Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

13/12/2008

13 de dezembro de 1968: o AI-5

Por LINO CASTELLANI FILHO

Do Observatório do Esporte

Hoje faz 40 anos da promulgação do famigerado Ato Institucional nº 5, o AI-5.


Eu ia complementar a frase dizendo: - "E daí, todo mundo sabe disso", mas a "Folha de S. Paulo" de hoje me avisou que de cada 10 brasileiros, oito nunca ouviram falar dele.

Mas os dois - de cada grupo de 10 - que ouviram falar do AI-5, certamente não sabem que o primeiro nome da lista era o de um professor de Educação Física!

Seu nome, Alberto La Torre de Faria.

Professor da Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil, - hoje UFRJ - e integrante ativo do reconhecido ISEB, à época era funcionário do Ministério da Educação vinculado à Secretaria de Educação Superior e, por causa de suas atribuições naquela pasta, naquele dia estava em Itu, SP, fazendo vistorias para o credenciamento de uma faculdade de Direito.

É ele que nos conta: "Eu tinha aceitado um convite do professor Lourenço Júnior para jantar. Nós estávamos então tomando uns aperitivos e aguardando o início da 'Hora do Brasil' - no interior tinha-se o hábito de ouvi-la. A certa altura ouvimos referências ao AI-5: '... Foram incursos no Ato Institucional nº 5 os senhores... Alberto La Torre de Faria... '

"Foi um espanto, inclusive pra mim. Eu, delegado do Ministério da Educação, organizando uma faculdade de Direito em Itu e sendo cassado em Brasília! E dizia mais... Relacionava uma série de pessoas eminentíssimas. Eu era fichinha. O professor Lourenço Júnior, muito espirituoso, disse assim: - 'Eu não sabia que o senhor era um homem importante... O primeiro da lista!

 Ele foi contemporâneo da professora Maria Lenk - ela a maioria sabe quem foi, né?!

Sim, ela, que se referia à Escola de Educação Física do Exército como "a célula mater da educação física no Brasil" e que em 1972, diferentemente do professor La Torre e de todos os outros cassados, festejava na Ilha do Fundão a inauguração das instalações da Escola de Educação Física da UFRJ com a presença de Emílio Garrastazú Médici, a quem - nas palavras da professora "homenageamos dando o nome dele ao Ginásio de Esportes...".

Por Juca Kfouri às 16h39

12/12/2008

São Marcos, o bom companheiro

"Ronaldo é brilhante e vai continuar a ser artilheiro. Vou passar as férias só pensando em como pará-lo e se eu, que fico lá embaixo das traves, estou preocupado, imagine os zagueiros que vão ter de marcá-lo."

Palavras de incentivo do maior ídolo palmeirense diante da chegada do ex-companheiro de Seleção Brasileira ao rival Corinthians.

Ainda estão para inventar alguém tão generoso como o goleirão. 

Por Juca Kfouri às 19h25

Não faltam trouxas...

Dos 2000 que responderam à sondagem, 51% não acham que seja trouxa quem paga R$ 500 mil por mês para um técnico de futebol no Brasil.

Talvez seja por isso que, ainda em 1983, o imortal Aloysio Biondi, o papa do jornalismo econômico brasileiro, tenha escrito um famoso artigo cujo título foi, exatamente, "O país dos trouxas".

E tem, também, os trouxas oficiais, que se levam tão a sério que são incapazes de perceber até uma simples brincadeira num bate-papo informal com internautas.

Esses são impagáveis.

E hilários.

Por Juca Kfouri às 00h21

Um palmeirense fã de Ronaldo

Por RAFAEL BLANCO FRYDMAN

Tenho Ronaldo Fenômeno como meu verdadeiro e único ídolo.

Segue abaixo o desabafo que mandei para minha familia:

Estou em choque!!

Ainda não posso acreditar!!! !

Mas antes que vocês venham me encher o saco... 

Corram para comprar a camisa nove do seu time! 

(E isso não é porque voces correm o risco de ficar sem. Apesar da procura ela não vai acabar já que vai ser fabricada o ano inteiro).

Comprem uma, duas, três......branca, preta ou roxa

Comprem e se preparem.

Se preparem para ver a apresentação e os treinamentos.

Para contar os dias até o reinício dos campeonatos.

Para o primeiro e todos os outros jogos no Pacaembu.

Se preparem para vê-lo correr com o dedo em riste.

Para ficarem nervosos a cada vez que ele cair no gramado.

Para, quem sabe, voltar a erguer um titulo de primeira divisão.

(E aqui não é gozação. É que voces precisam voltar a ganhar e não sabemos se ele vai dar conta disso).

Porque jogando ou não, fazendo gols ou não, ganhando títulos ou não, vocês tem o Fenômeno.

O maior jogador da minha época e meu maior ídolo. 

Ronaldinho/Ronaldo/ Rrrrrrronaldo!

Um craque que mesmo prestes a vestir a camisa alvinegra do eterno rival não deixará de ter minha torcida para que volte a brilhar.

(Especialmente com a camisa amarela da Seleção da qual há muito não assisto os jogos).

Um jogador que me daria orgulho só de treinar no meu time.

Que não me tiraria do sério nem fazendo um golaço no Marcos.

Que me faz, pela primeira vez na vida, sentir inveja dos cprintianos.

E que me obriga a agradecer ao Corinthians (e isso não é pouco).

Por me permitir vê-lo atuando em um estádio.

(Afinal não perderei por nada nesse mundo os Palmeiras x Corinthians de 2009).

Se preparem para sentir a alegria de ter um craque no time.

Pois eu ainda tenho uma longa jornada para entender e aceitar tudo isso.

Antes de voltar a sonhar com um gol do Fenômeno pelo meu alviverde inteiro.

Agora podem falar à vontade...

*Rafael Blanco Frydman tem 21 anos e é palmeirense, mas de família de corintianos.

Por Juca Kfouri às 00h11

O Flamengo morre pela boca

Primeiro, o presidente do Flamengo anunciou que já tinha comprado o chope para festejar o hexacampeonato brasileiro.

Teve de mandá-lo para o Morumbi, a preço de custo.

Depois, anunciou que ficaria com Ronaldo Fenômeno.

Que se apresenta daqui a pouco, às 11h, no Parque São Jorge, em São Paulo.

O Flamengo, como se sabe, fica na Gávea, no Rio de Janeiro.

Gávea que para diminuir o vexame da perda de Ronaldo para o Corinthians, anunciou que traria o Imperador Adriano da Itália.

Coisa que o empresário dele negou ontem com um N bem grande.

Finalmente, Carlos Alberto Parreira foi anunciado como novo técnico rubro-negro.

Ele jantou ontem com o presidente do Flamengo e recusou o convite.

Há quem jure que Parreira vai para o Fluminense.

Era só o que faltava.

Mas o presidente do Flamengo garante que Parreira ficará só na Traffic.

E parece esquecido de que em boca fechada não entra mosquito.

Comentário para o Jornal da CBN desta sexta-feira, dia 12 de dezembro de 2008.

Por Juca Kfouri às 00h08

11/12/2008

Morre torcedor no DF

Por KADJ OMAN

O torcedor do São Paulo baleado na cabeça faleceu no Hospital no Distrito Federal.

O sargento "suspeito" de ter atirado foi beneficiado com habeas-corpus, e autuado por "lesão corporal grave".

Simplesmente ridículo.

Inaceitável.

Há de se fazer alguma coisa, alguma coisa forte.

Como foi na Itália com Gabrielle Sandri.

Convido a todos que se indignam com o fato para pensar em alguma alão possível, talvez uma partida de futebol em praça pública como forma de repúdio.

Escrevam-me os que acharem isso importante.

Espero que sejam mais do que os que escreveram pra comentar do título são-paulino ou de Ronaldo no Corinthians.


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Por Juca Kfouri às 17h22

Vasco Eletrobrás

Tinha a impressão de que o excelente contrato do Vasco com a Eletrobrás se inscrevia entre aqueles que as estatais fazem para concorrer com a iniciativa privada, ou seja, que era bom para ambos os lados dada a força da marca cruzmaltina e até disse isso ontem, no CBN EC.

Mas a Eletrobrás hoje nada mais é do que um banco de fomento, pois não opera nada.

Quem faz a geração são Furnas, Eletronorte, Eletrosul e Chesf.

A distribuição é feita pelas distribuidoras.

A Eletrobrás hoje só administra mesmo na ponta as falidas Cepisa, Cemar e Ceam.

Em suma, não há nada que justifique tecnicamente um patrocínio ao futebol.

Nada.

Seria o mesmo que o BNDES patrocinar algum time.

A Petrobras no Flamengo ainda se justifica, pois a empresa tem operações na ponta.

No caso do Vasco, é politicagem pura.

E com nosso dinheiro.

Por Juca Kfouri às 16h10

Bom para o Corinthians

Dos 5500 que responderam se a contratação de Ronaldo é boa ou ruim para o Corinthians, 70,50% responderam que sim, é boaRiso.

Por Juca Kfouri às 15h55

Bernardo*

Fé cega

Será que a realização da Copa do Mundo no Brasil vai ser positiva?

Bernardo, o eremita

Ontem, pela manhã, dei de cara com Arnaldo estrebuchando no salão da caverna, fora do lago onde mora. Estava roxo e se debatia como uma minhoca assustada. Corri e o joguei de volta na água. Por uns trinta segundos ele desapareceu no lago; confesso que temi por sua vida. Subitamente voltou à superfície, ofegante, lerdo ainda, mas animado; a cor voltara ao normal.

- O que aconteceu? - perguntei-lhe - Como foi parar fora da água?

Tive que lhe pedir que refreasse a sofreguidão, que se acalmasse um pouco, pois, dessa maneira eu não conseguia entender sua fala de bagre. Aos poucos, Arnaldo fez-se inteligível e pude entender: ele assistia ao noticiário noturno na televisão que fica num dos cantos do salão da caverna, quando, sobre a realização da Copa do Mundo de 2014, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol começa a falar. Interrompi-o:

- Mas você não enxerga Arnaldo, como pôde assistir ao Ricardo Teixeira pela televisão?

- Mas é como se eu enxergasse - redargüiu o bagre -Assim que ele começou a falar eu vi que era ele, sua voz inconfundível, aquela segurança de quem sabe aonde quer chegar, única no futebol brasileiro.

O fato é que Arnaldo entusiasmou-se além da conta com a entrevista. Lembrando minha conversa com o bagre, consigo visualizar a cena: o presidente da CBF falando e meu amigo torcendo-se no lago, erguendo metade do corpo fora da água, cabriolando e aplaudindo com suas nadadeiras. Enquanto cofiava o barbilhão, o troglóbio dizia de sua admiração pelo homem que, segundo ele, foi o responsável pela emancipação do futebol brasileiro e pela definitiva internacionalização de nossa arte de jogar o esporte bretão; inclusive, palavras do bagre, pela inclusão de um item fundamental nos créditos de nossa balança comercial: a exportação de craques. Centenas, milhares deles foram vendidos ao exterior, da Espanha ao Azerbaijão. Além disso, mais que espalhar a cultura brasileira por todo o mundo, obrigamos os brasileiros, se quiserem ver futebol de qualidade, a sintonizar a TV nos canais internacionais, incorporando, dos estrangeiros mais civilizados, a língua, os costumes, os consumos, e aquilo que Arnaldo chama sempre, referindo-se aos europeus mais evoluídos, de finesse.

Perguntei-lhe o que achava da realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, em 2014, e o bagre me disse que achava o mesmo que o Sr. Ricardo Teixeira. Insisti e ele me respondeu, um tanto ofendido, que, se o presidente da CBF achava que era bom para o Brasil, ele assinava embaixo.

- Será o maior acontecimento da década, senão do século - proclamou Arnaldo.

- Mas você acredita na lisura dos procedimentos, na transparência das licitações? - perguntei, ao mesmo tempo argumentando em sentido contrário ao do bagre.

- Os fins justificam os meios - ele disse.

E creio que, com isso, Arnaldo pretendia encerrar o diálogo, pois que o incomodava profundamente a saraivada de críticas ácidas esgrimidas diariamente pela mídia mal esclarecida do esporte brasileiro. Acredita o bagre que a perseguição feita pela mídia contra homens do quilate do presidente da CBF, um verdadeiro brasileiro, é absolutamente vergonhosa. Um desses hereges da imprensa brasileira, dizia-me Arnaldo, vocifera diariamente em seu pasquim eletrônico, que toma chá de cadeira esperando a queda do Ricardo Teixeira.

- Ora - indignou-se o peixe - Ricardo Teixeira!!!, como se ele tivesse intimidade para chamar dessa maneira uma das figuras mais respeitáveis da cena nacional. Ah, e tem aqueles que contestaram a escolha da filha do presidente para integrar o comitê organizador da Copa do Mundo. Afinal, é claro que a filha, o filho ou a esposa são muito mais confiáveis que qualquer outra pessoa desligada de parentesco. E ficamos aqui no Brasil com essa história do judiciário proibir a contratação de parentes em cargos públicos. Se a gente não puder mais confiar nossos serviços aos parentes, a quem mais os confiaríamos. E além do mais, a CBF não é um órgão do governo. A solidez de uma sociedade prende-se, acima de tudo, aos laços familiares. A família deve transcender o teto da casa onde moram pai, mãe, irmãos, e estender seus braços ao trabalho, à política, quiçá à religião. Padres devem casar, seus filhos devem ser os coroinhas, seus cunhados os sacristãos, suas mulheres as confessoras. O que o nosso querido presidente da CBF faz não é outra coisa que dar o exemplo, que demonstrar ser tão importante o cargo que ocupa que não o dividiria com quem não seja seu parente, e próximo.

Ainda pensei em mencionar as suspeitas de lavagem de dinheiro e a história de Liechtenstein, mas o bagre estava ficando novamente roxo. Infelizmente não me segurei e falei dos contratos com a Nike. Arrependi-me. Arnaldo passou de vermelho a roxo, torceu-se todo, espumou, deu um salto e caiu uns três metros fora do lago, e dessa vez, mesmo que o tenha jogado imediatamente de volta à água, ele não voltava a si. Percebi seu corpo inerte rolando no fundo do poço, apanhei-o com um puçá remendado que eu guardava de antigas pescarias de siri e o levei para meu tanque de lavar roupas. Arnaldo só voltou a si com respiração boca a boca. Presenteei-o com uma camisinha da CBF e uma foto do presidente Ricardo Teixeira sorrindo, e ele voltou, amuado mas feliz, para o poço que habita e de onde me faz companhia em minhas frias noites de inverno neste fundo de caverna para onde me retirei, cansado dos nepotismos e lavagens de dinheiro desse mundo de meu deus que é o nosso grande Brasil.

(*) Bernardo é o personagem criado pelo professor João Batista Freire e publicado com exclusividade na Cidade do Futebol (www.cidadedofutebol.com.br ).

Por Juca Kfouri às 15h15

Exemplo de democracia

Por RAFAEL ZWARNISKI

O quadro social do Sport Club Internacional tem um importante compromisso no próximo dia 13 de dezembro (sábado).

Na oportunidade, será escolhido o presidente do Clube para o biênio 2009-2010, em Assembléia Geral com a participação direta dos sócios no Ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, e em oito cidades definidas como núcleos eleitorais: Santa Maria, Passo Fundo, Caxias do Sul, Bagé, Pelotas, Uruguaiana, Santa Cruz do Sul e Santo Ângelo (veja a lista abaixo).

Será uma eleição dupla para os cerca de 25 mil associados habilitados a participar do pleito, que irão escolher entre a Chapa 1 (situação) e Chapa 2 (oposição) para presidente, além de votar entre três chapas para renovação de 150 integrantes do Conselho Deliberativo.

Saiba como proceder no dia da eleição:

Horário de votação: das 9 às 17 horas.

Quem pode votar

O segundo turno da eleição direta será definido pelos sócios titulares maiores de 16 anos completos até a data da eleição (13/12/08).

Os associados devem estar cadastrados junto ao Clube, no mínimo, há dois anos (até o dia 31/12/2006).

Para exercer o direito de voto, é necessário que a mensalidade estivesse em dia até o dia 31 de outubro de 2008.

Estão também habilitados para votar:

Sócios das categorias 'remido' e 'paraninfo';

Sócios do Parque Gigante com data de admissão até 12/11/1990;

Documentos necessários para votar

Os eleitores devem apresentar a carteirinha de sócio juntamente com um documento de identidade com foto.

Como será a votação para presidente

A votação será feita através de urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), assim como foi no primeiro turno realizado no Centro de Eventos do Beira-Rio.

Serão 30 urnas somente no Gigantinho e uma em cada núcleo eleitoral no Interior.

O sócio irá digitar o número correspondente à chapa na qual deseja votar.

Por exemplo: digita o número 1 e em seguida pressiona a tecla 'Confirma' para votar na Chapa 1.

Para votar na Chapa 2, digita o número 2 seguido da confirmação da escolha.

O mesmo ocorre na hora de escolher a chapa para renovação do Conselho.

O associado irá votar no número correspondente à chapa que deseja eleger, 1, 2 ou 3.

Como será a eleição para o Conselho

Cada associado votará em uma única chapa (1, 2 ou 3), em sua composição completa, sendo os votos computados para toda a chapa.

