Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

28/02/2009

Palmeiras ganha, mesmo prejudicado

Marquinhos perdeu um pênalti no primeiro tempo e saiu de campo sob vaias no segundo.

Deyvid Sacconi entrou em seu lugar, mudou a cara do jogo e fez o gol de vitória do Palmeiras sobre o Guarani por 1 a 0, sob os olhos de 12 mil torcedores em Palestra Itália.

Mesmo como time misto, mais reserva do que misto, o Palmeiras foi melhor o tempo inteiro e jogou contra 14.

Sim, porque o árbitro não deu um pênalti claro em Wendel também no primeiro tempo e os dois bandeirinhas erraram em lances capitais, um em cada tempo, impedindo que Marquinhos e Lenny marcassem.

Com um jogo a menos que os demais, o Verdão, no caso, o Verdinho, mantém a vantagem sobre seus concorrentes.

Por Juca Kfouri às 18h09

27/02/2009

Hora de parar para Ronaldo

Ronaldo está desmanchando seu nome.

Tem feito sua marca virar pó.

Não ajudou a trazer patrocínios para o Corinthians como se imaginava e só se mete em confusões.

Se ao lado do presidente imprudente e do diretor de futebol ou não é mero detalhe.

Porque nem Andrés Sanchez nem Antonio Carlos Zago representam nada no futebol mundial se comparado a ele, o Fenômeno.

Ronaldo tem todo o direito de viver como quiser e desfrutar do que acumulou pela sua vida de profissional do futebol.

Mas não consegue conviver com a ambiguidade da vontade de voltar a jogar bola de dia e de farrear à noite.

Por isso é que será melhor para ele anunciar que parou com o futebol.

Com o que não apenas não enganará mais ninguém, mas, sobretudo, deixará de se enganar.

Porque Ronaldo Fenômeno hoje é o Ronaldo Auto-Engano.

Infelizmente.

Por Juca Kfouri às 21h17

Aos amantes da fotografia

Como se dizia na redação da "Placar" de outros tempos quando a ordem era para não ser interrompido...a não ser que o motivo fosse:

"Pai é pai, mãe é mãe, filho é filho e capa é capa!"

O sítio do fotógrafo Daniel Kfouri andou com problemas técnicos e fora do ar nas últimas horas.

Mas já está normalizado.

E com fotos do Carnaval.

www.danielkfouri.com.br

Por Juca Kfouri às 01h22

Roberto Dinamita-se

Roberto Dinamite, o centroavante, foi um dois maiores ídolos da história do Vasco.

Graças a isso se elegeu deputado estadual.

Mau deputado, diga-se.

Fez dobradinha até com Eurico Miranda e, não satisfeito, ajudou a enterrar uma CPI do Futebol que quiseram instalar na Assembléia Legistativa do Rio.

Mesmo assim, com todo mundo sabendo disso muito bem sabido, ele teve apoio quase unânime da chamada sociedade civil quando resolveu bater chapa com Eurico Miranda nas eleições do Vasco.

Entre outras coisas porque foi humilhado, diante do filho, pelo truculento cartola na tribuna de honra de São Januário.

E porque tinha gente boa a cercá-lo.

Ele enfim ganhou a primeira eleição limpa que se fez no Vasco em muitos anos.

Seus melhores conselheiros lhe diziam para se cercar de gente que preenchesse suas deficiências.

E ele começou a trabalhar.

Mal, diga-se, a ponto de escolher Tita como técnico, de perder Morais para o Corinthians e acabar caindo para a segunda divisão, responsabilidade muito maior, no entanto, de Eurico Miranda, que deixou uma herança maldita mesmo, e com M maiúsculo.

Mas eis que pessoas boas começaram a abandonar o barco diante das práticas de Roberto Dinamite.

E ele foi bater na porta da CBF, pedir um empréstimo aqui, outro ali, até desistir, ontem, de lutar pelos direitos do seu clube na Taça Guanabara.

Enfim, já dá para afirmar com todas as letras: Roberto Dinamite é um mal muito menor que Eurico Miranda.

Mas não é a solução para o Vasco.

Infelizmente.

Por Juca Kfouri às 01h05

26/02/2009

Na 'Folha' de hoje

JUCA KFOURI

Júlio César, o número 1


O goleiro da Inter de Milão e da seleção brasileira atinge o auge da carreira e vira uma agradável garantia
CABEÇA QUENTE jamais foi uma qualidade, principalmente para goleiros, de quem se exige frieza, o absoluto domínio de suas emoções.

Gylmar dos Santos Neves, meu modelo de goleiro, era exatamente isso.

Frio e elegante, incapaz de um gesto parasita e tão seguro de si que, quando falhava, espanava o ombro como se estivesse tirando pó e dizia aos companheiros: "Vão pro jogo que aqui não entra mais nada".

Gylmar era tão bom que é o único goleiro bicampeão mundial de seleções e de clubes.

Minha desconfiança em relação aos goleiros de cabeça quente, que hoje tem em Fábio Costa o melhor exemplo, chegou a tal ponto que eu temia por Marcos, na Copa de 2002.

Temi, diga-se, na mesma proporção em que, depois, passei a considerá- -lo o melhor goleiro daquela Copa. Mas temi.

Jamais neguei as qualidades técnicas de Júlio César.

Mas sempre desconfiei de seu desequilíbrio emocional.

Bem sei que todo goleiro deve ter alguma coisa de maluco, mas sempre preferi os malucos calmos, como Dida, por exemplo.

Pois Júlio César vem calando a boca deste crítico, só para usar uma expressão que Dunga gosta de usar e que também serve para ele, pois foi quem fez do goleiro da Inter o titular da seleção.

Fato é que Júlio César, em vias de completar 30 anos, atingiu a maturidade, não tem feito mais as lambanças que marcaram sua carreira em diversos momentos e virou um paredão.

Quase intransponível.

Ou intransponível mesmo, como anteontem, em Milão, puderam comprovar os atacantes do Manchester United.

Depois de ter brilhado na seleção campeã da Copa América de 2004 e ido apenas como terceiro goleiro à Copa de 2006, Júlio César está pronto para ser o número 1 na África do Sul, entre outras coisas também porque é capaz de jogar com os pés com a mesma habilidade de Rogério Ceni, embora sem bater faltas como o goleiro tricolor.

Mas o que não falta na seleção são batedores de faltas.

