Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

06/12/2008

Caso Tardelli-4

Este blogueiro não ficará surpreso se, na segunda-feira, a CBF devolver à FPF o abacaxi que recebeu hoje.

Um abacaxi cada vez mais com cara de laranja.

Por Juca Kfouri às 22h39

Caso Tardelli-3

O presidente CBF teria sido alertado pelo presidente da FPF sobre o tal envelope para Wagner Tardelli.

O presidente do São Paulo se dá apenas formalmente com o presidente da FPF.

Ao fundo, a Copa de 2014 no Morumbi.

Por Juca Kfouri às 20h01

Caso 'Tardelli' - 2

O São Paulo já chia: o árbitro Jailson Macedo Freitas, da Bahia, que apitará a partida contra o Goiás, foi o único a marcar um tiro livre indireto por seis segundos de retenção de bola da parte do goleiro no Brasileirão 2008.

Marcou para o Grêmio, no Olímpico, em jogo que o tricolor gaúcho perdia por 1 a 0 para o Figueirense e empatou o jogo como fruto da cobrança da falta, que não aconteceu.

Leia o que este blog publicou a respeito, então, no dia 2 de novembro: "Enquanto o tricolor paulista ganhava bem, o Grêmio sofria um gol do Figueirense aos 8 minutos do primeiro tempo e só empatava no fim do primeiro tempo, graças à invenção do árbitro que viu o goleiro catarinense ficar mais de 6 segundos com a bola, coisa que ninguém marca, mas, pior, coisa que não aconteceu."

Por Juca Kfouri às 19h14

O mais que estranho 'caso Tardelli'

Escândalos de arbitragem no Brasil não são e nunca foram novidade.

Só na gestão de Ricardo Teixeira este que envolve Goiás x São Paulo é o quarto, considerados o "caso Ivens Mendes", a adulteração da súmula ordenada por Armando Marques no "caso Loebeling", o "caso Edílson" e agora este caso.

Sobram diversas indagações.

1. Como se intercepta um envelope com dinheiro para um árbitro?;

2. Que história é essa de que além do dinheiro havia também convites para o show da Madonna?;

3. Mais importante, se Ricardo Teixeira sabe quem é o autor da coisa toda, por que só divulgará na segunda-feira?.

O que se sabe é que o São Paulo já tinha manifestado preocupação com a escalação de Wagner Tardelli e que foi tranquilizado pela CBF.

Agora estoura isso.

Fosse com time meu só entraria em campo com tudo esclarecido.

Por Juca Kfouri às 18h44

No 'Estadão' de hoje

Bruno Deiro

O responsável pelo tiro que matou um torcedor corintiano após a final do Campeonato Brasileiro de 1994 foi condenado ontem, novamente, a 12 anos de prisão.

O segundo julgamento se estendeu por nove horas para ratificar a decisão do primeiro, ocorrido há sete anos.

Como da outra vez, o bancário Vanderlei Ricardo Lopes aguardará o recurso em liberdade.

Após o jogo entre Palmeiras e Corinthians, em dezembro de 1994, o empresário Paulo Sérgio Costabile Elias, 31 anos, voltava do estádio do Pacaembu com amigos - entre eles, o ex-tenista Jaime Oncins.

Ao passar pela Avenida Henrique Schaumann, Paulo Sérgio foi atingido com um tiro no rosto por um disparo que sobrou de uma discussão entre corintianos e palmeirenses.

O primeiro julgamento, que condenou Vanderlei em 2001, foi anulado pela defesa.

Ontem, ao ouvir a sentença, a empresária Norma Elias tirou da bolsa uma foto de Paulo Sérgio e a beijou.

 "Descanse em paz, meu filho."

Para a mãe da vítima, é o fim de 14 anos de uma cansativa batalha por justiça, cujas marcas eram evidentes.

Trêmula durante todo o julgamento, ela ainda estava nervosa depois da condenação, mas se mostrou aliviada.

"Mesmo que ele (Vanderlei) não tenha saído daqui preso, considero uma vitória contra a impunidade."

O promotor, Wanderson Ribeiro, lembrou que uma das funções da pena é inibir outros casos de violência no futebol.

"Estamos satisfeitos com o resultado, a justiça foi feita."

A demora do processo, segundo o promotor, foi causada pelo excesso de recursos, além da lentidão natural do Justiça brasileira.

O recurso da defesa ainda está sendo estudado.

"Não defini o próximo passo. Respeitamos a decisão, mas a consideramos exacerbada" disse Téo Dias, advogado de Vanderlei.

A estratégia da defesa era confundir os jurados.

Segundo o irmão do acusado, outro rapaz que estava no carro dos palmeirenses também efetuou disparos.

Além disso, tentaram caracterizar o crime como homicídio culposo (sem a intenção de matar), cometido sob violenta emoção.

O acusado disse que os disparos foram de advertência.

O argumento da promotoria, no entanto, foi claro. "Quem pega um revólver e atira em uma avenida lotada não pode dizer que não teve a intenção de matar."

Vanderlei estava com um irmão e dois amigos (os três últimos com camisas do Palmeiras) quando sacou o revólver para revidar a provocação de dois corintianos, que estavam em outro carro.

Sem qualquer envolvimento com a briga, Paulo Sérgio passava pelo local com outros quatro torcedores do Corinthians na traseira de uma Saveiro.

Nenhum deles usava qualquer identificação do clube - na saída do estádio, haviam tirado as camisas para evitarem confusão.

Entre as testemunhas ouvidas ontem estavam Jaime Oncins e seu irmão, Alexandre, que também estava ao lado de Paulo Sérgio naquele dia.

"Fiquei dez anos sem ir ao estádio depois daquilo", afirma Jaime.

Hoje, ele diz que vai raramente a jogos de futebol, e somente quando há poucos torcedores rivais no estádio.

Por Juca Kfouri às 07h18

05/12/2008

Do blog 'Trivela'

Mata-mata? Tô fora!

Postado em 05/12/2008 às 16:59 por Caio Maia  

Se o Brasileirão deste ano ainda utilizasse a fórmula de mata-mata, haveria neste momento duas torcidas interessadas no campeonato.

 Mais: se imaginarmos que a tabela que vai se definir no domingo pode acabar com o Botafogo em oitavo - por mais que isso seja improvável -, não se pode eliminar a possibilidade de que a torcida do Botafogo fosse uma delas.

O que, por si só, já desmoraliza qualquer defesa do sistema. 

Brincadeiras com o Botafogo à parte, nem o mais fanático alvinegro carioca pode achar que sua equipe mereceria disputar o título deste ano.

Assim como o Coritiba, o Goiás e até mesmo Palmeiras e Cruzeiro.

Não fizeram por merecer o ano todo, não seria justo que, em uma partida ruim, São Paulo ou Grêmio pudessem ver detonado tudo o que construíram o ano todo. 

Vai haver, claro, anos em que as coisas vão se definir mais cedo, e a graça vai ser menor.

A tendência, porém, como estamos vendo ano a ano, é que as pessoas entendam cada vez melhor o sistema, que os clubes também o façam, e a que a graça só aumente. 

A se lamentar, apenas o fato de que demoramos tanto tempo para implantar esta fórmula.

http://www.trivela.com/blog/mata-mata-to-fora-p1  

Por Juca Kfouri às 19h38

E tome mais livro sobre o Corinthians

Este livro não tem nada a ver com a volta do Timão à Primeira Divisão.

Foi escrito pelo jornalista e pesquisador Celso Unzelte, autor, também, do Almanaque do Timão.

"Os Dez Mais do Corinthians", da Maquinária Editora, a mesma que já editou "Os Dez Mais do Flamengo", será lançado no dia 16 de dezembro, terça-feira, às 20h, na loja Roxos & Doentes que fica no portão principal do Pacaembu, na Praça Charles Miller.

A seleção dos 10 mais foi feita baseada na indicação dos 10 mais de 10 personalidades alvinegras. 

Por Juca Kfouri às 15h31

Três livros sobre a volta corintiana

A volta do Corinthians à Série A rendeu, por enquanto, três livros.

O do repórter Luís Augusto Símon, "A saga corintiana",  será lançado, pela Publisher Editora, no próximo dia 17, no Bar Boleiros, às 19h, na Vila Madalena, em São Paulo.

Neste endereço você pode reservar seu exemplar: www.publisherbrasil.com.br/a-saga-corintiana/, por R$ 27.

Os outros dois livros também já estão em regime de pré-venda.

"Eu voltei", livro de fotos de Daniel Augusto Jr., fotógrafo oficial do Corinthians,  com textos de Washington Olivetto, Hortência, Serginho Groissman, Toquinho, entre outros, pela Editora Gutemberg, você pode encomendar em http://www.shoptimao.com.br/sistema/ListaProdutos.asp?IDLoja=8804&IDProduto=1745932&origem=mail_quinta3_ofertas, por R$ 54.

E o "A reconstrução do Timão", de Maurício Oliveira e Rodrigo Vessoni, ambos repórteres do diário "Lance!", pela Lance Publicações, você encontra em http://www.lancestore.com.br/scripts/produto.asp?p=1007, por R$ 29,90. 

O lançamento será dia 18, a partir das 19h, no bar O Torcedor, localizado no portão principal do Estádio do Pacaembu, na Praça Charles Miller.

Por Juca Kfouri às 14h32

Tite fica na dele

Por GUSTAVO VILLANI

Tite não quer ser manager, porque quer "estar focado, trabalhar na garimpagem de talentos, nos esquemas táticos, nas questões corriqueiras de seus jogadores".

A frase dita pelo campeão da Copa Sul-Americana no programa Arena Sportv vai ao encontro do que pensa o técnico Muricy Ramalho, referência no Brasil.

Tite entende as diferenças culturais entre Brasil e Europa, por isso não vê comparação entre as duas realidades.

Depois da década de 90, quando houve a explosão das coberturas esportivas e grandes investimentos em salários e parcerias, os treinadores também ganharam visibilidade.

Não há nada de errado nisso, que fique claro.

O que chama atenção é a forma como treinadores recentemente bem-sucedidos lidam com a fama.

Tudo passa pela capacitação e formação dos profissionais.

Há uma nova geração de treinadores que dá o merecido status de professor a quem concilia o aprendizado da vida, dos campos, da vivência em outros países, ao mundo acadêmico das pesquisas, estudos, do armazenamento e cruzamento de dados.

É a bela combinação entre prática e teoria, mas que nem sempre é suficiente, afinal, formação pessoal é única e intransferível.

Essa gente divide méritos, acredita na ciência trabalhada diariamente pela comissão técnica, pensa no processo, na reciclagem, e não se atém apenas ao resultado.

Mancini, Muricy, Adílson, Caio Jr., Mano, entre outros, sem falar de treinadores que estão surgindo em equipes de menos expressão, como Silas e Sérgio Guedes.

Há certamente outros nomes não citados, boas cabeças pensantes - e isso não se refere necessariamente à idade dos profissionais - que acompanham o momento.

Difícil ver essa gente se gabar gratuitamente, pois aprende no exercício da reflexão o momento certo de se posicionar.

Treinadores que sabem se calar, recomeçar, aqueles que ouvem e distinguem as críticas.

Às vezes, como todos nós devemos fazer, até se desculpam e reconhecem o erro.

Foi bacana ver Tite e Alex sentados um dia após o jogo, debatendo a polêmica substituição do camisa 10.

É claro que o título ameniza as irritações do jogador, mas nem por isso comandante e comandado deixaram de divergir e argumentar, o que é mais importante.

É cada dia mais certo que a turma do grito, da porrada, que se imagina um bem da humanidade, fica para trás. 

Por Juca Kfouri às 00h34

O último domingo da temporada do futebol

O próximo domingo será também o último domingo de futebol no Brasil neste ano.

E que ano!

E que domingo!

Ano em que o Fluminense foi vice-campeão da Libertadores e o Inter campeão da Copa Sul-Americana.

Claro, esperava-se mais do Flu, principalmente por causa do adversário, a LDU.

Ano em que o Sport ganhou a Copa do Brasil, o título mais festejado de sua história, porque incontestável, sem politicagem barata.

Ano em que o São Paulo deve ser tricampeão brasileiro consecutivamente, mas que pode ainda dar Grêmio, também tri, mas alternadamente.

Ano em que o clube mais popular do país, o Flamengo, depende de um milagre para ir à Libertadores.

E no qual o segundo clube mais popular do país, o Corinthians, foi campeão, mas da segunda divisão.

Ano que pode ter o Vasco pela primeira vez na segunda, embora seja menos difícil o Vasco se livrar do que o Flamengo se classificar para a a Libertadores, porque Figueirense, Náutico e Atlético Paranaense também correm sérios riscos.

Pois no domingo teremos todas as respostas, sobre o tricampeão, sobre, provavelmente, Cruzeiro e Palmeiras na Libertadores e sobre os outros dois que vão para Série B.

Bom domingo a todos, embora seja impossível que todos tenham um bom domingo.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, 5 de dezembro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 00h05

04/12/2008

No 'Estadão' de hoje

Família de corintiano ainda espera justiça

Paulo Sérgio Elias foi morto em 94 por palmeirense que vai de novo a júri

Bruno Deiro

O autor confesso do tiro que acertou o rosto e matou o corintiano Paulo Sérgio Elias, após a final do Campeonato Brasileiro de 1994 entre Corinthians e Palmeiras, será julgado novamente amanhã, às 9 horas, no Fórum da Barra Funda. Condenado a 12 anos de prisão, o bancário palmeirense Vanderlei Ricardo Lopes conseguiu a anulação do primeiro júri, há sete anos, e não passou nem um dia sequer atrás da grades. A punição às mortes relacionadas a brigas entre torcidas rivais no Brasil volta a estar em xeque.

A mãe de Paulo Sérgio, a comerciante Norma Toschi Elias, acompanhou de perto cada passo do processo. Neste período, teve encontros com governadores e até com Nelson Jobim, então Ministro da Justiça. Ela afirma que nenhuma autoridade se interessou realmente pelo caso. "Infelizmente, moramos em uma grande cantina, cuja especialidade é pizza."

A suspensão da sentença abalou a confiança da mãe de Paulo Sérgio na Justiça. "Estou com muito medo de que ele seja absolvido." Norma estará sentada mais uma vez na primeira fila para assistir ao julgamento.

O irmão gêmeo da vítima, Valter Paulo, prefere não comparecer amanhã. "Ele disse que não vai agüentar apenas assistir, sem fazer nada", diz a mãe.

Como em todas tragédias familiares, a perda abrupta trouxe marcas profundas. O pai, Danilo Elias, passou a sofrer de doenças cardíacas desde a morte de Paulo Sérgio. "Sei que 14 anos é bastante tempo, mas, para mim, parece que foi na madrugada passada", diz Norma.

O crime também está vivo na memória dos amigos que acompanhavam a vítima naquele dia. "Toda vez que passo na (avenida) Henrique Schaumann eu lembro. Marcou a vida de todos nós", lembra Alexandre Oncins, irmão do ex-tenista Jaime Oncins. Os dois são íntimos da família de Paulo Sérgio e testemunharam a morte do amigo. "Poderia ter sido qualquer um de nós", afirma Oncins, que irá comparecer ao julgamento amanhã. Ele diz que ficou surpreso ao saber que a primeira condenação havia sido anulada. "Para mim, isso já era assunto encerrado. Agora, não dá para esperar muita coisa."

A mãe de Paulo Sérgio garante que o objetivo de sua luta pela condenação de Lopes não é a vingança. "Se for absolvido, outras pessoas pensarão que basta ter residência e empregos fixos, como ele (Vanderlei Ricardo Lopes), para conseguir se safar." Lopes foi encontrado graças a um apelo feito pela mãe de Paulo Sérgio, Norma, em uma rádio. Um telefonema anônimo ajudou a identificar o bancário, que confessou o disparo, mas negou a intenção de matar. Procurado, o advogado do réu, José Carlos Dias, não retornou às ligações ontem.

Em sua batalha para que a violência no futebol não fique impune, Norma chegou a recolher 10 mil assinaturas favoráveis a alterações na lei. "Nossas leis são arcaicas, muitas vezes não são cumpridas, mas nossa Justiça existe", declarou, na época do primeiro julgamento. Há dois meses, ela vive a expectativa do segundo julgamento, que a priori deveria ter ocorrido em 2003. Este ano, chegou a ser postergado por duas vezes, mas a data definitiva foi finalmente mantida pelo juiz Cassiano Ricardo, responsável pelo caso.

Entenda o caso

15/12/1994 - O comerciante Paulo Sérgio Costabile Elias, de 31 anos, foi morto por volta das 23h45 do dia 15 de dezembro de 1994, após sair do primeiro jogo das finais do Campeonato Brasileiro daquele ano, entre Corinthians e Palmeiras, no Pacaembu. Costabile voltava da partida na parte traseira de uma Saveiro com outros quatro amigos corintianos. Na Avenida Henrique Schaumann, notaram uma discussão entre integrantes da torcida Mancha Verde (hoje em dia com o nome de Mancha Alviverde) e dois torcedores do Corinthians. O carro em que estava Paulo Sérgio evitou a confusão, mas teve de parar a cerca de 70 metros, no sinal. Um tiro disparado pelo palmeirense Vanderlei Ricardo Lopes contra o Santana em que estavam os dois corintianos acabou atingindo o rosto de Paulo Sérgio.

10/08/2001 - No primeiro julgamento, Lopes foi condenado por unanimidade - 7 votos a favor e nenhum contra. O acusado, no entanto, recorreu da sentença e aguardou em liberdade o novo julgamento por ser réu primário.

Amanhã - Após cinco anos da data prevista, o novo julgamento é marcado para as 9 horas, no Fórum da Barra Funda. 

Por Juca Kfouri às 08h50

Inter campeão de tudo!

Lucas Uebel

Nilmar, o autor do gol do título.

Desta vez, a arbitragem sorriu para o Inter no começo do jogo.

Se em La Plata teve um pênalti generosamente marcado a seu favor bem convertido por Alex, no Beira-Rio viu a arbitragem errar ao anular por impedimento um gol legal do Estudiantes ainda no primeiro tempo.

Primeiro tempo de bom futebol, de jogadas refinadas do ataque colorado, embora pouco eficazes, e de muita aplicação da equipe argentina.

Mas sem gols, pelo menos sem gols validados pela arbitragem uruguaia, apesar de o Inter ter criado pelo menos duas chances preciosas.

O mar vermelho proporcionado pelos sócios do Inter que lotaram o estádio permaneceu agitado enquanto a bola rolou no 0 a 0.

Aos 18 do segundo tempo, no entanto, Tite tirou Andrezinho e pôs Gustavo Nery em seu lugar, coisa que, aliás, os telespectadores da Globo queriam.

Confesso que gelei.

E sem que Nery tivesse a menor culpa, dois minutos depois, o Estudiantes fez seu gol, o que empatava a decisão.

O Beira-Rio, com mais de 50 mil torcedores, só ouvia a pequena torcida visitante.

O coração colorado parecia ter ficado em La Plata.

E o pincha estava inteiro em Porto Alegre.

Alex, o melhor jogador em atividade no país, estava irreconhecível e acabou substituído por Taison, aos 33.

Desábato era um gigante na defesa e Verón outro no meio de campo do time argentino.

O jogo terminou com a vitória platina e com os brasileiros reclamando um pênalti que não aconteceu em Nilmar.

Veio a prorrogação.

Aos 7, extenuado, Verón teve de sair.

Aos 11, por muito pouco Bolivar não fez o gol do desafogo, salvo pelo goleiro.

No começo do segundo tempo da prorrogação, Magrão, morto, deu lugar a Sandro.

Dos brasileiros, disparado, o portenho D'Alessandro era o melhor em campo.

Aos 8 minutos, a explosão!

Numa bate-rebate impressionante na pequena área argentina, Nilmar acabou concluindo para o fundo da rede.

Era o gol do título.

A cantoria entusiasmada invadia a madrugada gaúcha.

Na sétima edição da Copa Sul-Americana, o Inter ganhava o primeiro título para o futebol nacional.

E, provavelmente, inscreve o torneio no calendário brasileiro.

Porque foi uma conquista tão dramática que acaba por ter um gosto que os torcedores de quaisquer outros times gostariam de sentir.

Depois de 38 títulos estaduais, três títulos brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Libertadores, um Mundial, uma Recopa, agora o Inter tem, também, a Copa Sul-Americana.

E só ele.

Por Juca Kfouri às 00h41

03/12/2008

O Grêmio que, também, se cuide

Está todo mundo falando que o Goiás pode aprontar para cima do São Paulo.

E pode.

Mas ninguém parece estar dando bola ao Galo, que pegará o Grêmio.

Pois é bom que o tricolor gaúcho saiba que os mineiros estão dando tanta importância ao jogo que, pela primeira vez, o recentemente eleito presidente do clube, Alexandre Kalil, viajará com a delegação.

"Já falei com os jogadores que eles estão na vitrine. E que o melhor que pode acontecer é o São Paulo perder e nós ganharmos do Grêmio", diz Kalil.

Por Juca Kfouri às 14h30

Vascão e Furacão degolados

Quase 2800 palpites e 67,72% apontam o Vasco como um dos rebaixados.

O Furacão vem a seguir, com 13,04%.

Estariam salvos o Náutico, com 9,76%, e o Figueirense, com 9,48%.

Por Juca Kfouri às 13h50

O mandatário do COB chegou, falou e saiu. O ministro sequer apareceu

Por ALBERTO MURRAY NETO

Por volta das seis e quinze da tarde, ontem, recebo um telefonema em meu celular.

- "Dr. Alberto, aqui é Fulana de Tal, secretária do ministro Orlando Silva. O ministro quer saber se o sr. vai à audiência pública de amanhã (hoje) no Senado"

.

Supreso com a necessidade de o ministro querer saber se eu estaría, ou não, presente à sessão, eu respondi:

- "Sim, inclusive já estou no aeroporto prestes a embarcar".

-"Obrigado doutor. Vou avisar ao ministro. Tenha uma boa viagem"

Meia hora depois, a Comissão de Educação, Turismo e Esporte do Senado Federal recebe um fac-símile do Ministro requerendo a sua substituição na mesa. Em seu lugar apareceu o ex-nadador olímpico Djan Madruga, Secretário Nacional do Esporte de Alto Rendimento.

Audiência Pública de hoje. Sala da Comissão. O mandatário do Comitê Olímpico Brasileiro pede a palavra e diz ao Ilustre Senador Cristovam Buarque que " eu tenho outro comprimisso. Assim tenho que sair logo após minha exposição."

Constrangido, o Senador disse "não há nada que me faça segurá-lo aqui. Pode ir, embora eu lamente".

Que "outro compromisso" teve o Presidente do COB, mais importante do que prestar contas à sociedade brasileira em uma Audiência Pública no Senado da República, marcada com a devida antecedência, em cadeia nacional de televisão?

Eu já havia sido alertado que, provavelmente, tanto o Ministro Orlando Silva, assim como o Mandatário do COB não iriam enfrentar-me. Disseram: "A ti eles não enrolam. Tu conheces a matéria."

É muita pretensão de minha parte acreditar que ambas autoridades escapuliram, cada qual a seu jeito, por não quer enfrentar-me. O que fica evidente, porém, é que nenhum deles tem o dom do debate público. Não é a primeira vez que fazem isso, quando sabem que irão deparar-se com algum tipo de contraponto. Querem platéias laudatórias. Se é assim, é melhor fazer discursos em casa. Ou em frente ao espelho. Aí, aplaudem-se a si próprios o tempo que desejarem.

A saída do Presidente do COB logo após sua fala, de mais de uma hora, criou, sim, um constrangimento geral na sala. Na minha opinião, uma descortesia com os Senadores, que estavam lá para nos ouvir. E com todos os interessados que lotavam a sala de audiências.

O primeiro, indignado, a manifestar-se, foi o Senador João Pedro, do PT do Amazonas, logo após a fala do homem do COB.

- "Mas o sr. vai sair? E quem vai representar o COB na hora das arguições dos Senadores".

Quase que levanto a mão e apresento-me para a função, como uma brincadeira. Afinal, mesmo na oposição, sou Membro do COB. Se a cadeira iria ficar vazia, eu responderia às questões, do meu jeito, com minhas idéias e da forma como acho correto. Achei que seria ironia demais para um homem que estava visivelmente acuado, que tremia muito, nitidamente com dificuldades de segurar um copo d'água, fazendo transparecer o seu nervosismo. Uma pessoa que sentia que a sala repleta de jornalistas, desportistas, assessores parlamentares, técnicos, professores de educação física, gente do povo, não lhe era simpática.

Ao final, a saída do presidente do COB foi criticada pelo Senador Sérgio Zambiasi, do PTB/RS e pela Senadora Marisa Serrano, do PSDB/MS.

O que eu pedi ao Assessor de Imprensa do COB, em alto e bom tom, é que quando publicarem a notícia da audiência de hoje, faça-a constar da forma como realmente aconteceu, com os protestos dos Senadores. Senão fica como aquela outra matéria, da audiência havida na Câmara, na semana passada, em que 100% da imprensa do País contrariou a reportagem inserida no wesbite do COB, dando a impressão de que tudo tinha corrido às mil maravilhas. O conselho foi para o bem do próprio COB, senão vira aquela coisa de matéria "chapa branca", que ninguém mais acredita.

A fala do presidente do COB não trouxe nada de novo. Fez uma demontsração em power point, daquelas que estamos cansados de ver, com uma série de números, chatíssima, com comparações absurdas, mostrando que o COB é o máximo, um grande organizador de eventos e, segundo o próprio mandatário, de acordo com o Comitê Internacional Olímpico, "considerado um dos mais atuantes do mundo." Sei lá quem disse isso a ele. Mas se ele falou, deve estar correto, claro!

Acho que o presidente do COB não me viu. Talvez nem soubesse que eu fora convidado para integrar a mesa. Não me cumprimentou. Se ele não me viu, ok, eu o perdoo. Se ele, deliberadamente não me cumprimentou porque não gosta do que eu falo, ou escrevo, eu lamento. A democracia não comporta esse tipo de atitude. Ao contrário, quero ressaltar que o novo Diretor Executivo Esportivo do COB, Marcus Vinícius Freire (que acabou assumindo o posto do Chefe na mesa de debates), tratou-me com absoluta cordialidade, apesar de nossas idéias contrárias. E eu, claro, fiz o mesmo. Mostrou espírito democrático. Ficou até o final. Ouviu e respondeu às críticas dos Senadores. E as minhas também. Sempre em um tom de cordialidade. Eu mesmo disse a ele que, muito embora nossas posições sobre a administração e prioridades do COB fossem discordantes, enaltecia a maneira como ele se fez presente e respondeu às perguntas. Não é porque as pessoas discordam, que devem virar a cara uma para a outra. O Brasil democrático não comporta mais atitudes como essa. Por isso, assim como os Srs. Senadores, também lamento a atitude do presidente do COB, seja por ter saído logo após a sua fala e por não ter me cumprimentado civilizadamente, como fazem os grandes estadistas quando se deparam com seus opositores. Acho que atitudes como essas mostram quem tem e quem não tem estatura para determinados cargos.

Por Juca Kfouri às 13h45

Continuação...

Alguns pontos na fala do presidente do COB foram por mim anotados e gravados (pessoas que estavam na platéia gravaram a Sessão). Assim, vejamos:

1º - O presidente do COB iniciou dizendo que a entidade é uma pessoa jurídica de direito privado e que, assim, teria guarida na Constituição Federal (artigo 217) e na legislação ordinária para auto-regulamentar-se.

Equívoco. Na medida em que uma entitade é sustentada absolutamene com dinheiro do povo, ela perde o direito de auto-regulamentação que a lei lhe daria se seus recursos fossem eminentemente privados. Se somos nós, do povo, que sustentamos o COB, ele passa a estar sujeito a todas as normas aplicadas às entidades de direito público. Não pode fazer o que bem entende. Por isso, além de outras coisas, é ilegal o artigo 26 do COB que diz que "Art. 26 Somente brasileiros natos, que sejam membros do COB, pelo menos há cinco anos consecutivos, poderão ser eleitos para os cargos de Presidente e de Vice-Presidente." Ou seja, ao cidadão, ou cidadã brasileiro que sustenta o COB com seu rico dinheiro, lhe é vedado ser candidato a esses cargos. Gostaría de saber quem foi o luminar jurídico que fez isso. Está mais para coisa do Estado Novo, ou para reforma plebiscitária do Coronel Hugo Chavez, do que para estatuto de Comitê Olímpico.

2º) Disse o chefão do COB que "o Comitê não forma atletas. Que por isso o dinheiro é repassado às Confederações". Estou plenamente de acordo. O Comitê não forma atleta. E por isso, quase todo o dinheiro da Lei Piva deveria ser repassado às Confederações. Ocorre que o COB fica com grande parte dessa quantia para os seus gastos próprios. Pergunto: Para que o COB precisa de tanto dinheiro no seu caixa, enquanto algumas Confederações pequenas vivem à míngua, sem falar nos seus respectivos atletas? Em 2.007, por exemplo, do total recebido da Lei Piva, o COB repassou às Confederações menos da metade. Não sou eu quem afirma isso aleatóriamente. Minha fonte é o próprio COB e o Ministério do Esporte, com um quadro que tirei do website do próprio Ministério, que informa ter sido aquela informação prestada pelo Comitê.

3º) O presidente do COB também falou que "não é correto que quase R$ 23 milhões tenham sido gastos em manutençao da entidade, como andaram dizendo. Que isso inclui a organização de eventos". Eu visto a carapuça. Se o presidente do COB não deu o nome aos bois, eu mesmo o faço. Esse "andaram dizendo" foi referência a mim. Eu andei mesmo dizendo e escrevendo que no ano de 2.007 o COB gastou R$ 22.955.717,40 com manutenção da entidade. E mais R$ 14.261.480,53 com organização de eventos. A minha fonte é a mesma, o próprio COB e o Ministério do Esporte. Por isso, equivoca-se, novamente, o presidente do COB quando diz que o item do balanço "manutenção da entidade" inclui a "organização de eventos". Não inclui não. Se eles estiver certo, que então peça lá pra mudar as informações que o próprio Ministério do Esporte tem. Os dois ítens somados dão mais de R$ 36 milhões.

Aliás, essa questão me faz lembrar do texto publicado por Gabriela L. Moncau, disponível na internet, cujo título é "O Patriotismo às Avesssas dos Jogos Panamericanos". Escreve a Jornalista o seguinte, logo no primeiro parágrafo: "O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, desde que assumiu a direção em vez de incentivar a inclusão social através do esporte, se preocupou em transformar aquela entidade numa mera empresa organizadora de eventos esportivos, com o intuito de dar lucro e projetar a sua figura nacional e internacionalmente." Eu acho que o COB tem mesmo que parar com essas coisas de organizar eventos e preocupar-se em apoiar mais os atletas, as Confederações mais pobres e ter, sim, um trabalho de inclusão social. Se não cabe ao COB formar atletas, não nao cabe a ele, também, ser organizador de eventos.

4º) Isso que eu vou relatar agora está gravadíssimo. Não é brincadeira não! O presidente do COB em sua manifestação aos Senadores disse "que o grande avanço do esporte, do Comitê, foi o crescimento do número de funcionários". Ora bolas, se a questão for essa, rebati eu, que então se contratem mais quinhentos, mil, dois mil funcionários que o esporte, o Comitê, vai resolver todos os seus problemas e todos nós vamos para casa com a missão cumprida. Pois bem, deixando a brincadeira de lado, eu faria justamente o contrário. Eu enxugaria a máquina do COB, para sobrar mais dinheiro para a formação de atletas. Certamente eu não gastaria R$ 36 milhões, nem metade disso, com manutenção da entidade e organização de eventos (eventos incluem-se não somente os desportivos, mas os jantares, almoços, presentinhos e salamaleques, aqui e no exterior). Eu aprendi que o COB se dirige com austeridade, sem afetação.

5º) O presidente do COB disse que foi tudo bem com as eleições, feitas dentro da lei e aquilo tudo mais que já ouvimos , ou lemos antes em nota oficial da entidade. Então tá. Ficaram todos satisfeitos. A manifestação contrária da CBF, do Badminton, do Tênis-de -Mesa, do Boxe e dos Esportes no Gelo (sem falar nas demais Confederações que me escreveram pedindo sigilo) não têm valor algum? Que se passe por cima delas feito um trator. Prestem atenção que logo após as "eleições", marcou-se a Assembléia Geral para a definição do repasse de verbas às Confederações. Teve Confederação que me escreveu concordando com minha manifestação pública contrária às "eleições", mas que pediam sigilo (vou manter o sigilo) com medo de retaliações. Que democracia é essa?.

6º) Sobre licitações públicas, o presidente emendou que o COB "é a entidade mais fiscalizada do Brasil". Não vamos misturar alhos com bugalhos. O COB não faz licitações como manda a Lei Piva e seu Decreto regulamentador e pronto. A Folha de São Paulo anunciou que "Sem Licitação, Rio -2.016 dá R$ 46 mi a Consultores". É disso que eu quero saber. O Marcus Vinícius, a certa altura, disse que dentre os legados do Pan-Americano estava "a criação de mão-de-obra especializada na execução de grandes eventos, coisa que não existia no Brasil". Se um dos maiores jogadores de volleyball do Brasil levantou a bola para mim, eu não poderia ter deixado de cortá-la. Sublime honra. Pelo que, imediatamente, questionei que se aquele legado do Pan de fato existira, então por que contratar empresas de consultoria, para a mesma finlidade, no exterior, sem licitação, tipo a tal da EKS e outras, sob a alegação de que no Brasil nao existe mõ-de-obra especializada para tal? Uma moça que não conheço, sentada na audiência, olhou para mim e desferiu um sorriso irônico, de aprovação. Não havia mais nada a dizer. Idiota, eu não sou.

Depois disso e de dizer outras coisas sem muita importância, o presidente do COB mal respondeu a uma pergunta do Senador João Pedro e rompeu porta a fora, com destino ao seu outro compromisso mais importante. Disse aos Senadores que se quisessem ele mandaria as respostas por escrito. Na minha opinião, ele agora vai escrever para cada Senador, um cartinha qualquer, com algum conteúdo bonitinho, para justificar sua saída abrupta, constrangedora. Eu tabém escreverei aos Senadores, como tenho feito, para que a luta não esmoreça. Peço que aqueles que puderem também o escrevam.

Outro ponto interessante foi o debate sobre o relatório e o voto do TCU que rejeita as contas do COB. O Assessor de imprensa do COB afirmou em nota publicada hoje no Jornal Folha de São Paulo que o TCU não aponta indícios de irregularidades nas contas do Pan-Americano com relação ao COB. Eu mencionei que o relatório e o voto que ele tinha, então, não era o mesmo que eu tenho, que a imprensa tem, que está na internet e que foi parar nas mãos do Ministério Público Federal. Mais adiante, o Assessor insistiu no tema ao pedir que o Marcus Vinícius Freire frisasse que, com relação ao COB, o relatório do TCU não trazia de errado. De novo, levantaram a bola para eu cortar. Eu lí o relatório e o voto. São enormes. Eu disse: "Então Djan, estão querendo tirar o corpo fora e empurrar a bomba para o Ministério, porque pelo que está escrito aqui, alguém vai ter que prestar explicações." De fato o relatório aponta indícios de muitas irregularidades. E de fato há, entre o COB e o Ministério, uma tensão quando se fala nesse assunto. Um quer empurrar a coisa para o outro. E em Pequin, eu ví e ouvi, houve uma certa tensão entre o presidente do Comitê e o medalhista olímpico Djan Madruga. Houve até quem dissesse, hoje, que o Ministro do esporte não foi porque não quer se encontrar em público com o presidente do COB.

Ao fim de tudo, minhas propostas concretas foram as seguintes:

1 - Criação da CPMI para apurar as questões envolvendo o esporte olímpico. Gostei de ouvir do Marcus Vinícius que "nós não tememos CPI". E não se deve temer mesmo. Então, em vez de irem, de Gabinete em Gabinete, implorar pela não assinatura do pedido de CPMI, deveriam fazer ao contrário. Ir lá para pedir a investigação, sim, por não haver irregularidade alguma. Tomara que essa CPMI saia. O Senador Romeu Tuma, presente à audiência, afirmou ter assinado o pedido de CPMI e trabalhar por sua implantação.

2 - As reformas educacionais devem deixar de tratar o esporte como matéria secundária, inseridas em um horário extra-aula. É necessária uma reforma educacional que contemple a prática do esporte em todos os níveis escolares, no horário normal de aulas, desde o ensino fundamental, até o superior;

3 - Construção de praças desportivas nos locais mais pobres do Brasil, dando à população condições e acesso à prática esportiva, com professores estimulados e bem remunerados;

4 - Hoje, somente 12% (doze por cento) das escolas públicas têm quadra de esporte. E mesmo assim em condições precaríssimas. Há de se ampliar esse número, vergonhos para um País que quer ter uma Cidade sede de Jogos Olímpicos;

5 - Inserir o estudo do Olimpismo como matéria obrigatória nas aulas de história;

6 - Utilizar as praças desportivas das Forças Armadas, de boa qualidade, colocando-as não somente à disposição da tropa, mas, também, da população em geral;

7 - Antes de sustentar mais uma candidatura olímpica, fadada a novo fracasso, deve criar-se no País uma mentalidade Olímpica. Em vez de despejar milhões e milhões de Reais de dinheiro público em lobby olímpico, utilizar esse dinheiro para a melhoria das condições da prática esportiva nos locais mais pobres do Brasil, aonde o esporte de base, rigorosamente, inexiste;

8 - Exigir do Comitê Olímpico Brasileiro uma prestação absoluta de contas e fazê-lo respeitar os ditâmes da Lei Nº 8.666, da Lei Piva e do Decreto 5.139, de 2.004 no que se referem às licitações públicas. Devem explicar as matérias dos jornais sobre a contratação de consultores estrangeiros sem licitações públicas;

9 - A destinação do dinheiro público que o Comitê Olímpico Brasileiro recebe não deve ser definida por poucas pessoas. Deve haver um Comitê Gestor, formado por representantes de toda a sociedade, pela comunidade esportiva, pelo Congresso Ncional, pela imprensa especializada, por empresários, por atletas, para determinar a melhor aplicação desse dinheiro;

10 - Limitação de mandatos para os órgãos desportivos no Brasil, Federações, Confederações e Comitê Olímpico Brasileiro, cuja regras valham já para os atuais mandatários. Hoje, o Senador Cristóvam Buarque deu-nos a boa notícia de que o projeto de lei sobre essa questão está pronto e começará a tramitar no Congresso; e

11 - Criação de uma Agência Nacional do Esporte, cujos diretores devam ser técnicos na questao, com mandatos fixos, para formular políticas desportivas para o País que sejam de longo alcance e cujo cumprimento independa de humores de sucessivos Governos.

Para mim pouco importa saber se o número de medalhas obtidos em Pequim satisfazem, ou não satisfazem. A questão pode ser vista e analisada sob vários ângulos. Todos eles com sua dose de razão. Importa, sim, saber se o Brasil tem uma política educacional para o esporte.

Daí, com tempo, da quantidade tiraremos a qualidade.

Alonguei-me hoje. Mas é porque o dia foi cheio.

Que essa Audiência Pública de hoje gere bons frutos para o esporte brasileiro.

É isso.

http://albertomurray.wordpress.com

Nota do blog: No ano passado, convidado para um debate, na UNICAMP, também com o ministro do Esporte e o presidente do COB, aconteceu o mesmo com o dono do blog.

Recebeu um telefonema de cada entidade e, minutos depois, a UNICAMP foi informada da impossibilidade da presença deles...

 

Por Juca Kfouri às 13h44

No país da CBF-2

Por MARCELO SANT'ANA

CBF, regulamentos e decisões
19/11/2008 - 17h08

A CBF antecipou as partidas Santo André x Paraná e Gama x Bahia das 16h20 de 29/11 (sábado) para às 20h30 de 28/11 (sexta-feira).

Ambas são pela última rodada da Série B e não influenciam no acesso ou no rebaixamento.

Acontece que a decisão, datada de hoje, dia 19 de novembro, infringe o regulamento da Série B 2008, no artigo 22, pois não respeita o "prazo
mínimo de 10 dias antes da data da programação da partida em foco e antes da nova data solicitada".

E também no artigo 26, que prega: "todos os jogos da última rodada deverão ser simultâneos".

Nos motivos, a nota diz "respeitar a posição CBF de simultaneidade dos jogos em que estão em disputa situações de acesso ou descenso".

Mas, assim como o Santo André está promovido e o Gama, rebaixado; Paraná e Bahia não aspiram subir ou cair.

O motivo de "satisfazer à grade de programação do canal Sportv", sim, pode ser verdadeiro.

Para piorar, no pé de página do documento, há a observação: "O Regulamento da Competição estabelece no seu artigo 34, o prazo de 10 (dez) dias de
antecedência para solicitações de modificações de tabela".

Como?

O regulamento da Série B tem apenas 29 artigos...

www.blogdomarcelosantana.futebolbaiano.net

Por Juca Kfouri às 08h56

É hoje!

Hoje faz 30 anos que Rondinelli, o Deus da Raça, no fim da decisão carioca, deu o título ao Flamengo diante do Vasco e deu início ao domínio rubro-negro no futebol brasileiro, tempos de Zico e companhia.

O curta-metragem que será apresentado hoje é dirigido por Pedro Asbeg, filho de meu xará José Carlos, autor do já premiadíssimo documentário sobre a conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil, na Suécia, 50 anos atrás.

Se eu morasse no Rio, iria.

E correria para casa de volta para ver o Inter ser campeão sul-americano, no Beira-Rio, diante do encardido Estudiantes, às 22h.

Por Juca Kfouri às 08h51

Para CBF, Estatuto do Torcedor é inconstitucional

A CBF considera o Estatuto do Torcedor, a primeira lei assinada pelo presidente Lula, inconstitucional.

Apesar de aliados, Lula e Ricardo Teixeira têm aí uma grave divergência, provavelmente ignorada pelo presidente da República.

Eis que em sua defesa para tirar o corpo de qualquer responsabilidade sobre a morte de sete torcedores na Fonte Nova, em Salvador, no ano passado, a CBF apresentou a contestação com uma afirmação peremptória diante da Justiça baiana: "Boa parte do Estatuto do Torcedor é inconstitucional!", diz a CBF, assim mesmo, com ponto de exclamação e tudo.

E tome páginas e  mais páginas para desqualificar o Estatuto do Torcedor, o equivalente ao Código de Proteção ao Consumidor de futebol, única lei aprovada por unanimidade em oito anos da gestão FHC e, repita-se, a primeira do governo Lula.

Importa menos saber se a CBF será ou não bem sucedida em seu intento junto à Justiça, embora em sua defesa só falte acusar os sete mortos pelas próprias mortes.

Importa mais saber que as posições da CBF, nos tribunais, diferem do que diz publicamente, verdadeira facada nas costas do governo federal que, é claro, defende o Estatuto que assinou com pompa e circunstância num já distante começo de 2003.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 3 de dezembro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 00h00

02/12/2008

Na 'Folha', de hoje

"Vaga na Libertadores é prêmio de consolação. A gente esperava conseguir mais do que isso"

De J. HAWILLA, dono da Traffic, parceira palmeirense, sobre o desempenho do time no Campeonato Brasileiro.

Por Juca Kfouri às 19h55

Do blog 'Trivela'

"Ansiosos como nós para o grande desfecho do Brasileirão no domingo?

Então não deixem de votar na nova enquete na home da Trivela:

'O que seria mais inusitado no próximo domingo?'

- Adriano Gabiru dá vitória ao Goiás e título ao Grêmio

- Athirson e Fellype Gabriel ajudam o Fla a chegar à Libertadores

- Flamengo livra o Vasco do rebaixamento

- Flu não ganha do Ipatinga, e Náutico vai para a Sul-Americana

- Joílson marca o gol do título do São Paulo no Bezerrão

- Renan fecha o gol no Palestra e empurra Palmeiras para a Sul-Americana

- São Paulo perde para o Goiás, mas é campeão com ajuda do Galo

Pode haver algo mais inusitado? Então mande aí nos comentários."

Olha a resposta de um leitor:

"São Paulo perde, Gremio ganha.

CBF muda o regulamento e cria um triangular com os primeiros colocados da
Série A mais o campeão da Série B.

São Paulo, Gremio e Corinthians jogarão um campeonato de pontos corridos em turno e returno, que dá ao terceiro colocado vaga na Sul-americana 2009.

São Paulo e Gremio se recusam a jogar, Corinthians é declarado Campeão Brasileiro de 2008 e leva a taça de bolinhas"

Que tal a idéia?

www.trivela.com.br


 

Por Juca Kfouri às 15h33

No país da CBF

Regulamento do Campeonato Brasileiro de 2008, da CBF

Parágrafo Único -

Quaisquer modificações de tabela somente poderão ocorrer se publicadas pela Diretoria de Competições da CBF em um prazo mínimo de 10 dias antes da data da programação da partida em foco e da nova data solicitada.

Nota do boletim oficial da CBF, de ontem:

CBF NEWS

A Diretoria de Competições da CBF comunica que, com a finalidade de viabilizar a transmissão dos canais Sportv e Premiere FC da última rodada do Campeonato Brasileiro Série A, a partida entre Sport e Coritiba foi antecipada para o sábado, 6 de dezembro, às 18h30, no Estádio da Ilha do Retiro, tendo em vista que a partida em questão não interfere nas disputas de acesso ou decesso no campeonato.

 
Como a dona CBF resolve, a cinco dias da partida, transferir Sport x Coritiba para sábado?

Claro que não muda nada nem interfere em nada, mas que desobedece o regulamento, desobece.

Por Juca Kfouri às 14h42

O negócio é mamar no Bezerrão

Adivinhe em que país do mundo a decisão do campeonato de futebol será disputada longe das cidades dos dois times em disputa e com ingressos a 400 reais?

É claro que é no Brasil.

Goiás e São Paulo vão jogar no Bezerrão, no DF, como se sabe.

E como lá só cabem 20 mil torcedores, o Goiás, mandante do jogo, mas obrigado pela CBF a jogar onde não queria, resolveu diminuir o prejuízo e salgar o preço, certo de que só os são-paulinos da Capital Federal vão querer ir ao jogo.

Generosa, a direção do Goiás concede cobrar 200 reais a quem levar uma muda de roupa ou um quilo de mantimentos para as vítimas das enchentes em Santa Catarina.

A CBF, que criou o caso, e o São Paulo não gostaram da história.

E vamos ver shows de demagogia nas próximas horas, em nome dos interesses do povo, da economia popular e quetais.

O fato é que o estádio de Gama tem tudo a ver com isso, porque em que lugar do mundo se pode mamar melhor do que num Bezerrão?

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 2 de dezembro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

 

Por Juca Kfouri às 00h44

01/12/2008

Mengo dançou

Com pouco mais de 1500 opiniões, 70% acham que o Flamengo ficará de fora da Libertadores, 20% apontam o Palmeiras e 10% o Cruzeiro.

O dono do blog também acha que o Flamengo dançou.

Por Juca Kfouri às 23h54

Bingo!

Se faltasse algum argumento para comprovar a bobagem que os cariocas fizeram ao eleger Eduardo Paes prefeito, basta dizer que ele nomeou Chiquinho da Mangueira como secretário de Esportes.

Não mudaram nem as moscas.

Por Juca Kfouri às 14h52

Deus dos estádios

Existe uma entidade chamada deus dos estádios na qual até os ateus acreditam.

E ela não gosta de festas antecipadas.

Às vezes faz vista grossa, às vezes pune.

Ontem, puniu.

Mas o São Paulo permanece favorito para o tricampeonato, por mais que nesta semana você vá ouvir falar muito de todos os tris que o tricolor paulista perdeu, como se houvesse uma maldição que o impedisse de comemorá-los.

O deus dos estádios existe.

Maldições, não.

E com mais de 1700 palpites, 56% dos blogueiros seguem acreditando no São Paulo.

Por Juca Kfouri às 13h29

Livro sobre o bi mundial do Santos é lançado em São Paulo nesta segunda-feira


A obra da Realejo Livros e Edições também tem lançamento confirmado em Santos, na próxima quinta-feira

Em 1963, o Santos conquistou seu bicampeonato mundial após uma virada histórica contra o Milan - o Peixe havia perdido por 4 x 2 na Itália na primeira partida, na Itália. Com duas vitórias polêmicas no Maracanã, vistas ao todo por quase 300 mil testemunhas, os santistas conseguiram superar as ausências de Pelé, Zito e Calvet e comemorar um título que, a certa altura, parecia impossível.

Toda a epopéia envolvendo a conquista foi pesquisada pelo escritor Odir Cunha, autor de outras obras sobre o Peixe como ‘Time dos Sonhos’ e ‘Donos da Terra’. O resultado será lançado nos dias 1 e 4 de dezembro, em São Paulo e Santos, respectivamente, pela Realejo Livros e Edições.

O livro NA RAÇA! contextualiza o ano de 1963 no Brasil e no mundo e reconstrói toda a atmosfera dos jogos finais contra o Milan. Odir Cunha ouviu jogadores do Santos e do time italiano, pesquisou matérias publicadas no Brasil e na Itália, à época dos confrontos, e deu ouvidos às fortes reclamações dos milaneses, que acusavam o juiz das partidas no Brasil de ter sido ‘comprado’ pelo Santos. Odir também levou em conta as declarações publicadas por Almir Albuquerque, o Pernambuquinho, em seu livro ‘Eu e o Futebol’, em que confessa ter jogado dopado contra o Milan. "Este livro, que se propõe a desvendar detalhes e bastidores da decisão do Mundial de 1963, não poderia deixar de levar em conta as sérias acusações de Almir. Mas a história tem vários ângulos e todos merecem ser conhecidos e analisados", conta o escritor.

NA RAÇA! tem ‘orelha’ assinada pelo ponta-esquerda Pepe, herói da decisão. "Ghezzi, o goleiro milanista, nem viu por onde passaram duas bombas minhas, cobrando falta. Abri e fechei a conquista histórica", escreveu o craque, segundo maior artilheiro da história do Santos Futebol Clube, com 405 gols.

Na capital paulista, o evento de lançamento será nesta segunda-feira, 1º de dezembro, no Bar Boleiros (Jesuíno Cardoso, 624, na Vila Olímpia, em São Paulo). A entrada é gratuita e terá a presença de ex-craques de nossa história, inclusive Pepe.

Em Santos, será no dia 4, quinta-feira, no tradicional bar Chopp Santista (Avenida Washington Luis, 56, esquina do canal 3 com a avenida da praia), também com entrada gratuita e presença de craques que ajudaram a construir a nossa história.

Os dois eventos terão início às 18h30, sem hora para terminar. O livro, que tem 222 páginas, terá o preço promocional de R$ 35,00 nas datas de lançamento.

E o site da Realejo Livros e Edições já está realizando a pré-venda da obra pelo mesmo preço no endereço www.realejolivros.com.br. O envio será feito pelo Correio a partir do dia 1º de dezembro para qualquer lugar do mundo.

Mais informações no fone (13) 3289-4935. Abaixo, a introdução do livro e a ‘orelha’ escrita por Pepe.

Orelha

HERÓIS DO MARACA


Como ganhar do super-Milan de 63?
Sem o Rei Pelé!
Sem Zito!
Sem Calvet!
Todos lesionados.
No Maracanã, 150 mil torcedores jogaram por eles e mesmo assim tomamos um passeio no primeiro tempo.
Milan 2 x 0, gols de Mora e Altafini.
Aí choveu!
Caiu um dilúvio no intervalo que alagou todo o campo. E é claro que o "Peixe" se deu bem na água. Tudo mudou em apenas 21 minutos. 4 x 2.
Só mesmo um time de heróis para tal façanha: o Santos F.C.
Ghezzi, o goleiro milanista, nem viu por onde passaram duas bombas minhas, cobrando falta. Abri e fechei a conquista histórica.
Dois dias depois estávamos no mesmo cenário. Passamos o recibo com um magro, mas convincente, 1 x 0. Gol de Dalmo Gaspar cobrando penal cometido em Almir.
Festa na Baixada e no Brasil inteiro. Peixe Bi!

Pepe

Introdução

A ARTE DA GARRA

"No ano que vem, então, teremos Santos e Milan?", cobrou o amigo Cléber Machado quando tive o prazer de participar do programa Arena Sportv para falar de Donos da Terra, o livro que conta a história do primeiro título mundial do Santos. Um momento especial, diga-se de passagem, pois lá estavam Pepe, o eterno canhão da Vila, os queridos companheiros de Jornal da Tarde Alberto Helena Junior e Marco Antônio Rodrigues, além do próprio Cléber, com quem tive o prazer de trabalhar na Rádio Globo.

A pergunta era pertinente. Se em 2007 completavam-se 45 anos da conquista do primeiro título mundial, em 2008 também faria seu 45º aniversário o primeiro bicampeonato mundial de clubes na história do futebol, obtido pelo Santos contra o Milan.

A pergunta-sugestão de Cléber Machado foi repetida por muitos outros leitores, a ponto de me fazer prometer que me esforçaria para atender o pedido. A princípio, confesso, não estava muito entusiasmado com a idéia.

Não que o bi-mundial não seja importante. Ao contrário. Pela primeira vez um time reinava no planeta por dois anos seguidos, suplantando, assim, todos os feitos anteriores. O título coroou, ainda, a maior fase vitoriosa de um equipe de futebol, pois com ele o Santos completou nove conquistas consecutivas, desde o segundo semestre de 1961.

Vejamos, pela ordem: Campeão Paulista e Brasileiro (Taça Brasil) em 1961; Paulista, Brasileiro, da Libertadores e do Mundial em 62 (ano em que o Rio-São Paulo não foi disputado), e do Rio-São Paulo, da Libertadores e do Mundial em 63.

Em pensar que hoje os clubes e seus torcedores têm orgasmos múltiplos quando conseguem a chamada tríplice coroa, como comemorar, então, a nona ou enea coroa? E títulos na fase áurea do futebol brasileiro, em que todas as competições, desde o Estadual, tinham um nível técnico altíssimo, pois os grandes craques faziam suas carreiras por aqui, não iam ainda imberbes para o exterior, como hoje.

Bem, eu não estava muito entusiasmado com a idéia de fazer um livro sobre as finais contra o Milan porque, como apreciador da cultura do futebol do Santos, que sempre se baseou no jogo bonito, ofensivo e ético – que não tolerava pontapés, por exemplo – temia que aquelas finais não tivessem muito a acrescentar com relação a esses quesitos.

Sem titulares importantíssimos como Pelé, Calvet e Zito nos dois jogos no Maracanã (sem contar o lateral-esquerdo Geraldino, que atuou na primeira partida, em Milão), o Santos teve de deixar de lado o futebol-espetáculo se quisesse ganhar a taça.

Com características bem diferentes da decisão contra o Benfica, em 1962, jogada por duas equipes extremamente técnicas, em um clima de fraternidade lusófona e decidida em apenas dois jogos, com ampla superioridade santista (3 a 2 no Maracanã e 5 a 2 em Lisboa), as três partidas entre Santos e Milan não primaram pelo futebol-arte, pelas jogadas de alta categoria e pelo fair play. A rivalidade começou nos bastidores e foi levada a campo até as últimas conseqüências.

Como um bom autor – que por mais apaixonado que seja por seu time, não pode e não deve tapar o sol com a peneira – fatalmente eu teria de levar em conta e tentar checar as terríveis declarações de Almir Albuquerque, o Almir Pernambuquinho, em seu livro "Eu e o futebol". Lá ele afirma que jogou dopado e que o vice-presidente do Santos, Nicolau Moran, lhe garantiu que poderia fazer o que quisesse em campo, pois o árbitro argentino Juan Brozzi estava comprado e não o expulsaria.

Para um time que sempre se orgulhou do epíteto de "campeão da técnica e da disciplina", a mancha de ter conquistado um título tão importante burlando as regras da honestidade e da ética, é algo que destoa. Já ouvi de muitos torcedores de outros clubes que preferem ver seu time campeão com um gol no último minuto e ainda roubado, mas sei que o santista não compartilha desse pensamento.

Já cheguei a brincar com amigos, dizendo que o único título roubado do Santos é este Mundial de 63. Desde a primeira vez que li seu livro, fiquei com a convicção de que Almir não mentiu. Ele tomou mesmo uma bolinha (anfetamina) para enfrentar o campeão europeu e realmente jogou com a certeza de que não seria expulso de campo.

Por mais que gostasse de contar vantagens, de demonstrar seu destemor e valentia – que o acabaram levando à morte em uma briga de bar, na sua querida Copacabana, em janeiro de 1973 –, Almir não ganharia nada por fazer essas revelações.

Porém, tudo tem dois lados, e a pesquisa para o livro me deu a oportunidade de enxergar também a face milanesa. Almir e o Santos foram mesmo os vilões da história, na outra metade do campo havia apenas um time preocupado em jogar futebol, ou na verdade se tratavam de duas das melhores equipes do mundo usando todos os seus recursos para chegar ao título?

Quando se analisa o momento que o futebol passava em 1963, com o surgimento das primeiras grandes exigências do profissionalismo, que faziam da disputa dos maiores títulos o limite entre a abundância e a penúria, obriga-se a ter uma visão mais elástica do conceito ético que temos hoje.

Quando se muda o enfoque para o Milan, percebe-se que também não se tratava de uma equipe de colegiais bem comportados dirigida por senhores distintos e virtuosos. Em uma época na qual não havia controle antidoping, quem pode garantir que aquelas pílulas que os jogadores milaneses tomavam era apenas vitaminas? Num tempo em que os árbitros ganhavam muito pouco e até por isso eram bem mais subornáveis, quem pode garantir que aqueles juízes indicados insistentemente pela diretoria do clube italiano não estavam devidamente encomendados?

Cerca de 400 mil pessoas compareceram aos três jogos da final, que representaram mais do que a batalha entre duas equipes. Na verdade, um novo estilo europeu de jogar, com um líbero, se defrontava com a escola brasileira que há um ano fora bicampeã mundial de seleções na Copa do Chile.

O futebol brasileiro estava em cheque. E mais uma vez o Santos era chamado a salvar a honra da casa. A Seleção Brasileira, com sete jogadores do Santos entre os titulares, no dia 12 de maio daquele mesmo ano perdera para a Itália por 3 a 0, em San Siro. No mesmo estádio, em 22 de junho, foi a vez do Santos, no final de mais uma de suas excursões malucas, em que descansava no avião, ser goleado pelo Milan por 4 a 0. Ou seja, na Itália já se dizia que o melhor futebol do mundo tinha mudado para lá, e entre os milaneses não havia dúvida de que o Santos seria batido na decisão do título Intercontinental.

O clima de extrema rivalidade, acirrado por declarações desrespeitosas dos italianos – e de "oriundi", como o tagarela Amarildo – marcou os jogos de volta, no Brasil. Para mim, Amarildo negou que tenha dito que "Pelé já era", como acusou Almir, mas a edição do semanário italiano Supersports de 17 de outubro de 1963, um dia depois da vitória milanesa sobre o Santos por 4 a 2, não deixa dúvidas. Lá está, em letras garrafais: "Amarildo: Pelé sono io!", o que também queria dizer que ele era o novo rei do futebol.

História parecida havia acontecido em Lisboa, no ano anterior, quando a imprensa viu na decisão Benfica e Santos também uma oportunidade de se descobrir quem era o melhor do mundo: Pelé ou Eusébio. Porém, ao contrário do "Possesso", como Amarildo era chamado, o elegante Eusébio não deu declarações arrogantes. Limitou-se apenas a jogar futebol.

De qualquer forma, a atitude de Amarildo justificou a perseguição que sofreu dos jogadores santistas – Almir, principalmente – e da torcida brasileira, que o apupou e, segundo ele, até o apedrejou?

O Santos seria campeão se não fugisse de suas características e por vezes deixasse de lado a técnica refinada para definir as jogadas na força? Haveria outra forma de, com o time desfalcado, vencer o poderoso campeão da Europa?

Juan Brozzi quis mesmo ajudar o Santos, ou foi tão insultado pelos jogadores italianos que agiu de má vontade com eles? Como a imprensa presente no Maracanã analisou a atuação do árbitro argentino? Deveria ter expulsado Almir logo no primeiro minuto de partida, quando ele entrou pesado em Amarildo? Não deveria ter marcado o pênalti que resultou no gol de Dalmo, aquele que definiu o Mundial?

Se queria prejudicar o Milan, porque suportou as peitadas e os xingamentos de seus jogadores? Por que expulsou apenas Ismael depois que este se desentendeu com Amarildo? Por que permitiu que o Milan chegasse a 2 a 0 no primeiro tempo e ainda tivesse uma chance de ouro para fazer 3 a 0 logo no início do segundo? Um árbitro comprado permitiria que o adversário tivesse tanta vantagem, em uma partida que lhe daria o título com apenas um empate?

Até que ponto o próprio Milan foi responsável por sua derrota? Será que todos os seus jogadores tiveram atuações impecáveis e só foram derrotados devido a irregularidades? Por que o time se apequenou diante da chuvarada que caiu no segundo tempo e se limitou a tentar garantir ao menos o empate? Por que não repetiu a bela atuação da primeira meia hora de jogo no Maracanã?

Jogasse o Milan as partidas decisivas em San Siro, os jogos seriam menos polêmicos e catimbados? O que de feio aconteceu no Rio de Janeiro foi apenas fruto da incivilidade dos sul-americanos, como quiseram justificar os milaneses à opinião pública de seu país? O Milan era superior ao Santos e só perdeu o jogo devido à arbitragem?

Busquei respostas a todas estas perguntas neste "Na Raça!". Não sou pretensioso a ponto de julgá-las definitivas, mas certamente trarão novas luzes sobre a final do Mundial Interclubes mais contagiante de todos os tempos.

Uma final incandescente, com o espírito latino à flor da pele, completamente diferente das decisões insossas que se vê no Japão. O carioca assumiu o Santos como seu, viu no branco da camisa santista o canarinho do Brasil e promoveu uma das maiores demonstrações já vistas de amor e generosidade a um time.

Humildemente, o clássico Santos, que tinha no seu elenco boa parte dos craques do Brasil à época, deixou a arte de lado para jogar com o coração. Jogou no ritmo acelerado e dramático da torcida, e essa união entre o campo e as arquibancadas mostrou-se insuperável, mesmo para o ótimo campeão europeu.

Odir Cunha

Por Juca Kfouri às 12h52

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Por Juca Kfouri às 09h22

Pra tudo se acabar no domingo que vem

Sim, tudo ficou para domingo que vem, nada vai se acabar na quarta-feira, como previam Tom Jobim e Vinicius de Moraes na eterna "A Felicidade".

Porque tristeza não tem fim, felicidade sim, que o digam os torcedores do Flamengo que estiveram com uma vaga da Libertadores nas mãos e a viram escapar no Maracanã.

Mas não são apenas as duas vagas da Libertadores que só vão ser preenchidas no domingo, provavelmente por Palmeiras e Cruzeiro que terão, em casa, os sem ambições Botafogo e Portuguesa pela frente.

Ao Flamengo resta vencer o desesperado Atlético Paranaense, em Curitiba e torcer contra Palmeiras e Cruzeiro.

Mas também os dois buracos que restam no rebaixamento ainda ameaçam quatro times: Náutico, Atlético Paranaense, Figueirense e Vasco.

Ah, sim, que coisa, falta também decidir o título, com São Paulo e Grêmio na luta.

Como é monótona essa fórmula de pontos corridos...

Em seis Brasileirões com ela em vigor, nada menos do que em três, em 2004, 2005 e agora, a decisão do título ficou para última rodada.

E tem gente que diz que a fórmula não tem final...

Por Juca Kfouri às 00h02

30/11/2008

No Timão é Mano e ponto final

Com cerca de 1000 respostas, 69% delas apontaram Mano Menezes como a figura corintiana em 2008.

Em segundo, com 8% aparece Douglas, seguido por Andres Sanchez.

Talvez por culpa deste blogueiro, que se esqueceu do Herrera...

Por Juca Kfouri às 21h28

Números da penúltima rodada

Foram 27 gols, com o milésimo do Brasileirão-2008, inclusive.

E média de público de quase 24 mil torcedores por jogo.

No Morumbi, o maior, com 66.888 pagantes.

No Ipatingão, para variar, o menor, com 1.387.

O segundo maior público foi o do Galo, no Mineirão, com 57.391 torcedores.

E o segundo pior foi no Engenhão, com 3.106 pagantes, menos que no Canindé, com 3.565.

Verdade que os botafoguenses não tinham mesmo mais o que fazer, ao contrário da torcida lusa.

Daí não se lamentar que caiam clubes como Ipatinga e Portuguesa.

Ou se lamentar que subam times como Santo André e Barueri.

Por Juca Kfouri às 20h54

A luta para não cair

O Vasco fez o que parecia impossível: ganhou do Coritiba, 2 a 0, dois gols de Leandro Amaral.

Dizer que não adiantou é bobagem, porque se tivesse perdido estava rebaixado.

E agora recebe o Vitória, na última rodada.

Meu Deus!

Já o Timbu fez o que dele se exigia, ganhou em casa, 2 a 1, de virada, para cima do Furacão, dois gols de Clodoaldo e ficou fora da ZR, mas tem ainda o jogo contra o Santos, na Vila, no domingo.

A exemplo do Vasco, o Figueirense também surpreendeu e bateu este caricato Botafogo, no Engenhão, por 3 a 1.

O Figueira recebe o Inter.

Por Juca Kfouri às 20h06

Quem não quer a Libertadores

Ver, vi São Paulo 1, Fluminense 1.

Ainda acompanhei Vitória 0, Palmeiras 0.

Jogo que teve o Palmeiras muito melhor no primeiro tempo e o Vitória superior no segundo.

Marquinhos jogou e jogou mal, confuso, dispersivo, para satisfação de Vanderlei Luxemburgo, que gostou muito da atuação dele.

Mas Marquinhos, no máximo, foi capaz de bater uma falta bem batida, que levou Marcos a fazer boa defesa, ele que fez, ainda, dois milagres.

Viáfara também teve de se virar, principalmente pela atuação de Kléber, com o diabo no corpo.

O pior do jogo no Barradão foi o árbitro, tão ruim como foi o pai dele com o apito na boca.

Deixou de dar três pênaltis, um sofrido por Diego Souza e dois outros feitos por Marcos, além de ter dado um impedimento inexistente de Alex Mineiro que causaria a expulsão do goleiro Gléguer, que entrara no lugar de Viáfara, contundido.

Mas o Palmeiras ficou com a faca e o queijo nas mãos ao receber o Botafogo no Palestra para se garantir.

Porque nem o Cruzeiro nem o Flamengo parecem querer mesmo disputar a Libertadores no ano que vem.

Ora, o Flamengo fez 3 a 0 no Goiás em 35 minutos e deixou a equipe esmeraldina empatar no Maracanã.

E o Cruzeiro conseguiu perder jogo e pênalti diante dos reservas do Inter, com gol de Gustavo Nery ainda por cima, no Beira-Rio.

O Cruzeiro tem a rebaixada Lusa pela frente e, aí, convenhamos, por mais que não queira, chegará lá.

Já o Flamengo, bem, o Flamengo que fique se queixando do Simon e não de si mesmo.

Por Juca Kfouri às 19h51

E tudo ficou para a última rodada

São Paulo e Fluminense fizeram um primeiro tempo à altura da importância do jogo, da lotação completa do Morumbi e da bela tarde de sol.

Primeiro tempo em que os ataques prevaleceram sobre as defesas, apesar do 0 a 0.

Não tinha nem um minuto de partida e Arouca chutou cruzado para defesa parcial de Rogério Ceni.

O rebote caiu nos pés do desequilibrado Washington, que já passava da bola e esta, caprichosa, voltou para as mãos do afortunado goleiro, porque goleiro sem sorte não é goleiro.

Em seguida foi a vez de Borges perder gol certo, pela esquerda, quando não pegou como queria na bola a mandou na rede, mas pelo lado de fora.

Ele mesmo, logo depois, exigiu uma enorme defesa de Fernando Henrique e ainda ele cabeceou outra bola com muito perigo, rente à trave, a exemplo de Hugo, que fez o mesmo.

Só que o Flu respondia na mesma medida.

Washington, por exemplo, teve o doce tirado da boca antes de abrir o placar por Rodrigo, numa recuperação espetacular do zagueiro são-paulino.

E Luís Alberto não cabeceou rente à trave não, cabeceou na trave mesmo.

Que jogo!

Enquanto isso, em Ipatinga, o Grêmio virava o jogo e liquidava com o Ipatinga.

Ipatinga que fez 1 a 0 logo de cara, aos 5, mas tomou três em seguida, dois de Marcel, aos 12 e aos 28, e outro de Jean, aos 22.

O São Paulo tinha de vencer para ser tri/hexacampeão.

E, logo aos 4, começou a considerar que até o empate seria bom resultado, porque Tartá, que acabara de entrar, fez 1 a 0 ao aproveitar de rebote de lance dividido, de novo, entre Washington e Rogério Ceni.

Era o tricolor carioca disposto a atrapalhar, definitivamente, a vida do paulista em 2008.

O Grêmio comemorava com Léo, fazendo 4 a 1 em Ipatinga.

Mas em bola mascada, de primeira, com passe de cabeça de André Dias, Borges empatou logo aos 12, para explosão do Morumbi.

E aí o jogo virou qualquer coisa.

Para o bem e para o mal, com jogadas agudas e bisonhas, fruto de um clima verdadeiramente de decisão.

Até que, aos 36, em bola alçada, André Dias cabeceou na trave do Flu.

E o Goiás, próximo adversário do São Paulo em Gama, no DF, que saiu perdendo por 3 a 0 para o Flamengo, no Maracanã, empatava 3 a 3.

E o Galo, próximo adversário do Grêmio, no Olímpico, ficava no 0 a 0 com o Santos, livre do rebaixamento, no Mineirão.

Ficou tudo para a última rodada, seja em cima, seja para a Libertadores, seja em baixo, com exceção de Lusa e Ipatinga, já rebaixados.

O São Paulo precisa empatar para ser campeão.

(Vou escrever a coluna da "Folha de S.Paulo" e já volto com os outros jogos).

Por Juca Kfouri às 18h58

Trecho de minha coluna de hoje, na 'Folha'

Erro de interpretação

Se alguém interpretou a "Carta ao governador palmeirense" como uma indireta à possível cumplicidade de José Serra com as artes da polícia que ele tem sob suas ordens, se enganou redondamente.

Ele, inclusive.

E se alguém acha que o remetente quer que o político interfira num inquérito policial, também se engana redondamente.

O autor quer, isso sim, que como qualquer executivo, ele trate de chamar seu subordinado e pergunte sobre o que leu, exatamente por ser apaixonado por futebol e por saber quanto o esporte pode ter de didático, de exemplar.

Aqui não se dá indiretas, dá-se nome aos bois sempre que preciso.

A carta foi um alerta, apenas um alerta, nada mais que um alerta.

E que o governador saiba também que cada vez mais há delegados da sua polícia envolvidos com a Federação Paulista de Futebol, com clubes, com certos técnicos, e que isso não é bom nem para a segurança dos cidadãos nem para a polícia.

Por Juca Kfouri às 14h02

Ibson e Caio Júnior, cabeça a cabeça

Na casa das 1000 respostas, Ibson é a figura do ano no Flamengo, com 22,52%, praticamente empatado com Caio Júnior, com 22,11%.

A seguir vem Márcio Braga, com 17,50% e aqui fica difícil saber se este é um resultado positivo ou negativo.

Fábio Luciano ficou com 16,99%, Juan com 16,38% e Bruno com apenas 4,50%.

Por Juca Kfouri às 00h07

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico