Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

15/11/2008

Cruzeiro goleado e Flu quase salvo

O Cruzeiro pagou um preço alto nos Aflitos por causa das conhecidas deficências de sua defesa.

Falhas imperdoáveis num jogo decisivo como o contra o desesperado Náutico levaram o time mineiro a sofrer três gols que tiraram dele a chance de ainda lutar pelo título, como, aliás, era previsível.

Dos cinco gols sofridos, só os dois últimos podem ser atribuídos mais aos méritos do Timbu que, de resto, não tem nada com isso e teve a atuação que sua torcida exigia, de gala.

Saiu da ZR com a goleada de 5 a 2 e tirou a Raposa do título, embora a Libertadores ainda seja possível.

Já o Fluminense foi castigado com a derrota parcial para a Lusa no primeiro tempo, mas virou no segundo de maneira impecável, até com gol de Washington: 3 a 1 e adeus à ZR.

E quem segue na ZR, mas surpreendeu, foi o Ipatinga, que enfiou 3 a 0 no Sport.

A rodada já tem 19 gols em quatro jogos, quase cinco de média!

Por Juca Kfouri às 20h27

Timão desfila e Santo André sobe de carona

No primeiro tempo, apenas uma bola na trave, de André Santos.

O Corinthians estava meio de ressaca na calorenta tarde paulistana no Pacaembu.

E como o Vila Nova não fez a bobagem de provocar como o Juventude fizera, o 0 a 0 foi ficando.

Até que, aos 7 segundo tempo, Herrera abriu o placar.

Vinte minutos depois, André Santos acertou a trave outra vez.

Aos 32, Douglas passou e Herrera fez 2 a 0.

Aos 36, Alessandro recebeu de Morais e fez um lindo gol: 3 a 0.

O Vila descontou, de pênalti, em seguida, embora a falta tivesse acontecido fora da área: 3 a 1

Estava de bom tamanho.

O Timão seguiu invicto há 19 jogos, com a melhor campanha da história da Série B, devolveu a derrota do primeiro turno em Goiás e com a Fiel a seu lado, basta dizer qu.

De quebra, garantiu a subida também do Santo André à Série A.

O futebol paulista pode ter até sete participantes na Primeira Divisão.

Porque Barueri (favoritíssimo) e Bragantino ainda lutam pela quarta vaga embora a Lusa e o Santos lutem para não cair.

Por Juca Kfouri às 18h16

Os 70 anos do Íbis

Por ROBERTO VIEIRA

Passos lentos e meditativos, o velho taxista se contrai ao sentar na cadeira de balanço.

Final de tarde no asilo em Recife:

"O Íbis era um timaço!"

Ante o sorriso disfarçado do jornalista, o velho retruca:

"Você não sabe de nada..."

O jornalista veio até ali falar de derrotas.

Dos 70 anos do pior time do mundo.

E, ao que parece, o pobre homem delira.

Mas não é delírio.

Na memória, o ancião relembra aquele jogo contra o Great Western.

Torneio Início de 1947.

Durval defende e estica a bola para Damata.

O cruzamento alcançou Zépequeno livre: Íbis 1 x 0.

Festa rubro negra nos Aflitos.

O jornalista conhece apenas o presente.

Os 1994 gols sofridos em 667 partidas.

As 504 derrotas.

Os 4 anos sem ver a cor da vitória.

Números, números, estatísticas.

Porém, como podem os números medir a paixão de quem torce?

Como podem os números explicar o Íbis?

Um velho recorte de jornal descansa na mesa.

O Íbis campeão.

No mesmo dia em que Ademir Menezes casava-se na Igreja da Candelária.

As fotos de Ademir e Celeste misturadas com as manchetes do pássaro preto.

Pior time do mundo?

O velho taxista fecha os olhos.

A imagem de uma cabeçada de Bodinho retornam. Realidade.

5 x 4 no Sport.

Um gol de Vavá.

5 x 3 no Náutico.

Um lançamento de Rildo. Uma arrancada de Carlitos.

"O Íbis era um timaço!"

O enfermeiro chega para aplicar a medicação.

O jornalista vai embora, triste.

O único torcedor do velho Íbis dorme profundamente.

As manchetes do dia 15 de novembro repetem os números.

Frias.

Inválidas...

Por Juca Kfouri às 11h28

14/11/2008

Quase tudo tem importância na 35a. rodada do Brasileirão

Sabe quantos jogos desimportantes teremos na 35a. rodada do Brasileirão?

Só dois!

No sábado, o jogo entre Ipatinga, já condenado, e o Sport, já na Libertadores.

E no domingo o entre Goiás e Botafogo.

De resto, os outros sete jogos valem muito, em regra para os dois times em confronto ou, pelo menos, para um.

A começar, ainda no sábado, pela partida do Maracanã, entre Fluminense e Lusa.

O tricolor é favorito, mas, na verdade, a Lusa tem jogado melhor.

Renê Simões já disse que é jogo de vida ou de morte. E é, para os dois.

Como é, para o Náutico, nos Aflitos já com ingressos esgotados, o encontro com o Cruzeiro, atrás do título ou, ao menos da Libertadores.

No domingo, o Maracanã recebe outro jogo que dispensa apresentação: Flamengo e Palmeiras, Libertadores em disputa e, quem sabe, algo mais.

O Morumbi, já com 45 mil ingressos vendidos, vê o favorito ao tricampeonato, ou ao hexa, o São Paulo, e o desesperado Figueirense: consistência x retranca.

No Olímpico, o Grêmio tem tudo para passar pelo Coritiba, desde que preste muita atenção na missão.

E, finalmente, duas partidas só para fugir do rebaixamento.

Na Arena da Baixada, o Furacão pega um desfalcado e despreocupado Vitória, para preocupação e denúncia do Náutico, que desconfia da parceria dos rubro-negros e dos cartões amarelos por atacado do time baiano.

E, na Vila Belmiro, o Santos recebe o Inter concentrado só com a Sul-Americana.

É a chance praiana de afastar de vez o risco de cair.

Sport, Goiás, Fluminense, Flamengo, empate no Recife, São Paulo, Grêmio, Atlético Paranaense e Santos são os palpites deste blog.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, dia 14 de novembro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 00h59

13/11/2008

Alexandre Kalil e seus 42 mil seguidores

Por ROMERO CARVALHO*

A imparcialidade no jornalismo é um daqueles temas eternos e, por vezes, chato. Quando o assunto é futebol, alguns jornalistas preferiram ignorá-lo solenemente. Roberto Drummond foi um deles.

Atleticano fanático assumido, que dizia, inclusive, que esta expressão era um pleonasmo, o escritor sempre tentou em suas crônicas explicar o que considerava inexplicável: a torcida do Atlético Mineiro, capaz, para ele, de torcer contra o vento se houvesse uma camisa branca e preta pendurada no varal. Ele nem menciona escudo ou listras na indumentária.

O fato é que muitas torcidas sempre surpreendem a crônica esportiva. Ano passado, um dos grandes fatos do Brasileirão foi a volta dos flamenguistas ao Maracanã e seus novos e bonitos cânticos. Na Libertadores de 2007, a Geral do Grêmio cantou como se fosse a La 12 do Boca, sem parar.

A torcida do Atlético não fica atrás. Cantou o hino, em 45 mil vozes, com o clube rebaixado à Segunda Divisão em 2005, assim que o juiz apitou o final da partida. No ano seguinte, carregou um time limitado de volta à Série A.

Esse ano, levou 25 mil pessoas ao Mineirão numa quarta-feira, em partida contra o Náutico pela Copa do Brasil. Pouco, se o time não tivesse levado de cinco do Cruzeiro no domingo anterior.

Ontem, mais uma vez, a torcida do Atlético mostrou que merece respeito. Mesmo com o time sem mais ambições no Brasileiro e com um centenário a ser esquecido, mais de 42 mil atleticanos foram ver a goleada de 4 a 1 sobre o Vasco.

Os mais afastados de Belo Horizonte certamente dirão que o motivo foi o preço, apenas cinco reais, cobrados pela diretoria, o que, óbvio, ajudou.

Porém, a verdadeira razão do excelente comparecimento da massa atleticana ontem chama-se Alexandre Kalil.

Não é exagero. O recém-eleito presidente atleticano sabe como poucos usar o seu bom trânsito com a torcida e, para ela, reflete o sentimento que Drummond buscava, sem sucesso, explicar.

Resta constatar se Kalil saberá administrar o clube como inflama a massa. Seu pai, Elias Kalil, já uma lenda para a torcida, soube. Veremos se, nesse caso, filho de peixe será apenas peixinho ou peixe grande.

*Romero Carvalho é jornalista. Mas, antes, é atleticano. 

Por Juca Kfouri às 11h27

12/11/2008

Tensão por nada

Já campeão, o Corinthians enfrentou, na 35a. rodada, a barra mais pesada de todas que pegou na Série B.

Clima ruim em Caxias do Sul pelas desavenças havidas no jogo do primeiro turno, em São Paulo.

Morais abriu o placar aos 8 do primeiro tempo e o Juventude empatou aos 23 do segundo, com Egídio, depois de muito pontapé e de torcedores jogando coisas no banco alvinegro.

No fim, de falta, Cristian, fez 2 a 1 para o Corinthians.

Entre mortos e feridos, no entanto, salvaram-se todos.

Embora o resultado praticamente afaste os gaúchos da possibilidade de voltar à Série A.

Falta, também, não farão.

Porque já se foi o tempo de ganhar no grito e, principalmente, é deplorável que se insista por lá com manifestações racistas.

Por Juca Kfouri às 23h57

Teve baile no Mineirão

Quando vi o Mineirão repleto, pensei: "Pobre do Vasco. Com a defesa que tem, vai ser atropelado pelo Galo".

Não deu outra.

Diante de mais de 42 mil pagantes, virou dois, acabou quatro.

A um, é verdade.

Gols de Castillo, Renan Oliveira e dois, de pênalti, de Leandro Almeida.

Madson descontou.

E poderia ter sido mais, embora Leandro Amaral tenha perdido um pênalti de maneira grotesca.

O Galo bailou, sem dó nem piedade, sobre a desgraça vascaína.

Por Juca Kfouri às 23h56

Inter quase na final

O Inter ganhou, com justiça, do Chivas em Guadalajara: fez 1 a 0, gol de Nilmar, aos 24 do segundo tempo, e 2 a 0, com Alex, batendo uma falta, aos 33, como se fosse com as mãos.

No primeiro tempo, as chances claras de gol se dividiram, três para cada lado, com uma diferença, entretanto, fundamental:

Nilmar fez um gol legal que o bandeira anulou por impedimento.

No segundo tempo, os mexicanos criaram apenas mais uma grande chance, ao passo que os colorados tiveram quatro, uma delas no travessão.

Antes, porém, Nilmar tinha aberto o placar.

E, depois, Alex ampliou.

O Inter pode até perder por um gol no jogo de volta, no Beira-Rio que assim mesmo será o primeiro time brasileiro a chegar numa final de Copa Sul-Americana, que está em sua sétima edição.

Final à vista, contra Estudiantes ou Argentinos Juniors, que fazem nesta quinta-feira a primeira semifinal entre eles.

Por Juca Kfouri às 23h53

O Inter sem desculpas e as desculpas de São Marcos

Hoje, às 22h, o jogo é mesmo o da Copa Sul-Americana: Chivas x Inter, em Guadalajara.

O Inter, infelizmente, sem D'Alessandro, provavelmente com Andrezinho em seu lugar.

Mas suficientemente forte para se sair bem no jogo de ida das semifinais.

Para quem já deixou o Grêmio e o Boca Juniors pelo caminho, o Chivas, apesar de respeitabilíssimo, pode ser também batido e ausência do bom argentino não pode ser desculpa.

E São Marcos pediu desculpas.

Vá gostar do Palmeiras assim lá longe.

Salvou as aparências e a cara de Vanderlei Luxemburgo.

Uma estátua será pouco para ele em Parque Antarctica depois que encerrar a carreira.

Por Juca Kfouri às 00h28

11/11/2008

Viva, Avaí! Viva Guga!! De volta à Série A!!!

Foto Antonio Carlos Mafalda

Por Juca Kfouri às 23h56

O presidente do Corinthians responde

Prezado Juca,

A carta a meu respeito enviada por seu leitor que preferiu manter-se no anonimato merece alguns comentários.

Neste ano de 2008 deixei de acompanhar o Corinthians no estádio em apenas três oportunidades: no jogo contra o Paraná, em Curitiba, no dia 26 de julho; no jogo contra o Fortaleza, no Castelão, em 06 de setembro; e nesta partida contra o Criciúma, no último dia 08 de novembro. Em todas as demais estive presente.

As três ausências explicam-se pela necessidade da minha presença no clube, para tratar de outros assuntos relevantes.

Estive no clube na tarde do dia 07 de novembro, sexta-feira, e na manhã do dia 08 de novembro, sábado, dia do jogo, para tratar de assuntos de interesse do clube.

Dedico-me em tempo integral ao clube, todos os dias, de manhã cedo até o começo da noite. Dentro do possível, tenho conseguido conciliar a execução de todas as demais tarefas que me competem como Presidente do clube – e são muitas - com a minha presença nos estádios em que o time joga. Infelizmente, em apenas três oportunidades, esta conciliação não foi possível.

De qualquer forma, o time se fez acompanhar do Diretor de Futebol, Dr. Mário Gobbi e do Gerente de Futebol, Antônio Carlos Zago, responsáveis diretos pelo departamento.

No sábado, 08 de novembro, após resolver pela manhã os compromissos que tinha no clube, e considerando que não teria mais tempo de viajar até Criciúma, fui almoçar com meus dois filhos, com minha ex-esposa, e outros parentes, pessoas queridas e de quem tenho estado distante por conta dos afazeres do meu cargo, justamente para comemorar o aniversário do meu filho.

De fato, fui interpelado por um torcedor - como já fui infinitas vezes - que agora deduzo seja o seu leitor. Repito: não foi a primeira, nem será a última vez. Tenha absoluta consciência da relevância pública do cargo que hoje ocupo. E não registro histórico de outras pessoas insatisfeitas como o leitor em questão. Ao contrário.

Não avalio tenha sido irônico. Também acredito não ter sido agressivo. E se, inconscientemente, o fui, receba ele minha desculpas.

Sugeri ao torcedor, sim, como faço com qualquer corinthiano, tornar-se sócio do clube e participar da sua vida política, já que o novo Estatuto, recém aprovado, garante eleições diretas para Presidência.

Respeito a opinião do seu leitor. E para desfazer esta imagem, que me parece incorreta, convido-o para comparecer ao clube, onde terei o maior prazer em recebe-lo para conversarmos.

Um abraço a você e a todos os leitores,

Andrés Navarro Sanchez

Por Juca Kfouri às 14h56

10/11/2008

Um corintiano decepcionado com seu presidente

O blog recebeu a mensagem abaixo no domingo.

Checou hoje a veracidade e resolveu atender ao desejo do torcedor.

 

Caro Juca,

Corinthiano como você, não sabia a quem recorrer.

Estive ontem em uma comemoração no bar Jacaré, em São Paulo, lugar alegre e descontraído da Vila Madalena.

Estava meio apreensivo pois era jogo do Timão e meus amigos haviam marcado bem no horário do jogo, por volta das 16h30.

Qual não foi minha surpresa quando lá encontrei Andrés Sanchez, presidente do nosso time.

Não só eu, mas mesmo o garçom corinthiano que nos servia estranhou, afinal era o jogo que valia titulo, independente de ser da Série B.

Pouco antes do término do jogo e de ele ir embora, eu o abordei no estacionamento, descontraidamente, perguntando porque ele não tinha ido ao jogo.

Nosso irônico presidente disse que não sabia de jogo algum e ficou meio constrangido com minha ousadia.

Sem titubear eu retruquei que estava desapontado, que nosso time já havia sido melhor representado.

Ele me perguntou se eu estava com saudades do Dualibi e se eu era sócio, pra lhe fazer cobranças.

Disse que não, que não tinha saudades nem era sócio, mas que era mais que isso; era torcedor, comprando camisas e ingressos dos jogos, infelizmente da mão de cambistas, dada a desorganização que os mesmos eram vendidos.

Perguntei ainda como era possível ele não saber do destino de 22 comandados do seu time, que haviam pego avião pra Criciuma, pra defender a liderança e o título do certame.

Finalmente, um amigo me retirou dali.

Foi melhor mesmo, não havia mais nada a dizer.

Posso estar errado ao abordar um cidadão e indagar-lhe de suas atribuições, sem que ele se reporte a mim ou me deva qualquer explicação, mas ele não é presidente do Comercial de Ribeirão Preto, é presidente da maior torcida do estado, segunda do Brasil.

É uma figura pública, tanto quanto um político, um artista ou um craque.

Infelizmente no nosso caso, ele está mais pra político de quinta que outra coisa, tanto pela falta de comprometimento quanto ética, sem falar de sua forma rudimentar de se expressar.

É por essas e por outras que o São Paulo tá na mira do tetra, tem estadio pra abrir Copa do Mundo e a gente está onde está.

Só com amor e fidelidade não dá, né?

Bem que a gente podia ser melhor representado...

Abraços,

WA

Se quiser fazer uso da história, sem problemas, só peço que omita meu nome e sobrenome.

Por Juca Kfouri às 17h30

Marcos está certo!

Para 50% dos blogueiros, Marcos acertou ao ir ao ataque ontem em Palestra Itália.

Para 22%, quem está certo é Vanderlei Luxemburgo.

E para 28% dos 1250 que responderam, nenhum dos dois tem razão.

O fato é que está criada uma saia justa: ou o técnico pune o ídolo, ou se desmoraliza.

E a verdade é que Luxemburgo errou duas vezes com Marcos.

Errou ao criticá-lo publicamente ao repreendê-lo por ter feito críticas públicas ao grupo.

Ou bem roupa suja se lava em casa ou bem não se lava e ele fez o mesmo que criticou no goleiro.

Depois, fez pior.

Disse que exemplar era Rogério Ceni que tinha ido para Ipatinga só para acompanhar seus companheiros.

Pois é.

Mas Luxemburgo fez pior, ao não ir a Buenos Aires com seus comandados.

E que fique bem claro: Marcos não falhou no gol do Grêmio.

Raul Plassmann, com a autoridade que tem, explica:

"Aquela é a pior bola para um goleiro. Ele tem de ir na intuição. Se ele acha que ninguém vai tocar na bola e sai nela, corre risco de uma cabeçada e de dizerem que ele quis adivinhar, em vez de esperar pela conclusão. Se ele espera pela conclusão, pode tomar o gol, como tomou. É claro que dá para defender, mas apenas por intuição".

Por Juca Kfouri às 14h30

'Se eu fosse presidente do COB'

Por ALBERTO MURRAY 

Se eu fosse Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, eu:

- teria vergonha de ver meu nome estampado na primeira página do maior jornal da minha Cidade, acusando-me de ter feito uma reeleicao sorrateira;

- ficaria enrubescido no corpo inteiro ao ver o outro grande jornal da minha Cidade, acusando-me da mesma coisa que o outro;

- teria dores de estômago ao perceber que a mídia de todo País condenava os meus métodos de reeleicao;

- setirme-ia- pior ainda ao verificar que ate a mídia não especializada desviara atenção para a minha reeleicao, acusando-a de ilegitima;

- pediria para sair se constatasse que o que eu fiz não agradou a ninguem, principalmente aos Atletas, que deveriam ser a voz mais importante a ser ouvida;

- enfiaria a cabeça no primeiro buraco da praia de Ipanema, feito um siri, ao prometer mundos e fundos em algum dossie de candidatura em realização de obras de infra-estrutura para o povo da minha Cidade e não ter cumprido uma meta sequer. Não teria coragem de jogar a culpa disso em cima dos Poderes Públicos;

- teria catapora ao mostrar aos membros da Organização Desportiva Pan-Americana ("ODEPA") que não fiz construir uma única dessas obras e que os "elefantes brancos" que edifiquei não ficaram, ao menos, à disposição do povo para, livremente, praticar esportes;

- ficaria sem voz ao constatar que, apesar dos bilhoes de Reais de dinheiro público empenhados nos Jogos Pan-Americanos, a opinião especializada concluísse que o legado para a minha Cidade fora zero;

- não saberia aonde enfiar a cara se o Tribunal de Contas do meu próprio País desse um retumbante NÃO à minha prestação de contas sobre alguma competiçao internacional realizada sob os meus auspicios;

- não faria de nenhuma Cidade do meu Pais candidata à sede de Jogos Olimpicos enquanto não fossemos uma potência economica com distribuição justa de renda, em saúde, educação, transporte, moradia, segurança, meio ambiente, cultura e tantos outros itens;

- pediria ao Governo que, em vez de empenhar milhões e milhões de Reais em uma candidatura fadada ao fracasso, aplicasse esse dinheiro na base do esporte, nas escolas públicas de ensino elementar. Eu colocaria minha experiência à serviço do Governo para auxiliar nessa tarefa. Chamaria de demagogo o Prefeito, Governador, ou Presidente que quisesse trazer uma Olimpíada para o Brasil;

- eu respeitaria a lei e faria licitação para todos os servicos contratados com terceiros;

- eu acabaria com intermediários, desnecessários, como agências de viagens, que ganham comissões às custas das reservas de passagens e hoteis comprados à partir do Comitê;

- eu não deixaria que qualquer membro do Comitê tivesse qualquer relacionamento empresarial com interesses financeiros ligados à àrea de esportes;

- eu tentaria passar ao povo a mensagem de que ser potência olimpica a qualquer custo é uma idiotice. Eu diria que mais importante do que contar medalhas é desenvolver na juventude o gosto pela prática do esporte para se ter uma nação mais saudável. Que após muitos anos, criando-se no País uma mentalidade Olimpica, da quantidade tiraríamos a qualidade:

- aliás, lutaria para que o Ministerio da Educação incluisse em seu programa básico de ensino a obrigatoriedade de aulas de Olimpismo, na disciplina de educação fisica, ou de história. Isso também obrigaria aos Professores estudar a materia;

- não "babaria ovo" para Presidente, Ministro, Secretário, patrocinador ou quem quer que fosse. Agiria com educação, mas não me afastaria, nunca, de meus princípios olímpicos, sendo capaz de criticar, publicamente, qualquer autoridade que eu achasse que devesse ser criticada. E de elogiar quem eu achasse que deveria ser elogiado;

- não teria o rabo preso com ninguém;

- estimularia às críticas dos outros a mim mesmo e as analisaria com humildade para, quem sabe, corrigir rumos;

- responderia a todas as perguntas da imprensa, sem destratar qualquer repórter, mesmo quando julgasse que algumas perguntas fossem provocativas. Esse, também, é o oficio deles;

- faria definições claras para a distribuição do dinheiro da Lei Piva;

- certamente, não faria sozinho esses critérios. Chamaria as Confederações, Federações, Clubes e Atletas a dar sugestoes;

- não concordaria com a "meritocracia" em que os esportes mais ricos, por terem outras fontes de renda, estariam sempre em primeiro lugar;

- tentaria achar uma forma justa de dar mais a quem tem menos, as chamadas Confederaçoes menos prestigiadas;

- exigiria das Confederações que, como um dos critérios para o repasse de verba, fosse apresentado ao Comitê a realização de trabalhos sociais, do desenvolvimento do seu esporte em comunidades pobres;

- acabaria com essas seleções permanentes e centros de excelência "de faz de conta". Ao mesmo tempo em que exigiria disciplina dos Atletas de alto rendimento, o deixaria livres para treinar em seus clubes (célula mater do esporte brasileiro), vivendo em suas Cidades, ao lado de suas familias. As seleções poderiam reunir-se, talvez, uma vez por mes. Por princípio, os Atletas de alto rendimento devem ser responsáveis por sua vida regrada. Temos que confiar no bom senso de cada um deles;

- repassaria a maior parte do dinheiro público às Confederações, às Federações, aos Clubes e ao Atletas, porque quem menos precisa de dinheiro é o proprio Comitê, cuja função não é formar o Atleta. É a de dar condições para isso;

- acabaria com verbas altíssimas de "manutenção da entidade" e daria outra destinação a essas quantias. Certamente iria para o desenvolvimento do esporte;

- daria menos festas;

- não faria publicidade nem do Comitê, muito menos de mim mesmo, com dinheiro da entidade;

- exigiria prestação rígida de contas e não admitiria um só deslize. Tratar com dinheiro publico é coisa muito séria;

- eu daria liberdade de Associação à Academia Olímpica Brasileira, deixando com que seus próprios Membros escolhessem a sua diretoria;

- apoiaria os Estudos Olímpicos, pois a base de tudo isso nada mais é do que o Olimpismo como uma filosofia de vida a ser difundida na sociedade;

- não faria média com Confederações, levando à Jogos Olimpicos Atletas com índices fracos, apenas para inchar a delegação e sair por ai dizendo "essa é a maior delegaçao bla, bla, bla…" E daí que é a maior delegação? Jogos Olímpicos coroam a vida de um Atleta e não é lugar para se ganhar experiência;

- reduziria meu próprio mandato para uma eleição de quatro anos, com direito a uma única reeleição;

- lutaria para que o mesmo fosse feito com as Federações e Confederações;

- eu revogaria, de cara, o artigo 26 dos Estatutos do Comitê, que impede que qualquer cidadão brasileiro seja candidato à Presidente e Vice-Presidente da entidade, a qual, hoje, vive do dinheiro do povo;

- faria constar dos contratos de patrocínio assinados com empresas privadas, uma cláusula inversa à de confidencialidade. Uma cláusula que exigisse do Comitê dar publicidade àqueles contratos. Se as partes não têm nada a esconder, esse é o único caminho;

- incentivaria a literatura olímpica e esportiva de uma maneira geral, de forma mais democrática;

- tentaria dar aos nossos talentos excepcionias o tratamento especial que eles merecem. Mas não os confinaria em "campos de concentração". Eu teria que acreditar no bom senso desses Atletas e em sua auto-disciplina. Se ele quer ser um grande Atleta, deve partir dele, antes de tudo, a responsabilidade pelos seus atos. Atleta-talento sem responsabilidade não é Atleta. Quem tem a perder é somente ele. E perderia mesmo, se fosse um irresponsável e não soubesse aproveitar as boas oportunidades;

- eu daria mais ênfase às competições nacionais estudantis e universitárias. O esporte universitário é uma das coisas mais bonitas que existem nesse meio;

- lutaria pela criação de uma agência nacional de esportes, a ser tocada por técnicos com mandato, livres de influências politicas, para fazer um planejamento a longo prazo para o esporte brasileiro;

- eu acabaria com a Casa Brasil em Jogos Olímpicos, que acaba não servindo para nada. Ou se quisessem fazê-la, que fosse por conta e ordem da iniciativa privada;

- eu não levaria presentinhos para os Membros do Comitê Internacional Olímpico. Isso não dá prestigio a ninguém. Eu tentaria obter o prestígio deles pela seriedade e clareza de minhas posições;

- exerceria a função com autoridade, mas, nunca, com autoritarismo;- eu acho que eu seria o maior crítico de mim mesmo, que seria capaz até de me fazer auto-oposição em alguns momentos.

http://albertomurray.wordpress.com:80/

Por Juca Kfouri às 12h28

São Marcos

Por KADJ OMAN

Em 1999 e 2000, por duas vezes, o goleiro do Palmeiras deixou todos os corinthianos nervosos, tristes, decepcionados, putos.

Seu nome ainda era Marcos. Só Marcos.

Virou São Marcos.

E hoje, 8 anos depois, o mesmo goleiro deixou este corinthiano com lágrimas nos olhos.

Pelo que fez a partir dos 30 minutos do segundo tempo do jogo em que seu time ia sendo derrotado pelo Grêmio por 1 x 0 dentro de casa, jogo que valia a vida no campeonato, a luta pelo título.

Ao correr pra área adversária, primeiro numa falta, depois num escanteio, depois com a bola rolando, São Marcos não desrespeitou apenas as ordens de Luxemburgo.

Muito mais do que isso.

Ele foi contra o disciplinamento excessivo.

Contra o controle sem sentido.

Contra o jogar sem emoções.

São Marcos derrubou a barreira entre jogador e torcedor. Fez o que todos os 28 mil na arquibancada queriam ter feito.

Escutou seu coração, lembrou o ditado, o colocou na ponta das chuteiras, e disse: "isso é a minha vida, eu decido o que fazer com ela".

Como disse um amigo, lembrou Garrincha.

E Pelé.

E Maradona.

Foi, simplesmente, genial.

A derrota de ontem deveria ser para o palmeirense talvez uma das mais orgulhosas dos últimos tempos.

Porque, pra além do que ela significou em termos de campeonato, está seu significado pro imaginário, pra memória, pro coração do alviverde.

Que ficou sabendo, mais do que nunca, que ali, embaixo das suas traves, no comando da defesa que ninguém passa, está também uma parte da torcida.

Que canta e vibra.

Pelo alviverde inteiro.

Que sabe - e como sabe - ser brasileiro.

Marcos, sei que provavelmente você nunca vai ler isto.

Mesmo assim, precisava agradecê-lo por me dar a certeza de que você, com esse caráter incrível, não defendeu aquele pênalti em 2000.

Foi o Marcelinho que o perdeu.

Abraços.

De um fã corinthiano que, mesmo assim, não pode deixar de aplaudir um gênio do futebol.

--
"Con razón o sin razón, Corinthians tiene siempre razón."
Manuel Correcher, presidente corintiano de 1936 a 1941.

http://manihot.wordpress.com

http://autonomosfc.blogspot.com


 

Por Juca Kfouri às 12h23

09/11/2008

Os tricolores dão as cartas

A quatro rodadas do fim do Brasileirão, a situação na luta pelo título vai ficando mais clara:

surpreendentemente o time de maior investimento, seja em jogadores seja, principalmente, em sua comissão técnica, o Palmeiras está apenas em quarto lugar e dependendo de milagres para chegar ao título, pois a quatro pontos do líder.

E que não bobeie em relação à Libertadores, porque terá um jogo de seis pontos contra o Flamengo no domingo que vem, além de ainda pegar o Vitória em Salvador, o mesmo rubro-negro que o mandou para a Série B em 2002.

O Cruzeiro, em terceiro lugar, segue em sua caminhada melhor do que se esperava no começo do campeonato, com o mesmo número de pontos do Palmeiras.

Já o Grêmio, a apenas dois pontos do primeiro colocado, renasce em suas melhores esperanças depois da heróica vitória sobre o Palmeiras.

E o São Paulo, bem, o São Paulo atropela na reta final para talvez pontear até o fim depois de ter chegado ao topo apenas quando faltavam seis rodadas para o fim do campeonato.

Se tudo correr normalmente, São Paulo e Grêmio manterão suas posições na próxima rodada, o tricolor paulista contra o Figueirense, no Morumbi, e o gaúcho contra o Coritiba, no Olímpico.

Jogo menos complicado para o São Paulo, porque o Coritiba não se assusta com o Olímpico.

Depois, no entanto, a tabela é melhor para o Grêmio.

Além de Vasco e Goiás fora, o time de Muricy Ramalho terá pela frente, em casa, o Fluminense que o tirou da Libertadores.

O time de Celso Roth terá de mais difícil só o Vitória, no Barradão, porque nem Ipatinga nem Galo devem ameaçá-lo no Olímpico.

O São Paulo já tem 18 vitórias, importante para os critérios de desempate, só atrás do Cruzeiro, que tem 19.

Lá embaixo também as coisas começam a se definir, para desespero exatamente dos quatro integrantes mais frágeis da Série A: Náutico, Portuguesa, Figueirense e Ipatinga estão com o pescoço na guilhotina.

A rodada teve apenas 19 gols, menos de dois por jogo, e a média de público de quase 16 mil pagantes.

O Palestra Itália recebeu o maior público, 26 mil pagantes e o Beira-Rio o menor, com 8 mil.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, dia 10 de novembro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 21h58

Quem ficará fora da Libertadores?

Quase 10.000 respostas e 54,58% por cento acham que o Flamengo ficará fora da Libertores, enquanto 22,68% apontam o Grêmio, 11,20% o Palmeiras, 6,88% o Cruzeiro e apenas 4,66% o São Paulo.

Por Juca Kfouri às 21h54

Mengo firme pela Libertadores

Botafogo e Flamengo começaram a jogar no estádio errado porque deveriam estar no Engenhão e não no Maracanã.

E logo de cara o Botafogo foi vítima de mais um erro de arbitragem, que não deu um pênalti de Bruno em Jorge Henrique.

Daí, viu-se um primeiro tempo morno, como se o Flamengo não precisasse lutar, ao menos, por vaga na Libertadores.

Bruno fez uma defesaça e quase foi só.

O segundo tempo foi melhor.

E as melhores chances foram do rubro-negro.

Numa delas, Ibson e Josiel perderam o mesmo gol.

Juan se machucou e teve de sair, ele que era o que mais criava.

Kléberson entrou em seu lugar e na primeira bola que pegou deu um passe precioso para Ibson, que foi derrubado pelo goleiro Renan dentro da área.

Este pênalti o árbitro marcou.

E Kléberson, em sua segunda participação na partida, fez 1 a 0, aos 39.

Era o Flamengo a apenas um ponto do Palmeiras, com quem joga na próxima rodada, no Maraca.

Graças, também, a Bruno, que pegou mais uma bola milagrosa à queima-roupa, de Flávio.

Andre Luís ainda recebeu um cartão amarelo, que deveria ter sido vermelho, coisa que o árbitro não mostrou, talvez, por temer a reação do zagueiro.

Mas, em seguida, Eduardo foi expulso.

No Barradão, o Galo seguiu invicto desde que tem novo presidente e derrotou o Vitória, 1 a 0, gol de Pedro Paulo, bola com açúcar de Petkovic.

E o Inter, com seus reservas, enfiou 4 a 0 no moribundo Ipatinga.

Por Juca Kfouri às 21h06

O que falta ao vice-líder e ao líder do Brasileirão (2)

16/11 Grêmio x Coritiba Olímpico

23/11 Vitória x Grêmio Barradão

30/11 Ipatinga x Grêmio Ipatingão

07/12 Grêmio x Atlético Mineiro Olímpico

 

16/11 São Paulo x Figueirense Morumbi

23/11 Vasco x São Paulo São Januário

30/11 São Paulo x Fluminense Morumbi

07/12 Goiás x São Paulo Serra Dourada

Por Juca Kfouri às 19h10

Grêmio imortal. Cruzeiro vivo

Num primeiro tempo truncado diante de um Palestra Itália lotado com 28 mil torcedores e colorido nos mais diversos tons de verde, houve dois grandes momentos:

Leandro sofreu pênalti de Souza não observado pelo árbitro, que deu um escanteio no que seria, então, tiro de meta, porque Souza não tocou a bola, só o pé do ala palmeirense;

e Marcel perdeu um gol feito depois de passe de Reinaldo, o mesmo Reinaldo, aliás, que levou Marcos a fazer ótima defesa.

De resto, foram 25 faltas, 17 cometidas pelo Grêmio, em 48 minutos de jogo, uma falta a cada dois minutos!

O 0 a 0 da etapa inicial era ruim para os dois.

Dois times desfalcados, o Palmeiras principalmente de Kléber e de Diego Souza e o Grêmio de sua zaga titular e de Perea.

O segundo tempo foi pior.

Emoção quase nenhuma, com a defesa do Grêmio esbanjando superioridade sobre o ataque palmeirense.

Até que, aos 27, Tcheco deu um tiro cruzado e ninguém tocou na bola que entrou mansamente no gol de Marcos.

Era justo, até porque um minuto antes Leandro havia feito uma falta em André Luís na entrada da área, também não marcada pelo árbitro.

Torcedores palmeirenses choravam a derrota surpreendente, a segunda neste ano em casa.

E Marcos ia para o ataque, contrariando o técnico Vanderlei Luxemburgo, embora incendiasse o time e o estádio a cada vez que descia.

Jean acabou expulso depois de jogar muito e deixou o tricolor gaúcho com 10 nos últimos cinco minutos de acréscimos.

O Grêmio está a dois pontos do líder e o Palmeiras ficou a quatro, em quarto lugar.

Já o Cruzeiro, num jogo equilibradíssimo com o Fluminense, no Mineirão, fez sua parte, com gol de Ramires, de cabeça, no segundo tempo, depois de boas oportunidades desperdiçadas por ambos os lados.

Fica em terceiro lugar, também a quatro pontos do São Paulo.

Coritiba e Náutico ficaram no 0 a 0 e o Sport ganhou do Goiás por 2 a 1.

O Timbu permanece na ZR e reclama, com razão, de um pênalti não marcado em Curitiba.

Por Juca Kfouri às 19h00

Os negros na natação

Na quinta-feira passada publiquei, na "Folha", a questão abaixo.

Que rendeu algumas respostas interessantes, que também seguem mais abaixo.

É preto no branco

Começou com Lewis Hamilton no domingo em Interlagos e acabou com Barack Obama no meio da semana nos EUA.

Nem o mundo da F-1 nem o da política serão iguais daqui para diante e para sempre.

Parece que as últimas barreiras foram quebradas pelas urnas nos EUA e no volante de um McLaren.

Esportes muito mais esportivos têm como seus reis atletas negros não é de hoje, realidade que o automobilismo passa a conhecer e até mesmo o elitista golfe vive no papel do insuperável Tiger Woods.

Sim, porque no futebol temos Pelé, no basquete Michael Jordan, Arthur Ashe no tênis e no atletismo nem é bom falar.

E olha que estamos falando só de homens, porque entre as mulheres as coisas não são diferentes.

Nem por isso, no entanto, como se viu nas declarações do pai de Hamilton, a vida dos negros é um mar de rosas, vítimas constantes que são de manifestações racistas.

E é aí que a responsabilidade de todos nós aumenta na luta pela igualdade de tratamento, sem a bobagem do politicamente correto que quer impedir que se diga que a situação está preta, mas não liga quando alguém admite que teve um branco.

E um mistério ainda precisa de uma boa explicação: por que não temos grandes campeões negros na natação?

Meu pai dizia que, no Brasil ao menos, os negros eram barrados no exame médico mesmo nos clubes populares como o Corinthians e por isso não podiam freqüentar as piscinas.

Provavelmente uma realidade do tempo dele e que não imagino perdurar nem aqui nem muito menos em países majoritariamente negros, como os africanos.

Seja como for, fica a pergunta: por que não se vê uma Serena Williams nas piscinas?


Resposta dada por José Eduardo de Mello Amorozo:

Não sou entusiasta das seções "carta dos leitores" mas, com referência à sua coluna de hoje na Folha, não resisti a expor uma "teoria sem
nenhum respaldo científico" que formulei há um bom tempo.

Ela é baseada apenas em algumas observações e alguma tendência a pensar besteiras possivelmente aproveitáveis... quem sabe um dia.

Há 20 anos, passei uma longa temporada morando em Barra de Caravelas no sul da Bahia.

A população local composta em sua maioria por negros pescadores de camarão.

O lugar é (era) um paraiso da caça submarina.

Sua grande atração: o Parcel das Paredes, maior formação coralínea do Atlântico Sul a meio caminho do arqipélago dos Abrolhos.

Consequência da fartura de peixes que buscam abrigo e alimento nos corais, vários dos habitantes da vila, abandonaram o camarão e começaram a se aventurar sob as águas.


Com o passar do tempo acabei conquistando a amizade e o companheirismo de vários crioulos e passamos a sair juntos para mergulhar.

Resumindo minhas observações: eles têm enorme facilidade para afundar atrás dos peixes sem necessidade de cinto de lastro; quando na
superfície, tomando fôlego entre um mergulho e outro eles precisam se movimentar mais para se manter à tona (negros, em geral, não boiam).

Junte a esses fatos a supremacia nos esportes de força, resistência e explosão.

Conclusão: eles têm ossos, musculos e ligamentos mais densos além da propensão para acumular menos gordura que ajuda na flutuação(em geral
eles são mais enxutos que nós).

Eles são mais pesados, portanto, com alguma exceção que há de aparecer algum dia, eles nunca vão ser grandes campeões de esportes aquáticos.

Outro caro, e raro, leitor, cujo nome infelizmente perdi, respondeu o que segue:

Lendo a sua coluna de hoje, do qual sou fã, concordando com ela quase sempre, li a sua pergunta a respeito do porquê não se vê uma Serena Willians nas piscinas.

A resposta não é o preconceito, haja vista que a própria Serena é lider no tênis e o Tiger no golfe, dois esportes elitistas.

A questão é física.

Na piscina, entre outras coisas, quanto menos atrito houver do atleta com a água, ou seja quanto mais flutuabilidade houver, melhor será o seu rendimento.

O biotipo negro tem o quadril mais proeminente (força glútea) do que as outras raças (o que porém facilita em alguns esportes).

Essa carga maior, na região glútea, faz com que o peso seja grande nessa região, afundando mais o atleta dentro d'água.

Por isso, ele tem mais atrito com a água e menos flutuabilidade.

O jornalista Guilherme Freitas, diverge, de maneira convincente. 

Sou jornalista e há três anos cubro eventos esportivos ligados a natação.

Sou free-lancer no momento e faço coberturas para o site Best Swimming (www.bestswimming.com.br) e colaboro como correspondente de imprensa no Brasil para a FINA (Federação Internacional de Natação).

Com bastante bagagem e experiência no assunto posso afirmar que natação no Brasil é um esporte para poucos.

Para os que podem pagar.

O fato de haver poucos negros com destaque na natação não é pelas teorias genéticas de massa muscular (que rejeito totalmente e acho que isso é puro prencoceito e desculpa).

A dura verdade é a questão social.

Para ser um nadador competitivo, você tem que desenbolsar muito dinheiro.

Seja para comprar um traje (que pode custar até R$ 1.500,00), um acessório técnico ou até para pagar a escolinha.

A natação competitiva é um esporte de classe média alta para cima.

Mas quantos negros fazem parte da camada social mais rica do Brasil?

Poucos.

Portanto o número deles nas piscinas será menor.

Além disso, não existe uma divulgação na periferia ou um interesse dos clubes em olhar para os mais pobres.

Acho que nem a histórica medalha de Cielo vai fazer isso.

Popularizar o esporte como Guga e Daiane fizeram com o tênis e a ginastica.

Mesmo assim, tenho observado em muitos campeonatos que existem mais negros na categoria de base, alguns deles já tendo integrado as seleções brasileiras menores.

Um dos destaque é a Etiene Medeiras, pernambucana de 17 anos que esse ano foi vice-campeã mundial júnior.

A primeira e única mulher medalhista em um campeonato mundial de natação.

Este ano cobri dois mundiais de natação.

Um absoluto em Manchester (ING) e o Júnior em Monterrey (MEX) e gostaria de comentar sobre sua citação a respeito dos países africanos.

O grande destaque do mundial inglês foi uma africana, a nadadora do Zimbábue Kirsty Coventry.

Ela é branca, loira, treina e estuda nos EUA.

Em seu país existem poucas piscinas, a maioria fora das medidas oficiais.

Um dia fui jantar em um restaurante e encontrei a delegação da Namíbia.

Todos brancos, do técnico aos atletas.

Dos países africanos, a maior parte de seus nadadores são brancos.

No Mundial mexicano observei uma coisa interessante.

Sai do hotel e peguei o ônibus que leva os credenciados até a piscina.

A seleção sul-africana estava nele e vi apenas dois atletas negros, de uma equipe com mais de 10 nadadores.

Não havia mestiços. A

ssistindo a Copa do Mundo de Durban mês passado pela TV, os nadadores sul-africanos (maioria no evento) eram em sua maioria brancos.

Aos poucos os clubes vão recrutando novos atletas e as oportunidades vão aparecendo, mas ainda é muito pouco.

Para a natação se massificar deve haver piscinas públicas ou em comunidades carentes, fazendo com que os mais pobres (negros em sua maioria) se interessem em praticar a modalide, para quem sabe seguir uma carreira futura ou apenas pela segurança de aprender a nadar.

Mas para isso dependemos dos dirigentes e políticos que estão mais interessados em outras futilidades e a ilusão chamada Rio-2016.

Espero que um dia eles tomem vergonha na cara.

O leitor Carlos Toledo, no entanto, discorda, para concordar com os dois primeiros:

Pergunte as pessoas especializadas em resgate (bombeiros e afins) de afogados ou afogantes (sic) o que é mais difícil de sacar da água: um negro ou um branco.

Sim, pesquisas médicas fáceis de serem consultadas online mostram/provam que os negros possuem densidade ossea maior que brancos e orientais o que os deixa com menor poder de flutuabilidade.

É física e não preconceito.

E você, o que acha?, o blog pergunta. 

Em tempo: faltou mencionar a providencial lembrança do leitor Randall Neto, que recordou a medalha de ouro de Anthony Nesty, do Suriname, em SEUL-88, ao vencer o norte-americano Matt Biondi nos 100m borboleta, por um centésimo de segundo.

Nesty foi o primeiro negro medalhista de ouro da história das Olimpíadas que, em Pequim, teve , no revezamento 4x100 livre, o norte-americano CUllen Jones como o segundo negro a subir ao lugar mais alto do pódio.

Por Juca Kfouri às 10h14

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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