A eleição será proporcional, ou seja, cada chapa elegerá o número de conselheiros proporcional ao número de votos recebidos.

Para que a chapa alcance representação terá que obter no mínimo 15% do total dos votos válidos, computados os votos em branco.

A proporcionalidade será definida pelo quociente eleitoral.

O quociente eleitoral é determinado dividindo-se o número obtido pela soma total dos votos válidos apurados, computados os votos em brancos, pelo de lugares a preencher, desprezada a fração, se igual ou inferior a meio; equivalente a um, se superior.

Período dos mandatos do presidente e dos conselheiros

Os conselheiros têm mandato de quatro anos, enquanto o presidente, o primeiro vice-presidente e o segundo vice-presidente contam com mandatos de dois anos.

Sócios poderão votar no Interior do Estado

Afora a sede de Porto Alegre, serão disponibilizadas urnas eletrônicas em oito cidades denominadas núcleos eleitorais no Interior do Rio Grande do Sul.

O TRE delimitou os núcleos (regiões) baseado no padrão utilizado nas eleições governamentais.

É importante lembrar que o sócio votará no local referente ao seu cadastro de associação.

Os sócios residentes em Santa Catarina e outros Estados poderão votar somente em Porto Alegre.

 

Por Juca Kfouri às 10h26

Coragem, São Paulo!

O São Paulo pensa em tratar o campeonato estadual do ano que vem como já deveria tratado os do ano passado, atrasado, retrasado: como o Paulistinha.

Um campeonato que não significa nada para a sala de troféus de um clube grande do futebol brasileiro e que leva do nada a lugar nenhum.

Um campeonato que sobrevive apenas para que sobrevivam as inúteis federações estaduais e que sobrevivem apenas para reeleger seus cartolas e o cartolão maior da CBF.

Os campeonatos estaduais, ao contrário do que poderiam ser os torneios regionais como o Rio-São Paulo, a Copa Norte-Nordeste, a Copa Sul-Minas, que deveriam ser disputados como aquecimento de começo de temporada, sobrevivem só como a manutenção da estrutura coronelista de nosso futebol, perpetuação das capitanias hereditárias.

O São Paulo cogita, como reação ao "caso Nero", escalar times reservas no Paulistinha para poder se preparar sem desgastes para a Libertadores.

Se, de fato, assim fizer, se não ficar só na ameaça que desmoraliza quando não cumprida, o São Paulo prestará um serviço histórico não apenas ao futebol paulista, mas ao futebol brasileiro.

Coragem, São Paulo!

Por Juca Kfouri às 00h02

Mulas sem cabeça

Por WILSON TEIXEIRA

Os que se interessam pelo desenvolvimento do esporte no Brasil - e pela democratização do setor - estão preocupados.

Agora, com manutenção de Grego no cargo de presidente da Confederação Brasileira de Basquete.

Dia desses, foi propalado que o ministro dos Esportes está pensando em estimular o debate sobre a revisão da duração dos mandatos dos dirigentes das entidades de administração do esporte.

Alguém, em sã consciência, acredita nessa hipótese?

Nisso só crê quem acredita na Mula sem Cabeça. E olha que muitas, por aí. Principalmente no esporte.

É indiscutível que a cretinice, a calhordice e a canalhice são concessões democráticas excessivamente ao alcance de todos.

Mas passar pela cabeça de qualquer pessoa razoavelmente sintonizada com a realidade do Congresso Nacional que existe qualquer - por mínima que seja - possibilidade de prosperar (e ser aprovado) um diploma limitando os mandatos dos dirigentes das entidades de administração do esporte é sinônimo de demencialidade.

Por quê?

É singela, a razão.

As cadeiras da Câmara dos Deputados são ocupadas por pessoas que estão se lixando para o esporte.

O que não quer dizer que não gostem de tirar fotos ao lado de esportistas. Quando esses ganham campeonatos de repercussão nacional ou mundial.

Ou quando faturam os lugares mais altos do podiu em Jogos Olímpicos. Especialmente quando brilha o ouro.

Com um única objetivo: publicar a foto no boletim de auto-divulgação com objetivos eleitorais.

Quer um exemplo de que os parlamentares não se interessam, de fato, pelo esporte.

Em 2003, o deputado Carlos Melles, que foi ministro do Esporte e Turismo entre maio de 200 e fevereiro de 2002, manifestou-se durante sessão solene realizada pelo então deputado Bismarck Maia em homenagem aos atletas olímpicos e paraolímpicos.

Disse ele, ipsis verbis, segundo a taquigrafia da Câmara: "Tive a oportunidade de conviver e de muito aprender com essa equipe do esporte. Dizia que meu timoneiro era esse grande líder Carlos Nuzman, presidente do COB" ... "parabéns, eterno presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman...".

É preciso dizer mais?

É.

Qualquer pessoa medianamente interessada em esporte, e não em poder, sabe que sem esporte de base é impossível desenvolver o talento motor dos que podem, querem ou desejam vir a ser atletas de alto rendimento.

Pois de nada adiantou ser apresentado à Câmara o projeto de lei 626/2003, que se aprovado e sancionado tornaria a educação esportiva componente curricular obrigatória e parte integrante da formação do cidadão, constituindo disciplina das escolas que integram o Sistema Federal de Ensino.

E foi inviabilizado o projeto porque o relator da matéria, na Comissão de Turismo e Esporte, manifestou-se contrariamente a ele, alegando que a iniciativa objetivava apenas e tão somente estimular o esporte competitivo. E não o esporte educacional.

Em que âmbito imaginam que as crianças, os jovens, os adolescentes brasileiros serão formados para o esporte. Inclusive o de alto rendimento.

Nos clubes sociais?

Ou nas ruas das periferias miseráveis das grandes cidades?

Nem lá nem cá.

O único local é a escola.

As senhoras e senhores parlamentares, raríssimas e salvíssimas exceções, estão pouco se lixando para o esporte.

Porque se não estivessem, teriam aperfeiçoado a Lei Piva.

Proposta para isso houve. Também arquivada. Um projeto de lei de 2003, que acabava com o repasse automático dos recursos da Lei Piva para o Comitê Olímpico Brasileiro.

Quando o projeto começou a tramitar, tanto o presidente do COB, Carlos Nuzman, como o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino, sapatearam, gritaram, agiram nos bastidores para derrubar a iniciativa.

Ninguém me contou. Eu sei. E bem sabido.

E sei porque fui eu quem elaborei o projeto de lei.

Porque enquanto a distribuição do dinheiro público - e o dinheiro das loterias que irriga o COB e as confederações é público na medida em que decorre de autorização do Estado - ocorrer como ocorre, é fácil adivinhar o que vai acontecer.

Os senhores todo-poderosos que a se perenizar estão nas entidades de administração do esporte no Brasil continuarão enquistados no poder.

E o esporte de alto rendimento no Brasil continuará no mesmo lugar que está. Em lugar nenhum. 

Por Juca Kfouri às 00h01

De novo, a polícia

Por KADJ OMAN

Domingo, a última rodada do Brasileirão teve um jogo mais explorado do que tudo: Goiás x São Paulo, em Brasília.

Os ingressos custavam um absurdo ainda maior do que já custam.

Houve suspeita de suborno, troca de árbitro, gol impedido, inversão de mudança de campo, briga pelo vestiário e pelo banco de mandantes.

O São Paulo foi tri e hexa.

A mídia e a torcida fizeram festa pelo título histórico e inédito.

Mas nada disso deveria ser mais importante e ter tanto espaço na mídia quanto o que mostra este vídeo: http://deolhos.blogspot.com/2008/12/veja-torcedor-do-so-paulo-baleado-na.html

Muito se fala sobre violência no futebol, como se ela fosse uma exclusivade do esporte - quando está longe de ser.

Muito se fala em banir as organizadas, criar arenas disciplinizadoras onde todos ficam sentados e "confortáveis".

Muito se rotula torcedores enquanto bandidos e marginais - embora este último sejam cada vez mais, já que o espetáculo e o dinheiro os empurram cada vez mais para dentro de casa e para fora dos estádios, à margem do futebol.

E o que se vê, sempre, é o despreparo da corporação policial ao lidar com situações conflitivas.

O despreparo e a mentira deslavada, comprovada no próprio vídeo ao mesmo tempo em que se vêem as imagens, claras, e se escuta a nota oficial da polícia.

É quase inacreditável, é preciso ver duas vezes. Porque uma pessoa agredir outra que já se encontra com os braços levantados e rendida é uma covardia inadmissível. O tiro torna a cena mais chocante ainda, mas não é porque a arma disparou que o ato é covarde, a coronhada em si já era um ato de abuso de poder claro e descabido.

Este caso não pode se tornar mais um a passar impune. A torcida do São Paulo, a mídia, todas as torcidas deveriam manifestar-se quanto a ele muito mais do que pelo título. É da vida que se trata aqui, mais do que tudo.

Coronéis na comissão de arbitragem, policiais que prendem jogadores no vestiário e atiram em torcedores já rendidos, silêncio misterioso na mídia.

Será que dormi e acordei de volta em 1964?

O pior é que não...

http://manihot.wordpress.com

 

Por Juca Kfouri às 00h00

10/12/2008

O ranking do blog do Brasileirão

Eis abaixo o ranking do Campeonato Brasileiro desde 1971 pelo critério  que o dono do blog mais gosta e implantou na revista Placar quando a dirigiu .

São conferidos 10 pontos ao campeão, nove ao vice, oito ao terceiro colocado e assim sucessivamente até conferir um ponto ao décimo lugar.

A totalização é do ombudsman do blog, Conrado Giacomini:

1 São Paulo 183

2 Internacional 151  

3 Palmeiras 149  

4 Corinthians 147  

5 Atlético/MG 146  

6 Grêmio 137  

7 Cruzeiro 133  

8 Santos 125  

9 Flamengo 115  

10 Vasco 111  

11 Fluminense 94  

12 Botafogo 77  

13 Guarani 60  

14 Coritiba 53  

15 Goiás 44  

16 Sport 40  

17 Atlético Paranaense e Portuguesa 38  

19 Bahia 37  

20 São Caetano 30  

21 Bragantino e Ponte Preta 27  

23 Vitória 26  

24 Operário-MS 18

25 Paraná 15

26 Santa Cruz 14

27 Bangu 12

28 América-RJ e Juventude 11

30 Brasil-RS 8

31 Londrina 7

32 Náutico 5

33 América-MG, Ceará e Figueirense 4

36 Joinville e Remo 3

38 Santo André e Uberlândia 1

Por Juca Kfouri às 23h52

Para pensar na cama

Você já se deu conta de que dos 13 clubes de maior torcida no Brasil, apenas cinco não conhecem a segunda divisão nacional?

O Flamengo, o São Paulo, o Cruzeiro, o Inter e o Santos.

E olha que só o São Paulo nunca esteve ameaçado.

Por Juca Kfouri às 23h43

Imperdível

 

 

A Annablume e a Livraria Martins Fontes/Paulista convidam para o lançamento do livro

Boleiros do cerrado

índios xavantes e o futebol

de

Fernando de Luiz Brito Vianna

 

 

Dia 12 de dezembro de 2008, sexta-feira, a partir das 18:30hs

Livraria Martins Fontes/Paulista

Avenida Paulista, 509 - Estação Brigadeiro

São Paulo - SP

(11) 2167-9900

(estacionamento: Rua Manoel da Nóbrega, 95)

Formato 14x21cm, 336 páginas, R$ 40,00
ISBN 978-85-7419-848-4

Ao estudar, neste livro, os sentidos do futebol para uma parte do povo Xavante, habitante do cerrado do Mato Grosso, Fernando L. Brito Vianna cruza várias antropologias: a do esporte obviamente, mas também a da dinâmica entre o global e o local, a do famoso dualismo-temperado-com-faccionalismo xavante e a das relações dos índios com o estrangeiro, no bojo de suas histórias recentes e de seus projetos de futuro.O trabalho nos apresenta xavantes em cuja vida social o futebol é presença cotidiana, motivo para encontros interaldeias, foco de divertimento e de disputas, via de conexão com as cidades brasileiras - pela força de atração, entre outras coisas, da profissão de jogador. Historicamente, assistimos ao lado "boleiro" dos xavantes forjar-se no contato com a missão salesiana, sobretudo. E ainda vemos que muito da compreensão desses índios sobre o futebol dá-se por comparação com a corrida de toras, tradicional atividade física deles e de outros povos Jê.Encontra-se aqui obra marcada pela originalidade. De uma etnografia sobre tema pouco explorado, de uma reflexão perspicaz sobre seu vínculo pessoal com o grupo pesquisado, Fernando soube partir para a revisão de certas imagens fáceis acerca da relação entre indígenas e esporte, e, conjuntamente, para a discussão de algumas das mais candentes questões teóricas do estudo das sociedades xavante, jês e ameríndias em geral. Isso tudo num texto claro e bem-escrito, merecedor de atenção e leitura cuidadosa.(Geraldo Andrello)

Áreas de interesse: antropologia, índios do Brasil, futebol, socialização, relações interétnicas

Sumário sintetizado

Prefácio: A bola dentro da tora
Cesar Gordon


Uma outra Apresentação: Pesquisador e pesquisado
Hiparidi Top'tiro


Capítulo 1: A bola, os "brancos" e as toras

Capítulo 2: Deslocamentos, visitas, encontros

Capítulo 3: Xavantes de Sangradouro nos anos 90

Capítulo 4: Bola rolando

Capítulo 5: Alguns aspectos do futebol xavante

Capítulo 6: Futebol na cabeça

Capítulo 7: O tempo passa

Capítulo 8: Eles e nós: relações futebolísticas e outras que tais

Por Juca Kfouri às 21h33

Que pena, Sport

Por ALFREDO BERTINI

Caros Amigos

Resolvi tornar pública minha decepção com os rumos do Sport.

Segue abaixo e-mail que encaminhei para o amigo (e ex-companheirto de chapa) Eduardo Carvalho, hoje ao lado da atual Direção.

Destaco, como já fiz, a grande contribuição de Milton Bivar.

Mas, lamento sua decisão de não continuar e terminar por provocar esse quadro eleitoral extemporâneo.

E o pior é que muitos outros companheiros, de grande expressão e conquistas no clube, terminaram por entender que o caminho da disputa é oportuno.

Mais uma decepção!

Estou incrédulo com tudo isso, muito embora lá atrás, quando pus em campo minhas idéias em duas disputas, imaginei que um dia, justo num grande momento do clube, tudo isso poderia acontecer.

Uma pena que o "céu de brigadeiro" se disperse e anuncie tempos de turbulência.

Caros Companheiros Rubro-Negros:

Tudo isso é lamentável.

No momento mais importante da história do clube, quando temos a oportunidade de uma disputa internacional com certo pé de igualdade (a LDU do Equador não foi campeã?), acontece um fato desse.

Entendo as razões pessoais de Milton, porque só ele sabe onde o "sapato aperta".

Mas isso já deveria ter sido previsto lá atrás.

Ele não poderia deixar que acontecesse, depois que já havia ocorrido um recuo de todo pessoal que agora se coloca como oposição.

O crédito foi dado a ELE, como comandante.

Entendo até que caberia a ELE ampliar seu palanque, para evitar a menor possibilidade de disputas intestinas.

E o pior que tudo isso que estamos passando é porque não soubemos preparar e renovar os quadros, para que daí se trabalhasse uma grande unidade em torno do clube e, por conseguinte, da sua profissionalização.

E a gente se vê então obrigado - perdoe-me a sinceridade - a ver o clube a mercê de uma amadorismo desproposital, com lutas feudais, vaidades, rancores e tudo que o esporte moderno não requer mais.

Isso é coisa de décadas atrás. Até mesmo nossos rivais, mesmo despreparados na organização, já começaram a perceber e superar isso!

Estou muito triste com tudo que está ocorrendo no seio do nosso glorioso Sport.

Confesso que já estou até descrente dos rumos do nosso clube.

Afinal, a gente gira, gira, gira mais uma vez, para cair no mesmo ponto de sempre.

Com os mesmo atores de sempre, revelando -perdoe-me mais uma vez - suas vaidades e seus rancores.

Quando concorri duas vezes e não fui entendido, tentei pelo menos passar essa mensagem de BASTA.

Afinal, o Sport precisava (e parece continuar precisando) de rumos para uma gestão diferente, que expurgue todos esses anacronismos de gestão, que derivam de emoções pessoais.

Só que agora sou apenas candidato a ver tudo isso, pelo menos, da minha simples cadeira cativa instalada na Ilha do Retiro.

Mas, diante dessa situação, qual o grau de confiança que eu e tantos outros "pobres mortais" teremos que suportar diante de tanta "imortalidade" junta?

Afinal, todos são companheiros rubro-negros, que possuem uma história digna de registro no clube, mas que não conseguem vê-lo de uma forma, que não pelas lentes do atraso.

Milton fez um magnífico trabalho, em todos os sentidos, seja no campo da gestão, como no campo de jogo.

É responsável por um título nacional que ninguém jamais ousou de questionar por todos país.

Reconheço esses méritos e tornei público isso.

Mas, o Presidente não poderia abrir mão desse crédito, iniciativa que chegou a sinalizar para uma unidade em torno dele, por maior que fosse a pressão pessoal.

Afinal, ele não se propõe a estar no Conselho e ainda mais ajudar no futebol?

Por que não segurar então a Presidência?

A diferença não é tão grande assim.

Insisto: todas essas conseqüências poderiam ter sido medidas lá atrás, para que se evitasse esse confronto inócuo.

Resultado: uma decisão que nos empurra - agora sim - para o abismo de uma eleição que irá deixar, irreversivelmente, algumas seqüelas graves. E - o que é pior - poderá trazer conseqüências danosas para o desempenho do clube, no curtíssimo prazo. Uma pena!

Meu amigo, preciso amadurecer esse momento inglório, que não combina com a fase que o Sport vive.

Estou muito decepcionado com todos.

Amigos dos dois lados, mas que não conseguem enxergar o momento ímpar do clube.

Uma forte decepção toma mesmo conta de mim. Pela desistência de Milton.

Pelo afã de poder dos adversários de hoje e correligionários de ontem.

Era exatamente um grupo uno, que reuniu forças para me derrotar, quando minha arma era apenas idéias novas, que até hoje não sabemos como encontrá-las e implantá-las. Sem arrodeios.

Todos deveriam pensar um pouco mais no clube, que nesse momento, não necesitaria passar por tamanha turbulência. Foi-se o "céu de brigadeiro", que eu pensava estar vivendo no nosso amado Sport.

Abraços e saudações rubro-negras do seu eterno companheiro de lutas.

Alfredo Bertini

Por Juca Kfouri às 15h36

Mesmo sem jogar, Ronaldo ainda é um fenômeno

Ronaldo Fenômeno nem assinou contrato ainda com o Corinthians e já virou a grande notícia do fim da temporada.

Não se fala mais nem no hexacampeão nacional nem no "caso Nero".

O marketing do Corinthians marcou um inquestionável golaço, para ficar nos assuntos do marketing.

Mas o que decide no futebol são os gols feitos nos gramados, não nos gabinetes.

E a interrogação sobre a capacidade de Ronaldo voltar a marcá-los é fenomenal.

Só mesmo ali por março do ano que vem se poderá fazer uma avaliação mais realista sobre a agitação que tomou conta de nosso futebol a partir da manhã de ontem.

Até lá, prudência e caldo de galinha não farão mal a ninguém.

Quem, no entanto, gosta de futebol acima das paixões clubísticas certamente torcerá para que Ronaldo ressurja com o talento que trouxe do berço.

Comentário para o Jornal da CBN desta quarta-feira, 10 de dezembro de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

Por Juca Kfouri às 01h17

09/12/2008

Os fenômenos do Corinthians

Por ROBERTO VIEIRA

O Corinthians não teve Pelé.

Mas teve Mané.

E agora, ao que parece, terá Ronaldo.

Pelé não jogou no Timão.

Mas assombrou gerações de corintianos.

O Rei jogava?

O Corinthians não era campeão.

Já Mané Garrincha vestiu a camisa do Corinthians por 13 vezes.

Porém, existem sérias dúvidas se chegou a jogar pelo clube.

Marcou dois gols antes da Copa de 66.

Deu alguns dribles.

Conseguiu seu sonho:

Ser convocado para a seleção de Feola.

O resto é livro de história.

Agora chegou a vez de Ronaldo.

O maior artilheiro de todas as Copas.

Uma mistura de Pelé e Mané.

Na precocidade e no extra-campo.

Contusões e confusões em profusão.

Talvez, no Corinthians, Ronaldo seja um novo Mané.

Poucos jogos, poucos gols, uma convocação política, marketing virtual.

Quem sabe, no Corinthians, Ronaldo tenha instantes de Pelé.

Belos gols, repentes de gênio, marketing real.

Difícil alguma conclusão.

Apenas uma coisa é certa.

O marketing do Parque São Jorge é outro.

Baseado numa regra mais antiga que as dezessete regras do futebol:

Fenômeno corintiano não entra em campo.

Bate bola é nas arquibancadas...

Por Juca Kfouri às 16h40

O fim do 'caso Nero'

Com 4000 respostas, 41% dos céticos acreditam que o "caso Nero" (resolvi tirar o nome do Tardelli da história) acabará em pizza à brasileira.

Outros 37% apostam que terminará como o "caso do gás", ou seja, em nada.

E apenas 22% indicam que terminará pornograficamente, à moda Madonna.

Por Juca Kfouri às 14h04

Futebol$Marketing

Marketing é meio, não é fim.

Há muito confusão no Brasil ainda sobre o que é marketing esportivo.

Tem quem, por exemplo, imagine que fazer anúncio em programa de esportes é fazer marketing esportivo.

A contratação de Ronaldo se inscreve claramente entre aquelas ações cujos fins são mais importantes que os meios.

E, por quê?

Porque o menos importante é saber em que condições Ronaldo estará em 2009 para jogar futebol, sabendo-se que pareça impossível que, aos 32 anos, ele repita o milagre da Copa de 2002, quando surpreendeu o mundo da medicina com sua espantosa recuperação.

Mas, então, ele tinha 26 anos.

Ronaldo traz ganhos imediatos à imagem do Corinthians, que terá seu nome exposto na imprensa mundial.

Certamente terá um tratamento diferente dos demais, porque seu caso exige e é possível que a serenidade de Mano Menezes convença seus jogadores de que é injusto tratar igualmente os desiguais.

E atrairá, sem dúvida, não só patrocinadores, mas o consumo imediato de seus produtos atrelado à marca do Fenômeno.

Mesmo que à custa do que parece essencial, ou seja, o desempenho esportivo, coisa que deveria sempre vir em primeiro lugar, mas que, novamente, vira detalhe.

Festa mesmo deve estar fazendo o presidente da Federação Paulista de Futebol.

O Fenômeno salvou Nero, ao tirá-lo das manchetes.

 

Por Juca Kfouri às 13h56

Ronaldo Fenômeno e o Corinthians

Acabo de falar com Luís Paulo Rosemberg, vice-presidente de marketing do Corinthians.

Ele estava chegando do Rio de Janeiro.

Eufórico!

"Pode anunciar que eu duvido muito de que o Ronaldo Fenômeno não vá assinar com a gente nas próximas horas. Faltam só alguns detalhes..."

"Você enlouqueceu de vez?", pergunto.

"Ele quer a Copa do Mundo de 2010. Se quisesse só dinheiro iria para o Manchester City ou para o mundo árabe, onde as ofertas são estratosféricas. Se quisesse só gozar a vida, ficaria no Flamengo, com as maravilhas do Rio. Mas está disposto a abrir mão de grana e de mostrar que quer voltar para valer. E conosco, pode escrever. Sim, aqui tem um bando de loucos, mas, repito, pode escrever".

"E como pagar?", repergunto.

"Vou dar participação nos calções, hipótese só plausível com ele, nas mangas, em eventuais amistosos e, convenha, com o anúncio da vinda dele fica mais fácil conseguir patrocinadores para tudo isso. E se ele voltar a jogar 30% do que já jogou, será de novo o melhor do país na posição."

Desligo, incrédulo.

Antes, ouço nova demonstração de euforia: "Pode escrever, pode escrever, tenho um nome a zelar."

Por Juca Kfouri às 12h34

No 'Lance', de hoje

Lições do campeonato

O DESPERTAR DAS ILUSÕES

Por JOSÉ LUIZ PORTELLA 

O Palmeiras iludiu-se com Luxemburgo. O Palmeiras e a Traffic.

O Fluminense iludiu-se com Renato Gaúcho; o Vasco, com Roberto Dinamite; o Flamengo, com Márcio Braga e Caio Jr.

O despertar é de ressaca.

O Palmeiras entregou-se a Luxemburgo.

Ele teve a Traffic; portanto, dinheiro e os jogadores que quis.

Rejeitou a vários.

Como sempre, quis adotar o modelo all inclusive (tudo incluído).

Você contrata Luxemburgo por um custo absurdo, acima da própria capacidade de receita.

Ele vem com uma comissão técnica caríssima e passa a mandar em tudo.

 Ninguém entende de nada; só ele sabe de futebol, de gestão, de tudo.

O pacote deu nisso: o pior posto na classificação para a Libertadores com um elenco que promete não passar da fase de grupos.

Algo que outros técnicos menos cotados e com salários muito inferiores já o fizeram.

O custo não valeu o benefício.

O Fluminense tinha time para estar na zona da Libertadores.

Abriu mão disso ao entrar na do Renato Gaúcho, no início do campeonato.

Amargou um ponto ganho no Brasileirão por várias rodadas para poupar o elenco em fase prematura.

 Acreditou nessa de comando absoluto do técnico!

Roberto Dinamite pensou que a simpatia seria suficiente.

Quando entrou, não trocou a estrutura de Eurico, não fez a remodelação necessária.

Depois, acreditou que um boleiro amigo (o Tita) resolveria.

Solução atual da moda: coloca um boleiro de técnico ou gerente que resolve.

Porque ele fala a linguagem do jogador. Só que ser boleiro não assegura capacidade de gestão nem conhecimento técnico.

Na seqüência, Dinamite entrega o poder para Renato Gaúcho, que chega com os mesmos erros do Flu.

E com quem não tem nem afinidade de idéias. Na reta decisiva, ficaram brigando em público.

O Flamengo deixou-se levar pelo discurso presunçoso de um presidente que abre champanhe antes da conquista e teve por Caio Jr a mesma ilusão que nutriu o Palmeiras.

De fato, Caio é uma figura decente no futebol; mas essa condição, necessária, não é suficiente para dirigir times de ponta em momentos de decisão.

 Márcio é retórica. E isso não resolve: ilude.

No meio de todas essas ilusões brotou o São Paulo, campeão.

Parabéns ao Tricolor.

Que fez a sua parte sem brilho, sem administração de S/A, como disseram.

O São Paulo, que poderia ser vanguarda do futebol brasileiro, não avança.

Deve se perguntar por que fazer mais se assim é o suficiente?

Se a concorrência não o estimula, deixa como está.

Os clubes concorrentes estão a ajudar o Tricolor ser campeão.

Iludidos, além de optarem pela figuração permanente, eles atrasam o avanço do futebol brasileiro.

Por Juca Kfouri às 11h01

Total de pontos ganhos em pontos corridos desde 2003

Por CONRADO GIACOMINI

1. São Paulo - 448 pontos

2. Santos - 406 pontos

3. Cruzeiro - 396 pontos

4. Inter - 394 pontos

5. Goiás - 364 pontos

6. Atlético/PR - 355 pontos

7. Flamengo - 352 pontos

8. Fluminense - 338 pontos

9. Figueirense - 335 pontos

10. Vasco - 317 pontos

11. Palmeiras - 316 pontos

12. Corinthians - 311 pontos

13. Grêmio - 286 pontos

14. Paraná - 281 pontos

15. Atlético/MG - 275 pontos

16. Botafogo - 269 pontos

17. Juventude - 266 pontos

18. Coritiba - 237 pontos

19. São Caetano - 215 pontos

20. Ponte Preta - 204 pontos

21. Vitória - 156 pontos

22. Paysandu - 146 pontos

23. Fortaleza - 142 pontos

24. Criciúma - 110 pontos

25. Guarani - 110 pontos

26. Sport - 103 pontos

27. Náutico - 93 pontos

28. Bahia - 46 pontos

29. Brasiliense - 41 pontos

30. Lusa - 38 pontos

31. Ipatinga - 35 pontos

32. Santa Cruz - 28 pontos

33. América - 17 pontos

Por Juca Kfouri às 10h41

Os melhores do Brasileirão-2008

Esta eleita a seleção oficial do Brasileirão-2008.

Sem surpresas, embora permita, como sempre, controvérsias.

Muricy Ramalho foi eleito pela quarta vez consecutiva o melhor técnico.

Hernanes foi escolhido como o craque do campeonato e Keirrison como a revelação.

O time mais votado é composto por Victor, Leonardo Moura, Thiago Silva, Miranda e Juan; Ramires, Hernanes, Diego Souza e Alex; Kléber Pereira e Alex Mineiro.

Este blogueiro prefere o lateral Vítor, do Goiás, a Léo Moura, Jorge Wagner a Juan, Wagner, do Cruzeiro, a Diego Souza e Nilmar e Guilherme a Kléber Pereira e Alex Mineiro, assim como acha que o melhor técnico tenha sido Celso Roth, com elenco inferior e muito mais barato do que o do São Paulo.

Leonardo Gaciba, também pela quarta vez, ficou com o título de melhor árbitro, embora, aí, quem sabe, ele seja, no máximo, o menos ruim.

E ainda não foi desta vez que a polêmica taça das bolinhas encontrou seu destinatário...

Por Juca Kfouri às 01h34

É hoje!

Hoje, a partir das 19h, Thomaz Farkas autografará mais um de seus belos livros, "Pacaembu", pela DBA, 142 páginas, a R$ 90, em formato de livro de mesa.

O local não poderia ser mais apropriado, o Museu do Futebol, em São Paulo.

Segue, abaixo, o texto que fiz para apresentá-lo no livro:

"Quando o extraordinário jogador Ferenc Puskas pisou o gramado do Pacaembu não podia nem passar por sua cabeça que, bem antes dele, um outro artista húngaro já houvera imortalizado aquele estádio.

Thomaz Farkas é o nome da fera.

Puskas, chamado de o Major Galopante da seleção magiar que encantou o mundo em 1954 e do Honved ("defensores da pátria"), está para o futebol moderno assim como Farkas para a revolução da fotografia moderna no Brasil.

Se o artilheiro húngaro teve a seu lado companheiros brilhantes como Sandor Kocsis, Bozsic e Czibor, Farkas faz questão de citar Geraldo de Barros, José Oiticica Filho e José Yalenti, além de rejeitar, em sua invencível modéstia, o papel de número 1, que atribui a Barros..

O campeoníssimo Honved veio jogar no Pacaembu no dia seguinte ao aniversário de 403 anos de São Paulo, dia 26 de janeiro de 1957, e derrotou o Flamengo por 6 a 4.

Tenho uma vaga lembrança deste jogo, porque a extinta TV Tupi quis transmiti-lo mas não se dispôs a pagar por isso, razão pela qual foi impedida de entrar no estádio.

Planejou-se, então, instalar câmeras fora do estádio, providência neutralizada diante da ameaça dos organizadores da partida de botar bambus nos espaços que permitiriam a visão da TV.

Mas essas são memórias de tenra infância, ainda antes deste escriba completar 7 anos.

Farkas não foi ao jogo nem se lembra dele.

Aliás, Farkas, embora goste de futebol, gosta mesmo é de gente, razão pela qual sempre se ligou muito mais na torcida do que no que acontece dentro de campo, sendo raras suas fotos de jogo.

Em compensação, seu material que retrata a construção do Pacaembu, os arredores do estádio e a presença de público, revela uma São Paulo e um Brasil tocantes, que se perdeu no tempo e no espaço, materializado apenas na poesia das fotos de Farkas, sempre em branco e preto, cores, por sinal, de seu time de coração, o Corinthians.

Corinthians que é responsável pela primeira lembrança bem viva de minha infância, porque dois anos antes da visita do Honved, mais exatamente no dia 6 de fevereiro de 1955, ganhou, no mesmo Pacaembu, o título de campeão do IV Centenário de São Paulo, ao empatar 1 a 1 com o Palmeiras.

Vi o jogo pela TV, com meu pai e meus dois irmãos, na casa de João Marino, que viria, muitos anos mais tarde, virar o braço direito de Pietro Maria Bardi no Museu de Arte de São Paulo, o mesmo Bardi que, um dia, abrigara aqueles jovens fotógrafos cheios de idéias novas na cabeça..

Título conquistado, fomos ao recém inaugurado Parque do Ibirapuera para comemorar a façanha.

As lembranças de Farkas são bem anteriores, do final dos anos 30, quando, estudante de Engenharia da Politécnica, acompanhava as obras, assim como do dia 27 de abril de 1940, quando o estádio foi inaugurado com a presença de Getúlio Vargas, que havia imposto a ditadura do Estado Novo.

Vargas tinha ao seu lado o interventor federal Ademar de Barros, o do "rouba , mas faz", e o prefeito Prestes Maia, até hoje tido como o melhor que a cidade conheceu.

Farkas morava perto do Pacaembu, Terras Alagadas, em Tupi-Guarani.

A vantagem óbvia deste brasileiro nascido em Budapeste e que chegou a São Paulo em 1930, com pouco mais de 5 anos de idade, está em que suas memórias valem mais que mil palavras, pois estampadas nas páginas que virão.

Diferentemente das minhas, que não encontram nas palavras a poesia de cada uma de suas fotos.

Tenho por Farkas antiga admiração, antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente, entre outros motivos porque produziu o fabuloso documentário "Subterrâneos do Futebol", dirigido por Maurice Capovilla, feito nos anos 60 e terrivelmente atual até hoje.

Quis o destino ser generoso a ponto de nos tornar amigos, logo depois de nos ter tornado vizinhos, ambos moradores do mesmo prédio, cuja melhor vista é, acredite, exatamente o portão principal do estádio municipal.

O Pacaembu de Farkas é uma homenagem ao romantismo e a uma cidade e a um Brasil que quase vingaram, mas que ficou no quase.

O meu é quase o palco de minha vida.

Conto por que, retratado em pedaços de mim, cada um de 90 minutos, um pouco mais, um pouco menos.

Porque no Pacaembu vi Pelé jogar como goleiro, como vi Mane Garrincha consolar seu algoz, como vi o drama de Tostão ao descolar a retina na noite em que se inaugurou, no lugar da inesquecível Concha Acústica, o monstruoso Tobogã, obra da arquitetura fascista como o Minhocão, só possíveis em época de ditaduras.

Ao Pacaembu eu ia mais cedo, para ver o time aspirante do Corinthians jogar em meados dos anos 60, na verdade para ver Roberto Rivellino, o melhor jogador da quase centenária história corintiana.

No Pacaembu vi Ademir da Guia dar um show solo que poucas vezes alguém foi capaz de dar em qualquer outro estádio do mundo.

E no mesmo ano da visita do Honved, vi o São Paulo ser campeão paulista ao derrotar o Corinthians por 3 a1, numa tarde que ficou conhecida como "a tarde das garrafadas", graças ao inconformismo da torcida alvinegra com o terceiro gol tricolor, marcado por Maurinho no imortal goleiro Gilmar dos Santos Neves.

Extrema coincidência, o técnico do São Paulo era o húngaro Bela Gutman, que viera com o Honved na excursão de 1957, inovador dos padrões táticos de nosso futebol, como Farkas, mais uma vez.

Seguem, portanto, cinco lembranças, todas no Pacaembu, hoje chamado Paulo Machado de Carvalho, em homenagem ao Marechal da Vitória das Copas de 1958 e 1962.

São trechos de lembranças, em ordem cronológica, já publicadas no livro "Meninos, eu vi", desta mesma DBA em parceria com a Lance! Editorial, em 2003. "

Por Juca Kfouri às 01h15

08/12/2008

Do blog do Fernando Rodrigues

Por Fernando Rodrigues

O futebol, o Brasil e a meritocracia 

Há ainda um cheiro de pré-história sob vários aspectos quando se trata da organização do esporte mais popular do país. Mas também são inegáveis alguns avanços no futebol.

 A conquista do campeonato brasileiro de 2008 pelo São Paulo Futebol Clube ajuda a disseminar no Brasil um valor quase inexistente no país: a meritocracia. Vence quem se esforça e trabalha mais ao longo de todo o campeonato.

 Os torcedores de outros times ficam chateados, claro. Reclamam do gol irregular do SPFC no jogo de ontem (7.dez.08), contra o Goiás, na vitória por 1 a 0 (o atacante Borges estava impedido). Fala-se também que o SPFC não jogou um futebol dos sonhos ao longo da competição (é verdade).

Os mais atentos também deverão notar que os erros de arbitragem ocorreram para todos os lados no campeonato. Para citar apenas um, em 17 de agosto, o Grêmio ganhou do São Paulo por 1 a 0 com um gol de Perea também totalmente impedido.

 Sobre jogar um futebol mais vistoso, cheio de lances "a la seleção de 82", a pergunta que fica é: qual equipe no futebol hipercompetitivo de hoje consegue atuar dessa forma? Resposta: nenhuma.

 Tudo somado, a vitória do São Paulo representa a premiação, por mérito, à equipe que mais se preparou e se organizou para vencer. O SPFC gasta R$ 12 milhões por ano em um centro de treinamento fora da cidade de São Paulo, onde treinam cerca de 400 garotos. O técnico do SPFC, Muricy Ramalho, é um dos mais longevos no cargo no Brasil, mostrando que a regularidade administrativa é um valor necessário não apenas em governos e empresas, mas também no esporte.

Antes, o futebol era cheio de octogonais e quadrangulares decisivos. Havia rebolos, repescagens e chances de viradas de mesa. Equipes completamente desorganizadas, sem interesse pelos treinos diários, acabavam vencendo um ou dois jogos no final do ano e sagravam-se campeãs.

Nos últimos seis anos, equipes tradicionais tiveram de se submeter a uma passagem pela segunda divisão do futebol. Palmeiras, Grêmio e Corinthians são exemplos de superação. Devem ser aplaudidos. Desceram e subiram pelos seus próprios méritos. Mereceram cair. Mereceram subir. Assim deve ser em todos os setores da sociedade.

Alguns classificarão de sociologia antropológica de botequim, mas há uma mensagem relevante no futebol. No passado, com a bagunça de campeonatos com 40, 60 e até 100 times, chaves coloridas e vale-tudo no final, a mensagem era: não adianta trabalhar duro todos os dias; no Brasil, no final sempre dá-se um jeitinho de obter uma vitória "no talento" (sic).

 A imensa maioria dos brasileiros ama o futebol. O sistema de disputa dos campeonatos nacionais exerce grande influência sobre uma massa enorme de pessoas. A bagunça reinante no passado deseducava os cidadãos por exalar um péssimo costume: "Trabalhar e se esforçar para quê? Quando chegar a hora 'h', a gente sempre dá um jeito".

 Pelo atual modelo de pontos corridos (iniciado em 2003 e historicamente defendido pelo meu amigo e também blogueiro Juca Kfouri), é sempre enorme a chance de o campeão ser o que mais se prepara e o que tem a estrutura mais séria. Todo jogo é importante. Todo dia é dia de trabalho. Para ser campeão brasileiro de futebol agora é necessário jogar todas as partidas como se fossem a última (comento no final as últimas suspeitas de fraude nas arbitragens).

 Milhões de brasileiros humildes têm no futebol uma de suas únicas alegrias. Agora, de maneira subliminar, esses mesmos brasileiros podem enxergar no esporte algo além do jogo. As disputas entre os 20 times da elite do futebol são também um exemplo de como o mais aplicado acaba, quase sempre, premiado ao final.

A possibilidade de cair para a segunda divisão e voltar pelo seu esforço próprio é também um incentivo a todos os brasileiros.

 Acostumado a fazer a cobertura da política brasileira, recheada de casuísmos e fisiologia, é alentador ver o futebol dar um exemplo de continuidade e regras claras.

Tudo isso não é pouca coisa. A meritocracia é uma característica vital de sociedades desenvolvidas. É bom que no Brasil comece a vigorar exatamente na mais popular de todas as manifestações culturais, o futebol.

 Uma ressalva e uma revelação:

1)     nem sempre o melhor, mais preparado e mais esforçado pode vencer no campeonato de pontos corridos. É verdade. São exceções que confirmarão a regra. Mas nos seis campeonatos até agora realizados, ninguém tem dúvida sobre a justiça dos resultados (Cruzeiro, Santos, Corinthians e SPFC foram os melhores quando venceram).

Há também sempre o risco do "fator extra-campo": quando árbitros são subornados ou forçados a produzir determinados resultados. É o Brasil profundo. O campeonato de 2008 teve (como outros anteriores) suspeitas sérias de pressão criminosa nos bastidores. Ainda não há notícias suficientes para julgar o que se passou neste ano, mas será lamentável se acabar surgindo evidência de manipulação de resultados por parte das arbitragens/dirigentes. Perderá o futebol, mas perderá muito mais o Brasil.

 2)     Torço para o SPFC. Hexa. 

http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

Por Juca Kfouri às 14h58

São Paulo, o maior campeão

Em 38 campeonatos brasileiros, o São Paulo ganhou seis, quase 1/6 deles.

É o primeiro hexacampeão alternadamente e o primeiro tricampeão consecutivo.

Os paulistas, que terão seis times no ano que vem, ganharam o quinto dos seis campeonatos brasileiros em pontos corridos.

E o 17o. título nacional, quase a metade dos campeonatos disputados.

A última rodada teve 32 gols e média de público na casa dos 26 mil pagantes, inferior apenas à 35a. rodada, que teve média de 28 mil torcedores.

A média geral do campeonato fica na casa dos 17 mil torcedores pagantes por jogo.

O São Paulo se firma cada vez mais como o maior vencedor do futebol brasileiro, único, também, tricampeão da Libertadores e Mundial.

E é o mais jovem dos grandes clubes do país, todos perto ou com mais de 100 anos, enquanto o tricolor completará 75 em 2010.

Imagina se não fosse...

Por Juca Kfouri às 00h02

Um mito chamado Quarentinha

Maior artilheiro da história do Botafogo, Quarentinha virou livro.

Que será lançado hoje à noite, às 19h,  no Rio, na Livraria Unibanco Arteplex, na Praia do Botafogo, 316.

De autoria de Rafael Casé, editor do Observatório da Imprensa, "O artilheiro que não sorria", é da editora Livrosdefutebol.com e tem prefácio do imortal João Ubaldo Ribeiro.

São 332 páginas, pouco mais que uma para cada gol de Quarentinha com a camisa do Glorioso (foram 313 com a Estrela Solitária e 488 na carreira), por R$ 40.

Um lançamento precioso que acaba em golaço, desses para comemorar sorrindo.

www.livrosdefutebol.com

 

Por Juca Kfouri às 00h00

07/12/2008

Artilharia 100%!

Pela primeira vez, 100% de acerto neste blog.

Acertaram os 51,33% que votaram em Keirisson para artilheiro, os 31,75% que indicaram Kléber Pereira e os 16,72% que preferiram Washington.

Porque os três acabaram com 21 gols.

Por Juca Kfouri às 19h13

São Paulo, indiscutível tri/hexacampeão!

Joedson Alves

Tinha um time em campo em busca de ser campeão.

E que jogava com a determinação dos campeões, ao não deixar o adversário jogar.

O São Paulo marcava a saída de bola do Goiás no Bezerrão lotado de tricolores e ganhava a esmagadora maioria das divididas.

Apesar disso, a primeira grande chance de gol só aconteceu aos 19 minutos, em bela descida de Vítor pela direita e uma furada de Paulo Baier ao tentar fazer, de letra, o que seria o primeiro gol.

Então, no minuto seguinte, Borges foi derrubado dentro da meia-lua da área esmeraldina.

Rogério Ceni bateu muito bem, Harley defendeu parcialmente, Hugo pegou mal no rebote, mas a bola sobrou para Borges, em impedimento, fazer 1 a 0, aos 22. 

O leitor deste blog sabe que aqui se considera que certos gols, mesmo em impedimento, devem ser validados, porque em dúvida pró gol.

Não foi, no entanto, o que aconteceu neste lance, porque a posição de impedimento era muito clara e fácil de ser marcada, sozinho na pequena área, 1m31 impedido.

O bandeirinha teria achado que o gol fora contra do zagueiro goiano.

Sorte do São Paulo, azar do Grêmio que, no Olímpico, seguia sem gols diante do Galo, com dois gols mineiros bem anulados por impedimentos, um deles muito mais difícil do que o do Bezerrão.

Com sol, chuva e arco-íris, o segundo tempo começou com o Goiás indo com tudo, como se, de fato, se não uma mala, ao menos umas frasqueiras estivessem em oferta.

Richarlyson, o substituto de Jean, não refazia a grande dupla de volantes do ano passado com Hernanes, mas fazia uma partida estupenda, no sacrifício de seguir Paulo Baier o tempo inteiro, o campo todo.

Dagoberto, tão criticado diante do Fluminense, também cumpria com bela atuação.

E Hugo, de cabeça, fez Harley fazer uma defesa impressionante, à queima-roupa, aos 12.

Chovia uma barbaridade no Planalto Central, o que só animava a massa tri/hexacampeã, que se refrescava na tarde calorenta.

Sem Iarley, suspenso, e sem Romerito, no banco, o Goiás não era nem sombra do Goiás de outras paradas neste Brasileirão.

Mas não desistia.

Aos 23, o São Paulo perdeu o segundo gol duas vezes, na nova defesa de Harley em bola imperdível de Borges cara-a-cara pela esuqerda e no rebote, com Dagoberto batendo cruzado na trave direita.

Romerito entrou, quando a chuva era ainda mais impressionante e o São Paulo ameaçava com o segundo gol, enquanto o Grêmio, com Tcheco, de pênalti, tinha feito 1 a 0, aos 17, no Olímpico, para fazer, em seguida, 2 a 0 com Soares, aos 37.

Era tarde.

Era tarde do São Paulo, mais uma vez  campeão. 

Por Juca Kfouri às 18h59

Furacão salva o Verdão e Cruzeiro cumpre

O Atlético Paranaense tocou uma goleada de criar bicho no Flamengo (5 a 3), se salvou e salvou a honra do Palmeiras que, no Palestra Itália, conseguiu perder para o desinteressado Botafogo, por 1 a0.

O Cruzeiro enfiou 4 a 1 na Lusa, de virada no Mineirão, e ficou em honroso terceiro lugar.

O Palmeiras disputará a pré-Libertadores, contra um time boliviano, provavelmente na altitude.

Para o investimento que fez, atingiu o mínimo no Brasileirão.

Por Juca Kfouri às 18h56

Caiu o mundo vascaíno

O Vasco não fez nem o resultado em casa.

Também se fizesse não teria adiantado.

Mas perdeu para o Vitória por 2 a 0 em São Januário com 23 mil torcedores.

Como Palmeiras e Corinthians, um tetracampeão brasileiro caído.

Não teve nem Mustafá Contursi nem Alberto Dualib a infelicitá-lo, mas teve alguém muito pior, a nefasta figura de Eurico Miranda.

Ninguém resiste.

Agora, com gente decente, é hora de reconstruir.

O Rio ficará com apenas três times na Série A, contra seis paulistas.

O Figueirense, mesmo ganhando do Inter por 3 a 1, também caiu.

Mais uma tristeza para a castigada Santa Catarina que, no entanto, terá o Avaí.

Mas a Série B, neste ano, será B de Basco.

Por Juca Kfouri às 18h55

Caso Tardelli-6

Marco Polo del Nero e Reinaldo Carneiro Bastos não se dão bem.

Presidente e vice da FPF apenas se aturam.

Tudo começou quando Eduardo Farah resolveu cair fora da entidade, atazanado que andava com os oficiais de Justiça, seqüelas da CPI do Futebol.

Farah achou melhor desfrutar em paz das benesses acumuladas nos anos de cartolagem e negociou que seria substituído por Bastos, em comum acordo com Nero que, por mais velho, teria o direito estatutário de sucedê-lo.

Na hora agá, no entanto, Nero não cumpriu o acordo e assumiu.

Desde então vive uma relação de mera conveniência com seu vice, algo que, ao que tudo indica, achou de por fim ao revelar as íntimas relações entre Bastos e Juvenal Juvêncio, o presidente do São Paulo.

As secretárias de ambos são muito amigas e por meio delas são freqüentes as cortesias do São Paulo com Bastos que, aparentemente, comete atos generosos com o chapéu alheio, na distribuição de ingressos, convites etc.

Bastos, lembremos, foi acusado pelo famigerado Edílson Pereira de Carvalho de pressioná-lo para manipular resultados.

À época, Bastos prometeu até processar o ex-árbitro banido do futebol.

Neste caso que envolveu o nome de Wagner Tardelli, a secretária de Juvêncio teria, segundo Nero, mencionado o nome do árbitro com um dos destinatários de convites para o show de Madonna.

Por Juca Kfouri às 16h21

Caso Tardelli-5

A versão que parece definitiva para o "caso Tardelli", que poderia ser chamado de "caso Pilatos":

Reinaldo Carneiro Bastos, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, pediu ingressos para o show da Madonna que acontecerá no Morumbi.

A direção do São Paulo mandou, devidamente protocolado, como cortesia.

Marco Polo del Nero, presidente da FPF, soube, e ligou para Ricardo Teixeira, para fazer uma intriga, para mostrar, segundo uma fonte na CBF, "que o São Paulo está sempre fazendo essas coisas, que não deveria, ainda mais na véspera de uma decisão".

Daí o rompimento do São Paulo com a FPF, anunciado na manhã deste domingo.

Teixeira, preocupado com sua imagem que imagina ser hoje melhor do que foi ontem, consultou seus assessores midiáticos, Mário Rosa e Rodrigo Paiva, que o aconselharam,  pelo sim, pelo não, a cortar o mal pela raiz e afastar o árbitro, única pessoa que poderia lhe trazer problemas. 

E o cartola cogita, amanhã, mandar a FPF se explicar, até porque Nero conseguiu, no ano em que a CBF ganhou a Copa de 2014 no Brasil, estragar o climax do seu campeonato nacional.

Mais ou menos como botar fogo em Roma.

Por Juca Kfouri às 13h07

Porque hoje é domingo

Por ROBERTO VIEIRA

Hoje é domingo, ontem foi sábado

o futebol brasileiro ferve em ondas como o mar

o Bonde de São Januário pode abandonar os trilhos

mas uma combinação de resultados pode a cruz de Malta salvar.

Nesse momento uma mala viaja na imaginação

porque hoje é domingo

nesse momento um torcedor imagina corrupção

porque hoje é domingo

nesse momento um juiz é afastado da competição

porque hoje é domingo

nesse momento alguém nos deve uma explicação

porque hoje é domingo

nesse momento batem em uníssono o coração

de cada criança, velho, mulher, homem, moribundo e tembém dos ateus

todos pedindo uma ajudinha de Deus

porque hoje é domingo

porque hoje é domingo

nesse momento só respiram os colorados

os apaixonados pelo Coritiba, pelo Vitória, pelo Leão

porque hoje é domingo

e domingo é dia de decisão.

Porque hoje é domingo, e ontem foi sábado

tudo é possível, até imaginar a segunda-feira

com a entrevista dos derrotados, dos sobreviventes e do campeão

e, por que não?

De Ricardo Teixeira!

Por Juca Kfouri às 11h56

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

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