E se Júlio César é mesmo o cara certo para o gol brasileiro, Doni está longe de ser o seu reserva ideal, registro que deve ser feito só para que Dunga não fique muito cheio de si.

Saudosismo

Todo Carnaval é a mesma coisa: o que mais se ouve é gente dizendo que Carnaval bom era o de antigamente.

Igualzinho ao que acontece com o futebol, pois não.

Pois já disse aqui que, se Pelé e Mané foram únicos, nem por isso deixo de me divertir com os Ronaldos e com Kaká, por exemplo.

Porque a nostalgia é muito mais dos tempos da juventude de cada um do que propriamente disso ou daquilo daqueles tempos.

Mesmo que, no caso deste ancião, a juventude tenha se passado em plena ditadura, com direito a conhecer a terrível Oban, na rua Tutóia, experiência que ensina não haver gradação ("ditabranda"!?) quando o regime é de terror, seja de direita ou de esquerda.

A saudade dos velhos Carnavais, do inocente lança-perfume que perdeu sua inocência, do sangue de diabo, quem se lembra?, é a mesma que sinto de Rivellino e Tostão.

Mas que Keirrison compensa.

Por Juca Kfouri às 20h49

Pró-memória-3

UBIRATAN BRASIL, FERNANDO RODRIGUES E MÁRIO MAGALHÃES

JULHO 19, 1994


Dirigente da CBF agride jornalista


Marco Antônio Teixeira, secretário-geral da entidade e tio de Ricardo, provoca confusão no hotel da seleção

Dos enviados a Los Angeles

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, embriagou-se na noite de anteontem depois da conquista do tetracampeonato.
Teve que ser conduzido para o seu quarto às 22h15 de domingo (2h15 da segunda-feira em Brasília) por seguranças do hotel Marriott, na cidade de Furlleton, próximo a Los Angeles, onde estava a seleção.

O presidente da CBF falava em voz alta, gesticulava bastante e andava de forma cambaleante pelo saguão do hotel.

Logo depois da partida entre Brasil e Itália, Teixeira foi para o hotel Marriott comemorar.

Quando era fotografado pelos repórteres, repetia: "Ganhamos, apesar da imprensa paulista, seus filhos da puta!"

Ricardo Teixeira acredita que a mídia de São Paulo fez campanha contra a seleção brasileira e que isso tenha prejudicado o time.

Não especifica como teria sido essa campanha contra a seleção.

Teixeira ficou sentado em uma das cadeiras do bar do hotel Marriott até às 21h40 de domingo (1h40 de segunda em Brasília).

Foi nesse horário que irritou-se com Wilson Pedrosa, fotógrafo do jornal "O Estado de S.Paulo".

O tio de Teixeira, Marco Antônio Teixeira, reclamou e disse que gostaria de retirar a câmera do fotógrafo.

Pedrosa se recusou a entregar a máquina.

Marco Antônio, que circulava pelo bar do hotel com uma garrafa de cerveja na mão, disse, referindo-se a Wilson Pedrosa: "Você é um babaca."

Estava próximo ao local o repórter Luís Antônio Prósperi, do "Jornal da Tarde."

Depois de identificá-lo pelo crachá de imprensa, Marco Antônio também se dirigiu a ele chamando-o de "babaca".

Prósperi rebateu: "Babaca é você."

Nesse momento, Marco Antônio Teixeira, que também é secretário-geral da CBF, deu um soco no nariz de Prósperi, que começou a sangrar imediatamente.

O repórter revidou a agressão com um soco no rosto do dirigente.

Sangrando também na altura do nariz, Marco Antônio sentou em uma cadeira, chorando.

A confusão atraiu todos os policiais de Furlleton que cuidavam da segurança no hotel –vários torcedores comemoravam e sambavam no hall.

Prósperi foi conduzido a um banheiro por outros jornalistas, onde foi tratado.

Marco Antônio e Ricardo Teixeira foram levados a um mezzanino do hotel, onde a seleção tinha acesso exclusivo.

No caminho, o presidente da CBF ainda chegou a fazer ameaças: "

Tira esse cara daqui", gritava ao policiais, referindo-se ao repórter.

Depois de passar vinte minutos no banheiro, que teve o acesso fechado pela polícia, Prósperi foi encaminhado pelos policiais para fora do hotel.

O repórter foi aconselhado a não registrar queixa da agressão porque a Justiça americana exigiria sua permanência no país e a de Marco Antônio por mais dois meses.

A gritaria do incidente acabou com a festa, com os torcedores sendo obrigados pela polícia a deixar o hotel.

Quarenta minutos depois, Ricardo e Marco Antônio Teixeira voltaram ao hall do Marriott, já praticamente vazio.

Percebendo a presença da Folha, Ricardo decidiu desabafar.

"Fui perseguido pela imprensa paulista. Agora todos vocês têm que mudar de opinião", disse o dirigente, novamente sem especificar o tipo e a fonte das críticas.

Ricardo Teixeira confirmou também que pretende deixar o cargo depois de cumprir seu mandato, que termina em dezembro do próximo ano.

Na manhã de ontem, antes do embarque, Ricardo evitou aparecer no hall do hotel, novamente lotado de torcedores.

Marco Antônio passou rapidamente, evitando entrevistas e procurando esconder um corte no alto do nariz.

 

Seleção volta ao Brasil 'carregada'

Time corre às compras nos EUA

FERNANDO RODRIGUES

JULHO 19, 1994


Enviado especial a Los Angeles


A seleção chega hoje às 7h em Recife com uma bagagem cheia de equipamentos eletro-eletrônicos.

Time e comissão técnica compraram nos EUA geladeira, máquina de lavar, videocassete e sela para cavalo.

A Folha acompanhou o embarque de toda a bagagem da seleção.

Foram necessários dois caminhões e seis caminhonetes.

"Primeiro seriam dois caminhões com carroceria de cinco metros. Depois, mandamos vir um maior, com carroceria de oito metros, pra poder caber tudo", disse Gilbert Hayes, funcionário dos organizadores da Copa encarregado de dar apoio à delegação brasileira.

"Acompanhei os suecos e os americanos. Posso dizer tranquilamente que os brasileiros têm o maior volume de bagagem", disse Hayes à Folha.

Muitos volumes não apresentavam identificação.

Uma pequena parte, menos de um quinto do que foi embarcado, continuava na caixa original.

Em algumas caixas apareciam os nomes dos proprietários da bagagem.

A Folha anotou o nome de todos os produtos onde aparecia algum nome da comissão técnica.

O campeão de itens foi o lateral-esquerdo Branco. Junto com sua mulher, Estela, Branco comprou oito itens, suficientes para montar uma cozinha.
O lateral-esquerdo comprou geladeira, forno, máquina de lavar louça e máquina de lavar roupa.

O segundo nome que mais apareceu nas caixas embarcadas no avião da seleção foi o de Carlos Alberto Parreira, que comprou uma impressora a laser, um microcomputador, uma fotocopiadora pessoal e um televisor Mitsubishi.

A legislação brasileira permite que se traga do exterior produtos no valor total equivalente a US$ 500.

Valores superiores a esse são sujeitos a uma tarifa de importação, cobrada na chegada.

O assessor de imprensa da seleção, Nelson Borges, disse não saber se os jogadores e a comissão técnica terão suas bagagens inspecionadas pela Receita Federal.

"Não sei. Como vou saber? Se tiver que pagar, a gente paga. Eu não vou deixar tudo lá", disse Borges, que diz ter comprado "um rádio e uma câmera fotográfica."

Por Juca Kfouri às 18h43

Pró-memória - 2

Duas faces da moeda Brasil são encontradas abaixo.

Você decide qual agrada mais.

(O realce em negrito é do  blog).

Folha de S. Paulo

22/07/94

A mãe-de-santo de Juiz de Fora

José Sarney

Sou daqueles que são contra essa tentativa desesperada de transformar os Estados Unidos no país do futebol.

No dia em que assim for, adeus brilho da bola nos países pobres.

O futebol é o esporte mais popular do mundo porque é o mais democrático, o mais igualitário.

Para que ele aconteça, não há necessidade de uma parafernália que demande dinheiro e treinamento.

Basta uma bola, que não sendo de couro é de borracha, não tendo de borracha, vai mesmo a bola de meia, a pelada que acontece em todo lugar, na rua, no largo da igreja, no fundo do quintal, no chão vazio.

Para jogar-se golfe, tem de existir o instrumental que necessita de um ajudante para carregar; vôlei, a rede; beisebol, o taco; futebol americano, roupa de astronauta e por aí vai.

O futebol não.

É o esporte do rico e do pobre, exigindo boa canela, habilidade.

É divertimento dos meninos mais pobres, que têm o dom de criar um forte sentimento de solidariedade.

E muitas vezes substitui o vazio da desesperança pela esperança de um gol.

O futebol, originalmente inglês, abrasileirou-se.

Assim como a língua portuguesa, que no Brasil encontrou um continente para ser falada, o futebol encontrou espaço para ser prático.

E ele se parece com o nosso país: é cordial, leva à controvérsia e à união.

No momento em que a cultura erudita se destroçou, confrontada com os modelos importados e enlatados, a cultura popular, de massa, sobrevive, forte nos seus valores: é o Carnaval, é o sincretismo religioso, são os folguedos populares, é o futebol, que se cristalizam na galera.

O Brasil começa a sair do seu inferno astral.

O mundo mudou, as ideologias ruíram e o país permaneceu durante muito tempo na cultura da crise, esta em que se estimula, se constrói, se bloqueiam as soluções e destrói-se a auto-estima.

Com a possibilidade de uma vitória das forças de esquerda, estas aderiram à governabilidade.

Romperam seu casamento com a democracia proletária e se deixaram seduzir pela democracia burguesa, que também tem seus encantos.

 Neste vácuo, chegaram o Bisol, o real e o tetra.

Leio nas pesquisas que mais de 50% da população está numa boa e feliz com a vida.

O Brasil atravessou seu desfiladeiro e vive um bom momento.

Quem levou Clinton e Al Gore a baterem palmas ao Brasil não foi a nossa política externa sobre o Haiti, foi Parreira, Taffarel, Romário, o dr. Lídio, que cuidou da saúde das crianças, e toda a nossa rapaziada da seleção.

É bonito ver o Brasil unido, vestido de verde-e-amarelo, com "um só coração", como dizia o meu sempre lembrado e grande amigo Miguel Gustavo.

Acabou-se a era dos impeachments, das CPIs, do nosso inferno astral, cujo final foi aquela trágica manhã da curva Tamborello, em Imola.

É hora do tetra.

E com razão o presidente Itamar está rindo sozinho.

Afinal, com seu jeito mineiro, ele atravessou os terreiros baianos com uma mãe-de-santo de Juiz de Fora.

PS – Ponho a minha opinião na bagagem dos tetracampeões.

Eles traziam uma coisa que não paga taxa aduaneira: a auto-estima nacional que tinha saído do Brasil.


22/07/94

Folha de S.Paulo

TENDÊNCIAS/DEBATES

Fisco, igualdade e o dr. Osiris

Parabéns, dr. Osiris: há pessoas que contribuem para o país até ao deixar o cargo que exercem

GERALDO ATALIBA e CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO

"Todos são iguais perante a lei." É princípio básico e fundamental, porque tudo o mais –nas instituições– serve para realizar esse valor supremo.

Sem a igualdade, não há necessidade de separação de poderes; não há vantagem no desenvolvimento; não há interesse no progresso: é que, sem
igualdade, tudo fica para alguns.

A história da humanidade é a história da luta contra os privilégios, as exceções, os favorecimentos, a prepotência, a arrogância dos privilegiados.

A legalidade é instrumento da igualdade.

Por isso a lei deve ser "geral e abstrata".

Geral, porque obriga a todos; abstrata porque não pode considerar casos singulares, mas só gêneros de fatos.

O princípio da legalidade é o esteio de todas as grandes civilizações modernas.

A sabedoria inglesa engendrou o "rule of law": governo das leis e não dos homens.

Sem legalidade, prevalecerão os mais fortes, economicamente, fisicamente, psicologicamente, socialmente. E os fracos são oprimidos, explorados, espoliados.

A lei é a única defesa das minorias.

Os poderosos (do dinheiro, da fama, do prestígio, da mídia, da força física) não precisam de lei.

Seu poder advém de suas posses.

Um país só pode ser civilizado (resultado de longo, árduo, penoso,paulatino processo) se fundar-se na legalidade, único modo racional, suave, justo e garantido de assegurar-se a igualdade.

