Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

07/02/2009

Cara do Brasil

Se o Brasil fosse um país sério, depois do programa que acaba de passar na ESPN-Brasil, mesmo sendo um canal de TV fechada, o COB e o ministério do Esporte estariam em maus lençóis.

O ministro cairia e o presidente do COB correria o risco de ser preso.

Ao contrário, no entanto, Carlos Nuzman deve estar ainda jantando nesta noite de sábado em algum restaurante caríssimo com a verba de representação que vem da Lei Piva e o ministro, mais modesto, pode estar comendo tapioca com seu cartão corporativo.

Mas, ao menos, o programa "Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo", cumpriu sua obrigação jornalística, de cabo a rabo e durante profundos 120 minutos.

Viu-se todo o descalabro, viram-se alguns heróis, até uma comunidade chamada de "Os chatos do Pan", gente cidadã.

Viu-se um Bernardinho numa saia justa, que concorda que o legado do Pan foi mentira, mas que acha que "devemos olhar para frente e aprender com os erros", sem nenhuma menção à punição aos responsáveis pela roubalheira no Rio.

E vimos uma família exemplar, a de César Cielo, sem papas na língua.

Não resolve nada, infelizmente, mas lava a alma.

Por Juca Kfouri às 23h34

São Pedro detona Santo André

A chuva que caiu no Pacaembu caiu, também, no estádio de Santo André.

E inundou os vestiários, com esgoto, inclusive.

O jogo foi cancelado.

E os funcionários do estádio confessaram que a inundação dos vestiários é habitual e que demora 48 horas para a esvaziar.

E a FPF aprova estádios nessas condições.

Ah, o jogo era contra o Marília, estava 1 a 0 para os donos da casa.

Deveria continuar amanhã, às 15h, mas, com vestiários inundados, a julgar pelo que disseram os funcionários do estádio Bruno José Daniel.

Ou, então, teriam de trabalhar a noite inteira para esvaziá-los.

Haja baldes!

E vamos fazer uma Copa do Mundo no Brasil.

Resultado: o jogo não tem data para recomeçar.

Em tempo: Bruno José Daniel era o pai do prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em 2002, morte vergonhosamente não esclarecida até hoje.

Por Juca Kfouri às 20h38

Empate no Pacaembu

O jogo recomeçou com a Portuguesa melhor do que estava.

E com o Corinthians pior.

Aí, aos 14, Ediglê foi expulso e abriu a possibilidade para o Corinthians retomar o comando da partida.

Só que a Lusa continuou mais perigosa.

Aos 20, Otácilio Neto entrou no lugar de Morais que retornou depois da suspensão, discretamente.

O jogo se afogava em mediocridade a cada minuto, não por causa do gramado, surpreendentemente em boas condições.

Mas provavelmente porque jogador de futebol não é iô-iô para recomeçar a jogar depois de mais de uma hora e vinte minutos de paralisação.

Aos 23, Jorge Henrique chutou de longe, a bola desviou num zagueiro luso e foi ao travessão de Vitor.

Aos 30, num lançamento longo, Jean falhou na cabeçada e o veterano Cristian fez 1 a 0 para a Lusa.

Com 10!

Quatro minutos depois, em bela jogada pela esquerda, Otacílio Neto, que é o melhor atacante do Corinthians apesar de não ser titular, empatou.

Em seguida, ele mesmo deu com açúcar para Elias quase virar, mas Vitor, mais uma vez, impediu. 

O empate ficou muito melhor para a Lusa, caiu do céu como a tempestade, e foi ruim para o Corinthians.

O jogo começou com 26 mil torcedores (23 mil pagantes) e acabou com menos da metade disso.

Por Juca Kfouri às 20h21

100% Fla

Com gols de Marcelinho Paraíba, de falta, e de Zé Roberto, quando faltavam quatro minutos para o jogo acabar, o Flamengo ganhou do Macaé, em Volta Redonda, e se manteve 100% em 2009, a exemplo do que acontece com o Palmeiras, o Cruzeiro e o Sport.

O Fla já é semifinalista da Taça Guanabara.

Por Juca Kfouri às 20h18

FPF irresponsável

A Federação Paulista de Futebol determinou que o árbitro voltasse atrás e o jogo entre Portuguesa e Corinthians recomecará daqui a uns 40 minutso.

Mesmo depois que o serviço de som do Pacaembu anunciou que a partida estava encerrada e muita gente foi embora.

O time do Corinthians já estava até de banho tomado, pronto para voltar para concentração.

A preservação dos atletas que se dane.

O show tem de continuar.

Até já.

Idiota sou eu em acreditar que o bom senso tinha prevalecido.

Por Juca Kfouri às 19h11

Pacaembu vira mar

Enquanto teve futebol, o Corinthians mandou no jogo e a Lusa se defendeu.

Com brilho, aliás, porque o goleiro reserva Vitor fechou o gol e impediu pelo menos três do alvinegro, dois com Souza.

Quando o segundo tempo começou, sem a menor condição por causa de uma tempestade sobre o Pacaembu, quase que o Corinthians marca por duas vezes.

Mas, aos 4 minutos, o bom senso prevaleceu e o jogo foi suspenso.

Deve recomeçar amanhã, às 15h, ou, quem sabe, ainda hoje, às 19h.

Duvideodó.

Por Juca Kfouri às 18h30

06/02/2009

Domingo divertido

Enfim, um fim de semana mais divertido no futebol dos estaduais, repletos de clássicos, alguns bem nacionais.

Pelo Paulistinha, às 17h no Palestra Itália, o atraente time do Palmeiras, 100% em 2009, pega o Santos que busca afirmação.

Pelo Pernambuquinho, Santa Cruz e Sport, ainda às 17h, o rubro-negro, também 100%, por uma vitória para ser campeão do turno.

Às 18h, no Barradão, em Salvador, pelo Baianinho, tem Ba-Vi.

E, às 19h10, Fluminense e Vasco se enfrentam no Maracanã pelo Carioquinha.

E, finalmente, pelo Gauchinho, tem Gre-Nal, às 19h30, no Colosso da Lagoa, em Erechim.

Pode ser que não tenhamos muito emoção.

Mas uma emoçãozinha aqui, outra ali, certamente haverá.

Por Juca Kfouri às 18h09

É amanhã, 21h30, na ESPN-Brasil!

POR MARCELO GOMES, editor de programas especiais da ESPN-Brasil

O Brasil Olímpico, uma prestação de contas à sociedade, documentário vencedor do prêmio Embratel de melhor reportagem esportiva em 2008, agora ganha uma nova edição.

É o "Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo" que irá ao ar neste sábado, às 21h30 da noite.

O novo documentário produzido pelo departamento de jornalismo da ESPN Brasil terá duração de duas horas com dezessete matérias especiais.

São mais de cinquenta entrevistados debatendo os assuntos mais polêmicos do esporte olímpico brasileiro.

Atletas, medalhistas olímpicos, dirigentes, deputados federais, senadores, técnicos, gestores esportivos, pesquisadores, professores de educação física e até o presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva discutem os rumos do esporte de alto rendimento no país.

"Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo" nada mais é que o lado obscuro, que não estará no dossiê final de candidatura aos Jogos do Rio de 2016, que será entregue pelo governo federal e o COB ao Comitê Olímpico Internacional no dia 12 de fevereiro.

No novo documentário da l você vai se surpreender com as histórias de bastidores contadas pelas famílias de César Cielo e Ketleyn Quadros. Ele o primeiro medalhista dourado da história da natação brasileira e ela a primeira medalhista olímpica, individual, do Brasil.

Você vai conhecer as histórias de dois boxeadores brasileiros que, por muito pouco, não colocaram no peito duas medalhas olímpicas que não vem há quarenta anos.

Washington Silva entrou no ringue em Pequim com uma grave lesão nos ligamentos do joelho.

Já Paulinho Carvalho, que também fechou a participação como o quinto melhor boxeador do mundo, tem na carteira profissional o registro de faxineiro.

O que mudou na vida destes atletas depois dos Jogos?

Você vai ficar de cabelo em pé, com as declarações desses lutadores.

Os debates passam também pela formação do professor de Educação Física no Brasil, a falta de espaços nas escolas, a falta de uma política nacional de esportes.

Aí você pergunta: "como podemos pensar em Olimpíada no Brasil se não temos um plano nacional de desenvolvimento esportivo?"

As respostas você irá encontrar nas reportagens feitas em todas as arenas e parques esportivos construídos para os jogos do Rio.

Nessa investida descobrimos histórias absurdas de falta de planejamento e má aplicação de dinheiro público nos jogos.

Você vai conhecer o único local, de todos que foram feitos para o pan, onde se pratica esporte.

Falamos também com a equipe técnica do Tribunal de Contas da União, órgão fiscalizador do governo que apresenta revelações bombásticas.

Outras pautas que serão abordadas no programa:

O drama de quem comprou gato por lebre. Os pesadelos daqueles que adquiriram apartamentos na vila do Pan.

A reeleição programada de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB.

E o desabafo do presidente da Confederação Brasileira de Badiminton, que votou contra a reeleição.

As audiências públicas no Senado e os rumos das leis que regem o esporte no país.

Aliás, foi em uma dessas audiências públicas que Nuzman também entrou para a história como o primeiro cidadão a abandonar uma convocação do senado.

A CPI mista que o Congresso vem mobilizando para investigar os rumos do dinheiro público no esporte.

Lei de incentivo ao esporte. "Só os grandes têm vez". A entrevista com a repórter do "Correio Braziliense" revela a força dos grandes, só dos grandes.

O descaso com o Maria Lenk. A reportagem de Bruno Lousada, do jornal "O Estado de S. Paulo", mostra que o complexo aquático "Maria Lenk" não poderá receber provas de natação, caso o Rio conquiste o direito de sediar os Jogos de 2016.

O estádio João Havelange foi uma boa?

Para o ex-prefeito César Maia que presenteou o Botafogo sim, mas para a população que mora nos arredores do estádio mais moderno do país...

Brasil 2016, vale a pena? Nossos entrevistados mostram os prós e os contras de uma candidatura bilionária.

São muitas questões e muitas discussões num programa que promete abalar as estruturas do esporte olímpico brasileiro.

Imperdível. Um documento para gravar, refletir e cobrar das autoridades um novo rumo para milhares de atletas que lutam para, quem sabe um dia, viver do esporte.

"Brasil Olímpico, uma candidatura passada a limpo" é o lado nebuloso do esporte, que francamente, não gostaríamos, mas temos o compromisso de apresentar.

Por Juca Kfouri às 14h44

E viva o pragmatismo

Apesar de ser amigo de um e não do outro, Ricardo Teixeira já abandonou a eventual candidatura tucana de Aécio Neves.

Diz que José Serra "tem mais apetite" pela presidência da República.

Deixa o Lula e a Dilma saberem disso...

Por Juca Kfouri às 12h12

05/02/2009

Róbson rouba a noite

Santos e São Caetano não saíam do 0 a 0 quando o paranaense Róbson, que veio do Mogi-Mirim, entrou em campo.

Antes, logo aos 2 minutos, adivinhe onde Roni mandou uma bola?

Na trave do Azulão, é claro!

Mas Róbson é diferente.

O primeiro chute que deu a gol foi bisonho.

No segundo, melhorou, mas o goleiro defendeu.

No terceiro, fez 1 a 0.

E, no quarto, fez 2 a 0.

Lúcio Flávio, que saiu no intervalo para Róbson entrar, está roubado.

Por Juca Kfouri às 23h19

Volta no Engenhão

O Botafogo vencia o Volta Redonda por 1 a 0 no primeiro tempo, no Engenhão.

Mas só por dois minutos, dos 28 ao 30, quando o Volta Redonda empatou.

No segundo tempo, Fabrício Carvalho virou e o Volta Redonda deu a volta no Fogão.

Só Flamengo e Americano estão invictos, e só o Mengo está 100%,  no Carioquinha. 

Por Juca Kfouri às 23h05

Sem comentários

E quer que se comente o que depois que o Fluminense perdeu para o Duque de Caxias, de virada, por 3 a 2?

E bem no dia em que Thiago Neves chegou e disse que a volta ao Flu é um passo atrás em sua carreira?

Melhor o barulho do silêncio.

Por Juca Kfouri às 21h19

E o Flamengo quebrou

 

Por AUGUSTO CESAR SANSÃO

2o. secretário do Conselho Fiscal do C.R. do Flamengo

 

O Flamengo quebrou.

Esta é uma lamentável verdade cujos avisos foram inumeramente dados pelo Conselho Fiscal. Entretanto, a instituição Flamengo não irá acabar porque é muito maior do que esses atuais elementos que irresponsável e inconsequentemente levaram o Clube a este estado de ruína.

Se tivessem um resto de dignidade deveriam pedir desculpas e sair para nunca mais voltarem.

