Argentina é favorita, porque treinou mais, se preparou melhor e tem Riquelme e Messi em plena forma.

Oba!

Por Juca Kfouri às 12h35

País do vôlei

No vôlei de quadra, Giba voltou plenamente e depois de um primeiro set duríssimo diante da Polônia (30/28), os campeões olímpicos mostraram que estão vivos, passando bem pelo teste.

E, na areia, a dupla Ricardo e Emanuel teve que salvar quatro bolas do jogo no segundo set, venceram por 25 a 23 e ganharam a partida contra a Rússia no terceiro set, 15/12.

Porque também não são campeões olímpicos à toa.

Na quadra e na areia, os homens estão nas quartas-de-final, como as mulheres.

Por Juca Kfouri às 11h16

Camarões fritos

O Brasil jogava mal e Camarões não ficava atrás.

Dunga dirá que o Brasil se poupava.

Aí, aos 6 do segundo tempo, os africanos ficaram com 10.

Nem assim o Brasil liquidou o jogo, que foi para a prorrogação.

E nela, enfim, ainda no primeiro tempo, um belo lançamento de Diego para Rafael Sóbis resultou no primeiro gol.

E uma linda triangulação entre Ronaldinho, Thiago Neves e Marcelo resultou no segundo, em bola mais de joelho do que com o pé do lateral. (Que mais com o joelho do que com o pé nada. De chaleira, um golaço! E gracias a quem me mandou rever o gol..).

O Brasil está na semifinais.

A Itália, por exemplo, não está, porque derrotada pela Bélgica por 3 a 2.

A mesma Bélgica que o Brasil derrotou na estréia.

E você quer mais?, perguntará Dunga.

Quem vem agora agora? A Argentina? A Holanda?

Por Juca Kfouri às 09h31

César Cielo Filho de Ouro



Flávio Florido/UOL


Você respirou?

Eu não.

Nem ele.

Nenhuma vez, em pouco mais de 21 segundos.

César Cielo Filho cumpriu.

Ganhou o ouro e ainda quebrou, de novo, a marca olímpica.

Em 1961, 47 anos atrás, Manoel dos Santos batia o recorde mundial dos 100 metros livre e se tornava o nadador mais rápido do mundo.

Então, não havia a prova dos 50 metros.

Agora há.

E um dos nadadores mais rápidos do mundo é, outra vez, um brasileiro.

O primeiro brasileiro a ganhar um ouro olímpico na piscina.

O fabuloso Manoel dos Santos, em 1960, na Olimpíada de Roma, havia levado o bronze.

César Cielo Filho de Ouro.

Ouro puro.

Por Juca Kfouri às 23h46

15/08/2008

Coringão campeão!

Com o dramático empate de 3 a 3 entre Azulão e Avaí, em São Caetano, o Timão assegurou o título simbólico do primeiro turno da Série B, de Brasil, mesmo que não vença amanhã, no Pacaembu, a forte equipe do América, também conhecida como Mecão, do Rio Grande do Norte.

Pena que ninguém dê troféu para título tão significativo...

Por Juca Kfouri às 22h22

O país Michael Phelps

Por ROBERTO VIEIRA 

Caso o fenômeno Michael Phelps fosse um país, ele estaria em sétimo lugar no quadro de medalhas.

Na frente da Rússia e da Austrália.

Da França e do Reino Unido.

Milhas e milhas distante do Brasil com suas quatro medalhas de bronze.

Michael Phelps que já igualou o total de medalhas de ouro do Brasil em 88 anos de participações nos Jogos.

Uma coisa é certa.

O americano é fruto de uma sociedade em que as crianças podem estudar, comer e praticar esportes.

Coisas que no Brasil estão longe da realidade dos jovens.

Michael Phelps é uma consequência e não um semideus. Não é um milagre. Mas um resultado.

As escolas brasileiras não carecem apenas de quadras poliesportivas, de piscinas, de pistas de corrida.

As escolas brasileiras carecem de livros, de professores, de condições mínimas de cidadania.

A pobreza do jovem brasileiro vai além da falta de uma sunga de natação, da falta de um tênis de competição.

Os jovens brasileiros não sabem ler, nem escrever, nem fazer uma equação de primeiro grau.

Ficam felizes da vida quando sabem fazer um elástico, uma bicicleta, um gol de cabeça.

Pena que a vida não é apenas um jogo de futebol.

Os jogadores de basquete americano são todos universitários.

Os craques brasileiros são na sua maioria analfabetos funcionais.

Não é culpa deles. É culpa de uma cultura que preza o imediato e despreza o fundamental.

Mais importante do que imaginar Michael Phelps com assento nas Nações Unidas.

É imaginar o Brasil numa piscina olímpica.

Se afogando por não saber nadar...

Por Juca Kfouri às 22h08

É o fim da Magia!

Por RAFAEL FELIPPE

Escrevo em tom fúnebre: acabou-se a Magia no Palestra Itália! Valdívia nos deixou.

Muitos dirão que apenas mais um jogador deixou o país atrás de dólares que não permitem concorrência. Mas não. Quem pensa de tal forma, se engana.

Deixou o país, deixou o Palmeiras, um homem que é mais que simplesmente um jogador de futebol. Deixou o Palmeiras um atleta diferenciado, seja pela técnica - desnecessário se alongar nesse assunto - seja pelo carisma.

Talvez o maior ídolo palmeirense depois de Marcos. E considerando que Marcos está acima do bem e do mal, em outro nível de escala, talvez Valdívia seja o maior ídolo do Palmeiras desde a Academia, mais que Edmundo e Evair, inclusive. Menor que Ademir, obviamente.

Como talento, Valdívia é maior no Palmeiras do que foi Rivaldo, Djalminha e Alex, últimos craques que envergaram a camisa 10 esmeraldina.

E nesses quase três anos, O Mago vestiu o uniforme alviverde de maneira exemplar.
 
Polêmico, insinuante e com fama de garoto problema. Mas que craque não é assim? Kaká é exceção, Romário é exemplo.

Quem sabe um dia ele volte, eu não acho pouco provável. As propostas de lugares onde o futebol nunca é levado a sério, a não ser pelas estúpidas montanhas de dinheiro, seduzem por pouco tempo. Que jogador fez carreira no Oriente Médio? Nenhum. Quantos enriqueceram rapidamente? Praticamente todos de alto calibre.
 
A nação palmeirense certamente está de luto! E não podia ser diferente. Sem Valdívia o Palmeiras perde o brilho, o Palmeiras é comum. Sem Valdívia o Palmeiras talvez não seja capaz de nada mais do que apresentações medianas. Mas talvez seja. Talvez seja até, quem sabe, campeão nacional.
 
Mas seria então um campeão pela metade.

Porque foi-se o maior ídolo palmeirense da era moderna.

É o fim da Magia!
 
 
*Rafael Felippe, jornalista e palmeirense. Antes o segundo que o primeiro.

Por Juca Kfouri às 22h05

Rodada curiosa abre o returno

A primeira rodada do returno do Brasileirão reserva uma curiosidade: os seis primeiros se enfrentam, sempre com quem está na frente pulando três casas para pegar seu adversário.

O primeiro, Grêmio, contra o quarto, São Paulo.

O segundo, Cruzeiro, contra o quinto, Vitória.

O terceiro, Palmeiras, contra o sexto, Coritiba.

E sempre com favoritismo para os que estão na frente, porque todos com o mando dos jogos.

Só que no jogo do Olímpico há um dado adicional, no clássico tricolor: se oito pontos já são demais na diferença entre Grêmio e São Paulo, 11 pontos podem alijar os paulistas da luta pelo primeiro tricampeonato seguido no Brasileirão e pelo inédito hexacampeonato nacional.

E não falta drama para Furacão x Ipatinga, Santos x Flamengo, Goiás x Náutico, Vasco x Inter, Fluminense x Galo, seja porque lutam para não cair, sejam porque, como o Inter e o Flamengo, há quem queira ainda, ao menos, lutar pela Libertadores.

Como querem Sport e Botafogo que se encontram na Ilha do Retiro ou querem Figueirense e Lusa, pelo menos pela Sul-Americana, que depois desprezarão... 

Por Juca Kfouri às 21h29

Impressionante Pequim

Por ALBERTO MURRAY NETO*

Em minha décima edição de Jogos Olimpicos, nunca vi nada assim tão grandioso.

Para mim, são os Jogos da Opulência.

Todas as instalações são absolutamente magníficas, uma organização impecável, uma mar de voluntários prestativos e simpáticos, que se esforçam para falar inglês (e na maioria das vezes não conseguem mesmo).

Dinheiro, aqui, não foi realmente problema.

E eles fazem questão de mostrar isso ao mundo.

Enquanto Hitler fez a tétrica apologia do nazismo, a China faz a sua apologia de que é a grande pujança econômica do mundo.

O trânsito em Pequim que era horrível, parece que, por mágica, até está fluindo bem.

Estive aqui há cerca de um ano e meio e falei com um antigo amigo da familia, o He.

Ele foi ministro de Esportes da China, ex-presidente do Comite Olimpico Chinês e hoje segue como membro do COI, que já o teve como vice-presidente.

Ele me disse que todas as instalações esportivas feitas estarão absolutamente à disposiçao do povo para formação de atletas.

O Cubo de Gelo, a piscina, por exemplo, será um centro de desenvolvimento de natação.

Esses Jogos, é claro, não têm o charme de Barcelona.

Porém tem todo o resto.

Já há um legado para o povo daqui, seja pelas enormes obras viárias e de infraestrutura feitas na cidade, seja pelo planejamento esportivo que já está feito para usufruir as instalações após os Jogos.

Entretanto, o maior legado que essa Olimpiada poderia deixar para o povo chinês seria a necessidade imediata da abertura política, da democracia.

Que o mundo não esqueça de continuar pressionando o governo chinês para que se respeitem os direitos humanos.

Hoje, o mundo fecha aos olhos à brutalidade politica da China em face de seu poderio econômico.

Que após os Jogos, as coisas também comecem a mudar politicamente por aqui.

*Alberto Murray Neto é advogado, diretor da ONG de Apoio ao Esporte Sylvio de Magalhães Padilha, árbitro da CAS, em Lausanne, e membro da Assembléia Geral do COB.

Por Juca Kfouri às 15h53

Seleção feminina não é Bárbara

As meninas do futebol passaram pelas campeãs olímpicas de 2000, as meninas da Noruega, por 2 a 1.

Num gramado de dar vergonha até em alguns campos brasileiros, o primeiro tempo foi amarrado e salvo por um lindo gol, de fora da área, de Daniela Alves, aos 43.

No segundo tempo as norueguesas foram para cima e a goleira Bárbara quase entregou o ouro, ou a prata ou o bronze, ao tentar sair jogando com os pés.

Mas foi a zagueira norueguesa quem acabou por fazer o serviço, aos 11, ao atrasar curto para sua goleira a permitir que Marta chegasse antes para encobri-la e fazer 2 a 0.

O que estava resolvido se complicou, aos 36, quando Bárbara fez um pênalti desnecessário e as norueguesas diminuíram.

O fim de jogo teve momentos de sufoco, mas o Brasil está nas semifinais, contra a Alemanha, de novo, nesta segunda-feira, às 7h.

Que Bárbara tenha aprendido a não se precipitar, porque sabe jogar.

Por Juca Kfouri às 08h49

Perrelas em apuros

Da assessoria do STJ

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), indeferiu o pedido de liminar em habeas-corpus e manteve a decisão do Tribunal Regional da 1ª Região (TRF1) de quebrar o sigilo bancário e fiscal dos dirigentes do Cruzeiro Esporte Clube. O presidente da entidade, Alvimar de Oliveira Costa, e o vice-presidente de futebol e também deputado estadual de Minas Gerais, José Perrella de Oliveira Costa, são acusados de enriquecimento ilícito com a venda dos direitos econômicos de jogadores.

Os dirigentes alegaram ao STJ que faltava fundamentação na decisão de quebra de sigilo expedida pelo TRF1 e pediram ao relator, ministro Og Fernandes, liminar para lacrar qualquer documento referente a eles até que a Sexta Turma do STJ julgue o mérito do habeas-corpus. No mérito, os dirigentes pedem a anulação da decisão proferida pelo TRF1.

O Ministério Público de Minas Gerais abriu procedimento administrativo contra os dirigentes em 2003. Na denúncia, há relatos de que eles se beneficiaram de contratos realizados com as empresas Hicks, Muse, Tate & Furst Incorporated (HMTF), que criaram a Cruzeiro Sports Licensing CO, além do contrato com a EMS Sigma Pharma, que viabilizou a contratação e venda de jogadores.

O ministro Og ressaltou que a decisão do TRF1 se fundou em suspeitas levantadas no próprio processo e a concessão de liminar exigiria a análise pormenorizada de provas, tarefa impossível num pedido de liminar em habeas-corpus. A questão de mérito ainda deve ser apreciada pela Sexta Turma.

O blog acrescenta que inúmeros cartórios mineiros estão sendo solicitados para mandar o que têm registrado em nome dos irmãos, que se dão muito melhor com o Cruzeiro do que o Cruzeiro se dá com eles.

Por Juca Kfouri às 23h11

14/08/2008

Entre o Cielo e o inferno

Que o nosso nadador era a única grande chance de medalha estava dito desde os tempos do Pan-2007, quando só ele alcançava marcas competitivas.

Basta pesquisar o que aqui foi escrito então, embora nada seja mais antipático do que a história do "eu não disse".

E nada que signifique desqualificar nenhum outro nadador medalhista no Pan, mas, apenas, de botar as coisas em seus devidos lugares, coisa que, à época deixou muito bonifácio patriota indignado.

Se Cielo já ganhou uma medalha que não esperava, temos sim por que acreditar que venha mais na prova em que ele é de primeiro time.

Já o vôlei masculino, sem dúvida, vê a luz vermelha mais que acesa diante da nova derrota para a Rússia.

Mas nada está perdido.

Apenas a capacidade de superação de um grupo fantástico está posta à prova como nunca esteve antes.

 

Por Juca Kfouri às 12h32

13/08/2008

A volta da concha acústica



Se o governador José Serra aprovar, em breve o Pacaembu receberá um presente da artista plática Regina Silveira: a antiga concha acústica que dava um charme especial ao estádio voltará, ao menos, pintada no horroroso tobogã que o prefeito Paulo Maluf mandou erguer ao demoli-la, em 1969.
 
Típica obra da arquitetura da ditadura, como o Minhocão paulistano, o tobogã foi daquelas intervenções autoritárias só possíveis diante da intimidação da comunidade.
 
O tobogã, por sinal, que na verdade deveria ser demolido, é tão nefasto que foi na noite de sua inauguração que Tostão levou a bolada do corintiano Ditão, o que lhe valeu um descolamento de retina que acabou por abreviar sua brilhante carreira..
 
Regina Silveira tem o projeto há anos e pode vê-lo viabilizado por ocasião da inauguração do Museu do Futebol, em meados de setembro.

Por Juca Kfouri às 22h34

Previsível 'Jornal Nacional'

De volta ao hotel, em Guanajuato, para ver o "Jornal Nacional", imaginei o que veria.

A exaltação da vitória do futebol masculino sobre os chineses, as "primeiras imagens" do filho de Marcelinho, que choraria, o oitavo lugar da ginástica feminina que "vale como ouro" e algum outro atleta brasileiro que, derrotado, cairia em prantos.

Sim, porque "a maior delegação brasileira da história", tirante os esportes em que tradicionalmente os atletas nacionais se dão bem, até agora, apenas participa, como era de se esperar.

Os decantados resultados do Pan-2007 não se repetem, porque a realidade teima em brigar com o ufanismo.

E as desculpas se sucedem, uma atrás da outra. E nem seria preciso.

Claro que estar entre as oito finalistas na ginástica não é pouca coisa.

Mas é obviamente frustrante verificar que a diferença para a Olimpíada passada foi de ir do nono ao oitavo lugar.

Nesse ritmo...

Ganhar de 3 a 0 da desfalcada China no futebol, então, é digno apenas de um rodapé. E ponto.

Para o futebol, Pequim começa agora, contra Camarões.

Eduardo Santos, o judoca, que ficou por pouco na luta pelo bronze, chorou o velho choro dos atletas brasileiros que lutam contra tudo e todos, porque o dinheiro, cada vez maior, patrocina muito mais mordomias dos cartolas que apoio aos atletas.

Mas isso você quase não vê no jornal.

Vida que segue, como diria João Saldanha, que tinha o hábito pouco brasileiro de falar das coisas como as coisas são.

No "Jornal Nacional", inclusive.

Ou, no caso dele, como as coisas eram.

Embora, no nosso caso, ainda sejam.

Melhor saber que o "JN" é finalista de um grande prëmio de mídia pela bela cobertura que fez do acidente da TAM, pouco mais de um ano atrás.

Catástrofe que consegue ser incomparavelmente maior que a não-política esportiva do Brasil.

Menos mal, que ao fim, Oscar mentiu para Kobe Bryant ao dizer, numa reportagem para lá de simpática, que o maior astro do basquete atual é melhor do que Michael Jordan, o equivalente a dizer que Kaká é melhor que Pelé.

E tão ruim como ver os chineses dizerem que dublaram a cantorinha que nos encantou e editaram até os fogos de artíficio.

Pára o mundo, por favor.

Eu quero descer.

E Guanajuato parece o lugar ideal para tal.

Por Juca Kfouri às 20h59

12/08/2008

Deu na CBN...

Ouvi pela CBN o jogo da Série Brasil, em Floripa.

E, pelo que ouvi, o 1 a 1 entre Avaí e Corinthians ficou bem, gols de Douglas no primeiro tempo e de Evando, de bicicleta, aos 38 do segundo tempo, um golaço segundo o Deva Pascovicci, o Paulo Massini, o Felipe Rocha e mais ou menos segundo o bem-humorado Victor Birner.

Deva e Felipe acharam que houve um pênati em Herrera no fim do jogo. Massini ficou no muro e Birner achou que não foi.

Quer dizer, 2 a 1 para o pênalti.

Então foi!!!

O time do Guga segue invicto em casa, e é um dos poucos na Série Brasil, como o Ceará, o Marília e o Vila Nova, lembram os blogueiros mais atentos.

Eu quis ouvir o jogo de Curitiba, pela Sul-Americana, entre Atlético Paranaense e São Paulo, que acabou sem gols.

Mas não tinha ninguém transmitindo...

Por Juca Kfouri às 22h19

San Pablo? Sao Paulo!

O motorista de taxi que nos trouxe do aeroporto ao hotel em Guanajuato ao saber que somos de São Paulo logo se disse hincha do Sao Paulo...

E passou a falar de Rogério Ceni.

Tive de explicar a ele que o goleiro tinha sido revelado pelo Corinthians que o dispensou por achar que goleiro tem de defender, não bater falta etc e tal...

Hoje, num restaurante, fomos abordados por um mexicano de Irapuato que quis saber se vivíamos no Rio de Janeiro.

Quando dissemos que não, que vivíamos em São Paulo, logo ele abriu um sorriso para dizer que torcia pelo time da cidade.

"O Corinthians?, perguntei".

"El Sao Paulo", respondeu.

E ainda comentou, para alegria do Victor Birner, que o único problema do "Sao Paulo" (eles nem sabem falar o nome do clube, diferentemente do que aconteceria se fosse o Corinthians...) era o técnico.

"Quando esteve por aqui não deu certo, não conseguiu fazer o time dele jogar", corneteou.

Pois eu tratei de defender Muricy Ramalho.

Por Juca Kfouri às 21h29

Essa camisa 11...

Sei não, mas depois do que a Cristiane fez diante da Nigéria, deu até para lembrar de um certo baixinho na Copa de 1994, que também usava o 11 nas costas, nos Estados Unidos.

O gol dela de meia bicicleta e a vitória dos Estados Unidos no revezamento 4/100 foram as coisas mais bonitas até aqui em Pequim.

Verdade que são incomparáveis, porque o que houve na piscina é daqueles momentos que justificam uma Olimpíada.

Fabuloso é pouco.

Por Juca Kfouri às 13h12

Guanajuato não pára, não pára, não pára

Estranho, muito estranho.

Diferentemente da Cidade do México, Guanajuato, em toda sua formosura, não está nem aí para o clássico desta noite entre líder e vice-líder da Série Brasil, em Floripa, onde o Avaí está invicto e o Corinthians não terá nem Felipe nem Fabinho, ambos fora por suspensão, mas que também não fazem esta falta toda.

E haja F.

Sim, a menos que sejam muito dissimulados, os mineiros (são chamados assim os que nascem na cidade) não vão parar para ver o jogo.

Azar deles. 

Mas o Corinthians corre risco.

Ainda mais que seu goleiro reserva será o Weverton.

Melhor sobrarem efes...

Isso mesmo.

Weverton!

Será o capeta que não tem ninguém no Corinthians para poupar o menino?

Está certo que Pelé era também, em 1956, um nome meio ridículo e deu no que deu.

Mas, Weverton?!

O menino que veio do Acre se chama Weverton Pereira da Silva e se alguém pode dizer que Silva é muito comum, Pereira é nome de goleiro, ou, pelo menos, sobrenome, haja vista o grande Costa Pereira, da seleção portuguesa.

Já o time do coração do nosso Guga é dirigido por Silas, que jogava mais que Muller -- embora tivesse menos marketing que o então companheiro de São Paulo.

E que hoje como técnico mostra que conhece mais futebol do que o ex-companheiro de dupla, comentarista de TV.

 

 

Por Juca Kfouri às 01h35

11/08/2008

Brasil arrasa a Rússia!

O Brasil ganhava da Rússia por 2 a 0, duplo 25/14, quando, às 2h20 da madrugada mexicana, 4h20 de Brasília, 15h20 de Pequim, resolvi ir dormir.

Bem sei que o vôlei também só acaba quando termina, ainda mais este confronto das mulheres depois do que aconteceu em Atenas.

Mas numa prova de confianca irrestrita nas nossas meninas, confiro amanhã o resultado do terceiro set e conserto os erros do teclado espanhol...

Em tempo: confesso que não agüentei e acabei vendo até o fim: 25/16.

Um massacre!

E confesso, ainda, que esta é a medalha de ouro que mais quero, porque nem as meninas nem Zé Roberto Guimaraes merecem o rótulo de amarelar.

Por Juca Kfouri às 04h26

Da 'Folha' de domingo

JUCA KFOURI

Os Jogos da hipocrisia

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Não é de hoje que o Movimento Olímpico perdeu seu idealismo. Mas Pequim passa de todos os limites
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"POR QUE você não foi para Pequim?", perguntam.

"Porque não quis", respondo. Mais: estou entrando em férias e só volto aqui no dia 21. (Nota do blog: o "aqui" se refere apenas ao jornal...).

Claro que verei a Olimpíada e até comentarei no blog, mas ando cheio de tanta hipocrisia, a começar pela caça aos que são pegos no antidoping por hábitos que só fazem mal e pioram o rendimento.

Não aceito ver essa cartolagem imunda da família olímpica no papel de fiscal dos hábitos da juventude e, ainda por cima, expondo jovens à execração pública, como acabam de fazer com um jogador do handebol brasileiro.

Como não suporto o ufanismo da maior parte das narrações, com as exceções de praxe para os felizardos que podem assinar um canal de televisão fechada, razão pela qual darei uma fugidinha do país para acompanhar Pequim de uma cidadezinha colonial mexicana apaixonante chamada Guanajuato.

Porque passa do limite ver um Carlos Nuzman fazer quase o elogio da poluição ou se jactar pela maior delegação brasileira da história, quando só 12% de nossa rede escolar tem quadras de esporte.
Aliás, quanto mais medalhas o Brasil ganhar, mais ficará demonstrado o desvio de sua não-política esportiva, porque privilegia o alto rendimento em vez da inclusão social ou a saúde pública por meio da prática de esportes.

Dá engulhos ver a cartolagem em hotéis de até sete estrelas enchendo a boca para dizer que esporte e política não se misturam, quando nada foi mais político do que escolher Pequim para receber os Jogos, cidade que, além de poluída, é uma capital que se notabiliza por cercear direitos básicos da cidadania.

Tudo por dinheiro, tão simples assim.

Porque a China talvez seja o melhor exemplo, com todas as suas contradições, de como ainda não se achou um sistema razoável, tão óbvias são as mazelas do comunismo e do capitalismo reais.

É claro que verei tudo, é claro que me emocionarei com as vitórias brasileiras, como com a festa de abertura.

É evidente que torcerei para que aconteçam triunfos como nunca, porque tenho a surpreendente capacidade (surpreende a mim mesmo, diga-se) de voltar a ser criança a cada competição em seu apito inicial.

E não é de hoje.

Faço assim com os jogos de futebol lá se vão bem uns 26 anos, depois que se revelou a existência da chamada "Máfia da Loteria Esportiva".

Porque paixão é paixão e não se explica, não se racionaliza, se sente.

E se curte.

Sim, eu sei que serei capaz de me comover às lágrimas até com a superação de um atleta que não seja conterrâneo, como já me aconteceu inúmeras vezes.

Mas é preciso que se diga que mais que em Atlanta, quando os Jogos Olímpicos modernos comemoraram cem anos e a Coca-Cola alijou Atenas de recebê-los num crime contra a história, esta edição chinesa é um soco em quem associa o esporte à saúde e à liberdade.

Lamento sentir assim, mas quem viveu a inesquecível festa de Barcelona-1992, cujos equipamentos até hoje são utilizados por quem os pagou, os catalães, além da hospitalidade que recebeu o mundo tão bem, não pode engolir Pequim-2008.

blogdojuca@uol.com.br

Por Juca Kfouri às 00h01

10/08/2008

Balanço do primeiro turno

Terminado o primeiro turno, algumas constatações:

1. a melhor surpresa do campeonato é o Grêmio, que foi mal na Copa do Brasil e no estadual e agora lidera, com folga de cinco pontos, o Brasileirão.

Se não tem nada garantido, tem, sem dúvida, o reconhecimento justo de seu favoritismo;

2. o Cruzeiro, em segundo lugar, não pode ser visto como decepcionante, por mais que o resultado no Canindé tenha sido;

3. idem com batatas em relação ao Palmeiras, embora, aí, se esperasse mais, principalmente porque custa muito mais que os seus concorrentes e não consegue se superar;

4. como do São Paulo que, sim, decepciona até aqui. E bastante;

5. nada, é claro, como uma decepção chamada Fluminense; ou Santos; ou mesmo o Inter e Flamengo;

6. o Vasco parece o Corinthians do ano passado; depois de anos de gestões catastróficas, dificilmente escapará da purgação na Segunda Divisão;

7. Vitoria e Coritiba, ambos vindos da Série B, são, ao lado do Grêmio, as melhores novidades.

Por Juca Kfouri às 17h49

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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