Noticiaram os jornais que foi dispensado um tratamento de favor, de privilégio, na alfândega, ao sr. Ricardo Teixeira, a um tio deste, aos srs. Lidio de Toledo, ao sr. Carlos Parreira, ao sr. Mário Zagalo, aos jogadores da seleção brasileira de futebol, em suma, aos integrantes da delegação que disputou o campeonato mundial, quando regressaram ao país.

Se foram eximidos do padrão normal de inspeção e de recolhimento de tributos acaso devidos, o fato é grave.

É mais que grave.

É gravíssimo.

As homenagens que se tributem aos futebolistas pelo tetracampeonato são uma coisa.

Outra coisa é outorgar, contra a lei e de modo público, tanto a eles como a outras pessoas que integravam a delegação brasileira, um favorecimento em face de deveres a que estão sujeitos todos os brasileiros.

Todos são iguais perante a lei (art. 5º da Constituição Federal) e, consequentemente, perante a administração, a qual está obrigada ao dever da "impessoalidade" (art. 37 da CF).

Violada esta igualdade, esta impessoalidade, as demais pessoas poderão pretender que lhes seja dispensado o mesmo tratamento.

E se surgirem interessados impetrando mandado de segurança preventivo para obterem idêntico tratamento quando regressarem ao país?

Certamente não seria a solução correta, mas qualquer cidadão poderá mover ação popular para anular o comportamento lesivo ao patrimônio
público, caso em que, julgada procedente a ação, o que seria a consequência óbvia, a autoridade responsável e os beneficiários responderão com os próprios bens pelo dano causado.

Quem teria autorizado tão ostensiva violação ao direito?

Seja quem for, está em maus lençóis, pois a lei nº 8.429, de 2/06/92, prevê sanções severíssimas para o agente público que pratique ato de
improbidade administrativa.

Ora, nos termos desta lei (art. 10), considera-se ato de improbidade administrativa "conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie" e reputa-se agente público todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, mandato, cargo, emprego ou função para a qual tenha sido eleito, nomeado, designado ou contratado.

As sanções previstas para o caso são as de suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, perda da função pública, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano, ressarcimento integral dele e proibição, pelo prazo de cinco anos, de contratar com o Poder Público e dele receber benefícios fiscais ou creditícios, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário (art.12, II).

E, note-se, qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa para que seja instaurada investigação para apuração do fato.

A comissão processante terá de dar ciência disso ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas.

Acresça-se que se a autoridade administrativa rejeitar a representação –e terá de fazê-lo em despacho fundamentado– isto não impede a representação ao Ministério Público.

Em todo esse lamentável episódio houve algo de consolador.

O secretário da Receita Federal, dr. Osiris de Azevedo Lopes Filho, conforme resultou do noticiário de rádio e televisão, por discordar do sucedido, pediu exoneração de seu cargo.

Já agora, além da velhinha de Taubaté, podem os brasileiros acreditar que há agentes públicos ocupantes de altos cargos que não têm por tais
cargos um apego maior daquele que têm pelos próprios deveres e convicções.

Professor de direito, ex-diretor da Faculdade de Direito daUniversidade de Brasília, mestre em direito tributário, servidor público exemplar, o dr. Osiris haveria de ter ficado chocado com o que ocorreu.

De resto, que autoridade teria, depois disto, para, em nome do governo, exigir, como têm feito, que todos, empresários, profissionais liberais e assalariados cumpram com suas obrigações perante o fisco?

Parabéns dr. Osiris.

Sua atitude contribuirá para fazer do Brasil um país civilizado.

É pelo exemplo que se fortalecem as instituições.

O grande problema nacional não é econômico.

É de cultura.

Nossos governantes precisam ter a cultura da igualdade e de legalidade.

Seu exemplo há de frutificar.

Há pessoas que contribuem para o país até quando deixam os cargos que exerceram.

Quem entrou de pé e erecto exerceu as delicadas responsabilidades de secretário da Receita Federal, saindo de pé e com dignidade fortalece o serviço público, edifica os servidores e fortalece as instituições.

GERALDO ATALIBA, 58, advogado, é professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO, 57, advogado, é professor titular da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Por Juca Kfouri às 18h17

Dupla K-9 e CX-10 é responsável por 69,7% dos gols do Palmeiras

Por ROGERIO JOVANELI

Enquanto Keirrison é artilheiro, com 12 gols em nove jogos, Cleiton Xavier é o garçom palmeirense, com nove assistências para gol.

Dupla é responsável por 23 dos 33 gols marcados pelo alviverde na temporada

Dos 33 gols marcados pelo ataque do Palmeiras em 12 jogos nesta temporada, mais da metade (17) é de autoria da dupla Keirrison e Cleiton Xavier. K-9 entrou em campo nove vezes e marcou 12 gols (média de 1,33 por partida).

Em compensação, CX-10, que participou de um jogo a mais que o atacante alviverde e foi apenas cinco vezes às redes, é o maior garçom do time, sendo responsável direto por outros nove gols palmeirenses, frutos de suas assistências.

Três delas foram para K-9, que retribuiu, deixando CX-10 duas vezes na cara do gol.

Com isso, Keirrison e Cleiton Xavier colaboraram, direta ou indiretamente, em 23 dos 33 gols que o Palmeiras marcou até então em 2009, ou seja, a dupla participou de nada mais nada menos que 69,7% dos gols alviverdes na temporada.

21/01 - Santo André 0x1 Palmeiras:

CX-10: 1 gol

K-9: não jogou

24/01 - Palmeiras 3x0 Mogi-Mirim:

CX-10: 1 gol

K-9: 2 gols e 1 assistência (para o gol de CX-10)

27/01 - Palmeiras 3x0 Marília:

CX-10: 1 gol

K-9: primeiro dos dois jogos que não marcou nem deu assistência para gol

29/01 - Palmeiras 5x1 R. Potosi-BOL:

CX-10: 2 assistências e 1 gol

K-9: 2 gols (um deles fruto de assistência de CX-10)


01/02 - Ponte Preta 2 x 3 Palmeiras:  

Ambos não atuaram

04/02 - Real Potosi-BOL 0 x 2 Palmeiras:

CX-10: 1 gol

K-9: 1 gol e 1 assistência (para gol de CX-10)


08/02 - Palmeiras 4 x 1 Santos:  

CX-10: 2 assistências

K-9: 2 gols


11/02 - Mirassol 2 x 3 Palmeiras:  

CX-10: única partida que não marcou nem deu assistência para gol

K-9: 1 gol


14/02 - Palmeiras 1 x 0 Paulista: 

Ambos não atuaram

17/02 - LDU 3 x 2 Palmeiras:

CX-10: 1 assistência

K-9: segundo dos dois jogos que não marcou nem deu assistência para gol

21/02 - Portuguesa 2 x 2 Palmeiras:

CX-10: 1 assistência

K-9: 2 gols (um deles fruto de assistência de CX-10)

25/02 - São Caetano 3 x 4 Palmeiras:

CX-10: 3 assistências

K-9: 2 gols (um deles fruto de assistência de CX-10)

Por Juca Kfouri às 18h03

O dia do Pinto

Por ROBERTO VIEIRA

 

Baixinho. Apenas 1,70 e pouco de altura.

Vinte e cinco anos de idade.

A torcida e os jogadores do Grêmio não paravam de rir no Estádio Olímpico.

Ainda mais quando leram o nome do arqueiro do Universidad:

Miguel Pinto.

Durou pouco a galhofa.

Após quinze minutos de partida, todo mundo já sabia:

Era o dia do Pinto.

O estudante de educação física na Universidade das Américas fez o que todo bom goleiro sabe fazer.

Fechou o gol. Contou com a ajuda da sorte e das traves.

Terminou sendo manchete nos jornais chilenos: "Pinto se agigantou no Olímpico!"

Para quem está acostumado com os atuais goleiros de basquete, uma surpresa.

Para os mais antigos, a memória.

Valdir, Veludo, Manuelzinho, Cabeção.

Seriam considerados anões pelos padrões atuais.

Mas agarravam uma barbaridade.

Ontem, eles reviveram na leiteria do pequeno herói chileno.

Tão cedo os gremistas não esquecerão este Pinto.

Principalmente, porque a diretoria do Internacional.

Ainda com saudades do gigante Don Elías Figueroa.

Já foi conversar com El Pinto Paredón!

Por Juca Kfouri às 15h52

Pró-memória

Morreu hoje, em Brasília, aos 69 anos, o ex-secretário da Receita Federal, Osiris Lopes Filho, que se demitiu do cargo, no governo Itamar Franco, por causa do chamado "vôo da muamba".

Leia abaixo:

21 de junho de 2008

Na 'Folha', de hoje: tarda, nem sempre falha

Vôo da muamba" gera indenização de R$ 2.359 à União

Presidente da CBF, que importou equipamentos no valor de US$ 45 mil na volta do tetra, é condenado após 14 anos

Processo, que não pode mais ter recursos, é 1 dos 3 que envolvem o dirigente acerca do vôo que levou 17 toneladas de bagagem

LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Passadas três Copas, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve sua primeira derrota definitiva na Justiça num dos processos relacionados ao "vôo da muamba", quando a seleção trouxe dos EUA 17 toneladas de bagagens e compras após a vitória na Copa de 1994.

Teixeira é acusado de ter transportado ilegalmente equipamentos para sua choperia El Turf, na Zona Sul do Rio.

Além de dois processos que enfrenta por essa razão, ele moveu ação contra a União, por danos morais, alegando que o auditor fiscal Sylvio de Sá Freire, então lotado no Aeroporto Internacional do Rio, teria praticado atos abusivos ao tentar reter a bagagem da seleção para vistoria.

No mês passado, Teixeira perdeu em última instância, no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Ontem, o processo transitou em julgado (não cabe mais recurso).

Após 14 anos, o valor da indenização que Teixeira terá de pagar à União é praticamente simbólico, de R$ 2.359.

Procurado via assessoria da CBF, ele não ligou de volta.

O resultado da ação por danos morais reforça o prognóstico dos outros processos, com valores bem maiores.

Num deles, em que tem tido sucessivas derrotas, Teixeira pode perder o equipamento importado para a El Turf, comprado por US$ 45 mil.

No outro, ele é acusado de ter coagido os auditores do aeroporto para que liberassem as mercadorias da delegação.

O valor desta causa é de R$ 50 mil, fora a correção monetária.

No primeiro caso, o desembargador Alberto Nogueira, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, manteve o entendimento da instância anterior, de que a importação foi irregular e de que o equipamento tem de ser apreendido pela Receita.

O segundo caso ainda está na primeira instância.

O auditor Sá Freire disse que a "fraude fiscal" cometida por Teixeira foi comprovada quando, em 1995, o presidente da CBF fez uma importação de novo equipamento para a choperia, cuja fatura comercial informava o peso da mercadoria em 1.480 quilos.

Porém a Infraero havia pesado equipamento com 886 quilos.

"Essa diferença [de peso] foi para encobrir o equipamento trazido ilegalmente no vôo da seleção", disse Sá Freire.

A Receita Federal deixou de arrecadar ao menos US$ 1 milhão em impostos.

O cálculo levou em conta o volume da bagagem (17 toneladas) e as listas de compras dos atletas.

Na ida aos EUA, a bagagem da seleção pesara duas toneladas.

Teixeira pressionou os fiscais da Receita e obteve a liberação.

Na ocasião, telefonara ao então ministro da Casa Civil, Henrique Hargreaves.

Diante dos funcionários da Receita, Teixeira ameaçou devolver as medalhas de condecoração que os atletas haviam recebido do então presidente Itamar Franco.

O secretário da Receita Federal à época, Osiris Lopes Filho, que orientara os funcionários da alfândega a realizar a fiscalização de praxe (que prevê a taxação de valores acima de US$ 500), se demitiu pelo episódio.

O campeão de itens foi o lateral-esquerdo Branco.

O segundo nome que mais apareceu nas caixas embarcadas no avião foi o de Carlos Alberto Parreira.

Por Juca Kfouri às 15h41

Quarta-feira gorda só para o Botafogo e o Salgueiro

Se você viu o jogo de estréia do São Paulo na Libertadores, na semana passada, e achou que nunca tinha visto um time criar tantas oportunidades para marcar apenas um gol no Independiente e apenas empatar no Morumbi, saiba que o Grêmio, ontem, viveu drama muito maior, contra a Universidade do Chile.

Além de ter mandado duas bolas na trave, uma em cada tempo, e ter sofrido, com Souza e Jonas, dois pênaltis não marcados, também um em cada tempo, o Grêmio criou, no mínimo, outras 10 chances de gol.

Um coisa verdadeiramente I M P R E S S I O N A N T E o 0 a 0 do Olímpico em Porto Alegre.

E frustrante.

Como acabou por ser frustrante o 1 a 1 entre Deportivo Quito e o Cruzeiro, no Olímpico Atahualpa, no Equador.

Porque o Cruzeiro mandou no primeiro tempo, fez 1 a 0 e estava com tudo para suportar a pressão no segundo tempo, a 2850 metros de altitude.

Mas perdeu dois jogadores expulsos infantilmente e acabou tomando o empate já nos acréscimos do segundo tempo.

O resultado em si não foi ruim, mas, pelas circunstâncias, teve sabor amargo.

E a quarta-feira gorda acabou bem mesmo para o Botafogo, que ganhou com justiça do Fluminense por 1 a 0 e é praticamente o campeão da Taça Guanabara, que decidirá com o fraco Resende neste domingo.

Se bem que os botafoguenses sabem como ninguém que certas coisas só acontecem com o Botafogo...

Enfim, a quarta-feira de Cinzas acabou bem temperada mesmo na quadra do Salgueiro, grande campeão do Carnaval.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h28

O sofrimento de um blogueiro numa noite de quatro jogos

A vida é dura, está dito na nota anterior.

E é mesmo.

Enquanto não saíam gols no Maracanã, nos Olimpicos, de Porto Alegre e de Quito, os três jogos que havia escolhido para ver, em São Caetano saía um gol atrás do outro.

Dois para o São Caetano, em nove minutos, em cima do líder invicto Palmeiras!

Mas os 2 a 0, ainda no primeiro tempo, viraram 2 a 4, porque o Azulão achou de cutucar o Verdão com vara curta.

Só Keirrison fez dois, o primeiro e o quarto.

De cabeça, Edmílson e Diego Souza fizeram o terceiro e o quarto.

Uma beleza!

Bom, também, diga-se, era o jogo no Maracanã.

Que começou com o Flu a todo vapor e duas chances de gol nos primeiros minutos.

Mas o Botafogo retrucou aos 7, 9 e 11 minutos, exigindo duas senhoras defesas de Fernando Henrique, que faria ainda um milagre, no fim do primeiro tempo, para evitar um gol de Reinaldo.

O Botafogo jogou melhor e só correu novo risco aos 30, na cabeça de Conca.

E fez 1 a 0, com Fahel, de cabeça, aos 42, para fazer justiça à sua superioridade.

Nos Olímpicos os jogos também não decepcionavam, mas os gols tardavam.

Em Porto Alegre, o Grêmio criou cinco chances de gol no primeiro tempo, três nos 11 primeiros minutos, além de mandar uma bola na trave e ter um pênalti não marcado.

Coisas incríveis aconteciam no Rio Grande e nem a Universidade do Chile entendia porque os céus o protegiam tanto.

E, no Equador, o Cruzeiro mandava no jogo, dominava o Deportivo Quito, mas gol mesmo só fez aos 38, na cabeça deste estupendo Ramires.

O dever estava cumprido, porque o segundo tempo seria sofrido, a 2850 metros de altura.

Mas o Cruzeiro é tão melhor que o adversário que, fechadinho, deveria manter e talvez até ampliar a vantagem.

Aí, sem razão alguma, Wellington Paulista achou de ser expulso, aos 42, para tornar dramáticos os 45 minutos finais, 10 x 11, pertinho do inferno.

Por decidido, larguei mão do jogo em São Caetano. Fazer o quê?

No Maraca, Reinaldo desperdiçou um contra-ataque promissor logo no reinício do jogo e proporcionou outro ao Flu que, por pouco, não empatou com Éverton Santos.

Que, aos 21, obrigou Renan a fazer defesa dificílima.

Em Quito, felizmente, aos 7, o Deportivo também ficou com 10.

Mas em Porto Alegre o gol não saia, apesar de as chances gremistas se sucederem.

Parecia o jogo do São Paulo contra o Independiente...

Aos 27, o time chileno ficou com 10 jogadores em Porto Alegre.

E aos 20, em Quito, Fabrício também foi expulso e deixou o Cruzeiro com nove, ele que antes do jogo transpirava experiência, mas que fez falta dura por trás.

O Cruzeiro sofria e teve a sorte de o árbitro não marcar um empurrão, dentro da sua área, de Marquinhos Paraná no atacante Samitana.

Aos 32, Jonathan desperdiça um contra-ataque que mataria o jogo, ao cruzar muito forte para Ramires.

O Flu pressionava e era melhor no Rio de Janeiro.

Pelo rádio, ouvi que o São Caetano fez 3 a 4 no ABC.

O Grêmio era um desespero só.

Bolas na trave, pênaltis não marcados, mais de 10 chances de gol e...nada, com a torcida (33 mil) empurrando sem parar, sem parar, sem parar.

Quatro minutos de acréscimo para punir a cera chilena.

Mas ninguém que jogasse mais três dias o gol sairia.

Em compensação, aos 46, em Quito, o Deportivo empatou.

O a 0 no Olímpico. Frustrante.

1 a 1 no Olímpico Atahualpa. Sofrido

1 a 0 no Maracanã, diante de 36 mil torcedores.

Botafogo campeão da Taça Guanabara!

Ou não?

4 a 3 no ABC.

Pena que não vi o segundo tempo.

Paciência, não dá para ver tudo.

Ufa!

Juro que um dia terei a coragem de escolher só um jogo para poder curti-lo 100%.

E que nem vou ligar para as suas reclamações.

Mesmo que seja para ver o jogo do meu time...

Afinal, é o meu blog...

Por Juca Kfouri às 23h49

25/02/2009

Sofrível Corinthians

A vida é dura.

Depois de passar a tarde desta quarta-feira de Cinzas entre o Santiago Bernabeu e o Stamford Bridge, eis que no começo da noite o destino foi o Prudentão.

Para ver o Corinthians outra vez sem imaginação, sem jogadas e, com defesa improvisada, correr riscos diante do Noroeste, último colocado e pior ataque do Paulistinha.

Pior:para ver um gol mal anulado do time de Bauru.

Verdade que o Corinthians criou quatro chances claras de gol.

Uma acabou na trave, outra Dentinho desperdiçou e mais duas pararam nos pés de Jorge Henrique, muito tico-tico para o meu gosto, desses jogadores que ficam no quase sempre no quase.

Mas Fabinho, quebrando galho na lateral-direita, foi facilmente envolvido pelos adversários e só Elias luzia no alvinegro, com mais uma atuação apagada de Douglas.

O 0 a 0 do primeiro tempo não foi correto com o Norusca, porque prejudicado pela arbitragem.

Logo no começo do segundo tempo, aos 2 minutos, porém, Fabinho cruzou da direita, Douglas cabeceou meio sem jeito, a bola subiu, subiu e morreu na rede.

Aos 14, Jorge Henrique ia fazendo um lindo gol, mas a bola bateu no travessão.

O Noroeste morreu em campo, de cansaço.

Mesmo assim, aos 30, quase empatou com Marcelinho, da marca de pênalti.

E o Corinthians desperdiçava contra-ataques em cima de contra-ataques.

Num desses, aos 42, Otacílio Neto, depois de um jogada toda de Morais, fez 2 a 0.

E foi só.

E foi pouco.

E para muito menos torcedores (18 mil) do que imaginou o prefeito de Prudente ao levar o jogo para sua cidade.

Vamos, agora, seguir viagem, pelo Olímpico, em Porto Alegre, pelo Olímpico Atahualpa, em Quito, e, é claro, mais ainda pelo Maracanã, onde se decide a Taça Guanabara.

Esperemos mais futebol do que o visto em Presidente Prudente.

Por Juca Kfouri às 21h20

Ingleses dão as cartas

Ontem, em Milão, o Manchester United saiu com um bom 0 a 0 diante da Inter.

E só não ganhou porque o goleiro Júlio César não deixou.

Já o Arsenal, em Londres, ganhou da Roma por 1 a 0, como era de se esperar.

Hoje, em Madri, o Liverpool ganhou do Real Madrid, 1 a 0.

E o Chelsea, em Londres, passou pela Juventus, também por 1 a 0.

Tudo indica que os ingleses chegarão com quatro times nas quartas-de-final da Liga dos Campeões.

Os espanhóis não foram bem.

Além da derrota madridista, o Vilarreal só empatou, em casa, com o Panathinaikos, 1 a 1, assim como o Atlético de Madri apenas empatou, ontem, com o Porto, 2 a 2, também em casa.

E o Barcelona também ficou no 1 a 1, também ontem, com o Lyon, mas, ao menos, na França.

Se o Porto foi bem na Espanha, o Sporting foi péssimo em Lisboa: tomou de 5 a 0 do Bayern Munique.

Por Juca Kfouri às 18h42

Lulin, o cometa

Por JAMES SCAVONE

Das coisas mais difíceis hoje em dia é enxergar estrelas em céu de cidade grande.

Com muito esforço consegue-se avistar Marte ou Vênus.

Aí que seria pedir demais para que fosse possível avistar o cometa Lulin em plena terça-feira gorda de Carnaval.

Cometa errático, com duas caudas, passaria desta vez e nunca mais (diferente do mais famoso Halley, que ao menos nos dá a honra a cada 76 anos).

Lulin é seu nome.

Nome de montanhas na China, diz o jornal.

Nome de um observatório em Taiwan, diz um blog.

Nome de atacante corintiano, diz o fanático.

Um sinal, dos mais claros, de que o pequeno atleta vai desembestar a fazer gols: Lulinha, a promessa do terrão, vai tirar o pé da lama.

Vai ser tão Fenômeno quanto o outro - chamado de pai por Dentinho.

Vai colocar o Timão na rota certa para chegar ao centenário disputando o mundial.

Das coisas mais difíceis hoje em dia é enxegar estrelas no futebol nacional, mesmo em time grande.

É preciso olhar os garotos pré-Europa e imaginar o dia em que estarão no auge, sem cair demais, sem tremer diante da torcida, o dia em que serão craques incontestes.

Ou é preciso olhar os veteranos retornados e lembrar-se de quando estavam no auge no Milan ou no Manchester, quando corriam os noventa minutos, lembrar-se de quando disputavam o título de melhor jogador da temporada.

Sobra-nos o prazer de observar bons jogadores vestirem a camisa de nossos times por poucas rodadas, pouquíssimas mesmo.

Passam tão rápido como um cometa e somem.

Aparecem do outro lado do globo beijando escudos estrangeiros.

Sobra-nos o prazer de observar esta pequena mancha brilhante em um céu cada vez mais apagado de estrelas.

Uma desfocada mancha-verde, vejam só. O derby em Presidente Prudente promete.

Nota do blog: diferentemente do aqui informado originalmente (leia nos comentários à nota), a foto é da NASA.  

Por Juca Kfouri às 15h09

Ronaldo estréia contra o Itumbiara

Por ROBERTO VIEIRA

Mano Menezes pensava no Palmeiras.

Mas a Babalorixá foi taxativa: O jogo é contra o Itumbiara!

Os búzios não mentem. Nem as estatísticas.

Estrear em São Paulo é roubada.

E Mano Menezes, pra não revelar suas fontes, inventou a tal concentração.

Lá se foi Ronaldo pra Presidente Prudente. Descansar das tentações.

Quinze anos depois do seu último jogo por um clube brasileiro.

Um amistoso contra o Botafogo/RJ.

Oficialmente, o seu último jogo oficial pelo Cruzeiro foi contra o Patrocinense pelo campeonato mineiro.

Vitória de 1 x 0 da Raposa, com dois gols do Fenômeno.

Um deles, banal. O outro, antológico.

E anulado pelo bandeirinha.

Estrear contra o Palmeiras?

Os búzios insistem que não.

Ídolos corintianos sofrem no batismo paulista.

No dia 27 de março de 1977, Palhinha foi apresentado a Fiel contra o Guarani.

Derrota de 3 x 0.

Garrincha? Tomou de 3 x 0 do Vasco da Gama no dia 2 de março de 1966.

O melhor foi Doutor Sócrates. Que empatou em 1 x 1 com o Santos em 20 de agosto de 1978.

Bom mesmo é batizar longe de casa. Como Rivelino.

Que atuou pela primeira vez como profissional contra o Santa Cruz.

Na Ilha do Retiro, no dia 13 de janeiro de 1965.

Torneio Pentagonal do Recife.

Rivelino que dividiu o meio campo com Dino Sani.

E ainda marcou o último gol da vitória corintiana por 3 x 0, sob proteção do Pai Edu.

Os búzios não mentem.

Ronaldo estréia dia 4 de março pela Copa do Brasil, no Estádio Juscelino Kubitschek.

Contra o Itumbiara de Túlio Maravilha!

Por Juca Kfouri às 15h03

24/02/2009

Quarta-feira gorda

Quem disse que é pra tudo se acabar na quarta-feira?

No futebol, muita coisa, começa.

A Libertadores, por exemplo, para o Grêmio, que estréia contra a Universidade do Chile, no Olímpico, e, atento, deve vencer, como deve acabar em primeiro lugar em seu grupo, bastante fácil.

Missão incomparavelmente mais difícil tem o Cruzeiro, em Quito, diante do campeão equatoriano, a 2850 metros de altitude.

Verdade que o Deportivo vive uma crise e uma greve, porque não paga desde dezembro.

Mas é melhor o time mineiro não acreditar nisso e jogar com a idéia de que um empate já estará muito bom.

Finalmente, no Maracanã, logo depois que o Salgueiro for anunciado como campeão do Carnaval, tem Botafogo e Fluminense decidindo a Taça Guanabara.

Ambos com problemas para escalar seus ataques, ambos certos de que quem ganhar leva porque o Resende será apenas figuração na finalíssima.

O Flamengo, aliás, também tinha certeza de que estaria na final...

Por Juca Kfouri às 21h27

Em homenagem a Rafael Duarte

Rafael Duarte era marchador e ainda é o atual campeão brasileiro da marcha atlética 20k.
Depois de três anos lutando contra a leucemia, faleceu na noite de anteontem, enquanto brincava na piscina, já curado do câncer.

http://osgeraldinos.wordpress.com/2008/08/05/olimpiadas-o-sonho-de-milhares-de-atletas-pelo-mundo-rafael-duarte/

Por Juca Kfouri às 23h40

Dois livros e dois filmes que nada tem a ver com esporte

O Carnaval tem lá suas vantagens para quem não é folião.

Sobra tempo para ler e para ir ao cinema.

Daí, duas recomendações de livros e duas de filmes.

Primeiro, os livros:

"Missa Negra", de John Gray, colunista do The Guardian e professor de Pensamento Europeu na London School of Economics, além de ter dado aula de Filosofia em Oxford, é um deles.

Ele mostra como o pensamento político moderno se apropriou do que há de mais obscuro do pensamento religioso.

O outro, de Zygmunt Bauman, filósofo polonês, é "Vida para consumo", no qual analisa, entre outros, o fenômeno da Internet e revela como os consumidores acabam por ser consumidos na pressa de consumir.

Em segundo lugar, os filmes, cujos protagonistas principais acabam de ser premiados com o Oscar de melhor atriz e melhor ator:

"Milk", com Sean Penn, é um soco no estômago do preconceito sexista.

E "O leitor", com Kate Winslet, é um soco em todas as verdades absolutas que trazemos conosco meio sem perceber.

E o que isso tudo tem a ver com esporte?

Nada.

E tudo.

Porque pobre de quem usa viseiras e se deixa levar pelo pensamento único ou pela paixão irracional.

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 24 de fevereiro de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

 

Por Juca Kfouri às 23h23

23/02/2009

Pugilistas cubanos fogem de novo

Os pugilistas cubanos que foram deportados pelo governo brasileiro durante o Pan-2007 voltaram a fugir de seu país.

Um, Erislandy Laranha, já tinha fugido antes e dito, em Hamburgo, na Alemanha, que ao contrário do que disseram as autoridades brasileiras, ele em nenhum momento manifestou a vontade de voltar para Cuba.

O outro, Guillermo Rigoundeaux, fugiu agora e está em Miami.

O que apenas demonstra o óbvio: ambos foram postos num avião de volta para Havana à força.

Leia mais em http://esporte.uol.com.br/boxe/ultimas/2009/02/23/ult4358u316.jhtm

Por Juca Kfouri às 18h35

Os grandes paulistas na boa e um do Rio na pior

Quase cumprida a primeira metade do campeonato paulista, nove das 19 rodadas já disputadas, eis que os quatro grandes estão nas quatro primeiras posições.

Verdade que o Santo André, com um jogo a menos, tem, em tese, os mesmos pontos que o Santos tem, em quarto lugar.

Mas o Trio de Ferro se destaca do quinto colocado, a Portuguesa: o Palmeiras está sete pontos adiante, o Corinthians seis e o São Paulo cinco.

Verdade, ainda, que o Palmeiras também tem um jogo a menos e que sua vantagem, potencialmente, é de quatro pontos em relação ao vice-líder Corinthians e de 10 em relação ao quinto.

Em resumo: dificilmente o Trio de Ferro não estará nas semifinais e só o Santos corre o risco de ficar de fora, embora, com técnico e ânimo novos tenha tudo para se firmar.

Se bem que, no Rio, tudo indicava que a final da Taça Guanabra seria decidida por dois grandes e o Resende já confirmou sua presença, diante do Fluminense ou do Botafogo.

Tudo porque interesses menores tiraram o Vasco das semifinais e tudo porque o Flamengo vem se especializando em deixar seu torcedor na mão na hora agá, como fez na Libertadores e no Brasileirão passados.

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h32

22/02/2009

Pacaembu, casa também do Santos

O Santos, sozinho, levou ao Pacaembu mais que o dobro dos pagantes do clássico de ontem no Canindé.

Os quase 20 mil torcedores, maior público disparado da rodada, demonstram o acerto de fazer jogos do alvinegro na capital.

Basta dizer que a última partida, na Vila, contra o Guarani, não levou 4 mil torcedores.

O jogo, num domingo de Carnaval, foi ruim.

Porque o Botafogo-SP queria só se defender e o Santos nem precisava ter a volta de Fábio Costa, pelo menos no primeiro tempo.

No segundo, com auxílio do goleiro de Ribeirão Preto, Fabão fez 1 a 0.

Ficou nisso, mas a vitória, que quase escapou no último segundo, serviu para, na metade do campeonato, por o Santos entre os quatro primeiros.

Pinta uma final entre os grandes.

Por Juca Kfouri às 19h04

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico