Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

24/01/2009

Deu no 'A Tarde', de hoje

MPE desmascara Maracajá

NESTOR MENDES JR. ❚ Jornalista, autor de Bahia Esporte Clube da Felicidade - 70 Anos de Glórias.

"Há homens que lutam a vida inteira e são imprescindíveis".

Tomo os versos do dramaturgo alemão Brecht para saudar os membros do Ministério Público da Bahia. No fundo, são as vozes do cidadão, que, em geral, se sente impotente diante do sistema construído justamente para favorecer os poderosos - os políticos e os donos da grana.

E, neste espaço, felicito a bravura do MP baiano na figura de dois dos seus integrantes, os procuradores Rita Tourinho e Carlos Frederico Brito dos Santos. Graças ao empenho e coragem pessoal dos dois, caiu oficialmente um dos maiores "muros" da Bahia: o que ocultava, embora até mesmo todas as pedras seculares do Pelourinho soubessem, a dupla função de Paulo Virgílio Maracajá Pereira.

Sem meias-palavras, o inquérito civil, instaurado pelo MP estadual em junho de 2008, concluiu que o conselheiro exercia paralelamente à função pública a "atividade clandestina de cogestor de uma instituição privada, no caso o E.C. Bahia". "Utilizando-se de 'testasde-ferro' que atuam como 'gestores de fachada', o conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios, Paulo Maracajá, exerce, de fato, a gestão do Esporte Clube Bahia, em violação à Lei Orgânica dos Tribunais de Contas do Estado da Bahia e afrontando princípios constitucionais da administração pública, especialmente os da legalidade e da lealdade às instituições", apontou o relatório do MPE.

As acusações e provas, em sua grande maioria, foram produzidas pelo próprio "eterno presidente" ou, para alguns, "grande coveiro", do Bahia. Escudado na impunidade e, também, na capacidade que tinha em comprar as vozes de alguns radialistas, o investigado não se dava nem ao trabalho de esconder suas atitudes. É o típico caso em que o processo é mais uma peça de autoacusação.

Em depoimento para o livro Bora Bahêeea!, do jornalista Bob Fernandes, publicado em 2003, Maracajá debochava: "Existem, em todos os setores, os bons e os maus. Existem excelentes dirigentes e maus dirigentes. Cada um deve pagar por aquilo que fez. Todos os dirigentes, que são homens públicos, têm de ter sigilo bancário quebrado, têm de ser investigados, têm de informar o patrimônio... Daria em branco. Homens públicos têm de estar sujeitos a perguntas, a investigações". Quando, enfim, por conta deste inquérito no MPE, a Justiça baiana determinou a quebra do seu sigilo bancário e fiscal, ele mudou de opinião, impetrando um mandado de segurança e obtendo uma medida liminar para impedir a investigação de sua vida financeira.

A conclusão do inquérito do MPE não deixa dúvidas: "O grau de intromissão do agente público Paulo Maracajá na administração do E.C. Bahia é realmente colossal, a ponto de podermos afirmar que, com um 'aficionado' tão onipresente e dedicado, o clube não precisaria de presidente...". Cópia do inquérito civil foi encaminhada para o TCM e para a Promotoria de Justiça de Combate à Improbidade Administrativa

Por Juca Kfouri às 22h26

Keirrison, 9

Keirrison estreou no passeio do Palmeiras sobre o Mogi Mirim, 3 a 0, em Ribeirão Preto.

O menino fez dois gols.

Um de pênalti, outro por cobertura.

E deu passes, e criou, autêntico moderno camisa 9.

E saiu mais cedo, cansado, para ser aplaudido.

Nota 9 na estréia.

Cá entre nós, se votasse na sondagem ao lado, votaria no Palmeiras.

Mas não espalhe...

Por Juca Kfouri às 19h05

Leônidas e Ronaldo

Por ROBERTO VIEIRA

No dia 24 de janeiro de 2004, falecia Leônidas da Silva. 

O primeiro artilheiro brasileiro em Copas do Mundo. 

Leônidas que todo mundo conhece pelas bicicletas. 

Leônidas, o Diamante Negro. 

Pra quem imagina que Leônidas foi unanimidade em seu tempo. 

Engano. 

Leônidas foi uma espécie de Ronaldo do seu tempo. 

Um craque amado, mas polêmico. 

Pelo menos em duas oportunidades seus destinos se confundem. 

Em 1938, Leônidas foi acusado de ter 'perdido' a Copa do Mundo para a Itália. 

Fingindo uma pretensa contusão. 

Como Ronaldo, sessenta anos depois, sentindo uma convulsão. 

Leônidas também deixou o Flamengo a ver navios em 1942. 

Trocando Noel Rosa pelos Demônios da Garoa. 

Foi recebido em festa inesquecível pela torcida do São Paulo. 

Tal qual Ronaldo, recusando os braços rubro negros. 

Para cair nos laços da Fiel corintiana. 

Leônidas e Ronaldo marcaram, juntos, 23 gols em Copa do Mundo. 

Uma fábula.

Em qualquer país, seriam deuses. 

Estátuas. 

Xamãs. 

No Brasil, muita gente torce o nariz. 

Acha pouco. Irrisório. 

Preferem falar das noitadas. 

Do alistamento militar. 

Do tecido adiposo.

Por Juca Kfouri às 11h49

23/01/2009

Mais uma da FPF

O Estatuto do Torcedor, em seu artigo 20, parágrafo primeiro, determina que, nas competições em sistema de mata-mata, a venda de ingressos seja realizada, no mínimo, 48 horas antes das rodadas.

A Taça São Paulo de futebol junior, que será decidida neste domingo, no entanto, só venderá ingressos para a finalíssima a partir de sábado, depois que os finalistas sejam conhecidos nos jogos desta noite entre São Paulo e Atlético Paranaense e Corinthians e Avaí.

A FPF não só mudou as datas das semifinais, originalmente previstas para ontem, como se recusa a atender o que manda lei com relação  à venda de ingressos.

Além de, também, desrespeitar o intervalo legal de 72 horas entre os jogos de uma mesma equipe.

O que dá a qualquer cidadão o direito de acionar a entidade.

Por Juca Kfouri às 15h22

Em Jerusalém

Sim, dará motivo para 1000 piadas sobre um corintiano no Muro das Lamentações.

Mas a foto é ótima.

Falta saber o autor.

Por Juca Kfouri às 13h48

Muro da vergonha

Luciano Bivar, ex-presidente do Sport e um dia candidato a presidente do Brasil, brigou com o irmão Milton, também ex-presidente do rubro-negro do Recife.

E levou uma tunda nas últimas eleições do clube.

Enraivecido, ergueu um muro para separar sua casa da do irmão no litoral pernambucano e, não satisfeito com a desfeita, só mandou rebocar um lado da barreira. 

Por Juca Kfouri às 02h06

Timão nervoso, Peixe tranquilo

Estava num avião voltando para casa e não vi Corinthians 2, Barueri 2, no Pacaembu com 25 mil torcedores.

Vi, agora, os melhores momentos.

Que foram poucos.

Fio-me no que li dos próprios alvinegros, reconhecendo má jornada e intranquilidade.

Seja como for, pela TV, o primeiro gol do Barueri foi em impedimento e o segundo fruto de um pênalti inexistente para fazer 2 a 0.

Já os do Corinthians, de Chicão, também de pênalti, e de Jorge Henrique, foram legais e no fim do jogo.

Souza ainda mandou uma bola no travessão no último minuto.

Não foi justo, mas talvez sirva como alerta.

Goiás, Botafogo e Sport, todos da Série A, ganharam do Corinthians no ano passado, embora os dois primeiros tenham acabado eliminados na Copa do Brasil.

O Barueri também está na Série A do Brasileiro...

Já o Santos estou tranquilo ao vencer o Guaratinguetá, na Vila, por 2 a 0, com dois gols do artilheiro Kléber Pereira diante de 12 mil torcedores.

Por Juca Kfouri às 02h05

22/01/2009

NA FOLHA de hoje

Belluzzo não!

JUCA KFOURI

O Palmeiras está em vias de eleger um presidente que será terrível para os demais

NA PRÓXIMA segunda, o Palmeiras caminha para eleger o economista Luiz Gonzaga Belluzzo como seu novo presidente.

Corintianos, são-paulinos e santistas que torçam pela vitória da oposição, que significará a volta de Mustafá Contursi e sua gente ao comando alviverde.

Porque, se Belluzzo vencer, algo de realmente novo acontecerá no cenário do futebol brasileiro, algo que associado à força da nação palmeirense e sua história de lutas e glórias poderá significar uma nova hegemonia -e sob uma nova roupagem, a da inteligência associada à ética e aos bons costumes.

Eleito poucos anos atrás como um dos cem economistas heterodoxos mais importantes do século 20 e Intelectual do Ano, o professor Belluzzo também é capaz de substituir sua racionalidade e doçura pela paixão que o futebol desperta, a ponto de trocar socos com torcedores uruguaios num jogo do Palmeiras em Montevidéu.

Mas é incapaz de, por exemplo, pisotear a decência para vencer um jogo ou ganhar um título.

Pode até, e já aconteceu, comprar uma causa perdida em nome de sua agremiação, mas sempre em seu prejuízo, nunca no da sociedade.

Se um dia Telê Santana desabafou ao dizer que futebol não é coisa para gente séria, um verdadeiro paradoxo e um paradoxo verdadeiro para quem era sério e viveu sua vida toda no futebol, o professor Belluzzo será mais um estranho no ninho, embora conheça bem o ninho.

Ele é daqueles torcedores que no poder ou fora não abandonam suas cores e que são incapazes de tirar o que seja deles, ao contrário, são de se sacrificar pelo seu sucesso.

Intelectual independente, capaz de ser conselheiro de Lula e amigo de José Serra ao mesmo tempo e de ser sócio de Mino Carta, ferrenho crítico do governador paulista, na revista “Carta Capital”, Belluzzo não romperá com o status quo nem afrontará a CBF como gostaria -e seria de bom alvitre-, pois não é de seu estilo.

Mas será uma voz que tanto o presidente da República quanto o governador deverão ouvir, agora sobre as mazelas do futebol.

E trará uma nova visão das coisas, por mais que tenha de conviver com os interesses conflitantes de uma Traffic ou com a simulação de eficiência de seu atual treinador, além das inúmeras contradições do “Muda, Palmeiras”.

Belluzzo na presidência tem potencial para ser para o Palmeiras o que Pelé foi para o Santos, o que Rogério Ceni é para o São Paulo e o que os corintianos sonham que Ronaldo venha a ser.

Por isso, não-palmeirenses, torçam contra ele.

Por Juca Kfouri às 17h15

Filho de estrela

O árbitro da Fifa Wilson Souza de Mendonça está ensinando os segredos do apito ao filho, de 17 anos.

Filho que batizou com nome surreal: Wild Star de Mendonça.

Se não for tão confuso como o pai, vá lá que seja mesmo selvagem.

Por Juca Kfouri às 16h30

Livro de recordes

Neco, técnico do Salgueiro, da primeira divisão pernambucana, tem nada menos que 53 irmãos.

Em sua família não há almoços nem mesmo banquetes.

Só convenções.

Por Juca Kfouri às 00h06

21/01/2009

Nos estaduais, não é nada, não é nada...

O campeão brasileiro só empatou, em casa, com o Ituano, 1 a 1.

O vice-campeão ficou no 1 a 1 com o Inter de Santa Maria, fora.

Já o quarto colocado venceu o Santo André, por apenas 1 a 0.

E o campeão da Copa Sul-Americana não passou de um 0 a 0 com o Santa Cruz, também em casa.

Mas alguém duvida que São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Inter sobrarão em relação aos adversários da primeira rodada ao final?

É por isso que todos esses magros resultados não são nada mesmo.

Por Juca Kfouri às 23h56

O blog está de volta

De volta, mas devagar.

Até pegar no breu.

Porque foram 30 dias de férias mesmo.

Afastado de quase tudo que dissesse respeito ao futebol, exceção feita àquilo que diz respeito à paixão.

Você não encontrará aqui grande rigor em relação ao monstrinho da reforma ortográfica.

Nem espanto pela concessão de asilo ao italiano César Batistti, não só de acordo com a tradição brasileira como, também, pelo fato de ele ser acusado de crimes que nega e que já estariam prescritos no Brasil.

Além do mais, tais crimes podem lhe ter sido imputados porque já estava fora do alcance da polícia de seu país, prática comum naqueles tempos.

Mas nada justifica que a medida seja de autoria do ministro da Justiça, Tarso Genro.

Porque foi ele quem criminosamente deportou os pugilistas cubanos, que nem eram acusados de crime algum em Cuba, no mais vergonhoso episódio da história da diplomacia brasileira.

Aqui você encontra, no entanto, a dor com a perda de Rosa Branca, extraordinário jogador de basquete dos tempos de ouro do esporte no Brasil.

E a constatação de que o São Paulo voltou a contratar com cirúrgica competência, embora sem a espetacularidade das ações corintianas.

O Palmeiras, no entanto, também se reforçou bem e só o Santos patina entre os grandes de São Paulo.

Os gaúchos seguem firmes em sua louvável política de apostar no sócio-torcedor e em times competitivos, o Cruzeiro amadurece, o Galo tenta e os cariocas alternam boas tacadas do Flu com riscos como Zé Roberto, na Gávea, e certezas de problema como Carlos Alberto, em São Januário.

E vem aí os estaduais, estorvo em Minas, na Bahia, em Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná, passáveis no eixo Rio-São Paulo, desta vez auxiliados pela crise internacional que permite atrações que seriam ainda mais rentáveis se exploradas num regional entre os dois centros.

Daí aqui se rejeitar as expressões no aumentativo para tais competições, muito mais para Paulistinha que para Paulistão etc.

Que ninguém venha amanhã com a bobagem de dizer que este blog desmereceu o título estadual de um rival do time do dono do blog porque não foi o time do dono do blog -- que, aliás, é favorito no Paulistinha por ter se preparado melhor -- que o conquistou.

Ou que o blog desmerece o título do time do dono do blog por excesso de rigor...

Enfim, os estaduais serão acompanhados em marcha lenta.

Finalmente, porque esta nota já está grande demais como a primeira de 2009, reitero os votos de grande ano a todos.

E comunico que voltarei a me associar à Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo.

Trata-se de simples  reconhecimento de que as coisas, de fato, mudaram para melhor por lá diante da correta decisão de expulsar da entidade os responsáveis por um sítio de achaques no interior paulista.

Por Juca Kfouri às 00h09

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico