Blog do Juca Kfouri

Tabelinha com Juca

Segundas-feiras, às 15h

07/03/2009

Santos sofre, mas curte estreia de Neymar

Mais uma vez a torcida paulistana do Santos deu o ar de sua graça no Pacaembu (21 mil pagantes).

E o paulistano santista mostrou que é tão exigente como o santista santista.

Roni que o diga, vaiado ainda quando o jogo não tinha 15 minutos, apesar de muito isolado e não por culpa dele.

Por incrível que pareça, o Oeste, que conseguiu da FPF uma pornográfica inversão de mando de campo , parecia estar jogando em Itapólis.

E levou mais perigo ao gol do Santos no primeiro tempo do que correu riscos de levar gol, principalmente nos momentos em que o zagueiro Domingos era obrigado a sair da sobra e tentar dar combate ao ataque interiorano.

Caíque, por exemplo, perdeu um gol imperdível e imperdoável.

Fato é que o primeiro tempo do Santos foi abaixo da crítica.

E, já no segundo, a torcida foi se desesperando a tal ponto que, em coro, aos 12 minutos, pediu Neymar, o franzino menino de 17 anos, que vale 30 milhões de euros de multa num contrato até 2014.

E não é que aos 13 o técnico Vagner Mancini atendeu o pedido.

Aos 14 ele entrou no lugar de Molina.

Ao repórter da SporTV, Carlos Cereto, ele se disse "feliz e ansioso" antes de fazer seu primeiro jogo como profissional.

Aos 16, pela direita, ele driblou o lateral e cruzou, mas a bola, caprichosamente, bateu na trave.

Se ele faz o gol, mesmo sem querer, o Pacaembu teria vindo abaixo e seria um momento acima da crítica.

Bem ou mal, aos 19, sob outra energia, Roni pegou pela direita, tocou para dentro da área, recebeu de volta pelo alto de um zagueiro adversário, numa tabelinha improvável, e bateu de primeira, sem deixar a bola tocar na grama: um golaço!

Aos 35, Neymar deu um toque precioso para Triguinho quase ampliar.

E, aos 44, Madson, o melhor em campo, de esquerda, de fora da área, fez outro golaço, dando a cara mais real do que foi o segundo tempo, não o primeiro.

Mas o Oeste diminuiu, em impedimento, aos 46, com Dezinho, gol que mereceu no primeiro tempo.

A estreia do garoto Neymar valeu.

Porque ele mudou a cara do jogo e mostrou enorme personalidade, além de três boas participações na partida.

O Santos se consolida no G4.

Por Juca Kfouri às 20h59

Flamengo, sem convencer

O Flamengo ganhou da Cabofriense por 3 a 1 agora há pouco no Maracanã, pela primeira rodada da Taça Rio.

Depois da goleada imposta pelo rubro-negro na Copa, imaginava-se que seria mais fácil do que foi.

O Mengo fez 1 a 0, aos 13, com Douglas, de cabeça, tomou o empate aos 8 do segundo tempo, desempatou com Ibson seis minutos depois e, por pouco, aos 41, não levou outro empate, evitado por um milagre de Bruno.

Menos mal que, em seguida, Everton fez o terceiro gol, também de cabeça em cruzamento de Leonardo Moura, e matou o jogo.

Mas este Flamengo, apesar das mudanças de Cuca, continua a não ser confiável.

Como o Resende demonstrou, aliás, na Taça Guanabara.

Por Juca Kfouri às 20h09

Prudente em paz

A iniciativa de Palmeiras e Corinthians para promover o dérbi de amanhã, em Presidente Prudente, vai muito além da disputa da recém-criada taça Osvaldo Brandão, um treinador com muita história em ambos os clubes, ou das outras iniciativas de marketing: criou-se também um clima de paz entre dois tradicionais adversários, jamais inimigos.

E só por isso já valeu.

Nada a ver com o clima que cercou São Paulo x Corinthians, com as consequências conhecidas.

Por Juca Kfouri às 13h27

06/03/2009

Os números de Douglas

Com mais de 3000 opiniões, 29,97% consideraram que o meia Douglas, do Corinthians, ao não passar para Ronaldo marcar, foi apenas burrinho.

Outros 29,75% o consideram mascarado, enquanto 22,57% pensam que ele é fominha.

Mas 17,71% o tem na conta de craque.

Por Juca Kfouri às 22h34

A volta de Parreira

Carlos Alberto Parreira está de volta como treinador, outra vez no seu Fluminense.

Tudo a ver.

E o Flu, com Thiago Neves e, ainda mais, com Fred, reforça consideravelmente sua marca.

Parreira tem um currículo de respeito e paradoxal.

Campeão mundial de 1994 com uma Seleção Brasil média, façanha para poucos, acabou humilhantemente derrotado em 2006 quando tinha, no papel, um esquadrão aparentemente imbatível, com os Ronaldos, Kaká etc.

Pouco antes, em 2002, tinha brilhado no Corinthians com os títulos do Rio-São Paulo e da Copa do Brasil, além do vice-campeonato no Brasileirão.

Brasileirão que venceu com o Fluminense, em 1984.

No fiasco da Copa da Alemanha, manchou sua carreira, pelo silêncio cúmplice com a baderna, que só veio a admitir mais de um ano depois.

Pior: durante aquela Copa, descontrolou-se a ponto de xingar todos que apontavam a falta de condição de Ronaldo quando o centroavante bateu o recorde de gols na maior competição do futebol mundial.

Era um Parreira irreconhecível, pois, em 1994, soube ganhar o tetracampeonato com a grandeza dos verdadeiros vencedores, depois de ser criticado por meio mundo.

Que, agora, ele se redima.

O futebol agradecerá.

Em tempo: a volta de Parreira não tem nada a ver com as de José Sarney, Michel Temer, Renan Calheiros, e, sobretudo, a de Fernando Collor.

Nem com a de Michael Jackson, certamente.

Por Juca Kfouri às 22h23

Sport quer estrangeiro contra IWL

A direção do Sport quer arbitragem estrangeira na partida do próximo dia 8 de abril, na Ilha do Retiro, contra o Palmeiras.

Motivo: acredita que haja um claro conflito de interesses quando se sabe que árbitros brasileiros recebem do Instituto Wanderley Luxemburgo para fazerem palestras etc.

O vice-presidente de futebol do Leão, Guilherme Beltrão, garante que pedirá à Conmebol a escalação de arbitragem estrangeira, como já aconteceu em atendimento ao São Paulo no passado.

Faz sentido. 

Por Juca Kfouri às 20h37

Indignação!

Nada a ver com esporte.

Mas é impossível conter a indignação: o caso de excomunhão, por parte da Igreja Católica, que envolve um estupro cometido pelo padrasto, e a consequente gravidez de gêmeos de uma menina de 9 anos, em Pernambuco, é das coisas mais bárbaras de que se tem notícia neste país em que não faltam barbaridades.

É por essas e por outras -- tantas guerras, por exemplo, tanto fanatismo,  tanta exploração da fé e da ignorância alheias, proibição do uso de preservativos etc -- que se justifica o sonho de um mundo sem religiões, como John Lennon imaginou.

Assombroso!

Em tempo: reitero a recomendação do livro "Missa Negra", do filósofo inglês John Gray, tradução brasileira pela editora Record.

Por Juca Kfouri às 14h42

Editorial do 'Jornal da Tarde', de hoje

O fiasco anunciado da nova Timemania

O governo anunciou mudanças na Timemania, loteria criada para salvar clubes com equipes profissionais de futebol.

As mudanças serão feitas para ajudar quem continua devendo.

Isso leva à conclusão de que há poucas perspectivas de melhorar o panorama financeiro do futebol profissional brasileiro, que mudou pouco em meio século, valendo ainda a definição de Flávio Costa, treinador da seleção vice-campeã do mundo em 1950, de que é bom dentro das quatro linhas e péssimo fora delas.

A tragédia atual é que a qualidade do jogo piorou e a da gestão, mais ainda.

E a nova Timemania poderá ter destino ainda pior que o objetivo de sua existência.

Criada em 2006 para permitir que os clubes beneficiários usem parte do dinheiro dos apostadores, em teoria torcedores apaixonados com a opção clubística de indicar quem deve receber a parcela de sua aposta para saldar suas dívidas com a Receita Federal, a Previdência Social, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), começou a operar em 18 de fevereiro do ano passado.

O rateio é compartilhado entre premiados (46%), clubes (22%), custeio e manutenção dos próprios serviços (20%) e financiamento de projetos esportivos na rede de ensino, clubes sociais, do Fundo Penitenciário Nacional, das Santas Casas de Misericórdia e da seguridade social.

Como em tudo a que o Estado recorre ao bolso do cidadão para salvar, há penduricalhos demais, mas estes nada têm que ver com o desinteresse do público potencial pelo produto.

O apostador e torcedor mostrou ter-se sentido como um gato escaldado com iniciativas do gênero: a arrecadação, de R$ 124,6 milhões, foi de um quarto do previsto (R$ 520 milhões).

Do total, R$ 27,4 milhões foram rateados entre 80 clubes, que para recebê-los e ter as dívidas renegociadas em 20 anos, se comprometeram a abatê-las usando o que receberam da Timemania e mais R$ 50 mil por mês.

Com a arrecadação abaixo do previsto, estes já avisaram que não terão recursos para honrar o compromisso com o Estado, apesar de sua magnanimidade incomum.

Há exemplos extremos, como o clube de maior torcida do Brasil, o Flamengo, que, ainda que a iniciativa houvesse tido êxito, não poderia honrar o compromisso para ter direito à regalia.

 Mas clubes que devem menos também não terão como, depois de março, pagar o que devem ao grande credor: tudo leva a crer que a inadimplência das "empresas" de futebol profissional com o governo só tenderá a crescer.

Enquanto o governo continuar jogando dinheiro público fora para bajular as arquibancadas, este contencioso não se reduzirá.

Para conseguir o que quer, a autoridade teria de exigir dos "cartolas" critérios empresariais de gestão, com metas de desempenho e demonstrações financeiras transparentes - e isso estes não parecem dispostos a aceitar nas negociações para tentar salvar a Timemania: ela pode estar tão fadada ao fiasco quanto nosso futebol "profissional", que foi criada para salvar.

Por Juca Kfouri às 12h01

São Paulo já lidera na Libertadores

Em menos de meia hora o São Paulo liquidou com o jogo em Cali, na Colômbia.

Aos 2 minutos, Jorge Wagner, antes da intermediária do América, pela esquerda, fez daqueles lançamentos de que só ele é capaz de fazer em direção ao centrovante Washington.

O artilheiro chegou na frente de dois zagueiros e desviou a bola para o fundo da rede.

O América aparentemente não se impressionou e pressionou.

Com três zagueiros (André Dias, Miranda e Renato Silva), Muricy Ramalho escalou Junior Cesar em vez de Hugo no meio de campo.

Hernanes e Jean tinham mais liberdade para criar.

Rogério Ceni precisou fazer ao menos duas defesas complicadas e o tricolor, embora sem recuar, quase não incomodava, meio que se fingindo de satisfeito com a vantagem.

Mas, aos 26, agora pela direita, foi a vez de Hernanes fazer um lançamento longo para Washigton fazer 2 a 0 e ainda causar uma troca de sopapos entre o goleiro Mesa e o zagueiro Viáfara, um culpando o outro pelo gol.

O América continuou mais tempo com a bola e o São Paulo permaneceu se fazendo de morto.

Bolas passavam perigosamente pela meta brasileira ou eram interceptadas por Rogério Ceni.

Mas o tricolor foi para o vestiário na qualidade de líder de sua chave, com os mesmos quatro pontos do Defensor uruguaio, mas melhor no saldo de gols.

E se o América planejou alguma blitz para mudar a cara do jogo, ficou no plano.

Porque logo aos 4 minutos, ANDRÉ DIAS cruzou da direita, Miranda subiu, Mesa defendeu, mas Borges enfiou a cabeça no rebote e fez 3 a 0.

Aumentar o saldo de gols passou a ser o objetivo dos tricampeões da Libertadores.

O estádio de Cali, mesmo assim, não se calou.

Os colombianos torcem como os argentinos, não como nós.

E jogam objetos no gramado, como quase todos pela América do Sul.

Hector Baldassi, o árbitro argentino que no ano retrasado acabou com o jogo entre Cerro Porteño e Grêmio, em Assunção, por falta de segurança, ameaçou fazer o mesmo em Cali.

Rogério Ceni teve de continuar a trabalhar bastante e o quarto gol também ameaçava sair dos pés de Borges e Washington.

Aos 39, até para fazer justiça, o América diminui: 3 a 1.

Só aos 44 o São Paulo mudou, com a entrada de Dagoberto no lugar de Washington.

O jogo iria ainda até os 50 minutos, para compensar o período em que ficou paralisado por causa da torcida americana.

E o São Paulo, que não foi feliz em sua estréia ao apenas empatar com o também colombiano Independiente de Medellin, no Morumbi, já lidera seu grupo, com os mesmos quatro pontos do uruguaio Defensor, mas com melhor saldo de gols. 

No próximo dia 18, em Montevidéu, os dois se encontrarão.

Por Juca Kfouri às 01h37

05/03/2009

A volta de Ronaldo, para Tostão e Sócrates

Conversei com Tostão, sempre brilhante e ponderado, no CBN EC, sobre a volta de Ronaldo.

Em resumo, Tostão acha que ele voltou ao gramado, não necessariamente ao futebol, pelo menos por enquanto.

E diz que Ronaldo é um "mistério" permanente.

Ninguém sabe direito o que houve na final da Copa de 1998, ninguém entende por que ele ficou com o corpo que tem hoje em dia e que, enfim, Ronaldo está loge de ser um atleta que possa competir, embora ele torça para  que volte a ser capaz de deslumbrar como sempre o deslumbrou.

Mas não acredita.

Sócrates, no "Cartão Verde", foi na mesma linha, ao dizer que a volta dele vale pelo personagem que é, mas que claramente houve uma precipitação.

Menos mal.

Não enlouqueci.

Por Juca Kfouri às 22h17

Futebol & Música: tudo a ver

 

Por RUY CARLOS OSTERMANN

Faz pouco mais de um século que o futebol se popularizou e, assim, se aproximou do que já estava havia muito tempo no domínio gostoso do povo – a música popular brasileira de origens africana e açoriana, e que logo passou a ter influências europeias.

Mesmo provinda, em alguns casos, de ritmos não tão populares como a polca, a música sempre foi popular.

Mas a música da elite era outra, de outro ritmo – a erudita.

Mas que estou eu a falar do que não entendo se não por gosto e admiração?!

É que este livro de Beto Xavier, que faz detida e definitiva pesquisa sobre futebol no país da música, é um esforço em prol de identificar na cultura popular brasileira os seus verdadeiros traços de permanência e valor.

A música antecede em tudo o futebol, que foi uma invenção dos colégios ingleses para melhor preencher os grandes intervalos com a prática de uma formidável pelada: todos contra todos, cada um pela mínima glória de ao menos chutar ou entrever-se com o que chamavam de bola – na verdade, um objeto pequeno, arredondado, e que na sua crescente tecnologia ganhou uma cobertura de couro fechada até chegar a uma câmara de borracha cheia de ar e fechada por ventil.

Charles Miller, bem citado pelo autor na sua importância histórica, retornando da Inglaterra, trouxe duas bolas de futebol e passou a jogar o esporte em campos de críquete.

Logo seus amigos de classe média aderiram à prática.

Os que jogaram o primeiro futebol eram filhinhos-de-papai, mas logo o futebol se popularizou.

A bola, os chutes, a correria e a alegria de jogar junto seduziram os meninos pobres e descalços das ruas adjacentes aos campos.

Deu-se então a grande inversão: o público passou a ser formado por homens e mulheres bem vestidos, enquanto os jogadores eram de camadas pobres da população.

Estes tinham mais tempo para jogar e uma inata vocação.

O futebol tornou-se uma obra coletiva de encanto, arte e inigualável entretenimento.

Chegou onde a música já estava com chorinhos, lundus, canções e sambas, e um se tornou dependente do outro em muitos sentidos.

A investigação de Beto Xavier destaca esses gradativos encontros e demarca um crescimento e uma importância que já bem se pode afirmar que um é também o outro.

Fazia falta um registro sério e comprometido como esse de Futebol no país da música até para reabilitar mais uma dimensão cultural desse nobre esporte, aparentemente desprovido de grandeza e significado segundo a miopia elitista de muitos intelectuais ainda aborrecidos com o que não seja uma reflexão por escrito.

 

Sobre o autor:

BETO XAVIER nasceu poucos meses depois de o Brasil conquistar o bicampeonato mundial no Chile, no mesmo ano em que Elza Soares e Garrincha começaram um tórrido romance.

Passou a infância e adolescência em Três Lagoas (MS), jogando bola e ouvindo muita música, principalmente brasileira, no rádio e no toca-discos.

Em 1981, ano do primeiro título nacional do Grêmio, seu clube do coração, foi para Bauru (SP), cidade onde Pelé marcou seus primeiros gols.

Lá cursou Jornalismo, trabalhou no rádio e na televisão, colaborou em jornais e revistas e apresentou vários festivais de música.

Ainda na década de 1980, época da efervescência do pop rock nacional, passou algumas temporadas na capital paulista, trabalhando como comunicador e produtor de rádio.

Em 1994, duas semanas após o Brasil conquistar o tetracampeonato mundial, mudou-se para Florianópolis, para trabalhar no Grupo RBS, e por lá ficou até a segunda Copa da Alemanha, em 2006.

A partir daí passou a morar em Porto Alegre (RS), cidade que ama e frequenta, por questões afetivas e atávicas, desde os tempos em que ainda não havia nenhuma estrela ornamentando o escudo do tricolor gaúcho.

Com 28 anos de profissão, tem em seu currículo funções como repórter esportivo, apresentador de rádio, editor de TV, redator jornalístico e produtor de eventos culturais. Futebol no país da música é seu primeiro livro.

Que tem 276 páginas, editado pela Panda Books e custa R$ 40.

Terá noite de lançamento em São Paulo no dia 2 de abril, na FNAC da avenida Paulista, 901, às 19h.  

Por Juca Kfouri às 17h26

Horcalino Troca-Letras

O presidente do Fluminese Roberto Horcades tem apenas meio neurônio.

Na apresentação de Fred (que é ótimo centrovante, diga-se), hoje, nas Laranjeiras, chamou-o de Celso e de Fábio.

E disse que Celso Fábio, ou Fábio Celso, não ficou muito claro, era o primeiro campeão mundial no grupo tricolor desde os tempos da "Máquina", em meados dos anos 70.

Pois nem Celso Fábio, nem Fábio Celso, nem muito menos Fred, nenhum deles foi campeão mundial.

E o lateral-esquerdo Branco, símbolo do Flu, foi campeão mundial em 1994 e vestiu a camisa tricolor depois disso.

Para não falar do Romário, é claro...

Veja a emocionante entrevista do presidente trapalhão:

http://justicadesportiva.uol.com.br/jdtv.asp?id=29

Por Juca Kfouri às 16h06

Douglas, expulso da história

Douglas perdeu a chance de entrar para a história do futebol.

Se ele passasse aquela bola para Ronaldo fazer seu gol na noite de sua volta ao futebol, todos falariam de Douglas.

Mas, não.

Ele mesmo quis fazer o terceiro gol corintiano.

Amanhã, ninguém se lembrará de que Chicão e André Santos fizeram os dois gols.

Como não se lembrariam de um eventual terceiro gol de Douglas ou de quem quer que seja, com exceção de um gol de Ronaldo.

Douglas fez que nem aquele cara que não passou a bola para Pelé marcar seu gol no jogo da Seleção Brasileira que comemorou os 50 anos do Rei.

Como é que ele se chamava mesmo?

Por Juca Kfouri às 12h22

O melhor time do Brasil

Por ROBERTO VIEIRA*

 

O melhor time do Brasil é o Sport.

Contra números não há argumentos.

O Sport venceu 13 dos seus 14 jogos este ano.

Empatou um clássico contra o Santa Cruz.

Pra quem argumenta sobre a fragilidade do campeonato pernambucano.

O Sport retruca:

Foi o primeiro clube brasileiro a vencer o Colo Colo pela Libertadores.

Em Santiago.

Nesta quarta-feira venceu novamente.

Por 2 x 0 a LDU.

Atual campeã da Libertadores.

O Sport que apresenta 100% de aproveitamento no torneio continental.

O Cruzeiro chega perto.

Mas o Universitário de Sucre e o Estudiantes não formam um grupo da morte.

O Internacional penou contra os holandeses da Copa do Brasil.

O Grêmio esqueceu como se faz um gol.

O São Paulo envelheceu.

E o Palmeiras?

É um velho freguês que vai enfrentar a Ilha do Retiro em abril.

Na Semana Santa.

Para ser crucificado de vez.

Ou quem sabe?

Ressuscitar.

O que parece muito difícil antes do Domingo da Páscoa.

O Sport é o melhor time do Brasil.

Papo de rubro negro?

Que nada!

Sofrimento de um alvirrubro.

Que não aguenta mais essa turma da fuzarca na noite recifense!

*Roberto Vieira acertou que a estréia de Ronaldo seria contra o Itumbiara, em nota publicada dia 25/2.

Por Juca Kfouri às 08h55

Boa noite para o futebol brasileiro

O Sport voltou a jogar pela Libertadores na Ilha do Retiro, repleta, 21 anos depois.

E voltou com louvor, ao vencer a atual campeã da taça, a LDU do Equador, por 2 a 0.

O Cruzeiro, na altitude de Sucre, ganhou do Universitário boliviano por 1 a 0, depois de cinco jogos sem vitórias fora de casa pela Libertadores.

E Ronaldo Fenômeno voltou ao futebol depois de mais de um ano sem jogar.

Discretamente, atuou por 27 minutos em Itumbiara, na vitória do Corinthians por 2 a 0, o que eliminou a necessidade do jogo de volta contra o time local.

Pegou 11 vezes na bola, deu duas pedaladas, uma cabeçada como zagueiro na área corintiana e ainda tomou um golpe de microfone ao fim do jogo, que atingiu seu olho direito.

Mas o que vale, por enquanto, é que ele voltou.

E deve jogar no domingo contra o Palmeiras, em Presidente Prudente.

Comentário para o Jornal da CBN desta quinta-feira, dia 5 de março.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 00h13

Classificação com Ronaldo

Foto Guilherme Jr/EFE

O Corinthians começou o jogo em Itumbiara dando a impressão de que jogaria bem.

Em poucos minutos, chutou três vezes ao gol do ex-botafoguense Max.

Mas o Itumbiara equilibrou e no belo gramado do estádio JK acabou por levar mais perigo que o Corinthians.

Duas vezes Túlio teve a chance do gol.

Numa delas, Fabinho salvou.

Na outra ele chegou um milímetro atrasado.

Denílson, acredite, jogava bem.

O Corinthians não impressionava, mas, aos 44, Jorge Henrique sofreu um pênalti desnecessário e Chicão converteu, com categoria, em gol.

Maior do que a expectativa de fazer o segundo gol para evitar o segundo jogo no Pacaembu era a da entrada de Ronaldo.

E a expectativa secundária foi logo atendida, aos 4, com André Santos se aproveitando, com muita categoria, de uma sobra de chute mascado de Boquita.

A expectativa menor, é claro, ajudava a satisfazer a maior, porque o Corinthians já tinha o resultado de que precisava.

Aos 8, com 30 mil torcedores pedindo a entrada de Ronaldo, ele foi para o aquecimento com os demais jogadores do banco.

Em campo, o Corinthians jogava para o gasto, com a tranquilidade do ano passado, diante de um adversário de segunda.

Aos 20, Mano Menezes chama Ronaldo e, ao lado de Otacílio Neto, ele, aos 22, entrou no lugar de Jorge Henrique.

Souza também deixou o campo, sem ter aparecido na partida.

Havia quase 13 meses que ele não jogava e fazia 15 anos que não jogava por um clube brasileiro, desde que saiu do Cruzeiro para o PSV, da Holanda.

Sua última partida, pelo Milan, aconteceu em 13 de fevereiro de 2008.

Aos 23, deu seus primeiros dois toques na bola.

O Misto, do Mato Grosso do Sul, será o adversário do Corinthians na segunda fase da Copa do Brasil.

Aos 27, Ronaldo foi desarmado com facilidade, em seu terceiro toque.

Aos 29 deu de ombro, quando quis dar de cabeça.

Em seguida, quase passou por dois zagueiros na entrada da área e reclamou de uma falta não marcada, sem razão.

Aos 31, Douglas, fominha, tentou o gol quando Ronaldo estava livre para receber e marcar o terceiro.

Aos 33, Ronaldo participou bem de uma triangulação com André Santos e Douglas, que o último desperdiçou na cara do gol.

Aos 38, o Fenômeno pedalou e deu com açúcar para Otacílio Neto que, aí, foi ele o fominha ao não dar para Douglas, livre pela esquerda.

No contra-ataque, quase o Itumbiara diminuiu.

Aos 40, Ronaldo tocou de novo na bola, na intermediária.

Aos 43, como zagueiro, aliviou uma situação de perigo na área alvinegra.

Aos 49, Ronaldo participou mais duas vezes da partida e teve uma falta marcada contra ele, dentro da área, que não existiu.

Enfim, sem maiores emoções, deu tudo certo na noite corintiana, mesmo sob sufoco no final do jogo e com Otacílio Neto expulso infantilmente.

Na saída de campo, Ronaldo ainda levou uma microfonada no olho.

Um absurdo.

Por Juca Kfouri às 23h51

Noite brasileira na Libertadores

O Sport foi muito melhor que a LDU durante todo o primeiro tempo, na Ilha lotada, fez 1 a 0 com Daniel Paulista, aos 13, e, depois, poderia ter feito mais.

O segundo tempo começou com o time equatoriano pressionando, como era de se prever.

O Sport, no entanto, não se impressionava.

E, aos 24, viu o experiente goleiro Cevallos fazer pênalti em Paulo Baier, ser expulso, e viu Baier bater o penal para fazer 2 a 0.

O Sport fazia história 21 anos depois de jogar pela última vez diante de sua gente pela Libertadores.

Aos 42, a LDU mandou no travessão rubro-negro.

Se o Palmeiras está 100% negativo em dois jogos, o Sport está 100% positivo.

E os dois se enfrentarão, na Ilha, dia 8 de abril.

O Cruzeiro foi muito melhor que o Universitário, em Sucre, fez 1 a 0 com Thiago Ribeiro, aos 38, e, antes, poderia ter feito mais.

O segundo tempo, sempre mais sofrido por causa dos 2800 metros de altitude, começou com o time boliviano com mais atitude, mais arrojado.

Mas o Cruzeiro resistia bem, sem maiores problemas.

Aos 33, Fábio teve de fazer grande defesa, no canto esquerdo de seu gol.

Depois de cinco jogos sem vencer fora (duas derrotas e três empates), o Cruzeiro voltava para casa vitorioso.

Com um senão: adivinhe quem foi expulso de campo.

Sim, ele, Kléber, aos 25, depois de chutar um rival.

Tsk, tsk, tsk.

 

Por Juca Kfouri às 23h47

04/03/2009

90 dias de gancho para Del Nero

Marco Polo Del Nero foi suspenso, por unanimidade, pelo STJD, por 90 dias por causa da história que inventou antes do jogo entre Goiás e São Paulo.

Será substituído por seu inimigo Reinaldo Carneiro Bastos.

Do ponto de vista da FPF, é trocar seis por meia dúzia.

Do ponto de vista da Justiça, o fofoqueiro foi punido como merecia.

E, do ponto de vista moral, se Del Nero tivesse vergonha na cara, renunciaria.

Mas não o fará.

Por Juca Kfouri às 22h58

Inter fez a obrigação

O Inter sofreu para despachar o União de Rondonópolis, de quem havia perdido no Mato Grosso por 1 a 0.

O Colorado precisou de 65 minutos para fazer 1 a 0, gol de Índio, no rebote da trave depois de uma falta batida por D'Alessandro.

Oito minutos depois, Alecsandro, pegando outro rebote da trave, fez o gol da classificação.

Suada e, diga-se, dificultada pelo árbitro Wagner Tardelli que, no fim do primeiro tempo, não deu um pênalti clamoroso de Odvan em Taison.

O Inter cumpriu com seu dever e agora pega o Guarani de Campinas, que não é mais nem sombra do que foi.

Por Juca Kfouri às 22h55

E Barrios foi vetado

O atacante argentino Lucas Barrios do Colo-Colo, que ontem estraçalhou o Palmeiras, foi oferecido ao...Palmeiras.

A Traffic se dispôs a trazê-lo, mas o jogador foi vetado sob o argumento de que não sabia jogar.

Gilberto Cipullo e Toninho Cecílio foram os autores do veto.

Por Juca Kfouri às 15h58

E a dona CBF não se mexe...

Pois é cadê a seleção brasileira vice-campeã olímpica e mundial de futebol feminio?

Neste março haverá dois torneios: um em Portugal, o tradicional torneio do Algarve que se realiza todo ano, e para o qual, várias vezes, a CBF recusou o convite e outro, no Chipre.

Lá estarão as seleções dos Estados Unidos e outras bem menos cotadas, como as da África do Sul e da Nova Zelândia.

A nossa, nada.

Uma vergonha para a  CBF que, no máximo, aceitou fazer um amistoso contra a Alemanha, em abril, que só acontecerá porque a federação alemã, que quer um time forte para se preparar para Euro feminina, em agosto, se desdobrou para marcar.

É só procurar em futebol feminino, mês de março, para constatar.

http://es.fifa.com/worldfootball/results/index.html#

Por Juca Kfouri às 15h26

O DVD dos campeões de 1958!

Por JOSÉ CARLOS ASBEG

A bagagem da seleção brasileira de futebol, que embarcou em fins de maio de 1958 para a Suécia, onde foi disputar a copa do mundo, levava um peso extra, difícil de ser carregado: o complexo de vira-lata do povo brasileiro.

Ele não pesava nas malas, pesava na alma de cada jogador.

A seleção já saiu do Brasil derrotada, os jogadores eram amarelões, que tremeriam na hora h e humilhariam toda a nação. 

Nelson Rodrigues definiu este sentimento nacional como "o complexo de inferioridade que todo brasileiro, voluntariamente, se coloca diante do estrangeiro".

Portanto, o povo brasileiro é que era complexado e não os jogadores.

Eles partiram confiantes.

Sabiam do próprio valor.

Afinal, que outra seleção, em qualquer outra época, reuniria Gilmar, Castilho, De Sordi, Djalma Santos, Belini, Mauro, Orlando, Zózimo, Nilton Santos, Oreco, Dino, Zito, Didi, Moacir, Joel, Garrincha, Vavá, Mazola, Dida, Pelé, Zagalo e Pepe? 

No dia 29 de junho de 1958, depois de uma campanha extraordinária, a seleção conquistou o primeiro título mundial dos cinco que ostentamos hoje.

Os "vira-latas" fizeram o brasileiro orgulhoso pela primeira vez diante do mundo.

Do dia para a noite, os jogadores viraram heróis.

Não herói de filme americano.

Heróis de futebol brasileiro mesmo: ganharam um terno aqui, uma festinha ali e muitas, muitíssimas, promessas.

Na explosão de alegria o país quis esquecer, para sempre, o tal complexo de vira-lata.

Depois do pau-brasil da borracha e do café, o Brasil acabava de se tornar o país do futebol. 

Então, quando lembramos aquela gloriosa seleção, devemos prestar tributo aos jogadores não apenas pelo primeiro título mundial do futebol brasileiro, mas por nos terem libertado, ainda que por um tempo, do complexo de inferioridade, o tal viralatismo que ainda hoje se perpetua no espírito de muita gente, gente que quando olha o espelho continua não gostando do que vê. 

"1958 o ano em que o mundo descobriu o Brasil" vai em busca desta memória tão valiosa para nossa história, para que o maior feito do nosso futebol jamais seja esquecido.

É um trabalho afetuoso, uma declaração de amor, uma homenagem aos heróis do futebol brasileiro.

São heróis de carne e osso, não atravessam paredes, nem ficam se exibindo em cima de edifícios.

Fizeram história e ainda não receberam todo o reconhecimento que merecem.

A conquista deles vai além do futebol, esta paixão nacional, talvez a maior expressão da cultura popular brasileira e provavelmente um dos mais fortes laços da identidade nacional. Tomara que sejam permanentemente redescobertos pelas futuras gerações.

Só assim estará garantida, de fato, a maior contribuição que eles nos deixaram: o fim do viralatismo. 

E é com prazer que informo o lançamento em DVD do "1958 o ano em que o mundo descobriu o Brasil".

Nestes próximos dias, o o DVD estará nas lojas americanas e nas livrarias da Travessa, Saraiva e Cultura, além de ser vendido, também, no site

www.livrosdefutebol.com .

Por Juca Kfouri às 15h17

Todas as fichas no Cruzeiro e no Sport

O Palmeiras foi um fiasco, em pleno Palestra Itália, e perdeu para os chilenos por 3 a 1.

Mas como a Libertadores não para, hoje, às 21h50, mais dois brasileiros estarão em campo, ambos vitoriosos em suas estréias.

O Cruzeiro pega o desconhecido Universitário da Bolívia, em Sucre.

O melhor jogador do time boliviano, para variar, é a altitude de 2800 metros.

Mas o Cruzeiro deve vencer.

E o Sport faz o jogo mais interessante da rodada, diante do atual campeão da Libertadores, o time da LDU, do Equador, na Ilha do Retiro, que desde 1988 não recebe um jogo válido pela competição mais importante da América.

O time pernambucano é favorito e só não pode jogar como o Palmeiras jogou ontem.

Como, até aqui, dos brasileiros, só o Cruzeiro ganhou em casa e só o Sport ganhou fora de casa, esperemos que o Cruzeiro seja o segundo a ganhar fora de casa e o Sport seja o segundo a ganhar em casa.

Amém.

Comentário para o Jornal da CBN, desta quarta-feira, 4 de março de 2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/juca-kfouri/JUCA-KFOURI.htm

Por Juca Kfouri às 01h57

03/03/2009

Catástrofe no Parque

Nem bem o jogo começou e Edmilson foi agarrado na área, em pênalti que o árbitro não viu.

O Palmeiras era todo ataque e o Colo-Colo todo defesa, mas sem abdicar de fustigar os donos da casa.

Casa lotada, diga-se, como era de se esperar em Palestra Itália.

Aos 19, a primeira chance melhor de gol para o time brasileiro, com Marcão, pela esquerda, obrigando o goleiro chileno a fazer, em dois tempos, uma defesa difícil, rente à trave.

Aos 32, o Colo-Colo respondeu à altura e Bruno teve de fazer ótima defesa.

E, aos 34, de novo, Bruno teve de intervir em cabeçada à queima-roupa.

A coisa começava a ficar complicada.

E Keirrison não brilhava.

O primeiro tempo ia acabando sem gols, o que era até bom para o Palmeiras.

Mas, aos 43, Lucas Barrios livrou-se de dois zagueiros (Maurício e Danilo) verdes e deixou os chilenos na frente do placar.

Era chato, cruel, mas era justo.

 Nem bem começa o segundo tempo e o Colo-Colo fica com dez jogadores.

Era a senha para a virada.

Mas eis que o Colo-Colo, por incrível que pareça, continuava mais perigoso.

E, surpreendentemente, fez 2 a 0. Num drible de Barrios sobre Danilo, imperdoável.

Até que em mais uma jogada de Cleiton Xavier, Keirrison, enfim, apareceu para diminuir.

Mais de 23 mil palmeirenses foram à loucura.

Como era noite de catástrofe, nove minutos depois, o Colo-Colo matou o jogo ao fazer 3 a 1.

As entradas de Jefferson, Jumar e Lenny nos lugares de Marcão, Maurício e Capixaba não surtiram o efeito desejado.

O Palmeiras não está morto na Libertadores, mas agoniza. 

Por Juca Kfouri às 20h20

Grosseria paulista

A lei estadual burra que obriga, em São Paulo, que se toque o hino nacional antes de eventos esportivos -- e que só serviu para banalizá-lo e fazê-lo ser desrespeitado -- causa, também, grosserias.

Como, por exemplo, a de obrigar os times estrangeiros que aqui vem a ouvir o hino do anfitrião sem direito a ouvir o de seu país.

Foi o que acabou de acontecer no Palestra Itália.

Os chilenos do Colo-Colo não entenderam nada.

Por Juca Kfouri às 20h02

O pênalti de Zico

Por ROBERTO VIEIRA

 

O pênalti foi criado no futebol no dia 3 de março de 1891.

Embora só fosse cobrado no ano seguinte.

Sessenta e dois anos depois, nascia um craque: Zico.

Zico que escreveria seu nome no futebol mundial pela arte, pelos gols.

Pelos pênaltis.

Pois os pênaltis não existiriam sem Zico.

Embora já desse seus primeiros chutes entre os profissionais da Gávea em 1970/ 71.

Foi apenas em 1974 que Zico deslumbrou o Rio de Janeiro.

Ganhando uma Taça de Prata.

Ganhando o título carioca.

Dois anos depois, duas cobranças de falta contra Uruguai e Argentina mexeram com a imaginação do povo.

Zico extrapolou as fronteiras da Baía de Guanabara.

Zico era o Pelé Branco.

Zico que entortava zagueiros, metia bolas na gaveta e tinha cara de menino.

Zico que batia pênaltis de forma magistral.

Invariavelmente, bola num canto e goleiro no outro.

Pênalti que foi reinventado por Zico.

Antes de Zico, apenas o Rei Pelé tinha enxergado beleza no tiro livre direto.

Copiando e consagrando a paradinha.

Deixando pra marcar de pênalti seu milésimo gol.

Caso contrário, pênalti era só penalidade, trocadilho.

Com Zico, virou pão e circo.

Mas havia sinais de fumaça.

Os goleiros ficaram espertos.

Quando a Revista Placar foi fotografar os segredos do fenômeno.

Pedrinho do Bonsucesso voou no canto direito e defendeu a pelota.

Acaso?

Coincidência?

Era o dia!

Vida que segue até a final da Taça Guanabara de 1976.

Bastava Zico cobrar e o Flamengo seria campeão.

Mazaroppi pula como um felino na direita e defende.

O Vasco confirma suas cobranças e sagra-se campeão.

Estupor.

A massa que ergue e destrói coisas belas, ruge indignada.

Pipoqueiro!

Perna-de-pau!

Só joga no Maracanã!

Zico deixou de ser unanimidade.

A seleção deixou de ser Zico mais 10.

Jorge Mendonça assumiu a ponta de lança de Cláudio Coutinho.

Por pouco tempo.

Quis o destino, ao redor de Zico brotasse uma geração de gênios do futebol.

No Flamengo: Júnior, Leandro, Andrade, Geraldo e Adílio.

Na seleção: Cerezzo, Falcão, Sócrates e Telê Santana.

Todos repudiando a democracia das massas.

Todos assinando embaixo da genialidade do Galinho.

Zico reergueu-se tricampeão brasileiro.

Campeão da Libertadores e Mundial Interclubes.

Até que o destino cruel assinou 'Sarriá!'

Destino que se revelaria mais cruel quatro anos depois.

Como? Em um pênalti!

Pênalti originado de um passe de Zico para o lateral Branco.

Zico que se recuperava de uma entrada assassina de um desses beques de usina.

Pênalti que surgia no inferno mexicano como um sinal do destino.

Um sinal de redenção.

O último pênalti para resgatar as lágrimas e as lesões.

Nada de canto direito!

Mas o pênalti foi defendido pelo goleiro Bats da França no canto esquerdo.

O menino Artur olhou para a marca penal.

Um círculo. Como a sua amada bola.

Careca chegou e lhe abraçou.

O mundo pareceu fugir sob suas chuteiras.

Pipoqueiro!

Perna-de-pau!

Só joga no Maracanã!

Depois, Zico marcou... de pênalti. Platini mandou nas nuvens.

Sócrates chutou nas mãos de Batts.

Bats papou um frango alemão.

E Maradona foi campeão.

A taça é o que permanece na história dos homens?

Talvez.

Porém, quem viu o Galinho jogar, sonhou nas asas da imaginação.

Imaginação que lembra as cobranças de Zico.

A gente pula num canto.

E a imaginação vai certeira... no outro!

Por Juca Kfouri às 13h21

Palavra do presidente: Ronaldo joga!

Todas os indícios são na direção contrária, mas há pelo menos uma pessoa no Corinthians absolutamente convencida de que Ronaldo fará sua estréia no domingo, contra o Palmeiras:

o presidente do clube, Andrés Sanchez.

E o comando da Rede Globo já sabe de tamanha convicção.

Por Juca Kfouri às 00h56

Palmeiras deve controlar a ansiedade

Não se trata de um jogo de vida ou morte este Palmeiras e Colo-Colo de hoje às 20h em Palestra Itália, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores.

Nem poderia, pois, depois, os dois times terão mais quatro jogos pela frente e com 12 pontos dá para pegar, ao menos, a segunda vaga para as oitavas-de-final.

Mas nem o time brasileiro nem o chileno tem nem sequer um ponto, ambos derrotados na estréia, o Palmeiras fora de casa, o Colo-Colo dentro.

Daí a necessidade de pontuar hoje.

Para o Palmeiras só interessa fazer os três pontos e não só tem time para isso como o time tem futebol para tanto.

O Colo-Colo ficará feliz se voltar para Santiago com um empate.

O Palmeiras é favorito, favoritíssimo.

Mas deve ter presente os dramas vividos pelo São Paulo, no Morumbi, contra o Independiente Medellin e pelo Grêmio, no Olímpico, contra o Universidade do Chile.

Curioso, aliás, que o único brasileiro que venceu em casa até agora foi o Cruzeiro, que bateu exatamente no visitante mais forte, o Estudiantes da Argentina.

E bateu por 3 a 0, quando um 2 a 1 teria sido mais adequado ao que foi a partida, enquanto o São Paulo fez por ganhar de uns 4 a 0 e o Grêmio de oito.

Por isso o Palmeiras precisa ter cabeça fria e jogar o futebol que tem, sem pressa e atento, para evitar surpresas desagradáveis.

Por Juca Kfouri às 00h39

02/03/2009

Santista fiel!

Por Juca Kfouri às 17h30

Leia com cuidado

O Botafogo botou, sozinho, mais de 70 mil pagantes ontem no Maracanã.

O que já está servindo para uma leitura enviesada e que só serve para justificar a incompetência e a cumplicidade de cartolas e autoridades.

Como em regra a torcida alvinegra é minoria nos clássicos cariocas, a estupenda presença de ontem seria a prova de que jogo bom é o de uma torcida só.

Porque o botafoguense prefere mesmo ficar em casa quando o adversário é o Flamengo etc.

Ora, quem paga impostos e ingressos tem o direito de ter segurança para ir a qualquer lugar.

Se em vez de exigirmos o que é de nosso direito nos conformarmos com saídas que contornam em vez de enfrentar os problemas, estaremos consagrando a bandidagem.

É tudo que ela quer.

Mas, entenda bem: este blogueiro acha mesmo que não se deve correr riscos para ir a um jogo de futebol.

O que não significa que apoie medidas restritivas ao comparecimento do torcedor. 

Por Juca Kfouri às 14h11

01/03/2009

Faltou futebol em Marília

Acredite você ou não, o Corinthians conseguiu sair atrás do Marília, até então o primeiro dos últimos no Paulistinha.

E deve agradecer por ter perdido só de 1 a 0 no primeiro tempo, quando levou bola na trave e viu Felipe pegar bola até sem querer.

Em compensação, o Corinthians criou apenas uma chance de gol, com Otacílio Neto pela direita, que exigiu a única defesa do goleiro do MAC.

E o panorama no segundo tempo era o mesmo, com Abuda perdendo logo aos 9 minutos a chance de fazer 2 a 0.

Enquanto isso o Corinthians não criava nada em seu meio de campo e ainda tinha dois laterais, Escudero e Fabinho, que de laterais nada tem, eram mais duas avenidas que o time da casa percorria com facilidade, que o diga o autor do gol, Fabiano Gadelha, aos 38 do primeiro tempo.

Aos 16 do segundo tempo, no entanto, Douglas acertou um raro cruzamento e Jorge Henrique, que entrara no lugar de Morais, subiu, do alto de seu 1,69m, de cabeça, para empatar.

De tão frágil, o MAC passou a achar que o empate estava de bom tamanho, até porque lhe faltavam pulmões para seguir encarando o jogo de igual para igual.

Mais preocupado em manter sua invencibilidade em 2009, o Corinthians também não forçou muito, ou por não conseguir ou por estar mais preocupado com o jogo que interessa, na quarta-feira que vem, em Itumbiara, contra o campeão goiano de 2008, pela Copa do Brasil, o grande objetivo alvinegro desta temporada.

Aos 45, por detalhe, Lulinha não fez o gol da virada.

Aos 46, foi a vez de Elias, parado por ótima defesa do goleiro rival, cara a cara.

Mas o melhor mesmo é esquecer o jogo em Marília.

Jogo?

Por Juca Kfouri às 21h03

Santos, com méritos

Fazia muito tempo que não se via um Santos tão bem posto em campo e confiante.

Mesmo diante do time titular do São Paulo, foi do dono da casa a iniciativa no San-São.

O tricolor demorou para entender o que estava acontecendo e, quando entendeu, levou vantagem.

Léo salvou na linha fatal uma cabeçada de Washington que, momentos antes, reclamou muito de um pênalti que Fabão teria cometido, embora não tenha ficado claro, apesar da mão do zagueiro no ombro do atacante.

E quando o São Paulo dominava, Roni, de bicicleta, achou Molina no meio da área e o colombiano chutou forte para fazer 1 a 0, aos 40.

Festa na Vila Belmiro no intervalo do jogo.

Que quase ficou maior aos 13, quando André Dias mandou contra o próprio travessão.

O jogo era bom, lá e cá, e Fábio Costa evitou o empate na cabeçada de Dagoberto.

Aos 25 foi a vez de Madson reclamar de pênalti, que até teve mais cara do que o reclamado por Washigton no primeiro tempo.

Aos 31, Dagoberto fez grande jogada individual que, no entanto, chutou mascado em vez de dar para Washigton, livre, leve e solto.

A chiadeira foi enorme.

Fato é que o jogo merecia mais gols, para qualquer lado.

Mas ficou no 1 a 0, placar melhor para o Paulistinha, que tem o Santos de novo entre os quatro primeiros.

Por Juca Kfouri às 17h58

O turno é Colorado!

Victor é nome de vitoriosos.

No caso do goleiro do Grêmio, no entanto, ao menos no primeiro tempo no Beira-Rio na decisão do turno do Gauchinho, foi sinônimo de empate.

Ele fez três defesas simplesmente incríveis que impediram que o Inter, bem melhor, saísse na frente do Gre-Nal de número 375.

Uma ao sair nos pés de Nilmar e fechar o ângulo.

Outra, na sequência do lance, ao pegar no canto o arremate de Kléber.

E a terceira numa cabeça à queima-roupa de Andrezinho.

Victor era o nome do empate no encharcado estádio colorado.

Nem bem começou o segundo tempo e Índio derrotou Victor, ao fazer, 1 a 0, livre na cara do goleiro, aos 2, depois que Kléber bateu falta e a defesa gremista fez a linha de impedimento, mas Ruy dava condições.

O Inter continuou melhor, quase ampliou, mas...futebol é futebol.

E Alex Mineiro, aos 15, empatou, em lindo gol, da meia lua, em chute muito bem colocado.

E as coisas mudaram, com o tricolor partindo para pressionar em busca da virada.

O Inter até se assustou e tanto Guiñazu como Magrão levaram cartões amarelos, ambos por fazer faltas violentas em Souza.

Mas, futebol é mesmo futebol.

E quem fez o segundo gol foi o Inter, com Magrão, aos 33, de cabeça, aproveitando-se de falta cobrada por Andrezinho.

Já fazia sol à beira do Guaíba.

Aos 38, pela direita, Nilmar acerta a trave esquerda do Grêmio.

A taça do turno estava na mão.

Por Juca Kfouri às 17h57

Cinco vezes Botafogo na Taça Guanabara!

Diga-se desde já que o Resende é um time atrevido.

Com o Maracanã tomado por botafoguenses (75 mil presentes, 72 mil pagantes!), o time fluminense não se acovardou e tratou de fustigar o grande carioca.

Que é grande mesmo e cada vez mais disposto a voltar a ser o que era.

Depois de se assustar um pouco com o ímpeto do pequeno, o Botafogo tomou conta.

E construiu sua vitória parcial no primeiro tempo aos poucos e com méritos, ao apertar o adversário até fazê-lo confessar.

E numa jogada pela direita de Fahel, a bola bateu e rebateu e dois zagueiros para sobrar na pequena área nos pés de Reinaldo que fez o 1 a 0 que era de lei, aos 34.

O Botafogo estava com a mão no pentacampeonato da Taça Guanabara.

Mas se o Resende era atrevido no empate, na derrota então é que voltou com tudo para o segundo tempo.

E logo aos 3 minutos mostrou suas más intenções.

Não fosse uma ótima defesa de Renan e Bruno Meneghel teria empatado.

O Botafogo entendeu o recado.

E, aos 7, Juninho fez um passe precioso para o até então desaparecido Lucas Silva fazer 2 a 0 e deixar o campo, substituído por Ney Franco.

Agora era só deixar o tempo passar e, quem sabe, buscar mais um gol, que pintava.

Pintava, pintava, mas não saia, como não saiu aos 32, com Reinaldo.

A situação do Resende já era tão desesperadora que até Viola entrou em seu ataque.

E o terceiro gol, para coroar a festa, enfim saiu, aos 41, com Maicosuel, em rebote de arremate de Alessandro.

E o travessão ainda salvou o quarto gol.

Fogão pentacampeão da Taça Guanabara! 

Por Juca Kfouri às 17h57

Desagravo a Tarso Genro

O pugilista cubano Erislandy Lara disse, na quarta-feira passada, por telefone, ao repórter Jamil Chade, de "O Estado de S.Paulo": "Sinceramente, até hoje não entendi o que ocorreu e porque voltamos à Cuba".

Assim manifestou sua incompreensão sobre os motivos que levaram o Brasil a deportá-lo de volta à Cuba durante o Pan-2007.

Hoje, no entanto, no "Esporte Espetacular" da Rede Globo, ele foi claríssimo ao dizer ao repórter Bruno Laurence que quis voltar à Cuba e que o presidente Lula, pessoalmente, lhe ofereceu asilo -- algo inusitado e que o próprio Lula poderia ter contado ao país.

Lara parece não bater bem e fica impossível saber quando fala a verdade.

Quem sabe seu companheiro de infortúnio, Guillermo Rigondeaux, esclareça, agora que também fugiu de novo de Havana.

Por enquanto, no entanto, é justo que se diga, o ministro da Justiça, Tarso Genro, merece ser desagravado por todos que o criticaram veementemente, este blogueiro devidamente incluído.

Porque Lara já demonstrou não saber o que quer nem o que fala nem mesmo em situações calmas, como a atual, razão pela qual dá para imaginar sua confusão mental num momento de tensão.

Por Juca Kfouri às 15h11

Sobre o autor

Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.

Histórico