A reunião extraordinária do Conselho de Administração retratou com fidelidade o atual quadro de descontrole e de incompetência dos homens que pensam que administram o Flamengo.

Para esta reunião foi elaborado um minucioso trabalho assinado pelo Presidente Marcio Braga e pelo atual VP de Finanças, Dr. Sebastião Pedrazzi e seu diretor Luiz Felipe Brandão. Ali, demonstraram que, se realmente acontecer, o Flamengo terá uma receita de R$95 milhões contra despesas imediatas por efeito de penhoras, acordos judiciais e descontos irrecorríveis no total de R$82 milhões, restando, assim, um saldo positivo de R$13 milhões.

Ocorre que, segundo os mesmos Senhores o Flamengo terá uma despesa para o ano de 2009 de R$87 milhões o que deixará a situação financeira do Clube com um buraco de R$75 milhões. O atual nível de insolvência do Clube mostra que temos R$0,12 para cada R$1,00 que devemos.

Na mesma reunião, o Presidente Marcio Braga apresenta um relatório encaminhado pelo ex gênio das finanças do Clube, o Sr. José Carlos Dias que afirma textualmente o superávit do Flamengo em R$50 milhões, que a receita projetada para 2009 é de R$140 milhões e que o nível de insolvência do Clube não é tão ruim pois, temos tem R$0,83 para cada R$1,00 que devemos.

Das duas uma: ou pensam que os Conselheiros são idiotas ou alguém está mentindo.

Entretanto, o que permaneceu claro na reunião foi o nível de irrealidade que vive o Presidente. Como pode ser avalista de dois estudos completamente distintos?

O destaque ficou por conta do Presidente do Conselho Fiscal, Dr. Leonardo Ribeiro, que com galhardia enfrentou o Presidente comprovando todas as falácias e inverdades já denunciadas pelo Conselho Fiscal. Sua ação se destacou pela coerência e coragem em mostrar os argumentos provados e comprovados aos Conselheiros presentes colocando o Presidente no seu devido lugar.

Os Conselheiros aprovaram a criação de uma Comissão Especial para ministrar a antecipação de R$10 milhões presidida pelo ícone da moralidade, o Grande Benemérito Dr. Roberto Abranches, seguido pelo ilustríssimo Benemérito Gilbert Prates e o Sr. Vinicius França.

E, como se encontra o Flamengo?

 

a) A Gávea não é patrimônio do Flamengo. É uma concessão de uso do Estado para fins de prática social e esportiva;

b) O Morro da Viúva, de propriedade do Flamengo, está submerso num volume de dívidas de IPTU em dezenas de milhões de reais;

c) O Centro de Treinamento, de propriedade do Flamengo, está penhorado resultado de uma briga judicial com o Consórcio Flamengo Plaza provocada pela irresponsabilidade administrativa de alguns que ainda andam por aí;

d) Por declaração do Vice Geral do Clube no período 2004/2008 (60 meses) o Flamengo arrecadou R$400 milhões de reais e quitou R$50 milhões em dívidas de curto prazo. Como realinhou R$200 milhões em dívidas para pagamento a longo prazo (Timemania) o que fizeram com os demais R$350 milhões?

O Flamengo não pode mais se dar ao luxo de ser administrado por ETs ou por pessoas que faltam com a verdade. A palavra de ordem é RECONSTRUÇÃO. É necessária a união de todos os homens de bem que desejam a recuperação da imagem, da glória,

Saudações Rubro-Negras.

Por Juca Kfouri às 17h35

A despedida

Por MINO CARTA

Quando escolhi o Brasil como lugar definitivo da minha vida, optei também pelo jornalismo.

Existe uma indissolúvel conexão entre as duas atitudes.

E explico.

Até o golpe de 1964, fui jornalista com séria dedicação profissional.

De alguma forma mercenário, no entanto.

Diga-se que, depois da renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, quando a pressão militar só permitiu a posse de João Goulart, sucessor constitucional, ao forçar a adoção do parlamentarismo, eu ficara de sobreaviso.

Mas o golpe se deu também sobre a minha alma e motivou minhas escolhas definitivas.

Entendi que fosse meu dever praticar o jornalismo em um país submetido à ditadura imposta pela classe dominante com a inestimável ajuda dos seus gendarmes, e que se uma única, escassa linha da minha escrita sobrasse para o futuro, teria conseguido conferir um mínimo de importância à minha profissão.

Faço questão de sublinhar que não agia desta maneira pelo Brasil, e sim por mim mesmo.

Quarenta e cinco anos depois, vivo uma quadra de extremo desalento, em contraposição às grandes esperanças alimentadas durante a ditadura.

Logo frustradas pela rejeição da emenda das eleições diretas após uma campanha a favor que honra o povo brasileiro.

Fez-se, pelo contrário, a conciliação das elites, nos exatos moldes previamente desenhados pelo general Golbery do Couto e Silva.

A aposta do Merlin do Planalto estava certa e vale até hoje.

Fez-se a conciliação para eleger Fernando Collor e para derrubá-lo.

E novamente para eleger Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998.

A Carta aos Brasileiros assinada por Lula foi uma tentativa de aparar arestas antes do pleito de 2002, aparentemente mal-sucedida, por ter convencido um número bastante diminuto de privilegiados.

A conciliação veio depois da posse, a despeito do ódio de classe que até o momento cega a mídia.

A mim, que estou de olhos escancarados, a Carta convenceu por considerá-la sincera.

Naquela época, não cansei de definir Lula como um conciliador desde os tempos da liderança sindical.

No governo, contudo, ele foi muito além das minhas expectativas.

Ou, por outra: deu para me decepcionar progressivamente.

O balanço de seis anos de Lula no poder não é animador, no meu entendimento.

A política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola.

Há quem diga: já é alguma coisa.

Respondo: é pouco, é uma migalha a cair da mesa de um banquete farto além da conta.

O desequilíbrio é monstruoso.

Na política ambiental abriu a porta aos transgênicos, cuidou mal da Amazônia, dispensou Marina Silva, admirável figura, para entregar o posto a um senhorzinho tão esvoaçante quanto seus coletes.

A política social pela enésima vez sequer esboçou um plano de reforma agrária e enfraqueceu os sindicatos.

E quanto ao poder político?

O Congresso acaba de eleger para a presidência do Senado José Sarney, senhor feudal do estado mais atrasado da Federação, estrategista da derrubada da emenda das diretas-já e mesmo assim, graças ao humor negro dos fados, presidente da República por cinco anos.

Outro que foi para o trono, no caso da Câmara, é Michel Temer, um ex-progressista capaz de optar vigorosamente pelo fisiologismo.

Reconstitui-se o "centrão" velho de guerra, uma das obras-primas da conciliação tradicional.

Enquanto isso, o Brasil ainda divide com Serra Leoa e Nigéria a primazia mundial da má distribuição de renda, exporta commodities, 55 mil brasileiros morrem assassinados todo ano, 5% ganham de 800 reais pra cima.

E 2009 promete ser bem pior que pretendiam os economistas do governo.

Houve, e há, justificadíssima grita quanto às privatizações processadas no governo FHC.

E que dizer do BNDES que empresta aos bilionários para armar a BrOi, a qual (é uma modesta previsão) acabará nas mãos de ouro de Carlos Slim?

E que dizer da compra pelo governo de 49% das ações do Banco Votorantim à beira da falência?

Em um ponto houve melhoras sensíveis, na política exterior.

E aí vem o caso Battisti.

Até este serve ao propósito da conciliação, a despeito das críticas bem fundamentadas da mídia.

O ministro Tarso Genro disse em Belém que a favor da extradição de Battisti se alinham os defensores da anistia aos torturadores da ditadura, "com exceção de Mino Carta".

Agradeço a referência, observo, porém, que o ministro cai em clamorosa contradição.

Não foi ele quem, em rompante que beira a sátira volteriana, sugeriu à Itália baixar uma lei da anistia igual àquela assinada no Brasil pelo ditador de plantão?

Talvez o ministro não saiba que enquanto no Brasil vigorou o Terror de Estado, na Itália houve uma gravíssima e fracassada tentativa terrorista de desestabilizar um Estado democrático de Direito estabelecido desde o fim do fascismo.

Se eu digo que o Festival de Besteira assola o País desde a época de Stanislaw Ponte Preta, e que se o ministro merece o Oscar do Febeapá, ao menos o professor Dalmo Dallari faz jus a uma citação, recebo as mensagens ferozes e as agressivas admoestações de centenas de patriotas.

Pois não é bobagem (sou condescendente) dizer que na Itália dos anos 70 estava no poder um governo de extrema-direita, ou que se Battisti for extraditado, de volta ao seu país corre até risco de vida?

Ou afirmar que Mestre e Milão, norte da península, são muito distantes, quando entre as duas cidades há menos de 200 quilômetros?

Sem contar que, como me levam a observar vários frequentadores do meu blog, Battisti foi o autor do homicídio de Mestre e apenas o idealizador daquele de Milão.

Está claro que o ministro Tarso não erra ao dizer que a mídia nativa está sempre a agredir o governo de Lula, e contra esta forma desvairada de preconceito CartaCapital tem se manifestado com frequência.

Ocorre que, ao referir-se à extradição negada a mídia está certa, antes de mais nada em função dos motivos alegados, a exibir ao mundo ignorância, falta de sensibilidade diplomática e irresponsabilidade política, ao afrontar um estado democrático amigo.

De todo modo, Battisti transcende sua personalidade de "assassino em estado puro", segundo um grande magistrado como o italiano Armando Spataro, para se prestar a uma operação que visa compactar o PT e empolgar um certo gênero de patriotas canarinhos.

Isto tudo me leva a uma conclusão desoladora, embora saiba de muitíssimos leitores generosos e fiéis: minha crença no jornalismo faliu.

Em matéria de furo n'água, produzi a Fossa de Mindanao, iludi-me demais, mea culpa.

Donde tomo as seguintes decisões: despeço-me deste blog e, por ora, calo-me em CartaCapital.

Creio que a revista ainda precise de minha longa experiência profissional, completa 60 anos no fim de 2009.

Eu confiei muito em Lula, por quem alimento amizade e afeto.

Entendo que o Brasil perde com ele uma oportunidade única e insisto em um ponto já levantado neste espaço: o próximo presidente da República não será um ex-metalúrgico com quem o povo identifica-se automaticamente.

Conforme demonstra aliás o índice de aprovação do presidente, cada vez mais dilatado.

Vai sobrar-me tempo para escrever um livro sobre o Brasil.

Talvez não ache editor, pouco importa, vou escrevê-lo de qualquer forma, quem sabe venha a ser premiado pela publicação póstuma.

Nota do blog: concorde ou discorde de Mino Carta, eis um exemplo de caráter.

Por Juca Kfouri às 16h55

Imperador proibe vaias

O Imperador do Brasil, Ricardo I, e Único, disse que cidade que vaiar a Seleção Brasileira não receberá mais seus jogos.

Está no diário "Lance!", de hoje.

Eu, hein?

Por Juca Kfouri às 15h24

Ronaldo rompe tradição

Fundado em 1900, jamais o Club Atlhetico Paulistano permitiu a entrada de alguém de bermuda ou de tênis em seu restaurante.

Até ontem.

Porque, ontem, recebeu, e muito bem, Ronaldo Fenômeno para almoçar.

De bermuda e tênis.

O que, hoje, está causando um certo rebu entre os quatrocentões que frequentam o tradicional clube do Jardim América.

Por Juca Kfouri às 14h23

Verdão passa por cima da altitude

Que o Real Potosí é ruim já era sabido depois da goleada que levou em Palestra Itália, na planície paulistana.

Mas pior que o time boliviano é a altitude de Potosí e, só por isso, o time assustou um pouco o Palmeiras, mandou uma bola na trave (tomou também, é verdade, de Willians) e viu o time brasileiro salvar gol na linha fatal, com Danilo.

Pois foi exatamente no lance seguinte ao quase gol boliviano que o Palmeiras, ainda no primeiro tempo, fez 1 a 0, num belíssimo gol de Cleiton Xavier, aos 29, o quinto dele em cinco jogos do alviverde em 2009, num passe perfeito do menino Keirrison.

O Verdão foi para o intervalo ganhando de 6 a 1 no placar agregado.

E sabia que o segundo tempo seria uma provação, uma violência inominável contra seus pulmões, narinas e cabeças.

Mas jogou com inteligência, apenas na base de administrar sua vantagem.

Aos 29 minutos, Keirrison aproveitou-se de uma recuada bisonha de bola, driblou o goleiro e ainda fez 2 a 0.

O Palmeiras esteve mais perto de fazer o terceiro gol do que de tomar um.

Agora é pensar na LDU, atual campeã da Libertadores, com quem jogará no dia 17 de fevereiro, em Quito, no Equador.

E depois no campeão chileno Colo-Colo e no campeão da Copa do Brasil, o Sport.

Uma dureza, mas perfeitamente superável na fase de grupos, quando duas equipes passam para as oitavas-de-final.

Domingo, certamente desgastado, receberá o Santos para tentar manter-se 100% no campeonato estadual.

Por Juca Kfouri às 00h50

Vaga maior que título

Com 2000 opiniões, nossa sondagem terminou quase igual à da ESP-Brasil: aqui, 53% preferem um quarto lugar no Brasileirão para ir à Libertadores e 47% optam pelo título estadual.

Lá, deu 52% a 48%.

Por Juca Kfouri às 00h41

Zebra só no sul do Brasil

Pelos estaduais, só uma surpresa: a derrota do misto do Grêmio, fora de casa, para o Veranópolis: 3 a 1.

E o tricolor chegou a estar perdendo por 3 a 0.

No Rio, Flamengo e Vasco cumpriram bem com suas obrigações.

O Flamengo ainda sofreu no primeiro tempo, quando só empatou com o Mesquita, 1 a 1, gol do estreante Zé Roberto.

No segundo, mais três gols, com direito a um de falta do goleiro Bruno: 4 a 1.

E o Vasco, em Volta Redonda, passou pelo Resende, de virada, também com gol de goleiro, Tiago, mas de pênalti: 3 a 1 sem maiores problemas.

Problemas teve o São Paulo, no Morumbi, diante do Bragantino, que saiu na frente numa falha grosseira de Rogério Ceni que, pior, se machucou outra vez e saiu de campo, ainda antes do fim do primeiro tempo.

Washigton, em belo arremate de fora da área, empatou.

No segundo tempo André Dias usou a cabeça para resolver o problema e garantiu, de também virada, a vitória tricolor: 2 a 1.

Já o Corinthians começou com tudo em Jundiaí e abriu o marcador com Elias logo de cara.

Mas parou e tomou o empate e a virada do Paulista, o segundo gol graças a um escorregão do goleiro Felipe.

Mas o Paulista recuou, tomou o empate de Chicão, de pênalti, e a virada definitiva, também de Chicão, batendo falta: 3 a 2.

Tudo normal.

Por Juca Kfouri às 00h00

04/02/2009

Nasceu o CONFAO

Foi fundado ontem em São Paulo o CONFAO, Conselho Nacional de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos.

Seus fundadores são o Minas Tênis Clube, o Esporte Clube Pinheiros, de São Paulo, a SOGIPA e o Clube Náutico União, de Porto Alegre, o Tijuca Tênis Clube, do Rio, além de Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco e Fluminense.

O CONFAO nasce reivindicando, ao menos, 30% dos recursos que a Lei Piva distribui exclusivamente para o Comitê Olímpico Brasileiro e para o Comitê Para-Olimpico Brasileiro, 85% para o COB, 15% para o CPB, oriundos de 2% de todas loterias nacionais.

Só para os Jogos de Pequim o COB recebeu cerca de 300 milhões de reais.

A iniciativa faz todo sentido, visto que quem de fato forma os atletas que representam o Brasil nas competições internacional fica a ver navios, enquanto o COB gasta mais da metade do que recebe apenas para custear seu aparato administrativo, um verdadeiro absurdo.

A esperança de que o CONFAO não se transforme no que acabou por acontecer com o Clube dos 13 no futebol está exatamente na participação de clubes sociais da envergadura de um Minas e de um Pinheiros, de quem se espera o comando das ações para pressionar o governo federal a atender uma reivindicação que precisa ser satisfeita.

O primeiro presidente da nova entidade é exatamente o presidente do Minas Tênis Clube, o economista Sérgio Bruno Zech Coelho, que foi campeão brasileiro de vôlei pelo clube e chegou à seleção brasileira.

Por Juca Kfouri às 00h42

03/02/2009

Caindo para a esquerda

Por  LUIZ PENCHIARI

Nota econômica

 

Em tempos de presidente economista, o ataque do Palmeiras domingo se mostrou com tendências Maxistas-Lennynistas. 

                        Nota: apesar de ter funcionado, ainda prefiro a corrente com os princípios Keirrisianos...

Nota séria: alertado por um comentário, o verdadeiro autor do trocadilho está devidamente registrado.

 

Por Juca Kfouri às 23h24

Copa do Brasil ganha fácil

Entre 2300 leitores deste blog, 78% preferem ver seus times campeões da Copa do Brasil a vê-lo campeão estadual.

Reproduzo, ao lado, nova sondagem, por sugestão do jornalista Rogerio Jovaneli, a mesma que, neste momento, está no ar no sítio da ESPN-Brasil (www.espnbrasil.com.br) e que, até agora, dá maioria (56%) para os que preferem ver seus times campeões estaduais a vê-los em quarto lugar no Brasileirão, que vale vaga na Libertadores.

Por Juca Kfouri às 15h25

Do jornalista Alexandre Machado, da TV Cultura

A ESPN-Brasil, por meio de seu diretor, José Trajano, anunciou ontem que não mais comparecerá às entrevistas de Muricy Ramalho, por causa de sua falta de educação com os repórteres.

Recebi do conceituado e experiente jornalista Alexandre Machado a mensagem que segue:

Caro Juca,

como você sabe sou fanático pelo São Paulo e fâ do trabalho do Muricy;

assisti ontem o Linha de Passe e penso existir uma erro na análise feita.

O Muricy não está falhando com a imprensa; ele falha com o torcedor.

Ele deve aprender que a coletiva não é com a imprensa.

A coletiva é com o torcedor.

Quando o jornalista pergunta, por exemplo, qual a dupla de ataque preferida por ele, quem está perguntando sou eu; sua resposta é para mim, torcedor.

Portanto o desaforo é comigo e não com o reporter da ESPN ou de qualquer outro veículo.

Fora a parte que os repórteres e os seres humanos em geral merecem, claro, maior consideração

Por Juca Kfouri às 15h17

E a pesquisa da TNS Sport continua

Preferência pelo Campeonato Estadual pelos torcedores dos clubes no Estado de origem:

 

CLUBE

PREFERÊNCIA

FLUMINENSE

10,34%

INTERNACIONAL

9,54%

ATLÉTICO MINEIRO

8,09%

FLAMENGO

7,85%

CORINTHIANS

7,77%

BOTAFOGO RJ

7,08%

CRUZEIRO

6,75%

SANTOS

6,74%

VASCO

5,92%

SÃO PAULO

5,74%

PALMEIRAS

5,43%

GRÊMIO

5,38%

Preferência pelo Campeonato Brasileiro pelos torcedores dos clubes no Estado de origem:

 

CLUBE

PREFERÊNCIA

CRUZEIRO

75,24%

PALMEIRAS

70,65%

SANTOS

70,22%

ATLÉTICO MINEIRO

68,94%

BOTAFOGO RJ

60,18%

CORINTHIANS

60,17%

FLUMINENSE

55,17%

SÃO PAULO

55,02%

FLAMENGO

50,96%

INTERNACIONAL

48,47%

VASCO

42,11%

GRÊMIO

41,36%

Preferência pela Copa do Brasil pelos torcedores dos clubes no Estado de origem:

 

CLUBE

PREFERÊNCIA

VASCO

25,66%

FLAMENGO

16,67%

GRÊMIO

15,86%

INTERNACIONAL

14,89%

BOTAFOGO RJ

14,16%

FLUMINENSE

13,79%

CORINTHIANS

12,89%

SÃO PAULO

12,68%

PALMEIRAS

8,70%

CRUZEIRO

8,68%

ATLÉTICO MINEIRO

8,51%

SANTOS

6,18%

Preferência pela Libertadores da América pelos torcedores dos clubes no Estado de origem:

 

CLUBE

PREFERÊNCIA

GRÊMIO

31,44%

SÃO PAULO

23,92%

INTERNACIONAL

19,85%

VASCO

18,42%

FLAMENGO

18,01%

FLUMINENSE

17,24%

CORINTHIANS

15,37%

SANTOS

14,61%

BOTAFOGO RJ

13,27%

ATLÉTICO MINEIRO

11,91%

PALMEIRAS

11,59%

CRUZEIRO

7,72%

 

Por Juca Kfouri às 15h10

Que campeonatos o Brasil prefere

A TNS Sport, braço esportivo nacional da líder mundial em pesquisa de mercado, realizou no final de novembro do ano passado uma pesquisa com 7007 entrevistados em mais de 356 municípios dos Brasil.

Uma das conclusões desse estudo é a preferência do torcedor brasileiro por outros campeonatos a despeito dos estaduais.

Faixa etária: a partir dos 16 anos.

Todos os níveis de escolaridade.

Universo pesquisado representa 85,2% do PIB do país.

Margem de erro de 1,2% para mais ou para menos.

Campeonato no Brasil de maior interesse do torcedor

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

56,67%

COPA DO BRASIL

13,77%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

13,70%

REGIONAL (ESTADUAL)

8,03%

NÃO SOUBE RESPONDER/NÃO LEMBRA

7,82%

Preferência por Campeonatos em alguns Estados

São Paulo:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

60,85%

COPA DO BRASIL

11,76%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

16,17%

REGIONAL (ESTADUAL)

6,94%

NSR/NÃO LEMBRA

4,29%

Rio de Janeiro:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

50,06%

COPA DO BRASIL

18,42%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

16,87%

REGIONAL (ESTADUAL)

7,55%

NSR/NÃO LEMBRA

7,10%

Rio Grande do Sul:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

45,71%

COPA DO BRASIL

15,43%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

25,00%

REGIONAL (ESTADUAL)

6,86%

NSR/NÃO LEMBRA

7,00%

Minas Gerais:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

66,92%

COPA DO BRASIL

9,81%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

10,13%

REGIONAL (ESTADUAL)

7,54%

NSR/NÃO LEMBRA

5,60%

Pernambuco:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

50,80%

COPA DO BRASIL

15,60%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

4,00%

REGIONAL (ESTADUAL)

16,80%

NSR/NÃO LEMBRA

12,80%

Bahia:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNIA

BRASILEIRO

55,60%

COPA DO BRASIL

15,60%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

7,60%

REGIONAL (ESTADUAL)

10,00%

NSR/NÃO LEMBRA

11,20%

Ceará:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

41,00%

COPA DO BRASIL

20,50%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

13,50%

REGIONAL (ESTADUAL)

11,50%

NSR/NÃO LEMBRA

13,50%

Goiás:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

56,50%

COPA DO BRASIL

16,50%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

9,50%

REGIONAL (ESTADUAL)

8,00%

NSR/NÃO LEMBRA

9,50%

Paraná:

 

CAMPEONATOS NO BRASIL

PREFERÊNCIA

BRASILEIRO

64,64%

COPA DO BRASIL

11,68%

LIBERTADORES DA AMÉRICA

11,36%

REGIONAL (ESTADUAL)

6,72%

NSR/NÃO LEMBRA

5,60%

 

Por Juca Kfouri às 14h56

Os recordes das traves de Itu

Passei a segunda-feira pesquisando se já houve antes um jogo de futebol com sete bolas na trave como o entre Ituano e Santos, seis delas chutadas pelo Santos, quatro por seu centroavante Kléber Pereira.

Pois não só não apareceu nem sequer um outro jogo com sete bolas no poste, como não apareceram também nem jogos nos quais um time tenha mandado meia-dúzia de pelotas na moldura, nem muito menos algum com quatro chutes na trave de um mesmo jogador.

Aparentemente, portanto, três marcas para o livro dos recordes.

E que só poderia ter acontecido em Itu, onde tudo é exagerado.

Comentário para o "Jornal da CBN desta terça-feira, 3 de fevereiro.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h18

02/02/2009

O que botar no lugar dos estaduais

Há quem diga que critico os estaduais e não apresento uma solução.

Apresento sim.

A solução que o nordeste quer, que o norte quer porque já deu certo lá e pelo sul maravilha.

Campeonato do Nordeste, Copa do Norte, Sul-Minas, Rio-São Paulo.

Copas regionais, enfim.

Que foram abortadas pelo conluío das federações com a CBF, cujo presidente elegem, e que vivem só dos estaduais.

Porque não só as copas regionais fizeram sucesso como deram lugar às ligas, o que mata de medo tanto as federações quanto a CBF.

A Globo Esporte, para não brigar nem com as federações mais poderosas nem muito menos com a CBF, topou o retrocesso.

Simples assim.

Por Juca Kfouri às 18h16

O campeonato paulista chove no molhado

Dos injustificáveis 20 times que participam do campeonato estadual paulista, seis estão na Série A do Campeonato Brasileiro:

os quatro grandes de São Paulo e o Santo André e o Grêmio Barueri.

O time de Barueri já tirou pontos do Corinthians, na primeira rodada, ao empatar 2 a 2 no Pacaembu.

O Santo André foi derrotado pelo Palmeiras na rodada inaugural, por 1 a 0, em Ribeirão Preto.

E ontem houve o terceiro jogo do Paulistinha entre times da primeira divisão nacional.

O Santo André surpreendeu o tricampeão brasileiro São Paulo, no Morumbi, ao derrotá-lo por 2 a 0.

Que o campeonato paulista é o mais forte técnica e economicamente do Brasil é fora de questão.

Basta dizer que São Paulo tem seis times na primeira divisão nacional, enquanto o Rio de Janeiro, o segundo em número de participantes, tem três, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco tem dois, e Bahia, Goiás e Santa Catarina tem um cada um.

Nem por isso, no entanto, o campeonato paulista empolga a não ser quando chega no final.

Porque em Santo André o time local tem incomparavelmente menos torcedores que os grandes da capital ou que o Santos, do litoral, situação idêntica à de Barueri.

Em resumo: tem mais são-paulino acordando triste em Santo André do que andreense feliz com a vitória no Morumbi.

Se em São Paulo é assim, imagina nos outros estados, onde os grandes jogam contra ninguém.

Por Juca Kfouri às 00h08

01/02/2009

Responda rápido

Um time que mete seis bolas na trave pode ganhar um jogo?

O Santos meteu.

O Ituano ganhou: 2 a 0.

Trave é azar do atacante ou do goleiro?

Sim, porque os goleiros dizem que bola iria para fora e acabou batendo no poste...

Por Juca Kfouri às 21h57

Palmeiras 100%, São Paulo ex-invicto

Lenny fez mais três gols!

Isso mesmo.

Empatou o jogo dos reservas do Palmeiras, contra a Ponte Preta, em Campinas, aos 14 do primeiro tempo, três minutos depois do gol da Macaca.

Virou no primeiro minuto do segundo tempo, mas viu a Ponte empatar no minuto seguinte.

Então, aos 45, marcou o terceiro, de pênalti.

Ótimo resultado para o líder do Paulistinha, em tarde iluminada.

Quem se deu mal foi o São Paulo, que perdeu uma invencibilidade de 22 jogos, desde agosto do ano passado, ao perder para o Santo André, por 2 a 0, no Morumbi.

Santo André que é azul como o Grêmio, o último que tinha vencido o tricolor paulista.

Que teve Washington em tarde de Souza, do Corinthians, ou dele mesmo, no Flu.

Perdeu gols e a chance de marcar, em seu sexto jogo no Morumbi, pela primeira vez na nova casa.

Já o time do ABC fez 1 a 0 aos 6 minutos do primeiro tempo e 2 a 0 aos 7 do segundo.

O homem mordeu o cachorro no Morumba.

Por Juca Kfouri às 19h00

Sanchez na cabeça

Com 2000 participações de corintianos, Andres Sanchez teve 56% da preferências, contra 33% para Paulo Garcia e 11% para Osmar Stábile nas próximas eleições no Parque São Jorge.

Por Juca Kfouri às 18h08

Felipão em apuros

O Chelsea perdeu um clássico de novo.

Desta vez por Liverpool, fora de casa, por 2 a 0, gols no penúltimo minuto e  nos acréscimos, de Torres.

Os azuis de Felipão não venceram nem sequer um dos adversários que lutam pelo título (Manchester United, Liverpool e Arsenal).

E agora há pouco o placar foi injusto, porque deveria ter sido, no mínimo, 4 a 0.

A vida é assim.

Se a contratação de Felipão pelo milionário Chelsea parecia um prêmio da loteria, não só não está sendo, como, ainda por cima, o clube deixou de ser tão milionário graças à crise financeira internacional.

Resta a Liga dos Campeões, maior sonho do time londrino.

Por Juca Kfouri às 15h54

Não é tudo, não é tudo: é Nadal!

Impossível Rafael Nadal.

Depois de uma maratona de mais de cinco horas na sexta-feira, disputou outra, hoje, também de quase cinco horas.

Ganhou de Roger Federer (7/5,3/6,7/6,3/6 e 6/2) no Aberto da Austrália, em Melbourne.

Impediu que o suíço empatasse com Sampras em conquistas de Grand Slams e não deixou dúvidas sobre quem é o número 1 do mundo.

Apesar de ser menos técnico que o suíço.

Um espanhol vence pela primeira vez na Austrália.

O tênis força está na frente do tênis arte...

E o choro de Federer, ao agradecer aos torcedores australianos, sem nem sequer conseguir terminar seu discurso na primeira tentativa, dá a medida de sua dor.

E de sua grandeza como um campeão ferido.

Realçada pelos elogios que fez ao gigante que o derrotou.

Gigante que, também numa demonstração de extraordinário espírito esportivo, estava constrangido por ter impedido, mais uma vez, que Federer se igualasse ao maior vitorioso da história do tênis.

Que jogo, que manhã gloriosa!

Valeu madrugar.

Por Juca Kfouri às 11h14

Assino embaixo

Na "Folha" de hoje

A Copa da Leviandade

JANIO DE FREITAS 

Se o custo fosse R$ 35 bilhões, equivaleria a mais de duas vezes o Orçamento da Educação


PREFEITOS de capitais e respectivos governadores estão empenhados em uma competição nunca ocorrida por aqui.

Para todos os ouvidos públicos, dizem tratar-se da disputa pela inclusão de sua capital entre as 12 que sediarão jogos da Copa do Mundo no Brasil, em 2014.

A verdade é um pouco menos modesta do que os prefeitos e governadores.

A conquista que eles buscam é incluir-se entre os 12 prefeitos e outros tantos governadores que vão estourar os cofres e muito futuro de suas capitais, e se necessário os dos Estados também, em benefício de sua popularidade eleitoral.

A Copa do Mundo é precedida pela Copa da Leviandade, promovida pelo governo Lula.

A estimativa de custo da Copa entregue a Lula no meio da semana, por suas eminências Joseph Blatter e Ricardo Teixeira, duas riquezas do peleguismo futebolístico que presidem a Fifa e a CBF, refere-se a R$ 35 bilhões calculados pela Fundação Getúlio Vargas.

Se o custo fosse aquele, equivaleria a duas vezes e mais 30% de todo o Orçamento para a Educação como será apresentado, amanhã, na reunião ministerial. Ou quase nove vezes o Orçamento para Ciência e Tecnologia.

Sabe-se, porém, que estimativas de custo de obras, no Brasil, são o que há de mais consagrado na ficção brasileira.

Bem, saber, não se sabe: vê-se.

Uma das batalhas de Juca Kfouri, a um só tempo inglórias e gloriosas, é a cobrança do relatório do Tribunal de Contas da União sobre o custo, e as mágicas que o fizeram, do Pan no Rio em 2006.

Dinheiro do Ministério do Esporte, da Prefeitura do Rio e do governo fluminense.

Pois nem o TCU cumpre o mínimo dever legal e público de divulgar suas constatações, quanto mais os que torraram, entre aplicações e divisões, o dinheiro público em que estimativas de R$ 50 milhões chegaram, na realidade, a dez vezes o estimado.

Sem explicação.

O que não se sabe, vê-se.

O Rio, há muito maltratado, foi abandonado de todo, para a prefeitura pagar o saldo de seus gastos e remendar as contas durante dois anos e meio, como prevenção parcial do risco de inquéritos e processos na sucessão.

Isso em uma capital com os recursos do Rio.

Uma cidade como Natal, cujo encanto não se traduz em dinheiro sequer em proporção aproximada, diz o noticiário que está gastando R$ 3,5 milhões só para engambelar a apresentação de sua candidatura.

Propõe-se a construir um estádio, com projeto encomendado na Inglaterra, de custo estimado em R$ 300 milhões.

Digamos, contra tudo, que a estimativa seja exata.

A cidade e a população de Natal não têm carências inatendidas até hoje por falta de R$ 300 milhões?

Na concepção eleitoreira e rentável, a continuidade, pelo tempo afora, das carências de Natal e das outras capitais de menor riqueza é compensada por três ou quatro jogos das oitavas da Copa.

O plano da cidade de São Paulo é exuberante.

São Paulo pode.

Mas seria interessante saber por que os bilhões paulistas, que entusiasmam o prefeito Gilberto Kassab ao se referir às obras para a Copa, não lhe dão o mesmo entusiasmo para usá-los, por exemplo, em obras corajosas que humanizem o neurotizante trânsito paulistano.

Das pequenas capitais à potência de São Paulo, só as quantias variam.

O desprezo pelas cidades e suas populações, presentes e futuras, é o mesmo.

Expresso na Copa das Leviandades.

 

Por Juca Kfouri às 09h54

Faço minhas as palavras dele

No "Estadão" de hoje

Estaduais são página virada

 

Ugo Giorgetti

Sempre fui um defensor dos campeonatos regionais, a começar pelo Paulista. Talvez por razões sentimentais, pela antiga ligação afetiva com essas disputas, nunca pensei que pudesse modificar meu pensamento quanto a suas existências. Chegou a hora. O Campeonato Paulista em particular, e creio que os demais campeonatos regionais também, não se justificam mais. Não há nenhum motivo para que perdurem, sobretudo porque não representam mais nada para o torcedor.

Um jogo aqui e outro ali terá alguma repercussão, principalmente quando times grandes se sentem em falta com sua torcida. Foi o caso do Palmeiras no ano passado, é o caso do Corinthians este ano. Haverá então algumas partidas que podem sacudir a torcida de sua indiferença. Só isso. O resto são os times grandes fazendo exibições pelo interior, para cidades que já não aparentam ter qualquer ligação com seus próprios times.

É só olhar as imagens. Faz muito tempo que não vejo, nos estádios do interior, a torcida do time local ser superior à de qualquer um dos times grandes de São Paulo. E não são torcedores da capital que teriam penosamente se deslocado interior a dentro para acompanhar seus times. São visivelmente torcedores locais que abandonaram suas equipes.

Sempre foi um pouco assim, devo admitir. Os grandes sempre tiveram contingentes respeitáveis de torcedores pelo interior. Mas nunca como agora. E o próprio torcedor da capital parece ter perdido muito do interesse pelos confrontos com equipes interioranas.

Alguém acha que 25 mil pessoas se dirigiriam ao Parque Antártica para ver Palmeiras e qualquer equipe do interior de São Paulo, com o mesmo entusiasmo com que foram ver o jogo contra o Real Potosi? E o Real Potosi é pior do que a maioria dos times que disputam o campeonato paulista.

O interesse, portanto, não era o time, mas a competição. O interesse do torcedor se desloca para outras disputas. Para o Brasileiro, para a Libertadores, sei lá. Essa é a dolorosa verdade para alguém, como eu, que sempre teve como uma de suas referências o Campeonato Paulista. Nem os dirigentes dos próprios clubes do interior acreditam mais em seus próprios times. Só interessa a eles os jogos contra os grandes quando podem aumentar absurdamente os ingressos, com a justificativa de salvar as finanças.

É preciso aceitar as mudanças e principalmente julgar as que são inevitáveis, e inclusive necessárias, tratando de separá-las cuidadosamente das que são artificiais, apenas fascínio tolo pelo novo. Acho que num tempo de distâncias mais difíceis de percorrer, num tempo de regionalismos mais exacerbados e mesmo de aceitação de um certo tipo de vida provinciana, o paulista tinha por que existir. Agora não tem mais. Nenhum time do interior se fixou entre os grandes, ao contrário, naufragam cada vez mais. As revelações são escassas, quando existem, os times em grande maioria são montados artificialmente por razões políticas ou estão em mãos de empresários que os montam e desmontam segundo suas próprias conveniências. Ppara culminar os jogos são de lascar. Vi uns dois ou três, difíceis de aturar.

Então para quê? Gostaria que acabasse também por uma questão pessoal, de dignidade. Esse velho torneio já foi grande, empolgante, vital. Prefiro que morra de uma vez do que vê-lo agonizando ingloriamente ano a ano. Ele não merece.

Por Juca Kfouri às 09h46

Uma emoção ressuscitada

Acabo de voltar 50 anos no tempo.

Acabo de ver o programa da ESPN-Brasil sobre o primeiro título mundial de basquete da seleção masculina do Brasil.

Mais um com a rara qualidade editorial de Helvídio Mattos.

Impossível não se emocionar com Wlamir Marques, com Amaury Pasos, Edson Bispo dos Santos, Pecente...

Impossível não se emocionar com Rosa Branca, que não pôde comemorar o cinquentário, pois morreu em fins de dezembro último.

Mas ele estava tão vivo no programa que, cá entre nós, descobri que Rosa Branca vive.

Como vivem todos que construíram as vitórias imortais do esporte brasileiro.

Por Juca Kfouri às 00h06

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico