Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

25/10/2008

O Time do Povo

Fernando Donasci/Folha Imagem

Por MANIHOT KADJ OMAN*

O Palmeiras tem São Marcos, pentacampeão mundial, um cara gente finíssima, que ganhou uma Libertadores incrível em 1999 e teve a hombridade pra ficar e jogar a Série B de 2003.

O São Paulo tem Rogério Ceni, um semi-deus, o maior goleiro artilheiro da história do futebol, futuro candidato à presidência do clube, motivador da célebre frase "Todos tem goleiro, só nós temos Rogério".

O Corinthians tem Felipe.

Rebaixado três vezes (uma delas com o Timão), que falhou na final da Copa do Brasil num ano em que não se admitiam falhas, polêmico, questionado por muita gente.

Mas não se é o Time do Povo por qualquer coisa.

O único dos três que teve a coragem de quebrar a barreira do espetáculo, deixar de ser a estrela e virar mais um no meio da massa foi o arqueiro alvinegro.

Naquele momento, não haviam jogador, torcedor, policial, imprensa, classes socias, nada.

Eram todos povo.

Em uma festa incrível, uma festa que muitos dizem ser "por nada", que quase todos concordam não ser mais do que obrigação.

Uma festa que só o povo pode fazer, só povo sabe fazer, só o time do povo consegue escrever sem necessitar estar com sete em campo e com um pênalti contra pra ser inacreditável.

E trezentos e vinte e cinco dias depois de passar 18h num ônibus junto ao mesmo povo sofrido e desconfiado do que estava por vir, de assistir uma parte tão grande da minha vida ser tirada do lugar sem muito pudor, algo tão forte que não conseguiu nem me fazer chorar, tamanho o choque, estava eu novamente em meio à massa, feliz como nunca por ser massa, às lágrimas.

Lembrando de cada momento desde que aquela senhora gaúcha que presenciava um quase-funeral à porta de sua casa saiu à janela balançando com um orgulho triste o estandarte do meu coração.

Hoje, como nunca, cada alvinegro é Felipe.

E Basílio.

E Romeu, e Viola, e Ronaldo, e Neto, e tantos outros.

Todos heróis de um time sem heróis, que sempre se destacou pelos feitos coletivos muito mais que pelos individuais.

Esteja em qual lado for do alambrado.

No Corinthians, isso não faz - nunca fez - diferença.

Porque, como diria um falecido - cedo demais - torcedor alvinegro*, a gente é compromisso, não é "viagem".

Ôôôôôô...

O Coringão voltou...

O coringão voltou...

O Coringão voltou...

*Sabotage, esteja onde estiver, É NÓIS QUE TÁ, MANO!

*Manihot Kadj Oman tem 26 anos, é corinthiano, paulistano, vegetariano, geógrafo, anarquista e apaixonado por futebol e cachorros.Vive pra reclamar e reclama pra viver. 

Por Juca Kfouri às 23h41

E só faltam sete rodadas

Cinco podem ser campeões.

Sete correm sérios de riscos de cair.

Entre os que podem ser campeões, este blog mantém sua aposta no São Paulo, mas não afasta o Palmeiras.

Entre os que correm risco, este blog não acredita que o Fluminense caia, ao contrário, e torce para que o Vasco se salve, único jeito de derrotar definitivamente a figura nefasta de Eurico Miranda.

O blog não torce para ninguém em especial ser campeão, até porque o time do blogueiro será campeão, mas da Série B, de Brasil.

E não torce para ninguém cair, embora não lamente a queda do time da prefeitura de Ipatinga.

A 31a. rodada teve muitos gols, 31, mais de três por jogo.

E 16.651 pagantes em média por partida, com o maior público o do Fluminense, 31.973 no Maracanã.

E o pior no Ipatingão, com apenas 2.345. 

Por Juca Kfouri às 21h20

Agora sim, o G5 mudou

Os Palestras se deram mal fora de casa na reta final do Brasileirão.

O paulista levou um vareio do Fluminense, com direito a olé no fim do segundo tempo para delírio de 32 mil pagantes no Maracanã.

O mineiro vendeu caro sua derrota, 1 a 0, para o Atlético Paranaense na Arena.

O Cruzeiro foi melhor no primeiro tempo até os 19 minutos, quando Thiago Heleno foi bem expulso de campo.

Mesmo assim, o time foi capaz de segurar o empate que, nas circunstâncias não era mau resultado.

Mas Rafael Moura fez o gol do Furacão, ao pegar o rebote de grande defesa de Fábio, aos 8 do segundo tempo.

Aí, até que o mesmo Rafael Moura fizesse a burrada de ser expulso, o rubro-negro mandou no jogo.

O time ainda tentou o empate, mas em vão.

E perdeu o segundo lugar para o São Paulo, situação menos ruim do que a do Palmeiras que perdeu o terceiro lugar para o Cruzeiro, o quarto para o Flamengo e acabou a rodada fora do G4, embora possa se recuperar, pois ficou a quatro pontos do Grêmio contra quem ainda jogará, assim como o Cruzeiro, além de jogar também contra o Flamengo.

Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras têm os mesmos 55 pontos, a quatro do líder Grêmio, que está três na frente do São Paulo.

Nos outros três jogos da noite, dois empates.

A Lusa arrancou um empate no fim do jogo nos Aflitos contra o Náutico: 1 a 1.

No Mineirão, o Galo saiu na frente do Inter, o Colorado virou, mas o Atlético Mineiro empatou e ainda mandou, com Petkovic, na trave gaúcha aos 42 do segundo tempo.

E, finalmente, na Vila Belmiro, mais uma bela vitória do Santos: 3 a 0 no Figueirense.

E graças a Fábio Costa, que pegou pênalti quando o jogo ainda estava 0 a 0 e o Santos não jogava bem.

Depois, Molina e Bida fizeram 2 a 0 aos 37 e 40 do primeiro tempo e Rodrigo Souto fechou o placar no segundo tempo.

Lusa, Furacão, Vasco e Ipatinga ficam na ZR.

E tem Vasco e Furacão na próxima rodada, em São Januário.

Por Juca Kfouri às 20h16

Curintiá, por Gilberto Gil

Com gols de Douglas e Chicão, o Corinthians bateu o Ceará por 2 a 0 no Pacaembu com 35 mil fiéis.

 

E a Série A voltou à elite do futebol brasileiro, porque o Barueri perdeu do Paraná Clube.

 

A música que você ouve agora é de autoria de Gilberto Gil, no exato momento em que ele a mostrava pela primeira vez à cantora Tetê da Bahia e jamais gravada por ele ou tocada na Internet na sua voz.

Por Juca Kfouri às 18h25

Flu arrasa o Palmeiras

Há dias em que você não deve sair da cama.

Hoje foi um desses, para o Palmeiras.

Que levou de três do Fluminense, sem dó nem piedade.

E graças a dois gols esquisitos, o primeiro em falha de São Marcos e o segundo contra, numa parceria de Martinez e Maurício.

Só mesmo o terceiro gol, lindo, de Júnior César, foi, digamos assim, normal.

E tudo, apenas, no primeiro tempo.

O segundo, confesso, nem vi.

Só tinha olhos para o Pacaembu e para Barueri.

Ah, o Botafogo, para alegria do Flu, enfiou outros 3 a 0 no Ipatinga.

Por Juca Kfouri às 18h02

24/10/2008

Está no Diário Oficial. Viva a festa!!!

Nº 206, quinta-feira, 23 de outubro de 2008

 

 

MINISTÉRIO DO ESPORTE

  SECRETARIA EXECUTIVA

 <!ID1463115-0>

EXTRATO DE INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO Nº 4/2008

 

 

 

Nº Processo: 58701001326200801 . Objeto: Contratação de serviços

de produção para participação deste Ministério no Grande Prêmio do

Brasil de Fórmula 1, visando a disponibilização de espaço personalizado

e exclusivo, para a divulgação e promoção do projeto de

candidatura Rio 2016, a ser realizada nos dias 31 de outubro, 01 e 02

de novembro de 2008. Total de Itens Licitados: 00001 . Fundamento

Legal: Artigo 25, inciso I, da Lei 8.666/93 . Justificativa: Para atender

solicitação da Secretaria Executiva deste Ministério Declaração de

Inexigibilidade em 21/10/2008 . JOSÉ LINCOLN DAEMON . Subsecretário

de Planejamento, Orçamento e Administração . Ratificação

em 22/10/2008 . WADSON NATHANIEL RIBEIRO . Secretário Executivo

. Valor: R$ 595.000,00 . Contratada :INTERPRO - INTERNATIONAL

PROMOTIONS LTDA . Valor: R$ 595.000,00

 

(SIDEC - 22/10/2008) 180002-00001-2008NE900035

Ministério do Esporte

.

 

 

Por Juca Kfouri às 00h55

23/10/2008

Obrigações cumpridas, tudo igual no G5

A torcida do Grêmio jogou bem, fez seu papel, foi ao Olímpico (30 mil torcedores presentes) apoiar o líder.

O time do Grêmio, porém, mais uma vez, jogou mal.

Fez 1 a 0 logo de cara num lance oportunismo de Reinaldo, o mesmo que, um pouco depois, quase ampliou numa cabeçada que foi ao travessão.

Mas, depois, sofreu.

Principalmente no segundo tempo, quando o Sport pressionou e foi muito mais perigoso.

Chegou, aliás, a perder um gol imperdível, com Wilson, aos 29, num rebote do ótimo goleiro Victor.

Alguém dirá que o que importava era a vitória, o que não deixa de ser verdade.

Mas com esse futebol o Grêmio não chegará ao tri.

No Morumbi nem a torcida (só 17 mil) nem o time do São Paulo agradaram.

Choveu muito e debaixo do aguaceiro o São Paulo virou para cima do Vitória, 2 a 1, com gols de Hernanes batendo falta e de Hugo de cabeça, um em cada tempo.

O jogo nem bem havia começado e Dagoberto perdeu gol feito.

Aí, aconteceram três lances de bolas alçadas na área do tricolor.

Na primeira, o zagueiro Leonardo Silva se antecipou à defesa e abriu o placar, aos 14.

Nas outras duas, por muito pouco, o rubro-negro não ampliou.

E houve, ainda, um pênalti de Rodrigo não marcado, ao empurrar Rodrigão, quando já estava 1 a 1.

O São Paulo, no entanto, teve, ao menos, frieza para virar e depois para manter o resultado, porque se o empate saiu ainda aos 28, com falha de Viáfara, da etapa inicial, o gol de Hugo foi aos 8 do segundo tempo.

André Lima, decorativo, teve de sair para Richarlyson entrar e ajudar na manutenção da vitória que mantém o São Paulo vivo, mas, a exemplo do Grêmio, em dívida com sua gente, embora sua gente também esteja em dívida com seu time, que abandona.

Finalmente, no Maracanã, coisa rara.

A torcida ficou devendo (28 mil pagantes, pouca gente para o padrão da massa) mas o time do Flamengo não.

Em noite de gala de Obina, o Mengo fez 2 a 0 no primeiro tempo e mais 3 a 0 no segundo diante de um irreconhecível Coritiba.

E três gols aconteceram graças a Obina, além de uma bola que ele cabeceou na trave.

No primeiro ele sofreu pênalti que Léo Moura converteu depois de pegar o rebote do goleiro Vanderlei.

O segundo ele fez, em jogada de Kléberson.

Do terceiro, de Ibson, é verdade, ele não participou, mas deu o quarto para Maxi.

O quinto foi de Bruno, o goleiro que, quando estava 0 a 0, fez duas defesas seguidas importantes, e que bateu pênalti já nos acréscimos, sofrido por Ibson.

Não mudou nada no G5.

Agora é esperar o sábado, quando jogam os Palestras, fora de casa.

O Cruzeiro com o Furacão e o Palmeiras com o Fluzão.

Por Juca Kfouri às 22h28

Três espinhosas obrigações

Três times do G5 têm três duras missões logo mais, às 20h30.

Olímpico, Morumbi e Maracanã serão palcos de jogos interessantes e difíceis, mas, com os donos da casa obrigados a vencer.

Obrigados, é claro, se querem mesmo ser campeões brasileiros.

O Grêmio sob suspeita tem o Sport, que não quer nada, não quer nada e, por isso mesmo, pode querer o quiser.

Se conseguir, muito bem.

Se não, dane-se. Afinal, já tem vaga na Libertadores e cair não vai.

O São Paulo, que deveria estar em alta, mas que não atrai seu torcedor ao estádio, recebe outra parada dura, o bem organizado Vitória.

Que ainda diz que sonha com a Libertadores, mas só diz.

Mas que tem time e Marquinhos para aprontar se o tricolor não se cuidar.

Finalmente, o Flamengo.

Que tem jogado mal, mas tem vencido.

Só que se quiser bater o bom Coritiba terá de jogar bem.

Hoje é noite para o torcedor não perguntar o que o time poderá fazer por ele, mas, sim, o que ele poderá fazer pelo time, parodiando John Kennedy na célebre frase sobre o que cada um pode fazer pelo seu país.

Não há dúvidas sobre como gremistas e flamenguistas reagem a este tipo de desafio.

E os são-paulinos?

Também não há dúvidas.

Eles não vão mesmo...

Ou vão?

Por Juca Kfouri às 15h06

O Real de Pelé

Por ROBERTO VIEIRA

Madri, 23 de outubro de 2008.

Os torcedores do Real Madrid trazem um bolo gigantesco para o Rei. Mas não é o Rei Juan Carlos quem faz aniversário. É um outro Rei. O homem que transformou a história do futebol espanhol e europeu com seus mil gols.

Mas nossa história começa há 55 anos...

1953. O olheiro telefona para Santiago Bernabéu e avisa: "Esqueça Di Stefano e Nestor Rossi! Eu descobri um gênio!"

A estática, a ligação entrecortada, a dúvida. Como cancelar o negócio com ‘La saeta rubia’? Como cancelar o negócio com o homem que comandara o Millionarios ali mesmo em Madri naquele humilhante 4x2?

"Ele tem 12 anos!"

Agora Santiago tem absoluta certeza que seu amigo e olheiro enlouquecera no calor dos trópicos. Ligar do Brasil pra dizer que um niño de 12 anos poderia ser melhor que Di Stefano.

"Mas tem um problema."

Bem, agora ele ia dizer que era uma brincadeira. Quando Santiago se prepara para demitir o seu homem de confiança...

"A mãe não deixa sair de Bauru. E ele é negro como o diamante."

Santiago Bernabéu foi jogador de futebol. E quando pensou que sabia tudo sobre ser um atacante conheceu Leônidas. Anos antes o uruguaio Andrade já desfilara seu talento pela Europa.

Santiago era um homem de negócios. Um apaixonado pelo Real, mas um homem de negócios.

"Um novo Leônidas!"

Desligou o telefone. Durante anos colocara pessoas em todo o mundo procurando uma resposta para seus sonhos. E a resposta tinha vindo ao seu encontro ali mesmo em Madri quando o Millionarios vencera o Real Madrid duas vezes.

Ele queria Di Stefano e Rossi. Mas o River Plate era o dono do passe. A liga pirata estava chegando ao fim na Colômbia.

Nestor Rossi disse não.

Aquilo deixou Santiago Bernabéu incrédulo.

Di Stefano assinou com o Barcelona.

Enquanto isso uma carta chegava do Brasil com uma foto do menino negro. Pobre e magro. Um engraxate, dizia carta. Mas havia algo naquele olhar. Algo bem maior que o tempo, bem maior que o simples olhar de uma criança. E Santiago lembrou os seus dias de criança quando sonhava jogar no Real Madrid.

Ele também possuía aquele olhar.

Por debaixo dos panos Santiago Bernabéu iniciara uma tramóia visando seqüestrar Di Stefano. Se o argentino jogasse mal no Barcelona talvez fosse renegado com uma farsa.

O presidente tinha as pesetas. Tinha Franco. Tinha o poder. Ninguém sabia, mas um dos seus homens já tentava seduzir até Ferenc Puskas.

A ligação demorou algumas horas para ser completada. Ele confiava cegamente em Sanchez. Ambos combateram na selvagem Guerra Civil. Talvez ele não estivesse louco afinal.

E afinal, a vida deve ter emoção!

Alguns milhares de dólares entraram na conta do pequeno Bauru Atlético Clube.

Dondinho e Maria Celeste viajaram pela primeira vez de avião.

O Santos ficou Santos mesmo. Nunca foi realmente páreo para o trio de ferro.

Di Stefano seguiu carreira na companhia de Evaristo, Kocsis e Czibor. Ganhou alguns títulos. Nada de tão especial.

Pelo menos nada que pudesse se comparar ao reinado do ataque formado por Canário, Kopa, Puskas, Pelé e Gento.

A França agradecida foi campeã mundial em 1958 e 1962.

O Brasil permaneceu com seu complexo de vira-latas.

Já que tempos depois os italianos da Juventus levaram Mané Garrincha. Com Elza Soares e tudo.

Por Juca Kfouri às 14h27

O que foi mais notícia na quarta-feira de futebol?

O que foi mais notícia?

O Inter ganhar de 2 a 0 do Boca Juniors no Beira-Rio?

O Palmeiras perder em casa para o Argentinos Juniors por 1 a 0?

Ou o Vasco bater o Goiás, no Serra Dourada, por 4 a 2?

Ora, o Inter derrotou o Boca B.

E o Palmeiras que perdeu também jogou com seu time B.

A notícia foi o Vasco.

Que fez 2 a 0, tomou o empate, parecia arruinado e teve forças para fazer mais dois gols.

Força que pode virar fortaleza para impedir que caia para Série B.

Porque de B bastam o Boca Juniors e o Palmeiras.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, dia 23 de outubro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 01h35

22/10/2008

O blog vai dormir feliz

O jogo a ser visto era o do Beira-Rio, entre o Inter A e o Boca B.

Porque o Palmeiras B contra o Argentinos Juniors A era a prova de como os brasileiros ligam pouco para a Copa Sul-Americana.

Se bem que, é claro, o Boca Juniors B também dá a medida dos argentinos...

E o jogo do Serra Dourada era sofrimento demais para quem não quer que Roberto Dinamite pague pelo que Eurico Miranda fez.

Só que o jogo acabou sendo mesmo o entre Goiás, melhor e favorito, e o Vasco.

Que saiu na frente com Edmundo, para surpresa geral.

Que fez 2 a 0 em seguida, para perplexidade coletiva, com Alex Teixeira.

Mas, é claro, o inevitável aconteceu e o Goiás, com Iarley, empatou ainda no início do segundo tempo, depois de ter diminuído com Paulo Baier, de pênalti.

O 3 a 2 era questão de tempo.

E não demorou nada.

Mas foi do Vascôoooooooooooooooo!!!!

Maaaaaaaaaaaaaadsoooooooooonnnnn!!!!!

Como foi o quarto, de Edmundo outra vez, de pênalti.

Edmundo acertou pênalti e o Vasco ganhou do Goiás em Goiás: 4 a 2.

Era o resultado mais importante da noite.

O Vasco tem de se salvar.

Tomara que se salve.

Enquanto isso, no Beira-Rio tomado, o Inter cumpriu com sua obrigação e ganhou por 2 a 0, porque, no fim, outra vez de fora da área, Alex fez outro lindo gol.

Gols de fora da área do melhor jogador em atividade no país, Alex, ambos no segundo tempo.

E o Palmeiras perdeu, talvez para ganhar o Brasileirão: 0 a 1.

Jogou melhor, fez gol que o juiz não viu, perdeu pênalti e o jogo.

Mas, e daí?

Por Juca Kfouri às 23h48

O livro de um dos papas da Fórmula 1

Sabe-se que o dono do blog não é lá muito amigo de automobilismo.

Mas é amicíssimo do bom jornalismo.

Especialidade de Lemyr Martins, testemunha ocular das melhores histórias da F-1 desde os anos 70.

Lerei não pelo tema, mas pelo autor.

Que faz qualquer tema ficar interessante.

Por Juca Kfouri às 17h10

O blog é verde, vermelho e cruzmaltino

Hoje a Copa Sul-Americana segue com mais dois jogos entre brasileiros e argentinos.

Ontem os argentinos levaram a melhor, com a vitória do Estudiantes, com 10 jogadores desde os 18 minutos de jogo, sobre o Botafogo, por 2 a 0, em La Plata.

Hoje o Palestra Itália será palco, às 22h, do confronto entre Palmeiras e Argentinos Juniors, parada indigesta para quem tem o Fluminense como próximo adversário no Brasileirão, já no sábado e no Maracanã.

E o Beira-Rio recebe o grande jogo, também às 22h, entre Inter e Boca Juniors, chance de ouro para o colorado D'Alessandro, torcedor do River Plate.

O blog, é claro, torcerá pelo Verdão e pelo Colorado.

De quebra, ainda teremos um drama no Serra Dourada, mas pelo Campeonato Brasileiro, e ainda às 22h:

Goiás, com bela campanha, contra o Vasco, com péssima, herança de Eurico Miranda.

O Goiás tem 45 pontos, em nono lugar, sem chances, no entanto de chegar ao G4.

O Vasco tem só 27, na lanterna, quase condenado à Série B.

O Goiás tem a primeira campanha do segundo turno.

O Vasco tem a penúltima.

O Goiás é favorito disparado.

Mas que os esmeraldinos me desculpem.

Torcerei pelo Vasco.

Afinal, uma derrota não muda nada na vida do Goiás.

E uma vitória pode começar a salvar o Vasco.

Por Juca Kfouri às 00h35

O cartola perdeu a cabeça

O Palmeiras vive dias turbulentos, com denúncias que pegam a gestão Mustafá Contursi e a atual.

O que tirou do sério um de seus cartolas mais importantes, Hugo Palaia.

Ontem, no CBN EC, contei que ele agrediu um jovem no elevador do prédio de seu escritório com um tapa no rosto, porque não gostou da maneira como o jovem olhou para ele.

O jovem deve apresentar queixa na polícia nesta quarta-feira.

Tentamos ouvir Palaia, em vão.

Agora há pouco, ele entrou em contato com Leandro Mota, repórter e produtor do programa e deu sua versão.

"Há tempos que o garoto me desafia com olhares de deboche e maliciosos.

Toda vez que o Palmeiras perde ele olha com deboche para mim.

Estava no elevador com a minha filha e ele olhou de forma maliciosa para ela também.

Assim como existe a agressão moral e física, também tem o olhar malicioso, de deboche.

Tenho 75 anos, já fui por dois, três anos seguidos apontado como personalidade de Pinheiros, recebi a medalha Anchieta da Câmara Municipal de São Paulo, não posso ser motivo de chacota de um moleque.

Estava saindo do meu escritório depois de uma crise de violenta emoção, por causa das inverdades publicadas na imprensa. Meu dia foi terrível.

Não foi uma agressão, mas um empurrão facial. Eu apenas o empurrei.

O "Jornal da Tarde" publicou que eu peguei 620 mil reais emprestados do Palmeiras. É mentira! O Palmeiras que me deve esse dinheiro. Já falei com o Juliano Costa (repórter do JT) e ele vai publicar uma nota esclarecendo isso na edição de desta quarta-feira.

Por conta de tudo isso, não atendi a imprensa o dia todo.

Não nego (o incidente). Meu ato foi diante de uma violenta emoção. Se tiver que pedir desculpas, eu peço, sem problemas. Se ele levar isso pra frente, serei sincero com o delegado, juiz, do jeito que estou sendo sincero com você.

Descobri depois que o garoto é sobrinho da Rita da (editora) Segmento, uma pessoa que eu quero muito bem.

Quem contou essa história pro Juca Kfouri está querendo aparecer, fazer sensacionalismo.

Se perguntar pra qualquer um no Palmeiras, todos vão falar bem de mim."

Nota do blog: quem contou o fez, apenas, por ter ficado indignado com a agressão.

Nota do blog 2, atualização feita no dia 22, às 16h40: o "Jornal da Tarde" também não publicou que ele pegara dinheiro do Palmeiras.

Por Juca Kfouri às 00h01

21/10/2008

Eduardo Paes pisa na bola

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2008.

Quem foi João Saldanha?

Com surpresa tomamos conhecimento da declaração do candidato Eduardo Paes de que Fernando Gabeira seria o "João Saldanha da política".

O ex-secretário de Esporte do Estado do Rio de Janeiro parece não saber quem foi João.

João Saldanha, em toda a sua vida, não foi apenas o comentarista esportivo com atuação em rádio, jornal e televisão. Como diretor de futebol e técnico campeão do Botafogo em 1957, tornou-se o maior responsável pela montagem do time que está até hoje na memória de cariocas e brasileiros, do qual faziam parte Nilton Santos, Didi e Mané Garrincha.

Em 1969, João resgatou a auto-estima do futebol brasileiro como técnico e comandante da seleção que viria a ser tricampeã no México. Escalou e definiu as "feras do Saldanha": Carlos Alberto, Brito, Piazza, Gerson, Jairzinho, Tostão e Pelé. Até ser demitido por não aceitar interferências diretas da ditadura militar através do então presidente Médici.

Ao lado de outros grandes jornalistas esportivos, inovou com seu estilo coloquial a cultura da imprensa especializada.

Ainda jovem atuou em São Paulo e Paraná defendendo e organizando operários em greve e camponeses ameaçados de expulsão de suas terras.

Em 1985, liderando uma comissão de desportistas da qual fazia parte Juca Kfouri, inspirou o maior projeto de democratização esportiva levado a efeito no Brasil - O Recriança - que atendeu a mais de 500 mil crianças e adolescentes em todo o país. Uma iniciativa que, realizada pelo Ministério da Previdência em parceria com prefeituras, deixou frutos como a Vila Olímpica da Mangueira, no Rio de Janeiro, o Irmão Menor, em Curitiba, e o Curumim, em Belo Horizonte.

João Saldanha acreditava que, em uma política de esporte e cidadania, o esporte social – o esporte cidadão, voltado ao atendimento das camadas mais pobres da população, praticado em escolas, clubes e bairros populares – e o esporte de alto-rendimento – o que busca perfomance e conquista de medalhas e campeonatos – não são excludentes, ao contrário, se complementam.

Defendia que o poder público em um país como o Brasil tinha obrigação de investir a maior parte de seus recursos no Esporte Social.

Assim era João Saldanha, personagem que Eduardo Paes parece desconhecer.

Assinam :Elza Jobim Saldanha Milliet (irmã de João Saldanha);Vera Saldanha; Sonia Saldanha;Ruth Saldanha(filhas) ;Raul Milliet Filho (sobrinho); Oscar Niemeyer (amigo).

Aqui, a frase de Eduardo Paes:  

"O Gabeira não sabe o que vai fazer com a cidade no dia seguinte que assumir. Não apresentou nenhuma proposta concreta. Ele comenta as minhas propostas, virou um comentarista, o "João Saldanha da política", disse Paes"

(G1 O Portal de Notícias da Globo 20/10/08 )

Por Juca Kfouri às 22h21

O Livro de Abraão*

Por ROBERTO VIEIRA

Abraão era um fanático por futebol. E como sói acontecer a todos os fanáticos, Abraão sabia de tudo.

Abraão vivia proclamando aos céus que tudo estava errado sob o céu. Caso tivesse o poder, Abraão prometia fazer as coisas certas, transformando o mundo em um paraíso.

Cansado do lenga-lenga de Abraão, o Senhor de Todas as Coisas decidiu lhe conceder 24 horas para organizar o mundo do futebol. E foi curtir um merecido descanso.

Abraão quando se viu sozinho, sorriu. Aquele sorriso breve e sórdido dos fascistas de plantão. E pôs mãos a obra.

Primeiro, Abraão silenciou os jornalistas que criticavam seu time. Morte súbita. Empastelou redações e apagou blogs. Como os poucos jornalistas remanescentes reclamaram muito, dinamitou eles também. Em seguida, afogou na baía da Guanabara as torcidas dos grandes times rivais. Por via das dúvidas, afogou também os torcedores que restavam do Bangu.

Ainda era pouco, pensou. Meia-hora depois, radicalizou. Incinerou as sedes dos clubes também. A Cidade Maravilhosa agora era a cidade de um time só.

Como o Rio de Janeiro andava na contra-mão de São Paulo, Abraão bateu palmas e o futebol foi extinto em São Paulo. No Museu do Futebol ficaram apenas as fotografias dos antigos craques do seu time. Como aliás deveria ser desde o início, segundo o pensamento do próprio Abraão.

Mas, e os gaúchos, os mineiros, os paranaenses?

Tchau gaúchos, mineiros e paranaenses!

Tchau pra todo mundo também. Abraão acabou com todos os clubes do Brasil, independente de raça, cor, credo ou torcida organizada. Até mesmo com o velho pássaro preto, o Íbis. Vai que ele dá uma de Davi...

Abraão olho para os campos de futebol e viu que sua obra estava quase completa. Então, Abraão se auto-proclamou presidente vitalício do seu querido time. Foi quando algumas facções organizadas se rebelaram, e Abraão teve de expurgar sua própria torcida por via das dúvidas. Quando seus dois irmãos reclamaram, Abraão achou por bem cortar o mal pela raiz. Mandou os irmãos pros quintos dos infernos.

Abraão modificou até as cores da bandeira do seu time, mas não havia mais time para torcer. Abraão também havia demitido o treinador incompetente, a comissão técnica que custava uma fortuna aos cofres do clube e todos os jogadores que não honravam as gloriosas cores da sua equipe. Uns verdadeiros sanguessugas.

Agora, havia apenas Abraão e uma bola de futebol no Maracanã vazio. E pela lógica de Abraão, o mundo era muito sem graça pois já não havia outros torcedores para esmurrar, xingar e arremessar coquetéis molotov.

Para alegria de Abraão, logo chegou o fim do seu mandato e o Senhor de Todas as Coisas retornou, devolvendo o futebol ao mundo de Abraão.

Porque Abraão era um fanático por futebol. E como sói acontecer com todo e qualquer fanático, Abraão não sabia de nada...

*Dedicado a Paulinho e ao seu blog. Uma das vítimas de Abraão...

Por Juca Kfouri às 18h03

Não perca. É hoje

O OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA VAI À ARGENTINA 30 ANOS DEPOIS DA COPA E ENCONTRA MUITA SUJEIRA DEBAIXO DO TAPETE. UM MUNDIAL SUJO DE SANGUE E COM DENÚNCIAS DE SUBORNO E DOPING.

 

A Copa do Mundo de 1978 é uma das mais polêmicas da história dos Mundiais e 30 anos depois continua a ser investigada pelos próprios argentinos.

É essa busca pela verdade que levou Alberto Dines e a equipe do Observatório da Imprensa até Buenos Aires.

No programa especial que vai hoje ao ar, Dines conversa com jornalistas daqui e de lá para recontar a história do torneio disputado sob o jugo da ditadura.

Entre os entrevistados, Ricardo Gotta, do Jornal Olé, que lançou, recentemente, o livro "Fuimos Campeones", que analisa a fundo a goleada de 6 x 0 da Argentina sobre o Peru, que garantiu o time da casa na final.

Quem também faz denúncias sobre esta partida é Christian Remoli, autor do documentário "Mundial 78 – verdad o mentira?", que traz um fato novo e tenebroso relativo a esta partida: jogadores argentinos teriam jogado dopados.

A décima primeira Copa do Mundo foi disputada em meio a uma sangrenta ditadura militar.

Um evento perfeito para abafar as constantes denúncias de desaparecimentos de oposicionistas (entidades de direitos humanos falam em 30 mil desaparecidos entre 1976 e 1983) e uma forma de mostrar ao mundo que o país vivia um momento de prosperidade e estabilidade política.

Tanto investimento e tanto empenho para mascarar a situação do país tinham um objetivo, a conquista do campeonato pelo time da casa.

Não que fosse uma tarefa fácil.

Havia a Alemanha, campeã do Mundial anterior, o Brasil, eterno rival, e a Holanda, talvez o melhor time dos anos 70.

Mas, os planos corriam o risco de irem por água abaixo.

É que para chegar à final, a Argentina precisava vencer o Peru por quatro gols de diferença.

Fez seis e atraiu, para esta partida, as desconfianças de todo o mundo da bola e acabou se transformando num dos capítulos mais discutidos de toda a história das Copas.

Até hoje, estas suspeitas continuam pairando sobre aquele jogo.

Uma curiosidade que mostra a preocupação com uma possível eliminação: pouco antes da partida, o general Videla, acompanhado do ex-secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, fez uma visita de "cortesia" ao vestiário peruano.

Na final, a Argentina derrotou a Holanda por 3 x 1, na prorrogação, depois de um empate em 1x1 no tempo normal.

Festa para os setenta mil argentinos no Monumental de Nuñez e em todo país.

A tribuna de honra um presidente Videla, em trajes civis entrega a taça ao capitão Daniel Passarela.

O objetivo havia sido alcançado.

A Argentina, para o mundo, era sinônimo de alegria e talento com a bola nos pés.

Não se falou nos 30 mil mortos e desaparecidos na Guerra Suja.

O objetivo desta edição espacial do Observatório da Imprensa foi mostrar que 30 anos depois, jovens jornalistas resolveram colocar o dedo na ferida, levantar o tapete e ver a sujeira que foi varrida para debaixo dele.

Um exercício de memória jornalística que o Observatório da Imprensa não podia deixar passar em branco.

Terça-feira, 21/10. Ao vivo pela TV-Brasil às 22:40.

No Rio (TV aberta, Canal 2).

Em S.Paulo, Net Digital, Canal 3; Sky, canal 116 e pela internet: www.tvbrasil.org.br.

Na TV-Cultura: 00:40.

Em tempo: texto escrito pelo setor de divulgação do Observatório da Imprensa.

 

Por Juca Kfouri às 17h20

Entre o caráter e o talento

O genial João Saldanha cunhou, entre tantas frases, uma que vira e mexe é lembrada quando são feitas críticas ao caráter de algum jogador de futebol:

"Eu o quero para jogar no meu time, não para casar com minha família".

A frase é típica dos pragmáticos, comunistas, como o saudoso Saldanha, ou não.

Hoje a situação não é diferente.

Em busca do resultado vale tudo, seja no esporte, na publicidade, na política, no jornalismo.

O jornalismo, aliás, paga alto preço pela filosofia que fez muitas cabeças mais preocupadas em buscar talentos que gente de caráter.

E jornalismo sem caráter, por mais talentoso que seja, é sem caráter e ponto.

Ou seja, não tem credibilidade.

Porque o também imortal Cláudio Abramo já ensinava que jornalismo deve ser a prática diária do caráter.

No esporte também é assim, seja em relação a técnicos, cartolas ou atletas.

Veja o caso do jogador de futsal Falcão, que acaba de ser eleito o melhor jogador do Mundial da modalidade, disputado no Brasil.

Em meio às comemorações, ele agrediu um jogador espanhol que cumprimentava um outro jogador brasileiro.

Agrediu meio pelas costas, de maneira dissimulada e foi se abrigar perto da torcida no Maracanãzinho.

As câmeras de TV não pegaram, mas o editor de Esportes do jornal Globo, Toninho Nascimento, viu, registrou e escreveu um candente texto a respeito, no qual diz que Falcão simplesmente mente ao negar que agrediu, covardemente, o espanhol.

Falcão, aliás, primeiro negou, depois admitiu em parte e acabou por se desculpar.

Parece até aquela propaganda que perguntava se o cidadão era casado e tinha filhos.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 21 de outubro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 02h02

Inútil intimidação

Dois investigadores da 78a. DP de São Paulo, invadiram ontem, por volta das 16h, o prédio onde mora Paulo Cezar de Andrade Prado, que faz o "Blog do Paulinho".

A Polícia Civil de São Paulo, como se sabe, está em greve, mas parece que a pior parte dela não aderiu.

Os dois ameaçaram o porteiro e o zelador do prédio e esmurarram a porta do apartamento de Paulinho, sob o pretexto de entregar uma intimação para que o blogueiro comparecesse à delegacia do Jardim Paulista para fazer "esclarecimentos".

Esclarecimentos sobre qual assunto a intimação não dizia como, também, não era assinada pelo delegado, detalhes não obrigatórios, mas que, sem dúvida, se obedecidos, aprimorariam a cidadania.

Precavido, Paulinho tratou de chamar a PM.

Assim que a sirene do carro da PM foi ouvida, os investigadores, que estavam acompanhados de mais um homem, saíram apressados do edifício.

Está claro que houve uma típica ação de intimidação, coisa de bandidos, de bicheiros, de gente que se sente incomodada com o que o blog publica e que em vez de recorrer aos instrumentos que a Justiça oferece prefere optar por práticas covardes.

http://blogdopaulinho.wordpress.com/

Por Juca Kfouri às 00h48

20/10/2008

Falcão, canastrão, em 'O Globo', de hoje

 

Por Juca Kfouri às 17h11

A poesia do futebol

Por ROBERTO VIEIRA

"Ademir impõe com seu jogo

o ritmo do chumbo (e o peso),

da lesma, da câmara lenta,

do homem dentro do pesadelo."

No poema acima, João Cabral de Melo Neto homenageia o ídolo Ademir da Guia.

Poeta e craque em verso severino.

João Cabral poeta, craque e ex-jogador de futebol. Torcedor apaixonado do América-PE.

Ademir da Guia, poeta intuitivo. Decassílabo. Alexandrino. Divino.

O futebol de Canhoteiro também se emaranhou na memória de Ferreira Gullar.

Traduzindo uma parte na outra parte. Será arte?

Fosse o futebol um gênero literário, não seria prosa.

Tão pouco seria um romance com começo, meio e fim.

Fosse o futebol um gênero literário, o futebol seria poesia.

Pois todo jogador de futebol é um poeta.

Há os repentistas como Cafuringa, Rivaldo e Denílson.

Os poetas concretistas Dunga e Zagalo.

Os românticos como Telê, Mário de Castro e Tim.

Os épicos como Barbosa e Heleno de Freitas.

O haikai flamenguista de Radar e do ponta esquerda Júlio César. Breves. Simbólicos.

E como esquecer o Homero do futebol brasileiro, Nilton Santos?

Mas a poesia no futebol brasileiro não se restringe na habilidade com a bola nos pés.

A poesia no futebol brasileiro escorre da pena de Armando Nogueira.

Reluz no anjo de pernas tortas do poetinha Vinícius de Moraes. Ou na poesia cruzmaltina de Carlos Drummond de Andrade.

A poesia no futebol brasileiro ocupa até as crônicas do futebol brasileiro.

Pois não será poesia o texto de Mário Filho e Nélson Rodrigues?

Ou a camisa contra o vento de Roberto Drummond?

No dia 20 de outubro se comemora o dia nacional da poesia.

Outubro, não por acaso mês de Iashin, Charlton, Pelé, Maradona e Mané Garrincha.

Muitos torcedores apaixonados compreendem a poesia no futebol.

Outros tantos, não enxergam poesia nas quatro linhas do gramado. Exigem relatos jornalísticos. Pragmáticos.

Analíticos.

Mas tanto uns quanto outros gritam e choram no instante de um gol.

Rima rica de quem no futebol, simplemente, amou...

Por Juca Kfouri às 14h25

De como tudo é relativo

Tivesse a justiça esportiva mantido as suspensões do jogadores do Grêmio e do Botafogo e pronto!

Estaria a maior choradeira no Olímpico e em General Severiano para justificar as injustificáveis derrotas no Canindé e no Engenhão.

Já o Fluminense, presidido pelo grande amigo do cartolão da CBF, foi desgraçadamente prejudicado pela arbitragem no Barradão.

E pelo considerado melhor árbitro do Brasileirão, o gaúcho Vuaden.

Que, é claro, não tem nenhum interesse em prejudicar o Flu.

Aliás, se ele tivesse errado contra algum time do G4, diriam que foi para ajudar o Grêmio... 

Por Juca Kfouri às 13h35

19/10/2008

Rodada do Cruzeiro

Melhor, impossível.

A 30a. rodada do Brasileirão teve a cara do Cruzeiro.

O Cruzeiro ganhou de novo do rival Atlético Mineiro e ficou invicto diante dele em cinco jogos no ano do centenário do Galo, com direito, ainda, a uma goleada de 5 a 0 na decisão do campeonato estadual.

De quebra, reassumiu a vice-liderança do Brasileirão, a apenas um ponto do Grêmio, com quem jogará no Mineirão, na 32a. rodada.

Se não bastasse, seu jogo foi o de maior público no fim de semana, com quase 53 mil pagantes.

A rodada, por sinal, teve 25 gols e média de público de 22 mil pagantes por partida.

O Flamengo, com o segundo melhor público na rodada, 40 mil pagantes no Maracanã, também se deu bem ao ganhar do lanterna Vasco, pois ficou a apenas um ponto do G4 e a quatro pontos do líder Grêmio, que perdeu bisonhamente para a Lusa.

O Grêmio, aliás, com uma tabela duríssima pela frente porque também enfrentará o Palmeiras fora do Olímpico, segue na liderança, mas, se não se cuidar, pode até mesmo nem ficar com vaga na Libertadores.

Já o Palmeiras deu prova de força, porque, em dois minutos, transformou uma derrota por 2 a 0 para o São Paulo que seria catastrófica, em reanimador empate.

O São Paulo só não entra em depressão porque a derrota do Grêmio o mantém a apenas três pontos dele e seus jogos daqui por diante são menos difíceis do que os dos três times que estão à sua frente.

Embolado em cima, embolado em baixo.

Fluminense, Atlético Paranaense, Ipatinga e Vasco moram na ZR.

Mas Figueirense, Náutico e Portuguesa não podem dormir tranqüilos.

 

Por Juca Kfouri às 20h57

O Clássico dos Clássicos

Por ROBERTO VIEIRA

Há 99 anos Náutico e Sport se enfrentam nas quatro linhas do gramado.

Desde o fatídico 25 de julho de 1909.

Uma semana depois do primeiro Grenal.

O terceiro clássico mais antigo do Brasil.

O Sport já batia sua bola. O Náutico só no remo.

Os rubro negros chamaram os alvirrubros para uma pugna no British Club.

Se o Sport houvesse vencido seria apenas mais um jogo.

Mas o Náutico ganhou por 3 x 1. Gols de Maunsell e Thomas.

E o que era pra ser um jogo de compadres tornou-se clássico.

Durante os primeiros cinquenta anos, o futebol pernambucano sonhava com a metrópole.

Náutico e Sport era chamado de Fla-Flu.

Até que na década de 50, os jornalistas começaram a rebatizar as disputas.

Sport x Santa Cruz virou o Clássico das Multidões.

Santa Cruz x Náutico ganhou a alcunha de Clássico das Emoções.

E a mais antiga peleja da terra do frevo foi consagrada o Clássico dos Clássicos.

Neste domingo, Náutico e Sport voltaram a se enfrentar no Estádio Adelmar da Costa Carvalho.

O campeão da Copa do Brasil como favorito.

Mas o Náutico abriu o placar: 1 x 0.

O Sport virou: 2 x 1.

E o Timbu foi buscar o empate: 2 x 2.

Tudo regado com batida de caju e três expulsões.

Se o Sport houvesse vencido seria apenas mais um jogo.

Mas era o Clássico dos Clássicos...

Por Juca Kfouri às 20h24

Vexame gremista, sonho flamenguista

Do mesmo modo que, à tarde, optei por ver o jogo que somava o maior número de pontos, com dois times do G4, à noite escolhi ver o do líder Grêmio.

Que fraquejou lamentavelmente, numa daquelas derrotas que podem, e devem, custar o título, porque injustificável.

O Grêmio que jamais derrotou a Portuguesa no Canindé.

E olhe que o 2 a 0, gol de Ediglê, aos 10 do segundo tempo, e Edno, aos 46, da Lusa foi pouco, porque não só houve um pênalti de Réver não marcado no primeiro tempo como, ainda, o time paulista jogou muito melhor que o gaúcho.

Time gaúcho que terá Palmeiras e Cruzeiro ainda pela frente, ambos fora de casa.

No clássico pernambucano, na Ilha do Retiro, Leão e Timbu ficaram no 2 a 2.

E no carioca, no Maracanã, com gol contra de Jorge Luiz, o Vasco perdeu para o Flamengo, 1 a 0, apesar de o rubro-negro ter jogado 30 minutos do segundo tempo com 10, porque Fábio Luciano foi expulso.

O Mengo colou no G4, a um ponto do São Paulo e ainda sonha.

A Lusa caiu fora da ZR e deixou lá Flu, Furacão, Ipatinga e Vasco.

E o Grêmio fez tudo que Cruzeiro e Palmeiras queriam, além do São Paulo.

Por Juca Kfouri às 20h04

Ironias da vida. E do futebol

Quando Vanderlei Luxemburgo trouxe Léo Lima e Denílson para o Palmeiras, pouca gente acreditava num e noutro.

Como este blogueiro.

Pois Léo Lima fez um belíssimo Campeonato Paulista e justificou sua contratação só com a colaboração que deu para o título.

Denílson, no entanto, nem por isso.

Eis que agora, na reta final do Brasileirão, Léo Lima voltou a ser o que era, mais promessa que entrega.

Em compensação, nas últimas rodadas, o Palmeiras deve, no mínimo, quatro pontos a Denílson, três conquistados contra o Galo e um hoje, diante do São Paulo.

Pontos que podem valer o pentacampeonato do alviverde.

Por Juca Kfouri às 18h44

Um jogaço no Parque

O São Paulo ganhava do Palmeiras e começava a apalpar a taça de hexacampeão até os 33 minutos do segundo tempo.

Tinha feito dois gols, um no começo, outro no fim do primeiro tempo, graças a duas lambanças de Léo Lima.

Na primeira, ele derrubou Jean dentro da área e Rogério Ceni fez mais um gol de pênalti no Palmeiras.

Na segunda, ele armou o contra-ataque que permitiu a Dagoberto fazer 2 a 0, ele que havia se cansado de não conseguir concluir bem os contra-ataques tricolores.

Contra-ataques facilitados pelo espaço aberto com as expulsões, exageradas, de Borges e Diego Souza, logo depois do primeiro gol.

Luxemburgo acertou ao tirar Maurício para botar Evandro em seguida, como acertou ao corrigir o erro com a escalação de Léo Lima e botar Pierre em seu lugar na volta para o segundo tempo.

Mas ainda no primeiro tempo o Palmeiras exigiu três senhoras defesas de Rogério Ceni, além de Alex Mineiro ter cabeceado uma bola no travessão que voltou em cima da linha fatal.

O segundo tempo, então, foi de gato e rato até faltar 12 minutos, quando Denílson, que entrara no lugar de Sandro Silva, deixou André Dias no chão num drible desconcertante e enfiou para Kléber diminuir.

Não levou nem dois minutos para que Leandro, batendo falta que desviou na cabeça de Dagoberto, empatasse e fizesse justiça ao jogaço disputado em Palestra Itália.

Verdade que, por pouco, já nos acréscimos, Hernanes não marcou o terceiro gol tricolor.

Mas não seria correto para o que o jogo mostrou, um jogo de uma intensidade como há muito não se via nos gramados de São Paulo.

Razão pela qual, aliás, não vi a excelente vitória do vice-líder isolado Cruzeiro sobre o Galo (2 a 0), nem os empates entre Vitória e Flu (2 a 2) e Coritiba e Goiás (1 a 1).

Pelo que peço desculpas e a compreensão de todos porque, afinal, tenho coluna para fazer para a "Folha de S.Paulo" e o jogo da rodada era o clássico paulistano.

Atualização: simplesmente inacreditáveis os dois pênaltis não marcados para o Fluminense no jogo do Barradão.

No primeiro, aos 29 do segundo tempo, Washington levou um golpe de judô dentro da área.

No segundo, já nos acréscimos, Washington chutou e o zagueiro do Vitória atuou como se fosse jogador de vôlei.

E o jogo, seu Vuaden, era de futebol.

Em tempo: quase 3200 palpites, só 16% acertaram no empate em Parque Antarctica, contra 50% que apostaram no São Paulo (como o dono do blog) e 34% no Palmeiras.

Por Juca Kfouri às 18h30

Ufa! Brasil hexacampeão de futsal

Se o GP da China de Fórmula 1 foi uma chatice (claro que não vi, mas me contaram), a decisão do Mundial de futsal foi empolgante, depois de um torneio quase todo desinteressante e uma garfada histórica na Itália, que de Itália não tem nada.

Brasil e Espanha entraram no Maracanãzinho meio estropiados.

O Brasil com alguns de seus principais jogadores machucados e a Espanha sem seu principal jogador, também machucado.

O Brasil perdeu inúmeras chances de gol, algumas delas mais pela extraordinária atuação do goleiro espanhol Luís Amado, um portento de arqueiro.

O Brasil fez 1 a 0 já no segundo tempo, tomou o empate, fez 2 a 1 e tomou o 2 a 2 com menos de dois minutos do fim.

Falcão não suportou as dores em seu joelho e saiu do jogo.

Mas teve uma atitude um pouco esquisita, ao chorar no banco em vez de incentivar os que ficaram em quadra, um pouco autocentrado demais para quem disputa um esporte coletivo.

O 2 a 2 não saiu do placar na prorrogação, embora as chances se dividissem.

E vieram os pênaltis.

A Espanha lutava pelo tricampeonato, com seu timaço, mais tático do que técnico.

E o Brasil, pentacampeão, pela retomada da hegemonia de um esporte inventado no país.

A Espanha com Amado no gol.

O Brasil com seu goleiro reserva, Franklin, especialista em pênaltis, experiente, 37 anos nas costas.

Pois ele pegou dois pênaltis contra apenas um defendido por Amado.

E o Brasil é hexacampeão.

Por Juca Kfouri às 12h46

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico