Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

30/08/2008

Arena ganha, Mustafá perde

Nada menos do que 85% dos que votaram hoje no Palmeiras -- 2056 sócios -- aprovaram a mudança no estatuto do Palmeiras para que o clube possa ter uma nova arena.

Apenas 362 sócios votaram contra.

E o novo Palestra Itália teve a aprovação de 1.958 sócios contra 461 que não o queriam.

É o Palmeiras tratando do seu futuro.

Por Juca Kfouri às 21h17

Dois empates surpreendentes

Se Thiaguinho estivesse numa noite feliz, o Botafogo teria ido para o intervalo com, no mínimo, 4 a 0 diante do Náutico.

Como ele não estava, o Glorioso foi apenas com 1a 0, gol de Carlos Alberto, aos 38.

Logo depois, uma jogada sensacional, dessas que valem o ingresso: Lúcio Flávio driblou quatro e mandou na trave.

Fosse gol e o Engenhão teria que fazer sua primeira placa em homenagem ao autor.

O Náutico, é verdade, quase marcou no fim, mas seria uma baita injustiça.

No Serra Dourada, Iarley, no finzinho do primeiro tempo, também botava o time da casa na frente: Goiás 1, Figueira 0.

E no Barradão o goleiro Fernando, do Ipatinga, complicava a vida do Vitória: 0 a 0 ao fim dos primeiros 45 minutos.

E ao fim dos 90, porque o Vitória não foi capaz de fazer nem sequer um golzinho no lanterninha do Brasileirão, em jornada indesculpável.

Já o Goiás, mesmo com 10 no segundo tempo, fez mais um com Romerito e não se deixou surpreender pelo Figueirense.

E o Botafogo ficou no 1 a 0, diante de 23 mil torcedores, graças a Triguinho e a Diguinho até os 37 minutos do segundo tempo.

Os dois salvaram dois gols do Timbu praticamente dentro do gol.

Porque a o goleiro Eduardo uma vez e o travessão outra, em duas bolas chutadas por Gil, tinham impedido mais gols botafoguenses.

Com o time pernambucano com 10 jogadores, veja bem, porque Alceu fora expulso aos 14.

E aos 38, na cobrança do escanteio em lance salvo por Diguinho, eis que o Náutico empatou, com Adriano, em má saída do gol de Castillo.

Era um castigo incrível para o Botafogo, mas injusto não era, porque tudo feito dentro da legalidade.

Thiaguinho, Triguinho, Diguinho, enfim, certas coisas...

Por Juca Kfouri às 20h15

Um gol para cada letra. E mais um. E democracia, enfim!

Diante de um adversário fragílimo como o ABC, o Corinthians fez o que devia fazer.

Não deu folga e acabou o primeiro tempo, embora com 10 jogadores (Nilton foi expulso, aos 37, com 2 a 0 no placar, gols de Elias, aos 20, e Douglas, aos 27, ambos com passes de Herrera, em contra-ataques.

O argentino, por sinal, aos 12, perdeu gol certo, ao driblar o goleiro e chutar para fora.

Era o jogo de número 1500 do Corinthians no Pacaembu.

Para que se tenha uma idéia, quem viu o jogo pela TV só soube como Felipe estava uniformizado aos 22 minutos, quando o ABC conseguiu um escanteio e o goleiro, de amarelo, apareceu pela primeira vez, ainda sem tocar na bola.

Corinthians que completou cinco jogo sem tomar gols no Pacaembu diante do maior campeão estadual do país, 50 títulos potiguares.

E que ao voltar para o segundo tempo com um a menos dependia de mais dois gols para completar 100 na temporada.

O 99o. veio aos 20, em linda jogada de Elias com Douglas e André Santos, que enfiou entre as canetas de um zagueiro para fazer 3 a 0.

E o 100o. quase saiu dos pés de Morais, aos 25.

Como Corinthians quase levou um gol em seguida, numa bola que desviou em William e bateu na trave.

Aos 40, Lulinha sofreu um pênalti infantil e o Corinthians marcou seu gol 100, com o zagueiro Chicão na cobrança.

Curiosamente, há coincidências nas campanhas dos Mosqueteiros líderes das duas séries do Brasileirão.

Enquanto o Grêmio tem 45 pontos em 22 jogos, o Corinthians chegou aos 48 em 22 partidas.

Ambos sofreram 15 gols até aqui e empataram seis vezes.

O Corinthians tem uma vitória a mais (14 a 13) e uma derrota a menos (2 a 3), além de ter marcado 47 gols contra 38 dos gaúchos.

Antes que alguém se desespere e xingue o blogueiro, tais números são mais favoráveis ao tricolor, que tem adversários incomparavelmente mais difíceis.

Numa tarde gelada, mais de 20 mil corintianos prestigiaram mais um passo alvinegro em direção à Série A. 

Enquanto isso, no Parque São Jorge, 835 sócios votaram e 762 aprovaram o novo estatuto do clube, que estabelece votação direta pelos sócios para a presidência e proibe reeleições.

Apenas 73 votaram contra.

Uma vitória muito mais importante que a do Pacaembu, porque verdadeiro ABC da vida democrática.

Por Juca Kfouri às 17h50

Candidato à prefeitura de BH "esquece" o próprio sobrenome

Por THIAGO SARKIS*

Muita gente diz que política e esporte não combinam. De dois em dois anos temos a constatação, em santinhos, programas eleitorais, comícios, discursos, promessas, propostas, debates etc., de que estas áreas tão importantes no dia-a-dia de qualquer cidadão andam absolutamente juntas. Talvez mais do que deveriam, infelizmente.

Como qualquer ato e prática de um indivíduo em sociedade, o esporte é inexoravelmente político. Porém, é evidente que, por agora, não tratamos esta íntima relação neste sentido. Falamos, na verdade, de representações, maquiagens, máscaras, personagens e, quem sabe, um pouco de vida real.

As eleições 2008 nas Minas Gerais, a terra onde os homens não têm voz – ou melhor, provavelmente sequer podem ter -, explicitam a proximidade entre esporte e política. Não, não abordamos apenas a principal emissora de rádio do estado, a qual, em época de pleitos eleitorais, fica mais desfalcada que time brasileiro após a janela européia de contratações. Falamos de casos mais graves que chegam a nos deixar hesitantes e preocupados quanto às condições de alguns aspirantes de exercerem seus mandatos.

Um candidato à prefeitura de Belo Horizonte parece passar por um momento confuso, em uma espécie de amnésia abrupta e definitiva. Seu partido? O DEM. O nome? Gustavo. O sobrenome? Hein!?!? Sobrenome? Este ele curiosamente "esqueceu".

O pleiteante ao cargo máximo da principal cidade mineira certamente contou com a ajuda de bons publicitários para este lapso mnemônico. Afinal, quase todos os traços que pudessem remeter o eleitorado às suas origens foram cirurgicamente apagados, inclusive o cavanhaque pelo qual ficou conhecido.

Sem pêlos na face ou sobrenome, Gustavo aposta em propostas que, para desespero de seus assessores, levam-nos diretamente às suas raízes, fazendo com que descubramos seu sobrenome: Valadares.

Preocupado com o trânsito caótico de BH, ele fala até em construção de estacionamentos subterrâneos. Boa idéia, e uma ótima alternativa para os atleticanos enfiarem suas cabeças após futuros vexames proporcionados pela administração de seu pai, Ziza Valadares.

Esse papo de proibir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios também não é com Gustavo (Valadares). Ele é absolutamente contra a idéia, e quem lhe tirará a razão? Haja cerveja e embriaguez para agüentar ver Gil perder um pênalti para o Botafogo em ato político e de clara piedade para com seus colegas de profissão.

Não há como negar. Queiramos ou não, política e esporte são inseparáveis. Ziza pratica política no esporte. Gustavo tenta excluir o esporte do pai para sobreviver na política. Duas faces iguais da mesma moeda. Cara e cara, já que a coroa, no Galo, nós sabemos de quem é. Não é nem de Gustavo, nem de Ziza, tampouco de um Valadares.

Com ou sem cavanhaque, com ou sem sobrenome, Gustavo é a cara de Ziza e talvez, por essas e outras, sua votação seja tão expressiva quanto o índice de aprovação dos atleticanos à administração de seu pai.

* Thiago Sarkis é redator da revista Roadie Crew, crítico musical, e publicou seus artigos em mais de trinta países nos principais periódicos do mundo de Rock, Pop, Blues, Jazz e Progressivo. Fora isso, é psicólogo... E louco por futebol.

Por Juca Kfouri às 11h34

29/08/2008

Lamento

Sergio Alberti/Folha Imagem

Lamento muito não ter visto o show de Roberto Carlos (coisa feia que ele fez ao proibir sua biografia não autorizada) e Caetano Veloso.

Lamento mesmo.

No entanto, não vi e gostei.

Gostei muito.

Gostei mais.

Dois gênios da raça cantando outro, Tom Jobim.

Por Juca Kfouri às 22h53

Pobre grande Bahia

Na falta de coisa melhor para fazer, vi Bahia 1, Santo André 4, em Feira de Santana, pela Série B, de Brasil.

Totalmente afônico, não pude gritar minha indignação.

E fiquei com pena.

E fiquei com raiva.

Pena da grande torcida tricolor.

E raiva do Paulo Maracajá, do ACM e de seus descendentes, do Daniel Dantas, toda essa gente que levou o glorioso Bahia à breca.

Não tenho a menor simpatia pelo Santo André, São Caetano, Grêmio Barueri, clubes artificiais como o Ipatinga, meios de demagogia de prefeitos populistas, para dizer o mínimo.

E não dá para não sentir tristeza quando se vê um Bahia, primeiro campeão da Taça Brasil, em 1959, derrotando o Santos de Pelé, campeão brasileiro de 1988, humilhado por um Santo André qualquer.

Como os coronéis fazem mal também ao futebol.

Por Juca Kfouri às 22h40

A Copa do Mundo goleia

Não surpreendeu, é claro.

Dos mais de 1150 que responderam, 70% prefere as Copas do Mundo às Olimpíadas.

Por Juca Kfouri às 15h30

Tem louco pra tudo

ESTE BLOG ADVERTE: SE VOCÊ NÃO FOR CORINTIANO, NÃO LEIA, NÃO PERCA SEU TEMPO.

SE FOR, E QUISER PERDER SEU TEMPO, LEIA. PORQUE AQUI TEM UM BANDO DE LOUCO...

Por MOACYR DE OLIVEIRA

Fiz uma análise detalhada da classificação da Série B de 2006 e de 2007 , e com base nelas, algumas projeções.

Em 2006, após as 38 rodadas, a classificação final foi a seguinte: Galo, 71 pontos e 20 vitórias; Sport, 64 pontos e 18 vitórias; Náutico, 64 pontos e 18 vitórias; América RN, 61 pontos, 19 vitórias.

Em 2007, após as 38 rodadas, a classificação final foi: Coritiba, 69 pontos, 21 vitórias; Ipatinga, 67 pontos, 20 vitórias; Portuguesa, 63 pontos, 17 vitórias; Vitória, 59 pontos, 18 vitórias.

Além disso, na 21.a rodada, a classificação dos cinco primeiros colocados era a seguinte:

em 2006, Coritiba, 38 pontos, 11 vitórias; Náutico, 38 pontos, 11 vitórias; Sport, 36 pontos, 10 vitórias; Galo, 32 pontos, 8 vitórias; Marília, 32 pontos, 8 vitórias;

em 2007, Criciúma, 38 pontos, 11 vitórias; Coritiba, 36 pontos, 11 vitórias; Brasiliense, 36 pontos, 10 vitórias; Marília, 33 pontos, 12 vitórias; Vitória, 33 pontos, 11 vitórias.

Isso significa que, em 2006, o líder na 21.a rodada tinha uma vantagem de 6 pontos e 3 vitórias em relação ao quinto colocado e, em 2007, o líder na 21.a rodada tinha uma vantagem de 5 pontos e mesmo número de vitórias em relação ao quinto colocado.

Hoje, após a 21.a rodada, lideramos com 45 pontos e 13 vitórias, seguidos do Avaí, 39 pontos, 10 vitórias; Vila Nova, 38 pontos, 11 vitórias; Santo André, 37 pontos, 10 vitórias; Barueri, 36 pontos, 11 vitórias.

Temos 9 pontos de vantagem e 2 vitórias a mais do que o quinto colocado.

Como estamos com 45 pontos, isso significa que precisamos chegar aos 63 pontos para garantir o acesso e aos 69 pontos para ser campeão.

Ou seja, precisamos conquistar mais 18 pontos em 17 jogos para garantir o acesso e 24 pontos para garantir o título.

Podemos projetar, portanto, que estamos a 6 vitórias de garantir o acesso e a 8 vitórias de confirmar o título.

Numa projeção pessimista, contando com 4 empates (Fortaleza, Sanca, Marília e Criciúma) e 2 derrotas (Bahia e Juventude, fora) minha previsão é de que no dia 4 de outubro, na 29.a rodada, com 9 rodadas de antecipação, no jogo contra o Marília, lá no interior, garantiremos o acesso, e no dia 25 de outubro, na 32.a rodada, com 6 rodadas de antecipação, no Pacaembu, no jogo contra o Ceará, confirmaremos o título de campeão da Série B.

Numa previsão otimista, contando que ganhemos os oito próximos jogos (o que não acredito), confirmaremos o acesso na 27.a rodada, no Pacaembu, contra o Bragantino, e comemoramos o título de campeão na 29.a rodada, em Marília, contra o Marília.

Pelas minhas projeções realistas – 4 empates e 2 derrotas nos 17 jogos que faltam – seremos campeões com 82 pontos, 11 pontos a mais do que o Galo, em 2006, e 13 pontos a mais do que o Coritiba, em 2007, e 24 vitórias, 4 a mais que o Galo em 2006 e 3 a mais que o Coritiba em 2007.

Ou seja, seremos o maior campeão por pontos corridos da Série B. Não é nada, não é nada, mas será mais um recorde na nossa história.

Moacyr de Oliveira, meu querido Moa, é jornalista. E maluco, louquinho da silva, como sua pesquisa revela cabalmente.

Por Juca Kfouri às 14h19

Sábado nos Parques

Tanto o Parque Antarctica quanto o Parque São Jorge viverão amanhã um dia decisivo nas vidas dos rivais Palmeiras e Corinthians.

No Parque verde os sócios votarão a favor ou contra a nova arena palmeirense.

O simples fato de Mustafá Contursi ser contra indica a direção que os sócios deverão adotar.

É claro que o professor Belluzzo é a favor.

No Parque alvinegro será votado o novo estatuto do clube.

Quem votar SIM votará a favor da eleição do presidente pelos sócios, votará pelo fim das reeleições, pela proibição de que dirigentes ou conselheiros façam negócios com o clube e votará, ainda, pela redução pela metade do número de conselheiros vitalícios.

Quem votar não votará pela manutenção de um estatuto que resultou em Alberto Dualib e na MSI.

Por Juca Kfouri às 10h58

Uma rodada quase palpitante

Não, não chega a ser uma rodada palpitante esta 23o., a primeira pós-Olimpíada, do Brasileirão.

Porque é meio óbvia.

No sábado, por exemplo, às 18h20, Botafogo, Vitória, e Goiás devem vencer, como mandantes, os visitantes Naútico, Ipatinga e Figueirense, só ficando uma certa dúvida para o jogo no Serra Dourada.

No domingo o quadro não é menos diferente.

Ou alguém dirá que o Grêmio não é o favorito disparado diante do Vasco, no Olímpico, às 16h?

Verdade que os demais cinco jogos são equilibrados e neles tudo pode acontecer, embora o blog se aventure a dar seus pitacos, quase sempre irrepreensíveis.

Na Arena da Baixada, o blog aposta que o Palmeiras conseguirá sua primeira vitória sobre o Furacão na casa dele.

Aposta no Inter diante do Sport, na Ilha, uma aposta arriscada.

No São Paulo contra o Santos, no Morumbi, porque ou será assim ou o tricolor dará adeus definitivo ao título.

E aposta que Lusa e Galo farão um jogo de doer nos olhos no Canindé, diferentemente do Fla-Flu, que tem tudo para ser um belo jogo e até desmentir que a rodada não é palpitante, porque, afinal, Fla-Flu é Fla-Flu.

Como deve ser o jogo do Mineirão, entre Cruzeiro e Coritiba, o que soma o maior número de pontos da rodada, 39 dos mineiros, 36 dos paranaenses, o que significa dizer que se o visitante ganhar empata com o dono da casa.

Por Juca Kfouri às 01h10

28/08/2008

Inter leva a melhor

Gre-Nal é Gre-Nal.

Mesmo que pela Copa Sul-Americana.

E, no campo do Gre, deu Nal: 2 a 2.

Como no Beira-Rio foi 1 a 1...

O Colorado fez 2 a 0 com Nilmar e Índio, aos 2 e 25 do segundo tempo, e o Tricolor Imortal empatou nos últimos seis minutos, com Perea e Soares, aos 39 e 43.

Não vi bem o clássico gaúcho jogado sob muita chuva, porque estava no ar com o CBN EC.

Mas o que vi bastou para consolidar a sensação de que não há Gre-Nal de graça.

O Grêmio com reservas e o Inter com força máxima, o que deu ao empate um certo consolo aos gremistas e a satisfação da classificação do Inter.

E a página colorada na internet não deixa por menos, ao lembrar que "A exemplo das outras vezes nas quais Inter e Grêmio se enfrentaram em confrontos eliminatórios, deu Inter mais uma vez. Assim como nas semifinais do Brasileirão de 1988, na quartas-de-final da Copa do Brasil de 1992, na seletiva para a Libertadores de 1999 e na segunda fase da Copa Sul-Americana de 2004, o time colorado despachou o seu rival".

O Inter enfrentará o vencedor de Universidad Católica do Chile e Olimpia, do Paraguai.

 

Por Juca Kfouri às 22h15

Na 'Folha', de hoje

JUCA KFOURI

E se o Nuzman virar bispo?

Será muito interessante observar o que acontecerá na TV no novo ciclo olímpico, daqui até Londres 2012

O JORNALISTA Armando Nogueira gosta de contar que, quando dirigia o "Jornal Nacional", da Rede Globo de Televisão, recebeu uma noite a visita de um amigo nem bem a edição daquele dia tinha acabado. E o amigo foi definitivo: "Nossa, como o doutor Roberto meteu a mão no jornal hoje, hein Armando?".

Desnecessário dizer que o "doutor Roberto", no caso, era uma referência a Roberto Marinho.

Pois naquele dia, o dia inteiro, o dono da Globo nem sequer telefonado tinha para a emissora, pois estava em visita a alguns haras, se não me engano em Teresópolis, para escolher cavalos de raça, uma de suas paixões.

Armando Nogueira sempre conta o caso quando quer mostrar que há jornalistas mais realistas do que o rei, gente que gosta de interpretar a cabeça do dono e o faz pagar pelo que, às vezes, não fez.

Assim tem sido, parece, a postura editorial da TV Globo em relação ao esporte nacional, seja o futebol comandado pela CBF, seja em relação ao COB. Cobertura crítica nem pensar, muito embora tanto o jornal "O Globo" quanto as rádios CBN e Globo tenham posição oposta, muito mais crítica, ou melhor, muito mais verdadeira, por factual.

Por que, se normalmente é o jornal quem orienta a posição editorial, não sei, mas, ainda, imagino.

O interesses comerciais, as compras de direitos de transmissão acabam por influenciar os profissionais da Globo Esporte a tal ponto que os cartolas passam a ser tratados como sócios, não como vendedores, e acima das críticas. Agora começa a especulação em torno de que a Globo deixará de cobrir esportes olímpicos, já que perdeu para a Record os direitos da Olimpíada de Londres.

Quem sabe, se for verdade, passe a adotar uma postura mais realista em relação ao COB -que passo a chamar de COBRE, porque só sabe cobrar mais dinheiro público e não quer ser avaliado- e ao seu também eterno presidente.

Porque não será surpresa se o cartola virar bispo e se aproximar da IURD. Igreja que é até capaz, com o dinheiro do dízimo, de passar a investir em esportes que possam render medalhas, como o halterofilismo, lutas etc., para atender também ao ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., o enganador das multidões.

Sim, ele agora defende que o Brasil invista em esportes que rendam medalhas em vez de se preocupar com a massificação do esporte no país. Se Ricardo Teixeira tem sido fiel aos interesses da Globo Esporte, tudo indica que Carlos Nuzman não foi, a ponto de seus executivos terem sido surpreendidos com a venda dos direitos pelo COI à Rede Record, cujo dinheiro não tem custo nem esforço, vem basicamente da exploração da fé e da ignorância alheias.

Seja como for, será interessante observar o que vem por aí.

Mais pelos mais realistas do que pelos reis.

Kirrata

Foi Fernando Victorino, da ESPN Brasil, e não Vinícius Nicoletti como escrevi, quem propôs um Ninho de Rato para o Rio, inspirado pelo Ninho de Pássaro, de Pequim, para que nossos cartolas se sintam à vontade.

Por Juca Kfouri às 11h47

Copa Sul-Americana: quem quer?

Oito mil pessoas somadas no Morumbi e no Mineirão, somados.

E sete gols, só no Mineirão.

No Morumbi, sete gols também, mas nos pênaltis.

Tanto em São Paulo quanto em Minas, os visitantes saíram classificados para a próxima fase da Copa Sul-Americana.

Porque o Botafogo enfiou 5 a 2 no Galo e o misto do Furacão ganhou nos pênaltis do São Paulo, que escalou só Rogério Ceni de seus titulares.

Mas a Copa Sul-Americana é aquela coisa: todos se orgulham quando se classificam para ela e quase todos a maltratam quando a disputam.

O Furacão enfrentará o Arágua, seja lá o que isso for, da Venezuela, ou o Chivas, do México, nas oitavas-de-final.

E o Fogão espera para saber se pegará o América ou o Deportivo, ambos de Cali, Colômbia.

Em tempo: o Arágua FC é da cidade de Maracay, foi fundado seis anos atrás, seu estádio abriga 20 mil torcedores e o clube é chamado de Los Tuvos (cujo significado algum gentil blogueiro tratará de nos contar...).

Por Juca Kfouri às 00h30

27/08/2008

A bola tem seus caprichos...

A rapidinha de Bolt

Por ROBERTO VIEIRA

A contratação do medalhista olímpico Usain Bolt pelo clube madrilenho para a vaga deixada por Robinho foi um golpe de mestre publicitário.

Milhões de camisas foram vendidas com o número 2163.

Até o técnico Schuster se rendeu a simpatia do jamaicano. Bolt que se auto proclamou fã de Raúl e Nistelrooy.

No primeiro clássico contra o Barcelona os ingressos se esgotam.

Como se Jesse Owens vestisse a camisa da Juventus de Turim.

Aos 5’ do primeiro tempo Casillas defende o escanteio e devolve o balão para Cannavaro. O zagueiro toca de lado para Pepe que descobre Robben desmarcado.

O lançamento sai logo, rápido, preciso.

Antes que a defesa do Barcelona tenha tempo de pensar, o recém contratado atacante do Real Madrid parte de sua intermediária e chega livre, na cara do gol.

Em uma fração de segundos.

Flash.

A torcida delira. O novo Gento é mais rápido que a luz. Mais rápido que o pensamento.

Só tem um problema: Ele também é mais rápido que a bola.

Bola que ficou lá atrás, desolada, solitária.

Envergonhada.

Lenta. Frígida.

Limpia y blanca, como a camisa do Real Madrid.

Bola que também tem seus caprichos de mulher.

Bola que prefere o carinho pleno de um Mané, um Julinho, um Canário, um Matthews.

A dar uma rapidinha com Usain Bolt.

Por Juca Kfouri às 15h02

Deu no 'DizVentura'

Entendeu tudo errado

A manchete de ontem do GLOBO foi: "Cada medalha custou R$ 53 milhões." A reportagem mostrava que o governo nunca gastou tanto numa preparação para os Jogos Olímpicos.

Toninho, editor de Esportes do jornal, passava por uma praça no Grajaú quando viu um vendedor de empadinhas lendo a manchete. O homem estava impressionado com o valor:

- Pô, então ainda bem que ganhamos poucas medalhas!

http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/dizventura/default.asp

Por Juca Kfouri às 13h24

João Havelange nos 'Años Locos'

PoR MANUEL ROCHA CARVALHEIRO*

Em recente entrevista dada ao jornal "Folha de S.Paulo", João Havelange revelou que talvez tenha havido arranjos em algumas Copas do Mundo de futebol.

Referiu-se a escolha de árbitros e outros arranjos.

Naquela Copa da Argentina, em 1978, houve alguns fatos suspeitos.

O mais comentado foi a derrota do Peru para a Argentina por uma diferença de gols que era exatamente a que classificava a Argentina e desclassificava o Brasil para a final.

Misturar interesses por prestígio esportivo e comercial, como eram os da Inglaterra e Alemanha, com os interesses dos militares argentinos, como ele fez na entrevista, é uma sacanagem, para dizer o menos.

Casualmente fui testemunha de um almoço entre Havelange e os dirigentes da Associação de Futebol Argentino e também com membros do governo militar argentino.

Estivemos, eu e minha esposa Neusa, na Argentina entre os dias 24 e 28 de maio de 1978.

Fomos até Mar del Plata e aproveitamos para visitar o estádio onde o Brasil jogaria daí a alguns dias.

Voltando a Buenos Aires também visitamos o estádio de River Plate onde seriam jogados as partidas mais importantes, inclusive a final.

O passeio evidentemente não tinha esse objetivo como único.

Em Buenos Aires estivemos em todos os lugares que já havíamos visitado antes com nossos filhos.

Nessa visita anterior fomos com as crianças almoçar no restaurante Años Locos que ficava na "costanera" amurada ao longo do Rio da Prata como era a do Flamengo, no Rio, e o "Malecon", em Havana.

Era domingo e ficamos surpresos com a elegância dos freqüentadores.

Todos bem vestidos. Os homens, inclusive meninos, com terno e gravata.

Era quinta ou sexta feira e deixamos as compras feitas de manhã no hotel e fomos almoçar nos Años Locos.

Chegamos pouco após o meio dia. Fomos os primeiros clientes.

Estávamos no meio do almoço, com o restaurante quase vazio, quando notamos uma grande movimentação na entrada.

Vimos entrar vários homens de terno e gravata e entre eles alguns militares com seu uniforme.

Com eles estava Havelange.

Pudemos ver e ouvir a conversa que mantiveram.

Foram acertados algumas ações a serem desenvolvidas pela FIFA na organização dos jogos.

Entre elas a escolha dos árbitros, as datas dos jogos, o horário dos jogos onde jogaria a Argentina.

Na ocasião, Havelange mostrou-se prestativo, subserviente e mais ainda fez referências de apoio à ditadura Argentina.

E fez algumas críticas à fraqueza da repressão da ditadura brasileira e elogios à dureza do governo argentino.

Chegou a lamentar que o governo brasileiro começasse a afrouxar a repressão.

Não me surprendi com as posições do Havelange.

Ele sempre foi apoiador da ditadura brasileira tendo inclusive apoiado publicamente o golpe de 1964.

É preciso lembrar sempre o passado dos que usaram o seu prestigio público como esportistas, e outros conhecidos comunicadores, para apoiar o golpe de 1964, a ditadura, a repressão, a tortura.

Raramente em público, mas sempre ajudando, escondidos, todas as ações que os militares dos países latino-americano tiveram naquela época.


Hoje, agosto de 2008, 30 anos após, julgo de meu dever contar este acaso encontro com Havelange nos Años Locos de Buenos Aires.

*Manuel Rocha Carvalheiro é engenheiro.

Por Juca Kfouri às 00h29

26/08/2008

Corinthians, enfim, goleia. E folga

O Corinthians ainda não tinha chutado nenhuma vez ao gol do Gama quando, aos 5 minutos, Douglas arriscou de fora da área, como é de seu estilo.

A bola desviou num zagueiro candango e entrou no cantinho.

Goleada à vista, enfim?

Nem tanto, nem tanto.

Ao contrário, o Gama foi para cima, obrigou Felipe a fazer pelo menos uma grande defesa e os escanteios se sucederam para os visitantes.

Mas que se abriram infantilmente.

Então, aos 30, o estreante, e refinado, Morais fez belo lançamento para Herrera fuzilar e fazer 2 a 0.

Goleada à vista, enfim?

A resposta ficou para o segundo tempo.

Mas o Corinthians só fez o terceiro aos 18, pênalti cobrado por André Santos e sofrido por Herrera, depois de uma recuada lambancenta de bola da zaga do Gama, que levou seu goleiro a derrubar o argentino depois de ter sido driblado por ele.

Não bate que ele gama.

Três minutos depois, Alessandro enfiou uma bola por cima da defesa (?!) alviverde e Elias apareceu pela direita para desenhar, enfim, a goleada: 4 a 0.

Como castigo pelo fato de ter abandonado o jogo no sábado passado, eis que quando queria continuar a ver os eventuais novos gols tive que sair, para participar do "Observatório da Imprensa", na TV Cultura, às 22h40 na Rede Brasil e aos 40 minutos de amanhã na Cultura.

Sei que o Avaí perdia e a Ponte Preta também.

Tudo mantido, o Corinthians ficaria sete pontos adiante do vice-líder, o Vila Nova, e 11 na frente do quinto, o Santo André.

Uma moleza!

Em tempo: se no sábado passado, nem bem entrei no carro, o Corinthians tomou um gol, desta vez foi o contrário.

Bebeto fez 5 a 0, para alegria dos poucos 13 mil corintianos no estádio.

Corintianos que deverão ser o dobro contra o ABC, no sábado que vem.

Em tempo 2: O Avaí acabou empatando aos 41 do segundo tempo com o ABC, em Natal, e o Barueri ganhou do Marília, 1 a 0.

Assim os sete pontos que separavam o Corinthians do vice-líder, o Vila Nova, viraram seis, porque o Avaí se manteve na segunda colocação.

E os 11 que os separavam do quinto colocado viraram nove, porque o Barueri desalojou a Ponte Preta.

 

Por Juca Kfouri às 22h11

Do 'Globo', de hoje

Tombo em Pequim

Malabarismos verbais não maquiam o balanço negativo da participação do Brasil nas Olimpíadas de Pequim.

Com parcas três medalhas de ouro, contra cinco em Atenas, e o tombo - da 16ªposição obtida em 2004 na Grécia para a 23ª colocação deste ano - na tabela final de classificação, a delegação brasileira trouxe da China um preocupante retrocesso.

Superar essa pífia participação na competição esportiva mais importante do planeta pressupõe autocrítica em vez de digressão - e, como desejável decorrência, transformar a derrota em base para a superação dos equívocos cometidos exige uma reavaliação generalizada do que foi feito de errado durante a longa fase de preparação.

Querer avaliar como positivo o desempenho do país nos Jogos, como o fez o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, equivale a tentar achar numa caixa de fósforos a vara que impediu a atleta Fabiana Murer de lutar para encorpar a minguada coleção de medalhas obtidas na China.

Cumpre, na verdade, estudar o que deve ser feito desde já, para que, daqui a quatro anos, em Londres, o choro de torcedores e atletas brasileiros seja pela emoção da conquista, e não de lamento por saltos, braçadas, chutes e cortadas de menos.

Uma lição a tirar do naufrágio em Pequim vem dos países que obtiveram bom desempenho nos Jogos, como os EUA, a Inglaterra e nações asiáticas - à parte a China, cuja ditadura não a recomenda como paradigma.

São países que apostam nas escolas como celeiro de atletas, e fazem da educação uma aliada imprescindível na descoberta e na formação de levas de campeões.

Outra lição: aplicar com mais transparência os recursos oficiais destinados ao esporte.

Não é demais lembrar que a delegação brasileira viajou para Pequim turbinada, nos últimos quatro anos, pela generosa verba da Lei Agnelo/Piva.

Tanto que não saiu barato cada medalha.

A discussão sobre a necessidade de aumentar a dotação, sugerida pelo COB, é posterior; antes, trata-se de estabelecer um plano criterioso para Londres.

Essa é uma providência essencial para que a crônica esportiva do país não seja enodoada, por exemplo, com casos como o do judoca Eduardo Santos - que, por falta de dinheiro, teve de esperar uma década para fazer os exames que lhe permitiram mudar de faixa às vésperas da competição.

O Brasil ainda não é uma potência esportiva - mas potencialmente é um celeiro de campeões.

Transformar essa virtualidade em realidade exige mais seriedade, abnegação e visão do que até aqui demonstraram os responsáveis por nossos projetos olímpicos.

Por Juca Kfouri às 16h46

Da 'Folha', de ontem

Sem lágrimas

 

Conquistar medalhas olímpicas é sempre positivo, mas não tem por que ser prioridade num país como o Brasil


APESAR de alguns feitos notáveis -como as medalhas de ouro conquistadas por César Cielo, na natação, Maurren Maggi, no salto, e a equipe feminina de vôlei-, um sentimento de frustração parece inevitável diante do desempenho dos atletas brasileiros na Olimpíada de Pequim.

No caso da seleção masculina de futebol, um longo tratado, repleto de antecedentes históricos, de análises de psicologia motivacional e de bastidores administrativos, ainda está por ser escrito pela crítica especializada.

No contexto deste comentário, basta citar o conselho de Virgílio a Dante Alighieri, no passo da "Divina Comédia" em que ambos contemplam o destino das almas incaracterísticas, carentes de ímpeto próprio: "Non ragionam di lor, ma guarda e passa".

Passemos, portanto, ao largo da questão.

Vale mais refletir sobre os exemplos das estrelas em outras modalidades esportivas que, por alguma razão, tiveram desempenho inferior ao esperado.

Sejam quais forem as precariedades com que todo atleta brasileiro é forçado a conviver, o fato é que acidentes, imprevistos e frustrações são normais em qualquer competição esportiva.

O que parece fugir, talvez, aos padrões rotineiros em outros países é a carga de emocionalidade e expectativa que se deposita, muitas vezes, sobre a figura individual deste ou daquele jovem atleta, que por alguns dias experimenta sobre os ombros o peso de uma exposição midiática e de um furor patriótico sem freios.

Pode-se dizer, claro, que em muitos outros países, a começar pela própria China, uma veemente necessidade de auto-afirmação nacional faz de cada disputa por medalha olímpica uma empreitada cívica.

Mais do que os desafios inerentes a cada modalidade esportiva, é como se estivessem em jogo vários séculos de história, cuja carga de insucessos devesse ser superada num salto fenomenal, numa pirueta espetacular, num giro sobre-humano.

Ocorre que a China -como, no passado, os países do Leste Europeu- investiu pesadamente no treinamento de seus atletas.

Aqui, é como se os sonhos de um país inteiro se encarnassem num número relativamente pequeno de esportistas, cujos eventuais malogros repercutem desproporcionalmente, sem dúvida, sobre os ânimos gerais.

Ganhamos menos medalhas do que poderíamos; paciência.

Investir mais em esporte é fundamental para o bem-estar, a saúde e o lazer da população; tal objetivo não tem necessariamente de vir atrelado ao de subir novos degraus no "ranking" olímpico.

A simbologia dos recordes e do ouro é sem dúvida significativa, mas não deixa de ser simbologia apenas.

Sediar a Olimpíada -outra questão em que os brios nacionais se acendem- tampouco fará, por si só, do Brasil um país diferente do que é.

Afinal, seu engrandecimento, no esporte como em qualquer outra área, não se mede em recordes, prêmios e medalhas, mas sim na conquista de uma vida melhor para a população.

Por Juca Kfouri às 16h43

Lata!!!!!!!

Para 61% dos mais de 1500 blogueiros que responderam à sondagem, o desempenho brasileiro em Pequim foi digno de uma medalha de lata.

Este blogueiro discorda.

Para 30%, mereceu o bronze, o que parece mais correto.

Há 5% de otimistas que ficaram com a prata.

E 4% deram mesmo medalha de ouro.

Na verdade verdadeira, para um país como o nosso, o que menos importa é o número de medalhas em Jogos Olímpicos.

Interessa mesmo o número de brasileiros que pratica algum tipo de esporte, dever do Estado, direito do cidadão, segundo a Constituição.

Por Juca Kfouri às 15h03

A culpa dos campeões

Por MARCELO MORAES*

Como? Como vocês ousaram? Não é assim que fazemos por essas bandas. Nosso papel é, com raríssimas exceções, o de meros espectadores do sucesso alheio nos mais diversos esportes. Mesmo no futebol, onde somos os maiores, há equilíbrio. Somos craques em arrumar desculpas para nosso fracasso, desde o complexo de vira-latas até o ‘a experiência foi válida’.

E ainda assim vocês desafiaram nossa postura de 4º escalão e dominaram o esporte na última década. O desempenho foi muito acima do normal. Mais de vinte títulos em 6 anos. Não há nenhum torneio que vocês não tenham vencido. Ousaram nos mostrar que podemos mais, muito mais. Que não somos piores que ninguém. Que a fórmula de planejamento mais talento e muito trabalho dá resultado. E aí, foi demais. Tínhamos que nos vingar, afinal isso não é Brasil.

Na hora de buscar desculpas e apontar culpados, onde somos craques, finalmente encontramos razões para criticá-los. Como perder a Liga Mundial dentro de casa? Como perder a final olímpica? A medalha de prata é pouco.

Tão difícil ver o óbvio. Nesse esporte o equilíbrio é gigantesco. Ganhar o que vocês ganharam é feito de 12 Hércules, que vocês foram e continuam sendo. O normal é que haja um revezamento entre três ou quatro seleções ganhando os principais títulos. Simples assim.

Nossa miopia nos impede de enxergar e, mais que isso, reconhecer devidamente uma das maiores equipes de esporte coletivo de todos os tempos. Um time de talento, trabalho e brio. Que mesmo quando cai, cai de pé e de cabeça erguida.

Um tremendo exemplo para todos nós.

Parabéns!

*Marcelo Moraes é gerente de marketing.

Por Juca Kfouri às 13h10

A campanha contra as campanhas

Por RODRIGO FOCACCIO*

Sobre o desempenho da equipe brasileira:

Não vamos falar mal dos resultados.
Nem fazer troça com nossos fracassos.
Mas também não faremos odes ufanistas.

Faremos uma Campanha.

Não uma qualquer.

Mas, uma contra-Campanha.

Contra a campanha para as Olimpíadas do Rio de Janeiro-2016 e qualquer outra que vier, por ora.

Nada relacionado com bairrismo paulista.

Nem com o complexo de inferioridade do brasileiro.

Apenas uma questão prática.

Vamos usar o investimento (nem que seja de esforço, ainda recuperável) dessas campanhas para o esporte que, convenhamos, está precisando.

Desde quando, o leitor vê o Brasil abaixo do potencial em Jogos?

Desde quando, você ouve falar: Campanha para as Olimpíadas do Rio de Janeiro 20XX?

As Olimpíadas podem ser muito benéficas para um país, se dirá.

No caso da China, serviu muito bem para mostrar ao mundo o quanto é podre sua política de censura e opressão às outras nações e ao seu próprio povo.

Oitos fora, eles foram os primeiros no quadro de medalhas, lá em cima, muito longe do Brasil.

Por isso, o nosso esporte não precisa de uma Olimpíada aqui.

Talvez nossa política até precise.

Mas como essa daí é ainda mais, um pouco mais, complexa, queremos propor que os esforços das Campanhas para os jogos aqui em solo verde-amarelo, sejam redirecionados para os atletas.

Quando houver em nossa terra em transe grandes equipes que possam nos colocar no devido lugar do quadro de medalhas, apoiaremos uma Campanha para as Olimpíadas do Rio de Janeiro que, nesse dia, certamente será um lugar melhor para a grandiosidade que o evento merece.

Além disso, nossos caros dirigentes poderiam ficar tranquilos.

Uma Olimpíada alguns anos mais tarde do que 2016 seria um boa maneira para que os mesmos apoiadores do esporte, que há tanto tempo estão trabalhando para o bem da nação, deixem um legado para que outros possam ver o Brasil fazer bonito em casa.

Ou você espera que esses mesmos organizem em 2016 ganhando de Madri, Tóquio ou Chicago?

Aqui, não é essa a torcida.

Diga não às campanhas, ou virá uma outra logo após os Jogos de Londres 2012.

*Rodrigo Focaccio é blogueiro do www.cultebol.com

Por Juca Kfouri às 13h08

Orlando Silva , a farsa

Orlando Silva foi o cantor das multidões, como se sabe.

O ministro do Esporte, seu homônimo, é o enganador das maultidões.

O "Globo" publica hoje duas declarações dele.

A primeira, sensata, óbvia.

A segunda, cretina, pois retoma a lógica da Guerra Fria.

Diz Orlando Silva, o enganador: "É importante fixar metas para saber o quanto que o Brasil terá de investir".

Clap, clap, clap, porque Carlos Nuzman, o presidente do COBRE, não quer saber de prestar contas, avaliações etc. Só quer cobrar mais grana.

Aí, no entanto, vem a conclusão, digna de um idiota da objetividade, para citar Nelson Rodrigues:

"Acredito também que devemos valorizar mais as modalidades individuais, como as lutas e o levantamento de peso, por exemplo, que concentram um grande número de medalhas".

Enquanto o cartola quer grana, grana e grana, o enganador quer medalha, medalha e medalha, como se fosse esta a missão de um ministro do Esporte num país como o Brasil.

E, pior, daqui a pouco ele pedirá que nossos atletas troquem o futebol, o vôlei, a natação, o atletismo, por halterofilismo etc.

Político do PCdoB que um dia trocou a China pela Albânia e parece querer voltar atrás, nem sabe ele que o próprio ministro do Esporte chinês, reconheceu que o modelo esportivo dos Estados Unidos é superior, mesmo tendo ficado em segundo lugar, porque contempla os esportes mais nobres.

E nós, no Brasil, não devemos nem seguir o modelo chinês baseado em disciplina militar e voltado para quebrar recordes nem o estadounidense, porque temos antes um milhão de carências para cuidar e sem investimento na massificação do esporte nada mudará.

Mas, é claro, não será com políticos como Orlando Silva, que faz o cantor das multidões se revirar no túmulo.

Por Juca Kfouri às 12h41

Se o ouro valesse 3 pontos...

Por LINEU FACHIN LEONARDO

Se o ouro valesse três, a prata dois e o bronze um, não haveria alteração nos quatro primeiros colocados pelo critério de medalhas de ouro.

A China seguiria em primeiro lugar com 223 pontos, os EUA em segundo com 220, a Rússia em terceiro e o Reino Unido em quarto.

A primeira mudança seria exatamente no quinto lugar, que passaria a ser da Austrália, que trocaria de posição com a Alemanha, 89 pontos para uma, 83 para outra.

O Brasil subiria quatro posições, do 23o. para o 19o. lugar.

Por Juca Kfouri às 00h25

25/08/2008

Atitude? Qual?

*Por JULIAN MARTÍNEZ

JÁ estamos cansados de ouvir dizer, e repetir, que o que falta para a Seleção Brasileira é atitude por parte de seus maiores craques.

Ouvimos seguidamente as críticas a indiferença e até a empáfia do Ronaldinho, assim como já ouvimos o mesmo em relação a Ronaldo, Kaká, Roberto Carlos, entre outros.

Alexandre Pato começa a ser o mais novo acusado pela tal falta de atitude, mas... qual atitude?

Peguemos o caso do Ronaldinho.

Não jogava desde março e passou por seguidas contusões, o que naturalmente o deixou fora de forma física e sem ritmo de jogo.

Mesmo assim foi convocado para as olimpiadas e, mesmo com todas suas limitações de momento, aceitou.

Como era de se esperar, seu futebol foi compátivel com o de um craque sem ritmo de jogo, o que aconteceria com qualquer um.

E mesmo sabendo desse risco, Ronaldinho foi, entrou em campo, foi mais uma vez malhado pela crítica e dado como acabado para o futebol.

Então, que atitude poderíamos ter esperado do Ronaldinho?

Fazer o então impossível e jogar acima de sua capacidade física?

Não.

A atitude correta do Ronaldinho, e de todos os jogadores que se dão ao respeito, seria recusar a convocação.

Claro que e quase impossível imaginar algo assim, uma vez que o próprio técnico da seleção, aquele que sempre foi admirado pela sua "atitude", parece ter esquecido a sua maior virtude nos campos, e virou mais um capacho da CBF.

Mas não perco a esperança.

E talvez a virada do futebol brasileiro esteja nos jogadores, sim, quando estes perceberem que a mudança está nas mãos deles.

Lanço aqui a proposta de que os jogadores simplesmente recusem jogar pela Seleçao (da CBF, pois nossa, hoje, ela não é) enquanto Ricardo Teixeira estiver no comando.

Vejo essa verdadeira atitude como uma alternativa de impacto para começar a revolução que queremos.

E profissionalmente seria ótimo para eles, pois seus clubes aplaudiriam de pé.

*Julian Martínez é leitor deste blog.

Por Juca Kfouri às 17h40

Saúde, campeões mundiais!

Já que Ricardo Teixeira não cumpriu mais uma promessa, uma empresa particular, a Sinasa, tratou de garantir a assistência médica a todos os campeões mundiais pela Seleção Brasileira.

A cerimônia acontecerá daqui a pouco no salão nobre do estádio do Pacaembu, com a presença de campeões como Bellini, Carlos Alberto Torres, Coutinho, Dino Sani, Félix, Gilmar Rinaldi, Mauro Silva, Muller, Paulo César Caju, Paulo Sérgio e Rivellino.

A parceria é resultado do esforço da Associação dos Campeões Mundiais do Brasil, fundada por Marcelo Neves, filho do goleiro bicampeão mundial (1958/62) Gylmar dos Santos Neves.

Por Juca Kfouri às 17h29

O COB morreu. Viva o COBRE!

Se a CBF é a Casa Bandida do Futebol, o COB passa a ser, de agora em diante, o COBRE.

E nem é pelo metal, que apenas honra os que o conquistam nas competições.

E porque o sr. Carlos Nuzman, em seu infinito cinismo, ainda quer mais que o 1 bilhão e 200 milhões de reais investidos pelo governo federal nos últimos quatro anos em esportes de alto rendimento.

Ele quer mais!

Ele só fala em cobrar, mas contas não quer prestar.

O COB morreu. Viva o COBRE!

Por Juca Kfouri às 16h49

Na 'Folha" de hoje

JUCA KFOURI

O rabo de cavalo e o ninho de rato

Como cobrar dos atletas se a fauna da cartolagem nacional tem todos os bichos, menos os mais nobres?


GANHAR OU PERDER faz parte do esporte e dos chavões da vida. Quase redundância.

Sem educação, saúde e política esportiva, ganhar é sinônimo de surpresa num país como o Brasil, fora as exceções de praxe.

Perder é a regra e, a rigor, não tem maior importância se houvesse pelo menos um esforço no sentido de pensar o esporte como fator de saúde pública (cada dólar investido no esporte economiza três na saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde) e de inclusão social.

Mas qual!

Verdade que nunca antes neste país se investiu tanto em esporte, mas só no de alto rendimento.

Quase R$ 1,2 bilhão no último ciclo olímpico, graças a leis como a Lei Piva e a lei de incentivo ao esporte, além dos diversos convênios com empresas estatais do tipo Banco do Brasil, Correios, Caixa Econômica Federal etc.

Dividido por 15 medalhas, o mesmo número ganho em Atlanta, 12 anos atrás, cada medalha custou cerca de R$ 79 milhões, para nem falar que as três de ouro foram menos que as cinco de Atenas.

Porque isso, de fato, é o de menos.

Ficar atrás no quadro de medalhas de países ainda piores como Jamaica, Quênia ou Etiópia é tão circunstancial como ficar adiante da Nova Zelândia, da Suécia ou do Chile.

Porque o Brasil não é pior que o trio que o superou nem muito menos melhor do que o que ficou atrás, simplesmente porque os primeiros também têm seus fenômenos e os últimos têm outras prioridades.

Terrível mesmo, além de ver os sucessivos governos brasileiros cúmplices dos cartolas, é pegar um como o sr. Carlos Nuzman em meio às mentiras patéticas que tentou nos enfiar goela abaixo em seu balanço pós-Pequim, quando quis provar que o desempenho brasileiro cresceu.

Só se for como o crescimento de rabo de cavalo.

Tudo, é claro, para pedir ainda mais recursos e para incrementar a campanha pelos Jogos Olímpicos no Brasil, em 2016, com a anuência, também, do domado Rei Pelé.

Certo está o jornalista FERNANDO VICTORINO, da ESPN Brasil, que inspirado no Ninho de Pássaro, de Pequim, propôs um Ninho de Rato para o Rio de Janeiro, para que nossos cartolas não se sintam deslocados, peixes fora d'água.

Porque chega a ser acintoso, um deboche mesmo, que Nuzman, desde 1995 na presidência do Comitê Olímpico Brasileiro, nos impinja discurso tão desqualificado, incapaz de buscar soluções, porque as soluções que busca se limitam às que atendam ao seu bem-estar, mordomias e privilégios.

Papagaio de pirata em cada medalha conquistada, Nuzman foi sumindo dia após dia em que os resultados por sorte ou por azar não vinham, porque o acaso não é aliado dos incompetentes, para dizer o mínimo.

Como o digníssimo ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., que sumiu, qual um avestruz ou como a vara de Murer, embora tenha um discurso quase impecável, a léguas de distância da prática, mais para Jadel do que para Maurren.

E não é que depois de ter tentado vetar a ida da psicóloga do vôlei feminino, Nuzman quer agora que cada delegação leve uma?

Mas nem Freud explica este país da rapaziada bronzeada.

blogdojuca@uol.com.br

 

Por Juca Kfouri às 09h59

O silêncio do Terror

Por ROBERTO VIEIRA

Hoje, o Recife é uma cidade em silêncio. O povo humilde nas ruas já não canta. A pobreza subitamente ficou mais triste. O Santa Cruz, antigo Terror do Nordeste, acordou quase na Série D do futebol brasileiro.

O Mundão do Arruda com sua legião de fiéis está vazio.

Porque o Santa Cruz não é um clube de anéis de diamante. Carros importados. O Santa Cruz não nasceu em berço de ouro. O Santa Cruz é um clube feito de mangue e lágrimas. Mocambos e favelas. Longe dos palacetes de Rosa e Silva. Distante da fortuna da Abdias de Carvalho.

O Santa Cruz é a expressão mais perfeita de uma cidade feita de constrastes. Das pontes que cruzam o Capibaribe, holandesas. Das crianças que moram sob as pontes, africanas.

Mas, se resta um consolo aos torcedores que guardaram suas surradas camisas tricolores na saudade. É a certeza de que a torcida tricolor não foi derrotada. Pois a paixão destes abnegados que só pensam no Santa Cruz com o coração permanece invicta.

Derrotados foram os dirigentes que durante décadas se aproveitaram do amor da torcida coral para se elegerem semideuses. Para serem heróis da mídia. Para multiplicarem seus haveres. Estes senhores não possuem a dignidade deste povo que hoje sofre em silêncio.

Porque hoje o Recife é uma cidade em silêncio.

A pobreza, subitamente, ficou mais triste...

Por Juca Kfouri às 09h55

Previsões, previsões, nada mais que previsões

Lembra das previsões da Pricewaterhousecoopers para Pequim, repleta de explicações científicas?

Era tudo baseado em desempenho anteriores nos Jogos Olímpicos de 1988 para cá, em índices de desenvolvimento de cada país, suas populações, produtividade etc.

Pois eles previram 88 medalhas para a China, que conquistou 100.

Os EUA ficariam com 87 e ficaram com 110.

A Rússia com 79, sete a mais do que obtiveram.

Com a Alemanha, foram bem: previram 43, os alemães ganharam 41.

Com a Itália também: imaginaram 29, deu 28.

Acertaram na mosca com as medalhas cubanas: 24!

Mas previram 41 e a Austrália ganhou 46.

Para o Japão seriam 34 e foram 25.

Para França, pensaram em 30. Foram 40!

E não erraram muito conosco: o Brasil ganharia 12 e ganhou 15.

Mas, seja feita justiça, com pequenas inversões de colocações, eles acertaram os 12 primeiros.

Como na conta deles vale o total de medalhas, os Estados Unidos seriam os primeiros e não a China, como previram.

O erro mais grosseiro foi com o Reino Unido, que eles previram em nono lugar e foi quarto também no critério por total de medalhas.

Mas acertaram, por exemplo, a Rússia em terceiro.

Por Juca Kfouri às 23h18

24/08/2008

Teixeira, imbatível!

Para 72% dos pouco mais de 500 que responderam a sondagem, Ricardo Teixeira consegue ser pior que Carlos Nuzman.

Por Juca Kfouri às 22h45

O rabo de cavalo de Carlos Nuzman

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro teve a coragem de dizer que o Brasil progrediu em Pequim.

De Atenas, quatro anos atrás, o Brasil trouxe cinco medalhas de ouro.

Desta vez trouxe três.

Em Atlanta, 12 anos atrás, o Brasil ganhou as mesmas 15 medalhas de Pequim.

O desempenho brasileiro cresceu para baixo, como rabo de cavalo.

Pior ainda porque nunca antes neste país se dera tanto dinheiro ao esporte de competição, nada menos do que 1 bilhão e duzentos mil reais, nos últimos quatro anos.

Cada medalha custou, portanto, a monstruosidade de 80 milhões de reais.

E não se investe quase nada na prática de esportes nas escolas, nas favelas, entre os de terceira idade, portadores de deficiência etc.

E não se leva em conta os dados da Organização Mundial da Saúde que ensinam que cada dólar que se investe em massificação do esporte significa poupar três em saúde pública.

A entrevista de Nuzman foi mais deprimente que a perda da vara da saltadora brasileira ou que o choro do nosso judoca excluído ou do nosso ginasta caído.

Se Maurren Mágica, o vôlei feminino e César Cielo Filho de Ouro são mesmo de ouro;

se o vôlei masculino de quadra, de praia, o futebol feminino e o iatismo são de prata;

e se ainda houve o vôlei de praia masculino que é de bronze, como a Falavigna do taekwondo, as velejadoras, até o futebol masculino, além dos judocas, do Cielo de novo, Nuzman volta da China também com uma medalha:

obviamente de lata!

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 25 de agosto de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 22h12

Uma rodada palmeirense no Brasileirão

Foi quase tudo como o Palmeiras queria.

Porque seu time enfiou 4 a 2 na Lusa no Pacaembu e assumiu a vice-liderança do Brasileirão.

Depois de ter levado uma traulitada do Inter no meio da semana passada, eis que o Palmeiras acorda em segundo lugar nesta segunda-feira.

Só não foi exatamente como o Palmeiras queria porque o Grêmio empatou no fim com o Náutico e o Botafogo não perdeu para o Vasco, como o Cruzeiro perdeu para o Santos.

Verdade que o gol no minuto final do Grêmio foi compensado com o gol no minuto final do Vasco, que impediu que o Botafogo fosse o vice-líder.

E se a diferença para o Grêmio era de quatro pontos e agora é de cinco, poderia ser de sete e não é.

Ou seja, o Verdão saiu no lucro.

A rodada teve 28 gols e um público pagante de 148.492 torcedores, sem o jogo do Ipatinga, que não tem competência nem sequer para cumprir o Estatuto do Torcedor neste aspecto tão pequeno, divulgar renda e público durante o transcorrer do jogo.

A média assim, com o total dividido por nove, foi de 16.499 torcedores.

O pior público aconteceu no Mineirão, com apenas 4.274 torcedores do Galo, embora o Ipatingão deve ter recebido ainda menos gente,

Os maiores ficaram por conta do clássico carioca, com 35.619, no Maracanã, e com o Couto Pereira, que recebeu 34.232 pagantes.

Por Juca Kfouri às 21h30

Grêmio se safa, Fogão sofre e Galo goleia

No duelo entre os Atléticos, no Mineirão, o alvinegro foi muito melhor que o rubro-negro e venceu por 4 a 0, com gols de Serginho e Lenílson no primeiro tempo e de Marques e Luís Gustavo no segundo.

O Galo, assim, fica a seis pontos da ZR e deixa o Furacão apenas com um ponto a mais que o primeiro da ZR, o Náutico.

Já na batalha do aflito, o Náutico, no Recife, em jogo equilibrado, o alvirubro exigiu ao menos um milagre do goleiro Victor no primeiro tempo e saiu na frente do líder Grêmio no segundo, para alegria de todos os demais torcedores nacionais.

O gol, aos 11, foi de Paulo Santos, depois de ótima descida de Felipe pela direita.

Mas o Grêmio adora o estádio dos Aflitos.

E foi buscar, aos 49 minutos, o seu empate, num bola que teimava em não entrar, mas que Réver botou para dentro com uma bomba.

Épico, mais uma vez.

E no clássico carioca, o Vasco marcou o Botafogo enquanto pôde, até criou bons momentos no primeiro tempo, mas foi superado no segundo, depois que, aos 8, Carlos Alberto bateu cruzado, Roberto defendeu parcialmente e Wellington Paulista empurrou para as redes.

No último minuto regulamentar, sem merecer, mas legalmente, o Vasco empatou, depois que Rodrigo Antônio desviou uma cobrança de falta de Madson, pela direita.

E, já nos acréscimos, Carlos Alberto perdeu a chance de botar o Botafogo na frente de novo.

O Glorioso é o quarto do G4, o que está de bom tamanho para quem teve que fugir da ZR.

O Grêmio tem cinco pontos de vantagem sobre o Palmeiras, o único do G4 que venceu na rodada.

Por Juca Kfouri às 20h15

'Confissão' à praça

Quando criança, já contei isso outras vezes, era Botafogo, desde 1957, ano em que o Glorioso foi campeão carioca e o Corinthians perdeu um título estadual que era considerado no papo.

Alvinegro no Rio, o Fogão compensava as derrotas em São Paulo.

Em 1975, mudei

De armas e bagagens para o Fluminense, que abrigara Roberto Rivellino, injustamente posto para fora do Corinthians pela Fiel.

E fui Flu até 20 de janeiro de 1982, quando, num dia de São Sebastião, vi o Mengo de Zico e Júnior virar para 3 a 2 um jogo que perdia para o São Paulo de Darío Pereyra e Mário Sérgio por 2 a 0, movido pelo "Oh, meu Mengão, eu gosto de você", entoado por mais de 85 mil vozes no Maracanã.

De arrepiar.

Depois disso, até um título de "Sócio Honorário" do Flamengo eu ganhei do antigo Márcio Braga.

Vascaíno, no entanto, jamais fui, por mais simpatia que tivesse por sua história e por alguns amigos queridos como o saudoso Hedyl Valle Júnior, Milton Coelho da Graça, o também saudoso Jairo Régis, Sérgio Cabral, Luizinho Nascimento, enfim, tantos.

Mas acabo de perceber, ao acompanhar Vasco e Botafogo, que ando torcendo pelos cruzmaltinos, apesar da belíssima reação botafoguense e do quanto seria bom se a gestão de Bebeto de Freitas fosse coroada com um título nacional.

É que, ao mesmo tempo, Roberto Dinamite também tem que dar certo e é mais fácil torcer para o Vascão não cair do que para o Fogão ser campeão.

Dá pra entender?

Na verdade, nem eu sei se entendo...

Por Juca Kfouri às 18h31

Palmeiras e Santos se dão bem

O Inter teve tudo para matar o jogo no primeiro tempo no Beira-Rio.

Mas só fez gol, com Nilmar, graças a uma lambança incrível de Bruno.

O Inter não fez o segundo gol umas cinco vezes.

Resultado: tomou o empate, 1 a 1, de Obina, no segundo tempo, em saída em falso de Clemer.

Ótimo para o Mengo, péssimo para o Colorado.

Se bem que, no fim do jogo, o rubro-negro teve duas chances de ouro para ganhar a partida, uma com Erick Flores, na trave, e outra com Obina.

Mas Nilmar teve também, e chutou fora.

Em Santos, mais uma vez, o caseiro Cruzeiro se deu mal.

Tomou um vareio do Santos no primeiro tempo e tomou só um gol, de Kléber Pereira.

No segundo tempo tomou mais um, do mesmo Kléber.

Nem por isso, o Santos saiu da ZR, mas o resultado foi pra lá de bom.

Kléber Pereira disputa, a exemplo do que fez no Paulistinha, a artilharia com Alex Mineiro.

Alex Mineiro fez dois na goleada do Palmeiras sobre a Lusa, no Pacaembu.

Os dois centrovantes têm 15 gols no Brasileirão.

O gozado foi que a Portuguesa começou bem, incomodando Marcos três vezes de fora da área.

Mas o Palmeiras fez quatro só no primeiro tempo, graças a duas bobagens do goleiro luso e ao seu esforço, com gols também do zagueiro Gustavo é de Kléber.

No segundo tempo, a Lusa diminuiu com dois gols de Jonas.

O Verdão é vice-líder e secará o Grêmio, que enfrentará o Náutico daqui a pouco, para que não aumente a diferença de quatro pontos, e o Botafogo, que se ganhar do Vasco também daqui a pouco, assume a vice-liderança.

Em Ipatinga, o Goiás cometeu o pecado de perder do time da casa: 1 a 0, gol de Ferreira.

E no Couto Pereira lotado, o melhor jogado até aqui neste domingo.

Disputado por dois times que buscaram o gol o tempo todo.

O Coritiba sempre na frente, 1 a 0 com Ricardinho, 2 a 1 com Keirrison, graças a duas bobeadas da defesa tricolor.

A primeira numa rápida cobrança de falta do coxa e a segunda em igualmente ligeira cobrança de arremesso lateral.

Menos mal, para o São Paulo, que Rodrigo fez um de cabeça e deu outro para Hugo fazer, 1 a 1 no primeiro tempo, 2 a 2 no segundo.

Mas nem um nem outro chegaram ao G4.

Por Juca Kfouri às 17h53

Jamaica na frente!

Por RODRIGO DE CASTRO RESENDE*

Muito se discutiu nessa Olimpíada sobre a forma de se organizar a contagem de medalhas visando indicar qual país seria o grande campeão de Pequim 2008.

Pelo critério de número de ouros a China seria a grande campeã com 50 medalhas douradas, já pelo número total de medalhas (somando-se ouros, pratas e bronzes) o campeão seria os Estados Unidos com 110 conquistas.

Pois bem, ao fim das disputas e da distribuição dos prêmios em Pequim realizei um outro levantamento que considero ser importante para a compreensão não só dos jogos , mas de como anda o investimento em esporte no mundo.

Com a ajuda do site GeoHive (http://www.xist.org/earth/population1.aspx ), um portal que disponibiliza dados sobre a população mundial e sua distribuição, fiz as médias de todos os países que conquistaram medalhas em relação a sua demografia. Confira o resultado considerando todas as medalhas (ouros, pratas e bronzes):

POS País   O P B TOt POPULAÇ POP/TOT

1 Bahamas 0 1 1 2 387.451 193.726

2 Jamaica 6 3 2 11 2.804.332 254.939

3 Islândia 0 1 0 1 304.367 304.367

4 Eslovênia 1 2 2 5 2.007.711 401.542

5 Austrália 14 15 17 46 20.600.856 447.845

6 N Zelândia 3 1 5 9 4.173.460 463.718

7 Noruega 3 5 2 10 4.644.457 464.446

8 Cuba 2 11 11 24 11.423.852 475.994

9 Armênia 0 0 6 6 2.888.586 481.431

10 Tr e Tobago 0 2 0 2 1.017.366 508.683

11 Bielo-Rússia 4 5 10 19 9.685.768 509.777

12 Afeganistão 0 0 1 1 647.500 647.500

13 Estônia 1 1 0 2 1.307.685 653.843

14 Letônia 1 1 1 3 2.128.180 709.393

15 Lituânia 0 2 3 5 3.585.205 717.041

16 Barein 1 0 0 1 719.306 719.306

17 Mongólia 2 2 0 4 2.998.891 749.723

18 Geórgia 3 0 3 6 4.630.841 771.807

19 Dinamarca 2 2 3 7 5.484.723 783.532

20 Croácia 0 2 3 5 4.491.543 898.309

21 Eslováquia 3 2 1 6 5.455.407 909.235

22 Hungria 3 5 2 10 9.930.915 993.092

23 Holanda 7 5 4 16 16.645.313 1.040.332

24 Azerbaidjão 1 2 4 7 8.177.717 1.168.245

25 Cazaquistão 2 4 7 13 15.340.533 1.180.041

26 Suíça 2 0 4 6 7.581.520 1.263.587

27 Ilhas Maurício 0 0 1 1 1.274.188 1.274.188

28 Grã-Bretanha 19 13 15 47 60.943.912 1.296.679

29 Finlândia 1 1 2 4 5.244.749 1.311.187

30 Irlanda 0 1 2 3 4.156.119 1.385.373

31 Bulgária 1 1 3 5 7.262.675 1.452.535

32 França 7 16 17 40 64.057.790 1.601.445

33 R. Tcheca 3 3 0 6 10.220.911 1.703.485

34 Ucrânia 7 5 15 27 45.994.287 1.703.492

35 Suécia 0 4 1 5 9.045.389 1.809.078

36 Canadá 3 9 6 18 33.212.696 1.845.150

37 Coréia Sul 13 10 8 31 58.145.321 1.875.656

38 Rússia 23 21 28 72 140.702.094 1.954.196

39 Alemanha 16 10 15 41 82.369.548 2.009.013

40 Itália 8 10 10 28 58.145.321 2.076.619

41 Espanha 5 10 3 18 40.491.051 2.249.503

42 Quirguistão 0 1 1 2 5.244.749 2.622.375

43 Grécia 0 2 2 4 10.722.816 2.680.704

44 Quênia 5 5 4 14 37.953.838 2.710.988

45 Áustria 0 1 2 3 8.205.533 2.735.178

46 EUA 36 38 36 110 303.824.646 2.762.042

47 Romênia 4 1 3 8 22.246.862 2.780.858

48 Sérvia 0 1 2 3 8.832.338 2.944.113

49 Zimbábue 1 3 0 4 12.382.920 3.095.730

50 Panamá 1 0 0 1 3.292.693 3.292.693

51 Tadjiquistão 0 1 1 2 7.211.884 3.605.942

52 Polônia 3 6 1 10 38.500.696 3.850.070

53 Coréia Norte 2 1 3 6 23.479.089 3.913.182

54 Moldávia 0 0 1 1 4.324.450 4.324.450

55 Cingapura 0 1 0 1 4.608.167 4.608.167

56 Uzbequistão 1 2 3 6 28.268.440 4.711.407

57 R Dominic 1 1 0 2 9.507.133 4.753.567

58 Japão 9 6 10 25 127.288.419 5.091.537

59 Bélgica 1 1 0 2 10.403.951 5.201.976

60 Portugal 1 1 0 2 10.676.910 5.338.455

61 Taiwan 0 0 4 4 22.920.946 5.730.237

62 Togo 0 0 1 1 5.858.673 5.858.673

63 Argentina 2 0 4 6 40.667.348 6.777.891

64 Israel 0 0 1 1 7.112.359 7.112.359

65 Turquia 1 4 3 8 71.892.807 8.986.601

66 Tunísia 1 0 0 1 10.383.577 10.383.577

67 Etiópia 4 1 2 7 78.254.090 11.179.156

68 Brasil 3 4 8 15 191.908.598 12.793.907

69 China 51 21 28 100 1.330.044.605 13.300.446

70 Equador 0 1 0 1 13.927.650 13.927.650

71 Tailândia 2 2 0 4 65.493.298 16.373.325

72 Chile 0 1 0 1 16.454.143 16.454.143

73 Argélia 0 1 1 2 33.769.972 16.884.986

74 Marrocos 0 1 1 2 34.343.219 17.171.610

75 Camarões 1 0 0 1 18.467.692 18.467.692

76 Colômbia 0 1 1 2 45.013.874 22.506.937

77 Malásia 0 1 0 1 25.274.133 25.274.133

78 Venezuela 0 0 1 1 26.414.815 26.414.815

79 Irã 1 0 1 2 65.875.223 32.937.612

80 Nigéria 0 1 3 4 138.283.240 34.570.810

81 México 2 0 1 3 109.955.400 36.651.800

82 Sudão 0 1 0 1 40.218.455 40.218.455

83 Africa do Sul 0 1 0 1 43.786.115 43.786.115

84 Indonésia 1 1 3 5 237.512.355 47.502.471

85 Egito 0 0 1 1 81.713.517 81.713.517

86 Vietnã 0 1 0 1 86.116.559 86.116.559

87 Índia 1 0 2 3 1.147.995.898 382.665.299

Reparem que por esse ranking o Brasil, vigésimo terceiro na colocação geral, fica na posição de número 68 sendo 87 os países que conquistaram medalhas nesta edição dos jogos.

Cada medalha verde-amarela, independente do metal, valeria para 12 milhões e setecentas mil pessoas.

Com esta média, para cada 12 milhões e setecentos brasileiros apenas um estaria no pódio olímpico.

Embora a primeira colocação deste quadro seja de Bahamas, até mesmo em função de sua reduzida população, destaca-se neste quadro dois países: a Jamaica com suas 11 medalhas e a média de 254 mil jamaicanos para cada uma delas e a Austrália com 46 medalhas para uma população de mais de 20 milhões de habitantes, média de quase quatrocentos e cinqüenta mil australianos por medalha, uma média consideravelmente baixa.

Agora apresento o quadro com a relação entre população e medalhas de ouro:

POS País  O POPULAÇ POP/O

1 Jamaica 6 2.804.332 467.389

2 Barein 1 719.306 719.306

3 Estônia 1 1.307.685 1.307.685

4 N Zelândia 3 4.173.460 1.391.153

5 Austrália 14 20.600.856 1.471.490

6 Mongólia 2 2.998.891 1.499.446

7 Geórgia 3 4.630.841 1.543.614

8 Noruega 3 4.644.457 1.548.152

9 Eslováquia 3 5.455.407 1.818.469

10 Eslovênia 1 2.007.711 2.007.711

11 Letônia 1 2.128.180 2.128.180

12 Holanda 7 16.645.313 2.377.902

13 Bielo-Rússia 4 9.685.768 2.421.442

14 Dinamarca 2 5.484.723 2.742.362

15 Grã-Bretanha 19 60.943.912 3.207.574

16 Panamá 1 3.292.693 3.292.693

17 Hungria 3 9.930.915 3.310.305

18 Rep Tcheca 3 10.220.911 3.406.970

19 Suíça 2 7.581.520 3.790.760

20 Coréia do Sul 13 58.145.321 4.472.717

21 Alemanha 16 82.369.548 5.148.097

22 Finlândia 1 5.244.749 5.244.749

23 Romênia 4 22.246.862 5.561.716

24 Cuba 2 11.423.852 5.711.926

25 Rússia 23 140.702.094 6.117.482

26 Ucrânia 7 45.994.287 6.570.612

27 Bulgária 1 7.262.675 7.262.675

28 Itália 8 58.145.321 7.268.165

29 Quênia 5 37.953.838 7.590.768

30 Cazaquistão 2 15.340.533 7.670.267

31 Espanha 5 40.491.051 8.098.210

32 Azerbaidjão 1 8.177.717 8.177.717

33 EUA 36 303.824.646 8.439.574

34 França 7 64.057.790 9.151.113

35 R Dominicana 1 9.507.133 9.507.133

36 Tunísia 1 10.383.577 10.383.577

37 Bélgica 1 10.403.951 10.403.951

38 Portugal 1 10.676.910 10.676.910

39 Canadá 3 33.212.696 11.070.899

40 Coréia Norte 2 23.479.089 11.739.545

41 Zimbábue 1 12.382.920 12.382.920

42 Polônia 3 38.500.696 12.833.565

43 Japão 9 127.288.419 14.143.158

44 Camarões 1 18.467.692 18.467.692

45 Etiópia 4 78.254.090 19.563.523

46 Argentina 2 40.667.348 20.333.674

47 China 51 1.330.044.605 26.079.306

48 Uzbequistão 1 28.268.440 28.268.440

49 Tailândia 2 65.493.298 32.746.649

50 México 2 109.955.400 54.977.700

51 Brasil 3 191.908.598 63.969.533

52 Irã 1 65.875.223 65.875.223

53 Turquia 1 71.892.807 71.892.807

54 Indonésia 1 237.512.355 237.512.355

55 Índia 1 1.147.995.898 1.147.995.898

 

Novamente o destaque é Jamaicano.

Com a grande contribuição de Usain Bolt, a terra de Bob Marley fica com a primeira colocação, com a média de uma medalha de ouro para cada 460 mil habitantes. Destaco aqui novamente a Austrália e também a Grã Bretanha que com 60 milhões de habitantes, chegou a 19 ouros, média de uma medalha dourada para cada 3 milhões e duzentos mil habitantes.

E o Brasil?

São 55 os países que subiram ao topo do pódio nos jogos olímpicos e entre estes, na média da população, nosso país fica na posição de número 51.

As medalhas douradas de César Cielo, do Vôlei feminino e de Maurren Maggi valeram cada uma por aproximadamente 64 milhões de brasileiros, população maior, por exemplo, que da Grã Bretanha.

O interessante desta análise é notar que a China não fica em uma posição elevada, ocupa "apenas" a quadragésima sétima posição, com uma medalha de ouro para cada 26 milhões de chineses.

Esses quadros demonstram que o investimento esportivo no Brasil precisa ser ostensivo se de fato o país quiser alcançar posições privilegiadas nos rankings do esporte mundial.

Acredito que o esporte deve começar na escola e ser trabalhado fortemente nas universidades brasileiras, afim de semear boas sementes saber trata-las com o devido cuidado.

O Brasil também precisa de mais centros de excelência como o da Ginástica em Curitiba e o do vôlei em Saquarema, centros que já vem apresentando resultados concretos. Enfim, o Brasil precisa de uma política esportiva, que o espírito olímpico atinja nossos dirigentes.

*Rodrigo de Castro Resende é estudante do 8º Período de Jornalismo da Universidade Federal de Viçosa

www.segundamg.blogspot.com

rcaresende@yahoo.com.br

Por Juca Kfouri às 16h51

Ouro é ouro

Com mais de mil respostas, quase a metade dos que responderam acha, como o dono do blog, que medalhas de ouro têm igual valor: 49,32% responderam assim.

Mas 23,84% consideram que o ouro de Maurren Mágica vale mais, assim como 15.73% apontaram o das meninas do vôlei e apenas 11.01% ficaram com o de César Cielo Filho de Ouro.

 

Por Juca Kfouri às 15h31

Basquete de primeiríssima

O que o cansaço e o sono impediram que eu visse ao vivo, vi agora, gravado: o segundo tempo de Estados Unidos e Espanha na decisão do basquete.

Que jogo!

118 a 107, 225 pontos numa partida de 40 minutos (38/31, 31/30, 22/21 e 27/25, os placares de cada quarto).

E com a Espanha dando calor o segundo tempo todo, ficando a dois pontos, a três, a quatro aqui e ali, como liderou o marcador nos primeiros oito minutos do jogo em Pequim.

Os Estados Unidos são, de novo e de maneira incontestável, aquilo que provavelmente nunca deixaram de ser e é possível que sejam eternamente: os reis do basquete.

Mas sabem que têm de se cuidar.

Não há mais bobos também no basquete.

E o bronze argentino, sem Manu Ginobili, é mesmo digno de ser festejado.

Por Juca Kfouri às 15h20

Euforia justa

Por GUSTAVO VILLANI

 

Acordei cedo para assistir à final do basquete entre EUA e Espanha.

 

Tirante o partidaço protagonizado pelas duas melhores seleções do mundo na atualidade (EUA 117 x 108 Espanha), foi um jogo emocionante de se ver pela TVE, Televisão Espanhola.

 

É sabido que os espanhóis são fiéis às origens latinas, baseadas entre outros fatores nas fortes emoções e alternância repentina de humor.

 

Passionais, já esperava os gritos eufóricos de narrador e comentarista.

 

Quem é ufanista está mais sujeito ao absurdo, pois tudo que é dito à base do impulso, sem a argumentação necessária, perde em bom senso.

 

Mas a cada quarto a Espanha colava no retrovisor americano e então eu passei a me questionar qual o limite entre a emoção transmitida e a verdade.

 

Se eles, espanhóis, são exagerados com vitórias ou derrotas menos representativas, estariam errados ao supervalorizar o feito contra os astros da NBA?

 

Seja no sensacionalismo do Marca, nos exageros do As ou nas transmissões da TVE, eles são assim, está na essência do povo espanhol.

 

O Flamenco é outra bandeira cultural que explica em parte este comportamento.

 

Mas aqui entre nós: não é de se comemorar uma geração campeã mundial, vice-campeã européia e finalista olímpica?

 

Os irmãos Gasol, Rudy Fernandez e Calderón, todos atletas da NBA.

 

Felipe Reyes, Raúl Lopez, Mumbrú, Carlos Jimenez e Berni Rodriguez, jogadores do campeonato espanhol.

 

Mais a sensação Ricky Rubio, aos 17 anos, ainda jogador da liga nacional.

 

Pois penso que exagero seria conter emoções diante de tanta qualidade.

 

Os espanhóis desfrutam de um campeonato forte, uma imprensa que dedica ampla cobertura ao basquete e atletas que têm prazer em defender a seleção espanhola.

 

Quando o Toronto Raptors negou a presença do ala-pivô Jorge Garbajosa no Europeu do ano passado, a Federação Espanhola fez um seguro de aproximadamente 600 mil euros para que o jogador disputasse a competição.

 

Agora, em fase final de uma séria lesão no pé, o mesmo Garbajosa está em Pequim.

 

Esforços por aqui não faltam.

 

Terminada a transmissão da medalha de prata espanhola, percebe-se que a euforia dos jornalistas não é um problema, afinal, a alegria deles corresponde ao bom momento do esporte.

 

Os exageros são irrelevantes e compreensíveis neste contexto.

 

A modalidade está bem estruturada no país e o povo está diretamente conectado ao basquete.

 

Não se trata de uma fase efêmera e muito menos de transmissões esporádicas.

 

Obs: Na semifinal contra a Lituânia, a TVE alcançou de média 3,6 milhões de espectadores, 34% da cota de audiência nacional.

 

Em alguns momentos quase a metade dos televisores ligados no país mostravam a partida.

Por Juca Kfouri às 12h22

O Brasil de ouro

Por ROBERTO VIEIRA

Agora que os Jogos chegam ao seu final; agora que o sonho de ouro transforma-se em realidade, uma constatação: A Olimpíada é profundamente injusta.

Porque nas Olimpíadas o Brasil não pode levar o que tem de imbatível.

Você pensou em Futsal e Corrida de Jerico?

Também.

Mas a gente não pode esquecer nossas outras modalidades de ponta.

Na categoria políticos corruptos não teria pra ninguém.

Ainda mais em ano de eleição.

Seríamos ouro, prata e bronze, embora político corrupto exista em cada um dos 204 países membros do COI. Mas nenhum com nosso know how.

Menor abandonado? Campeões.

Favelas? Nós somos o Bolt das favelas.

Os Michael Phelps do desmatamento.

Prostituição infantil? Recorde em cima de recorde nas estradas deste país varonil.

Sofrimento nas filas dos hospitais? Um duelo de gigantes com o restante do terceiro mundo. Que seriam desclassificados pois a maioria não tem sequer hospital.

CPIs que terminam em pizza? Ouro!

Telefones ilegalmente grampeados? Ouro! Ouro! Ouro!

Pois é.

Não é que o Brasil se prepare mal para os Jogos Olímpicos.

Os Jogos Olímpicos é que insistem em promover a natação, a ginástica, o atletismo.

Quem sabe em 2016 no Brasil a gente vire a mesa.

Com uma ajuda do Caixa 2.

Por Juca Kfouri às 03h11

No vôlei masculino, ouro para os melhores

Dois bicampeões olímpicos em busca do tri.

Os americanos, campeões em 1984 (na decisão contra o Brasil) e em 1988, de quebra, então, foram campeões mundiais em 1986.

Os brasileiros não tinham apenas uma revanche para disputar.

Buscavam entrar para a história como o melhor sexteto de todos os tempos, capaz de ganhar duas Olimpíadas seguidas depois de ter vencido dois Mundiais seguidos.

Não poderia ser fácil.

Depois de um primeiro set tenso, no qual não se via um sorriso nem nas comemorações de ponto, tão concentrados estavam os 12 jogadores, o Brasil saiu na frente, com um convincente 25/20.

Mas o segundo set começou com os Estados Unidos arrasando.

Chegaram a fazer 6/0 e foi para o primeiro tempo técnico com inacreditáveis 8/1.

Eles não estavam invictos à toa em Pequim e não eram os favoritos de graça, ao contrário da decisão feminina.

Lembremos que os últimos três jogos contra eles foram dolorosos, porque venceram por 3/2, 3/0 e 3/0, dois deles no Brasil.

E foram levando, como se chegar aos 25 pontos fosse só uma questão de tempo.

Mas o Brasil foi reagindo, pacientemente, e chegou a ficar só a dois pontos, em 17/15, embora logo eles tenham feito 19/15, com um bloqueio assustador. E 20/15.

Final olímpica não é mole!

E o Brasil apertou de novo e chegou aos 18/20.

Eles responderam com 21/18.

O 19o. ponto chegou no bloqueio de Stanley, que estava com o diabo no corpo.

E Giba fez o 20.o: 20/21!

Tem jogo!

O 22o. ponto deles foi mais sorte que competência, porque o empate não saiu por detalhe.

Só que Stanley sacou e cravou: 23/20.

E marcou o 24o. ponto.

O cara até erra, às vezes, muito às vezes, como errou no saque e o Brasil fez o 21o. ponto, pelo menos um a mais do que eles fizeram no primeiro set.

E veio o 22o. ponto.

Bernardinho não parava de mexer e acertava em cada mexida.

O 23o. ponto pareceu mais próximo do que o 25o. deles até que Stnaley...

Bem, nem é preciso dizer...

O jogo estava empatado.

Final olímpica é assim!

As meninas também perderam o segundo set...

E o terceiro começou como precisava psicologicamente falando.

Com o Brasil fazendo 1 a 0 num bloqueio a Stanley.

Verdade que eles viraram: 2/1.

Em seguida, 2/2.

E foi assim até a parada técnica, com 8/7 para os EUA.

Na volta, eles voltaram melhor, pois, cá entre nós, eles são, hoje, melhores.

E logo fizeram 12/9.

Nosso time descontou e, na verdade, teria de fazer um jogo de superação, tipo último jogo de nossas vidas.

A segunda parada técnica do terceiro set mostrava os rapazes de Tio Sam na frente com 16/12.

Final olímpica é fogo!

A coisa estava feia.

A própria atitude de Bernardinho revelava um certo reconhecimento da superioridade alheia. Ele mais tentava convencer seus jogadores de que era possível do que, como é usual, cobrava deles a perfeição.

Porque os outros eram mais perfeitos do que os nossos...

Stanley seguia assassinando os nossos sonhos.

E o terceiro set terminou com 25/21, 2/1 para os Estados Unidos.

O Brasil tinha dois sets para tentar o que aparentava ser impossível.

Nas duas finais anteriores do Brasil, em 1992 a Holanda não ganhou nenhum set e em 2004 a Itália ganhou um.

E o Brasil fez 8/6 no quarto set. Parte, pequena, do caminho, andada.

E a coisa foi seguindo, ponto a ponto, degrau por degrau, com o Brasil sempre na frente.

E o Brasil fez 16/14. Outra parte, um pouquinho maior, andada.

O Brasil chegou a livrar três pontos em 20/17, mas logo eles diminuíram para 20/19.

E empataram depois de uma defesa extraordinária.

Depois de um rali interminável, 21/20 para eles...

Estava complicado, complicadíssimo.

Mas ainda dava.

Final olímpica é uma parada!

Giba erra: 20/22.

O quarto set termina com 25/23.

Eles são ouro. E como são!

Agora, vamos ouvir falar muito em Ricardinho, como ouviríamos falar de Fernanda Venturini caso as meninas não ganhassem.

Mas será mera covardia, porque não foi apenas Bernardinho quem vetou o melhor levantador do mundo, foi o grupo todo.

Lembra de Romário na Copa de 2002? Já imaginou o que seria do Felipão se ele não trouxesse o pentacampeonato?

Até os grandes times perdem

Este foi enorme e para perder teve de ser simplesmente numa final olímpica.

Aí sim não há do que reclamar.

Apenas saber perder para quem foi, e é, melhor.

Por Juca Kfouri às 03h05

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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