Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

20/09/2008

Goiás, o bom, Coxa e Galo de virada! Flu afunda, Peixe e Timbu que se cuidem

Escolhi Goiás e Santos para ver.

Queria ver de novo este time do Goiás, recheado de jogadores experientes e competentes.

Fiz bem e fiz mal.

Fiz bem porque vi o dono da casa liquidar o jogo em três minutos, como se tira doce da boca de criança.

Paulo Baier,de cabeça, imagine, e Anderson Gomes num contra-ataque fulminante, fizeram os dois gols.

O Goiás provava que não faz à toa a melhor campanha do returno e que sua vitória no Olímpico também não foi por acaso.

Mas fiz mal porque também queria ver o Santos, fora de casa, em sua reação.

E vi um time de meninos contra outro de homens.

Aí, antes mesmo que o Goiás marcasse mais um, aos 13, em pênalti bem marcado (a bobagem foi de Fabão, que seria sacado ainda no primeiro tempo) e bem convertido por Iarley, mudei para o Maracanã.

A tempo de ver o Coritiba fazer 1 a 0, ali pelos 10 minutos, gol de Carlinhos Paraíba depois de uma rebatida de Thiago Silva em chute de Keirrison.

Depois, vi que Washington tinha sofrido um pênalti não marcado logo no começo do jogo.

Fiquei acompanhando o Goiás na tela pequena e o Coritiba na grande, passando, às vezes, pelo Mineirão, mas com medo de ver o que ali se passava.

Sim, porque Ruy fazia 1 a 0 para o Naútico contra o Galo, outro grande louquinho para cair, como o Flu, Vasco, Santos...

Difícil dizer, aliás, quem não errou na defesa mineira no gol pernambucano.

No Maraca, Washington perdia mais um gol, ele que faz e perde com a mesma generosidade.

E o Flu ainda perdia seu capitão, Luís Alberto, machucado, substituído por Edcarlos.

Mas, antes, aos 31, de cobertura, o empate, num golaço de Washington: 1 a 1.

Óbvio: ruim com ele, pior sem ele.

O Flu terminou o primeiro tempo melhor que o Coxa e na frente.

Porque o goleiro paranaense Vanderlei botou sem querer para escanteio uma bola que ele apenas acompanhava sair pela linha de fundo e, na cobrança, a redonda culminou com Washington para desempatar: 2 a 1.

O Deus dos estádios compensava o erro do pênalti cometido pelo goleiro e não assinalado pelo árbitro.

E o Goiás amassava o Santos sem dó nem piedade.

No Mineirão o Galo empatava, no fim, em bela arrancada de Renan Oliveira, depois de errar passes em cima de passes.

Mas, menos mal...

Resolvi ficar mais no Mineirão no segundo tempo, convencido de que não só o Goiás já tinha resolvido sua questão, mas também o Flu.

O drama, maior, afinal, estava em Belo Horizonte.

O Goiás, aliás, logo tratou de fazer 4 a 0, com Rafael Marques, de cabeça.

Mas, qual o quê.

O Fluminense é uma graça e logo tomou o empate de Keirrison, num 2 a 2 que Dorival Júnior exigiu no vestiário, por considerar que o time coxa havia entregado a virada no primeiro tempo.

E o Galo martelava, martelava, em busca da sua virada à mineira, necessária, obrigatória mesmo, mas que o Timbu fazia o possível e o impossível para evitar.

Pior, para o alvinegro, é que o alvirubro ensaiava uns contra-ataques preocupantes.

Aos 17, Petkovic entrou em campo.

E nem bem eram passados três minutos quando Pet bateu uma falta na cabeça de Castilho, que entrou junto com ele, a bola foi ao travessão e, no rebote, o zagueiro Vinicius mandou para a rede, virada concretizada:2 a 1.

Outra virada qie se concretizava acontecia no Maracanã, para onde tive que voltar, porque Keirrison, de novo, botou o Coritiba na frente, como havia sido exigido por seu técnico: 3 a 2.

Que coisa, hein Flu?!

Único anfitrião a perder, numa noite de 13 gols em três partidas.

Lembremos que tanto o Galo quanto o Flu já conhecem a Segunda Divisão, assim como, aliás, Goiás, Náutico e Coritiba também, só o Santos que não.

Santos que diminuiu no Serra Dourada, com Pará: 1 a 4. 

Sim Pará, sim Pará, sim Pará!

Não era nada, não era nada, não era nada mesmo. 

Se o Santos não se afirmou, o Coritiba mostrou que tem bala e o Galo pode comemorar com gala a queda de Zica Valadares.

O Náutico sabe que sua vida será dura e o Fluminense faz por merecer a angústia.

Já o Goiás, bem o Goiás nada de braçada no Brasil central. 

Por Juca Kfouri às 20h13

E todos podem ter razão

66% dos que responderam à sondagem, acham que o Palmeiras fez bom negócio ao seguir na Copa Sul-Americana.

Mas 34% pensam que melhor fez o Vasco, ao cair fora.

Se o Vasco se livrar do rebaixamento, terão toda razão.

E o Palmeiras ganhar o Brasileiro e a Copa também estarão certos os que compuseram a maioria.

Por Juca Kfouri às 18h13

Vejam logo o Corinthians na Série B. Porque está acabando

Corinthians e Ponte Preta fizeram um primeiro tempo raro, porque bem disputado, interessante, gostoso de se ver e com os dois times em busca da vitória.

Sim, a Macaca foi para cima do Timão desde o começo do jogo.

Mas tomou um gol de Chicão, o zagueiro que já marcou sete vezes, sempre como se fosse centroavante, aproveitando-se de um chute sem direção de André Santos que, diga-se, jogou muito bem.

Se a vitória já estava de bom tamanho depois dos jogos de ontem, nos quais a vida corintiana ficou ainda mais folgada, a Ponte Preta foi reduzida a 10 jogadores tão logo começou o segundo tempo, graças a Gum, zagueiro desmiolado, que foi bem expulso.

Aí, sem ser exato, o Corinthians perdeu, no mínimo cinco gols, o que o impediu de golear mais uma vez.

Por pouco, aliás, ao menos em uma oportunidade, a Ponte não fez valer a velha máxima do quem não faz, leva, coisa que o goleiro Felipe evitou.

Mas, aos 43, Elias passou para Herrera que entrou pela direita e Morais botou a bola, enfim, para dentro do gol, de carrinho: 2 a 0.

Era até pouco.

Porque 3 a 0 ficaria melhor.

Como ficou, porque Herrera recebeu outra bola pela direita e deu para Douglas fazer mais um, no último segundo.

Ficou justo.

Apesar do frio e da chuva, mais de 21 mil pagantes e quase 24 mil torcedores presentes.

O Timão agora está 11 pontos adiante do vice-líder Vila Nova.

E 13 na frente do quinto, o Bragantino, com quem, por sinal, jogará na quarta-feira que vem no mesmo Pacaembu, mas às 22h, em horário nobre da Rede Globo.

De leve.

Porque a Série B, de Brasil, virou outra coisa com a presença corintiana.

E é bom aproveitar, porque está acabando.

Por Juca Kfouri às 17h34

Poder arreganha dentes para nós

Por Milton Coelho da Graça (*)

Quanto mais avança a democracia, quanto mais avança a tecnologia, mais o poder quer xeretar nossas vidas e menos aceita que os jornalistas descubram e divulguem um pouquinho do resultado dessa xeretice.

Por que o ministro da Justiça não mandou um projeto de lei ao Congresso com penas mais duras para violações do sigilo bancário dos cidadãos, como aquela ordenada pelo ex-ministro Antonio Palocci (e respeitosamente cumpridas por dirigentes de estatais) contra o pobre caseiro da casa de diversões mais famosa de Brasília?

Por que Legislativo e Judiciário nada fizeram depois que João Paulo Cunha, presidente da Câmara Federal, graças a informações obtidas por grampos, mandou parar a enxurrada de convocações de empresários pela Comissão de Fiscalização de Atividades Financeiras, onde eram polidamente "escalpelados"?

E, porque nada fizeram, o "Coringa" dessa Comissão continuou subindo na vida. Agora, como presidente da Constituição e Justiça, a mais importante nas duas casas do Congresso, é o pior espinho parlamentar contra o presidente Lula, exigindo sempre um "presentinho" para dar andamento a qualquer iniciativa do Governo. O mais recente "presentinho" exigido é o fundo de pensão Real Grandeza, dos funcionários de Furnas, um dos mais bem administrados do país.

Estou contando tudo isso antes que seja aprovado esse projeto provavelmente elaborado de comum acordo entre os três poderes da República (embora Lula esteja calado). O ministro Tarso Genro explicou hoje (sexta, 19/9): "Quem diz que o texto abre brecha para punir jornalistas não leu o projeto ou não teve clareza jurídica e técnica para compreendê-lo".

Ministro, li umas três ou quatro vezes. Reconheço que talvez não tenha clareza jurídica para compreender o que V. Exa. pretende. Mas os únicos textos ministeriais que às vezes não consigo compreender são os do ministro Mangabeira Unger.

Em quase 50 anos de carreira, sempre entendi bem todos os outros. E está claríssima a intenção de impor medo e punir qualquer investigação jornalística que se inicie ou inclua informações obtidas através de um e-mail ou grampo, referentes a um tema de interesse público, mesmo que a matéria não reproduza nem se refira a essa origem. "Utilizar o RESULTADO de interceptação" é bastante vago para nos sujeitar a prisão
de quatro anos e multa, com anuência e até aplauso, suspeito, de uma significativa parcela do Judiciário.

O projeto modifica o artigo 151 do Código Penal. O parágrafo 1º e seu inciso II (clique aqui para conhecer bem a ameaça) estão cuidadosamente redigidos. As palavras "imprensa" e "jornalista" não aparecem, mas é a nós que se referem.

E já está no forno outra paulada, desta vez anunciada pelo ministro Nelson Jobim, visivelmente entusiasmado pelas fotos com uniforme de combatente. O alvo é o sigilo da fonte.

Todo governante sonha com a absoluta fidelidade do aparelho de Estado, mas a democracia depende vitalmente da lealdade de cada funcionário público o interesse do Estado e da legalidade constitucional acima dos desejos de superiores hierárquicos. Quando o governante usa uniforme e a lei não nos protege, ele não apenas sonha, baixa o sarrafo.

Falo de cadeira porque peguei um mês no DOI-CODI e uma condenação a seis meses no presídio do Hipódromo, por fazer com outros companheiros um jornal clandestino (Notícias Censuradas) quando o ditador Médici proibiu a divulgação de notícias sobre uma epidemia de meningite e prejudicou o combate à doença. Se os médicos no Rio e em São Paulo tivessem baixado a cabeça e não divulgassem o que estava acontecendo, teria havido um número ainda maior de mortes.

Mencionei lá em cima que o presidente Lula até agora está calado sobre esses dois temas. Tenho sincera esperança de que ele ordenará "meia volta volver" a todos os ministros, parlamentares e juízes que sonham com um Brasil sem jornalistas xeretas.

(*) Milton Coelho da Graça, 78, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4 Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se. É, também, um dos pais profissionais deste blogueiro...

 

Por Juca Kfouri às 01h30

19/09/2008

Diga 10!

Por LEANDRO IAMIN*
 
Roque Júnior chegou ao Palmeiras.
 
Ele é uma bandeira alviverde, destaque unânime do time campeão da Libertadores, uma reserva emocional ao torcedor, que sempre se sentiu representado em campo  ao ver o brio do zagueiro.
 
Ele vai usar a camisa 33.
 
Valdívia foi embora, e, entre os números disponíveis de camisa, a 10 estava vaga, como estará até o fim do ano.
 
Não seria o caso de Roque Júnior jogar com a camisa 10?
 
Não seria uma boa jogada de marketing, com argumentos justos, posto que Roque é um líder por excelência quando falamos de Palmeiras?
 
A camisa 10 não é mais digna que a 33, para um jogador que o Palmeiras considera um dos maiores ídolos recentes?
 
Podem chamar a idéia de ousada, ou modernosa.
 
Mas eu é que não vou achar bacana a "conservadora" idéia de dar a camisa 33 para ele.
 
Um número que não me diz nada. E nem a ele, que sequer jogava com a camisa 3.
 
*Leandro Iamin é leitor deste blog.

Por Juca Kfouri às 14h48

Rodada para o Palmeiras se esbaldar

O fim de semana do futebol começa no Pacaembu, com Corinthians e Ponte Preta, pela Série B, de Brasil.

E o Corinthians é o favorito, tanto quanto era contra o Brasiliense com quem só empatou no meio de semana.

E a Macaca é menos ruim que o time candango.

Pela Série A, de Argentina, três jogos no sábado, todos às 18h20.

O Fluminense recebe o Coritiba e tem de vencer, embora esteja jogando muito menos que o adversário.

O Goiás recebe o Santos, que sairá feliz do Serra Dourada se conseguir um empate.

E o Galo recebe o Timbu, que tem se dado muito bem fora de casa.

É possível que a queda de Ziza (ou seria Zica?) Valadares estimule o Galo que, enfim, teve uma boa notícia em seu centenário.

No domingo, quatro jogos às 4 da tarde e três às 18h10.

Vamos aos das quatro.

Portuguesa e Botafogo, no Canindé, ou será moleza para o time carioca ou ele que trate de abandonar quaisquer maiores pretensões.

Furacão e Grêmio, na Arena da Baixada, é dureza para os dois, muita, mas o Grêmio está obrigado a mostrar que não entrou em decadência.

Conseguirá?

Sport e São Paulo, na Ilha do Retiro, é outra parada dura.

É preciso ser muito tricolor para acreditar numa derrota do Leão.

Eu, que não sou, no entanto, acredito.

E Figueirense e Cruzeiro é daqueles jogos que o maior tem simplesmente a obrigação de ganhar do menor.

Ou o Cruzeiro faz isso ou, conforme os outros resultados de seus concorrentes mais próximos, tchau e benção.

Nos jogos das 18h10 duas molezas e um jogo muito interessante.

O estrelado Inter recebe no Beira-Rio o bem montado Vitória.

Este é o jogo interessante.

Agora, as molezas.

Para o Flamengo que recebe o Ipatinga...mas é bom lembrar do América mexicano...

Para o Palmeiras que recebe o Vasco...mas é bom lembrar da Bolívia, do Sport, do Uruguai de 50, do ASA de Arapiraca, do Vitória...

Mas, sem dúvida, a rodada tem a cara do Palmeiras, porque seus concorrentes mais diretos jogam todos fora de casa.

Por Juca Kfouri às 00h00

Luxa não é Mano

Vanderlei Luxemburgo saiu em "defesa" de Mano Menezes, cujo empresário, Carlos Leite, tem quatro jogadores no Corinthians e ainda emprestou R$ 600 mil ao clube, dessas coisas que só os trapalhões, para ser simpático, da direção alvinegra são capazes.

Luxa não está nem aí para Mano, apenas quer mostrar ao mundo que são todos iguais, que todos têm envolvimento com empresários.

Tudo porque Luxa leu na coluna de Renato Maurício Prado, no "Globo" de domingo, que Mano entrou no páreo para ser um eventual sucessor de Dunga na Seleção Brasileira.

Mano, segundo o colunista, não teria contra-indicações.

Eis que Luxa trata de mostrar que tem sim, as mesmas que ele no que tange, ao menos, ao item empresários.

Ele não defende Mano, ele tenta se misturar com Mano.

Mas Mano é Mano e Luxa é Luxa.

Até as pedras sabem.

Por Juca Kfouri às 23h02

18/09/2008

Futebol paraolímpico brasileiro é ouro em Pequim!

Por Juca Kfouri às 00h41

Pode ou não pode? Não pode. Mas pode

O dono do blog não se lembra de outra sondagem com resultado tão apertado:

com mais de 3200 opiniões, 50,30% acham que o São Paulo não pode mais ser o campeão brasileiro de 2008.

Logicamente, 49,70% acham que podem.

Ou seja, empatou!

Por Juca Kfouri às 00h00

Verdão segue em frente

O Palmeiras acaba de eliminar o Vasco da Copa Sul-Americana: 3 a 0 no Palestra Itália, com direito a um golaço, o primeiro, no primeiro tempo, de Thiago Cunha, de voleio, em cruzamente de Maicosuel pela esquerda.

O jogo foi interessante, bom de ver, principalmente para os palmeirenses, que viram um time misto vencer sem forçar, com mais dois gols no segundo tempo,gols de Denílson, em jogada faltosa de Kléber pela esquerda e com a colaboração do goleiro Roberto, e mais um de Thiago Cunha.

As perguntas agora são só duas: foi bom para o Palmeiras, que segue na Copa em meio à briga pelo Brasileirão?

Ou terá sido melhor para o Vasco que, eliminado, pode pensar só em fugir da ZR?

Seja como for, é claro que para o Palmeiras dá para ganhar as duas competições.

E o Vasco, com Tita, não irá a lugar algum.

Renato Gaúcho pode ser a solução.

Em tempo: o Palmeiras enfrentará o peruano Sport Áncash, clube de apenas 31 anos, da cidade, de 87 mil habitantes, de Huaraz.

O time é apelidado de "ameaça verde" e joga a 3200 metros de altitude, num estádio para 8000 torcedores.

Por Juca Kfouri às 23h57

17/09/2008

Homenagem a um grande - 3

Por causa do texto abaixo, Lourenço Diaféria foi preso pela ditadura no Brasil.

A menção ao Duque de Caixas, patrono do exército, foi considerada uma afronta, como coisa de comunista.

E Diaféria era só corintiano, sensível como poucos, doce e decente, nem mesmo era de esquerda.

Ditaduras são assim: ridículas.

De tão fortes, são fracas, fragílimas, com medo da própria sombra.

Todas elas. 

HERÓI. MORTO. NÓS.


(Crônica publicada em 1º de setembro de 1977, na "Folha de S.Paulo", mantida a grafia original da época)


Lourenço Diaféria

Não me venham com besteiras de dizer que herói não existe. Passei metade do dia imaginando uma palavra menos desgastada para definir o gesto desse sargento Sílvio, que pulou no poço das ariranhas, para salvar o garoto de catorze anos, que estava sendo dilacerado pelos bichos.

O garoto está salvo. O sargento morreu e está sendo enterrado em sua terra.

Que nome devo dar a esse homem?

Escrevo com todas as letras: o sargento Silvio é um herói. Se não morreu na guerra, se não disparou nenhum tiro, se não foi enforcado, tanto melhor.

Podem me explicar que esse tipo de heroísmo é resultado de uma total inconsciência do perigo. Pois quero que se lixem as explicações. Para mim, o herói -como o santo- é aquele que vive sua vida até as últimas consequências.

O herói redime a humanidade à deriva.

Esse sargento Silvio podia estar vivo da silva com seus quatro filhos e sua mulher. Acabaria capitão, major.

Está morto.

Um belíssimo sargento morto.

E todavia.

Todavia eu digo, com todas as letras: prefiro esse sargento herói ao duque de Caxias.

O duque de Caxias é um homem a cavalo reduzido a uma estátua. Aquela espada que o duque ergue ao ar aqui na Praça Princesa Isabel -onde se reúnem os ciganos e as pombas do entardecer- oxidou-se no coração do povo. O povo está cansado de espadas e de cavalos. O povo urina nos heróis de pedestal. Ao povo desgosta o herói de bronze, irretocável e irretorquível, como as enfadonhas lições repetidas por cansadas professoras que não acreditam no que mandam decorar.

O povo quer o herói sargento que seja como ele: povo. Um sargento que dê as mãos aos filhos e à mulher, e passeie incógnito e desfardado, sem divisas, entre seus irmãos.

No instante em que o sargento -apesar do grito de perigo e de alerta de sua mulher- salta no fosso das simpáticas e ferozes ariranhas, para salvar da morte o garoto que não era seu, ele está ensinando a este país, de heróis estáticos e fundidos em metal, que todos somos responsáveis pelos espinhos que machucam o couro de todos.

Esse sargento não é do grupo do cambalacho.

Esse sargento não pensou se, para ser honesto para consigo mesmo, um cidadão deve ser civil ou militar. Duvido, e faço pouco, que esse pobre sargento morto fez revoluções de bar, na base do uísque e da farolagem, e duvido que em algum instante ele imaginou que apareceria na primeira página dos jornais.

É apenas um homem que -como disse quando pressentiu as suas últimas quarenta e oito horas, quando pressentiu o roteiro de sua última viagem- não podia permanecer insensível diante de uma criança sem defesa.

O povo prefere esses heróis: de carne e sangue.

Mas, como sempre, o herói é reconhecido depois, muito depois. Tarde demais.

É isso, sargento: nestes tempos cruéis e embotados, a gente não teve o instante de te reconhecer entre o povo. A gente não distinguiu teu rosto na multidão. Éramos irmãos, e só descobrimos isso agora, quando o sangue verte, e quanto te enterramos. O herói e o santo é o que derrama seu sangue. Esse é o preço que deles cobramos.

Podíamos ter estendido nossas mãos e te arrancando do fosso das ariranhas -como você tirou o menino de catorze anos- mas queríamos que alguém fizesse o gesto de solidariedade em nosso lugar.

Sempre é assim: o herói e o santo é o que estende as mãos.

E este é o nosso grande remorso: o de fazer as coisas urgentes e inadiáveis -tarde demais.

Por Juca Kfouri às 22h58

Homenagem a um grande - 2

Quando Lourenço Diaféria escreveu seu antológico "Coração Corintiano" para a Coleção Clubes do Futebol Brasileiro e seus Maiores Ídolos, me deu a honra de escrever a orelha do livro.

E nela transcrevi a letra, então inédita, da música que Gilberto Gil havia acabado de compor em homenagem à Democracia Corinthiana, sob o título "Corintiá".

Aqui a apresento na voz de Tetê da Bahia. Ouça.

Em tempo: a coleção, lançada pela Fundação Nestlé de Cultura, com tiragem limitada e com distribuição dirigida, limitou-se à obra de Diaféria e a sobre o Flamengo, de Edilberto Coutinho, duas preciosidades que, felizmente, compõem a biblioteca do blog.

Por Juca Kfouri às 22h10

Homenagem a um grande

Morreu, aos 75 anos, Lourenço Diaféria, um dos maiores cronistas da vida de São Paulo, companheiro delicado, dedicado, firme.

Outro amigo, Lino Castellani, seu fã, sugeriu a crônica abaixo para homenageá-lo.

Valeu!

ANTENA LIGADA
Lourenço Diaféria


Troquei meu televisor em branco e preto por um televisor em cores com controle remoto, para facilitar a vida de meus filhos, que agora, sabe como é, época de provas, estão se virando mais que pião na roda. Imaginem que outro dia um professor teve a coragem de mandar meu filho gavião-da-fiel fazer um trabalho sobre o Sócrates.
Fiquei uma arara.
Em todo caso, apanhei a revista Placar e recomendei que o garoto consultasse os arquivos esportivos aqui da Folha e do Jornal da Tarde. Não é por ser meu filho, mas o guri caprichou do primeiro ao quinto.
Tirou zero.
Puxa, assim também é demais. Resolvi levar um papo com o professor, ver se não era perseguição. O professor foi muito gentil, porém ninguém me tira da cabeça que ele é palmeirense disfarçado de sãopaulino. Garantiu-me que havia ocorrido um equívoco: O Sócrates que ele queria era um craque da redonda que tomou cicuta. Essa é boa. Por que não avisou antes? Como é que vou adivinhar que o homem jogava dopado?
Me manguei, mas o professor percebeu meu azedume. Disse que ia dar uma nova chance.
Falou e disse.
Preveni meu garoto que ficasse de orelha em pé, lá vinha chumbo. Dito e feito. O professor, deixando cair a máscara alviverde, deu uma de periquito campineiro e pediu um trabalho completo sobre o Guarani.
Deixa que eu chuto, falei a meu filho. Pode contar comigo na regra três. Eu mesmo cuido da pesquisa.
Peguei a escalação completa do Guarani, botei o Neneca no gol, fiz a maior apologia do time da terra das andorinhas. Pra me cobrir e não deixar nenhum flanco desguarnecido, telefonei pro meu amigo Antonio Contente, que transa em assuntos culturais e conexos, como seja a imprensa, e pedi por favor que ele me mandasse uma camisa oito autografada. Diretamente de Campinas e pelo malote.
Não é pra falar, mas o trabalho escolar ficou um luxo.
Sem falsa modéstia, estava esperando pro meu filho no mínimo aprovação cum laude e placa de prata, para não dizer medalha de honra ao mérito.
Pois deu zebra.
Começo a desconfiar que o tal professor me armou uma arapuca e entrei fácil, como um otário. O homem deve ser primo do Dicá. Sabem o que o mestre fez? Hem? Querem saber? Deu outro zero pro meu filho. O pior é que não devolveu a camisa oito autografada.
Essa não deixei barato. Fui de peito aberto, às falas.
- Ilustre - eu disse -, com o perdão da palavra, mas que diabo de safadeza vossa senhoria anda arrumando pro meu garoto gavião-da-fiel? Então eu perco tempo, pesquiso, consulto a história gloriosa da equipe campineira, faço a maior zorra com o time do Brinco da Princesa, e o garoto ganha cartão vermelho?
Que grande cínico! O homem me olhou com aqueles olhos de olheiras - acho que tem almoçado e jantado mal, sei lá dizem que professor padece um bocado-, coçou a cabeça, murmurou:
- Foi o senhor que fez a lição?
Fiquei meio sem jeito:
- Bem, fazer não fiz. Dei uma orientação didática. Pai é para essas coisas...
Ele não se comoveu. Ao contrário, foi até rude:
- Se aceita um conselho, para de dar palpite na lição de casa de seu filho. O senhor não conhece nada do Guarani.
Falar isso na minha cara! Tive de agüentar calado. Nunca soube que no diacho do time campineiro figurasse uma dupla de área chamada Peri e Ceci. E com essa constante mudança de técnicos, como podia sacar que o técnico atual é o Zé de Alencar?
- Tá bem - eu disse -, não vamos brigar por tão pouco. O professor pode dar outra oportunidade ao menino?
Deu. O professor quer agora os capítulos completos de um romance, por coincidência com o mesmo nome do time de Campinas: o Guarani. É qualquer coisa com índio sioux que de repente se vê obrigado a salvar uma mulher biônica das águas da enchente. Deve ser novela em cores. Mas só para complicar a vida de meu filho, o professor não revelou o horário. Porém desta vez ele não me ferra. Pela dica do enredo, que deixou escapar, deve ser mais uma dessas sucessões de cenas de violência que a gente é obrigado a engolir todas as noites na televisão. Estou de antena ligadona, meu chapa.

Por Juca Kfouri às 13h26

O ônibus de Maria Antonieta

Expresso Coral já "estacionou" no Arruda

Novo ônibus do Santa é o mais moderno do mercado

 

Por ROBERTO VIEIRA 

Afundado em uma crise sem precedentes, o Santa Cruz ganhou um presente inusitado.

Um luxuoso ônibus comprado por um dos seus patrocinadores.

O presidente do clube chamou a imprensa, entrou no ônibus, tirou fotografias.

Elogiou os eixos, as cadeiras, o ar condicionado, o gelágua.

O ônibus é a grande realização da sua gestão de dois anos no Arruda.

Arruda que viu o Santa Cruz despencar para além da Série C.

A única explicação possível para tal serenidade consiste no exercício do poder.

Nada cega mais que o poder.

Nada distancia mais o cidadão da realidade.

Nada afasta mais o homem do chão nosso de cada dia.

O poder é uma ilusão.

O pré-futebolista Disraeli afirmava que todos amam o poder.

Embora poucos saibam o que fazer com ele.

No final da sessão de fotos no ônibus, um torcedor amargurado com a falência tricolor disse que tinha fome de títulos.

O presidente coral olhou espantado o intruso. E filosofou como Maria Antonieta:

"Meu filho, pra que time se a gente tem um ônibus desses?"

Nota do blog: veja, abaixo, o novo ônibus do Bayern Munique, atual vice-líder invicto e último campeão alemão...:

Por Juca Kfouri às 01h41

Roxo de raiva

Não vi Brasiliense 1, Corinthians 1, na Boca do Jacaré.

Pelo que li, fiz bem.

Teria ficado roxo de raiva.

Empatar com um dos lanternas da Série B, de Brasil?!

Ainda mais o time do Luis Estêvão?!!

Tô fora!

Estava no Prêmio Comunique-se 2008.

Nosso PVC levou o prêmio de jornalista esportivo de mídia impressa e a mais que simpática Glenda Kozlowski o da eletrônica.

Prêmios mais que merecidos.

Mas nenhum corintiano merece empatar com o Brasiliense.

Mano Menezes tem um óbvio calcanhar de Aquiles desde os tempos de Grêmio: jogar fora de casa.

Tanto que das 13 partidas que o Corinthians disputou fora de casa, empatou seis e perdeu uma e contra cada adversário...

 

Por Juca Kfouri às 00h45

Quem mora na capital que aproveite

O Corinthians joga hoje à noite, às 20h30, em Taguatinga, cidade satélite de Brasília.

Joga na Boca do Jacaré, estádio do Brasiliense, do ex-senador Luís Estêvão, cassado por quebra de decoro.

Deve ser a última partida do Corinthians na Capital Federal em muito tempo, porque nem o Brasiliense nem o Gama têm a menor chance de subir.

O Brasiliense, aliás, em penúltimo lugar, tem tudo para cair para Série C e deve ser atropelado logo mais pelo Corinthians que está em contagem regressiva para voltar à Série A.

É ganhar hoje, ganhar no sábado, no Pacaembu, da Ponte Preta e pronto!

Na outra quarta-feira, dia 24 de setembro, em horário nobre, às 22h, na Globo inclusive para a cidade de São Paulo, diante do Bragantino, no mesmo Pacaembu, o time pode atingir seu objetivo, na 27a. rodada, onze rodadas antes do fim do campeonato.

Se a queda foi um drama, a volta por cima está sendo uma moleza.

Tamanha que o time já planeja suas férias e deve começar o Paulistinha, no ano que vem, muito mais bem preparado que seus adversários.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, dia 16 de setembro.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 00h52

15/09/2008

Poesia Concreta

Por LEANDRO IAMIN


Se você está em terceiro lugar, e os dois times à frente, assim como o que está atrás, perdem, em casa, na mesma rodada, esta é uma rodada diferente.

Se você vence fora de casa nesta mesma rodada, e se o derrotado é um dos que estão à frente, aí sim tudo fica grande.

A rodada do Palmeiras foi um sonho.

É o único dos cinco primeiros que joga em casa na rodada que vem. 

Lembro, no Paulistão, da primeira vez em que vi esse Palmeiras como postulante de fato ao caneco.

Foi ao vencer o Bragantino fora de casa, num 5x2 que era 0x2, com homem a menos em campo.

Quando o Palmeiras se defendeu sem vergonha da vida no Mineirão, após Lenny ser expulso em um não-lance, e o fez de forma tão concentrada e honesta, deu, por fim, para acreditar que o alviverde deverá ter fôlego.

Via confronto direto, o Palmeiras já pode projetar-se emparelhado ao Grêmio. Já pode, mas ainda não é.

Projetar é uma coisa saborosa, às vezes.

Veja você que, na penúltima rodada, o Palmeiras joga contra o Vitória, na Bahia, em 30 de novembro.

2008, um ano para o palmeirense lavar a alma machucada, com o rival na Série B e o fim da espera por um título.

Projetemos a situação ideal deste clube: a hipótese do Palmeiras se sagrar campeão na penúltima rodada.

No dia 30 de novembro, data da inesquecível derrota para o Manchester United, em Tóquio.

No Barradão, na Bahia, palco onde, em 2002, o Verdão foi rebaixado.

A cada rodada projetam novos candidatos e ratificam eliminados ou rebaixados.

E é assim mesmo que tem que ser.

O futebol é como a areia debaixo do mar.

Mas de tudo que já fucei na tabela desse campeonato, de todos os ângulos que já vi, não achei nada mais redentor e apoteótico que a possibilidade da consagração verde na penúltima rodada.

Seria a poesia concreta.

www.leandroiamin.blogspot.com 

Por Juca Kfouri às 14h10

14/09/2008

Apenas três pontos entre os líderes do Brasileirão

A 25a. rodada do Brasileirão cumpriu com o que prometeu.

E deu nova graça ao campeonato, com a diferença do líder Grêmio se reduzindo a apenas três pontos para o vice-líder, agora o Palmeiras.

Palmeiras que protagonizou com o Cruzeiro, no Mineirão, o grande jogo da rodada e o de maior público, com 46.081 pagantes.

O pior foi no Ipatingão, com 7.109.

A média de gols foi de 2,5 por partida e a de público, boa, com 20.898 pagantes por jogo.

Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Botafogo, com o São Paulo empatado com o Botafogo, estão lá em cima.

Vasco, Fluminense, Ipatinga e Portuguesa estão lá embaixo. 

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, dia 15 de setembro.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 21h02

Vitória vence

Com um gol de Marcelo Cordeiro aos 10 do primeiro tempo, o Vitória venceu o Coritiba por 1 a 0 e superou o time paranaense na tabela.

Agora o Vitória está em sexto lugar, com 40 pontos, apenas dois a menos que São Paulo e Botafogo que estão imediatamente à sua frente.

Já o time coxa ficou com 37, em nono.

O Barradão viu um jogo com muitas chances desperdiçadas, do Coritiba, inclusive, mas, mais dos donos da casa.

No último minuto, então, o rubro-negro Marco Antônio perdeu um dos gols mais feitos do século 21. 

Por Juca Kfouri às 20h30

O Rio chora

Que rodada madrasta para o futebol carioca!

Os quatro grandes levaram ferro, dois em casa.

O Vasco perdeu para o Náutico, 3 a 1, em São Januário, e foi para ZR.

O Fluminense perdeu para o Santos, na Vila Belmiro, 2 a 1, e está na ZR.

Ambos ao lado de Ipatinga e Lusa...

Já o Flamengo que ainda queria sonhar com o hexa, sonha agora, no máximo, com a Libertadores, e olhe lá.

E o Botafogo, também em casa, fraquejou.

Perdeu uma série de 13 jogos sem derrotas exatamente quando poderia ficar a quatro pontos do Grêmio e roubar o terceiro lugar do Cruzeiro.

Mas, não.

Ficou em quarto, ainda no G4, mas com o mesmo número de pontos do São Paulo.

O Inter fez prevalecer sua superioridade individual baseada em jogadores como Alex, D'Alessandro e Nilmar.

E fez 1 a 0 com Alex, em jogada de Nilmar, ainda no primeiro tempo.

Em seguida, perdeu Alex, machucado, uma pena.

Mas fez 2 a 0 logo no recomeço do jogo no Engenhão, com D'Alessandro.

Só que o o Botafogo descontou com André Luís e pressionou em busca do empate, ao menos, para evitar sua segunda derrota em casa.

Mas não deu: 2 a 1.

André Luís ainda foi expulso por entrada violenta em Nilmar.

Como não deu para o Fluminense, um arremedo de time.

Foi dominado pelo Santos durante todo o primeiro tempo e sofreu um gol de Kléber Pereira, para variar, no finzinho.

No segundo tempo, até começou melhor, sufocou o Santos que encontrou dificuldade para jogar.

Mas Bida, de cabeça, num escanteio, fez 2 a 0.

O Flu ainda diminuiu ao achar um gol em chute de Romeu que desviou e enganou o goleiro Douglas.

E foi só.

Por Juca Kfouri às 20h10

Palmeiras também na boca do povo

Confiança é isso aí: de mais de 2200 opiniões, 55% delas apostavam na vitória palmeirense, mesmo fora de casa.

Foram 36% os que erraram com o Cruzeiro e mais 9% com o empate.

Por Juca Kfouri às 19h26

É Palmeiras e Grêmio, de novo!

Quase ao mesmo tempo, aos 42 e aos 44, no Mineirão e no Morumbi, os paulistas saíram na frente nos dois clássicos das 16h .

Com uma dupla matada no peito, Diego Souza fez belo gol para o Palmeiras contra o Cruzeiro.

E Dagoberto fez para o São Paulo, em bola desviada depois de cruzamento de Zé Luís pela direita.

Eram placares justos, mas que poderiam ser invertidos sem que houvesse qualquer injustiça.

Porque os quatro times, anfitriões e visitantes, jogaram conscientes de que precisavam vencer.

E foram à luta, turbinados pela intertemporada proporcionada pela Seleção Brasileira.

O Cruzeiro, por exemplo, esteve em Águas de Lindóia. E o Palmeiras em Atibaia.

Daí a velocidade e a volúpia dos dois times em Belo Horizonte, o Cruzeiro sem Guilherme, o Palmeiras sem Alex Mineiro.

Mas o Palmeiras livre da dupla Gladstone/Jeci mostrou uma defesa muito mais segura, apesar da incessante movimentação de Ramires e Wagner.

Gustavo e Maurício sofreram, mas jogaram bem, muito bem.

Como Martinez, que fez uma partidaça.

O Cruzeiro voltou melhor no segundo tempo e só não empatou porque Léo Lima salvou próximo da linha fatal aos 12.

Aos 14, Lenny, um jogador fantasia, mais para amostra grátis do que propriamente um profissional, achou uma burra expulsão.

Irresponsabilidade que poderia custar um pentacampeonato ao Palmeiras.

E o Cruzeiro começou a desperdiçar gol em cima de gol.

Léo Lima levava um baile de Ramires e deu lugar para Jumar.

Diego Souza, mortinho da silva depois de bela partida, deu lugar a Thiago Cunha, que se juntava a mais dois Thiagos, ambos do Cruzeiro, Ribeiro e Martinelli.

No Cruzeiro, Gérson Magrão entrou no lugar de Jajá, como Camilo já entrara no lugar de Jonathan.

Mas, aos 37, na única finalização palmeirense, Leandro perdeu a chance de matar o jogo, em oportuna saída de Fábio.

Gladstone entrou em lugar de Evandro, para deixar o Palmeiras com três zagueiros.

Vanderlei Luxemburgo tirava do meio para frente para se defender.

Adílson Batista tirava do meio para trás para atacar.

O Palmeiras volta de Belo Horizonte, de novo, com jeito de campeão, 1 a 0, a segunda derrota do Cruzeiro em casa, sempre contra um verde.

Lembremos que, a três pontos do líder Grêmio, o vice-líder Palmeiras receberá o tricolor no Palestra Itália.

Já no Morumbi, Zé Luís, outra vez pela direita, cruzou na cabeça de Hugo, que fez 2 a 0.

Você pode não acreditar, até porque nada foi escrito a respeito, mas este blogueiro tinha certeza de que o São Paulo amassaria o Flamengo.

E só não fez 3 e 4 a 0 porque Deus e, principalmente, Bruno, não quiseram.

Enquanto isso, como era previsível, o Sport arrebentava com o Figueirense, enfiando-lhe uma goleada de 5 a 0 na Ilha do Retiro.

Em 25 jogos, o Figueira já tomou 51 gols, mais de dois em média por jogo. Não dá!

E Vasco e Náutico disputavam palmo a palmo uma partida complicada em São Januário, vencida pelo Timbu, que saiu na frente e fez um segundo gol espetacular, em jogada de Willian complementada por Ruy.

Felipe ainda fez 3 a 1, no finzinho, em passe de Ruy, quando Leandro Amaral, que empatara o jogo, já estava no gol, com a expulsão do goleiro Roberto.

O Vasco, que acabou com nove jogadores em campo, não se cuidou...

Por Juca Kfouri às 18h00

Golpe em marcha

Independentemente do que se pense de Evo Morales, o presidente da Bolívia, (e este blogueiro já o criticou mil vezes pela demagógica defesa que faz do futebol na altitude), o que está em marcha por lá é um golpe.

Não tem outro nome.

Morales foi eleito democraticamente e só pode ser apeado do poder pelo voto.

O que se vê hoje, na Bolívia, se viu, 35 anos atrás, no Chile.

Sem tirar nem pôr.

E com o apoio dos Estados Unidos, mas com a diferença de que Salvador Allende não era indígena.

Os democratas no mundo inteiro devem denunciar o golpe que se opõe à vontade do povo boliviano.

Por Juca Kfouri às 14h30

Sábio Felipão

Do jornal português "A BOLA", de hoje, reproduzindo frase de Felipão:

"Robinho marcou um gol e nós três".

Por Juca Kfouri às 14h10

Rico Terra não reage

Segue no ar a sondagem da revista TIME sobre os melhores e piores cartolas do mundo.

O melhor tem média 80 e o pior, em 35o. lugar, tem média 12, com quase 8 mil indicações, nove pontos abaixo do penúltimo.

Isso não pode continuar assim, ainda mais que ele é o único candidato do Brasil.

Mudemos a situação de Ricardo Teixeira clicando em:

http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,1820667_1819759_1819786,00.html

Por Juca Kfouri às 13h49

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico